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Suar.
Esquiar.
Patinar.
Escalar.
Puxar.
Saltar.
Correr.
Nadar.
Remar.
Pedalar.
Mergulhar.
Levantar.
Escalar.
Lutar.
OPERAÇÃO MARÉ NEGRA
- Sargento. - Bom dia.
Foi justamente aí onde a testemunha viu cair o camião.
Foi o único a avisar do acidente.
O único?
Que estranho, não?
Sim, muito.
Alguém perde camião, condutor e carga e não dá sinais de vida.
Acho que é o camião que procuram.
Obrigado, Molina.
Bom dia, sou o subtenente Luis Novoa, do ECO.
Preciso de dois mergulhadores.
Mando-vos a localização. O mais rápido possível, por favor.
Conta lá, sacana.
A bófia já anda a farejar onde caiu o camião.
É melhor esquecermo-nos da carga.
Já tiraram o cadáver do Barreira?
Aqui ainda não tiraram nada.
Procurem esse cabrão.
Quem?
O Barreira, idiota!
Esse sacana já deve ser comida de peixes.
"Deve ser"...
é primo direito de "não faço a mínima ideia".
Erva daninha não morre.
Vão à procura desse cabrão!
Sim, patrão.
Foda-se! Caralho!
Um camião cheio de fentanil. Foda-se!
Só vim transmitir-te a mensagem, Boza.
Isto foram os albaneses Às escondidas do Muro.
Só os nossos é que sabiam onde estava a mercadoria.
Às escondidas do Muro ou às ordens dele.
Lembra-te como é que ele ficou quando soube que escondíamos o camião.
Aqui todos se querem afirmar.
Pode ser qualquer um dos nossos com vocação para empreendedor.
Não ponho as mão no fogo por ninguém.
A não ser por mim.
Só por ti?
Queres dizer só por nós.
Claro, caralho. Só por nós.
Onde é que arranjaste os palhaços que ficaram a guardar o pavilhão?
Que é que foi?
Tenho de dar-te justificações a ti?
- Como é que é? - Que foi? Trabalho para ti, por acaso?
Já não te conheço, Merino.
"O humor é dança da dor", já te esqueceste das tuas palavras?
- Era uma piada, foda-se. - Era uma piada?
- Que saberás tu sobre a dor? - Vai para o caralho.
- Vai tu para o caralho! - Eh...
Concentremo-nos no Muro, não?
Concentremo-nos no Muro, foda-se.
Senta-te.
Está na hora desse cabrão pagar.
Como estás?
Tenho a mandíbula a estalar.
Agradece ao Juanín.
Recebeste um soco do campeão amador
de peso-pluma da Galiza.
Desculpa, pá. Pensei que estávamos a ser roubados.
Bom, isto já está.
- Cesáreo, fechas tu? - Claro.
Então vou-me embora.
Para mim eras o maior, pá.
Sempre imitei o teu estilo.
Aliás, peso o mesmo que tu quando ganhaste o campeonato de Espanha.
- Aposto que podias ter ganho o europeu. - Deixa-te de parvoíces.
Vai com o António e vemo-nos no ginásio.
Deixa-te de parvoíces. Põe-te a andar, vá.
- No fundo, até gosto dele. - Põe-te a andar.
Quê?
Agora mesmo não parece que tenhas ganho
a ninguém na puta da tua vida.
Eh, campeão?
Tiveste sorte, Gema, só estiveste em coma duas semanas.
Isso só por si já garante um prognóstico mais positivo.
Evoluiste muito melhor do que pensava
durante este tempo em que estiveste acordada.
Agora, a questão do projétil.
A bala continua num buraco da tua cabeça.
Depois de abrir, decidimos deixá-la onde está.
Agora só nos resta confiar em que não vai sair do sítio.
Sim... uma maldita bomba-relógio, é o que é.
E se sair?
Algum prognóstico?
Pode ser amanhã ou daqui a 50 anos.
A medicina e o futuro não são ciências exatas, Gema.
A vida não é uma ciência exacta, doutora.
Mais alguma coisa?
Temos o assunto legal.
Acho que chegou o momento de o enfrentares.
E depois, ainda está a outra questão.
Não vamos falar disso agora.
Não me apetece.
Continuem sem mim, amigos.
Ficaram sem brinquedos, ou quê?
Viemos fazer as pazes.
Não é bom para ninguém estares tão chateado.
É melhor deixar tudo em pratos limpos.
Esta noite joga a tua seleção.O Tri, não é?
Já sei, pá.
Vem ver o jogo connosco e bebemos um copo de alvarinho.
Este sacana está convidado?
Claro que sim. Eu com O Tri até ao fim do mundo.
Quem quer saber de um jogo amigável?
Neste pátio, ninguém. Mas não é pelo jogo.
É pela...
confraternização.
Ainda temos muitos negócios pela frente.
Se tivemos problemas, marcamos um X.
Não é assim que os mexicanos dizem?
Se quiseres podes trazer um dos teus homens.
Um, porque todos não cabem.
Quem dera que o tempo tivesse parado naquele momento, não achas?
Teria sido o melhor para todos.
O Juanín...
não é demasiado velho para o campeonato espanhol?
Sim, é possível.
O Juanín estava na rua, Nando,
a fumar prata, a fumar bases de cocaína.
Era assim que estava.
É melhor ser subcampeão de Espanha do que dar na droga, não achas?
O que é que achas, Nando, tendo em conta o que tu fazes?
Preciso de dinheiro.
Não está fácil.
Estou fodido.
Toma, Nando.
Vai-te foder.
Olha!
Antón, Antón pirulero...
Cesáreo.
Quem é este homem grande como um monumento?
Nandinho, o meu neto.
Nandinho, choca mais cinco.
É este, a ver se o endireitas, que anda sem tino.
Tem bom coração, mas mau feitio.
O outro chamou-me "sem pais".
Sem pais...? O que é que isso tem?
- Ficas com ele? - Fico.
Quê?
Um bilhete, por favor.
Um bilhete para onde?
Onde quer que seja, mas fora da Galiza.
Pode ser para León?
Está bem, pode ser.
Julita, tens de me tirar de aqui imediatamente.
O cabrão do Boza encontrou-se com o Miranda durante uma licença
e combinaram dar cabo de mim.
Não sei se o filho da puta do Anxo ou qualquer um dos meus,
todos os cabrões têm um preço.
Só posso confiar em ti, minha rainha.
Inventa um exame médico qualquer.
Não posso, Muro.
Não percebeste o que estou a dizer. Estes cabrões vão dar cabo de mim.
Não percebes?
Se te ajudo a fugir, vão-me apontar o dedo a mim.
Lamento Muro, mas não posso.
Alguma coisa que corte.
Algo que corte. Dá-me algo corte.
Não te vão dizer nada se aparecer com alguma coisa que corte.
Algo que corte!
Tu, maldito embusteiro
que vieste a navegar do leste
com as tuas longas barbas vazias
e misturado com animais
que cuspiam fogo.
Fizeste-nos acreditar que eras quem não eras, sacana.
Maldito Cortés,
que nem sequer as regras da guerra respeitaste.
Nem sequer a trégua da noite, cobarde.
Vou atravessar o rio atrás de ti até Mictlán
ou ao teu maldito céu,
para vingar o meu povo mexica.
Atenção, arma branca!
Arma branca no patio interior!
Preso ferido!
Huey Tlatoani Moctezuma Xocoyotzin.
Bom dia.
- Olá, preciso de... - Tire um número, por favor.
O que é que queria?
Desculpe.
O que é que queria?
Nada, obrigado.
Obrigada.
O meu telemóvel, filho da puta!
Foda-se!
É óbvio que perdemos a mercadoria.
Já não podemos cumprir o acordo com o Sinaloa e acabar com o Muro.
e não temos nada para oferecer ao Diosdado.
E tu, estás a olhar para onde, com essa cara de mocho?
Vá, sai.
Que foi? Não ouviste?
Já viste? Já ninguém nos dá ouvidos.
Lembras-te de quando todos nos adoravam?
O que é que somos agora?
Dois velhos veteranos.
Não sei.
Acho que a nossa hora já passou.
Se calhar só nos resta aproveitar o tempo com os netos,
que nem sequer conhecemos, Boza.
O meu tempo não acabou, Merino.
Eu não vou a lado nenhum, caralho.
Eu não vou a lado nenhum.
Malditos auscultadores.
Não servem, porque não estou a gostar nada
do que estou a ouvir.
Será que ouvi mal?
Ai...
estou-te a dizer a bem que repitas o que disseste.
A mercadoria perdeu-se, Dona Camila.
Ah...
Agora sim, entendi.
A culpa foi desse cabrão do Barreira. Deu cabo do camião
e, ao fugir, afundou-o no mar.
Ou seja, dizes que deu cabo dele,
mas o que parece é que deu cabo de vocês, idiota.
Exatamente, senhora.
Primeiro vendes a história de que o galego
nos vai encher os bolsos, e agora vens com esta treta.
Nem tudo são más notícias, senhora.
Falei com os Valdés. Oferecem um acordo muito melhor.
Sim, tudo isso é muito bonito, mas não passam de promessas.
O que eu quero agora é que me resolvam esta história.
E para isso preciso...
da foto da cabeça do cabrão responsável.
E que apareça bem separada do corpo.
É melhor te despachares, Carlitos,
para essa cabeça não ser a tua.
PROCURA-SE.
Diosdado.
Eu sei, mas tinha de falar contigo. É urgente.
Perdeu-se a mercadoria, é impossível recuperá-la.
Tenho algo muito melhor para te oferecer.
Só te peço que nos encontremos, para que te possa explicar tudo.
- Boa tarde. - Boa tarde.
Sente-se, por favor.
Vejamos... Vou-lhe explicar qual é a situação.
Devido à sua situação atual, e como prova de boa vontade,
vou ignorar o Ministério Público e decretar a sua liberdade provisória.
Tal como estou não vou fugir para lado nenhum.
Garanto, acredite em mim.
E garanto-lhe que em tribunal não terá a mesma sorte que tem agora.
A menos que colabore.
Foi ele que te disparou?
Quando te dão uma segunda oportunidade é porque lixaste bem a primeira.
A Gema de antes do coma já não existe.
Nada.
Estou viva por acaso.
Em relação a quem me disparou...
continuo a ter lacunas no meu cérebro,
além da bala, claro.
A não ser que pense melhor sobre a minha liberdade provisória,
- tenho de voltar para a fisioterapia. - Claro.
Com licença.
E obrigada.
Pense bem.
Por favor.
Claro.
Não sou a única pessoa que não acredita nisto da amnésia, pois não?
Ela vai acabar por falar.
Todos temos algo a perder, mesmo que não pareça.
O seu silêncio é mais uma questão de justiça.
O Barreira passou dois anos na prisão de A Lama
por trabalhar para os Valdés.
A Gema sente-se em dívida para com ele.
Ela não o vai denunciar.
E o Diosdado? Onde está?
À tua espera.
Preparei uma lista de antibióticos para dar à sua enfermeira.
Não pode mexer os braços durante dez dias,
as feridas podem abrir-se facilmente.
A boa notícia é que não foi preciso fazer-lhe uma transfusão.
Porquê?
Quando perdeu a consciência, bateu com a zona occipital.
Uma TAC à cabeça pode excluir fraturas e sinais de coágulos sanguíneos.
Embora não pareça ser grave.
Uma TAC?
Licenciado, esta TAC poderia dizer-me
se sou realmente a reencarnação de Huey Tlatoani Cuauhtémoc?
Desculpe?
Sim, esse...
Malditos espanhóis, já passaram mais de 500 anos
e ainda não conhecem a sua história.
Os meus óculos, doc?
Sabe onde estão os meus óculos?
Doc, vai-me meter nessa máquina?
Não me dá boa energia.
Não quero voltar para a prisão com um cancro em estado terminal.
Não se preocupe, será só um segundo.
Só um segundo?
Solte-me isto um pouco, está muito apertado.
Isto está bem, não se preocupe.
Licenciado, e se não houver prisão nem um cancro em estado terminal?
Estão-me a ouvir, cabrões?
Solte-o!
Vocês é que sabem, amigos.
Eu estou aqui na boa, a meter-me em sarilhos.
Como sempre, não é?
Se as balas podem atravessar o vidro,
vão-me encher de chumbo.
Mas pela glória do meu grande Tenochtitlán,
juro que aqui o licenciado vem comigo para o Mictlán.
A decisão é vossa, vocês é que sabem.
Ou me deixam fugir...
ou deixam que este jovem sangre até à morte,
com uma maldita pluma metida na jugular.
Vocês decidem, cabrões.
Vamos, puta, carrega no botão. Ou pinto as paredes de vermelho.
Abre, abre.
Nem mais um passo ou dou cabo dele.
- Está bem, calma. - Não fiques nervoso.
Sem truques, sacanas. Ou dou cabo dele, cabrões.
Afaste-se.
Onde estão as ambulâncias - No andar -2.
Vai, pá!
Quantas dioptrias é que tens?
Afastem-se, sacanas!
Alto! Polícia!
- Boa tarde, meu subtenente. - Tudo bem?
Acedemos ao camião mas não conseguimos ver a mercadoria.
É preciso ver o que fazemos.
- E o condutor? - Não há rasto, mas encontrámos isto.
Não sei onde é que esta rapariga foi buscar
esta história da festa dos 15 anos.
Até parece que se vai casar.
"A valsa isto, a valsa aquilo, os meus tacões...".
Não sei... o que é que achas?
Estás-me a ouvir, papá?
Sim, claro.
Estás bem?
Não me vês bem?
Não sei, não tens muito boa cara.
É porque não fiz a barba.
Acabaram as lâminas no armazém.
Já pediste a licença?
A licença para o 15 aniversário da tua neta, papá.
Quinze anos... Já passaram 15 anos?
Pode ser que até esse dia...
Pode ser que até esse dia já tenha a condicional.
A condicional?
A condicional não é para qualquer um, pois não?
Bom, Maruxa...
depende de quem for.
Dentro.
O teu tempo está a chegar ao fim, Fernando.
O único motivo pelo qual continuas vivo
chama-se curiosidade.
Por um momento, o medo fez-me esquecer quem sou.
Mas então algo...
me fez recordar.
A ideia...
é afastar o cartel de Sinaloa,
para ficarmos com todo o mercado de fentanil até à Europa.
Com tudo.
E isso é o quê?
Empreendimento...
ou puro desespero?
As duas coisas.
As duas coisas...
As duas coisas, Fernando,
vão sempre de mão dada com uma terceira:
ambição.
E isso pode ser preocupante.
Vem comigo.
Fernando, o nosso negócio
baseia-se no compromisso.
É o que cria a confiança.
Compromisso,
confiança.
Fácil.
Atrás de mim, Fernando, há pessoas muito importantes.
Pessoas que investem o seu dinheiro.
Muito dinheiro, Fernando.
Por isso, antes de confiar em alguém
tenho de ter a certeza do seu compromisso.
És destro, muito bem.
Ás vezes, Fernando, esse compromisso
de que falo pode ser selado fisicamente.
Com o dedo mindinho esquerdo...
será suficiente.
Tens o meu compromisso.
Força.
Bem.
Bem, bem.
Vamos curar isso...
e depois contas-me.
Temos provas suficientes para afirmar, sem medos,
que a pessoa que conduzia esse camião era o Fernando Barreira.
Arrisca demasiado, nada garante que está morto.
Para ela é mais um desejo do que uma convicção:
é que, enterrado no fundo do mar,
o acordo que fez com ele não vai vir ao de cima.
Também lá estavas.
Sim, estava.
A diferença é que eu estou disposta a lidar com a merda e ela não.
Olha que não parece.
- O quê? -Porra, Dani.
Parece que gostavas que o Barreira estivesse vivo.
Juro-te que não me apetece nada dar razão a essa juíza,
mas se a polícia não encontrou o corpo,
é porque foi arrastado pela corrente. Se calhar, não temos outra opção.
E ponto.
Querem ver um fantasma?
Enviou-me um colega de quando detivémos o Barreira.
Agora trabalha na comandância e parece que o reconheceu.
Primeiro pensou que estava a delirar, mas, ao rever as imagens de segurança,
encontrou isto.
Que é isto?
Meu Deus...
O que é que está a fazer? Será que se ia entregar?
Não sei. Se calhar queria falar com alguém.
É óbvio que afogado não parece.
Arrependeu-se.
Arrependeu-se.
Não não, senhora.
Preciso de gazes limpas.
Não?
Álcool?
- Álcool! - Álcool, anda lá.
É isso mesmo, vá.
Isso não tem bom aspeto.
Não te preocupes.
Aqui o teu sócio tem a carne rija.
Então bebamos.
Por nós
e pelo nosso acordo.
Pelo negócio...
e pela tua carne rija.
À nossa, é isso mesmo!
Saúde.
...e para a semana contas-me como é que correu.
Bom, muito obrigado. Até logo.
- Boa tarde. - Boa tarde.
Foi o Diosdado que me enviou.
Tenho pressa, por favor.
Calma, é rápido.
Está bem.
Outra.
Isto é para a viagem.
- Tem saída de emergência? - Lá em cima está aberto.
Para o Porto, por favor.
- Isso fica para os lados de Elviña, não? - Cidade do Porto. Rápido.
Isso requer um serviço especial.
Tens aí 1000 euros. Chega?
O que é que tu viste, Barreira?
A tua visita já chegou.
Está à tua espera.
Como é que andam as coisas no escritório?
Há uma pessoa que não está a facilitar as coisas.
Daniela Fonseca.
Uma antiga companheira.
Está obcecada por ele.
Bom, então teremos de chamá-la à razão, não?
NARCOSSUBMARINO INTERCEPTADO NA COSTA GALEGA.
Puta que o pariu...
Bom dia.
TODAS AS PERSONAGENS, SITUAÇÕES E FACTOS DESTA SÉRIE,
INCLUSIVE OS BASEADOS EM PESSOAS REAIS, SÃO FICTÍCIOS.
QUALQUER SEMELHANÇA COM A REALIDADE É PURA COINCIDÊNCIA.
ESTA PRODUÇÃO NÃO SERIA POSSÍVEL SEM A COLABORAÇÃO DA GUARDIA CIVIL.
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