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A MEU PAI...
Bom dia.
Bom dia.
Isto � uma mina?
Sim, � uma mina...
� a Voreux.
O meu nome � Etienne Lantier, sou maquinista...
h� trabalho por aqui?
Trabalho para um maquinista?
Ontem vieram dois � procura...
n�o h� nada.
Vamos, bonito.
Vamos, bonito.
H� f�bricas por aqui?
Por f�bricas que n�o p�ra...
contudo as oficinas fecham uma ap�s outra...
fazem em toda a parte... na a�ucareira Voton...
e na Cristalaria Garbois...
amea�am greves...
falam em baixar os sal�rios. - Eu sei. Venho de l�.
Aqui a coisa...
por agora aguenta-se...
n�o comemos carne todos os dias, mas vai-se.
Voc� � da B�lgica?
N�o, sou do sul.
Eu sou de Montsou...
chamam-me Boa Morte.
Boa Morte.
�s um sortudo? Sim.
Tiraram-me dali tr�s vezes feito um polvo...
uma vez com...
com todos os pelos chamuscados, outra...
com a garganta cheia de terra...
e a terceira com a barriga inchada cheia de �gua como uma r�.
Ent�o deram conta que n�o queria morrer...
e chamaram-me Boa Morte...
Boa Morte.
J� trabalha h� muito nesta mina?
Desde quando ainda n�o tinha oito anos...
agora tenho cinquenta e oito.
Faz a conta.
Isso � sangue? - N�o, � carv�o.
Tenho tanto no meu corpo que d� para me aquecer at� � morte.
H� j� cinco anos que n�o des�o...
tinha isto tudo armazenado sem saber.
Ajuda a conservar-se.
Vamos, bonita.
Se o senhor Hennebeau nos v� aqui a conversar...
A mina � do senhor Hennebeau?
N�o, � o Director. Cobra um sal�rio como n�s.
Ent�o, de quem � tudo isto?
Isto tudo?
N�o se sabe...
ser� de algu�m.
Meu deus! J� est� na hora.
Catherine, �s tu?
Sim pap�, acaba de tocar.
Despacha-te, malandra.
Se n�o tivesses dan�ado at� t�o tarde ter-nos-ias acordado antes.
Era domingo.
Zacharie! Jeanlin! Acorda. Est� na hora.
Merda, tens que te levantar.
Deixa-me em paz, tenho sono.
Cala-te j�, Maxime.
D�-me a Maxime, tem fome.
J� te vais calar.
Vem, vais comer. Toma.
N�o tenho nem um c�ntimo. J� o gastaste?
Hoje � dia 23 e somos dez a comer.
E Maigrat?
Devemos-lhe sessenta francos.
Ontem deu-me com a porta no nariz.
� um porco.
N�o me resta caf�, n�o me resta nada.
Creio que me restam dois c�ntimos.
Guarda-os para tomar uma caneca.
Dentro de seis dias nos pagam.
As coisas s�o assim.
Arranja-te como puderes, n�o serve de nada lamentares-te...
� melhor ir trabalhar.
- At� logo. - At� logo.
Apaga a l�mpada...
n�o quero ver a cor dos meus pensamentos.
Isto � �gua.
� o que sobrou do caf� de ontem, n�o h� mais nada.
Est� quente e n�o � t�o mau.
Come o resto do p�o, tenho papas para os pequenos.
Sim mam�, foi o que eu fiz.
Despachar, vamos chegar tarde.
Bom dia.
Procuro trabalho, qualquer que seja. Sabe se admitem algu�m?
N�o, n�o sei.
Tem que trabalhar com o senhor Dansaert.
Ent�o Mouquette, j� n�o sais com o grande Chaval?
Cada vez s�o mais pequenos.
N�o dissimules. Vi-os � noite.
Era t�o pequeno que tive que subir a um palanque.
Que se passa, tens inveja? Ningu�m te pediu ajuda, verdade?
A Mouquette voltou um pouco tonta.
- Maheu. - Sim.
Fleurance morreu.
Encontraram-na ontem tesa na cama, o cora��o.
N�o...
deve ter bebido a Genebra demasiado depressa, pobre...
que pouca sorte.
Que vamos fazer?
Se Catherine ficar s� a empurrar, o trabalho se ressentir�.
� preciso substitui-la a seguir.
H� um homem em busca de trabalho.
Senhor Dansaert.
Senhor Dansaert.
Fleurance morreu.
Tenho que a substituir.
H� um homem que procura trabalho.
Posso contrat�-lo? Se n�o ficaremos mal.
Por mim n�o h� inconveniente, mas � preciso dizer ao senhor N�grel.
� ele quem decide.
Posso procur�-lo? Obrigado.
Catherine, onde est� o homem que procura trabalho?
Foi para as caldeiras.
Vai procur�-lo. Diz-lhe que o contratamos.
Fleurance morreu. Encontra-o. Despacha-te.
Fleurance morreu?
Venha, existe algo para voc�.
Muito obrigado. Fico contente.
- Trinta c�ntimos por dia, de acordo? - De acordo?
P�e isto na cabe�a para te protegeres.
� um trabalho pesado mas aprender�s depressa.
Guardarei isto no meu cacifo at� que tenhas o teu.
Depressa, chegaremos tarde.
Obrigado.
D�-lhe a l�mpada de Fleurance, que morreu.
- Morreu? - Sim.
Cuida bem dela. Para um mineiro a sua l�mpada � como o sol.
133.
Tem cuidado com os ouvidos!
O escoramento tende a ceder...
a �gua entra por todos os lados.
Chegamos. Esta � vala Guillaume.
Que fizeste? Faz maia hora que estou aqui.
N�o comeces a protestar, hoje � segunda-feira.
Quem � esse?
� o substituto de Fleurance. Morreu.
Agora os homens comem o p�o das mulheres.
Venha ao trabalho!
Est� bem!
Eh, venha dar-me uma m�o.
Zacharie...
n�o � o momento de escorar!
Deixa para depois de comer...
agora temos que continuar a levar os vagonetes.
H� uma fenda, isto poderia desmoronar-se.
N�o seria a primeira vez. Vamos trabalhar!
Depressa!
Que n�o se enfastiem com as escoras!
Partilh�mo-lo?
N�o tenhas nojo.
- Aqui ainda n�o foi mordido. - Obrigado.
Que fazias antes?
Era maquinista nos caminhos-de-ferro de Lille.
- Despediram-te? - Sim.
Dei um bofet�o no chefe.
Tinha bebido...
apenas bebo, mas quando o fa�o fico louco.
N�o bebas.
Est� tranquila, controlar-me-ei.
Estou preocupada com a minha m�e.
Onde est�?
Em Paris.
� lavadeira. Na rua Goutte d'or.
Com os meus trinta c�ntimos ao dia n�o lhe poderei enviar nada.
Toma, � �gua com caf�, n�o te far� mal.
Se tomares aquecer-te-�.
J� me deste metade do teu p�o.
J� que �s t�o educado...
Agora n�o podes recusar.
� tua sa�de.
- N�o tens noivo? - Ainda n�o...
mas j� tentei.
N�o te faltar�.
Isso n�o faz mal a ningu�m.
Contudo se o disseres ao padre.
N�o me importa o padre.
Repara na chama da l�mpada...
est� a mover-se.
P�e a m�o aqui.
Notas uma esp�cie de corrente?
� o grisu.
� uma bolsa pequena, n�o h� muito...
mas �s vezes pode ser perigoso.
Venham meninos.
At� logo.
Quietos, pequenos!
- Bom dia, Francis. - Bom dia, Senhor.
Bom dia, magoo-os?
Nem falar.
Grande tormenta � noite. Sa� com os cavalos para arejar...
e de passagem venho saudar-vos.
Fizeste bem.
- Como est�o as tuas filhas? - Maravilhosamente.
Jeanne n�o deixa as pinturas nem um momento...
e Lucie n�o larga o piano.
Bem. - E C�cile?
N�o tardar� muito...
quando lhe chegar o odor do biscoito, de certeza que desperta.
E o seu casamento com N�grel?
Comenta-se, mas n�o h� nada em concreto.
N�o esperaste por mim para o pequeno-almo�o?
- Dormias t�o bem. - Bom dia, primo.
Bom dia, preciosa.
Est� tudo bem com Jean-Bart?
Esta crise traz-nos a cabe�a...
estamos a pagar os anos de prosperidade.
Mas Leon, equivocaste-te ao n�o vender as ac��es.
M�lanie, sonhava com ele.
J� est� bem cachorros! Quietos!
Quietos!
J� est� a� outra vez essa mulher com os seus filhos.
Filha, cumpre com o teu dever.
Honorine, traz a roupa do arm�rio.
Muito obrigado, menina.
S�o t�o bons.
Pobrezitos, est�o p�lidos do frio que t�m passado.
S� t�m estes dois?
N�o senhora, tenho sete.
Sete filhos, mas porqu�?
Meu Deus!
S�o muitos.
J� trabalha na mina h� muito tempo?
Desde os vinte anos.
Deixei no primeiro parto, e a segunda vez...
quando me casei...
tinha demasiado trabalho em casa, mas...
a fam�lia do meu marido j� est�o h� s�culos nisto.
Toma, ficas mais quentinho...
meu pobrezito.
Muito obrigado. Muito am�vel.
Estamos sem nada...
se me pudessem dar alguns francos.
N�o, esse n�o � o nosso costume. N�o podemos.
A companhia d�-vos casa e aquecimento, n�o � verdade?
Sim senhora, d�o-nos carv�o...
e o aluguer � de seis francos por m�s...
parece que n�o, mas �s vezes n�o se pode pagar.
Este m�s n�o temos nada.
� preciso poupar um pouco...
como os camponeses...
n�o se pode beb�-lo todo.
Toma pequeno, reparte-o com a tua irm�.
Claro, conhece bem o not�rio...
� ele que vai preparar as actas da Piolaine.
S� duas barras de p�o, senhor Maigrat.
Conformo-me s� com isso. N�o lhe pe�o caf�.
J� h� bastante tempo que lhe devemos sessenta francos...
mas tamb�m precisamos de comer at� s�bado.
S� lhe pe�o duas barras de p�o.
N�o.
Isso trar� m� sorte, senhor Maigrat.
N�o sou um trapeiro.
Por um pouco de caf� e manteiga.
Manda-me a tua filha. J� me arranjei com ela.
Olha para isto. Olha.
Este � o homem que veio esta manh�.
N�o gosto que arranjes desconhecidos pelo caminho.
Que n�o se repita. Segue.
Mas, que � isto?
Que porcaria de escoras s�o estas?
- Maheu! - Quem as fez?
Que se passa com as escoras?
N�o se preocupe, s�o resistentes.
- Como s�o resistentes? - A rocha est� a desfazer-se... N�o v�s?
Quando tens a cabe�a cheia arcas com as consequ�ncias? N�o.
A companhia dar� uma pens�o �s vossas mulheres.
Para arranjar duas vagonetas mais darias o vosso pelo.
Se nos pagar mais escoramos melhor.
Parem uma hora para escorar.
J� h� muito tempo que vos digo.
S� ir�o conseguir que paguem as escoras � parte...
e que baixe o pre�o da vagoneta.
E aviso-os, ir�o ter uma multa de tr�s francos.
Vamos!
Tirad!
Tirad! Tirad!
Que n�o � justo, n�o �.
Temos de conversar com calma porque � a melhor...
maneira de se entender, contudo p�em-nos loucos.
Ouviste?
O pre�o da vagoneta baixa, e as escoras s�o � parte.
Outra maneira de nos pagar menos.
Meu deus, meu Deus.
Quando n�o se � o mais forte, � preciso ser razo�vel.
Razo�vel.
Hoje j� os nossos filhos n�o t�m nada para comer.
� assim, aproveitam-se de n�s.
S� nos resta aguentar.
E ainda dois c�ntimos menos por vagoneta. Que dia.
E que podemos fazer?
Aqui h� que trabalhar.
- N�o necessitamos de malandros. - Tens raz�o.
Servem-se dos seus bra�os como um porco da pia.
Ao mais velho tem um quarto para ti.
Pedirei que te fie, �s um amigo.
Para provar que n�o p�ra.
� um antigo mineiro.
- Olha Maheu. - Olha.
Senhor Rasseneur. A minha Genebra.
P�e uma caneca para este rapaz. Contratei-o esta manh�.
Tens algum quarto livre e podes fiar-lhe durante duas semanas?
Imposs�vel, os dois quartos est�o ocupadas.
Bem Maheu, que h� de novo?
Sempre igual...
voltaram-nos a dar uma bronca por causa das escoras.
E aplicaram-nos uma multa de tr�s francos.
J� sei que � um risco mas enquanto escoramos, as vagonetas n�o se enchem.
Eles que paguem as escoras.
Isso � o que querem...
Assim baixaram o pre�o da vagoneta... E sempre pagamos n�s.
Se baixarem o pre�o haver� confus�o.
N�o podemos ir por a�.
Um dia destes acontecer� algo.
H� muita mis�ria.
E as f�bricas fecham umas atr�s das outras.
Ouvi dizer que em Jean-Bart querem parar.
Deneulin, o dono, tem problemas econ�micos.
Um equipamento novo.
Uma mina que se preparou em menos de dois anos.
O meu amigo Pluchart escreveu-me. Aquele que conheceste aqui.
Est� preocupado.
- Pensa que � preciso actuar. - Eu conhe�o o Pluchart.
Ele era o meu capataz quando eu era contramestre em Lille.
Conhe�o-o bem. Fal�vamos muitas vezes.
Se Pluchart estivesse aqui, tudo seria melhor...
fez tremer mais de um patr�o.
Maheu trouxe o senhor, � seu ajudante...
vamos ver se temos um quarto para ele e se podemos...
fiar-lhe durante duas semanas.
De acordo.
Combinado.
Est� com sorte. O inquilino foi embora esta manh�.
Est� bem.
Bom, vou a casa.
Isto tem que parar...
e logo que paremos haver� mortos.
- Venha, boa tarde. - Boa tarde.
- At� amanh�. - Obrigado.
Bom.
- N�o, eu primeiro. - N�o acabaste a tua sopa.
N�o quero lavar-me com a tua �gua. Deixa-la como tinta.
N�o voltem muito tarde, amanh� n�o � domingo.
- Vou buscar flores. - Bem.
Olha! Aqui est� Zacharie!
Agora n�o. Antes quero ir lavar-me.
- N�o � isso. - Que �?
Tens dinheiro?
Para ir ao Vulc�o para ver essas marranas.
Prometo-te que n�o, tenho uma d�vida, devo dois francos a Mouquette.
Devolvo-to no s�bado. Prometo.
Promete que convencer�s a tua m�e para que nos casemos.
J� n�o quero levar este tipo de vida.
Tive uma ideia e fui ver Maigrat. Fizemos uma troca.
Ver�s, teremos p�o at� s�bado...
manteiga, caf�, chic�ria...
at� me deixou uns francos.
Por isso pude comprar carne.
Ainda me devem tr�s francos e setenta e cinco.
Amanh� farei cozido para todos.
Deixa-me tonto.
Est�s a molhar-me.
A sobremesa. N�o me deste a sobremesa.
Catherine, que est�s a fazer a� em cima?
Estou a remendar o meu casaco. Ontem rasgou-se.
N�o des�as, o teu pai est� a lavar-se.
Mas que tonto.
A minha sobremesa.
Maxime est� ver-nos. Espera que a volte.
S� tem cinco meses. N�o creio que repare.
Vai, tudo a direito.
Que se passa Catherine? Onde vais com tanta pressa?
Vou para casa.
- Entra e bebe qualquer coisa. - N�o, est�o � minha espera.
Meto-te tanto medo que sempre me rejeitas.
Vem que eu te ensinarei onde � minha casa.
Irei quando as r�s tiverem pelo.
Muito bem.
Que fazes por aqui?
Fui ver Mouquette...
tinha que deixar-me dinheiro para me comprar uma fita mas gastou-o.
Grande Mouquette. Dou-te eu a fita.
Deixas-me o dinheiro e eu to devolverei.
Devolves-me o dinheiro se n�o fores comigo...
- De acordo? - De acordo.
Vamos.
Sabes Catherine, prefiro que n�o me devolvas o dinheiro.
De que cor queres a fita?
Obrigado.
Deixa-me.
Desejo-te.
- Disse-te que me deixes. - Vem, vem.
- Vem, vem. - P�ra!
Deixa-me! P�ra!
V�bora!
Tu o que queres � casar comigo.
Toma.
Te dou seis.
Cinco.
Cinco, cinco.
N�o h� problema.
Nem Deus nem amo.
Aqui est�.
Espera Emile!
- N�o se sabe sempre. - Venha Emile!
- Sabes alguma coisa de Pluchart? - Sim, escreveu-me.
A Associa��o Internacional de Trabalhadores que...
fundaram em Londres funciona muito bem.
Cada vez h� mais filiados.
Pela primeira vez os trabalhadores do mundo v�o unir-se para...
lutar de igual para igual contra os patr�es.
Asneiras.
O vosso Karl Marx...
continua a acreditar na evolu��o das for�as naturais...
querendo negociar com os patr�es cara a cara...
para obter aumento de sal�rio.
� preciso deitar fogo a todas as cidades, arrasar tudo...
quando j� n�o restar nada neste mundo podre...
talvez cres�a outro melhor.
N�o chegaremos a esse extremo.
O oper�rio sozinho n�o � ningu�m. Mas unido representa uma grande for�a.
Temos de criar uma sec��o em Montsou.
O assunto das escoras acabar� mal.
Se a companhia se tentar impedir, haver� greve.
� preciso organizar-se.
� preciso criar um fundo que...
chegado o momento, sirva de caixa de resist�ncia.
Quanto mais dinheiro tivermos mais resistiremos.
O pior s�o as cotas.
Cinquenta c�ntimos anuais para o fundo geral...
dois francos para a sec��o � demasiado.
N�o querer�o pagar.
� preciso reconstruir um mundo novo...
muito mais justo. Legalmente.
Vamos Unir-nos para ditar as nossas leis.
Aumentar os sal�rios numa economia capitalista...
� um sonho.
Os oper�rios s� t�m direito a comer p�o duro...
e a ter filhos.
� uma lei f�rrea que se baseia no equil�brio dos ventres vazios.
� uma condena��o a pris�o perp�tua de fome e mis�ria.
� preciso destruir tudo.
Sim, a anarquia e mais nada...
a terra lavada pelo sangue...
purificada pelo fogo...
depois veremos.
� preciso evitar um derramamento de sangue.
Prova a tua sorte aqui! Cinco c�ntimos!
L�onard!
L�onard!
Queres vir? Vamos.
Dois c�ntimos os bolos!
Duas salsichas, duas.
Duas salsichas.
- Aqui tem, senhor. - Tome.
Dois c�ntimos.
- Obrigado. N�o, n�o, est� bem. - Aqui tem, senhor.
Temos de fazer uma solicita��o � companhia...
e conseguir uma casa.
Entretanto, se quiserem, podem ficar na nossa.
V�o comer batatas.
- J� est�, chegamos a acordo. - Pap�, tens uma moeda?
Sim. Toma.
Aceitaste?
- Outro pagamento que j� se vai. - Est� gr�vida.
Que pod�amos fazer?
- J� est�. - N�o � verdade.
Est�s contente? Pois eu tamb�m.
Mas, onde est�?
Ali.
Onde est� Zacharie?
N�o sei, mam�. Perdi-o. Estou � sua espera.
Anda, vem busc�-lo. Tenho uma boa not�cia.
Pap�!
Olha. Repara nas pombas.
Est�o de acordo. Vamo-nos casar!
Nos dias de hoje tamb�m � uma despesa a menos.
Por agora ainda est� aqui.
Quando Zacharie for � preciso outro inquilino.
Quem?
Podia ser Lantier?
� um bom rapaz.
�s vezes tem boas ideias.
Se vamos para a greve...
essa caixa de resist�ncia nos servir�.
N�o nos importa a companhia...
teremos dinheiro para resistir.
Tenho que pensar...
portar-se bem � a melhor caixa que h�.
Daria tudo pela justi�a...
a bebida e at� as mulheres.
Se h� algo que me p�e contente...
� pensar que vamos correr com os burgueses.
Cada membro pagar� vinte c�ntimos por m�s...
e pouco a pouco aforraremos...
e o dinheiro nos fortalecer�.
Mesmo que a greve dure meses.
Eu empenhar-me-ei a fundo. D� a� mais cinco.
Etienne se quiseres...
podes hospedar-te em casa.
Estar�s mais acompanhado.
- Mas s� depois do casamento. - Claro.
Dormir�s no quarto das crian�as...
ficar�s no lugar de Zacharie.
- Sim, que durma com Jeanlin. - Com certeza.
Se todos os oper�rios est�o juntos...
por que � que h�o-de ser escravos dos patr�es que lhes pagam?
- Boa tarde. - Boa tarde.
N�o necessitamos de Deus nem do para�so para ser felizes.
Depende de n�s que este mundo podre mude...
e que a paz reine sobre a terra. A igualdade.
Ilus�es.
Por acaso os burgueses querer�o trabalhar tanto como n�s?
Ter�o que encontrar a raz�o.
Cada um segundo os seus m�ritos e segundo a sua fome.
Com a raz�o n�o iremos a parte nenhuma.
Nem com as palavras. Ser� com sangue.
Para que as coisas mudem h� que derramar sangue.
A nossa for�a � o n�mero.
Diante da ira dos oper�rios, os patr�es claudicar�o.
Tardaremos mais...
mas � preciso evitar juntar sangue ao sofrimento.
Pierron, n�o me pagaste a cota deste m�s.
Esqueci-me.
Para isso vim.
Um dia vereis...
que este dinheiro n�o foi um sacrif�cio in�til...
precisamos dele.
N�o quero morrer sem o ver.
Venha Catherine.
Senhores, boas noites.
Adeus.
Hoje, se v� claramente...
o oper�rio reflecte devido ao ensino.
Dantes nas minas os av�s faziam uma cruz.
Catherine!
Catherine est� na hora!
Vamos, Jeanlin, desperta.
Deixa-me.
Catherine!
Creio que n�o voltou.
Vamos, desperta por Deus!
N�o voltou?
Depressa.
Voltas a estas horas? De onde vens?
� o Chaval.
Quer que viva com ele.
N�o � a ti que querem mas ao que lhe d�s.
Meu Deus!
Um desmoronamento! Depressa!
Por ali!
Jeanlin est� debaixo!
N�o tem nada na cabe�a.
Nem no peito.
A perna est� ferida.
�s tu o pai?
Sim, doutor.
N�o chores...
j� v�s que n�o morreu.
Ser� melhor que me ajudes.
Muito bem, outra vez essas malditas escoras.
J� os tinha avisado.
E querem ir para a greve porque n�o se obriga a escorar melhor.
E quem pagar� as escoras estragadas?
A companhia, claro.
O senhor Hennebeau ficar� contente.
Tivemos que casar Zacharie.
Agora Jeanlin est� no hospital.
Que faremos sem o seu sal�rio?
Poder� voltar a trabalhar com a perna ferida?
S� falta que o av� adoe�a.
- N�o, eu estou bem. - E essa pega que se foi.
Temos de comer nove pessoas com tr�s sal�rios.
N�o te atormentes, n�o serve de nada.
Por caso apanhei-a quando come�ou a sair com Chaval?
N�o podemos impedir que as raparigas saiam quando lhes der na gana.
Bom, contesta-me, n�o lhe demos toda a liberdade?
Eu j� estava gr�vida quando me casei...
mas n�o abandonei os meus pais...
jamais lhe teria feito a desfeita de me entregar o meu sal�rio...
a um homem que n�o o necessitava.
Isso � asqueroso.
Se te deixa a vontade de ter filhos.
Se temos uma filha � para que trabalhe tamb�m.
Ret�m-na � for�a. Levou-a para trabalhar com ele em Jean-Bart.
N�o a quero ver mais por aqui.
A companhia quer baixar o pre�o da vagoneta.
Se fazem isso de certeza que haver� confus�o
se querem greve, v�o-na ter.
Talvez algum dia isto mudar�.
Est� na hora.
Est� na hora.
Que disse o m�dico?
� um impostor.
Um est� acabado porque lhe doem as pernas...
isso s�o mentiras para me cortar a pens�o.
De certeza que combinou com eles.
Vale tudo para arrumar com os velhos.
Come�am com os velhos e terminam com os menos velhos.
Leva a Etienne para cobrar.
� mais esperto que tu para contar as horas.
- N�o te deixes enganar. - N�o te preocupes.
Espera-te em casa de Rasseneur.
As multas seguem...
j� sei que as escoras nem sempre s�o perfeitas...
mas, francamente, isso esconde algo grave.
Seguramente.
Puseram um cartaz na caixa...
mas eu n�o sei ler.
Espero Maheu para cobrar.
J� veremos.
Isto corre mal... Creio que quiseram incitar-nos � greve.
Com certeza.
� f�cil de prever.
V�o for�ar-nos.
A crise piora...
com todas as f�bricas que est�o a fechar. E cada vez faz falta menos carv�o.
A direc��o quer reduzir gastos... V�o a reduzir aos sal�rios...
e ser�o os oper�rios os que apertam o cinto.
H� dois meses que a hulha se amontoa na mina...
uma boa greve era uma maravilha para eles.
Esgotam-se as reservas...
mandam parar os mineiros...
e os outros, uma vez domados...
paga-se-lhes menos.
Al�m do mais j� sabem da caixa de resist�ncia.
N�o dizem nada mas afecta-os.
Durante a greve se esvaziar� antes de estar demasiado cheia.
Nem a companhia nem os oper�rios tem interesse em que haja uma greve.
� preciso chegar a um acordo.
Quanto h� na caixa?
Tr�s mil francos.
Ontem a direc��o chamou-me.
Disseram-me com bons modos que n�o impediriam...
os oper�rios de criar um fundo de reserva...
contudo dei conta que queriam control�-lo.
Temos de lutar tamb�m por isso.
Que queres fazer com tr�s mil francos?
N�o d� para comer nem seis dias.
Esta greve � uma asneira.
N�o te compreendo. Ontem querias queimar tudo e hoje est�s contra.
�s demasiado r�pido.
Numa greve o oper�rio sofre tanto como o patr�o.
Pluchart escreveu-me.
Pensa o mesmo que eu.
� preciso aproveitar o momento para filiar todos os mineiros da regi�o...
na Associa��o dos Trabalhadores.
Est�o contigo para o fundo...
contudo quantos de n�s se filiaram na Internacional?
Agora � o momento...
quanto mais dif�cil for a situa��o...
mais decididos estar�o a seguir-nos...
e quando os trabalhadores do mundo inteiro o compreenderem...
quando todos dermos as m�os...
ent�o poderemos actuar...
e n�o ser� necess�ria a greve.
Palermices.
Ainda n�o chegou o dia em que os irm�os de todos os pa�ses nos possam ajudar.
E se nos obrigam a ir para a greve?
Se os diverte...
Arruinar� a uns e matar� os outros... Algo teremos conseguido.
Contudo dessa forma levareis mil anos a renovar o mundo.
Seria melhor come�ar por destruir esta pris�o.
Se n�o...
Aviso da companhia a todos os trabalhadores das minas.
Dado o pouco cuidado posto nas escoras...
cansada de p�r multas in�teis, a companhia decidiu...
aplicar um novo modo de pagamento...
para a extrac��o da hulha. - Multas!
De agora em diante escorar ser� pago � parte...
por metro c�bico de madeira descida e utilizada...
baseando-se na quantidade necess�ria para um trabalho bem feito.
Um momento!
O pre�o da vagoneta de carv�o despejado...
passar� de cinquenta para quarenta c�ntimos...
segunda a natureza do fil�o e a dist�ncia.
Meu deus! N�o pode ser!
Este novo modelo de c�lculo se aplicar� a partir de 1 de Outubro.
Se aceitamos essas condi��es n�o somos homens!
- Maheu tem raz�o! - N�o pode ser!
Sil�ncio, por favor!
Calma, n�o se ouve nada!
Maheu e companhia...
Venha Filonni�re picador n�mero sete.
Desculpe, de certeza que n�o est� equivocado?
N�o, n�o me engano.
T�m que ficar dois domingos mais quatro dias sem trabalho.
S�o nove dias de trabalho.
Mais as multas.
Vinte francos de multa por escoramento defeituoso.
Pega nele?
Os outros est�o � espera.
O Senhor secret�rio-geral deseja v�-lo.
A mim? - Sim, a voc�.
Deseja v�-lo a s�s.
Passe, ele o espera.
Que escoramentos defeituosos?
Maheu, estamos a examinar a pens�o do seu pai.
Tem 58 anos e tem 50 de servi�o.
Ter� uma pens�o de 150 francos.
Mas dentro de dois anos ter� direito a uma pens�o de 180 francos.
Maheu, voc� � um dos melhores trabalhadores da mina...
aconselho-o a n�o se meter na pol�tica.
E quanto a esse fundo de previs�o...
n�o se meta nisso. Deixe que os outros o fa�am.
N�o se comprometa com semelhante loucura.
Poderia vir a lament�-lo.
N�o valho nada. Teria de o ter contestado.
N�o temos que comer e faz-me um serm�o.
Est�o ressentidos contigo.
Cr�em que est�s a manobrar os mineiros.
Mas que havemos de fazer?
Rendermo-nos? Dar gra�as?
E que mais?
Vinte francos de multa por um escoramento mal feito.
Escutem-me!
Escutem-me todos!
De 40 a 50 c�ntimos menos por vagoneta � uma vergonha.
Sim, tens raz�o!
Se a companhia quer a greve, t�-la-�.
- De acordo! - Um momento!
D�o-nos at� um de Outubro.
- N�o esperaremos! - De acordo! Sim!
Os que est�o a favor da greve que levantem a m�o.
Que se passa?
Senhor Director, j� come�ou a greve.
Ningu�m foi trabalhar.
Entra.
- Vai ver o que se passa. - Sim.
N�o � prudente ficar aqui.
Vai para o teu quarto.
Ontem, quando cobraram, n�o houve a menor reclama��o.
Pensamos que tinham aceite as novas tarifas.
- N�o desceu nem um homem? - Nem um �nico.
Todos seguiram a decis�o.
Est�o muito unidos.
- � s� em Voreux? - N�o sei.
N�o tive tempo para averiguar.
- Tinha que acontecer. - Passa-se alguma coisa, tio?
A greve come�ou.
Pelo menos em Voreux. Ningu�m desceu esta manh�.
Bem, Dansaert...
corre para ver o que se passa em Vitoire e em Feutry-Cantel.
- Eu n�o saio daqui. - Bem, Senhor Director.
Tu, veste-te depressa...
e vai a Mirou e a Cr�ve-Coeur.
Espera. Vai tamb�m a Saint-Thomas...
quero saber se o movimento � geral.
Bem, tio.
Nesse caso...
seria uma declara��o de guerra.
Sim. Adiante.
Desculpe-me querida, espero n�o te ter despertado.
N�o, estava acordada, ouvi ru�do.
Que se passa?
Creio que seria muito melhor anular o almo�o...
de hoje com os Gr�goire.
A greve come�ou esta manh�.
Est�o em greve? E que nos importa?
N�o vamos anular o almo�o por causa disso.
Al�m disso a visita que tinhas...
projectado � mina de Saint-Thomas...
n�o poder� efectuar-se hoje, n�o seria prudente.
Bom, faremos a visita noutro dia...
mas o almo�o est� preparado.
� imprescind�vel receber essa gente.
O casamento do teu sobrinho deveria importar-te mais...
que as asneiras dos teus oper�rios.
Vamos, pe�o-te...
n�o me contraries.
De acordo. N�o cancelaremos nada.
Que tal?
Percorri todas as minas.
Pareciam estar muito tranquilas.
Creio que s� te querem enviar uma delega��o.
�s tu, Paul? Sobe e d�-me not�cias.
Sim, tia, j� vou.
Bem, que fazemos?
N�o sei. Esperemos pela delega��o.
Bem.
Por nada deste mundo anularia este almo�o.
Estou muito feliz por te ver por fim com C�cile.
Gosta pelo menos?
Isso decides tu, tia.
Desculpem-me, queria oferecer-lhes ostras.
Como j� sabem, trazem-nas �s segundas- -feiras desde Ostende a Marchiennes.
Queria enviar a cozinheira com o carro...
mas tinha medo que a apedrejassem.
Era previs�vel...
A excessiva prosperidade destes �ltimos anos tinha que nos conduzir a isto.
Pensem nos enormes capitais que est�o imobilizados...
nos caminhos-de-ferro, nos portos e nos canais.
Quando a Am�rica deixou de pedir-nos ferro e bronze...
deu-se um golpe muito duro nos nossos altos-fornos.
E desde que as nossas f�bricas fecham uma atr�s da outra...
custa-nos uma barbaridade desfazermo-nos daquilo que temos.
E se queremos continuar a vender, apesar da compet�ncia...
n�o temos outro rem�dio sen�o baixar os custos...
e isso � o que os oper�rios n�o querem entender.
Senhor Gr�goire, s� lhe pe�o... Coza outro destes caranguejos.
Com muito gosto, querida senhora.
E o pior � que para baixar os custos...
ter�amos de produzir mais.
Mas como vendemos cada vez menos...
n�o temos outro rem�dio sen�o baixar os sal�rios...
e claro que quem sai a perder s�o os oper�rios.
Postos a perder, n�s perdemos mais.
Sim?
� o senhor Dansaert, est� na saleta...
mas n�o quero incomodar. - Fa�a-o entrar.
Passe, passe Dansaert.
Desculpem e bom proveito.
Que not�cias trazes?
Est� tudo tranquilo...
eu diria que demasiado, mas queria avis�-lo...
de que uma delega��o est� a caminho e n�o tardar� a chegar.
Obrigado, Dansaert. Receb�-los-ei.
Mant�m-me informado do que ocorrer.
De acordo Senhor Director.
� para o Senhor. Uma carta de Pierron.
Obrigado.
Desculpem-me.
Pierron � um dos meus melhores capatazes.
Disse-me que se v� obrigado a ir para a greve...
por medo que os companheiros lhe causem algum dano.
Avisa-me quem faz parte da delega��o que vem visitar-me.
Apesar que ele � contra essa quest�o.
J� v�m, esta � a liberdade do trabalho.
Acaba esse caranguejo. Tudo de arranjar�.
Pois a mim d�i-me...
pensar em todos esses pobres desgra�ados...
que v�o passar fome.
Mas de que se queixam?
A companhia paga-lhes a casa, o aquecimento, o m�dico...
que mais querem? - Aqui est� o fais�o.
Muito bem, Camile.
Com todos estes assuntos n�o fal�mos do casamento destes jovens.
� certo.
Paul, est�s contente?
E tu, C�cile?
N�o ouvimos muito os namorados.
Quando marcamos a data do casamento?
Mas tia, esperemos que acabe a greve.
J� chega de greve, falemos de amor.
Est�o aqui.
Pelos vistos voc�s revelaram-se.
Contudo estou disposto a falar convosco.
Bem.
Que t�m para me dizer?
�s tu?
Um oper�rio que sempre se mostrou razo�vel...
um veterano de Montsou...
cuja fam�lia trabalha na mina desde o primeiro golpe de picareta.
Tu encabe�as o protesto?
Senhor Director, � porque sou um homem tranquilo...
que n�o tem nada a reprovar, os meus companheiros elegeram-me.
Estou a escutar-te.
S� queremos justi�a...
estamos fartos de morrer de fome.
Est� na hora de comer p�o todos os dias.
O Senhor sabe que n�o podemos aceitar o novo sistema de pagamento.
Culpam-nos de escorar mal?
� certo.
Dedicamo-nos a esse trabalho as horas necess�rias.
Paguem-nos mais e escoraremos melhor...
dedicaremos mais tempo � madeira...
em vez de nos empenharmos em retirar o carv�o.
O trabalho bem feito tem que ser pago.
Baixam o pre�o da vagoneta...
e pretendem compens�-lo pagando o escoramento � parte.
N�o pode ser. Ficamos a perder.
A companhia embolsa mais dois c�ntimos por vagoneta.
Essa � a verdade.
- Isso n�o est� certo. - � a verdade.
Se falarem todos juntos n�o nos entendemos.
N�o, a verdade �...
voc�s fazem caso de provoca��es mesquinhas.
Essa � uma peste que corre entre os oper�rios
e corrompe at� os mais velhos.
Prometeram-vos mais manteiga que p�o...
disseram-vos que agora seriam amos...
enrolaram-vos com essa internacional...
esse ex�rcito de bandidos que pensam em destruir a sociedade.
Engana-se.
Nem um s� mineiro se filiou.
Mas se nos obrigam, todos se filiar�o.
Isso depende da companhia.
A companhia � uma salva��o para os homens
� um erro fazer com que corra perigo.
Este gastou
na constru��o de col�nias que n�o rendem nem dois por cento
para n�o falar das pens�es que paga, nem do carv�o
nem dos medicamentos que d�.
Tu pareces inteligente...
dedica-te a difundir estas verdades...
em vez de te misturar com tipos como o Rasseneur.
Faz-me esp�cie.
Se queres salvar as minas da podrid�o socialista.
V�-se ami�de em tua casa.
Foi ele que te empurrou para criar este fundo de previs�o?
Se fosse um fundo de poupan�a e n�o...
uma arma de guerra contra n�s...
n�o reprovar�amos a sua exist�ncia.
Aviso-te que a companhia...
pretende controlar cuidadosamente esse fundo.
� uma nova exig�ncia.
At� agora n�o tinham reclamado esse controlo.
N�o. O nosso desejo...
� que a companhia deixe de se arrogar a nossa salvadora...
e que nos d� o que nos pertence. Que se repartam os lucros.
� normal matar de fome os oper�rios...
para salvar os dividendos dos accionistas an�nimos?
Quem s�o os que roubam o nosso p�o?
Quem desce � mina?
Quem tem fome? Quem trabalha?
Se a companhia tem que lucrar que o fa�a, mas n�o � custa dos trabalhadores.
Exactamente.
Esperava que nos acusasses de matar de fome � aldeia...
e de viver do seu esfor�o.
Como podes dizer tantas asneiras quando conheces os riscos que correm...
os capitais investidos nas ind�strias ou nas minas?
Uma mina equipada custa actualmente...
um milh�o e meio ou dois milh�es de francos.
Sabes o que custa tirar...
um benef�cio med�ocre dessa quantidade investida?
N�o deste conta...
que muitas companhias mineiras de Fran�a est�o em quebra?
Sim, quando os oper�rios sofrem...
elas tamb�m sofrem.
A companhia tem tanto a perder como v�s...
com esta crise.
Ela n�o � dona dos sal�rios...
tem que ser competitiva...
para n�o se arruinar.
Atribui a culpa aos factos...
e n�o � companhia.
Mas querem escutar... n�o querem entender?
Querem-nos fazer crer...
que a nossa situa��o n�o pode melhorar...
mas comem biscoitos todos os dias.
Algum dia...
os oper�rios conseguir�o que haja p�o para todos.
Senhor Director...
� essa a �nica resposta que nos pode dar?
Muito bem.
Ent�o...
diremos aos nossos companheiros que rejeita as nossas condi��es.
N�o, n�o rejeito nada.
Sou um empregado como v�s.
Aqui n�o tenho mais poder que o mais humilde pe�o.
Como est� Jeanlin?
Obrigado, senhor Director.
Continua no hospital, mas est� bem.
Puderam salvar a perna.
Foi uma dura li��o...
mas tu continuas a defender os maus escoramentos.
Reflecti, amigos.
Uma greve � um desastre para todos.
Voc�s morrer�o de fome antes duma semana...
que fareis, ent�o?
Confio na vossa conduta.
Estou convencido...
que segunda-feira, o mais tardar,..
voltar�o ao trabalho.
Contudo estou a favor da greve...
dev�amos ter for�ado a companhia sem ter parado.
Agora que come��mos...
n�o podemos desistir at� termos obtido justi�a.
Antes morrer que dizer que n�o temos raz�o.
Eles morrer�o.
N�o se deseja a morte a ningu�m.
Mas se isto dura muito morreremos de fome.
Que vens fazer aqui?
N�o quero ver-te.
Mam�, trago caf� e a��car para os meninos.
Fiz horas extras a pensar neles.
Enquanto os de Voreux nos matam de fome fazendo greve...
os de Jean-Bart continuam a trabalhar...
revolta-me. P�ra com os reparos!
Se fosse por mim. � ele.
N�o tenho outro rem�dio sen�o obedecer-lhe.
N�o d�s conta de como est�o as coisas?
Enfim, est� feito.
Ele ou outro qualquer, tanto faz.
Toda a gente trabalha em Jean-Bart?
Sim, trabalham todos.
Traidores!
Se vens para ficar, fica... se n�o vai.
Tens sorte de estar com o pequeno...
se n�o dava-te uma bofetada, que nem sei.
Puta!
D�s-lhes caf� com o meu dinheiro?
Trabalho para v�s?
- Rua, vamos! - Sai daqui agora mesmo.
Bonito of�cio cuidar da tua casa...
enquanto a puta da tua filha abre as pernas.
E se n�o � a filha � a m�e que as abre.
E a ti n�o te d� nojo? N�o, ao senhor n�o d� nojo.
- Gostas? - Tem cuidado Chaval.
- Algum dia te matarei. - Tenta!
Tenta!
Anda! Vamos, porra!
Que selvagem.
�s um porco.
S� um porco pode ter umas ideias t�o sujas.
Tenho defeitos, mas n�o esse.
S� dois homens me tocaram...
um mineiro quando ainda n�o tinha quinze anos...
e depois Maheu. Mais ningu�m.
Onde est� esse porco do Maigrat?
Bem...
V�em para pagar as vossas d�vidas?
N�o, ao contr�rio.
Vimos pedir-lhe que nos fie outra vez.
J� n�o temos comida...
s� queremos p�o.
Tomam-me pelo...
querem que vos fie outra vez.
Querem arruinar-me.
N�o t�m o suficiente com tudo o que me deveis?
N�o vos fiarei nem uma batata...
nem um naco de p�o.
V�o dar uma volta pela tenda de Verdonck...
ou pela padaria de Carouble...
aposto que agora compram l�.
V�o ver se vos fiam!
Tu, Levaque...
uma noite comigo em troca do que quiseres da loja.
Neg�cio fechado.
Tu �s muito feia. - Cabr�o.
Antes prefiro com a vi�va.
Bom, basta de broncas.
- N�o iremos. - N�o, n�o iremos.
- Temos fome. - � para os nossos filhos.
Temos fome. Estamos fartas de mis�ria.
Tu n�o a viveste. N�o tens a ideia do que �.
Fora, fora!
Os nossos filhos t�m fome.
Temos fome. - Rua! Fora!
D�-nos p�o. Queremos p�o.
Temos fome. Cabr�o! Porco!
Necessitamos de p�o. As crian�as s� comem isso.
Necessitamos para as crian�as.
Companheiros...
j� h� um m�s que sofremos em v�o.
Por acaso somos t�o cobardes...
para voltar � mina com a cabe�a baixa...
para que a eterna mis�ria comece de novo.
Mais vale morrer agora mesmo...
tentando destruir a tirania do capital que nos mata de fome.
N�o podemos aceitar essa tarifa para o escoramento.
N�o temos que aguentas as calamidades da crise.
N�o somos respons�veis...
de que a compet�ncia baixe os custos.
N�o � justo.
E se nos obrigam...
temos de fazer justi�a. - Sim.
Justi�a! Justi�a!
A partir de amanh�, iremos para as minas...
e trataremos dos traidores que est�o a trabalhar.
� preciso demonstrar � companhia...
que estamos todos de acordo...
e que preferimos morrer que ceder.
E se houver denunciantes entre n�s...
companheiros, que tenham cuidado porque os conhecemos.
Vieram mineiros de Jean-Bart...
que continuam a trabalhar.
Por quem dizes isso?
Por ti e por n�s.
Os que comem n�o se podem misturar com os que passam fome.
� verdade que trabalhas em Jean-Bart?
Sim, trabalha em Jean-Bart.
E a tua mulher tamb�m trabalha em Jean-Bart.
E que faz a tua mulher?
Dorme?
Trabalhar n�o � um crime, pois n�o?
Sim, � um crime.
Quando os companheiros morrem de fome por todos.
� proibido ser ego�sta com a barriga cheia.
Se a greve fosse geral, h� muito tempo que ter�amos ganho.
Em Jean-Bart s� h� traidores.
S� h� traidores!
Estamos convosco.
Enviaram-me para que vos dissesse.
H� que parar os fogos.
Parem-se as bombas de �gua.
Todos os maquinistas t�m que ir para a greve.
A �gua encher� as minas e tudo vai para a merda.
Venham amanh� a Jean-Bart...
e ver�o se trabalhamos.
Amanh� veremos se trabalhas em Jean-Bart.
- Amanh� em Jean-Bart! - J� veremos se trabalhas em Jean-Bart.
Todos para Jean-Bart! Amanh� de manh�!
Todos para Jean-Bart!
Senhor Deneulin!
Senhor Deneulin!
Sim? Que se passa?
Senhor, h� uma revolta...
metade dos homens negam-se a trabalhar...
e impedem os outros de desceram.
J� vou.
Pap�, pap�!
Que se passa? Onde vais?
A revolta estende-se a Jean-Bart, mas n�o se passa nada...
voltem para a cama. - A Senhora Hennebeau vir�...
buscar-nos, convidou-nos para comer com C�cile...
Que fazemos? - N�o vamos. Ficamos aqui.
- Esperaremos por ti. - N�o, nem falar nisso.
Digo-vos para se meterem na cama...
e que �s nove estejam vestidas, como estava previsto.
Companheiros!
Escutem-me!
Em Jean-Bart n�o somos traidores.
N�o h� traidores.
N�o podemos continuar a trabalhar enquanto os de Montsou...
est�o a morrer � fome.
E n�o podemos aceitar esses pre�os de mis�ria. N�o.
Querem contratar oper�rios belgas.
Muito bem.
Faremos como os de Montsou.
Temos de falar com o Senhor Deneulin...
e pedir-lhe um aumento de cinco c�ntimos por vagoneta.
Nem menos um. Cinco c�ntimos por vagoneta.
Cinco c�ntimos por vagoneta!
Meu Deus! Que fazes aqui?
Preciso de dinheiro, quero trabalhar.
Est�s contra mim, cadela.
J� te dou o dinheiro...
levo-te j� a casa com uns pontap�s no cu.
Rua!
Cabra!
Que se passa aqui?
Por favor.
Por favor, meus filhos.
Por favor!
Ainda me vou lamentar de ter dispensado os guardas.
Agora falem tranquilamente, eu escuto-vos.
Senhor Deneulin, n�o podemos continuar a trabalhar assim.
Queremos cinco c�ntimos mais por vagoneta.
Cinco c�ntimos!
Cinco c�ntimos!
Se n�o me queixo dos vossos escoramentos
n�o vos imponho uma nova tarifa como os de Montsou.
� poss�vel...
n�o evita que os de Montsou...
tenham toda a raz�o.
Recusam essa tarifa miser�vel...
n�o a querem...
e pedem um aumento de cinco c�ntimos.
Senhor Deneulin, se der conta...
n�o se pode trabalhar dignamente com estes protestos.
N�o podemos fazer nada.
Ou nos concede esse aumento ou n�o trabalharemos.
E voc� tamb�m.
Estou de acordo que o trabalho os vale.
Mas se os dou �s um homem morto.
Porque para que possas viver...
tenho de viver eu primeiro.
O Menor aumento de sal�rios me arruinaria. Assim prefiro fechar o neg�cio...
antes de saber que no fim do m�s n�o vos posso pagar.
Bem, fa�a-o, feche o neg�cio.
N�o digas asneiras.
N�o se pode pedir a um homem que se suicide.
Que os aumente os cinco c�ntimos...
ou que os deixe ir para a greve...
� como p�r-me a corda ao pesco�o.
Estou s�...
n�o tenho accionistas que me protejam pagando...
a uns directores para que sobrecarreguem os mineiros...
servindo a um patr�o que nunca ver�o.
Para mim o fim do trabalho � a morte.
N�o tenho mais nada.
Tenho que enviar os pedidos. Se n�o vou � fal�ncia.
� f�cil.
Que cada um escolha livremente.
Quem quer trabalhar?
Queremos trabalhar!
Sempre os mesmos. Sim.
S� os cobardes deixam os companheiros.
Sempre os mesmos.
Queremos trabalhar.
Emile!
Procura o Chaval e traz-mo depressa.
Compreende, surpreende-me que um oper�rio como tu...
comprometa deste modo o seu futuro.
J� h� algum tempo que estou a pensar promover-te...
�s inteligente, capaz, n�o te tornes louco.
Recupera o ju�zo...
prometo-te que te promoverei a capataz. Prometo.
Que dizes? N�o gostarias de ser capataz?
Ouve-me, ningu�m tirar� nada desta greve, nem voc�s, nem eu.
Estou endividado desde que comecei a moderniza��o das m�quinas...
s� razo�vel, Queres arruinar-me?
Pensa...
mas pensa bem.
Patife!
N�o �s um homem!
N�o �s um homem, cabr�o!
Sim, sou esc�ria.
E tu? Eu conhe�o-te.
A greve n�o nos interessa...
por agora n�o.
Se Deneulin for � fal�ncia...
que aconteceria?
Isso seria pior.
Eu vou trabalhar...
e j� veremos se os abandono.
Cabr�o! Cabr�o!
Vamos ganhar!
Catherine!
Que est�s a fazer?
Est�s a dormir ou qu�?
Que � que eu fiz para merecer isto?
Qu�?
Qu�?
Est� muito calor.
Quiseste trabalhar, faz como n�s...
tira a camisa.
Catherine, por Deus, deixa-te de merdas.
Levanta a cabe�a. Magoaste-te?
Tenho frio.
Claro. Estar�amos melhor debaixo da sombra das �rvores.
Isto � muito duro, mas tu quiseste trabalhar, portanto trabalha.
Abra�a-me.
N�o posso mais. Este atoleiro afoga-me.
Gosto que sejas bom comigo...
d�-me for�as.
Quero-te...
levar-te-ei comigo.
Quero-te.
Vamos para Jean-Bart!
Greve!
Estamos em greve! Par�mos tudo!
As l�mpadas!
Destru� tudo.
Todos para as escadas!
Os de Voreux cortaram os cabos.
Todos para as escadas! Para as escadas!
Depressa, depressa!
Venha!
Vamos, subi!
Vem Catherine!
Esc�ria!
Esc�ria!
Chaval, esc�ria, cabr�o!
Chega!
Chega!
Asqueroso! Disse-te que a deixasses!
Basta! Deixa-a!
Deixa-a!
Rebenta-o Etienne!
J� chega!
J� chega!
Todos para Mirou!
Para Mirou!
Est� quente.
- Gostas, C�cile? - Sim, senhora.
Espera, vou ver.
Depressa, depressa, Paul!
Paul, vem.
Olha.
Mete medo.
P�o!
Imbecis.
Imbecis.
P�o.
Por acaso o p�o � suficiente.
Queremos p�o!
Todos para casa de Maigrat!
Olha-o!
Ali est� ele!
O usur�rio morreu!
Eu � que te vou alimentar.
Eu mesma te vou engordar.
Toma, cabr�o! Come isto!
Vou-te cortar!
J� n�o �s um homem, Maigrat!
Esc�ria!
Bandidos!
Bandidos, v�m os guardas!
Bandidos! V�m os guardas!
Disse-vos que se pusessem a andar!
V�m os guardas!
Vai, n�o quero que te apanhem.
- Jeanlin? - Sim, sou eu.
- Encontraste as velas? - Sim.
Estou farto da escurid�o.
Que not�cias trazes?
Em Voreux, o escoramento do po�o afunda-se...
em Saint-Thomas as escoras romperam-se.
Os guardas procuram-te...
passaram em casa.
N�o aguento mais...
- Vem. - J� vou.
Que est�o a fazer?
Os carpinteiros consertam o escoramento.
Em Mirou a bomba... est� totalmente inundada.
Os capatazes afogaram-se num po�o cheio de �gua.
Quanto tempo aguentar�o assim?
T�m as costas cobertas...
podem aguentar meses.
Mesmo que percam milh�es, recuperam-nos � nossa custa.
Os guardas pensam que est�s na B�lgica. Se quiseres podes voltar para casa.
N�o.
Mais uns dias.
- Tens frio? - N�o, tenho calor.
Que estar� a fazer esse m�dico?
Est� bem. O m�dico j� vem.
Gosto pouco...
d�-me pena estar dois meses sem trabalhar.
Dizem que foram buscar oper�rios � B�lgica.
- Se � verdade, estamos perdidos. - Belgas? N�o se atrever�o.
Se p�em os belgas a trabalhar destruiremos as minas.
N�o podemos fazer nada...
o ex�rcito protege-os.
Pensar que os estrangeiros v�o ocupar o nosso lugar...
destro�a-me o cora��o.
Temo que estejamos perdidos...
tenderemos a ceder.
Que est�s a dizer?
Foste tu que disseste isso?
N�o voltes a diz�-lo, mesmo que seja uma mulher...
parto-te a cara.
J� h� dois meses que sofremos...
os meus filhos adoeceram...
e tudo para nada...
para voltar a imperar a injusti�a.
N�o, n�o, queimaria tudo...
mataria quem viesse antes de render-me.
Ouve-me...
se te atreves a voltar � mina...
eu mesma te esperarei no caminho para te cuspir na cara e chamar-te cobarde.
Ficarei louca...
louca!
Entendeste-me mal.
� preciso chegar a um acordo com a companhia...
os po�os est�o destru�dos...
chegar�o a um acordo. - Nada disso.
Morreremos todos.
Doutor, estamos � sua espera.
Desculpe, chamam-me de todos os lados.
- Onde est� a pequena? - Est� l� em cima, Doutor.
N�o tem uma vela?
J� n�o temos nada, Doutor.
Adiante.
N�o tenhas medo, passa.
T�m fome?
J� h� muito tempo que sei onde te escondes.
Se fosses um bufo como dizem os teus amigos...
j� te tinha mandado aos guardas. - J� sei.
Mesmo que n�o tenhamos as mesmas ideias podemos gostar um do outro.
Os belgas est�o a chegar.
Amanh� come�ar�o a trabalhar em Voreux.
Sim, recolheram-nos ao anoitecer.
Oxal� n�o haja mais mortos.
Se se op�em isto acabar� num banho de sangue.
J� ver�s, eu tinha raz�o.
Sei tamb�m como tu que a greve se acabou...
aceit�vamos fazendo das tripas cora��o.
Mas um embebeda-se...
e p�e-se � espera que aconte�a alguma coisa...
e quando tudo est� mal esquece-se que se podia esperar tudo.
Ent�o, se acreditas que perdeste...
porque n�o chamas � raz�o os teus companheiros?
Cada um tem as suas ideias...
eu continuo a pensar que um pouco mais de sacrif�cio...
os nossos corpos famintos servir�o melhor a causa...
que toda a tua pol�tica de homem s�bio.
Se um soldado pudesse meter-me uma bala no cora��o...
ficaria contente de acabar dessa maneira.
Ou�am o que estou a ler.
Dois oper�rios de Marselha...
ganharam na lotaria cem mil francos.
E disseram que...
v�o comprar ac��es e v�o viver dos rendimentos.
Ora a� est�...
� essa a ideia que t�m dos oper�rios franceses?
Desenterrar um tesouro para comer.
Falta-vos valor para devolver aos pobres...
o dinheiro que a sorte vos envia.
Nunca ser�o dignos de ser felizes...
a n�o ser que tenham alguma coisa que vos perten�a.
Gritam contra os ricos mas continuam pobres...
contudo o �dio contra os burgueses vem somente...
da inveja de n�o ser burgueses como eles.
Espero o dia em que estiverem sem nada, pisados...
e atirados para o chiqueiro.
Algu�m vir� para aniquilar a ra�a dos ego�stas.
Olhai, meus irm�os...
se as minhas m�os pudessem...
pegariam na terra assim...
e a sacudiria para que
voc�s ficassem debaixo dos escombros...
Pergunto-me o que se passar� amanh� quando os belgas descerem em Voreux.
Sei que repartiram muni��es...
aos soldados que guardam a mina.
Entras ou n�o?
Vamos, entra.
O primeiro que me olhar de lado, parto-lhe a cara.
Vem, vamos tomar uma caneca.
Rasseneur! Duas canecas!
Vamos celebrar a volta ao trabalho.
Vem!
Brinda comigo.
Vem, brinda. Bebe comigo.
Que se lixem todos os cabr�es que n�o querem trabalhar!
Se h� algu�m que n�o gosta do que digo, podemos discuti-lo!
No mundo h� malandros e trabalhadores.
Deixei a empresa de Deneulin.
Amanh� des�o a Voreux com doze belgas...
Encarregaram-me porque me apreciam.
Ent�o, topo...
sais de noite?
Esperas que os guardas durmam para deixar-te vir?
J� chega, traidor de merda. Desaparece daqui.
Queres briga, queres?
Queres briga?
Diz, Chaval. Vou-te matar.
N�o!
- Vou-te rachar. - Vem, tenta.
N�o!
N�o!
- Chega! - Deixa-me rach�-lo!
Deixa-me rach�-lo!
- Deixa-me rach�-lo! - N�o!
J� que � a ele que queres.
Junta-te a ele, puta!
Puta!
Vem, junta-te a ele.
E n�o voltes a pisar esta casa.
Puta!
Desaparece!
Puta!
N�o avances mais.
Se te v� arma outra confus�o.
N�o tenhas pena, n�o perdes nada.
Tu, depois do Chaval...
depois de ti, outro...
porqu� fazer isso?
N�o, Catherine.
Tu �s assim.
Pe�o-te.
Contudo est�s aqui?
N�o entendes o que te digo?
N�o te quero ver mais.
Deixa-me tranquilo.
- Voltaste a beber? - Sim, bebi, e depois?
Vamos, desaparece!
Desaparece! Tenho sono.
Vai, volta com ele.
Volta com ele! Fora!
Fora!
Fora!
Os belgas, que cabr�es!
Vamos...
temos que avisar toda a gente.
Cerrem fileiras!
Sigam os capatazes!
Forma��o para protec��o de Voreux!
Forma��o em duas filas!
Alto!
Evitemos a matan�a.
Tentemos entendermo-nos. Creio que entender� a nossa ira.
Fora! N�o me obriguem a cumprir com o meu dever.
N�o vai disparar contra crian�as e mulheres.
Estamos desarmados. Deixem-nos passar. Seja razo�vel.
Fora! N�o tenho nada que compreender.
Tenho ordem de vigiar os po�os e vigi�-los-ei.
N�o avancem ou os meus homens os far�o retroceder.
Bandidos!
N�o temos nada contra v�s. Bandidos!
Deixem-nos resolver os nossos assuntos entre n�s.
Quero passar.
Os cavalos t�m que comer.
Para eles tanto faz a revolu��o.
Est� bem, passe.
Deixa-o passar!
Para tr�s!
Para tr�s!
J� disse, para tr�s!
Para tr�s!
Carreguem!
Disparem!
Venham cobardes! Matem-nos!
Haver� outros dez mil para matar.
Cuidado Maheu vai-te matar.
Disparem! Haver� ainda dez mil!
N�o. Esses porcos v�o-te matar.
Matem-nos! Matem-nos j�! Venham cobardes!
Que fazes aqui? Vai-te!
A ti que te importa! Dispara se te atreves!
Vai-te!
Atreve-te!
Queres disparar contra as mulheres? Venham, atirem!
Est� muito claro para v�s!
N�o somos cossacos!
Vais disparar contra os franceses?
Chega, chega! Acalma-os!
Apontem!
P�ra o fogo!
Bravo, bravo!
� preciosa. � estupenda.
Brindo pela sa�de dos jovens esposos.
Querida.
Felicidades, querida.
� vossa sa�de!
A partir de agora temos que estudar os sal�rios com prud�ncia.
Repete isso, por Deus.
Repete isso que acabas de dizer.
N�o se pode viver sem fazer nada.
Pelo menos teremos p�o.
Ao primeiro que tente trabalhar estrangulo-o.
N�o, seria demasiado primeiro matar o pai...
e logo a seguir os filhos.
Prefiro que acabem todos no buraco, como ele.
Mam�, prometem o cartel.
N�o me fales mais do cartel...
se nos podem fazer as bondades agora que j� nos tiraram a pele.
E que ser� de n�s?
Esta casa � deles.
Com�amos p�o duro, mas est�vamos unidos.
Quando n�o h� esperan�a a alegria de viver desaparece.
Se tiv�ssemos sabido.
N�o � poss�vel que se tenha de pagar t�o caro desejar a justi�a.
�nimo, passemos adiante.
E tu, tamb�m queres voltar � mina...
depois de nos termos metido nisto?
N�o te fa�o nenhum reparo mas se eu estivesse no teu lugar...
j� me tinha arrependido...
de ter feito t�o mal aos companheiros.
O meu pai est� morto por tua culpa. Est�s contente?
Esta greve n�o serviu para nada.
Recome�amos a trabalhar amanh�, nada mudou!
A velha sociedade j� n�o existir�.
Nascer� um mundo novo...
mas n�o desaparecer�o as desigualdades.
Continuar� a haver pessoas mais inteligentes que outras...
que viver�o � custa dos fracos.
Isto n�o tem solu��o.
Que fazes?
Volto a trabalhar na mina.
Se a mam� n�o quer o meu dinheiro, voltarei com o Chaval.
N�o suporto estar sem fazer nada e ver como a gente morre de fome.
Pe�o-te, deixa-me.
Vou contigo.
N�o podes fazer isso.
Sim, vou acompanhar-te.
Vem, vamo-nos vestir.
Onde vais?
Ainda n�o foste?
Volto � mina.
Vai para casa.
Estou a mandar-te, entendes?
N�o me julgues.
Est� decidido.
Ent�o vai.
Nem amigo nem mulher.
Adeus.
Sim, adeus.
Venham, depressa!
N�o sei o que se passa.
N�o est� ningu�m.
Parece que toda a gente desapareceu.
Vamos, depressa!
Meu Deus!
A jaula!
Meu Deus!
- Gamay Martin! - Presente.
- Laude Marcel! - Presente.
Chaval Antoine!
Chaval Antoine!
Fa�am-no com mais for�a!
Baixem.
Que aconteceu?
� uma cat�strofe. Desmoronou-se tudo.
Teve que ser um atentado. N�o pode ser outra coisa.
Um atentado?
� imposs�vel.
Tem que se sair pela velha mina de R�quillart.
R�quillart� por aqui.
J� me lembro. � por aqui.
N�o, nem falar.
Eu irei a R�quillart.
Vem, companheiro. Vem connosco.
N�o, Ren�. R�quillart � por a�.
N�o por a�, cretino.
Vai para o inferno! Vai para o inferno!
Venham, � por aqui!
N�o posso mais.
A nossa �nica oportunidade � subir pela chamin�.
Aqui est�. � aqui.
Estamos salvos!
Estamos encurralados.
Venham, deixem as t�buas! Venham, depressa!
Venham, venham! Depressa!
Venham, enviem as escoras!
Vem, segue-me. Por aqui.
Vamos, vamos.
Est�o aqui, responderam-me!
Venham, r�pido!
Venham, depressa! J� os ouvi!
Eu n�o ou�o nada.
Digo-te que os ouvi.
Ou�a!
N�o ou�o nada, Zacharie.
Est�s a sonhar. Tu sonhas!
Anatole!
Gabriel!
Anatole! Gabriel!
Anatole!
Gabriel!
Gabriel!
Quem anda a�?
Outro dos tontos que acreditaram mais facilmente que eu.
Agora linda, est�s contente?
Querias juntar-te ao teu homem?
Muito bem.
Vamos morrer os tr�s juntos.
Estamos encurralados como os ratos.
Reparaste no fundo?
N�o podemos tentar sair pelas fissuras?
Pelas fissuras! As fissuras!
Vai ver as fissuras...
derrubaram-se!
Isto � uma ratoeira. Est�o ali dois tipos mortos.
Pude pegar na l�mpada de Gabriel. V�s?
J� que �s t�o esperto...
tenta voltar para cima...
se sabes nadar, vai.
A nossa �nica possibilidade de sair � por R�quillart.
Sim, com ela.
Mam�!
Mam�! Est� a�. Ouvi-a.
Vamos salv�-la.
Tens a certeza? N�o tens ilus�es?
Se n�o a encontram, ser� terr�vel.
N�o, mam�, est� a�. Ouvi-a. Tenho a certeza.
Podes continuar a bater, a �gua esta a subir.
Bate!
Quem vai ouvir-nos?
Morreremos aqui.
Vem, bate!
Vai, bate!
Continua a bater!
Bate!
- Deixa-a, por Deus! - Cala-te! N�o te metas!
Bate! �s bom a bater.
- Deixa-me. - Deixa-a!
- Deixa-me. - Deixa-a!
� a minha mulher...
� minha. Quero-a.
Deixa-a ou mato-te!
Cobarde! Vais-me matar?
Anda c� matar-me!
Meu filho, meu filho.
Meu filho!
N�o!
N�o, n�o!
A morte apaga a chama.
L� fora se estar� bem.
Que tolos fomos em esperar tanto.
Desejei-te...
mas n�o me entendeste.
Recordas-te daquelas noites em casa...
quando n�o dorm�amos?
Escut�vamo-nos a respirar...
t�nhamos vontade.
Recordas-te do dia em que me deste uma bofetada?
Queria-te.
Mas n�o queria pensar em ti.
Pensava, mas acabou-se.
Mas sabia que acabar�amos juntos.
Fazia falta uma ocasi�o.
Nada acaba de todo.
Basta um pouco de felicidade para que tudo volte a come�ar.
Ent�o, est� bem...
desta vez ficar�s comigo?
Sim. Sim.
Que se passa?
Nada.
Estou feliz.
� esta casa. Vem C�cile.
N�o est� ningu�m. Que l�stima.
Senhor, Senhora...
est�o � procura da vizinha?
N�o est�, foi a R�quillart.
Se quiserem tenho a chave. O velho est� l� dentro.
Obrigado, Senhora.
Bom dia, bom homem.
Tenham cuidado, n�o � muito educado.
Parece que tem qualquer coisa estragado no c�rebro.
Que se passa, bom homem, est� constipado?
Deveria fazer-lhe uma infus�o.
Tome, av�, uns bons sapatos para o inverno.
N�o lhe dir� obrigado.
� o mesmo que dar p�rolas a porcos.
L�on, n�o me sinto bem.
Vamos para o carro.
N�o te esque�as da cesta, C�cile.
Bate a porta, virei fech�-la com a chave.
N�o.
C�cile!
C�cile!
C�cile!
C�cile!
N�o! N�o!
N�o! C�cile!
Minha querida! Minha pequena! N�o!
Vamos, depressa! Descemos!
Surpreende-te ver-me?
� certo que amea�ava matar ao primeiro que descesse...
e sou eu quem desce.
Teria de me suicidar, n�o?
J� o teria feito se n�o fosse pelas crian�as e pelo velho.
- Como est� o velho? - Bem.
Mas o c�rebro j� n�o funciona.
N�o o condenaram por aquilo.
Quiseram-no levar para o manic�mio, mas eu n�o quis.
N�o � mau homem.
De qualquer maneira aproveitaram para tirar a sua pens�o.
- E Jeanlin? - Trabalha. Ganha vinte c�ntimos.
Com os trinta que eu ganho s�o cinquenta.
Se n�o f�ssemos seis, ter�amos para comer.
Agora Maxime devora.
Ter� que esperar quatro ou cinco anos...
at� que Leonore e Henri possam descer.
- Eles tamb�m? - Que queres?
Agora toca-lhes a eles.
N�s deixamos a pele nisto...
agora toca-lhes a eles.
Vamos!
- Temos que ir! - J� vou!
- Assim que fores. - Sim, j� vou.
Tens raz�o.
� melhor estar noutra parte.
Alegro-me muito de te ter visto.
Pelo menos sabes que n�o tenho nada contra ti.
Houve tempo em que estive ressentida contigo, houve tantos mortos.
Uma pena, sabes?
E sei que ao fim ao cabo n�o � por tua culpa...
� culpa de todos.
Quantas coisas disseram de mim!
Diziam que me encostava a ti.
Meu Deus!
Se fosse mais jovem, talvez.
Enfim, foi melhor n�o se passar nada.
Agora de certeza que estar�amos arrependidos.
� certo, estar�amos arrependidos.
Se j� vais, passa em casa para ir buscar as coisas.
Todavia h� duas camisas, e as tuas cal�as velhas.
Fica com elas.
Algum dia poder�s d�-las aos teus filhos.
Adeus.
A sua raz�o amadurecia...
deixara de lado o rancor.
Sim, j� o dizia Maheude... com o seu extraordin�rio bom senso...
seria um bom golpe...
agrupar-se tranquilamente...
conhecer-se, criar sindicatos...
quando as leis o permitiram...
e no dia em que todos estiverem unidos...
o dia em que milh�es de trabalhadores...
enfrentar-se-�o... com milhares de revolucion�rios...
tomar o poder...
acabar os amos.
Que amanhecer de verdade e justi�a!
Agora, no c�u...
o sol de Abril brilhava com esplendor...
e aquecia a terra que dava fruto.
Por todos os lados os gr�os inchavam...
crescia, quebravam a casca...
necessitando de calor e de luz.
A profusa seiva flu�a num murm�rio...
o ru�do da semente se dava num grande beijo.
Cada vez com mais for�a...
como se estivessem mais perto da terra...
os companheiros batiam.
Por baixo dos ardentes raios do sol...
nesta manh� juvenil...
era deste rumo que a terra estava necessitada.
Os homens cresciam...
um negro ex�rcito...
vingador brotava lentamente nos sulcos...
e frutificava para ser recolhido nos s�culos vindouros...
e aquela germina��o depressa iria rebentar na terra.
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