All language subtitles for Queer Eye - 10x05 - Episode 5.WEB.EDITH.pt

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Original subtitles

Bom dia a todos.

Bem-vindos a Washington, DC.

Vou levar-vos pela cidade, mostrar-vos monumentos e memoriais.

CAPITÓLIO DOS EUA

Esta é a fachada norte da Casa Branca.

Vejam, há uma ex-primeira família em frente à Casa Branca.

Veem a ex-primeira família?

Não veem os arbustos (Bush)?

Neste momento, estamos a passar pelo National Mall,

mas não é um centro comercial, está bem, minhas senhoras?

À vossa esquerda está o Capitólio dos Estados Unidos.

Há muita burrice no Capitólio.

E no contexto dos animais, um conjunto de asnos é uma asnada.

Olá, Tanny.

- Querem saber o que vamos fazer? - Sim!

Viemos conhecer o Nick, o guia turístico lendário de Washington, DC.

Vamos dar uma volta em torno da Casa Branca.

Trago pessoas a ver casa e dizem:

"Ena, é tão pequena." E eu digo: "Ena, onde vivem vocês?"

Nick, o guia turístico de Washington, é o autêntico, o melhor da cidade.

"Ele é tão popular entre locais e visitantes,

que ganhou a alcunha O Deus do Roteiro."

Adoro ter uma lenda no programa.

Eu também.

As pessoas entram no autocarro veem-me e perguntam:

"É o motorista?" E eu respondo: "Já fui. Sou o guia."

Conduzi o autocarro de dois andares.

E o meu mentor chamou-me à parte e disse:

"Podes ser um ótimo guia turístico.

Podemos ensinar História, mas a personalidade não se ensina."

Três, dois e um.

Faço visitas guiadas nesta cidade há cerca de 17 anos.

O Nick dir-vos-á sempre que isto, para ele, não é um trabalho.

Ele adora o que faz e é autodidata.

Nunca fui à faculdade um só dia,

mas quando decidi fazer isto, assegurei-me de que tinha o conhecimento.

E as visitas guiadas são tudo para ele.

É difícil fazer visitas guiadas todos os dias.

- Pois é. - Não conseguia.

Está sempre a entreter, tem de saber muita coisa.

De estar sempre pronto.

A Senhora Liberdade pesa 6800 quilos.

A mulher mais pesada que conheço. Não é?

Quem se ri, vive mais, por isso, tento trazer humor à visita.

Agora, à direita, verão um edifício de tijolo vermelho com uma coroa dourada.

Quando o virem, avisem.

Sim. Já vi.

É um Starbucks.

Só tento animar a multidão, por isso…

Acho que é o meu superpoder.

Têm o melhor guia turístico da cidade. Caso não saibam.

Agradeço-te, Yana.

"Curiosamente, o Nick nasceu e cresceu em Washington, DC

e hoje vive do outro lado do rio em Arlington, Virgínia,

com a sua parceira de longa data, a Vivian."

- O que estás a cozinhar? - Vou fritar frango.

"Estão juntos há 11 anos

e partilham uma casa movimentada, cheia com cinco filhos incríveis."

Tenho quatro filhos de uma relação anterior.

O mais velho é o Jeffrey, com 18 anos. Está prestes a ir para a universidade.

Tenho uma Viviana de 17 anos.

A Nina. Faz 16 anos em setembro.

Depois tenho o Joell. Ele tem 14 anos.

Depois tenho o Nico.

E o Nico é meu filho e do Nick, biologicamente.

- Achas que chega? - Sim.

- Está bem. - Duas bolas de gelo e deita-se ali.

Este homem entrou nas nossas vidas quando o pai dos miúdos não deu a cara.

É o progenitor deles. Ele é que é o pai deles.

Nina, para que arranjas as unhas? Nada de encontros, certo?

No início, foi difícil tentar ser esse pai, porque eles têm um pai.

As pessoas entram na nossa vida por um motivo.

E adoro-os a todos.

- Adoramos uma família reconstituída. - Pensei logo numa família reconstituída.

Trabalho cerca de 12 a 13 horas por dia, todos os dias, sem folgas.

Mas tenho de pagar contas, alimentar os miúdos, comprar e pagar-lhes carros.

É muito.

Posso dormir quando morrer. Está tudo bem. Tenho um trabalho a fazer.

- Vais fazer o turno da noite? - Sim.

- Outra vez? - Eu vivo no trabalho e visito a casa.

Acho que ele sente que tem de fazer tudo porque ele não teve uma figura paterna.

Tendo vindo donde vim, não éramos ricos, claro.

Por viver nesse ambiente, comecei por ir para as ruas.

Meti-me em sarilhos quando era mais novo.

Fui apanhado e isso acordou-me para a vida.

Nessa altura, soube que não era esse o caminho que eu queria seguir.

Quero ter a certeza de que, como pai,

sou capaz de os apoiar em tudo o que tentam fazer.

Anda cá.

- Adoro-te. - Também te adoro.

Quando o Nick vai trabalhar todos os dias,

deixa-me orgulhosa.

No entanto, fico um pouco triste porque ele está sempre a trabalhar.

Já te ajudo, Jeffrey.

Afeta as crianças. Elas querem vê-lo mais.

Querem fazer mais atividades com ele.

Querem que esteja presente.

"No final da semana, o Nick e a Vivian levam o Jeffrey à orientação universitária

marcando o início de um novo capítulo, em que os filhos começam a sair do ninho."

- O meu maior medo! - É o meu pior pesadelo!

Acredita, quando isso acontece, é altamente.

- Quero-os na minha cave para sempre. - Não queres nada.

Com o Jeffrey a ir para a universidade, é um momento agridoce

porque pouco depois,

ele terá a sua própria família e os miúdos vão seguir em frente.

Acho que os Fab Five podem ajudar o Nick a abrir espaço para uma conversa.

Para dar prioridade à família.

"A Vivian planeia uma festa de despedida para honrar este novo capítulo

e para lembrar o Nick de abrandar, pois o tempo passa depressa."

- E os miúdos crescem rápido. - Sim.

"Vamos ajudar o dedicado guia de Washington

a refletir sobre o passado enquanto está presente."

- Sim! - Lindo!

Vamos, guia turístico!

Vamos ver o Jefferson num instante.

O memorial dele é à vossa direita.

É feito de mármore, não o tomem por granito.

Facto interessante, ele costuma passar por aqui.

- Por esta hora. - Foi por isso que nos trouxeste aqui?

- Sim! - Jer, és tão inteligente.

- É aquele guia? - Acho que é ele.

- De camisola vermelha? - Adoro visitas!

Chamamos-lhe pai fundador esquecido.

Sem George Mason, não haveria Carta dos Direitos.

- Ele escreveu o primeiro… - Senhor!

Olá! Desculpem metermo-nos na visita. Viemos fazer-te uma transformação!

- Boa! - Boa!

- Desculpem a interrupção. - Desculpem estragar-vos a exposição.

O que aprendemos?

Podes falar-nos sobre este monumento?

Sem dúvida. Antes de mais,

no topo, temos o Comité dos Cinco.

John Adams, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin,

Roger Sherman, do Connecticut, e Robert Livingston, de Nova Iorque.

Eram os Fab Five deles!

É isso mesmo, certo? Foi em cheio, não foi?

Isto foi inaugurado em 1943, a 13 de abril.

Foi o 200.º aniversário do seu nascimento, em 1743.

Franklin Roosevelt colocou a primeira pedra em 1939.

Olha para ti com os factos!

Como é que cabe tanta informação no cérebro de alguém?

Muita leitura, muita pesquisa e muito estudo.

Agora percebo porque és o Deus do Roteiro.

- Eu tento. - Está bem.

Esperava que fosse o Gawd do Roteiro,

mas afinal é o Deus do Roteiro, não "Sim, Gawd".

Deixem-lhe ótimas críticas. Cinco estrelas no Yelp.

Só cinco estrelas.

Não entres em pânico. Somos amistosos. Vamos meter mãos à obra?

- Sem dúvida. - O que fazemos com eles?

Estás a falar como se não estivessem atrás de ti.

É por isso que tem piada.

Anda, Nick.

Arranjámos-vos um autocarro. Está ao virar da esquina.

- Obrigado. - Adeus, malta. Obrigado.

Vamos, Nick. Nervoso?

Estou nervoso, mas é um nervosismo bom.

- Boa! - Um nervosismo ótimo.

DIA UM

OS DIAS SÃO LONGOS, MAS OS ANOS SÃO CURTOS.

- Esta é a tua paragem? - Sim.

- Gosto do teu cantinho. - Chegámos.

O teu bairro é tão giro.

Chegámos.

Conseguimos.

Bem-vindos à minha casa.

Olá!

- Olá! - Olá!

Sou o Tan. Muito prazer. Céus, és linda!

- Olá, malta. - Muito gosto.

- Jeremiah, e tu? - Joell.

Muito gosto.

Isto é como o The Brady Bunch. Há miúdos por todo o lado.

- Como te chamas? - Nina.

- Muito prazer. - São todos lindos.

Ter cinco filhos era o meu maior sonho.

Continuo a desejá-lo.

Pergunto ao Nate uma vez por mês se ele quer ter outro filho.

Continuo a tentar, mas não consigo engravidar.

Sei que já o disse demasiadas vezes.

- És deslumbrante. - És linda!

- Muito obrigada. - O teu cabelo de rebuçado é deslumbrante.

- Adoro. - Muito obrigada.

Meninos, digam-nos. O que tem de acontecer? O que desejam?

Porque estamos aqui? Contem-nos tudo.

Algumas das roupas dele. Já saiu de casa a parecer um frasco de mostarda amarela.

Sim, dá-nos mais.

Agradeço a precisão.

As roupas, sem dúvida.

Adoraria vê-lo com umas boas cáquis, um bom polo.

- E o que mais temos? - Está bem.

A Nina acha que as piadas de pai dele têm de mudar.

Posso ajudar com isso.

Estão todos a divertir-se. Estão todos a rir-se.

Está um bom ambiente.

Mas vejo que o Nick está a desaparecer para segundo plano.

Tenho uma pergunta. Adoramos a barba? Somos obcecados?

- Gosto de como está. - Gostas?

Lembro-me de uma vez ele chegar a casa sem barba e isso foi uma loucura.

O Nick que conhecemos sabia os factos todos, falava, partilhava.

O Nick nesta casa não diz nada.

Não é a família completa?

- Falta um. - Sim.

- Ele está em casa? - Está.

- Onde está ele, f***? - Não é?

- Queremos conhecê-lo. - Como se chama?

- Jeffrey. - Jeffrey!

- Jeffrey! - Jeffrey!

Jeffrey!

Jeffrey, sou o Tan. Muito gosto.

Jeffrey. Como estás?

- Como estás? - O abraço foi giro.

- És tu que te vais embora. - Sim, senhor.

Estás preparado? Não me chames senhor. Tenho a tua idade.

- Tens? - Mal tenho 18.

Vais-te embora em breve. Para onde vais?

- Universidade Ferrum. - Ferrum.

- Sim. - Estás entusiasmado por sair de casa?

- Um pouco. - Diz-me porquê.

Vou por causa do futebol, mas…

- Vais? - Sim, senhor.

- Fantástico. - Quarterback?

- Linebacker. - Ótimo. Não sei o que isso significa.

Também te sais bem na componente educacional?

Sim, senhor. Saio-me bem na minha educação.

- São todos tão educados. - Ótimo miúdo. Sim.

Meu Deus.

- Vamos ver mais da casa? - Vamos explorar.

Uma visita guiada.

Aqui é a sala de estar.

- O que está aqui? O que se passa? - São livros.

- Está bem. - Mantivemos um…

- Precisamos destes livros? - Não.

Temos de tirar tralha.

Estou contigo.

Cestos de meias, roupa de inverno e cenas de artesanato.

- És artesã? - Sou.

Que artesanato?

Faço muitas coisas para festas. Faço camisolas. Faço copos de shot.

- Fofo. - Eu faço crachás.

Onde estão os materiais? Sei que tens coisas.

- Não me julguem. - Está bem.

- Já vamos à sala de trabalhos manuais. - Vamos até lá.

- Vão ficar perplexos. - Porquê?

- Está bem. - Está um caos.

Está um caos!

Cheira bem.

Isto é o caos.

Foste rápida e vaga com "sala de trabalhos manuais".

Isto é uma lixeira.

Que por acaso tem coisas criativas.

- Às vezes, pode ser um furacão. - Sim.

Uma pergunta. Que raio é isto?

- Crachás. - Para fazer crachás.

Até eu sabia!

Tive uma namorada que era uma cortes.

- Fazia recortes, não era cortes. - O que é cortes?

- Foi isso que te tornou gay? - Sim.

Tinha uma divisão como esta. Olhem para mim agora.

Ao andar pela casa do Nick,

percebe-se que, neste momento, não há muito espaço para viver nesta casa.

Quero tirar a tralha toda para poder trazer a família.

Não podes fazer o que precisas para cuidares de ti nesta casa.

- Perfeito. - Bem, há muitos copos.

Foi a minha forma de dizer que prestei atenção.

Estou tão orgulhoso.

- Podemos ver mais? - Sem dúvida.

Vamos. Cozinha.

Conta-me mais.

- O que funciona? O que não funciona? - A máquina de lavar loiça não funciona.

Ele não quis dizer que não funciona fisicamente, certo?

Estava a falar mais emocionalmente. Existencialmente.

Não se usa. Os miúdos lavam a loiça.

Quero defender os miúdos. A minha mãe fez o mesmo.

Tínhamos uma máquina e não a podíamos usar.

- Por favor, podemos começar… - Nós igual. É da nossa cor.

- O que se passa connosco? - Nós…

Deixem-nos usá-la!

Para mim, usávamos pratos de papel, garfos e facas de papel.

Então, para que há pratos?

Os pratos de papel são para piqueniques.

Nem nos piqueniques os uso. Não queremos pratos de papel, está bem?

Disseste que é aqui que a magia acontece. Quem faz magia?

- Quem cozinha? - Sou eu.

A maior parte. A Viviana ajuda-me.

- Faço sempre frango… - Demasiado frango.

Frango na segunda-feira, frango na terça, frango na quarta.

Um dia, fartei-me de frango. Ela: "Vou fazer algo diferente."

O que é? Ela abriu o forno e disse… E eu: "É o quê?"

Ela disse: "É frango envolto em toucinho fumado."

- Era frango outra vez! - Era frango!

Mas era um frango diferente. Está bem? Tentei fazê-lo chique.

Já percebi. Nada de frango. Está bem.

Meu Deus.

Há tantos livros.

Há alguma coisa nesta arca? Funciona?

- Pode estar um pouco vazia, mas… - O vosso favorito, peito de frango.

E um saco ainda maior de coxas

que acho que está colado ao interior da arca.

Aqui é o quarto.

Está bem.

O meu lado da cama.

- Está bem. - O lado dela.

- Podia adivinhar que era o teu lado. - Sim, certo?

Faz lembrar um bocadinho outra secção desta casa.

É impossível na terra de Deus

que alguma "diversão" aconteça neste espaço.

Jeremiah, têm um frigorífico com congelador no quarto.

Não há romance neste espaço. Não tem nada de romântico.

Para que precisam de solventes no vosso quarto?

- Não precisamos. - Certo.

É nojento. Quem quer fazer sexo aqui?

Lembram-se da última vez em que todos se sentaram à mesa em família?

- Têm uma bela mesa de jantar. - Há provavelmente um ano.

Com os horários deles, é difícil.

Mas será realista uma vez por semana ou a cada duas semanas

conseguirem ter uma refeição em família?

Acho que é possível, mas não é possível

porque o Nick sai do trabalho às 16h

e volta ao trabalho.

- A Viviana vai trabalhar. - Ele sai às 20h.

Podiam fazer um lanchinho à noite.

Pode ser a noite da sobremesa.

- Uma noite de sobremesas! - Sim.

- Adoro-a. - Algo divertido.

Tínhamos a noite de sobremesas

e a minha mãe fazia root beer com gelado.

- Sim. - Está bem.

Fazíamos muito, mas acabou porque ficaram todos ocupados.

Sim. Definitivamente, há muito amor na família,

mas todos parecem viver as suas vidas.

Querem tempo de qualidade.

Acho que é sobre estar um pouco mais consciente

e um pouco mais presente quando estão em casa.

Vai tornar-se possível, querida.

Tem de se tornar possível porque ele vai para a universidade.

Temos de fazer algo antes.

- É querido. - Que fofo.

É triste, mas lindo ter alguém de quem ter saudades.

- Sim. - Sim.

Mais ousado do que eu esperava.

Tira uma roupa que usarias numa saída à noite.

Esta é a camisola amarela que ela diz que parecia mostarda…

- É uma cor gira. - Adoro.

- Tenho estas sapatilhas amarelas. - Isso dá-me tanta esperança.

Chamou-me de frasco de mostarda, mas…

- Sim. - Curioso.

- Sim. - Está bem.

- É uma roupa com que te sentes bem. - Sim.

Calças de ganga, camisola com capuz. És um tipo casual.

Tenho t-shirts normais e assim.

O Nick parece entusiasmado com a roupa, mas é tão claro.

Ainda se veste como um miúdo de 20 anos

porque não sabe quem ele é hoje.

Ele tem de melhorar um pouco.

Mostra que tens estilo. Só escolhes vestir uma farda.

- Sim. - Está ocupado, querido.

Eu percebo. Mas para ser justo,

a mulher quer que ele fique bonito de vez em quando.

- Só às vezes. - Sim.

A estação de hidratação é aqui.

- Já falámos com os miúdos. - Certo.

Vimos que estavas calado.

- Eles costumam exprimir o que sentem? - Não.

- Não? - Não.

Sim? Porquê?

Não estamos mesmo

disponíveis ou em sintonia para o fazer.

E quando têm tempo a sós?

- É o que tenho de criar. - Mas tens tempo para isso?

Estou exausto, mas tenho de encontrar a energia para fazer essas coisas.

Entendido. Muito bem. Como foi a tua infância?

A minha mãe trabalhava muito porque era mãe solteira.

Tinha dois ou três empregos.

- O pai não estava presente. - Não.

- E a mãe estava sempre a trabalhar. - Certo.

Aquela coisa de ética de trabalho,

não a censuro porque gosto dessa força,

mas herdei isso dela.

Isto faz mais sentido para mim, o teu percurso na paternidade.

Porque o que sei é que quem normalmente não tem modelos,

segue um de dois caminhos.

Imita os modelos que tem ou faz o oposto.

Chegaste-te à frente por isso?

Não ia ficar com ela sem me assegurar de que os miúdos estavam bem.

Mas porquê?

Se a amo, tenho de amar os miúdos.

Nem sempre os amei.

- Fui-me afeiçoando. - Claro.

Agora preocupo-me com eles,

com o seu bem-estar e coisas assim.

O Nick é um ótimo padrasto.

Está claramente a tentar dar aos filhos tudo o que o pai dele não lhe deu.

Ele ainda precisa de ajuda para perceber como estar presente para eles.

Voltámos.

- Olá! - Olá!

- O homem do momento. - Sim.

- Estás pronto para começar? - Sem dúvida.

Tens de te despedir, porque vamos entrar no autocarro e bazar.

Vamos!

- Vamos! - Vamos a isto!

- Está bem. - Vamos. Para o autocarro.

- Jer, adoro que faças parte da família. - Vou ficar.

- Vais mudar-te. - Vou meter mãos à obra.

- Encaixas na perfeição! - Até breve.

Adoro mesmo esta família.

E quero que esta casa seja um lugar

aonde o Nick, depois de trabalhar 14 horas,

mal possa esperar por chegar, porque o vai fazer tão feliz

como nenhum outro sítio faz.

Preciso dos meus reforços.

Vá lá. Vamos entrar.

Quero pessoas interessadas em livrar-se de coisas.

- Está bem. - Eu!

Vamos buscar uma caixa.

Cuidado, rapaz. Estou pronta para deitar isto fora.

Ninguém usa o quê?

Mete cá dentro.

- Vamos ficar com isso. - Vais ficar com isto?

Quantos gofres Grinch fizeste?

- Um e foi no Natal passado. - Mãe?

- Ela gosta do Grinch. - O quê?

Eu serei o Grinch do design.

DIA DOIS

NÃO HÁ UMA FORMA DE SER UM PAI PERFEITO E HÁ UM MILHÃO DELAS PARA SER ÓTIMO.

Parece a quinta perna do burro. Um badalo. Espetada de carne. Um pénis.

Vamos dizê-lo. Três, dois, um. É fálico.

Parece um pénis.

Kutas, em polaco.

Deviam tirar o vosso cérebro gay da sarjeta. É só uma ventoinha.

- JVN, eu não vi um pénis. - Segurar assim é melhor.

Mas vou dizer isto, miúda. Estamos aqui pelo Nick.

- E é sobre a família. - Sim, é.

Apesar de, por fora, aparentar ter tudo controlado,

tive a sensação de que há coisas mais profundas.

- O caos daquela casa é de loucos. - Sim.

Ele é tão aberto.

- "Dá-me tudo o que tens". - Sim.

De muitas formas, o Nick tem estado em modo de sobrevivência.

- Ele tem de fazer uma pausa. - Sim.

Está no comboio expresso. Tem uma hora e meia.

- Depois volta a fazer visitas guiadas. - Sim.

A Vivian e o Nick têm estado num processo de trabalho, filhos, trabalho, filhos.

O Nick tem de ser assertivo, de comunicar

e de estar mesmo presente para si e para a sua família.

Pelo que disse, ele não tem modelos.

Quero que ele perceba onde esteve,

o trabalho que ele fez e para onde ele pode ir.

- Sim. Mas ele está pronto. - Está pronto.

Ao Deus do Roteiro.

Ao Deus do Roteiro.

- O que disseste? - Ao Deus do Roteiro.

- Adeus? - Deus.

- O Deus do Roteiro. - Sete, oito.

Deus do Roteiro! Certo.

Um, dois, três, quatro. cinco, seis, sete, oito.

- Vamos lá. - Faz uma queda dramática com a ventoinha.

Sou muito bom em tantas coisas,

mas não com degradê, por isso, vamos ter ajuda.

Meu Deus. Olha como ele era giro. Há soldados giros por todo o lado.

Há tipos tão giros em Washington. Estão em todo o lado.

O teu cabelo é tão bonito.

- Posso tocar? - Claro.

Meu Deus, o contorno do couro cabeludo é deslumbrante.

O maior presente que um pai pode dar ao seu filho

é o seu tempo e atenção

e também mostrando-lhes melhores formas para cuidarem de si.

O Nick, por ter abrandado um pouco

e tirado um tempo para se ligar a si mesmo,

pode relacionar-se melhor com os filhos.

Estás a envelhecer como um bom vinho, querido. Como um bom vinho francês.

Não temos de reinventar a roda ou fazer algo louco,

mas acho que vamos tirar um bocadinho assim.

- Está bem. - Sabes o que seria muito sensual?

Quero pintar as tuas sobrancelhas.

- Pintar? - Sim.

Vamos escurecê-las.

Vês como a tua barba é forte, mas as tuas sobrancelhas desaparecem?

Não tenho sobrancelhas. A minha mãe também não.

Mas tens sobrancelhas.

Se as pintarmos, vai torná-las mais fortes.

Fica bonito. Vai ser muito masculino, na verdade.

Uma tinta não faz mal a ninguém,

a não ser que se use de mais

e se fique com supersobrancelhas.

Aí, faz mal, mas não vamos fazer isso.

Não te preocupes.

A minha amiga esteticista está cá. Vais fazer uma bela limpeza.

- Já fizeste uma limpeza de pele? - Uma. Há anos.

Já há bastante. Tens uma pele tão bonita. Quero poli-la.

Vamos esfoliar esses lábios. Vamos polir-te um bocadinho.

Vou chamar o nosso barbeiro e vamos começar.

É tão querido. Chama-se Steve.

- Como estás? - Steve, Nick. Nick, Steve.

- Está bem. - Vocês são tão giros.

Vamos fazer um degradé baixo.

Estava a pensar que gosto quando segue a forma da cabeça.

Um degradé mais descido?

- Sim! Acho que é um pouco refinado. - Está bem.

É um pouco mais adulto. Sabes?

Quero fazê-lo fresco e limpo.

Não há problema.

Numa época em que não se encorajam os heterossexuais a ligarem-se

ou ter um espaço para falar dos seus sentimentos,

esta barbearia transmite-me isso.

É como quando as senhoras vão à manicura.

Vai ao teu barbeiro. Faz um amigo na barbearia.

Tão giro. O teu cabelo está ótimo. O contorno tão definido.

Vai lavar o cabelo. Vais sentir-te muito melhor.

- Estão todos tão bem aqui. - Sem dúvida.

Nick, quais seriam os teus objetivos na tua carreira de guia?

Bem, eu sempre tive uma visão sobre um roteiro de comédia só para adultos.

Uma linguagem mais adulta.

Sim.

Umas histórias mais de adultos.

Sim. Tens nome?

Será um Roteiro Histórico Histérico ou assim.

Roteiro Histórico Histérico.

Como Hamilton, inspirou-me quando tinha aquela frase:

"Filho de uma puta."

- Quero dizer "puta" no autocarro. - Sim!

Mas tenho de ter cuidado com a linguagem, tenho de ser profissional.

Sim. Adoro essa ideia.

Inscrevam-me já!

Vamos fazer uma troca de piadas galdérias?

Como as histórias sobre Lincoln ser um homossexual violento.

Diziam isso, mas não acho que seja verdade.

Queridos, adoro factos.

Quando se estabeleceu em Springfield,

ele viveu com um tipo durante uns dez anos.

Soa-me a passivo de 1800, querido.

Estás descontrolado!

É verdade, querido.

Ele estava tão stressado com a guerra, que começou a…

Desculpe, senhor. Espero que esteja a gostar do corte.

- Tudo bem. Foi em cheio. - Não estava a falar contigo.

Está aqui um cavalheiro e eu a falar do Lincoln e do…

O Roteiro Histórico Histérico é tão giro.

Se assumir mais controlo do seu destino com a sua carreira,

ele pode ganhar mais dinheiro e ter mais tempo para estar com os filhos.

Acho que é importante para ti, porque estás alerta a toda a hora.

O teu trabalho envolve tanto estar alerta e atuar.

Estes momentos de descontração e de calma são tão importantes para ti.

- Certo. - É mesmo verdade.

Quando cuidas melhor de ti, a tua presença é melhor.

Certo. Isto é muito necessário. Agradeço-te.

Meu Deus, o prazer é meu.

Essa barba está ótima!

Acho que é um dos degradés mais fixes na história do Queer Eye.

O melhor para o fim.

Essa pele está a ganhar vida, querido.

Deslumbrante!

Posso só dizer como é irritante que os homens se esforcem tão pouco

e tenham muito melhor aspeto?

- Entusiasmado por ver o teu novo eu? - Pronto para ver o meu novo eu.

Querido, posso dizer que nunca vi um guia mais sensual na minha vida.

Aqui está o novo Nick em três, dois, um.

Sim, estou de volta.

Não é?

- Vês a diferença na tua testa? - Vejo.

Na verdade, já as vejo.

Estou a brilhar.

Um tratamento facial e um corte de cabelo. Levem este homem aos Emmys dos guia.

Ele está tão giro, tem um brilho interior,

sensual, mas majestoso ao mesmo tempo.

Tip sensual, mas senhor, tudo ao mesmo tempo.

Chamo-me Abraham. Quando lincamos?

- Foi bom! - Anota isso.

Acho que tens futuro na comédia. Foi muito bom.

- Deixa-me olhar bem para ti primeiro. - Sim.

- Que melhoria. - Sim.

E prefiro a barba mais curta. Prefiro.

Sabes que mais? Não percebo uma coisa.

Tu tens um dom. Tens o dom do estilo.

É uma bênção. Mas escolhes não a usar.

Para trabalhar na empresa, querem que se use a camisola da empresa.

- Sim. - Gosto de usar a minha roupa, mas…

- Mas quando a usas? -É isso. Nunca.

Quando começaste a valorizar a roupa?

Quando era mais novo, porque não tínhamos roupa.

Era em segunda mão.

- Passavam-se as roupas. - Igual.

Só entrei mesmo no aspeto da moda

até ter cerca de 25, 30 anos.

- Está bem. - Ganhava melhor e podia comprar roupa.

Está bem.

Gostavas de ter oportunidades de te vestires de forma diferente?

Sem dúvida.

As roupas ainda te entusiasmam?

- Sem dúvida. - Ainda te entusiasmam.

- Sim. - Ótimo.

O Nick não tem tempo para vestir outra coisa que não a farda,

mas é algo que lhe traz muita felicidade.

É uma coisa na sua vida que ele pode realmente controlar.

Vamos aprimorar só um pouco.

Não só pela Vivian, mas também por ele.

Muito do que tinhas no teu armário era roupa casual

e eu adoro isso.

O problema que estou a ter é que as coisas ótimas perdem-se

porque tens lá tanta porcaria.

Concordo totalmente com o que disseste.

- Há muita… de que não precisas. - Não preciso.

Vamos livrar-nos disso.

- Vamos dar-te novidades. - Está bem.

Mas misturar a tua novidade com o que já tinhas.

Para ter a tua cara.

Tentamos?

- Vamos lá. - Está bem, então…

A primeira coisa, é algo que encontrei no teu armário.

Estou obcecado por isto. Não vestiste isto, pois não?

- Só uma vez. - Diz-me como o vestiste.

Com a camisa de trabalho.

- Está bem. - Calças de ganga.

Está bem. Talvez queira ver como podes usar isto

também na vida normal.

- Opões-te? - De todo.

- Podem saber que és o Deus do Roteiro? - Já sabem.

Quero usar isso.

Também quero encontrar uma forma de te vestir umas calças.

Quero ver como ficas com roupa casual

misturada com algo ligeiramente mais sofisticado.

Está bem, percebi.

Era o que a Vivian estava a dizer.

Também acho. Mais adulto e sensual é…

- Sim. Podes levantar-se, por favor? - Sim. Na boa.

No que toca a calças, não escolhemos muito apertadas,

mas optámos por afunilar.

Adorava que experimentasses

e visses como te sentes numa versão ligeiramente mais larga.

Está bem, fixe.

Posso ver algumas reticências no Nick no que diz respeito ao estilo.

Ele parece mesmo gravitar para o estilo casual.

Se ele for tão ousado como ele foi neste armário,

sei que o conseguimos levar muito mais longe.

Juntas-te a mim?

Obrigado.

Podes ficar aqui para te veres ao espelho?

As calças são muito confortáveis, Digo-te já.

- Não são? - Sim.

Quero saber o que estás a pensar. Estás muito calado.

É diferente, mas quando és bem parecido, tudo te fica bem.

Mas é diferente.

Se tivesse os meus óculos, ficava perfeito.

Vou dar-te duas coisas. Senta-te aí. Não te mexas.

Não sei como queres isto apertado ou dobrado,

mas podes pôr isso?

Vou tentar assim primeiro. Depois, tento para a frente.

Por acaso, até gosto deste visual.

Com o boné.

Acho que ele está a tentar não ceder

e não dar a entender que está a gostar do visual,

porque é muito diferente do que costuma usar.

- Bela mistura. - Sim. Não.

- Tens um sorriso na cara. - Sim.

- O quê? - Sabes que estás porreiraço.

É um sorriso.

Enquanto continua a ver-se ao espelho, o sorriso aumenta e não dá para esconder.

A conduzir o descapotável.

Sabes? Podia usar isto fora do trabalho, sem dúvida.

Muito bem. O próximo pode ser um esticãozinho maior.

Veremos.

Adoro que esteja aberto a tentar seja o que for.

Foi bom.

Ter alguém que tem um bom estilo

que só quer experimentar faz-me tão feliz.

Nick, estás pronto?

- Sim, já vou. - Vamos ver.

Muito bem.

Fica bem. Diz-me de tua justiça.

Qual é o elemento que não te agrada tanto?

O mocassim mais volumoso.

Se fosse tipo um mocassim mais pequeno, talvez.

- Está bem. - Sim.

Deixa-me experimentar os óculos mágicos.

daqui a pouco, saco um biquíni e dizer: "Muito bem, agora os óculos."

Os óculos melhoram.

Não, eu gosto. É fixe.

Quando adicionamos acessórios ou qualquer componente ao visual,

acrescenta outro ponto de interesse.

É algo com que se use um boné?

Imagino o boné castanho com a manga castanha.

Ou com o azul. Força.

Se acrescentar uns óculos de sol, um boné,

deixa claro consideraste o teu visual.

Achas que isto pode ser uma versão de ti daqui para a frente?

De certeza.

Sim, sinto-me estiloso. Sinto-me bem.

Estás fantástico.

Este visual final é um equilíbrio perfeito

de quem ele era antes de virmos para cá e de quem poderá ser daqui para a frente.

Eu sei que isto é o mais estiloso, versão da moda.

Sim.

- Mas acho que o podes fazer. - Funciona.

Acho que ele vai começar a mudar todo o seu guarda-roupa,

mesmo sem mim.

Acho que é um daqueles casos raros onde plantámos a semente

e ele vai regá-la como o caraças.

É estiloso.

- Obrigado. Agradeço. - Sim.

CONGRESSISTA

DIA TRÊS

OS TEUS FILHOS PRECISAM MAIS DA TUA PRESENÇA DO QUE DOS TEUS PRESENTES.

- Façam favor. - Obrigado.

O Jeffrey vai para a faculdade. Não vai estar por perto.

Quero que tenham um lindo jantar de formatura

e espero começar o ritual de fazem uma refeição juntos.

- Como vai isso? - Olá.

- Antoni, é bom ver-te. - Obrigado por me receber.

- O prazer é meu. Como estás? - Tudo bem.

Vou levar-vos à cozinha e apresentar-vos o chefe Sonny.

Obrigado.

Chefe Sonny, quero apresentar-te estes cavalheiros.

- Muito gosto. Nick. - Chefe Sonny.

- Aposentos apertados. - São. Chefe Sonny.

Muito obrigado por nos deixar usar a sua cozinha.

- Agradecemos. Obrigado, chefe. - Obrigado.

Estive a pensar no que fazer que não fosse frango.

Acho que quatro dos cinco miúdos já estão fartos de frango.

Queria ter uma tradição que fosse gira e simples,

em alta na cultura pop agora.

- Os Smash burgers estão na moda. - Smash burgers.

Quando tudo falhar, façam um hambúrguer.

Como adoro crostas crocantes, vamos fazer um smash burger.

O objetivo de um smash burger é ficar bem fino.

O que realmente queremos são aquelas crostas crocantes.

Estou a usar um corte mais gordo de carne de vaca.

É uma mistura de 80-20. 80 % de carne e 20 % de gordura.

Vai criar uma bela crosta por fora.

Têm pimenta. Podem moer um pouco de pimenta, o que quiserem.

Fantástico. E cada um de vocês tem um pouco de sal. Sim, chefe!

Chefe Jeff?

Chefe Jeff.

É o meu nome.

- Acabei de o inventar. - É o meu nome.

Se dermos aos nossos filhos memórias positivas, vão adorar vir visitar-nos.

Ter o Nick a cozinhar para a família,

ter os filhos a ajudá-lo, é uma coisa tão bonita.

Enrolem-no muito frouxamente nas mãos, para não ficar demasiado compacto.

Não que seja uma competição, mas tipo…

É uma competição.

As dele são muito boas.

Pode vencer-me no John Madden, mas não na cozinha.

- Há uma diferença. - Vamos ver como cortam os tomates.

Adoro que estejas a pensar como o queres cortar.

Está à espera que eu termine, para espreitar.

Recomendo fatias mais finas.

Sim, eu sei. Fi-la demasiado grossa.

Não faz mal.

A minha intenção é que cozinhem juntos,

mas rapidamente querem saber quem vai fazer o melhor hambúrguer.

Homens.

A cozinhar juntos.

- Está bem. - Sim.

- Estas são as vossas prensas. - Certo.

- Põem a almôndega. - Sim.

Põem o papel e pressionam.

Quanto mais fino, melhor.

Cozinha cerca de um minuto e meio de cada lado.

Podem ir buscar o queijo.

Peguem no segundo. Estamos prontos para continuar.

Cheira a fast food da melhor forma.

Achas que isto é algo que podes fazer para quatro filhos, talvez cinco,

quando o quinto estiver de visita?

Sem dúvida.

Ter algo assim, são rituais, certo?

- Sim. Sim. - É criar-lhes memórias.

É importante que possam ver isso em miúdos.

Na boa. Concordo.

Muito bem, meta.

E montamos.

Tomate.

Muito bem.

Usaste os meus tomates todos.

Os nossos tomates. Partilhar é cuidar, Jeffrey.

Tens tomates grossos.

Vou cortar este.

- Estão lindos. - Sim.

Os pães estão perfeitamente tostados. O queijo derreteu.

- Vejo crostas crocantes. - Olá, chefe.

O Jeffrey pede ao Sonny, o chefe executivo do 1799,

para entrar e começar a provar.

- Diga-nos o que acha. - Quer saber se há um vencedor.

Isto está a tornar-se uma competição a sério.

É o juiz, chefe.

Sabem? Seja o que for que os entusiasme a fazer este prato, para mim, serve.

Provaste o dele?

- Vou provar esse. - Momento da verdade.

É mais crocante.

Tem mais tomate aqui. É mais equilibrado do que este hambúrguer.

Aquele é mais equilibrado?

Porque ele pôs o tomate do Nick, que foi cortado mais grosso.

Ficou chateado com isso, mas isso acabou por funcionar a teu favor.

- Não foi? - Sim.

- Bom trabalho. - Pode haver um vencedor.

Vais poder aperfeiçoar o teu hambúrguer enquanto ele está na faculdade.

- Quando ele voltar, podes mostrar-lhe. - Claro. Vou trabalhar nisso.

- Arrasaste. - Obrigado.

Incrível. Obrigado, chefe.

Foi uma ótima experiência.

Muito bem. Querem vir comigo?

Tenho algo planeado para ti.

O quê?

- Como estás? - Como estás? É bom ver-te.

Que tal? Como estás?

- Ótimo. - Já cozinharam?

Foi um pouco competitivo, mas eles ultrapassaram-no.

Eu e tu vamo-nos embora agora.

- Até logo. - Bom proveito.

Muito bem.

O Nick e a Vivian navegam pelo mundo com tanta graça, equilíbrio e carisma.

A casa deve refletir isso.

Quero que entrem nesta casa

e sintam que podem interagir com a família,

divertir-se e contar piadas.

Quero abrir a cozinha

para que, quando a Vivian ou o Nick estão a cozinhar,

possam estar a falar e a rir com os miúdos.

E quero adicionar um nível de sofisticação que acho que merecem.

É verdade? Nunca estiveste num Ikea?

- Não. É a primeira vez. - O quê?

- Têm aqui quartos inteiros. - Têm tudo.

Isto é fixe.

A Ikea mudou tanto. Agora até têm frigoríficos.

Devíamos arranjar-te um para a residência, se couber.

Estou a ajudar o Jer a escolher umas peças para a nova cozinha.

Sei que estamos a ajudar o Nick, mas esta semana é um assunto de família.

Que coincidência louca, encontrarmos o JVN.

Quais são as probabilidades?

Olá, Antoni. Queria fazer-vos uma surpresa.

O Jeffrey vai para a faculdade e precisa de coisas para o quarto.

Eu vou tratar dele.

- Compramos as tuas coisas da faculdade? - Sim!

Temos de lhe dar tudo o que ele precisa!

Isto diz: "Ponto para a universidade."

O que te está a puxar?

Isto tem ar de macho.

Precisas de cortadores de bolachas?

Roupa de cama.

Queria mesmo um avental.

- Quer um avental! - Vamos arranjar-te um avental.

Ele precisa de um coador.

- Um escorredor? Sim. - Sim.

Preciso de um despertador.

Todas as portas precisam de um destes.

- Cuidado com os bolos de canela. - Gosto da matrícula.

- Fico feliz por termos este tempo juntos. - Sem dúvida.

Para mim, já começámos a nossa conversa,

a nossa aula, antes de sairmos de casa.

Exato.

Percebi que queres aprender como estar mais presente.

As memórias são tudo.

Se não as estás a criar, não as tens.

Sim.

Como trabalho muito, não tenho tempo para ir aos jogos todos.

Só estou a tentar estar mais disponível.

Entro em tua casa.

Aqueles miúdos sorriem, riem, brincam.

- Um vai para a universidade. - Sim.

Sabes que fizeste um ótimo trabalho.

Foi tudo a Vivian.

Ela certificou-se de que o rapaz ia aonde precisasse.

Eu estava lá para garantir que, sempre que ela não conseguisse dar conta do recado,

soubesse que eu ajudaria. Mas…

O que estás a fazer agora é minimizar.

Mas a realidade é essa. Tipo…

A realidade não é essa.

Não te podes minimizar.

- A Vivian é uma ótima mãe, obviamente. - Sim.

Mas podes igualmente dizer à boca cheia: "Fui um ótimo pai para eles."

Certo.

Não tens de dizer: "Ela fez mais. Ela esteve presente. Eu só fiz isto."

Não tens de diminuir o que fizeste.

É algo em que tenho de trabalhar. Reconheço o mérito a quem é devido.

Mas não me dou o crédito que mereço. Tenho de perceber como mudar isso.

Consigo identificar-me com o Nick como um homem negro que também é pai,

que também teve problemas de abandono.

Entendo o que o Nick passa ao criar filhos que não são seus.

Passei pelo mesmo.

E quero que ele saiba que consegue superar isto.

O meu filho mais novo, que é adotado, entrou na minha vida aos sete anos.

Não sou o pai biológico dele.

- Mas, até hoje, sou o pai. - Certo.

Estava a minimizar. "Estou a fazer o suficiente?"

Não tive a melhor relação com o meu pai.

Como contrariaste esses pensamentos de: "Estás a fazer o suficiente?"

Um dia, tive de acordar e dizer a mim mesmo: "Não."

Conseguiste.

Porque da mesma forma que as pessoas,

o modelo que não tiveste, teve a opção de não estar lá,

tu escolheste a opção contrária.

Escolheste a opção contrária todos os dias

pelo teu próprio filho e pelas crianças que não eram biologicamente tuas.

És inteligente. O facto de sustentares e nunca desistires.

O facto de teres piada, de seres espirituoso e amável.

As coisas que partilho são a razão pela qual já gosto de ti.

Agradeço.

Muitas vezes, as pessoas pensam que, no que toca à paternidade,

que tens de… Que são aquelas coisas grandiosas.

Não me lembro das coisas grandes.

Joguei jogos, mas o meu pai nunca foi aos meus jogos de futebol.

Mas lembro-me das fatias de laranja a minha mãe cortava.

Não sei porque essa memória não me sai da cabeça.

Mas ela trazer fatias de laranja num saco,

isso, sim, teve impacto em mim.

Sim.

Por mais que gostássemos de dizer:

"Vamos sentar-nos todas as noites e ter uma noite de jogos",

não é a realidade quando temos de trabalhar.

Às vezes, é tão simples como um saquinho de laranjas.

Gosto disso.

Porque são esses pequenos momentos, como quando dizes:

"Vou comer esta taça de cereais contigo."

Isso soa a: "Vou dizer-te porque te amo."

- Sim. - "Porque te dou valor."

É criar o momento.

Já percebi.

Já não vais sentir como se não estivesses presente.

Isso é um bom conselho.

Estás a fazer-me lutar com as emoções. Mas eu oriento-me.

Sim. Então…

- Olá. - Reis!

Olá!

- Adoro isto. - Convidei estes dois pais.

- Surpresa! - Venham daí.

Como estamos? Ele resolveu todos os teus problemas?

Parece que sim.

- Ótimo. - O tempo dirá.

Convidei o Tanny e o Jer

porque queria que o Nick ouvisse de outros pais

que todos passamos pelo mesmo.

Ser pai é difícil.

É ainda mais difícil ser padrasto.

Acho que é uma conversa que muitos pais não têm uns com os outros.

E é muito bom, sabem, sentarmo-nos com outros homens

que criam os filhos e cuidam deles, que é quem o Nick é.

És uma base tão forte para aquela família.

É importante que saibas isso.

Mal posso esperar para poder estar com os miúdos e a família e ser um pai melhor.

Sim.

DIA QUATRO

TODOS OS DIAS FAZEMOS DEPÓSITOS NOS BANCOS DE MEMÓRIAS DOS NOSSOS FILHOS.

- É o mais nervoso que já tiveste? - Sim.

- É? - Sim.

Queria mesmo que o Nick e a Vivian andassem pela casa sozinhos primeiro,

porque é importante que eles entendam

que são os alicerces desta família.

Não vos vou fazer esperar mais, está bem?

Estou entusiasmada.

Não chores.

- Não chores. - Vamos.

- Tu primeiro. - Eu primeiro?

- Não. Vamos juntos. - Apreciem.

Muito bem.

- Céus. - Meu Deus.

Meu Deus do céu.

- De quem é esta casa? - Sim.

- Temos cortinas! - Temos cortinas!

- Temos cortinas. - Nunca tivemos cortinas.

Ena, isto está fantástico.

- Caramba. - Meu Deus.

Estou a tremer. Esta não é a nossa casa.

Este é o nosso lar. Era uma casa. Agora, é um lar.

- Olha para a lareira! - Uma janela para os anos 80.

- Sim. - A lareira.

Também está linda.

É incrível, sim.

Obrigado, Jeremiah.

É muito para absorver.

Está fantástico.

O balcão desapareceu.

Mais espaço.

Isto não é real.

Vejam os armários!

- Organizado ao pormenor. - Caramba.

Dei-lhes uma cozinha nova!

Com paredes de estuque, já agora, com uma placa de aço inoxidável,

que é, gosto de dizer, à prova de crianças, fácil de limpar.

Temos um lava-loiça novo. Temos um fogão novo!

O que achas que vou fazer?

Eletrodomésticos novos. Uma máquina de lavar loiça que funciona.

- Sim. - Porque a usei hoje.

Os miúdos é que lavam a loiça. Estou a brincar.

Não posso fazer eu tudo.

Pratos, chega de plástico.

Sim.

Estou a tentar não chorar.

Não, é suposto chorares. Chora por mim. Estou a tentar não chorar.

Obrigado. Obrigado, meu.

Fico tão feliz por o fazer por vocês.

A casa está destinada a ser um lugar para nos unirmos,

jantar, falar, conversar.

Esta casa está construída em torno dos momentos de que esta família precisa.

Da última vez que estivemos nesta sala, torturei-te.

- Sim. - Olha só.

Meu Deus.

- Meu Deus. - Raios.

- Meu Deus. - Caramba.

Vejam só tanto espaço.

- Vejam esta organização toda. - Raios.

- Transformaste mesmo esta divisão. - Olha para isto.

As minhas engenhocas estão aqui. Estão organizadas.

- Olha para o teu vinil. - O meu…

- Ela adora vinil. - Anda.

Para ela, é o vinil.

Vou viver aqui. Agora, vou viver nesta divisão.

- Querem ver o vosso quarto? - Sim.

- É isso que me entusiasma. - Está bem.

Não pode!

O quê?

Sim.

Não é um quarto de hotel.

- Está tão espaçoso. - Meu Deus.

Era tão apertado que não conseguíamos mexer.

- Encolhemos o quarto com as coisas. - Pus uma cama king-size.

- Tem mais espaço. - Isto é de loucos!

Temos de manter isto assim.

Isto é sério.

Olha para este candeeiro.

É porreiro. Foi a primeira coisa em que reparei.

- É fixe, não é? - Sim. Muito fixe.

- Quero muito experimentar a cama. - Bem…

Por falar nisso, vou buscar outros gays. Já volto.

Está bem.

- É maravilhoso. - Era o que precisávamos.

- Não podes estar sempre a trabalhar. - Então.

Posso dar um jeito.

Trago alguém comigo.

- Olá! - Trago a família.

Vá, família. Que lentidão é essa? Vamos ver.

- Vamos. - Sim.

Aqui vamos nós.

Entrem.

O quê?

Eu sei, não é? Bem-vindos a casa.

- Gostas, Nico? - Sim.

- Espera. - Gostam?

- Meu Deus. - Entrem.

- Como te sentes? - Viram a casa?

Muito obrigado a todos.

- Olha como ele está giro. - Sim.

Olá. Obrigado, meu.

Adoro ver uma boa família a ganhar.

Queria fazer isto por toda a gente.

Surpresa, malta.

A máquina de lavar loiça funciona!

Boa!

- Sei que não és grande fã de doces. - Sim.

Mas os cinco miúdos gostam, por isso, montei um bar de gelados.

Trouxe-te alguns sabores e um cenário "faça você mesmo"

para que as vossas noites de sobremesas possam voltar.

- Desfruta do momento. - Sem dúvida.

- Raios, outro abraço. - És incrível.

Muito bem, Nick.

Vamos à roupa?

- Sim, sem dúvida. - Está bem.

Quanto à cor,

temos cores vivas, incluindo um casaco vibrante…

- Gostas? - Sim. Sem dúvida.

- Ótimo. É uma bela camurça. - Adoro esse casaco.

Incorporámos cor,

mas vais reparar que está muito condensada.

Espero que tudo neste armário te faça sentir incrível.

- Perfeito. - Estás pronto para experimentar?

- Vamos a isto. - Ótimo.

Muito bem, meninos!

- Sim? - Sim?

Temos um desfile de moda. Querem ver como está o pai?

- Sim! - Muito bem.

Nick 2.0, podes sair, por favor?

Muito bem, aqui vou eu.

Isto é porreiro, não?

Sim!

Raios, o Nick está com ótimo aspeto.

Raios, tenho de apanhar ar. Estás…

Demasiada roupa. Podes tirar o casaco?

- Sim. Tens de fazer como… - Está bem, GQ!

Está bem!

Próximo visual?

- Fixe, não é? - Certo!

- Fica ótimo! - Boa.

O Deus do Roteiro na moda, queridos.

Está bem!

Vivian, o que achas?

Gosto. Parece o estilo dele.

O casaco é uma peça tão nobre e depois umas calças de ganga ultracasuais.

- Belos ténis. - Adoro as sapatilhas.

- As sapatilhas são bonitas. - O que achas, Nina?

- Gosto. - Gostas deste?

Muito bem, boa. Muito bem.

- Acertámos um. - Aceito.

Temos uma festa de formatura esta noite para ti. Como te sentes?

- Estou nervoso. - Estás nervoso?

- Sim, um pouco. - Eu sei.

Mas hoje é uma noite para a família te celebrar e estar reunida

antes de embarcares nesta viagem.

Vamos a isto, malta?

Esta casa representa agora o sentimento de amor

que sentimos quando entrámos.

- Obrigado. - De nada.

- Para a criança interior. - É isso.

- Obrigado. - Adoro-vos.

Adeus. Muito obrigado. Agradecemos.

- Adoro! - Adeus!

Adeus!

O NOVO NICK

NENHUM HOMEM É MAIOR DO QUE QUANDO SE BAIXA PARA AJUDAR UMA CRIANÇA.

Damos graças a Deus e Ele está a olhar por todos nós.

- Ámen. - Ámen.

Bom trabalho, jovem.

Pensei que ias continuar a falar, como a tia Pat.

Adoro que o Nick compreenda

a diferença entre sustentar e estar presente nas suas vidas.

A ligação entre pais e filhos

não é só sobre grandes momentos ou presentes.

São os pequenos momentos.

Aqueles momentos que encontras para dizer: "Adoro-te."

Olá, mãe.

Olá, abelhinha. Estás com bom ar.

Olá.

- O que queres? - Não é esse o espírito.

Acabámos a casa do Nick, mas a família fez-me sentir saudades da minha família.

A tua família também tem saudades tuas, amor.

Nick, quero agradecer-te por estares na minha vida desde os seis anos.

Chegaste-te à frente.

Poder contar contigo motivou-me.

E agradeço muito que apoies a minha mãe.

Obrigado por dares valor. Sabe bem ouvi-lo.

Eu sei que dás. Todos vocês.

Apesar de o Jeffrey se ir embora,

nunca é tarde para mudar a relação que tem com os filhos.

Tu fazes-me feliz.

- Sim. - És engraçado. E…

- Sou engraçado? - Sim.

Não sabia disso.

- Olá, querido. - Olá, querido.

Queria ligar-te e dizer que te amo.

Também te amo, querido.

Quero agradecer-te por estares presente e me indicares um caminho melhor.

Não sou boa a exprimir os sentimentos, mas adoro-te.

Também te adoro, Nina.

Achava que não precisava disto, mas precisava disto.

- Meu Deus! - Sim.

Olá.

- O que achas, Nico Pico? - Ótimo. Quero mostrar-te uma coisa.

Está bem. Vais mostrar algo à avó?

Céus. Cala a boca.

Olá, mamã. O que estás a fazer?

Não caias da cama, mãe.

Esta oportunidade transformou esta casa num lar.

Significa muito que estejam todos aqui a celebrar a ida dele para a universidade.

O Jeffrey é um ótimo miúdo.

Os Fab Five tornaram esta família mais unida.

Deram-me o melhor conselho, ser eu mesmo.

Não ter vergonha de me expressar.

E o mais importante, entender que sou suficiente.

Adoro-vos. Agradeço-vos a todos.

Vamos comer gelado.

Está bem? Muito bem.

Não há manual para a paternidade.

Claramente.

Mas se se estiver presente e se continuar a tentar, vai correr bem.

Olá, pai.

Olá, Mushu. Tenho saudades.

Também tenho saudades tuas.

Olá.

Olá, meu anjo. Como estás? Como estão os meus filhos?

Muito bem. Acho que um deles já acordou.

Obrigado por todos os sacrifícios que fizeste e tudo o que fizeste.

Obrigada, querido. De nada.

Os Fab Five ajudaram-me cuidar dos meus Fab Five,

por isso, é uma bênção.

Quando começámos, muitas pessoas sentiam medo.

E estamos a terminar esta caminhada com muitos sentimentos semelhantes.

Acho que uma grande epidemia neste país é esta noção

de que estamos sozinhos nas nossas experiências.

As batalhas podem ser diferentes, mas estamos todos a sofrer.

É isso que este programa tem de tão bonito porque quer estejamos em Atlanta,

Filadélfia, Washington, DC,

Kansas ou Tóquio,

no fim do dia, quando entramos pela porta de alguém,

é sobre eles. É sobre as suas experiências individuais únicas.

De certa forma, sinto que fizemos tão pouco.

Há tantas mais histórias para contar.

Tudo pode mudar se uma pessoa sentir amor verdadeiro.

E é incrível pensar que fiz parte de uma coisa

que deu esperança às pessoas ou que fez com que se sentissem menos sós.

Ou as inspirou a fazer melhor.

É mesmo fixe.

Legendas: Helena Cotovio

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