All language subtitles for Queer Eye - 10x03 - Episode 3.WEB.EDITH.pt

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Original subtitles

Mariah Carey disse uma vez:

"Há um herói que vive dentro de ti."

E esta semana, a nossa heroína é a Kate, querida.

A Kate tem 43 anos.

Ela é bombeira e mãe solteira de gémeas, querida.

- Adoramos bombeiros. - Sim!

Meu Deus. Adoro.

Chamo-me Kate e sou bombeira

há quase 18 anos.

Ela faz com que pareça fácil.

Ver algo que é normalmente feito por homens,

ver uma mulher naquela posição é do caraças.

Não me gabo, mas…

… a minha mãe é uma heroína.

Quando todos fogem de algo, ela corre na sua direção.

Nenhum herói se vê como um herói.

A mãe nunca pensa que é uma heroína.

Vejam só como este bairro é fofo, malta.

Até têm baloiços no jardim.

É um bairro americano.

Tem pinta de quem se mete na vida dos outros.

Um clássico americano.

As filhas da Kate, Bridgie e Lizzie, têm 11 anos e meio.

Meu Deus, estas meninas nasceram quase

quando começámos o Queer Eye.

- Assustador. - Sim.

Estamos a ficar velhos.

São fantásticas. Não as mereço.

Eu cresci aqui.

Os meus pais vivem talvez dez casas acima.

Depois do divórcio lutei para comprar a parte do meu ex-marido para ficar aqui

por causa da comunidade que temos.

Nós as três somos as mães solteiras

que vivem no bairro, que contam umas com as outras.

Não!

Ganhei. Não, já apostaste. Não, estás fora.

"Os vizinhos sabem que ela não só é uma ótima mãe,

mas um pilar da comunidade.

Mas ela vê-se como alguém de quem os outros têm pena."

Ela cuida sempre primeiro dos outros.

Todas passámos por momentos difíceis. E, às vezes, é difícil ser mãe solteira.

É difícil para ela dizer: "Preciso de tempo para mim."

Nos últimos anos, ela teve uma vida difícil.

Sinto que fui despedaçada.

A pessoa que eu amava e em quem mais confiava, despedaçou-me.

E enquanto eu passava pelo divórcio,

a nossa casa ardeu.

- Meu Deus. - Meu Deus.

As minhas filhas não só estavam a passar por uma transição por causa do divórcio…

Elas perderam tudo. Eu perdi tudo.

É triste que as coisas por que passou a tenham magoado,

quando ela é tão forte em todo o lado.

Acho que se esqueceu de como viver e de ser ela mesma, de ser a Kate.

"As meninas estão numa idade crucial,

começam a perceber-se e a perceber o seu lugar no mundo,

e a Kate quer dar o exemplo."

Quero garantir que as miúdas me veem

como a pessoa divertida que era antes de ser magoada.

Sei que mereço melhor.

Quero ter a certeza de que as meninas sabem que merecem o melhor.

Não sei como fazer isso.

Está na hora de seguir em frente e de ser capaz de dizer:

"Aqui está o meu novo eu" e abrir caminho.

Ela tem de perceber que não faz mal aceitar ajuda.

Seria muito bonito se ela aprendesse a aceitá-la.

Ela é teimosa, pode demorar.

Têm de ser pacientes com ela.

Ela tem-se esforçado, nas minhas palavras.

Quer mostrar às meninas a música forte da Kelly Clarkson que é.

- Sim! - Não será derrotada pela vida.

- Sim! - Ela vai prosperar, querida.

Diz! Leva-nos à igreja, JVN!

DIA UM

SE PASSAS PELO INFERNO, CONTINUA A ANDAR

Chegámos. Vejam o alpendre.

Malta, vamos!

Jer, vamos.

- Estamos prontos? - Sim.

Têm uma foto minha na porta da frente.

Com o mesmo vestido!

- Não sei o que fazer. - Vai.

Podem vir comigo?

Meu Deus.

Jesus está a chegar, faz um ar ocupado!

Olá, somos queer.

Eu sou a Kate.

Olá, Kate!

Muito prazer!

- Como estás? - Suada.

- Sou o Antoni. Muito prazer. - Cheiro muito mal.

Na boa. Eu também.

- Prazer. - Obrigada por teres vindo.

- Obrigado. - Sou o Jeremiah.

Muito prazer. Obrigada por teres vindo.

A Kate é adorável.

Vejo uma ruivinha fofa.

Vejo uma mãe amorosa.

Vejo um totó que está a implorar para ser a Julia Roberts.

Olá, sou o Tan, muito prazer. Como estão?

Qual é qual?

- Bridget. - Lizzie.

São as melhores coisas que já fiz na minha vida toda.

Consigo ver isso.

Sou o Jeremiah. Muito prazer. Adoro os teus brincos.

Vocês são tão fofas.

- Como se sentem? - Elas estão tão entusiasmadas.

- Mas tu não. - Não.

Ela está a passar-se. E não faz mal. É intenso.

Nós somos intensos.

Houve uma tragédia nesta casa e, portanto, tiveram de reconstruir.

Sim. Quando houve o incêndio, perdi tudo.

Tudo isto foi de graça.

Veio tudo dos vizinhos ou de apoio social ou…

Este armário não tem valor sentimental,

só têm valor sentimental as coisas que ele contém.

Sim.

São da igreja. Devia tê-las devolvido.

- Da igreja? As bolas de basquete? - Sim.

Meteram-na em apuros.

Deixa-me dizer-te uma coisa.

- Nunca se faz nada aqui. - Sé há coisa que adoramos, é um adereço.

Está bem.

Desculpa, fui eu? Não parto nada.

Não, não são vocês.

É muita coisa. Mas prometo-te que vai ser bom.

- Eu sei. - Tratamos de ti.

Se te chatearem, diz-me, sou muito convincente.

Se alguém me chatear, não tenho de contar a ninguém.

- Vai ser uma semana divertida para ti. - Sim.

Esperem. Quero ligar à avó, ver se ela está bem.

Estás bem? Sentes-te bem, mãe? Está bem.

Já tiveste notícias do médico? Vou tentar ligar de novo.

A vossa mãe está sempre tão stressada, queridas?

- A maior parte do tempo. É muita coisa. - Sim.

Ela tem de ajudar a cuidar da minha avó,

por isso, toma conta de muita gente, além trabalhar e tratar de nós.

Adeus.

O que querem para a vossa mãe esta semana?

Ela diz sempre que somos tudo na vida dela.

Quero que encontre algo mais.

Quero que ela seja feliz e que tenha mais tempo para ela.

E…

E…

- Não olhes para ela. Olha para mim. - Seja feliz.

E que seja feliz.

O que é que ela mostra às meninas

que lhes deixa claro que ela não é feliz?

É uma espécie de alerta.

Faz-nos uma visita.

Disseram-me que não é um quarto, é um canto do sótão.

- Ena, isso entusiasma-nos, não é? - Sim.

- Veem televisão aqui? - Sim. Às vezes, sim.

- E este é o teu quarto. - Sim.

É um espaço fixe.

Tenho uma pergunta para ti

porque isto é algo muito explícito.

- Que mensagem estás a enviar? - Às vezes, ponho-o na janela.

- Ouve, todos temos personalidades. - Também é o meu sentido de humor.

- Já percebi. - Adoro o quadro da Baía.

Comprei isto na Amazon.

Mas é muito parecida com a praia aonde vamos.

És música, querida?

Sei tocar um pouco de tudo, mas não sou boa em nenhum.

Isto era do meu tio. O tio Joe era o nosso terceiro pai.

E eu cuidei dele.

- Tocas um pouco de guitarra? - Não.

Depois, o meu pai morreu

e, de repente, em poucos meses,

acabámos com todos estes instrumentos de cordas.

O teu pai faleceu e eram chegados?

Está bem. Muito bem.

- Recentemente? - Só há um ano.

- Querida, o primeiro ano é tão difícil. - Lamento.

Tem-vos acontecido de tudo.

Sempre que sinto que a minha vida se está a endireitar,

acontece alguma coisa.

Literalmente, dois anos quase até ao… Com diferença de semanas,

o meu tio também faleceu.

Meu Deus.

Começa a fazer sentido porque és muito cautelosa a aceitar a alegria.

- Onde está a tua roupa? - Onde é o teu armário?

É aqui dentro.

Quem é ele?

É o W.C. Fields.

É uma das coisas sentimentais do meu tio.

É tão giro.

Não percebo

como é que um boneco sinistro é uma das únicas coisas

que sobrevivem ao incêndio.

Como?

Além disso, mais alarmante do que o boneco é o facto

de eu ter um fato igual ao dele.

É aqui que te vestes e te arranjas?

Vejo um cantinho de beleza.

Tenho coisas, mas nunca as uso.

Se sou sempre maria-rapaz

e depois apareço com algo mais, ainda que pouco,

isso chama mais atenção que eu não quero.

A última coisa que comprei foi… Comprei isto.

Está bem, lindo.

Comecei a chorar e fui-me embora.

- Porquê? - Não gosto de me arranjar.

Deixa-me muito desconfortável. Fico suada.

- Eu percebo. - Por isso que não uso camisas femininas.

Basta os materiais tocarem na minha pele e começo a transpirar.

- Está bem. - As minhas t-shirts têm corte à rapaz.

- Para mim, a roupa é horrível. - Está bem.

- O cabelo da tua família é doutro nível. - É muito bom.

Não posso fazer nada com…

Se tivesse dinheiro, fazia um… fazia um alisamento brasileiro.

Por causa da humidade nesta cidade pantanosa.

Vou ensinar-te a aceitar esta humidade.

- Podemos aceitar essas ondas e… - Já lá vão 40 anos sem aceitar.

A minha impressão inicial da Kate é adorável,

mas um pouco… tartaruga.

Com uma carapaça rija.

Posso ver o teu cabelo solto?

Não o lavei hoje.

Uma tartaruga-mordedora.

Se puseres os dedos muito perto, ela pode dar-te uma…

- Isto é horrível. - Pode dar uma dentadinha.

É no desconforto que mais crescemos.

Acho que vai ser uma semana divertida para…

Porque é que não sou completamente… A coisa mais crescida de sempre?

Mas adoro uma ruiva com ondas suaves,

por isso, vou conquistá-la.

Só vou demorar um bocadinho.

Vim salvar-te destes dois malucos.

- Está tanto calor aqui. - Querida.

Como te sentes na casa?

Não sei.

Vamos começar devagar. Cor.

Não gosto de nada ousado, como…

Deves adorar este grupo.

Vamos fazer aquilo em que passamos a bola para falar.

O único desporto de que gostava na escola. Odiava os outros.

Nunca gostei de nenhum de vocês.

Vejo outras pessoas em tua casa. Não vejo muito de ti.

Perfeito.

Não, isso é um bocado o oposto de perfeito.

Sabes como vai ser fixe entrar numa casa remodelada?

- Sim. - Vá lá!

Estou a tentar. Está calor aqui.

- Vai ser fantástico! - Sim, senhor.

Queres que grite? Também é como demonstro amor.

Gritamos um com o outro.

- Podemos ser maus um para o outro. - Não.

É como demonstro amor.

- Se sou simpática, há um problema. - Meu Deus.

Acho que a Kate sobreviveu a tanto.

É óbvio que ela se fechou ao mundo inteiro.

A minha esperança é que esta semana ajudemos a trazer alguma luz,

que isto seja o início do efeito cascata

que, com sorte, a ajudará a ver o mundo com outros olhos.

Sobreviver é uma coisa, mas viver é outra.

Vamos para a cozinha. O que odeias?

Cebolas e cogumelos.

Cebolas?

Não se pode odiar cebolas. São doces, crocantes

e podem ser usadas de tantas formas diferentes.

Mas adoro caranguejo. Gosto de marisco.

- Não somos pessoas centradas na comida. - Eu percebo.

- Comemos porque temos de comer. - Certo.

Não há paixão nem entusiasmo. Por agora.

Para além das meninas, o que te traz alegria?

O que seria?

Ir para a Baía. Estar na praia com a família.

Pensei que tinhas dito o banco. Fiquei tipo: "Respeitem a rainha, sim?"

O que fazes na Baía? Descreve-nos.

- Sento-me. As meninas brincam. - Está bem.

Passas muito tempo com as meninas, a fazer atividades e assim?

- Tento. - Boa.

- Só as tenho metade do tempo. - Está bem.

Vi-te suspirar, o que significa que não gostas.

É difícil. Não as devia ter apenas metade do tempo.

Como é quando se vão embora e ficas apenas tu?

Não faz mal.

Com o divórcio e o incêndio na casa e isso tudo…

E o meu gato morreu no incêndio. Estou sozinha em casa.

Nunca vivi sozinha.

Espero que a Kate possa sentir alguma tranquilidade, confiança,

alguma paz, alguma segurança

e abrir a sua vida e os seus olhos a mais possibilidades e mais alegria.

Isto está uma confusão porque acabámos de voltar

e largámos aqui tudo.

- Não tens de te desculpar. - Nós entendemos.

- Adoramos uma divisão híbrida, querida. - Adoro um alpendre.

Há coisas por todo o lado.

Este espaço é giro. Gostas quando as pessoas te visitam?

Mantenho-os lá fora, à frente,

porque não arrumei ou não tenho sítios para pôr as coisas.

Precisamos de arrumação.

Sim.

Quero dar-lhe um espaço

para as pessoas aparecerem e conviverem e ter um pouco de orgulho nesta casa

que se esforçou tanto para conseguir, não só uma, mas duas vezes.

Sabes a tua relação com a alegria? E a confiança?

É o teu trabalho?

Tenho síndrome de impostor.

Penso sempre que vou aparecer

e eles vão dizer-me para entrar na ambulância.

Tens confiança e orgulho em ti como mãe.

Acho mesmo que as miúdas serem quem são é…

Não foi por minha causa. Não sou muito simpática.

Perguntem-lhes.

Não acho que não sejas simpática. Acho que estás a sofrer muito.

Porque passaste por muito.

Há muita autodepreciação.

Há uma linha ténue entre usar isso como uma forma de sentido de humor

e quando corta profundamente.

E com a Kate… Acho que é o segundo.

Contaste-nos que passaste por duas coisas bem significativas,

um divórcio e um incêndio.

Aconteceram umas merdas, mas… Podia ser tudo muito pior.

Sim? Alguma vez dizes que podia ser tudo muito melhor?

Acho que está tudo bastante razoável.

Está bem.

Quer dizer, eu não preciso de nada.

És um ser humano, por isso, discordo.

Confias em nós?

Não sei. Não são vocês. Não confio em ninguém.

Está bem. Adeus, casa.

- Adeus, casa. - Adeus, pai.

Adeus, casa.

Vamos levar a vossa mãe.

Vamos levá-la emprestada.

Não me deixem.

Quero-vos sempre.

- Estão tão suadas. - Sim.

As lágrimas são claramente indicativas. E não é só um divórcio.

Não é só uma altura difícil com as miúdas. É uma luta interior.

- Vamos ter a melhor semana de sempre! - Abraço de grupo!

Quero que cheguemos ao fundo do que ela está a sentir agora.

- Vamos a isto! Boa! - Boa!

Kate!

DIA DOIS - A DOR É INEVITÁVEL. O SOFRIMENTO É OPCIONAL

CASA DOS FAB 5

Bom dia, Tanny!

- Quero que te sentes! - Bom dia, Tanny!

Quem faz o café?

- Eu trato de ti. - Obrigado.

Digo-vos uma coisa.

É melhor rezarem porque vem aí uma semana difícil.

Eu sei que sim.

Ela é tramada. Mas acham que está disposta a isto?

Acho que está disposta a fazê-lo.

- Acho que sim. - Acho que sim.

A Kate passou por muitas coisas más umas atrás das outras.

Ela está em modo de sobrevivência, sempre à espera que algo corra mal.

Acho que ela precisa desta oportunidade para se soltar um pouco.

O meu trabalho esta semana é tentar convencê-la de que…

É uma boazona.

Não tem com o que se preocupar. Era o que queria dizer.

É melhor ir buscar cheesecake ao frigorífico

- Eu devia ajudar-te. - Sim.

- Querem saber o que vou fazer? - Pois, o que vais fazer?

A única coisa que ela me disse que gosta é da Baía.

Vou tentar levar a Baía até ela.

Relaxante, calma, serena.

Boa.

Ela é mesmo decidida. Quero fazê-la feliz.

Ela adora a Baía, quero um ambiente praiano e marítimo para a comida.

Isso soa…

Ela tem muita atitude. Tenho de deslindar isto.

Há ali uma grande muralha.

Onde está a fenda, para descobrirmos como a ajudar?

Onde está a fenda para descobrirmos como deixar a luz entrar?

És um poeta a comer manga.

Já faço isto há algum tempo.

E é uma frase do Leonard Cohen, não minha.

Olha para a água. Adoro a água.

Ouvi a baía. Eu sabia que havia água aqui.

Achei que ias gostar.

Esta água cheira mal, mas ainda é…

A água resolve tudo.

Beber água, tomar banho, olhar para ela, nadar.

Concordo.

Ajudou-me a passar por muitas coisas difíceis.

Ontem, vi como ficaste emocionada,

por isso, só queria ir a algum lado

e ter uma conversa a sério sobre o que se passa.

A Kate passa de "Não preciso de nada", para estar destroçada.

Há muita agitação interna.

Passa-se alguma coisa ali dentro.

Gosto daquelas rochas grandes donde os miúdos podem atirar pedras.

Sim.

É agradável.

Ontem, quando falei contigo, estavas fechada.

Por isso…

Queres dizer, estou sempre.

Sempre. Está bem. Então, vamos assumir. Sempre.

Porque achas que tens medo de confiar?

- Não quero chorar mais e voltar a dizer. - Está bem.

A pessoa que mais amava e mais confiava…

Entendido. O teu ex. Certo.

- Com confiança… - Já não preciso disso.

- De? - Tenho as minhas filhas.

Não preciso de estar casada. Não preciso…

E eu percebo isso.

… de voltar a fazer aquelas merdas.

Está bem.

Tenho o melhor de tudo.

Achas que estás a viver a tua vida ao máximo?

Acho que é… bastante boa.

Porque achas que estamos aqui?

Os outros acham que sou um desastre e patética.

Patética nunca te caracterizaria. É uma palavra que nunca usaria para ti.

Mas se as outras pessoas veem algo,

o que achas que veem?

"A Kate passou por aquilo. Talvez precise de algo bom."

A muralha que ergueste não te faz bem. Tens de garantir que cai.

Acho que preciso da muralha. Como é que não me faz bem?

Às vezes, quando mantemos uma muralha,

esquecemo-nos de que ao isolarmo-nos cá dentro, não deixamos entrar os outros.

Impedes outras experiências.

Não faz mal.

Sou feliz.

À minha maneira estranha em que as pessoas provavelmente não acreditam.

- Não te convenci, pois não? - Não.

Está bem.

A Kate é uma pessoa interessante

porque a sua força e a sua resiliência são o que a torna tão fantástica.

Mas também as está a usar para encobrir o facto

de que não quer ser vulnerável.

Todos nós, incluindo eu, às vezes, precisamos que as pessoas entrem.

Como bombeira, sabes isto.

Precisamos que as pessoas entrem e nos ajudem um pouco.

Mas eu sou aquela que ajuda.

E eu sou aquele que ajuda.

E, às vezes, preciso de ajuda.

Quanto mais cedo perceberes

que por muito tempo que passes a ajudar os outros…

"Quanto mais cedo perceberes" é a pior frase de sempre.

É o que os nossos pais sempre dizem.

Quanto mais cedo perceberes que também precisas de ajuda…

E sei que tens gastado o teu tempo com todos, dando…

Eu vi. Estiveste ao telefone.

Andas sempre: "Alguém precisa disto. Vou tratar disto e daquilo."

Estás a evitar cuidar de ti.

Acho que sou feliz.

Não vou discutir a tua felicidade.

Tu é que tens de avaliar isso.

Diria é que ainda há crescimento para acontecer.

E nós estamos aqui para te ajudar com esse crescimento.

Podes fazer-me um trabalho de casa?

Quando te voltar a ver,

diz-me em que áreas crês que precisas de crescer.

- E se não fizer o trabalho de casa? - É a tua vida.

Vou ter negativa.

Já estás a desistir.

Já estás a desistir.

- Sou muito resistente para algo profundo. - Não és muito resistente.

É a tua vida e a tua experiência.

Sim, senhor.

Estou pronta para ir.

Percebo que te sintas pouco à vontade. Vou ficar aqui.

Adeus.

A Kate tem medo de admitir o que lhe estou a pedir.

Mas sei que dentro de ti, Kate,

há uma mulher que quer ser melhor.

Só tens medo de lá chegar.

Mas vou dizer-te uma coisa.

Não vou desistir ainda.

Achas que chegámos a dez temporadas porque desistimos?

Nem pensar! A Kate nem sabe o que aí vem.

Olá, Jer. A Kate está aqui com a Lizzie, mas recusa-se a entrar.

Ela está inflexível.

Vai sentar-se lá fora enquanto forjo com a filha dela?

Sim.

- Não vai resultar. - Não?

- Não. - Onde está ela?

Está lá fora. Boa sorte.

A única forma de levar a Kate a participar nesta visita de estudo

foi permitir-lhe trazer a filha.

Ela aparece

e depois não quis participar, de todo, nas filmagens.

Como vou entrar naquela cena a ferver e ser filmada?

Por isso digo que as surpresas não funcionam.

Eu ter-te-ia dito que isto teria sido uma merda.

Não estou interessada em fazer isto.

O que se passa?

Vem falar comigo um instante.

Vem falar comigo.

A verdade é que tens de querer mudar.

Tens de querer participar.

Há limites para o que podemos fazer.

O que se passa?

Eu não…

- Fala comigo. - Enjoo muito no carro.

- Enjoar é uma coisa. - Enjoo mesmo a sério.

- Entendo, mas temos de falar. - E não vou à Virgínia.

Olha para mim.

Sinto-me mal por fazerem isto, mas disse-lhes que não vou à Virgínia

e que enjoo de carro.

Só te deves sentir mal pela forma como estás a aceitar isto.

Está sempre a falar sobre as coisas que não importam.

Não sei o que tem ela contra a Virgínia.

Antes de virmos, Kate, estava tudo bem?

Estavas feliz e contente?

Sobrevivia e não estava intencionalmente…

Estavas feliz e contente? Estava tudo maravilhoso?

- Estavas… - Sobrevivi.

Não é uma resposta.

Já agora, Kate, não estás a sobreviver.

Estás a ser incapacitada pela tua dor.

Agarras-te a ela com tanta força, tentas controlar coisas

que não precisam de ser controladas.

Eu sei que é um programa,

mas eu faço parte disso… Não há muito tempo.

Mas se deixares mesmo, acho mesmo que isto pode mudar as coisas para ti.

Acho mesmo que podia ter um grande impacto em ti.

- Desculpa. - Eu sei.

Anda cá.

Também deves odiar abraços, mas não quero saber.

Vou melhorar, prometo.

Sabes onde estamos?

Eu sei que é uma bigorna, como nos desenhos animados.

Tão Thor.

Estamos na Lawless Forge e a ideia é, hoje,

fazermos um espelho. Podemos desenhá-lo, forjá-lo à mão.

Será algo muito especial que faremos juntos para a casa.

Acho que isso é algo que a Lizzie adoraria.

- E tu. Vais adorar. - Sim. Claro.

Isso mesmo.

- Gosto muito de mitologia grega. - Adoro a mitologia grega!

- A sério? - Sim.

Um dos meus deuses preferidos é Hefesto, o ferreiro.

Vamos ver através dos olhos dela e encontrar a alegria.

Aquilo que me entusiasmou com este processo com a Kate

foi que esperava que ela se soltasse.

Se divertisse.

Este é o Xander.

- Olá. Kate. Muito prazer. - Xander.

Vamos fazer umas flores.

Forjada à mão pelo ferro.

Olha o que vamos fazer.

Vamos prendê-las e fazer um desenho na moldura do espelho.

É de metal. O teu avô ia gostar. Era metalúrgico.

- Não pode ser! - Sim.

Quase como se alguém nos guiasse durante isto tudo.

- Está bem. - Comecemos pela segurança.

Peguem num avental, em óculos e luvas.

Já trabalho com calor. Não o quero nos meus dias de folga.

Até trouxe o Xander. Que mais poderias pedir?

A minha lista é muito estranha.

- Não cabe na tua lista de atração? - Não.

- Não. - A sério?

- Eu faço o teu género? Podes ser sincera. - Talvez.

Vou mostrar-vos o primeiro passo.

Meter lá dentro. Tirar.

Vou começar a martelar, para dar textura às flores.

Dá-lhes um efeito ondulado.

Se esse balanço não for o suficiente,

levanta o martelo mais alto, deixa a gravidade trabalhar.

Estamos a dar textura. Não tem de ser perfeito.

Queremos que não pareça um pedaço de aço.

- A perfeição não existe. - Exatamente.

Vamos a isto!

Aperta com força.

Baixa-o. Para baixo.

- Pega no martelo. Deixa balançar. - Sim.

- Segura bem. - Agora com força.

Dá-lhe com força, Lizzie. isso mesmo.

Isso mesmo, amor.

- Força, miúda. - É isso.

Força!

O que achas?

Parece-me muito bem.

Gosto da Kate e quero que ela ganhe.

Acho que é muito sensível,

muito vulnerável

e tem muito medo de mostrar essa parte dela.

Segura aqui. Vai deslizar até ao fundo.

- Boa! - Já está.

- Flor instantânea. - Pronta.

- Olá, meu amor. - Olá, Tanny.

Não, eu conheço essa voz.

Que manhã que tive.

Conta-me tudo.

Esta manhã, ela não queria mesmo vir.

Chamei-a à parte. Tive uma conversa tensa com ela.

Nunca conheci ninguém que sinta tanta dificuldade

a sentir alegria.

Sim.

Estou só a dizer que ela está em brasa. Ela está muito frustrada.

Vou tentar divertir-me.

Por isso, logo se vê.

Olá, Kate.

A roupa é muito difícil para mim, mas vou dar o meu melhor, prometo.

Estou nisto contigo. Vai correr bem.

Kate, ela é dura.

- Pronta? - Não.

Eu sei, eu também não, mas vamos ser ótimos.

Será que ela se vai abrir o suficiente para me deixar ajudá-la?

Porque sinto que vais chorar já?

Vais ficar bem. As roupas estão a assustar-te?

Questão seguinte.

A tua cara diz-me que estás assustada.

Não gosto de roupa. Gosto de roupa. Não gosto de estar nua.

Há mais de 30 anos que uso uniforme.

Escola, emprego. Eu nunca… Gosto de não ter de pensar nisso.

Gostava que visses o que eles têm, em qualquer lugar da loja,

e que tipo de coisas achas giras.

Vai aonde quiseres. Espreita. Eu vou só atrás de ti.

Talvez até me afaste. Diz-me do que gostas.

Sim, vai. Aonde quiseres, meu amor.

Sim, não pela porta fora.

- Eu derrubo-te. - No início, disseste-me que sim.

- Pareço fraco, mas consigo derrubar-te. - Seria engraçado, não?

Sei que há opções que funcionam para ela nesta loja.

Quero ver o que a atrai.

Começa, pá, vai. E se odeias, odeias.

Parecem os pijamas da minha mãe.

Nada disto, nunca.

Isto é muito pesado.

As minhas axilas vão suar instantaneamente. É horrível.

Vi muito xadrez no teu armário.

São do meu pai e do meu tio. Uso-as por cima de t-shirts.

- Não é o mesmo. - Usa-las.

Sim, porque são grandes.

Muito bem, então, vou escolher primeiro.

- Desculpa. - Tolice.

E eu vou experimentá-la.

- Vamos tentar. - Vai cheirar mal.

Não faz mal. Tudo bem.

O facto de estar disposta a experimentar uma coisa que seja…

Passo-te já a roupa, se te despires para mim.

… é uma vitória. Podes sair.

Está bem.

Sinto que fui ver o fazedor de tendas no musical Oklahoma!

Vês? Ainda bem que o disseste. Sabes porque estás assim?

- Adoro a Oklahoma! E o Gordon MacRae. - Eu também.

Mas não me quero parecer com eles.

Podia ter levado a Kate à maior loja do planeta

com tudo o que possa precisar.

Não consigo encolher o suficiente para isto.

Ela encontraria uma forma de dizer que nada resulta com ela.

Finge por um segundo que não há aqui nada.

Mas percebes o que quero dizer?

Se a tua camisa estiver um pouco mais acima e entalada,

dá para ver que tens corpo e pernas.

Não gosto. Só…

Não vai mudar nada, por isso, não sei.

- No corpo. - Sim.

Com um cinto, reparas menos porque há mais tecido?

Arredonda mais.

Está bem.

Não sei como a convencer

de que as preocupações que tem sobre o seu corpo estão apenas na cabeça dela.

Mas estou determinado a resolver isto com a Kate.

Vamos seguir em frente. Não estou preocupado.

Adoro esta tua versão. Estás aberta.

Podes ir ao provador? Vou experimentar mais um vestido.

Junta-te a mim.

Quero mudar-te os óculos.

Já te dou os teus.

Tudo bem. Sei onde trabalhas.

Agora pareço o meu tio.

Que mais tens? Atira-me tudo.

- Dói-me muito o joanete. - Resolvemos isso com outro calçado.

- Sinto que as minhas orelhas vão cair. - Está bem.

E sinto-me uma professora de uma escola católica de há 30 anos.

E pareço côncava. Sem mamas, barriga grande.

Eu não consigo ver aquilo que tu vês.

- Porque a estou a encolher. - Não a encolhas.

Vais ficar bem. Sem dúvida.

Tens cintura. Tens mamas. Consigo vê-las.

O que não consigo ver, juro por Deus, é alguma coisa ali.

Porque é larga e lisa como uma panqueca.

- Estás a encolher. - Estou a encolher.

Não se consegue encolher uma barriga enorme. Não dá.

Não sei quantas vezes tive de dizer isto a todas as mulheres da minha vida

e todas as que conheci em público.

"Imaginas-te deitada no teu leito da morte a pensar:

'Fui tão infeliz porque tinha isto que os meus bebés me deram?'"

Tens as tuas gémeas. Quem quer saber se tens provas?

A Bridgie e a Lizzie estão numa idade tão impressionável,

apanham tudo o que a mãe delas diz, mas também faz.

- Quero falar de outras coisas. - Eu sei.

Eu sei. As tuas filhas são adoráveis. Anjos.

Mas houve uma coisa que elas disseram que me marcou.

"Só quero que a minha mãe seja feliz."

Tenho dois rapazes. O meu mais velho tem quatro anos. O mais novo tem dois.

- É muito duro. - Quero abraçar-te.

É duro. E aceito. É difícil, pá. É mesmo.

Se o meu filho dissesse: "Só quero que o meu pai seja feliz",

eu pensaria: "O que estou a fazer que demonstra que não sou?"

É difícil fazê-lo sozinha. Não tencionava fazê-lo sozinha.

Eu sei.

No entanto, conseguiste criar umas filhas formidáveis sozinha.

- Acho que é pura sorte. - Não, não é. Tens de parar com isso.

Estão numa idade difícil

em que vão começar a reparar no que fazes e em como te sentes.

A última coisa que queres é que elas pensem:

"Esforcei-me tanto para fazer a mãe feliz." Não é trabalho delas.

Senti sempre que não saía da cepa torta.

Eu sei.

Matava-me a trabalhar e as coisas corriam bem.

Era só o que me importava.

- E tu? - Sou mãe.

Eu entendo isso.

Como pais, também temos de mostrar aos nossos filhos: "Eu consigo".

Não se sentirão seguras se não pensarem que te sentes segura.

Acho que plantámos uma semente.

Espero que, nesta altura, ela a continue a regar

e chegue lá sozinha.

DIA TRÊS

SE QUERES ILUMINAR OS OUTROS, PRIMEIRO, TENS DE BRILHAR TU.

- Dormiste muito mal. - Sim, desculpa.

- Mas estás hidratada. - Estou a tratar disso.

Estás a pedir desculpa por não dormires bem?

Estou a tentar. Estou a tentar.

Sinto que é só o que digo desde o primeiro dia.

Só podemos tentar.

- É o que digo às miúdas, por isso… - Sim, claro.

Já estás a inspecionar. Não há cebolas à vista.

- Um bom começo. - Nem cogumelos.

Então…

Ontem foi um grande dia para ti.

- Sim. - Foi intenso.

Sim.

Hoje vai ser um pouco diferente, ou, pelo menos, é o que espero.

Reconheço que todo este processo é completamente stressante,

é vulnerável e abre um monte de coisas.

E tudo o que quero fazer é fazer esta receita contigo,

porque estou entusiasmado, e quero conhecer-te. É isso.

- Combinado? - Sim.

- Está bem. - Obrigada.

A comida é para colocar sustento na mesa.

Não parece haver nenhum tipo de interesse ou desejo.

Sinto que, com a Kate,

é só tentar prestar atenção às coisas que a fazem brilhar.

O teu sítio preferido do mundo é a Baía de Maryland.

Sim.

- Gostas de marisco, mas não de peixe. - Certo.

Vamos fazer uns bolos de caranguejo muito tradicionais de Maryland.

Perfeito. A minha avó fazia bolos de caranguejo muito bons.

- A sério? - Sim.

Sim!

Ainda bem que escolhi um prato de que ela gosta mesmo,

porque ela é picuinhas.

- Há uma… - Estamos a perder a melhor parte.

- Qual é? - Apanhar caranguejos.

- Espera, apanhavam mesmo caranguejos? - Sim.

Púnhamos jornais na mesa e todos se sentam a comer.

Tens tanta sorte.

Na verdade, queria cozer caranguejo contigo,

mas fiz isso em Filadélfia e queria manter a novidade.

Maldita Filadélfia.

Muito bem, temos carne grande, que é a parte mais fina,

e temos a mistura especial.

Na verdade, prefiro a doçura da carne das articulações.

Vamos e colocamos tudo na taça.

Vamos usar muito pouco pão ralado e estamos a usar massa lêveda.

- Está bem. Sim. - É mais saudável para os intestinos.

Todos nós precisamos de um pouco disso. Um ovo.

Dijon. Isso vai acrescentar um pouco de contraste.

E depois…

- Sabes o que isto é. - Sim. Old Bay.

As batatas fritas Old Bay são tão boas.

E põe sal. Não precisamos de muito. O Old Bay é muito salgado.

- Pimenta acabada de moer. - Está bem.

E um pouco de salsa.

Isto vai acrescentar um pouco de brilho.

Vamos cortá-la.

Tu sabes cozinhar.

Vi muita coisa enquanto crescia.

Não quer dizer que goste.

As minhas filhas vão ver isto, vou ter de fazer bolos de caranguejo.

- Bem… - Ensino a Bridget.

Depois, podemos continuar e misturar.

Pronto, vamos a isso.

Não olhes assim para mim. Eu alinho.

- Vamos a isto. - Está bem.

A Kate é como os franceses. Tenham paciência.

- Pensei que era assim que todos faziam. - Adoro isto. Gosto que me dês uma lição.

Há que os encantar primeiro.

- Que suspiro foi esse? - Gosto disto.

- Gostas? - Sim.

Mas depois abrem-se e aproximam-se de ti.

- Nada a acrescentar. - Boa.

Ainda falta um passo. A manteiga derretida.

E adicionar Old Bay. Vai dar aquele belo castanho…

- Castanho, sim. - Certo?

Aqui vamos nós.

Colocamos isto ali.

- Ontem foi intenso. - Sim.

Há coisas em que começas a pensar:

"Talvez devesse explorar esta parte de mim mesma"

ou algo que comeces a perceber que talvez não estivesse a funcionar?

Acho que com tudo o que passa esta semana e o estar ocupada,

falei com o meu irmão, sobre o que se passa com a minha mãe

e ele fê-lo.

E tratou disso.

Devia fazer isso mais vezes.

Não pedes ajuda.

Eu sou a ajuda.

Vai ser muito difícil daqui para a frente.

Por isso, tenho de garantir que as pessoas me ajudam.

Sim. Sabes o que fazemos.

E fazemos isto há muito tempo.

Temos este curto período de tempo e depois vamo-nos embora.

Guarda aquilo que funciona contigo.

Com sorte, vais ter curiosidade e deixar para trás

aquilo que não funcionava.

Para que possas criar uma vida melhor para ti e as tuas filhas talentosas.

Acho mesmo que a Kate tem um caminho pela frente,

tem de aceitar muitas coisas sobre a vida dela

e de mudar a perspetiva dela sobre coisas que não pode mudar.

Acho que sou tão…

Se espero o pior,

vou ficar agradavelmente surpreendida se acontecer o melhor.

Só queremos o melhor para ti.

Esta coisa tão simples foi uma revelação para ela.

Não gosto de abraçar, mas posso dar-te um abraço?

- Não nos abraçamos. Mas sim. - Não?

- Podemos abraçar-nos? - Sim.

Só um abraço constrangedor.

É um bom começo.

Olha!

Agora tens de estar comigo. sempre que cozinho, para eu gostar.

Eu volto. Adoro isto.

Lindo. Pronto. Muito obrigado.

Estou entusiasmado.

Um pouco de sumo de limão.

Isto é horrível. Mais ninguém devia provar.

- É repugnante, não é? - Sim. Temos de os comer todos.

Sim. Tão bom.

Muito obrigada.

- Vamos comer mais. - Está bem.

Quero trazer a essência da Baía para a casa da Kate.

Quero que seja serena, reflexiva, relaxante.

Quero-a enraizada na natureza.

Quero que saiba a felicidade, calor, conforto e segurança.

Bem-vinda ao Salão deZEN. É lindo.

Já gosto do exterior.

Põe-te à vontade. O teu cabelo é tão bonito.

Acho o cabelo ruivo deslumbrante. É a tua cor natural.

Há cerca de 20 anos, tinha umas madeixas douradas de que até gostava.

Podíamos fazer umas madeixas nele todo

e depois uma longa camada.

Quando tinha tempo e energia, alisava-o

e não tinha de me preocupar com isto tudo.

Se as souberes estilizar, as tuas ondas naturais seriam tão práticas.

Já tentei de tudo, juro.

Viste as caixas todas que eu tinha de todos os produtos que comprei.

De todos os atributos positivos da Kate,

não diria que o maior fosse disponibilidade com um D maiúsculo.

Adoro empoderar as pessoas com o conhecimento de como trabalhar com ele

porque não quero que tenhas algo em ti que odeias.

- Ou não gostes mesmo para sempre. - Sim.

É como aquele ditado:

"Posso dar-te um pedaço de peixe agora,

mas se te ensinar a pescar, querida, vais comer para sempre."

Queres beber alguma coisa?

- Devo precisar mais tarde. - Queres água?

Se me fizeres usar o cabelo encaracolado, vou precisar.

Tenho de virar este navio.

Tenho de conseguir que a Kate se divirta um pouco, querida.

E se alguém consegue que qualquer pessoa se divirta, sou eu.

Não sei se sabem isto sobre mim, mas o meu segundo nome é Divertido.

É Jonathan Divertido Van Ness. Eu e a Kate vamos divertir-nos.

Olá, meninas. A mamã está a fazer madeixas.

Querem cortar as pontas? Um cortezinho de cabelo?

- Sim? - A Lizzie e a Bridgie.

A Bridgie e a Lizzie. Eu lembro-me. Obrigadinho.

- Foi 50-50. - Raios.

- Adoro-te. Adeus! - Obrigada por trazeres as minhas filhas.

Estamos a fazer uns cortes pequeninos tipo cogumelos.

- Como a Dorothy Hamill. - Sim.

São penteados ondulados naturais.

Sim.

Queres ver como isto está aqui?

Não!

Ainda não podes ver. Não está pronto.

Tenho uma surpresa para nós. Se quiseres.

Vamos pôr Botox nestes sovacos, querida.

Estavas a dizer-me que te sentes um pouco constrangida.

- Um pouco. - Vamos.

- Parece-me bem. Obrigada. - Sim.

A Kate sente-se insegura com sovacos suados.

Já disse que consigo, mas espero não me acobardar.

Afeta o guarda-roupa dela, o que vai vestir,

porque tudo a faz transpirar e eu percebo, rainha.

- Respira fundo. - Está bem.

- Vais sentir o meu dedo aqui. - Está bem.

- E um pequeno puxão. - Sim.

- Estás a ir muito bem. - Já começaste?

- Sim! - Sim.

Não é de loucos?

Se puserem Botox nos sovacos, pode fazer com que não suem tanto.

Estás a sair-te muito bem.

Parecem insetos.

Não é? Estás a ir muito bem, miúda.

E não vais suar o resto do verão.

- Ena! - Pronto!

Conseguiste!

- Boa! - Obrigada.

Bom trabalho! Estiveste tão bem.

Estou tão entusiasmada.

Sim! Eu também, certo?

Estou a divertir-me tanto que não aguento.

Eu também.

Só quero ser o vosso trigémeo idêntico.

Estas meninas estão numa idade tão impressionável.

E nunca viram a mãe adorar o cabelo dela e saber estilizar os caracóis.

Costumas estilizá-lo assim?

Nem por isso? Gostas?

Espero que ainda vos reconheçam.

Embora isso possa não parecer assim tão importante,

é muito importante.

A forma como nos amamos, nos celebramos e nos expressamos,

os miúdos imitam os pais.

E estas meninas não viram a mãe delas amar-se muito.

Estás pronta?

Dá-me com tudo.

Três, dois, um…

- Aqui está ela. - Caramba.

Vejam só, meninas.

Nunca vi o meu cabelo fazer isto. Agora, parece exequível.

Querida, é agora, querida.

Olhem bem para ela.

Ela merece sentir alegria. Ela merece divertir-se.

Ela merece dizer o que ela quer e precisa.

E dizeres o que queres e precisas é um belo exemplo para as raparigas.

Tens razão.

Sim.

- Obrigada. - Sim.

Obrigado por confiares em mim.

- Obrigada. - Sei que não foi fácil.

- Tenho trabalhado nisso. - Eu sei.

Sinto que este dia começou com 20 % de hipóteses de sucesso.

Meninas, querem ver?

Mas, na verdade, temos 100 % de sucesso.

Missão cumprida, querida. A Kate está a adorar estes caracóis.

DIA QUATRO

PODES NÃO CONTROLAR TUDO O QUE TE ACONTECE,

MAS PODES DECIDIR NÃO DEIXAR QUE ISSO TE DIMINUA.

Tenho de pedir desculpa. Fui horrível.

Ouve, acho o pedido de desculpas muito querido. Obrigado.

Mas não é necessário.

- Digo-o com todo o coração. - É.

- Para mim. - Agradeço as desculpas.

O Antoni disse-me que conversaram

sobre algumas das coisas com que sentes que precisas de ajuda ou de crescer.

Era o meu trabalho de casa.

Pois era! Fiquei tão feliz Fizeste o trabalho de casa!

Tenho de trabalhar em não me importar de pedir

e em não me importar de receber ajuda.

Sim.

Há uns meses,

vi algures algo sobre as respostas ao abandono.

Se não tiveres de depender de mais ninguém,

és a única pessoa que te pode desiludir.

Sim.

Sim.

Eu sabia disso e não me importei, mas…

- E agora, importas-te? - Tenho de trabalhar nisso.

Ótimo.

Mas vou certificar-me de que as minhas filhas sabem que são o mais importante.

Mas também vou começar a trabalhar para garantir que elas sabem

que eu também sou importante.

- Não para elas, mas para mim. - Sim.

- Fico tão feliz ao ouvir isso. - Fiz o trabalho de casa.

Fizeste o trabalho de casa!

- Tive 20 a tudo? - Tiveste literalmente 20!

Nota máxima a tudo.

Boa!

Boa!

Sempre adorei a The Container Storage para arrumação.

Sou obcecado.

Empolgada para veres a casa?

Estou tão empolgada por estar em casa e dormir na minha cama.

Ainda não viram a vossa casa.

- Ainda não. - Vai ser uma surpresa emocionante.

- Aqui estão eles! - Chegámos!

- Boa! - Meu Deus!

Bem-vinda a casa!

A minha casa.

- Sim! - Sim!

- Conheces estas duas. - Olá, senhoras!

- Meu Deus! - Estás em casa!

- Estás tão bonita. - O cabelo está tão bom.

Bem, conheço uma pessoa.

- Tens uma cunha. - Está tão bonito!

Vamos ver a vossa casa!

- Posso ir ver a minha casa? - Meu Deus.

- Estás pronta? - Sim.

Caramba.

De quem é esta casa? Esta não é a minha casa.

Meu Deus.

Uau. Parece a casa de alguém chique.

- Tão bonita. - Meu Deus.

Está bem.

A inspiração por detrás disto foi a Baía.

Toda a palete vem dos tons do vidro do mar.

Meu Deus.

A ideia é ser muito relaxante e levar-te lá.

E é. Até o cheiro e tudo, tipo…

Vejam só… Uau.

- Isto é… - Fantástico!

- Posso receber pessoas. - É deslumbrante.

Liz, olha o espelho que fizemos. Reparaste?

O espelho! Meu Deus. Como nem olhei para ele?

Esta foi a Lizzie.

Fizeste isto? Meu Deus.

- O que achas que o avô pensaria? - O avô ficaria maravilhado.

Vamos ver mais?

Há muito para ver. A vossa nova sala de jantar.

- Meu Deus. - Olhem!

Há um sofá para nos sentarmos!

Há um sofá!

Chega para jogar às cartas com toda a gente?

- Sim. - Meu Deus.

Querem ver o exterior? Façam o favor.

Meu Deus!

Caramba.

Jeremiah, superaste-te.

Isto é altamente. O chão pintado está tão bom.

Isto tem um verniz marinho. É indestrutível.

- Adoramos verniz marinho. - Boa!

Agora é mesmo uma divisão extra.

- Podem tomar aqui o pequeno-almoço. - Sim. Isto é ótimo.

Obrigada.

Querem ir lá acima?

Vejam só!

É outra sala de estar.

Isto é espetacular.

Mantive as coisas leves.

- É brilhante e feliz. - Sim!

- Adoro. - Boa!

- Olha para as bebés atrás de ti. - A minha parede!

Olhem para isto.

Meu Deus.

Isto está espetacular.

Adoro o andar de cima. Meu Deus! Olha para o meu armário!

Antes de entrares, o Tanny vai gritar.

- Entrem no quarto. - Sim. Desculpa.

- Cabemos todas? - Só há uma forma de descobrir.

- Cabemos todas! - Sim!

Já nos podemos aconchegar.

Isto está fantástico.

É água e calmante e…

Obrigado por confiares em mim.

- Desculpa, mas obrigada. - A questão é…

A única coisa que eu queria era que entrasses nesta casa

e sentisses alegria.

- Isto é para além da alegria. - Espero que seja assim.

Está bem, ótimo.

Prometi que não ia chorar. Obrigadinho.

- Tanny! - Vejam como está arrumado!

Eu sei!

Estiveste muito bem.

Obrigado. Queria considerar o que querias

e deixar-te um guarda-roupa que vais usar.

Vamos pôr-te no teu primeiro visual e vamos surpreendê-los.

- Parece-te bem? Está bem. - Sim.

Sai, enquanto ela se despe. O que fazes aqui?

- Deixa-nos. - Não sou esse tipo de miúda.

- O que achas do nosso espelho? - Fixe.

- Divertiste-te a soldar? - Soldar é muito divertido!

Gostei de como encontrei a nota.

Sem dúvida. Tornaste-a tua.

Muito bem.

Agradeço. Eu estava a ter um dia difícil e tu foste fantástico comigo.

- Não faz mal. - E ouviste-me. Obrigada.

Está tudo bem.

Muito bem, malta. Vocês, esqueçam. Estão prontas para ver a vossa mãe?

- Sim! - Sim.

Três, dois, um. Mãe, mostra-nos.

- Oh! - Vá lá!

- Não, não a podes roubar. - Sim, mãe!

Estás tão bem!

- Gosto da roupa. - Gosto da roupa.

- Como te sentes? - Diferente.

Sinto-me num programa de televisão com a casa e as roupas e…

- Esperem! - E estás!

Não sei.

Nem era isso que queria dizer.

Queria dizer um programa com guião sobre pessoas chiques.

- Jackie, parabéns. O cabelo está lindo. - Obrigado.

Acho que sem o cabelo, não conseguíamos isto.

Isso ajuda a completar o visual.

Prontos para o próximo visual? Aparece, mamã!

- Sim, tu! - Oh!

- Sim, mãe! - Sim, mãe!

Sim!

Querida, olha para esta perna!

Queríamos ser chiques, mas casuais. É um momento de ganga.

- Gosto. - Gosto.

Estás confiante. Pode dizer-se isso?

- Estás a fazê-lo. - Estás, pois!

Posso dizer-te o que o denuncia?

A forma como esticas a tua perna é mais sexy.

Estás mais sexy, quer gostes ou não.

Ena!

Vejo que tens uma expressão mais de alegria

até te aperceberes e aí…

Não te retraias. Diverte-te. Sente isto.

Com o avançar da tua vida,

quero que mantenhas essa relação com alegria.

- Mereces. - Obrigada.

- Levamos a festa para a estrada? - Sim.

Dá-me um abraço.

Se vires a tua mãe stressada, diz-lhe para pedir ajuda, está bem?

- Adeus, querida. - Muito obrigada.

Vá lá, senhoras!

Relâmpago!

- Obrigada! - Kate, estás fantástica!

- Sim? - Sim! Até logo!

- Adeus! - Adoro-vos a todos. Adeus!

- Parece que ganhámos a lotaria. - Esta casa parece de pessoas ricas.

A NOVA KATE

SALTA E A REDE APARECE.

Isto é altamente.

Sei que a Kate disse que isto é para as filhas dela

e lutou connosco até ao fim,

mas este momento é que é para as meninas.

Vestiram-nas? Venham!

Ena.

Bridge. De certeza que adoras essa saia, não adoras?

A mãe baixou a guarda e deixou-nos entrar.

Meu Deus! Estás tão bem!

Meu Deus! Se fosse lésbica, comia-te.

Muito obrigada.

As filhas dela têm esperança num futuro melhor para a mãe

e, por sua vez, para elas.

- Vejam como a minha casa está chique! - Meu Deus!

- Olha para ti, uma mãe jeitosa! - Tão bonita!

Olá, docinho!

Tão gira!

Eu sei, não é?

Olha!

Eu conduzo aquilo!

Vamos ver!

A Kate teve uns anos muito difíceis,

mas não são os anos difíceis que importam, é o que vem a seguir.

Quando se passa por um trauma desses,

há uma escolha a fazer.

Deixo-me afundar nisto ou luto para sobreviver?

- Capitão, obrigada por vir! - Como estás?

Uma vida sem confiar nas pessoas é uma vida solitária.

As pessoas adoram-na e querem apoiá-la.

Obrigada por teres vindo.

De vez em quando, dispam a armadura.

A mudança de cada herói é diferente,

mas o facto de a Kate admitir precisava de ajuda,

é isso.

Não estou habituada a isto com este calçado.

Continua a tentar, continua a crescer e continua a melhorar.

É assustador, mas estou aqui. Isso ajuda?

O melhor presente que podes dar aos teus filhos é verem-te feliz.

É bem diferente da última vez que os camiões estiveram em frente à casa.

Pois, lembro-me disso!

Este programa é…

… tão importante para mim

Tem sido o presente mais bonito.

Vim para fazer a diferença,

para ajudar as pessoas e ajudar a mudar vidas.

Não imaginava o quanto mudaria a minha vida.

É uma espécie

de partilha de experiências, histórias,

compaixão, amor e dignidade

que tão bem representa o melhor das pessoas, o melhor da esperança.

É uma carta de amor para vocês,

para as pessoas que o veem, que participam.

Vejo-o através dos olhos dos meus filhos.

Vejo-os ver o mundo de uma forma maior e mais aceitável.

É como um fio de humanidade.

E…

Vou sentir falta.

Estou tão grato por ter podido fazer parte, desta forma, neste momento.

Por isso, obrigado.

Legendas: Helena Cotovio

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