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Queres que comece por dizer que é a última temporada ou a décima?
Olho para ti? Olho para a câmara?
Andamos a bater às portas há dez temporadas.
Atrás de cada porta há uma história.
Um riso, um desgosto, uma pessoa que precisa de amor e comunidade.
Para o feio, não há remédio.
Já vi esquilos selados a vácuo com o coração aberto num congelador.
Cheirei um copo que pensei ser cerveja e tenho a certeza de que não era.
Não!
- És uma lésbica negra forte. - Obrigada.
Obrigada.
Sempre que a porta se abriu, foi por alguém por quem valeu a pena aparecer.
O Queer Eye nunca foi sobre mudar pessoas. Foi sobre ir ao encontro delas.
Para a última temporada, estamos no olho do furacão.
Estamos em Washington DC, porque o nosso país está instável, neste momento.
Deixámos de falar uns com os outros.
Todos têm o seu tipo de cinismo.
A cultura mudou.
O que é apropriado é diferente.
O que não é apropriado é muito diferente.
Mas a mensagem foi sempre a mesma.
Ligarmo-nos a outras pessoas que não compreendemos.
Conseguimos!
Linda!
Não sei o que tomas, mas também quero.
Todos procuramos a mesma coisa, amor, apoio.
Ter as nossas histórias reconhecidas e validadas.
- Bem-vinda a casa! - Bem-vinda a casa!
E que nos digam: "Sim, rainha, estou aqui para ti."
Queremos ligação. Todos os humanos querem isso.
És filho de Deus.
Cada um de nós tem esperança numa vida melhor.
A luta que começámos na primeira temporada continua forte.
E mesmo depois de partirmos, vai continuar.
Quem me dera que fosse o fim de uma batalha muito longa, mas não é.
Nunca foi tão importante que as pessoas aceitem, tolerem, aprendam.
Este programa, na sua essência,
é um lembrete de que somos melhores quando estamos juntos.
Perguntem aos vossos vizinhos como estão e levem-lhes um pão de banana,
cortado ao comprimento.
Isto não é o fim do Queer Eye. Estávamos a começar um movimento.
Vou apoiar-te sempre.
Estou aliviado.
Nunca foi só uma transformação.
Continuem a fazer deste mundo um lugar melhor.
Só sabemos o que está atrás da porta, se batermos. É a vossa vez.
É a vossa vez.
Vamos ter saudades vossas.
- Vamos ter saudades tuas. - Tom.
O Queer Eye.
A chegar ao fim.
Esta é a décima temporada.
Estão prontos?
Adoro o Annie's.
Que giro.
Se nunca foste ao Annie's, nunca foste a lado nenhum.
- Nunca foste. - Nunca fui a lado nenhum.
Nunca foste a lado nenhum!
É uma espécie de primeiro espaço de afirmação queer em todo o país.
- Aqui está. - Muito obrigada.
Pedi isto para ti e pediste isso para mim?
Sim. Cuido bem de ti.
Adoro quando a clara está completamente cozinhada
e a gema ainda está líquida.
Aqui tens, papá. Aqui tens.
Por mais que adore esta comida, estamos aqui para conhecer as nossas heroínas.
Sim.
A Dorriene e a Jo Diggs.
"Irmãs reformadas nascidas e criadas em DC."
- Temos irmãs? - Certo.
- Irmãs! - Já lá vai o tempo.
Eu sei. Esta é a parte louca.
"Quando eram mais novas, havia 18 miúdos na família delas."
É o meu sonho. Sempre quis uma família grande.
És algum coelho?
"As vidas das irmãs reuniram-se num capítulo inesperado.
O mundo de Dorriene ficou do avesso
quando Diane, o amor da vida dela, morreu inesperadamente em 2020."
- O meu maior medo. - Sim.
"A dor era profunda e ela não queria estar na casa em que encontrou a Diane."
Céus.
Quando perdi a minha companheira de 40 anos,
foi a pior sensação.
E quando a encontrei no chão da cozinha…
Toda a minha vida parou mesmo à minha frente.
Isso…
Não desejo isso a ninguém.
"Apesar de a Dorriene e a irmã não serem próximas, a Jo abriu-lhe as portas."
Estava tão perturbada.
Disse: "Não posso ficar aqui. Vem buscar-me."
E pronto.
Liguei à Jo a chorar. A Jo foi buscar-me.
Enquanto irmã, ela nunca me virou as costas.
Mais ninguém me acolheria.
"Elas vivem juntos com a neta da Jo, a Bree,
e a sua filha de um ano, Soulaan, a quem chamamos So-So."
- So-So é giro. - Vais para o degrau?
Boa, fofura.
Diria que conheci a tia Dorriene há cerca de quatro anos.
Soube que ela se alienou da família.
O porquê não sei bem.
"Embora estejam gratas uma pelo outra, são diferentes de muitas formas
e lutam para fazer a ponte entre a distância emocional que perdura."
A avó e a tia Dorriene são azeite e água.
Deixa-me recuperar o fôlego. Já as levo.
Eu faço isso.
Que menina simpática.
- Obrigada. - De nada, querida.
A avó é uma pessoa tão familiar, orientada para a família.
Ela é sempre a alma da festa.
A tia Dorriene é muito isolada.
Fica naquele quarto com o gelado dela e a Grace Jones.
- São literalmente The Odd Couple. - Ena.
- Porque estavas acordada? - Acordada?
- Ontem à noite, sim. - Estava a limpar.
Mas porque achaste necessário?
Era preciso.
Odeio uma casa suja.
- A Jo conhece-me, detesto uma casa suja. - Temos crianças.
- Vou limpar. - Não estava suja.
Estava.
Ela varre e aspira as escadas umas 16 vezes por dia.
Têm de me ajudar a limpar. A sério.
Dorriene.
A tia Dorriene está habituada a uma casa muito cuidada,
enquanto nós estamos habituadas a uma casa onde vivem pessoas.
E há brinquedos por todo o lado.
Porque temos crianças. Usamos todas as partes desta casa.
Acumulámos muitas coisas.
- Devias ter feito isso de manhã. - Pois devia.
É muito imperativo para mim
criar a minha filha numa casa com a família dela,
não num sítio onde sinta: "Tenho de sair daqui
porque toda a gente tem más energias."
"Para fortalecer os laços,
têm de aprender a respeitar e aceitar as diferenças."
Se vamos viver na mesma casa, não resultar não é uma opção.
Elas precisam de comunicação. Precisam de comunicação.
Não estava bem fechada.
Não estava nada fechada, Jo. Estava aberta.
Estão a reprimir os sentimentos.
Adorava que os Fab Five ajudassem a analisar o que realmente sentem.
Gostava que voltássemos a conhecermo-nos, amarmo-nos.
É a minha irmã.
Ajuda?
- Querem saber a missão? - Sim.
Ajudar estas irmãs a passar esta reviravolta sãs.
- Sim! - Sim!
- Gosto disso. - Vamos.
Estamos a fugir sem pagar?
Karamo, paga a conta.
DIA UM
QUANTO MAIS VELHO ÉS, MELHOR ÉS. A NÃO SER QUE SEJAS UMA BANANA.
Está bem. Chegámos, malta.
Karamo, tens um mosquito no rabo.
- Meu Deus, apanhei-o. - Adoro.
- Olá! - Olá!
Como estás?
Olá!
Olá, Bree.
- Olá, linda. - Olá!
- Como estás? - Olá.
Querida, entra!
Não partas o cadeirão. Tem bom aspeto.
O que te passa pela cabeça? Fala connosco.
Meu Deus, o gato comeu-lhe a língua.
Respira, miúda, respira.
Queres falar-me sobre esta bebé?
A minha primeira neta.
E a minha primeira bisneta.
As nossas primeiras palavras, rainha.
- Sim! - Sim!
E conseguiu falar. Estamos bem.
Sinto-me abençoada e honrada por vos conhecer.
É um prazer conhecer-te.
- Onde está a Dorriene? - Lá em cima.
Eu digo Dore, tu dizes Reen.
- Dore! - Reen!
- Estão a chamar-me? - Vá lá, Dorriene!
Dorriene!
É difícil de convencer.
Adoro um bom quarto.
Se me deres um petisco, uma televisão e uma cama confortável…
Também não me vês durante uns tempos. Deve ser uma coisa gay.
Olá, Dorriene.
- Como estás? - Olá, rainha!
- O que se passa? - Meu Deus!
Meu Deus!
Dás-me um abraço?
Sim! Anda daí, Dorriene!
Meu Deus!
Estamos aqui.
Dorriene, querida, está a mostrar-nos flexibilidade.
Meu Deus!
- Rainha! - Como estás?
- Como estás? - Meu Deus!
Vocês estão mesmo aqui.
Sim, estamos.
Isto é inacreditável!
És linda!
Adoro que ambas estejam tão felizes por estarmos aqui.
Deixa claro que querem a nossa ajuda.
Desde quando vivem juntas?
2021.
Acho que não foi em 21, Jo.
Foi o que eu disse. Foi em 2020?
Não foi no início de 2021?
Vocês vão ter a primeira discussão de hoje?
Foi a fase mais longa em que viveram juntas
desde que eram meninas.
Desde que estávamos em casa com a mãe e o pai.
Foram criadas com muitos irmãos, certo?
Um monte deles. Muitos deles.
Dos 18, ainda somos nove.
São todos da vossa mãe? Ou são enteados?
- Da mãe. - Como é que a vossa mãe andava?
Os sete mais velhos eram de um pai diferente.
Está bem. Quem é mais velho, quem é mais novo?
- Sou a mais velha. - És a mais velha?
Ela é a sénior aqui.
Má-língua!
Costumam estar com os vossos irmãos? Ou são só vocês?
Ela costuma.
Tu não convives com eles. Alguma vez?
Não. A minha opinião pessoal
quanto à infância…
- Não foi boa. - Está bem.
Foi por seres uma mulher queer? Foi por isso que foi tão difícil?
Em parte, sim, mas não foi só isso.
- Lamento. - Eu sou o oposto.
- Sentiste que tiveste uma ótima infância. - Sim, sem dúvida.
É difícil de gerir para vocês como irmãs?
Sim, é.
- Concordamos em discordar. - Está bem.
Na maioria das coisas ou só em algumas coisas?
- Na maioria das coisas. - Na maioria.
Ela diz coisas que me magoariam os sentimentos
se lhe prestasse atenção, mas…
Sou direta. Eu…
- Direto ao ponto. - Sou apenas uma pessoa sincera.
Consegues sentir como a casa está dividida?
- Sem dúvida. - Tentaste mediar?
Quero dizer, sim.
- Tentou. - Está bem.
Ela não quer estar com os outros irmãos, mas, pelo menos, aquela com quem vives,
aproximem-se e tenham uma boa relação.
É muito comum os miúdos queer terem uma experiência diferente
da dos outros irmãos, quando vivem na mesma casa.
Muitas vezes, embora os miúdos queer estejam a passar por algo,
não o partilham
porque não querem perturbar a história de família que se está a contar.
Alguma vez, num sábado à noite, pões o Sarilhos com Elas e relaxam?
Eu gosto, mas a Dorriene não vê televisão.
Porque não vês televisão com ela? Ela quer ver contigo.
Sim.
Ela não vê o que eu vejo. Vê aquelas cenas de galdéria.
Que coisas de galdéria?
- Que coisas de galdéria? - O que é isso?
Donas de casa.
Adoro coisas de galdérias.
Isso não me parece coisa de galdéria.
Gosto de qualquer programa, sci-fi.
Só não gosto de comédias românticas.
É aí que vocês convivem.
- É aqui. - O que há aqui?
- É uma combinação. - O que usamos aqui?
- Isto é arrumação. - Para quem?
Quando a Breelyn se mudou,
ela tinha muitas coisas, por isso, estamos a tentar organizar-nos.
Nunca vão ficar sem Cheerios.
- Isto é o que a Dorriene come. - Ela só come Cheerios?
- Está bem. Muitas oportunidades. - Está bem.
É uma ótima disposição.
Acho que não está a ser usado da melhor forma,
por isso, gostaria de devolver a sala de estar à Jo e à Dorriene.
Quero que seja só delas.
Recuperar espaço para os adultos desta casa.
- É o meu santuário. - Certo.
Este é o santuário.
Mas tem a estrutura certa.
Quero ser muito atencioso
à forma como te mexes durante o teu dia e os teus rituais.
Alguma coisa aqui é importante para ti durante o dia?
O meu falecido filho, James.
O James sofria de toxicodependência.
Toco nos brincos dele sempre que passo por lá.
Coisas assim. Fotos de família.
- Está bem. - E a minha prateleira de petiscos.
Está bem.
Nunca vi uma prateleira de petiscos, mas gosto.
Sabes como eu ficaria se tivesse uma prateleira destas?
Não seria bom.
Não vou mentir, às vezes, não sentimos que somos todos uma família.
Parece que a tia Dorriene é uma hóspede distante ou assim.
E é só… Porque ela fica sempre no quarto.
Na frente gay,
a Dorriene está a voar sozinha com os gays da família?
Tenho, pelo menos, uns 15 primos.
Que são gay ou queer.
- Adoramos uma linda família gay. - Também lhe disse, mas…
Acho que ela não acredita em mim. Ela não os conhece.
- Jogas muito ténis? - Não jogo.
- Então para que são tantas sapatilhas? - Porque…
Aonde vais?
- As sapatilhas combinam com a roupa. - Está bem.
Tudo tem de combinar desde as sapatilhas até ao chapéu.
A apresentação é muito importante.
Credo, és mesmo uma mulher à minha maneira. Isso é tão bom.
Ela tem um par de sapatilhas para cada cor de roupa que possa ter.
Ela é tão peculiar.
Olha para estas rainhas. Eras uma miúda do disco?
- Sim, era. - Eras?
Vivias numa discoteca?
Sim.
Ela sou eu.
Mas tens aqui coisas fantásticas, adorável.
Sim, adoro o meu cabedal.
- Estou a ver. - Calças de couro.
- Uau. - Sim.
- Gostas de estar elegante. - Sim.
Quando sair, vou parecer bem.
O armário da Dorriene está bem.
Ela adora um fato de treino. Adora um top e uma parte de baixo a condizer.
Não vejo nenhum vestido.
Se vires aqui um vestido, estás no sítio errado.
Talvez a moda seja a coisa que a ajuda a sair de casa.
Ela é obstinada com as roupas que ela tem,
mas se lhe dermos opções, quererá ela ser vista?
Acho que sim.
Como se veste a Jo?
- Calças de ganga e o raio de uma t-shirt. - Aborrecido.
- És tu que tens estilo na família? - Sim.
- Ela não tem estilo. - Nenhum.
Limpo.
Isto está imaculado.
O forno mais limpo que já vimos.
É tão interessante como vocês são diferentes.
- Sim. - Tão interessante.
Há alguma coisa que as duas gostem de fazer?
O que achas que está por trás desta rutura?
A mamã dizia sempre que a família tem de olhar uma pela outra.
Concordo.
Eu tento mesmo que a Dorriene saia connosco.
Não tens de dar a mão a ninguém.
Só gostava que ela não tivesse uma noção tão negativa
sobre a família e sobre as situações,
mas há alturas em que eu desejava mesmo…
Sim.
… que ela mudasse pela parte maior.
Se pudesse melhorar e se pudessem aproximar,
estarias aberta?
- Sem dúvida. Nunca perderei a esperança. - Sim.
Espero que ela consiga ver isto como um lar e não como uma casa.
- Porque há uma diferença. - Sim, há.
E este é o nosso lar.
- Adoro a tua atitude. - Não vou perder a esperança. Não.
Como tem sido a tua adaptação a viver aqui?
Solitária.
Não me imagino a estar com alguém durante 40 anos,
ter a oportunidade de ter um grande amor,
seres visto como queres que te vejam
e viveres uma vida nas tuas condições
e perdê-lo de repente.
O que posso fazer para que sintas esta casa como um lar?
- Só uma pintura. - Uma pintura, só isso?
- Só isso. - A minha cliente preferida.
E as tuas coleções? Colecionas muito. Há chapéus.
- Vejo carros. - Sim, e os meus filmes.
Vamos ver se estamos na mesma paleta de filmes, está bem?
Podes ser a minha alma gémea. É tudo ficção científica.
Cheios de ação.
Só preciso aqui de outra cadeira para nós os dois.
Cheios de ação.
Quero proteger o santuário da Dorriene.
Quero que o quarto dela seja um refúgio só dela.
Que ela o sinta como um lar.
Mas também quero encontrar uma forma de a incluir no resto desta casa.
Precisas de um cadeirão.
Não sei porque tenho este cadeirão. Estou sempre na cama.
É música para os meus ouvidos porque tem um porta-copos.
Como podem ver, há Werther's Originals por todo o lado.
Nunca poderás ter demasiados Werther's Originals.
Nunca se sabe quando se podem acabar os Werther's Original.
Somos divas jovens e alegres,
mas até as divas jovens e alegres precisam de relaxar.
O que fazes no que toca à beleza? Qual é a tua rotina de autocuidado?
Primeiro, vou à casa de banho.
- Lavo a cara e as mãos. - Sim.
- Depois, ponho as coisas no cabelo. - Cinco horas no cabelo.
Não demoro cinco horas, Jo.
- Nem sequer usas maquilhagem. - Aqui nem usamos maquilhagem.
Nunca pus nada na cara.
- Nunca? - Vê como é macia.
É tão bonita. Não, a tua pele é deslumbrante.
ÁRVORE GENEALÓGICA
Que família grande.
A Dorriene foi casada com um homem?
Tens… Nem sei o que isto é.
Vamos recuar.
- Vamos recuar imenso. - Sim.
Imenso.
Imenso.
Falem-me dos pratos salgados, os pratos doces.
O bolo de ananás ao contrário era um deles.
- O pão de banana. - E pão de banana.
- A mãe era boa pasteleira. - A mãe cozinhava bem.
- Bom cozinheira. - Sim.
- Sim. - Fabulosa, sim.
Ambas concordaram nisso. Dito em conjunto.
Então, o que percebi de estar sentado na sala,
é que há muitas coisas em que discordam.
Percebo perfeitamente.
Acho que não é realista presumir
que qualquer um de nós chegará aqui
e mudará décadas de dinâmica familiar.
Quero que te rias mais. Quero que convivas mais.
Dizes sempre não.
Porque fechas os olhos quando ela diz isso?
Porque ela diz…
- Ela não me presta atenção. - Presto!
Disse-lhe que não umas mil vezes. Não quero estar com eles.
Ela não vai desistir
porque ela gosta de ti, ama-te e é tua irmã.
Mas o que espero mesmo é poder oferecer-lhes coisas
que possam partilhar, como cozinhar,
e fazer com que seja um veículo para conversarem.
Não tiveste a coragem!
Não tiveste a coragem!
Tenho um palpite que isto é do armário da Dorriene.
Sim.
Prepara-me um banho, porque encontrei o meu patinho de borracha.
- Tenho uma pergunta. - Sim.
Identificas-te mais como soft butch, um pouco mais feminina ou quê?
Nada, só me identifico como eu.
Não, porque sabes como são as lésbicas. Têm as categorias delas, querida.
Eu digo lésbica, tu dizes poder. Lésbica!
Lésbica!
Há as lipstick, femme, hyper femme,
há as soft butch, as butch.
- Acho que podias ser… - A Diana Ross.
O que tem a Diana Ross?
Há aí uma diva lipstick que quer sair?
- É o cabelo, o glamour, o vestido? - Não, ela ser ela mesma.
E uma stud? Acho que podias ser stud.
Na verdade, acho que és stud.
- Quem? - Tu!
- Fala-me dos chapéus. - Os meus chapéus de cancro. Adoro-os.
Sou sobrevivente de cancro.
És mesmo.
Tive cancro da mama. Fui diagnosticada em julho de 2023.
- Muito recente. - E fiquei livre em 2024.
As coisas do cancro e os meus filhos.
- Ótimo. - São os meus acessórios essenciais.
- Certo. - Além dos brincos.
Claro.
O armário da Jo não me preocupa.
Há muitas t-shirts. Há muitas leggings.
Não gosto de leggings.
Mas não estou a ver nada que grite sair ou divertir-se.
Que sapatos ou calçado usas?
Eu uso tamancos.
Temos de falar. Identificas-te como heterossexual?
- Sim. - Porque são os teus sapatos tão gay?
Podemos resolver isso.
Jo!
É interessante, vemos pessoas a lidar com o luto
de duas formas muito diferentes.
Ou és a pessoa alegre
porque valorizas tanto o facto de ainda estares viva
e teres vida dentro de ti,
ou vais na direção oposta, que é perderes-te completamente
e pensas: "Que alegria sobrou?"
- Posso sentar-me? - Sim.
Olá, linda.
Espera, deixa-me ver estas fotos. O quê?
É a Diane com a nossa cadela preferida, a Tiffany.
Conheci-a um dia.
- Em 20 dias, estávamos a viver juntas. - Eras uma lésbica de cliché.
Não sou dessas.
- Disseste que a U-Haul está cheia. - Está cheia.
Estivemos juntas 40 anos depois disso.
Digo-te que, como gay negro, ouvir uma história sobre duas pessoas
apaixonadas durante 40 anos é a coisa mais inspiradora.
- Sim? - Porque não temos essas histórias.
O que gostavas mais nela?
A bondade, a personalidade.
Ela tornou-me uma pessoa melhor. A sério.
Ela tornou-me forte.
Antes de a conhecer, tinha uma autoestima muito baixa, muito má.
Ela deu-me forças para dizer que não,
especialmente com familiares.
Nenhum gostou dela.
Porque ela fez com que parassem de se aproveitar de mim.
Tudo o que sempre quis…
… foi apenas ser amada.
E estou a falar dos meus pais.
Achas que é tarde de mais para ti?
O homem lá em cima ouviu.
E acho que ele ouviu a minha súplica.
Pelo menos, já sei qual é a pergunta.
Talvez eu possa ajudar o homem lá em cima, aqui em baixo,
a dar-te as respostas que procuras.
Serias uma boa pessoa se fizesses isso.
Meu Deus, tenho de dizer e não é só por dizer.
- Foi o nosso dia mais divertido. - Abraço familiar!
Abraço familiar!
Adoramos a nossa família!
Três, dois, um…
Eu percebo como é ser o único queer na minha família.
Quando um de vocês teve
uma experiência mais difícil do que os outros,
pode ser muito difícil para os vossos irmãos heterossexuais
identificarem-se com a vossa luta queer.
Nos anos 70 e 80, querido, era uma época completamente diferente.
São mulheres negras na casa dos 70. Passaram por muito.
Falo de direitos civis, mulheres que lutam pelos seus direitos,
Estou a falar dos direitos LGBT, a crise da SIDA.
Passaram por tudo isso, mas aqui estão elas.
A minha esperança para estas duas irmãs é que saiam desta semana
a saber exatamente o quanto significam uma para a outra.
Quero que compreendam que estão nisto juntas,
quer gostem ou não.
Estão nisto juntas.
Não é só sobre a Dorriene sair do quarto,
mas também sobre deixar a Jo entrar e confiar que a Jo a protege.
DIA DOIS
O RISO É UM SALVA-VIDAS.
Hoje, vamos divertir-nos.
Ena.
- Meu Deus. - Olha isto.
A ideia é que temos de sonhar.
Tudo o que acharem bonito,
coisas que achem bonitas, que gostem, texturas ou cores,
isto é apenas uma oportunidade para eu vos conhecer
através do mobiliário e do design.
É lindo.
- Há quanto tempo não compras mobília? - Não sei. Eu tenho NLDN.
- O que é isso? - Não me lembro de nada.
Por coincidência, o meu marido também.
- O que achamos desta paleta? - Adoro azul e cinzento.
- Estou farta de cinzentos. - Nada de cinzento.
Certo, nada de cinzento.
Sol, céu azul.
Sol, céu azul.
Por favor, fica comigo.
- Farta de cinzentos. - Ela convenceu-o.
- Mas gostas de azul. - Convenceu-o.
Vem sentar-te neste cadeirão e diz-me se gostas.
É difícil levantar-me.
É para isso que estou aqui. O giratório stressa-te?
- Seria bom com as costas altas. - Não.
Por favor. Deixa-me ser o teu menino de almofada.
Protege as costas.
Sim.
- Isto é fantástico. - Arranja-me um porta-copos e fico bem.
- E uma mesa onde pusesses um copo? - Tudo bem.
Nunca decorei uma casa para irmãs antes,
por isso, quero ser muito consciente do que trago para esta casa.
Quero que seja bonita e quente, como as pessoas que lá vivem,
mas também que funcione para elas e para o que precisam.
- E o amarelo? - Sim.
- Não. - Não há amarelo?
Não, os bebés.
- Achas que vão estragar tudo? - Vão estragar tudo.
Tens de te desapegar. O homem faz, o homem estraga.
Nem tudo vai durar para sempre. O importante é que se desfrute do lar.
Achas que fazer parte desta evolução da casa
fará com que te sintas mais à vontade?
- Sim. - Sim?
Vou jogar um jogo disto ou daquilo.
Dizem-me sim ou não.
Drive-in de designer. Vejamos o que consigo fazer.
Estou nervoso.
Isto.
Gosto disso.
Perfeito. Isto vai ser ótimo. Seguinte.
Está bem.
Sim.
Gosto disto, Jo. Sabes porquê? Por causa do contraste.
A Dorriene tem muitas opiniões sobre almofadas,
padrão, tecido, cor.
Não digo que ela esteja errada.
Meu Deus.
- Gosto deste sólido, Jo. - Ela tem bom olho.
Prometo-vos que vai ser uma transformação que ambas merecem.
Passamos de uma televisão de 65 polegadas para um grande 83.
- Miúda, não vais conseguir ver. - Posso ver Netflix.
Não sei como vais conseguir ver.
Consigo, pois.
Ela não terá boa visão com uma televisão de 85 polegadas,
mas tudo bem.
- 83 polegadas? É o tamanho que queres? - Sim.
- Sim. - É um tamanho verdadeiro?
- Sim, é. - Sim.
- Conheço quem tenha 86 polegadas. - Diz-lhe.
- É uma televisão de 83 polegadas. - Não.
- Posso ficar a ver tudo. - Vai ocupar-te o quarto todo.
Podias sentar-te noutro edifício.
Não faz mal, porque posso desfrutar da televisão, Jo.
É o meu pior pesadelo.
Não tens de te preocupar que eu me vá embora, querida.
Já não me preocupava antes. Ias para onde?
Vou ficar em casa.
Vais ficar e sair de vez em quando.
Vamos para a cozinha.
Adoro um bom nham.
- Um bom quê? - Um nham nham.
Um nham nham? Também gosto de um bom nham nham.
Pensei assentar arraiais no departamento de pastelaria.
Bolo de ananás invertido!
- Sim! - Sim!
Vocês as duas estavam a falar de coisas que tiveram todas as vossas vidas,
mas aquilo que me entusiasmou, pois foi o primeiro ponto em que concordaram,
foi o quanto adoravam o bolo de ananás invertido da vossa mãe.
Sim. Caramba. Sim.
Tenho vergonha de dizer que nunca comi um bolo de ananás invertido.
Ou é um bolo invertido de ananás? Não tenho a certeza.
Quando foi a última vez?
No início dos anos 70.
A ideia de fazer algo que é profundamente nostálgico para ambas
vai criar um espaço seguro para partilharem algumas das coisas
de que não têm falado.
Através da minha pesquisa online, a maioria usa o preparado amarelo.
O preparado do bolo é melhor.
Também vejo frigideiras de ferro fundido.
- Sim. - Sim.
Temos isso pronto e com manteiga.
- Certo. Não é margarina. Manteiga. - É assim.
- Ainda bem que não pus margarina. - Estaríamos a discutir.
Algumas pessoas querem um copo de leite, outras misturam um pouco de ananás.
O sumo de ananás é melhor.
Temos óleo vegetal, ovos e o resto é só montar.
- Queres misturar? - Sim.
Está bem, porque não vens e fazes isso aqui.
Preocupava-me que não se entendessem, não funcionassem juntas numa cozinha.
Pus tudo de uma vez.
A Jo concorda?
- Sim. - Tem de ser. Sou mais velha!
Quando dou por ela, delegam uma à outra,
estão a receber ordens, a dá-las.
O forno já está a 190 ºC.
- Coze durante 38, 45 minutos? - Exatamente.
Durante 38 minutos, Jo.
- Trinta e oito minutos. Tão específico. - Sim.
- Isso é tanto açúcar mascavado. - Sim.
Quando comiam este bolo? Em casa?
- Ação de Graças, Natal, festas. - Nas festas.
- Eram demasiados para ter todos os dias. - Certo.
Então, no domingo, a mãe cozinhava para a casa,
rotulava tudo e punha no congelador.
Nunca estava em casa, sempre a trabalhar.
Como foi não ter os vossos pais por perto?
Triste porque nunca os víamos.
Não tiveram tempo para nós.
Belo trabalho com o ananás.
Certifica-te de que dá a volta. A toda a volta.
Ela adora quando lhe dás conselhos não solicitados?
- Não. - Não gosto que as minhas irmãs o façam.
É a família!
- Vou pôr isto no forno. - Está bem.
- Meu Deus. Está lindo. - É a minha única contribuição.
Quando estás a cozinhar, voltam as memórias.
Não víamos a mãe muitas vezes,
mas quando a víamos, estava na cozinha a cozinhar.
Foi algo em que pensei porque me identificava com isso.
Tenho duas irmãs mais velhas.
E quando contamos as coisas que aconteceram na infância,
é quase como se vivêssemos em casas diferentes.
Conto coisas à Jo, mas ela não se lembra.
Acham que foram tratadas de forma diferente?
- Eu não vi isso. - Vocês as duas?
- Sim. - Não?
- Mas eu vi. - Sim?
Todos os verões, a mãe tinha de ir para Nantucket.
Trabalhava para o vice-presidente do canal cinco, para a família deles.
Ela ia cuidar de outras famílias,
mimá-los e deixava-nos em casa, à nossa sorte.
Como te sentias?
Mal, porque os mais velhos não…
Não cuidaram de nós. Tratavam-nos como merda.
Eu costumava fugir.
Não os conseguíamos fazer entender que éramos tratados de forma diferente
pelos filhos mais velhos.
E eu digo à mãe:
"Eles batem-nos. Tratam-nos como merda."
Mas não nos deram ouvidos.
- Pedi-lhe desculpa. - Sim.
Não que o tenha feito, mas peço desculpa por teres passado por isso.
Acho que é importante vasculhar o passado
para descobrir porque somos como somos e ter essas conversas.
E deixar algumas coisas em paz.
E há coisas que acho que tens de aprender quando esquecer.
Para de te culpar
pelas coisas negativas que te aconteceram no passado
porque a culpa não é tua.
Tens de saber isso.
O início da cura é saber que a culpa não foi tua.
A culpa não é tua, está bem?
Ninguém te pode magoar agora.
Ninguém.
Vou arriscar agora.
Eu sei como é fazerem-nos coisas
quando somos demasiado novos.
E coisas que são erradas.
E é quase impossível não deixar que isso afete
como crescemos e como vemos o mundo e como nos guiamos.
Quando não processamos as coisas, elas não desaparecem.
Sei que não é fácil.
Não é.
Mas sei que estás a viver num espaço seguro
onde podes seguir esse caminho.
Para de te martirizares e vamos aproveitar o resto das nossas vidas.
- Sabes? - Sim.
Temos bebés lindos, sabes?
O que vamos fazer? Temos de lhes mostrar o caminho certo.
Não podemos chorar muito mais porque vem aí um bolo.
Chorar a comer bolo é uma das coisas mais tristes de sempre.
Apesar de já o ter feito várias vezes. Sim, já passei por isso.
Não vão resolver tudo ao fazer este bolo uma vez.
Têm de ter muitas conversas destas.
Vamos a isso.
- Um, dois, três. - Um, dois, três.
- Aqui tens. - Bate no fundo com a colher.
- Ena! - É tão doce!
Meu Deus, Jo!
Já provaste? Estás feliz?
Tenho chantili acabado de bater.
Adoro um nham nham!
Está completamente cozido. Olhem só este dourado.
Aqui tens. Menino!
Nunca vos quero deixar!
Boa! Adoro um nham nham!
Queres mais cereja?
- Disseste que perdeste a cereja? - Sim.
Sua galdéria!
Não chames galdéria à tua irmã por perder a cereja!
- Isto está delicioso! - Está?
Isto está… Nossa senhora.
- Sabe tão bem. - Sim, é isto.
Não questiono mais a quantidade de açúcar mascavado metes em tudo.
Isso mesmo.
Conseguimos hoje, querida!
- Sim! - Obrigado, parceiro. Estiveste bem.
Vou dar-te um abraço. Não sei dar apertos de mão.
- Obrigada. - Adoro-vos demasiado.
Esta semana, estamos num grande aperto.
Duas irmãs com estilos muito diferentes.
É difícil encontrar uma loja que sirva a ambas,
por isso, montei uma experiência que atenda às necessidades
num sítio mais luxuoso.
- Bom dia! - Por favor, Jo. Para de me empurrar, Jo.
- Como estás? - "Para de me empurrar"?
- Ela não te está a tocar! - Sim.
- Bom. - Fantástico.
Não.
Isso é para quê?
Vejo os vestidos. Espero que sejam para a Jo.
- Não, são para ti. Pensei… - Raios me partam. Não.
É o meu limite.
Eu sei. Eu não te faria isso.
- Eu sabia que não, querido. - Estás muito bonita.
- Obrigada, querido. - Muito estilosa.
- Estás a usar o crachá outra vez. - Sim.
Ela usa-o todos os dias.
Todos os dias?
Todas as roupas. Tudo pelo que já passaste, cancro da mama.
Sei que és a cuidadora da família,
mas será que os papéis já se inverteram?
Sim, eu estava a viver com a Jo quando teve o cancro da mama.
Ela teve o apoio. As filhas dela estiveram lá.
Não caminharam à minha frente nem atrás de mim, mas caminharam comigo.
Lado a lado.
Isso faz toda a diferença no mundo.
Entre a equipa médica…
Sim.
… a minha família e amigos,
tive a maior e a melhor equipa de apoio que alguém poderia pedir.
Mesmo depois de perder o cabelo por causa do cancro da mama
e de ter cuidado de filhos, netos,
ela continuou a ser uma pessoa forte durante esse tempo.
Foi o que me surpreendeu.
É como se a vida continuasse. Ela continuou.
A Jo passou por experiências chocantes ao longo da vida.
Só porque ela é alegre,
não quer dizer que ela não queira falar com a irmã,
não quer dizer que não precise da irmã.
Envolvam-se na alegria uma da outra. São o sistema de apoio uma da outra.
Não é justo que a Dorriene não dê à Jo o que a Jo lhe dá.
Ela é uma rabugenta. De que precisas de uma rabugenta?
Nestes últimos dias,
divertimo-nos mais, tivemos as melhores conversas.
- Sim. - Acho que nos entendemos melhor.
Sim. Mas o que precisas dela?
- Que conviva mais em casa. - Está bem.
Quero que desfrutes mais da família.
- Os meus netos, os meus filhos. - Sim.
A So-So faz-me a pessoa mais feliz do mundo.
- Se eu tivesse um bebé assim… - Sim.
… seria uma boa razão para sair da cama.
Vamos dar-te outra razão para saíres da casa e da cama?
Experimentamos roupa?
- Está bem. - Está bem.
Estou um pouco apreensivo com o que vou vestir a estas senhoras.
Eles são muito firmes com o que vestem,
especialmente a Dorriene.
Três.
Dois.
Um. Sai.
Olha para ti, amiga.
Miúda, olha para ti.
Querida.
Não acredito que pusemos a Dorriene a dançar.
A Dorriene mal se aguenta de pé.
E ela sente-se tão bem neste visual que está a dançar como deve ser.
Vou recordar aquele momento para sempre.
Adoro estes sapatos. Combinam com tudo.
Adoro que estejas a pensar em todas as formas de usar isto.
Não, isso torna-me tão… Torna tudo mais fácil.
Adoro que saibas isto. Retiro o que disse.
Não és rabugenta. És uma alegria!
Estás pronta para sair e arranjar outra senhora.
- Sim! - Adoro os teus óculos.
- Consegues ver-me? - Sim.
- Consegues ver-me? - Melhor do que pensas.
Também te vejo.
- A Jo está bem. - A Jo está bem.
Há muito que não estavas tão bem.
Olha para aqueles brincos a exibirem-se.
Puxa as calças para cima e deixa-me ver.
- Ela tem alguma coisa. - Esta noite vou sair.
- Procuras um marido? - Não.
Não precisas de um homem.
Porque é que ela tem bolsos e eu não?
- Ela é a divertida. - Está bem.
- Sim. - Está bem.
Gosto da roupa. A sério. A roupa fica-lhe bem.
Ela está pronta para sair.
Ela vai sair. Ela vai sair.
Isto é um novo nós.
- É. - Não é maravilhoso?
Sim, gosto disto.
São duas senhoras sofisticadas.
Vamos experimentar outro visual e ver se se sentem igualmente bem?
Claro que sim.
Três, dois, um, sai.
Olha o que a Josephine está a usar.
Estás com bom aspeto, Jo.
- Não, ela não tem botas de cowboy. - Claro que sim.
Sim, querida.
Sinto exatamente o mesmo, Dorriene.
Quando tenho um par de botas, não me podem dizer merda nenhuma.
- Gosto desta roupa. A sério. - Sim.
É tão bom vê-la a sentir isto.
Com esta roupa, vais arranjar alguém. Chamamos-lhe engatar. Vais engatar.
Sim.
- Adivinha? - O quê?
- A menina encontrou a bunda. - Achas que não vi?
- Menina! - Ela acha que não tenho olhos?
Onde estiveste? Estava à procura.
Estou a usar óculos. Vejo-te.
- Encontrei-a! - Tenho os óculos. Vejo-te.
Ainda estou lá.
Encontrei-a!
A Jo tem razão. Ela tem um belo rabo. Tem as curvas. Para quê desperdiçá-las?
Aquele abajur.
- Posso entrar e experimentar isto? - Sim.
Vai ficar tão bonito.
Força, equipa.
DIA TRÊS
O TEU SILÊNCIO NÃO TE PROTEGERÁ.
- Já cá estiveram? - Não.
Este é o Centro de História de Washington DC.
Esta é a minha amiga Ashley. Como estás? É bom ver-te.
Estou bem.
Como estás, Dorriene?
A Ashley gere o Rainbow History Project.
Sim, sou a tesoureira da organização. É um prazer conhecer-te.
Afasta-te.
Não fazes parte disto. És demasiado heterossexual.
Ela é muito heterossexual.
O que a nossa organização faz
é recolher, preservar e promover a história queer de DC.
Dorriene, a tua história tocou-me.
Porque ouvir-te dizer que tiveste uma relação de 40 anos,
como jovem queer,
sabia que podia encontrar o amor
e que podia ter alguém porque vejo modelos como tu.
Quero garantir que tens oportunidade de contar a tua história.
Quero documentá-la, porque é importante.
Enquanto este país existir, conhecerão a história da Dorriene.
Está tudo bem.
Está tudo bem.
Pronta para nos contar a tua história?
Quero que a Dorriene saiba que a história dela importa.
Quero que a Jo ouça tudo por que a irmã dela passou,
pois a história dela tem tanto impacto.
Ela foi era uma mulher negra gay nos anos 60 e 70.
Se ela começar a partilhar, isso vai aproximá-la da irmã.
O que estás a pensar, Dorriene?
A Diane não está aqui para ver isto.
- Mas ela está aqui em espírito. - Sim.
Enquanto recolhemos a tua história,
quero ter a certeza de que ela também faz parte.
Por isso, digitalizámos estas fotos
e elas ficarão na história queer de Washington DC.
Por isso, ela está aqui connosco.
Nunca te esqueças disso.
Tu também cá estás.
Não penses que nos esquecemos de ti! Tu também!
- Queres ver? - Eu chamava-me "Baixinha".
- Estávamos bem, miúda. - Olha a minha roupa.
Aonde íamos?
Íamos ver alguns dos teus amigos.
Sim.
As coisas que tínhamos de fazer para sermos amados.
- Tinhas de te esconder. - Certo.
Ter cuidado
para ninguém te apanhar, ninguém te ver.
Essa foi a parte mais difícil de ser uma jovem gay.
Escondê-lo.
Esconder o que realmente sentes.
Como soubeste que eras lésbica?
Como foi a tua infância?
Já sabia desde o terceiro ano.
Sim. Lembro-me da minha mãe a olhar para mim com tanto ódio.
Como se tivesse feito algo errado.
Tinha vergonha de mim.
Eu não fazia parte da família. Eu não era filha dela.
Aquilo magoou-me.
Ter de lutar em casa para ser eu mesma
era difícil.
Por isso, quando saí de casa, nem olhei para trás.
Saí de casa aos 14 anos e fui viver com uma drag queen.
Achamos que está a ser rebelde, ao sair de casa, ou seja lá o que for.
- Com 14 anos, não se quer sair de casa. - Certo.
- Nunca soube de nada disto. - Sim.
- Eu não sabia. - Jo, eras muito nova.
Lamento que tenhas passado por isso. Dói.
Não quero roubar o teu sofrimento, mas estou a sofrer por ti.
Porque passaste por isto.
Sim, mas não gostaria que visses a tua mãe de forma diferente
do que a vês.
Saber a tua verdade, divulgá-la e deixares de a ter reprimida
vai ajudar-te.
Obrigado por seres tão vulnerável.
Porque sei que é difícil reviver essas coisas.
Descobri que ela foi casada com um homem.
O David era militar.
O David foi apanhado com um tipo. Isso era inaceitável.
A única forma de ele se livrar desse problema
era casar com uma mulher.
Então, ele ligou a chorar, a dizer que tinha sido apanhado com um tipo.
A única forma de não ser expulso da vida militar era casar com alguém.
Por isso, eu disse: "Eu não me vou casar, por isso, vou ajudar-te."
Depois de ele sair, despachei-me e pus um fim a isso.
Pus-lhe um fim.
Mas falei com a Diane. Não fazia mal ajudar o David.
Ela não se importou.
Ela sabia que era só para ajudar um amigo. Só isso.
Diz-me como foi estar com a Diane.
O amor da tua vida.
Conheci a Diane.
Ela vivia num apartamento em cima. E eu tinha comprado o de baixo.
E ela estava a sair do carro.
Eu disse: "É a mulher com quem vou passar a vida."
Manifestaste-o.
Sim. Eu disse: "Não, ainda não a conheço,
mas vou conhecer."
Ela estava lá em baixo a tratar da roupa, certo?
Cheguei lá abaixo, comecei a ajudá-la a dobrar a roupa.
Ela disse: Não preciso de ajuda nenhuma. O que queres?"
Respondi: "Só te quero conhecer, só isso".
Ela disse que não me queria conhecer porque eu era uma gigolô.
"Passam muitas mulheres por tua casa. Não quero ser incomodada por ti."
Ela andava a observar-te. Sim.
Um dia, pus música disco a tocar.
Ela bateu à porta e disse: "Acabaste de ouvir um álbum disco.
Como se chamava?"
- Foi a minha deixa para avançar. - Sim.
No dia seguinte, mudei-me.
A sério, no dia seguinte mudei-me.
E não me arrependi uma única vez.
Estive lá quando ela teve o AVC.
Estive lá quando ela teve cancro.
Eu disse: "Estamos neste mundo juntas, eu e tu contra o mundo."
Era o que costumávamos dizer uma à outra, nós contra o mundo.
Que conselho tens para nós? Para a próxima geração.
- Mantém-te fiel a ti mesmo. - Sim.
Os outros que se fodam.
É o que importa.
- Ámen. É isso. - A sério, sem dúvida.
Sim, a sério.
Adoraria se pudéssemos fechar com uma das minhas frases preferidas.
Se puderes dizer o teu nome completo e a tua idade ao microfone.
E quero que acabes com: "Tenho orgulho em ser uma lésbica negra."
Está bem.
Chamo-me Dorriene Diggs.
Tenho 70 anos e tenho orgulho em ser uma lésbica negra.
És, pois!
Isto ficará registado para sempre.
Obrigada por partilhares. Não deixes que seja a última vez…
- Que comuniquemos. Está bem. - Sim, sempre.
Está bem, prometo.
Há amor entre estas duas irmãs e reencontrámos esse amor.
Vou certificar-me de que passo tempo no terraço
ou na sala de estar a ver algo que vocês veem.
Mas as cenas das galdéria são o limite.
- Está bem. - Vou traçar um limite.
Adoro-te, mana.
Sim, fofinha.
Sim, fofinha. Sim.
Sim, rainha. Tu consegues.
Desvia-te, rainha.
Quando foi a última vez que estiveram juntas no salão?
- Nunca. - Nunca?
- Nunca. - Não.
É o primeiro dia de sempre juntas no salão para as irmãs Diggs. Que divertido.
Com a família.
Dia da família, é dia da irmã
Posso ser a vossa anfitriã com alegria.
Sabem o que seria divertido? Se tivéssemos marcadores
e depois jogássemos ao "conheces bem a tua irmã"?
Vamos ver o que acham das minhas ideias.
O teu cabelo é deslumbrante.
Diz-me, quando acabaste a quimioterapia?
Junho de 2024.
Estamos mesmo a um ano de distância.
Reparaste que, quando voltou, textura era diferente?
Sim.
Estás a dar-me tanto cabelo por centímetro quadrado,
um contorno do caraças, mas já sofreste tanto.
E sinto que, às vezes, é divertido mudar.
Estava a pensar em deixar-te loura,
mas espera antes de recusares.
Não vou recusar.
Se gostares do que vamos fazer, estas divas vão ajudar-te a mantê-lo.
Vou fazer com que seja de baixa manutenção, uma vez a cada dois meses.
Vai ser uma grande transformação.
Preciso de mudar. Pronta.
- Está na hora. - Está.
Vamos alisá-lo. Vamos ficar loiras.
Vamos dar um pouco de pixie,
um toque de Halle Berry para esta diva linda.
Dorriene, acorda!
Temos grandes novidades. Vamos ficar loiras.
- Quem vai ficar loira? - Vamos ficar loiras.
Estou entusiasmada.
Agora tu, rainha.
Adoro o teu penteado. Adoro como o tens aparado dos lados.
Adoro que tenhas mais comprimento no topo. Isso dá-me energia de soft butch.
- Sim. - O que acho muito bonito.
- Adoro. - Deixa-o assim.
Ontem à noite quando me deitei, tive uma ideia. Tive uma visão de rosa-dourado.
E estava a pensar numas luzes muito esbatidas,
um pouco de baixa manutenção, alegria e diversão queer.
Está bem, vou deixar-te fazer isso.
Altamente, que entusiasmo.
Se a Dorriene consegue aceitar mudar com mais de 70 anos,
acho que nós também.
Vamos a isto, querida.
Olha para mim agora.
Façam assim, meninas.
Vocês estão a divertir-se.
Nunca nos tínhamos divertido tanto.
Rainha, tenho um pedido escaldante de gelado, querida.
Está um pouco derretido. Dá uma dentada.
Também o posso pôr no congelador.
Não vai voltar para o congelador. Vou comer isto tudo.
Jo, ouve.
Tens uma nova atitude, querida.
- Isso mesmo. - Tens.
Tens uma nova atitude!
- Isso mesmo. Uma positiva. - Foi o que a Patti LaBelle disse.
Sim.
Acontece
que hoje é o primeiro dia neste verão em Washington, DC
com menos de 98 % de humidade.
A previsão é de 100 % secador.
Sim. Pronta?
Em três, dois, um.
Caraças.
- O que achas? - Adoro.
- Um pouco de alegria queer, sim? - Sim.
Nunca somos demasiado velhos para experimentar alegria queer.
Cor-de-rosa.
Sim, és demasiado divertida para não teres algo divertido no teu visual.
És tão divertida.
Já tiveste este estilo?
Não.
Gostas?
Sim, é absolutamente lindo.
Ela é linda.
- Obrigada. - Obrigado por confiares em mim, querida.
Meu Deus!
Estás gira, miúda.
- Estás bonita. - Estás bonita, miúda!
Há muito tempo que não te via maquilhada.
Já disseste isto antes, quando dizemos a alguém que amamos:
"Gostava que te pudesses ver como te vejo."
E sinto que, como cabeleireiros, às vezes, temos esse poder.
Quando mudamos um visual,
podemos reapresentar essa pessoa a ela própria.
Dá-me literalmente arrepios.
Senti de vocês as duas,
quando começámos a fazer isto, que não gostavam de se celebrar.
E vivemos numa cultura
que não celebra as mulheres à medida que envelhecem.
Quero que saibam que essa não é a nossa verdade.
Podemos expressar-nos como quisermos,
independentemente da idade que temos.
Têm tanto tempo bonito à vossa frente.
Sinto-me honrado por passarem este tempo comigo.
Obrigada do fundo do coração.
- Não estou a chorar. - Sim.
- Estás. - Um bocadinho.
Olá, Bree. Que tal?
- Estou bem, como estás? - Estou muito bem.
Tenho uma ideia e preciso da tua ajuda.
Sem dúvida.
MULHERES DO MUNDO UNAM-SE
DIA QUATRO
IRMÃ, ÉS BEM-VINDA AQUI.
JVN, Tan, Ant, eles chegaram.
- Vamos! - Boa!
Fico ofendido por me chamares em último lugar.
- Atacadores! - Guardei o melhor para o fim.
- Sim. - Sim!
- Olá. Como estão? - Olá, queridos!
- Olá! - Olá!
Meu Deus!
- Eles chegaram. - Boa!
Dá para ver como ela está gira daqui.
Olá, meninos!
Boa!
- Sim! - Vejam como estão bem!
- Estão bem? - Estão fantásticas.
- Lindas, não é? - Sim!
- Aprovas? - Sim!
Estás linda!
Está incrível.
A própria Blondie.
Anda, Marilyn.
- Vá lá. - Vá lá, primeiro vocês. Vamos.
- Deixa-me ir. A Jo ainda começa a falar. - Prontas?
- Sim. - Força.
Meu Deus!
Jo!
Caraças!
Olha, Jo. A foto, eu e tu!
Quando dizes que alguém está sem palavras, sou eu.
Não está bonita?
Está linda!
Parece muito maior.
Sim.
Meu Deus.
Meu Deus.
Não é maravilhoso, querida?
Posso dizer que é o meu lar.
É o teu lar.
Sim.
- Olha, Bree. - Sim.
Estas são as almofadas que escolheram.
Está linda!
- Querem ver os vossos quartos? - Sim, por favor.
Muito bem, vamos. Eu levo-vos.
Meu Deus!
Meu Deus!
Meu Deus!
Acho que ela gosta.
Vamos. Meu Deus.
Os teus DVDs estão todos lá dentro, na gaveta de cima,
Por isso, está tudo organizado.
Meu Deus.
É a única coisa que me pediste,
que era com 85 polegadas…
Meu Deus.
E os meus carros! Meu Deus!
Todas as tuas coleções estão aqui.
Isto está lindo de morrer.
O chapéu de dança.
- O meu chapéu de dança. - Eu sei.
Meu Deus.
Muito obrigada.
Isto está tão lindo!
Muito obrigada.
Isto está absolutamente lindo.
- És a seguir. - Força, Jo.
Entra e vê, Jo.
É tão fixe como fazem isso, Jo.
Meu Deus.
- A minha prateleira! - A prateleira dos petiscos foi melhorada.
Tenho uma prateleira de petiscos!
Vês aquilo tudo? Há coisas novas.
Foi uma semana de estreias,
uma televisão de 85 polegadas uma prateleira de petiscos.
- Isto é lindo. - Isto está giro, Jo.
Não sei se perceberam o quanto…
- Jo… - Anda cá.
Não me desmaies.
Esta semana, pá.
Bree, também vamos precisar de ti para isto.
Queres trazer a bebé So-So?
Vamos, Bree.
Estou aqui
Olha só. Lembras-te de como era esta divisão?
Meu Deus!
Não.
Anda cá, Bree.
Olha o quarto da So So.
- Céus. - Meu Deus, olha.
- Isto é tudo teu, fofinha. - Meu Deus.
- É uma transformação completa. - Um quarto novo.
- Meu Deus! - Estou pasmada.
E agora aquele espaço ainda pode ser vosso.
Podes convidar pessoas, mas há uma sala para brincarem.
- É tão giro. - Ouviste, Bree?
- Sim, ela gosta! - Sim!
Olha só como ficas bem.
Todas as soft butch precisam de uns belos lábios.
Arranjei-te um batom básico para um último visual.
Para ti, trouxe-te um pouco de gloss. Pareces uma diva brilhante.
Olha para ti. Quem disse que lésbica sexy velha não aprende línguas?
Eu não fui.
Sim, querida!
Olhem para aquilo.
Claro. Quis certificar-me de que tinham um extra,
para desfrutar com os miúdos.
- É delicioso. Sabes que adoro nham nham. - Adoro que adores os teus nham nham.
Estás bem?
O tempo que passei com vocês as duas…
Senti que se refletia em mim
em termos de coisas de que não falo necessariamente muito,
sobre as quais todos partilhámos.
Só vos quero agradecer por criarem este espaço seguro
para eu poder falar sobre isso com vocês as duas
e por vocês, por serem tão abertas uma com a outra.
Claramente, conseguem cozinhar juntas.
- Prometem-me que trabalham nisso? - Sim.
- Posso fazer uma promessa de mindinho? - Sim, vamos fazer uma quiche juntas.
Vão fazer quiche juntas. É um ótimo começo. Adoro isso.
Há tantas famílias de pessoas
que não sabem falar umas com as outras.
Não por falta de vontade,
mas por não terem as ferramentas ou não se sentirem seguras.
Abriste muitas portas, ajudaste-nos a abrir muitas portas
e a perceber muitas coisas que não sabíamos uma sobre a outra.
- Sim. - Sim.
Ainda há tanto para aprender, o que é assustador.
- Mas também é muito bonito. - Certo.
É a honra de conhecer todas estas pessoas, todos estes heróis.
As pessoas podem ver isso, reverem-se nisso,
identificarem-se com essas experiências e, com sorte, serem inspiradas
ou, pelo menos, sentirem-se um pouco menos sós.
- Obrigado. - De nada.
Vamos ver o Karamo. Vamos.
Não sei quem deste grupo chorou mais.
Mas nós temos memórias, querida, que durarão para todo o sempre.
As memórias têm de continuar depois de partirmos.
- Sim. - E vão.
Quero ter a certeza de que não vou voltar e descobrir
que te trancaste no quarto e que vocês não falam.
Isso já não é uma opção, ela ficar trancada no quarto.
Divertimo-nos tanto esta semana.
Esta foi a melhor semana com a minha irmã, Jo.
E ainda bem que agora… que nos entendermos melhor.
A família que não dá a cara não vos preocupa?
- Não. - Não, a mim, não.
Mas, ao mesmo tempo, há familiares,
especialmente para ti, que querem falar contigo.
A Bree disse-me que há tantos familiares queer mais novos
que também querem ouvir a tua história.
- Quando nos visitam, sabes? - Que querem ouvir.
Que te querem ver,
que querem despejar e derramar amor sobre ti.
Não fazia ideia.
- Vou apoiá-los. - Sim.
Eu sei o que é ter dificuldades.
A Dorriene e a Jo vão entrar num capítulo novo.
É muito melhor para elas entrarem juntas nesse capítulo.
Chega de isolamento. Tens a tua irmã contigo.
Desfrutem da companhia uma da outra e nunca desistam uma da outra.
Eu sei que usas o teu crachá,
mas se quiseres abrir este medalhão…
Isso é para ti.
Dorriene, toma um para ti.
Tem ali o meu nome.
Obrigada do fundo do coração.
Uau. Olha, Jo.
- É a Diane. Não é giro? - Não é lindo?
- O James e o James. - Não é bonito?
- As duas fotografias do James. - Que bonito.
- Posso pô-lo? - Sim.
Está bem.
Sim.
Já está, meu amor.
Isto é lindo.
Muito bem.
Muito bem, meu amor. Já está.
Todos me mudaram.
Sabes que mais? Ainda tens muita vida para viver, Dorriene.
Estavas a agir como se tivesse acabado, mas há muita vida para viver.
Ainda não acabou, querida.
- Ainda não chegámos ao fim. - Amém.
Muito bem, meninos.
- A Jo está pronta. Prontos? - Sim.
Estou tão entusiasmado por a veres. Muito bem, Jo. Desce.
Vem a mim, minha rainha.
- Sim… - Cuidado.
- Estou aqui para ti. - Rainha.
- Sim, diva. - Sim.
- Adoro. - Adoras?
É fantástico. Olha para ti.
Este penteado fica fantástico com todas as roupas.
- Fica. Tu sabes! - Dá uma sensação diferente.
Adoro.
Dá-nos um rodopio lindo, querida.
Sim.
O drama, querida.
- Adoro um casaco de malha. - Sim!
Por cima do ombro. O quê?
- Está a contar a história dela. - A ginga.
Pensativa.
Vai do dia à noite. Do dia para a noite.
Estás tão bonita.
Fica aí sentada. Chamamos a Dorriene?
- Dá-nos a Dorriene, querido. - Vá lá, minha linda Dorriene.
Apresento-vos Dorriene, soft butch, queridos.
Sim!
Anda daí!
Ovações de pé.
Pontuação máxima, Dorriene.
- Dez! - Dez!
Dez!
Sim.
Então!
- Sim, estás a ver. - Sim!
- Menina Marilyn Monroe. - Sim!
- Sim! - Adoro isto.
- Estás a sentir? - Adoro.
- Estás a sentir-te bem? - Sim.
Se tivesse de recuar os ponteiros do tempo para esta semana,
eu não mudaria nada.
Esta história foi escrita para nós.
Cada um de vocês…
Sim.
… fez parte de nós esta semana.
Sim.
E agradecemos a Deus por vos trazer para as nossas vidas.
Vocês todos casam comigo?
Casamos, sim.
- Está bem. - Casamos.
Isto é o início de um novo capítulo e estou tão entusiasmado por vocês.
- Amém. - Amém.
Amém.
Recrutei a ajuda da Bree.
Ela ajudou-me a planear esta noite.
Vamos ao Nellie's para ver um espetáculo de drag.
Vamos todos!
Não é tudo..
E os membros da família
que te amam, te apoiam e querem lá estar,
estão lá à vossa espera.
Eles também vêm.
Podes levar um bebé a um bar, certo?
AS NOVAS DIGGS
Nas palavras icónicas de Ilana Glazer: "Aqui no clube…"
Somos todos família!
Entrem.
Quem não gosta de um espetáculo drag, bar gay, reunião familiar?
Eu gosto.
É uma das frases que mais gostei de dizer.
Olá!
Eu sei.
Está na hora de curtir um pouco.
- Tantas pessoas? - Vieram ver-te.
Está linda!
Linda!
- Prontos para ver drag? - Sim!
Muito bem, vamos começar a festa!
Olhem para a cara da Jo.
Ela não consegue conter o entusiasmo.
Parece que vão ser uma verdadeira família, finalmente.
É tão fácil ficar atolado na infelicidade,
mas se tiveres quem esteja disposto a tirar-te disso
e a mostrar-te a luz, deixa-os.
Sinto que, de certa forma, estas irmãs foram reapresentadas uma à outra.
Não se trata de esquecer o passado, mas de se agarrarem às coisas bonitas
que têm à sua volta.
A Dorriene entrou nesta semana a sentir que não tinha família,
mas a Jo tem sido a maior defensora da Dorriene
desde que eram pequenas.
Estar com alguém como a Dorriene, tudo a que ela sobreviveu,
a coragem que ela teve para funcionar,
ser quem ela é, faz-me pensar em quem veio antes de nós.
Ainda que o trabalho não tenha acabado,
temos de nos lembrar de como é importante
olhar para as pessoas que fizeram tanto
para chegarmos onde estamos.
É muito bonito.
Meu Deus!
Dez anos de Queer Eye foram a minha maior alegria.
Deu-me tanto. Concretizou todos os sonhos.
Conheci pessoas que vão ser família para o resto da minha vida.
Estou tão grato por esta experiência.
Há tantas pessoas que se sentem sozinhas.
Sentem que ninguém ouve a história delas.
Este programa deu-me tanta esperança pelo impacto que podes fazer
quando continuas a caminhar na tua verdade
e a dar a cara.
O mundo pode ser um lugar melhor
se formos positivos, bondosos, amáveis e nos apoiarmos uns aos outros.
A bênção que o Queer Eye me deu
é que me permitiu ser alguém que pode dar a volta a este mundo
e garantir que as histórias são ouvidas.
E estou tão grato por isso porque tenho um propósito claro
para o resto da minha vida.
Quem se atravessar no meu caminho vai sentir-se ouvido e visto.
Legendas: Helena Cotovio
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