All language subtitles for A Próxima Vítima _ Capítulo de 18_03_1995 _ Globoplay

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Original subtitles

Você acha que ela pode ter ido para Bauru?

Está bem, está bem.

Se ela voltar aí, liga imediatamente.

Aquele cretino do garçom falou para a Francesca que a Ana deve ter ido para

alguma comemoração na faculdade dos filhos.

Meu Deus, será que ela foi mostrada nervosa do jeito que ela estava?

Nós precisamos localizá -la. Pense em alguma coisa, Eliseu.

Eu disse que não queria me meter nisso.

Tios, cara, que bom que você apareceu. Nós estávamos todos...

O que é isso, Francesca?

Nós estávamos comunada com meu marido.

Ele levou aquela mulher para a Itália. E foi você que pagou a passagem. Você.

Vamos com calma, Francesca. Vamos com calma. Isso não é maneiro. Boca, seu

banana.

Olha como fala, Francesca.

Francesca, escuta.

O que você tem para me dizer?

Foi você que comprou as passagens para eles viajarem?

O que você tem para me dizer? Sua cínica. Sua hipócrita.

Calma, calma.

Deixa o Sr. Filomena falar. Não se mete.

Aqui diz o quê?

As duas passagens foram debitadas na conta do frigorífico Ferreto.

Essa é muito boa.

Seu marido é gerente do frigorífico. Tem uma certa autonomia.

Deve ter solicitado a emissão de duas passagens. E não uma como autoridade.

Estou sendo tão enganada quanto você.

Entendeu que ele devia viajar só pra você parar de fazer o papel ridículo de

mulher traída e revoltada.

Com ele longe daqui, eu achei que nós duas podíamos chegar num acordo com a

outra.

Quando Eliseu descobriu que os dois tinham viajado juntos, o que você queria

eu fizesse?

Que pusesse mais fogo em você?

Deixasse você mais louca do que já estava?

Calma. Calma.

Vamos subir.

Por que ele fez isso comigo?

Por que ele fez isso comigo?

Por quê?

É melhor que você chore.

Assim acalma um pouco.

Eu não tenho porque proteger o canalha do seu marido com quem quer que seja.

Eu não sou uma alcoviteira.

Eliseu, faz favor.

Não quer beber nada, né?

Alguma coisa pra se acalmar.

Eu deixo, deixo. Eles eu?

Eu já vou indo.

Agora eu só quero saber o hotel onde eles estão

em Roma.

marido era embaixador.

Era. Nós ficamos muitos anos vivendo entre a Europa e a África.

Desde que ele morreu, eu tenho pensado seriamente em voltar para o Brasil, mas

vou ficando.

É muito triste saber em que condições vive a maioria dos brasileiros.

Favelas aumentando, a violência descontrolada, a miséria terrível.

A semana passada...

Eu estava trabalhando em Uganda, na Unicef.

Quem vê aquelas crianças submutridas na TV, nas revistas, não tem a menor ideia

do que é aquilo ali.

O que é isso?

O que é isso?

O que é isso?

A respiração que parece que vai acabar a cada segundo.

Não existe mais desespero.

A miséria é tão grande, tão presente.

que acaba gerindo um conformismo, uma apatia.

Então a senhora trabalha com crianças.

Procuro ajudar.

Estar presente em alguma coisa.

Quando eu me sinto abalada, tiro férias, e venho ver lugares bonitos, como esse.

É, realmente.

A Itália é linda.

Acho que já dá pra gente enfrentar a escadaria.

Marcelo, que ela arrebenta.

Vai lá com o seu Marcelo.

Eu vou ficar mais um pouquinho.

Alô?

Sou eu, Júlia.

Ela caiu de novo.

Mas eu já liguei hoje.

Sei.

Sei.

Não, não, não, não.

Pode deixar que eu mesmo ligo novamente.

Obrigada.

O Daniele é lá. Agora não, senhora, agora não.

A Irene tá em casa?

Não, senhora, foi pra escola.

Oi, eu queria ouvir.

Não é nada, não.

Ô, Irene, se a gente puder fazer alguma coisa... Tá legal, obrigada.

Não esquece, vai mesmo.

É problema deles.

Não foi só uma briga, uma discussão, entendeu?

Parece que foi feio.

Minha mãe não me falou nada, mas do jeito que ela tava... O rosto dela tava

inchado, Jefferson.

E, Loma, como é que meu pai vai bater na minha mãe e mim? Ele nunca encostou a

mão. Ela não falou que apanhou.

Você que tá achando, né?

É isso, eu não vi o rosto dela.

Meu pai não pode ter um cavalo assim.

Pô, conversa com eles depois.

É o melhor jeito.

Eu tô achando que os dois vão se separar. Ah, e daí se separar?

Problema deles, Irene.

Quantos pais amigos nossos vivem separados, né?

Falar é fácil, meu Zé. Eu sou muito fácil.

Eu já tava vendo que mais cedo ou mais tarde ia estourar alguma bomba lá em

casa.

Já tava vendo.

Não, hein?

Senta a mão, hein? Vem bater! Vem bater!

Olha!

Olha aqui!

Está bem sério! Não tem nada a ver com isso! Eu vim porque eu quis! Ah, vim

porque quis, é?

Bota! Olha aqui! Tu não vai bater nela, não, hein? Cala a boca com o seu

bochinho! Vem aqui!

Dona Helena Ribeiro, doutor Zaidan.

Mande -a entrar.

Obrigada.

Como vai, dona Helena?

Encontrou os documentos?

Encontrei. Como eu havia previsto, estavam no cofre do nosso quarto.

É.

Realmente a senhora está com um grande problema.

Eu não devia ter assinado nada disso.

Não.

Não devia.

Mas a senhora não é única.

Aliás, a maioria das pessoas tem a mania de assinar os documentos sem antes ler

o conteúdo.

O L é meu marido. É um advogado tão conceituado quanto o senhor. Eu confiei

nele. Mas se a senhora tivesse tomado conhecimento do conteúdo desses

documentos, mesmo ele sendo seu marido e a senhora tendo confiança nele, não

teria assinado.

Mas eu já expliquei isso para o senhor.

Ele me disse que era um documento relacionado com alguma coisa sobre um

do imposto de renda. Não sei, não lembro mais.

Infelizmente está feito.

A senhora assinou várias escrituras.

Em cada uma delas, a senhora abriu mão dos bens do casal para o seu marido.

O conjunto delas faz com que ele seja, atualmente, o único possuidor dos bens

casal.

Todos os bens?

Esses documentos foram oficializados quando registrados em cartório. A

deles é inquestionável.

O senhor está me dizendo, então, que no caso de um divórcio... Bom, os

documentos são perfeitamente claros.

A senhora, como esposa, abriu mão de seus bens em favor de seu marido.

Tudo o que vocês têm pertence exclusivamente a ele.

Portanto, no eventual divórcio, a senhora não tem direito absolutamente.

Baby, baby, baby Com o pão de frio de um

torturador Eu planejo passo a passo atacar teu amor, baby

Ah, baby

Do meu esforço dirijo no milésimo andar

Espio noite e dia sua vida secreta O frio de São Paulo me faz transpirar

Sou vítima Vítima

Vítima da sua janela

indiscreta

Não é possível, doutor Zaidan.

Qualquer juiz vai deduzir que eu fui enganada, que eu não sabia o que eu

assinando.

Não é tão fácil assim, dona Helena.

Realmente nós podemos entrar com um processo para anular esses documentos.

Acontece que ninguém garante que a senhora vai ganhar a causa.

Seu marido é um dos maiores advogados do país.

Ele sabia muito bem o que estava fazendo.

E eu garanto que ele vai saber se defender muito bem também.

Estou me lembrando de uma amiga.

Ela me disse que a única maneira que uma mulher tem de tirar vantagem de um

casamento com um advogado esperto é ficando viúva.

Você pode até não concordar, mas ela está coberta de amor.

Você entendeu o que tem que fazer?

Entendeu, Andréia? Por que você está fazendo isso com a sua tia?

Sabemos que quando eu era trincinha, sabe, ela não comprou os bonequinhos que

queria de Natal.

Se você acha que vai terminar o casamento dos dois, ainda a relação do

com a Ana... Não se meta na minha vida.

Está ouvindo?

Quero que essa história termine de uma vez por todas.

Porque eu não tenho seguramento de estar esperando por um homem, por um sozinho.

Mesmo ele tendo uma estrela?

Eu não tenho.

Pois é, quem sabe?

Agora, eu duvido que as coisas sejam exatamente do jeito que você prefere.

Esse é o problema meu.

Não sei por que você me fez fugir. Eu devia ter ficado lá e tido a cara do seu

irmão. Socorro, Néstor. Você não viu que estava todo mundo do lado dele?

Quando vocês caíram na piscina, foram uns quatro para te afogar. Ah, vai, vai,

vai. Eu não gosto de fugir de briga.

Você me faz ficar... Não precisa ficar bancando lá, seu irmão. Ah, eu salvei

legal. Como assim, por favor?

Você tá dizendo o quê? Você me salvou? Você ficou com medo de eu ter ficado lá

enchido de tabé com a cara do seu irmão? Depois você ia ter que explicar pra sua

mãe quem é que destruiu a carinha do queridinho dela.

Carina!

Carina!

Desculpa, não foi com maldito. Fala logo.

A superviseira já descobriu que você saiu. Vai ter um bode mesmo.

Saiu com o meu carro?

Quem deu ordem pro Tonico sair com o meu carro?

E eu vou saber?

Não fala nada, Vitinho. Quem briga de pai com filho, a gente não se mete.

Foi a senhora, não foi, tia? Oh, tem dó.

Tudo de ruim que aconteça dentro dessa casa, já botam a coitada da tia na cruz.

Oh, eu sei lá de carro nenhum.

Tenho tanto problema na minha vida, ela vou me preocupar com carro.

Eu nem sei dirigir.

Oh, tenha santa paciência, não.

Epa! Em casa de família, vagabunda não entra.

Ô, Juca.

Ô, Juca, essa sua tia aí, essa... Essa!

Ela tá fazendo um abaixo -assinar pra me tirar da rua.

Da rua, não. Porque a rua é o seu lugar.

Pra te tirar de junto de gente honesta, trabalhadeira, decente.

Até que o padre dessa bandida foi falar.

Chiquinho!

Peraí, peraí, tio. Vamos conversar como gente civilizada, pelo amor de Deus.

Olha que eu te joguei água aquele dia porque você tava me ofendendo.

E eu já falei pra esse mosca morta aí do seu irmão parar de ficar engendrando os

pacová. Pronto, agora chegou a hora pra mim. Peraí, gente, não vamos ficar

gritando aqui.

Gente civilizada, vamos todo mundo sentar, vamos conversar com calma. Tia

faz um café pra nós. Não, na minha casa a vagabunda não toma café.

O que é vagabunda, hein?

Quem que é vagabunda?

Quem que é vagabunda? Quem que é

vagabunda?

me for secretária da beira de gás.

Você não pode fazer isso comigo.

Pelo amor de Deus.

Senta, senta, senta.

Pelo amor de Deus.

Desculpa. Não pode, Juca, não pode.

Sei, sei.

Ai, Juca.

Juca, pelo amor de Deus. Juca, pelo amor de Deus.

Você que é um homem de bom coração.

Não deixa ela fazer isso.

Essa maldade comigo, Juca.

Pelo amor de Deus.

O dono do apartamento já tá pegando no meu pé faz um tempão.

Por causa dessa porcaria desse aluguel, eu não tenho onde tirar.

Você já pensou se ele coloca uma denúncia nas minhas costas? Uma denúncia

eu tô frita.

Onde é que eu vou me enfiar com a minha mãe, Juca? Onde?

Tá, Pitera.

Faz o seguinte.

Você vai voltar pra casa agora, viu?

Levanta aí. Levanta. Fica.

Tenta ficar mais calma.

Vai lá pra casa que a gente vai dar um jeito. Não se preocupa não que eu vou

resolver tudo.

Tá bom?

Eu falo pra Ana.

Eu falo pra Ana todo dia.

Ela não sabe, homem bom, que ela tá perdendo.

Não sabe.

Vai, filha. Vai, vai, vai.

Deixa que a gente resolve isso.

Não acontece nada.

Voltou pior do que estava.

Onde é que isso vai parar, Santo Dio?

Eu tenho a impressão que ela não vai se contentar.

Enquanto não for para a Itália, pegar os dois com a boca na botija.

Ela está completamente louca, bem capaz de fazer isso.

Você tem o endereço do hotel do Marcelo na Isorrento?

Olha, passa um fax para ele, porque se eles se encontram lá, pode acontecer uma

tragédia. Não, não, de jeito nenhum.

Eu detesto ter que concordar com você, mas sou obrigada a admitir que a melhor

política é não se meter no assunto dos dois.

Mas como não se meter?

A ideia de eles irem para Sorrento, essa ideia... Não foi sua a ideia de

eles irem para lá? Era só o que me faltava.

Agora você vai dizer que a culpa é minha.

Era só o que me faltava.

Com licença.

Oh, minha irmã, dê graças a Deus que hoje é sábado, que a agência de turismo

tinha fechado, que assim você vai ter que esperar até segunda -feira para

o hotel que eles estão. E quem sabe, né, Tcheska, até lá você não pensa melhor e

não muda de opinião de ir à Itália atrás deles.

Eu não vou deixar ele mais fazer isso comigo.

Agora chega.

Assim que eu saber onde eles estão, eu vou atender.

Você sabe qual é a minha vontade, Carmen?

Te matar os dois.

Te matar.

Mas tanto tio, Benedetto.

Eu espero não ter atrapalhado o passeio de vocês.

De jeito nenhum.

Mas quando estiver em São Paulo, faço questão de conhecer o restaurante. Eu

ficar esperando.

Tchau.

Enfim, só.

Pronto.

É Julia.

Ah, já chegou.

Ótimo.

Que bobagem, Ana.

Tira isso da cabeça. Ah, é? Então me responde.

Por que a gente ficou sabendo da vida dessa mulher? Nada.

Que é viúva de um embaixador, sei lá do que.

Que se ocupa com crianças carentes na África.

Essa história é tão fantasiosa que pode muito bem ser mentira.

Mas que importância tem isso? Mas é que no pouco tempo que a gente ficou junto

dela, essa mulher ficou sabendo muito mais da vida da gente do que a gente da

vida dela.

Mas de um santo.

Eu só quis ser simpático. Ah, é?

Idagerou, né? Como sempre.

Ah, meu Deus, você falou mais do que a boca.

Falou tudo da vida da gente, tudo.

Ficou isso, dos restaurantes, falou das crianças, o que é que um faz, o que é

que o outro estuda.

Meu Deus do céu, também quando você fala desses meninos, parece que é um bobo,

tá?

Eu adoro os meus filhos.

Isso é pecado?

Claro que não.

Mas não são só seus filhos, não são meus também.

Que olha que eu me esforcei muito, tá?

Foi daqui que eles saíram.

Ventre, Benedetto.

Pode chegar a gente.

A minha juventude.

desgraça, essa choradeira, que você já veio chorando de Campinas até aqui, não

consegui nem raciocinar direito.

Botaram na rua.

Eu morava lá no colégio, pra onde eu vou agora?

Eu não tenho pai, eu não tenho mãe, eu não tenho irmão, eu não tenho família,

não tenho ninguém.

Eu sabia que eu não devia ter ajudado o Caribe.

Eu sabia que não ia prestar, eu sabia que não ia dar certo, eu sabia que não

legal. Calma, calma, calma.

Para minha casa eu não posso levar você, porque aí vou ter que explicar a minha

situação para o meu pai. Você me cobre, porque eu estou tendo um negócio com a

Karina e eu sou o único morto.

Agora, por que você não fica na casa dela? Ficar lá como? Eu não conheço

ninguém. E depois a Karina vai ficar no colégio interno até os pais dela

voltarem da Itália.

Ela é uma louquetinha.

Será que eles vão expulsá -la mesmo?

Não.

A culpa é minha.

É minha. É minha essa culpa e aí eu vou ter que fazer alguma coisa.

Agora, o que eu faço é que eu... Só não chora na minha frente, porque eu não

gosto de ver uma mulher chorando.

Não posso deixar você dormindo debaixo da ponte.

Olha aqui, calma. Para de chorar.

Tive uma ideia boa.

Vou te levar para a casa da dona Zumira, que é uma professora amiga nossa que

tem aqui. Ela te arruma um cantinho para você ficar lá na casa dela e depois a

gente vê o que faz.

Certo?

Não, senhora, a dona Ana está viajando.

Não, eu não sei como falar com ela.

Como?

Como?

Meu Deus do céu.

Como é que uma menina me foge do colégio desse jeito?

Mio San Gennaro.

Eles também não sabem.

A supervisora me disse que queria falar com a dona Ana. Mas eu não sei onde ela

está.

E olha, eles vão avisar a polícia. A Karina é de menor.

Gente, vamos ver o que pode... Se eu fosse até esse colégio conversar com a

diretora, podia falar para ela.

Falar o quê?

Você não é nada da Karina.

Boa noite, boa noite, boa noite.

Aconteceu o quê?

Carina, filha da Ana, fugiu do colégio. Tá todo mundo preocupado. Ih, fugiu,

gente? Você sabe que pra mim tem namorado nessa história, né?

Menina nessa idade é espeto, viu? Nada, nada disso. Deve ter saído aí com uma

amiguinha pra pegar um cinema e daqui a pouco já tá de volta. Ah, você apareceu,

seu safado. Até que enfim. Por quê? Tá maluco? Tô te esperando pra te dar uma

coça. É que eu já... Vai, dá sim, vai. O menino já é grande. Fala pra mim quem

te deu autorização pra pegar meu carro. Eu te dei. Não, foi a tia Nina. Tia

Nina? É.

Eu não quero briga de pai e filho aqui na minha casa. Fala, fala, tia Nina. Tia

Nina o quê? Tia Nina. Tia Nina.

O quê?

Tá me fartando o ar. Tá me fartando o chão. Tá me fartando. Ajuda aqui, Júlia.

Tonico, eu tô falando com você.

Me foge, não vem aqui.

Tá vendo? Fica brincando.

Me diz uma coisa aqui na minha cara. Olha para mim.

Foi a tia Nina que deixou você pegar o carro? Foi, foi. Eu achei que ela já

tinha falado para o senhor.

Nina, fala comigo.

Fala com o Vitinho aqui.

Vamos lá para a pizzaria.

Júlia, vamos para a pizzaria.

Vamos telefonar, vamos agitar, vamos ver o que a gente pode fazer. Vamos

resolver. Vamos lá, você fica aqui.

Você fica aqui.

Eu vou tentar resolver esse assunto.

Linda, está bem?

Está bem, Nina.

Está bem, Nina.

É traindo, né?

Não é.

O resto nem precisa pegar. Deixa que a empregada recolhe.

Eu quero ver aqui nas páginas de crime se saiu alguma coisa a mais sobre aquele

atropelamento. Eu nem quero mais saber desse assunto. Me poupa, Eliseu. Perdi

-o. Tá bom, tá bom.

Tá bom.

Falo mais, não.

Eliseu, meu celular tá tocando. Você vai querer que eu mesmo atenda?

Já vai, já vai.

Você acordou de mau humor hoje, hein?

Alô?

Ah, como vai, Marcelo?

Marcelo, será que aconteceu alguma coisa?

Marcelo? Sou noinho, como está?

Como está?

É para a senhora, dona Francesca.

Dizem que é uma amiga.

Eu não disse que a senhora estava.

Amiga?

É amiga.

Pra mim, quando não diz o nome, eu não atendo. Amiga pode ser um trote.

Deixa eu ver.

Alô, aqui é a Francesca.

Quem?

Quem tá falando?

Como é que você sabe?

Não,

eu vou anotar. Não desliga, por favor.

Quem é você? Com quem você tá falando?

Um momento.

Correndo.

Itália.

Não pode.

Filomena, não posso.

Voltar agora é impossível. Eu preciso de mais uns dias.

Não, não tive coragem ainda.

Mas eu tenho que tentar.

É claro que eu tenho tentado, mas são mais de 20 anos.

Não é fácil.

Está certo.

Eu falo hoje, sem falta.

Treze dias, Filomena.

Em três dias deu volta com tudo resolvido.

E a Francia foi conquistada.

Sim.

Sim.

Bom, quando voltar, nós conversaremos.

Um abraço.

Eu esqueci de deixar umas instruções para André e resolvi falar daqui mesmo.

Agora vamos embora.

O barco está esperando.

Está louca? Você está completamente louca? Como é que você vai sair daqui

Itália por causa do telefone anônimo? Vamos certificar disso agora mesmo.

Como é que a gente consegue o telefone de um hotel no estrangeiro?

Hein?

Alfredo! Alfredo!

Chamou a senhora.

Por favor, eu quero a lista do telefone.

Quer que eu procure algum número para a senhora?

Eu quero saber como é que a gente consegue o telefone de um hotel no

estrangeiro. Informações internacionais. Eu ligo já.

O juízo dessa cabeça!

O que é isso? O que está acontecendo?

A tia escapou por causa de um telefone. Ela não quer sair daqui para a Itália

atrás do Marcelo. Ah, do dió.

Pronto, senhora. A telefonista já está na linha. Alô?

Por favor, eu quero o telefone do Hotel La Serene, em Sorrento, na Itália.

Mãe, não adianta você ficar fugindo de mim desse jeito.

Eu quero saber o que está acontecendo entre você e o papai.

Irene, escuta.

Eu não quero conversar com você sobre isso agora.

A gente está com um problema, você está a perceber. Dá um tempo para mim, minha

filha. Eu tenho tantas coisas para te explicar, não sei nem como. Eu não sou

nenhuma criança, mãe.

É só me explicar.

Por que é que você acha que eu não vou entender?

Irene, já te pedi, por favor.

Mãe, a gente é amiga, poxa.

Vocês vão separar isso.

Era só o que me faltava.

Só isso, só. O que aconteceu?

A minha viagem para Roma amanhã foi cancelada.

Se eu quiser participar do jantar dos meus colegas em pós -graduação, tenho

embarcar hoje. Eu detesto essas mudanças de última hora.

E por que foi cancelada essa viagem?

Não sei não. Parece que vai haver uma greve na companhia de aviação.

Viver numa democracia dá um trabalho, viu? Que isso, pai. Todo mundo tem

de fazer greve.

É, realmente tem.

Mas precisa de uma paciência, viu?

Ou eu viajo hoje ou eu perco o jantar.

Helena, arruma minha mala.

O que foi?

Nada.

Eu vou arrumar sua mala.

Você vai com ela para a Itália e volta com tudo resolvido. Não vou mais tolerar

essa história de você manter duas famílias. Chega.

Posso colocar os melhores advogados do Brasil do seu lado.

Alguma coisa você vai ter que dar para ela. 20 anos são 20 anos.

Mas isso tem que acabar agora.

Ou você resolve isso de uma vez ou está fora do frigorífico.

Filomena, você tem, você precisa fazer alguma coisa. Não podemos deixar?

A tia acho que cometeu uma loucura dessas.

O que mais a tia Filomena pode fazer, mamãe?

Eu já conversei com a Francesca Carmela, você viu. Eu acho que ela vai pra lá

passar vergonha tua. Mas o que eu posso fazer pra impedir tanto Cristo?

A história de telefonema, de carta anônima é muito estranha.

Eu acho que nós deveríamos chamar a polícia.

Polícia?

Polícia, sim, senhora. Isso é crime, sabia?

Só fica falando besteira.

Está esperando,

senhora. Pensa melhor, tia. Você vai passar vergonha, minha irmã.

Eu sei o que estou fazendo.

Vou recuperar essa situação de uma vez por todas.

Alfredo, despeça o táxi.

Eu vou levar minha irmã. E você vem comigo.

Vamos. Calma. Oh, meu Deus do céu.

E aí?

A Irene tá grilada com o quê?

Chato, né, cara?

Pô, o pai brigando, sentando a porrada na mãe.

Pô, a baixaria, né, cara?

Você vê como é que ficou o café? Eu não sei se ficou muito legal. Nessa história

de cozinha, eu sou um fracasso.

Agora, para fazer cafézinho, você está a ver coisinha... É essa, né, Sandrinho?

Obrigado.

Eu estou com pena da Irene, viu?

Eu acho que ela é uma garota muito legal.

Ela achou a mesma coisa de você.

Você era o único.

Opa!

Só agora que você está me dizendo isso, é um... Já podia ter dado uns amassos

nela, né?

Chegou algum no teto dela.

Foi quem? A Karina, Sandrinho. Ela fugiu do colégio. A polícia tá atrás desde

ontem à noite.

Ninguém sabe dela, cara.

A Karina?

Pensa melhor, minha mãe. Dá tempo.

Você pensa que me trouxe aqui para me fazer mudar de ideia, mas você se

completamente. Não adianta, mamãe. Não adianta.

Ah, é só? O meu pai já deve estar embarcando.

Você tá aqui por quê, mãe?

Ele sempre foi viajar, você nunca ficou nervosa desse jeito?

Irene, por favor.

Mãe, segue comigo, vai.

Olha, a gente tá sozinha aqui em casa.

Eu tô vendo que você tá cheia de problemas. Vem ficar comigo, mãe.

Eu sou tua amiga.

A minha... A minha vida inteira foi um equilíbrio.

Eu não consigo, mãe.

Não, mãe. Você só tá nervosa, mãe.

Que...

Eu

tô completamente louca.

Eu não devia ter feito nada do que eu fiz.

Nada.

Tisca, tisca.

Pela última vez, não vá.

Que tormento, Carmela.

Leve sua mãe para casa, querida. Eu devia ter perguntado.

Tudo vai dar certo, minha irmã.

Tudo vai dar certo.

Obrigada por ter vindo.

Ah, eu acho uma loucura o que a sua tia está fazendo.

Mamãe, eu peguei de tudo para impedir que ela viajasse.

E olha lá, parece que vai ter companhia para a viagem, encontrou um amigo.

É.

Bela, você conhece aquele homem?

Não, eu nunca vi.

Esquisito isso, muito esquisito.

Eles pareciam ter tanta intimidade.

Mamãe, que bobagem. Ela só levantou um, ele foi ajudar e botou a mão na cintura

dela. O que tem?

Ah, sim, sim. E ficou o tempo todo com a mão na cintura dela.

Mamãe, compra esse livro pra mim. Eu não trouxe dinheiro nenhum.

Nunca vi aquele homem antes.

Será amigo da Tirka?

Eu devia saber.

Mamãe. Desencana, Edith. Por favor.

Pense em outra coisa.

Vamos embora. Vamos.

Aquele homem ali não é o garçom da pizzaria?

Sei lá, mamãe. Você acha que eu vou me lembrar da cara do garçom da pizzaria?

Isso.

Oh, meu Deus. Alguma coisa deve ter acontecido.

Informações, em praero, terminal 2, peso, embarque. Gente, só sou eu?

É. É eu? Só sou eu?

Por favor, eu sou Carmela de Vasconcelos. Estão me chamando aí pelo

A senhora é parente de Francesca Ferreto Rossi? É, é a minha irmã e essa aqui é

minha filha Isabela. Aconteceu alguma coisa?

Venham comigo.

O

que

aconteceu? Eu sinto muito. Ninguém sabe direito o que aconteceu.

O médico disse que parece que eles foram envenenados.

Estão morrendo.

Baby Ah, baby Do meu

esconderijo no milésimo andar Esfio noite e dia sua vida secreta O

frio de São Paulo me faz transpirar Sou vítima

Vítima

Vítima

Tatu a janela e descreta

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