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ESTE PROGRAMA CONT�M CENAS DE BATALHAS,
INCLUSIVE COMBATES MORTAIS E VIOL�NCIA.
CHAMA-SE A ATEN��O DOS ESPECTADORES MAIS SENS�VEIS.
Por milhares de quil�metros de territ�rio selvagem...
... uma esp�cie diferente de Pais Fundadores...
... combate sozinha na sua pr�pria revolu��o.
Fogo!
Por mais de 70 anos
invadem o desconhecido,
movidos pela esperan�a de que a terra vasta reserve uma fortuna
que possa ser sua,
se...
... sobreviverem.
Combatem por um sonho:
transformar o territ�rio in�spito numa na��o,
os Estados Unidos da Am�rica.
Legendas Canal Hist�ria
Transcri��o e Sincroniza��o fininhos
OS HOMENS DA FRONTEIRA
PARTE 1 "Rumo ao In�spito"
TERRIT�RIO DO KENTUCKY 1773
Nas profundezas do vasto territ�rio in�spito e desconhecido,
conhecido por "territ�rio do Kentucky",
Daniel Boone
corre para salvar a pele.
Passou os �ltimos dois anos aqui, a ca�ar,
mas est� em terras reclamadas pela tribo Shawnee,
cujos guerreiros agora o perseguem.
No in�cio dos anos 70 do s�culo XVIII,
poucos "n�o nativos" se atreviam a ir tanto para oeste.
Os que o faziam deparavam-se com perigo
e oportunidade.
O atractivo da Fronteira � que quem n�o tinha nada
podia fazer fortuna,
na ca�a de castores e de lontras,
bem como peles de veados.
O termo "buck", usado hoje para nos referirmos a "d�lar",
vem do valor atribu�do �s peles de veados.
Ao mesmo tempo, corriam sempre o risco de serem mortos.
E havia sempre a forte probabilidade
de falharem catastroficamente.
Boone teve sorte. Est� vivo.
Por�m, perdeu as peles que tinha para vender para alimentar a fam�lia
e voltou para a Carolina do Norte...
... endividado.
CAROLINA DO NORTE
Em 1773, a Carolina do Norte era uma das 13 col�nias brit�nicas
governadas pelo Rei Jorge III.
Dez anos antes,
declarara ilegal os colonos instalarem-se a oeste dos Apalaches,
embora a ca�a fosse permitida.
Nessa �rea, residem mais de dois milh�es de ind�genas
de mais de 300 tribos rivais.
E a Gr�-Bretanha n�o quer problemas com elas.
As restri��es impostas pela Coroa enfurecem os colonos,
desejosos de terra.
HILLSBOROUGH CAROLINA DO NORTE
E n�o det�m homens
como Richard Henderson, juiz na Carolina do Norte.
CAROLINA DO NORTE
Acabara de comprar oito milh�es de hectares,
praticamente toda a �rea do actual Kentucky.
Tencionava fazer fortuna vendendo a terra a colonos,
ainda que tivesse de infringir todas as leis
ou que as terras pertencessem a tribos ind�genas.
As pessoas estavam fartas de tantas leis.
Os Americanos queriam enriquecer,
fazer fortuna vendendo terras e im�veis.
A Fronteira americana foi sempre sin�nimo de riqueza.
Alguns dos nomes mais famosos da Revolu��o Americana,
como Ben Franklin ou George Washington,
estavam decididos a comprar terra no Oeste.
Por�m, havia as tribos ind�genas,
que n�o estavam dispostas a aceitar que os Americanos
passassem para l� dos Montes Apalaches.
Para tomar posse da sua terra,
Henderson precisava de algu�m com coragem para abrir caminho.
E, por pura coincid�ncia,
estava prestes a conhecer essa pessoa.
O Sr. Boone prometeu saldar a d�vida, assim que regressasse,
por�m, recusa-se a honrar a palavra.
Depois da viagem desastrosa,
Boone est� prestes a ser preso por d�vidas.
Merit�ssimo, tenciono saldar as minhas d�vidas.
Quando regressou, depois de dois anos no mato,
Boone vinha mais pobre do que quando partira.
O Kentucky est� repleto de tribos.
Passei dois anos l�.
Mas acalentava a esperan�a de que a sorte lhe haveria de sorrir.
Tinha peles suficientes para pagar dez vezes o que lhe devo,
at� os Shawnee me perseguirem.
Henderson v� uma forma de resolver os problemas de ambos.
Daniel Boone e Richard Henderson terem-se conhecido
foi uma daquelas coincid�ncias que fazem hist�ria.
Henderson precisava de algu�m como Daniel Boone,
o t�pico homem da Fronteira,
e julgava que Boone, que andava sem sorte e muito endividado,
estava t�o desesperado que aceitaria aquele esquema louco.
Sr. Boone,
recentemente, adquiri uma grande parcela de terra...
... aqui.
O juiz ofereceu duas op��es a Boone:
ou cumpria pena num campo de trabalhos for�ados
ou abria caminho pelo territ�rio in�spito do Kentucky.
Para Daniel Boone, ser� o maior desafio da sua vida.
Desafiar� a Lei brit�nica
e levar� 30 colonos at� ao ponto mais a oeste at� ent�o,
em pleno territ�rio Shawnee.
Quando Boone se prepara para desafiar a Coroa,
em Nova Inglaterra, uma nova rebeli�o est� na forja.
BOSTON 1773
Ap�s quase uma d�cada de crescente raiva contra os impostos brit�nicos,
os rebeldes de Boston decidem dar uma "festa do ch�".
A ideia de liberdade era importante para os colonos.
O que os preocupava era o facto de estarem num caminho perigoso
e de estarem a perder direitos e regalias,
devido a um governo tirano no outro lado do oceano.
10 DE MAR�O DE 1775
A tens�o entre a Coroa e os colonos era cada vez maior,
numa altura em que Boone partia
para uma miss�o que haveria de moldar o futuro da Am�rica.
Naquele tempo, a incurs�o de Daniel Boone por aquela zona in�spita
era o equivalente a chegar � Lua.
Abria uma nova Fronteira.
At� ent�o, ningu�m sabia at� onde se estendia aquela Fronteira.
Era uma oportunidade de os Americanos se mudarem para aquela regi�o,
fazerem fortuna e encontrarem oportunidades.
Para cumprirem o desejo de Henderson,
Boone e os seus homens tinham de abrir caminho nos Montes Apalaches,
a chamada Cumberland Gap.
Era preciso contornar montanhas,
atravessar rios
e florestas repletas de Shawnee e outras tribos.
Depois de uma extenuante viagem de 650 km,
Boone chega a uma regi�o inexplorada.
Se pudesse entrar numa m�quina do tempo,
iria ter com Boone, no dia em que chegou � Cumberland Gap
e desceu para os terrenos de ca�a do Kentucky.
Passara toda a vida a sonhar com aquela Terra Prometida.
O trilho atravessado por Boone ficou conhecido por Wilderness Road.
E, nas quatro d�cadas que se seguiram,
300 mil Pioneiros haveriam de o percorrer para chegarem ao Oeste.
Daniel Boone foi uma figura marcante, at� mesmo no seu tempo.
Eram pessoas que podiam fazer tudo, tinham de o fazer, ali�s.
Os Americanos tinham a caracter�stica de quererem sempre mais,
procurando incessantemente terra, fiando-se apenas em si mesmos.
Essa era a sua ideia de sonho americano.
LEXINGTON, MASSACHUSETTS 19 DE ABRIL DE 1775
Um sonho americano prestes a nascer do fogo.
Duas semanas ap�s a chegada de Boone,
rebentou a f�ria colonial...
... na pequena cidade de Lexington, Massachusetts.
Foi um disparo com repercuss�es em todo o mundo.
1775.
Um novo esp�rito de independ�ncia atravessa a Am�rica.
A 19 de Abril,
as batalhas de Lexington e Concord deflagram,
matando 49 colonos.
As primeiras baixas do que em breve seria visto como uma revolu��o.
Os rebeldes combatentes eram gente comum.
Agricultores, gente comum que queria liberdade.
Estavam dispostos a combater aquela grande superpot�ncia
e a morrer por aquela causa.
650 km a oeste, na Fronteira do Kentucky,
o mesmo esp�rito patri�tico inspira Daniel Boone.
Juntamente com os seus homens, constr�i infra-estruturas permanentes,
desafiando a Coroa brit�nica.
- Aperta-os bem, a� em cima, sim? - Sim, claro.
Muito bem. Bom trabalho, rapazes.
Enquanto Lexington e Concord est�o em guerra, a este,
Daniel Boone e o seu pequeno grupo de homens
constroem uma pequena aldeia permanente.
Estes acontecimentos aparentemente independentes
est�o, de certa forma, ligados.
Os Americanos come�avam a lutar pela independ�ncia.
Estava em curso a expans�o da futura na��o americana.
Boone sabe que est�o em territ�rio Shawnee
e, durante a Primavera de 1775,
apressa-se a construir postos defensivos.
Viver na Fronteira era extremamente perigoso.
O filho de Boone fora torturado e morto por �ndios, uns anos antes.
E sabiam que s� sobreviveriam numa aldeia fortificada.
Imaginem-se a chegar �s florestas do Kentucky,
com um machado e umas quantas serras.
Cada tronco tinha de ser cortado, serrado, aplainado e trabalhado.
Era um trabalho muito dif�cil.
Ap�s quatro semanas de trabalho intenso,
o forte � apelidado de "Boonesborough".
A aldeia era a maior alguma vez montada na Fronteira
e rapidamente se expandiu,
espoletando uma nova onda de Pioneiros
atra�dos para o Oeste pela promessa de terra.
A Am�rica � a terra dos sonhos.
Qualquer um, com um machado, uma arma e alguma coragem,
pode chegar e, se n�o morrer naquelas terras in�spitas,
reclamar terra para si.
Isso n�o existia na Europa.
L�, toda a terra j� tinha dono.
Pertencia aos nobres, aos lordes e aos ricos.
N�o havia oportunidades.
Mas na Am�rica havia.
Entre os rec�m-chegados a Boonesborough
estavam a mulher e os oito filhos de Boone,
incluindo Jemima, a filha de 14 anos.
Jemima Boone era a filha preferida de Daniel Boone.
Boone treinou pessoalmente Jemima,
ensinando-a a disparar e sobreviver na floresta.
Podemos considerar que Boone foi irrespons�vel
ao expor a fam�lia ao perigo de uma regi�o in�spita como o Kentucky.
Acho que viu nisso uma oportunidade
de concretizar o sonho americano.
Tinha a possibilidade de ficar com uma grande �rea de terra,
que, al�m de poder cultivar e instalar-se l�,
permitiria a futuras gera��es de descendentes seus faz�-lo tamb�m
e viver da terra.
Mas, em 1775, o n�mero de colonos no Kentucky triplicara.
E as aldeias ocupavam mais de 200 mil hectares de terra.
Essa invas�o alarmou tribos nativas,
incluindo os Shawnee.
Ao longo do s�culo, foram sendo empurrados para oeste.
Agora, viam cada aldeia nova como uma invas�o,
a que estavam decididos a p�r termo.
No Kentucky, os Shawnee j� eram influentes
antes da chegada dos Europeus.
Ali�s, era um dos povos mais influentes da regi�o.
Quando colonos estrangeiros come�aram a montar as suas cabanas,
os nativos perceberam que era uma situa��o permanente.
O territ�rio era Shawnee, por isso tinham de o defender.
Ent�o, decidiram declarar guerra.
� uma invas�o sem precedentes.
Um dos l�deres Shawnee mais influentes no Kentucky
� o chefe guerreiro Blackfish.
Em 1776
decidiu retaliar.
Blackfish era um l�der conhecido
do grupo Chillicothe, da tribo Shawnee.
Era um l�der muito respeitado e carism�tico.
Para Blackfish, aquela terra pertencia aos Shawnee.
Por isso, Blackfish acreditava, assim como muitos outros Shawnee,
que tinham de tomar uma posi��o firme,
para pararem de perder terra para os brancos.
Nas profundezas das terras in�spitas do Kentucky,
guerreiros Shawnee sequestram tr�s raparigas, perto de Boonesborough,
entre as quais estava a filha de 14 anos de Daniel Boone...
... Jemima.
Voc�s tr�s, comigo.
Preparem as armas e fiquem alerta.
Protejam a muralha.
Anda!
Com a expans�o dos Americanos para l� dos Apalaches,
era natural que houvesse um conflito
entre os ind�genas e...
... os homens da Fronteira que invadiram as suas terras.
O aviso � claro:
nenhum forasteiro que invada territ�rio Shawnee est� a salvo.
Mas Jemima Boone est� muito bem preparada para sobreviver.
A filha de Boone come�a a rasgar tecido
do avental e do vestido, para ir deixando rasto.
Ela sabia que estava a ser sequestrada e que ia ser levada
para uma aldeia ind�gena distante,
onde talvez fosse torturada e morta,
e teve a perspic�cia de ir deixando vest�gios da sua passagem.
Mantemos a dist�ncia at� anoitecer.
Vamos.
Espalhem-se.
Vamos!
Est�s bem?
A hist�ria do sequestro da Jemima tornou-se, como dir�amos, viral.
Quase tudo o que Daniel Boone fazia dava-lhe ainda melhor reputa��o.
Era daqueles homens � volta dos quais se acumulam hist�rias.
Vamos, vamos!
Dizia-se que s� um tolo sequestraria a filha de Daniel Boone.
A hist�ria de Jemima � mais uma
das muitas de jovens sequestradas por ind�genas naquele tempo.
Esse era o grande receio
que proliferava por todas as col�nias.
A ideia de protec��o veiculada pelo hero�smo de Daniel Boone
era a garantia de que as mulheres precisavam.
Elas eram uma parte essencial
para a cria��o de qualquer sociedade
e isso era crucial.
Semanas depois do regresso de Boone a Boonesborough,
as col�nias fizeram da rebeli�o...
... uma revolu��o.
"Quando, no curso dos eventos, se torna necess�rio
uma pessoa dissolver o poder pol�tico que uniu o povo..."
Em Julho 1776,
as col�nias declaram independ�ncia.
"... entre eles, a vida, a liberdade e a busca de felicidade."
E nascem os Estados Unidos da Am�rica.
� criada a nova na��o, com base nos ideais de liberdade e autoconfian�a,
valores que os homens da Fronteira personificavam.
No per�odo de um m�s, c�pias da Declara��o de Independ�ncia
chegam a postos avan�ados remotos como Boonesborough.
Quando Daniel Boone ouviu falar da Declara��o de Independ�ncia,
de certeza que percebeu que estava na linha da frente
do movimento independentista.
Boone sabia que "independ�ncia" era sin�nimo de liberdade
para fazer o que ele fazia,
atravessar o Oeste, garantir o sustento da fam�lia,
ter uma vida independente de um poder ditatorial.
Os colonos sabem que o pre�o pela independ�ncia � a guerra.
Os generais brit�nicos est�o certos de que esmagar�o a revolu��o.
O plano � simples: atacar as cidades a este por mar,
depois enviar tropas pelo Canad� para atacarem os fortes do Norte.
Em Novembro de 1776,
os Brit�nicos conquistam Nova Iorque.
Depois, v�o atr�s do Ex�rcito Continental na Pensilv�nia.
A situa��o estava complicada para a causa americana.
A Gr�-Bretanha entrou na guerra
convencida de que venceria facilmente os Americanos,
porque o ex�rcito dos EUA, na altura, era pequeno
e pouco eficiente.
E os Brit�nicos eram o imp�rio mais poderoso do mundo.
Tinham o ex�rcito mais poderoso,
estava bem treinado
e bem organizado.
Com o Ex�rcito Continental em fuga,
os Brit�nicos conceberam uma nova armadilha.
Abririam uma nova frente de guerra,
atacando povoa��es
como Boonesborough.
ACAMPAMENTO SHAWNEE FRONTEIRA OESTE
A sua estrat�gia dependia de uns aliados improv�veis.
Considere-as um presente.
Os Brit�nicos aliaram-se aos ind�genas, na Guerra Revolucion�ria,
porque lhes dava jeito t�-los para patrulharem o terreno,
fornecerem informa��es e como for�a de combate.
Os Shawnee queriam vingar-se de quem lhes tinham roubado terra,
por isso aliaram-se aos Brit�nicos.
Em 1777, a Gr�-Bretanha come�a a munir os Shawnee e outras tribos
para combaterem os colonos.
Em troca, prometiam devolver-lhes as terras.
Os ind�genas sabiam o que sucederia,
se os Americanos vencessem.
Seriam expulsos.
Por outro lado,
os Brit�nicos haviam prometido compens�-los com terras.
Agora, os Shawnee
e Daniel Boone
est�o numa rota de colis�o
que ajudar� a decidir o futuro da nova na��o.
No final de 1777,
os Shawnee eram aliados dos Brit�nicos.
Fazia parte da estrat�gia para abrir uma frente a oeste
na Guerra Revolucion�ria.
Os Brit�nicos, pela altura da revolu��o,
come�aram a munir as tribos �ndias para que atacassem as aldeias.
Prometeram-lhes que,
quando expulsassem os colonos do Kentucky,
poderiam recuperar as suas terras.
Depois, os Brit�nicos poderiam atacar as col�nias
a partir de oeste.
Fazia parte do plano para vencer a rebeli�o.
Em Boonesborough,
Daniel Boone nem sonha que o perigo est� � espreita.
E a aldeia tem outro problema:
estava a ficar sem sal.
O sal era muito importante para os colonos de Boonesborough.
A dieta consistia praticamente
s� de ca�a, de carne de animais ca�ados.
Como os �ndios atacavam os colonos com muita frequ�ncia,
estes permaneciam no forte tanto tempo quanto poss�vel.
Al�m disso, dedicavam-se pouco � agricultura,
por isso o sal era o �nico meio para conservar a carne.
Para obter sal, Boone e alguns dos seus homens
t�m de se afastar 80 km da seguran�a do forte,
at� um rio distante rico em dep�sitos minerais.
Hoje, n�o se d� muita import�ncia ao sal,
mas era muito dif�cil de obter, porque n�o iam � loja comprar.
Iam �quilo a que chamavam "saleiro",
que � simplesmente uma nascente cuja �gua � rica em sal.
Com energia, rapazes!
Tinham de ferver mais de 2500 litros de �gua
para extra�rem 22 kg de sal.
Por dia, Boone e os seus homens extraem mais de 200 kg de sal,
mas precisam de sete mil, antes do Inverno.
O trabalho obriga-os a exporem-se durante quase um m�s.
Boone e os seus homens s�o levados pelos Shawnee.
Os brit�nicos pagam 100 d�lares por cada colono capturado.
Os Shawnee e os colonos no Kentucky estavam em guerra.
Quando os Shawnee descobriram Boone e os seus homens a fazerem sal,
viram uma oportunidade.
Fizeram-nos prisioneiros de guerra.
Seriam bens preciosos.
Primeiro, tiveram de sobreviver a um brutal ritual ind�gena,
chamado Gauntlet.
Atravessar o Gauntlet era um teste � for�a e � coragem.
Al�m disso, o Gauntlet era uma forma de assustar o inimigo.
Na verdade, muitos n�o sobreviviam.
Aliados dos Brit�nicos,
os Shawnee capturaram Daniel Boone e os seus homens.
Para provar a sua valentia, Boone � obrigado a atravessar o Gauntlet.
Ao conseguir atravessar o Gauntlet, suportando os golpes infligidos,
Boone conquistou o respeito de Blackfish
e consegue convenc�-lo a n�o agredir os outros.
E isso acrescentou ainda mais encanto � lenda de Daniel Boone.
Boone e os seus homens podem estar vivos,
mas s�o prisioneiros de guerra
numa rebeli�o � beira do fracasso.
VALLEY FORGE INVERNO DE 1778
Em 1778,
exausto, o Ex�rcito Continental bate em retirada.
Mas n�o consegue escapar ao Inverno mais intenso do s�culo.
No Inverno de 1777 e 1778,
os Brit�nicos ocuparam Filad�lfia,
o Ex�rcito Continental de Washington
estava esfaimado e a morrer de frio em Valley Forge.
Foi um per�odo muito dif�cil para a causa revolucion�ria americana.
Em Fevereiro, 2500 soldados continentais morreram de exposi��o,
doen�a
e fome.
Mais do dobro de baixas de qualquer batalha.
Em Boonesborough,
Boone e os seus homens est�o desaparecidos h� meses.
A maioria dos colonos teme o pior,
inclusive a mulher de Boone, Rebecca.
Despede-te da tua irm�.
- Adeus. - Adeus.
Os habitantes de Boonesborough
assumiram que eles tinham morrido.
Tiveram de o fazer.
Mas Jemima ficou.
Rebecca levou o resto da fam�lia para a Carolina do Norte.
Acreditava
que o pai
havia de voltar.
E queria estar l� para o receber.
JUNHO DE 1778
A centenas de quil�metros de casa,
Boone resistira a meses em cativeiro.
O chefe Blackfish leva os homens de Boone para a base brit�nica,
no Fort Detroit.
� a base dos ataques provenientes de oeste,
parte do plano brit�nico para, em alian�a com os ind�genas,
esmagarem as col�nias de todos os lados.
Os Brit�nicos instalaram o quartel-general em Detroit.
Tornou-se o forte mais importante da regi�o
e era a partir de Detroit que mandavam as mil�cias
e os mantimentos para os �ndios atacarem.
Havia de ser um posto importante da guerra.
Os prisioneiros eram uma grande mais-valia para os Shawnee.
Podiam troc�-los com os Brit�nicos, como prova do seu apoio.
Infelizmente, alguns foram obrigados a alistar-se
no ex�rcito brit�nico.
O que vai acontecer �queles homens?
- Para onde os leva? - V�o ser interrogados.
Eles n�o s�o rebeldes.
S�o meros ca�adores e agricultores instalados no Kentucky.
Como se chama?
Daniel Boone.
- De Boonesborough? - Sim.
Julga que aquela terra � sua?
Boonesborough n�o declarou lealdade � Coroa.
Como tal, ordenaram-me que a tomasse � for�a.
Blackfish liderar� uma for�a para tomar o forte.
O senhor ir� com ele, para ajudar a negociar a rendi��o.
- Por favor, deixe-me... - � assim que vai ser.
Boonesborough � a aldeia mais importante da Fronteira.
Se ca�sse, a perda poderia ser catastr�fica
para a causa americana.
N�o imagino o que iria na cabe�a de Boone,
sabendo que os Shawnee iam atacar Boonesborough,
havendo uma enorme diferen�a de for�as.
A fam�lia de Boone est� l�, e em muito menor n�mero,
por isso, Boone decide arriscar tudo e tentar fugir.
Apanhem-no!
TERRIT�RIO DO KENTUCKY
A 160 KM DE BOONESBOROUGH
Daniel Boone est� em fuga,
escapando
aos seus sequestradores, os Shawnee.
Tem de avisar Boonesborough da imin�ncia do ataque.
Boone!
Apanhem-no! Apanhem-no!
Sozinho, a p�,
tem de percorrer 240 km
mais r�pido do que a tribo,
sen�o o forte cair�,
permitindo aos Brit�nicos e aos seus aliados
atacarem as col�nias a partir de oeste.
Por ser especialista em seguir rastos,
Boone sabe bem o que fazer para n�o ser seguido.
Ent�o, Boone pisava apenas rochas, para n�o deixar rasto.
Andava em ziguezagues e c�rculos,
e fazia tudo o que pudesse para confundir os perseguidores.
Quando Boone fugiu
aos Shawnee,
n�o estava preparado para uma viagem de 160 km.
Ficou com os p�s em bolhas e chagas.
Homens como Daniel Boone, que faziam tais viagens,
tinham de estar em excelente condi��o f�sica.
Isso prova como eram duros.
Conseguiu chegar ao destino em quatro dias.
Para tal, o seu corpo tinha de ter recursos incr�veis.
� uma hist�ria extraordin�ria.
Estamos a falar de quatro maratonas em quatro dias,
sem sapatos, no meio do mato, sem ser sequer por estradas.
S� vem acrescentar � lenda de Daniel Boone,
o super-her�i capaz de tudo.
Pela primeira vez em casa, ap�s meses de aus�ncia,
n�o h� tempo para descansar.
Os Shawnee v�m a�.
V�o buscar as nossas armas.
Mosquetes, muni��es e p�lvora.
Peguem no que puderem.
Tinham de produzir tudo o que lhes fazia falta.
Tudo o que consumiam, tudo o que bebiam,
toda a p�lvora de que precisavam, as balas de chumbos que moldavam.
Tinham de fazer tudo com os materiais que tinham dispon�veis.
Combinando restos de enxofre
com carv�o da fogueira
e excrementos de morcego,
os colonos fizeram p�lvora.
Foi um per�odo de desespero.
Tinham poucos homens, poucas muni��es e poucos mantimentos.
Ainda assim, a gente de Boonesborough
foi muito importante na defesa,
durante a Revolu��o Americana.
Blackfish e os seus 450 Shawnee
em compara��o com o povo de Boonesborough,
eram sete vezes mais.
Receando um massacre,
Boone fez um �ltimo esfor�o para obter refor�os
e mandou chamar a mil�cia local.
Estava estacionada a quase 500 km,
na Virg�nia.
N�o se sabia se chegaria a tempo...
... ou se viria, sequer.
Nas profundezas do Kentucky,
Boone prepara-se para um ataque.
450 guerreiros Shawnee marcham para Boonesborough,
com ordens brit�nicas para capturarem o forte.
Se cair,
ser� um golpe potencialmente fatal para a causa colonial.
Para percebermos o que estava em causa em Boonesborough,
temos de compreender o contexto da Revolu��o.
Os Brit�nicos encorajavam os �ndios a atacarem povoa��es do Kentucky.
Boonesborough era a maior,
por isso achavam que, se pudessem tomar esse forte,
provavelmente conseguiriam conquistar o Kentucky
e correr com os colonos.
Depois, poderiam atacar as col�nias a partir de oeste.
Boone pediu ajuda � mil�cia da Virg�nia,
na expectativa de que o ajudasse.
Mas ela estava a 500 km de dist�ncia,
por isso n�o sabe se vir�.
Chegaram!
Meu Deus...
Uma for�a de centenas de �ndios chegou.
Querem destruir Boonesborough.
Daniel Boone!
Mas Boone n�o quer combater.
Tem no��o de que os Shawnee os massacrariam,
por isso tenta negociar com eles.
Vou sair!
Fa�a a coisa certa pelo seu povo.
Renda-se e nada lhes acontecer�.
T�m at� ao p�r-do-sol.
Preciso de mais tempo, para conversar com eles.
Tem at� ao p�r-do-sol.
Agora!
Aos vossos postos! Abram fogo!
Apesar de serem em muito menor n�mero do que os �ndios,
os homens da Fronteira que viviam em Boonesborough
tinham boas fortifica��es e estava muito bem armados.
Al�m disso, tinham de ca�ar para viver,
pelo que eram atiradores excepcionais.
Vamos conseguir.
Boone e uma for�a de apenas 60 colonos
vencem a primeira vaga.
Os Shawnee sofreram muitas baixas,
mas Blackfish n�o desiste.
J� muitas vezes se contou a hist�ria da Fronteira.
Na maior parte dos casos, os colonos
s�o retratados como her�is.
Mas os Amer�ndios tamb�m s�o Americanos.
O povo Shawnee defendia o que considerava ser a sua terra.
A batalha de Boonesborough estava s� a come�ar.
Na primeira grande batalha
na frente oeste da Guerra Revolucion�ria,
Boonesborough estava sob cerco.
Depois de sofrer fortes baixas,
Blackfish, o l�der Shawnee, muda de estrat�gia...
5.� DIA
... lan�ando v�rios ataques-surpresa
� aldeia.
Calma...
Tem calma...
Os ind�genas atacavam e fugiam.
Essa t�ctica era devastadoramente eficaz,
porque os homens da Fronteira
nunca sabiam quando ou onde iam ser atacados.
Isto, tal como em qualquer combate, � um teste � determina��o.
Estavam vulner�veis e expostos.
As balas voavam...
�s vezes, o fumo das armas era t�o espesso que n�o se via nada.
Isto passou-se dia ap�s dia.
Com o forte cercado,
os colonos estavam encurralados.
Havia dejectos humanos,
cad�veres de animais e carne putrefacta por todo o lado.
As roupas estavam todas em farrapos...
Aquele forte parecia uma latrina.
A �nica coisa pior do que estar ali
era sair e ser torturado e morto.
Boone recusa render-se.
Os colonos mant�m-se firmes.
8.� DIA
Os ataques prolongaram-se por nove dias consecutivos,
mas Blackfish n�o conseguia tomar o forte.
Blackfish estava numa situa��o muito dif�cil.
Sabia que,
se Boone n�o se rendesse,
dificilmente tomaria o forte.
Num forte bem constru�do, com troncos grandes,
e com homens com espingardas,
ele jamais conseguiria.
10.� DIA
Blackfish e os Shawnee decidiram que, se n�o os conseguiam vencer,
se n�o conseguiam captur�-los,
arranjariam forma de destruir o forte.
Fogo!
17 DE SETEMBRO DE 1778 11.� DIA DO CERCO
Boonesborough era agora um campo de batalha
da Guerra Revolucion�ria.
Munidos pelos Brit�nicos, os Shawnee montam um ataque feroz.
Mas, ap�s 10 dias de ataques incessantes,
o forte mant�m-se de p�.
Fogo!
Saiam todos!
O cerco de Boonesborough estava a aterrorizar quem estava no forte.
O ru�do dos tiros era muito alto,
as mulheres gritavam, as crian�as choravam.
Sabiam que a mil�cia da Virg�nia estava a caminho,
mas n�o chegaria a tempo.
Os habitantes de Boonesborough
assumiram, ent�o, que o forte cairia.
At� que naquele momento,
caiu uma chuvada,
que apagou as chamas.
Se n�o tivesse chovido, Boonesborough teria ca�do.
O ataque dos Shawnee falha.
Quando um batedor trouxe a informa��o
de que a mil�cia da Virg�nia estava a chegar,
Blackfish n�o teve op��o. Tinha de retirar.
Sabia que a mil�cia tinha mais homens,
mais armas, mais p�lvora, mais mantimentos.
Psicologicamente, isso foi dissuasor
para Blackfish e os seus homens.
Na manh� seguinte,
j� n�o estavam.
Ap�s 11 dias de combates brutais permanentes,
a Batalha de Boonesborough chegava ao fim,
com uma muito necess�ria vit�ria colonial.
A vit�ria em Boonesborough foi vital
para as col�nias, naquela altura.
Era uma �poca de desespero.
1778 foi um ano mau para os Americanos.
Portanto, esta pequena batalha l� longe no Kentucky,
foi importante.
Os Brit�nicos n�o contavam com o que enfrentaram em Boonesborough
e na Fronteira americana.
Ao apoiarem os ataques ind�genas contra os colonos a oeste,
s� intensificaram o �dio contra si a este.
Esse era o maior receio dos colonos ingleses.
Provocarem isso foi um grande erro que os Brit�nicos cometeram.
Dias depois da retirada dos Shawnee,
a mil�cia da Virg�nia chega.
Traz uma nova miss�o:
intensificar a guerra na Fronteira,
retaliando contra a Gr�-Bretanha e os seus aliados.
O primeiro alvo � Chillicothe, terra de Blackfish.
� a oportunidade de se vingar.
Boone opunha-se a ataques exterminadores.
Os ataques a norte do Ohio visavam destruir a terra �ndia.
Incendiar aldeias,
milharais,
atacar mulheres e crian�as,
matar indiscriminadamente.
Boone n�o era assim.
N�o sei onde � a aldeia deles.
� incr�vel, mas Boone n�o fica a odiar os �ndios.
N�o se deixa tomar pelo �dio nem pelo desejo de vingan�a.
Ainda tem a capacidade de procurar a paz com o inimigo.
� admir�vel,
porque a maioria, ao viver uma situa��o assim,
ficaria, para sempre, marcada pelo �dio.
Mas eu sei.
� aqui,
a norte do rio Ohio.
A recusa de Boone de combater em Chillicothe
leva a que se desentenda com os outros colonos.
No Outono de 1778,
Daniel e Jemima Boone deixam a aldeia que ele fundara.
Vai juntar-se �s for�as americanas que combatem os Brit�nicos a oeste.
E, embora ele nunca mais volte a Boonesborough,
a aldeia haveria de sobreviver
e o Kentucky tornar-se-ia o 15.� estado dos EUA.
Boone � uma figura encantadora do imagin�rio americano.
Todos gostamos de imaginar
que, naquelas circunst�ncias,
tamb�m seriamos t�o corajosos, astutos e capazes...
... de sobreviver e fazer o que ele fez.
Al�m disso, ao longo da vida, foi sempre boa pessoa.
Boone ainda hoje � considerado um homem bondoso e justo,
que queria o melhor para as pessoas.
E tinha o individualismo robusto
que personifica o homem da Fronteira americano.
J� sem Boone, em Maio de 1779, a mil�cia da Virg�nia
marcha em direc��o aos aliados dos Brit�nicos, os Shawnee.
CHILLICOTHE, TERRIT�RIO �NDIO 29 DE MAIO DE 1779
Em Chillicothe
viviam tr�s mil Shawnee,
quando a mil�cia da Virg�nia avan�a para retaliar.
Para os Shawnee, a perda do seu adorado l�der,
Blackfish,
foi um rude golpe.
Blackfish impunha-se devido � sua estatura
e � reputa��o enquanto chefe guerreiro.
A morte de Blackfish foi a morte de mais um...
... her�i.
Para os sobreviventes,
emergir� um novo her�i Shawnee:
o filho adoptivo de Blackfish,
Tecumseh, de 11 anos,
que n�o tardar� a liderar o seu povo
na guerra para recuperar a Fronteira.
Um ano depois da morte do chefe Blackfish,
o Ex�rcito Continental come�a a inverter o sentido da guerra.
O sucesso dos colonos que defendiam Boonesborough
foi apenas um incidente numa longa lista de lutas e batalhas.
Os Franceses acabaram por se aliar aos Americanos, neste conflito.
Em muitos sentidos, esse foi o ponto de viragem da revolu��o.
Em Setembro de 1783,
a Gr�-Bretanha assina o Tratado de Paris,
reconhecendo formalmente
a soberania dos Estados Unidos da Am�rica
e pondo termo � guerra.
Talvez n�o se saiba, mas o Tratado de Paris foi assinado
pelos rec�m-criados EUA, pelo Imp�rio Brit�nico
e pelo Imp�rio Franc�s.
A Fran�a forneceu tropas e navios e patrocinou a Revolu��o Americana.
Os Brit�nicos perceberam que a Fran�a
era realmente o seu maior inimigo a longo prazo.
Assim, a Gr�-Bretanha entregou praticamente todas as terras
a oeste dos Apalaches at� ao rio Mississippi
para se tornar num aliado dos novos Estados Unidos.
O novo pa�s quase duplicou a �rea,
ganhando mais de 650 000 km2 de terra,
da Florida ao Canad�,
do Atl�ntico ao Mississippi.
A grande surpresa do Tratado de Paris
foi os Brit�nicos terem cedido o Oeste para l� dos Apalaches.
Foi um pr�mio incr�vel para a nova na��o.
Livres do dom�nio brit�nico,
os colonos americanos apressaram-se a reclamar a sua parte
da Fronteira.
Na d�cada que se seguiu,
milhares de colonos viajaram para oeste
pelos trilhos criados por homens como Daniel Boone.
Mas n�o tardar�o a aprender uma dura li��o.
TERRIT�RIO DO OHIO 1792
Embora os Brit�nicos se tenham rendido,
os ind�genas do Oeste nunca o fizeram.
Os nativos americanos alegam que a terra � sua
e Tecumseh, agora adulto,
est� prestes a reacender a luta pela Fronteira.
No pr�ximo epis�dio...
Com a expans�o da nova na��o para oeste,
a Fronteira torna-se um campo de batalha sangrento.
Tecumseh percebe que, para sobreviverem,
os nativos ter�o de se unir.
Rodeado por inimigos,
Thomas Jefferson tomou uma decis�o arrojada,
que p�s em risco a sua Presid�ncia.
A Compra da Luisiana foi o melhor neg�cio imobili�rio de sempre.
Lan�ou uma das expedi��es mais intr�pidas da hist�ria da Am�rica.
Para se ter uma ideia de qu�o misterioso era o Oeste,
para a expedi��o de Lewis e Clark,
era t�o estranho para eles
como seria para n�s aterrarmos em Marte.
Depois,
com o aparecimento de uma nova gera��o de homens da Fronteira,
Andrew Jackson vislumbra um imp�rio.
Fogo!
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