All language subtitles for Eerie (2018)

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Original subtitles

Estou em Sta. Lucia há mais tempo do que me lembro.

Ouvi tantas histórias sobre este sítio.

Ouvi tantas histórias

que se tornou difícil separar

os mitos da verdade.

Mas só sei de uma história que é verdade.

Sempre, à meia-noite,

ao fundo do corredor do 3.o andar,

ao lado das escadas,

há uma casa de banho.

Já ninguém se atreve a ir lá.

Porque se entrarmos...

CASA DE BANHO

... lá...

... quando chegamos ao último cubículo,

foi onde ela se enforcou.

Ela chama-se

Erika.

Confias em mim?

Sabes o que isto é?

Quando contar até três,

quero que batas aqui com a mão, sim?

Um,

dois,

três!

Mandei apagar as luzes há horas.

Devem contemplar os pecados em silêncio.

A confissão começará amanhã, às seis em ponto.

Não se atrasem.

Deitem-se!

Fechem os olhos!

Se não conseguirem dormir, rezem.

Preparem-se para confessarem os pecados, amanhã.

Entendem?

Sim, Madre Alice.

Jo.

Jo. Anda comigo, tenho de fazer xixi.

Mich?

Anda comigo, tenho de fazer xixi.

Então.

Mais.

Pronto.

Menina?

Sorria para a câmara.

Muito bem, meninas.

Juntem-se.

Sim?

Prontas?

Pat, veja isto.

Que desperdício.

Porque não estava a sorrir?

Está tudo bem.

Talvez estivesse a pensar em algo.

Depois do que aconteceu à Anna.

É verdade? A Madre Alice encontrou-a?

Foi o que a Irmã Luz e a Costanza me contaram.

Não percebo porque não me deixa falar com a rapariga.

A Madre Alice trata disso.

Mas...

Pat, está a pensar demasiado.

Joyce.

O QUE DIZ AQUI FICA AQUI

Apanharam-te de novo no telhado?

Entrega-o.

Já está vazio.

Para que é isto?

Para ficar acordada.

Não é melhor se descansares?

Tens dormido?

Eu devia ter ido com a Anna.

Se tivesse ido, ainda podia estar em Sta. Lucia.

Joyce,

o que aconteceu à Anna não é culpa tua.

O que acha que aconteceu?

Ela viu alguma coisa?

Ninguém fala disso, ninguém nos diz nada.

Só a Anna pode dizer o que aconteceu.

Não sabia que se podia ir embora assim.

Quem me dera ter ido há muito.

Porquê?

É o mesmo, todos os dias.

Por isso fico no telhado, para pensar com clareza.

É como se fosse tudo inútil, como se nada importasse.

Joyce,

andas novamente a magoar-te?

A Madre Alice vai matar-me.

- Joyce? - Estou atrasada.

Podes sempre vir aqui, se precisares de falar com alguém.

Isto é para si, menina Pat.

Porque estás outra vez triste aqui?

Não sou eu.

ACADEMIA STA. LUCIA PARA RAPARIGAS

OS QUE ACREDITAM SEM VER SÃO ABENÇOADOS

O Tribunal Supremo pôs Ramon Pascual no corredor da morte.

Pascual foi apanhado em flagrante

a decapitar a cabeça da sua mãe.

Pascual está entre o crescente número de criminosos condenados à pena de morte,

desde que foi imposta, em 1993.

Sr. Fidel.

- Boa noite, menina Consolacion. - Boa noite.

A trabalhar até tarde?

Como sempre.

Sabe que não tenho ninguém à espera.

Talvez devesse começar a procurar

alguém para esperar por si em casa.

Para não ter de estar sempre a trabalhar.

Sim. Adeus.

Igualmente.

Boa noite, Eri.

Como tens estado?

Li o último livro na biblioteca.

Li tudo.

Vamos sair daqui, menina Pat.

Para onde iremos?

Qualquer sítio.

Quem me dera poder sair daqui.

Porque não podes?

É o que acontece a pessoas...

... como tu?

Talvez.

Quer que eu vá consigo?

Eri,

o que aconteceu à Anna?

Ela viu-te?

Não foi de propósito.

Peço desculpa.

Todas têm medo de mim.

Porque não tem também?

Devia ter medo?

O meu pai

também não tinha medo.

Às vezes, ainda o vejo.

Ali, no canto,

a olhar para mim.

Para nós.

Onde?

CASA DE BANHO

Eri?

Eri.

Para onde vamos?

Porque não podes ir?

É o que acontece a pessoas...

Foi a sexta sessão com a Eri, mas ela ainda não me contou a história.

Ela precisa de alguém com quem falar,

mas não me diz o que lhe aconteceu de verdade.

Porque se matou?

Se soubesse a resposta, conheceria melhor as minhas alunas.

Podia mantê-las em segurança.

Forçámo-la a ficar até tarde, à noite, para a castigar.

Depois do que aconteceu à Anna, não o devíamos ter feito.

Todas conhecemos o Sr. Fidel.

Ele passou a vida a servir em Sta. Lucia.

Acreditam mesmo que podia fazer algo assim?

O que achas que aconteceu, criança?

Não sei.

Falarei com as crianças.

Talvez saibam de algo.

O que fazemos, Madre Alice?

As aulas de hoje foram suspensas.

Hoje rezamos e fazemos o luto.

Amanhã,

as aulas em Sta. Lucia continuarão.

Madre Alice, não é demasiado cedo?

- Muitos pais ligaram... - Não controlamos,

se quiserem partir.

Ainda há quem escolha ficar.

É tudo o que importa.

Irmãs,

menina Pat.

Não é a primeira vez que perdemos uma criança nesta escola.

Já aconteceu antes.

Alguns de nós lembram-se, estávamos lá.

Mas aguentámo-nos,

mantivemos a nossa fé.

Deus tem respostas para isto tudo.

Mas, por agora,

devíamos procurar orientação na oração.

Sta. Lucia manterá o seu lugar

como a melhor escola católica deste país.

- Não vacilaremos, Madre Alice. - Desculpe, padre.

Mas como pode dizer isso numa altura destas?

Menina. Consolacion,

posso falar consigo?

Só um momento.

Entrega-o.

Terás problemas novamente.

Os fósforos também.

A sessão ainda não terminou, está bem?

Entre.

Sou o Julian.

Fui destacado para investigar o caso.

Como o posso ajudar?

Conhece o Fidel, certo?

Ele trabalhava cá, mesmo antes de eu ser contratada.

O que me fez pensar...

Se é capaz de fazer isto, porquê só agora?

Tenho pensado no mesmo.

É verdade que o vão levar para Muntinlupa?

É.

Corredor da morte?

Ainda não posso dizer.

Também tem um destes?

Talvez houvesse mais gente

na cena do crime, na noite do homicídio da Clara.

Vou perguntar, as minhas alunas podem saber de algo.

Elas confiam em mim.

Ótimo.

Use isso. Quando tiver informação

útil para a investigação,

ligue-me.

Aqui tem o meu número.

Obrigada.

A maioria das conversa que tenho com as alunas é confidencial.

O segredo delas é o meu segredo.

Ligo-lhe quando surgir algo.

Menina Consolacion, estou cá para ajudar.

Ainda não diremos isto ao chefe.

O chefe já está convencido de que foi o Fidel.

Obrigada.

Obrigado pelo seu tempo.

Clara?

O que acha?

Qual a idade destas borboletas?

As borboletas só vivem alguns meses.

Não me parecem estar mortas.

Parece que ainda podiam estar a voar.

Não se mexem

porque estão aprisionadas.

Eu sei

que quer falar com ela.

Sabes onde ela está agora?

Porque lhe diria?

Sabes que podes falar sempre comigo,

certo?

Menina Pat, tem uma voz simpática.

Ao contrário da minha mãe.

Já se passaram décadas.

Continuo sem esquecer a voz da minha mãe.

Ecoa à minha volta,

ainda a soar nos meus ouvidos.

Era como as freiras da escola gritavam comigo.

Rodeia-nos, sufoca-nos,

até ficarmos completamente impotentes.

Até nos submetermos.

Ainda ouço as freiras a gritar.

Mesmo agora que estou

morta.

Vem aí alguém.

Quem, Eri?

Haverá regras novas aqui, em Sta. Lucia.

As alunas não poderão andar por aí, a menos que em pares.

As alunas terão uma parceira

para todas as idas ao corredor ou à casa de banho

e durante o recreio.

Todas devem assinar presença em todas as aulas.

E, mais importante,

todas as professoras e alunas devem sair da escola até às 18 horas.

Quem não cumprir será suspenso,

ou pior, expulso.

Quero deixar claro que posso

e farei tudo em meu poder para proteger a santidade desta academia.

Corpo de Cristo.

Ainda se lembra

de quando eu tive oportunidade de defender a Ces,

quando era atacada pela Mary?

- Mas não fiz nada. - Não te culpes, Clara.

Se me vires a precisar de ajuda, virás salvar-me?

Mas é uma adulta, sabe cuidar de si.

Às vezes, até os adultos precisam de ser salvos.

Está bem, menina Pat.

Quando precisar de ajuda, prometo que estarei lá para si.

E eu prometo que também estarei lá para ti.

Madre Alice?

- Estou, Julian? Sou eu, a Pat. - Estou?

Posso falar com o Fidel?

Pat, o caso de Fidel é de alto nível.

Nem todos podem falar com ele.

Só o quero ouvir.

Então e a Pat? Como tem estado?

O suspeito do estrangulamento...

Ainda não tenho nada.

É como se quisessem esquecer tudo,

só para salvar a imagem da escola.

... no homicídio da aluna.

Clara Nemenzo...

Desculpe, Julian.

... cujo corpo foi descoberto às 6h00, por uma freira, em Sta. Lucia...

Pat? Estou?

Ligo-lhe já.

Faremos tudo em nosso poder

para garantir que o maldito recebe pena de morte.

Espero que o presidente ouça isto. Espero que ele nos ajude.

Merecemos justiça, mesmo que signifique a morte daquele filho da puta.

Fidel Cariaso, o zelador da Academia de Sta. Lucia,

está a ser acusado de homicídio.

Clara?

Clara?

Assustei-te?

Não...

Não olhe para mim.

Clara?

Clara.

Não te preocupes.

Não foi de propósito.

Clara, quem te matou?

Vem aí alguém.

Menina Consolacion!

Madre Alice,

o que faz aqui?

Não devia ser eu a perguntar-lhe isso?

Agora há uma regra nova.

Ninguém devia estar aqui depois das 18 horas.

E a madre?

Só me certifico de que ninguém anda por aqui.

O Fidel já não está cá e é preciso cuidar da escola.

O que aconteceu à Clara na noite em que a castigou?

O que tenta dizer, Patricia?

Alguém morreu naquela noite e ambas sabemos que o Fidel não a matou.

Se vai criar problemas

enquanto os outros estão de luto,

não se incomode a vir cá.

Não é agora que mais precisa de mim?

Quando as crianças não sabem o que fazer?

Se ouvirem, saberão o que fazer.

Só quero saber o que aconteceu.

Dar-lhe-ei uma última oportunidade.

Pense no que está a fazer.

Se a vir novamente por aqui a esta hora,

serei forçada a suspendê-la, Patricia.

Compreende?

Este não é o seu objetivo aqui.

Aconselho-a a rezar, Patricia.

Para a sua consciência ser esclarecida.

Joyce?

Joyce!

Joyce.

Ajudem-nos!

Menina Pat?

Em que pensa?

Talvez

no meu irmão.

Tem um irmão?

Irmão mais velho.

Porque nunca falou nele?

Ele já não está cá.

Morreu há muito tempo.

O que lhe aconteceu?

Os nossos pais não estavam, naquela noite.

Eu e o meu irmão estávamos sozinhos em casa.

E, depois...

Fui ao quarto dele.

Depois...

Ainda me lembro do cheiro do seu quarto.

Abri a porta...

Os sinais tinham estado sempre lá,

mas ninguém tinha ouvido.

Joyce.

Não pude salvar o meu irmão, a Anna

nem a Clara.

Mas tu...

Promete-me que lutarás contra isto.

Como está ela?

Ela consegue falar, mais ainda está...

Ainda precisa de descansar.

Porque veio cá?

Já encerraram o caso.

Pat, o Fidel matou a Clara.

Não podemos fazer nada por ele.

Pat.

Pat, espere.

Meninas, parem.

Meninas, parem.

Meninas!

Para restaurar a tua virtude, tens de ser purificada.

Para de chorar.

Para de chorar!

Sê forte.

Pecaste em nome de Deus. Tens de ser purificada!

Para de chorar!

O azul da ferida limpa a maldade!

Não!

OS SEUS FILHOS ELE NUNCA ESQUECE

DIRETORA

Sta. Lucia está cá há décadas.

Somos assim desde então.

Nada mudou.

Estou cá há muito tempo

e nem uma vez

alguém questionou os meus métodos.

Não é certo tratá-las assim.

"Não suprimais a correção da criança

pois se lhe baterdes com a vara, ela não morrerá."

As crianças estão a morrer e só fala de disciplina.

Está suspensa, até aviso em contrário.

Se fizesse o seu trabalho,

a Joyce não se teria tentado suicidar.

- Pat, a Madre Alice é humana... - Ela culpa-me pela tentativa da Joyce.

Não devia dizer isto, mas

ela já passou por isto.

O que aconteceu à aluna dela foi ainda pior.

O que aconteceu?

Foi há muito tempo. Só ouvi rumores.

Disseram que a criança se enforcou,

algures dentro de Sta. Lucia.

Como se chamava?

Não me lembro.

Foi há muitos anos, muito antes de eu vir para Sta. Lucia.

Preciso da sua ajuda.

- Porquê? - Tenho de aceder aos ficheiros da madre.

Tenho de saber como se chama a criança que se enforcou.

Sinto que está relacionado com o que aconteceu à Clara.

Não posso, Pat.

Mesmo que quisesse ajudar, posso ser suspensa.

Eu mesma o faço.

Pat!

Já estou suspensa.

Que mais me podem fazer?

Espere.

De volta ao escritório tão cedo?

São quase horas do almoço.

- As freiras estão todas lá em baixo. - Está tudo bem, padre.

- Tenho de tratar de umas coisas. - Isso pode esperar.

Coma connosco, venha.

Conhece a Erika Sayco?

O que aconteceu à Erika?

À Clara?

Eu era conselheira.

Nessa altura, só freiras podiam trabalhar em Sta. Lucia.

Como se ajuda alguém que não quer ser ajudado?

A Erika Sayco era assim.

A forma de Deus era a única forma que eu conhecia para a ajudar.

Mas Deus não era suficiente para ela.

Então, desistiu?

Agora começo a perceber

que Deus não tem todas as respostas.

Desculpe.

Então, porque continua a interferir?

Porque não as posso ajudar como sei ajudar?

Diga à Erika para me perdoar.

Diga-lhe para pedir perdão a Deus pelo que fez.

"Pelo que fez?"

O Fidel não era o único que estava lá na noite em que a Clara morreu.

Há um motivo para os espíritos permanecerem nesta terra.

Mas nunca me atrevi a descobrir o porquê.

Isto é o que eles nos ensinaram.

Tentei tanto esconder esta verdade

de Sta. Lucia, da Clara

e de si, Patricia.

Há coisas demasiado malvadas para nós alguma vez percebermos.

Algumas almas estão tão repletas de ódio

que só desejam magoar os vivos.

Nesse momento, não sei o que fazer, não posso fazer nada!

Não sou como você.

Não desistirei dela.

Pat!

Pat!

- Pat! - Desculpe incomodar.

- Não faz mal. - Entre.

Encontrei o que pediu.

Tem de ver isto.

- O que encontrou? - Com a Erika, nada.

Ela enforcou-se na casa de banho de Sta. Lucia.

Foi a única prova que descobri.

Foi visto como suicídio, mas vi os ficheiros do pai dela,

Ernesto Sayco.

O pai da Eri?

Dois anos após a morte da Eri, ele matou a esposa.

Dentro do carro, à porta de Sta. Lucia, estrangulou-a.

- Foi o que ela me disse. - Quem?

Uma aluna minha, falou-me deste rumor.

O Ernesto foi parar à cadeira elétrica.

Disseram que enlouqueceu após a morte da filha.

Mas não havia um motivo claro.

Consegui a confissão dele.

Ouça.

Sim, matei a minha mulher.

Porque a matou?

Não sei. Não tinha controlo sobre mim mesmo.

Discutimos muitas vezes, mas não assim.

Eu estava cheio de raiva.

Uma raiva que nunca tinha sentido.

Tem o seu gravador, certo?

Esta é a confissão do Fidel.

- Deus me ajude, não foi com intenção. - Eu não, não podia fazer isto.

- Ajude-me, não sou um assassino. - A culpa não é minha, não pude controlar.

- Agarrei no pescoço dela... - Agarrei no pescoço dela...

- ... estrangulei-a até à morte. - ... estrangulei-a até à morte.

- Não sei porque o fiz. - Não me pude controlar.

- Não controlei. - Não sei porquê.

- Por favor, não me prenda. - Não sei o que me deu.

Tenho família!

Tenho de ir.

Espere, aonde vai?

- Tenho de ir a Sta. Lucia. - Espere, eu vou consigo.

Porque o faria? Porque é que ele mataria de repente?

Se o fez mesmo, porquê? Qual o motivo?

- O que ganha em matá-la? - Espere.

Pat, não compreendo o que diz.

Há aqui algo de errado.

- O quê? - Tudo!

- Eu trato disto. - Espere, aonde vai?

- Pat! - Obrigada!

Eri?

Eri?

Porque choras?

Dói-me.

Dói muito.

Vamos fazer assim.

Eu vou entrar.

Não me verás.

Eu não te verei.

Mas falaremos.

Menina Pat, porque volta sempre?

Quero descobrir o motivo das pessoas que te fizeram isto.

Se descobrir, saberia como falar com alguém como tu.

Alguém como eu?

Pessoas a quem fizeram mal.

Ficará comigo?

Sim, ficarei contigo.

Sempre?

Sempre.

Seguir-me-á

até ao Inferno?

- O quê? - Verá o seu irmão lá?

Não é um pecado suicidar-se?

Foi o que nos ensinaram antes.

Até a Madre Alice o disse.

Pessoas como eu

nunca deviam ter nascido.

Eri, isso não é verdade.

Foi o que todos me disseram.

Não tenho amigos.

Ninguém queria ser minha amiga.

Nem ela.

Especialmente ela.

Ninguém me compreendia.

Não me ouviam.

Mesmo em casa,

a minha mãe cortou o meu cabelo muito curto,

tão feio.

Riram-se de mim.

Todas elas.

Eu queria morrer.

Dizem que Deus tem sempre razão.

Ninguém mais, só Ele.

Todos se devem submeter a Ele.

A sua felicidade deve vir primeiro, mesmo se sofrermos.

Tentei partir, mas não deixaram.

Todos devemos sofrer pelo nosso mais amado Deus.

Mas reparei que era a única que sofria.

Então, naquele dia, prometi a mim mesma

que não estaria só no meu sofrimento.

Por Deus, devemos juntar-nos.

Os meus pais vieram a Sta. Lucia recolher as coisas que eu tinha deixado.

Aí, descobri que podia fazer coisas

que não podia fazer quando estava viva.

A minha mãe foi fácil de matar.

Ela era fraca.

Mas o meu pai

era ainda mais fraco.

O que fizeste?

Ainda não sabe?

Usei o Fidel para matar a Clara,

para eu poder ter uma amiga.

Mas quando ela chegou cá, não quis ser minha amiga.

Ela é como as raparigas de antes.

Eri, o que te fizeram foi errado.

Mas isto...

Matar pessoas?

Elas mataram-me. Todos os dias.

Agora que sabe,

ainda quer estar comigo?

Como?

Estava bem sozinha. Estava contente.

Mas, um dia, a Pat apareceu.

Foi minha amiga.

Disse-me para sair e fazer amigas.

Mas sabe o que eu descobri?

Nunca ninguém me compreenderá.

Não pessoas como a Pat!

Não posso viver de novo,

mas pessoas como você podem ser como eu.

Mortas.

Primeiro, a Clara,

e agora a Pat!

Não vai fugir como ela, certo?

Ele vem aí.

Menina Pat? Porque foge?

Não era isto que queria?

Agora saberemos o que todos dizem e pensam.

Não terá de perguntar mais.

Eri, não faças isto, vamos falar. Deixa o Julian ir embora.

Ele vem aí.

Socorro!

Socorro!

Eri!

Depois daquela noite, nunca mais as vi.

Nem a Eri nem a Clara.

Não sei para onde foram.

Agora Sta. Lucia está sossegada,

demasiado sossegada.

Já não sei o que dizer

ao Julian,

à Polícia,

à Madre Alice.

Não tenho com quem falar.

Ninguém vai acreditar em mim.

Se o Fidel matou mesmo a Clara,

não posso fazer nada por ele,

nem pela Eri.

UNIVERSIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO

Joyce?

Joyce?

Joyce!

Joyce!

Joyce!

Menina Pa...

Menina Pat,

se me consegue ouvir,

se me consegue ouvir mesmo, por favor, ajude-me.

Joyce!

Estou aqui, Joyce.

Estarei sempre aqui.

Legendas: Ana Braga

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