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Original subtitles

FLORESTA AMAZÔNICA, BRASIL

- Ei! - Para!

Começamos num close na lua cheia.

Leitosa. Quase amarela.

E a grua desce...

revelando uma rua residencial tranquila.

Flutuamos por uma série de cercas brancas...

até parar num ralo de esgoto.

Pou! A tampa abre!

Algo grande e escamoso sai deslizando...

rápido, faminto, definitivamente não humano...

e entra uma trilha pulsante.

Estamos no dorso da criatura...

e ela rasteja, ameaçadora, rumo a uma casinha azul.

Peraí. Desculpa.

Você tá falando do nosso vídeo de casamento?

Sim, mas não penso neles como "vídeos". São mais como curtas.

Porque acho que não era bem isso que a gente tinha em mente.

Tá, eu sei. É meio diferente do normal, mas--

A gente adorou aquele que você fez pra Karen e o Bart.

Quando eles passam pelo rio...

- pulam e dão high-five. - Aquele pulo foi irado.

E amei a música que eles usaram.

Não quero esperar nossas vidas acabarem

quero saber agora como é sentir

- Pessoal, olha. - Você conhece. É.

Gosto muito de vocês. E disseram que são fãs de terror...

e eu sou tão louco por terror...

que achei que podia ser algo especial, entendem?

Esse é um filme que vão assistir pro resto da vida.

Mas não é um filme, Doug.

É um vídeo de casamento, e queremos um em que vão dar um pulinho.

- É. - Pode fazer isso pra gente ou não?

Prontinho.

Tudo bem se eu me aquecer?

Claro. Já vi coisa bem mais doida.

Beleza.

Soa melhor se eu disser:

"A visão dele tá turva, o que pode indicar..."

ou "a visão dele tá turva, o que pode indicar..."

Ou posso... Posso até meter um sotaque. Tipo...

Melhor você fazer como fez no teste, querido.

- É. - É.

Faz tempo que não consigo um papel, só quero que dê certo.

- É. - Eu só...

Tá difícil trabalhar.

Desculpa.

Doutor nº 3, estamos prontos pra você.

Vai lá e arrasa.

Valeu. Obrigado, Donna.

Aí, se um dia precisar de qualquer coisa da Lowe’s...

te passo meu desconto de funcionário...

sem nem pensar.

- Tá? - Tá.

Obrigado. Mais 10 ml de tramadol.

Alguma ideia do que temos aqui?

Ele disse que tá com a visão turva...

- então, né, pode indicar-- - Neurite óptica.

Já descartamos isso.

- Corta. - E cortou!

Amigo, não entendi que sotaque é esse.

Faz normal, tá?

Vamos de novo.

Prepara.

Ele disse que tá com a visão turva, o que pode indicar--

Corta! Fala mais rápido, tá? Mais rápido agora.

Ele disse que tá com a visão turva, o que pode indicar--

Corta! Caramba. Vamos demitir esse cara.

Dá pra colocar outro?

QUANDO NÃO CONSEGUE RESPIRAR VOCÊ NÃO CONSEGUE GRITAR

ANACONDA ELA VAI TIRAR SEU FÔLEGO

Griff, é o Doug. Topei com a sua mãe no mercado.

Ela disse que você pegou um trabalho grande hoje.

Que orgulho de você, mano.

Todo mundo em Buffalo sente sua falta.

Te amo. Vem nos visitar, cara!

Poxa, Jerry.

Doug, que porra é essa desse monstro do esgoto?

Ai, cara.

Doug.

Olha, sei que isso não é o que você sonhou quando era moleque.

Mas sonhos passam, né?

Vou me aposentar em breve.

E é só uma questão de tempo até tudo isso ser seu.

- Sério? - É.

Olha em volta. Veja tudo isso.

E imagine.

Se fizer direito, temos um esquema bem bacana aqui.

Falamos de uma vida nota 8, talvez até um 8,5.

Tem certeza que não quer fazer nada no seu aniversário?

Você me fazia comemorar até seu meio-aniversário.

Bora tomar uma cerveja.

Qualquer coisa.

Podíamos ver o documentário novo de escalada.

Da mulher que cai e morre?

É.

Tá, então, o da mergulhadora nas Maldivas.

A que se afoga? Caramba, Doug.

Sei lá. Vamos só tomar umas balinhas e dormir cedo.

Surpresa!

Ah, meu Deus, Malie! Não!

Sim! Você ama uma festança de aniversário!

Pai, tinha que ver a sua cara.

- Você sabia disso? - Foi ideia minha.

Guarda meu casaco, filho, valeu.

Oi! Como você tá?

- Feliz aniversário! - Ai, Kenny. Minhas costas!

- Foi mal. - Não! Isso não é...

É. A loção e o cesto do filme.

"Coloca a loção no cesto?"

- eBay, mano. - Cara, isso é sinistro.

É. Não. É sinistro mesmo.

- Feliz aniversário, Dougie. - Valeu por vir, Claire.

Sabe que amo Buffalo nessa época. A neve suja, a hipotermia.

E aí? Sem o Trent?

Sem o Trent.

Pra sempre, aliás.

Ele tá pegando a higienista dental dele.

Mas esquece isso. Hoje, a noite é sua, querido.

- A noite é minha. - A noite é sua.

Você veio! Tá aqui. Meu Deus.

Faz tanto tempo.

Bom te ver. Faz um tempão.

Feliz aniversário.

Valeu por vir até aqui.

E perder isso? Nunca.

Temos muito papo pra pôr em dia.

Muitos anos atrás, um grupo de jovens artistas apaixonados teve uma visão.

Uma visão que não era muito original nem boa...

mas era deles.

E eles tornaram essa visão realidade.

Então, sem mais enrolação...

apresento a vocês uma cópia totalmente não restaurada...

da obra-prima de Doug McCallister aos 13 anos: O Quatch.

O quê? Achei que tínhamos perdido todas as cópias!

- Não acredito. - Não.

Achei na garagem da minha mãe. Presa no videocassete.

Certeza que as crianças podem ver isso?

Quem liga?

A sra. Brown fez a gente bipar os palavrões pra passar na escola.

É, e não fazia sentido...

porque avisamos que era pra maiores de 18.

- Feliz aniversário, cara. - Isso não tá acontecendo.

Tá, sim. Vai começar.

- Nossa. - Aqui, senta.

Vou te matar.

Eu não mudei nadinha.

P**** m****!

- Olha essa grama! - Lá vai ele!

- Cuidado com o quatch. - Bora.

Antes de me dar p****, responde só uma coisa, ****.

Você morde, seu m****?

Ou só late, ****?

Cara, a gente via Scorsese demais.

Nunca captamos bem o sentido, né?

- Preciso te falar uma coisa. - O quê?

Que eu te amo. Sempre amei.

E sempre vou amar, ****.

Também te amo pra ****.

Agora me beija, mulher.

Muito carisma. Desde moleque.

Nem acredito que deixei o Doug me convencer a fazer isso.

Tá brincando? Foi ideia sua.

É!

- Tá vindo pegar a gente! - Estamos encurralados.

O que a gente vai fazer?

- Não! - Sim.

Meu Deus, a gente vai morrer!

Agora a coisa fica séria.

Não comigo aqui, parceiro.

- É! - É!

Maravilhoso!

Muito bom!

Melhor presente de aniversário que já ganhei.

- Nem sabia que isso existia. - Agora é seu.

E a TV também, porque a fita tá presa.

- Aê! - É!

- Foi logo depois... - Do último ano da faculdade.

É, quando Anaconda estreou. Lembra? Vimos umas 30 vezes.

Tá lá junto dos clássicos.

Total. E aquele elenco? Fala sério.

- J.Lo, Ice Cube, Owen Wilson, Stoltz. - Absurdo!

Uma seleção matadora.

E aquela cobra era, tipo, uma metáfora da nossa vida na época.

Tipo, como a vida te persegue...

te caçando e te forçando...

a sair...

do plano de saúde dos seus pais e tal.

- Sei lá... - Não. É verdade.

- É, é... - É isso mesmo.

- É, Kenny. - Esquece.

E aquele sotaque do Jon Voight? Hein? Que escolha.

"Elas se enrolam em você até você ter o privilégio..."

- "de ouvir seus ossos quebrarem..." - "Ossos quebrarem..."

"... antes da pressão fazer suas veias explodirem."

Foi mal.

Tenho os direitos de Anaconda.

O quê?

Tenho os direitos de Anaconda.

É.

Parece que o filme foi baseado num romance de um japonês já morto.

E meu agente me apresentou à viúva dele.

Acredita que ela era tão fã dos 4 episódios que fiz em S.W.A.T...

- Quem não é? - ... que me deu os direitos?

Cara. E o que você vai fazer com isso?

Bom, eu não.

Nós.

Vamos refazer o filme, estilo independente.

3 semanas, câmera na mão, na Amazônia, equipe mínima.

Claire, você e eu estrelamos. Kenny filma. Doug dirige.

Hein? Bora. O que acham?

Cara, é uma ideia incrível na teoria, mas...

Tô dentro! Posso tirar folga no trabalho.

Isso aí, Kenny! Maravilha!

Kenny, que papo é esse? Tá dentro? Não tá. Ele não tá dentro.

Ele fala uma coisa, e você já topa. Já vai pra Amazônia.

- Ele não tá dentro. - E você, Claire?

- Eu só... - Ora.

Não sei se tô com cabeça pra isso...

- Claro que tá. - ... com o divórcio.

Claro que não tá com cabeça pra isso.

Essa é a melhor hora. Tá brincando?

Pensa: é, tipo, Comer, Rezar, Amar e... tal.

Vamos lá.

Quer saber? Tô dentro.

- Quê? Sério? - Aê! Maravilha.

É, minha vida tá uma merda mesmo, então...

Cara, que bom ouvir isso.

Não que sua vida tá uma merda, mas que você topa.

Além disso, quando o Doug disser sim...

vamos precisar que você financie a parada toda.

- O quê? - Valeu.

Doug?

Griff, sinto muito.

Tenho responsabilidades. A Malie, o Charlie, meu trabalho.

Eu sei. Fazendo vídeos de casamentos.

Filmes. É.

É uma vida boa, sabe?

Uma vida nota 8... 8,5.

Vida nota 8... 8,5?

É uma vida boa.

Lembra quando a gente era criança...

e ficava até 4h da manhã...

no porão da tua mãe vendo filmes de terror?

Se cagando de medo.

O Massacre da Serra Elétrica em loop.

Agora temos a chance de fazer nosso filme.

Cara, era o nosso sonho desde moleques.

Eu sei.

Mas a gente não é mais criança, Griff.

Sinto muito.

Tá. Tá certo.

Eu só...

Eu entendo. Mesmo.

Entendo.

Ainda assistindo a O Quatch.

Charlie, que tal ir olhar os biscoitos?

Tá, mas vou pausar, então...

não toca nisso.

Quero leite gelado com isso.

Pode deixar.

- O que você tá fazendo? - Quê?

Vai fazer o filme.

Malie.

Vai. Sempre que assiste a isso, seus olhos brilham.

Faz tempo que não vejo esse brilho.

E daí? Devo correr atrás de um sonho de Hollywood de garoto?

Torrar dinheiro e tempo pra quê?

No final, o que vai mudar?

Tá bom.

Tá bom.

Tá bom.

Esperamos você pra celebrar...

a gente virar...

os Hanson.

Que merda.

OS HANSON

... como será?

Não quero esperar nossas vidas acabarem

O que é que eu tô cantando?

Oi, cara.

Eu não quero esperar, cara.

Nossas vidas podem, tipo... acabar.

Do que você tá falando?

Do Anaconda. Você falava sério, né?

Muito sério.

Então, vambora.

Vamos refazer Anaconda.

Isso! É!

A ANACONDA ROTEIRO DE DOUG MCCALLISTER

EXT. RIO AMAZONAS - DIA

Tá, de grana, de cabo a rabo, quanto vai custar fazer isso?

Umas 3 semanas de filmagem. efeitos visuais e especiais...

um barco fluvial, um capitão, passagens de ida e volta pra selva...

e uma cobra gigante de verdade, de preferência, de aluguel.

- Aluguel, entendi. - No total...

$ 2 a $ 2,5 milhões de dólares.

Parece certo.

Aprovamos um empréstimo de até...

$ 9.400.

Aê!

Revisei o orçamento pra...

$ 43.000, com tudo.

Parece melhor.

O filme precisa ser assustador, né?

Aterrorizante. Mas não pode ser só uma cobra gigante matando gente.

- Exato. - Né?

Tem que ter uma mensagem, né?

É.

Tipo...

- Temas. - Temas.

Qual é.

- Tipo, luto. - Que tal vingança?

Em termos de temas, esse é, tipo, o nº 1.

- Caraca, tenho um bom. - Manda.

Trauma intergeracional.

Adoro trauma intergeracional.

Quem não ama trauma intergeracional?

- É o melhor. - É por aí.

Isso é uma obra-prima.

Você é o maior gênio. Amei.

- Não muda nada. - Nem uma palavra.

Arrasou. É assustador, emocionante, engraçado quando precisa.

- Romântico. - Valeu, cara.

Ei, Doug...

sei que a gente teve aquele atrito, mas...

eu preciso filmar isso.

Atrito?

É. Ele me demitiu do trampo de vídeos de casamento...

porque fiquei meio chapadão.

Ele derrubou o bolo do casamento.

- Mas tô lidando com isso. - Tipo, ficando sóbrio?

É.

Quer dizer, sóbrio em Buffalo.

Sóbrio em Buffalo?

Só cerveja e vinho.

E uns destilados leves. Mas não todos.

Tô orgulhoso de você.

Doug?

Sendo sincero, fui meio conivente contigo.

Claro que você merece uma 2ª chance. Vamos nessa.

- Boa! - Valeu, cara.

O carro chegou.

E pegou a mefloquina, né? Tome só uma vez por semana.

Pai, quase esqueci.

- Fala. - Mas tenho isso pra você.

O quê?

Eu sei. Irado.

"O Maior Doug do Mundo."

- Devia dizer "Pai". - E daí, é engraçado.

Amei. Tá muito melhor.

- E começou. - É!

- É! - Aí, conseguimos.

- Chegamos! - É disso que eu tô falando!

"Brasília!"

Então, eu li sobre anacondas no avião.

Basicamente, elas esperam dias na água...

espreitando a presa, sem se mexer, só esperando...

aí quando a presa aparece...

dão o bote e pegam.

Meia tonelada de pressão. Acha que vai escapar? Não vai.

Esmagando você. O ar saindo dos seus pulmões.

Nossa, é horrível.

- Como no filme Anaconda. - É, exatamente.

Então, é real?

É, tudo real.

Muito real.

Tem a história sobre uma mulher...

Deus a abençoe.

A cobra se enrola nela tão forte...

que os olhos dela só...

- Não. - Mentira.

É. Era minha avó, Sylvana.

Putz.

Avó horrível. Mas mesmo assim, triste.

Desculpa, quem é você?

Ah, desculpa. Carlos Santiago. Podem me chamar de Santiago.

- Ei! Sou o Kenny. - Oi.

- O Kenny do telefone. Oi. - Kenny, oi.

- Oi. - É o cuidador da cobra.

- Obrigada. - Parece ser o melhor.

"Parece"? Tem um comediante aqui.

Não. Eu sou o melhor. É.

- Que bom. - É.

Então, bem-vindos ao Brasil.

Vamos conhecer a cobra.

Quando o encontrei, ele estava morrendo de fome.

Seu alimento foi destruído pelo garimpo de ouro que lançou mercúrio no rio.

- Garimpo de ouro? - O garimpo contamina nossa terra.

A ganância deles quase matou minha cobra.

Mas eu alimentei ele, cuidei até voltar à vida...

e, de certa forma, ele fez o mesmo por mim.

É. Uma história tão antiga quanto o tempo.

Salvo por uma cobra.

Qual é o seu nome?

Qual é... Griff.

Olha, Griff. Ele não é só uma cobra.

É meu pequeno gigante, meu amigo.

Uma das criaturas mais importantes do mundo da herpetologia.

Não, claro... eu... Sim.

Eu não... Não quis... Tá.

Eu apresento a vocês...

Heitor.

- Heitor? - Meu Deus.

Oi, fofinho.

- Ah, não, “fofo” nada. - Ai, meu...

Caraca! Que bicho irado!

Há rumores de condas ainda maiores.

4 ou 5 vezes esse tamanho.

Diga, Kenny do telefone.

É verdade que elas regurgitam a presa?

Às vezes.

Quer dizer, se você tiver sorte...

morre na hora, por asfixia.

Mas só os azarados sobrevivem.

Azarados?

É, porque aí você pode tá consciente...

quando a cobra voltar pra terminar o serviço.

Saquei. Melhor morrer.

A BENEDITA

- Olha esse barco! - É pura ostentação, baby.

Ei. Tenho uma pergunta.

Nosso cara da cobra...

Achou ele meio pirado das ideias?

Bom, o melhor amigo dele é uma cobra.

Claro que é meio doido.

Mas gostei dele.

- Jura? - É.

Mas, né...

usei todos os meus dias de férias...

pra vir fazer um filme independente de cobra com vocês 3, então...

- Você é sem noção. - Sou sem noção.

- Sempre foi. - Exato.

Alguém falou com o capitão? Tá na hora de filmar.

Eu contato ele de novo, chefe.

Oi, gente. Eu sou a Ana.

Acho que falaram com meu pai no telefone?

O Bruno? Ele é seu pai?

É. Pediu desculpas, mas tá no hospital.

- Sinto muito. - Infelizmente...

precisam arrumar outro transporte...

porque tenho que subir o rio com esse barco pra uma manutenção.

Mas devolvo seu dinheiro.

Não, peraí. Peraí.

Todos os outros já estão reservados.

E a gente vai rodar um filme.

É um remake de Anaconda.

Tecnicamente, é mais uma releitura, mas--

É mais uma continuação da essência.

Que bom pra vocês.

- Tem outro jeito, né? - Servimos de tripulação.

Não posso fazer nada...

Sonhamos em fazer esse filme juntos a vida inteira.

Por favor, eu te imploro.

- Por favor. - Ajuda a gente a achar outro jeito.

- Então, vamos, mas rápido. - Fechou.

- É! Vamos! - Valeu!

A BENEDITA

É!

É tão lindo.

Maravilhoso. É incrível.

Tá igualzinho...

Olha!

- Kenny? - Fala, irmão?

- Como achou esse barco? - Drinque, alguém?

Legal!

Pelo computador.

É!

Mais uma coisa, galera, antes de a gente ir dormir.

Amanhã vai ser um dia puxado.

Se vocês lembram, a gente tinha uma tradição em todos os nossos filmes.

Na noite antes de começar a filmar...

a gente fazia uma oração pros deuses do cinema...

pedindo, basicamente, pra eles não ferrarem com a gente...

e, pela 1ª vez na vida, quem sabe eles nos ouvem.

- Vai. Pros deuses do cinema. - É.

Beleza. Rodando.

Anaconda, cena 15, tomada 1. Claquete.

Bella!

- O que você ainda tá fazendo aqui? - Vim te levar pra casa.

Chega de ir atrás dessa cobra mítica.

E se eu não for dada a desistir?

Não te vi filmando aí.

Pra que é? Um promo?

Bastidores, pro bônus do DVD.

A Anaconda é a história de uma bióloga destemida, vivida pela Claire...

que contrata um caçador de cobras maluco, interpretado pelo Griff...

pra capturar e matar uma conda gigante e lendária...

que devorou toda a família dela.

Vem me pegar, cobra desgraçada!

E num nível mais profundo, é sobre ir atrás dos seus sonhos.

Câmera pronta, flexões valendo e... ação!

Como é filmar com o Doug de novo?

Eu e ele somos melhores amigos.

Trabalhamos juntos a vida toda.

E eu fui pra Los Angeles, ele ia também.

Íamos ser sócios, mas ele acabou não indo.

O Griff e eu planejamos trabalhar juntos em L.A., mas aí, bom, a vida acontece.

Mas não importa, porque agora estamos juntos...

de volta, fazendo isso, como é pra ser.

Eu sou os insetos.

A anaconda se move devagar e constante.

Às vezes, vai rápido.

Ponto de vista da cobra, reverso. Tomada 1.

Não. Não tá funcionando.

Ponto de vista da cobra, do jeito certo. Tomada 2.

Às vezes, ele vem do alto, das árvores...

às vezes, de baixo, da água.

O palito de dente abriu novas facetas desse personagem pra mim.

Tem algo aqui.

Por que eu ficaria nervosa fazendo uma história de amor com o Griff?

Vocês já namoraram.

Isso faz muito tempo.

Um pouquinho de caos...

faz parte dos ingredientes.

Podem se olhar.

Pode ser a última vez que vocês se olham.

Você deveria ser mais legal com o cara...

que tá aqui pra salvar a sua vida.

Você é um babaca.

É.

E tenho PhD.

E corta.

Muito bom, gente. Fechamos.

Fazemos mais uma? Quer tentar de novo?

Não. Deu pra mim, se deu pra vocês.

Vamos fazer mais uma.

- A química de vocês 2 é... - É?

Tipo, igual na época do colégio.

Quando você olhou pra ela...

É porque tá no seu roteiro.

Fazer aquela pausa antes?

É, é, essa é a cena.

Vou te falar...

nunca me senti assim em S.W.A.T.

Quer dizer, só fiz alguns episódios...

mas nunca foi colaborativo. Nem divertido.

Não...

Não como isso. Isso...

- Isso é-- - Como voltar a Quatch?

É.

É.

Vocês têm chupa-cabra?

Isso tá muito bom.

Aí, só uma coisinha do roteiro.

Pensei que, na parte do meio...

em vez de fazer o vilão mudar de ideia...

e se...

a personagem da Claire...

desse uma cabeçada nele?

Peraí. Cabeçada?

Cabeçada.

Ou... Ou...

nós 2 damos.

Cabeçada dupla.

- Sério. É revolucionário. - Cabeçada dupla.

É super-revolucionário.

Por que é super-revolucionário?

Bom, isso nunca foi feito antes.

Caramba. É uma cena linda, de altos riscos, Doug.

Fala aí alguma coisa.

Não, eu te entendo. Mesmo.

E, como sempre, confio no seu instinto.

Mas dar uma cabeçada dupla é bem revolucionário.

Pois é! É bem revolucionário.

- Não dá pra negar. - Não!

Aceita, Claire. O problema é que você não sabe dar cabeçada?

Como é que eu não saberia?

A gente não nasce sabendo. Aprende no caminho.

Eu te mostro. Contrai o abdômen, inspira, segura o ar.

É?

E você pode vocalizar.

Tem outro tipo de cabeçada, mais solta, com tudo...

Ele usou bem os braços. Isso é bom.

Manda essa porra pro gol.

Ou põe um tempero brasileiro nisso aí, sabe?

E aí, você...!

Adorei.

É isso aí.

- Tempero brasileiro. - É!

Se eu fosse dar a cabeçada, mirava no osso do nariz.

- Isso. - Pra quebrar.

- Caramba! - É isso aí.

- É! Boa. - E aí você, "Toma!"

É diferente...

Caraca!

Desculpa, mas como é que isso aconteceu, hein?

Kenny, você tinha dito que o cara era profissional.

Foi o que ele disse, mas não mostrou certificado nenhum.

Você consertou a caixa, né? Já cuidou disso?

Minha responsa. Meu trabalho. Sob controle. Tudo certo.

O meu Heitor é uma criatura linda, inteligente e sexy.

Ele faz exatamente o que eu mando.

E eu nunca deixaria nada acontecer...

contigo, nem com o doido, com elas também, nem com esse "ator" aqui.

- Mas que... - Então, tenham uma boa noite.

Que os sons da floresta embalem seus sonhos.

Caramba...

Cara, ele é um poeta.

Atores, nas suas marcas.

Santiago, o Heitor tá pronto?

Tá. O Heitor tá sempre pronto.

O Heitor tá pronto, e ação!

Corta, por favor.

- Corta? Tá, corta. - É, eu só-- Foi mal. Preciso de um...

Kenny, posso...?

Santiago, pausa de 5 min. Heitor, 5.

Oi. Cara, esse bicho é tão...

É gigante visto tão de perto assim.

Criatura majestosa.

Mas eu só fiquei pensando...

Eu me jogo na frente da cobra pra proteger a personagem da Claire...

- né? - Correto.

Tem alguma chance de não fazermos isso?

O quê? Não!

- Não, não, ele se sacrifica por ela. - É, claro.

- Fecha o arco dele. É superimportante. - É, é.

- E, cara, é superseguro. - É.

- O Santiago tá com o Heitor sob controle. - Tá.

- Não tem com o que se preocupar. - É, é, é.

- Tá tudo bem. Tudo bem. - Falou.

- Tá. - Vamos lá.

Beleza, do começo.

De volta pra um.

Santiago, Heitor? Ação!

Vai!

Não vou embora! Não sem você, Derek.

Essa coisa me pegou. O mundo depende de você.

Eu dependo de você.

Caramba! Eu te amo, Derek van Hoyle!

Só que-- Não consigo--

- Aproxima a cara da cobra. - Não tô gostando disso.

- Não quero mais fazer. - Só um pouco mais perto.

Chega mais perto. Ele é manso.

- Acho que já deu, cara! - Não. Ainda não!

- Doug, já tem a cena! - Segura! Só mais um pouco.

Isso tá show. Só mais um segundo.

1cm mais perto da sua cara.

Mete a cara aí!

Você é um herói! Não!

Não!

Ai, merda.

Sei que acham isso estranho.

Um marmanjo chorando por uma cobra morta.

Meu Deus.

Mas eu amava ele...

e ele me amava também, do jeito dele.

Deus. Não!

Por que o Kenny tá chorando?

Ei. Não quero você aqui. Não pra isso!

Ele tentou me matar.

- Griff? - Quê?

- O homem tá de luto. - Você matou meu amigo.

Sai da minha frente.

- Quê? Pra onde eu vou? - Griff! Sai! Se manda!

Tá bom!

Vá em paz, meu amigo

que as cobras divinas te recebam

meu caro amigo

- cobra, cobrinha - cobra, cobrinha, é

cobra, cobrinha

que as cobras divinas

te recebam, te recebam...

Timo?

Timo!

- Não. Você não. Não-- - Eu sei, desculpa... Eu não--

- Não quero te atrapalhar. - Me deixa em paz.

Sinto muito pela sua perda.

Sei que não acredita, mas é verdade. Sinto mesmo.

Um amigo meu também já morreu uma vez, e dói.

Era uma cobra?

Era uma cobra?

Não.

Era só um... ser humano.

É triste igual, né?

Total. E só queria dizer que sinto muito.

Cerveja?

Tenho meus remédios aqui, mas tá. Vamos misturar.

Fiz comerciais, TV. Fiz uns episódios de S.W.A.T.

- S.W.A.T.? - É.

Gosto muito.

Juro, tive até a última fala-- Valeu.

A última-- Obrigado.

- Última fala da 3ª temporada. - E o que aconteceu?

Os produtores decidiram que não precisavam do personagem...

então, me cortaram.

A série só durou mais umas 8 ou 9 temporadas.

eles não te merecem.

É, você é um astro.

- Obrigado. - Você já fez cinema?

- Tô num institucional... - Sabe de qual filme eu gosto?

- Qual? - Lendas da Vida.

- Você deveria fazer um filme assim. - Quem me dera.

É.

- Eu gosto de você. - Também gosto de você.

- Quer saber? - O quê?

Vou arrumar outra cobra pro seu filme agora.

- Sério? - Sim.

Meu Deus, muito obrigado.

É. Você vem comigo, claro.

O quê?

Era pra gente tá aqui? Talvez fosse melhor voltar.

Que foi isso? Que foi isso?

Escuta.

Tem cobra por aqui.

Tô sentindo.

Sentindo como?

Sei lá. É uma vibe meio “cobrenta”.

O quê? Meio “cobrenta”?

Elas ouvem a vibração no chão.

Cada passo que a gente dá...

atrai elas pra mais perto.

E quando a selva fica silenciosa...

você sabe que elas estão por perto.

É.

É melhor a gente voltar pro barco, hein?

É uma boa ideia voltar pro barco. Vamos voltar pro barco.

Santiago.

Santiago.

Santiago!

Não.

Cadê você?

Oi. Viu o Santiago? Acho que ele não voltou.

- Voltou? De onde? - Fomos pegar uma cobra nova. Nós--

Foram atrás de uma cobra no meio da noite?

Precisamos de uma pro filme. Estava escuro. A gente se separou.

Foi doido lá.

- Griff, Griff, Griff. - Que foi?

Você saiu no meio da noite atrás de uma cobra enorme na selva?

Sabe o nome disso?

Produção.

- Sério? - Garanto que ele vai voltar...

com uma cobra gigante, e a gente vai fazer esse filme.

Tem razão. Santiago é profissional. Ele vai ficar bem.

Se ele não voltar logo, vamos atrás dele.

Muito obrigado, Santiago.

Gente, já faz mais de 1 hora. Tenho que ir atrás dele.

Você não vai sozinho.

A gente vai contigo. É mais seguro assim.

Já sentaram nessa parada?

É, tipo, uma tigela de sopa quente só que... na forma de poltrona.

É, cara. Poltronas.

Elas te abraçam, cara.

Elas, literalmente, têm braços, né?

Quando nossos pais morrerem...

a gente vai ter as poltronas, saca?

Que porra você tá falando?

Vamos atrás do Santiago.

E arrumar uma cobra pro nosso filme de cobra.

É! Santiago! Bora!

Ei, pra que lado a gente tá indo?

Pra aquele lado ali.

Peraí. Kenny, você tá doidão agora?

Tô, mas tranquilo. O pior já passou.

Caramba, Kenny.

A gente tá muito perdido.

Peraí. Galera, por aqui.

Parece uma van das antigas.

O que foi isso?

Vai que o Santiago tá dormindo aí dentro.

Olá.

Parece totalmente abandonada. Tem alguém em casa?

Talvez tenha comida e água.

É. A gente podia ficar aqui.

Ao menos, esta noite.

Cara, deve ter lanchinhos aqui.

Meu Deus.

- Nossa. - Santiago!

Meu Deus.

Caraca!

Era aqui que ele estava!

Meu Deus. O que tem lá fora?

- A gente tem que ir agora! - Tá. Vai, vai.

- Vamos meter o pé. - Vamos, vamos!

- Não podemos deixar esmagar a van. - Esmagar a van?

- Não tá funcionando! - O quê?

- Não tá-- - Droga!

- Parece uma van de acampamento! - Nossa!

Tem bateria auxiliar.

O relé deve ter soltado. Fica sob o capô.

Kenny, consegue arrumar?

Normalmente, sim, mas tô tendo--

Ainda tô com a visão alterada por causa do...

Fez isso comigo de novo.

Fez no vídeo do casamento e agora tá chapado de novo.

Desculpa mesmo, chefe.

"Sóbrio em Buffalo”. Tá sóbrio em Buffalo.

Tem mais aí?

Griff, por favor, consegue consertar?

Acho que eu fico melhor como motorista.

Como assim? Sempre dirigi melhor que você.

Não, só dirigia com mais cuidado.

Eu passei no teste de direção de 1ª.

Você foi só na 3ª.

Culpa da placa de preferência.

Eu não sabia-- Agora sei o que é.

Meu Deus, a gente vai morrer.

Foi mal.

Eu vou resolver.

- Doug! - Vai, vai, vai!

Deixa eu subir. Peraí! Para! Para!

Griff, aonde você vai? Não me deixa aqui.

Eita, porra!

Vocês viram, né?

O que era aquilo? Elas não ficam daquele tamanho.

Meu Deus, parecia um dinossauro.

Podemos pedir ajuda pra aqueles caras.

- A gente tem que parar. - Não para esse carro.

Ana, o que tá acontecendo?

São garimpeiros ilegais que patrulham a selva por aqui.

Esses caras são perigosos.

Matam qualquer um que entre no território deles.

- Merda. Estão tentando matar a gente. - Porra!

Por que estão atirando na gente?

Griff, dá pra ir mais rápido?

Ana, o que tá fazendo?

- Kenny, tá filmando isso? - Tô!

Continua filmando!

Griff, mais rápido.

Só tem mais um.

- Cadê ela? - Ai, meu Deus.

Cadê ela?

Quem? De quem você tá falando?

Sei que tem mais alguém aqui.

Então, onde ela tá?

Vamos, vamos logo.

Temos que ir. Rápido.

Olha, posso tirar vocês daqui.

Só temos que continuar indo pro norte.

Tem um aeroporto pequeno a 1 dia e meio daqui.

Pode nos levar pra casa?

- Sim. - Leva a gente pra casa.

Vamos ter que cancelar tudo.

Cara, já temos tanta coisa boa e estamos quase lá.

Jura? A gente vai voltar pra casa?

Amigo, eu sei.

Também não quero voltar de mãos vazias.

Mas a gente veio aqui pra fazer Anaconda...

e ela tá atrás da gente.

É.

Sinto muito.

4 EXT. RIO AMAZONAS - MANHÃ

DEREK PEGA A ARMA.

ANA PEGA A ARMA.

Galera, reunião de emergência.

Elenco e equipe, só. Kenny, senta aí.

- O que é isso? - Páginas novas.

Temos um tempo até o próximo porto...

e tive uma ideia ontem à noite que é boa demais pra não filmar.

Doug, tá todo mundo exausto, cara.

Só me escuta. Eu te imploro, vai, Kenny.

- Falou, foi mal, chefe. - Valeu.

E se vocês 2, indo atrás da anaconda...

topassem com a maior fodona numa missão épica?

Interessante.

Deixa eu adivinhar: pra expor garimpeiros ilegais?

Bingo.

- Isso aumenta os riscos. - Exato.

E enquanto eles caçam essa cobra mítica...

acabam enfrentando o verdadeiro vilão.

Uma cobra maior ainda.

- O homem. - Isso aí. É.

O homem.

Gostei disso.

Isso é bom.

E acrescentando esse elemento, o filme fica muito maior.

Agora ele tem um propósito.

Temas.

Temas.

É.

Tá. Sabem de uma coisa, galera?

Eu não queria falar antes, mas...

isso pode ganhar uns prêmios.

Digo, a Academia adora terror social.

- Né? - É.

Cara, você pode ser o Jordan Peele branco.

Pensei a mesma coisa.

A gente passou por tanta coisa.

Vamos terminar esse filme.

Tô dentro.

- Vamos nessa. - É.

Quem você vai chamar pra fazer esse novo personagem incrível?

E corta! Isso!

- Ficou bom? - É isso aí!

- Legal. - É.

- Tem certeza que nunca atuou antes? - Juro.

Uma das melhores atuações que já vi.

- Tem um dom natural. Incrível. - Valeu.

5 minutos. A próxima cena é a 72.

- Gente, estão vendo o que eu tô dizendo? - Sim.

- Ela é incrível, né? - É.

Ei, uma pergunta:

se ela salva a gente, meu personagem não tem muito o que fazer.

É.

Essa era pra ser a hora em que ela começa a se apaixonar pelo Derek...

então, ele tem que fazer algo heroico, sabe? Altruísta.

Sei lá, gente, parece que esse é o momento dela...

ela fez isso na vida real.

Mas a boa notícia é que vou filmar hoje só com ela...

então, vocês têm o dia de folga.

Até mais.

Tirar o dia de folga.

Esse é o nosso filme, Griff, e ele tá cortando a gente.

É. Bem-vinda ao showbiz, gata.

Você só tá dentro, depois de ser passado pra trás pelos amigos.

É.

Você já acordou pensando "que merda eu fiz com a minha vida"?

Ah, já. Tipo, todo dia.

Ao menos teve coragem de ir atrás do que queria.

- Não. - Acha que eu queria cursar Direito?

Mas o que tenho pra mostrar por isso?

Sabe o que eu tenho?

Um apê horrível que divido com um cara de 74 anos.

Às vezes, vou ao Trader Joe’s só pelo ar-condicionado.

Você ao menos tem uma carreira.

E o que eu tenho pra mostrar?

Não tenho família. Nem carreira.

Nunca fiz nada que importa.

Não tenho nada.

Nunca é tarde demais.

Griff, sei que você tá aí.

Vamos fazer esse filme.

Hola, amigo.

Poxa. Se veste, vai. Temos um dia cheio.

Como assim, cara? Tô vestido. Tô até bem vestido.

Tá. Pode tomar um banho frio?

Vamos filmar, tipo, já.

Aqui uma ideia: sabe como deveria chamar o filme?

Ana-conda. Sacou?

Ana-conda, por causa da Ana.

Dá pra botar o figurino?

Quer saber? Você nem estaria aqui se não fosse por mim.

Sem mim, continuaria lá em Buffalo...

filmando as merdas dos seus vídeos de casamento.

Filmes.

É, continua se enganando.

Cara, quer saber? Pus minha mão no fogo por você.

Até os donos dos direitos disseram: "Quem é esse cara?"

E eu falei: "Confiem. Ele é bom".

O que é aquilo?

Atenção, equipe. Vamos preparar a cena 85, locação Bravo.

5 minutos.

- Eles estão fazendo um filme? - 5 minutos pra chegada.

Com licença, vocês estão rodando um filme?

Estamos fazendo um remake do Anaconda.

Como é que é?

- Um remake do Anaconda. - Anaconda?

- Tipo, o Anaconda do Ice Cube? - É.

A Sony tá refazendo.

Eu sei. Falta de ideias novas.

Que estranho.

Então, deixa eu ver se entendi.

Você não tem os direitos do Anaconda?

Não, quer dizer...

legalmente, não.

E você nunca teve os direitos do Anaconda?

E quem é o dono do Anaconda?

A Sony. A Sony é a dona do Anaconda.

É, não, eu sei.

Digo, bom, em um sentido mais amplo.

Por que falou pra gente que tinha os direitos...

da porcaria da franquia Anaconda...

quando não tem os direitos da porcaria da franquia Anaconda?

E a gente precisa mesmo dos direitos?

Sério? Quem liga pra isso?

- Pra propriedade intelectual? - É.

Literalmente, todo mundo.

É assim com os filmes grandes! Por isso estamos aqui!

- Acha que é por isso? - Sim! É por isso!

A gente quase morreu!

No meio da droga de uma selva por uma mentira!

Tive que mentir!

Tive que mentir pra você! Ou você não teria vindo!

Vocês não... nenhum de vocês teria--

- Mentira! - Não é mentira.

Por isso você nunca foi pra L.A. comigo...

mesmo a gente planejando trabalhar juntos.

Sua vida toda tem sido guiada pelo medo.

Griff...

você tá demitido.

- O quê? - Tá demitido.

Não. Não tô.

Não pode me demitir. Sabe por quê?

Porque eu já me demiti.

Ontem à noite.

Só não contei pra ninguém ainda.

Então...

Azar o seu, porque eu já saí fora.

Griff, espera!

Pra onde você vai?

Atrás do barco do Anaconda.

Talvez me ajudem a voltar pra casa.

Pensa bem. Não é seguro.

Esse barco é minúsculo.

Tem uma cobra gigante por aí.

Por favor, não faz isso.

Griff.

MANTENHA DISTÂNCIA

J.Lo?

Ice Cube?

Jon Voight? Vocês estão nesse?

Socorro!

Me ajuda, cara! Socorro!

- Ei! - Me ajuda!

- Tá tudo bem, tá tudo bem. - Socorro! Me ajuda!

- Calma, vou te pegar. - Ai, meu...

Tá tudo bem. Você tá segura.

- Tá salva. - Graças a Deus.

Ai, merda! Meu Deus!

Meu Deus!

Ai, meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!

Doug!

Doug, o que tá rolando? Por que a gente parou?

A Ana achou um ótimo lugar pra filmar a próxima cena.

- Pra filmar? - Próxima cena? Quê?

Olha, eu sei. Perder o Griff foi difícil...

mas nós 4, a gente pode terminar esse filme.

Não vou voltar pra casa de mãos vazias.

Pô, cara. Sem o Griff...

Isso não estava no plano.

Planos mudam, e isso também faz parte do cinema.

Não, não, Doug, temos que voltar atrás dele.

- Ele não tá seguro por aí. - É.

Ana. Temos que voltar com o barco.

Não vamos voltar com o barco.

É, não vamos voltar com o barco.

Todo mundo fora do barco agora.

O que tá acontecendo?

Ana, o que você tá fazendo?

Isso definitivamente não é o plano.

Planos mudam, Doug.

Não é assim no cinema?

E todo bom filme precisa de uma reviravolta.

Todos pra fora do barco agora!

Até o píer.

Vão levar isso pra mim de volta pro barco. Anda.

E depois?

Você vai atirar na gente?

Agora!

Eu não vou a lugar nenhum...

até me dizer o que tem nesses sacos.

Quer olhar? Olha.

Espera. Isso é...

Ouro?

Então, você é a garimpeira? Fez tudo isso por dinheiro?

Sacou tudo, Claire.

Não!

Não vou fazer parte dessa sua busca doentia por--

Puta merda.

E vocês não se mexam!

Eu sou do governo.

Rastreamos garimpeiros ilegais.

E a Ana chefia uma das maiores quadrilhas do Brasil.

Não acredita em nada que ela diz.

Ela é uma mentirosa. É a maior mentirosa.

Somos cineastas de Buffalo.

Estamos rodando uma sequência da essência do Anaconda...

e não sei se ela mencionou, mas não é só um remake...

e tirei meu amigo que era o protagonista...

pra dar pra ela um papelzão...

- e é assim que ela trata-- - Um papelzão!

Cala a boca! Não sei do que você tá falando, cara.

Não importa. Vai, prende ela.

Graças a Deus.

Ai, meu Deus!

Quem atirou em mim?

Fui eu, babaca.

Griff, não. Ele era um cara bom.

- Sou um cara bom. - Ele é policial.

Olha, eu não-- O quê?

Sou um cara bom.

Larga isso. De joelhos agora, os 4, virados pra água.

- Peraí, eu-- - Agora.

Não, não, Ana. Não faz isso.

Você também, Claire. De joelhos, agora.

Você não precisa agir assim.

Tenho filhos em casa. Um de 10, outro de 13.

Por favor.

Por favor.

Pensa no que vai fazer aos meus filhos.

Cala a boca. Vira agora.

De joelhos.

Agora!

Tomou na cara! Boa!

Pra ficar claro, é assim que se dá uma cabeçada, vadia!

Você não vai fazer isso.

Você não tem coragem. Eu te conheço, Claire.

Você não me conhece.

Nem tenho filhos.

Caramba!

- Uma cobra! - Não. Não, peraí. Espera.

Acho que o barco tá pra lá!

É, mas a cobra também tá. Não dá pra ir pra lá!

A gente tem que pegar essa trilha e chegar no alto.

- Peraí. O que é isso? - O quê?

O quê?

Merda!

Meu Deus.

- Mordeu você? - É, acho que me mordeu.

- Ela me picou. - Dougie, sei que dói...

mas precisamos sair daqui agora, porque a cobra tá por aí!

Desculpa, não consigo me mexer. Minha perna tá esquisita.

O que a gente vai fazer?

Vamos ter que mijar em você, cara.

- Hã? - Na mordida. É o único jeito.

Achei que era só pra água-viva.

Não, não, não. É pra qualquer animal.

- Tem certeza? - Positivo.

Alguém tem que mijar. Preciso do xixi de vocês.

Eu adoraria ajudar, mas tô...

seco, zerado, nem uma gota.

Claire, quer cuidar disso?

Tô de macacão.

Kenny, não temos tempo pra discutir. É contigo.

Sabe que não é possível.

Por que não?

Porque ele...

trava pra mijar.

- Trava? - Tenho pânico de urinar.

Não consigo mijar em público há 35 anos.

Minha vida é uma merda!

Você consegue.

Você tem que conseguir.

Mija em mim.

- Você consegue, amigo. - Tá.

- É. É. É. - É.

- Você consegue. - Você consegue.

- Deixa fluir. - Deixa fluir, é.

Só mija em mim. Vai. Mija em mim.

Mija em mim. Anda. Mija.

Você... acha que eu não quero?

Eu adoraria mijar em você todo, cara.

Mas não vai rolar!

- Mija em mim. Agora. - Não dá. Tô tentando.

- Você consegue! Mija em mim! - Tô tentando muito!

- Vai, Ken! Vai! Vai! - É uma ordem! Mija em mim agora!

Tá bom! Tá bom.

Você consegue, cara. Vai.

- Tem um outro problema. - Qual?

Nunca contei isso pra você.

Só consigo mijar sentado.

Meu Deus do céu!

Preciso de uma cadeira.

Vai, vai, vai.

Vamos lá, amigo.

Vai, Kenny. Bora, bora.

Anda logo. Vai!

- Vai, amigo. - Vai.

Vai, amigo.

- Aí! - Aí!

- Isso! Isso! Isso! - Boa!

- Isso! Aê! - Aê! Aê!

É!

Griff, desculpa pelo que eu disse antes no barco.

A verdade é que sinto inveja de você há um tempão.

Inveja?

Por ter coragem de fazer o que eu não consegui.

De ir atrás do que você queria.

Ir pra L.A. e se arriscar no--

Ai, meu Deus!

- Merda! - Doug!

Ai, meu Deus!

A gente tem que ir atrás dele!

- Temos que sair daqui. - Não temos escolha.

Griff.

Griff.

O que foi que eu fiz?

Enganei ele pra vir até aqui, e agora ele tá morto.

Não. Não. Escolhemos estar aqui.

Queria que fosse eu.

Deveria ter sido eu.

Não é culpa sua, e a gente tem que continuar.

Galera, acho que sei pra onde a gente tem que ir.

É um...

um descampado enorme...

que precisamos atravessar pra chegar até o barco.

Mas não dá pra sair correndo.

Ficamos expostos.

A cobra pode vir de qualquer lugar.

A gente pode criar uma distração.

É, pode ser, mas como?

Quer dizer, vai ser bem... O quê?

Ela tá aqui.

Que foi?

Que foi?

Ai, meu Deus. Doug. Doug, não.

Dougie. Dougie.

- Reage, cara. - Ele tá...?

Meu Deus.

Peraí. Peraí.

O Doug pode ser a distração.

Como assim?

Sei que é horrível, tá?

Mas se a gente arrastar o Doug até o campo...

colocar ele em pé...

e amarrar o javali nas costas dele...

a gente não ia dificultar pra cobra engolir ele?

Ela vai ficar ocupada o bastante pra gente atravessar o campo...

e voltar pro barco.

É uma ideia genial.

Gente, isso é horrível.

Se fosse pra salvar a gente, garanto que o Doug toparia.

Não sei se ele toparia, não.

Peraí.

- Temos que ir, galera. - O que vai fazer?

O que tá fazendo?

Cobras adoram carne de esquilo.

Espera, a cobra tá bem atrás dele.

Eu não consigo...

Que merda!

- Ele tá vivo! Ele tá vivo! - Ele tá vivo!

- Você não checou o pulso dele? - Chequei!

Bom, checou meia boca!

Que porra é essa?

- Doug! Cuidado! Corre! - Doug! Corre!

Anda, Doug, corre!

- Ei! - Corre! Mais rápido!

- Doug, corre! - Doug!

Quê?

- Ele tá bem atrás de você! - O quê?

- Corre, Doug! - Doug!

Merda!

Merda, merda.

Merda, merda, merda, merda.

Merda.

- Corre! - Corre!

- Corre, Doug! Corre! - Corre!

Que porra é essa nas minhas costas?

É uma longa história! Só corre!

Merda!

Deus, me ajuda! Credo!

Droga. Esse troço tá vivo!

Esse bicho tá vivo!

Tá tentando me morder!

Ele tá tentando me morder!

Doug! Corre!

Puta merda! Voltem pro barco!

Voltem pro barco! Vão!

- Pro barco! Vai! - Ele estava bem atrás de mim!

- Tá. Beleza. Beleza. - Tá.

Tá tudo bem. Tudo bem.

Meu Deus.

Beleza. Certo. Nós--

Caramba!

Achei que eu tinha morrido.

Como você tá, Dougie?

- Agora tô bem. - Boa.

Achei que tinha te perdido, cara.

Posso falar uma coisa?

Desculpa.

Eu queria tanto interpretar um herói...

que perdi de vista o que realmente importa pra mim.

Que é só fazer coisas com vocês de novo.

Griff, me sinto exatamente assim.

Eu amo vocês.

Só tenho uma pergunta.

De quem foi a ideia de enfiar aquele esquilo morto na minha boca?

Foi uma decisão do grupo. Não foi--

- Sério? - É, não foi de um só.

Cobras adoram carne de esquilo.

Sabia que tinha sido ideia sua!

Galera, vamos. Não podemos parar.

Tá, mas fiz uma escolha e não me arrependo.

Puta merda.

É o set de Anaconda.

O que aconteceu? Tá destruído.

Alô?

Tem alguém aí? Alô?

Pode ajudar a gente?

O quê? Eu...

Quê? Repete aí?

Atrás de vocês!

Puta merda. Ice Cube?

Achou que era o Jon Voight? Vamos logo.

Vamos, vem, vem. Agora.

Aqui. Entra aqui, meião.

Estamos bem.

Aí, você tá bem?

Tô, tô bem. A cobra detonou o set.

Todo mundo fugiu. Um poste me atingiu e desmaiei.

Levantei, não tinha mais ninguém.

- E a J.Lo? - É, e o Eric Stoltz?

A Jenny é da quebrada, ela vai ficar bem...

mas o Eric não é da quebrada.

- Nossa. - Que droga.

Não sei como, mas temos que matar aquilo antes que mate a gente.

Tô contigo, tô contigo.

Aí, como é que iam fazer no seu roteiro?

Não sei. O roteirista não terminou o 3º ato.

O quê? Vocês começaram a filmar antes de saber o final?

Bem-vindo a Hollywood, inocente.

É assim que eles fazem. Vão inventando no caminho.

Mas qual era a ideia geral? Tem alguma noção? Alguma coisa--

Só sei que estavam montando explosivos por aqui.

Ainda estão montados?

Estão, mas não sei operar pirotecnia.

Kenny, sabe detonar pirotecnia, né?

- Sem problema, chefe. - Aí, aí.

Não sei do que estão falando. Tenho que salvar a J.Lo e o Stoltz.

- Tá. - Sério?

- Vai lá. - Você vai atrás deles?

São meus parças, né? Não vou largar eles por aí com o inimigo.

Tenho que ir e representar. São meus colegas de elenco.

Código do ator. Respeito.

Isso aí.

- A gente pode... - Pode ser?

- A gente é muito fã de tudo que você faz. - É, por favor.

Mano, estão pagando de tiete. Tiete total. Vambora.

- É! - Junta aqui. Sorria. Isso.

- Não posta isso. - Não, não, não.

Dá pra fazer mais uma, pra garantir? Meu rosto foi cortado.

- Não, ficou boa. - Beleza, beleza.

- Vai precisar disso. - Tem certeza?

Claro.

Tenho outra.

Beleza. Atitude, galera.

Lenda.

Tá pensando o que eu tô pensando?

Tô.

- Pode funcionar, né? - 100%.

Mas o que você tá pensando?

Só pra ver... se pensei a mesma coisa.

Mas tenho certeza disso.

Total certeza.

Pensei em matar aquela cobra.

Viu só, foi isso que eu também pensei.

Tá. Vai ser o seguinte.

Griff, pega o detonador com o Kenny.

Claire, você liga os geradores.

Kenny, você monta as câmeras.

Eu pego o carrinho de golfe.

A gente atrai a cobra pra pirotecnia...

e acaba de vez com tudo isso.

Prontos pra um finalzão hollywoodiano?

- Tá pronto? - Tô.

O Kenny disse que chegando no campo, detonamos um por um.

- Bora mandar esse bicho pelos ares. - Pelos ares, porra!

Vem pegar a gente, desgraçada!

Cadê ela?

Ai, merda!

- Ai, merda. Ai, merda! - Ai, merda!

- Isso não vai mais rápido? - Tira o limitador.

Aí por baixo. Tenta arrancar.

- Limitador? - O limitador! Ele reduz a velocidade.

- Que porra é essa? - É tecnologia de carrinho de golfe!

- Pra onde ela foi? - Não tô vendo. Sumiu.

Olha pra todo lado.

Não vejo em lugar nenhum.

Ai, meu Deus!

Ai, merda.

Perdemos o sinal.

Se não conseguirmos sinal a tempo...

Vamos todos morrer.

- Bora. - Bora.

Cara, você dirige bem pra caramba.

Valeu.

Ai, meu Deus!

Por que não tem energia? Por que não tem?

Campo de pirotecnia à frente. É agora ou nunca.

Armado e pronto.

- Não! - Tá, olha só.

- Procura algo tipo isso. - Tá, tá.

Quase lá!

Tá chegando perto! Tá chegando perto! Meu Deus!

Vai mais rápido!

Porra. Encontrei!

- Posso mandar ver? - Calma, calma.

Agora! Detona agora!

Morre, desgraça de cobra gigante!

- Mas que-- - O quê?

Não tá funcionando! Não tá funcionando!

- Ativa tudo. - Ativei! Tô ativando tudo!

Agora a gente morre! Vamos morrer!

Por que não funcionou?

- Por que não... - Não sei.

Ah, peraí.

Esqueci de ligar.

É!

Isso!

- É! É, é. - É! É!

É!

É!

Matamos ela?

- Não! - Por quê?

Qual é. Ficamos presos.

Ai, merda.

- Vai! - Vai, vai, vai.

- Não tem saída. - Ai, meu Deus.

Merda.

A gente vai morrer.

Não comigo aqui, parceiro.

- Cara. - Que nojo.

Griff, não!

O MAIOR DOUG DO MUNDO

Fim do filme pra essa cobra.

Muito obrigado. Obrigado.

FESTIVAL INT'L DE CINEMA DE BUFFALO

Há muito tempo, um grupo de artistas teve uma visão...

um sonho de um dia fazer um grande filme de cinema.

E ano passado, contra tudo, me orgulho de dizer que esse sonho se realizou.

Como meu amigo Kenny sempre diz:

a cobra é uma metáfora dos monstros que vêm atrás da gente...

quando a gente desiste dos sonhos.

E pra deixar claro, também teve uma cobra de verdade.

Ai, meu Deus!

Uma salva de palmas pra Claire Simons e Kenny Trent!

Boa sorte na próxima vez!

Embora a gente não tenha os direitos...

A gente não tem... Não temos os direitos.

Esta é nossa versão totalmente não autorizada...

FIM?

... possivelmente ilegal do filme clássico da Sony...

EM MEMÓRIA DOS QUERIDOS DE SANTIAGO & HEITOR

- Sras. e srs., A Anaconda! - A Anaconda!

Terminado o filme, a turma não conseguiu a distribuição nos cinemas...

porque a Sony mandou uma notificação de proibição de uso.

Eles realmente não tinham os direitos.

Claire e Griff acabaram se casando.

Deixaram o Doug dirigir o “filme” do casamento.

Griff conseguiu de volta o papel em S.W.A.T.

Kenny teve sucesso em alguns casos...

mas em outros não conseguiu se controlar.

QUE PORRA É ESSA? FALEI PRA NÃO POSTAR ISSO

FOI MAL

APAGA ISSO

NÃO SEI COMO

E quanto ao Doug...

Você é o Doug McCallister?

Hã-hã.

Você dirigiu a versão não autorizada de Anaconda...

apesar de não ter os direitos?

É.

Assisti ao seu filminho.

E eu adorei. Adorei.

Por isso, eu tô aqui. Porque vamos fazer outro Anaconda...

e quero que você dirija.

Você topa?

DESCUBRA UM MUNDO DE PERIGO E DESEJO

DIVERSÃO PARA TODA A FAMÍLIA

RESERVE SEU LUGAR

ESTREIA EM BREVE

UMA VIAGEM DE PURA ADRENALINA

18 - VIOLÊNCIA COM COBRA

ESTREANDO NOS CINEMAS

Galera?

Griff?

Eu tô vivo!

Tradução: Monika Pecegueiro do Amaral

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