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Deixa a comida e vai.
O meu tio diz que tenho de lhe pedir perdão por tê-lo enganado.
O teu tio?
O Príncipe Baelor.
O herdeiro do Trono de Ferro.
- Nunca quis mentir. - Sim, mas mentiste.
Acerca de tudo, a começar pelo teu nome.
Nunca ouvi falar de um Príncipe Egg.
- É diminutivo de Aegon. - Claro.
Homenagem ao Conquistador?
Quantos Aegons foram reis?
Quatro.
Quatro Aegons.
Então, porque o fizeste?
Foi uma piada?
Para ridicularizar o cavaleiro imbecil?
Não. Eu devia ser escudeiro do Daeron. É o meu irmão mais velho.
É um cavaleiro de merda e um bêbedo e não queria entrar na liça.
Só queria que nos escondêssemos naquela estalagem até o torneio acabar.
- Rapaste a cabeça. - Foi o Daeron.
Foi ele que me disse que eras moço de cavalariça?
- Eu não... - O quê?
Não achei que estava a fazer algo errado.
Claro que achaste!
Foi por isso que mentiste.
Limpa os olhos.
Fiquei tão desiludido quando não pude ir ao torneio.
Não podemos deixar o principezinho ficar desiludido, pois não?
Só queria ser o escudeiro de alguém.
Terias servido um burro, se ele não tivesse escudeiro.
Lamento, ser.
A sério.
Foi só um pouco de azar termo-nos encontrado, não foi?
O que vão fazer comigo, Egg?
O meu tio quer vê-lo quando acabar de comer.
Então, já acabei. Já dei um pontapé na boca de um príncipe.
Não quero deixar outro à espera.
Levante-se.
Serve um copo ao Ser Duncan, Aegon.
Tenta não o entornar em cima dele.
O rapaz não entorna, Vossa Graça.
É um bom rapaz.
Um bom escudeiro.
E não tinha más intenções.
Agora sei isso.
Não é preciso ter más intenções para fazer mal.
O Aegon devia ter vindo ter comigo quando viu o que o irmão estava a fazer.
- Não houve tempo, tio... - Mas correu para si, Ser Duncan.
Isso não foi uma gentileza.
Quem me dera que o Ser Duncan o tivesse matado.
O Aerion é teu irmão.
E os septões dizem: "Temos de amar os nossos irmãos."
Aegon, deixa-nos.
Como queira, Vossa Graça.
É bom cavaleiro?
É hábil com armas?
O Ser Arlan ensinou-me a usar a espada e o escudo e...
... a acertar nas argolas.
O meu irmão Maekar voltou ao castelo há umas horas.
Encontrou o filho, Daeron, bêbedo numa estalagem,
a um dia de viagem para sul.
- Eu sei. - Ele disse ao meu irmão
que um cavaleiro ladrão enorme se fora embora com o Aegon.
Receio que seja esse cavaleiro ladrão.
Ele está a mentir.
Saí da estalagem há quatro noites.
O Príncipe Daeron não perseguiu o captor do irmão?
Parece que não.
E a rapariga?
Quando o Aerion acabar de distorcer a história, será alta traição.
Traição? Com marionetas?
O dragão é o brasão da casa real.
- Retratar um a ser morto... - Foi inocente.
Talvez, mas longe de sensato. Mesmo em tempo de paz.
O Aerion chama-lhe um "ataque velado" à Casa Targaryen,
um incitamento à revolta.
Acredita nisso, Vossa Graça?
Há uma verdade incontestável.
Pôs as mãos no Sangue do Dragão.
O dedo da rapariga foi partido ao meio.
Seja qual for a causa, nunca é sensato atacar o neto de um rei.
- Não teria feito o mesmo? - Talvez.
Mas sou um príncipe do domínio, não um cavaleiro andante.
Os cavaleiros não fazem todos o mesmo juramento?
Proteger os inocentes.
O Aerion quer a sua cabeça pelo que lhe fez.
Não a terá.
Mas não lhe posso negar um julgamento.
E com a acusação do Daeron de que raptou o Egg,
é improvável que o tribunal decida a seu favor.
E quando for considerado culpado?
A última vez que um homem agrediu sangue real,
foi decretado que perderia a mão agressora.
E também o pontapeou, não foi?
Sim.
Tem outra escolha.
Se é melhor ou pior, não sei dizer.
Por isso, volto a perguntar-lhe,
Ser Duncan, o Alto.
É bom cavaleiro?
Verdadeiramente?
Julgamento por combate.
Tenho esse direito.
Recuso.
Não podes recusar.
Qualquer cavaleiro acusado de um crime tem o direito de o exigir.
A menos que retires a tua queixa.
Um Julgamento de Sete.
Creio que tenho esse direito.
Que raio é um Julgamento de Sete?
É outra forma de julgamento por combate.
É antigo.
Raramente invocado.
Atravessou o Mar Estreito com os Ândalos e os seus sete deuses.
Bem, se foram os Ândalos...
Peço desculpa, Vossa Graça.
O velhote nunca foi muito de rezar.
O que é um Julgamento de Sete?
Os Ândalos acreditavam que, se sete defensores lutassem,
os deuses, ao serem honrados, seriam mais propensos a intervir.
E puniriam os culpados.
Escondes-te atrás de tolices dos Ândalos com 6000 anos,
porque tens medo de enfrentar este cavaleiro andante sozinho?
- Não. - Então, porquê?
Porque não matas tu o bandido?
O Daeron também foi prejudicado.
O Ser Duncan tem de pagar por todos os seus crimes contra nós.
Ou deixaríamos em dúvida uma questão de honra Targaryen?
Não me fales de honra, rapaz.
- Isto é um disparate. - Será?
Não.
O Aerion está no direito dele.
Não temos escolha.
- Teremos um Julgamento de Sete de manhã. - O que significa isso?
- Que tenho de lutar contra sete homens? - Não te faças de tolo.
Têm de ser sete contra sete.
Tem de arranjar seis cavaleiros para lutarem ao seu lado.
- Mas eu não tenho mais ninguém. - Se uma causa for justa,
homens bons lutarão por ela.
Caso contrário, será porque foste culpado.
Anda cá.
Idiota!
Já posso ir?
Procure os seus defensores, Ser Duncan.
Rapazes.
Desta vez, fiz asneira.
Acho que vou morrer amanhã.
Dunk? És tu?
Estás vivo!
- Raymun, obrigado por cuidares... - Tens fome?
- Nem por isso. - Anda.
Estavas a falar com os teus cavalos?
- Sim. - Que loucura.
Um Julgamento de Sete? Duncan, isso significa machados,
maças d'armas e lanças de guerra. - Eu sei o que significa.
Peço desculpa. Aqui o primo tem leite nas veias.
- Vai-te foder. Queria dizer... - Isto é um combate de cavaleiros.
Como não és cavaleiro, a tua pele não está em risco.
Vi o que o Aerion fez aos marionetistas.
Todos os cavaleiros juram proteger os inocentes.
Até os cavaleiros andantes, presumo.
Eu apoio-o.
Obrigado, ser.
- Talvez não devesse. - Custa-me admiti-lo,
mas o Steffon é bom com a espada. - Porque te custa?
Não duvido, mas a Casa do Dragão não verá com bons olhos
aqueles que se lhe opõem. - A Casa do Dragão?
Onde estão os dragões deles, Ser Duncan?
Nós, os Fossoways,
estávamos aqui muito antes de estes outros chegarem à nossa costa.
E garanto que estaremos aqui muito depois de partirem.
Quem mais luta connosco?
Não conheço mais ninguém.
Decerto encontraremos mais cinco que desejam que cantores os tornem imortais.
Não sei porque é que a tragédia segue tantas vezes homens honrados,
mas quando dou por mim sem as respostas,
a resposta é sempre "mais glória".
Felizmente para si, tenho amigos.
- Ser Lyonel, Senhor Lannister, Ser Otho. - Não gostarão de ser acordados.
Então, lutarão como texugos irritados.
Não morrerá sob o meu olhar, Ser.
Prometo-lhe isso.
Raymun.
Achas que o teu primo pode trazer os homens de que fala?
Não sei.
Talvez seja sensato fugires.
- Não me matarão, se eu fugir? - Não te matarão na mesma?
Talvez os deuses achem que é isto que mereço.
Por fazeres o que devias fazer?
Por não saber o meu lugar.
Ser?
Egg?
O que estás a fazer?
Sou o seu escudeiro, ser. Precisará de alguém que o arme.
O teu pai sabe que saíste do castelo?
Espero que não.
Acho que não aguentaria mais uma chicotada nos pés esta noite.
- Tu! - Não! Não, Duncan! Não!
Ser, por favor!
És louco, ao vires aqui? Devia espetar-te isto no pescoço!
- Preferia uma taça de vinho. - Que se foda o teu vinho!
Mentiste sobre mim.
Tive de dizer alguma coisa
quando o meu pai exigiu saber onde o Egg tinha ido.
Por favor, não o magoe.
Não me podem matar duas vezes.
O meu pai vai juntar-se aos sete acusadores.
Sim, claro que vai. Ele tem de redimir a honra do filho.
Não fui eu que pedi que a minha honra fosse redimida.
Quem a tiver, pode ficar com ela.
Implorei-lhe que não o fizesse. Implorei-lhe.
Para que conste, pouco tens a temer de mim.
Tentarei parecer destemido na primeira investida,
mas, depois disso, talvez me possas dar um belo golpe
ao lado do elmo.
Fá-lo soar, não muito alto.
Foi só isso que viste cá dizer?
O meu pai também ordenou à Guarda Real que combatesse.
- Só os três que estão aqui. - Quem tem, Ser?
O primo do Raymun.
Posso trazer pessoas, ser. Cavaleiros. Posso mesmo.
Lutarei contra a tua família.
O meu pai estará bem protegido.
E não matará o Daeron. Ele disse-lhe que cairia.
E o Aerion?
Vê-lo-ias ser morto?
Quando eu era pequeno,
o Aerion costumava ir ao meu quarto, à noite,
e punha a faca dele entre as minhas pernas.
Dizia que tinha demasiados irmãos.
Talvez uma noite me tornasse irmã dele e pudesse casar comigo.
Desculpa, foi...
O Egg tem razão. O Aerion pode ser um monstro.
E também atirou o meu gato ao poço.
- Ele diz que não, mas atirou. - Está bem.
Ele acha que é um dragão em forma humana.
Por isso ficou tão furioso com as marionetas.
É uma pena não ter nascido Fossoway,
considerava-se uma maçã e estaríamos todos mais seguros.
Tenho de voltar para o castelo.
Ser Duncan.
Uma palavra em privado?
Sonhei contigo.
Já me disseste.
Na estalagem.
Disse?
Os meus sonhos não são como os teus.
Os meus realizam-se.
Um talento impressionante para um homem pouco impressionante.
Mais uma das pequenas ironias da vida.
Mas eu vi-te, ser.
E um incêndio.
E um dragão morto.
Um grande animal,
com asas tão grandes que podiam cobrir este prado.
Tinha caído em cima de ti,
mas tu estavas vivo e o dragão estava morto.
Eu matei-o?
Isso não sei dizer.
Já fomos mestres de dragões.
É difícil de acreditar.
Agora eles morreram todos, mas nós ainda cá permanecemos.
Não quero morrer hoje.
Também não quero morrer.
Talvez te tenha matado com a minha mentira.
E, se o fiz, lamento.
Estou condenado a algum tipo de inferno, eu sei.
Provavelmente sem vinho.
Não é nenhum cavaleiro!
É Florian, o Tolo!
Ser Duncan?
Se veio buscar o seu escudo, ela deixou-o comigo.
Para onde foi ela?
Vão para Dorne.
O que não é visto não é lembrado.
Ótimo.
O seu aro estava gasto.
Aço barato.
Frágil e enferrujado.
Fiz-lhe um novo.
Tem o dobro da espessura.
Pus umas correias atrás.
Agora será mais pesado, mas também mais forte.
A rapariga pintou.
A estrela caiu.
E o pôr do sol anuncia a noite.
Este escudo está todo pintado como a morte.
O ulmeiro está vivo, homem.
Vê como as folhas estão verdes? São folhas de verão, de certeza.
Lembra-se da antiga rima do escudo?
Carvalho e ferro, protejam-me bem.
Senão, estou morto e vou para o além.
Quanto quer pelo aro novo e o resto?
De si?
Uma moeda de cobre.
Sers.
Estou em dívida para convosco.
A dívida é do Aerion.
E tencionamos cobrá-la.
Ouvi dizer que tinha a perna partida.
Ouviu dizer a verdade. A minha perna está partida. Não consigo andar.
Mas desde que consiga sentar-me num cavalo, consigo lutar.
O Ser Robyn morreria como servo fiel do rei,
mas quando a coroa vai contra os deuses, o Ser Robyn vai contra a coroa.
Sempre soube que traria sarilhos.
Não sei como vos agradecer.
Nem ao Ser Steffon por vos ter trazido.
Quem raio é o Ser "Stevron"? O seu rapaz encontrou-me.
Não há um Julgamento de Sete há 100 anos.
Não ia perder uma oportunidade
de ensanguentar a Guarda Real com os seus belos mantos brancos.
Seis? Eles são só seis?
É possível que o Aerion não tenha encontrado um sétimo para combater?
Raymun! O meu elmo, por favor.
Ser Steffon, e os seus amigos?
Só precisamos de mais um para perfazer os sete.
Receio que precise de mais dois.
Luto com o Príncipe Aerion e com os acusadores.
Não, tu...
Disseste ao Ser Duncan para contar contigo.
O nosso príncipe não me teria feito senhor
se isso não frustrasse o Ser Duncan.
Trocaste a tua honra por um título de senhor?
Primo.
Conheço grandes homens que trocaram a honra por muito menos.
Foi um bom negócio.
Traz-me o meu cavalo.
Vai tu buscá-lo.
Estamos perdidos.
Ordena-me cavaleiro.
Tomarei o lugar do meu primo.
Ser Duncan, ordena-me cavaleiro.
Raymun, eu não devia.
Sem mim, só tens cinco.
Não podes ganhar com cinco.
Receio que o rapaz tenha razão.
Faça-o, Ser Duncan.
Qualquer cavaleiro pode ordenar outro.
Vá. Eu darei o título de cavaleiro ao escudeiro Raymun.
Em nome do Guerreiro, ordeno-te que sejas corajoso.
Em nome do Pai, ordeno-te que sejas justo.
Em nome da Mãe,
ordeno-te que protejas os jovens e inocentes.
Ser Duncan.
Não podemos adiar mais.
- Parece que só tem cinco defensores. - Seis.
O Ser Lyonel está a ordenar cavaleiro o Raymun Fossoway. Serão seis contra sete.
Receio que isso não seja permitido.
Se não arranjar outro cavaleiro para lutar consigo,
deve ser declarado culpado dos seus crimes.
Meu Senhor, peço um momento, por favor.
É-lhe concedido.
Meus senhores.
Sei que nenhum de vós se lembra do Ser Arlan de Centarbor.
Mas eu era o escudeiro dele.
Servimos muitos de vós.
Comemos nas vossas mesas.
Dormimos nos vossos salões.
Ele era um bom homem.
E ensinou-me a ser cavaleiro.
Não só com espada e lança, mas com honra.
Um cavaleiro defende os inocentes.
Foi tudo o que eu fiz.
Eu não era do sangue do Ser Arlan,
mas segui o exemplo dele.
Tal como os vossos filhos seguirão os vossos.
Quem virá lutar ao meu lado?
Terá a coragem desertado as nobres casas de Westeros?
Não acredito que seja assim!
Não há verdadeiros cavaleiros entre vós?
Ficarei do lado do Ser Duncan.
Perdeste o juízo?
- Este homem atacou o meu filho. - Este homem protegeu os inocentes.
Como um bom cavaleiro.
Deixemos os deuses decidirem se ele estava certo ou errado.
Tradução: Cláudia Pereira
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