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Capitão!
Capitão!
Capitão!
Já encontraram o corpo do Van Hoorn?
Ele morreu gritando como um porco!
Maldito Lorenzo...
Estou com sua filha, Damián!
Vai vir buscá-la ou o quê?
Eu vou te esfolar vivo, seu bastardo!
Obrigado por participar na farsa, minha querida.
Espero que a mordaça não tenha afetado a sua astúcia.
Tudo para desesperar meu pai.
Ainda não sei por que fizemos isso, capitão.
Era a única coisa que podíamos fazer, Julián.
Damián sabe que estamos com Inés, então virá por ela.
Eles não vão vencer aqui dentro.
Acha que ele vai vir?
O governador sabe que temos a Inés,
então virá buscá-la.
E se não vierem, capitão?
Não temos homens para lutar uma batalha.
Eles virem pra floresta é a nossa única opção.
Logo vai anoitecer.
Mais um dia se passou e Lorenzo não aparece.
Preciso beber.
Faz quatro dias que esperamos por Lorenzo.
Quatro dias de tortura para minha filha,
com esses malditos índios...
Quanto mais temos que esperar, porra?
-Quantos forem necessários. -Nós temos que ir buscá-la!
É precisamente isso que Lorenzo quer,
que a gente vá para floresta para nos massacrar.
Eu sou o dono desta cidade. Eu dou as ordens aqui!
Não se engane, governador.
A cidade é sua, mas está sob minhas ordens.
São só alguns selvagens!
Lorenzo esperou quinze anos para sitiar Veracruz.
Ele vai demorar outros quinze se forem necessários.
Se não nos livrarmos do Lorenzo,
seu coração e o meu vão aparecer cravados numa parede,
como o do Van Hoorn. -Por isso mesmo...
Vamos pegá-lo!
Vamos matá-lo!
Vamos desmembrá-lo!
Vamos espalhar o corpo nos quatro pontos cardeais.
São uns poucos índios!
Eles não têm poder sobre nós!
Na floresta, eles dominam esse território.
Esqueça sua filha por um momento e pense.
Nós temos seus soldados,
meus homens e as muralhas deste lugar.
Nunca vão nos derrotar.
Ele sabe que você tem essa droga de colar.
Mais cedo ou mais tarde,
ele irá se desesperar e vir pegá-lo.
Maldita índia que o pariu...
Estão vindo?
Ainda estão trancados na cidade,
esperando vocês atacarem.
A farsa não deu certo, Miztli.
Podemos entrar à noite e abrir as portas por dentro.
Nós fizemos isso muitas vezes. Não é?
É verdade.
Há sentinelas em todas as portas.
Não podemos arriscar perder nem um homem.
Podemos criar uma distração.
Enquanto outros entram por trás e rompem o cerco,
nós cruzamos a praça principal até as portas.
O que você acha, Cuacoztic?
-Pode funcionar. -Pode funcionar...?
Pode me dizer o que diabos significa "pode funcionar"?
Se estivéssemos falando apenas dos espanhóis,
eu concordaria com vocês. Vamos atacar.
Mas os homens de Agramonte são muito mais perigosos.
Lutar com essa mistura de crioulos e espanhóis,
ainda mais.
Nós também somos perigosos para eles.
Xochiel reuniu as famílias mais fortes da área.
-Nós temos mais homens. -É uma questão de bom senso.
Você quer mandar o seu povo pro abate?
E o que você quer fazer?
Vai se dar por derrotado?
Agramonte não é um imbecil como Van Hoorn.
Seus homens são o terror do Caribe.
Nós mesmos já saqueamos cidades muito maiores
e mais perigosas do que Veracruz.
Não temos chance de vencer.
O governador vai fugir com o colar e com o saque.
-Você vai permitir? -Seria suicídio!
É isso que vocês querem?
Podemos eliminá-los, mas em igualdade de condições.
Eliminá-los de uma vez, sem perdas de nossa parte.
Aniquilá-los massivamente.
Para isso, seria necessário envenenar a neblina.
Bruxo...
Preciso que me dê mais da sua magia.
Miztli?
Um homem aguenta apenas uma pitada da erva dos perdidos.
Se eu te der de novo, você vai morrer.
A erva não é para mim.
Você tem ou não?
Dê a ele.
Dê a ele a planta dos deuses, avô.
Quanto você precisa?
Tudo o que você tem.
Vamos, vamos procurá-la!
Não há ninguém aqui!
Procurem na cisterna, vamos lá!
Essa cadela tem que estar em algum lugar!
Não podemos ficar aqui, vão nos encontrar.
Esperanza, e se eu me entregar?
E se eu pedir desculpas ao meu pai?
-E se...? -Não!
Não, senhorita, você não pode.
Depois do Van Hoorn, você será a próxima a morrer.
E eu, por ajudá-la.
Me escute.
A única saída é atravessar a floresta até Jalapa.
Saída? Onde, Esperanza?
A cidade está cheia de piratas armados.
Eu conheço um lugar.
Há um buraco na parede que dá pra floresta.
Senhorita... Acredite no que eu digo, por favor.
Não, essa floresta é amaldiçoada.
Você tem duas opções:
ou se arrisca com a fera que habita na floresta,
ou com as feras que habitam Veracruz.
É uma ofensa recusar, senhorita.
O que é?
Sabedoria.
Não apareça assim, Cuacoztic.
Um dia vou matar você sem querer.
Você se preocupa comigo?
Se o plano do Miztli funcionar, amanhã iremos para a guerra.
Você não é o mesmo homem que conheci quando cheguei.
Você se tornou um grande líder pro seu povo.
Eu não queria deixar de te dizer.
Talvez amanhã eu não tenha a chance.
Xochiel me deu algo para beber que faz minha língua se soltar.
Se a guerra for nossa...
você não vai precisar construir um barco.
Eu não pertenço a este lugar.
Não estou convidando você para ficar.
Se vencermos a batalha,
você vai poder pegar um dos barcos espanhóis.
Mesmo com a ideia do Lorenzo,
talvez amanhã muitos vamos morrer.
Se eu tiver que partir para Tonatihuichan,
ficarei feliz em fazer isso com você, Cuacoztic.
Já não passamos por aqui?
Não, senhorita, estamos bem.
Chegaremos a Jalapa antes do amanhecer.
Deus te ouça. Eu não gosto deste lugar.
Não, senhorita Carminia!
Oh, senhorita! Está bem?
Eu torci meu pé.
-Me deixe ver... -Estou bem!
Essa foi a fera, não?
Nós vamos morrer nessa floresta...
Por quê? Por que as coisas são assim?
Por que a mim?
O que eu fiz de errado na vida para merecer isso, Esperanza?
Não se preocupe.
Olhe, vamos ficar aqui e, daqui a algumas horas,
quando clarear, a gente continua a viagem, tá?
A viagem para onde?
Meu Deus, Chicahua, o que você está fazendo aqui?
Estou a caminho da cidade, senhorita.
A questão é: o que vocês estão fazendo aqui?
Tivemos que fugir da cidade.
Estamos tentando chegar a Jalapa.
Vocês nunca chegarão a Jalapa.
Amanhã, se eu não voltar,
quero que você pegue um cavalo
e fuja pra cidade mais próxima.
Amanhã eu vou com você.
Amanhã você vai ficar e fazer o que eu digo.
Você começa a falar como meu pai.
Se a sua música acabar,
este mundo se tornará um lugar mais sombrio ainda.
E o que será de você?
Eu sou um instrumento desafinado.
Com suas cravelhas antigas e as cordas frouxas.
Não há mais esperança para mim...
mas para você há.
Se Chicahua tiver sucesso,
ainda teremos a guerra pela frente.
E se tivermos sucesso,
Veracruz precisará de alguém para governar.
E não há pessoa melhor do que você para fazer isso.
Não adoce meus ouvidos
com palavras que nem você não acredita.
Sou uma mulher, Lorenzo.
No dia em que uma mulher governar,
o mundo será outro.
Você pode não governar...
mas o que acha de administrar justiça?
Eu não vou entrar na batalha...
mas não vou esperar aqui.
Senhorita Carminia!
Você está bem?
Estou.
Entrar na floresta a esta hora
foi uma loucura.
Uma loucura mesmo.
Não podíamos ficar em Veracruz.
Nosso pai enlouqueceu.
Ele matou o Chaval.
Ele o matou...
Diante dos meus olhos, Inés.
Sinto muito.
Pelo menos você não terá que aguentar
o selvagem de Van Hoorn.
Eu soube que você atravessou o coração dele com um punhal.
Oh, meu Deus! Eu me sinto enjoada
só de pensar como terá sido para você.
Não fui eu quem empunhou aquele punhal, Inés.
Estou com sede.
Eu quero que coloque maquiagem
e se vista como se fosse uma virgem.
Alegre-se, Carminia,
a sua noite de núpcias acabou.
Vamos lá, mulher!
Que a minha masculinidade está começando a acordar!
Poesia nunca foi o seu forte.
Talvez queira ir embora, querida.
Esperanza ajudou a me esconder e fugir.
E o índio Chicahua nos encontrou na floresta.
Ele nos disse como chegar até você.
Eu pensava que não ia te ver de novo...
Eu pequei...
Eu pequei por inveja...
e por orgulho, por soberba, por luxúria...
E finalmente
um bucaneiro me libertou da minha condenação...
E uma mestiça se arriscou para me trazer aqui,
quando eu não merecia nenhuma dessas coisas.
Foi difícil encontrar você.
Eu precisava de um momento a sós.
Não pensava que você
se daria ao trabalho de ajudar minha irmã.
Sei que vai me dizer que não fez isso por ela,
que tinha que matar o Van Hoorn porque era um traidor.
Mas eu prefiro pensar que você fez isso por ela.
E por mim.
Eu sei que vou pecar por egoísmo,
mas o que mais me magoou quando vi seu corpo na forca...
não foi sua morte...
mas que agora que você tinha retornado,
eu não teria a oportunidade de te recuperar.
Mas agora estamos aqui...
e tudo é possível.
León...
Meu querido León...
Lorenzo e esses malditos índios não virão.
Ele seria um imbecil
se tentasse entrar numa fortaleza como essa.
Estou mais preocupado
em ter que lutar lado a lado com os espanhóis.
Será que eles vão cobrir nossa retaguarda?
Não se preocupe, Prieto.
Enquanto Agramonte estiver no comando,
eles não vão nos trair.
Está ouvindo?
Porra.
Eu sabia que ele viria.
Eu te disse.
Disse que ele ia ficar desesperado.
Prepare seus soldados pra guarda noturna nos portões.
Eu vou preparar os meus.
Lorenzo está vindo.
Coloque uma tropa nos portões.
E o resto, que coma e descanse
para estarem prontos antes do amanhecer.
Essa noite não quero ninguém de farra.
Senhor, os piratas tomaram sua cidade.
Eles massacraram metade da minha tropa e me humilharam.
E agora o senhor quer que lutemos junto com eles
como se fossem nossos companheiros?
Alianças surgem da necessidade.
Não do prazer, Comandante.
Não temos alternativa.
Enviamos o Gonzáles e o Medina como mensageiros
e não tivemos resposta da Capital.
Eles não enviaram reforços para Veracruz.
Estamos sozinhos.
Ou nos aliamos com os piratas ou morremos sob a espada deles.
Será como você mandar, governador.
Mas só quero que saiba que eu vou ter que me conter
para eu mesmo não decapitar Agramonte na batalha.
Seus desejos e os meus são os mesmos, Comandante.
Eu entendo.
Descanse.
Vamos ver o que acontece
depois de acabarmos com o Lorenzo.
Senhores!
Amanhã, o idiota do Lorenzo virá nos apresentar batalha!
Ele acha que pode nos derrotar com um punhado de índios!
Vamos mostrar-lhe como tratamos os afeminados!
Talvez hoje seja a nossa última noite!
Talvez amanhã nós jantemos no próprio inferno!
Comam e bebam! Tragam mais vinho para todos!
Camaradas, saúde! À morte do Lorenzo!
Saúde!
Saúde, companheiros!
Meu irmão cumpriu a sua missão,
mas não sabemos se seu plano funcionará.
Quando você ouvir o berrante, ataque.
Porque isso significa que tudo correu como planejado.
Xochiel e os guerreiros irão com você.
Eles estão na floresta, esperando por você.
Sihuca vai cuidar de explodir o paiol da praça central.
Queira o inferno que este não seja nosso último dia.
O sangue é mais forte que tudo, Miztli.
Mais forte que o ouro.
E muito mais forte que os espanhóis.
Vejo você na cidade.
Na cidade? Ou no Tonatiuhichan?
Espere o meu sinal.
Os índios não aparecem...
Eu não gosto de esperar tanto tempo, Agramonte.
Cada momento que passa coloca a vida da Inés em risco.
Lorenzo vai querer trocar o colar por sua filha,
ele não vai fazer nada com ela.
Lorenzo...
Com seu maldito sangue de índio...
ele convenceu os índios a lutarem por sua guerra.
Meus homens vão cuidar o portão de entrada.
Mande os seus cuidarem da entrada da floresta.
Com certeza eles vão entrar por ambos os lados.
Eu me pergunto o que você fará durante a batalha.
Comandar a resistência do paiol
e cuidar do Dupont.
Lembre-se que sem ele não temos nada.
Prepare seus homens!
Espero que depois da farra da noite passada
eles ainda tenham força.
O vinho fortalece o espírito.
Senhor!
Venha agora, é urgente.
Vamos.
O que aconteceu aqui?
-Onde estão todos os homens? -Eles estão todos mortos.
Os soldados os encontraram em seus catres,
exatamente como estes, com essa espuma na boca.
Traidor!
Você envenenou meus homens! Idiota!
Você acha que sou tão imbecil assim para fazer isso?
Isso é coisa dos índios e seus enviados...
Que índios?
-Eu não vejo nenhum índio aqui! -Pare de gritar, Agramonte!
Os índios são traiçoeiros, você nunca deve confiar neles.
Eu te avisei para mandar seus homens descansarem
e você zombou de mim. Agora...
Parece que você ficou sozinho.
Ainda podemos vencer o Lorenzo.
Nós temos seus soldados...
o paiol...
É questão de se reorganizar.
Reorganizar-se...
E o que te faz pensar que você vai lutar na batalha?
Nós temos um acordo!
É verdade...
Nós temos.
A pergunta é...
Me diga, por que eu preciso de você?
Eu tenho meus barcos, posso te dar todos...
e você pode ficar com o saque de Veracruz.
Tudo isso já é meu, Agramonte.
Eu não sei o que o Comandante pensa...
Você ouviu isso, Agramonte?
Você ouviu?
É o rangido dos seus ovos encolhendo.
Eu me pergunto de que tamanho ficou o seu pênis...
Aliste seus homens...
e envie reforços para a entrada da floresta.
Isso será entre Lorenzo...
os índios dele...
e nós.
É para já, senhor.
Jure que você vai ficar aqui.
Jure que você trará meu pai vivo.
Quando nos virmos de novo.
Capitão!
Só há soldados e espanhóis cuidando da porta.
Não há pirata nenhum.
Isso significa que o plano deu certo.
Agora estamos em igualdade de condições.
O importante é romper o cerco.
Uma vez lá dentro, tudo será diferente.
Quanta pólvora temos, Julián?
Senhores, a batalha está próxima.
Mas a melhor notícia é
que não teremos que lutar ao lado desses criminosos,
já que não resta nem um pirata vivo nessa cidade.
Eles, que nos humilharam,
que nos trancaram como ratos,
morreram sob o jugo da sua luxúria.
Eu mesmo matei o capitão.
Com estas mãos.
Portanto, não há mais nada a não ser a vitória pra Espanha.
Senhores, preparem-se para consagrar-se com glória.
Por Veracruz!
Ataquem!
Se alinhem! Prontos pro combate, senhores!
Ao ataque!
Miztli.
Se protejam!
Vamos!
Vamos carregar!
Aquele maldito paiol.
Sihuca não cumpriu a missão dele.
Eles não vão demorar até nos encontrarem.
O que podemos esperar agora, hein?
-Que Lorenzo nos capture vivos? -Lorenzo nunca vai vencer!
O Comandante acabou de perder a batalha na praça.
Lorenzo ganhou a cidade!
Embora ganhe a cidade, ele não vai ganhar o paiol!
Logo venceremos a batalha e eles vão cair como moscas!
Se acalmem!
Após o segundo carregamento dos arcabuzes, me sigam.
Aponte bem, comandante!
Esperem!
Agora!
Vamos, vamos!
Droga.
Eles têm muita vantagem lá em cima.
Sihuca...!
Está morto.
Aquela janela é a única entrada.
Está longe demais. Eu vou.
Não.
Pela primeira vez na sua vida, confie em mim.
Eles precisam de você.
Dispersem a atenção.
Vamos.
-Parada! -Sou eu, Serafín.
Srta. Inés.
Nossa, senhorita, o que está fazendo aqui sozinha?
Eu consegui fugir dos índios.
Os índios venceram a batalha na praça, senhorita.
Temos que nos refugiar agora mesmo.
E o meu pai?
Venha comigo, vamos.
Recarreguem os arcabuzes! Vamos! Recarreguem!
Esses índios não resistirão muito mais.
Temos munição suficiente para matá-los,
um por um, se quiséssemos. -Rápido!
Vamos!
Capitão!
Não temos mais munição.
Se a Xochiel não conseguir abrir a porta por dentro...
estamos perdidos.
Estou dizendo que é hora de fugir daqui!
Esse paiol é inexpugnável. Ninguém jamais chegou nele.
Senhor, sua filha!
-Filha...! -Pai, meu Deus!
Eu pensava que não te encontraria vivo.
Você está bem?
Esses selvagens fizeram algo com você?
Nada como o que você fez para mim.
Eles vão te matar se não jogar essa arma.
A essa distância, não vou errar, pai.
Diga-lhes para abaixarem suas armas!
Abaixem as armas.
Está dizendo que não vai conseguir.
Xochiel.
Desça, agora.
Não!
Podem ir!
Nós vamos vencer!
Irmãzinha!
Nós os cercamos, eles são nossos.
Abaixe isso, imbecil.
Não quero nem um disparo aqui dentro.
Todo mundo vai morrer.
Fala em língua cristã, maldita índia!
Todo mundo vai morrer.
-Corram. -Vamos!
-Não, não! -Vadia!
Dupont!
Vamos!
Não há para onde fugir.
Se acham que vou me deixar pegar por um pirata,
prefiro morrer!
Traga minha filha!
Eu nunca irei com você!
Amarre ela e traga-a, mas vamos agora!
Guardem suas armas, companheiros.
Nós vencemos a batalha.
Veracruz é nossa.
Vencemos a batalha graças à Xochiel.
Eu nunca tinha visto tamanha coragem.
Você e seus homens são grandes guerreiros.
Você também é um grande guerreiro, Miztli.
Nosso sangue se impôs.
Finalmente podemos recuperar o Colar da Serpente
e devolvê-lo ao seu lugar.
O colar fica comigo.
Meu povo morreu por ele.
Seu povo morreu seguindo você.
Eles lutaram por sua liberdade.
Você queria que o governador parasse de persegui-los?
Bem, vocês já conseguiram.
Miztli...
Seu sangue e o meu são iguais.
Vermelho, como o de todos os mortais.
Essa é a única coisa que sei sobre sangue.
O colar nunca esteve em jogo.
O colar é meu.
René!
Sim, chefe?
Vamos pegar o governador.
Meu capitão!
Não há rastros do governador.
Aquele idiota tem que estar em algum lugar.
O governador foi visto fugindo pro Norte.
Impossível. Damián nunca iria embora sem a filha dele.
Cadê a Inés?
Ali.
Vou pegar a Inés, você volte com os outros.
Damián!
León!
Você jurou para mim.
León...
Damián, você ouviu?
León!
Me perdoe...
Você fez a coisa certa.
Ele disse que o colar era dele, que não iria devolvê-lo.
Eu fui um tolo ao acreditar nele.
Não achava que Miztli nos trairia.
A decisão é dele, assim como a da mãe dele.
Mas o colar é nosso.
Ele é um dos nossos.
E você conseguiu o que ninguém tinha conseguido.
Agora podemos viver em paz em nossa floresta,
com nossos nahuales.
Esse é o nosso verdadeiro mundo,
onde os espanhóis nunca vão poder nos conquistar.
Estamos indo...
chefe.
Vocês têm uma casa aqui.
Moro, diga a ele.
Se me aceitar, eu gostaria de ficar aqui com vocês.
Xochiel se foi. Por que você quer ficar?
Porque esta é a terra dela,
e eu gostaria de morrer aqui, quando a minha hora chegar.
Muito bem.
Que bons tempos cheguem para você...
Cuacoztic.
Salam aleikum.
Aleikum salam.
E você, Cuacoztic, também pode ficar, se quiser.
E você podia vir comigo.
Você nasceu para ser chefe...
Eu também.
Talvez em outra vida.
Talvez.
A gente se vê...
Vamos lá, Guevara, não temos o dia todo.
E agora para onde?
Vamos achar aquela maldita cidade de ouro.
Assim que pisei em Veracruz, perguntei por você.
Me disseram que você tinha ido embora há muito tempo.
Depois que te entreguei àquele comerciante,
não fiquei em paz.
Por anos, você aparecia nos meus sonhos.
Eles vinham para te matar e eu não conseguia te salvar.
Sua vida escorregava pelas minhas mãos.
A única coisa que acalmava esses pesadelos era o pulque.
Um dia, decidi sair e procurar você.
Eu percorri o Caribe todo até que encontrei o comerciante.
Ele me disse que havia entregado você a um cozinheiro,
e foi assim que soube que você tinha se tornado Lorenzo,
o bucaneiro que tocava violino.
Toda a culpa pelo seu infortúnio foi minha, León.
Não há culpa.
Mil vezes contei a sua história nas tavernas do Caribe
com a esperança que alguém soubesse de você.
Quando fiquei sabendo
que você tinha embarcado para Veracruz...
entendi que sua vingança havia começado.
Eu o recuperei.
Você encontrou a paz?
Você tinha razão...
Sempre teve.
A vingança é uma risada no momento errado
diante do espelho da solidão.
Agora eu sei.
Força! Força!
Força!
Vamos, com força!
Vamos!
Você me ajudou a libertar o povo de seu governante,
mas está levando o saque.
É o preço pela sua liberdade.
Eu disse que você não iria se casar com o Dupont e foi assim.
Eu esperava outra coisa de você.
A expectativa é a mãe da frustração.
Não brinque com as palavras, Lorenzo.
Eu vim buscar o que é meu...
e vou embora com o que é meu.
Nem mesmo o encontro com o povo da sua mãe
despertou em você sentimentos diferentes?
Eu sou um bucaneiro, Inés.
A caridade nunca foi meu forte.
Eu passava horas polindo aquele colar.
Ele tinha uma pequena mancha que nunca saía.
Foi assim que descobri que você tinha me dado um colar falso.
Esse colar é do León.
León está morto.
Se não vou ver o León de novo...
espero não ver você também,
Lorenzo Jácome.
Assim será.
Mais rápido, mais rápido.
Capitão.
Sem música, desta vez.
Vamos, vamos!
Xamã...
Como encontrou esse lugar?
Lorenzo te enviou isso.
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