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Quando recebi a sua carta,
pensei que viria pagar a sua dívida, Gamboa,
não para pedir mais dinheiro.
Senhor, na minha carta eu explico muito claramente
que tenho uma garantia que avaliza meu pedido.
Nós discutimos a sua solicitação.
No entanto,
500 mil ducados excedem em muito
o valor habitual para um empréstimo.
Pode exceder a quantia habitual,
mas lembre-se de que minha garantia
também não é normal.
Eu sou um nobre espanhol,
sobrinho do falecido governador de Veracruz, que você sabe...
Eu sei perfeitamente quem você é, Gamboa.
O dinheiro não se importa com linhagem ou cargo.
Você compreenderá
que mesmo quando o Conselho das Índias
o tenha nomeado governador,
hoje suas garantias são apenas promessas em uma carta.
A solicitação foi negada.
Primeiro, pague suas dívidas, depois veremos.
Talvez pudéssemos ver a maneira
de você sair do nosso banco
com pelo menos...
400 florins.
Minha Nossa!
É...
o colar que Cortés roubou de Montezuma.
Achava que tinha se perdido na Noite Triste...
Eu disse que a minha não era qualquer garantia.
É suficiente para você?
Mais que suficiente.
Vale o que peço, e mil vezes mais.
-Temos um acordo? -Claro que sim!
Obrigado, muito obrigado, senhor.
Claro, lembre-se que é apenas uma garantia.
O colar é meu.
Seu tonali começou a jornada.
Não tema. Ele está viajando em paz.
Eu quero esta praça limpa antes do meio dia!
Estou enjoado de ver tanto sangue.
Todos eles mijaram nas calças.
Aqui está, capitão.
Você vai se mijar também ou o quê?
Cuidado, capitão, ele pode salpicá-lo!
Como pode desonrar uma dama com isso?
Mal dá para vê-lo!
Se afaste! Ou você gosta de mim?
Violência, Julián, é um monstro.
Quanto mais ela come, mais fome ela tem.
Amanhã a estas horas estaremos no mar.
Ouvi dizer que, em Bonaco,
o Harac colocou à venda sua frota de canhoneiras.
Assim que você tiver o colar...
O colar não está à venda.
Faz anos que você está atrás da frota do Harac.
É verdade que com esses navios
poderíamos atacar qualquer cidade.
Se não é para melhorar nossa frota,
para que você quer o colar?
Nem tudo nesta vida tem um preço, Julián.
Preparem os festejos de despedida da cidade.
E você acha que a Inés vai cumprir sua parte...?
Claro que vai!
O traidor que os levou até aqui também deve estar entre vocês!
Ela é a única que tem palavra nesta cidade de corruptos.
Se ninguém nos disser...
eu vou matar o traidor!
Animais... Destruíram tudo.
Quando nos levaram para fora, achei que fosse nosso fim.
Pelo menos eles nos libertaram, senhorita.
Libertar?
A liberdade será para você, que é uma índia,
mas para pessoas como nós, isso é um abuso.
-Carminia! -Carminia o quê?
Carminia o quê?
Por favor, não vou relaxar
até que os bucaneiros deixem Veracruz.
A fumaça dos cadáveres chega ao céu, senhorita.
Se eles continuarem matando pessoas,
o cemitério não será suficiente.
Ninguém vai morrer, Lorenzo me deu sua palavra.
E depois massacrou metade do exército.
Eles não eram veracruzanos.
-Você está justificando? -Claro que não.
Só estou dizendo que agora somos livres
para andar pela cidade, e daqui a pouco
-seremos totalmente livres. -Diga isso aos mortos.
Pobre Chaval, queira Deus que eu o encontre vivo.
Eu pensei que você não gostasse dele.
Eu disse "Chaval" para mencionar um homem honesto.
Senhorita Inés, Florián, o ferreiro, quer vê-la.
Más notícias?
Houve uma batalha ontem à noite em Veracruz.
O exército chegou de Jalapa, cercando a floresta.
Disse que Chicahua não estava na cidade.
Não.
Chicahua levou eles para lá.
Camaradas!
De acordo com o seu comandante,
há um índio aqui, entre vocês.
Inquieto.
E com uma boca muito grande.
Alguém o viu?
E, como vocês sabem,
o povo de Veracruz já é livre.
Aquele que me disser
onde está o índio que os guiou até aqui,
será libertado imediatamente.
Então você é o tagarela...
Deixe-me enforcá-lo eu mesmo, capitão.
Relaxe, relaxe...
Eu sei muito bem o que fazer com os traidores.
É a primeira vez que o vovô aceita enterrar um espanhol
com as honras dos nossos nobres.
Meu cabelo fica engraçado no seu pescoço.
Eu te disse que faria um colar com ele, Cuacoztic.
Você estava certa,
é muito mais afiado que o ferro.
Nada corta como a obsidiana.
É exatamente o que preciso...
Embora seu tonali esteja viajando,
Franco ainda está por perto.
Tem certeza de usar a sua vida para vingar a dele?
Eu estou viva graças a ele.
Ele me resgatou de uma morte certa,
me criou como se eu fosse a filha dele,
tudo que eu sei o aprendi dele.
Eu não vou abandoná-lo.
Vou vingar a morte dele,
e vou terminar a viagem que ele não conseguiu terminar.
Tenha cuidado lá fora.
Ninguém tentou caçá-lo?
Ninguém ousaria enfrentar ou caçar uma criatura como ele.
Ele mora entre dois mundos.
É por isso que estou te dizendo para ter cuidado... Cuacoztic.
Florián!
Vim assim que pude. Esperanza me deu sua mensagem.
Conseguiu?
Eu fiz o melhor que pude, Inés. Não foi fácil.
Eu conhecia muito bem o colar,
mas confesso que o desenho que você fez foi muito útil.
Como você conhecia tantos detalhes?
Eu o tive muitas vezes em minhas mãos.
Era do León. Você se lembra do León?
Sim, o menino que a besta devorou na floresta.
Ele era o verdadeiro dono.
Foi dado a ele por sua mãe, Ketzaly.
E onde está o verdadeiro colar? Se eu puder perguntar...
Reze por mim, Florián.
Se isso funcionar, você terá salvado Veracruz.
Você tem que buscar o Chicahua e trazê-lo conosco.
Não consigo ver Chicahua em minha mente.
Quando é que vai acontecer?
Quando você vai embora, avô?
Logo.
Eu sei que você não gosta de espanhóis,
mas você deve encontrar o Chicahua.
Eu tenho que vê-lo antes de partir.
Acho que sei onde está.
-Ele é um tolo. -É o seu irmão.
E esse cheiro?
Eu estive caçando.
Não... Você cheira a ossos velhos.
Yolcatl.
Onte à noite fui buscá-lo, e quando o tive de frente...
aconteceu.
A onça despertou o nahual que você tem dentro.
Agora você sabe. Conhece o seu nahual.
Não tema.
Vá buscar o Chicahua.
Rápido.
Você é orgulhoso, índio? Não quer gritar?
Isso eu queria ouvir!
Afinal de contas, você não é tão duro...
-Maldito índio traidor... -Chicahua!
O que você está fazendo, animal?
Cala a boca, mulher,
se não quer ser espancada também,
mas nas nádegas!
Lorenzo decretou uma trégua.
Lorenzo...
pode chupar meu rabo!
-Ele é apenas uma criança. -Apenas uma criança?
Na idade dele, eu já havia deflorado várias como você.
Talvez seja isso que você queira...
Não! Não!
-Solte-a! -O que há com você?
Acha que todas as mulheres desta cidade são suas?
A senhorita está certa.
Decretei uma trégua e você a está quebrando.
Ninguém lhe deu autorização para espancar índio nenhum.
Este índio é o maldito tagarela que trouxe um exército para cá.
Eu pensei que iríamos punir o traidor.
Van Hoorn...
pensar nunca foi seu forte, certo?
Na verdade, seu cérebro diminuto
nunca deixa você tomar as decisões certas.
Silêncio!
Esse índio não é um traidor,
porque ele não é nosso servo ou nosso aliado.
O que você teria feito, Van Hoorn?
Teria se rendido ao inimigo
ou procurado ajuda para repeli-lo?
Já viu, Van Hoorn? Deixe-me pensar por você.
Estou...
começando a me cansar da sua arrogância.
Tem toda razão, Van Hoorn.
Todos os relacionamentos se desgastam,
até os mais profundos.
O duelo é sempre a melhor opção, se necessário.
Está me desafiando?
Você não consegue discernir entre uma análise e um desafio?
Guarde isso.
Se não quer que meus homens te enforquem por idiota.
Você e eu vamos acertar contas antes de sair desta cidade.
Quando quiser, Van Hoorn.
Ora, pessoal, vamos lá!
Leve o índio para o calabouço.
-Você está bem? -Sim, obrigada.
Na verdade, eu estava indo ver você.
Venha.
-Tonahuac, você queria me ver? -Vamos buscar o Chicahua.
Mande o Sihuca e os outros prepararem as armas.
Vamos precisar de flechas
e das espadas espanholas que coletamos.
O que você quer fazer?
Tirar o Chicahua da cidade.
Os bucaneiros acabaram de massacrar um exército inteiro.
Conhecemos a cidade muito melhor do que eles,
entraremos esta noite sem sermos vistos.
Faltam pontas de obsidiana.
Eu dei para Cuacoztic.
Para que ela quer essas pontas?
Lamento muito a brutalidade de Van Hoorn.
Ele não teve uma educação adequada,
então tem dificuldades em adicionar nuances
à sua selvageria.
Eu pensei que ele ia cortar sua cabeça bem ali.
Aprecio sua preocupação, mas sabe,
eu conheço Van Hoorn melhor do que ele mesmo.
A cabeça e coração dele estão corroídos pela dúvida.
E do que seu coração é feito? Eu me pergunto...
Metade beleza...
metade fúria.
Fúria por quê?
Injustiça, assumo.
Mas, devo confessar, às vezes
a raiva pela injustiça se mistura com o ressentimento.
O ressentimento é a injustiça encistada.
Sua tristeza se deve à injustiça.
A fúria se deve à injustiça.
Então, você e eu somos feitos da mesma coisa.
Que injustiça corrói seu coração?
O sofrimento do meu povo.
Que espero não se transforme em ressentimento.
Isso só depende de você.
Agora depende de você.
Eu cumpri minha parte.
Agora espero que cumpra a sua,
e que você e seus homens vão embora de Veracruz.
Sempre cumpro o que prometo.
Você estava aqui.
Os mapuches dizem
que toda criatura que se nos aproxima é um espírito
que volta do Ruca Pillán para nos dizer que está conosco.
O que é o Ruca Pillán?
É o grande vulcão habitado
pelos antepassados dos Mapuches.
Lembra quando estivemos com eles?
Você esqueceu?
Eu não gosto de vulcões.
Laki engoliu a minha família toda.
Sim, eu sei.
Mas o Ruca Pillán é diferente.
Quando você tem uma pergunta,
se olhar fixamente para ele e prestar muita atenção,
dá para ouvir a voz dele com a resposta.
Os grandes sábios mapuches
se voltam para ele em tempos de dúvida.
Envie-me borboletas.
Se um dia algo acontecer com você, envie-me borboletas,
então vou saber que essa não é outra história
que você está inventando para fazer eu me sentir bem.
Temos muitas viagens pela frente.
Você vai matar uma criatura sagrada.
Pai!
O que está fazendo aqui, em plena luz do dia?
Não, tudo bem, eu entreguei o colar pro Lorenzo.
Ele não percebeu nada.
Ele e seus homens vão sair de Veracruz.
É a melhor notícia que você poderia me dar.
Resista um pouco mais, pai,
vão libertar você logo e tudo será como antes.
Resista você também.
Vá, vá agora.
Lorenzo mordeu a isca até o anzol.
Bucaneiros nojentos.
Não só vão levar todo o ouro de Veracruz,
mas também estão esvaziando a adega do meu pai.
Desculpem, senhoras. Deveriam estar na igreja.
Não é domingo.
Mas não é de admirar que você não saiba.
Enquanto seja propício para saquear,
vocês não se importam com o dia.
Não espero que vão rezar.
Lorenzo preparou uma refeição para toda a cidade.
Ainda me lembro da última para a qual fui convidada. Não vou.
-Obrigada. -Não é um convite, é uma ordem.
Me deixe!
Eu estou unido a ele por um laço
que você nunca entenderia.
Yolcatl me mostrou meu nahual.
Eu viajei pelo mundo todo, vi tudo,
e sei que um homem é um homem e um animal é um animal.
Esta onça é sagrada para mim, Cuacoztic.
Esse animal matou o Franco.
Você quer matá-lo?
Pegue o caminho curto e mate-o,
mas vai me fazer um grande mal.
Matar o Yolcatl não vai te devolver o Franco.
Moradores de Veracruz. Peço um momento de sua atenção.
Caso não saibam, os manjares que veem aqui,
preparados pelas mãos hábeis do meu fiel René,
são para vocês.
É a minha maneira de agradecer a sua hospitalidade.
Isto quer dizer que esta
é a nossa festa de despedida.
A senhorita Inés colocou em minhas mãos
o objeto que me fez tomar essa decisão,
por isso é a ela que vocês têm que agradecer.
Onde está meu pai?
Não tenha medo.
Tudo o que você vê aqui é carne animal.
Certo, René?
Tudo isso é carne de porco, cordeiro e frango assado.
Espero que entenda por que duvido da sua palavra.
Pode duvidar da minha palavra, mas não da minha verdade,
já que eu não minto.
Seu pai, o governador,
Chaval e Dupont estão na masmorra,
ajustando os detalhes para a nossa partida.
Há alguém no salão que possa atestar
que o senhor governador está são e salvo?
Nosso pai está bem.
Eu o vi há pouco na masmorra.
E bem...
agora que a dúvida foi esclarecida...
aproveitem o banquete.
Muito obrigado pelo seu testemunho.
Foi inestimável para mim.
-Eu só disse a verdade. -Me acompanhe.
Se visse como esses animais engolem e bebem na igreja,
enquanto o Lorenzo se gaba, com as suas palavras,
como se fosse o rei desta cidade.
Maldito ególatra...
Queria fazê-lo engolir seus violinos.
E já viu o que fez com o Prieto e o Limán?
Ele os mandou trabalhar no cemitério,
ao invés de deixá-los aproveitar o vinho.
Caia fora.
Meu fiel Barbas está comendo comigo.
Caia fora.
O que há com você?
Agora você maltrata nossos homens também?
O que está esperando para parar o Lorenzo?
Onde diabos você viu um bucaneiro com esses modos?
Agora alimentamos nossos reféns com vinho!
Maldito afeminado,
ele nos faz parecer todos imbecis.
Nós cometemos um erro sério.
Até que enfim!
Vamos atacá-lo agora.
E se a tripulação nos trouxer problemas,
também cortaremos as gargantas deles.
Não, não é disso que estou falando.
Do que diabos você está falando?
A gente ficou esperando
que o Lorenzo conseguisse seu objetivo,
quando deveríamos ter ido diretamente para a fonte.
Porta!
-Aonde está me levando? -É uma surpresa.
-Eu não gosto de surpresas. -Eu já a desapontei?
Preferiria estar com minha irmã ou com meu pai.
Ainda não me disse por que ele continua trancado.
Uma simples questão de estratégia, só isso.
Venha.
Vamos pegar um atalho.
Eu não gosto de ir por aí. É perigoso.
Relaxe, eu conheço este lugar muito bem.
Não é a primeira vez que estou em Veracruz.
Não há árvores como estas em nenhum outro lugar do mundo.
Pelo menos, no mundo que conheço.
Se já esteve aqui, sabe que as únicas pessoas
que vagam pela floresta são os índios.
E a besta. É perigoso demais.
Eu conheço esta floresta muito bem.
Não tenha medo.
Tomei minhas precauções.
Eu a percorri com meu pai, muitos anos atrás,
quando eu era apenas uma criança.
Seu pai também era um bucaneiro ou...
foi uma arte que você adquiriu ao longo dos anos?
Meu pai era um comerciante de escravos.
Ele tinha um posto aqui...
em Veracruz.
Por favor, Lorenzo, eu imploro,
já te dei o colar, me permita voltar.
E perder a melhor parte?
O que é isso?
Vocês não respeitam nem o descanso dos mortos?
O que vão fazer?
Roubar as cruzes dos caixões também?
O trabalho está feito, capitão.
Mais alguma coisa ou será que podemos voltar?
Desculpe o incômodo, Prieto,
não vou mais precisar dos seus serviços hoje.
O que é isso?
Esse é o túmulo de uma criança.
O nome dele era León Oviedo, e morreu de uma forma horrível.
Caramba...
Receio que nós temos versões opostas.
Eu não sei o que você ouviu,
mas León foi atacado pela besta da floresta,
e foi esquartejado de uma forma que você nem imagina.
Você o viu?
Eu era uma menina!
Você era próxima dele?
Ele era a pessoa que eu mais amava no mundo.
E você, senhor, é um monstro!
Isso não responde à minha primeira pergunta.
Você viu o corpo?
Não, meu Deus!
Acha que meu pai era tão selvagem assim para me mostrar?
Se esse garoto foi importante para você...
imagine como foi importante para mim.
Eu assisti ao funeral, também.
Eu até ouvi sua mãe tossir,
ouvi o discurso pomposo do Padre,
e vi a expressão exagerada de consternação do seu pai.
A única pessoa que chorou genuinamente
a morte desse mestiço...
foi você.
Eu não sei quão próximo você era do León,
mas estou lhe avisando, devolva o caixão ao seu lugar.
Abra-o.
O quê?
Abra o caixão.
Você está louco?
-Não vou fazer isso. Não! -Abra a droga de caixão
e abra os olhos de uma vez por todas!
Por que você é tão cruel assim?
Olhe!
-Olhe! -Não...
Olhe aí e enfrente a verdade!
Olhe!
Não pode ser...
Seu amigo esteve vivo todos esses anos.
Meu pai me disse que esse é o colar que Cortés
-roubou de Montezuma. -Você jura?
Com meu coração, ou que eu morra agora mesmo.
León?
Eu sou o bucaneiro...
o mestiço...
Eu sou aquele que tem metade fúria
e metade tristeza no coração.
Mas a tristeza, minha querida,
não foi por causa da injustiça...
foi por causa do esquecimento.
Como ela foi sozinha para a floresta? É perigoso.
Confie em Tonahua, ele a trará de volta.
E se não trouxer?
E se a besta devorou os dois?
Lá.
O que há com você? Está louca?
Por que foi embora sem a gente?
Não fale assim comigo, você não é o meu pai.
Eu não tenho que pedir sua permissão para nada.
-Chicahua? -Ele não voltou.
Mas estamos prontos para ir buscá-lo.
Cuacoztic teve uma ideia melhor.
Do pescoço de Montezuma às mãos de Cortés.
Forjado pelos antigos...
manchado com o sangue deles.
Ele descansou no fundo, despertou o nahual...
Ele voltou no tempo, cruzando o Anahuac.
Ainda me lembro da primeira vez
que você me contou essa história.
O mar estava calmo...
Minhas pedras quicavam mais que as suas.
E isso me deixava zangada.
Deus...
Como eu ficava zangada...
Assim que cheguei em Veracruz e vi você,
imaginei que você se lembraria de mim.
Você teria o colar no pescoço e tudo teria sido diferente.
Eu fechei meu coração depois do que me contaram.
"León foi atacado pela besta da floresta."
Mas agora, olhando pros seus olhos,
não entendo como não pude reconhecê-lo.
Não se atrapalhe com lembranças, Inés.
Temos muitas coisas para conversar.
No quarto contíguo tem roupas limpas.
Nem o Cristo na cruz esses selvagens respeitaram.
Como podem beber e celebrar nesse momento?
Aproveite, Esperanza, assim que os bucaneiros partirem,
voltaremos a ser as servas de sempre.
Já repararam que eles não estão aqui?
É verdade. Não há nenhum bucaneiro à vista.
Talvez já foram embora.
Está com as partituras, Julián?
Está tudo.
Pronto.
Obrigado.
Esse vestido é simplesmente impecável.
Se a fera não te matou...
o que aconteceu com você?
Por que meu pai disse isso?
Seu pai é um mentiroso.
E, vamos admitir, você é exatamente igual a ele.
Achava que podia me enganar?
León, por favor, esse é o seu colar.
E continua mentindo? Deus, admiro sua coragem!
Passei 12 anos procurando esse colar!
Você poderia colocar um milhão de colares falsos
e nunca iria me enganar!
León, por favor,
foi um ato desesperado para acalmar sua loucura.
Eu sou louco?
Não se engane, querida. Aqui a vítima sou eu.
Meu pai não tem o colar!
-Eu também não! Ninguém tem! -Claro que ele o tem!
Você se lembra?
Verdade?
Eu adoraria fazer negócios com você.
Esta é uma grande quantia,
mas me desculpe, eu não o tenho mais.
Não o tem...
Não.
O dono dele, Damián de Gamboa,
pagou a dívida que tinha com a Companhia
e, como eu sou um homem de negócios,
não tive escolha a não ser devolver o colar
que, aliás, lhe pertencia.
Nós tínhamos um acordo, idiota.
Passei meses arranjando essa pilhagem.
Cuidado com a língua, mestiço.
Você pode vestir roupas finas e fingir que é um nobre,
mas eu sei perfeitamente quem você é.
Você é Lorenzo Jácome: bucaneiro, ladrão e assassino.
Você está absolutamente certo.
Eu sou tudo isso, mas também...
sou mais uma coisa.
Eu sou o dono desse colar.
Seu pai é um mentiroso, e você segue o caminho dele.
Você quebrou nosso acordo.
Seu povo vai pagar pela sua mentira.
Não entendo o que estou fazendo aqui.
Eu deveria estar livre. Seu chefe mandou!
Acho que o governador está enganado.
Lorenzo não é nosso chefe, é por isso que você está aqui.
Mas minha filha já entregou o colar.
-Existe um acordo. -Sabemos que o colar é falso.
E Lorenzo também sabe.
De fato,
foi ele quem nos deu a notícia, através de um dos homens dele.
Bem quando estávamos pensando em matá-lo e roubá-lo!
Você imagina essa situação?
Matar o Lorenzo por um colar falso?
Eu já lhes disse mil vezes que não tenho esse colar.
Talvez a sua memória o esteja traindo.
Eu acho que você tem esse colar.
-E não se lembra. -Não...
Portanto, vamos ajudá-lo a tentar lembrar.
Não! Solte-a!
-Não! -Papai!
Não, por favor.
Você entenderá que meu parceiro
não tem o decoro nem a paciência do Lorenzo.
Vai nos dizer onde está esse colar?
Ou vamos ter que assistir todo o ato?
-Não! -Não!
Não! Deixe-a! Por favor!
Por favor! Nós temos um inimigo em comum!
Nós temos um inimigo em comum!
Eu...
posso oferecer-lhes algo que vai lhes interessar
muito mais do que esse colar.
Por favor...
O que está acontecendo, estão comemorando o quê?
O governador deve ter feito um acordo com os bucaneiros.
Irmão!
Irmão!
Chicahua!
Chicahua...
você seria um ótimo médico, se não fosse um índio.
O que é isso?
Isso é pólvora.
Maldito índio,
confundiu um barril de vinho com um barril de pólvora.
Isso estava na entrada da igreja.
-Ai, meu Deus. -Por que há pólvora?
Eu não sei, mas é pólvora.
Não, não, calma, calma.
Silêncio!
Que música é essa?
É a mesma música que tocaram ontem à noite.
Antes do exército ser massacrado.
O índio não estava enganado...
É uma armadilha!
Vão explodir a igreja.
Chicahua.
Julián!
Acendam a pólvora!
Não! Por favor!
Me peça o que quiser, León, mas não faça isso!
Meu nome não é León.
León está morto.
Meu nome é Lorenzo.
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