All language subtitles for Sitiados.Mexico.S01E02.El banquete.1080p.WEB-DL.DDP5.1.H.264-NOGRP_track3_[por]

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Original subtitles

Vá para as Índias, diziam.

Aliste-se, você verá o mundo.

Você está aqui há pouco, mas reclama como um idoso.

Dois meses é tempo demais para ver como o governador

rouba o dinheiro dos impostos para gastar em festas.

Volte para a Espanha então.

Só estou dizendo a verdade, Manuel.

Alguém tinha que dizer a verdade nesta maldita cidade.

Anime-se. Nessas festas

sempre sobra comida, amanhã comeremos como reis.

Para onde você vai?

Eu vou reclamar na floresta.

O nagual não se incomoda com reclamações.

Não brinque com isso.

Isso é superstição de índio.

Fabricio!

Fabricio!

Onde esse idiota se meteu?

Fabricio!

Estou aqui, cara.

Aqui onde?

Aqui, perto da cruz.

Então se apresse.

Porra.

A gente não pode nem cagar em paz. Droga!

A fera na floresta levou outra alma.

Procuremos conforto pensando que tudo que acontece

é a obra do Deus Todo-Poderoso, nosso Senhor.

Foi a vontade Dele,

e nós nos ajoelhamos perante ela.

Que o menino León

descanse em paz, à direita de Deus,

até o dia da ressurreição final.

Amém.

Nosso Pai que está no céu, santificado seja Vosso nome,

venha a nós o Vosso reino.

Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu,

o pão nosso de cada dia nos dai hoje,

perdoai as nossas ofensas

assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...

A vingança é uma risada no momento errado

no espelho da solidão.

A justiça sempre chega,...

para todos.

Na Plaza de Santo Domingo, em Múrcia,

você vai encontrar a capela de Rosário.

Até Murcia por causa de um nativo?

Esse garoto é muito mais do que isso.

Você não percebeu?

Você pirou, seu bastardo.

Vá, entregue esta carta e deixe-o lá.

Os monges da ordem Dominica me conhecem,

eles vão recebê-lo e vão cuidar dele.

Com isso você tem mais do que suficiente

para as despesas e pelo incômodo.

Prometa que vai fazer isso.

Tudo bem. Eu prometo.

Agora anda logo e traga o índio,

que ainda tenho escravos para vender,

ou não vou poder embarcar hoje.

León.

Você tem que partir.

Mas eu não quero ir, quero ficar aqui com você.

Se você ficar aqui,

os mesmos que deixaram você na floresta,

mais cedo ou mais tarde, vão te encontrar

e dessa vez vão matar você.

Agora, eles são mais fortes que você.

Confie em mim.

Você irá para um lugar onde estará em paz,

você poderá continuar com a música,

eles vão te ensinar a ler e recitar em latim.

Você não gostaria?

Você vai estar bem.

Tudo vai dar certo.

Vamos lá. Temos que ir.

Com força, vamos!

Todos juntos!

Força, força!

Força!

Vamos, força!

Nós o advertimos, mas ele nos ignorou, senhor.

Onde viram ele pela última vez?

Ele saiu pelo portão da floresta.

Perguntamos onde ele estava,

e ele respondeu que estava perto da cruz.

E depois?

Depois nada, senhor.

Ouvimos gritos...

e mais nada.

Vovô.

Ele foi fundo demais.

Desta vez, conseguiu escapar.

Os amigos dele estão muito impacientes.

Venham a mim...

os cinco fados, que todos olhem para o mesmo lado,

e vocês, deusas Quato e Cox...

Quem é o poderoso e digno de veneração

que destrói o nosso vassalo?

Ir mais para dentro seria muito perigoso, senhor.

Não é momento para ser covarde.

Tomara que o Fabricio ainda esteja vivo.

Malditos índios...

Eu não gosto deste lugar ou desta floresta.

Estamos sozinhos aqui.

Você não conhece bem esses índios.

O que você sabe sobre eles?

Não sabe nada.

Poderiam massacrar a gente e ninguém ficaria sabendo.

Eles têm cheiro de cachorro morto.

Você cheira pior que nós.

Chicagua nos trouxe aqui. Nós não somos inimigos.

Pare!

Eu te disse que não queria estrangeiros aqui.

O vovô quer que eles fiquem.

Imbecil, quer que as patrulhas

saibam onde estamos?

A guerra acabou e nós perdemos.

É isso que eles querem que você acredite.

Vamos resistir e, se for necessário,

vamos morrer pelos nossos avós.

Eles são os que devem ir embora.

Eles são a praga e a desgraça da terra.

Protejam os estrangeiros!

-Morra! -Cuidado, soldado!

Cuidado, soldado!

Vovô!

Vovô!

Vovô, acorda!

Vovô, acorde!

Acorde.

Ela é a enteada de Franco, o explorador.

Tenha cuidado, ela está ferida.

Rápido, vamos levá-la antes que os índios a sacrifiquem.

Não, não, não!

Eu sou um nobre espanhol e estou lhe dizendo

que chegamos a este lugar por vontade própria.

Por estas paragens,

é minha obrigação garantir sua segurança, Sr. Franco.

Tania!

Ela estava na floresta, senhor.

Lá, perto dos sacrifícios.

Alguma notícia do soldado desaparecido?

Nada, senhor.

Senhor, são as armas do Fabricio.

O que você fez com ele?

Onde está?

Maldito índio.

-Levem-no! -Malditos bastardos!

Queime-los!

Eu não o ouvi entrar.

Desculpe minha impertinência, por favor.

Por que parou?

Interromper uma peça é pior do que interromper o sexo.

Vejo que não teve problemas para se acomodar.

Seu pai foi mais do que gentil comigo.

Tal residência em troca de um porco à bucana, nada mal.

Eu nunca tinha tido um alaúde árabe tão antigo

em minhas mãos.

É bem-vinda para tocá-lo sempre que quiser.

Deve ter custado uma fortuna.

Onde conseguiu isso?

Eu o salvei há muitos anos.

Ele quase foi destruí-lo.

Quem se atreveria a destruir um instrumento tão nobre?

Apenas um ignorante.

Está...

perfeitamente afinado,

é óbvio que você o toca com frequência.

Neste momento, eu gosto mais de ouvi-lo...

do que tocá-lo.

Eu decidi aceitar o noivado com o Sr. Dupont.

Nesse caso, minha intuição sobre sua visita falhou.

Eu prometi trazer-lhe uma corda de reposição para seu violino.

Você disse que não tinha,

mas tem um baú cheio.

Costuma mentir?

Se você se lembra,

eu disse que a corda do meu violino estava desafinada.

Eu não minto.

Vejo você hoje à noite.

Seu pai exagera com sua camaradagem.

Ele me nomeou cozinheiro oficial do evento

e me pediu os pratos típicos espanhóis.

Mas eu vou surpreendê-lo com um manjar

que ele nunca mais vai experimentar na vida...

Com licença.

Nem mesmo durante o cerco de Tabasco

vi você tão parco.

É verdade o que dizem, Julián.

Pior do que a morte é o esquecimento.

Você me assustou mesmo, menina.

O que diabos estava fazendo naquele boteco,

brigando com uns malandros?

Seu espírito rebelde nunca descansa?

Quem era ele?

Moro e Diaz disseram que era um marinheiro,

mas parece que fugiram... -Não, não ele.

Estou falando do guerreiro com o arco e a máscara,

o índio.

Índio?

Onde você o viu?

Eu pude ver tudo.

Eu vi a luta na floresta...

vi você, vi o Moro...

vi os soldados...

pude ver tudo, Franco...

como nos sonhos.

O que eles me deram?

Calma.

Descanse.

Terra enfim!

Ora, vamos lá!

Com força!

-Vamos lá, pessoal! -Com força!

-Com força, vamos! -Descarreguem tudo logo!

Ficar na terra me faz sentir enjoado!

Bem, acostume-se a isso,

porque vamos ficar aqui muito tempo.

Não tem nada aqui, do que diabos você está falando?

O que você queria,

tocar a campainha e que eles abrissem a porta?

Fica a 10 léguas naquela direção.

Seria ótimo chegarmos antes da meia-noite.

Ora!

Vamos lá!

Levem tudo para a terra antes que o sol se ponha!

Guardem as velas!

A carne de veado que comi no mercado estava deliciosa.

A gente não tem isso em Campeche.

Ah, e você ainda não experimentou

o vinho dos meus barris.

Vamos comemorar, Dupont,

daqui a pouco seremos sogros.

Ah, e aqui está o documento

que garante a minha renovação como governador.

Você terá, depois do casamento...

Nós nos conhecemos, Dupont...

Precisamente, por causa disso, Gamboa.

Eu quero mesmo provar o vinho de seus barris,

deve ser delicioso.

Este é o vinho dos meus barris...

Seu porco infame.

Eu estou prestes a lhe entregar a minha filha

e ele reclama por causa do meu vinho.

É melhor você manter o Dupont contente.

Sem o apoio dele, o Conselho poderia te remover.

Ultimamente, estou começando a ficar de saco cheio

dos seus comentários.

Eu encontrei o índio.

Estávamos procurando um soldado perdido na floresta

e nós o achamos.

Esse índio nos deve várias...

Porra, Chaval.

Por que, agora que a gente o tinha encontrado,

você não matou todos eles e arrasou a aldeia?

Poderia ter me trazido o cadáver dele.

Eu não encontrei a aldeia, eles estavam na floresta.

Por outro lado, Damián,

Franco de Olivares estava com eles.

Quem?

O amigo do rei?

O que ele estava fazendo lá?

Ele devia partir ontem de Veracruz.

Eu não sei, mas ele parece cada vez mais interessado

na cultura dos selvagens. Até tentou defendê-los.

Agora entende por que descartei a ideia de um massacre?

Cadê ele?

Olivares?

O índio, Chaval, acorde.

A porra do índio.

Quero ele enforcado hoje mesmo!

Senhor, o comandante do São Francisco.

Eu estava esperando Dom Franco de Olivares.

O capitão ficou cuidando da enteada dele,

então me enviou em seu nome.

Entre, então.

Sente-se.

Que prazer e que alegria que vocês estejam bem.

Vocês iriam para Cartagena, o que os impediu?

Tivemos uma pequena briga com marinheiros

num boteco no cais.

Que terrível!

Neste mesmo instante enviaremos todas as nossas forças

para encontrar esses bandidos.

Você perde seu tempo, governador.

Eles embarcaram para o oeste.

Primeiro os marinheiros e depois os índios...

Parece que vocês não tiveram muita sorte nesta viagem.

Nós acudimos aos nativos

depois que o seu médico deu a nossa amiga por morta.

Eu não estou entendendo, comandante.

Você está dizendo que os índios sequestraram vocês

por causa do meu médico?

Não, senhor, não houve sequestro algum.

Os nativos estavam apenas nos ajudando.

Eles estavam ameaçando um nobre espanhol com uma arma!

Acontece, comandante, que esse índio que capturamos

é o líder de uma tribo que mora na floresta.

Selvagens. Criminosos.

E do que ele é acusado?

Roubo, idolatria, assassinato...

tudo quanto você imagine.

Nós não vimos nada disso.

Eles são índios, não idiotas.

Dizem que eles têm um gosto especial

pela carne humana, de espanhol ou de mouro...

Você e seu pessoal tiveram muita sorte.

Faz tempo que queríamos pegar aquele índio

e, agora que conseguimos, vamos puni-lo.

E ele terá um julgamento.

Claro, e conto com o seu testemunho.

Governador, nós partiremos esta tarde.

Não, antes, vejo você no julgamento.

Governador, eu deixei muito claro que...

O índio ameaçou um nobre espanhol com uma arma,

não é verdade, Chaval?

É.

Eu só espero que você diga a verdade, comandante.

O índio será julgado hoje mesmo,

então receio que vocês terão que adiar sua partida.

Assim vai ser.

Salam aleikum.

Aleikum salam.

Deveria começar a se arrumar pra festa.

Pro funeral, quer dizer.

Ano que vem, você será a senhora de Campeche.

Estará rodeada de criadas que vão costurar

os melhores vestidos para você, feitos dos tecidos mais finos.

Vestidos? Tecidos?

Você só se importa com isso?

Você não se cansa, Carminia?

Não fica cansada de ser o que todos esperaram que você seja?

Não está cheia de cumprir os desejos alheios?

Você chama de "desejos alheios" a se casar com um prefeito?

Você endoidou?

E você?

Não sente desejos por nada que não sejam aparências?

Você já se perguntou

o que gostaria de fazer se fosse livre?

Às vezes sinto vergonha de você.

É por isso que você não tem nenhuma amiga nesta cidade.

Você é uma maldita ingrata.

Isto é incrível.

Já está curada?

Eles aceleraram o processo de cura,

eu não sei de que maneira.

Os indígenas têm um conhecimento da medicina

maior do que o nosso.

E não apenas aqui, mas no mundo todo.

Deveríamos aprender deles,

ao invés de tratá-los como selvagens.

-Não! Isso dói! -Tania!

Doutor, a esposa de Sánchez não responde.

Traga o Padre para lhe dar a extrema-unção.

O coroinha me disse que ele deixou um bilhete,

dizendo que foi para Jalapa com urgência,

só vai voltar na próxima semana.

Eu já volto, senhor.

Não deviam ter deixado que o levassem.

Deviam ter morrido por ele.

Morram logo!

Foi assim que Cortés ficou com a terra.

Por causa das nossas disputas internas.

Temos que buscar o Tonahuac

e resgatá-lo, ou morrer na tentativa.

Cadê o Chicahua?

Cadê o Chicahua?

Cadê o Chicahua?

Ele foi visto na cidade.

Chicahua!

Os outros já devem estar do outro lado.

Eu lhes disse para não atravessar o riacho.

A gente está algumas léguas atrás deles.

Só temos que evitar a floresta.

Vamos atravessar logo.

Não, está louco?

Já sabe o que dizem sobre esses lugares.

Prefere andar como um escravo e contornar essa floresta toda,

quando podemos cortar caminho por ela?

Vamos jogá-lo à sorte.

Quem pega o menor, escolhe o caminho.

Vamos atravessar.

Vão vocês, eu vou dar a volta.

Fala sério?

Você é um idiota.

Você é um covarde, Limán!

Vejo vocês do outro lado!

Atacar?

Do que você está falando, Sihuca?

Xochiel deu a ordem.

Mas eles vão nos matar a todos!

Sihuca, aonde você vai?

Ei, Chicahua.

Aonde estão levando toda aquela comida?

O que a cidade está comemorando?

A cidade?

Não me faça rir, senhor.

É uma festa do governador, para o prefeito de Campeche.

Dizem que ele entregará a mão de uma das filhas dele.

E seu amigo, por que ele fugiu assim?

Ele ficou magoado, por causa do que aconteceu com vocês.

Seu avô salvou a vida da Tania e eu agradeço.

Lamento que tudo tenha acabado tão mal para vocês.

O que aconteceu com o seu irmão?

Ele foi preso.

Faz tempo que o governador jurou vingança contra ele.

-Vão enforcá-lo. -Enforcar?

Qual a acusação?

Dizem que é ele que mata espanhóis lá no bosque,

mas isso não é verdade.

Eles vão enforcá-lo porque Tonahuac

nunca vai se ajoelhar diante deles.

Se ele não fez nada, por lei, nada podem fazer.

Senhor,

o governador de Veracruz sempre odiou o meu povo.

Ele é um escravista.

Ele nos quer escravos ou mortos.

Meu povo é orgulhoso e vai tentar resgatar meu irmão,

mas os espanhóis são muitos

e meu povo morrerá na tentativa.

O senhor é um nobre espanhol,

será que pode me ajudar?

Vou tentar.

Você diz que o seu irmão

não mata os espanhóis que vão pra floresta...

então, quem mata?

Esta neblina...

Não se afaste.

A única vez que vi algo parecido foi no Norte,

onde a terra é toda de gelo.

O mar se fechava como uma nuvem,

mas dava para ver os navios fantasmas navegando.

Fala sério, camarada?

Você tem medo dessas coisas?

Tenho mais medo do que não vejo, amigo.

Acredite em mim, as almas que eu vi lá...

estão aqui também.

Ajuda, ajuda!

Ajuda, ajuda!

Seu secretário me disse que o senhor mandou me chamar.

Dom Lorenzo, o dever não para.

Como vão os preparativos do banquete?

Tudo está indo perfeitamente:

molhos temperados com frutas silvestres,

carnes marinadas

e, o prato principal, que vai deleitar todos vocês.

Obrigado.

Diga-me, seria um problema para você

se eu te pedisse para adiar uma hora o jantar desta noite?

Claro que não, Sr. Governador.

Surgiu um julgamento que não pode ser adiado,

vai levar a tarde toda.

Conte comigo.

Droga de índio...

Tinha que ser logo no dia da festa.

Mas você sabe como esses selvagens são,

é impossível controlá-los. -Pai!

Desculpe.

Pai.

O que foi?

Inés não quer se arrumar.

Minha irmã, dando o que falar, para variar...

Licença, senhor.

De que diabos você está falando?

Termine de se arrumar,

não quer deixar o Dupont esperando.

Eu vou pra Espanha

para continuar meus estudos musicais.

O único lugar onde você tem que ir

é onde Dupont levar você.

Eu não vou me casar com esse porco.

Eu prefiro comê-lo à bucana a passar minha vida com ele.

Não, não, não!

Não!

Vai se casar com esse homem, vai ser a esposa dele,

vai acabar de se arrumar

e vai mostrar o seu melhor sorriso,

ou eu vou fazer da sua vida um martírio. Está ouvindo?

É verdade que o réu apontou uma arma para você?

Sim ou não?

Sim, senhor,

ele apontou para mim

e, anteriormente, tentou nos atacar pelas costas.

Você poderia apontar o agressor?

O testemunho é contundente.

O acusado está condenado à forca

por matar um soldado do rei da Espanha,

e pela tentativa de assassinato do homem presente aqui.

A sentença será imediata.

Fazer a guerra!

Chicahua!

Você me disse que ajudaria meu irmão.

-Você me traiu. -Quer se acalmar?

Eles vão enforcá-lo.

Eles não vão enforcar ninguém.

Se você quer que ele viva, então confie em mim,

mas primeiro você tem que dizer ao seu povo para não atacar.

Matem-no!

Matem-no!

Povo de Veracruz,

mais uma vez, a justiça deu seu veredito

em favor da verdade

e contra a barbárie.

Que isto sirva de exemplo para que o mundo inteiro saiba

que na Vila Rica de Veracruz

a lei de Deus é implacável.

Execute o prisioneiro!

Para a forca, para a forca!

Mate-o!

Senhor Governador!

Desde quando um preso é executado

sem permitir-lhe se confessar?

Que prazer vê-lo, Dom Franco de Olivares!

E vê-lo bem!

Lamento que tenha vivido tantas desventuras

por causa dos nativos.

Não fique de cerimônia comigo, Sr. Governador.

A lei é clara:

todos os nativos devem ser batizados

antes de sua execução.

Ele é um herege, um instrumento do diabo.

Com mais razão, então.

Chame um Padre para batizá-lo antes de sua morte.

Tragam um Padre.

Estão me informando que o Padre da cidade

teve que se ausentar por uma urgência,

até a próxima semana.

É claro.

Nesse caso, posso fornecer meu confessor, se você aceitar.

Um gesto magnânimo da sua parte.

Diga-me onde,

e eu mando buscá-lo neste mesmo momento.

O Padre Diaz deve estar terminando

suas orações vespertinas

e não gosta de ser interrompido.

É compreensível...

Mas creio que você não vai se opor

a batizar o índio nesta mesma noite,

e poderá executá-lo pela manhã.

É claro que sim, o senhor teve uma ótima ideia.

Cancelem a execução!

Até amanhã!

É uma bela peça.

Única.

Por causa disso, meu pai foi acusado e enforcado.

Era dele.

Por que não massacra todos de uma vez?

"Mestiço", Julián, vem de "misturado",

"mexido", "impuro", "falhado"...

Mestiço vem da decepção radical do espanhol,

porque quando ele pisou nesta terra para conquistá-la,

e fornicou com uma índia para estabelecer o seu sangue

e ratificar a sua conquista, ele cometeu um erro grave;

porque o sangue espanhol é fraco e nunca se impõe.

Espanhol com índia, mestiço; mestiço com espanhola, castiço;

espanhol com negra, mulato; mulato com espanhola, mourisco;

mourisco com espanhola, chino; chino com índia, salta atrás;

salta atrás com mulata, lobo; lobo com china, jíbaro;

jíbaro com mulata, albarazado; albarazado com negra, cambujo;

cambujo com índia, sambaigo; sambaigo com loba, calpamulato;

calpamulato com cambuja, "tente en el aire";

"tente en el aire" com mulata, "não te entendo";

"não te entendo" com índia, "torna atrás"...

Um verdadeiro caos de sangue, Julián.

Um verdadeiro caos reprodutivo,

um sangue que nunca mais se tornou espanhol.

Porque os espanhóis conquistaram a terra,

mas nunca mais conquistaram o sangue.

Então, eles os degradaram e os chamaram de selvagens,

bruxos, feiticeiros.

Eles os desprezaram e os puniram com a morte,

sem saber que esse desprezo era o caldo

em que o orgulho do mestiço era cozido.

Um orgulho muito mais forte e mais poderoso

que qualquer morte e qualquer tortura.

Um orgulho que nunca esquece.

Eu fui roubado por ser mestiço,

fui escravizado por ser mestiço,

cuspiram em mim por ser mestiço e me mataram por ser mestiço.

Por que não os mato de uma vez?

Bem, sabe,

eu apenas estou comendo o primeiro prato,

então não me peça para me engasgar.

René me pediu para te avisar

que o banquete está pronto para ser servido.

Certo.

Vamos começar a noite

com o concerto em Do Maior de Bononcini.

Uau!

Parece que será uma grande festa, capitão.

A primeira de muitas, Julián.

A primeira de muitas...

Será necessário substituir a voluta, o arco e o braço.

Mas não se preocupe,

eu já restaurei instrumentos em condições piores.

Consequências de dizer ao meu pai que irei pra Espanha.

Consequências de ser mulher.

Nunca pensei

que seria testemunha de tal rebelião.

Espero que não se incomode

por eu ter entrado no seu quarto.

Me surpreende que as criadas tenham deixado você entrar.

Você ficaria surpresa de quão sensível à minha simpatia é

a vontade das suas criadas.

Pegue meu braço.

Ainda temos tempo antes da festa.

Venha comigo.

Vejo que você é a inveja de todas as mulheres em Veracruz.

Elas me cumprimentam porque sou a filha do governador,

não porque me conhecem.

Alguém realmente conhece outra pessoa?

Eu gostaria de pensar que sim,

que você pode ser verdadeiro diante de outra pessoa.

Eu entendo sua melancolia,

mas apesar de suas boas intenções,

a verdade é que ninguém conhece ninguém

neste mundo de máscaras.

É a minha vez.

Sua vez?

Depois de tanto tempo, é a minha vez.

Sua vez de quê?

De brincar.

Com licença, tenho que ir à cozinha

para supervisionar os preparativos para a noite.

Ah, vejo você no jantar.

Eu não vou.

Não vou ficar noiva do Dupont, nem que me custe a cabeça.

Não, claro que não.

Vou falar com o seu pai

e tenho certeza de que ele vai mudar de ideia.

Você não conhece meu pai, não poderá convencê-lo.

Você não me conhece.

Meu poder de persuasão é irresistível.

Além disso, a música é celestial.

Este é um mundo de máscaras, Inés.

Lembre-se disso.

Por favor, você tem que assistir.

Leve o jogo às últimas consequências

e, mais importante que tudo, confie em mim.

Você não vai aceitar esse noivado, eu prometo.

Está despenteada e mal maquiada.

Ainda bem que minha mãe está morta para não ver isso.

Como vão seus encontros furtivos com o Chaval?

-Amanhã vamos enforcá-lo. -Mas, por que esperar?

Eu não queria incomodar o amigo íntimo do rei

por causa de um índio.

Dom Lorenzo!

Dom Lorenzo!

Sejam todos bem-vindos à festa da Vila Rica da Veracruz.

Depois da degustação da noite passada,

do maravilhoso porco à bucana que desfrutamos,

eu pedi ao nosso convidado especial

para nos surpreender com o jantar dessa noite.

Com a ajuda do meu chef pessoal, René,

que está comigo há mais de 10 anos,

apresento sua maior obra de arte.

Uma degustação de sanduíches

marinados com frutas silvestres;

acompanhados com a carne de um único animal,

cozinhada de todas as formas possíveis:

assada, marinada e cozida.

Uma sinfonia para o paladar.

Suponho que conhece Bononcini.

Eu conheço, sim,

mas não estou familiarizada com as músicas.

Não se preocupe, tenho certeza que você vai tocar direitinho.

Sente-se.

Habitantes de Veracruz, aproveitem a noite.

Isso é uma delícia.

Eu nunca tinha experimentado algo assim. O que é?

Aparentemente é uma espécie de porco.

É gostoso mesmo.

Capitão, com todo o respeito, não estou gostando disso.

Tudo está muito estranho.

Será rápido, prometo.

Estamos em dívida com os nativos.

Assim que chegarmos a Cartagena,

enviarei uma carta ao rei para que o governador seja removido.

Seu comportamento é inadmissível.

-Pronto. -Apesar dos meus pedidos...

Só tem dois guardas na masmorra.

Vamos lá.

Viemos para batizar e confessar o índio antes de sua execução.

O Padre pode entrar, você deve permanecer aqui.

Preciso que o Sr. Franco me ajude.

Ordens do governador.

E para quem você vai prestar contas, soldado?

Ao governador ou a Deus?

O índio e o outro ficam aqui.

Nós vamos te batizar, filho.

Parado, índio.

Perdoe-o, Senhor.

Chicahua nos enviou.

Em nomine patris, filii, et spiritus sancti.

Aleluia, aleluia, laudon dominic...

Patri, filii, e spiritus sancti...

Ele vai ler o Novo Testamento desde o início.

Isso durará várias horas.

Esse índio está muito sujo.

Temos que ir embora.

-Quanto isso vai me custar? -Do que está falando?

Primeiro vocês me acusam e depois vêm me resgatar?

E tudo por nada?

Tome isso, caso você precise.

Agora estamos do mesmo lado.

-Vamos! -Vamos!

Separem-se!

Vamos!

Para acima!

Pelo outro lado!

Vamos!

Bucaneiros... De onde diabos eles saíram?

Eles devem ter trazido da Espanha,

porque aqui não comemos isso.

Bravo, bravo!

Bravo, Dom Lorenzo.

Você nos deleitou com alguns pratos

que nunca havíamos provado.

Não, não, meu querido governador,

o jantar ainda não acabou.

Como?

Falta o prato principal.

Diga-nos que animal é esse que estávamos comendo,

porque alguns aqui sugeriram que era um porco,

e eu digo que é um animal estrangeiro que, sem dúvida,

você trouxe em seu barco.

Estou certo?

Muito pelo contrário, meu querido Damián.

Vocês estão provando a carne de um animal autóctone,

absolutamente veracruzano.

O sabor doce que vocês percebem

é devido à sua dieta rica em gorduras, cervejas e álcoois.

E é bem conhecido por todos

que a parte mais gostosa desse animal

é sempre a cabeça.

Chega de tanto mistério, Seu Lorenzo,

diga-nos qual é esse animal.

-Aproveite, senhor governador. -Obrigado.

Meu Deus! O que é isso?

O Padre...

O Padre Jeremias.

O que há de errado, Damián?

De repente ficou impressionado com o que acabou de comer?

Vamos, aproveite a cabeça.

Ainda não sabe quem eu sou, Damián?

Não sabe quem eu sou?

Boa noite, veracruzanos!

Olá, Lorenzo...

O que diabos você está fazendo aqui?

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