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PROIBIDO INVADIR
Dawn...
"À BEIRA DO ABISMO"
Estamos falando de um curso Intensivo de 6 semanas.
Cada um de vocês ficará com um paciente do Hospital Cape State...
que tem 1.7OO pacientes.
Para aqueles que nunca estiveram nesse hospital, fiquem avisados:
Não será uma excursão, nem tratamento para neuróticos leves.
É a ciência como se lê nos livros.
O hospital abriga psicóticos de verdade.
Por trás dos portões, há uma comunidade totalmente operacional...
com seu próprio corpo de bombeiros e delegacia...
e até mesmo um CEP exclusivo.
Vão conhecer seu paciente e estabelecer uma relação-padrão...
com entrevistas e seu talento para a comunicação.
Vão documentar o passado deles e descrever seu progresso atual.
Já vou avisando: Alguns pacientes...
são mais complexos do que outros.
Se forem reprovados neste curso...
jamais se tornarão médicos.
Por isso, o prazo é de 6 semanas.
Cada um recebeu um kit com uma lista de diretrizes.
Leiam-nas com atenção.
Aí dentro, vão encontrar uma chave...
e o nome...
do paciente.
Don Wake.
Acalme-se! Vamos!
Desculpe.
- Pensei que tivesse me visto. - Não, não vi.
É culpa minha. Esqueci de colocar os guizos hoje.
Sei que não sai com caras da faculdade...
ou com cara algum, mas...
não consigo parar de pensar que...
Estou muito ocupada. Minha agenda está lotada.
E eu tinha que estar num lugar e estou atrasada.
Vai devolver meu livro?
Bom, não sei. Vamos fazer um...
Tudo bem, a gente se vê depois.
Foi mau. Foi mau.
NÃO SEJA REPROVADA
HOSPITAL CAPE STATE
Depois dessa, não confio em mais ninguém.
Como é que é?
Tenho poder para substituir você.
Quero saber por que fazemos isso.
Só precisam me dizer isso.
Por que assistem ao mesmo programa dia após dia...
e nós ficamos sentados aqui, sem fazer nada...
só coçando, feito macacos...
esperando o maldito Apocalipse!
Opie concorda comigo, certo?
Vamos esclarecer isso.
Mude de canal, por favor. Vamos tentar esclarecer tudo!
Mude de canal, droga!
- Don Wake? - Isso.
Ele está na solitária no momento. Mas posso te dar um quadro geral.
Diagnóstico, entre outras coisas, TEPS...
Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
De novo, não!
- Foi internado pelo assassinato... - Sim, eu li a ficha dele.
Ou boa parte dela.
Quando o encontraram, ele estava coberto de sangue...
parado feito uma estátua. Leu isso?
O caso não foi a julgamento por falta de provas...
e porque ele não disse uma palavra, e continua não dizendo.
- Tem tudo isso na ficha. - É, eu...
- Até quando ele fica na solitária? - Não precisa ficar nervosa.
A enfermeira disse que ia receber visita, e ele não aceitou bem.
Mas, agora, ele já se acalmou, não se preocupe.
- Beth, prepare a sala de entrevistas. - Está pronta.
Maravilha! Pode ir.
Oi, Don. Como se sente esta tarde?
Na verdade, ainda é de manhã, certo?
Já é quase meio-dia. Cheguei perto.
Virei ao hospital de vez em quando para conversar com você.
Meio que visitar, jogar conversa fora...
Tudo bem se eu vier conversar com você?
Sou estudante de medicina, o que já deve ter percebido.
Já deve ter visto muitos de nós.
Diz aqui que você está no Cape State já há algum tempo.
Se eu vier visitar você, seria...
Seria ótimo se pudessemos contar coisas um ao outro.
Você acha...
Estava lendo seu prontuário...
e vi que crescemos na mesma cidade.
Não acha estranho, Don?
Passei a noite pensando nisso.
Vou te contar uma história. Na verdade, é uma piada...
Preste atenção.
Uma família se reúne à mesa para jantar...
e a mãe diz ao filhinho: "Gostaria de rezar?"
O menino abaixa a cabeça e diz: "Deus, agradeço pela comida.
Adeus, vovó". No dia seguinte, a avó morre.
Naquela noite, a mãe diz ao menino: "Gostaria de rezar?"
O menino abaixa a cabeça e diz: "Agradeço a comida. Adeus, papai".
No dia seguinte, a mãe vê que está ficando tarde, e o marido não chega.
Ela liga para o escritório e pergunta por que ele ainda está lá.
Ele diz que teve um dia péssimo...
que ficou com tanto medo de algo acontecer que não saiu de sua sala.
A mulher dá uma risada e diz: "Acha que seu dia foi ruim?
O carteiro passou por aqui e caiu morto na varanda!"
Entendeu?
Só pode ser. Vi a radiografia, e está tudo infiltrado.
Lassing se divertiu, para dizer o mínimo.
Vamos ver se alguém vendeu um neural.
Clássica.
Fica cada vez mais divertido, não, doutora? Posso te chamar assim?
"Doutora" é legal, não acha?
Eu tenho que...
O tal Don Wake está sendo difícil, é?
Bom, vou para o "País das Maravilhas".
Não leve para o lado pessoal. Cada paciente é de um jeito.
Ele nem olha para mim.
Como vou passar no curso se ele nem se dá conta da minha presença?
É como se eu estivesse sozinha. Ele é um fantasma!
Lembre-se de que alguns pacientes são mais psicóticos...
e requerem uma investigação mais metódica e elaborada.
- Tenho sido investigativa. - Não seja superficial nesses casos.
Há métodos e práticas que foram provados muitas e muitas vezes.
Utilize-as para perfurar essa concha.
Lá dentro, vai encontrar grandes quantidades de ciência.
Alguns pacientes não exigem o uso de algo não-convencional?
- Algo drástico, só para acordarem? - Se fugir de padrões e princípios...
acaba numa posição comprometedora.
- Não sei, não. - Fique nos limites do hospital...
e vai descobrir que tudo que precisa saber...
está ali mesmo.
HISTÓRICOS DE PACIENTES
INSERIR NOME DO PACIENTE: WAKE
MEDICAÇÃO
UIROPROMAZINA
CAFÉ COM LEITE CAFÉ PURO
CAFÉ COM AÇÚCAR
Oi, Don.
Como se sente esta manhã?
Mais um dia lindo. O sol saiu.
Dormiu bem?
Eu não dormi, mas não interessa, certo?
Às vezes, a gente só precisa de uma boa noite de sono.
Parece que a sua foi assim.
Eu estava lendo a história deste hospital...
e tem muita coisa interessante.
Foi construído no início dos anos 2O.
Mas não parece. Parece ser muito bem conservado.
Não acha?
É um lugar lindo.
É mesmo.
Antes que eu me esqueça...
Imaginei que você poderia tentar. Eu nunca chego nem perto...
Veja o que consegue fazer.
Eu teria cuidado.
O quê?
Cuidado?
Don, pode me dizer com o que devo ter cuidado?
Tudo bem.
Podemos falar disso na próxima.
Se estiver disposto.
Talvez possa pensar no assunto, e depois nós conversamos.
Malachi! Ele está de olho em você!
Ele observa cada um deles! Aí! Não beba esse café!
Não beba! Ele vai mantê-la aqui dentro! Aqui dentro!
Dentro!
Não o deixe fazer isso! Não deixe! Tire o copo dela!
Não deixe! Não beba! Não!
- Don, o que está acontecendo? - Ele está te observando!
Injete 2 mg. Ele está ficando mais forte.
Não, deixe-o falar! Don, conte o que está havendo.
Ele está te observando.
Espere, pode me dizer... Don!
Oi, querida.
Só fui buscar umas gostosuras. E você?
Deixei o Sr. Herman na...
Não devia ver televisão demais.
Faz mal para a vista.
E para a mente.
Quer lama?
Você quer lama?
Não é lama de verdade.
Mas também não é pudim de verdade.
Eles não dizem o que é.
Só colocam na caixinha de pudim.
O Opie adora. Não adora, Opie?
Coitadinho do Opie.
Ele nem sabe onde está.
Sabia que eu tenho um burrinho no meu quarto?
O nome dele é Don.
Um babaca!
Eu vivo te assustando.
Estou desarmado.
Por favor, doutora. Você está lendo!
Eu estava pensando em fazer isso.
Café, só um café.
- Quero tomar grãos... - Detesto café.
Então, não sei se vai dar certo.
Desculpe. Eu sei que me esforço demais.
Tudo bem, nada de café.
Você anda?
Ando.
Acompanho você, então. Nada de café, prometo.
Está bem.
Não vamos nem falar de café.
Vou tirar a palavra "café" do meu vocabulário.
"Café" não é mais... Está bem. Desculpe, doutora.
Não me chame de doutora.
Eu sei...
Sei que não podemos conversar aqui, mas...
está procurando o que, doutora? Desculpe, doutora.
Quer dizer, desculpe.
Talvez eu possa ajudar.
Pode devolver estes para mim? Obrigada, Ted, você é um amor.
Os ventos estão na leitura.
Oi.
Olá.
O que temos aqui? Vejamos...
Ótimos livros.
Tenha uma boa leitura, querida.
- Obrigada. - De nada.
Oi, Don.
Bom te ver de novo.
- Acho que eu não disse meu nome. - Eu sei. Claro que eu sei.
- Mas ainda não estamos prontos. - Como?
Nós não estamos prontos para conversar.
Nós quem?
Não sei. Pense melhor.
Não sei se estou entendendo.
Vai entender com o tempo.
As capacidades da mente são incríveis. Quase assustadoras, não?
- Acha que a mente é capaz do quê? - Sei tanto quanto você.
Nós dois sabemos.
Não sei se estou entendendo.
Pode explicar?
Não sei se posso confiar em você.
Só quero saber o que você pensa.
Don, pode me falar sobre Malachi?
Ele viu você entrando aqui? Não o deixe saber sobre a gente!
- Prometa que não vai deixar. - Não deixar Malachi saber?
Nenhum deles, principalmente Malachi!
Se eles nos virem conversando... Não podem ver.
Eles estão sempre observando, e virão atrás de você se souberem.
Virão atrás de você. Vão te pegar de qualquer jeito.
- E vão se livrar de mim. - O quê?
Esta conversa não aconteceu.
Prometa que esta conversa não aconteceu, está bem?
Está bem.
Não beba nada. Vão te trazer para dentro.
Estão se aproximando.
Você precisa encontrar o que estão procurando e trazer para mim.
- Encontrar o quê? - Aquilo. Vai!
Vai! Não beba nada! Não coma nada!
Quem é você?
O quê?
O que está fazendo? Isso é meu!
Você fala inglês? Isso é meu!
Saia!
Não entendo o que está dizendo. Esta é minha casa!
Saia!
O que está fazendo aqui?
Meu Deus! Espere!
Foi o que eu disse.
Está começando a penetrar a muralha que ele criou...
confrontando os sentimentos e os demônios. Frente a frente.
Está ajudando a amolecer a carapuça.
Ele me falou de uma conspiração...
que alguém vai começar a procurar algo que eu devo encontrar.
Alguns pacientes nossos têm alucinações...
nas quais acreditam piamente. Para eles parecem reais.
Precisa aprender a reconhecer isso.
Alguns tentam te manipular para conseguirem o que querem...
então, não aceite tudo que ele disser...
ou vai se desviar do problema real.
Ele faz parecer que é uma ameaça à vida.
É o exemplo clássico. Leia sobre o assunto, se familiarize...
utilize para encontrar um diagnóstico. Por isso está aqui!
Só pode ajudá-lo se separar as alucinações da realidade...
...e entender que ele é doente. - Eu sei. Eu sei.
Mas...
Uma mulher entrou na minha casa.
Ela parecia perdida, mas acho que estava procurando alguma coisa.
E acha que isso tem a ver com um paciente trancado num manicômio?
Não pode levar uma coincidência dessas...
a sério. Você sabe disso.
Principalmente, no caso de uma doença tão grave.
Eu sei.
Escute...
tive um paciente anos atrás, um senhor...
que dizia ser o filho de Deus que ia inundar a Terra novamente...
e que eu podia ficar na Arca com ele se lhe pagasse US$ 1O mil.
Ainda estou esperando a chuva.
O prognóstico de um paciente depende do tratamento que recebe.
Precisa manter-se mentalmente saudável. Sei que é uma provação...
lidar com a dimensão dele. Mas se concentre, e dará tudo certo.
Ei!
Acha que é melhor do que a gente?
Não, claro que não.
Estou sabendo.
- O quê? - "O quê?"
Estou sabendo de você e do Ted.
Como assim?
Todo mundo sabe.
Pois é.
Tchau!
Ele está pronto. Devo confessar que...
embora ele coma mal, nunca o vi tão ativo.
Deve estar fazendo algo para mantê-lo agitado assim.
Normalmente, ele fica sentado, viajando com unicórnios ou sei lá.
É perturbador, mas não dá para se acostumar com isso.
Todo mundo aqui tem sua versão para a verdade.
Quero descobrir qual é a dele.
Continue investigando. Vai saber.
Pode haver outras vítimas além daquela mulher.
Ele está pronto para você.
Certifique-se de que ele se comporte.
Don já atrai problemas demais.
Tudo bem.
Sei que faz total sentido, mas é só unir as peças.
Como se sente hoje?
- Falei com... - Triste.
Como?
Estou me sentindo triste. Não foi o que perguntou?
Está se sentindo triste há muito tempo?
Não gosto dessa pergunta. Próxima pergunta, por favor.
Desculpe.
Don, sei que está infeliz aqui.
Gosta de alguma coisa neste lugar?
Além do cheiro do seu sabonete?
Ele me lembra...
Lembra...
Tem muita coisa para lembrar.
Conte sobre uma lembrança sua. Só uma.
Qualquer uma. Alguma coisa do seu passado.
Eu conhecia uma garota. Ela ria e brincava o dia todo.
Ria e brincava.
Quando você a conheceu?
Ela era tão pequena e inocente. Cheia de sorrisos.
Seus sorrisos brilhavam mais que o sol.
Ela era sua amiga?
Eu achava que sim.
Mas agora, não.
Acho que não vou vê-la mais.
Por que pensa nela?
Ela era especial para você?
Porque tentaram me fazer esquecer.
Não podem me fazer esquecer.
Não essa garota. Não o que aconteceu com ela.
Pode contar o que aconteceu com ela?
É o que eles não querem que saiba.
- Quem? - Malachi.
Ele é maior do que se pode entender. Ele manda por aqui.
- Ele controla tudo. - E acha que ele quer pegar você?
- Acho. - Por quê?
Porque eu vejo. Eu vejo o que eles não vêem.
O que você vê?
Você vai saber. Seus olhos...
vão se abrir.
Don, precisa me contar o que está havendo aqui.
Prometo que vou ouvir.
Diga o que você quer que eu veja, Don.
Don, diga!
Vamos!
Por que estava lá dentro? Essa casa é minha!
O que isso quer dizer?
Precisa ir embora. Saia!
Vou dar queixa à polícia.
Malachi está vindo.
Tenha cuidado.
Pois não?
Olá. Sou eu.
Quem é?
Hora de me deixar entrar.
Não sei quem é.
Estou perdendo a paciência com você.
Ted?
Vá embora, por favor. Deve ter se enganado de quarto.
Vai nos deixar entrar uma hora. Essa hora vai chegar.
Volto para te buscar. E,quando voltar...
não vou pedir.
Bom dia, querida. Dormiu bem?
- Posso ajudá-la? - Só vim dar uma olhada em você.
Ouvi barulho durante a noite, e vim dar uma olhada em você.
Bem...
já que você está bem.
Está me observando?
Pelo amor de Deus, querida. Claro que não.
Eu já vou.
Olha você aí.
Quer comer alguma coisa?
- Sabe onde eu moro? - O quê?
- Onde estava ontem à noite? - Em casa, sonhando com você.
- Deixa pra lá. - Já sonhou com um anjo?
- Deixa pra lá. - Devia experimentar.
Escute, Ted.
Você ê um amor. É um amor e é gentil, mas só isso.
Desculpe. Eu vou...
Tem muita coisa acontecendo. Estou super ocupada.
Para ser sincera, não tenho energia suficiente para conversar com você.
Sinto muito.
Não sou um amor.
Preciso saber o que está havendo, e preciso saber já.
Tem gente me olhando de outro jeito...
falando comigo de outro jeito. Don, um homem foi à minha casa.
Precisa me contar o que está havendo.
- O que está havendo? - Só posso dizer o que você acredita.
Diga.
Por que não me tira daqui?
Os médicos decidem isso. Não tenho esse poder.
Tem, sim. Tire-me daqui.
Não posso vê-los levando você.
- Não posso te tirar daqui! - Você gosta da ignorância.
Feche os olhos e acorde um dia com eles amansando você...
com garrafas, agulhas e pílulas.
Eles querem isso de nós. Querem isso de você.
- Estou tentando. - Eles nos vêem, observam...
e estão se aproximando de você. Rasparam a cabeça do Opie hoje...
e a sua é a próxima.
Por quê?
Por silêncio.
Don, Opie não fala.
Exatamente.
- Estão se aproximando, e não vê. - Diga-me o que aconteceu.
Vou te dizer a verdade.
Por favor.
Ela morreu e perdeu muito sangue.
Com a pele branquinha e limpinha...
vazia...
...e pura. - Deus!
Éramos tão jovens...
tão inocentes...
com tanto medo. Mas agora não somos mais.
Somos torturados, engaiolados...
não somos mais assim.
Você matou a garotinha e a mulher?
Don, só nós dois estamos conversando. Me conte.
Às vezes, a percepção é forte o bastante para paralisar.
Somos macacos engaiolados orbitando em volta da sanidade humana.
- Você as matou? - Todos nós somos assim.
Estamos voando mais e mais para as profundezas da realidade.
- Droga, Don! - Eu não as matei!
Mas ela ainda não sabe disso.
Sangrei por estas veias!
Sangrei tanto quanto ela.
- Mas não matei! - Então, quem foi?
Liberte o segredo. A garotinha está esperando.
A caixa.
Não...
Don...
Não, ainda não acabamos. Por favor?
Vamos. Vamos!
Opie, consegue falar comigo?
Opie, por favor. Precisa me contar o que sabe.
Tudo bem. Sei que há segredos aqui.
- Precisa me contar... - Com licença.
Isto não é adequado. Ele não vai contar nada.
Seu paciente não é o Opie.
Venha. Use as pernas. Vamos lá.
Malachi!
O que você quer? Estou bem aqui.
Precisa me contar o que está acontecendo.
Sei que você fala inglês.
Precisa me contar quem está fazendo isso.
Malachi? É ele? Preciso saber quem está fazendo isso comigo.
O que sabe sobre isto?
Fale, caramba! O que está acontecendo?
Ela sabe de uma coisa que eu preciso saber.
Com licença!
- Ela sabe o que está havendo! - Deixe-a em paz.
Ela veio para me procurar!
Ela tem mal de Alzheimer. Não sabe onde está.
Mas preciso da ajuda dela.
Está procurando no lugar errado.
Há 4 semanas...
veio me perguntar como ia passar se seu paciente não falava...
nem interagia com você. Agora, parece que ê o contrário. Sim?
Obrigado, Ed.
Isso está fora de controle.
Precisa se afastar e observar. O que acha que vai acontecer com você?
Eu não sei.
Tudo está se encaixando.
- Don diz que para... - Espere aí.
Ele está dizendo a você o que fazer? Não é por aí.
Lembre-se que eles estão lá dentro, e você, aqui fora.
Não pode confundir isso. Se não discernir isso...
vai ficar perdida no mundo deles...
e não vai saber para onde ir, que é o que acho que aconteceu.
Você não compreende a dor. Ele a está transferindo para mim.
Recomendo fortemente que se distancie emocionalmente deste caso.
Está perdendo a capacidade de ser objetiva.
Seu paciente precisa de uma médica, não de uma amiga!
Se eu não ouvi-lo, quem vai ouvir?
Diagnóstico clínico não é fazer massagem!
É ciência a sangue-frio!
E sua confusão neste caso só vai levar a águas turbulentas.
Se não mudar de rumo... Quer saber?
O caso pede uma intervenção mais agressiva.
A terapia de eletroconvulsão...
sempre é uma opção para pacientes nessa condição.
Volte lá e determine quem ê o paciente e quem ê a médica.
Não há intermediários.
- Chocolate? - Não.
Não aceita doces de estranhos, é?
E tampouco conversa com eles.
Não estou entendendo. Está brava comigo?
Tudo bem...
Eu passo mais tarde. Você esfria a cabeça, e jogamos.
Passar?
Não. Pensei que quisesse conversar com alguêm.
Não, não quero conversar com ninguêm...
não preciso esfriar a cabeça, nem jogar um jogo, Ted.
Compre um bicho de estimação. Chega a ser patético!
Não sou patético.
Que tipo de bicho?
Deus...
O que está lendo?
Não sabia que se interessava por Psicologia.
Em voz alta, para eu poder ouvir.
"Seguro a respiração por mais um segundo, e estouro enquanto caímos.
Na nossa única golfada de ar fresco, compartilhamos o sofrimento.
Estando tão longe do que fomos um dia e do que iríamos nos tornar...
aqui me deito, sem ser descoberto. Estou imerso nesta sombra...
e coberto por este cobertor...
- Muito promissor. - Você escreveu isto?
Não. Você sabe quem escreveu. Está no poema.
Analise com cuidado e vai entender.
- A garotinha escreveu? - Está esquentando...
A garotinha escreveu? Quando conseguiu isto?
Don, não apague agora.
Estamos chegando mais perto. Concentre-se.
Eu não disse nada em voz alta.
Pode dizer, então?
Não sou telepata. Não consigo ver na minha cabeça. Preciso de você!
Você precisa ver. Aquela caixa não tem chave.
Para saber o que houve com ela, para abrir a caixa...
precisa se transformar nessa garotinha.
A dor, o sofrimento...
Precisa vê-la se desmanchando.
Precisa se transformar nela.
- O quê? - E você vai.
- Diga-me o que tem dentro. - Don, o que está fazendo?
- Por que o sol não brilha tão forte? - Don, não faça isso, por favor.
- Liberte-se. - Não sei o que está fazendo.
Sua mãe é amada? A pergunta que deve se fazer...
é se ama sua mãe.
Claro que sim, mas estamos falando de você. Não me inclua.
Você veio até mim e não pode voltar.
Por que o sol não brilha tão forte?
Não sei.
Garotinhas não podem brincar lá fora se o sol não brilha tão forte.
Algumas nunca podem brincar no leito do rio.
Pare, por favor.
Meninas que desobedecem e brincam no leito do rio não são amadas.
Algumas, brincam por lá sem ligar para as consequências.
Pare, por favor. Pare.
Você brincava mesmo assim. Queremos ouvir você dizer.
- Não brincava. Não brincava. - Precisa se perguntar.
- Isso ê culpa nossa? - Cale a boca! Cale!
Ela mandou não brincar por lá, mas você foi do mesmo jeito.
Vamos atingir toda essa culpa que tem aí dentro...
girando e cuspindo onde ninguêm pode ver?
- Deus... - Tantas perguntas nos fazemos.
Nos atrevemos a aceitar a culpa e ficamos com ela!
Por favor, pare.
Ela foi punida por sua desobediência e queimou...
por você!
E isso fica sob controle do Malachi...
porque sua mãe pagou o preço.
Mas você a matou!
Se eu a matei, você tambêm matou.
Não matei.
Não o quê? Diga.
Diga. O que você não fez?
Diga, e eu fico livre.
Preciso ir para casa.
Sabia que a garota sentiu muito mais dor?
Eles a fizeram se dobrar, e ela morreu na agonia dessa dor.
Ela viu tudo e sabia.
Era a única que podia me libertar.
Agora, tenho você.
Você pode mudar isso.
Me tire daqui. Me tire daqui...
para eu provar.
E tudo isso vai acabar.
Ai, Deus!
Sabíamos que isso ia acontecer.
Eu estava tão concentrada. Pensei...
que se pudesse entrar dentro dele e me ligar a ele...
que eu poderia ajudá-lo.
Os pacientes nos manipulam para mudar nossa percepção...
mas nunca vi uma aluna ser atacada mentalmente e desistir tão fácil.
Eu senti a dor dessa garotinha.
Eu vi o que ela viu.
Ele estava no comando, e não consegui me libertar.
Você escolheu se abrir e se colocar em posição tão vulnerável.
Você...
deu as costas para as bases da ciência médica e, portanto...
...elas deram as costas a você. - Eu sei.
Não vou mesmo pedir para que assuma outro paciente.
Está há 5 semanas no caso. Não pode fazer nada para consertar isso?
Não.
Estou muito decepcionado.
A relação instável que você criou com o paciente ligou você a ele...
e você dar as costas a isso é injusto com você e com ele.
Eu sei.
Meu conselho é não desistir, pois você será reprovada.
Não há alternativa, você será reprovada.
Se largar o curso agora, sua carreira acadêmica aqui acaba.
- Não vai me ajudar? - Você não está se ajudando!
Já que escolheu a reprovação...
precisa explicar a seu paciente que a suspensão de seu tratamento...
não se deve a ele, mas à sua incapacidade de alcançar resultados.
Tudo bem.
Tenho pena de você. Tenho mesmo.
Parece que está com problemas.
Pegue. Pegue com as mãos.
Segure firme.
Me passe o aparelho. Segure firme!
Deus...
Sem livros...
...sem sorriso. - É.
Don, seu cabelo.
Eles estão prontos. Malachi já sabe.
Vou morrer amanhã.
Precisa me tirar daqui.
- Não posso. - Não vai.
Tudo isso me dominou.
Eu não sei mais o que fazer...
além de não vir mais aqui.
- Isso é assassinato. - Por favor...
me deixe terminar. Já é difícil como está.
- É o começo do fim. - Fim...
Da gente.
Sinto muito.
Nunca vai saber o quanto sente muito. Não será capaz.
Não vai parar em mim.
Você já está escorregando, eu posso ver.
Vão tirar tudo de você, tudo.
Não consigo comer, Don. Não consigo dormir.
Não tenho mais controle sobre o que vejo.
Sobre nada.
Estou perdendo o juízo. Estou perdendo completamente.
Don...
você é muito doente.
Médicos brilhantes te puseram aqui porque tem algo errado. Lamento.
Lamento muito quanto a isso.
Mas, de vez em quando, me lembro de você, claramente.
E não quero viver o seu pesadelo.
É o único jeito de eu te mostrar.
Não aguento a forma como controla meus pensamentos.
Estou perdida dentro disso.
Perdi todo o meu mundo.
Eles não vão devolvê-lo.
Escute...
eu posso devolvê-lo a você. Eles não sabem disso...
mas eu vou devolver. Tem que confiar em mim. Tem que...
confiar.
Me tire daqui para que eles não possam mais te tocar...
para que eu não fique preso. Escute...
se eu puder provar minha inocência, tudo isto vai acabar.
Então, prove.
Vou provar, mas tem que me tirar daqui.
- Não posso. - Vai tirar.
Me tire daqui. Liberte a verdade.
Não me importa se foi você.
Só quero sair dessa.
Se me matarem amanhã, você jamais verá o sol novamente.
Sinto muito.
Dando a volta na roseira Com os bolsos cheios
Viu? É disso que estou falando.
Dando a volta na roseira Com os bolsos cheios
- Cinzas,cinzas... - O que está fazendo?
Cinzas,cinzas
Todos eles caem
Cinzas,cinzas
Todos eles caem
Cinzas,cinzas
Todos nós caímos
Cinzas,cinzas
Todos nós caímos
Sei lá, houve um problema com o procedimento. Coitado do Opie.
NÃO SEJA REPROVADA
Não posso mais viver assim.
Preciso que você dê um jeito de acabar com isso.
Ainda há tempo.
- Como acabamos com isso? - A verdade vai te libertar.
Vai libertar a nós dois. Mas temos que encontrá-la.
Para provar sua inocência?
E tudo isso vai acabar?
Vai.
Finalmente, vou poder dormir?
Nós dois vamos.
Siga-me.
Com licença.
Onde estão os pacientes?
- Sabe que horas são? - Preciso muito falar com o Don.
Sinto muito, mas não é possível. Volte pela manhã.
Malachi me mandou falar com Don.
- É importante. - O que você disse?
- Que Malachi me mandou. - Não saia daí.
- Certo. Para onde vamos? - Só precisa confiar.
Você tem todo o resto: Vontade, necessidade, poder.
Confiança ê o último passo.
Naquela direção.
Acho que não devíamos estar aqui.
Ligue os faróis.
Saia. Não tem volta.
Não, temos que ir embora.
Está quase no fim.
Alguma coisa não está certa.
Só assim, vamos acabar com isso.
O que vai fazer?
Feche os olhos.
- Não. - O que acha que te trouxe aqui?
Não fuja agora. Confie em mim. Eu prometo.
Não fomos feitos para respirar na escuridão dos cantos do mundo...
mas para respirar entre as coisas belas e reais.
Muralhas de pedra só ficam mais fortes...
só se unem ainda mais.
Não fomos feitos para ficar dentro delas. Está na hora.
As muralhas não vão aguentar.
Você vai se libertar.
Don!
Don, pare!
Dawn...
- É culpa minha. - Não é.
Não posso esquecer você, mãe. Não posso.
Eu sei.
Sinto muito. Muito mesmo.
Se eu estivesse onde você tinha mandado...
- É tudo culpa minha. - Nada é culpa sua.
Nunca foi culpa sua.
- Eu matei você. - Não.
Você está se matando.
Olhe para mim.
Você estava morta.
Me deixe ir embora.
Me esqueça e comece a viver.
Diga. Diga que vai fazer isso.
Vamos, por favor.
Diga. Diga agora.
Vamos lá.
Você consegue.
Diga. Vamos.
Eu vou.
Eu te amo.
Hora de ir embora,Dawn. Tudo correu bem.
Nesta sociedade, descobri que muitas coisas são certas:
A Medicina, o tempo, e a doença também.
O mais certo é que, quando lidamos com doentes mentais...
não há certezas.
Após 14 anos aqui, no Hospital Cape State...
Dawn Wake não respondeu a absolutamente nenhum tratamento.
Após minha avaliação rígida e cautelosa...
consideramos utilizar terapia de eletroconvulsão como último recurso.
Eu tinha convicção de que não havia esperança de ela viver em sociedade.
Mas, utilizando ferramentas da ciência dadas pela Psiquiatria...
eu consegui invadir seu espírito humano e arrancar o demônio...
que a assombrava há tanto tempo.
Essa perícia me permitiu curar...
curar verdadeiramente.
Agora, temos diante de nós alguém tão saudável quanto nós.
Dito isso, recomendo que Dawn Wake seja considerada...
mentalmente capaz de viver em sociedade.
Cuide do nosso quarto.
Te vejo no café da manhã.
O cabelo não vai parecer muito normal lá fora, vai?
Não, está ótimo. Ótimo.
- Acha mesmo? - Claro. Fica bem em você.
Não se preocupe.
- Pegou todas as suas coisas? - Peguei. Estão arrumando para mim.
Vai sentir falta daqui?
Bem, não sei. É o que vou descobrir.
Nunca me preocupei muito, mas que bom que me deixou sair.
Você me ouviu.
Obrigada.
Sabe onde eu estou.
Se a luz acabar de novo... Vai ficar bem. Boa sorte.
O programa acabou! Hora de ir para a cama!
Vamos lá! Vamos lá! Fazendo fila!
Vamos lá, minha gente!
Muito bem.
Anna, venha aqui!
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