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Se ela deixar alguma sombra de farda, eu estouro a cabeça dela.
O delegado implantou uma cabeça de ser farda dentro de uma mochila que eu dei
pra filha dele, pra poder me incriminar.
Que romance com a filha do delegado, é isso mesmo?
Vocês ficam tão preocupados em traçar um perfil pro serial killer, que não
enxergam e não tem um ali, bem diante do seu nariz.
Isso é uma confusão?
Você também não tem curiosidade de saber como é sentir uma vítima, né?
Eu sou namorada do Edu.
Ele não estava comigo quando aconteceram aqueles crimes.
Obrigado por confiar em mim, senador.
É só você que está sendo acusado.
É ela.
Mãe! Mãe!
Eu vim para te lembrar que você tem uma filha.
Oi. Oi.
O Edu é uma máquina de matar.
Tá perdendo o controle.
Alô? Eu tenho pensado muito na nossa família, filó.
Edu? Você pode me dizer onde é que é a estrada que leva pro Rio de Janeiro? Ah,
eu tenho um mapa aqui, peraí, vou pedir a graça. Por favor.
Ah, meu filho.
O que foi que você fez?
A senhora não está acreditando no que
eles estão falando, não é?
Para casa.
Ela queria alugar para a senhora, não?
A senhora contou alguma coisa para alguém?
Falou com alguém?
Não, meu filho.
Não falei com ninguém.
Pedi para o juiz para ver você.
Só isso.
A senhora tem que sair, hein? Vai começar a audiência.
Vai, mãezinha, vai.
Brian? Ali, ó. Foi o que ela disse quando eu pedi pra falar com o juiz.
Senhora.
Senhora.
É você que tá acusando o meu filho.
Ele é um menino bom.
O que ele fez com você foi por desespero.
Não é da natureza dele maltratar ninguém.
A senhora chamou ele de Brian?
Foi o nome que eu dei quando ele nasceu.
Cheio de tentar a vida nos Estados Unidos, eu gostava desse nome.
Depois a gente voltou para o Brasil e ele quis botar o nome brasileiro para
poder ser político, crescer aqui dentro.
Mas ele trocou.
Me preocupou.
Trocou. Tanta gente troca, né?
Os outros chamam ele de Eduardo.
Edu.
Mas pra mim vai ser sempre meu Brian.
Meu Brian.
Pra quem tinha uma nervosidade em craque que tava até ontem na UTI entre a vida
e a morte, ela não me parece muito bem, não acha, não?
Ele não alivia nem a mãe.
Isso é muito comum entre os psicopatas.
Se fazerem de vítima, contarem histórias tristes para despertar a piedade nas
pessoas. Quando você tem pena de alguém, você se desalma.
Olá,
Jane.
Estou apenas falando do Brasil. Como você está?
Estou bem.
Estou bem, obrigada.
Ele está no escritório de qualquer chance?
Posso falar com ele?
Estou ferrada demais.
O que
vou fazer?
Podia estar acontecendo?
Não, meu Deus do céu, não podia acontecer.
Vou
fechar, tá?
Tá bom.
Muito injusto comigo isso.
Muito injusto. Gente, o que que é isso? A gente tá errado isso aí, né? Tem que
tá errado. Vou fazer de novo.
Tô na condição de ter outro filho agora. Meu Deus, não acho que eu tô.
Não, não tem condição mesmo.
Ai, meu Deus do céu, você nunca ouviu falar de pílula, de camisinha.
E a gente esquece dessas coisas quando tá apaixonada.
Tá, agora você fica calma porque a audiência é daqui a pouco. Você tem que
lá. Eu não vou a lugar nenhum. Vai!
Tem que tá em lugar nenhum, não.
Você vai sim. Você recebeu essa intimação. O oficial de justiça entregou
mão. Quem é que vai me obrigar? Quem é que vai me obrigar aí?
Por que você não entregou essas coisas pra polícia? Pra quê? Pra que eu vou
entregar pra ajudar a polícia a prender o Edu?
Por quê? Quem é que vai cuidar de mim agora? Quem é que vai cuidar da Larissa
agora? Quem é que vai me ajudar com essa gravidez? E se o Edu for culpado? O
delegado, ele não é culpado. E se ele for culpado?
Ele não é culpado.
Você não tá atrasada pro seu trabalho, não?
Tô.
Tô indo.
São proibidos o uso do celular, gravador e máquina fotográfica no plenário.
Processo número 2837901, dígito 64, de 2014.
Audiência de instrução e julgamento.
O réu está presente?
As testemunhas estão presentes?
Não estou entendendo, Dias.
A rainha não está aqui.
O senhor achou mesmo que ela ia testemunhar contra ele? O promotor não
mão do depoimento dela.
Ele vai saber fazer com que ela confesse que ela não sabe o que é tudo isso.
Vocês estão aqui porque
foram apontados como testemunhas desse processo.
Eu vou ler os termos da acusação ofertada pelo Ministério Público contra
Eduardo Borges.
O Ministério Público Estadual oferece denúncia em face de Eduardo Borges pela
prática do crime de homicídio duplamente qualificado, previsto no artigo 121,
parágrafo 2º, inciso 3 e 4º do Código Penal.
Segundo a denúncia, o réu Eduardo Borges foi o autor do homicídio contra a
pessoa de Cassiana Maia.
Na noite da data do fato, o réu Eduardo Borges, conhecendo os problemas
emocionais da vítima e abusando da confiança nele depositada, engendrou e
executou a trama que culminou na prática criminosa.
Vocês acham que eu disse safra mesmo depois do exame de DNA?
O Dias está todo suspeito com essas denúncias todas.
E está muito claro o interesse pessoal dele em prejudicar o rapaz.
Fanta que esse cretino não tenha sido defenestrado ainda.
Afastar agora seria admitir que o governo falhou.
O senador vai esperar o fim das eleições e aí ele roda.
Senador. É verdade que você emprestou o sítio para esconder esse serial killer?
Para esconder, não.
Para garantir que o rapaz tivesse um julgamento justo.
Mesmo assim, eu não consegui.
Para garantir a sua candidatura, você quis dizer.
O que tem de errado nisso?
Morreram três garotas em Lagos na noite que ele passou lá. Eu falei.
Dona Silvia começou a passar na TV.
Morreram três garotas. Você não vai puxar uma passeata? Você é líder das
passeatas? Fica quieto que eu quero escutar.
Assim, o réu restou em curso nas penas previstas no artigo 121, parágrafo 2º do
Código Penal, razão pela qual o Ministério Público requer a sua
A testemunha Vera Miller permaneça, as demais sejam retiradas.
Excelência, pela ordem, eu como advogado formado e habilitado gostaria também de
promover minha defesa. Em conjunto com o advogado já constituído, claro.
Ficou louco. Você se prejudica.
Eu sei o que estou fazendo, assim. Eu defiro o ingresso do réu a algum
de sua própria defesa. Excelência, se possível, eu gostaria também de me
à bancada de defesa.
Sim, por favor.
Obrigado.
Não faça isso, Helo. É um gol contra.
Pera, amiga. A senhora é amiga do Helo da vítima? Tem alguma relação parentesca
com o Helo da vítima?
Não, Excelência.
A senhora está comprometida a dizer a verdade sob pena de incorrer em falsos
testemunhos? Sim, Excelência.
Onde e quando conheceu o Helo?
Na força -tarefa.
E tínhamos uma relação estritamente profissional.
Eu me refiro a um
livro que pertence a ele, que foi encontrado na casa dele e inclusive foi
assinalado por ele em algumas páginas. Existem também outras fotografias e
pinturas. De outras poses, de outras vítimas.
Excelente. A testemunha está induzindo a pensarem que o réu cometeu mais crimes
do que está sendo acusado.
A senhora se atenha ao que lhe foi perguntado, por gentileza.
Doutora Vera, qual é a importância de que a vítima tenha sido encontrada em
pose? É uma característica dos serial killers que nós chamamos de organizados.
Eles arrumam em pose o corpo. Não estamos tratando de nenhum serial killer
doutor.
Sem mais perguntas, Excelência.
Qual a palavra, Defesa?
Doutora Vera.
A senhora tem razões de sobra para guardar mágoas de mim.
Num ato de extremo desespero, eu usei a senhora para fugir da morte nas mãos da
polícia.
E me penitencio disso.
Aqui, diante de todos, eu peço seu perdão.
Meu sincero perdão, Dona Vera.
Quanto a esse livro que a senhora se refere, a senhora podia explicar como
conseguiu ele?
Esse livro é seu e estava na sua casa. Inclusive foi assinalado por você mesmo.
Eu vou refazer a pergunta.
O que a senhora fazia na minha casa?
A senhora disse que nem me conhecia.
Nunca teve intimidade comigo.
Eu nunca tive e jamais terei.
A senhora sabe que pode sair daqui presa por falso testemunho, não sabe? Não
entendo sua insinuação, senhor. Não é uma insinuação, doutora.
É uma advertência.
Quando a senhora se apoderou desse livro, o que a senhora fazia na minha
fora de uma cama policial?
Estava investigando -o, obviamente.
E a senhora costuma investigar seus suspeitos na cama dele?
Ou foi um caso óbvio?
O que?
Excelência, não vou tolerar desrespeito a este momento. Prove o que está
dizendo, senhor. Quem tem que provar alguma coisa aqui é quem me acusa.
Mas eu tenho algumas fotografias que comprovam que a senhora passou para trás
comigo.
Estou com meus advogados, por favor.
Se eu não me engano, tem uma que ela está sentada na minha casa. Essa aí.
Olha, todo mundo sabe que a senhora tem um caso no delegado Dias.
A polícia toda sabe disso.
Aqui é só mais uma prova da perseguição do delegado Dias à minha pessoa.
Está suspensa por 15 minutos.
E aí?
Tô seguindo a pista da foto que ele mandou do lago onde jogou a Ângela.
Aqui na Deep Web tem muitos fóruns que trocam fotos bizarras. O Edu deve estar
no esquema. Faz duas semanas que você tá nisso aí.
É tudo servidor pirata, cara. Não deixa a raça. Tem que se infiltrar pra
conseguir alguma coisa aqui.
Caraca.
Maneira essa.
Onde eu encontro foto...
Gente tangoada.
A equipe tá pronta, Dias.
Assim que escurecer, a gente vai na casa dele fazer a perícia de sangue. Vai
levar a noite toda, né?
Tá. Te dou notícia.
Material que foi colhido pela perícia de lágrimas. Ótimo. Cadê as balas? Estão
aqui. Obrigado.
Fazer exame de balística com essas balas que ele meteu na polícia de lá, hein?
Nelson! Nelson!
Ó, pegou esse aqui pro Dias também.
Coloca na mesa dele que depois eu mando pro fórum. Tá. Obrigado.
Está vendo quando eu falava que você se expunha quando você tomava iniciativas
por conta própria? Ah, mas eu vou processar esse desgraçado. Não cabe
Vera. Ele está exercendo o direito de defesa. Que direito de defesa, tia?
É só o que me faltava. Vou deixar um assassino me caluniar, obstruir justiça.
Imagina. Injustiça ou não, aqui se considera direito de defesa. Aliás, aqui
réu fala o que quer. Pois eu não tenho.
Era o cônsul que estava vindo para cá.
Mas não disse que era, não.
É só esperar que não seja pra defender o Edu, né? Já que ele é um cidadão
americano. Não, não, não, era só o que me faltava. Não, não, não, não, não,
não, não.
Edu, a sua chance de sair dessa é se mostrar um jovem desprotegido, pobre,
esmagado por uma máquina corrompida, poderosa.
E o que você faz?
Você demonstra que é mais inteligente do que eles.
Demonstra que não seria enganado por nenhum deles.
Mas foi ou não foi o nocaute?
Você viu a reação da plateia?
Mas que plateia, Edu?
Quem é que está preocupado com plateia aqui?
Se você quiser sair dessa, você tem que jogar para os altos, não para a plateia.
Parece que eu joguei para os dois.
Você está entendendo?
Na mosca.
Os tiros que atingiram o policial saíram mesmo dessa arma.
Manda levantar se tem registro.
O primeiro contato foi quando intimamos a comparecer na delegacia para explicar
o que um isqueiro pertencente a ele estava fazendo no local do sequestro da
vítima Ângela Maria Corrêa.
Excelência, o caso Ângela nem sequer foi denunciado. Aqui trata -se de
esclarecer o homicídio de Cassiana Maia.
O senhor se atenha aos fatos relativos ao caso em questão, por favor.
Excelência, a testemunha só está dizendo como conheceu o réu.
Que outros fatos relevantes fundamentaram a sua convicção de que o
É o culpado do crime. Conheci a vítima Cassiana Maia.
A voz da vítima se organizou. Mas o sangue dela foi encontrado na sua bota,
rapaz. Quem plantou sangue pode ficar.
Eu ainda não passei a palavra para a defesa.
Continue, por favor.
Conheci a vítima, tinha o endereço da vítima e a namorada dele fez uma
registrada nos nossos arquivos.
Um kit encontrado no carro dele com elementos utilizados para práticas
criminosas. Uma prostituta o reconheceu como o sujeito que tentou sequestrá -la.
Ela conseguiu escapar com uma algema no braço.
A chave que abria essa algema estava no kit encontrado com ele.
Estranhamente, esse kit, que devia ter ficado na delegacia que o apreendeu,
Excelência, foi mandado para a Força -Tarefa, onde se acrescentou a ele tudo
que convinha.
Delegado, me diga.
Há uma prova de DNA que ligue diretamente o réu. O réu.
A vítima Cassiana Maia?
Bom, nós fomos à residência dele com um mandado de busca e apreensão.
Fizemos a varredura na casa e no carro.
O DNA foi colhido de uma bota que nós encontramos dentro da casa dele.
Era da vítima Cassiana Maia.
Exame este, Excelência, feito pelos peritos da Força -Tarefa, é claro.
do mais alto gabarito, reconhecidos como os melhores deste país.
Não vai ter mais uma observação, não, meu colega. Não, meu colega, coisa
nenhuma. Eu não sou seu colega. Você me respeita, você me respeita. Eu não vou
tolerar tumultos na audiência.
A promotoria se dá por satisfeita.
Com a palavra, defesa.
Delegado Dias.
O senhor reconhece esse e -mail onde o senhor agradece ao senador Otto a
indicação de Eduardo Borges?
Nesse e -mail o senhor até se elogiza a ele.
Escrevi, sim.
Mas isso foi antes de descobrir a autoria dos crimes.
O senhor fala crimes?
Só há um homicídio denunciado aqui.
Um. Nós temos razões de sobra para supor que... Aqui vale fatos e não
suposições.
E essas suposições começaram assim que o senhor ficou sabendo do envolvimento do
acusado com a sua filha, não foi isso?
Não existe envolvimento nenhum da minha filha.
Essas mensagens comprovam que sim.
Que a viu.
E a presença da sua filha nesse tribunal, acho que diz que...
Aqui, sendo usada contra mim, por aquele bandido.
Celina, não tem como eu arrancar ela pelas orelhas. Eu estou preso aqui no
tribunal e o Assis está ameaçando uma cariação.
Você é responsável, sim. Eu não estava em casa e você estava, Celina.
Eu não estava no seu escritório quando a Tati se moveu com esse tipo. Quem
estava lá era você, Dias.
Prestando atenção na Vera, em vez de prestar atenção na sua filha.
Merda. A menina escapou, doutor. Não está mais na plateia. E está pegando
lá dentro.
Excelência, por favor.
Excelência, pela hora. A promotoria insiste na oitiva da testemunha Rayane
Amorim. É uma testemunha importante para desmitir o ânimo do réu. É muito
importante, Excelência. É o mais importante que ela tem a dizer.
a promotora dizesse e traga a testemunha de baixo de vara.
Referido, os trabalhos estão suspensos até que a testemunha seja localizada.
Pois não.
Sim.
A senhora está intimada, compareceu fora para depor. Eu não vou em lugar nenhum.
O juiz mandou buscar a senhora. A senhora é obrigada a comparecer, eu vou
que levar a fossa. Eu não vou comparecer em lugar nenhum, ok? Boa noite. Ai, se
o juiz mandou, você vai ver. Se mexe aí, não me lata.
O que é isso?
Calma. Solta.
O Edu matou -nos nos Estados Unidos.
Como é que é?
Foi por isso que ele fez o nome.
O consul me deu uma cópia da foto do Edu e do Brian.
O Edu ou o Brian, eles estão procurando.
Eles fizeram uma prova biométrica de reconhecimento com a sua vida.
A novidade do Macbeth não deixa nenhum tipo de dúvida.
O consul me deu uma cópia do dossiê.
O chefe de hoje está a edição do Edu.
Ele fez quatro vítimas na Flórida.
Quatro assassinatos.
E você falando em roubo de bicicleta?
Vai lembrar que na Flórida tem pena de morte.
Eu me ia estudar essa notícia pra tu.
Menino bom.
Filho de ouro.
Estudioso.
Trabalhador.
Quando eu voltei dos Estados Unidos, ele ficou sozinho lá pra terminar os
estudos.
Nunca passou um mês que não mandasse uma ajuda.
Não, acho que a mãe dele nem desconfiava. Ninguém fica mais atonto
descobre um serial killer do que a própria família, diz.
Testemunho já chegou.
Obrigado. O policial deixou isso para o senhor.
do cadastro.
Caramba.
Tinha que ser você, né?
É afim do Edu, só pode ser. Tanto que vive perseguindo ele. Eu?
Ele me falou que você viesse oferecendo pra ele. Até na casa dele foi.
Ah, ele te falou isso, é. E ele te falou também que o nome dele é Brian, que ele
nasceu nos Estados Unidos e que por lá matou quatro mulheres?
Você é completamente louca. Qual a sua dificuldade de encarar a realidade,
Rayane? Qual o seu problema em entender o risco que você correu e que você fez a
sua filha correr? Ele não quer fazer mal nenhum pra mim, não. Nem pra Larissa.
Tanto que ele não fez.
Se você tivesse tanta certeza assim, você não tinha procurado a polícia. Eu
perdi a cabeça, tá?
Enlouqueci. Você nunca fez isso, não? Nunca fez nada que você arrependesse
depois? A mãe dele tá aí. Depois eu faço questão de te apresentar pra ela.
Ela saiu do hospital?
Não tem hospital, Rayane. Não tem hospital. Ele mentiu.
Depois que você der o seu depoimento, eu vou te apresentar pra ela. Não dá
depoimento nenhum, não.
Sou obrigada a dizer nada.
Não importa o que você acha do Edu.
Ele agora é pai do meu filho. Ninguém vem me obrigar a fazer nada que eu não
quero. Ele é o quê?
É isso mesmo, eu tô grávida. Tô grávida, sim.
Primão do testemunho da garota.
O juiz manda trazer ela sob vara e você... Ela tá grávida, Silvio.
Os gringos estão pedindo a extradição do Edu pra que ele cumpra a pena lá.
E eles sinalizaram positivamente. O problema é que se ele tiver um filho
brasileiro, não vão exceditar.
Só lá ele vai conseguir pagar pelos crimes que cometeu. Não vai ser aqui.
Assim você está preso pelo assassinato de Camila Rossetti.
Você está maluco, Dias?
Olha a gema.
E aí? O que é isso? O que está acontecendo aqui? Que porra é essa?
Eu exijo uma explicação para isso. Você tem que explicar o que o cadastro do seu
tênis estava fazendo no pescoço da vítima. Vai levar.
Porra, Dias.
Você está apelando, Dias. Isso é apelação, Dias.
Você sabe o que vai acontecer com você, não dá?
Você sabe o que eu vou fazer, não é?
Acabou com você, Dias.
Acabou. Eu vou no governador, Dias. Está acabado, meu irmão.
Não sobrou nada de nós, Silvia.
Nem a empresa, como você diz.
Nós somos uma empresa, lembra?
Talvez tenha deixado de valer a pena.
Você tá jogando suas cartas nesse menino, é isso?
Você acha mesmo que ele vai ficar com você se ele conseguir se safar?
Ele é ambicioso o suficiente pra isso.
E você...
Se permite ser usada assim?
Não, que eu tenho feito ao seu lado há anos.
Deve ser mais prazeroso com ele.
Senador.
O comitiva chegou aí.
Aqui? Sim.
Não me julgue, Júnior. Cada um sabe a vida que viveu.
Retirar a minha candidatura.
Se a iniciativa não for sua, Otto, será nossa.
Nós não podemos atrelar o partido à sua derrocada.
Nós já esperamos tempo demais.
Essa atitude deveria ter sido tomada antes, muito antes.
Deve haver algum engano nessa prisão do Assis, porque o Assis é livre. Você não
tem mais como se dissociar disso, Otto.
Até o seu revólver.
Meu revólver? Seu revólver. Me comunicaram isso agora.
O revólver que atirou nos policiais de Lagos era seu.
Meu revólver.
O que você fez, Silvia?
Você entregou o meu revolver para ele?
A
vida
acabou.
Só sei ser político.
Nunca fui nada.
Não sei ser político.
Mancaram a minha identidade.
Tiro o meu coração de ouvido mesmo.
com o Edu.
Por que o juiz não vai permitir agora?
Vai pra casa, Rai. E a mãe dele? Quer me apresentar? A mãe dele não apresentou
mãe nenhuma. Você vai ter outras oportunidades de conhecer a mãe dele.
com a sorte. Leva a sério o que eu tô te dizendo, Rai.
Não volta mais aqui. Não fica achando que o Edu vai se redimir por sua causa.
Ele não vai se transformar num homem bom. Você vai ver quando ele souber do
nosso espírito. Rai, por favor. Escuta o que eu tô te dizendo. Não volta mais
aqui. Me leva a sério.
Ele não vai ficar muito tempo preso. Essas mulheres vão continuar morrendo se
isso acontecer, por favor.
Tá tudo nas suas mãos.
Escuta o que eu tô te dizendo. Não volto mais aqui.
Tô cheia, meu. Tô cheia.
Hoje eu acho que todo mundo percebeu que eu fui vítima de uma grande armação.
Se aproveitaram da minha juventude.
Da minha inocência.
Fabricaram provas contra mim.
Meu próprio advogado me usando pra cobertar o crime dele.
Será que foi ele?
Eu não quero julgar ninguém.
Edu, você é inocente? E aí, Nelson?
Já começou?
Está me ouvindo, Nelson?
Estou te ouvindo.
Você não sabe usar maior.
Passou um rio de sangue aqui nessa banheira.
Amanhã eu vou atrás dela.
Pode ser que o material que eu tenho... Pode ser.
Não duvide do potencial de manipulação de um psicopata, Silvio.
Ô, Vera, eu lhe falei que esse caso não era fácil.
A gente só conseguiu ligar o Edu a um crime.
Mesmo assim, através de um exame que está sob suspeita. Mas o senhor escutou
que o Dias falou.
Tinha sangue naquela banheira. E de quem era esse sangue? De quando era esse
sangue? Ele já morava na casa?
Ô, Vera, eu não estou dizendo que ele vai escapar dessa prova.
Tá certo, isso é uma hipótese.
A gente tem que levar em consideração que a opinião pública está toda
a ele. Ela está encantada com ele.
Isso num julgamento... A gente depende muito mais da RAI do que a gente
imaginou, é isso?
Tanto para conseguir extraditá -lo, caso ela fique calada, quanto para condená
-lo aqui, se ela desmente o álibi.
Sou vizinha da Rai.
Oi, tudo bem?
Eu vim trazer isso pra você.
Posso estar fazendo tudo errado.
A Rai pode não me perdoar nunca, mas esse Edu vai acabar com a vida dela.
Oh, tu fica.
O dia é meu, eu não nego. Eu mesmo disse a você onde você podia encontrar.
E o cadastro, Cígio?
Cadê o cadastro?
Bom, isso eu não sei como explicar.
Um dia eu fui trocar de roupa para uma caminhada e vi que tinham tirado o
cadastro. A minha comadeira também não soube me explicar.
Até agora eu não podia acreditar que pudesse ter sido o Edu a cometer esses
crimes.
Para você ver como você foi injusto com a gente.
Às vezes eu tenho certeza que você foi vítima.
Mas eu preciso que você acuse o Edu.
que eu possa dizer isso oficialmente.
Foi ele.
Dias.
Nada como sentir na pele.
Ah, assiste.
Eu não sei se você sabe, mas o Otto retirou a candidatura.
E aí, Cícero?
Olha aí, chefe. Uma das nossas vítimas.
E a Maria Lúcia? Ele frequenta um fórum só de trangulamento. Eu fiz um programa
para interceptar esse servidor pirata. E que postarem mais uma foto nesse site.
Eu chego nele. Aí a gente condena.
Deportado não e não tem saída.
Para que isso?
Pedido meu.
Algema com as mãos para trás.
E algema com os pés também.
Está com medo de mim, doutora?
Diferente de você, Edu, eu aprendo com os meus erros.
Eu não sou uma psicopata.
Realmente você precisa das etiquetas?
São muito úteis quando se precisa saber com o que se está lidando.
Nath, você acha que esse transtorno, essa carência,
esse vazio dentro de mim
pode me fazer enxergar tudo errado?
Você acha que o Edu pode não ser como eu enxergo ele?
Tô tão perdida.
Às vezes eu acredito na Vera.
Às vezes eu acredito nele.
Eu não sei o que fazer.
Pode sair.
A gente tá aqui na porta, hein? Qualquer coisa, hein? Não vou precisar gritar.
Tá
confortável
aí?
Mais do que o chão naquele carro que eu te coloquei.
Mas vai piorar bastante, Brian.
Pode acreditar.
Ainda não é crime brasileiro querer ter nome de brasileiro, é?
Quando está sendo procurado pelo FBI e acusado de quatro assassinatos, é.
Quatro?
O Conf me deu a lista das vítimas.
Você começou com a Linda West, usando o método do Ted Bundy,
se fazendo passar por um homem desprotegido que precisava guardar os
carro.
E pelo gesto que a gente encontrou na sua casa, você andou repetindo esse
por aqui algumas vezes.
Não.
Você não acredita nisso, Vera.
Am I Stuart?
Já aqui você se inspirou no BTK.
Usando de artifícios e surpreendendo a vítima dentro da sua própria casa.
E arrumando a cena à moda dele.
Stella Maia.
Por que você não assume as coisas que
você fez aqui?
Por que você não me conta onde escondeu o corpo daquela mulher que você guardou
a cabeça?
Então, Vera, você está pedindo minha ajuda?
É isso?
Claro.
Claro, eu posso te ajudar sim, Vera, com o maior prazer do mundo.
Esse cara aí que vocês estão procurando, eu tenho certeza que ele volta ao local
do crime.
Ele gosta disso.
Ele fotografa as vítimas.
Ninguém sabe mais do que você, Edu.
Não fui eu, Ana.
Não foi.
Eu apenas sou melhor do que você na leitura das mentes, só isso.
Você não conseguiu provar nada.
Nada do que você diz que eu fiz.
Eu nem preciso.
Porque com você tem uma sugestão.
Que eu duvido. do que você conseguir escapar de uma condenação nos Estados
Unidos.
E eu vou ter um prazer em enganar.
Você não sabe o que eu passei na minha vida.
Não tenho ideia, Vera, da minha vida. Não estou interessada nas suas razões,
Edu.
Eu quero saber quantas foram.
Onde e como.
O nome dele é Brian, não é Eduardo Borges, não. Maior 171.
O cara enganou todo mundo.
Será que o senador não sabia mesmo?
Eu duvido.
Não é verdade, né?
É, bom... Acho que não tem mais porque eu... aprender a
gostar da humanidade, né?
Ed e Eduardo Borges continuam acreditando na inocência dele, mesmo com
do FBI no caso. Vai entender.
Reviravolta no caso Capitiana Maia. Eduardo Borges é identificado pelo FBI
o serial killer Brian Borges, que fez quatro vítimas na Flórida.
Tati, você já viu isso? Você já viu? Olha aqui.
Olha aqui.
Ele conversou.
Eu não vi.
Ele tem pensado, tá?
Quis me incriminar, o bandido.
Eu acreditei nesse canalha.
Achei que parecia comigo.
Que eu podia apostar nele como sucessor.
Ele ganhou a todos nós.
Vou atrás dele no quinto dos infernos.
Mas dou -lhe o troco, Aziz.
Dou -lhe o troco.
Tá ok.
Muito obrigado.
Um abraço.
Não precisa mais se preocupar com o que a Raifário deixe de falar.
Nesse momento, o Edu está sendo levado para o aeroporto. Mas já? Como isso?
Conseguiu se safar, mas já foi pego pelo FBI.
Depois daquela fuga do presídio, quem vai duvidar que ele conseguiria de novo?
Sempre acha uma curva, né, Dias?
Só que dessa vez eu não vou discordar.
Acabou, Vera.
Acabou. Dias, eu recebi um convite para voltar para o FBI.
Eu já imaginava isso.
Você aceitou, claro.
Aceitem.
Mas eu também consegui que você fosse convidado para fazer um estágio por lá.
Eu?
O conto me diz que eu tenho que responder até as nove horas. Você tem
dois minutos para decidir se vale a pena apostar numa segunda chance.
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