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Episódio de Hoje: O gato que descome dinheiro.
- Ô padre João! - Que foi?
A patroa me mandou buscar essa vaquinha que ela lhe emprestou.
Ô mulher desalmada!
Se eu pudesse eu enterrava o cachorro, o gato, o diabo!
Mas o bispo está aí!
Esse povo é todo doido, padre. Eles pensam que bicho é gente.
A cachorra tinha até um testamento...
em que ela deixava uma parte do dinheiro pro padre.
Que isso, que isso! Cachorro com testamento?
Bolinha era uma cachorra inteligente!
Nesses últimos tempos, já doente pra morrer...
botava os olhos bem compridos, toda vez que o sino batia.
Até que meu patrão entendeu que ela queria ser enterrada como cristã.
E o patrão teve que prometer que em troca do enterro...
acrescentaria no testamento dela 3 contos de réis pro padre.
Que animal inteligente! Que sentimento nobre!
Mas infelizmente não foi possível fazer o enterro...
de modo que vai ser difícil cumprir o testamento nessa parte.
E agora a cachorrinha vai ser comida pelos urubus.
Comida, ela? De jeito nenhum! E o testamento, onde está?
Foi passado em cartório, é coisa garantida.
Uma cachorra dessas não pode ser comida pelos urubus!
- Apoiado! - Eu só estou com medo de...
de estar cometendo um sacrilégio.
Que sacrilégio, eu não vejo mal nenhum nisso!
Você não vê, mas quem me garante que o bispo também não vê?
- O bispo? - É! Bispo, um grande administrador!
- Uma águia a quem nada escapa! - Pode deixar tudo por minha conta...
que eu garanto!
- Você garante, João? - Garanto.
Com esses grandes administradores, eu me entendo que é uma beleza!
- Major Antônio Moraes. - Seu bispo.
Antes de entrar na cidade de Taperoá...
eu fiz questão de vir cumprimentar a sua figura mais eminente!
Eminente pro senhor, porque ainda há pouco padre João não só me destratou...
como ainda desonrou minha família!
- Padre João lhe destratou? - Eu só não matei ele...
porque matar padre dá um azar triste.
- Mas o que foi que ele fez? - Imagine vossa eminência...
que eu fui pedir a padre João pra abençoar minha filha que tava doente.
- E ele disse que ela era uma... - Uma...?
- Ah, nem tenho coragem de dizer. - É coisa feia, é?
Horrível! E ainda disse o mesmo de minha mulher!
Mas o senhor diga o que foi que eu tomo as providências.
- Chamou de... - De...?
Ah, é até pecado dizer uma coisa dessas a um bispo.
O senhor diga, que eu lhe dou absolvição por antecedência.
- Começa com "C"... - "C"?
- E agora vem um "A". - "C" e "A"?
- Depois vem um "X"! - "X"?
C, A, X...
"O", dois "R" e no fim um "A"! Pronto, lhe disse.
Não, mas cachorra não é com "X".
Nunca pensei que fosse ouvir Va. Rvma. dizendo uma palavra de tão baixo calão!
Não, mas eu disse cachorra com X, conforme o senhor ditou.
E como cachorra com X não existe, logo não é pecado.
Ah, mas a que o padre disse só pode ter sido com "CH"!
Mas o senhor pode ficar tranquilo que eu vou tomar as providências.
- O senhor faz o enterro em latim? - Em latim!
- E o acompanhamento? - Vamos eu e Chicó...
Com o senhor e sua mulher acho que já dá um bom enterro.
Você acha que tá bem assim?
- Acho... - Então eu também acho.
Sendo assim, vamos ao enterro.
Absolve Domine, animas omnium fidelium defunctorum ab omni vinculi delictorum...
- Esta aí, padre. - Não há pressa.
O testamento foi cumprido, e agora meu patrão e minha patroa...
estão livres de serem perseguidos pela alma da cachorra.
- Alma? - Alma não digo...
porque acho que não existe alma de cachorro.
Mas assombração de cachorro existe e é das mais perigosas.
E depois ninguém quer desrespeitar assim a vontade da morta.
Alma de cachorro? Que história é essa? Nunca ouvi falar.
- Mas existe. Eu mesmo já conheci uma. - Quando? Onde?
Na passagem do riacho de Cosme Pinto.
Eu tava atravessando o sangrador do açude
quando me caiu do bolso uma prata de 10 tostões dentro d'água.
Ia vindo com minha cachorra mas já tinha dado a prata por perdida,
quando reparei que ela tava assim meio que cochichando com outro.
De repente a cachorra mergulhou, e trouxe o dinheiro de volta,
quando fui verificar, só tinha 2 tostões.
Oi! E essas almas de lá têm dinheiro trocado?
Não sei, só sei que foi assim.
Não esperava Va. Rvma. por aqui agora, de modo que...
Deixemos isso, "passons", como dizem os franceses.
Mas há coisas que não posso deixar passar com essa facilidade.
- Não estou entendendo. - Pois entenderá já, quando eu lhe disser...
que Antônio Moraes falou comigo. - Antônio Moraes falou com o senhor?
Falou. Justamente para reclamar do seu procedimento para com ele.
Não entendo o que Va. Rvma. quer dizer.
Não vejo dificuldade nenhuma em se entender isso, padre João.
Antônio Moraes veio até mim para reclamar da sua brutalidade para com ele.
- Como é? - Vamos deixar de brincadeira, padre João!
O senhor sabe perfeitamente a que estou me referindo!
Por que chamou a mulher dele de cachorra?
- Eu?! - Sim, o senhor!
Eu juro que eu nunca chamei a mulher dele de cachorra.
- Chamou, padre João. - Não chamei, seu Bispo.
- Chamou, padre João. - Não chamei, seu Bispo.
- Chamou, padre João!! - Chamei, seu Bispo...
Bom, afinal de contas, o senhor chamou ou não chamou?
Eu não chamei.
Mas se Va. Rvma. diz que eu chamei, é porque sabe mais do que eu.
Então não é verdade que ele veio pedir que o senhor lhe abençoasse a filha...
E o senhor chamou a mulher dele de cachorra?
- A filha? - Sim, a filha.
E é a filha que ele queria abençoar?
Claro que é, não é isso que estou lhe dizendo?
O Grilo tinha me dito que era a cachorra. - Grilo?
padre João, o senhor está querendo brincar comigo?
Que história é essa de grilo com cachorra?
Va. Rvma. me perdoe, mas agora eu entendo tudo!
Quem está começando a não entender nada sou eu!
- A culpa é de João Grilo! - Quem é João Grilo?
É um amarelo que mora aqui e trabalha na padaria, mas agora ele me paga!
João Grilo! João Grilo, meu querido João Grilo, estou satisfeitíssimo com você.
Qual, quem sou eu. Um pobre Grilo que não vale nada. É bondade de Va. Rvma.
É mesmo, é bondade minha, porque você não passa de um amarelo muito safado!
Está ouvindo, Chicó?
- Eita, eu se fosse você, reagia... - Eu?
Sim, eu se fosse você, reagia.
Eu não admito que ninguém fale assim de um amigo meu na minha frente.
- Mas o amigo é você! - Então reaja Chicó, você não é homem, não?
- Eu sou homem, mas sou frouxo. - Muito bem, sendo assim eu falo.
Por que foi que Va. Rvma. me chamou de safado?
Porque você é um amarelo muito safado!
Pois esqueceram de botar isso na minha certidão de idade.
Seu moleque! Agora você vai explicar ao bispo que história é essa de me dizer que
a cachorra de Antônio Moraes estava doente...
fazendo me chamar a mulher dele de cachorra!
Ah, e a safadeza é essa? Isso é nada, padre João!
Muito pior é enterrar cachorra em latim, como se fosse cristã...
e nem por isso eu vou chamá-lo de safado.
- Que é isso? - Uma dor que me deu assim de repente!
Coitado. Mas o senhor tinha que ver era o grito que minha patroa dava...
enquanto se fazia o enterro da cachorra.
João Grilo, meu querido, me acuda, que estou morrendo!
Eu? Quem sou eu pra socorrer padre? Eu, um amarelo muito safado.
- Eu retiro o que disse, João. - Retirando ou não retirando, o fato...
- é que a cachorra enterrou-se em latim. - Cachorra? Enterrada em latim?
Enterrada e latindo, Sr. Bispo, "au, au, au", não sabe?
Não sei não, senhor. E nunca vi cachorra morta latir.
Que história é essa?
Que aperreio é esse? A desgraça agora foi que começou.
Então houve isso? Uma cachorra enterrada em latim?
- Então? É proibido? - Se é probido?
Não sei, mas acontece que é engraçado demais para não ser.
É proibido sim! É mais do que proibido!
Código Canônico, art.1627, § único, letra K.
padre João, o senhor será suspenso!
- Va. Exa. Rvma. vai suspender o padre? - Vou!
Por que não? Acha pouco o que ele fez? Uma vergonha, uma desmoralização!
Quanto ao senhor, seu João Grilo, vai se arrepender de suas brincadeiras.
Jogando a Igreja contra Antônio Moraes! É uma vergonha, uma desmoralização!
É mesmo! Uma vergonha, uma desmoralização!
Uma cachorra safada daquelas se atrever a deixar 3 contos pro padre...
e 6 pro bispo, é demais! - Como?
O senhor não sabe da história do testamento ainda não?
Testamento? Que testamento?
- O testamento da cachorra! - Testamento da cachorra?
Sim, Sr. Bispo, a cachorra tinha um testamento...
maluquice de sua dona, não sabe?
Deixou 3 contos de réis para a paróquia...
e 6 contos para a diocese.
É por isso que eu sempre digo que os animais também são criaturas de Deus!
Que animalzinho inteligente! Que sentimento nobre!
Até, Sr. Bispo, a pedido da dona, eu permiti que acompanhassem o...
- O enterro? - Isso.
- Em latim? - Mas que nada...
eu disse 4 ou 5 coisas, coisa pouca.
"não-sei-quê, não-sei-quê, defunctorum, Amém!"
Vamos deliberar, é assunto pra se discutir com muito cuidado.
Vamos reunir o concílio.
Dona Dora...
Houve mais um pequeno arranjo e o bispo também teve que entrar no testamento.
Tá doido é? Eu já não gastei 3 contos com o padre?
- E mais 6 agora pra diocese. - Eita, que complicação...
Se ao menos eu lucrasse alguma coisa, mas perdi foi minha cachorra.
Quem não tem cão, caça com gato.
Eu arranjei um gato que é uma beleza pra senhora.
- Um gato? - Um gato.
Ah João, traga pra eu ver. Ah, chega a me dar uma agonia.
Traga, João, já estou gostando do bichinho.
Vou providenciar!
Espere!
Sabe o que mais, João?
Não vá buscar o gato que isso só me traz aborrecimento e despesa.
Não viu o que aconteceu com a cachorra? Terminei tendo que fazer testamento.
Ah, mas isso é porque foi a cachorra. Com meu gato é diferente...
- Diferente por quê? - Porque, em vez de dar despesa...
esse gato dá lucro.
Fora vaca, cavalo e criação, bicho que dá lucro não existe.
Não existe, senão um...
Eu fico meio encabulado de dizer!
Que é isso, João, você está em casa! Diga!
É que esse gato que vou lhe trazer, ele...
- descome dinheiro. - Descome dinheiro?
É, come ao contrário. Entendeu?
- Essa eu só acredito vendo. - Pois vai ver!
Amanhã eu trago ele pra senhora!
Não resta nenhuma dúvida. Tudo certo, legal e permitido.
Código Canônico, art. 368, §3º, letra b.
- Quer dizer que não agi mal? - Não, muito pelo contrário...
o senhor agiu muitíssimo bem!
E aqui está a prova de que o padre agiu muitíssimo bem...
de acordo com o Código Canônico, artigo não sei das quantas, §7, letra b.
Que é isso, o que é isso...
É a parte do bispo no testamento da cachorra.
Não há pressa, não há pressa.
Como vai a senhora?
- Já está mais consolada? - Consolada?
Como? Se além de perder minha cachorra,
ainda tive que gastar 9 contos pra ela se enterrar.
E foi barato, a senhora pagou 9 contos pro padre benzer um bicho.
Eu já vi pagarem 15 pra um bicho benzer uma pessoa.
- Que bicho foi esse Chicó? - Foi um papagaio que eu tive.
Quando ele nasceu eu trabalhava num seminário.
De tanto ouvir as aulas, ele sabia a Bíblia de cor.
Depois eu fui morar num lugar que só tinha padre a mais de 10 léguas de distância.
O bicho é que costumava dispensar os sacramentos.
- E que fim levou esse papagaio? - Se converteu ao protestantismo.
Ele foi viver em uma Igreja Batista lá em Glória de Goitá.
Há uns dois anos soube que morreu de velhice.
Como morreu de velhice...
Se você disse que viu ele nascer? Papagaio vive mais de 100 anos!
- Não sei. Só sei que foi assim! - Ai Chicó...
Eu me sinto tão sozinha depois que minha cachorrinha morreu.
Carece a senhora arrumar outro bichinho de estimação..
- O que que você sugere? - Um canário é bom pra alegrar.
Eu quero um bichinho maior, que a minha solidão é muito grande.
Uma lebre, um preá...
Maior.
- Um cachorro, um cabrito... - Maior, maior!
- Parece que eu tô entendendo. - E vai ficar parado aí, é?
- Mas se seu Eurico chegar? - Tá com medo?
Me... medo? Eu?
Agarro ele pelo chifre, rodo, rodo, e sacudo pra cima!
- Sacode mesmo? - Sacudo!
Ai, que eu adoro homem brabo! Repete!
Sacudo, sacudo, sacudo...
Então vem me sacudir um pouquinho, vem meu valentão!
- Assim? - Assim!
- E agora o que é que eu faço? - Quem tem que perguntar isso sou eu.
O que que eu faço? Pode Mandar.
- Eu? - É!
- Fala que quem manda aqui é você, fala. - Quem manda aqui sou eu!
- Fale outra vez! - Quem manda aqui sou...
Dora?
Eita, que me esqueci que também marquei com Vincentão!
Danou-se, com a senhora a gente bota e leva chifre ao mesmo tempo!
Abre aqui, Dora!
Ai, agora lascou, Vincentão esfola a gente se te pega aqui!
- Quem é Vincentão? - Oxi, então não sabe quem é Vincentão?
Vincentão, que deu aquela pisa em seu Golias da farmácia.
- Ai, meu São Davi! - Descangotou Ernesto Grandalhão.
Chega! Não quero saber mais não!
- Prefiro continuar sem conhecer o homem! - Ai, que que eu faço?
E eu é que sei? A casa é sua, quem manda aqui é a senhora.
- Abre essa porta! - Que que eu faço agora?
Deixe que eu dou um jeito nele.
Eita, que hoje eu tô com a gota!
Hoje eu tô com a muléstia!
Por que não abriu a porta logo quando eu lhe mandei? Hein?
Oi que não abri? Olha ela aí abertinha!
E por quê a demora?
E não foi você mesmo que mandou eu me arrumar todinha pra você?
- Foi, mandei. - Então, eu tava me arrumando.
Afinal de contas, quem é que manda aqui?
E tem precisão de dizer?
Precisão não tem, mas se quiser dizer...
Quem manda aqui sou eu!
Ai, que eu adoro homem brabo!
- Repete! - Quem manda aqui sou eu!
Repete!
Quem manda aqui...
Ô Dora!
- Ai, é o meu marido! - Ah, agora lascou!
Dora!
- Ai, que que eu faço? - E eu é que sei?
A casa é sua, quem manda aqui é você.
Dora!
O que que eu faço agora, hein?
Você vai fingir que entrou aqui pra pegar alguém.
E tem alguém aqui, é?
Claro que não, homem de Deus, por isso mesmo.
Como você não encontrou ele aqui, você vai sair por aí atrás dele, entendeu?
- Dele quem, rapaz? - Ô Vincentão...
parece que Deus te deu esse corpo todo e se esqueceu de te dar a cabeça, não foi?
- Eu não tô entendendo é nada, viu? - Nem precisa entender!
Pega essa sua peixeira, e sai por aí gritando assim...
"Eu te pego, cabra safado! Eu te pego" Entendeu?
Eu te pego, cabra safado.
Ô Dora, eu tô perdendo a paciência!
- Eu te pego, cabra safado. - Isso, isso!
Eu te pego, cabra safado!
- Eu te pego, cabra safado! - Que diabo é isso?
- Kikinho, você chegou na hora exata! - Hora exata de quê?
O condenado do Vincentão ia matar o pobre do Chicó!
Que Chicó?
Pode sair, Chicó, ele já foi.
- Boa noite, meu patrão. - Coitado, chega tá amarelo!
E mais amarelo vai ficar se não me contar direitinho o que tava fazendo aqui.
Pois Vincentão...
jurou Chicó de morte, e achou de matar ele aqui.
- Logo aqui, na nossa casa! - Na sua casa!
- Vincentão lhe jurou de morte, é? - Jurou!
Pela mãezinha dele, que Deus a tenha.
- Se o patrão não tivesse chegado... - Também, cabra frouxo que você é, Chicó!
Por que não enfrentou o homem?
Se fosse eu, descangotava ele!
Ai, que eu adoro homem brabo!
A melhor mulher que tem é a dos outros.
Só existe 2 mulher boa no mundo. 1 já morreu, a outra não se encontra!
É nada, Dona Dora tá vivinha, e mora aqui do lado.
- Pra quê esse gato, João? - Justamente pra ela.
Você não sabe que a fraqueza da mulher do patrão é bicho e dinheiro?
- Sim. - Pois vou vender a ela...
pra tomar o lugar da cachorra, um gato maravilhoso...
- que descome dinheiro! - Tá doido, João?
- Não existe essa qualidade de gato. - Muito mais difícil é existir papagaio...
que sabe a bíblia de cor, e você mesmo já teve um.
Tive mesmo. Saudade dele.
Mas do jeito que as coisas vão, não me admiro mais de nada.
Pra uma pessoa cuja fraqueza é bicho e dinheiro...
não vejo nada melhor que um bicho que descome dinheiro!
Ô João, não é duvidando não, mas como é que esse gato descome dinheiro?
É isso que é preciso combinar com você.
Você enfia essas prata de 10 tostões no desgraçado do gato, entendeu?
Entendi demais.
- Ô João! - Hein?
- E se o negócio der errado? - Lá vem você com suas latomias.
Quer ou não quer? Se não quer, diga logo, que eu arranjo outro sócio.
- Quero! - Então vá!
Tá...
Ô João!
- Que é? - E cabe?
Sei lá, se não couber enfia de 5 tostões! Entendeu, demência?!
Entendi demais...
Dona Dora...
Eu vim trazer o gato pra senhora conhecer.
- Ah, é o tal que caga dinheiro? - Com licença da má palavra, é sim senhora.
- Mas essa eu só acredito vendo. - É só tirar o dinheiro.
- Pois tire. - Não, Dona Dora...
É melhor a senhora tirar pra aprender como é.
- Eu não, tire você. - Não tenha nojo, Dona Dora...
Em ciência tudo é natural.
- Pois se é natural, tire. - É, então tiro.
Esta aí. 5 tostões que o gato lhe dá de presente.
Ah, muito obrigada...
Mas se você não se zanga, eu quero ver de novo.
- De novo? - Sim!
Eu vi você passar a mão e sair com o dinheiro, mas agora eu quero ver é o parto.
- O parto? - Sim, eu quero ver o dinheiro sair do gato.
Pois então veja.
Minha Nossa Senhora!
João, me arranja este gato, pelo amor de Deus!
Arranjar é fácil, agora pelo amor de Deus é que não pode ser, porque sai muito barato
Amor de Deus é coisa que eu tenho, Dona Dora, dê ou não lhe dê o gato.
Quer dizer que não há jeito de eu arranjar esse gato?
- Jeito tem, e é até fácil. - Diga qual é, João.
- Um conto está bom? - Tá não, tá caro
Mas por um gato que descome dinheiro!
Já fiz as contas, eu vou levar 2.000 dias só pra tirar o preço.
Mas ele descome mais de uma vez por dia, a senhora não viu?
Mas ele pode morrer. Só dou 500.
E se você não aceitar, lhe demito da padaria.
Está bem, fica pelos 500.
Ah, mas que gatinho mais lindo. Agora a coisa é outra, tenho um filhinho de novo...
E já vou tirar o prejuízo.
- Pronto Chicó, tome sua parte... - Vamos devolver esse dinheiro...
- e dizer que foi engano! - Nada disso!
Pegue sua metade e deixe de ser mole!
Homem, eu não tenho coragem de continuar sempre...
É melhor devolver logo enquanto tudo está em paz.
Quem fez o negócio todo não fui eu.
- Depois, a gente já tá arribando. - E pra onde é que a gente vai?
Não sei, só sei que tem que ser ligeiro, que a mulher descobre já.
Quantas pratas você conseguiu meter?
- Foi 3. - Então o negócio tá estourando!
Ô Dora...
Se esse gato descome moeda,
é que o dinheiro não tá valendo mais merda nenhuma!
Eu estava mesmo doido pra me vingar daqueles dois.
Lembra aquela vez quando eu fique doente?
3 dias passei em cima de uma cama pra morrer e nem um copo d'água me mandaram!
Já a cahorra comia bife passado na manteiga...
Não aguento quem gosta mais de bicho que de gente!
Abra ou eu mando derrubar!
Valha-me meu padim Cícero!
Se eu sair dessa história com vida eu subo a Serra do Pico de joelho!
Abre essa porta, sem vergonha!
Valha-me Deus e Nossa Senhora de Lourdes!
Deixe de moleza homem, pra tudo tem remédio, menos pra morte!
E você pensa que a gente não vai morrer depois dessa?
- Boa ideia! - Achei péssima.
Abra a porta e deixe comigo.
- Cadê aquele safado? - Dorinha... patroa!
O João teve um passamento hoje de tarde, tá pra morrer naquela esteira.
Arreda Satanás, desafasta cangosto!
Fazendo a gente de besta, Eurico!
Acuda padreJoão, que o Céu está se abrindo!
Você agora vai comer tudo que o gato descomeu!
Não encoste nele patrão! Isso é peste bubônica, o senhor também se desgraça!
- Peste de quê? - É peste bubônica...
O senhor não sabe que a padaria é cheia de ratos, e rato transmite a peste?
Estou lhe vendo...
Ai minha mãe, já é meio-dia no meio da noite, diz o relógio de um ponteiro só.
- Tenham pena desse pobre coitado. - Pena o quê? Eu quero o dinheiro do gato!
Abre essa janela pra clarear a sombra desses urubus!
Antes de morrer, João, diga ao menos onde está o dinheiro.
- Assim você salva tua alma! - Ele não ouve mais não, ele tá mudo.
Ai que eu tô morrendo de frio, ai que eu tô pegando fogo!
Ô doença desgramada! A vista embaça,
a barriga estufa, a tripa explode, o espinhaço estoura no meio...
e o vivente morre de idiossincrasia!
Não! Me larga! Me larga que eu não quero ir! Ai, ai que eu tô indo...
Fui.
Eita morreu! Acode que João Grilo esticou as canela!
Aproveita pra ver se o dinheiro não tá num dos bolsos dele, Chicó.
O dinheiro tá aqui, ó, mas tá contaminado pela peste.
Fique pra você, de adiantamento de salário.
E não se esqueça de tacar fogo nessa esteira que ele tava deitado aí.
Separe um pouco do dinheiro pra pagar o enterro, que nós vamos avisar padre João.
Senhor, receba seu filho João Grilo...
Perdoe suas safadezas, suas sem-vergonhices,
suas presepadas, suas mentiradas, suas lorotas,
per omnia saecula saeculorum, amém!
- Amém! - Amém.
- E já acabou? - Valha-me Deus, um defunto!
- Que defunto o quê, vá agourar sua mãe! - Oxe, tinha me esquecido...
Já tava até acreditando na ladainha do padre João.
Aquele ali gastou menos latim pra encomendar
a minha alma do que no enterro da cachorra.
Por falar em enterro, é melhor você sumir antes do seu.
É, depois eles descobrem tudo e bota atrás de mim.
Não sei por quê...
Tem muito defunto que some antes do enterro. Eu mesmo já presenciei um caso...
que o diabo se adiantou e puxou o finado antes do corpo chegar no cemitério...
- de tão ruim que o sujeito era. - Olha o respeito, visse?
Depois, quem é ruim é a sua inteligência! Onde já se viu?
- Diabo entrar em igreja? - Não sei. Só sei que foi assim.
Amanhã no enterro, tu faz o seguinte, Chicó:
Diz que eu pedi pra ser enterrado na terrinha onde eu nasci,
que só você sabe onde é.
E toca andando pela estrada, e vai dizendo sempre que é mais acolá, é mais acolá...
Do jeito que eles gostam de mim, vão desistir
de acompanhar o cortejo com menos de meia légua!
Absolve Domine, "anim omfidelium" defunctorum
ab omni "delicti defunctorum"...
Amém!
Absolve Domine, animas omnium fidelium defunctorum ab omni "delicti delictorum"...
Amém!
Meu Deus, que será isso?
É tiro!
Hora dessas e eu aqui morto, sem poder dar uma carreira!
Valha-me Deus, vai morrer todo mundo é agora!
Ave Maria, nós vamos morrer de bala!
Ave Maria, acho que antes eu morro é de medo!
Todo mundo quieto!
Quem correr não corre mais!
Quem gritar não grita mais!
-O primeiro que tentar fugir, morre -A igreja é um lugar sagrado...
- Se o senhor me permite... - Permissão negada!
- Não tenho ordem a receber de ninguém! - Mas capitão...
E deixe de me chamar de capitão, que eu não gosto!
- E como hei de chamá-lo, então? - Severino, que é meu nome de batismo.
Ou Severino de Aracaju, que é meu nome de guerra!
É que nós não temos coragem de chamar uma pessoa tão importante de Severino.
Isso tudo é porque quem é que tá com o rifle sou eu.
Se fosse qualquer um de vocês, eu era chamado de Biu.
Deixem de conversa, e vamos esvaziando os bolsos.
Você pega um punhal e futuca a boca do defunto
pra ver se ele não tem nenhum dente de ouro.
- Mas capitão... - Deixe de sua frouxura, cabra!
Eu não gosto de perturbar morto, não. Perturbo, mas não gosto.
Ah, irmãos...
- Oxi, ressuscitou? - Deixe que eu mato de novo.
Um momento Severino. Eu vim lhe trazer um recado de meu padinho "padim Ciço".
- Você conheceu o padim Ciço? - Então?
Quem mais ia ter poder pra me ressuscitar?
Quem mais pode é Deus! E depois dEle meu padinho padim Ciço.
Por isso que ele ficou um pouco aborrecido com o senhor...
quando o senhor disse ainda agora que não recebe ordem de ninguém...
e mandou uma ordem do Céu pro senhor.
- Se é do meu padinho eu obedeço. - O recado dele é o seguinte:
- "Diga ao capitão Severino..." - Ele me chamou de capitão?
- Chamou. Por quê, o senhor não gosta? - Fiquei gostando agora.
"Diga ao capitão Severino, que se ele quiser provar sua devoção..."
"é pra suspender imediatamente o ataque à cidade de Taperoá".
- E que motivo é esse? - "E sem pedir explicação..."
"que é pra ordem ficar mais bem obedecida".
Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Cabras! Vamos fazer uma retirada temporária, por comando do Céu...
que Severino de Aracaju só recua diante de Deus!
Viva João Grilo!
Tem gente que vira herói porque morre, já eu virei herói ressuscitando!
Parece que não é o que Seu Eurico e D. Dora tão achando...
- Ah, quem pediu opinião deles? - Ninguém, mas mesmo com ninguém pedindo...
eles tão vindo ali ó, doidos pra dar!
E sei que também o senhor estava metido nessa história do gato!
Cê num gostou do bichinho?
Esse gato não descome dinheiro coisa nenhuma! Esse gato descome...
O que todo gato descome.
Que isso, o senhor não tem vergonha de falar
essas coisas no meio do povo todo, não?
Descome, não descome, que conversa mais imoral, que xamego é esse?
Imoral é você, de tá vendendo aquele gato!
E eu lá tenho culpa da sua mulher só gostar de bicho?
Só gostar de bicho, não, que ela casou comigo!
- Cadê o dinheiro do gato? - Não era meu adiantamento de salário?
Mas pode ser o adiantamento do seu enterro!
Já que o senhor tá pedindo com essa educação toda...
E se você não tivesse salvo a cidade dos cangaceiros,
eu botava você pra fora da padaria!
Botava coisa nenhuma, que eu já estou fora dela!
Um sujeito como eu não trabalha pra uma mulher que compra gato!
Ladrão! Ladrão!
Ladrão é você, Presidente da Irmandade!
3 dias passei em cima de uma cama, tremendo de febre, e nem um copo d'água me mandaram!
Seu ingrato! Eu que nunca o despedi, apesar de todas as suas trapaças!
Nunca me despediu porque eu trabalhava barato e bom!
E faz favor de não me irritar! Senão eu...
Eu dou um tiro na cabeça de Chicó!
Oxe! Na minha não! Dê na de sua mãe, que pelo menos nasceu você!
Na verdade Major, padre João não chamou a sua filha de cachorra.
- Chamou, seu Bispo. - Não chamou, Major.
- Chamou, seu Bispo. - Não chamou, Major!
- Chamou, seu Bispo! - Chamou, Major...
- Chamou ou não chamou, seu Bispo? - Chamou, e não chamou.
O senhor estava vindo encomendar uma benção para sua filha...
E padre João pensou que fosse uma cachorra.
Bença pra cachorra? E pode?
Pode, pode, pode, pode, pode. Pode!
Código Canônico, §936, art 3º, letra C...
Esse negócio de bença anda muito desmoralizado!
Se padre pode benzer até cachorra, eu é que não vou querer que ele benza minha filha!
Não se preocupe! Eu pessoalmente benzerei a sua filha.
Amanhã é dia da padroeira, eu vou rezar missa em Taperoá.
Tá desconversando, homem?
Dava-lhe uma chapuletada que esse Severino de Aracaju se mijava todim.
Comigo entrava tudo na peixeira!
Resolvia tudo com um arroto!
- Hein? - É...
Foi bom mesmo o senhor ter viajado pra não cometer nenhuma temeridade.
Eram pra mais de 10 cabra armado até o gogó.
E eu sou homem de enganchar, seu Eurico?
É melhor não facilitar, né?
Já telegrafamos pra capital, hoje mesmo estará chegando o destacamento de polícia.
Emprego, trabalho, serviço, tarefa. Qualquer coisa serve.
Sua reputação não é das melhores.
Ah seu Major, vivem querendo que pobre não tenha defeito!
Dizem que você é um embrulhão, abusado, cheio de nove-hora.
Meu senhor, é tanta qualidade que exigem pra dar emprego...
que eu não conheço um patrão com condições de ser empregado.
Vou fazer uma aposta com você. Lhe faço 3 pergunta.
Se você acertar...
- Ganha o emprego. - Agora! Não tenho nada a perder.
Tem sim! Se errar... Arranco uma tira de couro das suas costas.
- Danou-se! - Como é?
Eu topo, só falta convencer minhas pernas, que tão se tremendo toda!
Muito bem, lá vai a primeira...
Qual é a distância de uma ponta do mundo à outra?
Um dia de jornada, que é o tempo que o sol leva pra percorrê-la!
- Que é que existe acima dum rei? - A coroa!
- No que é que eu tô pensando agora? - Em me ganhar!
Muito bem, João Grilo.
Conheci que ocê é sabido mesmo.
Mais sabido é o senhor, que agora manda em mim.
Então vá a Taperoá buscar minha filha que tá chegando do Recife.
Esquerda, direita, esquerda, direita. Esquerda, direita, esquerda, direita.
Soldados, alto!
20º Pelotão de Infantaria se apresentando ao povo da cidade!
Eita que Taperoá já pode declarar guerra ao Brasil!
Cabo 70, para servi-lo no quer for preciso.
- Ai, não me fale isso não, que eu aceito. - Tudo frouxo, conheço essa racinha...
Onde já se viu cabra ter que usar uniforme pra provar que é macho?
Cabo, deixe eu lhe apresentar ao pessoal daqui. Eurico, meu marido.
Vicentão meu...
Nosso amigo.
Muito prazer!
Rosinha, como você cresceu!
Embonitou, ficou mais apanhada e...
Bondade sua, seu Eurico!
Oxe, eu tive até meio adoentada...
E não é por isso que eu vim passar um tempinho em Taperoá?
E quando é que vai embora? Quer dizer, eu digo...
Quanto tempo fica entre nós? - Por mim, eu não saia daqui...
mas mãe só quer saber da capital!
Oxe, pois eu se pudesse vivia por lá.
Porque isso aqui tá cheio é de cabra safado.
Com licença, antes de ir pra fazenda eu ainda vou passar na igreja,
O Bispo vai dar a benção!
O Bispo, é? Homem, é até um pecado perder uma missa dessa!
Com licença, dona Dora!
A autoridade militar vai saudar as autoridades religiosas!
- Hoje não é dia de novena? - Mas o senhor está dispensado.
Oi Chicó!
Eita cabra folgado.
Aproveitando a festa e eu aqui trabalhando, né?
E é?
Oxi, andou bebendo, foi?
É o quê?
Nada não. A missa já vai começar.
- Quem é ele? - E não é Chicó?
- Chicó de quê? - Não sei não...
é só chamar "Chicó" que ele vem.
Me deu uma vonta de comer um confeito. João, vai me comprar um canudo!
E a missa?
Quando tenho essa vontade tem que ser na hora.
- Desistiu da benção? - Eu vou comprar um confeito!
Deixe que eu compro pra senhora.
- Dona Rosinha, manda as ordens! - Vá me comprar um confeito!
- Um confeito? - É! Direita, volver!
Trouxe um confeito pra senhora.
Obrigada Chicó.
- Como sabe meu nome? - Eu adivinhei.
Seu confeito.
Cê demorou tanto que Chicó já me trouxe um.
- Como, se a senhora pediu foi pra mim? - Ele adivinhou.
- Rosinha! Seu confeito. - Obrigada! Obrigada!
Eita, que aqui todo mundo lê pensamento!
In nomine Patris, et Filius, et Spiritus Sancti...
Amém!
Gloria in excelsis "Dei" pax hominibus bonae voluntatis...
descendat super et maneat "sem". In nomine Patris, et Filius, et Spiritus Sancti
Amém!
Alguém dedica essa música para Rosinha
E esse alguém manda dizer que não diz quem foi
porque ela vai ter que adivinhar
oh gente, oh não, luar como esse do sertão...
Essa bença demorou mais que doença em casa de pobre.
Nunca tinha visto tanta gente na festa da padroeira!
A fé do povo de Taperoá tem aumentado demais.
- Já no Recife, dá-se o contrário. - Culpa da praia...
Dizem que a pouca vergonha é tanta, que moça entra na água solteira e sai casada.
Nunca vi o mar, não sei o que é mulher de tanga.
Eu li que há milhões de anos atrás, o sertão também já foi um mar.
Pode ser, mas aqui não tinha safadeza não.
Ia dar gosto ver o sertão cheinho d'água.
Rosinha!
Você já tá uma mocinha, tenho que tomar umas providências pra proteger a sua honra.
Eu quero que você volte pro Recife casada.
- Eu, meu pai? - Sim, você! Não se faça de lesa!
Aqui está o seu dote.
Essa porca pertenceu à sua bisavó...
Rosa Benigna Vaz de Medeiros.
Todo santo dia sinhá Rosa depositava uma moeda na porca.
Quando ela morreu, deixou essa porca de presente de casamento pra você...
que recebeu o nome de Rosa em homenagem a ela.
Eu rogo a Deus que essa santa senhora tenha tido uma vida longa!
Ela viveu até quase 100 anos.
Essa bicha tá cheinha de dinheiro.
Agora só falta você encontrar um homem que seja doutor e valente procê se casar.
Como, meu pai? Se eu não gosto de ninguém!
Besteira! Com o tempo você se acostuma e acaba gostando.
Ah minha Nossa Senhora!
Agora eu vou ter que casar obrigada!
Se aperreie não, dona Rosa! A senhora vai encontrar alguém pra querer bem.
Com a ajuda de sua beleza e dessa porca aqui...
pretendente é o que não vai faltar.
Consigo comer não. Tanto amor que chega me dá uma gastura aqui dentro.
- Por que você não fala isso pra ela? - Pobre do jeito que eu sou.
- Casando com ela você fica rico. - Casar de que jeito, homem?
Jeito eu dou, mas aí é que está.
Depois de rico cê esquece do seu amigo João Grilo...
Pra quê que eu quero dinheiro, se nem comer eu quero mais.
Casando com ela, seu fastio acaba.
E de sobra, pra matar a fome, você ainda ganha uma porca cheinha de dinheiro
que a bisavó de D. Rosinha deixou pra ela.
Pois se ocê arranjar esse casamento, a metade é sua.
Chama-se está arranjado!
Vou agora mesmo falar com o Cabo 70.
Cabo 70? Cê ia me ajudar ou me desgraçar?
Cabo 70 é louco pela Rosinha! Se descobre que
eu tô me engraçando pro lado dela, ele me mata!
E Vincentão também!
Com o plano que eu tenho aqui no quengo você bota os 2 pra correr...
e de sobra ainda casa com Rosinha!
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