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O BEBÊ DE ROSEMARY
É médico?
Ele é ator.
Muitos atores moraram aqui.
Já vi algum trabalho seu?
Fiz Hamlet há um tempo.
Depois, fiz o filme Adeus às Ilusões.
Brincadeira. Ele fez Luther e Nobody Loves An Albatross...
e vários comerciais de TV.
É o que dá dinheiro.
E prazer artístico.
Sétimo, Diego.
Os menores tinham nove cômodos...
e foram divididos.
O 7-E tem quatro cômodos. Antes, fazia parte de um de dez.
A sala de jantar agora é de estar...
um quarto não foi alterado...
e dois quartos de empregada agora servem de sala de jantar ou quarto.
-Têm filhos? -Queremos ter.
Temos de pôr óleo na porta, Diego.
Por aqui, por favor.
A antiga inquilina, a Sra. Gardenia, faleceu há alguns dias.
Ainda não fizeram a mudança.
O filho dela diz que faz
um bom preço pela mobília.
Ela morreu no apartamento?
Não, não. No hospital.
Ficou semanas em coma.
-Você primeiro. -Obrigada.
Era muito idosa. Morreu enquanto dormia.
Quero ir assim também.
Não, não. No apartamento, não.
Ela era muito dinâmica.
Uma das primeiras advogadas de Nova York.
-E gostava de jardinagem. -Que mulher.
Armário. Muitos armários.
NÃO CONSIGO MAIS ME ENVOLVER...
Isso daria um lindo quarto de bebê.
Ficaria melhor com papel de parede branco e amarelo.
-O que é isso? -Ervas.
Banheiro grande.
-Hortelã, manjericão. -Não tem maconha?
O quarto principal.
-Ah... -Voltamos ao hall...
Oh, Guy'!
-A lareira funciona, é claro. -Ótimo.
O apartamento é lindo. Adorei.
Ela quer que abaixe o aluguel.
Queríamos é aumentá-lo. Apartamentos com esse charme...
Que estranho.
Há um armário atrás da cômoda. Tenho certeza.
Acho que tem razão.
Ela mudou de posição. Ficava ali.
Pode me dar uma mão?
Agora sei como ela entrou em coma.
Ela não pode ter carregado isso. Tinha 89 anos.
Abrimos ou deixamos isso com o filho dela?
Estou autorizado a mostrar o apartamento.
Bem... O que ela prendeu aí, fugiu.
Talvez não precisasse de cinco armários.
Por que esconder o aspirador e as toalhas?
Nunca saberemos.
Talvez estivesse ficando senil. Mais alguma coisa?
E a lavanderia?
É maior do que o outro.
E também mais caro.
A localização é melhor.
Dá para ir a pé para os teatros.
Guy, vamos ficar com ele.
Aquela sala poderia ser... Por favor!
Rescindiremos o outro contrato.
Quase escrevi que vocês eram drogados.
Mas decidi dizer que eram maravilhosos.
-Você é demais, Hutch. -Posso dissuadi-la?
-Ele está brincando. -Não estou, não.
Está com uma cara ótima.
Sabe que o Bramford tinha má fama...
na virada do século?
Foi lá que as Irmãs Trench realizavam seus experimentos culinários...
e que Keith Kennedy dava festas.
Adrian Marcato também morou lá...
-As Irmãs Trench? -Adrian Marcato?
As Irmãs Trench eram duas senhoras vitorianas.
Cozinhavam e comiam crianças. Comeram uma sobrinha.
-Que delícia. -Marcato praticava bruxaria.
Ficou famoso ao dizer
que havia materializado o diabo.
Foi atacado e quase morreu
-na entrada do Bramford. -Está brincando?
E depois do caso Keith Kennedy,
o edifício ficou vazio.
Não sabia que Marcato morou lá.
E essas irmãs!
A Segunda Guerra encheu o prédio novamente.
Fantástico!
-O edifício? -O carneiro.
Chamavam-no Bramford Negro.
Coisas terríveis acontecem em prédios.
Esse é pior do que os outros.
Em 1959, encontraram uma criança enrolada em jornal no subsolo.
Meu apetite está aumentando.
Tome mais vinho.
Roman!
Traga refrigerante na volta!
São prateleiras.
Vamos fazer amor.
Acho que ouvi as Irmãs Trench mastigando.
Lá em cima, à esquerda.
Estamos em Daytona para o prêmio de 250 cilindradas.
A Yamaha lidera,
ocupando sete dos dez primeiros lugares.
É a terceira vez que a Yamaha ganha disparado.
Ela é o puro-sangue dos campeões,
com um modelo para cada modalidade.
Deveria experimentar uma Yamaha.
Por que não dá uma volta? Vamos. Monte.
Está bem. Vamos lá.
Veja!
Demais.
Desculpe. Achei que fosse Victoria Vetri, a atriz.
Tudo bem. Muita gente acha.
-Não acho que nos pareçamos. -Você a conhece?
Não.
-Meu nome é Terry Gionoffrio. -Prazer.
Sou Rosemary Woodhouse.
-Acabamos de nos mudar. -Estou com os Castevet.
Moro com eles desde junho.
Nosso apartamento era a parte de trás do seu.
Alugou o apartamento da Sra...?
-Gardenia. -Gardenia. Isso.
Era amiga da Sra. Castevet
e cultivava ervas para ela.
-Eu as vi. -A Sra. Castevet agora tem as dela.
Tenho de pôr amaciante.
-O que seu marido faz? -É ator.
-Qual é o nome dele? -Guy Woodhouse.
Ele fez Luther e Nobody Loves An Albatross.
Agora trabalha na TV.
Puxa, assisto à TV o dia inteiro. Aposto que o vi.
-Odeio esse subsolo. -Eu também.
É de dar calafrios.
Por que não lavamos roupa
-sempre juntas? -Boa ideia.
Tenho um amuleto. Talvez funcione para nós duas.
-Que lindo. -Não é?
Presente da Sra. Castevet. É para dar sorte. Tem uma coisa dentro dele.
Também não gosto do cheiro. Espero que funcione.
É lindo. Nunca vi nada igual.
É europeu. Os Castevet são pessoas maravilhosas.
Eles me tiraram da rua.
Você estava doente?
Estava passando fome e me drogando.
Sou a filha que eles nunca tiveram.
Primeiro, achei que tivessem interesse sexual.
Mas eles são como avós de verdade.
É bom saber que há pessoas como eles.
É tanta apatia no mundo,
tanta gente que não quer se envolver...
Teria morrido se não fosse por eles. Ou estaria na cadeia.
Não tem parentes que a ajudassem?
Tenho um irmão na Marinha.
Não estou 100% certa!
Se quer minha opinião, não deveríamos contar a ela!
Deve ser por causa da divisória.
É a parte de trás do antigo apartamento de dez cômodos, com a sala de jantar...
com o armário aqui
e outro armário aqui.
Afaste-se!
Afastem-se, por favor. Não há nada para ver.
Pode se afastar, por favor?
-Meu Deus. -Afaste-se!
-Nós a conhecemos. -Qual é o nome dela?
-Terry. -Terry do quê?
Ro? Qual é mesmo o nome dela? Terry do quê?
Não me lembro. Um nome italiano.
Ela morava com os Castevet.
Disso, nós sabemos.
Rápido e eficaz. Grudou isso na janela com um Band-Aid.
Theresa Gionoffrio.
Vão andando! Vão andando!
-Você a conhecia? -Muito pouco.
-Vamos, Ro. -Aí vêm eles.
Vocês são os Castevet?
Somos.
Theresa Gionoffrio mora com vocês?
Mora. O que aconteceu?
Temos más notícias.
Está morta. Pulou da janela.
Não é possível! Deve haver um engano!
Artie, quer deixá-los dar uma olhada?
Sabia que isso aconteceria.
Ela ficava deprimida a cada três semanas.
Falei com minha mulher a respeito, mas ela não deu atenção.
Não achei que fosse se matar.
Era uma menina feliz. Não tinha por que fazer isso.
Devia estar limpando as janelas.
Não à meia-noite!
-Por que não? Talvez estivesse! -É a letra dela?
-É. -Com certeza.
Devolveremos quando tivermos terminado.
Não acredito. Ela era tão feliz.
-Quem é o parente mais próximo? -Ela só tinha a nós.
-Não tinha um irmão? -Ela tinha?
-Disse que sim, na Marinha. -Para mim, é novidade.
-Onde? -Não sei.
Ela falou dele para mim na lavanderia.
-Sou Rosemary Woodhouse. -Moramos no 7-E.
Concordo com você, Sra. Castevet.
Ela parecia feliz e cheia de...
Falou muito sobre vocês,
-do quanto estava agradecida. -Obrigada.
Sabe algo mais sobre o irmão dela?
-Não. -Deve ser fácil encontrá-lo.
-Estou pasma. Sinto muito. -É uma pena.
Bem, obrigada.
Às vezes, me pergunto por que ser líder de alguma coisa.
Não quero saber o que Laura-Louise disse.
Se você tivesse escutado, isso não teria acontecido!
Estaríamos prontos em vez de ter de começar do zero!
Eu disse para não contarmos para ela!
Disse que ela não entenderia!
Falei das janelas à Irmã Veronica...
e ela tirou a escola da competição.
-Oi. Como vai? -Bem. Posso entrar?
Claro. Por favor.
Vim agradecer as coisas gentis que me disse.
Pobre Terry. Achei que tivéssemos falhado com ela.
A carta diz que não.
Não imagina como ajudou nesse momento.
Muito obrigada. Roman também agradece. É meu marido.
Foi um prazer ajudá-los.
Ela foi cremada ontem. Vamos ter de esquecer.
Não vai ser fácil. Não temos filhos. E você?
-Não. -Bem...
Que bonito! Olhe só essa mesa! Não ficou ótimo?
-Vi em uma revista. -Que pintura bonita.
Que bonito. O que é ali? A sala de TV?
Temporariamente. Vai ser o quarto do bebê.
-Está grávida? -Ainda não.
Espero engravidar quando estivermos instalados.
São jovens. Vão ter muito filhos.
Queremos três.
Estou ansiosa para ver o que fez.
A antiga moradora era uma amiga.
Terry me disse.
Ah, é? Vocês conversaram muito na lavanderia.
-Só uma vez. -Meu Deus!
É muito mais claro do que antes.
Quanto custa uma cadeira como essa?
Não tenho certeza. Talvez uns $200.
-O que seu marido faz? -Ele é ator.
Sabia! Disse isso ao Roman ontem. Ele é muito bonito.
-Que filmes ele fez? -Não fez nenhum.
Fez duas peças, Luther e Nobody Loves An Albatross...
e trabalhou muito em TV e rádio.
Rosemary, tenho um filé mignon
descongelando lá em casa.
Por que vocês não jantam conosco?
-Que tal? -Não posso aceitar.
-Por que não? -É muita gentileza...
Seria muito bom para nós. É nossa primeira noite sozinhos...
Tem certeza de que não daremos trabalho?
Se fossem dar trabalho, eu não convidaria.
Então, conte conosco. Vou ver com Guy.
Diga que ele não tem escolha!
-Suas cartas! Ah, propagandas. -Obrigada.
Deram o papel para Donald Baumgart.
A peça não é lá essas coisas.
Mesmo que a peça não fique aqui, esse papel fará sucesso.
A Sra. Castevet veio agradecer
o que eu disse sobre Terry.
É a maior bisbilhoteira que já vi.
Sabia que ela pergunta o preço das coisas?
Está brincando.
Ela nos convidou para jantar.
Disse que falaria com você, mas que provavelmente iríamos.
Não temos de ir, temos?
Acho que eles se sentem sozinhos.
Se fizermos amizade, não nos livramos mais deles.
-Moram colados em nós. -Disse que iríamos.
-Não fique emburrada. -Não estou emburrada.
Entendo que não queira ir.
-Tudo bem, nós vamos. -Não. Para quê?
-Nós vamos! -Não,
se você não quiser. Sei que soa falso,
mas falo sério.
Será minha boa ação do dia.
Mas só se você quiser mesmo ir.
E vamos deixar claro que é só por essa noite,
está bem?
Chegaram na hora! Entrem.
Roman está preparando as vodcas. Que bom que veio, Guy.
Vou dizer para todo mundo que a conheço há séculos.
O jantar ainda não está pronto, mas sentem-se aqui.
Sentem-se no sofá. É muito...
Acho que enchi demais os copos.
Não se levantem.
Sempre encho na medida certa.
-Cuidado com o carpete. -Mas, dessa vez,
enchi-os demais. Aqui estão. Não, sente-se.
-Sra. Woodhouse... -Obrigada.
-Sr. Woodhouse, vodka blush? -Obrigado.
-Já provou? -Não.
-Parece deliciosa. -Toma-se muito na Austrália.
Bem-vindos!
Saúde.
-O carpete! -Ah, meu Deus.
Novinho em folha. Ele é tão desajeitado!
É australiano?
Não, sou de Nova York.
Eu já estive na Austrália. Viajei o mundo todo.
Você pergunta, e eu já estive. Pergunte se estive em algum lugar?
Fairbanks, no Alaska!
Conheço o Alaska inteiro...
Fairbanks, Juneau, Anchorage,
Nome, Sitka, Seward.
-Estive lá em 1938... -De onde é?
Bem...
De Omaha. Guy é de Baltimore.
Belas cidades.
Viaja a negócios?
Negócios e lazer.
Tenho 789 anos e viajo desde os 10 anos.
-Já fui a toda parte. -A carne está pronta.
Não se apressem.
Roman, não se esqueça do remédio!
Nenhum Papa visitaria uma cidade cujo jornal está em greve.
Soube que ele vai esperar que acabe.
Isso é que é showbiz.
É mesmo. As roupas, os rituais... Toda religião é assim.
-Estamos ofendendo Rosemary. -Não, não.
Você não é religiosa, é?
Tive uma educação católica.
-Você me pareceu incomodada. -É que ele é o Papa.
Não precisamos respeitá-lo, só porque finge que é santo.
Argumento interessante.
O que gastam com batinas e joias!
A questão da hipocrisia na instituição religiosa...
é discutida em Luther. Você já fez o papel principal, Guy?
Você não era o substituto do Albert Finney?
-Não. -Que estranho.
Um gesto seu me impressionou...
e procurei seu nome no programa.
-Qual foi o gesto? -Não sei,
uma reação...
Fiz algo com os braços quando Luther teve um ataque.
-Estendi-o involuntariamente. -Isso!
-Ficou muito convincente. -Sem essa...
Não, sério. Meu pai era produtor de teatro.
Passei meus primeiros anos na companhia...
da Sra. Fiske, Forbes-Robertson, Modjeska.
-Guy? -Por favor.
Você tem uma qualidade interior,
também presente no seu trabalho na TV. Você vai longe...
contanto que tenha oportunidade, é claro.
Tem alguma coisa em vista?
Eu fiz teste para dois papéis.
-Tenho certeza de que os conseguirá. -Eu, não.
Gostaria de ter um herbário.
No fundo, sou do interior.
-Vem de família grande? -Três irmãos e duas irmãs.
Suas irmãs são casadas?
-Têm filhos? -Uma tem dois, a outra tem quatro.
Vocês também terão muitos.
Somos férteis.
-Tenho 16 sobrinhos. -Minha nossa!
Eu lavo e você enxuga?
Não, tudo bem.
Roman, pare de encher o Guy com suas histórias de Modjeska.
Ele escuta porque é educado.
Não, são muito interessantes.
Minnie! Eu sou Minnie, e ele é Roman, está bem?
-Está bem! Fantástico. -Tchau, querida.
-Tchau. -Foi ótimo. Deus os abençoe.
-Minnie! -Minnie, garoto!
E aquele bife!
E o bolo! Como comeu dois pedaços?
Por educação. Por pura educação.
Só três pratos combinavam.
Mas que prataria linda!
Talvez deixem para nós.
Adivinhe o que tem no banheiro?
-Um bidê. -Piadas para o Trono.
O livro fica
do lado da privada.
Mas as histórias do Roman são muito interessantes.
Nunca tinha ouvido falar de Forbes-Robertson.
Vou voltar amanhã à noite para ouvir mais.
-Vai? -Ele me pediu.
Tire isso para mim.
Mas íamos ver Joan e Dick Jellico.
-Está certo? -Não.
Fica para a semana que vem.
Não precisa vir se não quiser.
-Pode ficar aqui. -Acho que vou ficar aqui.
Ele conheceu Henry Irving. Muito interessante.
Por que tiraram os quadros das paredes?
-Como assim? -Os quadros. Eles os tiraram,
deixando apenas os pregos. Sobrou um
-que não tinha nada a ver. -Não notei.
Oi!.
Essa é minha melhor amiga, Laura-Louise McBurney...
que mora no 12. A mulher do Guy, Rosemary.
Oi, Rosemary! Bem-vinda!
Laura-Louise acabou de conhecer Guy. Podemos entrar?
-Claro. Entrem. -Vamos. Entre.
Olhe o sofá. O abajur!
-Meu Deus! Que lindo! -Chegou de manhã.
Tudo bem com você? Parece cansada.
Estou bem. Estou menstruada.
E está andando? No meu primeiro dia,
não conseguia fazer nada!
Dan me dava gim de canudinho para a dor.
As meninas de hoje são mais tranquilas.
Mais saudáveis do que nós. Têm vitaminas e assistência médica.
-Forros para os móveis? -Almofadas para os assentos da janela.
Ah, sim.
Antes que me esqueça,
-um presente para você. -Para mim?
É um presente de boas-vindas.
-Não há motivo... -É antigo. Tem mais de 300 anos.
Lindo.
O verde é raiz-de-tanis. É para dar sorte.
É lindo, mas não posso aceitar.
Já aceitou. Ponha-o.
Vai se acostumar com o cheiro.
Ponha-o.
Isso.
Ele contou histórias interessantes?
-Contou. Você se divertiu? -Sim. Ganhei um presente.
-Era da Terry. -Era? Até que é bonito.
Não vai usar?
Cheira mal. Tem raiz-de-tanis da estufa dela.
Até que não é ruim.
Alguém quer tanis?
Aceitou, agora, tem de usar.
Alô? Ele mesmo.
Ah, meu Deus. Não.
Coitado.
E não se sabe a causa?
Meu Deus, que horror. Que horror.
Sim, eu queria. Digo, quero.
É terrível obtê-lo dessa forma...
Terá de falar com meu agente a respeito.
Alan Stone.
Não haverá qualquer problema quanto a nós.
Obrigado, Sr. Weiss.
Guy?
O que foi?
Donald Baumgart ficou cego.
Acordou cego ontem.
-Oh, não. -Eles me deram o papel.
Que jeito de consegui-lo.
Vou dar uma volta.
Entendo. Pode ir.
Baumgart. Donald Baumgart.
É um papel fascinante. Ele vai fazer sucesso.
Também conseguiu o papel principal da série de TV, Miami Beach.
De repente, ele é um sucesso.
Agora entendo por que está tão feliz.
É uma fase difícil para ele. Um desafio.
Entendo.
Sabe como são os atores: um tanto egocêntricos.
Aposto que até Laurence Olivier é vaidoso e egocêntrico.
É um papel difícil.
Tem de usar muletas. É claro que está preocupado.
E ele...
está preocupado.
Houve outro suicídio lá no Edifício Feliz.
-Não lhe contei? -Não.
Foi a drogada
que aquele casal idoso, os Castevet, adotaram.
Sei que lhe contei.
Ao que parece, não adiantou muito.
Tenho andado estranho.
É porque me preocupo com Baumgart.
É normal que se sinta confuso.
Mesmo que faça TV para sempre,
não vou descontar em você.
-Não descontou. -Descontei, sim.
Ando estressado com minha carreira.
Vamos ter um bebê, está bem?
Vamos ter três filhos, um de cada vez.
Um bebê. Sabe o que é: mamãe, papai, fraldas.
-Fala sério? -Claro que sim.
Até já sei quando. Veja.
-Fala sério? -Não. É claro que sim.
Ro, pelo amor de Deus, não chore.
Não, não vou.
Aqui, nada.
-A pintura! A pintura! -Droga.
Somos os únicos a acender a lareira essa noite.
Não é lindo? Espero que seja o inverno mais frio da história.
Droga!
Oi, Guy! Como vai?
Não a deixe entrar. Essa noite, não.
É muita bondade sua.
-Tem certeza de que não quer entrar? -Não quero incomodar.
Que alívio.
Quem disse que telepatia não funciona?
Mousse au chocolat. Ou, como diz Minnie, "mouse" de chocolate.
Tive medo que não fosse embora.
Só queria que provássemos sua "especialidade".
Foi muito gentil. Não deveríamos rir dela.
Tem razão.
É bom.
Tem um gosto estranho.
Um gosto de giz.
Não estou sentindo.
Não tem gosto nenhum.
Tem, sim.
A velha passou o dia todo na cozinha. Coma.
-Não gostei. -É uma delícia.
Coma o meu.
Sempre há algo errado.
Se vamos acabar discutindo...
Se não gosta, não coma.
Está deliciosa! Não tem gosto estranho nenhum.
Dá para virar o disco?
Papai, ganhei a recompensa?
Ganhou duas. Desculpe se fui chato.
Foi mesmo.
É o Papa, no Yankee Stadium!
Meu Deus, que multidão!
O Papa foi bem recebido por onde passou.
Como disse um homem à tarde...
"Talvez não sejamos dignos, mas esse foi um dia especial."
Meu comercial da Yamaha
ficaria ótimo aí.
A seguir, um resumo dos acontecimentos.
Papa Paulo VI chegou às 9:27...
O que foi?
Tontura...
Era de se esperar com tanta bebida...
Não comeu nada até o jantar?
Que bom.
Precisa descansar. Precisa de uma boa noite de sono.
Temos de fazer um bebê.
É o que faremos.
-Amanhã. Há tempo. -Vou descansar.
Por que está tirando minhas roupas?
Para que fique mais confortável.
-Já estou mais confortável. -Durma, Ro.
Hutch não vem conosco?
É só para católicos. Quem dera não existissem preconceitos,
mas infelizmente...
Calma, calma. Subiram demais.
Tufão! Tufão!
Morreram 55 pessoas em Londres!
É melhor ir para baixo.
-Está acordada. Está vendo. -Não está, não.
Se ela comeu a "mouse", não enxerga ou escuta. Cante.
Que pena que não se sente bem.
É só a mordida da "mouse".
Vamos amarrar suas pernas para o caso de ter convulsões.
É melhor mesmo.
Talvez estivesse com raiva.
Se a música a incomoda, pode pedir que eu paro.
Ah, não. Não precisa mudar a programação por mim.
Tente dormir. Vamos esperar no convés.
Isso não é um sonho! Isso é real!
Dizem que foi mordida por um rato.
Fui. É por isso que não pude vir vê-lo.
Tudo bem. Queremos que cuide de sua saúde.
O senhor me perdoa?
Claro que sim.
Passou das 9:00.
-Cinco minutos. -Tenho de estar na casa do Alan às 10.
-Coma fora. -De jeito nenhum.
-Que horas são? -9:10.
-A que horas fui dormir? -Você não dormiu.
Desmaiou.
De agora em diante, não misturará coquetéis e vinho.
Os sonhos que eu tive...
Não brigue comigo. Já as cortei.
Não queria perder a noite do bebê.
-Duas unhas quebraram. -Enquanto dormia?
Foi divertido, para quem gosta de necrofilia...
Sonhei que estava sendo estuprada.
-Não sei, não era humano. -Obrigado!
-O que foi? -Nada.
Eu não queria perder a noite.
Poderíamos ter feito de manhã.
Ontem não era nossa única chance.
Eu estava meio bêbado.
-Oi! Gostaram? -Gostamos.
Pus muito creme de cacau nela.
Não, não. Precisa me dar a receita.
Vai fazer compras? Pode me fazer um favor?
Compre seis ovos e café instantâneo.
Está bem. Tchau.
Não acha que deveríamos conversar?
-Sobre o quê? -Sobre como
não olha para mim.
-Eu olho para você. -Não olha, não.
Olho, sim. O que foi? Qual é o problema?
Nada. Não importa.
-Não diga isso. O que foi? -Nada.
Querida, se ando preocupado com o papel...
é porque é importante. Não é que eu não a ame.
É para a sexta.
É?
Deve chegar hoje à noite ou amanhã.
-Quer apostar? -Quero.
-25 centavos. Vai perder. -Pare com isso.
Está me deixando tensa. Só foram dois dias.
Quando saberei?
Ligo quando o resultado chegar.
Gosto de fazer um exame geral para saber mais.
Elise Dunstan o recomendou.
-Como vai ela? -Bem. Os meninos estão ótimos.
-Fez todos os partos dela? -Não, só o último.
-Hemoglobina. -Sim, doutor.
-Fomos ver os The Fantasticks. -Mesmo? Gostou?
-Gostei. -Ótimo.
-Alô? -Sra. Woodhouse?
-Dr. Hill? -Parabéns.
-Mesmo? -Mesmo.
-Ainda está aí? -O que acontece agora?
Venha me ver no mês que vem. Tome os comprimidos. Um por dia.
-Vou mandar os formulários. -Para quando é?
-Para 28 de junho. -Parece longe.
E é. Mais uma coisa. Preciso de outra amostra de sangue.
Tudo bem. Para quê?
A enfermeira não tirou o suficiente. Pode dar um pulo aqui?
Mas estou grávida, não estou?
Está, sim. É só para ver o nível de açúcar no sangue.
Não se preocupe.
Passo na segunda.
-Não se esqueça do remédio. -Pode deixar. Tchau, Dr. Hill.
Açúcar no sangue?
OUTUBRO 1965
NOVEMBRO 1965
SANGUE
O que é isso?
Demais! Demais!
-Papai. -Mamãe.
Guy, ouça. Façamos disso um novo começo.
Vamos nos abrir mais um com o outro.
É verdade. Só penso em mim mesmo. É esse o problema.
Sabe que eu a amo, Ro?
Juro por Deus, vou me abrir...
-É minha culpa também. -Não, minha. Tenha paciência.
Vou melhorar, está bem?
Oh, Guy.
O quê?
Para futuros pais, estamos nos comportando muito mal.
-Sabe o que eu queria fazer? -O quê?
Contar para Minnie e Roman.
Sei que deveríamos guardar segredo...
mas já disse que estava tentando engravidar.
-Eles adoraram. -Conte para eles.
Eu já volto.
Está grávida.
Outra amostra de sangue.
Isso é que é uma boa notícia.
-Parabéns! -Obrigada.
Boa sorte, Rosemary.
Ficamos muito contentes.
Não temos champanhe, então, vai isso.
-É para quando? -28 de junho.
Que fantástico. Tem um bom médico?
Tenho um muito bom.
Conhecemos o melhor obstetra, o Dr. Abe Sapirstein.
Faz os partos da alta sociedade.
É um dos melhores obstetras do país.
Ele esteve no programa Open End?
-Isso mesmo. -Ro?
E o Dr. Hill?
Não se preocupe. Dou alguma desculpa.
Não vá dar à luz com um desconhecido.
Você merece o melhor! Onde está o telefone?
-No quarto. -Ele é brilhante,
-muito sensível. -Ro, sente-se, sente-se.
-Não, estou bem. -Abe? Minnie.
Uma amiga acaba de descobrir que está grávida.
Estou no apartamento dela agora.
Disse que você cuidaria dela...
e que faria um desconto.
Um minuto. Rosemary, amanhã às 11?
-Combinado. -Às 11 está ótimo, Abe.
Você também. Não, de jeito nenhum.
Tudo bem. Esperemos que sim.
-Pronto. -Muito obrigada, Minnie.
Não sei como agradecer.
Agradeça tendo um bebê lindo.
Mal posso esperar para contar para Laura-Louise.
Não conte para mais ninguém por enquanto.
Ela tem razão. Há tempo.
-A uma criança saudável. -Saúde!
Andy.
Ou Susan.
Susan.
Não leia livros.
Nenhuma gravidez é como descrevem nos livros.
E não dê ouvidos aos amigos.
Cada gravidez é única.
-O Dr. Hill receitou vitaminas. -Não tome.
Minnie Castevet tem um herbário.
Vou pedir que faça um suco mais fresco e seguro
e com muito mais vitaminas.
Qualquer dúvida, ligue a qualquer hora.
Não ligue para a titia. Estou aqui para isso.
-Tome. -O que tem aí?
Cobras e lagartos.
-E se eu quiser uma menina? -E quer?
Seria bom ter um menino primeiro.
Isso.
Sério. O que tem aqui?
-Ovo cru, gelatina e ervas. -Raiz-de-tanis?
Isso e outras coisas.
Se quer ser estúpido, que seja sem violência.
Não amo ninguém, muito menos a gorda da sua mulher.
Sou um aleijado...
O que é isso?
Fui ao Vidal Sassoon.
Não me diga que pagou por isso?
Guy, estou sentindo dor.
-Onde? -Aqui.
-Começou agora? -Desde segunda.
-Uma dor aguda. -Foi ver Sapirstein?
Vou vê-lo na quarta.
Que absurdo. Vá vê-lo.
-Por que não disse? -Sempre o vejo nas quartas.
É uma expansão natural da bacia. Tome aspirina.
Tenho medo que seja uma gravidez tubária.
Pensei que não ia ler livros.
-Chamou minha atenção na farmácia. -Ficou preocupada.
Jogue isso fora, por favor.
As dores passarão em dois dias.
Gravidez tubária!
Estou com uma cara horrível.
O que está dizendo? Você está ótima.
É o corte de cabelo.
Para falar a verdade, foi seu pior erro.
-Meu Deus! -É Vidal Sassoon. Está na moda.
-O que há com você? -Fiquei tão horrível assim?
Ficou! Não está fazendo essas dietas Zen, está?
-Não. -Então, o que é?
Foi ao médico?
Vou contar. Estou grávida.
Bobagem. Grávidas engordam. Não perdem peso.
Não estou dormindo bem. Minhas articulações estão duras e doem.
-Nada de grave. -Parabéns.
-Deve estar contente. -Nós dois estamos.
-Quem é seu obstetra? -Abraham Sapirstein.
Ele fez o parto de duas netas minhas.
-É um dos melhores. -Quando o viu pela última vez?
-Ontem. -E?
Ele diz que é muito comum.
-Quanto peso perdeu? -Um quilo e meio.
Perdeu muito mais do que isso.
É normal perder peso no início.
Logo, engordarei.
O Dr. Sapirstein deve saber o que diz.
E deveria. Com o dinheiro que cobra...
Temos um desconto. Nossos vizinhos são amigos dele.
-Eu atendo. -Fique onde está.
Dói menos quando me mexo.
-Estava falando de você. -Bem, espero.
-Precisa de alguma coisa? -Não, obrigada.
-Guy já chegou em casa? -Só chega às 18:00.
Um amigo nosso está aqui.
Quer conhecê-lo?
-Não estarei incomodando? -Não. Por favor, entre.
Hutch, esse é Roman Castevet. Edward Hutchins.
-Como vai? -Como vai?
Disse ao Hutch que você me recomendou o Dr. Sapirstein.
-Rosemary lhe contou a novidade? -Contou.
-Ela precisa descansar. -A aparência dela me preocupou.
Perdeu peso, mas é normal.
Logo, engordará e muito.
-É o que parece. -Sente-se.
A Sra. Castevet faz uma vitamina com ervas que ela cultiva.
Segundo as instruções do Dr. Sapirstein.
Ele não confia em vitaminas industrializadas.
Mas são feitas segundo padrões rígidos de segurança.
É verdade, mas podem ficar meses na prateleira...
-e perder o efeito. -Não havia pensado nisso.
Gosto de produtos naturais.
Aposto que, antigamente, as grávidas mascavam raiz-de-tanis.
-Raiz-de-tanis? -É uma das ervas.
É erva? Raiz pode ser erva?
Não está falando de anis?
Não, tanis.
Veja.
É para dar sorte.
Não parece raiz.
Parece mais mofo, um tipo de fungo.
-Tem outro nome? -Que eu saiba, não.
Tanis. Vou procurar na enciclopédia.
-Que amuleto bonito. -Presente dos Castevet.
Parecem tomar conta melhor da Rosemary
-que os pais dela. -Gostamos muito dela.
E do Guy. Com licença. Preciso ir.
-Minha mulher está esperando. -Foi um prazer.
Não precisa, Rosemary. Ainda nos veremos.
Ele tem orelhas furadas.
Orelhas furadas e olhos penetrantes. Como é a mulher dele?
Bisbilhoteira. Engraçada.
Guy ficou muito amigo deles.
Devem ser como pais para ele.
-E você? -Não sei.
Às vezes, são simpáticos demais.
Que surpresa. Como vai, Hutch?
-Você é a surpresa. O que aconteceu? -Reescreveram o roteiro.
-Não precisa se levantar. -Quer café?
Adoraria!
-Roubados! -Meus parabéns.
-Não é demais? -Para quando é?
28 de junho. O Dr. Sapirstein fez o parto de duas das netas do Hutch.
Mesmo?
Conheci seu vizinho, Roman Castevet.
Mesmo? Não é uma peça?
-Ele tem orelhas furadas. -Está brincando.
Não, eu vi.
Não temos nos visto ultimamente.
Estou muito ocupado e com a Ro grávida,
-nunca vemos ninguém. -Vamos jantar um dia desses.
-Já vai? -Obrigado pelo café.
Obrigado por vir.
Se não é meu, deve ser seu.
Já pensaram em um nome, ou é cedo demais?
Andrew ou Douglas. Melinda ou Sarah.
-O que aconteceu com Susan? -Sabe onde está a outra?
-Não. -Não está aqui.
Talvez tenha deixado no City Center. Vou voltar lá.
Vamos jantar um dia desses?
-Na semana que vem. -Tchau.
Tchau.
-Que surpresa boa. -Adivinhe o que ele disse.
-O quê? -Que estou com péssima aparência.
Hutch não muda. Sempre espalhando alegria.
Vou comprar um jornal.
-É um pessimista profissional. -Não é, não.
Então, é um dos melhores amadores.
Alô? Não está se sentindo bem.
Acho que está dormindo.
Pode ser...
Pode esperar um momento?
É Hutch. Quer falar com você.
Disse que estava descansando e ele insistiu.
-Hutch? -Você nunca sai de casa?
Ultimamente, não. Por quê?
Pode me encontrar amanhã de manhã na frente do Edifício Time-Life?
Se você quiser. O que foi? Pode me dizer?
Agora não. Vamos almoçar.
-Boa ideia. -Então, vejo você às 11?
Encontrou sua luva?
Não estava lá. Boa noite. Durma bem.
Você também.
-O que foi? -Ele quer falar comigo.
-Sobre o quê? -Não sei. Não quis dizer.
Ele está lendo muitos livros de aventura.
Onde vão se encontrar?
No Edifício Time-Life, às 11 da manhã.
Você fica grávida e eu que fico tenso.
Vou tomar um sorvete. Quer um?
Quero.
-Baunilha? -Está bem.
Vou sair agora.
Não vou tomar meu suco das 11.
Tudo bem. Tome mais tarde. Avise quando chegar.
Dor, vá embora. Não a quero mais.
-Alô? -É da casa de Edward Hutchins?
-Sim. Quem fala? -Meu nome é Rosemary Woodhouse.
Tinha um compromisso com o Sr. Hutchins. Ele está?
-Alô? -Adoeceu essa manhã.
-Adoeceu? -Sim.
Entrou em coma e está no Hospital St. Vincent.
Meu Deus! Falei com ele ontem às 22:30.
-Falei com ele às 23:00. -Quem é?
Não me conhece. Sou Grace Cardiff, uma amiga.
-Sabem qual é a causa? -Não, ainda não.
Não está reagindo.
Estou indo para o hospital.
-Há algo que possa fazer? -De fato, não.
Então, obrigada.
Não! Isso é o que chamo de coincidência!
Disse a mim mesmo: se Rosemary vai sair...
eu vou fazer compras de Natal.
E olhe nós aqui. Não é incrível?
Qual é o problema? Você está bem?
Coitadinha.
Por que não vamos para casa? O que acha da ideia?
-Não, faça suas compras. -Ainda tenho duas semanas.
Vai passar.
É como se apertassem um arame dentro de mim.
Acontece com mulheres idosas com problemas de articulação.
-Não vou mais sair. -Não vai precisar.
Falta um minuto!
Rosemary, esse é o Dr. Shand. Era um dentista famoso.
-Fez a corrente do seu amuleto. -Como vai?
Vamos, meu bem. Ponha esse lindo chapéu.
Doutor, venha cá.
-Minnie, Minnie! -Feliz Ano Novo.
-Tenha um bom ano. -Feliz Ano Novo.
A 1966!
O Ano Um!
Que diabos está fazendo?
O cardápio. Daremos uma festa sem ser nesse sábado, no outro.
É para nossos velhos... nossos jovens amigos.
Minnie e Roman não estão convidados. Nem Laura-Louise.
E o Dr. Sapirstein também não.
É uma festa especial. Você precisa ter menos de 60 anos.
Ufa. Por um instante, achei que seria barrado.
Você pode entrar. Pode trabalhar no bar.
Legal. Mas acha que é uma boa ideia?
É a melhor que tive em meses.
Não é melhor ver com o Dr. Sapirstein?
Vou dar uma festa, não atravessar o Canal da Mancha a nado.
E a dor?
Você não soube? Vai parar em um ou dois dias.
Interessante. É para quê?
Vamos fazer uma festa.
-Está com vontade de entreter? -Estou.
Convidei amigos que não vejo há muito tempo.
Nem sabem que estou grávida.
Posso ajudar, se quiser.
Não, obrigada, Minnie. Eu cuido de tudo.
Farei um bufê, e teremos alguém no bar...
Eu penduro os casacos.
Não, já faz muito por mim.
Avise se mudar de ideia.
Beba seu suco.
Não quero. Agora, não.
Bebo daqui um pouco.
-Não é bom esperar. -Não vou.
Eu levo o copo para você depois.
Eu espero. Não vá ficar andando.
Fico nervosa quando me veem cozinhar. Até mais!
Não espere muito para tomá-lo. Vai perder as vitaminas.
Sua danada. Guardou segredo. Parabéns!
-Parabéns. -Obrigada.
-Ei, Rosie. -O quê?
Bob e Leo estão em outra festa, mas virão assim que puderem.
-Tudo bem. -Rosie,
que apartamento fantástico!
-Oi. Quanto tempo. -Você parece um pedaço de giz.
Faça com que ele a alimente.
-Adrian Marcato morou aqui. -E as irmãs Trench.
Elas comiam criancinhas.
Ele não está brincando. Comiam mesmo.
Faço o primeiro bem forte, para que elas fiquem animadas.
Rosie, tudo bem?
Parece cansada.
Cansada é pouco.
Você gosta do Dr. Hill? Ele não é ótimo?
Não estou indo nele.
Não está?
Estou indo a um médico chamado Sapirstein.
-Parabéns, papai. -Obrigado. Não é nada.
-Vou levar esse patê para dentro. -Está vendo as flores?
-Estou. Elise, você me ajuda? -Claro.
Aquele cara ainda está cego?
Donald Baumgart? Sabe quem é. Zoe Piper mora com ele.
Está escrevendo uma peça.
Ainda está cego?
Está passando por maus bocados, tentando se acostumar.
Ele dita e Zoe escreve.
Imaginem a coragem dele.
Está cego só há alguns meses.
Você está bem?
Estou. Tive uma cãibra repentina.
-Não chore. -É bom para ela.
Deixe-a desabafar. Está tudo bem. Sente-se.
-Saia, saia! -Deixe-me entrar.
-Só menina entra. -Quero ver Rosemary.
-Está ocupada. -Tenho de lavar isso...
Use o banheiro.
Dói tanto. Tenho medo do bebê morrer.
Quando a dor começou?
Em novembro.
-Novembro? -O quê?
Está sentindo dores desde novembro, e ele não tomou providência?
Disse que vão passar.
-Por que não vai a outro médico? -Ele é muito bom.
Ele participa do programa Open End.
Parece um maluco sádico.
Rosemary, dores assim são um sinal de que algo está errado.
Vá ver o Dr. Hill. Vá a outro médico...
-Maluco. -Não fique sofrendo assim.
Não vou abortar.
Ninguém pediu isso. Vá ver outro médico.
O melhor agora é nos mudarmos.
-Guy? -O quê?
Vou ver o Dr. Hill na segunda de manhã.
Ou o Dr. Sapirstein está mentindo, ou está...
não sei, louco.
Dores são um aviso de que algo está errado.
-Rosemary... -Não vou beber
aquele suco.
Quero pílulas de vitaminas como todo mundo.
Não bebo o suco há três dias. Joguei-o fora.
-Fez o quê? -Eu mesma fiz um.
Foi isso que aquelas vagabundas lhe disseram?
-É o conselho do dia? -São minhas amigas...
Elas são burras
e não deveriam se meter!
Só quero uma segunda opinião.
Você sabe quem o Dr. Hill é? Ninguém! Ninguém!
Não aguento mais ouvir elogiarem o Dr. Sapirstein.
Pagar Sapirstein, pagar Hill... Nem pensar.
Está decidido. Quero uma segunda opinião.
Não vou deixar, Ro.
Quero dizer... Não seria justo com Sapirstein.
Não seria justo com...?
O que está dizendo? E eu não conto?
Quer uma segunda opinião?
Diga isso ao Sapirstein e deixe-o decidir.
Não! Quero o Dr. Hill!
-Pelo menos, por cortesia... -Se não quiser pagar...
-Rosemary? O que foi? -Parou.
-O quê? -A dor parou de repente.
-Parou? -Parou.
O que pôs no seu suco?
-Ovos, leite, açúcar... -O que mais?
O que mais?
Pelo amor de Deus, o que mais?
Está vivo! Guy, está se mexendo!
Está vivo! Está tudo bem!
-Ponha a mão. -Já senti.
-Não tenha medo. Ele não morde. -É maravilhoso. Mesmo.
Ele está chutando. Está vivo!
Está se mexendo!
Vou limpar isso aqui.
Cuidado com as paredes.
-O bebê está pagando. -Obrigado.
Para que isso?
-Para o hospital. -Ainda faltam três semanas.
Sim? Olá, Sra. Cardiff.
Não. Meu Deus.
Meu Deus.
Claro que vou.
Hutch morreu.
Eu me arrependo de não ter lhe dado mais atenção.
Doutor. Doris, vemo-nos depois.
Com licença. Sou a Sra. Woodhouse. Conhecia seu pai.
-É Rosemary? -Meus pêsames.
-Obrigada. Essa é minha irmã. -Como vai?
-E meu marido. -Como vai?
-Desculpe o atraso. -Com licença.
Sou Grace Cardiff.
Queria mesmo vê-la.
la mandar pelo correio, mas achei que viesse.
-O que é? -Um livro.
Hutch saiu do coma
e achou que era a manhã do encontro.
-O encontro com você... -Ah, sim.
Eu não estava lá, mas ele fez o médico prometer que lhe daria o livro.
Obrigada.
Ah, o nome é um anagrama.
-O nome do livro? -Parece que sim.
Ele estava delirando. Não se sabe ao certo.
Ouvi você chegar. Não demorou.
Cheguei tarde. Não consegui um táxi.
Que pena. É sua correspondência?
Não, é um presente.
Eu seguro. Um livro?
Conheço esse prédio! Os Gilmore moravam lá.
Fui lá muitas vezes.
Grace... um dos meus nomes favoritos.
-Mesmo? -Precisa de alguma coisa?
-Não, obrigada. -Vá descansar.
-Vou. -Tchau.
TODOS ELES BRUXOS
NOS RITUAIS, USAVAM UM FUNGO CHAMADO PIMENTA DO DIABO.
"Nascido em Glasgow em 1846,
foi trazido para Nova York...
onde residiu por muitos anos.
Foi atacado por uma multidão na frente do Bram..."
Fora e não na entrada.
Bruxos não existem...
O nome é um anagrama.
TODOS ELES BRUXOS
VEM COM A QUEDA
ELFO ATIROU NO BRUXO MANCO
COMO O INFERNO ESTÁ RELACIONADO A MIM
Não faz o menor sentido.
Pobre Hutch.
E O FILHO, STEVEN...
Por que passou a corrente?
Qual é o problema?
-Você está bem? -Estou.
-Obrigada. -Como foi no enterro?
Bem.
Ganhei a camisa que estava no New Yorker.
Ganhei a camisa do New Yorker.
Que legal. Sabe quem Roman é?
-Como assim? -É o filho de Adrian Marcato.
-O quê? -Venha cá.
Quero lhe mostrar uma coisa.
Roman Castevet é Steven Marcato, trocando as letras.
Hutch me deu.
Veja.
Veja ele aqui, com 13 anos. Está vendo os olhos?
-Coincidência. -No mesmo prédio?
E veja aqui.
"Logo depois, em agosto de 1886, seu filho Steven nasceu."
1886. Ele teria 79 anos hoje. Coincidência, nada.
Parece que não. É Steven Marcato.
Coitado.
Com um pai desses, não é à toa que tenha mudado de nome.
-Não acha que ele é igual ao pai? -Como assim? Um bruxo?
Ro, está brincando? Querida...
O pai dele foi um mártir. Sabe como morreu?
Estamos em 1966.
O livro foi publicado em 1933. Havia conciliábulos na Europa.
É como chamavam os encontros.
Existiam na Europa, na América, na Austrália e aqui.
Festas com cantos, flauta e preces...
-Faziam Sabás. -Não se empolgue.
Leia o que fazem. Usam sangue nos rituais.
E o sangue mais poderoso é o de um bebê.
Eles também usam a carne.
-Pelo amor de Deus! -Não os quero
perto do bebê.
São velhos e tem amigos velhos!
O Dr. Shand toca flauta doce!
Não vou correr riscos. Vamos sublocar o apartamento.
Não vamos, não.
Falamos disso depois.
Acho melhor não ler mais isso.
-Estou no último capítulo. -Hoje, não.
Suas mãos estão tremendo. Vamos. Dê-me o livro.
Falo sério. Dê-me o livro.
Que incrível. Qual é mesmo o nome? Marchado?
-Marcato. -Disse que seu pai era importador.
Ao Guy, disse que era produtor.
Entendo que esteja preocupada.
Não quero mais contacto com eles.
Não quero correr nenhum risco.
Toda mãe faria o mesmo.
Será que Minnie colocou alguma coisa no suco
ou nos bolinhos?
Eu teria notado algo de errado.
Não vou mais aceitar nada.
Vou receitar um remédio para essas últimas semanas.
Talvez isso venha a calhar e resolva o problema deles.
-Como assim? -Roman está muito doente.
Aqui entre nós, tem no máximo dois meses de vida.
Ele quer fazer uma última viagem.
Mas não queriam ir antes do seu filho nascer.
Lamento ouvir isso.
Ele ficará envergonhado se souber que contei.
Façamos assim. Vou dizer para ele ir no domingo.
Vou dizer que falei com você.
-Eles vão embora no domingo? -Vou fazê-los ir.
Vamos torcer para você ficar
feliz e magrinha de novo com um filhinho ou uma filhinha
-nos braços. -Obrigada por tudo.
Faça com que Guy mande fotos.
Pode deixar.
Não desejo boa sorte, porque não vai precisar.
Vai ser muito feliz.
Boa viagem e tenham cuidado na volta.
Talvez fique em Dubrovnik, Pescara ou Majorca.
-Veremos, veremos. -Volte.
-Tchau, Minnie. -Tchau.
Tchau, Roman. Cuidem-se.
-Aeroporto Kennedy, Pan Am. -Tchau, Minnie.
Tchau, Roman.
Puxa...
-Onde está meu livro? -Joguei no lixo.
-O quê? -Não queria que o lesse.
Guy, foi um presente do Hutch.
-Não pensei nisso. -Que maldade.
Desculpe. Não me lembrei do Hutch.
Cuidado!
BRUXARIA
O PODER DA MENTE DE TODO UM CONCILIÁBULO...
PODERIA CEGAR, ENSURDECER, PARALISAR E ATÉ MATAR A VÍTIMA.
"Em alguns cultos, acreditavam...
que um objeto pessoal da vítima era necessário...
pois feitiços não eram possíveis sem um pertence dela."
Donald Baumgart?
-Ele mesmo. -Sou Rosemary,
a mulher de Guy Woodhouse.
-Ah, sim! -Gostaria de saber...
Deve estar muito feliz, morando no Bram...
Queria saber como estava.
Que Deus a abençoe.
A mulher de Guy Woodhouse...
Estou muito bem. Só quebrei seis copos hoje.
Guy e eu sentimos muito...
ele ter conseguido o papel às custas do seu acidente.
O que se há de fazer? É a vida, não é?
Desculpe não ter ido visitá-lo com ele.
Fala do dia em que nos encontramos para tomar uma bebida?
É o que quis dizer.
Aliás, ele tem algo seu.
Como assim?
-Você não sabe? -Não.
Não deu falta de nada?
Está falando da gravata?
Sim.
Ele ficou com a minha, e eu, com a dele.
-Posso devolver a dele. -Desculpe...
Não me importa mais que cor é a gravata que uso.
Achei que tivesse emprestado.
Não, foi uma troca.
-Acha que ele roubou? -Tenho de desligar agora.
Só quis saber se houve alguma melhora.
Não, não houve. Obrigado por ligar.
-Está em trabalho de parto? -Não, mas tenho de ver o médico.
Ele tem de sair às 17:00,
e é a vez da Sra. Byron.
-Sei que ele o verá. Sente-se. -Obrigada.
-Como está o tempo lá fora? -Horrível. Está fazendo 34 graus.
Marque uma consulta
-para a semana que vem. -Pode deixar.
-Está para dar à luz, não? -Na terça.
Tem razão em querer que seja antes de agosto.
Sra. Byron? Ele a verá em seguida.
Vejamos... 10 de julho?
-A que horas? -Pode ser às 16:00?
DEUS ESTÁ MORTO?
Tchau. Boa sorte.
Obrigada.
Que cheiro bom. O que é?
Meu... Chama-se Detchema.
É melhor que o outro, se não se importa que o diga.
Aquele era meu amuleto. Joguei fora.
Que bom. Talvez o doutor siga seu exemplo.
-O Dr. Sapirstein? -Sim. A água de colônia dele.
Ou não é? Não acho que ele tenha um amuleto.
Ele tem esse cheiro de vez em quando.
E quando tem, meu Deus! Nunca notou?
Não.
Talvez pensasse que era o cheiro do seu.
É químico?
Pode me dar licença? Meu marido está lá fora.
Tenho algo a lhe dizer. Eu já volto.
-Consultório do Dr. Hill. -Dr. Hill, por favor.
É o serviço de recados. Gostaria de deixar um?
Sim. Meu nome é Rosemary Woodhouse.
Woodhouse. Pode pedir que me ligue imediatamente?
O telefone é 475-2598.
É uma emergência. Estou no orelhão.
Pode deixar.
Por favor, Dr. Hill. Ligue.
Mesmo? Ele disse isso?
Ele não pode ter dito isso. O que mais ele disse?
Que ótimo. Que fantástico.
Sim. Dr. Hill?
Rosemary Woodhouse?
-Sim. -É paciente dele?
Não.
Sim. Digo, fiz uma consulta com ele.
Diga que preciso falar com ele. É importante.
-Pode pedir que me ligue? -Está bem.
Obrigada.
Todos eles. Todos eles.
Todos juntos. Todos eles.
Todos eles bruxos.
Não se preocupe, Andy ou Jenny.
Eu os mato antes deles tocarem em você.
-Sim. Dr... -Sra. Woodhouse?
Sim! Obrigada por retornar minha ligação.
Pensei que estivesse na Califórnia.
Não. Estava indo a outro médico, e ele não é bom, Dr. Hill.
Mente para mim e me dá
medicações estranhas.
O bebê é para terça. Lembra-se de ter dito 28 de junho?
-Quero que faça o parto. -Sra. Woodhouse...
Deixe-me falar,
explicar o que está acontecendo.
Não posso ficar aqui muito tempo. Eles virão me pegar.
Dr. Hill, há um complô...
Sei que parece loucura. Deve estar pensando
que enlouqueci...
mas não enlouqueci. Juro
pelo que há de mais sagrado.
Complôs existem, não existem?
-Suponho que sim. -Há um contra mim e o bebê.
Venha amanhã depois das 17:00.
Tem de ser agora!
Sra. Woodhouse, estou em casa.
Não durmo desde ontem de manhã.
Eu imploro. Eu imploro.
Não posso ficar aqui.
-Meu consultório, às 20:00. -Obrigada!
Espere! Dr. Hill?
-Sim? -Meu marido pode ligar...
Não vou falar com ninguém. Vou dormir.
Obrigada.
Fique com o troco.
Motorista, pode esperar até
eu entrar no prédio?
Ele mentiu. Disse que íamos para Hollywood.
O pior é que está envolvido.
Ele agora dorme de pijamas. Nunca fez isso.
Deve estar escondendo a marca. Eles marcam os novatos.
Fazem todo tipo de ritual. Fazem Sabás.
Dá para ouvi-los cantar.
Meu marido disse que era o Dr. Shand...
com a flauta dele.
Ele só podia saber quem era se estivesse com eles.
São muito espertos.
Planejaram tudo desde o começo.
Acho que fizeram um pacto com Guy, que,
em troca de sucesso ofereceu nosso bebê
para os rituais.
Sei que parece loucura, mas veja esses livros.
Há um outro ator, Donald Baumgart...
Eles o cegaram
para que Guy conseguisse um papel.
Veja aqui.
Eu tinha um amigo, Edward Hutchins, um escritor...
que escrevia livros para crianças.
Foi meu amigo desde que cheguei em NY.
-Posso ficar com isso? -Por favor.
Veja. Uma vez, o Sr. Hutchins veio me visitar...
na época em que eu estava sentindo dores.
Estava sofrendo tanto... não pode imaginar.
E ninguém queria me ajudar.
Eles me faziam tomar um suco com raiz-de-tanis...
mais uma coisa de bruxos.
Hutch veio e viu que havia algo errado.
Ele entendia de bruxaria.
Guy entrou repentinamente, coisa que nunca fez.
Provavelmente o chamaram para roubar um pertence de Hutch.
Ele roubou a luva dele, e eles fizeram um feitiço.
Hutch entrou em coma. Três meses depois, morreu.
Coincidência, talvez, mas uma coisa é certa...
eles têm um conciliábulo e querem meu bebê.
É o que parece.
Tive medo que não acreditasse.
Não acredito em bruxaria...
mas que há muitos loucos nessa cidade, há.
-O nome do médico é Shand? -Não, o Dr. Shand é um deles.
-O nome dele é Sapirstein. -Abraham Sapirstein?
Isso.
-Você o conhece? -Eu o vi uma ou duas vezes.
Ninguém imaginaria que...
Ninguém nunca imaginaria.
Quer ir para o Hospital Mount Sinai essa noite?
Adoraria. Seria possível?
É difícil, mas podemos tentar.
Deite-se e descanse um pouco.
Obrigada. Consiga qualquer coisa. Até um armário serve.
Espero conseguir algo melhor.
Vou ver o que posso fazer e depois examiná-la.
Devo me despir agora?
Não. Vou levar meia hora.
Deite-se e descanse.
Abençoado seja o Dr. Hill.
Tudo vai dar certo, Andy ou Jenny.
Vamos para um hospital limpo e sem visitas.
Monstros.
Monstros.
É o fim. É o fim.
Peguei no sono.
Venha conosco, Rosemary. Não faça escândalo.
Se disser alguma coisa mais sobre bruxos...
vamos levá-la para um hospício.
Você não quer isso, quer? Ponha os sapatos.
Só vamos levá-la para casa. Ninguém lhe fará mal.
Ou ao bebê. Ponha os sapatos.
Ela está bem agora.
-Vai descansar em casa. -É só o que precisa.
-Obrigado, doutor. -Foi um prazer ajudar.
Que vergonha você ter vindo aqui.
Boa noite, Sra. Woodhouse.
Sra. Woodhouse!
Sra. Woodhouse!
-Abra a porta, Ro. -Vá para o inferno!
Vamos, querida.
Prometeu-lhes o bebê!
Não prometi nada!
-Rosemary, você... -Você também!
Elise?
-A Sra. Dunstan saiu. -Quem fala?
-A babá. -Aonde ela foi?
-Ao cinema. -Meu nome é Rosemary.
Pode pedir que ligue para mim?
É muito urgente. Não se esqueça.
-Não se preocupe. Darei o recado. -Obrigada.
-Não queremos machucá-la, Ro. -Somos seus amigos, Rosemary.
Não há o que temer. Acredite em mim.
Isso é um sedativo leve.
Eu não deixaria ninguém...
Socorro!
-Ro, querida. -Alguém me ajude!
Espere. Espere.
-Está dando à luz. -Aqui?
Vai dar tudo certo.
Vamos cuidar de você.
Onde estão os médicos e o hospital?
Tudo limpo e esterilizado!
Alô? Ela não está, Elise.
Andy... Andy ou Jenny...
Sinto muito, meu amor.
Perdoe-me.
Oi.
Oi.
O bebê está bem?
Sim, está.
-O que é? -Um menino.
Mesmo? Um menino?
-E ele está bem? -Está.
Onde ele está?
Meu Deus!
Que susto me deu. Meu Deus.
Onde está o bebê?
Espere um minuto.
Onde está meu bebê?
Vou procurar o Dr. Abe. Espere.
Onde está o bebê?
-Onde está ele? -Querida...
Houve complicações, mas ainda poderá ter filhos.
Está...
Morto. Estava na posição errada.
Em um hospital, poderíamos ter feito algo.
Podemos ter outros filhos.
Poderá engravidar
-daqui a alguns meses. -Quando estiver melhor.
Não acredito em vocês. Estão mentindo.
Mentira! O bebê não morreu! Você o roubou! Estão mentindo!
São bruxos! Estão mentindo!
Mentira! Mentira!
Abe diz que é histeria pré-parto.
Não sei. Um tipo de histeria.
Você ficou completamente maluca.
Entendo que tenha pensado que Minnie e Roman fossem bruxos...
mas daí a achar que Abe e eu também éramos...
Encare os fatos. Estava completamente louca.
Agora, vai descansar e se recuperar de tudo isso.
Sei que passou por dificuldades...
mas, daqui para frente, tudo mudará.
A Paramount está no papo
e a Universal está interessada.
Vamos sair daqui e nos mudar para Beverly Hills.
Teremos uma piscina, uma horta, o que quisermos.
E as crianças também.
Palavra de honra. Ouviu o que Abe disse.
Agora, preciso ir ficar famoso.
Deixe-me ver seu ombro.
Deixe-me ver seu ombro.
-Está brincando? -Seu ombro esquerdo.
Tudo bem. Como quiser.
Prefiro fazer isso com música. Ombro esquerdo.
Ombro direito.
Não tiro o resto sem luz azul.
A pressão atmosférica
é a causa do calor extremo...
que continuará por mais uma semana.
Céu nublado no estado de Nova York...
com possibilidade de pancadas de chuva...
até amanhã à noite.
Quem sair da cidade no próximo fim de semana...
Não está ouvindo um bebê chorar?
Não, meu bem.
Volte para a cama.
É hora do remédio.
Desligou o ar condicionado?
Não deveria.
Tem gente morrendo de calor.
O que faz com o leite?
Ora, jogo-o fora. Seu comprimido, Rosemary.
Olá, garotas.
Está fazendo 35 graus lá fora.
Há gente nova no apartamento oito.
Eles têm um bebê?
-Como sabia? -Eu o ouvi chorar.
Espere um minuto.
-Não faça isso. -Por que não?
Faz a maior sujeira.
Com calma.
Subiram demais.
Puxa, Hayato. Está brincando comigo.
Está tirando sarro, como dizem.
Rosemary, volte para a cama.
Não deveria estar de pé.
-É a mãe? -Rosemary...
Cale a boca. Você está em Dubrovnik. Não o ouço.
O que fizeram com ele?
O que fizeram com os olhos dele?
Ele tem os olhos do pai.
O que estão dizendo? Os olhos do Guy são normais.
O que fizeram com ele, seus maníacos?
O pai dele é Satã, e não Guy.
Ele veio do inferno para fecundar uma mortal.
-Salve, Satã. -Salve, Satã.
Satã é o pai dele. E ele se chama Adrian.
Vai destituir os poderosos e destruir seus templos.
Vai redimir os desprezados...
e vingar os que foram queimados e torturados!
Salve, Adrian!
Salve, Satã! Salve, Satã!
De todas as mulheres do mundo, você foi a escolhida.
Ele quis que fosse a mãe de seu filho único.
Seu poder é infinito!
Seu reino durará a eternidade!
Salve, Satã!
Não pode ser!
-Olhe para as mãos dele. -E os pés.
Oh, Deus!
Deus está morto! Satã vive!
Esse é o Ano Um!
Esse é o Ano Um e Deus está morto!
-Esse é o Ano Um! -Salve, Adrian!
Salve, Satã!
Por que não nos ajuda, Rosemary? Seja uma mãe para Adrian.
Não precisa se juntar a nós.
Mas seja a mãe do bebê.
Minnie e Laura-Louise estão velhas demais. Não dariam conta.
Pense nisso, Rosemary.
Oh, Deus!
Cale-se ou a mataremos, com ou sem leite.
Cale-se você. Rosemary é a mãe dele. Respeito.
Venha, meu amigo. Venha ver a criança.
O que quer beber?
Prometeram que não lhe fariam mal e cumpriram a promessa.
É como se você tivesse perdido o bebê.
Não dá no mesmo?
Em troca, eles nos darão tanta coisa...
Guy, quero apresentá-lo a Argyron Stavropoulos.
Deve estar muito orgulhoso.
Essa é a mãe? Por que...
-Beba isso. -O quem tem aí? Raiz-de-tanis?
Não, só chá preto. Beba.
-Não se aproxime. Roman! -Está embalando rápido demais.
Sente-se! Ponha-a no lugar dela.
Está fazendo o bebê chorar.
-Não se meta. -Deixe Rosemary embalá-lo.
Sente-se com os outros.
-Ela vai... -Sente-se com os outros,
Laura-Louise.
Embale-o.
Está querendo que eu seja uma mãe para ele.
E você não é?
BRAZILIAN PORTUGUESE
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