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Eu sei quem foi que matou aquelas mulheres.
Foi meu namorado. O nome dele é Eduardo Borges. Ele trabalha com o Senado Otto
Veiga. Eu já recebi uma denúncia. O Edu tava aqui o dia.
Fazendo o retrato falado, passando pelo polígrafo. E foi exatamente quando o
padrão foi quebrado. Perdi meu emprego por sua causa.
A noite toda de espera. Na noite eu não sentei.
Por favor, me abandona.
Eu sou a Tati, a filha do Dish. Não sabia que o Dish tinha uma filha.
Você vai longe, Edu. E eu vou te ajudar a chegar lá.
Tudo que eu falei era mentira. Eu briguei com o Edu, inventei aquele tudo.
Por favor, o Edu é a melhor pessoa que eu conheço. Ele é o pai pra minha filha.
No dia que ela te telefonou, ela acabou com o carro do Edu.
Fiscou o carro dele inteirinho no estacionamento do GAV.
Algum problema aqui com o GAV? Não exatamente com o GAV. Catena Maia. Esse
de alguma maneira é familiar pra vocês?
Eu vou jogar isso na net pra todo mundo saber quem você é. Você falou Cassiana,
porque ela só se identificava com o Ana. Você tem certeza que é a voz dela?
Tenho, tenho sim. É o Edu que anotou o endereço dela.
O Edu tinha o endereço dela.
Bramala, vamos resolver isso na delegacia.
Foi Deus que ele não conseguiu prender outra mão, né? E depois rolar pra fora
carro. Aí, toda ralada.
O jeito é cortar.
Bebe um pouquinho dessa água aí, meu querido.
Vai ter jeito.
Agora você me conta tudo desde o início.
Vem cá.
E se ele for esse assassino de mulher que anda todo por aí?
O que é isso?
Um kit de assalto?
Assalto, doutora?
Isso é material de trabalho.
Eu faço uma pesquisa sobre prevenção de estupro.
E faço palestras também sobre o tema.
De máscara ninja?
Você dá palestra de máscara ninja com canivete na mão?
A doutora deve passar por isso também no seu trabalho.
As pessoas nunca acham que pode acontecer com elas. É sempre com os
E é por isso que eu preciso ter esses objetos, doutora.
Eu preciso fazer minha plateia se sentir vulnerável.
E, claro, mostrar a importância da prevenção.
É choque de realidade mesmo.
É pesquisa pra onde?
Pode fazer uma ligação?
À vontade.
Obrigado. Vem, advogado.
Com licença.
Ai, eu nunca me senti tão mal comigo mesma.
Eu nunca tive um pingo de paciência com essa Ana.
É, mas não precisa se preocupar que não foi dito que ela morreu, não.
Sim, tudo bem, mas eu me sinto culpada. Me sinto.
Haja onipotência.
Parece que vocês aqui gostam muito desse rapaz que trabalha, o Edu.
Isso, Edu. Ah, ele é uma pessoa maravilhosa. O Edu é um rapaz adorável.
Acenda o cafezinho.
Obrigada, querida.
Rapaz maravilhoso. É tão novinho e tão tolerante com os defeitos dos outros,
sabe? É um doce. Está sempre disposto a ouvir todo mundo.
Aliás, olha, vou te falar uma coisa, Vera.
Para mim, está sendo uma experiência de vida conviver com ele.
E a paciência com essa Ana, então? Ela ligava sempre pra cá, era sempre o mesmo
problema, tinha terminado com o namorado, ficava horas e horas, e o Edu
sempre sem... Sem nada, mas nem um pingo de impaciência ele mostrava, nem olhava
o relógio.
É, pelo que vocês falam, realmente esse rapaz parece um rapaz muito bom.
Obrigada por tudo, boa noite.
Tchau, boa noite.
O Dias foi jantar com o pessoal aqui embaixo.
Me pega umas coisas que eu esqueci.
Você não tá vendo isso.
Para que fazer registro, levar isso adiante? Já está tudo explicado.
O rapaz é suplente do Otto Veiga.
Isso vale a confusão que você vai arrumar para o governador.
Todos nós, às vésperas de uma eleição.
Tudo bem.
O cara vai.
Mas as bolsas ficam.
Claro.
Que te acho que você tinha que colecionar essas coisas, hein?
Eu lido com isso.
Eu preciso saber o que eles sentem, o que se passa na cabeça deles, Assis. Eu
espero que você não precise também estuprar ninguém, né, pra entender o que
sentem. Pelo amor de Deus.
É melhor você escolher outro método pra desenvolver essa sua pesquisa. Vamos pra
seu carro, hein? Tá logo ali.
Obrigado.
Assis.
Você tá pensando em levar a esprota?
Eu tô aí avaliando o quanto isso me prejudica, né? Afinal de contas, fui eu
apresentei você pra ele.
Boa noite.
Boa noite.
Polícia.
É sobre Cassiano.
Descobriram quem fez?
Ainda não, mas estamos muito perto disso.
Você é o namorado pra quem ela mandava aqueles vídeos dizendo que ia se matar?
Ex -namorado.
Beijo.
Vem pra aí.
Por favor.
Obrigada.
Eu não sei.
Eu nem via mais.
Toda hora ela mandava um, ameaçando que eu matasse, eu não voltasse pra ela.
Ameaçando me matar.
Eu posso levar?
Claro.
Meu telefone tá aqui.
Caso você precise.
Por acaso, eu estou invisível hoje?
Oi.
Meninas! Oi, amor.
Estou aqui.
Lindo. Onde é que você estava?
Falei que vinha, não falei?
Tô aqui, todinho pra você.
Todo, todo, todo, minha flor.
Pequeno!
Sabia que amanhã é meu aniversário?
Amanhã? É, mas a gente só vai comemorar mês que vem, que esse mês minha mãe tá
dura. Nada disso, a gente vai comemorar amanhã com uma festa bem bonita que o
tio Edu vai dar pra você. Você quer?
Quem quer festa? Eu.
Então o tio Edu vai fazer uma festa bem bonita amanhã pra você, tá? Tá. E vai
comprar um presentão também.
Quer presente?
Quero. Então o tio Edu vai te dar um presente e uma festa.
O que você quer?
Eu vou te mostrar a revista que tem a foto do meu presente.
Ah, é?
Ela escolheu um presente, foi. Cadê? Pega.
Pega pra mim.
Ela é criança.
Aliás, eu acabei de encontrar a Lina.
Ela tá estranha comigo?
Ela cismou que você me faz mal.
Eu te faço mal?
É, por causa daquela história do noivado, que você ia trazer aliança e
Você sabe que pra mim essa história de aliança, de papel, não tem importância
nenhuma.
Tudo bem.
Eu te amo, amor.
E pra mim não existe laço maior do que esse.
Amor.
E por isso, nós vamos colocar uma aliança no mundo.
Você quer?
Você quer escolher comigo uma aliança bem bonita? Quero, quero uma aliança.
Agora eu quero uma aliança.
Eu vou te dar uma aliança linda.
Tá bom, agora eu quero uma aliança.
Oi, Dias. Por que você pegou os vídeos do caso Cassiano?
É claro que o perito te entregou.
Eu pedi pra ver os vídeos e você tinha levado e sem fazer nenhum registro,
Eu queria entender por que essa pressa em assistir os vídeos. Só porque eu
peguei um pendrive. Porque parece que é só por isso. Não, não, Vera, não.
Por que tudo que eu te digo você entende errado?
Só um minuto.
Não, não, não. Eu tô falando com a Celina.
Já tô indo. Não, não.
Não precisa.
Já já não tem.
Vera, eu só estou querendo saber se a Ana ligou para o Gervantes.
Vi uma mulher hoje na rua, ela mora sozinha. Vai ser hoje, entre 10 e 11
da noite.
Alô? Vera?
Vera, fala comigo.
Onde está o dia do mês?
Onde está o dia do mês? Onde está o dia do mês? Onde está o dia do mês? Onde
está o dia do mês?
Onde está o dia do mês?
Bom dia.
Bom dia.
Bom dia, minha amiga Estela. Bom dia, querido.
Edu, você não acredita quem teve aqui ontem.
Uma policial.
Vera.
Vera do que mesmo, Estela?
Ah, Vera, não lembro.
Você foi muito elogiado, viu?
É, a gente encheu tua bola.
O que terá que a Vera quer comigo?
Filho, eu tenho que te dar uma notícia triste.
Muito triste.
A Ana.
Tá bom,
hein? É, rapaziada, acabou lá já? É isso aí, valeu, mano.
Gente, não é tão bonita, hein?
Caraca! Foi esse cara que me prendeu!
Obrigado.
Obrigado.
Ô,
Vera, acabei de saber que você foi no GV.
Que tragédia essa história da Ana.
Eu que atendi essa mulher, salvei a vida dela mais de uma vez.
É, me contaram.
Eu não sabia que você fazia esse tipo de atendimento, não.
Pois é, eu faço o que posso pra ajudar.
O que custa dar algumas horas no meu dia, não é?
Muito louvável, Edu.
Meu Deus, Ana.
É tão difícil de acreditar que isso pode acontecer com quem tá do nosso lado,
Vera.
Eu me sinto tão vulnerável, tão... Me sinto culpado até.
Eu podia ter percebido que ela tava indo pro caminho errado.
Peraí, desculpa a pergunta.
Mas foi o ex -namorado dela, não foi?
O que você acha?
Ela perturbava a vida dele, Vera.
Alguma hora ele ia sair de si.
É, faz sentido.
Eu queria te ouvir falando mais sobre isso.
Eu acho que você pode ser uma testemunha importante desse assédio, dessa
perseguição, sabe?
Claro, claro.
Até porque ela me contava tudo.
O Sancho, ele devia ser muito especial.
Eu acho que se eu passasse o dia todo ouvindo queixas, uma hora eu ia acabar
misturando todas as histórias.
A Verana era muito especial.
Muito.
Só que ela não gostava da vida.
É impressionante isso. Pra mim é tão distante.
É tão distante de alguém não gostar da vida porque eu adoro.
Você acha que o serial killer detectou essa vulnerabilidade nela?
Vamos lá.
Vera, eu posso estar falando uma grande besteira.
Mas eu acho que dessa vez não foi ele.
Por tudo que eu li nos seus livros, essa história das cordas parece tão
exagerada.
Mas como você mesmo diz, é completamente fora do padrão.
É bem típico de uma pessoa que quer acusar essa pessoa que vocês estão
procurando.
E digo mais, pra mim foi esse ex -namorado dela.
Você sabia que ele trabalhava na Maria?
Sabia lidar com cordas? Sem certeza disso, mas ele me falava muito
pra gente.
Ele tinha motivos de oportunidade, Vera.
Vera!
Oswaldo.
Quem quer pegar o Edu sou eu.
E não falta muito, não.
Só tá faltando uma visitinha à casa dele.
Que louca.
Não vai se meter na casa dele, Vera.
Se ele percebe... Ele já percebeu, Helda.
O que foi agora?
Apareceu alguma dúvida?
Confusa. A gente aqui não tá acostumado com esse tipo de crime, em sério. Nem
com esse tipo de mente.
Quando você fala o Edu, me dá medo.
Aí eu vejo ele aqui convivendo com a gente, eu sei que ele tem namorada, que
vai se casar com ela.
Não junta.
Esse é o truque, Aldo.
Por isso eles conseguem ficar tão invisíveis, porque não junta.
Um psicopata pode até se casar, mas nunca por amor, ou pelo que a gente
amor.
Um psicopata ama uma namorada, um filho, um animalzinho de estimação, como eu
amo o meu carro, por exemplo.
Eles têm essa incapacidade de estabelecer vínculos afetivos, mas eles
simular isso direitinho. Eles aprendem a linguagem emocional como a gente
aprende uma língua estrangeira.
Eles usam isso pra vencer o jogo. A vida deles é assim.
Um jogo.
São camaleões.
São tão dissimulados que conseguem ser uma pessoa pra cada um.
para ser enfeitado.
Não tem cura não, Vera?
Não se saiba.
Psicopatia é o único distúrbio de personalidade onde o portador não tem
tipo de sofrimento. Só quem sofre é o coitado que cruza o caminho dele.
É claro que o Edu vai a esse coquetel hoje.
Assim, se eu assumir um suplente, eu assumi um suplente.
É um coquetel, um compromisso social, não é um evento do partido, Otto.
E por que o Edu tem que ficar fora?
Não estou entendendo você.
Traz o rapaz, apresenta como uma promessa, dá força para ser meu
quer que eu esconda?
Não é esconder, Otto, é dar um tempo, sabe? Não expor tanto, é isso.
O que está acontecendo?
O que foi que eu perdi?
Otto?
O Júnior ligou. Ele chega quinta -feira.
Ele não podia deixar pra vir só depois das eleições?
Ah, não precisa se preocupar em me acompanhar ao municipal. Amanhã o Edu
comigo. Eu já passei seu ingresso pra ele. É sempre bom a gente ter uma
companhia com quem a gente pode conversar sobre o balé.
Viu isso?
Aqui dentro de casa, o suplente sou eu.
Boa tarde.
Boa tarde.
Boa tarde.
Boa tarde.
Posso saber o motivo que você me deixou falando sozinho ontem no telefone?
Dias, desculpa.
Está aqui o pendrive.
O que você falou sobre ontem à noite?
Nada de importante.
Dias! Algum retorno das lojas do tênis?
Ainda não.
O que é isso?
O Edu foi parado numa blitz. Estava dentro do carro dele.
Por quê?
Quando eu mandei você levantar a sétima namorada, foi porque ela ligou pra cá
denunciando ele.
Ninguém me falou nada.
Por mais que essa menina pareça uma desajustada, Nelson, com a entrada
objetos a coisa muda de figura.
A Vera sabe sobre isso? Não falei nada pra ninguém.
É pra mostrar?
Não.
Por enquanto não, Nelson.
Se eu o conheço bem, ela vai querer eu chamar ele aqui nessa sala mesmo.
A precipitação agora pode estragar tudo.
Dias.
Tu não tem casiste pra fazer tudo isso.
Ainda mais na nossa frente, sentado do nosso lado.
Não.
Ninguém aqui é otário.
Ele tá aí ainda?
Já foi embora.
Quer que vou lhe chamar de volta?
Não, deixa.
Não queria ir nesse coquetel do Otto Wege, mas eu vou.
Você vai comigo, Nelson.
A gente encontra com ele.
Tem uma conversa, traz ele pra cá.
Com isso eu ganho um tempinho pra conectar minhas ideias.
Valeu, Nelson.
E que interesse eu teria em ir num coquetel do Otto Veiga, Dias? Faça -me
favor. Eu só estou convidando. Não, estou cheio de trabalho para fazer.
Aliás, você também tem coisa para fazer. A gente está atrás de um serial killer
aqui. Depois não diga que eu não convidei.
O Otto tem sérios problemas de conversa com o Júnior. Aliás, eu acho que o Otto
tem sérios problemas com tudo e qualquer coisa que não possa ser usada para
alavancar a candidatura dele.
O que o Otto queria mesmo era um filho assim como você.
Um sucessor político.
E você, Silvia?
Você se acha mais parecida com o seu filho Júnior?
Eu acreditava que sim, até que eu não consegui deixar o Otto para trás para ir
viver com o Júnior em Montmartre vendendo os quadros dele.
Naquele momento eu percebi que eu tenho muito mais apego a tudo aquilo que o
menosprezado. Foi duro admitir, mas eu tenho.
Você só não foi ingênua assim, foi isso.
Sabia que quando chegasse lá não ia contar com aquela adolescente que você
Nossa Edu, você é uma pessoa tão especial.
Você faz a gente se sentir bem até com as nossas próprias falhas.
Irmão, não duplo sem gelo, por favor.
O que é?
O que é? Vai me matar?
Vai me apagar?
Olha, a cidade até vai gostar mesmo de tudo, hein? Bacha a bola, baixa a bola.
Calma, guria. Bacha a bola.
Precisa de uma ajuda?
Claro. Vem comigo.
Você vai ficar aqui.
Que história é essa, dinheiro?
Você me trouxe até aqui pra me confrontar com essa maluca, é isso? Não
que isso, Edu. O kit no teu carro e outras denúncias. Que denúncias?
Não sai daqui.
O que é que vocês vão fazer?
Eu tô dizendo que você tá liberado. Cadê ele? Cadê ele? Vai se abrir primeiro.
Vocês estão tudo ferme. Isso daqui é todo mundo igual a essa merda.
Que maluca. Entrada outra.
Tá aqui, ó. Tem uma chave aqui. Eu vi.
Olha aqui.
Pô, testa aí, rapaz, testa aí.
Deu.
Priso?
Foi legal, é arbitrário.
Já, já vai deixar de ser.
Estou pedindo a preventiva.
Porque uma prostituta me viu no jornal e acha que me conhece.
Esse é o fundamento.
Vamos ver se é só isso, não é?
Qual a acusação, Nelson?
Parece que é deudinho. Que denúncia é essa que ele está falando?
Informação, não foi?
Pra que você vai fazer isso? Pra não pagar?
Vai dar uma de malandro? Olha aí. Botar na rua, botar em casa.
Namorada mordida é o bicho.
Olha o que deu.
Estão confundindo você com um peixe grande.
Claro que ele ficou magoado com você.
O cara nunca te fez nada, fica tratando o cara mal.
Não, não tratei ele mal, não. Não tratei ele mal, só não fiz festa.
Não é ele que me faz mal, não.
Sabe, eu que tenho problema.
Desde sempre foi assim, desde a primeira vez que eu fiquei apaixonada.
Cortei os pulsos, fiquei anorexica. Não, minha amiga, você sabe que você é
border. Você sabe que tem tratamento. O psiquiatra vai me dizer que eu não sei
quem eu sou, que eu tenho que achar minha identidade. Eu sinto tudo.
Eu sinto uma concha vazia.
porque eu preciso de alguém pra me preencher.
Ah, ela também.
Hum, não tem controle.
Se eu for no psiquiatra, vou ter que ficar revivendo tanto de merda que eu já
fiz, não tô afim.
Momento super feliz da minha vida, super feliz com o Edu.
Quero estragar isso, não. De jeito não. É, você que sabe, Raia.
E a aliança, hein?
Hum, eu vi que ela é uma linda.
Nossa, não é uma linda que é outra, mas ele tava com pressa, tinha um
compromisso. A gente vai ver depois com calma.
Ok,
tudo certo.
Preso? O Edu?
Mas preso por quê?
Deram crédito àquela prostituta que invadiu aqui. Caiu na mão de um delegado
não é dos nossos. Então já viu, né? E ele foi atrás da mulher tirar
Ele tava aqui.
Calma, o meu escritório já conseguiu habeas corpus. Eu tô indo pra lá agora,
E o Edu?
Ele precisou resolver uns problemas com o Dias.
Então é isso.
Eu trabalho, estudo, sou voluntário do JV, tenho minha vida particular com
amigos, namorada, e nas horas vagas eu saio por aí matando mulheres.
É isso, delegado?
É o que nós vamos saber.
E chegaram à brilhante conclusão, porque estão ligando o kit de demonstração, a
uma mulher histérica que acho que me conhece através de jornal. Você nunca
que fazia atendimento a Cassiano no GFM.
E tem isso também.
Bom.
Bastantes coisas, hein, delegado?
Eu nem sabia que o nome dela era Cassiano, eu só conhecia por voz.
Olha, por que vocês não vão pedir contas pro namorado dela?
Era ele que ameaçava, não eu.
Dias, você me conhece? Por favor, vamos parar com isso. Na minha profissão não
se conhece ninguém, Eduardo.
Onde é que você estava nesses dias aqui?
Eu não vou dar depoimento nenhum.
O que vai esperar o advogado chegar?
Eu não falo com vocês nem com dez advogados do lado.
Você está sendo acusado de um crime grave e não quer esclarecer.
Eu tenho o direito de ficar calado. Eu vou exercer meu direito.
Prefere continuar preso?
Eu só falo diante de um juiz.
Então, meu querido, vai continuar preso.
Vai levar.
O ônibus dá prova de quem acusa, delegado.
Eu sou advogado também.
Estou precisando muito falar com o advogado.
Demora.
Oi, gatinha.
Oi. Onde é que você tá?
Eu tô na casa de um amigo meu.
Acabou a bateria.
Gatinha, alguém na sua casa sabe que a gente tá se vendo, se falando?
Claro que não.
Tem certeza?
Lógico que eu tenho.
Pra quê? Pra minha mãe ficar pegando no meu pé?
Fala.
Claro que eu quero ver o local de crime.
Jura? Quando?
Hoje eu tô meio enrolado aqui.
Mas amanhã fica longe de casa que eu vou te ligar assim que eu acabar aqui.
Aí a gente combina.
Gatinho, seu pai não pode saber, senão vai me amar.
Não, tá bom. Eu vou dizer que eu tenho um treino depois da aula.
Fica bem, viu, minha linda?
E amanhã você vai ver um monte de coisa que ainda não viu. E vai ver muito mais.
Tá? Tá bom.
Beijo.
Tchau.
É isso mesmo, Assis. Nós vamos indiciar o Edu.
Ah, o que que é, Dias? Edu, o matador de mulheres.
O que que é? Entrou em desespero porque não consegue resolver o caso, é isso?
Isso aqui virou uma metade da dona diretória. Não tem desespero nenhum,
Assis. Eu não ia fazer uma acusação dessas se eu não tivesse fundamento,
indícios. Que indícios, ô Dias, indícios. Você chama isso de indício,
eu falar com o governador, você tá fora do cargo amanhã. Eu tô cagando pro
governador. Comigo não tem acordo.
Calma, Dias. Foi muito bem.
Acompanhe o doutor Assis até a cela.
Esse cara costuma ser ouvido pelo governador.
Eu já sei o que a gente vai fazer.
A gente vai passar para a imprensa. Eu duvido que o governador arrisque uma
punição quando se tornar público que a polícia tem um suspeito.
O juiz concedeu habeas corpus. Vamos embora.
O que está acontecendo, Assis?
Qual foi do Dias?
Ele fez algum conchado e pegou você para boi de piranha.
Está costurando para apontar você como serial killer.
Serial killer?
Pediram alguma nada lá para casa?
Bom, não que eu saiba, né? Mas é bem provável, Edu. Eles querem escândalo.
Inacreditável. Tudo depois. Fica tranquilo.
O que foi, Dias?
Prendemos o Edu, mas...
Você não está acreditando nisso, não é, Vera?
Você não me conhece mais com todos eles.
Bora, Edu.
Até daqui a pouco, Edu.
A gente vai reverter isso. Eu já pedi a preventiva.
Não é só a minha candidatura, Edu.
Eu não sou nenhum avestal.
Mas tem limites que eu não consigo ultrapassar. Nem pra ganhar a eleição.
Eu não fiz isso, senador.
O senhor me conhece.
Convive comigo.
Você sabe melhor do que ninguém o caráter que eu tenho. Os valores que eu
Me escolheram pra salvar a credibilidade do sistema porque precisava apontar
alguém. Mas eu... Por quê?
O que eles têm contra mim, senador?
Nada.
Suposições só isso.
Eu só posso achar que é o senhor que eles querem atingir com uma acusação
dessas.
Se você tem meia culpa, uma vírgula da culpa que eles lhe atribuem,
ou qualquer outra culpa que ainda não lhe atribuíram, é hora de botar as
da mesa.
Eu acredito em você.
Obrigado.
Não vou lhe manter como suplente.
Mas você conta comigo com todo o resto.
Eu confio em você.
A gente se sente tão pequeno.
Tão vulnerável quando quem se volta contra a gente é mais do que uma pessoa.
Todo um sistema.
Você não está sozinha.
Não diga que eu não convidei você para ir comigo. Ah, Dias, você me convidou
para ir para um coquetel e não para observar um suspeito. Que, aliás, para
nunca foi um suspeito.
Parece que até hoje você não consegue entender meu jeito de lidar com as
Dias, eu não sou especialista em adivinhar o que as pessoas estão
Sei.
Só se for em serial killer.
A gente está disputando isso?
Mas atrapalhando, eu diria.
Tem um assunto pendente entre nós, né?
Perdão.
Talvez entre você e a sua mulher, Dias.
Chega disso.
Vai. Espera. Espera aí. Vera!
Obrigado.
do louco. Você tem um gesso em casa, cara? Você não tem nada quebrado.
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