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No sistema de justi�a criminal,
as pessoas s�o representadas por dois grupos distintos mas importantes.
A Pol�cia que investiga o crime e o MP que processa os casos.
Estas s�o as suas hist�rias.
A Charlene � mesmo boa, 't�s a ver?
Andaste a fumar o qu�, p�?
Ela � feia como tudo!
Meu, n�o fales assim da minha dama, 't�?
Digo isso da tua m�e, por seres t�o ceguinho.
Ent�o pessoal, tudo na boa?
Sabes do Fred?
- O gajo foi at� Paris. - Quando o vires,
diz-lhe que a Eve est� � procura dele.
O Harold Miner � o melhor, o n�mero 32.
Esses gajos em Miami n�o jogam nada.
Estou a falar de equipas a s�rio, isso sim.
� um ot�rio, sabias?
Fogo, Jerome!
Olha l�! Para que foi isso? Ias partindo uma janela!
Damon Fox, 12 anos de idade.
Morreu antes de c� chegarmos.
Atropelamento com fuga.
Mande algu�m ficar aqui. Precisamos das roupas para an�lise.
Est� aqui o farol dianteiro. Parece de um carro nacional, da GM.
A julgar pelo cad�ver... A batida deu-se do lado direito.
Ao menos compra produtos nacionais. Obrigado.
Um carro com uma mossa, em Harlem.
- Vai ser canja. - Mike.
Este � amigo da v�tima. Luther Heywood.
Como vais, Luther? Viste alguma coisa?
Um tipo branco. Num Cadillac azul.
- N�o viste a matr�cula? - Ele atropelou o Damon e bazou.
- J� sabemos que � um homem. - E judeu.
Porque tinha um chapeuzinho?
Reconhe�o um judeu � dist�ncia!
Obrigado, Luther.
Paz na Terra e harmonia entre os Homens.
Parece que alguns ainda n�o sabem da not�cia.
LEI & ORDEM - S�RIE 4 GUARIDA
Amanh� estava de folga...
Havia reuni�o de pais na escola.
Pelos vistos j� n�o ser� preciso.
Eu mandei-o esperar dentro de casa
at� que eu voltasse da loja.
� esse Luther Heywood...
A m�e dele n�o...
Lamento profundamente, Sra. Fox.
Encontraram o homem?
Foi um atropelamento com fuga. Nem sempre � assim t�o f�cil.
O problema � termos apenas uma descri��o vaga do condutor.
Afinal de contas, o que fazia um branco ali?
Tenente, est� c� um Reverendo Ott. Diz que est� a acompanhar a Sra. Fox.
- Mary... - Ainda n�o o encontraram.
Estas coisas demoram tempo, Reverendo.
� capaz de me dizer quantos homens tem destacados para este caso?
Os Detectives Briscoe e Logan est�o comandar a investiga��o.
Dois? Vejo que n�o � um caso priorit�rio.
Estamos a fazer todos os poss�veis.
Talvez n�o seja o suficiente, se estou a trazer testemunhas.
- Evelyn. - Ele passou por mim, de carro.
- Um Cadillac azul. - Viu a matr�cula?
- Uma parte. Era 2XQR. - Obrigado.
Evelyn. Mary.
Posso confiar que come�am antes do almo�o?
Claro, assim que comamos uns donuts.
Van Buren.
Muito bem.
Mantenha-nos informados.
Est� um Sr. Joshua Berger com o advogado na sala um...
V�o l� falar-lhes, antes dos donuts...
Conduzo nesta cidade h� 40 anos, nunca me aconteceu uma coisa destas.
Conte-nos o que se passou, Sr. Berger.
Estava no meu armaz�m, na Bronx.
Tinha combinado almo�ar com a minha mulher no Palm.
Faz�amos anos de casados.
Mas o Palm fica na rua 44. O que fazia em Harlem?
O tr�nsito na FDR �quela hora � terr�vel. Depois rebenta um cano de �gua...
Sa� na 125.
Juro que o mi�do apareceu do nada!
- Ia com que velocidade? - N�o sei...
50, talvez 60. N�o ia em excesso de velocidade.
Ele est� bem?
Meu Deus.
O Sr. Berger contactou-me de imediato. Estive o dia todo em sess�o,
ele queria entregar-se, mas antes queria falar comigo.
Se o seu cliente � um cidad�o t�o exemplar, por que fugiu?
Diga-me uma coisa...
Acaba de atropelar um mi�do negro em Harlem.
Vai ficar l� especado?
Compreendo o que quer dizer, mas n�o pode atropelar uma pessoa,
e ir embora. - Eu sei que n�o! Estava com medo!
Por isso � que aqui estou!
Aceitamos a admiss�o de culpa pelo abandono do local,
mas as infrac��es do Sr. Berger ficam-se por a�.
- Aqui n�o fazemos alega��es. - Mas... estou detido?
Espere at� chegar o representante do MP.
BRIGADA DE INVESTIGA��O DE ACIDENTES TER�A-FEIRA, 30 DE JANEIRO
Duas pessoas, s�tio errado � hora errada.
E reparem nisto:
O condutor podia ter travado antes, mas foi aqui que os usou.
Quando aqui chega, j� est� totalmente a derrapar.
Vendo pelas marcas, ele travou muito antes de haver contacto.
� bom saber que n�o fazia pontaria ao mi�do.
Ent�o com que velocidade ia?
Comparando o coeficiente da fric��o com o peso do ve�culo...
Uns 30, talvez 40.
- Alguma margem de erro? - Bem, nada � perfeito.
Basta a press�o dos pneus ser outra, para termos logo outro resultado.
- Ent�o na tua opini�o de perito... - O Berger nada fez de errado.
Vou falar com o advogado dele.
Qual a tua opini�o?
Suspens�o da carta, 100 horas de servi�o comunit�rio...
Ent�o encontraram um homem mas n�o o detiveram?
O Sr. Berger confessou ter abandonado o local.
O Sr. Berger. Estou a ver...
Um cidad�o judeu exemplar nunca iria mentir � Pol�cia.
O facto de ele ser judeu nada tem que ver com o assunto.
O nosso especialista concluiu que o Sr. Berger n�o ia depressa.
E qual � a confiss�o religiosa dele, pode saber-se?
� isso mesmo, Reverendo.
H� uma conspira��o de judeus para eliminar os negros um a um.
Por isso � que conduzem Cadillacs, para n�o falhar.
Morre mais um mi�do negro de 12 anos, encerra-se o caso.
Tamb�m a viver em Harlem nem iria chegar aos 13 anos.
O judeu fez-lhe um favor. Por que n�o lhe dar a Chave da Cidade?
Ningu�m, Reverendo, seja homem de Deus ou do lixo,
entra no meu gabinete e acusa os meus agentes
de tratamento privilegiado.
� melhor ir embora.
Sabes o que me chateia? Jesse Jackson fala dos bairros judeus,
Farakhan acusa-os de subjugar o seu povo...
Esquecem-se de quem marchava com Luther King nos anos 1960...
Eu lembro-me quando o Lindsey quis dar aos negros habita��es baratas
em Forest Hills...
Todos esses liberais deixaram logo de barafustar.
Lamento interromper-vos, mas o vosso querido Reverendo est� c� outra vez.
Diz que tem outra testemunha.
Posso...?
E ainda nem fal�mos dos italianos. Est�s � vontade, Profaci.
Estava � janela quando aconteceu.
Diz-nos o que viste, Bobby.
Vi os dois mi�dos a jogar com uma bola.
- O Damon e o Luther Heywood? - Exacto.
- A bola passou por cima do Damon... - E ele foi a correr atr�s dela.
N�o foi bem assim. Ele n�o estava com pressa.
E n�o vinham carros.
E depois, aparece o judeu no Cadillac azul, vindo do nada.
Devia ir a mais de 80.
Ia a 80, numa rua de Nova Iorque, em pleno dia.
Sabes o que eu acho?
Que est�s a aldrabar, Bobby.
N�o � o j�ri quem decide isso?
Eu sei o que vi!
Deve ser o suficiente para uma acusa��o.
Se acreditar no que ele diz.
Ent�o prefere confiar em dois detectives brancos?
N�o, eu confio nos cientistas e no nosso laborat�rio forense.
E vai simplesmente ignorar as testemunhas oculares?
Acha mesmo que a �nica forma de se fazer justi�a � a mentir e aldrabar?
Se resultar em justi�a...
... sim.
N�o � caso �nico. As provas forenses contradizem as de uma testemunha.
� cred�vel, esta testemunha?
Depende em que zona da cidade se more.
Desconfia que inventou a hist�ria?
Desconfio que teve umas ajudas.
Deixe-me adivinhar. O Reverendo Ott.
Telefonou seis vezes desde ontem.
N�o � o seu maior admirador, Tenente.
Talvez outro especialista conclua algo de diferente.
N�o lhe quero dizer como proceder.
� como dizem:
- Cada ac��o... - Obrigado.
Quero que este caso passe por um tribunal de j�ri.
Para uma testemunha em quem nem a Pol�cia acredita?
Mesmo com uma acusa��o, a Defesa chamaria o nosso perito forense.
Nunca conseguir�amos uma condena��o.
Isto pode acabar num pesadelo.
Quero que sejamos mais honestos que a mulher de C�sar.
SALA DO J�RI, QUINTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO
Sim, estava com pressa. Ia ter com a minha esposa.
Agora, excesso de velocidade dentro da cidade? Sou uma pessoa sensata!
Sr. Berger, uma testemunha declarou que viu o seu carro dirigir-se para sul
na rua Lennox, a 80km/h.
Sempre vivi nesta cidade.
Vi carros passar sinais vermelhos, sair de garagens sem qualquer aviso...
Vi crian�as correr para o meio da estrada sem olhar...
N�o vou andar por a� a mais de 80!
Por que abandonou o local do acidente?
Tenho tr�s filhos.
Cinco netos.
Nem consigo imaginar a dor que essa mulher deve sentir.
N�o respondeu � minha pergunta.
Estava sozinho, em Harlem. Estava com medo.
Nunca vi um J�ri recusar uma acusa��o t�o depressa.
Desde que fa�amos as coisas bem feitas.
- Como assim? - O novo Presidente da C�mara
quer deixar claro que n�o damos tratamento preferencial a ningu�m.
Ele confessou ter abandonado o local. Vai ser punido...
Uma suspens�o de carta e 100 horas a apanhar beatas
em Central Park n�o era bem o que o juiz tinha em mente.
Nem v�o acreditar no que est� a acontecer.
... n�o est�o ainda dispon�veis.
Ap�s o comunicado do Reverendo Ott a criticar a decis�o do MP
em n�o condenar o homem acusado de matar Damon Fox, de 12 anos,
desacatos irromperam pela cidade.
Com licen�a.
Barnes. O que tens para n�s?
Um tal de John DeSantis.
Quando a ambul�ncia conseguiu passar, j� estava morto.
- Alguma deten��o? - Viu como isto estava?
Testemunhas h� de certeza.
A mulher dele estava no carro, mas n�o sei se vai servir de muito.
Levaram-na numa ambul�ncia. Est� em estado de choque.
Teria sido bem pior se aquele tipo n�o a tivesse tirado de l�.
- Chama-se Graves. - Obrigado.
John DeSantis...
Culpam os judeus, mas apanham um italiano por engano.
Sr. Graves? Sou o Detective Logan e este � o Detective Briscoe.
Pode dizer-nos o que viu?
Estavam a gritar: "Apanhem o judeu! Apanhem o judeu!"
Pelos vistos s� n�o apanharam a mulher gra�as a si.
Conhecia algum deles?
Pois ent�o. Da nossa seita. Conhecemo-nos todos.
- N�o me referia a isso. - Um negro num motim,
deve estar a fazer porcaria.
Ia comprar uns CD para o anivers�rio da minha filha,
e ele estava a ench�-lo de pancada.
Um rep�rter estava a filmar tudo. Algu�m o tinha de ajudar.
Era capaz de identificar algu�m?
Sim. Uma senhora branca.
Viu o marido ser espancado at� � morte.
HOSPITAL ST. CASSANDRA SEXTA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO
Fui ter com o Johnny ao escrit�rio...
Ele � advogado no Tribunal da Rela��o.
�amos mais cedo para casa.
Estamos a tentar ter um filho.
Levaram-me a mala. Como vou entrar em casa?
Sra. DeSantis. Viu o homem que...
Estavam todos em cima do carro. Pens�mos que fossem vir�-lo.
Era jovem.
Com uns 20 anos.
Alto...
- Haver� alguma hip�tese... - Talvez, se olhar para umas fotografias.
Desde o Vietname que n�o temos material deste.
Faz ideia da dificuldade em se obter esta qualidade?
Ol�, Pulitzer!
N�o se importa de abrandar a imagem?
L� est� o homem que procuram.
Bonito. Pena n�o termos um arquivo de nucas dos suspeitos.
Lamento, � o melhor que consigo.
Deve ter medo das c�maras.
Sim, mas este aqui tem um bom �ngulo.
Pode avan�ar um pouco?
Ali. O que diz no bon�?
S-Y-D? Um log�tipo qualquer... N�o consigo ver bem.
Talvez ele trabalhe num talho, loja de ferramentas...
N�o... Parece mais um bon� de posto de abastecimento.
Pode tirar uma c�pia ampliada?
Sim. Demora 15 minutos.
Certo. Esperamos.
Um dos rapazes parecia estar a usar um bon� de posto de abastecimento.
Fomos a todos os postos acima da rua 106.
E nada?
Por vezes os panfletos s�o bem sucedidos.
O problema � que nessa zona ningu�m tem pena do homem.
N�o est� a haver muita coopera��o.
Se calhar devia dar este caso a uns pol�cias negros...
Sabe o que eu quis dizer...
Temos os cromos da inform�tica a procurar fulanos com nome Syd.
- Sabem o nome dele? - Estava no bon�.
Deixa ver a fotografia.
Digam aos cromos para desligar os computadores.
N�o nos quer dar uma pista?
Se fossem negros, sab�-lo-iam.
"Syd's Sneaker World". Esquina da 129 com a Lexington.
Os "Air Jordan" est�o a metade do pre�o.
Reconhece este rapaz?
N�o se incomode.
Tu a�!
Mike!
- D�-me as algemas. - Est� detido.
Tem o direito ao sil�ncio.
- Tudo o que disser... - D� c� o bra�o!
Daryl Johnson. 19 anos de idade.
Uns pequenos delitos... Aqui est�.
Roubo qualificado.
Se for esperto, ainda evita a nova lei "� terceira � de vez", do Clinton.
Visto que foi o Mike quem o algemou, agora � a tua vez, Lenny.
- S� gentil. - N�o sou sempre?
Viva, Daryl.
Deixa-me tirar-te as algemas.
Pronto.
Tamb�m me v�o dar pipocas?
Segundo a Lei, tens direito a um advogado.
Deve ser.
Andam a estudar quanto tempo para aprender a dizer:
"N�o digas nada, Daryl!"
Bem, mas a Lei confere-te esse direito.
J� vi tudo. Falo com o advogado, mas depois eu e tu, n�o podemos falar.
E depois o MP lixa-me por uma coisa que n�o fiz.
S� que n�s sabemos que estavas l�, Daryl.
Apareces na televis�o. N�o v�s as not�cias?
Nem sequer � parecido comigo.
Sim, tentaram isso em L. A.
Funcionou, n�o foi?
Daryl, n�s somos os bons.
N�o nos interessa esses que andam a� a pilhar e estragar carros.
N�o nos diz respeito. Somos dos homic�dios.
E?
E ali o teu amigo est� a cometer um homic�dio.
- N�o � meu amigo. - Pois, � pena.
Porque se nos dissesses quem ele �, n�o te acusar�amos de homic�dio.
J� disse que n�o matei ningu�m!
Mas o J�ri tem de condenar algu�m, Daryl.
E est�s mesmo � m�o.
O melhor seria uma troca.
Caso n�o saibas, ele est� na m� de cima.
N�o diga ao Isaac que fui eu, est� bem?
Sabes onde ele mora?
Com a av�.
128 e Lennox. Por cima da casa de apostas.
Se calhar devia falar agora com o meu advogado.
Pol�cia! Abra!
Abra! J�!
Mas o que se passa?!
Temos um mandato para a captura de Isaac Roberts.
- Ele n�o est� c�. - Sabe onde ele est�?
O seu neto � procurado por homic�dio.
- N�o, n�o � verdade! - Por favor!
O meu Isaac nunca faria uma coisa dessas!
- Eu conhe�o-o! - Minha senhora...
Precisamos que venha connosco, est� bem?
Vou buscar o meu casaco.
Bolas! J� agora prendam-nos a todos!
Um pouco teatral, n�o?
Arrastar uma av� de 54 anos at� aqui num carro patrulha?
� poss�vel que a sua cliente tenha cometido um crime.
Certo. Confessamos.
O Sr. Mulrue, da loja da esquina, vendeu-lhe 12 tomates mas ela levou 13.
Corina, dev�amos ter tirado a tua foto da esta��o de correios. Eu sabia!
Miss Green, hoje n�o estou para piadas.
Pe�o desculpa, para a pr�xima trago tamb�m o Richard Prior.
Sra. Roberts, h� fortes ind�cios de que o seu neto matou um homem inocente.
Se o estiver a esconder, podemos acus�-la de conspira��o
e de aux�lio a um foragido.
Se sabe onde ele est�, Sra. Roberts,
estaria a fazer-lhe e a si mesma um favor ao dizer-nos.
Para que o metam numa pris�o de brancos?
J� ouvi propostas melhores!
Sra. Roberts.
- Onde est� o seu neto? - Ela j� disse que nada tem a declarar!
Ent�o n�o me deixa outra hip�tese.
Sra. Roberts, vou det�-la.
Leia-lhe os seus direitos.
Fabuloso. Joshua Berger fica com a carta suspensa,
e Carina Roberts vai para a cadeia.
O que se passa com este pa�s?
O Sr. Berger n�o cometeu nenhum delito.
N�o tenho nada contra a Lei. Agora contra a sua aplica��o...
Miss Green, presumo que tamb�m desconhece o seu paradeiro.
Cabe sempre mais um naquela cela, n�o � verdade?
H� 30 anos os negros, judeus, e todos os outros conviviam nesta cidade.
N�o se viam motins.
Nesse tempo t�nhamos Adam Clayton Powell a trabalhar para o sistema.
O reverendo Ott destr�i-o.
Os Reverendos Ott deste mundo existem por uma raz�o.
Para promover o anti-semitismo?
Para nos lembrar que ainda temos muito que caminhar.
Mas isso n�o justifica a viol�ncia nas ruas.
Quero que libertes a Sra. Roberts.
Se o fizermos, perdoamos um delito.
E se a deixarmos na cadeia, provocaremos mais delitos.
S� h� culpa at� que uma parte da popula��o incite � viol�ncia?
O neto est� algures l� fora.
Deixemo-la uma semana presa, e depois libertamo-la.
E se ela voltar ao apartamento, ele vai contact�-la ainda antes.
Arranje um mandato para p�r escutas. Quero-a vigiada 24 horas.
27� ESQUADRA - GABINETE DA TEN. VAN BUREN QUINTA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO
H� dois dias que a seguimos, e nada.
- E os telefones? - Duas chamadas.
Uma para ao dentista, outra para a irm�, que vive em Detroit.
Posso ter encontrado algo.
Esse Daryl, da loja de desporto, n�o ligou para o advogado
mas sim para uma igreja na rua 112.
O Reverendo Ott.
Liguem para o gabinete do MP. N�o quero correr riscos.
J� v�m tarde para a ora��o da manh�.
Ou querem confessar os vossos pecados?
Temos um mandato de busca.
Mike!
Isaac Roberts!
- Est� preso. - Tenha calma, Detective.
Ofereci asilo ao Sr. Roberts.
Mas que diabos?
De acordo com a nossa advogada,
enquanto ele estiver na casa de Deus n�o lhe podem fazer nada.
E tenham cuidado com a l�ngua enquanto c� est�o.
Advogada?
Mantenham-no sob vigil�ncia, at� decidirmos o que fazer.
Asilo?
Mas estamos na Idade M�dia?
Tenciona mesmo usar essa argumenta��o perante um juiz?
E perante todas as institui��es de recurso,
e, se necess�rio, o Supremo Tribunal.
Ent�o seu cliente vai ficar l� dentro at� que termine essa via f�til?
Tendo em conta a alternativa, pode crer que sim.
A n�o ser que nos queira poupar tempo e energia.
Ou seja...?
Homic�dio privilegiado. Cumpre a pena m�nima.
O seu cliente assassinou brutalmente o Sr. John DeSantis, em directo.
A isso chamamos homic�dio simples.
Ent�o n�o marque nada para os pr�ximos anos.
Vai estar muito ocupado.
H� que admirar a sua criatividade.
A de Shambala Green?
� a rainha das artimanhas legais.
Representa o seu cliente com o zelo exigido pelos c�nones legais.
E creio que pensa que dever�amos ter feito o mesmo no caso do Sr. Berger.
N�o se pode comparar o que fizeram o Sr. Berger e o Isaac.
Claro que n�o.
E se esta mo��o funcionar mesmo,
e um juiz aceitar a argumenta��o da Green?
Serias capaz de arrastar um homem inocente para fora do seu carro
e esmagar-lhe os miolos?
N�o sei como reagiria se o sistema me andasse a tramar a vida toda.
SUPREMO TRIBUNAL TER�A-FEIRA, 12 DE MAR�O
Desde a Idade M�dia que o direito de asilo
se baseia no conceito de um ref�gio religioso
para aqueles que ofenderam as autoridades civis.
Quero real�ar a import�ncia de uma igreja na comunidade negra.
Se a advogada puder, indique um caso desde ent�o.
Que tal 1991?
Uma Igreja aqui de Manhattan estava disposta a servir de asilo
a pessoal militar que corria o risco de ser enviado para o M�dio Oriente...
... Enquanto n�o se apurasse o seu estatuto de objectores de consci�ncia.
Opor-se a uma guerra � bem diferente de um homic�dio.
Neste caso chega. Estamos a falar de desobedi�ncia civil.
O meu cliente op�s-se energicamente � injusti�a sofrida pela sua ra�a!
Ent�o mata uma pessoa?
Boa tentativa, Miss Green. Mas n�o sendo o seu cliente
um corcunda que toca os sinos numa Catedral de Paris,
terei de recusar a sua mo��o.
Se perder aqui, estar� a dar-me ainda mais raz�es para recorrer.
Felizmente para mim, estarei na praia a gozar a reforma
se e quando este caso voltar a este Tribunal.
- O que estar�o a fazer l� dentro? - A extrema-un��o?
Espero que saibam que violaram tudo o que h� de sagrado nesta igreja.
S�o dez Av� Marias para ti, Mike.
Com licen�a, Reverendo.
Isaac Roberts, est� detido pelo homic�dio de John DeSantis.
O Reverendo Ott diz que se condenarmos o mi�do,
esta cidade, e passo a citar:
"N�o viu nada ainda."
Pensa que pode ter toda a cidade como ref�m.
N�o. Basta o j�ri.
Julgo que o sistema merece um pouco mais de credibilidade.
Claro. Como os mi�dos que espancaram aquele motorista em L. A.?
Vamos propor-lhe homic�dio privilegiado.
E isso no interesse da Justi�a?
N�o. � no interesse de uma conclus�o.
Para acabar depressa com isto.
A Shambala Green s� aceita homic�dio privilegiado.
Talvez haja algu�m com mais influ�ncia sobre este rapaz.
Quantas vezes, Sr. Stone?
Quantas vezes mais tem um negro de comer e calar?
- Sra. Roberts. N�o estou a sugerir... - Poupe-me.
O meu filho, pai do Isaac,
trabalhava � noite como empregado de limpeza num edif�cio de escrit�rios.
Houve um assalto durante o turno dele.
O advogado disse que se fosse a Tribunal, n�o se safava.
Ele aceitou o acordo.
Foi h� tr�s anos.
Esta fam�lia j� perdeu demasiados elementos.
Sra. Roberts, estou aqui por causa do seu neto e n�o do seu filho.
E n�o me restam d�vidas quanto ao que ele fez.
Daqui em diante, se quiser falar com ela, fale comigo primeiro.
Acha que lhes est� a fazer um favor ao n�o querer chegar a um acordo?
Deixe-me decidir o que � melhor para a minha cliente!
Obrigado por ter vindo. Assim n�o pago a um mensageiro.
� para convocar o Dr. Myron para testemunhar
quanto � capacidade mental da minha cliente.
GABINETE DO JUIZ STEINMAN SEGUNDA-FEIRA, 1 DE ABRIL
Se h� coisa que aprendemos com os motins de Los Angeles,
foi que pessoas pac�ficas s�o por vezes levadas a cometer actos de viol�ncia!
A lei diz que cada um � respons�vel pelos seus actos.
Ningu�m contesta isso, num cen�rio normal.
Mas quando a capacidade discricion�ria est� toldada...
Deixe ver se a entendo...
Defende que o seu cliente estava mentalmente incapacitado?
Merit�ssima, o depoimento do Dr. Jansen ir� demonstrar
que algu�m arrastado por um motim pode sucumbir ao frenesi colectivo,
vendo assim diminu�da a capacidade de distinguir o bem do mal.
Ent�o a culpa � da M�fia, mas n�o dos mafiosos?
Exactamente.
Os cientistas chamam a isso histeria colectiva.
Ouvirei o depoimento do seu perito,
mas reservo a decis�o de o admitir depois de expor todo o seu caso.
"N�o me culpe pelo homic�dio. Eram pais terr�veis."
"E n�o me culpe por mutilar o meu marido enquanto dormia,
"ele abusava de mim..." - Chama-se responsabilidade reduzida.
Chama-se a isso for�ar a compaix�o de um j�ri!
E a compaix�o faz parte integrante da Justi�a.
E a minha est� sem d�vida do lado da Sra. DeSantis.
Claro que sim, porque se identifica com ela.
N�o faz ideia do que � ser algu�m como Isaac Roberts,
sentir-se explorado, desempregado, sem oportunidades nesta vida.
Mais tarde ou mais cedo ia rebentar pelas costuras!
E os pobres podem descarregar nos ricos, sem consequ�ncias?!
Isso � um crime de �dio!
Passa-se o mesmo connosco h� s�culos!
Talvez tenha marchado com Luther King nos anos 1960,
mas ter uma fotografia de Robert Kennedy na parede,
j� n�o � o suficiente!
SUPREMO TRIBUNAL - PARTE 67 DO JULGAMENTO QUINTA-FEIRA, 18 DE ABRIL
Est�vamos na nossa.
- Sr. e o Sr. Roberts? - Exacto.
Depois vimos pessoas a saltar para cima do carro.
- E juntaram-se a elas? - Sim.
Nunca pensei que algu�m se magoasse.
O que aconteceu depois?
O Isaac...
... come�ou a bater-lhe. - Disse-lhe porqu�?
N�o estava muito conversador.
Obrigado.
Durante esses eventos, alguma vez ouviu o Isaac dizer:
"Vamos espancar um judeu."
N�o.
E alguma vez o viu agredir outra pessoa?
N�o.
Diria, portanto, que ele estava fora de si.
Sim, isso.
T�m de compreender. Ouvimos as palavras do Reverendo.
E elas mexeram connosco.
Obrigado.
Berrei para o John acelerar, eles sairiam da frente.
Mas n�o o fez.
Estavam a rodear-nos. Nada pod�amos fazer.
E a seguir, o que aconteceu?
Partiu o vidro do Johnny com um tijolo...
- Refere-se ao r�u? - Sim.
Depois abriu a porta, arrastou-o para o ch�o,
e come�ou a bater-lhe, sem parar.
Sra. DeSantis, tem a certeza absoluta
que foi o arguido quem agrediu o seu marido?
Foi ele.
Obrigado.
Havia muita confus�o na rua esse dia, n�o � verdade?
Sim.
- Pessoas a gritar? - Sim.
Quando o meu cliente partiu o vidro do carro,
o seu marido tentou falar com ele?
Est� a brincar? Ele parecia um animal.
Quer dizer que estava descontrolado?
Nem sequer somos judeus.
O meu marido morreu porque tinha cabelo preto.
- Onde est� a justi�a?! - N�o tenho mais perguntas.
No fundo, trata-se do todo ser mais do que o somat�rio das partes.
Uma multid�o e um indiv�duo s�, reagem de forma diferente.
Ou seja, devido �s circunst�ncias,
uma boa pessoa far� coisas m�s?
Veja os adeptos de futebol em Inglaterra:
s�o dominados pela histeria,
e por causa do frenesi colectivo, o indiv�duo nada pode fazer.
Obrigada, Doutor.
Sabe se o arguido ouviu vozes a pedir que matasse o Sr. DeSantis?
Por acaso, sim.
Ouviu o Reverendo Ott a falar das injusti�as feitas ao seu povo,
centenas de vozes na multid�o gritar: "Apanhem o judeu!"
Na sua opini�o, o arguido n�o � respons�vel pela morte do Sr. DeSantis.
Correcto.
Presumo ent�o que sinta o mesmo de um grupo de encapuzados,
em redor do cad�ver de um negro, no Mississ�pi?
- Objec��o! - Deferida.
Nada como um linchamento � antiga para confundir um j�ri.
Nada como confundi-los com uma boa dose de remorso.
E que tal sermos honestos um com o outro,
e pararmos de nos portar como advogados?
Ele matou um homem. � um crime. Mesmo um pecado.
- Mas foi provocado. - Acreditas mesmo nisso?
Que ele foi provocado por uma centena de desordeiros?
Por uma centena de anos de �dio.
Aqui entre n�s, Ben,
como negra, sinto-me envergonhada pelo que se passou naquela rua.
Est�s mesmo? N�o pareces nada.
N�o compreendes, pois n�o?
N�o quero que coisas dessas se repitam.
N�o, tu � que n�o compreendes.
Ao justificar toda essa gente, est�s a garantir que volte a acontecer.
Realmente andei enganada todo este tempo, sabes?
N�o fazia que apenas vestias essa faceta liberal quando estava na moda.
Shambala. Por uma vez que seja,
gostaria de ver algu�m neste pa�s dizer: "Fui eu.
"Sou respons�vel pelos meus actos.
"N�o � culpada a televis�o nem a cor da minha pele."
E se te faz sentir melhor chamar-me racista,
tudo bem.
Mas se realmente procuras quem � culpado pelo racismo dos dias de hoje,
olha bem para um espelho.
SUPREMO TRIBUNAL - PARTE 67 SEGUNDA-FEIRA, 22 DE ABRIL
O Reverendo acabou de discursar...
... e as pessoas pareciam loucas.
Diga-nos o que aconteceu quando viu o Sr. DeSantis.
Havia muitos empurr�es, gritos. N�o sei o que se estava a passar.
Gritavam: "O judeu matou o Damon!"
Lembra-se de partir o vidro do carro?
N�o.
E arrastar o Sr. DeSantis para fora da viatura?
- N�o. - Bater-lhe?
N�o. S� me recordo da gritaria.
Obrigado.
Sr. Roberts...
Est� arrependido de ter morto o Sr. DeSantis?
Com certeza. N�o quero ver ningu�m morto.
E o Sr. Berger?
O homem que matou Damon Fox.
Um mi�do � atropelado na rua, e nada acontece ao culpado.
E se a v�tima fosse um mi�do branco e o condutor um negro?
Mas n�o foi. Foi um empres�rio judeu, em Harlem.
Ele est� em liberdade,
e o Sr. Roberts pode ir para a cadeia...
... para o resto da vida. - Grande novidade.
S�o donos dos bancos, das construtoras...
Estalam os dedos e v�m logo todos a correr.
Era nisso em que pensava quando viu o Sr. DeSantis?
N�o sei.
- Talvez. - V� l�.
Queria vingan�a, certo?
Pode crer que sim!
Afinal sempre se lembrava de qualquer coisa sobre o ataque.
N�o tenho mais perguntas.
A Defesa chama Joshua Berger.
A que prop�sito? N�o � testemunha.
Mas pode testemunhar quanto ao estado mental do r�u.
N�o sei onde quer chegar com isto, Miss Green, mas vou autoriz�-lo.
Vou dar-lhe tempo para se preparar, Sr. Stone.
Depois da sua ida a tribunal, saiu pelas traseiras, certo?
A pol�cia achou que seria melhor.
E concordou com eles?
Disseram que havia muitas pessoas l� fora, e podia haver problemas.
Quem podia causar problemas? Refere-se aos negros?
Eu disse pessoas, Miss Green.
� ou n�o verdade que abandonou o local
por ter medo?
- Entrei em p�nico. - Porque estava em Harlem.
Tem medo de negros, verdade?
- N�o sou um racista. - N�o s� os teme como odeia, certo?
Ou�a!
Todo o indiv�duo branco de meia-idade, judeu, baptista, ateu, n�o importa,
que diga n�o ter medo, ou melhor, sentir terror,
encontrando-se sozinho na rua, seguido por dois ou tr�s jovens negros,
� um mentiroso.
Estou a ver.
Ent�o apenas odeia alguns negros. Um contra um, n�o se importa.
Mas mais de dois juntos, assusta-o.
Alguma vez viu jovens judeus com armas e a vender droga na rua?
Ent�o Bugsy Siegel e Meyer Lansky nada fizeram de errado at� aos 20 anos.
Lamento desapont�-lo, Sr. Berger, mas o senhor � um racista.
- Objec��o! - Deferida.
Pode culpar o meu cliente de estar revoltado?
Para o meu gabinete!
Mal isto acabe, pode esperar uma pasta cheia de san��es.
- S� estava a tentar... - ... apresentar provas irrelevantes
para revoltar e influenciar o j�ri.
Teremos sorte se n�o o mandarem para a cadeia.
Merit�ssima, espero que pe�a ao j�ri para n�o ter em conta
o que foi dito pelo Sr. Berger.
Farei algo melhor, Sr. Stone. Para al�m do testemunho do Sr. Berger,
tamb�m recusarei toda essa treta de psicologia de grupo.
- Mas ficarei sem defesa! - Diga isso ao j�ri, advogada.
GABINETE DO PROCURADOR-GERAL TER�A-FEIRA, 30 DE ABRIL
Deviam ter decidido numas horas, por que demoram j� oito dias?
S�o 12 pessoas e n�o 12 computadores.
Roberts admitiu ter morto DeSantis.
As instru��es da ju�za eliminam qualquer justifica��o.
Os jurados ligam muito ao que os ju�zes dizem.
Sim?
Est� a gozar...
H� raz�es para crer ser ainda poss�vel chegar a uma decis�o un�nime?
N�o, Merit�ssima.
S� me resta ent�o anular este julgamento.
Tr�s anos por homic�dio simples, quatro por privilegiado...
E j� agora, cinco por absolvi��o.
Num novo julgamento, exclu�mos o testemunho do perito...
... e o j�ri apenas ouve as nossas testemunhas.
N�o haver� novo julgamento.
Isaac Roberts matou um homem inocente,
e n�o lhe acontecer� nada?
Se houvesse um j�ri que nos desse uma hip�tese de o condenar,
eu mesmo julgaria o caso.
Mas ao fim de 20 anos, j� se tem uma no��o da realidade.
Realidade?
A realidade � que ningu�m se atreve a aplicar a lei,
a dizer que a lei tem de ser respeitada,
e que se a infringimos seremos julgados.
Ningu�m excepto tu, evidentemente.
Mais vale acender um f�sforo que maldizer a escurid�o.
Mesmo que acenda um rastilho que rebente com a cidade?
O que quer? Paz sem Justi�a?
S� quero p�r cobro a isto at� que a cidade recupere.
Compreende?
Sim. Compreendo.
E que � pior a emenda que o soneto.
E � uma solu��o
da qual n�o posso fazer parte.
ESTA HIST�RIA � FICT�CIA.
Tradu��o e Legendagem Rui Teixeira / CRISTBET, Lda.
Ripadas e sincronizadas por: PT-Subs Rips
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