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No sistema de justi�a criminal,
as pessoas s�o representadas por dois grupos distintos mas importantes.
A Pol�cia que investiga o crime e o MP que processa os casos.
Estas s�o as suas hist�rias.
Ol�, pessoal. Casa da Meia-Noite. Um bom s�tio para ficar e comer.
- Hola, Lola. Como est�s? - Tem piada, n�o tem?
- E se tirasses a noite de folga? - Eu n�o tenho folgas, querido.
Vejo-te na sopa dos pobres amanh�?
Sim, sim. V�-se embora, padre, d�-me cabo do neg�cio.
Toma. Sou o Padre Jack, da Casa da Meia-Noite. Aparece por l�.
Rapazes, sou o Padre Jack, da Casa da Meia-Noite. Podem passar l� a noite.
H� sopa dos pobres amanh�. Apare�am.
Abrigo Casa da Meia-Noite. Quando aterrares, passa por l�.
Est� bem, obrigado.
E tu, rapaz?
Algu�m pode chamar a pol�cia?
Por amor de Deus, o mi�do est� a morrer! Chamem a pol�cia!
Estou aqui todas as noites. Conhe�o muitos deles.
Ent�o e este?
Os autocarros param de 10 em 10 minutos. H� sempre caras novas.
Fogem de situa��es piores do que esta, imagine-se.
Conhece algu�m que fale connosco? Talvez o tenham visto.
Os habitu�s dispensam a cama, mas amanh� v�o � sopa dos pobres.
N�o recusam uma refei��o gratuita.
Muito bem. Pode ficar por perto, padre? Obrigado.
Parece que foi uma noite lixada.
Desfizeram o mi�do. Costelas partidas, hemorragia interna massiva.
C� para mim, algu�m fez o gostinho ao p�.
Um an�nimo. N�o tem carteira, nem BI.
Desceu do autocarro de Plattsburgh e deram-lhe logo as boas-vindas.
N�o, este n�o � importado, � mesmo de c�.
Tem passe de autocarro escolar. Trabalhava para pagar os estudos.
Quando era mi�do, se queria uns trocos extra, fazia entregas.
As gorjetas n�o pagam os t�nis dele. Air Max, a $130 o par.
Mas n�o o fizeram correr suficientemente depressa.
LEI & ORDEM - S�RIE 4 MAU � NASCEN�A
J� disse que n�o o conhe�o. N�o o vi.
Nunca ouvi falar nele, sequer.
Porque n�o come�as por olhar para a fotografia?
Caramba... N�o o conhe�o.
Se n�o apanharmos este gajo, podes ser tu a seguir.
A minha clientela gosta de meninas.
Os tarados que gostam de meninos s�o de outra esp�cie.
N�o me tentes endrominar,
o padre diz que est�s sempre na esquina.
Acho que repararias num mi�do giro novo na zona.
S� se tiver guita e quiser namorar comigo.
De outro modo, s� atendo meninas. Desculpe l� desiludi-lo.
Digo sempre aos rapazes novos para n�o trabalharem sozinhos. � perigoso.
O Sr. Silva vem dos sub�rbios, todo compostinho.
Quando deita a m�o ao cabedal, liberta-se das amarras.
- E acontecem coisas destas. - Avisaste este mi�do?
Nunca o vi mais gordo, amor, e o Lewis conhece toda a gente.
Mas olhe que ele devia andar metido com malta da pesada.
As especialidades t�m agentes?
Exactamente.
Tens um nome para mim, Lewis?
Fofo, se � � bruta, trabalham para o Sr. Clyde.
Parece que tens o contacto dele.
Este menino, n�o. A dor rende, mas veja no que d�.
Gra�as a Deus pelos rapazinhos... Venham ver, venham ver.
Venham ver, venham ver. Manhole. Venha ver, senhor.
Para os senhores pol�cias, � � borla.
N�o viemos ver o espect�culo. Conheces o Sr. Clyde?
Est� ali dentro.
Venham ver, Manhole. N�o seja t�mido, entre.
- O puto n�o tinha idade para isto. - Nem eu tenho idade para isto.
Procuramos o Clyde.
Mike, n�o toques em nada.
- J� paguei a "cota" na esquadra. - N�o estou a achar piada, Clyde.
O que querem? Giro um neg�cio legal para os patronos da dan�a.
Algum dos teus patronos dan�ou na cara deste mi�do?
Parece que a festa se descontrolou. Para onde devo enviar flores?
Palha�o, vamos prender-te por prostitui��o infantil s� pela piada;
n�o duras nem cinco minutos.
E quem recebe as flores �s tu, cowboy.
S� lido com adultos respons�veis.
- Pedes-lhes a identifica��o? - Pe�o. Algu�m disse o contr�rio?
Olha bem para a fotografia.
N�o. Nunca o tinha visto.
J� vos disse que n�o trabalho nesse ramo. N�o compensa.
Acho melhor vires connosco, enquanto confirmamos as tuas refer�ncias.
GABINETE DO M�DICO-LEGISTA SEXTA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO
Diria que o mi�do tem entre 13 e 14 anos.
Devia estar preocupado com a acne e a vizinha do lado.
Ele tinha preocupa��es mais prementes.
Costelas fracturadas, pulm�o e ba�o perfurados.
Teve hemorragias em quase todos os �rg�os.
Quanto tempo conseguiria aguentar-se neste estado?
Se a hemorragia for lenta? Algumas horas.
O padre diz que o encontrou pouco depois das 23 horas.
Porrada �s nove, morte �s onze. Acho que o mi�do trabalhava na rua.
A s�rio? E fazia o qu�, vendia jornais?
N�o vi ind�cios de actividade sexual. Nada de fluidos ou tecidos rasgados.
E as feridas? Sugerem algum tipo de pervers�o?
S�o as les�es normais provocadas por for�a bruta.
Parece que temos de soltar o core�grafo.
- Algu�m tinha de conhecer o puto. - Duvido que dormisse na rua.
Quantos fugitivos conhecem que comam feij�o-verde?
O mi�do estava de barriga cheia. Carne, batatas, feij�o-verde e leite.
Quando tinha a idade dele, s� comia feij�o-verde l� em casa.
- E a sopa dos pobres do padre? - N�o, verific�mos a ementa.
Serviram sopa e sandu�ches tr�s dias seguidos.
Se tem casa, os pais j� deviam ter ligado para o 112.
As Pessoas Desaparecidas n�o t�m ningu�m que corresponda � descri��o.
Mand�mos fotos para todas as esquadras, caso os pais apare�am.
- Nada. - J� passaram 48 horas.
J� devem ter reparado que ele desapareceu.
A n�o ser que tenha morrido por causa deles.
Se lhe batiam, talvez n�o se importassem que morresse a um canto.
- Ele tinha passe de autocarro escolar. - Sem nome.
Os passes dos meus filhos s� servem para as carreiras que levam � escola.
- O dele dava para o Lower East Side? - Sim.
Comecem pelas escolas secund�rias.
Estou a dizer-vos que n�o d� para memorizar caras.
Podia verificar as listas de presen�a dos �ltimos dois dias.
Est�o a brincar, certo?
Seja qual for o dia, pelo menos 20% dos meus alunos faltaram.
Este n�o vai voltar, minha senhora. Olhe para ele.
H� duas noites, encontr�mo-lo morto na rua. Queremos dar-lhe um nome.
Sinto muito. Temos mais de dois mil alunos.
Talvez um dos professores que tratam das presen�as o reconhe�a.
Adeus, Sra. Chips.
Se o mi�do tinha problemas em casa, aposto que os tinha na escola.
Talvez necessitasse de aten��o personalizada?
Costumavam mandar-me para o gabinete de orienta��o.
John Laskey, um dos meus fregueses habituais.
N�o era exactamente o menino da professora?
John tinha um 5 a energia. Nunca parava quieto.
Era extremamente desbocado e arranjava sarilhos todos os dias.
Aqui entre n�s, o mi�do era um prato.
Onde se divertia depois da escola?
Acho que morava em Alphabet City com a m�e e o namorado dela.
- � poss�vel que tenhamos a morada. - � poss�vel?
Um mi�do desaparece uns dias e livram-se logo da ficha dele?
O m�ximo com que conseguimos trabalhar s�o 40 alunos por turma.
O Johnny foi transferido no fim do ano passado.
CASA DE ZACK MOHR SEGUNDA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO
O que querem que diga? A vaca saiu de casa.
Para a� h� dois ou tr�s meses, n�o sei.
- Continua melindrado? - A Tori era uma mulher e tanto.
Mas o fedelho... Esque�am, tinha uma teoria sobre ele.
- O que se passa, Zack? - Temos visitas, o que te parece?
Delia, e se tapasses esse rabo?
Tenho de ir fazer xixi.
Conte-nos l� a sua teoria.
O mi�do era em parte respons�vel por ela ser t�o agarrada.
O puto n�o parava quieto. Punha-nos doidos.
O mi�do dava consigo em doido e correu com eles de casa, Zack?
Ia para fora com a banda e, quando voltava, encontrava-a toda alucinada.
- Quanto tempo tinha de aturar aquilo? - Pois, andava tudo na farra
e o Johnny tinha de cuidar dele pr�prio, certo?
Por acaso tenho cara de pai de fam�lia?
Quando sa�ram de casa, para onde foram?
Se soubesse, n�o andaria a pagar as contas dela.
- Mas se tivesse um palpite... - N�o sei.
Ouvi dizer que estava a tratar-se.
Na cl�nica Daybreak Village, em Long Island.
N�o tinha mais nada no mundo para al�m do Johnny. Nada.
Aqueles sacanas raptaram-no.
- Quem? - Os Servi�os Sociais.
Arrancaram-mo dos bra�os, puseram-no em casas de acolhimento.
Talvez receassem que lhe espetasse uma seringa no bra�o por engano.
Eu jamais faria mal ao meu filho. Nunca, nem que...
Estou aqui por ele!
Disseram que s� mo devolviam se me curasse.
- Sabe onde ele estava a viver? - Porque haveriam de me dizer?
Sou s� a m�e dele. Podia rapt�-lo ou coisa parecida.
Disseram que eu era demasiado perigosa e vejam o que lhe fizeram.
No meu primeiro dia, entregaram-me o caso do Johnny Laskey,
juntamente com outros 28 membros do Clube Oliver Twist.
Ele disse-me que era a sexta assistente que tinha em 10 anos.
Estabilidade, o que todos os mi�dos precisam.
Disseram-me que, passados uns anos, tamb�m quereria desistir.
Estes mi�dos despeda�am-nos o cora��o.
Parece que ambos os lados sofrem.
Nasceu com hero�na no organismo. O Johnny nunca teve hip�teses.
P�-lo no carrossel da adop��o tamb�m n�o deve ter ajudado.
L� porque a Tori Laskey tinha �tero, n�o significa que devesse ser m�e.
Tivemos o prazer de conhec�-la.
H� dois meses, o Johnny apareceu na escola todo negro.
N�o me diga, o namorado usou-o como bateria.
O pobrezinho estava demasiado assustado para falar.
O Johnny foi para uma casa de acolhimento e a Tori para uma cl�nica.
- J� sabem o resto da hist�ria. - Nem por isso.
- Quero falar com os pais adoptivos. - Claro.
Entreg�mo-lo � Flo Bishop. Teve sorte, ela � fant�stica.
Sabia que o Johnny era um caso complicado, mas n�o se importou.
Pois, nem sequer se importou quando ele desapareceu durante tr�s dias.
Obrigado.
Cuido bem dos meus meninos. Nunca os deixo sa�rem sozinhos.
E se um deles se esquecer de voltar, n�o avisa as autoridades?
Tinha a certeza que ele voltaria.
Se avisasse as autoridades, transferiam-no para uma casa colectiva.
- N�o � melhor do que a pris�o. - Mas � melhor que a morgue, n�o?
Nunca poderia imaginar.
Tento oferecer alguma estabilidade aos rapazes.
Pensava que o Johnny estava a fazer progressos.
Foi ver um filme, � sess�o das seis.
Foi com dois dos rapazes, o Chris e o Andy.
A caminho de casa, viraram-se para tr�s e ele desaparecera.
Acha que eles sabem para onde ele foi?
Disseram que ele desapareceu. Mas tenho um palpite.
Regra geral, os mi�dos fogem para casa dos pais.
Na esperan�a que os pap�s tenham ganhado ju�zo.
Um dia ou dois depois, voltam para minha casa.
E nunca mais voltam a fugir.
Duas horas de Van Damme abrem o apetite.
Por volta das oito, foram comer, certo?
Sim, fomos. Mas o Johnny...
Fomos comer pizza na Rua Dyckman
e ele evaporou-se, como se tivesse sido raptado por ETs.
O que dizes, Andy? Ele disse alguma coisa antes de ir embora?
Nada. Ele sumiu-se, como o Chris disse.
- Talvez tivesse saudades de casa. - N�o sei.
Pelo que o Johnny contava, duvido que tivesse saudades.
O gajo com que a m�e dele vivia � um camelo.
- O suficiente para bater no Johnny? - Qual � a surpresa?
27� ESQUADRA QUINTA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO
Nunca lhe toquei. Nunca.
O que aconteceu h� dois meses, ele caiu na banheira?
A discuss�o era entre mim e a Tori. Ele meteu-se no caminho.
- E foi de encontro ao seu punho. - Sexta � noite, Zack.
Deve ter ficado em brasa quando o mi�do apareceu, n�o foi?
J� vos disse que n�o estava em casa. Tive um concerto em New Jersey.
N�o nos interprete mal, n�s compreendemos.
O fedelho meteu-se na sua discuss�o com a m�e dele.
Voc�s est�o doidos! N�o digo mais nada at� ter um advogado.
O �libi dele confirma-se, com alguma boa vontade.
O gerente do bar em Bayonne disse que a banda subiu ao palco �s 23.
N�o se lembra a que horas o Zack apareceu.
N�o vamos solt�-lo ainda,
o sacana pode ter espancado o mi�do e dado o concerto.
Disseram que ele tinha uma namorada.
Sim, muito novinha. � empregada de mesa na Baixa.
Vejam se picou o ponto na Sexta.
Sexta � noite fiquei em casa. Estive doente, com gastroenterite.
O Zack ficou em casa para lhe fazer uma canjinha?
N�o preciso da ajuda dele para vomitar.
Ele saiu por volta das oito. Porque n�o lhe perguntam?
Diz que ele saiu de casa por volta das 20h, mas s� chegou ao bar �s 23.
Daqui a Bayonne n�o s�o tr�s horas de viagem.
Talvez tenha parado pelo caminho para afinar a guitarra.
Se est� a mentir para o proteger, � c�mplice de homic�dio.
Est�o a falar do puto? Passaram-se ou o qu�?
E os hematomas que tem no bra�o? Tamb�m s�o alucina��es?
Ele s� sabe falar com os punhos?
O Johnny Laskey esteve em vossa casa na Sexta, n�o esteve?
Sim. N�o disse nada ao Zack porque n�o queria que se zangasse.
Ent�o, ele n�o soube?
Uma hora depois de ele sair, ouvi algu�m a mexer na porta,
como se estivessem a tentar abri-la com uma chave.
Ouvi mi�dos a sussurrar.
- Percebeu quantos eram? - N�o sei, para a� uns dois.
Devem ter-me ouvido, porque vi o Johnny a fugir.
- J� o tinha visto? - Sim.
H� cerca de quatro semanas, gamaram parte do nosso equipamento.
N�o houve arrombamento. O Zack pensou que tinha sido a ex dele.
Mud�mos as fechaduras. Nem nos lembr�mos do mi�do.
Se ela est� a dizer a verdade, os anjos enfarruscados est�o a mentir.
Ladr�es mentirosos, estou chocado.
Sim. N�o, diz.
Mais alguma coisa? Certo, obrigado.
O irm�o adoptivo mais novo, Chris Pollit, cumpriu pena em Spofford.
O processo � confidencial, mas cumpriu mais meses por mau comportamento.
Vamos l� dar-lhes um aban�o.
Chris, sabemos que n�o foram comer pizza na Rua Dyckman naquela noite.
Estavas no outro lado da cidade, com o teu amigo Johnny.
- N�o era eu. - Uma testemunha viu-te com ele.
Talvez o Johnny tenha ido ter com os amigos dele do Lower East Side.
Kreskin, como sabes que ele estava no Lower East Side?
- Foi o senhor que disse. - Ningu�m disse isso.
Algu�m deve ter dito, eu ouvi.
Est� a tornar-se dif�cil manter as mentiras todas, n�o est�?
Mi�do, n�o queremos saber do assalto que fizeram,
nem sequer do facto de terem l� voltado para mais.
S� queremos saber o que aconteceu depois de sa�rem de casa do Zack.
� Brilhantina, porque n�o vais levar no rabo com o Capit�o Am�rica?
Sei logo quando o meu filho est� a mentir e tu �s muito bom.
- Aposto que mentias muito � tua m�e. - Est� quase sempre b�beda.
E a Sra. Bishop? � f�cil de enganar?
Na tua ficha, diz que foste para casa dele quatro vezes em seis anos.
Ela deve conhecer-te muito bem.
Algu�m est� com sede?
O Andy estava a dizer-me que gosta muito de viver com a Sra. Bishop.
Ai sim? � pena, porque o amigo dele, o Chris, acabou de nos contar
que ela vendeu o equipamento que ele e o Johnny roubaram.
- A s�rio? - Sim.
Tens a certeza?
Sim. Parece que o Johnny ia chibar-se e a velhota matou-o.
Homic�dio, venda de objectos roubados, delinqu�ncia juvenil...
S�o crimes muito graves.
Ele est� a mentir. Ela n�o tem nada a ver com isto. Foi ele.
� melhor chamar a m�e adoptiva e algu�m do Minist�rio P�blico.
Muito bem, vamos recapitular, Andy.
O Johnny pensou que, se arranjasse dinheiro,
ele e a m�e podiam pagar a renda de um apartamento.
Quando assaltaram a casa do Zack pela primeira vez, estavas com ele?
Ele ainda tinha a chave. Foi f�cil.
Mas, na segunda vez, tiveram problemas.
Foi uma m� ideia. Mas o Johnny precisava de dinheiro
e n�o tinha sobrado nada do primeiro assalto.
- Ele tinha os bolsos rotos? - Foi o Chris.
Ele devia ter vendido o material.
Em vez disso, gastou tudo em roupa, botas, �culos de sol, tretas dessas.
O que aconteceu na Sexta � noite?
Bem, ouvimos gente dentro de casa e baz�mos.
O Chris p�s a culpa no Johnny e come�aram a discutir.
O Chris passou-se. Nunca o tinha visto daquela maneira.
Deu-lhe pontap�s de meia-noite.
Estava com um olhar ausente, como se nem estivesse ali.
Quando nos fomos embora, tremia como varas verdes.
Estava noutra dimens�o.
At� tinha medo de olhar para ele.
O meu pai estava sempre a bater-me, mas nunca tinha visto uma coisa assim.
Sou a primeira a admitir que o mi�do n�o � nenhum anjinho,
mas se for julgado como menor, h� esperan�a de reabilita��o.
Ele matou brutalmente o amigo e quer mand�-lo para a cama sem jantar?
O Estado j� tentou essa abordagem e n�o resultou.
Se tem mais de 14 anos, a presun��o � de que seja julgado como adulto.
Ambos sabemos que essa presun��o pode ser refutada.
Pe�o-lhe apenas compaix�o, Ben. � um mi�do, por amor de Deus!
O John Laskey tamb�m era um mi�do.
Vemo-nos na audi�ncia.
A prop�sito, ser� presidida pela Ju�za Kershan.
A Ju�za Kershan?
Durante seis anos, foi Presidente da Comiss�o dos Direitos das Crian�as.
N�o � f�cil transferir um caso para o Tribunal de Fam�lia.
- Isso � tarefa da Defesa. - Tarefa que acabou de ser facilitada,
temos de descobrir tudo sobre o jovem Sr. Pollit.
Est� � espera que mande o Chris para a pris�o?
Ele matou o John. N�o percebo porque quereria proteg�-lo.
Se calhar, est� na altura de algu�m o fazer.
Gostaria de proteg�-lo da m�e dele,
que p�s o rapaz a render, vendendo-o a um tarado,
quando o dinheiro da prostitui��o n�o chegava para a renda.
E os m�dicos em Bellevue,
que o encheram de antipsic�ticos durante mais de um ano?
E as tr�s fam�lias adoptivas por que passou eram um mimo.
Acolheram-no e gastaram o abono em televis�es e viagens a Aruba,
enquanto o rapaz mal tinha o que comer.
Acha que ele n�o deve ser castigado?
Acho que j� foi suficientemente castigado.
Vivi com ele, jantei com ele, preparei-o para a escola.
N�o sei o que falhou, mas sei que o Chris � mais complexo do que isso.
O que pode dizer-me sobre o ano que ele passou em Spofford?
Dra. Kincaid, se a minha torradeira se estraga,
n�o a deito fora, mando-a para arranjar.
- N�o estou a sugerir... - Eu sei,
est� a pensar nos melhores interesses dele.
Mas se o Chris Pollit for para Attica, ambos sabemos que n�o sair� de l�.
O juiz fechou o caso. Porque havia de lhe contar alguma coisa?
CASA DE TRACY POLLIT TER�A-FEIRA, 29 DE SETEMBRO
Quer dizer que fez asneira da grossa. Devia ficar surpreendida?
Talvez n�o. O seu filho passou um ano em Spofford.
Um ano?
Parece que � verdade, os pais s�o sempre os �ltimos a saber.
Caso n�o saiba, o Chris j� n�o � problema meu.
Alguma vez foi?
Acha que, s� porque n�o sou uma m�e exemplar, n�o amava o meu filho?
O Estado achou necess�rio tirar-lhe a guarda dele.
Deixava-o sozinho algumas horas por dia.
Um vizinho tarado deita-lhe a m�o e a culpa � minha?
Onde est� o pai dele?
O Jack est� na acolhedora Attica, a cumprir outra pena de 5 a 15 anos.
Talvez tenha metido o p� na argola com o Chris.
O que percebia eu de mi�dos? Eu pr�pria era uma crian�a.
Mas agora j� est� mais madura.
Tenho tanto direito de ser m�e como outra mulher qualquer.
E que direitos tem o seu filho?
A doutora � formada, tem um emprego. Eu s� tenho isto.
Ningu�m me vai tirar este beb�.
Quando tinha 14 anos, discuti com o Joe Dworkin e empurrei-o.
Ele retaliou deitando a minha luva de basebol para o esgoto.
Mi�dos a matar mi�dos...
Quando passam muito tempo no sistema, crescem mais depressa.
O que queres dizer com isso?
Se a m�e dele serve de exemplo, ele nunca teve hip�teses.
E o sistema s� piorou a situa��o dele.
Passou 4 anos com Florence Bishop, que � o melhor que o sistema oferece,
e n�o fez qualquer diferen�a.
Pode ser o primeiro crime violento dele.
Porque � que o Sr. Pollit merece uma segunda oportunidade?
Porque ainda nem sequer tem 15 anos.
Arranjem maneira de aceder ao processo dele.
Se a primeira infrac��o n�o tiver sido violenta,
deixem a Helen Brolin levar o caso para o Tribunal de Fam�lia.
Pensei que o teu trabalho era p�r os vil�es na pris�o.
Quero apenas certificar-me de que vai para a pris�o certa.
Pelo que li, o Chris Pollit devia estar na barca de Caronte.
Parece que est�s a ficar um pouco mole com a idade, Claire.
E tu pareces estar a ficar um pouco insens�vel.
Sou advogado, n�o um assistente social.
Represento os safados, mas n�o sou obrigado a gostar deles.
Fala-me das audi�ncias de delinquentes juvenis.
� a altura em que lhes vestimos os fatos domingueiros,
limpamos-lhes as unhas e ensinamo-los a chorar baba e ranho
e a dizer: "N�o fui eu e juro que n�o volto a faz�-lo."
- Podemos apresentar antecedentes? - Um estatuto muito ignorado
requer que o juiz considere todos os factores, mesmo os inadmiss�veis.
- At� com processos confidenciais? - Vale tudo,
desde que seja representativo da hist�ria e car�cter do anjinho.
A melhor parte � que nada disso poder� ser usado em julgamento.
Nem sequer uma confiss�o.
�s bastante c�nico, para um advogado de direitos das crian�as.
Estou apenas a ser pragm�tico. As crian�as tornar-se-�o homens.
Tenho de viver aqui quando estes mi�dos crescerem.
APOSENTOS DA JU�ZA KERSHAN QUARTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO
O Johnny e eu sempre nos demos muito bem,
nunca and�mos � bulha nem nada parecido.
Por palavras suas, conte-nos o que se lembra da discuss�o com John Laskey.
Ele come�ou a ofender a minha m�e. Chamou-lhe prostituta e assim.
Pediu-lhe para parar?
Sim, eu e o Andy pedimos, mas ele n�o parava.
O que aconteceu depois?
N�o me lembro.
N�o se lembra de nada da luta?
Lembro-me de chorar no metro, a caminho de casa da Sra. Bishop.
E o que sente agora, Chris?
Queria que n�o tivesse acontecido.
N�o queria magoar ningu�m.
- Quem � Brian North, jovem? - Objec��o. � irrelevante.
N�o seja ing�nua, doutora. Responda � pergunta, rapaz.
� um mi�do que conhecia.
N�o � verdade que ele passou � sua frente na fila em Spofford
e o Chris lhe deu com o tabuleiro na cara?
- Ele empurrou-me. - N�o � verdade que o pontapeou,
repetidamente, at� ele perder os sentidos?
Quando est� num ambiente normal, n�o tem comportamentos violentos.
Sr. Pollit, porque foi enviado para Spofford?
Estava com um grupo de amigos e decidimos roubar uma charcutaria.
Estava armado, certo? N�o � verdade?
N�o � verdade, Sr. Pollit?
Sim.
Sra. Dra. Ju�za, n�o havia dinheiro na loja, o Sr. Pollit enfureceu-se
e alvejou o dono com uma calibre 22.
Este caso deve ser especial.
A Ju�za Kershan envia 9 em cada 10 casos para o Tribunal de Fam�lia.
Tanto quanto sabemos, j� teve tr�s epis�dios de viol�ncia.
N�o teve outra escolha sen�o julg�-lo como adulto.
Esperem at� verem isto.
A Brolin tenciona pronunciar o Chris inocente por perturba��o mental.
Ele admitiu saber que tinha errado, demonstrou ter remorsos.
Ela n�o vai conseguir safar-se com uma alega��o de insanidade.
Ela n�o alega insanidade. Alega que ele � inimput�vel
porque � geneticamente predisposto a comportamentos violentos.
A maioria dos parentes directos est�o presos por crimes violentos.
Os pecados dos pais caem sobre os filhos? Isso n�o � uma defesa.
Tu dizes que � educa��o, a Brolin diz que � a natureza.
Qual � o nosso plano?
Teremos uma reuni�o nos aposentos da Ju�za Kershan.
Desde Gregor Mendel, no s�culo XIX, que os cientistas identificam
uma rela��o directa entre a gen�tica e o comportamento humano.
A maioria desses cientistas marcharam nas ruas de Berlim nos anos 40.
Uma imagem muito dram�tica, Ben, mas falaciosa.
Cientistas americanos identificaram o Cromossoma XYY como respons�vel
pela predisposi��o para o comportamento criminoso.
Est� a dizer que o rapaz tem um cromossoma Y a mais?
Com a confirma��o da Cl�nica Tyler-Hampton.
Tamb�m tem cabelo loiro e olhos castanhos.
Devemos permitir isso como argumento de defesa?
Se tiver uma liga��o com o comportamento agressivo, sim.
N�o h� provas de que o S�ndroma XYY gere qualquer tipo de predisposi��o.
Caso Frye contra o Estado: as provas cient�ficas s� s�o admiss�veis
quando aceites pela generalidade da comunidade cient�fica.
Indique-me um cientista que n�o aceite as leis da gen�tica.
O Caso Frye n�o diz nada sobre as conclus�es retiradas dessas leis.
O Richard Speck n�o tentou usar o S�ndroma XYY como defesa?
E o juiz recusou, Sra. Dra. Ju�za.
Porque o Speck n�o tinha um cromossoma Y a mais.
Nenhum tribunal que conhe�amos aceitou este argumento.
Podemos encher o tribunal de peritos que dir�o que � um disparate.
Veremos se o j�ri acredita neles.
O que vem a seguir, Helen, o argumento astrol�gico?
Como J�piter estava alinhado com Marte, roubei um banco?
Se o meu cliente tiver a justi�a que merece, porque n�o?
N�o acha que as pessoas s�o respons�veis pelas suas ac��es?
Claro, li Sartre na faculdade. Tamb�m li Freud.
A vida do Chris Pollit estava decidida antes de fazer seis anos.
Talvez, mas n�o antes de ter nascido.
Ben, se der uma amostra da vida familiar do Chris ao j�ri,
desatam num pranto. O que ganho com isso?
Uma condena��o por homic�dio privilegiado qualificado.
Se usar os genes e os cromossomas, posso conseguir a absolvi��o.
- E isso � o melhor para o Chris? - N�o.
O melhor seria transferir o caso para o Tribunal de Fam�lia.
J� teve a sua oportunidade e n�o conseguiu faz�-lo.
� muito mais f�cil confundir um j�ri do que convencer um juiz.
- Isto � uma parvo�ce. - Faz-me a vontade, Chris.
- O que farias? - Diria � professora que � est�pida.
Porque dizes isso?
Porque era o outro mi�do que estava a enganar-me e n�o ao contr�rio.
- Mas a professora disse que te viu. - J� lhe disse, � est�pida!
Isso deixa-te irritado?
Se me meter em sarilhos, claro.
E o que farias?
Desancava o mi�do.
Achas que tentarias mat�-lo?
Quando me zango, n�o sei o que fa�o.
Achas que foi isso que aconteceu com o John Laskey?
Eu gostava do Johnny. O puto fazia-me rir.
N�o tinha inten��o de mat�-lo nem nada do g�nero.
Ele fez-me perder a cabe�a.
N�o h� d�vidas, ele sabe que agiu incorrectamente.
Tem no��o das consequ�ncias e sente remorsos.
Ent�o, n�o � inimput�vel?
O problema � que, quando � provocado, perde o controlo.
Acha que a teoria do S�ndroma XYY tem um fundamento?
Hoje em dia, os geneticistas pensam que o cromossoma Y extra
provoca um ligeiro aumento de altura.
N�o h� provas de qualquer liga��o ao comportamento criminoso.
Quer dizer que, na verdade, ele tem tend�ncias homicidas, � isso?
Ainda h� muito que n�o sabemos sobre o c�rebro.
Liz, diga-me sem rodeios se acha que ele � respons�vel pelo que fez.
Tendo em conta os dados cient�ficos dispon�veis, sim.
SUPREMO TRIBUNAL QUARTA-FEIRA, 18 DE NOVEMBRO
Apresentava hematomas nos bra�os, pernas, peito, costas e rosto.
Tinha tr�s costelas partidas e v�rtebras deslocadas na coluna.
A causa da morte foi uma hemorragia interna.
Conseguiu perceber se a v�tima estava inconsciente durante o espancamento?
Tendo em conta a hemorragia craniana e os hematomas, diria que n�o,
ele estava consciente na altura.
� poss�vel que John Laskey gritasse enquanto era brutalmente espancado?
- Tem alguma objec��o, Dra. Brolin? - N�o, Sra. Dra. Ju�za.
N�o imagino que algu�m suportasse uma agress�o assim sem gritar de dor.
Obrigado.
A v�tima j� estava ca�da no passeio aquando do auge do espancamento?
Tendo em conta o padr�o das les�es, a v�tima estava prostrada.
Ali estava Johnny Laskey, de 13 anos, ca�do no passeio,
a gritar de dor, e o que fez o arguido?
Continuou a pontape�-lo.
Caracterizaria o espancamento como selvagem, doutora?
Sim.
- Desumano? - Sim.
Como se fosse obra de algu�m fora de controlo?
- Protesto! - Deferido.
O r�u estava ciente da distin��o entre o bem e o mal
e consegue analisar a sua conduta em termos das normas da sociedade.
O Sr. Pollit disse ter ouvido vozes que lhe diziam para matar John Laskey?
N�o, ele n�o � esquizofr�nico.
Por favor, explique ao tribunal
o que sabe sobre o S�ndroma XYY.
Surgiu nos anos 60, quando os geneticistas tentaram relacionar
a presen�a de um cromossoma Y a mais nos homens
com comportamentos anti-sociais. - A que conclus�es chegaram?
At� � data, n�o h� provas da validade da teoria.
Obrigado.
N�o � verdade que certos psiquiatras cr�em que a depress�o � heredit�ria?
Bem, � frequente atingir fam�lias.
- E a esquizofrenia? - Sim.
Porque � t�o improv�vel
que o comportamento criminoso seja heredit�rio?
Porque n�o h� provas cient�ficas de que esse comportamento seja inato.
Os dados da teoria do S�ndroma XYY foram refutados nos anos 70,
porque a popula��o da qual as amostras foram tiradas
n�o era suficientemente abrangente para formar conclus�es s�lidas.
Est� a dizer que foi um problema de metodologia e n�o da teoria em si.
O nosso laborat�rio submeteu o r�u a um exame do cari�tipo
e n�o h� d�vidas de que tenha um segundo cromossoma Y.
O seu laborat�rio estudou os efeitos desta anomalia cromoss�mica?
Sem d�vida. Parece ocorrer com maior frequ�ncia
em membros da popula��o prisional do que na popula��o em geral.
O que indica isso, doutor?
Que o cromossoma Y extra est� ligado ao comportamento criminoso.
Ent�o, se este comportamento � heredit�rio,
diria que � tamb�m incontrol�vel?
- T�o control�vel como a nossa altura. - Obrigado, doutor.
Doutor, depreendo que encontrou na popula��o geral pessoas como n�s
que t�m este cromossoma Y excedente, correcto?
Sim.
- E levam vidas produtivas? - N�o lhe sei dizer.
Vou reformular a pergunta, sim?
Conseguiu provar no seu estudo que estas pessoas t�m um comportamento
agressivo, homicida e sociopata? - Suponho que n�o.
N�o � ent�o verdade que os seus estudos n�o conseguiram, de todo,
provar que a anomalia cromoss�mica tem qualquer efeito comportamental?
O meu estudo ainda n�o est� acabado.
Devia ter dito isso ao tribunal quando chegou.
- Protesto! - Retiro o coment�rio.
O l�der da Fac��o Pol�tica Branca defende a causa da Brolin.
Carta � redac��o: "� um facto conhecido que a gen�tica
"est� na base da viol�ncia e debilidade mental do homem negro."
Acha que h� pessoas instru�das que acreditam na teoria do cromossoma?
Ningu�m quer pensar que a sociedade produz monstros como o Ted Bundy,
o Jeffrey Dahmer ou o Chris Pollit.
Se a Brolin pintar um quadro muito negro,
o j�ri ficar� convencido de que o mi�do n�o pode ser normal.
A Defesa incluiu a m�e do Chris no rol de testemunhas.
Lindo.
Agora, vamos ouvir hist�rias do pobre beb� que torturava cachorrinhos.
SUPREMO TRIBUNAL SEXTA-FEIRA, 20 DE NOVEMBRO
Desde o dia em que nasceu, sab�amos que o Chris era diferente.
Continue, Sra. Pollit.
Ele nunca chorava.
Pens�mos que era surdo ou atrasado. N�o sab�amos.
Quando tinha quatro anos, tirei-lhe um brinquedo.
Perdeu a cabe�a e virou-se a mim com uma faca.
- Onde est� o pai do Chris? - Em Attica.
Porque foi preso?
O Jack agrediu o carteiro com um martelo.
Ele � o �nico membro da fam�lia na pris�o?
O tio do Chris, foi condenado a pena perp�tua por homic�dio.
Obrigada, Sra. Pollit.
Sra. Pollit, tentou sequer incutir disciplina no Chris?
O Jack estava sempre a bater-lhe. N�o ajudava.
Ent�o, desistiu dele?
Pensava que a culpa era minha.
Mas n�o sabia de nada desta coisa dos genes.
Esta coisa dos genes, pois... Acredita nisso?
Acredita que o Chris herdou o seu comportamento criminoso
e que, como tal, � incapaz de mudar? - N�o h� nada que possa fazer.
- Se houvesse, faria alguma coisa? - Claro.
Est� gr�vida de quantos meses, Sra. Pollit?
Cinco.
J� lhe ocorreu que pode ter um assassino no ventre?
- Acha que quero outro como ele? - N�o sei, Sra. Pollit.
Se ele for como o Chris, o que vai fazer?
N�o vou matar o meu beb�, se � isso que quer insinuar.
Ainda n�o pensou minimamente nisto, pois n�o?
O que quer dizer?
Se esta teoria estiver correcta e o seu beb� for como o Chris,
n�o teremos de prend�-lo logo e esteriliz�-lo, como preven��o?
Se for geneticamente agressivo, n�o conseguir� controlar-se.
Porque n�o evitamos esta ma�ada e o matamos j�?
Basta, doutor!
N�o tenho mais perguntas.
Obrigado.
Eu costumo comer galinha frita fria antes das alega��es finais.
As alega��es finais s�o para a semana.
Mudan�a de planos. Fiquei sem testemunhas.
Aposto que vai p�r o Chris no banco das testemunhas.
At� poria, mas o meu cliente n�o est� para a� virado.
Talvez o seu cliente seja mais esperto do que n�s.
A meu ver, tenho os jurados 2, 5 e 7 na m�o.
O Ben tem o 6, o 4 e o 11. Os restantes ter�o de ser disputados.
N�o se deve vender o azeite antes de plantar as oliveiras.
Ben, aceite o homic�dio privilegiado simples.
Ele fica em Spofford at� fazer 18 anos
e cumpre o resto da pena num estabelecimento � sua escolha.
Helen, o que se passa?
Se tem tr�s jurados na m�o, o julgamento ser� anulado.
Eu tentei demov�-lo, mas o Chris quer reunir-se consigo.
Muito bem. Amanh�, no meu gabinete, �s nove.
- Quer uma bebida? - Sim.
Chris, quero que saibas que creio que isto n�o favorece os teus interesses.
N�o se preocupe, cumpriu o seu dever.
Falei com a sua advogada e um acordo � inaceit�vel nesta fase.
Acho que n�o est� a perceber o que eu quero.
Ouvi tudo o que foi dito em tribunal e...
S� quero que isto acabe.
- Chris, isto � um erro. - Porqu�?
Est� sempre a dizer que os meus genes est�o todos lixados.
Ningu�m pode curar-me, pois n�o?
Estou s� a tentar p�r o j�ri do teu lado.
Ent�o, est� a mentir?
Estou a tentar apresentar um argumento v�lido para a tua defesa.
Eu matei-o, n�o matei?
Tentei matar o gajo da charcutaria e aquele mi�do em Spofford.
Sou um tarado!
Chris, o que est� a tentar dizer-nos?
Quero ir para a pris�o.
Pode passar o resto da vida preso, Chris.
E depois? Sou um anormal.
Quando n�o podes obrigar o advers�rio a lutar,
assinalas mais uma vit�ria e d�s gra�as a Deus.
Noutras circunst�ncias, faria exactamente isso.
Porque merece o mi�do tanta aten��o?
Est� a declarar-se culpado pelo motivo errado.
A advogada diz que � mau de nascen�a e n�s que o tornaram mau.
Acredita em ambas as teorias e v� a vida como um beco sem sa�da.
Deve saber mais sobre a vida dele do que tu.
O teu dever � condenar, n�o reabilitar os criminosos.
- Tem 14 anos e desistiu da vida. - Ent�o, est�s a fazer-lhe um favor.
Se tivesse perdido as ilus�es, paci�ncia,
mas perdeu a esperan�a e a culpa � minha.
Recuso-me a mandar o mi�do para a pris�o.
Gary Gilmore e Wesley Dodd eram dois assassinos frios.
Todos queriam v�-los mortos at� ao dia em que se conformaram
e foram transformados em her�is. - N�o tive nada a ver com isso!
Se queres que construam igrejas com o teu nome, escolhe outra profiss�o.
Aceita a pron�ncia do mi�do e passa ao caso seguinte.
SUPREMO TRIBUNAL TER�A-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO
Homic�dio simples, cumpre a pena m�xima.
- Estou a ler bem, Dra. Brolin? - � o que o meu cliente quer.
Tem no��o das acusa��es de que se declara culpado, Sr. Pollit?
Sim.
Por favor, descreva por palavras suas
o que aconteceu na noite de 10 de Setembro do corrente ano.
Tive uma discuss�o com o Johnny.
Bati-lhe e dei-lhe pontap�s at� ele morrer.
Porque o matou?
Acha que eu sei? Quando me zango, n�o consigo parar.
O resultado de um acordo costuma ser uma redu��o de senten�a.
Mas ser� que ningu�m me ouve?
Eu matei-o.
F�-lo-ia novamente.
N�o quero a ajuda de ningu�m.
- Dr. Stone? - Sra. Dra. Ju�za, cheg�mos a acordo
em como o r�u deve ficar numa casa de correc��o at� fazer 18 anos,
quando ser� transferido para Attica. - Porqu�?
Estamos a tentar salvar-lhe a vida, rapaz.
Para qu�?
ESTA HIST�RIA � FICT�CIA.
Tradu��o e Legendagem Lu�sa Ferreira / CRISTBET, Lda.
Ripadas e sincronizadas por: PT-Subs Rips
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