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Original subtitles

Flor, vieram buscar você.

-Tudo bem? -Tudo bem.

-Como foi? -Tudo bem.

-Conseguiu terminar tudo? -Sim, mamãe.

No fim de semana, pensei em convidar

a Sara e a Romina para irem lá em casa.

-Por quê? -Como assim, por quê?

Fica o dia todo na casa dela,

acho uma boa ideia retribuir a atenção, não?

Ela não se incomoda.

Não digo que se incomode, mas mesmo assim.

Convide-a se quiser, mas acho que ela não vai.

Flor...

Eu sei que não sou tão descolada quanto ela,

mas talvez ela queira ser minha amiga.

Ainda tem que tomar banho.

Oi!

Eu a odeio. Ela é horrível.

Eu o amo, ele é lindo.

Não entendo por que estão juntos.

Fique sabendo que também são namorados na vida real.

Eu sei. Não consigo acreditar. Ela é horrível.

-Eu gosto da Karina, ela é boa. -Como você é boba!

-Flor, vá tomar banho! -Já vou.

"Já vou" não, agora mesmo.

Oi, meu amor, já venho. Vamos.

Alô.

Oi, Jorge.

Sim.

Não, estou um pouco atrasada.

Não, só um pouco.

Sim.

Sim.

Você nunca tem culpa de nada. Nunca tem culpa de nada!

Não me respeita, acha que sou uma idiota!

Não está nem aí para mim nem para as crianças.

Se preocupa com as crianças? Então se controle.

Quero que vá embora amanhã mesmo.

Saia daqui, não quero mais ver você. Durma na sala.

-Calma, Liliana, por favor. -Quer que me acalme?

Quer que me acalme? Então suma daqui!

Pode me chamar de louca. Isso é muito fácil, não?

Difícil é assumir suas responsabilidades.

-Não sou só eu que digo isso. -Não quero mais ver você.

Esta casa é minha.

Tchau, meu amor.

Volto cedo, sim?

Não abra a porta de jeito nenhum,

nem atenda o interfone, nem o telefone.

-Já sei. -Bom. Tchau.

-Oi. -Lili?

Sou a Berta, do 7º A.

Escute, sua filha, a Florencia, está aqui embaixo dormindo.

Como assim, dormindo?

-Quer que a acorde? -Não, não a acorde. Já desço.

"Uma árvore é mais que uma planta.

Se uma planta é uma criança, a árvore é um avô.

Eu não tenho avós, mas tenho uma árvore.

É um jacarandá, não é só meu, mas também de todo o quarteirão.

A árvore é fêmea e se chama Lavanda."

Obrigada. Esse foi o trecho escolhido

na oficina literária para representar a escola.

Pensei que fosse a minha melhor amiga.

É isso que diz em todos os diários.

Estou cansada de ser a melhor amiga da Nadia.

Muitos me acham melhor que você.

-Se é, por que não ganha? -Ganho quando você não está.

Se você não existisse, eu já seria a estrela.

-Eu não compito com você. -Nós esforçamos igual,

mas você sempre teve a Bela.

A Bela sempre escolheu você, não a mim.

Sempre Nadia, Nadia...

Ganhei uma medalha olímpica de prata ao seu lado,

e ninguém percebeu que eu estava lá.

-Olhe, se parece com o Mariano. -Sim!

Com certeza, também tem namorada.

E qual é o nome da namorada do Mariano?

Greta, está no 7º ano. É um nome lindo.

Greta? É horrível!

Não, mamãe, não é horrível, é lindo.

E a idiota da minha mãe me coloca Florencia.

Tem nome pior?

Romina. Romina é pior que Florencia.

Romina é lindo.

-Como gostaria de se chamar? -Greta.

Ou como você: Sara.

Eu te empresto!

Pode usá-lo, diga que se chama Sara.

-É sério? -Sim!

Sempre teve a Bela. Sempre escolheu você, não a mim.

A Bela me odeia. E você permitiu!

Assim como você!

Ele não se importou quando fui embora.

Era sempre Nadia, Nadia...

Ganhei uma medalha olímpica de prata ao seu lado...

Romina. Pode atender?

Não tenho culpa se ninguém presta atenção em você.

Quem dera prestassem!

-Oi. -Oi, princesa. Como vai?

-Tudo bem. -Com licença.

-Ela já está vindo. -Obrigada.

-Oi. Como vai? -Oi, Liliana. Como vai?

Desculpe a minha aparência. Mas só tem mulheres aqui!

Não se preocupe.

Oi!

-Como você está linda! -Alisei o cabelo.

Não posso lavar o cabelo por uma semana.

Bom, depois vemos isso.

-Pegou tudo, meu amor? -Quero dormir aqui.

Não, meu amor, já ficou ontem, no sábado também.

-Vamos dar um descanso à Sara. -Não, por favor!

Não se preocupe, eu a amo. É como se fosse minha filha.

-Parabéns pelo conto! -Obrigada.

-Eu gostaria de ler algum dia. -Ela já é uma escritora.

Bailarina.

Somos ginastas e bailarinas.

Querido diário:

hoje a Flor me disse que o pai dela saiu de casa,

que a irmã dela chora o dia todo,

mas que ela não se importa.

Que só se importa com o Mariano.

Nós duas gostamos do Mariano.

Mas ela gosta mais do que eu.

A Flor disse que um dia vamos falar com ele no ônibus.

Eu vou ajudá-la.

Oi.

Oi.

-Onde vai descer? -No próximo ponto.

No Botânico.

Eu também!

Deixe-me ver, meu amor.

8-0-3-6-3-8-7.

Romina!

Romina!

A Flor está aí com você?

Não, ela não está aqui. Não sei onde está.

A Flor chegou.

-A viagem foi boa? -Foi!

-Entre. Quer ajuda? -Não precisa.

Trouxe outra!

O que tem aqui?

Eu tento viajar com uma mala leve,

mas não consigo, porque não sou uma pessoa leve!

Vamos deixar aqui, depois o Julián nos ajuda.

-Você disse que eu viria? -É claro.

Mas vão ser só algumas noites mesmo.

-Amanhã vou procurar onde ficar. -Fique tranquila, está tudo bem.

-O quê? -Só o que eu quero

é que ninguém saiba que estou aqui.

Já me disse, tudo bem. Já está aqui, calma.

Quer comer ou tomar alguma coisa?

Não.

-Quero água. -Está bem.

-Não acredito que esteja aqui! -Também não! Onde ela está?

-Me mostre. Quero conhecê-la. -Está no quarto dormindo.

Vai ter que dormir no sofá, não tenho outro quarto.

Eu quase não estou dormindo, então o sofá está perfeito.

Vamos nos divertir muito!

-Tenho que ir. -Sim.

Bom, já volto. Faça o que quiser. Está bem?

-Posso tomar banho? -Pode, claro. Faça o que quiser.

-Obrigada! -Boba!

Oi, meu amor! A mamãe está aqui! Você está com fome?

Não!

Oi! Diga "oi"! Oi!

Oi!

-Olhe! -Mas que linda! Oi!

Oi!

Disse que faria um ensaio geral da peça na segunda-feira

e que convidaria um monte de pessoas,

pessoas em quem confia, para que dessem uma opinião.

Entre as quais aquela mulher, a Zoraida.

Sabe que não aconteceu nada com a Zoraida.

Sim, mas por que a convidou, e a mim, não?

-Ele não precisa convidar você. -Mas não me sinto convidada.

Não importa, eu não disse nada.

Eu não disse absolutamente nada. Fiquei quieta, mas nesse dia...

Quer que eu a leve?

Nesse dia, eu não aguentei e fui ao ensaio sem avisar.

Quando cheguei, não estava só essa mulher, a Zoraida,

mas também a francesa. O meu coração quase parou.

Não sabe como ela estava vestida...

Eu a cumprimentei, como a todos os outros,

como se não a conhecesse, e me sentei ao lado dele.

Quando o ensaio acabou,

ela foi dizer tudo o que pensava a ele.

É muito puta.

-E muito insolente. -Dá vontade de matar!

Chegamos em casa,

eu disse o que achei da peça, obviamente menti,

porque não gostei nem um pouco. Achei uma fanfarronice.

Meu Deus!

Quando ele finalmente dormiu,

eu senti que tinha que sair de casa.

Peguei tudo, até o passaporte, e fui embora.

Ele nem viu. Sempre toma remédio para dormir.

O que eu faço com esse cara?

O que eu faço com um troglodita desses?

Oi!

Como eu precisava disto!

-Estava com saudades. -Eu também.

-Saúde. -Saúde.

Se alguém tivesse me dito a verdade,

se alguém tivesse me explicado realmente como é,

e eu tivesse entendido, claro, não a teria tido.

Eu não posso continuar assim.

Tenho que entregar o livro em menos de um mês.

Se vender bem, vão pedir o terceiro, e vira uma franquia.

Sabe o que é uma franquia?

Estou quase pedindo para você terminá-lo.

Eu não escrevo nada.

-É por causa da Anita? -Não, não escrevo.

Quando estava grávida, escrevia uma coisa.

O quê? Um diário íntimo?

-Mais ou menos. -É sério?

-O quê? -Vamos publicar!

É sério. Sem ler, já digo que devemos publicar.

Diário é um gênero que fascina às mulheres,

-e o seu deve ser incrível. -Não tem forma.

Damos ao meu editor, ele dá forma, e publicamos.

Ninguém vai se interessar por isso, com certeza.

Não pode continuar em um emprego que não gosta.

Ninguém gosta de trabalhar.

Eu adoro trabalhar.

Bom, você tem sorte. Quando eu trabalho, trabalho.

Só tenho vida quando estou de folga,

como acontece com todos.

Por isso, deveria escrever.

Nem pareceria que está trabalhando.

Não gosto de escrever, odeio escrever.

Culpa.

Sente culpa pelos outros terem que trabalhar no que não gostam.

-Rapaz, vende cigarro? -Sim.

-Um maço, por favor. -Está bem.

-Aceita cartão, não? -Não, não aceitamos.

Não acredito. Que atraso! Não aceitam cartão!

Vai ter que me emprestar.

Não troquei o dinheiro ainda. Vai ter que pagar tudo.

O quê?

Todos ficam loucos de amor quando têm filhos, não?

Até as pessoas sem coração se comovem diante de um filho.

Você acha que muda a natureza das pessoas?

Eu acho que não. Não.

Os egoístas continuam sendo egoístas,

os idiotas continuam sendo idiotas.

Mas não ter filhos não é um desrespeito a ninguém.

A quem eu devo a minha vida?

A quem eu prometi?

Às mulheres?

Aos judeus?

-Você ainda vai ter um filho. -Não.

-Vai, sim. -Não, não vou ter.

O Pedro não quer ter filhos comigo.

O Pedro não é o único homem do mundo.

-Tenho que me separar? -Não, eu não disse nada.

-Como esta se chama? -Esta não tem título.

Esta se chama "Cuidado, Que Lá Vem o Futuro".

Por quê?

É o terreno que queremos comprar para construir nossa casa.

"Gorda" é a palavra!

Gorda!

Pensei que fosse a minha melhor amiga!

É isso que diz em todos os diários.

Estou cansada de ser a melhor amiga da Nadia.

Muito acham que sou melhor que você.

-Se é, por que não ganha? -Ganho quando você não está!

Nos esforçamos igual! Mas você teve a Bela.

A Bela sempre escolheu você, e não a mim.

-Sempre era a Nadia! Nadia! -Sempre era a Nadia! Nadia!

Eu ganhei uma medalha de prata olímpica

ao seu lado, e ninguém percebeu que eu estava lá.

-Está ótimo. -Vou ficar morando com vocês!

Mentira! Não se assuste! Amanhã procuro minha irmã.

Falou com a Milena?

Está muito sozinha, precisa de mim.

Você não a suporta!

Não sei por que acha que tem que ir, acha que incomoda você.

Não, não me incomoda, pelo contrário.

Aliás...

eu queria pedir uma coisa.

Amanhã um amigo fará uma festa, e faz meses que não saímos.

Mas não é uma tragédia. Não saímos porque não queremos.

Porque não podemos, pela Ana. A Romina precisa relaxar.

Relaxar? Não preciso relaxar, estou bem.

Eu não disse que está mal.

Ele acha que estou com depressão pós-parto.

-Eu não disse isso. -Mas pensa.

-Não, não penso! -Pensa, sim!

Para mim, ela está tão deprimida como sempre,

-ou seja, bem. -Obrigada.

Vocês são loucas.

Tudo bem. Saiam, se divirtam, relaxem.

Eu não relaxo! Não é verdade, Flor?

É verdade, ela não relaxa.

Quando tem um problema, não relaxa de jeito nenhum.

-Então pode ficar com ela? -Sim, eu a adoro. Eu cuido dela.

Se quiser, quando voltarmos, levamos você na sua irmã.

Mas ela não quer ir pra casa da irmã e não vai.

Pode ficar aqui o tempo que quiser. Entendeu?

Estou muito cansada.

Não.

Se ela acordar, dê a mamadeira. Mas não deve acordar.

Bom, podem ficar tranquilos, aproveitem.

-Qualquer coisa, me avise. -Certo.

É a 1ª vez que nos separamos da Anita.

-Sim, é a primeira vez. -Obrigada por confiar em mim.

Não confio!

Vamos nos divertir muito!

-Alô. -Sou eu.

Flor? Onde você está?

De onde você está ligando?

Estou em Buenos Aires, na casa da Romina.

O que está fazendo aí? Quando foi?

Não acredito que esteja pegando aquela mulher!

-Não estou pegando ninguém. -Acha que sou estúpida?

Não discutirei isso por telefone, por favor.

-Quando você volta? -Não vou voltar! Vou morar aqui.

Flor, eu já disse que ela não quer nada comigo.

Como eu posso explicar?

Ela está com o Felipe, autor da peça.

Pode ser namorada dele agora, mas com certeza você a pegou.

Não vou continuar discutindo. Quer dizer mais alguma coisa?

Quero. Sabe o que eu acho do hiper-realismo da sua peça?

Acho que é uma merda!

Sabe o que senti quando escutei as falas? Vergonha alheia!

Não sei como consegue convencer todas aquelas pessoas.

No México, são muito medíocres mesmo!

Chega. Você já está passando dos limites.

Não, não estou passando, estou só começando.

Faz 3 anos e meio que vivo com você,

aguentando seus ataques de pânico,

seus delírios paranoicos, dando uma de enfermeira.

Não entendo. Era tão difícil assim?

-Do que está falando? -Fazer me sentir bem, idiota!

Tenho que desligar.

Venha aqui!

Calma, calma, calma!

Agora vamos comer.

Está tudo bem.

Está tudo bem. Isso. Está tudo bem.

Já está pronto! Já está pronto!

Já está pronto!

Droga!

Está muito quente.

Está muito quente.

Vamos esfriar.

-Oi, bom dia. -Oi, bom dia.

Desculpe, acordei você?

Não, me perdoe você por eu ainda estar aqui.

Não, tudo bem, obrigado pelo favor de ontem à noite.

"Obrigado"?

Sim, nos divertimos muito.

E me fez muito bem ficar com a Anita.

Só de olhar pra ela já me acalmo.

Depois, infelizmente, discuti por telefone

e perdi a calma. Falei com o Pedro.

Pedro, meu namorado.

As coisas continuam péssimas entre nós.

Que pena! Se eu puder ajudar...

Ele tem uma amante.

Ela é jovem e acha que é artista.

Imagina o tipo de mulher que eu estou descrevendo?

Não, na verdade, não.

Sabia que eu pensei em escrever um livro

sobre essa mulher francesa? Mas gastaria muita energia, não?

Uma energia que talvez pudesse me dar dinheiro.

Mas e o dinheiro...

em que eu gastaria? Responda. Em remédios?

-Claro. -Em roupas?

Não! Eu não quero roupas!

Eu quero um filho com o Pedro. Entendeu?

-Me leva até Buenos Aires? -Sim, vamos.

-Quantos meses tem? -6 meses.

É linda.

Obrigada.

Como se chama?

-Ana. -Ana.

-Você tem filhos? -Uma filha de 18 anos.

-Foi pai muito novo! -Sim. E não me arrependo.

Temos mais energia para brincar, para ficarmos acordados à noite.

Claro.

Eu não tenho energia, estou morta.

Não dormir deixa a pessoa em um estado especial.

Quando estava grávida, também não dormia.

Então estou há um ano e meio sem dormir,

mais um ano e meio pela frente sem dormir a noite toda...

Todo mundo dizia: "Quando tiver o seu bebê, não reclamará mais.

Não vai se importar com nada." E estou aqui, reclamando.

Será que não tenho tanto instinto maternal?

Ser mãe não me emociona.

Tem que se esforçar.

Poderia me esperar até eu sair do trabalho?

O quanto vai demorar?

5 horas, 5 horas e meia...

Eu pago!

Mas pegue outro táxi, é melhor pra você.

Não, tenho medo de não encontrar outro táxi, estou com a bebê.

-De aplicativo. É mais barato. -Eu acho melhor você me esperar.

Talvez não queiram ir até tão longe.

-Você vai sair que horas? -Às 16h.

Está bem, eu pego você.

Faço um preço especial.

-Obrigada. -Esta corrida são 80 pesos.

Certo, mas posso pagar tudo junto depois?

Tudo bem.

-Obrigada. Até mais tarde. -De nada.

Já tenho o final!

-Consegui. Posso ler? -Está dormindo.

-Desculpe. -Vou colocá-la no berço e venho.

Já venho.

Tem um táxi esperando lá fora.

-Quer que eu vá embora agora? -Não. Por quê?

Não sei. Você disse que tem um táxi esperando lá fora!

Não, é que eu preciso que você pague. Pode pagar?

Posso. Não se preocupe. Quanto é?

-180 pesos. -Não, esqueça.

Não tenho esse dinheiro todo. Não tenho.

Estava com a bebê, estava chovendo,

e não pensei que tivesse algum problema.

Não, não tem problema.

A menos que aceite cartão de crédito ou cheque.

Espere.

Acho que tenho uns dólares aqui.

-Aqui. -Que bom.

-Vou ver se ele aceita. -Tomara, obrigada.

-Oi. -Oi, como vai?

Por acaso viu a minha amiga? Estava no outro dia aqui comigo.

Não, não a vi.

-Pode me servir um uísque? -Sim, já levo.

Aqui está.

-Obrigada. -De nada.

Ela sempre faz a mesma coisa. Vem, perturba e desaparece anos.

Nada a ver!

Nós sempre estamos em contato, ela nunca desaparece.

Aconteceu alguma coisa.

Estou sentindo que aconteceu alguma coisa ruim com ela.

Mande um e-mail.

Pode ser um desses casos de mulheres que desaparecem.

A Flor está bem, você vai ver.

Tenho um mau pressentimento, uma péssima intuição.

Não.

Quer ligar pra polícia?

Não.

-E o que vai fazer? -Não sei.

-Vai trabalhar? -Não sei!

Eu vou.

-Oi, amor. -Oi. Como vai?

-Nati, Flor. Flor, Nati. -Oi. Tudo bem?

-Oi, Flor, como vai? -É a luz dos meus olhos.

-Tem café e torrada se quiser. -Não, obrigada. Estou sem fome.

-Quer tomar chimarrão? -Não tomo chimarrão, mas quero.

Você não sabe o que aconteceu!

Eu me apaixonei!

Ele é muito lindo!

Tem uma filha de 18 anos que mora com ele,

porque parece que a ex está louca.

Mas louca de verdade, já tentou se suicidar e tudo.

Eu sei que é uma loucura, mas é completamente diferente

de todos os homens que eu conheço.

Não vou voltar para o México.

Já decidi.

O problema agora é como dizer ao Pedro.

O que você acha? Por e-mail?

Mando um e-mail, não?

Poderia ter me avisado, Florencia.

Sim, desculpe. Eu quis avisar, mas não lembrava o seu número.

Quis mandar um e-mail,

mas a Nati ficava no computador o tempo todo, e não quis pedir.

-"Nati"? -Sim, a filha do Gustavo.

-Quem é Gustavo? -O taxista!

É sério? Fiquei muito assustada!

Pensei que o taxista tivesse estuprado você.

Só porque é taxista é estuprador?

Não acredito que logo você diga uma coisa dessas!

Não, você entendeu muito bem.

Eu recebo você na minha casa, peço que cuide da minha filha,

e age como se tivesse 12 anos, não se importa com nada.

Mas também não desapareci uma semana!

E não me deixou cuidando da sua filha.

Quando me pediu para cuidar dela, eu cuidei.

Sim.

Ela ficou chorando, e você tomou vinho e ligou para o exterior.

Então é isso?

-Eu pago a conta, miserável! -Você é uma descarada.

Se aproveita das pessoas,

-e eu sou a miserável? -Tudo bem, perdão.

Perdão por chorar, perdão por me apaixonar,

perdão por não ter as emoções tão controladas quanto você.

Não as tenho controladas. Tento controlá-las,

mas você aparece, e olhe o que aconteceu!

-O que aconteceu? -Você me deixa louca!

Não. Eu não deixo você louca. Você está louca.

Quer que eu vá embora?

Pode ficar com as minhas coisas.

Não quero nada seu, leve tudo.

Chegamos.

Obrigada.

Bom, não tem luz.

Vamos ver.

Já estamos aqui.

Ani, pode levar isto para o seu quarto?

Tudo bem.

-Oi, amor! -Oi!

-Como você está? -Tudo bem.

-Pronta? -Pego minha mochila, e vamos.

Tudo bem.

-Oi. -Oi.

-Como estão? -Tudo bem.

-Precisam de alguma coisa? -Não.

De tarde, vão trazer os móveis que faltam.

Mas, se um dia você puder dar uma olhada nas persianas,

que se soltaram, eu agradeço.

Claro. Sim, deve ser simples.

Ótimo. Obrigada.

Pronta, filha? Vamos?

-Viu o meu quarto? -Vi. Gostou?

Não gostei do papel, quero pintar.

-Pode pintar pra mim? -Claro que sim.

-E o que a Romina acha disso? -Mãe, você deixa?

Depende. De que cor quer pintar?

De branco.

Tudo bem. A que horas a traz amanhã?

-Às 19h. -Ótimo.

-Tchau. -Se tiver saudades, ligue.

Está bem. Pode deixar.

-Até logo. -Tchau.

Quando foi?

Há um mês.

Foi inesperado, porque ela estava bem.

Que triste, Romi! Por que não me ligou?

Não liguei pra ninguém.

Eu devo um pedido de desculpas por aquela vez.

Não, esqueça, não vamos mais falar disso.

Você foi estúpida.

O Elvio não queria publicar meus contos, queria me pegar.

Eu quis ajudar naquela época. Depois você ficou tão zangada,

-eu não contornei a situação... -Já passou.

Eu sei que quis me ajudar, não estou zangada.

Que bom!

Onde a Anita está?

Quero apresentá-la à Inés, ela é bailarina também.

Está com o pai.

Mas, quando você quiser, nós as apresentamos.

É esta.

Vamos ver...

Deve ser ali.

O seu cabelo está bonito.

Mude essa cara, sim?

Pode ser? Podemos nos divertir?

Que casa linda!

Olhe quem chegou!

-Oi! -Oi!

Que alegria que estão aqui!

Eu não acredito!

Anita, como você está grande! Está linda!

-Obrigada. -A Inés está enorme também.

-Você gosta de patinar? -Sim.

Gosta? Então vá patinar, a Inés vai emprestar uns patins.

Vá! Que bom, não?

-Que casa linda! -Sim! Venha, entre.

Me mostre.

Olhe, têm a mesma altura.

Que linda!

-É linda. -Sim.

Eu adorei, Flor.

Não, terminei a adaptação hoje.

Sim, comédia.

A montagem foi muito barata. Está muito boa.

É a típica comédia argentina: inteligente, perspicaz.

Está muito boa.

Não sei. Eu não quero dirigi-la.

Não vou deixar a minha família aqui tanto tempo.

Olhe, leia. Vou mandar hoje para o seu e-mail,

e amanhã conversamos.

Sim.

-Obrigada. -Aqui está.

Que delícia!

-Que bom ver você! -Igualmente.

Você nos abandonou!

Eu sinto muito pela sua mãe.

Obrigada.

A Flor fala sempre dela.

A minha mãe gostava muito da Flor.

Bom, conte conosco para o que precisar.

Obrigada.

Bom, vou deixar vocês fofocarem à vontade.

-Obrigada, amor. -Até mais tarde.

-Vocês parecem muito bem! -Sim, estamos bem.

Dá pra notar.

-Eu trouxe uma coisa pra você. -O quê?

O que é?

Não!

Não!

Não posso acreditar!

Auditoria.

Ah, Hugo, é você, meu amor!

Ah, não! Eu mais!

Mais.

Eu também te amo, meu amor, meu ursinho lindo!

Não quero estar aqui, quero estar com você.

É o seu pai.

Oi.

Não. Poderia subir um minuto, por favor?

Tudo bem. Obrigada. Pode pegar a mochila?

-Oi. -Oi.

-Como vai? -Tudo bem.

Entre.

-Já arrumou tudo? -Sim.

Venha.

Ah, ficou lindo!

Tudo bem?

Eu vou pedir um favor.

Diga à sua amiga que, no dia em que a Anita menstruar,

eu que vou explicar como usar os absorventes.

-Ela já menstruou? -Não, mas está muito ansiosa.

Então peça à Dora que não fale de absorventes com ela.

O quê?

Aliás, que tente não falar de nada.

-Pode dizer a ela? Obrigada. -Sim.

Anita!

Não deve ter falado por mal.

Não me importa se falou por bem ou por mal, não deveria falar.

Ficou claro?

Sua chamada será encaminhada para a caixa de mensagens.

Oi, Flor, é a Romina. Pode me ligar?

Estou em casa, talvez se lembre do número.

4-8-2-5-8-1-8-0. Lembra? Um beijo.

-Alô. -Oi, Sarita linda.

Como vai? Quanto tempo! É o Micky.

Não sou a Sara, sou a filha dela.

Ah, perdão, Romina.

A sua mãe me falou muito de você.

-Ela está por aí ou saiu? -Minha mãe morreu.

Como assim, morreu?

Quando? O que você está me dizendo?

Eu falei com ela, ela estava ótima!

Tentou de novo? Tente.

O telefone está desligado. A bateria deve ter acabado.

Já está velho.

Ele disse às 20h, são quase 21h. A viagem demora uma hora.

Pode ir, eu espero. Não vai acontecer nada.

Eu tranco as duas fechaduras.

Tudo bem, mas não abra pra ninguém,

não atenda o interfone nem o telefone.

Por que o telefone não?

Não sei. A minha mãe dizia isso.

Como você quiser.

Às vezes, tenho vontade de matar o seu pai.

Eu também.

E você também.

-Obrigada. -De nada.

Comporte-se.

Oi.

-Oi, tudo bem? -Oi.

Flor?

-É sério? -Se o Pedro vir, vai matar você.

-Você está aqui? Oi! -Oi!

-Que bom que você veio! -Claro!

Olhe isto, eu vou levar cerveja para o pessoal.

-Oi. -Oi.

Estou fazendo um guacamole,

mas não sei se estou cortando bem o tomate.

Não faço ideia.

Eu abro esta.

Obrigada.

Pode me dar uma tragada?

-Quer um? -Não, estou bem. Obrigado.

Fazia tempo que não fumava.

Você é a Romina, não?

Como sabe?

A Flor me disse que a melhor amiga dela vinha

e que era linda, então achei que fosse você.

A melhor amiga sou eu, o resto não sei.

-Como a vida assim é linda, não? -Assim como?

Sem horário, fumando maconha numa quarta-feira à noite.

-Não se faça de vítima. -Não me faço de vítima.

Trabalho todos os dias de 9h a 17h,

e isso é muito chato, na minha opinião.

Vocês têm sorte porque trabalham quando querem.

Ou seja, não trabalham.

Eu também trabalho como você, de 8h a 17h.

Pensei que fosse escritora como a Flor.

-Sim, ela é escritora. -Não, não sou escritora.

Não sou escritora, trabalho na AFIP.

Isso, sim, é chato.

Já me acostumei, trabalho lá há 15 anos.

E nunca quis sair, mudar de trabalho?

-Não. -Não?

-E, vocês, em que trabalham? -Somos atores.

Isso não é realmente um trabalho.

Eu experimentaria trabalhar na AFIP.

Bom...

Bom, o que mais desejam? Querem vinho, café, tequila?

O quê? Sim?

-Alô. -Romina?

Sou o Juan, amigo da Flor. Como vai?

Bem, tudo bem.

-Está ocupada? -Um pouco.

-Ligo outra hora? -Não, tudo bem.

-Tem certeza? Pode falar? -Tenho certeza.

Que bom que você ligou.

Você vai achar o que vou dizer uma estupidez...

-Não, é melhor eu não dizer. -Não, me diga. O que é?

Eu sinto como se conhecesse você há muito tempo.

Como, de outra vida?

Não é uma estupidez o que eu disse?

Não sei.

Não sou uma pessoa nem um pouco espiritual.

Desta vida, não de outra vida. Desta vida.

Como se conhecesse você há muito tempo.

É estranho, porque eu morava longe e não saía muito.

Com o seu ex?

Não saíamos nunca, na verdade.

Não, morava longe com o seu ex?

Sim. Claro.

E por que se separaram?

Que pergunta!

Não, tudo bem, não responda se não quiser.

Não, sim.

Porque deixamos de nos amar, eu acho.

E você? Por que se separou?

Porque a minha mulher se apaixonou por outra pessoa.

Homem ou mulher?

Desculpe. Deve ter sido terrível.

Sim...

e não também, porque eu estava preso

a uma relação que não funcionava mais.

Não gosto de ficar sozinho.

Eu também não gosto de ficar sozinha.

Acho que ninguém gosta, não?

Ele se chama Gaspar, estuda na minha escola.

É lindo.

-Quero convidá-lo para sair. -E a sua mãe deixa?

Todos os fins de semana, eu fico com a Elsa porque eles saem.

É sério? Que legal!

Sim, podemos pedir que a Elsa faça alguma coisa gostosa

e dizemos pra ele vir com um amigo pra você,

e tomamos umas cervejas.

-Cerveja é nojenta. -É verdade.

O que é isso?

-Estão transando! -Pare!

São os seus pais, é óbvio.

-Vamos escutar. -Não! Não!

São nojentos, eu os odeio.

Está doendo muito.

Bom, vamos pra casa.

Não quer deixá-la? Eu dou um remédio a ela.

Eu ia a uma reunião de trabalho e a deixaria na aula de dança.

Por isso mesmo. Deixe-a aqui, ela e a Inés podem brincar.

Eu quero ir pra casa, ou pra casa do meu pai.

-Certo. -Pare, não me abrace!

Me desculpe.

Tudo bem. Então vá pegar as suas coisas.

Mas o que eu faço? Fico entediada sem ela.

Calma.

A Elsa vai levá-la a algum lugar.

Vá pegar as suas coisas.

-E aí? -O quê?

-Me conte! -O quê?

Eu gostei muito dele.

-Que bom! -Sim.

-Oi, pai. -Oi!

Como vai, meu amor?

Eu te odeio, mamãe! Eu pedi para não contar!

O buquê é um pouco grande, não?

-Tchau. -Tchau.

Tchau!

-Não gosta de flores? -Não.

Volta, volta!

Você. Eu sigo!

Vamos.

-Mamãe, me dá vergonha alheia! -O que você achou?

-Bravo! -Obrigada! Obrigada!

Olhe!

Obrigada.

É uma questão complicada. É uma coisa séria.

Sabe o que acho de homens que dançam.

Não gosto de homens que dançam.

Sempre achei muito errado você pensar assim,

é uma atitude castradora. Se quiser dançar, que dance!

-Eu acho muito bom. -Tudo bem! Eu sei.

Mas gosto de tudo o que ele faz, porque gosto dele.

-E então? -Viu como se aproximou da Anita?

-Lindo. Lindo. -Sim.

Eu sei que ele gosta de mim.

Mas não sei. Esse jeito exagerado dele

me deixa estranha.

Feliz também, mas estranha.

Tem uma coisa que não entendo. Eu te apresento um homem,

ele quer ser aproximar da sua filha, se aproxima,

você gosta dele, não consigo entender.

-Acho que tem que relaxar. -Você tem razão, eu sei.

-Aprenda a ser feliz. -Sim.

-Aproveite. -Já entendi!

Gosta de mezcal? Eu adoro.

Vou te dar uma garrafa de mezcal ótima.

-O que estão fazendo, meninas? -Tatuagens.

-De hena, mamãe. -Eu já imaginava, amor.

Não, Inés, está fazendo isso quase em cima do tapete!

-Vão fazer isso no seu quarto. -Não, estamos bem aqui.

Querida.

Façam o que estou mandando.

Muito bem.

Bom...

Viu que não exagerei quando disse que é linda?

Sim. Disse que é a pessoa mais linda que conhece.

De beleza física, sim, tem uma beleza objetiva.

Bom, obrigada.

-Só precisa relaxar um pouco. -Bom, é o momento da noite

em que a Flor decide que sou o centro da conversa.

A Romina não gosta de ser o centro, é tímida.

Essas são as piores!

Eu também sou tímido. Nisso, nós combinamos.

Pra mim, foi a dança clássica que deixou esse "rictus" em você.

-"Rictus", que palavra linda! -Eu não quis dizer isso.

Eu quis dizer

essa postura.

Tensa, não?

A Flor sempre disse que eu sou tensa, acredita?

Não, é que ela era perfeita, a melhor em tudo.

A melhor aluna, a mais inteligente, a mais linda.

E quando se desenvolveu...

arrasou!

Lembra como era com 15, 16 anos?

Não.

Era incrível.

Já eu, para que me dessem atenção, eu tinha que transar.

Mas ela nunca tinha que transar.

Bom, vamos parar um pouco.

Pare! Não me censure!

Não estou dizendo nada inconveniente. Ou estou?

Não sei.

Eu acho que está no limite.

Como foi com o livro?

Vamos mudar de assunto?

Não vou beber mais, porque vejo que estou falando besteira.

Exaustivo. 5 cidades em 3 dias.

-E como se chama o livro? -"Irmãs".

É sobre a sua relação com a Milena?

Um pouco.

-Continuam sem se falar? -Eu e a Milena?

-Sim. -Não, nos damos muito bem.

Está morando nos EUA, arranjou marido, está feliz.

-Tem filhos? -Gêmeos, um casal.

Nossa!

Mas fazia quanto tempo que vocês não se viam?

Não nos falamos durante alguns anos.

Só agora podemos dizer que voltamos, não?

Sim, faz pouco tempo.

O problema é que desta vez senti saudades dela.

Essa idiota pode viver sem mim. Eu, não.

-Brindemos à amizade. -Sim.

Vamos.

Me serviram pouco!

-Lejaim. -Lejaim.

-Le Chiam. -Le Chaim.

Você é judeu!

A Romina também é judia, sabia?

Sabia, ela me disse.

-Você me deve a vida. -E por quê?

Como assim, por quê? Por ele!

Não ia conseguir um homem assim sem a minha ajuda!

Bom, eu agradeço, o que mais quer que eu faça?

Não sei, talvez que aprenda a se divertir.

Quando se embebeda, fica sempre assim, não?

Você também.

Por que não relaxamos um pouco?

Todos.

Champanhe.

-Querem champanhe? -Sim.

Não, eu acho melhor irmos embora, não?

Não! Por que vão embora?

Não entendo! O que eu disse de tão grave?

Você quer me ajudar, só que não.

-Que eu seja feliz, só que não. -Claro que quero!

Nunca vamos ser amigas como pessoas normais?

-Eu não sou normal. -Eu sei que não é,

mas poderia se comportar como se fosse alguma vez, não?

Acho que deveríamos fazer terapia de casal.

Acho que é um pouco tarde pra isso.

-Você ficou séria! -Fiquei.

Mas a culpa é minha por você não ser feliz?

A culpa é minha se você não sabe se divertir? Não entendo.

Hoje, sim.

Vamos?

Anita, meu amor, vamos.

Vamos.

-Eu acompanho vocês. -Obrigado.

Obrigada por tudo. Vamos. Vamos.

É a Flor.

Amanhã eu ligo pra ela.

Tradutor: Salmer Borges DREI MARC

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