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Original subtitles

Legendas Canal História

Transcrição e Sincronização fininhos

OS HOMENS DA FRONTEIRA

PARTE 4 "Império de Liberdade"

SAN ANTONIO, TEXAS 23 DE FEVEREIRO DE 1836

Num forte no sul do Texas, conhecido como o Álamo,

cerca de 260 homens, mulheres e crianças

preparam-se para um cerco.

Entre os líderes está o aclamado homem da Fronteira,

Davy Crockett.

No exterior, cerca de cinco mil militares mexicanos,

liderados pelo cruel General Santa Anna,

cercam o forte.

Os texanos julgavam que Santa Anna só chegaria daí a dois meses.

Mas, quando Crockett chegou ao Álamo,

e se percebeu que as tropas de Santa Anna estavam em marcha

e que estavam muito mais perto do que se julgava,

Crockett já não teve alternativa senão ficar.

Fechem.

Para ali. Fique de vigia. Vamos, vamos, vamos!

Aquele exército enorme e bem treinado

cercou o pequeno forte no meio do deserto.

O Álamo tem tudo para ser um desastre.

Com 15 vezes menos homens,

Crockett sabe que tem poucas hipóteses de sobreviver.

Há uma coisa que acontece, quando a morte bate à porta.

A maioria das pessoas não sabe quando a morte chega, certo?

Esperamos morrer em paz e depressa.

Quando vemos a morte ali à porta, prestes a vir buscar-nos,

é natural que reflictamos um pouco sobre a nossa vida.

O que foi importante, o que não foi, com quem gostaríamos de ter falado...

É muito complicado passar por isso.

Durante uma hora,

Crockett e os Texanos

rechaçam três avanços mexicanos.

Mas Santa Anna é resiliente,

admitindo sofrer bastantes baixas para invadir a fortaleza.

Santa Anna enviou as tropas por vários lados.

Onda após onda, os homens, utilizando escadas,

entravam como enxames de gafanhotos.

Davy Crockett fez o que muitos patriotas americanos fizeram.

Decidiu ficar e lutar por uma causa,

perante o ataque de um inimigo.

E isso diz muito acerca dele e do seu carácter.

90 minutos após o início da batalha,

o exército mexicano toma o Álamo.

Quase todos os defensores do forte são mortos.

A maioria dos relatos dá conta de que Crockett se bateu com valentia

e foi dos últimos a cair.

Foram conduzidos ao exterior e executados em frente a Santa Anna.

Depois, amontoaram-nos em três piras humanas e pegaram-lhes fogo.

Crockett levou uma vida incrível na Fronteira

e morreu no Álamo.

Isso fez dele uma lenda.

Davy Crockett não era um daqueles homens que se exilam na floresta.

Tinha grandes ambições políticas,

o que lhe causou alguns problemas, porque pensava pela sua cabeça

e nem sempre estava de acordo com o poder político.

Crockett foi sempre o Congressista dos fracos.

Representa os desfavorecidos, a luta contra a tirania.

Por isso, a ideia de Davy Crockett combater até ao último homem,

até ao último fôlego,

alimenta a lenda do rei da Fronteira selvagem.

A notícia da chacina no Álamo espalha-se pelo país.

enfurecendo os Americanos.

Em Washington,

o Presidente Andrew Jackson considera a derrota no Texas

um motivo de grande preocupação.

Em 1836,

o México era um rival territorial relevante,

na América do Norte.

Controla terras desde a Califórnia à fronteira do Oregon,

cobrindo quase 4,5 milhões de quilómetros quadrados.

Os EUA não anexavam um estado desde o Missouri, em 1821,

e a promessa de expansão para oeste parece estagnada.

Andrew Jackson era um dos Americanos

que achavam que o Texas tinha de pertencer aos EUA.

Mas Jackson também tinha um apurado sentido estratégico

e queria atacar no momento certo.

Não queria entrar em guerra com o México naquele momento.

Não achava ser a altura adequada.

Se o Texas conquistasse a independência,

Jackson poderia recebê-lo na União.

Até lá, estava de mãos atadas.

GONZALES, TEXAS 11 DE MARÇO, 1836

Felizmente para Jackson,

um texano viu na derrota no Álamo uma oportunidade.

O seu nome é Sam Houston.

Crockett e Sam Houston serviram na milícia de Andrew Jackson,

na guerra contra os Creek.

Houston ficou famoso na Batalha de Horseshoe Bend,

em que, depois de ter sido atingido por uma flecha na virilha,

mandou um dos seus homens arrancá-la e continuou a combater.

Houston era um homem da Fronteira muito valente.

Houston lidera, agora, cerca de 370 homens sem qualquer preparação.

Formam o exército do Texas

e a sua luta pela independência não terminou.

Para aumentar o seu exército

para enfrentar um inimigo muito mais poderoso,

Houston desafia os texanos a vingarem a morte de Crockett

e a recordarem o Álamo.

Para mim...

A derrota no Álamo provocou uma grande onda de patriotismo,

uma vontade de lutar pela independência,

até à morte, até ao fim.

... é muito importante que garantamos...

Centenas de texanos furiosos alistam-se

para lutarem pela independência.

Em um mês, o exército de Houston passa a ter quase mil homens.

Posicionam-se junto ao rio San Jacinto,

por onde o General Santa Anna e 1500 soldados mexicanos passarão.

RIO SAN JACINTO 21 DE ABRIL DE 1836

Apenas seis semanas depois da morte de Crockett no Álamo,

Sam Houston vinga-se,

lançando 900 texanos furiosos sobre os Mexicanos, bem mais poderosos.

Santa Anna está acampado junto ao rio San Jacinto,

onde os texanos os surpreendem.

A Batalha de San Jacinto durou apenas 18 minutos.

Foram 18 minutos caóticos.

Ninguém esperava que a batalha corresse daquela forma.

Mais de 630 soldados mexicanos são mortos.

Os texanos sofrem apenas 11 baixas.

A derrota contundente leva à rendição do México.

E o Texas, finalmente, conquista a independência.

WASHINGTON, DC. DEZEMBRO DE 1836

Em Washington, D.C., Jackson recebe a notícia com satisfação.

Há anos que sonhava com a anexação do Texas aos EUA.

Mas o futuro do Texas é apanhado na crescente discussão

sobre a escravatura.

O Congresso não concordava com a anexação,

porque o Texas entraria na União com a escravatura.

A entrada do Texas, desequilibraria a balança do Senado

a favor da defesa da escravatura.

Em consequência, o Texas passou quase uma década nesse limbo.

Em 1837, a Presidência de Jackson chega ao fim,

com um objectivo por cumprir.

um país que se estendesse até ao Pacífico.

Andrew Jackson manteve-se activo em termos políticos,

mesmo depois da reforma.

Escrevia constantemente cartas,

deixando opiniões muito vincadas sobre todos os assuntos.

E ele acreditava piamente na expansão dos EUA.

A expansão para sudoeste podia estar estagnada,

mas os EUA ainda tinham uma palavra a dizer a noroeste.

Situado entre o Canadá britânico e terras mexicanas,

o território do Oregon tem 650 mil km2 de território,

disputados pelos Britânicos, ameríndios e Norte-Americanos.

Lewis e Clark colocaram uma bandeira aqui,

quatro décadas antes.

Mas para reclamarem o território, os EUA precisam de colonos.

E isso é um problema.

Os Americanos não sabiam como chegar ao Oregon.

Sabiam que tinha terras muito férteis,

mas ninguém sabia muito bem como chegar lá.

E a ideia de atravessar o país

era, compreensivelmente, assustadora.

Em 1842,

o exército dos EUA envia para lá um Tenente topógrafo.

Chama-se John C. Frémont.

A sua missão é traçar uma rota entre o Missouri e o Oregon,

que seja segura para vagões de pioneiros.

John C. Frémont, na verdade, é um filho ilegítimo.

Nasceu pobre.

Arranjou um mentor que chegou a Secretário para a Guerra

e que o destacou para a zona norte do rio Mississippi.

Frémont era fútil, arrogante e muito ambicioso.

Não queria ser um mero explorador.

Queria chegar a Senador, a Presidente.

Mas nunca tinha estado a oeste do Mississippi.

Então, recorreu ao guia mais competente da Fronteira.

Kit Carson.

Kit Carson era de origens muito humildes.

Não tinha escolaridade, era analfabeto.

Porém, conhecia ao pormenor as terras do Oeste.

Dominava várias línguas, dava-se bem com tribos ameríndias,

conhecia a topografia,

sabia lutar e caçar.

Era alguém com competências muito importantes,

que lhe permitiam fazer a ponte entre os dois mundos.

14 ANOS ANTES

Em criança, Carson fora criado entre lendas da Fronteira

e desde cedo aprendeu a desenvencilhar-se bem

na floresta.

Carson nasceu no Kentucky

e mudou-se para o Missouri em criança.

A família dele tornou-se amiga da família Boone.

Viveram num sítio chamado Boone's Lick.

Claro que a família Carson conhecia bem Daniel Boone e a sua lenda.

Havia o desejo de dar continuidade à senda de explorar o Oeste,

de descobrir o que havia para lá, desvendar novas terras.

Estavam a construir uma civilização nas terras inexploradas.

Aos 16 anos,

saiu de casa, de vez,

desejoso de viver aventuras.

Agora, com Frémont,

embarcará numa missão

que porá à prova todas as suas competências.

Frémont e Carson formavam um par estranho.

Não podiam ser mais diferentes.

Hoje, diríamos que o Frémont era o nerd e o Carson o popular.

Carson era um homem rude, com experiência na Fronteira.

Não queria fama nem fortuna, não queria saltar para a ribalta.

Aqueles dois não podiam ser mais diferentes,

mas, ao mesmo tempo, complementavam-se muito bem.

Durante cinco meses,

Frémont e Carson percorrem, com uns 30 homens,

mais de 3500 km,

passando por terrenos acidentados,

cujas mudanças extremas

em termos de temperatura e altitude eram famosas.

Aquela expedição foi perigosíssima.

Iam a partes do globo nunca antes exploradas.

Eram poucos.

Estavam relativamente bem armados, mas podiam sofrer uma emboscada.

Frémont tinha essa noção

e dava graças a Deus por ter um guia como Carson.

A 24 de Outubro de 1843...

... Frémont e Carson chegam, finalmente, ao Oregon.

Conseguimos!

O caminho que traçam haveria de ficar famoso.

O Oregon Trail.

Abriu caminho a 400 mil colonos

que se mudaram para oeste nas décadas seguintes...

... abrindo uma nova Fronteira

e fortalecendo a presença dos EUA

a noroeste.

Um ano depois de Carson e Frémont terem chegado ao Oregon,

a campanha presidencial de 1844 está em curso.

Na minha opinião,

a nossa segurança nacional exige a anexação do Texas.

Não pararei

enquanto o nosso domínio não se estender de oceano a oceano.

O candidato desconhecido James K. Polk

tem, acima de tudo, uma convicção:

expandir as fronteiras dos EUA.

É uma visão que partilha com o seu mentor,

Andrew Jackson.

Somos vulneráveis aqui e aqui. E continuaremos a ser,

se não reforçarmos a segurança da fronteira a sul e a oeste.

Não podia estar mais de acordo.

Andrew Jackson era conhecido por "nogueira velha", por ser tão duro.

James Polk era conhecido por "nogueira nova",

por dar continuidade ao modelo de Andrew Jackson.

Os dois últimos Presidentes não fizeram nada.

São uns inúteis. Têm medo de agir.

Temos de tomar o Texas.

Tem de ser a principal prioridade.

Polk era um político de uma geração mais jovem.

Com a aproximação das eleições de 1844,

Jackson deixou claro que quem apoiasse Andrew Jackson

deveria votar em James Polk.

Polk capitaliza o legado de Andrew Jackson.

A ideia de que os Americanos têm o direito,

aliás, o dever de continuar a expansão para oeste.

Em última análise, é um desígnio de Deus que têm de cumprir.

E Polk consegue transformar isso numa agenda política

que serve os seus desígnios políticos.

WASHINGTON, D.C. MARÇO DE 1845

Polk aproveita a onda de apoio popular para chegar à Casa Branca.

Depois, trata imediatamente de cumprir a promessa eleitoral.

Logo nos primeiros dias de mandato,

o Texas está na iminência de se tornar o 28.º estado,

acrescentando 800 mil km2 à nação.

Polk fez o que eu gostava que mais candidatos presidenciais fizessem.

Prometeu fazer isto, aquilo e aquilo,

cumprir apenas um mandato, para não ter de recear ser incómodo,

poder rejeitar satisfazer lobbies

e fazer aquilo para que fora eleito.

Dessa forma, Andrew Jackson cumpriria um sonho antigo,

fazer do Texas um estado.

Mas morre antes de o ver concretizado.

O legado de Jackson foi impor o princípio de que o Americano comum

tinha poder político.

Ele próprio se fez a pulso.

Não tinha herança,

nem o nome e o reconhecimento lhe caíram no colo.

Hoje, as pessoas não gostam de Jackson

principalmente por causa da política em relação aos ameríndios,

que fere as susceptibilidades modernas.

Mas esquecemo-nos dos seus grandes contributos positivos.

Manter os EUA unidos perante desafios...

Fogo!

... e defender os EUA de ataques externos.

Jackson percebeu que a autonomia americana

era uma experiência em constante evolução

e que o seu sucesso não era garantido.

Foi ele que incutiu isso na mentalidade americana.

Jackson personificava as contradições

do homem da Fronteira americano.

Estava tudo combinado numa só pessoa,

o impressionante, o menos impressionante, o bom e o hediondo.

O Presidente Polk tencionava capitalizar o legado de Jackson

e anexar os últimos territórios da América do Norte.

Polk não se contenta apenas com o Texas.

Claro que quer o Texas, mas quer mais do que isso.

Quer todo o território continental.

Há apenas um problema:

a maior parte pertence ao México,

incluindo o território maior,

a Califórnia.

É isto que quero e não deve ser difícil conseguir.

Repleta de recursos naturais,

a Califórnia também tem cerca de cinco mil km de linha costeira,

proporcionando um acesso único ao comércio via Pacífico.

algo que todos os Presidentes, desde Jefferson, ambicionaram.

A Califórnia é uma região muito desejável.

Muito bonita e fértil.

Os Mexicanos reclamam-na para si,

os Britânicos tinham todo o interesse

em ficar com aquele território e expandirem-se para noroeste.

Os Americanos conheciam bem a glória da Califórnia,

a sua imensa riqueza.

Já havia um comércio muito relevante de peles de animais.

Acima de tudo, os Americanos estavam interessados

nos portos principais.

Muito obrigado, cavalheiros. É tudo.

Polk estava determinado a anexar a Califórnia,

mas, como o Congresso não queria desencadear uma nova guerra,

engendra um plano secreto.

Usando a rebelião do Texas como exemplo,

tentar incitar uma revolta,

e o homem que escolhe para liderar essa missão

é o explorador mais famoso da América.

Sr. Frémont

Li os seus relatórios.

Pareceram-me muito interessantes.

Obrigado, Sr. Presidente. É uma honra.

Suponho que não me tenha chamado só para me dizer isso.

Não.

Não o convidei para falar das suas expedições passadas,

mas de uma expedição futura.

Outro trilho para o Oregon?

Não propriamente.

Oficialmente, a sua missão será cartografar um novo território

e descobrir a nascente do rio Arkansas.

Oficiosamente,

quando chegar às Montanhas Rochosas,

quero que siga para sul,

para a Califórnia.

Chegado à Califórnia,

quero que fale com os colonos locais.

E, se conseguir,

que incite uma rebelião.

E manda-me a mim, porque não quer que pareça uma operação militar.

Exactamente.

Só preciso de uma coisa de si.

O quê?

Kit Carson.

O Presidente Polk mandou, propositadamente, um explorador,

capaz de aproveitar

a possível instabilidade na Califórnia.

A ideia de que estava lá como explorador, topógrafo,

permitia a Polk negar qualquer envolvimento.

Com cerca de 60 homens fortemente armados,

Frémont segue para a Califórnia,

com a missão de incitar uma rebelião

sem começar uma guerra.

John Frémont e Kit Carson

estão a caminho da Califórnia,

para executar o plano secreto do Presidente Polk

que visava expandir a fronteira dos EUA

até à costa.

Polk era um expansionista.

Queria o Texas, a Califórnia e o Oregon.

Queria estender a fronteira americana até ao Pacífico.

Disfarçada de missão de observação,

o verdadeiro objectivo é encontrar colonos americanos

e incitá-los à rebelião contra o México.

SUTTER'S FORT DEZEMBRO DE 1845

No Inverno, Frémont e Carson chegam ao Sutter's Fort,

na actual Sacramento,

a primeira colónia americana na Califórnia.

A Califórnia de 1845 tinha oito mil a 10 mil habitantes,

a maioria de origem mexicana.

Os Americanos eram cerca de mil.

Havia ainda umas centenas de estrangeiros:

Alemães, Britânicos, Suíços.

Os Mexicanos recebiam-nos bem,

porque a Califórnia era uma província distante,

com pouca população.

Os colonos americanos que iam para oeste procuravam terra,

mas, no norte da Califórnia, era uma confusão.

Muitos eram bêbedos, sem escrúpulos.

Parece que está a seco, amigo. Posso pagar-lhe um copo?

- Porque veio para cá? - A terra é boa.

Mas não é sua, pois não?

É do Governo mexicano.

O México autoriza os Americanos

a instalarem-se e a cultivarem a terra,

mas não podem ser proprietários,

o que enfurecia os colonos

e dava muito jeito a Frémont.

O poder do México sobre a Califórnia é bastante frágil.

E John C. Frémont tinha alguma responsabilidade nisso.

O explorador, que tinha ordens secretas de Washington,

tinha muito bons conhecimentos,

era militar...

Sabia que o responsável pela Califórnia é um Mexicano?

Sabia?

É porque ele nunca aparece.

Quando Frémont chegou à Califórnia, em 1845, encontrou uma população

desencantada com a governação mexicana.

Não interessa se compraram a terra,

se ela vos pertence, se a trabalham.

Aliás, nem o facto de terem nacionalidade mexicana interessa.

O Governo mexicano vai tirar-vos a terra, quando lhe convier.

Frémont era muito hábil e sociável,

por isso atraiu muita gente.

Quem é o dono legítimo desta terra?

Quem?

Frémont convenceu os residentes californianos

de que tinham de lutar.

- À Califórnia, cavalheiros. - À Califórnia.

WASHINGTON, D.C. FEVEREIRO DE 1846

Em Washington,

Polk aguarda impacientemente notícias de Frémont,

na esperança de que os colonos da Califórnia se insurjam.

Sabe bem que o Congresso não aprovará uma guerra contra o México,

a menos que os EUA sejam atacados.

Cansado de esperar,

Polk manda o exército para uma fronteira disputada

entre o Texas e o México.

ciente de que provocará o México a atacar primeiro.

Quantos homens tem o 5.º Regimento?

Polk esperava que o México mordesse o isco e atacasse os Americanos.

Acreditava que, se houvesse guerra, os EUA ganhariam território.

A 25 de Abril de 1846,

convencido de que as tropas americanas estão a invadir,

o México ataca uma patrulha dos EUA,

matando 11 homens.

Isso deu a Polk a provocação de que precisava.

Polk foi ao Congresso e disse:

"Foi derramado sangue americano em solo americano.

"Apesar de termos feito tudo para evitar a guerra contra o México,

eles atacaram-nos." Foi uma mentira descarada.

Na verdade, a terra em causa não era americana.

Não direi que esta foi a única ocasião

em que os EUA forjaram algumas coisas para obterem o que queriam,

através de violência,

mas este foi, sem dúvida, um excelente exemplo disso.

Poucas semanas depois do ataque...

... os EUA declaram guerra ao México.

Na Califórnia,

Frémont recebe uma mensagem de Polk.

A sua missão já não é secreta.

É tempo de atacar.

Frémont coloca espingardas nas mãos do seu exército desorganizado

e marcha rumo à actual Sonoma.

O objectivo: conquistar a Califórnia para Polk,

custasse o que custasse.

VALE DO RIO SACRAMENTO CALIFÓRNIA

Seguindo ordens do Presidente Polk,

John Frémont conduz uma milícia de 100 homens para sul.

A missão

é conquistar a Califórnia para os EUA.

Planeia atacar, primeiramente, Sonoma,

a maior colónia no norte da Califórnia.

Depois, tenciona continuar para sul,

para Monterey, Los Angeles

e, por fim, San Diego.

Vamos!

Os Americanos são poucos,

mas, graças à presença de John C. Frémont,

vão fazer-se notar muito mais

do que os números deixariam adivinhar.

Fiando-se na coragem e na determinação,

Frémont e Kit Carson iniciam a conquista improvável.

Se há característica que define John C. Frémont é a sua ambição.

Queria ter sucesso e ser independente.

Creio que a Fronteira, para John C. Frémont,

representava o caminho para garantir a sua ambição.

A notoriedade, a fama, a riqueza.

Era isso que a Califórnia oferecia.

Quando a notícia da revolta de Frémont se espalha,

outros colonos juntam-se à luta.

Autodenominam-se "Los Osos", "Os Ursos", em castelhano.

A 14 de Junho de 1846,

os homens de Frémont chegam a Sonoma,

mas surpreendentemente, encontram o posto avançado mexicano

praticamente sem defesas.

Conquistam a cidade,

naquela que ficou conhecida por Revolta da Bandeira do Urso.

Para assinalarem a vitória, içaram uma bandeira improvisada,

feita com um lençol de algodão

e decorada com um urso-pardo vermelho.

Esse símbolo viria a inspirar a bandeira do estado da Califórnia.

Muito bem, vamos!

Essa revolta que começa a emergir

foi o suficiente para conquistar, pelo menos, o Norte da Califórnia

e iniciar o processo da conquista da Califórnia por parte dos EUA.

Em apenas dois meses, com poucas baixas,

Frémont e Carson conquistam a maior parte da costa da Califórnia.

Sob o comando de Frémont,

aquele grupo fez aquela grande proeza.

Nunca se tinha conquistado tanta área com tão pouca guerra,

tão pouco sangue derramado.

Ainda por cima, o exército era pequeno.

O plano de Polk para conquistar a Califórnia

parecia estar a funcionar.

Mas, sem comunicação, não sabe se Frémont e Carson estarão vivos.

Para se prevenir, envia uma força de cavalaria do Texas,

liderada pelo General Stephen Kearny.

Stephen Watts Kearny foi um oficial que conheceu Lewis e Clark.

Polk enviou-o para oeste,

para subjugar Santa Fé

e, depois, continuar a descer pelo Rio Grande

e seguir para oeste, para a Califórnia.

No início de Agosto de 1846,

Frémont e Carson chegam a Los Angeles.

Depois de se juntarem aos Marines enviados por Polk,

conquistam a cidade.

E, com ela, o último bastião mexicano na Califórnia.

É inacreditável.

Frémont conquistou a Califórnia praticamente sem resistência.

Caiu em mãos americanas

em parte graças à coragem de John C. Frémont,

mas também devido a uma boa dose de sorte.

É que a Califórnia parecia estar à espera de ser tomada.

Foi nesse momento que Frémont assumiu que a Califórnia era sua,

que a tinham conquistado.

Consideravam os Mexicanos maus soldados,

achavam que eram indiferentes. em termos políticos.

E consideraram isso como um sinal de que a Califórnia era sua.

Frémont sempre ambicioso, quer contar a boa notícia a Polk.

Frémont decide que é tempo

de contar a Washington o que se passou,

contar a Polk o que se passou para solidificar a vitória.

Frémont queria expandir a sua própria fama,

integrando aquela conquista na sua história de vida.

Frémont decide enviar um mensageiro para este.

"A quem hei-de confiar essa missão?

"Porque não ao membro mais competente, pragmático

"e forte da expedição,

Kit Carson?"

Habituado a ter de sobreviver,

Carson escolhe a via mais rápida,

apesar de isso implicar atravessar centenas de quilómetros

de deserto inóspito.

O afamado homem da Fronteira nem imagina

que está prestes a enfrentar o mais duro teste da sua vida.

NORTE DA CALIFÓRNIA

Em 1846,

Kit Carson é um dos poucos Americanos que chegaram à Califórnia.

Agora, tem uma nova missão épica:

atravessar o continente e entregar em mão uma mensagem urgente

ao Presidente James K. Polk.

Frémont e o seu exército conquistaram a Califórnia.

Parte de Los Angeles,

com ordem para ir a Washington e regressar.

Uma distância de 10 mil km,

em 140 dias.

Não nos esqueçamos de que não havia caminhos de ferro transcontinentais

nem telégrafo.

Só havia uma forma de fazer uma mensagem chegar a Washington:

atravessar o território continental.

Carson era perfeito para esse tipo de expedição.

Mas a rota mais directa

atravessa uma das zonas mais hostis dos EUA:

o Deserto de Sonora.

Para Kit Carson atravessar o deserto do actual sudoeste

seria uma situação muito difícil.

Havia o perigo de insolação,

de se perder...

Os perigos eram muitos.

O de desidratação era um dos principais.

Os conhecimentos adquiridos na Fronteira

tornam-no muito bem preparado para a missão.

Sobrevive durante semanas,

recolhendo água de leitos de riachos

e raízes de cactos enterradas.

Carson sabia onde encontrar água num cacto.

Fazia uma picada na orelha da mula e bebia-lhe o sangue.

Tinha vários truques na manga.

Mas não basta para vencer o calor implacável do Deserto de Sonora.

Um homem de 70 kg

precisa de 1,5 L de água por dia,

para se manter vivo.

Sob o calor do deserto, em vez de 1,5 L por dia,

é preciso 1,5 L por hora.

27.º DIA

Depois de viajar mais de 1500 km,

a vida de Carson está em perigo.

No deserto, à medida que o corpo começa a ficar desidratado,

o sangue fica mais espesso, como óleo.

A água das células vai secando, para tentar diluir o sangue,

portanto o próprio corpo vai ficando mais seco.

Essas alterações também se podem verificar no cérebro.

As alucinações normalmente acompanham a desidratação.

A vítima pode alucinar oásis.

Em fases mais adiantadas,

há quem morda o próprio braço, para sugar o líquido.

29.º DIA

Finalmente,

há uma luz ao fundo do túnel.

Kit Carson chega a um local, no Novo México,

e vê uma nuvem de poeira vinda do Oeste.

"Quem será? O que se passa?"

Era o Exército do Oeste.

Sob ordem do Presidente Polk,

o General Stephen Kearny passara os últimos seis meses

em viagem rumo à Califórnia.

Se tiverem mantimentos que possam partilhar, agradeço.

Para onde vai?

Washington.

Vou entregar uma mensagem.

- De onde? - Da Califórnia.

É para lá que vamos. Partimos ao amanhecer.

Como disse que se chamava?

Kit Carson.

É o guia do Frémont.

O encontro entre Carson e Kearny foi dos mais insólitos de sempre.

O General Kearny já tinha ouvido falar de Carson.

Sabia das suas explorações,

sabia que Carson tinha estado em territórios muito inóspitos.

E precisava de um guia.

Tal como Frémont precisara,

Kearny precisava de alguém que o guiasse até à Califórnia.

Então, Kearny fez-se valer da patente.

"Sou General. Vai fazer o que eu disser.

Preciso de si."

Descanse.

Partimos ao amanhecer.

Kearny sabia que Carson era um guia experiente,

que já tinha estado em expedições com Frémont.

Creio que Kearny foi sensato.

Carson sabia o caminho, por isso só tinha de o levar a San Diego.

Carson, um soldado sempre leal, aceita, relutantemente, a ordem

e regressa com Kearny.

Carson conduziu Kearny para oeste.

Já devia estar zangado, ressentido, farto da expedição.

Mas lá estava ele, outra vez,

a andar de um lado para o outro, pelo país.

Carson dirige-se novamente para o deserto,

sem saber que se encaminhava para uma zona de guerra.

Passaram dois meses desde que John Frémont

enviou Kit Carson a Washington,

para avisar de que já tinham tomado a Califórnia.

Mas a missão de Carson mudou.

Agora, regressa para oeste,

guiando as tropas do General Kearny para San Diego.

Stephen Kearny era o comandante do Exército Americano do Oeste.

Foi enviado por Polk para invadir o território mexicano

e garantir a Califórnia para os EUA.

E Kit Carson dizia: "Não se preocupe com a Califórnia.

O Frémont já a conquistou."

Kearny estava num dilema.

Tinha ordens para cumprir e era um oficial cumpridor,

por isso ia cumprir a ordem.

Marchando lentamente, o exército demora oito semanas

a refazer os passos de Carson

pelo Deserto de Sonora.

Kearny envia Carson à frente,

para procurar o melhor caminho.

A 80 km de San Diego,

Carson percebe...

... que o México está longe de se dar por vencido.

E que o seu exército...

... já está em marcha.

Aproximam-se de San Diego.

Carson vai à frente

e percebe que a Califórnia não está conquistada.

A situação inverte-se.

Os Americanos perderam terreno.

Inicialmente, as tropas de Frémont não encontram qualquer oposição,

conquistando cidades, de Sausalito a Los Angeles.

Mas, agora, o exército mexicano marcha para norte,

reclamando o território.

Frémont tenta reagrupar as tropas.

Frémont manda Carson informar de que tinham vencido

e que todos podiam comemorar.

Essa festa parece ter sido um pouco prematura.

O exército mexicano reagrupou-se, reorganizou-se

e preparou-se para defender

a sua terra.

Quantos eram?

Uns 100.

Talvez mais.

E bem montados.

Os homens de Kearny tinham marchado de Santa Fé até ao Novo México.

Estavam cansados e com frio.

Estava de chuva, por isso tinham a pólvora molhada.

Apesar de tudo isso,

Kearny acha que pode vencer os Mexicanos.

Temos de atacar.

Conto consigo?

Sim, senhor.

Carson era o tipo de homem que qualquer um gostava de ter,

caso tivesse de combater.

Era extremamente violento.

Era um homem violento, mesmo para os padrões da altura.

Ao perceber que se ia envolver numa situação violenta,

entrava com tudo.

Carga!

Continuem a avançar! Continuem a pressionar!

Kearny subestimou a presença mexicana.

Os americanos estavam desorganizados

e houve algum excesso de zelo.

Consequentemente...

... os homens de Kearny estava exaustos

e os Mexicanos aproveitaram.

Por momentos, Carson fica inconsciente.

Depois, levanta-se, encontra a espingarda...

... e começa a abater os inimigos, um por um.

É típico dele.

Carson cresceu com uma espingarda nas mãos.

Era um atirador exímio.

Era calmo e sereno. Abatia o alvo num instante.

Referia-se a algumas batalhas

como "as mais bonitas que algum dia vira".

Parecia quase um assassino da máfia.

O México ficou com alguns homens feridos,

mas foi nesse momento que Kearny percebeu que estava em apuros.

Ele próprio ficou à beira da morte, naquele conflito.

Não era certo que sobrevivessem.

Retirar! Retirar!

Retirar!

Tiveram de se reagrupar e criar um perímetro.

Basicamente, foi o início do cerco.

O Cerco de San Pasqual prolonga-se por vários dias

e Kearny percebe que não vão sobreviver.

Não têm alimentos, água e munições suficientes

para aguentar muito mais.

Têm de descobrir se há outras forças americanas na zona.

Quantos homens julga que ainda têm?

Mais do que nós.

Temos de fazer alguém quebrar o cerco

e ir pedir ajuda a San Diego.

Eu trato disso.

Acreditava-se que algures, perto de San Diego,

estavam a Marinha e os Marines.

E, se conseguissem a ajuda de alguns reforços,

talvez conseguissem quebrar o cerco.

Mais uma vez quem se voluntaria? Carson, claro.

Sempre que há uma missão arriscada em território inimigo,

é ele que se chega à frente.

Mas San Diego fica a 65 km.

E não se sabe se haverá reforços lá...

... ou se Carson

sobreviverá à viagem.

VALE DE SAN PASQUAL DEZEMBRO DE 1846

Kit Carson voluntariou-se para uma missão

que lhe poderia custar a vida.

Para salvar o exército de Kearny, que se encontra cercado,

vai tentar avisar os Marines

que espera que estejam em San Diego.

Imagine o perigo inerente a esta missão.

Carson tem de passar pelas linhas mexicanas,

por território inimigo,

pelas montanhas,

por rochas, cactos, espinhos...

É um ambiente muito inóspito.

E nem está a cavalo. Vai de gatas.

Depois, tem de atravessar o vasto deserto,

com figo-da-índia e todo o tipo de cactos.

Atravessa território inimigo.

É mais uma das missões

que contribuem para o mito de Kit Carson,

um homem muito corajoso e independente.

Contra todas as probabilidades,

Kit Carson chega a San Diego

em um dia.

Alto!

Quem vem lá?

Não dispare!

Espere, sou Americano.

Foi o General Kearny que me enviou.

O exército mexicano tem o batalhão dele cercado.

- O quê? - Uns 55 km para lá do deserto.

Quando chega às tropas americanas tem os pés em feridas,

todos lacerados, não consegue andar.

Foi uma das grandes proezas da história americana.

Depois de recuperar um pouco,

Carson regressa a San Pasqual,

com 200 homens.

Ao aproximarem-se da posição do General Kearny,

o inimigo foge.

Ao verem os Marines aproximarem-se, muito bem munidos,

foi o suficiente para afugentar os soldados mexicanos.

Não queriam travar esse combate.

Carson fica a saber que Kearny tinha sobrevivido

e, agora, tenciona prosseguir a missão.

Vamos directos a San Diego, reabastecemo-nos

e, depois,

seguimos para Los Angeles.

Acha que conseguimos tomá-la?

Veremos.

Enquanto se prepara para partir,

Carson não sabe que o amigo, John C. Frémont, está vivo

e a planear uma missão.

Carson já não via Frémont há muito tempo.

Não sabia se estava vivo ou morto.

Estava perto de Monterey,

a tentar reunir um exército para recuperar o sul da Califórnia.

No final de Novembro

já tinha juntado mais de 400 homens.

Decidido a reconquistar Los Angeles e limpar a sua reputação,

Frémont segue para sul.

Ao mesmo tempo, Kearny e Carson planeiam a sua rota para norte.

Entre eles, estava o exército mexicano.

Em jogo, o controlo da Califórnia

e a última etapa da expansão americana para oeste.

WASHINGTON, D.C. JANEIRO DE 1847

O Presidente James K. Polk está decidido a conquistar a Califórnia.

Mas o seu plano depende do resultado de uma batalha

travada a cinco mil km.

Los Angeles é o último bastião mexicano no território...

... uma região que os Americanos querem para si.

John Frémont aproxima-se pelo norte...

... enquanto Kit Carson e o General Kearny

avançam para atacar.

Imagine Los Angeles.

Kearny aproximava-se de sul

e Frémont avançava pela costa

e controlava o Passo Cahuenga.

O exército mexicano não tinha para onde ir.

O exército de Kearny chega primeiro...

... e vence o inimigo,

em poucas horas.

A força conjunta...

... de soldados de Kearny

e alguns voluntários americanos

derrota o exército mexicano.

Entre o exército de Frémont, que avançava de norte.

e aquela força conjunta que vinha de sul,

o exército mexicano percebeu que estava cercado

e decidiu que era tempo de se render.

A bandeira dos EUA foi içada em Los Angeles...

... mas a guerra ainda não tinha terminado.

Polk conseguiu o que queria.

A Califórnia era americana, o Novo México também,

o Texas estava assegurado,

por isso Polk entendeu que era tempo de acabar a guerra.

Infelizmente, os Mexicanos não queriam acabar a guerra.

Estavam zangados e rejeitaram qualquer acordo.

Para pressionar o México,

Polk lança uma invasão.

A proteger a Califórnia, os EUA estacionaram um exército

na costa mexicana em Veracruz,

e marcharam para a Cidade do México.

O tratado que daí resultou

estende a Fronteira até à costa oeste,

cumprindo o sonho de criar uma nação

que se estende do Atlântico

ao Pacífico.

O expansionismo americano é algo que esteve na agenda,

desde a Revolução Americana, com Daniel Boone.

O que vimos nos anos '40 do século XIX

foi o cumprimento da promessa

dos Pais Fundadores e dos colonizadores,

que chegaram e foram em busca da sua terra.

O Império de Liberdade imaginado por Thomas Jefferson

e defendido por Andrew Jackson...

... é concretizado pelo mais improvável dos líderes.

James Polk.

O Presidente Polk é um dos presidentes menos populares dos EUA.

Era um homem muito poderoso,

com intenções muito claras.

Quando Polk tomou posse,

olhou para o Oeste

e disse desde logo que queria aquela terra toda.

Foi uma das maiores conquistas de terra da história mundial.

Conquistar aquele terço de terra numa geração apenas.

Para entendermos a importância da Presidência de Polk,

pensemos nisto:

a Califórnia, se fosse um país independente,

seria a quinta maior economia do mundo.

Imagine a história dos EUA sem a Califórnia.

Depois, imagine a história do México

com a Califórnia.

A história de todo o mundo seria diferente.

Na Califórnia...

... John Frémont é nomeado Governador interino do território.

Ele e o fiel parceiro, Kit Carson,

haviam-se separado seis meses antes.

Mas, agora...

Senhor.

Olá, Carson.

É um prazer revê-lo, senhor.

... terminada a guerra, reencontram-se, finalmente.

Carson não via Frémont há muito tempo.

Não sabia se Frémont estava vivo ou morto.

Tinham uma amizade forte e duradoura.

Por isso, Carson deve ter ficado muito contente por vê-lo.

Há muito trabalho para fazer.

Se quiser ficar, poderá ser-me útil.

Sim, senhor.

Frémont viria a tomar-se o primeiro Senador da Califórnia,

enquanto Carson combateria pela União, na Guerra Civil.

Mas foram as suas aventuras na Fronteira

que fizeram delas lendas.

As explorações de Frémont mudaram a forma como os EUA viam o Oeste.

Antes das suas explorações,

para os Americanos, o Oeste era apenas mais um ponto cardeal.

Depois de Frémont, o Oeste passou a ser visto como um lugar

com características conhecidas.

Isso obrigou os Americanos a verem a América

não só como um país banhado pelo Atlântico,

mas mais como um estado-nação continental.

Os jornais do Este chamaram a Frémont "O Desbravador".

Mas esse título aplicar-se-ia melhor a Carson.

Carson foi o verdadeiro desbravador.

Ele é que mantinha toda a gente no rumo certo

e longe de perigo.

Aqueles dois homens precisaram um do outro,

desesperada e profundamente,

para conseguirem o que conseguiram.

No final de 1847, a Califórnia é oficialmente território dos EUA.

Mas só sete mil Americanos vivem lá.

Para assegurarem aquele território,

os EUA têm de o colonizar.

Polk queria mandar para lá gente, que ficasse lá a viver,

de modo a iniciar o processo da Califórnia.

Para começar a adaptar a Califórnia ao estilo americano.

Fazia parte da política do Governo mandar para lá muita gente.

Havendo gente a ocupar aqueles territórios,

não restariam dúvidas de que aquele seria o futuro da América.

E nada motiva mais os colonos

do que a possibilidade de fazer fortuna.

Em Janeiro de 1848

a promessa da Califórnia

dá frutos...

... quando se descobre ouro.

A corrida ao ouro

fez a busca por terra

valer a pena.

Para a América foi como ganhar a lotaria.

Uma corrida ao ouro atrairia milhares para o Oeste.

O homem que atravessou o país para levar o recado...

... foi Kit Carson.

O incrível "posfácio" disto

é que Kit Carson...

... se encontrou com o Presidente Polk,

em Dezembro de 1848.

E que notícia lhe levou?

Que se tinha descoberto ouro,

sim, ouro, na Califórnia.

A febre do ouro

está prestes a transformar a Fronteira.

Com a anexação da Califórnia,

os EUA estendem-se, finalmente, de oceano a oceano.

Mas a terra é pouco colonizada por Americanos.

Até se ter feito uma descoberta surpreendente,

em 1848.

Ouro.

Descobriu-se ouro na Califórnia no início de 1848.

Ninguém esperava tal coisa.

A Califórnia, quando passou a integrar os EUA,

depois da guerra com o México,

não podia estar mais distante das zonas civilizadas da América.

Ninguém esperava que a Califórnia fosse colonizada tão cedo.

A notícia da descoberta corre depressa,

desencadeando a febre do ouro nos EUA.

Pouco depois, mais de 300 mil Pioneiros seguem para a Califórnia,

um dos maiores fluxos migratórios da história americana.

Iniciada a corrida ao ouro, uma multidão segue para oeste

pelos trilhos cartografados por Frémont e Carson.

Isso garante que a Califórnia pertencerá para sempre aos EUA.

Durante ao corrida ao ouro,

os colonos extraem mais de 340 toneladas de ouro.

gerando mais de dois mil milhões de dólares,

o equivalente a mais de 61 mil milhões, actualmente.

Em 1850,

a Califórnia torna-se o 31.º estado,

completando um capítulo da história americana,

iniciada 75 anos antes,

na fronteira dos Apalaches.

Em muitos sentidos, foi a continuação

da Revolução Americana.

Eram 13 colónias e foram-se estendendo para oeste.

Mas a nação só ficaria completa,

quando se estendesse de oceano a oceano.

Os intrépidos homens da Fronteira

que desbravaram as terras inexploradas

ajudaram a escrever o futuro da América.

O espírito da Fronteira americana sempre esteve presente,

logo durante a Revolução Americana.

A noção de que nada nos pode impedir de obtermos aquilo que é nosso.

Ao avançarem corajosamente para oeste,

em busca de terras novas e oportunidades,

enfrentaram tribos ameríndias,

decididas a defenderem o que era seu.

A Fronteira foi o lado negro e luminoso

da expansão americana.

Os nativos, assim como os colonos,

têm de ser considerados Americanos.

Como qualquer humano, os ameríndios lutaram pelas suas famílias,

pela sua nação, pela sua terra, pelos seus bens, pela sua vida.

Continuamos aqui.

Não fomos exterminados.

Há que dar o mérito aos ameríndios, que continuam a lutar, ainda hoje.

Bravos exploradores cartografaram o desconhecido,

abrindo caminhos que os colonos haveriam de trilhar.

Arrojados e astutos, os homens da Fronteira tornaram-se lendas.

Vamos, homens!

Sempre houve um fascínio pela imagem do "desbravador",

que, de casaco de cowboy e espingarda,

entrava pelo desconhecido.

Ícones, que inspiraram gerações

com as histórias da sua resistência e competência.

As pessoas que iam para a Fronteira eram valentes

e pareciam gostar do perigo e do desconhecido.

A Fronteira não era para fracos.

Era difícil, inóspita, magoava.

Fogo!

Estavam dispostos a enfrentar inúmeros perigos.

Era um mundo sem foras da lei.

Não havia leis, por isso estas não podiam ser infringidas.

Eles criavam um código próprio.

A própria Fronteira ajudou a moldar a identidade da nação

e definiu

o espírito americano.

Parabéns, Capitão.

A Fronteira está no ADN da américa.

É assim que nos vemos.

Já não nos vemos como uma sociedade da Fronteira,

mas gostamos de nos identificar com esses indivíduos.

Era essa a essência da Fronteira.

A Fronteira representava o melhor da oportunidade americana.

A Fronteira desapareceu da história americana

há mais de cem anos.

Mas mantém-se muito viva na forma como os Americanos se definem.

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