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ESTE PROGRAMA CONTÉM CENAS DE BATALHAS,
INCLUSIVE COMBATES MORTAIS E VIOLÊNCIA.
CHAMA-SE A ATENÇÃO DOS ESPECTADORES MAIS SENSÍVEIS.
Anteriormente, em "Homens da Fronteira"...
Lewis e Clark conseguem o impossível:
chegar ao Pacífico...
... reclamando a nova terra para os EUA...
... e enfurecendo a Grã-Bretanha.
Em 1812,
a Fronteira era, de novo, um campo de batalha...
... e a sobrevivência da América...
... estava, mais uma vez, em perigo.
Legendas Canal História
Transcrição e Sincronização fininhos
OS HOMENS DA FRONTEIRA
PARTE 3 "Viver Livre ou Morrer"
TERRITÓRIO DO MICHIGAN 1812
Na Fronteira norte,
os EUA estão a travar a segunda guerra em 30 anos,
contra a Grã-Bretanha e os seus aliados ameríndios.
E estão a perder.
O lendário chefe guerreiro Tecumseh
já conquistou um importantíssimo forte americano.
Numa jogada sem precedentes,
o líder dos Shawnee uniu guerreiros de mais de 20 tribos.
Lidera ataques que visam expulsar os colonos das terras ameríndias.
O seu objectivo é criar uma nação pan-índia a oeste dos Apalaches.
É uma missão que atemoriza os líderes americanos.
Essa aliança dos ameríndios era um pesadelo para o Governo americano.
Podia, eventualmente, impedir o progresso dos futuros EUA.
Por isso, ele tinha de ser eliminado,
porque o Governo americano não podia aceitar essa possibilidade.
Em 1813,
os guerreiros de Tecumseh dominam uma vasta área do vale do Ohio,
território que a Grã-Bretanha cedera aos EUA,
depois da Revolução.
Para proteger a Fronteira,
os EUA destacam um soldado experiente
para confrontar Tecumseh.
Um dos poucos que já o haviam derrotado.
O arqui-inimigo,
William Henry Harrison.
A liderança dos EUA acreditava
que a aliança de Tecumseh com a Grã-Bretanha
podia contribuir, e muito, para a possível derrota dos EUA.
Não sei se William Henry Harrison não gostava dos ameríndios,
mas são os confrontos com eles que definem a sua carreira militar.
Tinha fama de ser cruel.
E, na guerra de 1812, tinha uma obsessão:
queria Tecumseh morto.
Quando Harrison se preparava para marchar para norte,
a luta pela Fronteira sobe de tom a sul.
FORT MIMS TERRITÓRIO DO MISSISSIPPI
A Grã-Bretanha incita um grupo de Índios Creek,
conhecidos por "Red Sticks",
a atacarem colónias,
causando o medo por todo o Sul.
Destruíram um posto avançado americano,
matando 500 homens, mulheres e crianças...
... num ataque que ficou conhecido
por "Massacre de Fort Mims".
Incitaram-nos a combater para resistirem à invasão dos brancos.
E eles alegavam que estavam apenas a defender a sua terra.
Mas, para os colonos americanos,
representava uma grande ameaça à segurança da Fronteira americana.
Com o Exército a combater Tecumseh na frente norte,
o Presidente Madison
ordenou à milícia mais próxima do Mississippi
que defendesse o Sul.
No Tennessee,
um comandante aguardava pela oportunidade de entrar na guerra.
Chama-se...
... Andrew Jackson.
Era uma pessoa que começara de baixo, por sua conta
e estava determinado a ser alguém.
Um meio para um jovem ambicioso ascender era indo para a guerra
e conquistando a glória na guerra.
Jackson era a pessoa ideal para a missão.
Ao longo da vida, fora ganhando fama
de alguém que consegue resultados.
Dez anos antes...
NASHVILLE, TENNESSEE 1803
... era um severo juiz de província,
conhecido por fazer justiça pelas próprias mãos.
Uma vez, havia um arruaceiro particularmente cruel,
que era procurado por homicídio, mas ninguém queria prendê-lo.
Então, decidiu ir atrás dele.
Andrew Jackson era muito agressivo.
Usava o chicote sobre pessoas.
Continuou a levar a cabo duelos.
muito depois de estes terem caído em desuso.
Envolvia-se em lutas.
Há vários relatos de situações
em que fez justiça pelas próprias mãos.
Há uma história muito conhecida.
Jackson envolveu se numa luta num bar e levou um tiro no braço.
Quando o médico ia começar a amputar-lhe o braço,
ele agarrou-o e disse: "Se me cortar o braço, mato-o!"
Nada detinha Jackson.
Nem a infecção causada por uma bala.
TERRITÓRIO DO ALABAMA OUTUBRO DE 1813
Agora,
Jackson tem a maior oportunidade da sua vida,
Lidera mais de 25 mil milicianos voluntários para sul,
com o intuito de destruir a facção dos Red Stick.
Mas, primeiro, tem de os encontrar.
Enquanto Jackson procura os Red Stick,
a norte,
William Henry Harrison e os seus três mil homens
estão a um dia do acampamento de Tecumseh, perto do lago Erie.
O líder dos Shawnee planeia uma vingança.
Dois anos antes,
Harrison destruíra a capital de Tecumseh,
Prophetstown.
Agora,
Tecumseh reúne-se com os seus aliados britânicos,
para planear uma emboscada bem coordenada.
Ele diz que, se os seus homens aguentarem o perímetro,
os nossos tratam do resto.
Os Britânicos atacarão o exército de Harrison,
quando este estiver em marcha
e empurrá-lo-ão para a floresta,
onde Tecumseh e os seus guerreiros estarão à espera para os esmagar,
enquanto batem em retirada.
Tecumseh sabe que Harrison estará à cabeça do seu exército.
Haverá luta armada.
Um deles não sobreviverá.
A 5 de Outubro de 1813,
Tecumseh e os seus homens posicionam-se
para uma batalha que poderá ajudar a decidir o desfecho da guerra
e o futuro dos próprios EUA.
JUNTO AO LAGO ERIE, CANADÁ 5 DE OUTUBRO DE 1813
Nas margens do rio Tamisa,
Tecumseh e 500 guerreiros de meia dúzia de tribos
aguardam para atacar as forças norte-americanas.
Os aliados britânicos de Tecumseh
planeiam atacar de frente as tropas de Harrison,
obrigando-as a fugirem para a floresta,
onde os guerreiros ameríndios esperam para os atacarem por trás.
Preparem-se!
Subitamente, Britânicos entram na floresta.
Mas não a atacar...
... pelo contrário: a fugir.
Os Britânicos aguentaram menos de cinco minutos.
E as forças ameríndias eram um terço das americanas.
Tecumseh percebeu que tinha de marcar posição,
porque, se também fugisse,
talvez não conseguisse formar outro exército.
William Henry Harrison tem o arqui-inimigo encurralado,
preso entre o rio Tamisa
e as tropas americanas.
As forças de Tecumseh aguentam até não poderem mais.
Mas, sem os Britânicos,
foi um massacre.
Quando Tecumseh foi morto pelos homens de Harrison,
a sua "confederação de ameríndios" morreu também.
Imagino o que Tecumseh sentiu,
quando percebeu que fora abandonado pelos Britânicos.
O que deve ter sido para ele confiar nos brancos
e a traição deles provocar a sua derrota.
A morte de Tecumseh foi uma perda incalculável para os ameríndios.
Ao perdê-lo, bem como às forças que combatiam ao seu lado,
a "confederação pan-tribal"
caiu.
O povo Shawnee nunca mais foi...
... tão forte como fora sob Tecumseh.
Por isso, viu-se na obrigação de negociar,
de assinar tratados com o Governo dos EUA.
E foi o que fez.
Após anos em guerra,
os Shawnee acabaram por ser derrotados
e o sonho de Tecumseh de recuperar o seu vale do Ohio
perdeu-se.
Para os EUA,
a vitória na Batalha do Tamisa foi um ponto de viragem na guerra.
Recuperaram o controlo do Norte.
Mas mil quilómetros a sul,
a Fronteira continua mergulhada no caos.
Andrew Jackson lidera uma campanha em busca dos guerreiros Red Stick
responsáveis pelo Massacre do Fort Mims.
A sua milícia passa semanas a vasculhar a floresta.
Sem encontrar nada.
Um dos motivos de espanto para os Americanos
é perceber como a paisagem americana era diferente,
naquele tempo.
Havia poucos habitantes.
Era quase só território inexplorado.
Entrou nesse território um exército de vários milhares de homens
parcamente munidos.
Viviam do que a natureza dava. No fim, chegaram a passar fome.
Em Outubro de 1813,
Jackson estava a ficar sem tempo.
Se não encontrasse a tribo Creek,
arriscava ver os seus voluntários desertarem.
Mas um novo recruta juntou-se à milícia.
Chama-se Davy Crockett.
Crockett ganhou fama como caçador na Fronteira.
Durante muito tempo, aprendeu a sobreviver na floresta.
Dizia ter matado 105 ursos-negros num período de sete meses.
Quando se alistou na milícia,
Crockett era o elemento ideal para perseguir os Creek.
Era capaz de observar como se movimentavam na floresta.
Era capaz de reproduzir essas movimentações.
Com apenas seis meses de aprendizagem formal,
a verdadeira formação de Crockett
fora adquirida na Fronteira.
JEFFERSON COUNTY, TENNESSEE 18 ANOS ANTES
Crockett vinha de uma família ligada à floresta
e aprendeu a caçar com o pai e com os tios.
Aprendeu a seguir rastos, a identificar sinais,
chão remexido, ramos partidos...
Crockett usa essas competências para perseguir a tribo Creek
para o General Jackson.
Era uma tarefa hercúlea.
Ele não tinha a tecnologia de ponta que existe hoje.
Era preciso ser mesmo especialista em seguir rastos.
Tem de olhar para todos os sinais, rastos, marcas, árvores...
... para tudo,
como algo que poderá afectar a decisão seguinte
em relação à localização dos ameríndios.
Em apenas duas semanas, Crockett encontra a aldeia
e os Americanos preparam-se para se vingarem.
No final de 1813, na Fronteira norte,
as vitórias dos EUA reduzem a ameaça
que os ameríndios constituíam.
Mas a sul os ataques ameríndios destruíam colónias,
semeando o pânico no actual Alabama.
O General Andrew Jackson tem ordens para eliminar os Índios Creek,
responsáveis pela morte de mais de 500 colonos no Fort Mims.
Após semanas de buscas, Davy Crockett encontrou-os,
facultando a Jackson toda a informação necessária para atacar.
Divida os homens em duas colunas.
Chegamos aqui antes do nascer do sol.
Atravessamos o rio nestas zonas baixas. Aqui e aqui.
Sim, General.
Nem um sai de lá vivo.
Prepare os homens.
Batedores!
Jackson assumiu que os ameríndios tinham começado a guerra,
ao massacrarem brancos.
Além disso, achava que tinham de aprender a lição.
Quem massacra brancos sofre uma represália proporcional.
Mata-se ou é-se morto.
No seu mundo, na sua vida, era assim.
3 DE NOVEMBRO DE 1813
De manhã bem cedo,
900 milicianos do Tennessee,
incluindo Davy Crockett,
cercam a aldeia.
Em poucos minutos,
186 guerreiros Creek são mortos.
Mulheres e crianças são queimadas vivas nas suas casas,
naquela que ficou conhecida como "Batalha de Tallushatchee".
Jackson autorizou a mais sangrenta das represálias,
para dar uma lição aos ameríndios, para que não repetissem.
E foi na sequência disso que lhe reconheceram
a capacidade de defender o país dos seus inimigos.
Chamou-se àquilo "Batalha de Tallushatchee",
mas, na verdade, foi mais o "massacre de Tallushatchee".
Queimaram 46 pessoas vivas.
Foi uma chacina.
Como Crockett diria, mais tarde, mataram-nos como cães.
A crueldade de Jackson contra os Creek
abalou Davy Crockett
e mudou a forma como via o tratamento que os EUA
davam aos ameríndios.
Percebeu que aquela chacina não fazia sentido
e isso modificou-o enquanto pessoa.
Após a batalha,
Crockett sentiu-se perturbado com o massacre
e decidiu abandonar a milícia, de que era voluntário.
Bom dia.
Para onde vão?
Para casa.
Não.
Vão voltar para as vossas tendas.
Estamos aqui como voluntários.
Não volto a mandar.
Vai matar os seus próprios homens?
Não me provoque.
Disparem à minha ordem!
TERRITÓRIO DO ALABAMA 1813
Após o massacre de mais de 200 homens, mulheres e crianças,
Davy Crockett decide abandonar a milícia do Tennessee.
Voltem para o acampamento!
Mas é apanhado pelo comandante, Andrew Jackson.
Jackson não queria desmantelar o exército,
e manter uma disciplina militar. Era duro.
Jackson não admitia que as tropas o abandonassem.
É a última vez que vos dou escolha.
Não volto a mandar.
Crockett recua.
E, embora contrariado, permanece no acampamento.
Crockett tinha sentimentos contraditórios
em relação ao que estava a fazer.
Estava a servir o país, claro,
e acho que via aquilo mais como um trabalho.
Era algo que tinha de fazer.
A ideia de matar famílias ameríndias,
famílias inteiras,
não lhe agradava.
Coronel.
Chamou-me, General?
O senhor é uma vergonha,
para si,
para a sua família
e para o seu país.
O que fiz por si, naquela aldeia...
Não volto a fazer tal coisa.
É um cobarde.
Ao olharmos para esta cisão entre Crockett e Jackson,
vemos a cisão que divide a Fronteira americana.
Por um lado, a maioria dos americanos
via o tratamento dado aos ameríndios
como apenas mais um passo rumo ao progresso.
Davy Crockett achava
a crueldade do massacre dos Creek injusta.
Terminada a missão,.
Crockett volta para o Tennessee.
Jackson e Crockett tiveram um início de vida semelhante.
Ambos vêm de famílias pobres, humildes.
Mas o que Crockett viu na guerra com os Creek,
o que Jackson lhes fez,
fez uma ferida que haveria de reabrir mais tarde.
Jackson não pára com a vingança de Fort Mims.
Lança uma série de ataques cruéis aos Red Sticks...
... matando centenas
e enviando um recado poderoso.
Eram alvos de uma campanha de terra-queimada.
Nenhuma lei marcial era respeitada.
No início de 1814, Jackson tinha esmagado a facção dos Red Stick...
... e obriga a restante nação Creek a negociar um tratado,
apesar de não ter nada que ver com o conflito.
Jackson disse-lhes que tinham de ceder
milhões de hectares aos EUA,
como forma de compensar pela guerra.
Aliás, Jackson diz tratar-se de uma medida de segurança nacional.
Disse que, ao tirar-lhes a terra,
os EUA estavam a isolar os restantes rebeldes.
Mas a verdade é que estava a roubar milhões de hectares de terreno.
Jackson confisca boa parte do Alabama e da Georgia,
quase nove milhões de hectares de terra.
Os EUA tinham abafado a ameaça ameríndia na Fronteira.
Mas, quando começavam a inverter a tendência da guerra de 1812,
os Britânicos engendraram um novo plano.
Depois de terem obrigado Napoleão a exilar-se,
enviavam mais tropas para a América,
invadindo a costa este, em Baltimore.
Na guerra de 1812, os Britânicos quase vergaram os EUA.
Acabaram por saquear Washington e queimar a Casa Branca.
Depois de tomar a capital da América,
a Grã-Bretanha volta-se para o porto mais importante da Fronteira,
Nova Orleães.
A cidade controla o acesso ao rio Mississippi,
permitindo a chegada aos fortes britânicos no Canadá.
A Grã-Bretanha tinha uma vantagem sobre os EUA, na guerra de 1812.
Tinha a Marinha mais poderosa do mundo.
Isso permitia-lhe deslocar as tropas
de um sítio para o outro pela costa
e chegar antes dos Americanos ao destino.
Se tomassem Nova Orleães, poderiam subir o Mississippi
e juntar-se às forças britânicas que desciam do Canadá.
Sabendo que a Grã-Bretanha ia atacar Nova Orleães,
os EUA recorrem ao seu novo herói de guerra,
Andrew Jackson.
Emergia do Tennessee um general que organizara um exército,
conseguira mantê-lo unido graças à foça de vontade
e esmagara os Creek.
Jackson está decidido a vencer.
Tem um enorme ódio de estimação pelos Britânicos,
que remonta à sua infância.
CAMDEN, CAROLINA DO SUL 32 ANOS ANTES
No Outono de 1781,
Jackson fora feito prisioneiro de guerra, durante a Revolução.
De pé.
Ainda adolescente,
Andrew Jackson
foi mensageiro das forças americanas
contra os Britânicos,
que o capturaram e mandaram para um campo de prisioneiros de guerra.
Perdeu dois irmãos, durante a guerra.
A mãe também morreu. durante o conflito.
Jackson culpava os Britânicos por todo o mal. Odiava-os.
Para irritar Andrew Jackson bastava mencionar os Britânicos.
Agora, Jackson tem a possibilidade de se vingar,
se conseguir atravessar, com os seus homens, os pântanos da Louisiana
e chegar a Nova Orleães antes do inimigo.
TERRAS INEXPLORADAS DA LOUISIANA NOVEMBRO DE 1814
Nas profundezas da Fronteira sul,
Andrew Jackson marcha para o porto de Nova Orleães,
para o defender do iminente ataque britânico.
Mas, enquanto os Britânicos têm a vantagem de viajar por mar,
Jackson tem de chegar lá por terra.
E depara-se com um obstáculo enorme.
Os pântanos da Louisiana.
A Bacia de Atchatalaya é o maior pântano do país,
cobrindo mais de 2500 m2.
E Jackson tem de a atravessar, com 500 homens,
artilharia e mantimentos.
Naquele tempo, ainda não havia estradas boas.
Na verdade, naquela região, praticamente não havia estradas.
Levar vários milhares de homens até Nova Orleães,
com o material todo,
era uma tarefa muito difícil.
Segure, segure.
Naqueles pântanos, a água, em alguns sítios, chegava ao pescoço,
havia aligatores por todo o lado, assim como cobras venenosas,
mosquitos muito agressivos, que pareciam que os comiam vivos.
Tinham roupas muito grossas. De certeza que suavam muito.
Estavam em condições miseráveis.
Jackson não deixa os homens pararem,
improvisando pontes,
para fazer um canhão de duas toneladas passar pelo paul.
Alto! Alto!
Tragam a madeira! Vamos! Vamos! Estão a empatar isto!
Não tem de ficar bonita, desde que seja segura.
Um, dois, puxem!
Quero um homem aqui, outro aqui e outro ali!
Vamos!
Mantenham-no a direito!
Um, dois, puxem!
Sob o comando de Jackson, mantêm o ritmo de 40 km por dia.
Neste momento é que a liderança de Jackson saltou à vista.
Para cima!
Independentemente do que achavam dos Britânicos, dos ameríndios
ou da política americana,
os homens de Jackson estavam dispostos a segui-lo até ao inferno.
Empurrem, rapazes! Empurrem!
Força!
Finalmente...
Vamos, homens!
... após duas semanas de trabalho árduo,
Jackson chega a Nova Orleães,
ciente de que os Britânicos podiam chegar a qualquer momento.
NOVA ORLEÃES, LOUISIANA 1 DE DEZEMBRO DE 1814
Nova Orleães era muito importante, na altura, e ainda é.
Em muitos aspectos,
é a porta de acesso aos afluentes,
tão importantes naquela zona dos EUA.
Manter esse porto como principal porto comercial,
com acesso a esses afluentes, era vital.
Jackson apressa-se a construir fortificações
em pontos nevrálgicos em torno da cidade,
para obrigar os Britânicos a atacá-lo onde é mais forte.
Mas, para isso, precisa de todos os homens que puder.
Não tinha grande exército,
mas montou um com as forças disponíveis.
Homens da Fronteira do Kentucky, seguidores seus, do Tennessee,
milicianos de Nova Orleães, uma milícia de afro-americanos,
piratas fluviais, que tinham canhões, por isso foram "arrolados",
e até ameríndios locais.
Todos integraram a força militar de Jackson.
E ele uniu-os de uma forma eficiente.
Ao todo, Jackson tem cerca de 4500 homens.
Quando os britânicos surgem,
têm 60 navios de guerra e 15 mil homens.
Os Britânicos têm mais do triplo dos homens americanos.
NOVA ORLEÃES, LOUISIANA JANEIRO DE 1815
Quem está disposto a sofrer mais pela vitória?
O General Jackson tem 4500 homens preparados contra os Britânicos,
que eram mais do triplo.
A sua missão é proteger Nova Orleães a todo o custo.
Todo o comércio a oeste dos Apalaches
descia o rio Ohio, entrava no Mississippi
e passava pelo porto de Nova Orleães.
Era o ponto de estrangulamento mais importante do continente americano.
Preparar para disparar!
Aguardar!
Jackson tenta dar vantagem à sua força, que estava em menor número.
Posiciona os seus homens com o Mississippi à direita
e pântanos à esquerda,
obrigando os Britânicos a subirem a colina para atacar,
através de um corredor estreito, onde não se podiam proteger.
Aguardar!
Fogo!
Fogo!
Recarregar!
Detrás de fardos de algodão e outros obstáculos,
os homens de Jackson, em relativa segurança,
podiam abrir fogo sobre as tropas britânicas.
Fogo!
Disparem à vontade, homens! Disparem à vontade!
Se enfrentassem as tropas britânicas
num campo de batalha aberto,
o cenário seria totalmente diferente.
Porém os Britânicos entraram por onde Jackson pretendia
e atacaram muito mais, por isso, acabaram chacinados.
Durante dez dias de ferozes combates...
Fogo!
... Jackson e os seus homens
repeliram todas as persistentes ondas de assalto britânicas.
Por fim, após derrotas devastadoras,
as forças britânicas desistem.
Os números foram inacreditáveis. Mais de duas mil baixas britânicas.
Menos de cem do lado americano.
Foi nesse momento que Jackson se tornou
o grande herói militar do povo americano.
Andrew Jackson era considerado um novo George Washington.
George Washington conquistou a independência dos EUA.
Andrew Jackson defendeu a independência dos EUA.
A vitória em Nova Orleães
catapulta Jackson para a fama à escala nacional
e faz dele um herói americano.
GANTE, BÉLGICA
Mas o que as forças americanas e britânicas em Nova Orleães
não sabem
é que, antes do início da batalha,
a guerra de 1812
já tinha acabado.
Três semanas antes,
a meio mundo de distância, na Bélgica,
representantes dos EUA e da Grã-Bretanha assinavam um tratado,
pondo termo a quase três anos de guerra entre as duas nações.
Já havia um tratado de paz assinado,
mas as notícias demoravam muito tempo
a atravessar o Atlântico
e chegar a Nova Orleães.
Mas isso não importa, para a nação americana.
Aquilo que lhes importa
é que venceram o império britânico
e, conseguido isso, nada é impossível,
por isso, era tempo de olhar para oeste do continente americano
e expandir-se.
No Tratado de Gante, a Grã-Bretanha reconhece formalmente,
que os EUA controlam todas as terras ameríndias,
que outrora haviam pertencido ao Território do Mississippi.
O Alabama e o Mississippi estão disponíveis para serem colonizados.
TERRITÓRIO DO ALABAMA 1817
Depois da vitória em Nova Orleães,
o Governo, grato,
atribui a Jackson a missão de vigiar o novo território.
E ele pressente uma grande oportunidade.
Cultivar um dos produtos mais rentáveis da América.
Algodão.
Quando ia em expedições militares,
Jackson estava sempre atento
a terras onde pudesse cultivar algodão.
E um dos atractivos das terras do Alabama e o Mississippi
era o facto de serem ideais para o cultivo de algodão.
Nos dois anos que se seguiram, Jackson aproveita a sua posição
para comprar vastas áreas de terra a preços baixos
para depois as vender, mais caras, a abastados donos de plantações.
Cavalheiros.
Tudo o que acordámos
está neste contrato.
Façam o favor de ver.
Não se tratava apenas da expansão dos EUA para um novo território.
Era uma oportunidade para os homens
que estavam instalados no Sul profundo
constituírem novas plantações...
Assine aqui.
... plantarem algodão e fazerem fortuna.
Foi a circunstância ideal para homens como Jackson
ganharem muito dinheiro.
O homem da Fronteira que havia nascido pobre
acumula uma fortuna pessoal avaliada em 4,5 milhões de dólares.
Mas o seu negócio tem uma consequência devastadora,
ressuscitando uma instituição à beira do colapso.
A escravatura serve os interesses da classe dos latifundiários.
Proporciona lucros substanciais aos latifundiários, agricultores
e interesses comerciais americanos na região.
Jackson não se considerava um apologista da escravatura,
mas os seus actos deram nova vida à escravatura.
No início do século XVIII,
não se sabia se a escravatura continuaria a ser lucrativa.
E talvez deixasse de ser,
se Jackson e os que estavam ao seu lado
não tivessem aberto novos territórios
à cultura do algodão.
Ao futuro da América.
- Ao futuro. - Ao futuro.
A especulação desencadeada por Jackson
tem ainda outra consequência.
Em apenas três anos,
o preço do hectare disparou de dois dólares
para setenta e oito.
Para Davy Crockett, isso atraiçoa a promessa da Fronteira americana,
pela qual ele está disposto a lutar.
SUDOESTE DO TENNESSEE 1821
Nos anos que se seguiram ao desentendimento com Andrew Jackson,
Davy Crockett tentou levar a vida na floresta do Tennessee.
Mas, na última década,
viu a sua adorada Fronteira desaparecer.
Milhares de hectares de terrenos
de que os homens da Fronteira viveram durante anos
estavam transformados em campos de algodão
e os colonos originais estavam a ser empurrados.
Uma das principais preocupações de Crockett
era os direitos de ocupação.
Achava que os colonos tinham o direito de comprar
a terra em que viviam por um preço razoável.
Isso chocava
com a aristocracia gananciosa dos latifundiários do Sul.
Determinado a proteger o modo de vida em que acreditava,
o homem da Fronteira, que crescera sem escolaridade,
resolveu candidatar-se ao Congresso.
Chega aqui um tipo qualquer com um papel na mão
e diz que não podemos caçar aqui?
É que nem pensar!
Os especuladores e latifundiários
nunca puseram os pés no Tennessee.
São as nossas famílias e os nossos sonhos que estão a ser destruídos.
Se não nos insurgirmos,
vão continuar a fazê-lo.
Muito obrigado.
Muito gosto.
No Verão de 1827,.
Davy Crockett tem uma vitória esmagadora,
com uma campanha assente na promessa
de levar a questão da Fronteira até Washington.
Davy Crockett encarna a Fronteira americana.
Tornou-se símbolo da possibilidade, da esperança,
de um homem comum atingir grandes patamares.
Um homem praticamente analfabeto chega aos corredores do Congresso.
É uma história tipicamente americana.
Mas, enquanto Crockett entrava na Câmara dos Representantes,
o seu antigo comandante na milícia
tinha-se tornado um dos homens mais ricos e poderosos da Fronteira.
E ambicionava agora o cargo mais alto do país.
Na juventude, Jackson não se via a fazer carreira na política.
Mas tornou-se herói nacional
no seguimento da vitória na Batalha de Nova Orleães.
E começaram a convencê-lo de que podia ser Presidente dos EUA.
Nos seus primeiros 40 anos de existência,
os EUA só tinham tido Presidentes oriundos de Massachusetts
ou da Virgínia.
Agora, com a chegada de cada vez mais pessoas à Fronteira,
Jackson acredita que o país está pronto
para uma mudança sem precedentes.
Andrew Jackson ascendeu ao poder precisamente na altura
em que as pessoas começaram a perceber
que a geração da Revolução estava a morrer
e que começava a surgir uma nova geração
e que haveriam de começar a surgir líderes
provenientes de regiões que não existiam na altura da Revolução.
Jackson capitaliza a fama de herói de guerra
e como Crockett, apresenta-se como homem da Fronteira, criado a pulso.
Se olharmos para a concorrência política de Jackson, naquele tempo,
o principal concorrente era John Quincy Adams.
Filho do Presidente, estudou em Harvard,
falava cinco línguas...
Andrew Jackson, por sua vez, tinha muito pouca formação.
Os Americanos identificam-se com a mensagem de Jackson.
E a 3 de Dezembro de 1828,
é eleito como sétimo Presidente dos EUA.
Cá está ele.
Senhor Presidente.
Quando foi eleito Presidente, em 1829,
Jackson foi o primeiro a poder ser chamado "Presidente do povo".
Cada um de vocês é responsável por esta vitória.
À vossa.
A sua, Senhor Presidente.
E esse foi o contributo mais duradouro de Jackson.
É que, desde o tempo de Jackson até hoje
o cargo de Presidente é, fundamentalmente, do povo.
Depois de tomar posse, a principal prioridade de Jackson
é prosseguir com a expansão americana.
E isso significa mais terra.
Andrew Jackson herdou um país em transição.
Era uma época em que os Americanos continuavam a deslocar-se para oeste,
a população estava praticamente a duplicar a cada 20 anos.
E ele tomou posse com uma grande prioridade:
obter mais terra.
Jackson apresenta um plano chamado "Lei da Remoção Indígena",
para horror do seu antigo rival, Davy Crockett.
8 DE DEZEMBRO DE 1829
Caros cidadãos do Senado
e da Câmara dos Representantes,
é um prazer
anunciar-vos...
... que a política de benevolência relativa à remoção...
... dos ameríndios que ainda restam...
... através de uma...
... negociação justa...
... aproxima-se de um final feliz.
Jackson acreditava que os Americanos brancos
nunca estariam em segurança,
enquanto estivessem misturados com ameríndios
Por isso, a política de Jackson consistia em retirá-los.
Hoje, poder-se-ia dizer que se tratou de uma limpeza étnica.
E foi.
O Governo oferece gentilmente uma nova casa
e disponibiliza-se para pagar todas as despesas
da sua deslocação.
A Lei da Remoção Indígena obrigará 50 mil ameríndios
de cinco tribos
a deixarem as suas terras ancestrais
para se instalarem 1000 km a oeste,
no actual Oklahoma.
A Lei da Remoção Indígena foi uma lei
cujo único intuito
era disponibilizar grandes áreas de terreno para mais colonos
e entregar grandes áreas de terra a quem pudesse comprá-la
para depois vender.
Já não tinham o obstáculo dos ameríndios.
O plano tinha o apoio generalizado,
mas Crockett opôs-se.
Quem vencer
ajudará a decidir o futuro da Fronteira americana.
Este Governo
vai comprar as terras aos ameríndios
e dar-lhes novos territórios, caros, por sinal.
O Presidente Andrew Jackson
apresentou a Lei da Remoção Indígena
ao Congresso.
Afastaria os ameríndios das suas terras,
cedendo-as aos colonos brancos.
E esse projecto teve um apoio generalizado.
Mas um homem vai opor-se ao Presidente.
O Congressista Davy Crockett.
Quatro dos meus condados fazem fronteira com Chickasaw.
Conheço pessoalmente muitos membros da tribo.
São um povo orgulhoso,
que foi nosso aliado, na guerra e na paz.
A Remoção consistia em retirar propriedades aos ameríndios
e entregá-las
não aos cidadãos dos EUA,
mas aos apoiantes de Andrew Jackson.
E, quando Davy Crockett falou ao Congresso,
opondo-se à Lei da Remoção Indígena,
arriscou não só a sua reputação,
mas a sua carreira política.
Nada me obrigará a votar a favor da sua expulsão das suas terras.
Nem partido político
nem homem algum, por mais poderoso que seja.
O que mais me agrada em Davy Crockett
é ele ter sido capaz de mudar de ideias.
Em jovem, participara num massacre aos ameríndios.
Mas, depois, opôs-se ao Presidente Jackson,
quando ele quis impor a Lei da Remoção Indígena,
por saber que era errado.
Para Crockett, era indiferente ser um projecto de Andrew Jackson.
Era uma medida que serviria a gente que já tinha muito dinheiro
e ele achava-a errada.
Acreditava que os ameríndios tinham tanto direito de viver em liberdade
como qualquer outra pessoa.
O debate sobre a Lei da Remoção Indígena
arrastou-se por cinco meses,
tanto no Congresso como por todo o país.
E, a 26 de Maio de 1830,
é votado na Câmara dos Representantes.
E o esforço de Crockett é frustrado.
Davy Crockett foi o único membro da delegação do Tennessee
a votar contra a Lei da Remoção Indígena.
E foi um desafio descarado à "máquina" de Jackson.
Davy Crockett manteve-se firme.
Percebeu que tinha cometido um erro naquele massacre
e decidiu fazer o que era certo.
À sua, Sr. Presidente.
A medida foi aprovada
com apenas quatro votos de diferença
e foi tornada lei
pela assinatura do Presidente Jackson dois dias depois.
É só o começo, senhores.
A Lei da Remoção Indígena corre exactamente como Jackson planeara,
abrindo grandes áreas da Georgia, do Mississippi e da Florida
à expansão americana.
Mas, nos anos seguintes,
a Lei da Remoção Indígena ficará conhecida por outro nome.
Trilha das Lágrimas.
A Trilha das Lágrimas era uma rota migratória entre a Georgia
e o território a oeste do rio Mississippi.
Chamava-se Trilha das Lágrimas,
por causa das muitas mortes causadas por exposição e doenças.
A Lei da Remoção Indígena não é só uma mancha no legado de Jackson.
É também uma mancha na história dos EUA.
O Governo norte-americano
levou a cabo uma verdadeira limpeza étnica.
Nas duas décadas que se seguiram, membros dos Cherokee, dos Creek,
dos Chickasaw e dos Chocktaw
viram-se forçados a percorrer milhares de quilómetros,
muitas vezes sob ameaça de armas.
Mais de 16 mil morreram no percurso.
A minha tribo assinou o tratado em 1831
e concordou deslocar-se para o Território Índio.
A maioria associa a Trilha das Lágrimas apenas aos Cherokee,
porque 25% da sua população morreu.
A minha tribo também fez a Trilha, tal como muitas outras tribos,
que também foram deslocadas para o Território Índio.
A Trilha das Lágrima representa o extermínio das nações ameríndias
e a sua substituição pela sociedade americana.
Ao ordenar a tragédia humana a que se chamou Trilha das Lágrimas,
Jackson consolidou a sua imagem
de homem capaz de fazer o que fosse preciso
para servir os interesses dos colonos brancos.
Para o Presidente Jackson, a vitória legislativa não bastava.
O Presidente queria vingar-se de Davy Crockett.
Jackson fez da questão política uma questão pessoal.
Para ele não bastava ter vencido.
Os seus adversários tinham de ser peremptoriamente derrotados.
Era um homem genuinamente perigoso.
O seu desentendimento empurrará Crockett para a Fronteira sudoeste,
alterando o curso da expansão americana.
O Presidente Andrew Jackson assina a Lei da Remoção Indígena,
apesar da oposição do Congressista Davy Crockett.
Agora, Crockett recandidata-se
e Jackson tenciona esmagar o rival, ao escolher um apoiante leal...
... William Fitzgerald, para concorrer contra ele.
Sr. Fitzgerald, entre.
Quem se atravessa no caminho de Jackson sofre as consequências.
É uma característica de todos os políticos de sucesso,
porque querem que isso sirva de aviso a todos,
para que, no futuro, não se atravessem no seu caminho.
Jackson tem de dar cabo de Crockett.
Terá o meu total apoio.
Será uma honra.
Sr. Presidente.
Para arruinar a carreira política de Crockett,
Jackson ataca o seu carácter,
promovendo uma campanha baixa através da imprensa,
acusando-o de ser alcoólico,
mulherengo
e viciado em jogo.
A "máquina" de Jackson no Tennessee tinha muita influência.
Quando Jackson decidiu atacar a reputação de Crockett,
isso fez as primeiras páginas por todo o país.
Os ataques enfurecem Crockett.
Davy Crockett crescera com base na reputação de homem honrado.
Não estava disposto a assistir, impávido, à destruição disso.
PARIS, TENNESSEE 1831
Num comício, no noroeste do Tennessee,
Crockett confronta Fitzgerald.
Esqueçam o Davy Crockett.
Eu serei a verdadeira voz do Tennessee em Washington.
Quando Crockett e Fitzgerald chegaram para um comício,
Crockett subiu ao palanque
e disse:
"Se continuar a falar mal de mim, dou-lhe uma tareia."
Fitzgerald apontou a pistola ao peito de Crockett e disse:
"Se der mais um passo será o último."
Aconselho-o a sair.
Além das óbvias falhas morais,
parece que o Sr. Crockett não é tão corajoso como diz ser.
O incidente com William Fitzgerald foi devastador para Crockett.
A sua campanha assentava no facto de ser corajoso
e acabava de fugir de um confronto, diante de toda a gente.
Foi uma ofensa à sua virilidade.
Depois de uma campanha brutal,
no Outono de 1831,
16 mi eleitores votam para o 9.º Distrito do Tennessee.
Numa reviravolta espantosa, Crockett perde por meros 800 votos.
Caído em desgraça em Washington,
Davy Crockett regressa ao Tennessee com a carreira arruinada,
para descobrir que a vida familiar também estava à beira do colapso.
Quando Crockett perdeu as eleições para o Congresso,
voltou para casa com "o rabo entre as pernas".
Estava falido
e viria a descobrir que a mulher também o tinha deixado
e ficaria sozinho.
Foi um período muito mau da sua vida.
Num golpe do acaso,
a sorte de Crockett inverte-se,
quando uma peça baseada na sua vida estreia em Nova Iorque.
Uma das coisas que revitalizaram Crockett e a sua carreira
foi a estreia de uma peça chamada "The Lion of the West",
que era um retrato claro de Crockett.
No início, Crockett sentiu-se ofendido.
Achou que estavam a fazer pouco de si.
Mas a peça
acabou por fazer dele uma celebridade internacional.
Assim como a fama de Crockett enquanto homem da Fronteira cresce,
a população dos EUA explode.
Nos quatro anos seguintes, ascende aos 17 milhões.
Como a antiga Fronteira está dominada por plantações de algodão
e colónias,
os pioneiros que procuram terra seguem para oeste,
atravessando os actuais Mississippi,
Alabama e Arkansas,
rumo a uma nova Fronteira cheia de oportunidades.
Um território mexicano chamado Texas.
Um dos atractivos do Texas
para os Americanos quem iam para lá quando o Texas pertencia ao México,
era precisamente o facto de ser um território estrangeiro.
Era um sítio para onde se podia ir,
se as coisas não estivessem a correr bem, no local de origem,
porque era uma terra de oportunidade.
Os Americanos descobriram que, por a terra ser barata,
podiam adquiri-la.
Depois, o valor da terra aumentaria
e podiam vendê-la e enriquecer.
Em 1835,
Crockett deixa o Tennessee para trás,
esperando que o nome o ajude a começar uma nova vida no Texas.
Mas, em vez de oportunidade,
Crockett esta prestes a ver-se envolvido numa guerra.
TEXAS 1835
Depois de ver a sua reputação ser esfrangalhada por Andrew Jackson,
Davy Crockett dirige-se para oeste,
para tentar recomeçar a vida no Texas,
um território inexplorado, para lá da fronteira do México.
Durante anos, o Governo mexicano
convidara os colonos estrangeiros a instalarem-se,
para aumentar a população,
oferecendo às famílias 1600 hectares a preços reduzidos.
Os Mexicanos convidavam os Americanos e outros
a mudarem-se para o Texas.
Porém, tinham de se reger pelas leis mexicanas.
A maioria dos Americanos
vivia de uma forma relativamente pacífica.
Um dos atractivos do Texas
para os Americanos quem iam para lá quando o Texas pertencia ao México,
era precisamente o facto de ser um território estrangeiro.
Tinham más recordações, dívidas, gente que os perseguia nos EUA
e, por isso, iam para o Texas.
Em 1836, 45 mil Americanos tinham-se mudado para lá.
Davy Crockett é um deles.
Sem saber o que o espera.
Crockett foi para o Texas para começar de novo.
Perdera as eleições para o Congresso
e ia para o Texas para ter terra
e em busca de uma possível oportunidade política.
Jackson podia ter destruído a carreira de Crockett em Washington,
mas no Texas ele era considerado uma lenda da Fronteira.
Ao chegar a algumas cidades do Texas, Davy Crockett começou a perceber
que as pessoas se juntavam à beira da estrada, à sua espera.
Já havia grandes festas, quando se sabia que ele ia a algum lugar.
Também fez parte da milícia?
Quando começou a instalar-se,
Crockett percebeu que o Texas estava à beira da rebelião.
Após anos de "rédea solta", o Presidente mexicano, Santa Anna,
de repente, impôs novas restrições aos colonos,
o que fez os texanos, furiosos, incitarem à revolução.
Texas estava à beira de independência.
Os texanos iam tentar tornar-se independentes do México.
Isso abria a possibilidade de haver terras e oportunidades políticas.
Em resposta, Santa Anna envia 500 militares
com a missão de confiscar armas e acalmar os ânimos.
Quando os texanos recusam ceder, ele prepara-se para retaliar.
Santa Anna estava a treinar um exército, em San Luis Potosi,
para marchar rumo ao Texas.
Santa Anna não achava tratar-se de uma insurreição local.
Estava convencido de que os EUA estavam por trás daquilo.
Por isso é que o Governo mexicano queria tanto acabar com a revolta.
Crockett chega ao Texas
na altura em que se sabe do contra-ataque de Santa Anna.
Quando foi para o Texas,
Crockett contava apenas caçar e adquirir terras.
Mas vê-se envolvido numa guerra pela independência.
Entretanto, aconteceram várias coisas.
Uma foi o aparecimento do Cometa Halley.
Quando o Cometa Halley cruzou o céu, em 1836,
houve quem pensava que era um sinal
de que Davy Crockett ia para o Texas combater pela independência.
Dava-nos jeito alguém como o senhor, Crockett.
Sim?
Para limpar a mancha na sua reputação,
Crockett vê-se arrastado para a guerra.
Eu junto-me a vocês, rapazes.
- Inferno ou Texas, certo? - Isso mesmo.
- Inferno ou Texas! - Inferno ou Texas!
O que começou por ser um recomeço no Texas
transformou-se numa ida para a guerra.
Enquanto a situação no Texas se agrava,
em Washington,
o Presidente Jackson vê no tumulto
uma nova oportunidade de expansão.
Andrew Jackson sabia que os EUA era um país recente
que precisava de mais território.
Viu no Texas imensa energia, madeira, recursos agrícolas,
terras que muitos Americanos podiam ocupar. E ele queria-as.
Jackson achava
que o Texas tinha de fazer parte dos EUA.
Aliás, tentou comprá-lo ao México,
quando este se tornou independente da Espanha.
Mas o México não quis vender o Texas.
Por isso, Jackson tentou encontrar outra alternativa.
Para evitar a guerra com o México,
Jackson queria que fosse o Texas a declarar independência.
Só não sabia
que o seu plano dependeria de um rival de longa data.
Em Fevereiro de 1836,
260 homens
dirigem-se para San António.
Na qualidade de líder militar do México, Santa Anna
conduz quatro mil soldados para o Texas.
As duas forças vão encontrar-se num antigo forte espanhol.
O seu nome é Álamo.
E a sua presença aqui fará de Crockett um símbolo americano.
Fechem.
No último episódio de "Homens da Fronteira"...
Davy Crockett faz um último e corajoso finca-pé.
O novo Presidente planeia uma guerra falsa,
para conquistar a Califórnia e o Texas.
Polk não se contenta apenas com o Texas.
Ambiciona muito mais.
Polk quer o continente inteiro.
O famoso explorador John Frémont...
Conseguimos!
... abre o Oregon Trail.
Tinha fama de desbravador.
Foi Frémont que tornou a expansão uma realidade.
O seu parceiro é o lendário homem da Fronteira, Kit Carson.
Kit Carson já existia, antes de aparecerem todos os clichés do Oeste.
Brutalmente honesto,
muito violento, mas fiel a um código de vida.
O seu legado, em muitos sentidos, é o da essência do homem do Oeste.
Juntos, iniciam uma revolução na costa do Pacífico.
Vamos!
Combatendo novos inimigos...
... para concretizarem um sonho antigo:
uma nação que se estendesse de oceano a oceano.
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