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ESTE PROGRAMA CONTÉM CENAS DE BATALHAS,
INCLUSIVE COMBATES MORTAIS E VIOLÊNCIA.
CHAMA-SE A ATENÇÃO DOS ESPECTADORES MAIS SENSÍVEIS.
Anteriormente, em "Homens da Fronteira"...
Bravos Pioneiros, como Daniel Boone,
abriram um caminho para os lugares inexplorados...
... viajando para oeste para cumprirem um sonho.
Combateram, para criar uma nova nação:
os Estados Unidos da América.
Agora,
o jovem país tem de se manter firme, para sobreviver.
Legendas Canal História
Transcrição e Sincronização fininhos
OS HOMENS DA FRONTEIRA
PARTE 2 "Rendição Nunca!"
TERRITÓRIO DO OHIO 1792
A Revolução Americana já havia terminado nove anos antes.
Mas a Fronteira continuava a ser uma zona de guerra.
Como outros líderes ameríndios,
Tecumseh, chefe guerreiro dos Shawnee,
vira milhares de Pioneiros invadirem a sua terra.
Era tempo de retaliar.
Os Americanos continuavam a empurrar a Fronteira.
Os índios estavam sob pressão, para se afastarem do seu caminho.
Os homens da Fronteira queriam enriquecer,
ficar com terra.
Os índios fizeram o que qualquer um faria
para defender a terra e a vida.
Os Shawnee são uma das mais de 20 tribos do Território do Ohio.
Parte da área entregue pelos Ingleses
aquando do Tratado de Paris,
que pôs termo à Revolução Americana.
Mas é uma terra que os ameríndios reclamam há várias gerações.
O princípio nuclear do Tratado de Paris
é que os Britânicos deixem o Midwest,
cedendo aquela enorme área de terra aos Americanos.
Mas ainda havia as tribos ameríndias, claro,
que não tinham assinado o Tratado
e não estavam dispostas a aceitar que os Americanos
ultrapassassem a barreira dos Montes Apalaches.
Tecumseh passara toda a vida a combater a expansão americana.
Foi criado pelo Chefe Blackfish, lendário guerreiro Shawnee
que morreu a combater como aliado dos Britânicos durante a Revolução.
A infância de Tecumseh foi muito traumatizante.
Os ataques de brancos
mataram-lhe o pai e um irmão mais novo,
quando ainda era muito jovem.
Estava sempre a mudar-se, para tentar evitar os ataques.
Aos dez anos,
a família de Blackfish acolheu-o e tratou-o como filho adoptivo.
Depois, com a morte de Blackfish, perdeu outra figura paterna
e outro...
... herói.
Decidido a expulsar os colonos do Ohio,
Tecumseh junta guerreiros de várias tribos
em ataques de guerrilha por toda a Fronteira.
Ao longo do ano seguinte, 2500 Americanos foram mortos.
Só num ataque,
os guerreiros ameríndios mataram mil milicianos locais.
Os ameríndios consideram os EUA fracos em termos militares.
Para eles, eram capazes de vencer os Americanos e recuperar o Ohio.
TERRITÓRIO DO OHIO
Em 1793, o fluxo de colonos trava,
criando uma crise na capital da nação.
O Presidente George Washington estava a começar o segundo mandato
e o Governo devia mais de 75 milhões de dólares
à França, à Espanha e à Holanda,
países que haviam ajudado a financiar
a Guerra Revolucionária.
Para pagar a dívida, Washington contava
que os colonos comprassem terra na Fronteira.
Cada hectare custava um dólar
e o Governo tinha 65 milhões de hectares para vender.
A única forma de pagar as dívidas era vendendo as terras no Oeste.
Mas os povos ameríndios não estavam dispostos a aceitar
que os Americanos ultrapassassem a barreira dos Montes Apalaches
e atacaram.
Isso é um entrave à venda das terras
com que o Governo Federal conta para equilibrar o orçamento.
Quatro anos antes,
Washington criara o primeiro exército profissional dos EUA.
Agora, enviava dois mil homens para o território do Ohio,
para esmagar a resistência ameríndia
e retomar a venda de terras na Fronteira.
Washington percebe que a chacina tem de parar.
Isso leva o Estado a enviar tropas
para criarem uma barreira de protecção
aos colonos americanos na região.
Isso visava encorajar as pessoas
a continuarem a mudar-se para a Fronteira,
que, como era do entendimento geral, na altura,
seria o futuro dos EUA.
TERRITÓRIO DO NORTE DO OHIO 20 DE AGOSTO DE 1794
Entre os oficiais do Exército
está um homem que haveria de ser presidente,
William Henry Harrison.
William Henry Harrison era um homem muito ambicioso
e viu no Oeste
um trampolim
para ganhar estatuto e poder a uma escala nacional.
Um dos oficiais de Harrison é um jovem tenente,
que, dentro de apenas 12 anos,
liderará uma das maiores expedições da história americana.
Chama-se William Clark.
O seu irmão lutou ao lado de Daniel Boone, na Revolução,
e ele anseia por ganhar nome por si.
William Clark era o irmão mais novo de um homem muito famoso,
George Rogers Clark.
George Rogers Clark tivera um papel vital
na Guerra Revolucionária, no Oeste.
William toda a vida fora comparado com o irmão mais velho, o famoso.
Queria afirmar-se por si.
A missão do exército é clara: erradicar a ameaça ameríndia.
Mas a resistência tinha agora 1500 guerreiros, de várias tribos,
incluindo os Shawnee, de Tecumseh.
Secretamente, andavam a vigiar o exército pelo Ohio.
Fogo!
Disparar!
Recuar!
TERRITÓRIO DO OHIO 20 DE AGOSTO DE 1794
Na ponta noroeste do actual Ohio,
William Henry Harrison e a brigada do Exército dos EUA
enviada por George Washington para proteger a Fronteira
estão a ser atacados
por guerreiros ameríndios, entre os quais Tecumseh.
Retirar!
Vamos!
O Tenente William Clark reorganiza os homens para contra-atacar.
Preparem as baionetas.
À minha ordem.
À carga!
Fogo!
Fogo!
É a maior força militar que ameríndios como Tecumseh
enfrentaram em batalha.
Fogo!
É uma verdadeira chacina.
Retirar! Retirar!
Vencidos e em menor número, os ameríndios batem em retirada.
A batalha foi um ponto de viragem.
Os ameríndios tinham uma sensação de esperança.
Acreditavam que estavam em posição de superioridade
em relação aos EUA.
Foi aqui que perceberam que não era o caso.
O conflito ficaria conhecido por Batalha de Fallen Timbers
e foi essa batalha que mudou o equilíbrio de poderes na Fronteira.
Em um ano,
no Fort Greenville, no oeste do Ohio,
Harrison celebra um tratado de paz com os líderes ameríndios.
Cientes de que jamais vencerão o poderoso exército norte-americano,
mais de uma dúzia de tribos
entrega as suas terras no Território do Ohio,
cedendo 65 000 km2 para uma colonização pacífica.
Mas algumas tribos recusam aceitar a derrota.
Tecumseh não assinou o Tratado de Greenville,
porque aquela era a sua terra, a terra do seu povo,
a terra por que o seu pai e o seu irmão haviam dado a vida.
Só assinaria alguma coisa com o próprio sangue.
Tecumseh retirou-se para lá do rio Ohio,
para planear o próximo ataque.
Ao longo da década seguinte,
42 mil Pioneiros tiram partido da paz alcançada,
deslocando-se para os actuais Ohio e Indiana,
em busca de uma nova vida na Fronteira.
As pessoas que iam para a Fronteira
queriam uma nova vida,
queriam ganhar dinheiro e ter terra.
Uma característica dos Americanos
é gostarem da ideia de escolherem o seu próprio destino.
E a Fronteira foi o destino para muitos Americanos.
Com a Fronteira em aparente paz,
muitos Americanos sentem-se confiantes.
Mas, em Washington, o Presidente recém-eleito, Thomas Jefferson,
não está convencido.
Vê uma nação recente rodeada por impérios poderosos
desejosos de terra.
A França a sul, a Espanha a sudoeste.
E a maior das ameaças: a Grã-Bretanha a norte.
Quando os Britânicos reconheceram a independência americana,
fizeram-no achando que continuariam a ter influência,
que continuariam a mandar na zona oeste da América do Norte.
Suspeitavam da ascensão dos EUA.
Jefferson acreditava que só havia uma forma de proteger a América.
A expansão.
Jefferson tinha uma visão para o futuro da América.
Segundo ele,
para a América ser um país livre e independente,
tinha de ser um país de proprietários de terras livres.
E, para isso acontecer, o país tinha de se expandir.
Ao olhar para oeste,
Jefferson via apenas um espaço vazio.
Viu uma espécie de tábua rasa e não queria partilhar a América
com potências do mundo antigo,
como a França, a Espanha ou a Grã-Bretanha.
Quis preparar o caminho para o controlo do continente,
entre o Atlântico e o Pacífico por parte da América.
Para concretizar a sua visão, Jefferson arriscou tudo.
Na Primavera de 1803,
negoceia, em segredo, com Napoleão,
a compra do porto francês de Nova Orleães.
Jefferson sabia que quem controlasse Nova Orleães
controlaria o vale do Mississippi.
Para seu espanto, os Franceses ofereceram o resto da Louisiana.
Jefferson não queria a Louisiana.
Foi Napoleão que lha ofereceu de bandeja.
O negócio ficou conhecido por Compra da Louisiana.
Esta vasta área custou 15 milhões de dólares,
o equivalente a 250 milhões, hoje.
Estende-se do Mississippi às Rochosas,
e do Golfo do México ao Canadá,
duplicando a área da América da noite para o dia.
A Compra da Louisiana foi o melhor negócio imobiliário de sempre.
E não só na América, no mundo inteiro.
E Thomas Jefferson teve coragem
para fazer o negócio rapidamente.
Mas nem toda a gente concordou com a Compra da Louisiana.
Os inimigos de Jefferson diziam
que o Presidente estava a comprar terra de que não precisava
com dinheiro que não tinha.
Mas Jefferson sabia identificar um bom negócio
e que aquele era, talvez, o momento mais importante
da história dos EUA.
O Presidente tem um plano
para provar que os cépticos estavam errados.
Enviar uma expedição para explorar a terra nova.
Mas não se ficará por aí.
O objectivo é ir até ao Pacífico
e reclamar a costa oeste do continente para os EUA.
Foi preciso um homem como Jefferson,
que nunca se afastou mais de 80 km da sua terra,
para ter esta visão
e criar o chamado Império de Liberdade.
Portanto, este episódio
está entre os mais importantes da história da fundação da América.
WASHINGTON, D.C. 1803
O Presidente Thomas Jefferson tem de explorar
mais de dois milhões de quilómetros quadrados de terra recém-comprada
e encontrar uma rota comercial para o Oceano Pacífico.
Para liderar a missão, Jefferson recorre a uma ajuda fiável,
um velho amigo da família chamado Meriwether Lewis.
Envia isto imediatamente.
Thomas Jefferson conhecera o pai de Meriwether Lewis.
Conhecia-o praticamente desde criança.
Foi secretário do Presidente Thomas Jefferson durante dois anos.
Thomas Jefferson sabia
que Meriwether Lewis era muito inteligente.
Sabia também que ele entenderia qual era o objectivo.
E, claro, esperava que o levasse a cabo.
Para Lewis, é a oportunidade de uma vida,
que lhe caiu nos braços, apesar do passado atribulado.
10 ANOS ANTES
Enquanto servia, no Exército,
Lewis envolveu-se em várias querelas,
o que o levou ao tribunal marcial,
acabando por ser transferido para um posto avançado remoto, no Ohio.
O seu comandante era William Clark,
o herói da Batalha de Fallen Timbers,
que lhe mudará a vida.
Não tolerarei lutas entre homens sob o meu comando.
Entendido?
Sim, senhor.
Pode retirar-se.
O pai de Lewis morreu quando ele ainda era muito jovem.
É possível que Lewis procurasse uma figura paterna
ou uma figura de estabilidade na sua vida.
Creio que Clark percebeu depressa que Lewis era muito inteligente,
mas que também era perturbado.
Sob o comando de Clark, Lewis aprendeu estrutura e disciplina
e foi subindo na hierarquia militar.
Em 1800, foi promovido a capitão.
Clark teve um efeito estabilizador em Meriwether Lewis.
A partir desse momento, tornaram-se muito bons amigos.
Clark foi sempre o "irmão mais velho",
que fazia o possível para controlar o amigo impetuoso
e mantê-lo na linha.
Em 1801, Lewis foi chamado à Casa Branca.
Agora, dois anos mais tarde,
preparava-se para a expedição mais ambiciosa
da história do recém-criado país:
explorar o território da Louisiana, adquirida recentemente.
O Missouri
talvez nos leve até à costa oeste.
Veja.
Lewis passa quase um ano a aprender tudo sobre a Fronteira.
Jefferson tem uma das melhores bibliotecas do mundo
e dá a Lewis um curso rápido sobre geografia e ciência.
Jefferson ajudou-o a compreender o que é a latitude e a longitude.
Lewis trabalhou com o botânico mais famoso da América.
Aprendeu umas noções de medicina
e, em alguns meses,
Lewis adquiriu as competências
que um explorador tem de ter.
Mas, apesar da preparação,
nem Lewis nem Jefferson podiam prever
aquilo com que a expedição se poderia deparar.
A área central do continente era totalmente desconhecida.
Não sabiam o que havia lá.
Nem Americanos nem Europeus tinham explorado aquela região.
E Jefferson até achava que havia dinossauros lá.
TERRITÓRIO DO LOUISIANA A 32 KM DE ST. LOUIS, MISSOURI
Em Maio de 1804, Lewis chega ao Missouri,
o ponto de partida para a expedição
e reencontra-se com o mentor que escolhera para a missão.
Capitão Lewis?
Capitão Clark!
É um prazer revê-lo.
Clark considerava Lewis um génio.
Foi convidado a juntar-se a ele, à última hora.
E fê-lo com muita satisfação.
Queria participar na missão heróica de atravessar o continente.
Cuidado, rapazes. Vamos. Com as duas mãos.
Isso mesmo.
As qualidades de Lewis e Clark,
os seus pontos fortes, complementam-se.
Muito bem.
Era impossível haver uma dupla melhor
tão bem posicionada para levar a América àquela região.
Lewis e Clark haviam de liderar 45 homens para o Oeste,
para lá dos limites da civilização conhecida.
Esperam que o Rio Missouri desagúe no Oceano Pacífico.
Mas é um território desconhecido.
O mapa que Lewis e Clark levaram
era até St. Louis e depois, era tudo em branco.
Leve isto para a frente. Obrigado.
Desconhecendo os perigos que os esperavam,
os homens reúnem o maior arsenal que a Fronteira alguma vez viu.
Isto que não se molhe.
Foi a expedição mais brilhantemente planeada de sempre.
Tinham armas, pólvora, munições, chumbo
e levavam medicamentos...
Consta que levavam quase 30 toneladas de material.
A 21 de Maio de 1804,
Lewis e Clark iniciaram a viagem para oeste.
Tentar atravessar o continente americano
e chegar ao Oceano Pacífico
é semelhante ao que Neil e Buzz enfrentaram, na Apollo XI,
quando pisaram a superfície da Lua.
Lewis e Clark não fazem ideia do que vão encontrar
ou...
... se conseguirão voltar vivos.
WASHINGTON, D.C. MAIO DE 1804
O Presidente Thomas Jefferson enviou Lewis e Clark
numa missão de exploração do território da Louisiana,
para encontrarem uma rota até ao Oceano Pacífico.
Se tiverem sucesso, abrirão vastas áreas novas ao comércio americano.
Isso justificará a jogada mais arrojada da carreira de Jefferson.
Thomas Jefferson sabia que tinha de haver algo naquela terra,
mas não sabia o quê.
Foi um risco mandar Lewis e Clark.
O plano era usar o Rio Missouri como uma espécie de auto-estrada,
seguindo para oeste até onde fosse possível.
Jefferson imaginava um sistema de auto-estradas formadas por rios,
sem barreiras,
que permitia atravessar o continente com a maior facilidade.
Devia imaginar que não era bem assim.
No início do Inverno de 1804,
Lewis e Clark estavam estagnados no actual Dakota do Norte.
Tinham andado pouco mais de mil quilómetros
depois de St. Louis.
Construíram um abrigo chamado Fort Mandan.
Atraiu vários caçadores e mercadores,
que arriscavam seguir para oeste.
No Fort Mandan, havia também mercadores britânicos e franceses,
abrigados no Mandan.
Então, perguntavam a toda a gente o que podiam esperar encontrar.
Não tardaram a perceber que não podiam chegar mais longe por água,
que teriam de continuar por terra.
Até que, em Novembro,
conheceram um caçador franco-canadiano e a mulher,
uma Shoshone de 17 anos,
chamada Sacagawea.
Sacagawea seria muito importante na expedição de Lewis e Clark.
Podia fazer a ponte entre eles e os índios locais,
explicar-lhes qual era o propósito de Lewis e Clark.
Além disso, terem uma mulher com um bebé do seu lado,
era um sinal universal de que vinham em paz.
Com novos planos em mente,
Lewis e Clark esperam que o Inverno passe, no Dakota do Norte.
A quase dois mil quilómetros dali,
Os colonos continuaram a instalar-se
em território ameríndio.
Com eles, chega a disseminação da uma doença fatal...
... a varíola.
Atinge com muita intensidade os Shawnee de Tecumseh.
A epidemia de varíola foi um revés tremendo para os Shawnee
e para os seus vizinhos.
A morte assolou um povo
que já estava desestabilizado
por uma série de outros factores.
Tecumseh tinha-se retirado naquilo que é hoje o Indiana,
depois de ter sido vencido pelo Exército americano
na Batalha de Fallen Timbers,
com a esperança de engendrar um novo plano para resistir
à expansão americana para oeste.
Mas esta crise inesperada
deita por terra todos os seus planos.
Na Primavera de 1805,
Lewis e Clark seguem a nova guia Sacagawea,
para o meio do desconhecido.
Procuram uma rota por terra até ao Pacífico.
Se conseguirem, abrirão o Oeste ao sonho de Jefferson
e ao maior receio de Tecumseh...
... mais colonos.
Haviam ido além de qualquer mapa conhecido,
traçando novos mapas, durante a viagem.
Além disso, identificaram 300 novas variedades de plantas e animais,
mudando completamente o que se sabia sobre a vida selvagem
dos EUA.
Jefferson queria que esta também fosse uma expedição científica.
Ele sempre tivera curiosidade em relação à Fronteira.
Aliás, tinha curiosidade em relação a muitas coisas,
incluindo a flora e a fauna da Fronteira,
coisas que nunca tinha visto.
Lewis e Clark passaram centenas de horas a recolher dados
e a fazerem repetidas observações.
Latitude, longitude, descrições de animais e de plantas,
recolha de amostras de minerais...
Lewis descobriu 122 animais.
O carneiro-selvagem, o urso-pardo e o antilocapra.
Clark fazia os registos por estimativa
e produziu um mapa incrivelmente preciso do Oeste americano.
Foi uma expedição científica muito proveitosa.
Mas foi também uma viagem cheia de perigos.
Para se ter uma ideia de quão misterioso era o Oeste
para a expedição de Lewis e Clark,
imagine-se que eles consideravam ser possível
encontrarem mamutes pelo caminho.
Era tão estranho para eles
como seria para nós aterrarmos em Marte.
Quando Lewis partiu, a 7 de Abril de 1805,
entravam num território muito perigoso.
Iam fazer uma longa viagem, talvez até fatal.
E estavam sozinhos,
vulneráveis,
no meio de um território inóspito.
TERRA DE NINGUÉM AGOSTO DE 1805
Nas profundezas da América inexplorada,
para lá de qualquer mapa conhecido,
Lewis e Clark sofrem uma emboscada de uma tribo desconhecida.
Estão em muito menor número
e só lhes resta confiar na sua guia de 17 anos, Sacagawea.
Estão no nosso território.
Viemos em paz.
Foi, sem dúvida, o momento mais tenso da expedição.
Lewis e Clark só falavam inglês
e ela estava a conversar com um ameríndio.
Estavam muito assustados.
Podia estar a preparar-lhes uma armadilha ou pior.
Sacagawea...
Por coincidência,
o líder era um irmão que Sacagawea não via há muito.
Ela nascera Shoshone, na fronteira entre o Montana e o Idaho.
Por volta dos 11 anos,
foi capturada por um grupo armado Hidatsa,
e estivera muitos anos desaparecida.
Julgava-se que nunca mais voltaria.
De repente, aparecia com aqueles brancos.
Ao olhar para o homem, reconheceu o irmão.
Foi uma espécie...
... de milagre Shoshone.
Lewis e Clark foram bem recebidos pelos Shoshone
e Sacagawea ajuda-os a fazerem negócio.
Como a expedição tem de continuar por terra,
precisam de cavalos.
O melhor que ela fez pela expedição
foi ajudar a consolidar aquela relação.
Assim, os Shoshone venderam 28 cavalos a Lewis e Clark.
Lewis e Clark propuseram-lhe
que ficasse com o seu povo, os Shoshone,
mas ela escolheu continuar com eles.
Deve ter sentido
que fazia parte de algo maior do que alguma vez sonhara.
Lewis e Clark continuaram para oeste,
decididos a cumprir o desejo de Jefferson: chegar ao Pacífico.
Mais a este, no território do Indiana,
a epidemia de varíola continuava, com um efeito devastador,
matando milhares de Shawnee.
O que acontece a uma cultura, a uma sociedade,
se perder 80% da sua população?
Foi uma calamidade para os Shawnee e eles ficaram muito fracos.
Havia confusão e desespero.
Desencadeou uma espécie de mania religiosa.
Uma busca pela causa para o castigo que havia caído sobre o povo.
Uma possível resposta vem de uma origem inesperada.
O irmão de Tecumseh, Tenkswatawa.
Eu morri
e fui para o mundo
lá em cima.
E vi.
O irmão mais novo de Tecumseh era a ovelha negra da família.
Era disparatado, medroso
e alcoólico.
Até que a sua vida deu uma volta.
Hão-de continuar a ser punidos,
a menos que sigam comigo pela porta que vos abro.
Teve uma visão espiritual
e acreditava ser a encarnação da mensagem
que havia de salvar os Shawnee.
Segundo Tenkswatawa,
a visão revelou o passado e o futuro da tribo,
mostrando que a salvação
estava na rejeição das influências modernas
e no regresso ao estilo de vida tradicional.
A notícia das suas visões espalhou-se
e indígenas de várias tribos, até de tribos inimigas, vieram ouvi-lo.
Tecumseh viu naquela reunião inédita uma oportunidade estratégica.
Os brancos não são amigos dos Índios.
Encorajam o ódio e o medo
entre tribos vizinhas.
Tecumseh reconhece que, para sobreviverem à incursão dos brancos,
os ameríndios têm de se unir.
Irmãos, pertencemos todos a uma família.
Tecumseh sabia que não poderia liderar aquelas pessoas
como se fossem uma só nação índia.
Tinha de criar uma nação índia maior.
É uma estratégia inspirada no exemplo dos próprios EUA.
Tecumseh viu as várias colónias unirem-se,
após a Revolução Americana,
e viu que isso até correu bem nos novos EUA.
Por isso pensou criar as "Nações Índias Unidas".
Porque não juntá-las todas?
A ideia era criar uma nação pan-índia soberana,
mesmo ao lado dos EUA,
dos Montes Apalaches ao Rio Mississippi.
Nunca se tinha tentado unir outras nações ameríndias,
de modo a deter eficazmente a cessão de terras por parte dos EUA.
Tecumseh encabeçou esse movimento,
que haveria de mudar para sempre a nação ameríndia.
Para isso, Tecumseh enceta uma missão diplomática,
viajando pela Fronteira, para recrutar um exército.
Tecumseh andou em digressão.
Falou, cara a cara,
sobre o que significava defenderem as suas terras
e a sua cultura e identidade.
Era muito eloquente.
Se todos nos unirmos,
havemos de manchar a terra com o vermelho do sangue deles.
Conquistou corações e mentes.
Com o aumento da sua influência,
começam a ouvir-se rumores sobre a campanha de Tecumseh,
criando uma crescente preocupação nas colónias da Fronteira.
O conceito de uma aliança pan-índia
causou medo no Governo americano e na população em geral.
Não nos esqueçamos de que a Revolução Americana
foi bem-sucedida, porque as várias colónias
se uniram e cooperaram entre si.
Teoricamente, se Tecumseh conseguisse unir
as tribos do Midwest,
do Delta do Mississippi até ao Minnesota,
talvez conseguissem vencer a América.
Com o futuro da Fronteira em jogo,
a aliança pan-índia de Tecumseh
prepara-se para a guerra.
TERRA DE NINGUÉM SETEMBRO DE 1805
Ao longo de um ano, Lewis e Clark
percorreram mais de mil quilómetros de terras inexploradas,
em busca de uma rota terrestre até ao Pacífico
para expandirem a nação americana.
Agora, deparavam-se com um obstáculo aterrador:
as Montanhas Rochosas.
Com mais de quatro mil metros de altura,
estendem-se por cinco mil quilómetros,
atravessando o continente.
E o Inverno está a chegar.
Lewis e Clark nunca tinham visto algo como as Montanhas Rochosas.
Os montes maiores que tinham visto eram os Apalaches.
Por isso, não tinham a menor noção daquilo com que se deparavam.
Além de serem montanhas muito mais altas,
segundo Lewis, as montanhas a oeste estavam sempre cobertas de neve
e não se via o fim da cordilheira.
Quando Meriwether Lewis
viu cerca de 100 km de picos cobertos de neve,
deve ter ficado estupefacto.
Deve ter achado que era o fim da expedição,
que não tinha qualquer hipótese de sucesso.
A mais de mil quilómetros da colónia mais próxima,
Lewis e Clark podiam voltar para trás...
... ou tentar atravessar as montanhas antes do Inverno.
Para eles,
a escolha pareceu óbvia.
A 1 de Setembro, a expedição começa a subida...
... embarcando na etapa mais perigosa da viagem até então.
Já pilotei em contexto de combate,
enquanto piloto da Marinha, piloto de testes e astronauta
e é por isso que penso que, quando fazemos algo muito difícil,
é inevitável que haja obstáculos e desafios muito duros de superar.
Aqueles que colocam logo os braços no ar
e se rendem
nunca vencem.
Para mim, corajoso é aquele que é capaz de trabalhar arduamente
para alcançar um objectivo...
... que é inerentemente perigoso.
A cada pico que passam,
a temperatura desce 10 graus.
Quando se instala o frio, fica tudo mais difícil.
O cérebro abranda, o corpo também. Precisamos de mais energia
e há menos disponível. Menos comida, menos lume...
Então, as pessoas começam a fraquejar.
E, se não prosseguirem, se não conseguirem ir buscar forças,
não têm hipóteses de sobreviver.
O ritmo abranda. Passam a fazer apenas 16 km por dia.
Àquela altitude, não há animais para caçar,
por isso têm de comer os cavalos de carga para sobreviverem.
Um grupo como o de Lewis e Clark a viajarem por terras inóspitas,
principalmente com tanto frio, exige imensa comida.
O corpo humano, sujeito àquelas condições,
precisa de duas a quatro mil calorias por dia.
Quase duas semanas depois de ter entrado nas Rochosas,
a expedição esgota os recursos de comida...
... e vê-se obrigada a comer velas feitas de gordura animal
para sobreviver.
Após 28 dias de muitas dificuldades,
Lewis e Clark ultrapassam as Rochosas
e dirigem-se para o Pacífico.
Para prosseguirem, tinham de ter outra motivação.
Não estava em causa terem comida ou sobreviverem,
mas sim um sentido de dever, de missão.
Um mês depois,
a expedição chega ao Rio Columbia, no actual Oregon.
Então, a 15 de Novembro de 1805,
depois de terem percorrido mais de seis mil quilómetros,
Lewis e Clark chegam, finalmente, ao Pacífico.
É incrível pensarmos nos desafios que tiveram de superar.
E fizeram-no durante meses consecutivos,
alimentando-se da terra, sobrevivendo à sua custa.
Lewis e Clark merecem ser considerados
os maiores exploradores
da história da América, aqueles que deram à América novos territórios
e uma nova identidade enquanto país.
A expedição de Lewis e Clark foi a primeira
a travessar a América do Norte por terra.
Construíram um forte na linha costeira, no território do Oregon.
reclamando orgulhosamente a terra para os EUA.
Parabéns, Capitão.
Lewis e Clark queriam que o mundo soubesse que tinham estado lá.
Não era só para se gabarem.
Era para reclamarem o território onde tinham construído
a infra-estrutura temporária.
Foi o primeiro,
e mais significativo, gesto
para a conclusão do território continental americano.
Mas a Grã-Bretanha também tem interesses no Noroeste do Pacífico
e considera aquele forte americano uma afronta.
Em Março de 1806,
depois de construírem um forte na costa do Pacífico
e satisfazerem o desejo de Thomas Jefferson de expansão da nação,
Lewis e Clark começam a viagem de seis mil quilómetros de regresso.
Quando Jefferson soube que Lewis e Clark atravessaram o continente,
disse que tinha lido, com alegria, essa novidade, numa carta de Lewis.
A sua crença de que o continente podia ser atravessado
e cartografado foi confirmada.
Eles abriram o Oeste para os homens da Fronteira seus sucessores,
porque, depois de terem descrito o que havia lá,
o desconhecido tornou-se parcialmente conhecido.
De parcialmente conhecido a colonizado foi só mais um passo.
A Grã-Bretanha considera a expansão americana uma ameaça.
Quando Lewis e Clark içaram a bandeira americana,
estavam bem para lá dos limites da Compra da Louisiana.
O Pacífico é muito importante para a Grã-Bretanha.
O negócio de peles na costa oeste era muito antigo
e estava ameaçado pela chegada dos Americanos.
Embora, tecnicamente, o Noroeste do Pacífico seja
"terra de ninguém",
os Britânicos estavam entrincheirados para lá da fronteira com o Canadá
e tinha muito interesse em dominar o comércio de peles lá.
Entre 1800 e 1810,
os Britânicos facturaram 2,8 milhões de libras em peles.
O equivalente a 22 mil milhões de dólares, actualmente.
O comércio de peles, principalmente o de pele de lontra para a China,
era talvez a actividade económica mais lucrativa do mundo, na altura.
Para afastar os EUA,
os Britânicos criaram problemas na Fronteira,
uma táctica já usada durante a Revolução.
FORT MALDEN, CANADÁ JUNHO DE 1808
Os Britânicos perceberam que os EUA jamais voltariam a ser uma colónia.
Mas quiseram proteger o Canadá.
E a melhor forma de o fazer, no Noroeste,
era criar uma espécie de "estado tampão" ameríndio na Fronteira.
Os Britânicos tentaram aliar-se a uma potência crescente na Fronteira,
Tecumseh,
que, agora, liderava uma força de cinco mil guerreiros.
Convidaram-no para uma reunião.
Obrigado por se reunir connosco.
O seu povo e o meu têm um inimigo comum.
Os Americanos roubaram a vossa terra
e agora querem roubar a nossa.
Juntos podemos fazê-los recuar.
Os Britânicos chamaram Tecumseh ao Canadá, para conversarem.
Muito do que lhe dizem não lhe é estranho.
"Não confie nos EUA."
"Se a Grã-Bretanha recuperar o controlo,
a expansão para oeste será detida."
Mas Tecumseh não confia nos Britânicos.
Confiante na sua força,
Tecumseh rejeita a proposta
e continua a construir a sua aliança.
Em 1808,
criou a primeira aldeia pan-índia.
Em homenagem ao irmão, chamou-lhe "Prophetstown".
Pela primeira vez, membros de tribos inimigas vivem juntos.
Prophetstown não tarda a ter três mil habitantes
e não pára de crescer.
A mensagem de Tecumseh chegou longe,
passando de boca em boca,
por mensageiros que corriam pelas florestas.
E muitos ameríndios foram para Prophetstown,
por quererem sentir o seu poder
e ouvir a sua mensagem em primeira mão.
Enquanto Tecumseh forja a sua inédita união pan-índia,
os dois líderes da expedição ao Oeste voltam para St. Louis.
Na altura, não foi dada a devida importância à missão.
Os registos nem foram logo publicados
e muitos Congressistas nem perceberam o que se tinha passado.
Os rumos de Lewis e Clark divergirão, nos anos seguintes.
Clark dá-se bastante bem, depois da expedição.
Aliás, aproveita a fama e leva uma vida bem-sucedida.
Clark torna-se Brigadeiro-General do Exército
e, depois, veio a ser o primeiro Governador do Missouri.
Mantém-se próximo de Sacagawea, ao longo dos tempos.
Quando ela morreu inesperadamente, em 1812,
Clark fica com a guarda legal dos filhos dela.
Enquanto Clark prospera,
o mesmo não se pode dizer do seu parceiro.
A história de Meriwether Lewis é, em certa medida, trágica,
porque, apesar de ser o promotor do que, hoje, consideramos
um dos maiores feitos da história americana,
Lewis considerava essa iniciativa um fracasso,
porque não obteve qualquer benefício substancial
do trabalho que ele e Clark tiveram.
Nunca se chega a casar
e continua a debater-se com o álcool e a depressão.
Era amigo do Presidente,
e líder da exploração mais bem-sucedida da história dos EUA.
Vá-se lá saber porquê, a vida não lhe corre bem, quando regressa.
E ele sofria com isso. Numa carta, a dada altura, disse:
"Nunca me senti tão pouco herói como agora."
Em Outubro de 1809,
isolado e só,
Meriwether Lewis suicida-se.
No território do Indiana,
o poder e a influência de Tecumseh crescem
e ele parte para o ataque.
VINCENNES TERRITÓRIO DO INDIANA
Em Agosto de 1810,
exige reunir-se com um antigo adversário,
William Henry Harrison,
para negociar a devolução pacífica de terras confiscadas,
depois da Batalha de Fallen Timbers.
Agora Governador do Indiana,
Harrison aceita o convite,
mas o seu objectivo não podia ser mais diferente.
Fogo!
William Harrison estava comprometido com a expansão do Oeste,
entregando terra aos brancos, aos Norte-americanos.
E não olhava a meios para atingir os seus fins.
15 DE AGOSTO DE 1810
Por favor,
sente-se.
Como posso ajudá-lo, a si e aos Shawnee?
Não estou aqui em representação dos Shawnee,
Estou aqui em nome
das "Nações Índias Unidas".
Roubou-nos a nossa terra.
Queremo-la de volta.
Não vos roubei nada.
Negociei essas terras, em nome do Governo dos EUA.
Se não concorda com os termos,
tem de se queixar aos chefes que assinaram os tratados,
não a mim.
TERRITÓRIO DO INDIANA AGOSTO DE 1810
Se não concorda com os termos,
tem de se queixar aos chefes que assinaram os tratados,
não a mim.
Num acampamento militar Americano no território da Fronteira,
a tensão na negociação entre antigos combatentes,
Tecumseh e William Henry Harrison...
... sobe de tom.
Em breve, chegará o tempo de lutar.
Mas não vim para isso, hoje.
Tecumseh deixou a primeira reunião histórica com William Henry Harrison
perfeitamente consciente de que não haveria...
... uma resolução justa com os EUA
e de que o conflito era inevitável.
Decidido a vencer o conflito inevitável,
Tecumseh duplica os esforços para recrutar mais guerreiros.
TERRITÓRIO DO INDIANA 7 DE NOVEMBRO DE 1811
Ciente da ausência do líder Shawnee,
Harrison marcha para a sua capital,
Prophetstown.
Harrison alega que foi lá apenas para conversar.
Mas tudo indicia que a sua intenção era mesmo atacar.
Leva mais de mil homens.
Não estão, de modo algum,
preparados para se defenderem de um ataque.
Tu, vai com ele.
Ainda assim, Harrison destrói Prophetstown.
Sem ordens de Washington,
Harrison ataca, reduzindo a aldeia a cinzas.
William Henry Harrison sabe que eliminar Tecumseh
faria dele um herói nacional.
Podia destruir Prophetstown na ausência de Tecumseh
e incendiar-lhe a capital
e aterrorizar as tribos.
Para enviarem uma mensagem bem clara,
os homens de Harrison não se limitam a destruir.
Cometem actos hediondos.
Vai às campas de Prophetstown,
ordena aos homens que exumem os corpos,
os mutilem e os deixem ali mesmo.
Foi uma guerra psicológica inimaginável.
Conhecida por Batalha de Tippecanoe,
fez de Harrison uma figura nacional.
Dias depois,
Tecumseh é informado da destruição de Prophetstown,
enfurecendo as tribos por toda a Fronteira.
Espicaçou ainda mais a aliança ameríndia
que Tecumseh já estava a criar.
Provocou a fúria em relação a Harrison e aos EUA.
Limpem a névoa que vos tolda a visão.
Quando chegar a hora,
havemos de pisar Tippecanoe
de tal forma que a Terra há-de tremer.
Num discurso à nação Muscogee, em Dezembro de 1811,
Tecumseh diz que a sua vingança há-de abalar a Terra.
Na noite seguinte...
... as suas palavras concretizam-se.
Tecumseh, o chefe guerreiro dos Shawnee,
passou anos a construir uma coligação pan-índia
para resistir ao acordo americano
e recuperar as suas terras
Limpem a névoa que vos tolda a visão.
Depois da destruição de Prophetstown
um enfurecido Tecumseh quer vingança.
Quando chegar a hora,
havemos de pisar Tippecanoe
de tal forma que a Terra há-de tremer.
Na noite seguinte...
... a profecia de Tecumseh parece tornar-se realidade.
Toda a Fronteira é assolada por três terramotos consecutivos,
com uma intensidade estimada de 7.9 na escala de Richter.
Conhecidos por Terramotos de New Madrid,
foram de tal forma intensos que se sentiram em meia dúzia de estados.
Os terramotos de New Madrid foram impressionantes.
Tiveram um impacto incrível.
A Terra teve um comportamento inédito.
Pareceu tratar-se de um evento apocalíptico sobrenatural.
Isso associado a Tecumseh e à sua mensagem
reforçou o estatuto mítico,
quer o seu, quer o do movimento.
Com poderes reforçados por esse sinal,
Tecumseh recruta ainda mais guerreiros.
Para garantir a vitória,
Tecumseh alia-se ao maior inimigo dos EUA.
Os Britânicos.
Tecumseh decide juntar-se ao Britânicos,
porque vê vantagem estratégica,
para pôr fim à intrusão dos colonos em terras ameríndias
e, em última análise, para recuperar o seu território.
Não tarda a chegar a Washington
a notícia da aliança entre Tecumseh e os Britânicos.
Para o Presidente James Madison, esse é apenas o mais recente
da crescente série de insultos dos Britânicos.
Madison achava que os Britânicos não tratavam os EUA com o respeito
que os EUA mereciam, enquanto país independente e soberano.
Os Britânicos cercaram embarcações americanas em alto mar,
sequestraram marinheiros americanos,
muniram e provocaram os ameríndios, no Oeste.
WASHINGTON, D.C. 1812
Declaramos guerra à Grã-Bretanha...
A 18 de Junho de 1812,
quase 30 anos depois de terem conquistado a independência,
os EUA declaram guerra à Grã-Bretanha.
Há quem considere a guerra de 1812
a segunda guerra da independência.
A prioridade do Presidente
é enviar reforços para o Fort Detroit,
no actual Michigan.
Fica na fronteira do Canadá britânico
e quem o controlar controla a Fronteira americana.
Quando 200 homens do Exército dos EUA avançam para norte,
Tecumseh arma-lhes uma emboscada com 24 guerreiros
e um astuto plano de ataque.
Uma das marcas da estratégia militar de Tecumseh
era fazer crer que tinha mais homens do que tinha de facto.
Andavam de um lado para o outro,
fazendo barulho e levantando poeira,
para que desse a entender que tinha muitos mais homens.
Quando avançavam para o Fort Detroit,
200 soldados americanos foram surpreendidos por Tecumseh
e 24 guerreiros.
Apesar de ter muito menos homens, Tecumseh vence
e dirige-se, agora, para o Fort Detroit.
Detroit é muito importante,
por ser a entrada no chamado "Upper Canada",
a zona onde, actualmente, é Ontário.
Detroit era o centro administrativo dos Grandes Lagos.
Portanto, era o centro de controlo de todo o Oeste americano.
FORT DETROIT 16 DE AGOSTO DE 1812
Em 1812, Tecumseh já era uma lenda em toda a Fronteira.
Aterrorizados pela sua fama,
os soldados que protegiam o forte entregaram-se sem resistir.
Graças à incompetência do comandante de Detroit,
Tecumseh e os seus aliados britânicos
conquistaram o Fort Detroit
sem dispararem um tiro.
Com a rendição americana,
os Britânicos controlavam o forte mais importante da Fronteira.
Depois de uma vida de violência exercida pela Expansão americana,
Tecumseh tem agora a possibilidade de se vingar.
Por favor...
Tratem estes homens como prisioneiros de guerra.
Tecumseh pautava-se pelo ideal dos guerreiros Shawnee,
mas também ao seu próprio paradigma de moral.
A opção de Tecumseh é mais do que um acto de misericórdia.
É um acto estratégico de diplomacia.
Sabia que estava a travar uma guerra defensiva
contra as forças do expansionismo americano.
Não queria que a guerra se tornasse bárbara
e selvagem,
pois, dessa forma, seria impossível vir a negociar com os EUA.
Com a derrota no Fort Detroit,
a Grã-Bretanha reclama o território do Michigan para a Coroa
e cimenta a aliança com a nação pan-índia de Tecumseh.
Essa notícia alarma o Governo americano
e ameaça o futuro do recém-criado país.
No próximo episódio...
No Tennessee, um jovem General chamado Andrew Jackson,
jura parar a Grã-Bretanha e os seus aliados
a qualquer custo.
Vamos homens!
Andrew Jackson era considerado um novo George Washington.
George Washington conquistou a independência dos EUA.
Andrew Jackson defende a independência dos EUA.
Fogo!
Combate ao lado do famoso homem da Fronteira, Davy Crockett.
Davy Crockett encarna a Fronteira americana.
Tornou-se símbolo da possibilidade.
O destino dos EUA
depende da nova geração de homens da Fronteira.
Não me provoque.
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