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IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA
ALEXEI TOLSTOI THE ROAD TO CALVARY
ROAD TO CALVARY BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO
EPISÓDIO 11
Então, Daria Dmitrievna?
Teve tempo para rezar?
Seja como for, tem sorte.
Ainda preciso de si.
Sente-se.
Ouviu falar do homicídio do joalheiro, Olovyannikov?
A nossa organização era financiada através dele.
Descobrimos quem o roubou, o matou e levou as joias.
Era seu conhecido.
Mamont Dalsky.
Não tenho nada que ver com isso.
Eu sei.
Mas é a menina que nos pode devolvê-las.
Como?
Como...
Posso fazer isso?
Pergunta peculiar, para a bela mulher por quem o Mamont Dalsky se apaixonou.
Durma com ele, seduza-o ou mate-o. Faça o que for preciso.
Mas as joias terão de nos ser devolvidas.
É a sua última oportunidade.
Se falhar...
... não teremos piedade.
O meu irmão diz muitas coisas,
mas nunca nada de importante.
Não falamos, assim, do amor.
Não preciso de amor.
Preciso que as coisas resultem
entre ti e o Alyosha.
Eu e o meu marido não conseguimos conceber.
Descobri que sou infértil.
O Alyosha está sozinho.
Ainda não tem filhos.
Se acontecer alguma coisa, a nossa linhagem desaparece,
como se nunca tivéssemos existido.
Porque não encontra ele alguém que lhe agrade?
Depois, casa-se e tem filhos.
- O que tenho eu com isso? - Katya.
Não tarda, não restará ninguém como tu.
Todos se esquecerão que havia pessoas assim.
Se tu e o Alyosha se entenderem e tiverem um filho,
nós, as pessoas simples, também ficaremos melhor,
e vocês, os outros, não perecerão para sempre.
Continuaremos a nossa linhagem juntos.
Querida Matryona.
É impossível.
Completamente impossível.
Anda!
Matryona! Temos de fazer já as malas!
- Vai buscá-las! - O quê?
Os Vermelhos tomaram a Stanitsa.
Andam por aí a levar tudo o que as pessoas têm.
Não tarda, estão aqui. Foi o que disseram!
Dizem que servi o Makhnó,
que roubei muito
e que devo partilhar tudo com os Vermelhos!
- Toma, guarda! - Aqui estão.
Fazemos as malas, carregamos a carroça e vamos para longe.
Para onde? Juntamo-nos aos Brancos?
Para o diabo com os Brancos e os Vermelhos.
Juntamo-nos aos Verdes. Esses não respondem a ninguém.
O que fazes aí parada?
Ekaterina Dmitrievna, faz as malas, depressa.
Daqui não saio.
Não alimentamos aquela cabra para que se deite com outro.
Ó meu doce.
Ainda não estive contigo.
Afasta-te!
Não te atrevas a tocar-me!
Não te atrevas! Larga-me!
- Larga-me! - Lyosha!
- Larga-me! - Lyosha!
- Abre! - Afasta-te!
Abre a porta! O que fazes? Já disse para abrires, idiota!
Afasta-te!
O que fazes? Idiota! Tu próprio disseste que vinham aí os Vermelhos!
O que fazes?
- O que... - Está bem, cala-te.
Vamos.
E as nobres que apodreçam aqui na quinta.
Idiota.
Katya, há roupa na arca. Não é nenhum luxo,
mas não está rasgada. Tira o que quiseres, ouviste?
- Matryona! - Já vou.
Perdoa-me, Katya.
Que Deus te abençoe, querida.
Depressa, Matryona. Os cavaleiros parecem estar perto.
Anda! Vamos!
Anda!
Anda...
Anda! Os Vermelhos vão apanhar-nos! Anda!
Apanhem-no!
Onde está o anfitrião?
Foi-se embora.
Com o dinheiro e as joias, certo?
Não sei.
Se tiver alguma coisa de valor, entregue-a, menina.
Não tenho nada.
O que tem na orelha?
Esse brinco é caro?
Dê cá.
Onde está o par?
Não sei.
É uma senhora interessante.
Parece que não sabe nada.
Havemos de apanhar o seu marido e de o fuzilar.
Ele não é meu marido.
Isso não importa.
Se encontrarmos alguma coisa de valor também a fuzilamos.
Por cumplicidade.
Anda!
Anda! Vá! Vamos!
És um idiota!
Estragaste tudo, seu idiota!
Andaremos às voltas pela estepe até morrermos.
Acabaremos por morrer. Estamos amaldiçoados.
Tento na língua, mulher! Olha para trás!
Estão a apanhar-nos?
- Estão quase aqui! - Anda!
Parem! Não podemos avançar mais. Ali é dos Verdes.
Vá!
Vamos embora!
Anda!
Despistámo-los?
Porque não respondes? Olha para trás!
Matryona...
Matryona!
Espera, levanta-te. Ouves?
Matryona!
Sacanas!
Odeio-vos a todos!
Matryona!
Não morras, Matryona...
Onde está o teu querido amigo, o Mamont Dalsky?
- Há duas horas que esperamos. - Cala-te.
Eu calo-me. É só isso que faço. Onde estão as nossas joias?
Quase paguei por elas com o corpo.
As joias por que me esbofeteaste?
Nem me digas nada.
Liza.
Rastorgueva.
Não te reconheci.
Também estás quase irreconhecível. Mudaste muito.
Amadureceste.
O que fazes?
Sirvo o Mamont Dalsky.
Como está ele? Onde está?
Prometeu-me que viria às 6 horas, mas não apareceu.
Deve estar na Rua Mokhovaya.
- O que há lá? - Um hotel de luxo.
É onde está a Daria Dmitrievna. Bulavina.
Agora, Telegina. Lembras-te dela?
Claro, como poderia esquecê-la?
Dançamos?
Daria Dmitrievna!
Tenho de lhe dar uma palavrinha.
Abra, Daria Dmitrievna.
Só uma palavrinha. Vou-me embora quando quiser.
Abra, Daria Dmitrievna.
- Olá. - Olá.
Há uma hora que espero por si.
Lamento, mas tenho de o dizer.
Amanhã de manhã parto para Paris.
Pode ser a última hipótese.
Temos de fugir, enquanto ainda podemos.
Esta é a última hipótese.
Daria Dmitrievna...
Venha comigo para Paris.
Não se ria. Falo a sério.
- A menina... - Entre.
Entre.
É um milagre!
O miserável peregrino entrou
no santuário da linda senhora!
Pudéssemos nós ter a felicidade, nesta Terra malvada!
Tudo é possível, nesta terra malvada, Sr. Dalsky.
Revolução, guerras, traição, engano.
E a linda senhora talvez cedesse ao miserável peregrino.
- Terei ouvido bem? - Sim.
Dasha...
Calma. Primeiro, tenho de lhe dizer o que vai acontecer agora.
Já não importa, Dasha.
Está enganado. A uma noite de amor segue-se uma manhã sombria.
E a linda senhora desaparece
com as joias do miserável peregrino.
Que joias teria o peregrino? A quem iria ele...
Ao joalheiro Olovyannikov, por exemplo.
O que significa isso?
Pense.
Daria Dmitrievna...
Tem alguma ligação à organização do Savinkov?
Infelizmente, tenho.
E tenho de levar essas joias de si por quaisquer meios.
Percebe o que significa?
Se isso for verdade, porque me contou tudo?
Porque não sou uma ladra.
Nem uma assassina.
É esse o problema.
Por isso não fui ter consigo e o senhor...
... não devia ter vindo aqui.
Dasha...
Dasha...
Ouça-me.
Se escolher ir, de manhã, já podemos estar no comboio
e, daqui a dois dias, em Paris. Ninguém poderá travar-nos.
Dasha.
Aqui não sobrevive com a sua honestidade e nobreza.
Não posso ir a lado nenhum.
Juro que nem sequer tentarei intimidades consigo.
Mesmo que acreditasse em si, não há nada para mim em Paris.
Neste momento, só quero estar em Samara.
- Samara? - Samara.
A minha irmã e o meu pai estão lá. Quero estar com eles.
Samara...
Samara...
Eu ajudo-a a chegar lá.
- Temo ser impossível. - Não tema.
Acompanhe-me ao carro.
- Vês o carro? - Sim.
Ele está aqui.
HOTEL DONON
Dê-me a mala, Salye.
É isto que os seus amigos querem.
Dê-lhes as joias e vá para Samara.
Está a dar-lhe as nossas joias?
Não discuta, Daria Dmitrievna. Pegue na mala e pronto.
Não o posso deixar fazer este sacrifício por mim.
Não é sacrifício. Não sou pobre.
Chegarei a Paris e terei uma vida maravilhosa.
A minha vida não depende deste dinheiro, mas a sua sim.
Leve.
Conseguir ajudá-la,
saria a melhor coisa que faria na vida.
Tome.
Obrigada.
Isto não vai correr bem para ela.
Parem ou disparo!
Vamos embora.
Está tudo bem, Daria Dmitrievna?
Está tudo bem.
Temos de abrir e verificar se está lá tudo.
O quê? O que é?
Já posso ir para casa?
Mais tarde.
Digo-lhe quando.
Pegue nisto e vá para o seu quarto. Já!
Já vou.
Ele decidiu enganar-me.
Meu querido amigo. Adeus.
Vemo-nos do outro lado.
A tua conhecida tem aquela mala. Vai buscá-la.
Faz o que for preciso.
Vai.
Vai, anda.
- Viu o agressor? - Como podia ver?
Ele estava demasiado longe. Era impossível ver.
- Nem o que vestia? - Não.
Disparou dali, voltou as costas e fugiu.
Liza?
O Anton Arnoldov disse que estavas aqui,
por isso, decidi visitar-te.
Queria saber do Ivan Illich. Como é que ele está?
O que faz? Está vivo?
Está na Frente.
Como antes? Quem combate?
- Os Vermelhos, os Brancos? - Porque perguntas?
Queres encontrá-lo para ver se tens sorte?
Não. A felicidade não é para mim. Era só para ti.
O meu destino é outro, Daria Dmitrievna.
Se não tivesses ido à Ilha Vassiliev, em 1914,
se não tivesses vindo para aqui,
o meu destino teria sido diferente.
Teria tido uma hipótese.
Mas vieste e arruinaste-me a vida.
Porque me dizes isso?
Para que saibas que também és responsável pelo que vou fazer.
Dispara, então.
Se isso servir para melhorar o teu destino.
Já não há como melhorar o meu destino.
Nada o poderá mudar.
Por isso, não disparo.
Só quero a mala.
- Para quê? - Quero-a e pronto.
- As minhas coisas... - Não mintas!
Sei bem o que contém.
Adeus!
Meus Deus, protege-me!
Meus Deus, protege-me!
Se merecer,
meu Deus, protege-me...
Boa!
O meu braço direito!
Alegra-te.
Prepara-te. Vamos para Paris.
Não verificaste o conteúdo?
Ela disse que continha coisas dela. Pensei que mentia.
Mandaram-me dar-lhe isto. É o dinheiro.
Porquê? Tenho dinheiro.
Não tenho nada com isso. Só cumpro ordens.
Tome.
Também me mandaram acompanhá-la já à porta.
Isto é seu? Deixe-me ajudá-la.
Daria Dmitrievna, aqui. Pela porta das traseiras.
Tome.
Adeus.
Não temos quartos, caro senhor.
Quero ver Daria Dmitrievna Telegina. Ela está aqui hospedada.
- Sim. Quarto 221. - Obrigado.
Mas tenha calma. Ela fugiu.
Nem pagou pelo quarto. E parecia ser uma senhora séria.
Porque choras?
Choro de felicidade.
És ótima em tudo.
O único senão é seres mulher.
- O que tens aí? - Nada.
Belo vestido.
Fica-te bem.
Meu Deus. Sempre em má hora.
Por que raio voltou este sacana?
Semyon Semyonych, meu amigo.
- Olá. - Faça favor de entrar.
- Ouviu a artilharia? - Sim.
Vêm aí os Checos. Esta noite, invadem Samara.
Tenho essa informação de fonte segura.
- Meu Deus, o que fazemos? - O que...
- Tomamos a iniciativa. - Isso.
Fizemos uma reunião secreta e decidimos. Primeiro,
temos de formar uma frente. - Certo.
Segundo, precisamos de uma máquina para imprimir dinheiro.
Sem dúvida.
Terceiro, temos de avançar em direção a Moscovo
e exigir uma convenção da Assembleia Constituinte.
- Atempada. - Sim, e mais importante ainda...
Criaremos o nosso próprio governo. Um novo.
- Está bem. - E gostaria de lhe oferecer
o cargo de Ministro da Saúde.
- Aceita? - Semyon Semyonych.
Garanto-lhe que estou sempre pronto para servir a minha terra-mãe.
Está bem. Tenho de ir. O ataque vai começar.
- Acompanho-o à porta. - Não. Deixe estar.
Claro.
Ora esta... Ministro.
Ó Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus.
Bendita Virgem Maria, Mãe de Deus,
protegei-me, tende piedade de mim, o vosso servo pecador.
Por favor, Deus, protegei-me...
Olá, velhote. Procuro Alexei Krasilnikov.
O Lyosha foi-se embora e disse-me para cuidar da casa,
mas os homens do Makhnó pegaram-lhe fogo.
Se ele voltar, mata-me por não ter conseguido salvar a casa.
- Onde o posso encontrar? - Acho que ele foi
para uma quinta remota, ver a irmã.
Não tem mais para onde ir.
- Mostra-me o caminho? - Porque não? Claro, venha.
Fica pelo menos a 30 minutos daqui.
- Vamos, Iakov Mikhailovich. - Vão andando que eu vos apanho.
Ekaterina Dmitrievna.
Tenho uma proposta para si. Vamos abrir uma escola e precisamos de professores.
Presumo que saiba ler e escrever?
Ótimo. Levo-a para a Stanitsa.
O Krasilnikov era ordenança do meu marido. É por isso que o conheço.
Ele salvou-me do Makhnó.
Depois, decidiu casar comigo e manteve-me aqui contra a minha vontade.
Espere... e quem era o seu marido?
- Roshchin, Vadim Petrovich. - Um oficial Branco.
- Isso já não interessa. Ele morreu. - Morreu a combater os Vermelhos.
Caramba, do que fala? O meu marido morreu.
O que interessa quem ele combatia, se já cá não está?
Vem aí um homem. Está a ver?
Atualmente, vemos todo o tipo de pessoas a atravessar a estepe.
Bandidos e todo o tipo de gente.
Só diz esses disparates porque o seu marido a ensinou.
E é inocente, porque não passa de uma mulher.
- Não passo de uma mulher... - É verdade.
Está aí alguém?
Pronto. É aqui que vai viver.
- É a sua casa? - Não.
- Então, de quem é? - De ninguém.
Agora, é sua.
Instale-se. Vou dizer à minha mulher para lhe dar qualquer coisa para comer.
- Tome, trouxe-lhe comida. - Obrigada.
- Porque tirou isso? - Desculpe, estava só a ver.
Eu guardo o baú. Não devia aí estar.
Quem são essas pessoas? Vivem aqui?
Antes sim. Mas não queriam partilhar o pão deles.
- E não aceitaram o novo regime. - O que lhes aconteceu?
Isso, ninguém sabe. Coma.
"Sasha, Masha, Glasha, Vanysha."
- Papá! - Dasha!
Dasha!
És tu! Oh meu Deus, que alegria!
Porque não mandaste um telegrama ou uma carta?
Desculpa!
- E a tua bagagem? - Porque está fechada? A Katya?
- As tuas coisas? - Deixa estar. A Katya?
- A Katya há muito que se foi. - Para onde?
Como hei de saber?
É adulta, independente e já tem marido.
E quem sou eu? Porque me diria onde vai e porquê?
- Anda, não comeces. - Senta-te.
Sou um velho tonto.
Um velho tonto. Nada mais.
Mas vieste e fizeste-me ganhar o dia.
Embora seja tonto,
consegui obter o cargo
de Ministro da Saúde no novo governo.
- Dá-me os parabéns. - Parabéns.
Dasha...
Dasha...
A Dasha?
Não sei quem é nem onde está a Dasha.
Vá, levanta-te.
Bebe. Calma...
Tens de beber água, na estepe.
Ou o sol queima-te. Vá, calma.
- Onde ias? - Queria chegar à estação.
E, daí, de algum modo, chegar a São Petersburgo.
Ir para casa.
Querida Dasha. O nosso pai fez amizade com as novas autoridades
e expulsou-me e ao Vadim de casa.
Não sei para onde vamos. Escrevo-te quando soubermos.
Para já, caso voltes, deixo-te esta carta.
Cuida de ti, querida. - Pai!
- Pai? - Sim, Dasha.
- O que é isto, pai? - O quê, querida?
Puseste a Katya fora de casa?
- O que dizes? - Lê esta carta, por favor.
Fiz amizade com as novas autoridades... Que disparate é este?
- É um perfeito disparate. - Não estou a falar de ti!
- Expulsaste a Katya e o Vadim? - Só o tolerei por desespero,
mas servir os Bolcheviques é ridículo. Tens de perceber isso.
Eu e os Bolcheviques, é ridículo.
Sou um homem honrado.
Além disso, querida, tu conheces a tua irmã. Para de ler isso.
Sempre descontente com tudo e em conflito com o mundo inteiro.
O marido é só um pavão egocêntrico.
Não gostavam de viver em Samara.
Sim, querida, foram-se embora. O que tenho eu com isso?
Aliás, Dasha, é bastante ridículo.
É uma questão de família. Porque havemos de falar nisso agora?
Vê só o que anda a acontecer.
Estamos a viver eventos históricos!
Finalmente expulsámos os sacanas dos Vermelhos.
Estamos a reconstruir e a devolver uma grande Rússia...
Papá, não ouves o que dizes?
Porque têm os Vermelhos de ser todos uns sacanas?
Por favor, não.
Não sabes patavina disto!
- Não sei patavina? - Não!
O meu marido é um comandante Vermelho.
Ouves? O meu marido é um comandante Vermelho.
Cala-te. Está bem, se és louca por um comandante Vermelho,
o problema é teu. Força!
Mas guarda isso para ti.
Ouves?
Não me vendas. Sou do governo.
Esta noite, vou à sessão do novo governo.
- Ouves? - Vai, papá.
- Ouves? - Vai à tua sessão, papá.
Onde foi ela buscar aquilo?
Miúda parva!
Saiu à mãe.
Dasha, querida, bebes um chá comigo?
Quem és?
- O Ivan. - Tens tabaco, Ivan?
- Não fumamos há dois dias. - Tenho.
Ótimo. Aproxima-te da fogueira, camarada.
- Toma. - Obrigado.
Senta-te.
És intrépido, a atravessar a estepe sozinho.
Anda aí um grupo de Verdes a matar toda a gente. Horrível.
Um deles é especialmente implacável. O Lyosha Krasilnikov.
Deixa-me acender o meu... É brutal.
Krasilnikov, dizes tu?
- O que serviu o Makhnó? - Esse mesmo.
Não sei porque está agora com os Verdes, mas é um animal.
Só temos de chegar a Chubarovka. É onde está o décimo exército.
Mais tarde, tratamos dos Verdes.
Sabem que mais? Vou convosco.
Quantos mais, melhor.
Por um triz.
Queres batatas?
Deves ter fome.
Dmitri Stepanovich.
Boa noite, Dmitri Stepanovich.
Não tive o prazer...
Sou Ivan Illich Telegin. O marido da sua filha.
Da Dasha.
Ouvi falar muito de si, prazer. Em que o posso ajudar?
Vim cá tratar de uns assuntos. Ela está aqui?
- Foi-se. - Para onde?
Recebi uma carta dela, há dois dias.
- Posso mostrar-lhe, se quiser. - Ficaria muito grato.
Então, está bem.
O que faz aí? Entre.
Entre.
Sente-se e fique à vontade. Vou...
... buscar a carta. Tenho-a, algures, no escritório.
- Sirva-se de limonada. - Não, obrigado.
Sim.
Passe-me ao gabinete de Govyadin, menina.
Sim.
Depressa.
Apresente-se, oficial.
Claro.
Capitão Roshchin. Os meus documentos.
Tive o prazer de conhecer Vadim Petrovich Roshchin
cara a cara, por isso, guarde os papéis
e siga-nos para termos uma conversa cordial.
Armas na mesa! Ou rebento com isto tudo!
Na mesa, já disse!
Na mesa, já!
Ivan!
Dasha!
Parem. Não se mexam!
Dasha.
Apanhem-no.
Pela casa, meus senhores.
É mais rápido.
Calma, meus senhores!
Corre. Há uma porta no telhado. O que...
Amo-te.
Se algo te acontecer, eu morro. Vai!
Ivan! Para onde envio as minhas cartas?
- Para a Stanitsa Chubarovka. - Vai!
- Consegui! - Subam.
Eu apanho-o e torturo-o eu mesmo. Corto-o, queimo-o e dilacero-o.
Espero que morra depressa.
Daria! O que dizes?
Já é tarde para ensinar bons modos à sua filha.
- É melhor chamar ajuda. - Com certeza.
- Menina... - Pai, não...
- Meteste-te com os Bolcheviques! - Para, pai...
Desgraçaste-me! Sai daqui!
Alto!
Apanho-o aqui em baixo!
Alto!
Alto!
Chame já a polícia, menina.
- Pai! - O que achas que veio fazer?
Olha, idiota! Veio saber quem são os membros do nosso governo!
Papá, olha para mim. É a tua filha, Dasha.
És meu pai. Isso está acima do governo
e das opiniões políticas do meu marido, pai...
Não! Mil vezes não.
Vivemos numa época em que os laços de sangue
não são nada, comparando com os laços ideológicos.
Esses teus laços de sangue serão a morte da Rússia,
enquanto os laços ideológicos serão a sua salvação!
Então, sou órfã!
Ainda bem que finalmente escolheste!
Órfã... Estou tão...
Caramba!
O que hei de fazer?
Levem-no!
Camarada Yakov.
Que bom ver-te.
Gostas das minhas coisas? Já as tens entaladas na garganta?
Tishka, tira-os daqui!
Sigam-me. Não gritem, estão a ouvir?
Vamos.
- Onde está a senhora? Ekaterina? - Ela foi-se...
- Mentes. - É verdade.
Levei-a para a Stanitsa para ser professora.
Ela fugiu. Estou a dizer a verdade.
Levanta-te.
- Dói. - Chiu.
Tens medo?
- De morrer? - Pelo menos, poupa as crianças.
Poupa as crianças.
- Não. - Poupa as crianças...
Não poupaste a minha irmã.
Por isso, também não pouparemos os teus.
Yasha!
Yasha!
Antip, trata dos miúdos.
Adoro a guerra.
- Isto é coisa para homens. - Onde vais?
Montem!
- Encontraste alguma coisa? - Só isto.
Ekaterina Dmitrievna.
Gostaria de te encontrar e vingar-me.
Devíamos ir, não? Antes que venham os Vermelhos.
Eles que venham.
Esperamos na cabana da floresta.
Porque mataste os miúdos?
Não são miúdos. São judeuzinhos.
Legendas: Michelle Hapetian
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