All language subtitles for Witness.For.The.Prosecution.1957.1080p.BluRay.x264-[YTS.AM]

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Original subtitles

Sil�ncio! Ponham-se em p� na sala!

Os que tenham algo a requerer perante os Ju�zes...

da Rainha de Oyer e Terminer...

e entregas para a jurisdi��o da Corte Criminal Central...

aproximem-se e se fa�am presentes.

Deus salve a Rainha.

TESTEMUNHA DE ACUSA��O

Belo dia! Desejei um pouco de sol para nossa volta ao lar.

Sempre digo que vale a pena a neve, s� para apreciar mais o sol.

Muito vento? Fecho a janela?

Feche a boca. Fala demais.

Se soubesse o quanto falava nunca teria sa�do do coma.

- Esta coisa pesa uma tonelada. - Venha, venha!

Ficamos prostrados de costas dois meses.

Melhor ter cuidado.

"Corte de Flynn". Ador�vel.

Deve ser ador�vel viver e trabalhar na "Corte de Flynn".

Que sorte t�m os advogados!

Eu quase me casei com um advogado. Estava de plant�o quando...

operaram seu ap�ndice e combinamos nos casar t�o logo pudesse sentar-se.

Depois teve uma peritonite e morreu, assim, sem mais nem menos.

J� acho que foi um advogado de sorte.

Passinhos pequenos, Sir Wilfrid.

Devemos lembrar que teve um pequeno infarto.

Cale-se!

Williams, minha bengala!

A� vem ele.

Boa tarde!

Muito grato. De volta ao trabalho.

Sir Wilfrid, se n�o se importa, gostaria de ler um poema...

que fizemos para suas boas-vindas.

Muito comovente, Srta. McHuginn. Pode recit�-lo depois do...

expediente no escrit�rio, em seu tempo livre. Agora, ao trabalho.

- Que houve? - Nada.

S� estou feliz porque voltou a ser o mesmo.

Mais sentimentalismo por aqui e posso voltar ao hospital num instante.

N�o � muito prov�vel, n�o o aceitariam.

Na verdade n�o lhe deram alta, sabem? O expulsaram.

Por conduta impr�pria de um paciente card�aco.

Ponha isto na �gua, linguaruda! Entre, Carter.

Veja este quarto.

� feio, velho e �mido.

nunca pensei que poderia sentir tanta falta disso.

Tamb�m senti falta de voc�, velha �guia ca�adora!

Grato, senhor. N�o sou um homem religioso, Sir Wilfrid...

por�m, quando o colocaram naquela ambul�ncia, acendi uma vela.

Obrigado, Carter.

Na verdade, senhor, a acendi por mim mesmo.

Se lhe acontecesse algo...

o que me aconteceria depois de 37 anos?

Trinta e sete anos? Tanto tempo?

Sim senhor. Estamos em 1952 e foi em outubro de 1915...

o assassinato do pastor Bush.

O qu�mico acusado de colocar cianeto na pasta de dentes de seu tio.

Meu primeiro caso de assassinato. Estava mais assustado que o acusado.

Na primeira vez que me levantei para protestar, a peruca caiu.

- Onde est� minha peruca? - Aqui mesmo.

Eu a protegi com minha vida.

Espero que ainda me fique bem.

Perdi 13 kg nesse hospital.

Ainda assim, suponho que minha cabe�a n�o encolheu.

O que � isto?

- Colocamos em naftalina. - Naftalina?

- N�o volto mais a atuar! - Claro que volta!

Os advogados est�o arrombando a porta.

Eu preparei uns processos interessantes.

Isso est� melhor.

Um caso de div�rcio, uma apela��o de impostos...

e uma importante reclama��o de um seguro mar�timo.

S�o casos leves com excelentes remunera��es.

N�o, Carter.

Sinto muito, senhor, mas n�o vai voltar a assumir casos criminais. N�o mais.

- Seus m�dicos proi... - M�dicos!

Me privaram de tudo: �lcool, tabaco, companhia feminina...

Se ao menos me deixassem fazer meu trabalho, ou algo que valha a pena!

Sinto, Sir Wilfrid.

Consiga uma caixa maior, mais bolas de naftalina e...

me guarde tamb�m.

14h30. Sir Wilfrid! Hora da "siesta".

- Oh, V� embora! - Para a caminha!

Ser� melhor n�s subirmos, nos trocar e deitarmos.

N�s? Que perspectiva repugnante!

Suba, por favor!

Est� consciente, Srta. Plimsoll, de que enquanto estive enfermo...

considerei seriamente estrangul�-la com um de seus tubos de borracha?

Teria admitido o crime e atuado em minha pr�pria defesa.

Juiz e membros do J�ri.

Pela presente, me declaro culpado de um homic�dio justific�vel.

Durante 4 meses, este suposto Anjo de Miseric�rdia tem manuseado...

sondado, socado...

saqueado e depenado meu indefeso corpo...

enquanto atormentava minha mente com um cont�nuo gotejar...

de linguajem infantil.

Acompanhe-me como um bom menino. Oh, n�o!

Tire as m�os de cima, ou a golpearei com minha bengala.

Nunca faria isso, poderia quebrar seus charutos.

- Charutos? Que charutos? - Aqueles que esconde em sua bengala.

Bengala?

Poderia encarcer�-la por isto. N�o tem ordem para revistar a bengala.

No hospital escondia charutos e conhaque por todas as partes.

O cham�vamos Wilfrid "a raposa".

Vou confiscar estes.

- N�o posso ficar com um? - N�o! Para cima!

Um para depois da refei��o, por favor.

Alguma noite, quando estiver de costas, pegarei o term�metro...

e cravarei entre as omoplatas dela. Juro que farei.

N�o, senhor. N�o deve subir andando.

Instalamos algo aqui.

- � um elevador, senhor. - Um elevador?

Estou farto desse compl� para tornar-me inv�lido.

Me parece ser uma ideia espl�ndida.

Vamos testar, de acordo?

Saia da�. Eu o testarei.

� meu elevador porque foi meu infarto.

S� tem que apertar este bot�o para subir e este para descer.

Carter, vou te avisar, se esta traquitana cair...

se o advogado cair do corrim�o...

Incr�vel, Carter! Foi o voo mais suave que j� tive em anos.

Viva!

Uma vez mais, para que possa sentir os controles.

Boa tarde, Carter. Seria poss�vel ver o Sir Wilfrid?

Sinto n�o ter ligado para marcar entrevista, por�m, isto � urgente.

Se � sobre um caso, Sr. Mayhew, sinto, mas estamos de agenda lotada.

Sir Wilfrid j� tem tudo o que pode administrar.

Estou seguro de que aceitar� este caso.

Um s�rio assunto criminal.

Absolutamente n�o, Sr. Mayhew.

Sir Wilfrid ainda est� convalescendo.

Ele n�o pode aceitar algo que seja muito "estimulante".

Me puseram numa dieta leve de casos civis.

Al�, Sir Wilfrid. � muito preocupante a not�cia sobre sua sa�de.

� tr�gica.

Procurem um homem mais jovem com art�rias mais jovens.

Se nos desse uns minutos. Meu cliente est� aqui...

o senhor Leonard Vole.

Est� numa encrenca terr�vel, receio.

Como est� voc�, senhor Vole?

Bom, segundo o Sr. Mayhew, n�o estou nada bem.

Sir Wilfrid! Sir Wilfrid!

J� est� "brincando" outra vez.

Cale a boca! Sinto, Mayhew.

Venha outro dia, quando tenha algo menos "estimulante"...

como um carteiro mordido por um vira-lata.

Bom, gostaria que pudesse ajudar, Sir Wilfrid, mas entendo.

Cuide-se!

Mayhew! Mayhew!

Oh, n�o! Sir Wilfrid, por favor!

Acalme-se, n�o aceitaremos o caso...

mas Mayhew � um velho amigo que necessita ajuda e...

seguramente posso dar-lhe algum conselho.

Adiante, Mayhew. Te dou 5 minutos.

N�o, n�o, voc� n�o! S� Mayhew.

Nossa "siesta"! Sir Wilfrid, nossa "siesta"!

V� em frente, comece sem mim!

� culpa sua, Sr. Carter, n�o devia ter permitido.

N�o � culpa minha!

Eu disse a Sir Wilfrid que nada de casos criminais.

Bom, se n�o � culpa de ningu�m, suponho que ser� minha.

Me parece uma bobagem, mas Mayhew cr� que � muito urgente.

Acredita que posso ser preso a qualquer momento.

Preso, por qu�?

Bom, por assassinato.

� o caso da Sra. Emily French. � prov�vel que tenha visto na imprensa.

Era uma vi�va de meia idade, bastante rica...

que vivia com uma governanta em Hamstead.

O Sr. Vole esteve com ela ao anoitecer.

Quando a governanta voltou de sua folga, encontrou sua patroa morta...

...assassinada com um golpe na nuca. - Entendo.

Vole � um inocente preso numa rede de provas circunstanciais.

Talvez, se lhe desse mais algum detalhe...

poderia sugerir a melhor linha de defesa.

Seguramente que poderia pensar melhor se me desse um desses charutos.

Claro!

Naturalmente, n�o h� antecedentes. � um homem de bom car�ter...

com um hist�rico de guerra excelente.

Tamb�m confiscaram os f�sforos.

Isqueiro, por favor. D�-me o isqueiro.

Creio que a defesa giraria em torno do estabelecimento...

de um �libi para a noite do crime.

Sinto, n�o tenho f�sforos. Deixe-me pegar.

Por Deus, n�o! N�o conhece a Srta. Plimsoll!

Isto requer toda nossa ast�cia.

Jovem!

Venha aqui, por favor.

Seu representante e eu cremos...

que voc� pode nos esclarecer um ponto muito importante.

- Sim, obrigado. - Realmente, Sir Wilfrid!

Ainda n�o est� na cama? Suba!

- D�-me f�sforos! - Sinto, nunca carrego comigo.

O qu�? E disse que gostaria dele.

Mas tenho um isqueiro.

Tem raz�o, Mayhew, gosto dele. Obrigado.

Voc�s imaginam a cara da Srta. Plimsoll se me visse agora?

Ent�o, vamos nos assegurar que n�o o veja.

Espl�ndido.

Todos os instintos de um experiente criminoso.

- Obrigado, senhor. - Tome.

Jovem, pode ter matado uma mulher de meia idade ou n�o...

mas com certeza salvou a vida de um velho advogado.

Eu n�o matei ningu�m. � absurdo.

Christine, minha esposa...

pensou que eu poderia ser implicado e necessitar de um advogado.

Por isso fui ver o senhor Mayhew.

Ele pensa que necessito de outro advogado e agora tenho dois advogados.

� uma tolice, n�o acha?

Sr. Vole, eu preparo causas. Sir Wilfrid � advogado.

S� o advogado pode levar um caso at� o tribunal.

Entendo.

Nem sequer encontrar� as cinzas.

- Sente-se. - Obrigado.

Li no jornal que acharam a Sra. French...

com um golpe na cabe�a.

Tamb�m li que a pol�cia queria interrogar-me...

vez que havia visitado a Sra. French aquela tarde...

Assim, claro, fui ao distrito.

Te alertaram?

N�o sei.

Me perguntaram se gostaria de fazer uma declara��o, que tomariam nota...

e que poderia ser usada contra mim no tribunal.

Isso poderia ser uma advert�ncia?

Bom, j� n�o se tem como evitar.

Foram educados e pareciam bastante satisfeitos.

Pareciam satisfeitos, Sr. Vole.

Voc� acha que fazendo uma declara��o acabou com tudo.

N�o � evidente, Sr. Vole, que ser� considerado...

como o principal e l�gico suspeito deste caso?

Receio que ser� detido.

Mas se n�o fiz nada, por que haveriam de deter-me?

Quer dizer, isto � a Inglaterra.

Aqui n�o se prende nem se condena por algo que n�o se fez.

A gente tenta n�o fazer disso um h�bito.

Mas acontece?

� claro.

Como aquele caso, como se chamava? Adolph Beck ou Becker.

Ficou 8 anos na cadeia quando descobriram que havia sido outro cara.

Era inocente!

Deu muito azar, mas foi indenizado. Recebeu o perd�o...

uma recompensa da Coroa e foi restitu�do � sua vida normal.

Isso foi bom o suficiente para ele.

E se tivesse sido assassinato? E se o tivessem enforcado?

Como o teriam restituido � sua vida normal ent�o?

Sr. Vole, voc� n�o deve adotar um ponto de vista t�o m�rbido.

Sinto, mas quando disse que estas coisas me comprometem...

� como um pesadelo.

Relaxe, Vole, te ponho nas m�os do melhor e mais experiente...

advogado de Londres.

Mayhew, deixemos isto claro.

Pode ser que tenha feito algo muito pouco �tico.

Aceitei seu charuto e n�o vou aceitar seu caso. N�o posso.

Estou proibido. Meus m�dicos nunca aceitariam.

Sinto de verdade, jovem.

Entretanto, se quer que recomende algum colega...

eu indicaria o senhor Brogan-Moore. Conhece-o?

Sim, um homem muito capaz. Aprovo a recomenda��o de Sir Wilfrid.

Muito bem, senhor, se assim o diz...

Segure isto.

- Carter? - Sim, senhor?

Gostaria de ver Brogan-Moore aqui, t�o logo volte do tribunal.

Muito bem.

Sir Wilfrid, jamais vi semelhante insubordina��o.

Nem mesmo quando era enfermeira na Guerra.

Que guerra foi essa? A Guerra da Crimeia, sem d�vida.

Voc� vai gostar do Brogan-Moore, teve uma excelente prepara��o. Minha.

Esta manh� n�o tinha nenhum advogado e de repente, tenho tr�s.

Talvez dev�ssemos explicar a Sir Wilfrid que tenho pouco dinheiro.

N�o poderei pagar todas as custas e taxas.

Fique calmo, temos um quarto advogado para process�-lo.

Temo que n�o ganharia muito. Estou h� quatro meses sem trabalho.

Que tipo de trabalho fazia?

Bem...

meu �ltimo trabalho foi de mec�nico em uma empresa de autom�veis.

O supervisor "pegava no meu p�" o tempo todo.

Suportei o quanto pude e me demiti.

Antes disso?

Trabalhei em uma loja de brinquedos.

Demonstrando para crian�as constru��o de kits.

� �bvio que s� durou a �poca de Natal.

Antes disso, trabalhei provando cobertores el�tricos.

Cobertores el�tricos?

O senhor deve estar pensando que ando meio perdido.

Bem, de certo modo � verdade, mas n�o gostei mesmo.

O servi�o militar me mandou para o exterior.

Estive na Alemanha.

Fiquei bem, conheci Christine, minha esposa.

Era uma boa atriz.

Tamb�m � uma esposa maravilhosa para mim...

por�m, receio n�o ter sido muito bom para ela.

De qualquer forma, n�o fui capaz de estabelecer-me desde que voltei ao pa�s.

Certamente, se pudesse colocar meu bate-ovos no mercado...

"Bate-ovos"?

Sim senhor, sou...

sou meio que inventor. Nada grande, s� pequenas coisas dom�sticas.

Apontador de bolso, chaveiros-lanterna, esse tipo de coisas.

Mas a verdade � que o melhor � o "bate-ovos".

N�o s� bate os ovos, como tamb�m separa a gema da clara.

E isso � �til?

Se fosse dona de casa, Sir Wilfrid, saberia imediatamente.

O �nico problema � que preciso de dinheiro...

para fabric�-lo e promov�-lo.

Era o que esperava da Sra. French depois de conhec�-la.

Como conheceu, exatamente, a Sra. French?

Foi bastante curioso. Era dia 3 de setembro.

Me lembro bem porque � o anivers�rio da minha esposa.

Estava vendo vitrines em Oxford Street...

sonhando acordado no que compraria, se tivesse dinheiro.

- Gosta deste? - Muito.

- N�o lhe parece extravagante? - Extravagante? Em absoluto!

Um pouco ousado, talvez.

O recomendaria a qualquer mulher, mas voc�...

Por que n�o pode chamar um pouco de aten��o?

- Acha mesmo? - Totalmente.

Mas se pudesse sugerir-lhe uma coisa.

Talvez possamos levant�-lo e jog�-lo um pouquinho para tr�s.

D� mais destaque ao rosto.

Meu �nibus. Adeus!

Compre esse chap�u. Eu insisto.

Na realidade era um chap�u rid�culo com la�os e flores...

Me surpreende que os chap�us de mulher...

n�o provoquem mais assassinatos.

Continue, por favor.

Bom, s� tentava ser am�vel, faz�-la sentir-se bem.

N�o esperava voltar a v�-la. O chap�u tampouco.

Por�m a viu.

Sim, algumas semanas depois. Outra vez por casualidade.

Essa tarde vendia meus bate-ovos e o neg�cio estava devagar.

Se importaria, senhora? O chap�u!

- Ah, � voc�! - Ol�!

A culpa � sua, j� sabe. Voc� que escolheu.

- Posso? - Claro, se deseja.

Obrigado. � uma chatice tirar e coloc�-lo de volta.

O cara do cavalo branco se chama Jesse James.

Os outros o levam a uma emboscada. Isso � jogo sujo.

N�o se preocupe, o Sr. James abre passagem a tiros.

- Verdade? - Eu j� vi. Venho muito ao cinema.

Verdade?

Em casa me inquieto muito. Mas assim que saio...

e me dou conta de que n�o tenho para onde ir, vou ao cinema.

�s vezes vejo o mesmo filme duas ou tr�s vezes.

- Uma bala? - Sim, por favor.

Nesse momento n�o sabia que a Sra. French era rica?

N�o, em absoluto. Est�vamos nas cadeiras baratas.

S� sabia que parecia estar muito s� e sem amigos.

Ela e seu marido viveram muitos anos na Nig�ria brit�nica.

Ele estava no Servi�o Colonial. Morreu em 45 de infarto.

Por favor, Mayhew, me poupe.

Continue, jovem.

Bem, por fim mataram o Jesse James...

e, depois do cinema, ela me convidou para um ch�.

Creio que � a coisa mais fascinante que j� vi!

Janet, vem ver isso!

J� vi batedores de ovos, senhora.

Mas este bate muito rapidamente e tamb�m separa.

Deve ser a centr�fuga... Como se diz?

Na realidade � a gravidade. Tamb�m bate nata.

Ouviu isso Janet? Tamb�m bate nata.

Devemos comprar um. � caro?

Cortesia do inventor, fabricante e �nico distribuidor.

Obrigado!

Usaremos constantemente, N�o � verdade, Janet?

Venha, Sr. Vole. � melhor irmos.

A Janet n�o gosta de visitas na sua cozinha.

Faz um pouco de frio aqui, n�o?

- Acendemos o fogo? - Por que n�o?

� uma sala encantadora.

Hubert e eu colecion�vamos estas coisas quando est�vamos na �frica.

Hubert era meu marido.

Era um tipo ador�vel!

Essa � a m�scara do m�dico bruxo.

A levava quando tirava molares de nossos serventes...

por isso Hubert costumava chamar-se o "dentista" bruxo.

- Hubert era t�o sat�rico! - Sim, percebo.

Aqui est� o ch�.

Janet, vamos usar a boa prataria e porcelana.

N�o se preocupe, Sra. French, esta � perfeita.

Lim�o ou leite, por favor?

- Na verdade tanto faz. - Prefere sherry?

- Sherry estar� bem. - N�o temos sherry.

Claro que temos! Temos a garrafa que comprei no Natal passado.

Se deseja um ponche, h� um ovo desperdi�ado...

na cozinha pronto e separado.

Sente-se e n�o ligue para Janet, Sr. Vole.

Ocorre que ela � terrivelmente escocesa.

Ah, sim?

Eu pensava que tinha vindo com a cole��o.

Sabe, talvez eu tamb�m tome um copo de sherry.

De algum modo, me sinto como se fosse Natal.

Depois disso a via uma ou duas vezes por semana.

Sempre tinha uma garrafa de sherry para mim.

Convers�vamos, jog�vamos canastra...

e escut�vamos seus velhos discos. Especialmente Gilbert e Sullivan.

Agora � t�o esquisito pensar nela deitada na sala, assassinada...

Asseguro que j� a removeram. Deix�-la ali seria insens�vel...

ilegal e insalubre.

Que tal falar a Sir Wilfrid sobre a tarde do assassinato.

Bom, naquela tarde aconteceu de v�-la l� pelas oito.

Me preparou um sandu�che, falamos e escutamos "O Mikado".

Sa� l� pelas 21h, caminhei at� a casa. Cheguei meia hora ap�s.

Posso prov�-lo, jur�-lo, dentro de um tribunal...

no banco dos r�us ou em qualquer parte!

- Quanto dinheiro obteve dela? - De quem?

- Da Sra. French. - Nem uma libra!

A verdade. Quanto?

- Por que ela iria me dar dinheiro? - Porque se apaixonou por voc�.

Isso � rid�culo!

Gostava dela, era como uma tia, mas isso � tudo. Eu juro.

Por que n�o lhe disse que era casado?

Eu disse a ela!

Por�m nunca levou sua esposa l�, verdade?

- N�o, n�o a levei. - Por qu�?

- Bem porque... - Por qu�?

A Sra. French acreditava que Christine e eu nos d�vamos mal.

-Isso � certo? - N�o, nos amamos!

De onde tirou essa impress�o? De voc�?

N�o, simplesmente queria pensar assim.

E voc� nunca esclareceu essa quest�o, por qu�?

Temia que perdesse seu interesse por mim.

- Por que era rica? - Sim, suponho.

E voc� estava atr�s do seu dinheiro.

Bem, sim de certa forma.

Esperava um empr�stimo para meu novo invento.

S� umas duzentas libras.

Seria apenas uma honesta proposta de neg�cios. Isso � t�o perverso?

- Sabia que era dia livre da governanta? - Sim, sabia.

Foi l� porque sabia que estaria s�?

N�o, fui porque pensei que podia estar solit�ria.

De acordo, solit�ria.

Voc� e a rica vi�va solit�ria, a s�s na solit�ria casa...

com a vitrola ensurdecendo com "O Mikado"!

Talvez aumentou o volume para sufocar seus gritos.

N�o! Quando a deixei estava viva.

Quando a governanta regressou estava morta.

A casa estava revirada, disseram nos jornais.

Deve ter sido um roubo! Olhe, eu n�o fiz isso!

N�o importa o que pare�a, eu n�o fiz!

Tem que acreditar em mim! Voc� cr� em mim, n�o �?

Agora sim, mas n�o estava seguro.

Por isso submeti seus olhos e minhas art�rias a esta dura prova.

- Sinto muito. - Tudo bem.

Quanto � coisa estar mal, Sr. Vole, n�o est� mal, est� terrivel.

Aparentemente n�o tem nenhum �libi.

Eu tenho! Sa� da casa da Sra. French �s 21h.

Como foi para casa? De �nibus ou metr�?

N�o, caminhando. A noite estava boa.

Viu algu�m?

Claro, Christine me viu quando cheguei em casa.

Eram 21h26 exatamente.

Eu sei porque me pus a trabalhar em uma esp�cie de rel�gio...

que estava ajustando. Minha esposa pode confirmar.

- Sua esposa o ama, n�o �? - Muito. E eu a ela.

Estamos apaixonados.

� claro que se dar� conta, Sr. Vole...

de que o testemunho de uma esposa abnegada n�o tem muito peso.

Quer dizer que as pessoas pensar�o que Christine mentiria por mim?

Como se sabe, Sr. Vole, o sangue � mais forte que as evid�ncias.

Ah, Brogan-Moore! Entre, entre.

Me alegro de v�-lo fora do hospital.

N�o obtive o indulto, estou em liberdade tempor�ria.

Creio que conhece o Sr. Mayhew.

Este � seu cliente, o Sr. Leonard Vole.

- Como est� voc�? - Como vai?

O assassinato de Emily French.

- Ah, como vai voc�? - Muto mal, obrigado.

H� um ac�mulo de provas circunstanciais...

e nenhum �libi. � uma batata quente...

...lan�ada diretamente em suas m�os. - Muito agradecido.

Sua linha de defesa, entretanto, precisar� de motivo.

Concorda que podemos descartar crime passional?

Isso nos deixa um assassinato por interesse. Ent�o...

se o Sr. Vole explorava a Sra. French...

por que matar a galinha dos ovos de ouro?

Sim, esperava um ovo de ouro...

mas por que matar a galinha antes de p�-lo?

N�o h� motivo! N�o importa qual!

Voc� v� algum erro nesta linha de racioc�nio?

N�o, n�o. Est� perfeito.

Pois � todo seu, Brogan-Moore.

Encontrar� o Sr. Vole muito receptivo e bastante ing�nuo.

T�o ing�nuo, que me informa que teremos...

que process�-lo por nossos honor�rios.

S� confiscaremos do Sr. Vole 80.000 libras.

Que 80.000 libras?

As 80.000 libras que lhe deixou a Sra. French.

A mim?

Abriram o cofre banc�rio da Sra. French e encontraram seu testamento.

Parab�ns!

Oitenta mil libras!

E eu querendo umas duzentas para o bate-ovos e agora...

Tenho que ligar para Christine.

Esta heran�a n�o deixa as coisas melhores para mim, n�o �?

N�o, eu diria que n�o.

Agora dir�o que havia um motivo.

J� acredito nisso. 80.000 libras s�o um motivo bastante atraente.

Achava que estavam loucos, mas, agora v�o me prender, n�o?

N�o � improv�vel.

De fato. � muito prov�vel. E j� est�o subindo.

Eu n�o sabia nada desse testamento.

N�o tinha ideia de que a senhora pensava deixar-me seu dinheiro.

E se n�o sabia nada, como poderia ser um motivo?

Garanto que o Sr. Brogan-Moore alegar� isso no tribunal.

� nosso velho amigo, o Inspetor Hearne.

Inspetor-Chefe desde o m�s passado.

Inspetor-Chefe!

Na Scotland Yard devem t�-lo em muito bom conceito.

D�o-lhe o tratamento de luxo.

Oh, adiante, Inspetor-Chefe!

Sinto molest�-lo em seu escrit�rio, Sir Wilfrid.

Est� tudo bem.

Nunca me oponho � a��o da pol�cia...

exceto algumas vezes, no tribunal.

Eu sei, tenho as cicatrizes.

J� conhece o Sr. Mayhew e o Sr. Brogan-Moore.

Ele � o perigoso Leonard Vole. Ser� melhor que o reviste...

poderia estar armado com um bate-ovos.

- Seu nome � Leonard Vole? - Sim, �.

Tenho uma ordem de pris�o contra voc�...

acusado do assassinato de Emily French dia 14 de outubro �ltimo.

Sou obrigado a advertir que qualquer coisa que diga...

pode ser utilizada como prova.

Bem, estou pronto. Devo ser algemado?

N�o ser� necess�rio, senhor.

� que nunca haviam me detido antes. Nem sequer por...

passear com c�o sem coleira ou beber uma cerveja tarde da noite.

N�o h� vergonha em ser detido, Sr. Vole.

Reis, primeiros ministros, arcebispos, inclusive advogados...

j� foram ao banco dos r�us.

Ser� melhor que algu�m ligue para minha mulher e lhe diga onde me levam.

Eu o farei, n�o se preocupe.

Te acompanharei � delegacia para ver como � tratado.

Encarregue-se de que o Sr. Vole seja bem tratado.

- Ele ser�. - Aceitaria um charuto?

Com licen�a.

Muito am�vel de sua parte, Sir Wilfrid.

Melhor n�o, seria suborno.

Temos de ir, Sr. Vole.

Bem, uma coisa se aprendeu.

N�o olhe para vitrines que exibam chap�us de mulher.

Bom dia, senhor!

- Causa muito boa impress�o, n�o? - Sim, bastante.

- Fez a prova do mon�culo? - Aprovado com louvor.

Espero que o fa�a no banco dos r�us.

Sim.

Isto � desgastante, sabe?

A acusa��o bombardear� voc� com artilharia pesada...

e voc� s� ter� uma pistola de ar comprimido...

um �libi apoiado por sua mulher.

N�o � um desafio fascinante?

Me agradaria mais se fosse menos desafiador e menos fascinante.

Sinto, Sir Wilfrid, a Srta. Plimsoll deu um ultimato.

Se n�o estiver na cama dentro de um minuto, pedir� demiss�o.

Espl�ndido. D�-lhe o sal�rio de um m�s e jogue-a escada abaixo.

Sir Wilfrid, ou se cuida devidamente ou me demitirei tamb�m.

Isto � chantagem. Tem raz�o, Carter.

Para meu primeiro dia, foi muito movimentado. J� devia estar na cama.

Ser� melhor que entre em contato com a Sra. Vole para que venha.

Assistir�?

Obrigado. N�o estou em condi��es de suportar esposas emocionais...

afogadas em l�grimas.

Senhorita Plimsoll! Qu�o sedutora est�s...

esperando como um carrasco no p�tio. Leve-me, sou seu!

Sobre a Sra. Vole.

Trate-a com suavidade, quando lhe der a not�cia da pris�o.

Tenha em conta que � estrangeira...

assim esteja preparado para histerias e inclusive desmaios.

Melhor, tenha prontos os sais, uma caixa de len�os e uma dose de brandy.

N�o creio que seja necess�rio!

N�o desmaio, porque n�o sei se cairia com gra�a...

e nunca uso sais porque incham os olhos.

Sou Christine Vole.

Como vai? Este � o Sr. Brogan-Moore.

Como vai voc�?

Eu sou Wilfrid Robarts.

Como vai voc�?

Minha querida Sra. Vole, temos uma m� not�cia.

N�o tema, Sir Wilfrid, sou muito disciplinada.

Por ora, n�o � nada para alarmar-se.

Prenderam Leonard e o est�o acusando de assassinato, n�o �?

- Sim. - Sabia que fariam, eu o avisei.

Me alegro de que mostre tal fortaleza.

Chame como quiser.

Qual � o pr�ximo passo?

Seu marido ter� de ser julgado, receio.

Quer explicar � senhora os procedimentos?

O Sr. Brogan-Moore conduzir� a defesa.

N�o defender� Leonard pessoalmente?

Lamentavelmente, n�o. Minha sa�de, ou a falta dela, me impede.

� lament�vel.

O Sr. Mayhew o descreveu como o campe�o das causas perdidas.

Acaso esta causa est� demasiado perdida?

Terei uma s�ria conversa com o Dr. Harrison.

Foi um erro deix�-lo voltar.

Devia lev�-lo diretamente a uma cl�nica de repouso.

A algum lugar longe e tranquilo, como as Bermudas.

Cale-se. Quer me ver com aquelas desagrad�veis cal�as curtas?

Ora, Sir Wilfrid! N�o deve sequer pensar nisso.

Deve se preparar para dormir, pensar em coisas bonitas.

Agora vamos tirar a roupa.

Ponha isto, parte de cima e de baixo, enquanto eu lhe fa�o a cama.

Depois de descansar tomar� uma boa ta�a de chocolate.

Depois, talvez, daremos uma volta na pra�a.

Sabe? Sinto pena desse agrad�vel Sr. Vole.

N�o s� pela pris�o, mas por sua esposa. Parece alem�.

� no que d� deixar nossos meninos cruzarem o Canal, ficam loucos.

Creio que o Governo devia fazer algo com as esposas estrangeiras...

como um embargo.

Como vamos dar conta de nossos excedentes?

N�o est� de acordo, Sir Wilfrid? Muito bem, para dentro!

Sir Wilfrid.

Sir Wilfrid!

Volte!

Claro que sabia que Leonard via com frequ�ncia a Sra. French.

Continue, continue.

Soube desde o dia em que o vi com umas meias verdes...

tecidas por ela.

Bem, � bastante natural...

e estou seguro que os jurados v�o ach�-lo simp�tico.

Leonard pode ser muito simp�tico.

Ele odeia esse tom de verde em particular...

e as meias eram dois n�meros maiores, mas usou-as mesmo assim.

Leonard tem jeito com as mulheres.

S� espero que tenha um J�ri totalmente feminino.

Carregariam ele da sala triunfante.

Uma simples absolvi��o bastaria.

Sra. Vole, sabia que a Sra. French deixou dinheiro para seu marido?

Sim, muito dinheiro.

Claro, seu marido n�o tinha conhecimento pr�vio deste legado.

Foi isso que lhe disse?

Bem, Sra. Vole, voc� n�o est� sugerindo outra coisa, est�?

Oh, n�o, n�o!

Eu n�o sugiro nada.

Evidentemente, a Sra. French chegou a ver seu marido como um filho ou...

talvez, seu sobrinho preferido.

Voc� acredita que a Sra. French via Leonard como um filho...

ou um sobrinho?

Sim, uma rela��o totalmente natural e compreens�vel.

Como este pa�s � hip�crita.

Me perdoe, Brogan-Moore.

Sra. Vole, se importa se lhe fa�o uma pergunta?

Prossiga, Sir Wilfrid?

Se d� conta de que toda a defesa de seu marido...

se baseia em suas palavras?

Me dou conta.

E de que o J�ri ser� c�tico ante um homem...

acusado de assassinato e apoiado s� pela palavra de sua esposa?

Tamb�m me dou conta disso.

Ent�o no deixe garantir que n�o existam contradi��es entre suas vers�es.

Claro, pode prosseguir.

Sra. Vole, presumo que quer ajudar seu marido.

� evidente que quero ajud�-lo.

Quero ajudar o senhor Brogan-Moore e quero ajudar voc�.

Assim.

N�o seria mais confort�vel para o senhor?

Senhora Vole, isto � muito importante.

Esta noite, seu marido voltou para casa antes das 21h30, est� correto?

Precisamente. N�o � isso o que quer que diga?

N�o � a verdade?

Claro.

Por�m, quando disse isso � pol�cia acho que n�o acreditaram em mim.

Talvez n�o tenha dito bem. Talvez pelo meu sotaque.

Querida Sra. Vole...

em nossas Cortes aceitamos declara��es de testemunhas...

que falam s� b�lgaro e necessitam de int�rprete.

Aceitamos declara��es de surdo-mudos...

que n�o podem falar de fato, desde que digam a verdade.

Est� consciente, claro, de que quando subir ao banco...

estar� obrigada sob juramento a falar a verdade.

Sim.

Leonard chegou em casa exatamente �s 21h26 e n�o voltou a sair.

A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade.

Est� melhor assim?

Sra. Vole, ama seu marido?

- Leonard cr� que sim. - E voc�?

J� estou sob juramento?

Sra. Vole, seja qual for sua t�tica...

sabe que sob a lei brit�nica n�o pode ser chamada...

para testemunhar contra seu marido?

Muito conveniente.

Estamos falando de um crime capital.

Os promotores tentar�o enforcar seu marido.

N�o � meu marido.

N�s celebramos uma esp�cie de matrim�nio em Hamburgo...

por�m, eu j� tinha um marido em algum lugar...

da Alemanha Oriental na zona russa.

- Disse ao Leonard? - N�o disse.

Seria estupidez se o fizesse.

N�o teria casado e eu ficaria ali, a morrer de fome.

Mas se casou e trouxe voc� com seguran�a a este pa�s.

N�o acha que deveria ser grata?

A gratid�o pode se tornar muito cansativa.

Seu marido a ama muito, n�o � verdade?

Leonard?

- Beija o ch�o que piso. - E voc�?

Quer saber demais.

"Auf Wiedersehen" cavalheiros.

Obrigado por vir, Sra. Vole. Sua visita foi muito tranquilizadora.

N�o se preocupe, Sir Wilfrid.

Proporcionarei um �libi e serei muito convincente.

Terei l�grimas nos olhos quando disser:

"Leonard voltou para casa �s 21h26, exatamente."

� uma mulher excepcional, Sra. Vole.

E voc� est� satisfeito, espero.

Que me matem, se estou satisfeito!

Quer me acompanhar a cheirar esses sais?

A mulher busca algo, mas o qu�?

A acusa��o acabar� com ela t�o logo suba ao banco.

Conduzir esse caso ser� como: A Carga da Cavalaria Ligeira...

ou um desses pilotos suicidas japoneses.

N�s de um lado e todas as probabilidades do outro.

N�o tenho muito com que continuar, n�o �?

O certo � que n�o tenho nada.

Deixe-me perguntar uma coisa.

Voc� cr� que Leonard Vole � inocente?

Cr�?

Cr�?

N�o estou certo.

Sinto, Wilfrid. � claro que farei o que puder.

Est� bem, Brogan-Moore.

De agora em diante o conduzirei eu.

Chamei o Doutor Harrison e lhe dei um relat�rio completo...

de seu horr�vel comportamento. N�o posso seguir!

- Me d� um f�sforo, Srta. Plimsoll. - Sir Wilfrid!

Me ouviu. Me d� um f�sforo!

Ol�, Sr. Mayhew.

Sir Wilfrid.

O Sr. Mayhew disse que vai me defender. Sou muito grato.

Fiz um trato com meus m�dicos.

Deixarei que me exilem nas Bermudas t�o logo encerremos nosso caso.

Obrigado.

Espero que sobrevivamos os dois.

Ponha isto. Necessitamos de uma fotografia.

Para qu�?

Era o que usava na noite do assassinato.

Faremos circular a foto...

para o caso de terem visto voc� sair da casa da Sra. French.

Contra a parede, por favor.

Quieto.

Uma mais, de perfil, por favor.

Verdade que precisamos disso?

Minha esposa sabe a que hora cheguei nessa noite.

Um testemunho desinteressado poderia ser de mais valor.

Sim, de certo, Christine n�o � uma testemunha isenta.

Recolherei mais tarde os negativos, obrigado.

N�o o entendo.

Por que n�o veio ver-me?

N�o a deixam ver-me? J� faz duas semanas!

Mayhew, d�-me os relat�rios.

Estiveram falando com ela? Aconteceu algo com ela?

Quero ler para voc� parte da declara��o de Janet Mackenzie, a governanta.

"O Sr. Vole ajudava a Sra. French com seus assuntos de neg�cios...

em particular, com a declara��o de renda."

Sim, eu fiz.

Alguns desses formul�rios s�o muito complicados.

Tamb�m insinua que pode t�-la ajudado a redigir seu testamento.

Isso n�o � certo. Se Janet disse isso, est� mentindo.

Sempre esteve contra mim, n�o sei por qu�.

� evidente.

Voc� atirou um bate-ovos nas engrenagens de sua casa vitoriana.

E quanto a esse corte?

Disse � pol�cia que tinha se cortado com uma faca.

� verdade, me cortei.

Cortava p�o e a faca me atingiu.

Mas isso foi dois dias depois do assassinato.

Christine estava. Ela lhe dir� quando oferecer provas.

Est�o ocultando algo de mim? Est� enferma?

Chocada com o que me acontece?

Em geral, creio que aceitou bem, mas pode ser s� apar�ncia.

As esposas costumam ficar muito afetadas em momentos assim.

Sim, deve ser duro, n�o �?

Nunca nos separamos desde que nos conhecemos.

Como conheceu sua esposa, Sr. Vole?

Na Alemanha, em 1945.

� muito curioso...

na primeira vez que a vi, fiquei impressionado.

Estava baseado nos arredores de Hamburgo...

em uma unidade de manuten��o.

Instalei uma ducha em uma resid�ncia oficial...

e me deram um passe de fim de semana.

Vamos, junte-se � festa...

tome um bom copo de rum!

Nunca pense no amanh�...

porque o amanh� pode n�o chegar nunca.

Quando encontro um lugar feliz...

� onde quero ficar.

O tempo n�o � nada enquanto eu viva assim.

Pode ser que n�o volte � minha casa nunca mais.

Baixe as luzes e comece a fechar as portas.

Me d� seus bra�os...

me d� seus encantos...

afinal, � para isso que servem os marujos.

Tenho beijos e beijos em abund�ncia...

que n�o foram provados nunca.

Se me tratar bem, esta poderia ser a noite.

Pode ser que n�o volte para casa.

Pode ser que n�o volte para casa.

Pode ser que n�o volte para casa nunca mais.

Pode ser que n�o volte para casa nunca mais.

Fraulein, mostre-nos algumas pernas!

Te cegam e te d�o um rude marinheiro!

Venha, vamos v�-las!

Queremos pernas!

Est� bem, Fraulein! Se n�o as mostra, eu o farei.

Vamos, rapazes! Venham, vamos!

Ponham-nos no caminh�o.

Voltaremos, baby! Voltaremos!

PROIBIDO

Sa�de!

O que est� procurando?

- Meu acorde�o. - Deixe que a ajude.

Creio que o encontrei.

Pise outra vez, ainda respira.

Sinto muit�ssimo.

Ser� melhor que se v�. J� tivemos problemas suficientes.

A verdade � que a culpa � sua.

O traje do cartaz da� de fora deu ideias aos rapazes...

depois essas cal�as deixaram eles frustrados.

Aquele traje se foi com o primeiro ataque a Hamburgo.

Depois o resto de meus vestidos.

E agora bombardeiam minhas cal�as.

Um cigarro? Chiclete?

Voc� est� queimando meu nariz.

Oh, sinto muito!

Tudo bem.

Que tal uma x�cara de caf�? Tenho uma lata de caf�.

Quanto?

N�o sei. Como est� o c�mbio?

Depende se � caf� fresco ou caf� mo�do.

� caf� instant�neo.

Tem �gua quente em sua casa?

�s vezes.

Vamos correr o risco. Onde mora?

Perto.

Venha.

Sinto, � a noite de folga da empregada.

Isso � horr�vel!

No sentido de "gem�tlich".

Agora est� tudo bem. Antes tinha uma companheira.

Uma bailarina.

Teve sorte, se casou com um canadense e vive em Toronto.

Tem um Ford.

Ser� melhor que se acomode, o fog�o est� lento estes dias.

Tudo bem. Tenho um passe de fim-de-semana.

N�o! Essa cadeira n�o.

Segura essa viga que segura a metade do teto. Melhor na cama.

Na cama?

Isto est� cada vez mais "gem�tlich".

- Est� casada? - Por qu�?

Pela...

Ah, isso!

N�o, n�o. N�o estou casada. S� a uso quando trabalho.

Me d� um pouco de prote��o com os homens.

Esta noite n�o funcionou muito bem.

N�o, esta noite foi ruim.

Mas est� melhorando.

Onde est� o caf�?

Ah! O caf�, "jawohl"!

A melhor safra brasileira.

A mesma que toma O Marechal-De-Campo Montgomery.

Est� justa essa troca.

Muito justa.

Estaria interessada em ficar com toda a lata?

Sim.

Como est� de a��car?

Mais um pouco ficaria bem.

Leite?

Claro.

Leite. A��car.

� um prazer fazer neg�cios contigo.

Sim.

Tamb�m levo biscoitos, ovo em p�, bacon e marmelada.

N�o sei se poderei arcar com a despesa.

N�o se preocupe.

Pensaremos em algo, como uma venda � prazo.

"Pode ser que n�o volte para casa nunca mais."

Oh, sinto muit�ssimo! Agora n�o tem teto.

Talvez possa consert�-lo, sou bom nisso.

Por que consert�-lo? N�o est� chovendo.

Est� bem?

Creio que sim. Me d�i um pouco a cabe�a.

Talvez possa consert�-la, sou boa nisso.

Tinha um passe de fim-de-semana, um m�s de soldo no bolso...

E ela j� tinha um anel de casamento?

Sim, correto.

Nos casamos e logo que tirei a licen�a, trouxe-a para a Inglaterra.

Foi maravilhoso. Aluguei um pequeno apartamento em Edgeware Road.

A primeira vez que o viu, Christine ficou t�o feliz que desatou a chorar.

Natural. Tinha um teto s�lido sobre a cabe�a e um passaporte brit�nico.

Voc� n�o conhece bem a Christine e o que ela sente por mim...

a conhecer� quando fizer sua declara��o.

Sr. Vole, devo dizer que n�o vou p�-la no banco de testemunhas.

N�o? Por que n�o?

� estrangeira e n�o est� muito familiarizada...

com as sutilezas de nosso idioma.

A acusa��o poderia engan�-la com facilidade.

Ouvi que pode ser o "Sr. Corona". Com ele n�o podemos correr riscos.

N�o. Bem, � melhor irmos.

A Srta. Plimsoll espera no quarto com suas p�lulas...

e suas garrafas t�rmicas de chocolate.

- Agente! - Christine deve dar provas!

Sr. Vole, deve aprender a confiar em mim.

Pela simples raz�o de que sou um velho, ruim, mal-humorado...

que odeia perder.

Vamos nos desejar sorte mutuamente.

N�o posso enfrentar isso sem Christine. Na verdade, tenho medo.

Preciso dela! Sem ela estou afundado.

Comovedor, n�o? O modo como confia na sua esposa.

Sim, como um n�ufrago agarrado numa l�mina de barbear.

Leonard Stephen Vole...

acusado de assassinar em 14 de outubro...

no Condado de Londres a Sra. Emily Jane French.

Agora diga, Leonard Stephen Vole...

� culpado ou inocente?

Inocente.

Membros do J�ri...

o prisioneiro est� sendo acusado de ter assassinado em 14 de outubro...

a Emily Jane French.

Desta acusa��o, ele se declarou inocente...

e � sua fun��o dizer...

tendo ouvido as declara��es, se � culpado ou n�o.

Membros do J�ri...

pelo juramento que acabam de prestar...

prometeram julgar este caso segundo as evid�ncias.

Afastar�o de suas mentes de tudo...

excetuando o que aconte�a neste tribunal.

Pode prosseguir com a acusa��o, Sr. Myers.

Com sua permiss�o, Excel�ncia.

Membros do J�ri...

me apresento neste caso com meu distinto colega...

o senhor Barton, pela acusa��o...

meus distintos colegas, Sir Wilfrid Robarts e o Sr. Brogan-Moore...

que comparecem pela defesa.

Confio que n�o ficaremos privados...

da erudita e estimulante presen�a de Sir Wilfrid.

Excel�ncia, asseguro a meu distinto colega da acusa��o...

que Sir Wilfrid est� no "Old Bailey" ligeiramente incapacitado...

mas vir�.

Excel�ncia, posso expressar meu pesar pelo fato do Sir Wilfrid...

estar, ainda que ligeiramente, incapacitado?

Pode Sr. Myers. Tamb�m pode prosseguir com a acusa��o.

Grato, Excel�ncia.

Os fatos neste caso s�o simples e at� certo ponto, indiscut�veis.

Ouvir�o como o acusado conheceu a senhora Emily French, de 56 anos.

Como ela o tratou com amabilidade inclusive com afeto.

Em 14 de outubro, entre as 21h30 e as 22h...

a senhora French foi assassinada.

Ser� apresentado testemunho m�dico que provar� que a morte foi causada...

por um golpe com um objeto grosso e contundente...

e a acusa��o afirma...

que o golpe lhe foi desferido pelo acusado, Leonard Vole.

Isso n�o � certo! Eu n�o o fiz.

Entre as testemunhas ouvir�o as declara��es da pol�cia...

a da governanta da senhora French, Janet Mackenzie...

a dos m�dicos e especialistas do laborat�rio...

e a declara��o...

do advogado da mulher assassinada que redigiu seu testamento final.

Chamo o Inspetor-Chefe Hearne...

do Departamento de Investiga��o Criminal da New Scotland Yard.

Inspetor-Chefe Hearne!

- Inspetor-Chefe Hearne! - Inspetor-Chefe Hearne!

Isso � rid�culo! S� um pouco de acidez nervosa no est�mago.

Sempre me acontece no primeiro dia de julgamento.

240-130. N�o devia estar aqui.

Devia estar na sala, o julgamento come�ou.

Seringa, por favor.

Seja um garoto valente, Sir Wilfrid.

Srta. Plimsoll...

gostaria que soubesse que descendo de uma fam�lia de guerreiros...

que entrela�a seu valente passado com Ricardo Cora��o de Le�o.

Tem que tomar uma inje��o de c�lcio di�ria...

...e tomar um tranquilizante a cada hora. - Acertarei o alarme do rel�gio.

Em caso de dor forte ou falta de ar...

uma pastilha de nitroglicerina, desta caixa negra, debaixo da l�ngua...

...e lhe deixarei umas gotas para... - N�o. J� basta, doutor.

O Juiz pedir� um exame de saliva. Carter!

Ser� melhor que me leve essa garrafa de chocolate.

- Me ajuda a engolir as p�lulas. - Deixe-me v�-lo, por favor.

Meu distinto paciente n�o ir� substituir chololate por brandy.

� chocolate. Sinto muito.

Se voc� n�o fosse uma mulher, Srta. Plimsoll, eu a acertaria.

Cuide disso, Carter.

Bem, Sir Wilfrid, na sala deve evitar emo��es fortes.

Sim, doutor, sim, sim...

Controle seu g�nio. Mantenha baixa a voz e a press�o sangu�nea.

Obrigado, doutor. Estarei a salvo com as p�lulas e o chocolate.

Acompanhe-me, Carter.

Pela temperatura do corpo e outros fatores...

situamos a hora da morte entre 21h30 at� 22h...

aproximadamente 30 minutos antes de que Janet MacKenzie, a criada...

regressasse � casa e nos chamasse.

A morte foi instant�nea...

causada por um s� golpe com um objeto grosso e contundente.

Havia algum sinal de estrangulamento?

N�o, s� esse golpe.

Isso indicaria que o assassino pegou a senhora French de surpresa?

Sr. Juiz, protesto.

Meu distinto colega se refere ao agressor como "o assassino"...

todavia n�o determinamos se o agressor era homem ou mulher.

� poss�vel que seja "a assassina".

Sr. Myers, parece que Sir Wilfrid chegou justo a tempo...

para corrigir uma quest�o gramatical.

- Por favor, refa�a sua pergunta. - Sim, Excel�ncia.

Inspetor, voc� acha que o agressor, seja, "ele", "ela" ou "o que seja"...

pegou a senhora French de surpresa?

Excel�ncia, me surpreende muito que meu distinto colega...

solicite da testemunha uma opini�o e n�o um fato.

Tem raz�o. Ter� que fazer melhor Sr. Myers.

Excel�ncia, retiro a pergunta.

Est� melhor assim?

Est� muito melhor.

Sil�ncio! Sil�ncio!

Muito bem, inspetor, prossigamos com os fatos.

Que fizeram depois de estabelecer a causa e a hora da morte?

Fez-se um registro, tiraram fotos e buscaram impress�es digitais.

Que impress�es digitais encontraram?

Encontramos as da Sra. French, as de Janet MacKenzie...

e outras que mais tarde resultaram ser de Leonard Vole.

- Nenhuma outra? - Nenhuma outra.

Voc� disse que a sala parecia...

ter sido roubada?

Sim. As coisas estavam reviradas...

e havia uma janela quebrada perto do trinco.

Havia vidro no ch�o e foram encontrados fragmentos fora.

O vidro de fora n�o era igual ao da janela arrombada.

O que est� dizendo � que algu�m tentou fazer parecer...

que a janela havia sido for�ada por fora...

...n�o � assim? - Excel�ncia, devo protestar!

Meu distinto colega p�e palavras na boca da testemunha.

Afinal de contas, se insiste em responder suas pr�prias perguntas...

a presen�a da testemunha ser� sup�rflua.

Exatamente. N�o � da mesma opini�o, Sr. Myers?

Sim, Excel�ncia.

Inspetor...

voc�s verificaram se faltava algum pertence da mulher?

Segundo a governanta, n�o faltava nada.

Segundo sua experi�ncia, Inspetor...

quando os ladr�es, ou ladras...

entram em uma casa, costumam sair sem levar nada?

N�o, senhor.

Apresenta uma jaqueta, Inspetor?

Sim, senhor.

� essa a jaqueta?

Sim, senhor.

� a prova "P 1", Excel�ncia.

Onde a encontrou, Inspetor?

� a jaqueta encontrada no apartamento do acusado.

Mandei ao laborat�rio para analizar poss�veis manchas de sangue.

- E encontrou alguma? - Sim.

Embora tenham tentado lav�-las.

Que testes fez o laborat�rio?

Primeiro, determinar se as manchas eram de sangue humano.

Depois, classificar segundo o grupo ou tipo.

E o sangue era de algum grupo em particular ou tipo?

Sim, senhor, � do tipo O.

E posteriormente analizaram o sangue da v�tima?

- Sim, senhor. - E qual era o tipo?

O mesmo, tipo O.

Grato, Inspetor.

N�o h� mais perguntas.

Inspetor...

disse que as impress�es encontradas eram da Sra. French.

Segundo sua experi�ncia, quando...

um ladr�o entra em uma casa, costuma deixar impress�es ou usa luvas?

Usa luvas.

Assim, a aus�ncia de impress�es em caso de roubo n�o o surpreenderia.

N�o.

Vanos supor ter um ladr�o entrado numa casa que acreditava vazia...

se encontrado com a Sra. French, a golpeasse...

e, ao se dar conta que estava morta fugisse assustado sem levar nada?

Sustento, Excel�ncia, que � totalmente imposs�vel adivinhar...

o que passa pela mente de um ladr�o totalmente imagin�rio.

Com ou sem luvas.

N�o conjecturemos, Sir Wilfrid, vamos nos limitar aos fatos.

Inspetor...

quando interrogou o acusado sobre a mancha de sua jaqueta...

ele n�o lhe mostrou uma cicatriz recente no punho...

e lhe disse que havia feito com uma faca cortando p�o?

Sim, senhor, foi o que ele disse.

E n�o lhe disse o mesmo a esposa do acusado?

- Sim, senhor, mas depois... - Um simples "sim" ou "n�o", por favor.

A esposa lhe mostrou uma faca e lhe disse que seu marido...

havia cortado o punho enquanto fatiava p�o?

Sim, senhor.

Pe�o que examine essa faca, Inspetor.

Examine o fio da faca com o dedo. Com cuidado!

Concordar� que a faca est� afiada como uma l�mina de barbear.

Sim, senhor.

Se essa faca escorregasse...

n�o poderia causar um corte que sangrasse profusamente?

Sim senhor, poderia.

Inspetor, declarou que analizaram o sangue...

da jaqueta do r�u...

e o sangue da Sra. French e que ambos resultaram ser do grupo O.

Est� correto.

N�o obstante...

se o sangue do acusado fosse tamb�m deste mesmo grupo...

as manchas da jaqueta poderiam ser do acidente caseiro descrito.

Sim, senhor.

Analizou o sangue do acusado, Inspetor?

N�o, senhor.

Tenho aqui um certificado...

que diz que Leonard Stephen Vole...

� doador no hospital North London...

e que seu sangue � do grupo O.

Obrigado, Inspetor.

Inspetor...

presumindo que o corte do punho foi causado por essa faca...

existe algo que demonstre se foi um acidente...

ou bem, feito deliberadamente depois do assassinato...

para justificar as manchas de sangue?

Protesto, Excel�ncia!

Retiro a pergunta. Pode descer, Inspetor.

Chamo Janet MacKenzie.

- Janet Mackenzie! - Janet Mackenzie!

Juro por Deus, todo poderoso, que a declara��o que fizer...

ser� a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade.

Carter!

Carter!

P�lulas!

- Seu nome � Janet MacKenzie? - Sim, esse � meu nome.

Quando veio a Londres?

Isso foi h� muitos anos, 28 anos.

Onde vive?

Agora que a pobre Sra. French est� morta...

vivo com minha sobrinha no 19 de Glenister Road.

Era a dama de companhia da finada Sra. Emily French?

Era sua governanta.

N�o opino sobre as damas de companhia, pobres irrespons�veis...

temerosas em fazer o honrado trabalho dom�stico.

O que quis dizer � que voc�s mantinham uma rela��o amistosa...

n�o aquela normal entre senhora e empregada.

Sim.

Estive cuidando dela 10 anos. Me conhecia e confiava em mim.

Muitas vezes evitei que fizesse besteiras.

Por favor, fale usando suas palavras...

dos acontecimentos da noite de 14 de outubro.

Era sexta-feira, minha noite livre.

Fui ver minha sobrinha de Glenister Road...

que fica cinco minutos � p�.

Sa� de casa �s 19h30.

Prometi levar o molde de um vestido que ela gostava.

Esta coisa � necess�ria?

Excelente pergunta.

Entretanto, sua instala��o custou muito aos contribuintes...

ent�o vamos tirar o m�ximo proveito dele.

Por favor, continue.

Na casa de minha sobrinha, notei ter esquecido o molde...

assim, depois do jantar voltei para peg�-lo, j� que estava t�o perto.

Cheguei l� �s 21h25.

Entrei e subi ao meu quarto.

Ao passar pela sala, ouvi o acusado que est� a�...

...falando com a Sra. French. - N�o, n�o era eu! N�o era minha voz!

Estavam falando e rindo.

Mas n�o era assunto meu, assim subi e peguei meu molde.

Bem, sejamos muito exatos quanto � hora.

Disse que voltou a entrar na casa �s 21h25?

Sim. O molde estava em uma prateleira perto do rel�gio e vi a hora.

Eram 21h25.

Continue, por favor.

Voltei � casa de minha sobrinha.

Estava encantada com o molde.

Simplesmente encantada.

Estive ali at� �s 22h40...

lhe dei boa noite e fui para casa.

Entrei na sala para ver se a senhora queria algo...

antes de ir para a cama...

e ali estava ela, morta, com tudo espalhado pelo ch�o.

Pensou que havia acontecido um roubo?

Excel�ncia, devo protestar!

N�o permitirei que essa pergunta seja respondida, Sr. Myers.

Srta. Mackenzie...

voc� sabia que Leonard Vole era um homem casado?

N�o, n�o sabia.

- E a senhora tampouco. - Janet!

Protesto, Excel�ncia. O que a Sra. French sabia ou n�o...

� pura conjectura por parte de Janet Mackenzie.

Permita-me colocar assim.

Voc� acreditou que a Sra. French pensava que Leonard Vole era solteiro.

Tem algum fato que sustente esta ideia?

Bom, os livros que havia pedido.

Um era a vida da Baronesa Burdett Couts...

e outro sobre Disraeli e sua esposa.

Ambos sobre mulheres que haviam casado com homens mais jovens.

Sabia no que estava pensando.

- Isso n�o podemos admitir. - Por qu�?

Membros do J�ri, � poss�vel que uma mulher leia a vida de Disraeli...

sem contemplar o matrim�nio com um homem mais jovem que ela.

Srta. MacKenzie...

sabia o que a Sra. French intencionava fazer com rela��o ao seu dinheiro?

Revogou seu testamento e fez outro.

Eu a ouvi chamar o Sr. Stokes, seu advogado.

Ele estava ali nesse momento. Me refiro ao acusado.

Ouviu a Sra. French e o acusado discutindo seu novo testamento?

Sim. Ela lhe disse que o deixaria todo seu dinheiro...

j� que n�o tinha parentes pr�ximos...

nem ningu�m que significasse para ela o que ele significou.

Quando isto aconteceu?

Em 8 de outubro.

Uma semana antes do dia de seu assassinato.

Grato. Terminei minhas perguntas.

Ainda n�o, Srta. MacKenzie.

Se importaria?

Obrigado.

Srta. MacKenzie, se referiu a dois testamentos.

No antigo, o testamento revogado...

n�o ia receber a maior parte do patrim�nio da Sra. French?

Sim, � isso.

E no novo, exceto por uma pequena anuidade para voc�...

o principal benefici�rio � o acusado Leonard Vole.

Seria uma injusti�a se tocasse num tost�o desse dinheiro.

� totalmente compreens�vel que voc� seja hostil ao acusado.

Eu n�o lhe sou hostil.

Ele � um moleque astuto, folgado e estranho.

Mas eu n�o lhe sou hostil.

Deduzo que formou essa opini�o...

porque a amizade dele com a falecida senhora...

lhe custou o seu patrim�nio.

Ele nunca me agradou.

Sua franqueza � reconfortante.

Bem...

disse que na noite de 14 de outubro ouviu o acusado e a senhora conversando.

O que os ouviu dizer?

Na verdade n�o ouvi o que diziam.

Quer dizer que s� ouviu as vozes? O murm�rio das vozes?

Estavam rindo.

O que a faz dizer que a voz do homem era a de Leonard Vole?

- Conhe�o muito bem sua voz. - A porta estava fechada, verdade?

Sim, estava.

Sem d�vida tinha pressa em pegar o molde...

assim deve ter passado rapidamente pela porta.

Ainda assim assegura que ouviu a voz de Vole?

Estive ali o suficiente para ouvir o que ouvi.

Vamos, Srta. MacKenzie...

estou seguro que n�o quer sugerir ao J�ri que estava espiando.

Sabia que era ele. Quem mais poderia ser?

Exato. Quer dizer que queria que fosse ele. Assim funcionou sua mente.

Diga-me, a Sra. French assistia televis�o � noite?

Sim. Gostava de uma boa entrevista ou uma boa pe�a.

N�o � poss�vel que essa noite quando passou ao lado da porta...

o que ouviu na verdade foi a televis�o...

e as vozes e risos de um homem e uma mulher?

Essa noite passou na televis�o um filme chamado "Colo de um Amante".

N�o era a televis�o!

Por que n�o?

Porque naquela semana o aparelho estava no conserto, s� por isso.

Sil�ncio! Sil�ncio!

Estranho. Mas ainda n�o � a hora.

Se meu distinto colega n�o tem mais perguntas, gostaria...

Mas ainda n�o terminei.

Voc� paga ou n�o a previd�ncia social?

Sim, � claro, s�o 46 pennies que tenho que pagar cada semana.

� muit�ssimo dinheiro para uma mulher trabalhadora.

Estou seguro de que muitos concordam com voc�.

Bem , Srta. MacKenzie...

solicitou recentemente � previded�ncia social...

um aux�lio para aparelho auditivo?

Um... um o qu�?

Excel�ncia, protesto contra a forma com que foi formulada a pergunta!

Repetirei a pergunta, Excel�ncia.

Eu perguntei em um tom normal de voz, aud�vel para todos na sala...

se havia solicitado � previd�ncia social um aparelho auditivo.

Sim, solicitei.

- E lhe deram? - N�o, absolutamente.

Entretanto, afirma que passou ao lado de uma porta de carvalho de 10 cm...

ouviu vozes e est� disposta a jurar que pode reconhecer a voz do...

acusado, Leonard Vole.

De quem? De qu�?

N�o h� mais perguntas.

Talvez o senhor possa me ajudar, Excel�ncia.

Faz seis meses que solicitei o aparelho...

e ainda estou esperando.

Srta. MacKenzie, considerando as tolices que se dizem hoje em dia...

voc� est� perdendo muito pouco. Pode retirar-se.

Sil�ncio! Chamo o agente de pol�cia Jeffries!

- Agente de pol�cia Jeffries! - Agente de pol�cia Jeffries!

Juro por Deus, todo poderoso, que o que disser ser� a verdade...

toda a verdade e nada mais que a verdade.

Vole. Julgamento por assassinato em "Old Baley".

Terceiro dia do julgamento de Vole!

Senhor Myers, conclui com isso a acusa��o?

N�o, Excel�ncia.

Chamarei a �ltima testemunha da acusa��o, Christine Helm.

- Christine Helm! - Christine Helm!

Christine Helm!

Christine...

Juro por Deus, todo poderoso, que a declara��o que fizer ser� a verdade...

toda a verdade e nada mais que a verdade.

Vossa Excel�ncia.

Tenho s�rias obje��es ao fato desta testemunha ser chamada pela acusa��o...

j� que � a esposa do acusado.

Excel�ncia, chamo a aten��o do meu distinto colega sobre o fato...

de que n�o chamou a Sra. Vole, mas a Sra. Helm.

Seu nome � Christine Helm?

Sim, Christine Helm.

E esteve vivendo como esposa do acusado, Leonard Vole?

- Sim. - � realmente sua esposa?

N�o.

Realizei uma cerim�nia de casamento com ele em Hamburgo...

mas j� tinha um marido. E ainda est� vivo.

Christine, isso n�o � verdade!

Excel�cia, h� prova do matrim�nio entre a testemunha e o acusado.

H� alguma prova do suposto matrim�nio pr�vio?

Excel�ncia, o suposto matrim�nio pr�vio est� bem documentado.

Sra. Helm...

esta � a certid�o de seu casamento com Otto Ludwig Helm?

A cerim�nia aconteceu em Wroclaw em 18 de abril de 1942?

Sim, essa � a certid�o de meu matrim�nio.

N�o vejo raz�o pela qual esta mulher n�o esteja qualificada para declarar.

Sra. Helm, est� disposta a testemunhar contra o homem...

a quem tem chamado de "marido"?

Sim.

Declarou � pol�cia que na noite em que foi assassinada a Sra. French...

Leonard Vole saiu de casa �s 19h30 e regressou �s 21h25.

regressou realmente �s 21h25?

N�o, regressou �s 22h10.

Christine! O que diz? N�o � verdade! Voc� sabe!

Sil�ncio!

Preciso de sil�ncio!

Como o dir� seu advogado, Vole...

tem pouca possibilidade de falar em sua pr�pria defesa.

Voc� disse que Leonard Vole regressou �s 22h10.

- O que aconteceu depois? - Arfava, estava muito nervoso.

Tirou a jaqueta e examinou as mangas.

Ent�o me pediu que lavasse os punhos.

- Tinha sangue. - Continue.

- Perguntei: "O que fez?" - E o que respondeu o acusado?

Disse: "a matei".

Christine! Por que mente? Por que diz essas coisas?

Que mulher horr�vel!

� a mais malvada que conheci na minha vida.

Se a defesa desejar...

farei um breve recesso para que o acusado se acalme.

Vossa Excel�ncia � muito gentil mas pe�o que a testemnha continue.

Estamos todos surpreendidos com o suspense desta hist�ria de terror.

Ter que ouv�-la em cap�tulos ser�a insuport�vel.

Prossiga, Sr. Myers.

Sra. Helm, quando o acusado disse: "a matei"...

voc� sabia a quem ele se referia?

� mulher que ele via frequentemente.

Quando pol�cia a interrogou...

declarou que o acusado havia regressado �s 21h25?

Sim, porque Leonard me pediu que o dissesse.

Por�m agora mudou sua hist�ria, por qu�?

N�o posso seguir mentindo para salv�-lo.

Disse � pol�cia o que ele queria porque estava agradecida.

Se casou comigo e me trouxe a este pa�s.

Sempre fiz o que ele me pediu porque lhe estava agradecida.

N�o por que era seu marido e o amava?

Eu nunca o amei.

Foi por gratid�o que voc� deu tal �libe para ele?

� isso, exatamente.

Por�m, agora pensa que foi um erro faz�-lo?

Porque � um assassinato.

Aquela mulher era uma inofensiva velha idiota...

e ele me faz c�mplice de assassinato!

N�o posso jurar no tribunal que estava comigo quando aconteceu!

N�o posso faz�-lo! N�o posso faz�-lo!

Ent�o, � esta a verdade?

Leonard Vole regressou aquela noite �s 22h10...

tinha sangue nas m�os, e lhe disse: "a matei"?

Essa � a verdade.

Essa � a verdade perante Deus?

Essa � a verdade.

Obrigado.

Sra. Vole... ou Sra. Helm. Como prefere que a chame?

- N�o importa? - Verdade?

Neste pa�s tendemos a ter uma vis�o mais s�ria do matrim�nio.

Entretanto, Frau Helm, ao que parece...

quando conheceu o r�u em Hamburgo mentiu sobre seu estado civil.

- Queria sair da Alemanha, assim que... - Mentiu para ele, n�o � verdade?

S� "sim" ou "n�o", por favor.

- Sim. - Obrigado.

Posteriormente, na papelada do casamento, mentiu �s autoridades?

N�o disse a verdade �s autoridades.

- Mentiu? - Sim.

E na cerim�nia, quando jurou amar e respeitar seu marido, mentiu?

Sim.

E quando a pol�cia a interrogou sobre esse infeliz que se acreditava...

casado e amado, lhes disse...

O que Leonard queria que lhes dissesse.

Que estava com voc� em casa �s 21h25.

- E agora disse que era mentira? - Sim, mentira.

E quando lhes disse que havia se cortado acidentalmente...

...mentiu outra vez? - Sim!

E hoje nos contou uma hist�ria totalmente nova.

A pergunta �, Frau Helm, mentia ent�o? Mente agora?

Ou ser� uma cr�nica e habitual mentirosa!

Carter, a outra p�lula! Debaixo da l�ngua!

Excel�ncia, o senhor permite meu colega intimidar...

e insultar a testemunha desta forma?

Sr. Myers, � um crime grave e dentro dos limites do razo�vel...

me agradaria que a defesa tivesse toda flexibilidade.

Excel�ncia, posso recordar ao meu colega que sua testemunha, segundo admitiu...

j� violou tantos juramentos que me surpreende que a B�blia...

n�o lhe tenha saltado das m�os quando jurou sobre ela.

Duvido que ganhemos algo continuando com seu interrogat�rio!

Isso � tudo, Frau Helm.

Sra. Helm, suponho que saber� o significado da palavra "perj�rio".

- Em seu idioma � "meineid"? - Sim, "meineid".

Significa declarar em falso sob juramento.

E � consciente, Sra. Helm, de que a pena por perj�rio neste pa�s...

� uma longa temporada na pris�o?

Sim, estou consciente.

Tendo em conta este fato, pergunto uma vez mais.

Seu testemunho � a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade?

Com a ajuda de Deus.

Ent�o, Excel�ncia, a acusa��o encerra.

Quer um len�o?

Sim, obrigada.

� o primeiro julgamento por assassinato a que assisto. � terr�vel!

Sil�ncio!

Sir Wilfrid, est� pronta a defesa?

Excel�ncia, membros do J�ri...

a acusa��o atuou habilmente contra o acusado, Leonard Vole...

em um caso com superioridade de provas circunstanciais.

Entre as testemunhas ouvimos o Inspetor-Chefe Hearne...

que testemunhou de um modo justo e imparcial...

como sempre faz nesses casos.

desenvolveu e exp�s uma s�bia teoria de como se cometeu o crime.

Entretanto, se � teoria ou fato, voc�s decidir�o.

Depois ouviram a declara��o de Janet Mackenzie...

uma respeit�vel e devota governanta que sofreu duas penosas perdas.

Uma, a perda de sua amada senhora e a segunda...

a priva��o de uma heran�a de 80.000 libras que esperava receber.

N�o farei mais coment�rios sobre sua declara��o.

S� expressarei minha mais profunda simpatia por ela nestes dois...

contratempos.

E, finalmente, a mais prejudicial de todas.

A acusa��o apresentou uma testemunha surpresa, Christine Helm...

com quem se casou o acusado e a quem trouxe, dos escombros...

� seguran�a deste pa�s, dando-lhe seu amor e a prote��o de seu nome.

Me opus a seu testemunho porque uma esposa n�o pode depor...

"contra" seu marido, por�m se provou...

que seu matrim�nio com Leonard Vole era fraudulento e b�gamo.

Portanto, seu testemunho deve ser admitido e considerado...

no que for de valor.

Essa foi a tese de acusa��o. Agora a vez da defesa.

Poder�amos apresentar, em nome do r�u, v�rios testemunhos de seu car�ter...

hist�rico de guerra, a aus�ncia de passado criminoso.

Entretanto, s� uma testemunha...

pode trazer nova luz a este tr�gico enigma...

o pr�prio acusado.

Membros do J�ri, chamo Leonard Stephen Vole.

Juro por Deus, todo poderoso, que a declara��o que farei ser�...

a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade.

N�o.

Seu nome � Leonard Stephen Vole?

Sim.

Onde vive?

No 620 de Edgeware Road.

Leonard Stephen Vole, na noite de 14 de outubro passado...

assassinou ou n�o Emily Jane French?

N�o a assassinei!

Obrigado, isso � tudo.

Terminou de fato o interrogat�rio do acusado, Sir Wilfrid?

Excel�ncia, o acusado suportou 3 dias da mais dura agonia mental e choque.

A defesa considera que suas faculdades devem ser preservadas...

para o interrogat�rio do meu colega da acusa��o.

Com isto n�o estou pedindo nenhuma indulg�ncia.

Confio que, por mais agressivo que seja, o acusado o suportar�!

Sr. Vole, quando conheceu a Sra. French, tinha trabalho?

- N�o senhor. - Quanto dinheiro tinha?

S� umas libras.

- Ela lhe deu dinheiro alguma vez? - Nem um centavo.

- Esperava receber algum? - N�o, senhor.

Sabia que em seu novo testamento era o benefici�rio de 80.000 libras?

N�o, n�o sabia.

Senhor Vole, a �ltima vez que foi visitar a Sra. French...

levava um capa de chuva e um chap�u marrom?

Sim, � verdade.

Eram esta capa e este chap�u?

Sim, senhor.

Excel�ncia, a defesa, sem deixar pedra sobre pedra em seu esfor�o...

de estabelecer um �libi para o acusado...

fez circular esta foto...

para encontrar uma testemunha...

que o tivesse visto sair da casa da Sra. French...

ou entrar na sua nas horas que declarou.

Aparentemente, este magn�fico esfor�o n�o obteve resultados.

Entretanto, a defesa ficar� satisfeita em saber...

que no �ltimo momento apareceu uma testemunha...

e que o acusado havia sido visto com esta capa e este chap�u.

Lamentavelmente, n�o havia sido visto na noite do assassinato...

sen�o, exatamente, uma semana antes.

Na tarde de 8 de outubro, esteve ou n�o em uma ag�ncia de viagem...

e, perguntou ou n�o sobre pre�os e hor�rios de cruzeiros ao estrangeiro?

Bom, supondo que o tivesse feito...

Isso n�o � um crime, verdade?

Em absoluto. Muita gente faz cruzeiros, se podem arcar com as despesas.

Mas voc� n�o poderia pagar, n�o �, senhor Vole?

Bom, estava duro, eu lhe disse isso.

E ainda assim entrou nessa ag�ncia de viagem com uma morena pendurada?

Uma "morena pendurada", senhor Myers?

Excel�ncia, assim me foi descrita a jovem.

Estava muito carinhosa com o acusado...

"pendurada" em seu bra�o.

Ent�o, admite que perguntou pelos cruzeiros mais caros e luxuosos?

Como pensava pagar tais coisas?

N�o sei. S� fui...

Se n�o sabe talvez possa ajudar-lhe.

Na manh� desse mesmo dia, segundo o senhor Stokes...

ouviu a Sra. French mudar seu testamento deixando-lhe o dinheiro.

N�o � certo! N�o sabia!

E pela tarde come�ou a fazer planos para dispor do dinheiro.

N�o, n�o foi nada disso!

Estava em um bar e conheci a mo�a, que sequer me lembro o nome.

Bebemos umas duas doses e saimos juntos.

Passamos por essa vitrine e vimos os cartazes, todos...

c�us azuis e palmeiras.

As Ilhas Gregas ou algum lugar assim.

Assim, entramos por farra e eu comecei a pedir panfletos.

O homem me deu uma olhada esquisita...

porque estava um pouco desalinhado.

Isso me desanimou, e segui perguntando pelas viagens mais caras...

todo luxo, um camarote na cobertura, mas era uma brincadeira.

Uma brincadeira?

Sabia que em uma semana herdaria 80.000 libras!

N�o, n�o foi assim em absoluto.

Foi um faz-de-conta infantil, mas foi divertido e eu gostei.

Nunca pensei em matar ningu�m nem herdar dinheiro algum.

Foi casualidade que assassinaram a Sra. French uma semana depois?

Eu j� disse, eu n�o a matei!

Sabe alguma raz�o pela qual a testemunha Christine Helm...

testemunharia como o fez, se n�o fosse verdade?

N�o, n�o sei porque minha mulher...

Nem sequer sei porque sigo chamando-a "minha mulher".

Deve ter mentido ou quem sabe estava fora de si.

Parecia muito sensata e serena.

A loucura � a �nica raz�o que voc� pode sugerir!

N�o entendo.

Deus! O que aconteceu? O que a mudou?

Muito efetivo, estou seguro.

Por�m, neste tribunal valorizamos fatos.

E o fato �, Sr. Vole, que s� temos sua palavra...

de que saiu da casa da Sra. French na hora que disse...

de que chegou em casa �s 21h25...

e de que n�o voltou a sair.

Por�m, algu�m deve ter-me visto na rua, ou entrando em casa!

Poderia pensar-se assim...

mas a �nica pessoa que o viu entrar em casa aquela noite...

disse que foi �s 22h10 e que tinha sangue nas m�os.

- Cortei o punho. - Se cortou deliberadamente!

N�o, n�o o fiz! Eu n�o fiz nada!

Mas parece ser assim. Eu mesmo sinto isso!

- Chegou em casa �s 22h10? - N�o. Tem que acreditar!

T�m que acreditar!

Voc� matou Emily French!

N�o, n�o a matei! N�o o fiz!

N�o a matei! Nunca matei ningu�m!

Deus, � como um pesadelo! Um sonho horr�vel e repugnante.

Boa noite, Sir Wilfrid. Como passou hoje?

Sir Wilfrid.

Sou de Hawks e Hill, senhor...

e lhe trouxe umas bermudas para provar.

Umas o qu�?

Ser� melhor que as vista, se t�m de estar prontas para amanh�.

Meu querido senhor, estou no meio de um julgamento por assassinato.

Amanh� pela tarde ter� terminado e o trem n�o sai at� �s 21h40.

Ajuste voc�. J� conhece meu corpo.

- O agride com frequ�ncia. - Suba, Sir Wilfrid.

Precisa de um banho morno e sua inje��o de c�lcio.

E ainda falta muito para empacotar.

Rid�culo! N�o devia ter essas reservas para o barco.

Como vamos saber? O J�ri pode deliberar por v�rios dias!

N�o neste caso, receio. Parece demasiado evidente.

Os observei quando Frau Helm estava na banca. N�o gostaram dela.

N�o gostaram, mas acreditaram nela.

Eles gostaram de Leonard Vole, por�m, nele n�o acreditaram.

E o assunto da ag�ncia de viagens n�o ajudou muito.

- Um charuto, Wilfrid? - N�o.

- Wilfrid, cr� que ela mentiu? - Voc� n�o?

N�o sei, n�o estou seguro.

Eu sim. Ela mentiu.

Quando falou "meineid", chama perj�rio de "meineid", mentiu.

O que me corr�i � por qu�. Qual � seu jogo? O que procura?

Sir Wilfrid, espero que em seu discurso final de amanh�...

n�o se envolva demais emocionalmente.

Deve pensar em seu estado f�sico.

Tem raz�o, sabe? Quero ver como se salva.

Este n�o vai ser seu �ltimo caso.

Sim o �, mas at� que acabe, sigo sendo advogado...

e a vida de meu cliente est� em jogo. � a �nica coisa que importa, sua vida.

Tem direito ao melhor que possa fazer.

Se n�o posso fazer de p� minha �ltima apela��o por ele, a farei sentado.

Se ficar sem f�lego, tomarei uma p�lula ou duas, ou todas...

com caixa e tudo.

Al�!

� a casa de Sir Wilfrid Robarts?

Sim, �.

Deixe-me falar com o velho.

Quem deseja, por favor?

N�o lhe interessa. Deixe-me falar com ele.

Receio que seja imposs�vel. Qual � a natureza de seu assunto?

� um assunto de neg�cios. Tenho algo para vender-lhe.

Verdade, senhora?

E saiba que o que tenho ele ir� querer comprar.

Tem a ver com Leonard Vole.

Leonard Vole?

� sobre sua esposa alem�.

Tenho provas contra ela e est�o � venda.

� Wilfrid Robarts quem fala. De que se trata?

Al�, tesourinho.

Que foi que disse sobre a senhora de Leonard Vole?

N�o s� "digo". Tenho tudo preto no branco.

O que voc� tem?

Escute com cuidado, tesouro.

Estou numa cabine em Houston Station, ao final do bar.

Estarei aqui 30 minutos, porque � quando sai meu trem.

Se quer brigar "cara-a-cara" com essa alem�, venha aqui.

O que sabe sobre ela?

Por telefone, n�o.

Ser� melhor que venha aqui e traga muito dinheiro.

Um momento!

Al�! Al�!

Nada.

Alguma b�bada. Aparecem em todos os julgamentos por assassinato.

Me deu um ultimato: Houston Station em de 30 minutos.

Sabe tudo sobre a Sra. Vole. Tolices!

Estou muito velho e doente para andar por a� a ca�ar gansos.

Vamos, Mayhew.

Aonde, Sir Wilfrid?

A Houston Station! Aonde esperava que fosse?

Agora, senhor?

Daqui a pouco.

Charuto!

Sir Wilfrid! Onde vai?

Seu banho, sua massagem, sua ceia, sua inje��o!

Obrigado, Srta. Plimsoll.

O trem com destino a Carmarthen efetuar� sua sa�da na plataforma 14.

Paradas em Bristol e Swansea.

Este trem far� conex�o com o servi�o mar�timo para Irlanda.

Trem das 23h25 com destino a Carmarthen partir� da plataforma 14.

N�o ser� voc� Sir Wilfrid?

Sou.

N�o o reconheci sem a peruca.

Todos ficam lindos com as perucas.

Dois? N�o vou falar com dois!

Este � o Sr. Mayhew, o advogado do Sr. Vole.

Bom, ent�o est� bem, n�o?

- Seu nome, por favor? - N�o h� necessidade de nomes.

Se lhe desse um nome n�o seria o verdadeiro.

Tomem um trago, rapazes.

Dois whiskys para estes dois cavalheiros amigos meus!

Qual � essa informa��o que supostamente tem?

� �bvio, que se d� conta de que tem obriga��o de entregar...

qualquer prova que tenha em sua posse.

Ah, fala s�rio! Trouxe o dinheiro?

O que tem, senhora?

Cartas! Cartas escritas pela mulher alem�! Isso � o que tenho!

Escritas por Christine Vole ao acusado?

Ao acusado? N�o me fa�a rir!

Aprontou bem com o coitado, e estas cartas o provam.

Se v�ssemos essas cartas, poder�amos dizer se s�o pertinentes.

Bom, n�o espero que...

Como digo, n�o espero que comprem sem ver, mas o justo � justo.

Se estas cartas libertam o menino, s�o 100 libras para mim, de acordo?

Se estas cartas possuem informa��o �til para a defesa...

estou disposto a oferecer-lhe 10 libras.

O qu�? Dez malditas libras por cartas deste tipo?

Pode tirar esse tro�o de cristal do olho. Boa noite!

Se ajudassem a provar a inoc�ncia de meu cliente...

20 libras seriam uma soma razo�vel por seus gastos.

Cinquenta, e � uma pechincha. Se for �til o que est� escrito.

- Quarenta libras. - Est� bem, maldito seja!

Tome, a� est�o.

Que belo "lote"!

Como saberemos que s�o da Sra. Vole?

Oh, ela escreveu! � tudo legal.

Espero que ela tenha o que merece.

Tenho mensagens da Sra. Vole. Parece sua letra.

C�us, veja isto!

Reveladoras, certo?

H� uma adiante que � a melhor.

Como conseguiu isso?

Que diferen�a faz? Contanto que ela receba o que merece.

Que tem contra ela?

Lhe darei algo com o que sonhar, senhor.

Quer beijar-me, tesouro?

Imaginei que n�o ia querer.

- Christine Vole lhe fez isso? - Ela n�o.

O tipo com quem vivia. Era um pouco mais jovem que eu, mas o amava.

Ent�o ela apareceu, come�ou a v�-lo �s escondidas e logo...

um dia ele se mandou. Mas eu fui atr�s dele e os encontrei juntos.

Disse para ele o que pensava dela e me cortou bem na cara.

- O denunciou � pol�cia? - Quem, eu? N�o poderia.

N�o foi culpa de Sides, foi dela.

Foi toda dela, afastando-o de mim e colocando-o contra mim.

Mas esperei que chegasse o momento da revanche...

e chegou a hora.

Sinto muito. Lhe darei outras 5 libras pelas cartas.

Corrigindo, n�o?

Sabia que tinha sido muito branda com voc�.

Desejo de vingan�a � sangue frio. Leia esta.

Incr�vel!

Dever�amos ter o nome completo do destinat�rio...

senhorita.... senhorita.

Onde est�?

No trem. N�o se pode culp�-la por n�o querer ter a outra bochecha cortada.

Quer outro, senhor?

Boa ideia.

Sil�ncio!

Ponham-se em p� na sala!

Os que tenham algo a pleitear perante os Ju�zes...

da Rainha de Oyer e Terminer...

e peti��es para a jurisdi��o da Corte Criminal Central...

aproximem-se e estejam presentes. Deus salve a Rainha.

J� que a defesa s� chamou uma testemunha, o acusado...

tem direito a ser ouvido por �ltimo.

Tudo bem, se est� preparado...

vamos ouvir as alega��es finais da acusa��o.

Excel�ncia, membros do J�ri, serei breve em meu discurso final...

porque creio que a acusa��o provou a imputa��o de assassinato...

contra o acusado, Leonard Vole...

e que a �nica conclus�o deve ser a condena��o por homic�dio.

Resumirei brevemente os fatos...

Ser� melhor que comece de novo, Sr. Myers...

isto �, se Sir Wilfrid estiver interessado no procedimento.

Estou, Excel�ncia.

Entretanto, o discurso da Coroa � prematuro.

A defesa pede que seja reaberto o caso...

e que seja de novo chamada uma testemunha.

Execel�ncia, fa�o obje��o ao caso ser reaberto nesta parte final.

� noite tomei conhecimento de provas da natureza mais assombrosa.

Excel�ncia, a proposta de meu colega n�o tem precedente.

Me antecipei � obje��o do meu colega e trago amplos precedentes.

O primeiro � o caso do Rei contra Stillman relatados nos...

Informes de Apela��es Criminais de 1926, p�gina 463.

Tamb�m o Rei contra Porter, no primeiro volume da Divis�o...

de Informes do Rei de 1942, p�gina 153...

e por �ltimo o caso do Rei contra Sullivan...

no que surgiu quest�o...

e da qual, estou seguro, Vossa Execel�ncia recordar�...

j� que Vossa Excel�ncia exercia a acusa��o.

Verdade?

Ah, sim! Perante o Juiz Swindon.

Qual � essa nova prova, Sir Wilfrid?

Cartas, Excel�ncia!

Cartas escritas por Christine Helm.

Excel�ncia, a acusa��o continua fazendo obje��es.

Se a mem�ria n�o me falha, uma obje��o similar de Vossa Excel�ncia...

no Rei contra Sullivan foi aceita.

A sua mem�ria est� falha, Sr. Myers.

Aquela minha obje��o foi rejeitada pelo Juiz Swindon...

como a sua agora por mim.

Chamo Christine Helm!

Christine Helm!

- Christine Helm! - Christine Helm!

Se ainda tem d�vidas sobre Vole, aposto uma caixa de charutos.

Senhora Helm, se d� conta de que est� sob juramento?

Sim.

Senhora Helm, conhece um homem chamado Max?

N�o sei do que est� falando.

Uma pergunta simples. Conhece ou n�o um homem chamado Max?

Max?

Certamente n�o.

� um nome comum e disse n�o conhecer ningu�m chamado Max.

Na Alemanha, talvez, mas isso foi h� muito tempo.

N�o pedirei que sua mem�ria v� t�o longe, s� umas semanas, ao...

20 de outubro passado.

O que tem a�?

Uma carta.

Creio que em 20 de outubro escreveu certa carta...

No sei do que est� falando!

- Dirigida a um homem chamado Max. - N�o fiz nada disso!

A carta s� era uma das muitas escritas para esse homem.

Mentiras! Tudo mentiras!

Parecia que voc�, vamos dizer assim...

tinha rela��es �ntimas com este homem.

Como se atreve a dizer uma coisa assim? N�o � certo!

N�o me importa a tem�tica destas correspond�ncias...

s� uma carta em particular.

"Meu amado Max, ocorreu uma coisa extraordin�ria.

Creio que todas nossas dificuldades podem haver terminado."

N�o ficarei escutando uma s�rie de mentiras!

Essa carta � uma falsifica��o.

- Nem sequer � meu papel de cartas. - N�o �?

N�o!

Escrevo minhas cartas em um pequeno papel azul com minhas iniciais.

Como este?

Esta � uma fatura do meu alfaiate por um par de confort�veis bermudas.

Wilfrid a raposa.

Isso � o que o chamamos e isso � o que ele �.

Sra. Helm, teve a amabilidade de identificar seu papel de cartas.

Agora, se quiser...

posso trazer um especialista para que identifique sua letra.

Maldito seja!

Maldito seja!

Deixe-a em paz!

- Maldito seja! - Srta. Helm!

Deixe-me passar! Deixe-me sair daqui!

- Deixe-me passar! - Srta. Helm!

Meirinho! Ceda uma cadeira para a testemunha.

Sir Wilfrid, ler� agora a carta em quest�o para que o J�ri a ou�a.

"Meu amado Max, ocorreu uma coisa extraordin�ria.

Pode ser que logo se resolvam todas nossas dificuldades.

Leonard � suspeito do assassinato da senhora de que te falei.

Sua �nica esperan�a de um �libi depende de mim. S� de mim.

Suponha que testemunhe...

que n�o estava em casa comigo no momento do assassinato...

que chegou em casa com sangue nas mangas...

e que inclusive admitiu a mim que a havia matado.

Estranho, n�o? Sempre dizia que nunca me permitiria deix�-lo...

mas agora, se isso sair bem, ser� ele quem me deixar�...

porque se ir� para sempre....

e eu serei livre e sua, meu amado.

Conto as horas at� que estejamos juntos. Christine."

Srta. Helm, quer voltar ao banco das testemunhas?

Vou perguntar outra vez, Christine Helm...

escreveu esta carta?

Christine, diga que n�o a escreveu! Eu sei que voc� n�o o fez!

Por favor, responda a minha pergunta. Escreveu esta carta?

Antes de contestar, Srta. Helm, lhe advirto que a lei...

referente a perj�rio neste pa�s � muito severa.

Se j� cometeu perj�rio nesta sala...

lhe recomendo encarecidamente que n�o agrave seu delito...

por�m, se essa carta n�o foi escrita por voc�...

este � o momento de afirm�-lo.

Escrevi a carta.

E esse, Excel�ncia, � o caso da defesa.

Me pergunto, Sir Wilfrid. O que tem de mais duro, a cabe�a ou as art�rias?

Esteve pressionando a sorte o tempo todo.

J� estamos prontos, Doutor. Espero que o J�ri n�o leve toda a tarde.

Eu me rendo.

Parab�ns, aqui tem seus charutos.

Ainda n�o.

Vamos, terminou. Est� tudo claro e cristalino.

O que houve?

Tudo est� claro e cristalino demais...

e muito sim�trico. Esse � o problema.

O J�ri acaba de entrar.

N�o estar� preocupado com o veredito?

N�o � o veredito deles o que me preocupa, � o meu.

Vamos.

Onde est� minha peruca?

Ponha-se de p� o acusado.

Membros do J�ri, chegaram todos a um veredito final?

Sim.

Acharam o acusado, Leonard Stephen Vole...

culpado ou inocente do assassinato de Emily Jane French?

Inocente, Excel�ncia.

Sil�ncio! Sil�ncio!

Leonard Stephen Vole foi considerado inocente...

do assassinato de Emily Jane French em 14 de outubro.

Pela presente se retiram as acusa��es e est� livre para deixar a corte.

Os que tenham algo a requerer perante os Ju�zes...

da Rainha de Oyer e Terminer...

e entregas para a jurisdi��o da Corte Criminal Central...

Obrigado.

Obrigado.

Falamos mais tarde.

- Em boa hora. - Obrigado, Sr. Mayhew.

Obrigado, Sr. Brogan-Moore. Carter. Obrigado, Sir Wilfrid.

Obrigado por tudo. Foi maravilhoso.

- Eu diria que tivemos sorte. - Sim.

Tenho seus pertences.

Se vier comigo, Sr. Vole e assinar, podemos liber�-lo.

Senhor Vole?

Quando me acusavam n�o me chamavam "Senhor".

Irei com voc�. Trouxe o chap�u e a capa.

Pois vamos depressa, antes que mudem de opini�o.

Muito alegre?

H� apenas uma hora tinha um p� na forca e o outro numa casca de banana.

Deve estar muito orgulhoso, Wilfrid.

- N�o est�? - Ainda n�o.

Nos livramos da forca...

mas a casca de banana est� em algum lugar, sob o p� de algu�m.

Gostar�amos de v�-la presa. Ela s� sabe mentir!

Espere aqui at� que nos livremos dessa multid�o, senhora.

Obrigada.

Pronto, senhor? A Srta. Plimsoll est� esperando.

Deixe-me terminar o chocolate enquanto estou fora de sua jurisdi��o.

Queiram desculpar-me, Brogan-Moore e Carter? Obrigado.

Nunca pensei que os ingleses pudessem ser t�o emotivos...

...sobretudo em um lugar p�blico. - Pe�o desculpas por meus compatriotas.

N�o me importa que me insultem, ou me empurrem, ou me chutem as canelas...

mas agora tenho uma carta em minhas meias de nylon.

Voc� n�o tem conhecimento de nossos regulamentos nas pris�es...

...nada de meias de seda. - Pris�o?

- Vou para a pris�o? - Ouviu o Juiz.

Com toda seguran�a ser� acusada de perj�rio...

julgada por ele e ir� para a pris�o.

N�o ser� pris�o perp�tua, ser�?

Se eu estivesse na acusa��o, seria.

Me detesta, n�o? Como a gente a� de fora.

Qu�o terr�vel sou e qu�o brilhante aquele que me desmascarou...

e salvou a vida de Leonard. O grande Sir Wilfrid Robarts fez de novo.

Bem, deixe-me dizer algo, n�o o fez sozinho.

Teve ajuda!

Onde quer chegar?

A nenhuma parte. Leonard est� livre e gra�as a n�s.

- N�s? - Recorda?

Quando fui te ver, me disse que nenhum jurado acreditaria no �libi...

de uma esposa abnegada, por mais que jurasse...

que seu marido era inocente? Isso me deu a ideia.

Que ideia?

A ideia de que deveria ser testemunha...

n�o de meu marido, mas da acusa��o...

que deveria jurar que Leonard era culpado...

e que voc� me "desmascararia" como uma grande mentirosa...

porque s� assim acreditariam que Leonard era inocente.

Agora j� sabe a hist�ria completa.

"Lhe darei algo com que sonhar, senhor. Quer beijar-me, tesouro?"

Suspeitava de algo, mas n�o isso.

Isso nunca!

Obrigada pelo elogio. Faz muito tempo que fui atriz...

e nunca havia interpretado um papel t�o importante.

E todas essas cartas azuis?

Demorei horas para escrev�-las e inventar o tal Max.

Nunca houve um Max. Ningu�m, exceto Leonard. S� Leonard.

Querida, n�o podia ter confiado em mim?

Ter trabalhado comigo sincera e honradamente? N�s ganhar�amos!

N�o podia correr esse risco. Voc� pensava que ele era inocente.

E voc� sabia que ele era inocente. Entendo.

N�o, Sir Wilfrid, n�o entende nada.

Eu sabia que era culpado.

Isso n�o pode ser verdade. N�o!

Me escute de uma vez por todas!

Leonard voltou �s 22h10...

com sangue nas mangas e disse que a havia matado!

S� eu podia salv�-lo. Me suplicou.

E voc� o salvou. Um assassino.

De novo n�o est� entendendo.

Eu o amo.

J� te disse que era uma boa atriz.

Leonard!

Sabia que faria algo por mim, mas n�o sabia o qu� ou como.

Leonard! Leonard!

O enganou totalmente, n�o?

Foi voc�, Vole, quem me enganou.

Calma, calma.

Os dois sa�mos com vida disso, vamos deixar assim.

- Onde est�o suas p�lulas? - Vole, ridicularizou a lei inglesa.

Quem ridicularizou?

Voc� me salvou e n�o posso voltar a ser julgado por isso.

- Isso tamb�m � a lei inglesa, n�o? - Agora j� n�o pode toc�-lo.

Ningu�m pode!

A balan�a da justi�a pode inclinar-se a um ou outro lado...

mas no final se equilibra. Pagar� por isso.

N�o pagarei t�o perto do fim.

Prefiro pagar o mais r�pido poss�vel e em dinheiro vivo.

Que tal o dobro de seus honor�rios?

Haver� muito dinheiro quando o testamento for cumprido.

N�o sou mesquinho. Quero que todo mundo leve uma parte disto.

Por exemplo, Janet Mackenzie. Lhe compraremos aquele aparelho auditivo.

E para voc� compraremos uma destas.

De ouro 18 quilates, se fabricarem.

Para seu julgamento por perj�rio, haver� 5.000 libras...

para a melhor defesa poss�vel.

N�o me importa, Leonard, contanto que voltemos a estar juntos.

N�o sabe o que passei no banco dos r�us tendo que te olhar e...

e dizer que nunca te amei.

O que houve, Leonard?

Sir Wilfrid, est� todo mundo no vag�o.

Apenas 20 minutos para pegar o trem.

A esta agrad�vel jovem que conheci durante o julgamento.

Len!

Oh, Len!

Len, tentaram manter-me longe de voc�.

- Quase fico louca. - Leonard, quem � essa mo�a?

N�o sou "essa" garota, sou a "sua" garota!

Diga-o, Leonard.

Leonard, � essa a garota que lhe acompanhou � ag�ncia de viagens?

Aquela que apenas conhecia, que nem sabia o nome?

� isso. Sou eu e sei tudo sobre voc�.

N�o � sua esposa, nem nunca foi. � muito mais velha que ele.

Estamos juntos h� meses e vamos partir num desses cruzeiros...

de que falaram no julgamento. Diga voc� mesmo, Len.

Sim Len...

diga voc� mesmo.

Venha, Diana. Vamos.

N�o pode! N�o depois do que fiz. N�o deixarei!

N�o seja tola. Eu salvei sua vida te tirando da Alemanha...

e salvou a minha me livrando deste problema.

Estamos quites. Est� acabado.

N�o, Leonard! N�o me deixe! N�o, Leonard! N�o!

Se comporte!

Voc� vai ser julgada por perj�rio, portanto n�o piore as coisas...

ou te julgar�o como c�mplice.

E j� sabe o que isso significa.

N�o me importa que me julguem.

Que me julguem por perj�rio por cumplicidade ou...

- Pronta? - Ou ainda melhor...

Que me julguem por...

Chamem um m�dico!

� in�til, n�o serviria de nada.

O que aconteceu?

Ela o matou.

O matou? O executou.

Carter, o que fez com a bagagem?

J� mandei para a esta��o e tenho um t�xi esperando l� fora.

Uma mulher not�vel.

Tem as horas contadas para pegar o trem, Sir Wilfrid.

Ser� melhor que traga a bagagem de volta e dispense o t�xi.

N�o vamos partir ainda, n�o?

Obrigado, Srta. Plimsoll.

Que Brogan-Moore v� ao escrit�rio e que Mayhew v� tamb�m.

Vamos ser a defesa no julgamento de Christine Vole.

Sir Wilfrid!

Esqueceu seu brandy.

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