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Original subtitles

Candelabro Italiano

BRIARCROFT FACULDADE PARA MULHERES

Prudence, tenho aqui o livro em quest�o...

"Amantes Devem Aprender", de um tal de Irving Fineman.

Voc� permitiu que Deborah Lawrence lesse este livro?

Sim, mas o livro era meu.

Como bibliotec�ria-assistente, voc� deve saber...

que a diretoria de costumes desta escola tinha cancelado este livro...

por ser adulto demais para nossas garotas lerem.

Deborah est� no �ltimo ano.

A m�e dela tinha feito do relacionamento �ntimo...

entre homem e mulher algo t�o feio que achei que o livro pudesse ajud�-la.

O livro possui trechos obscenos.

A pr�pria palavra "amantes" sugere...

Acho que a palavra "amante"...

� uma das mais belas e significativas da nossa l�ngua.

Este livro n�o � obsceno.

Apenas trata da necessidade natural que sentimos por amor.

A mo�a na hist�ria sente medo ao ver a falta de amor a seu redor...

em sua cidade, em sua escola.

Ela passa a ter medo de que nunca v� saber o que � ser amada de verdade.

Ent�o ela se rebela...

porque n�o quer acabar como algumas de suas professoras...

sem amor, solit�rias.

N�o h� nada indecente em Amantes Devem Aprender.

Apenas expressa o que se esconde no cora��o de toda garota.

O medo da solid�o...

o desejo de se tornar mulher, de plenitude, e a necessidade de amor. S� isso.

Prudence, voc� n�o foi chamada pela diretoria...

para nos dar um serm�o sobre o amor.

Veio para explicar porque desafiou as regras da diretoria.

Acho que estou aqui para explicar muito mais do que isso.

Acho que tamb�m vim para defender o meu futuro.

Assim, eu me recuso a ser despedida. Eu vou me demitir.

Eu devia agradecer por me fazerem ver que eu mesma devo seguir o conselho do livro.

Assim sendo, este � o Dia da Independ�ncia.

Quero meu livro de volta, por favor. Vou precisar dele.

Porque eu vou para onde as pessoas sabem o que � o amor.

Para a It�lia.

- Minha �nica filha viajando sozinha. - Sem choro, m�e. Prometemos.

Prudence n�o � crian�a.

Querida, e se algo acontecer a voc�?

M�e, e se nada acontecer comigo?

- Comporte-se. - V�o para a ponta do cais.

- Cuide-se bem. - V�o para a ponta do cais.

- Vou acenar desta murada. - Est� bem.

Desta murada.

Estou t�o empolgada que � quase insuport�vel.

� curioso como a empolga��o contagia a multid�o, n�o acha?

N�o est� empolgado?

De certa maneira, sim.

Sra. Stillwell. Sou Helen Bell. Lembra-se de mim?

N�s nos conhecemos em Boston, na reuni�o do Museu Copley.

- � claro. - Como vai?

- Este � meu marido. - Como vai?

- Meu filho est� partindo. - Minha filha tamb�m.

- Se soub�ssemos antes, nossos filhos... - Ali est� Albert.

Ele � um etrusc�logo.

Imagine s�, tive um filho etrusc�logo.

- Sim. - Albert, estou aqui.

Adeus, Prudence.

Nunca se sabe que tipo de mo�a viaja de navio hoje em dia.

- Eu sei. - Veja.

Uma mo�a j� est� ao lado dele.

- A mo�a de rosa? - Sim.

- Mas aquela � a nossa Prudence. - Sim.

- N�o. - Sim. Prudence!

- Minha amiga. - Somos amigas.

Nosso Albert.

N�o, esse n�o. Aquele. Prudence.

Achei que seria dif�cil conhecer algu�m a bordo de um navio.

Para uma mo�a viajando sozinha. Mas agora que fizemos isso, � simples.

E muito agrad�vel.

LINHAS AMERICAN EXPORT Linha Italiana

N�o fique a� parado, fa�a alguma coisa.

Albert.

- Acho melhor eu desempacotar a bagagem. - Deixe-me abrir seu ba� para voc�.

Bem, obrigada.

Acha que algu�m se importaria de voc� estar aqui?

N�o. Voc� se importa?

Mulheres t�m os mesmos direitos dos homens...

especialmente o de ser livre. N�o acha?

Sempre me surpreende que alguns metros de chiffon...

quando preenchidos por um lindo corpo como o seu, magicamente ganha vida.

� lindo.

N�o estamos desperdi�ando tempo?

Por favor, avanti.

Estou praticando meu italiano. "Buon viaggio " e tudo o mais.

PRUDENCE QUERIDA, VOC� SAIU COM O HOMEM ERRADO.

PROCURE ALBERT STILLWELL. ELE � UM CAVALHEIRO.

CUIDADO COM DESCONHECIDOS. MAM�E

- Voc� n�o � Albert Stillwell, �? - Eu deveria ser?

"Cuidado com desconhecidos. " Sou eu?

Um desconhecido tamb�m pode ser um cavalheiro.

Espero n�o estar interrompendo nada.

- Sou Albert Stillwell. - Entre. Sou Prudence Bell.

- Recebi um telegrama. - Eu tamb�m.

Dizia que voc� era um cavalheiro e que eu era um desconhecido.

Eu gostaria de poder trocar de lugar com voc�.

Confesso que por um breve momento...

eu me senti como um desconhecido nos port�es do para�so.

Agora eu me sinto como Ad�o, expulso do �den...

sem Eva.

Eu o invejo, signore.

Por que ele me invejaria? Ele nem me conhece.

Minha m�e disse que devo tomar conta de voc�.

Nunca tomei conta de uma mo�a antes.

H� algo com o que eu possa ajudar?

N�o, voc� j� fez muito apenas vindo aqui.

Devo avis�-la de que as garotas costumam me achar entediante.

Voc� teria por acaso algum interesse remoto nos etruscos?

- N�o, mas posso tentar. - Isso � incr�vel.

A maioria das pessoas diz logo que n�o.

E pronto.

Posso fazer mais uma pergunta?

O que aquele italiano estava fazendo com sua camisola?

- Estava sendo ousado? - N�o.

Ele estava imaginando como meu corpo ficaria nela.

Ah, entendo.

Bem...

Veja quem est� aqui.

Arrivederci, Liberdade.

Agora que tenho a minha, gosto disso.

� empolgante estar livre. Tamb�m � um pouco assustador, n�o acha?

Eu a verei no conv�s superior.

Muita gente diz "l� em cima", mas fui escoteiro marinho.

Queridos mam�e e papai...

Se ainda est�o preocupados comigo no barco, n�o precisam ficar.

Adquiri dois guardi�es, chamados Roberto Orlandi...

e o Albert da Sra. Stillwell.

Eles n�o apenas me vigiam, vigiam um ao outro.

� como se tivessem formado uma sociedade para prote��o da castidade de Prudence Bell.

Pensem nisso: amanh� a esta hora estaremos chegando em Roma.

Amo voc�s. Prudence.

� nossa frente, temos o Arco de Constantino...

que ele construiu para si mesmo 1.600 anos atr�s.

A Roma Imperial come�a aqui.

O Coliseu foi constru�do no ano 72.

O nome significa apenas "o grande lugar", "colosso "...

em homenagem � grandeza do Colosso de Rhodes.

� esquerda, temos a Colina Palatina, a primeira das Sete Colinas de Roma.

Foi onde Roma come�ou, no ano 753 antes de Cristo.

Este � o monumento em homenagem a Vittorio Emanuele terzo.

O que os soldados americanos chamaram de "bolo de noiva".

E este � o Palazzo Venezia. No centro, temos a varanda de Mussolini.

Em frente, o centro da It�lia.

Todos os marcos come�am deste lugar.

Dos c�sares a Mussolini em seis quarteir�es.

Espero que a condessa tenha lugar para voc�.

N�o entendo como pode ser barato se � gerenciado por uma condessa.

Com licen�a.

Roberto.

Voc� voltou. Obrigado, condessa.

Senti tanto a sua falta! Tamb�m senti a sua.

Eu gostaria de Ihe apresentar esta bela americana...

a Srta. Prudence Bell, e seu amigo Albert Stillwell.

Espero que tenha quartos para eles.

Se eles s�o seus amigos, meu amigo, eles s�o bem-vindos.

Para voc�, tenho um quarto com varanda com vista para a cidade.

- Gostaria de v�-lo? - Por favor. Per favore.

E seu amigo talvez goste do quarto ao lado.

Talvez seja mais apropriado se...

Claro. Eu o colocarei no terceiro andar.

Roberto, precisa jantar conosco.

Pensei em levar a Signorina Bell para jantar e mostrar Roma ao luar.

Roberto, eu ficaria encantada.

- Se Albert n�o se importar. - Eu aprovo.

Entregarei a bagagem deles ao carregador. Os ba�s vir�o em seguida.

Don, precisa conhecer meus amigos.

Signorina Bell, Albert Stillwell, este � meu amigo americano, Don Porter.

Como v�o? Eu queria falar com voc�.

Recebi um bilhete de Lyda. Ela vai me deixar de vez.

Se for de vez, � bom. Para voc�.

E nunca mais nos veremos? Ningu�m nunca partiu seu cora��o?

Duvido muito, meu amigo, que seu cora��o esteja em jogo.

N�o importa o que seja. N�o quero perd�-la.

Voc� estaria melhor se nunca a tivesse conhecido.

Mil e uma noites depois, voc� me diz isso.

Posso Ihe dar um beijo de despedida?

Claro.

Eu preferia que voc� n�o tivesse vindo.

Imaginei isso pelo seu bilhete.

- Por que assim, ap�s um ano de... - Detesto despedidas.

- Resolvi viver na Su��a. - N�o v�.

Venha comigo. Podemos ir para o Lago Maggiore.

Sil�ncio. Fechei meu est�dio. Vou embora.

Sentirei saudades. Deixemos assim.

- Desse jeito? - Desse jeito.

Como um rascunho r�pido de que n�o gostou e jogou fora.

Um ano n�o � um rascunho r�pido.

N�o tente me entender, Don.

- Eu pensei que entendia. - N�o. Ningu�m jamais me entendeu.

Nem voc�, nem meu querido pai, nem outros homens.

E o pior � que duvido que algum homem venha a entender.

Tem um cigarro?

Lembra-se do primeiro apelido que me deu?

Bridget Fr�gida.

Eu estava brincando, tentando conquistar voc�.

Voc� disse que eu n�o derreteria um iceberg.

- Isso foi h� mil anos. - � t�o verdade agora como foi na �poca.

N�o sirvo para voc�, Don. Desde o in�cio, nunca servi.

- Tem sorte de se livrar de mim. - Por que n�o me deixa decidir isso?

Seu pior defeito, Don, � ser idealista.

Voc� sempre veria algo em mim que n�o existe e nunca vai existir.

Adeus, Don.

Quer dizer que nunca mais nos veremos?

Nunca n�o existe.

Beije-me.

Viram um anjo surgir e brandir sua espada, e terminar a praga de 590.

Bernini desenhou esses anjos em sua homenagem.

Diga, al�m de ser um anjo, voc� � uma garota ou uma mulher?

Eu tenho 21 anos de idade. Isso faz de mim uma mulher, n�o?

� preciso um homem para transformar uma garota em mulher.

- Esse homem existe? - N�o, ainda n�o.

Mas penso muito nele.

Gosto de pensar que um dia nos conheceremos e...

E o que acontecer� ent�o?

Eu provavelmente vou explodir.

Tenho muito amor guardado dentro de mim.

Infelizmente, � um recurso natural que nunca foi totalmente explorado.

Esperava encontr�-lo nesta viagem?

Eu me analisei, e descobri que n�o tenho talento para solteirona.

� imposs�vel acreditar que voc� ainda n�o viveu um grande amore.

N�o, n�o um grande. Apenas pequenos.

Isso � muito triste.

Penso bastante nisso. Acho que talvez a culpa seja minha.

Talvez eu seja t�o cega que nem reconheceria o homem certo.

Isso me assusta.

Voc� n�o � a �nica. Muitas pessoas se sentem assim.

Os homens tamb�m pensam nisso.

Minha m�e tem uma teoria.

Ela diz que para cada mulher na Terra, existe apenas um homem...

e voc� sabe quando ele aparece, porque ouve sinos tocarem.

Quem diria. Ouvi sinos, n�o ouvi?

Sim.

Ser� poss�vel que os sinos tocaram para mim porque querem me ajudar?

- Ajudar em qu�? - A ser este homem.

Voc� � um homem viajado. N�o se interessaria por mim.

Mas j� estou interessado.

Voc� disse que era o que chamam de "boa mo�a".

Eu n�o disse isso. Mas sou.

- Isso � claro, cria um problema. - Para quem?

Sempre digo que para aproveitar algo, � preciso faz�-lo bem.

Sim, tamb�m sempre digo isso.

Para fazer algo bem, � preciso pr�tica.

Pr�tica constante.

E minha sugest�o � que comecemos a praticar bem aqui...

na luz do luar.

No beisebol americano, acho que chamam isso de aquecimento.

Mas n�o est� sugerindo que joguemos beisebol.

- Est� sugerindo que fa�amos amor. - Um pouco.

Uma jornada inocente, talvez uma explora��o gentil.

Um beijo.

Est� bem, Roberto.

Dizem que � poss�vel conhecer algu�m pelo primeiro beijo.

Eu n�o gostaria de apostar tanto em apenas um beijo.

� pedir demais.

Mas farei o melhor que puder.

Eu tamb�m.

- Voc� gostou? - Muit�ssimo. Obrigada.

Seus l�bios foram feitos para serem beijados.

S�o como as p�talas de uma rosa.

Obrigada. Seus l�bios tamb�m s�o �timos.

Mas os sinos... N�o ouviu os sinos tocarem?

Bem, n�o sinos estrondosos.

Sininhos. Sininhos ao longe.

Muito agrad�veis, mas n�o estrondosos.

Sinto muito tamb�m, Roberto. Eu gostaria de ter ouvido.

Voc� seria um sineiro muito atraente.

Mas se quiser tentar outra noite, voc� � bem-vindo.

Infelizmente, pelas pr�ximas noites, estarei em Mil�o.

Talvez possamos tentar de novo.

Est� bem.

Nenhum sino?

Apenas sininhos.

Al�.

Adeus.

At� logo.

At� mais tarde.

At� mais.

Eu gostaria de marcar um hor�rio com o Sr. Silvi.

Voc� se importa de abaixar o volume?

Posso Ihe apresentar o Sr., Sra., Srta. Silvi?

Minha esposa.

Meu marido.

Os sinos da igreja come�aram a tocar ao amanhecer.

Eu pulei da cama, me vesti e sa� discretamente da casa.

O guia tur�stico diz que Roma n�o pode ser vista em um dia...

uma semana, um m�s ou um ano.

Mas no primeiro domingo, antes de eu come�ar a procurar emprego...

resolvi me familiarizar com Roma.

Constantino olhava para o vazio.

Sua m�o era mil vezes maior do que a minha.

Que homem.

Depois fui ver a salva de tiros do meio-dia.

Junto com todas as crian�as.

Perto do p�r-do-sol, atravessei o Tiber...

em uma daquelas lindas carruagens romanas de rodas vermelhas.

Ao p�r-do-sol, dei a volta na grande piazza de S�o Pedro...

e passei pela coluna que Bernini projetou.

Eu estava me apaixonando por esta cidade.

Senhoras e senhores, quero que conhe�am nossos novos h�spedes.

Signorina Prudence Bell. Sente-se, por favor.

E o Sr. Stillwell.

A seu lado est� a Srta. Agnes Hutton, do estado do Missouri...

e a Srta. Riggs, sua acompanhante.

Como vai? Como vai?

Por que o Sr. Porter nunca vem jantar conosco?

Ele trabalha para a academia e passa as noites ocupado.

O �nico trabalho que ocupa o Sr. Porter � noite tem sido aquela pintora.

Srta. Riggs, � uma regra da minha casa que � mesa...

n�o discutimos a vida particular de outros h�spedes.

E � uma �tima regra.

Desculpem pelo atraso.

Sr. Porter!

Vai jantar conosco. Que bom!

Don, pela sua apar�ncia, voc� n�o tem se alimentado.

Lembra-se da Srta. Bell e do Sr. Stillwell?

Est� fazendo p�s-gradua��o na American Academy, n�o?

- Sim, estou terminando minha tese. - Eu estudo Etruscologia.

Vim aqui pesquisar as origens do alfabeto etrusco.

Eu tenho muito jeito para criptologia desde garoto.

Pode-se dizer que a Pedra de Roseta foi meu primeiro amor.

Roseta? Ela era italiana?

Ela era uma rocha.

Gravada em grego, dem�tico e hier�glifos, com um decreto sacerdotal.

Voc� se apaixonou por uma rocha?

Era a chave para decifrar os antigos monumentos do Egito.

Ela era muito mais do que uma rocha.

Sinto muito eu ter mencionado.

- Esqueci de perguntar o que faz em Roma. - Vim aprender e arrumar um emprego.

Pelo que ouvi do seu italiano, vai achar isso dif�cil.

Para este trabalho, o requisito � o ingl�s.

Estava no jornal de domingo. A loja n�o fica longe daqui.

"Precisa-se: Jovem assistente, que fale ingl�s, universit�ria.

US$ 50 por semana durante treinamento. Precisa gostar de c�es. "

Eu adoro c�es.

"Livraria Americana, Piazza Navona, em frente � fonte Bernini. "

C�es em uma livraria? De qualquer forma, levantarei bem cedo.

Muito obrigada, condessa. � um prazer, senhorita.

LIVRARIA AMERICANA

McGinnis, pelo amor de Deus.

N�o abro at� as 9h00. Desculpe.

Eu n�o queria perder o emprego para ningu�m.

Voc� � dedicada. Pode entrar.

Aceita um espresso?

McGinnis, venha c�.

- Como voc� se chama? - Prudence.

- Est� brincando. - N�o, � Prudence Bell.

Prud�ncia � uma virtude que n�o tenho h� muitos anos.

Sabe, preciso comprar algumas cadeiras para a loja.

Voc� tem diploma universit�rio?

Briarcroft, em Connecticut.

Sei onde fica. Muito metidos.

Eu era bibliotec�ria assistente. Eu ia ser despedida, ent�o me demiti.

Despedi-la por qu�?

Por dar a uma das alunas meu livro favorito para ler...

"Amantes Devem Aprender".

As professoras tinham banido o livro?

� um bom livro.

Eu costumava ser professora.

Era, sim. Mas descobri que eu era al�rgica a crian�as.

Reparou quantas professoras pegam navios todo ver�o...

para escapar desses monstrinhos?

Calculei que eu era a 251.948� professora a pegar um navio para Roma.

Ent�o voc� resolveu ficar?

A primeira vez que um italiano bonit�o beliscou meu traseiro, eu pensei...

"Isso � para mim. "

Enviei um pedido de demiss�o e comprei a loja com minhas economias.

E eles ainda est�o...

Pode acreditar. E eu ainda gosto. Quer ganhar em d�lares ou liras?

Ent�o consegui o emprego?

McGinnis!

Venha conhecer meu novo bra�o direito e oferecer a pata.

D� c�.

Que menino bonzinho.

Onde est� a bela garota que estava com voc�?

Ela foi para a Su��a, Cesare.

As mulheres mudam de ideia. Elas s�o assim.

- Conseguiu o emprego? - Sim. Adorei.

Leio sobre a It�lia quando n�o h� clientes.

Sente-se, vamos beber a isso.

Sempre quis vir a um desses lugares, mas tinha medo de vir sozinha.

- O que voc� gostaria de beber? - O que est� bebendo?

� Strega. Um licor.

O nome significa "feiticeira".

O que Strega faz por voc�?

N�o sei se funciona com todo mundo, mas Strega torna meu mundo dourado.

Bem, ent�o tamb�m vou tomar Strega. Estou me sentindo dourada hoje.

Cesare.

Delicioso, obrigada.

Mas tamb�m tira o f�lego.

Veja. O sol est� batendo na fonte.

� como estar na primeira fila de um espet�culo novo e maravilhoso.

Est� fazendo com que eu o veja pela primeira vez de novo.

- H� quanto tempo est� em Roma? - Mais de um ano. Tenho saudades de casa.

Mas � um espet�culo maravilhoso.

Gostaria de ver o segundo ato do Lago Albano?

Olhe, o mundo todo est� dourado.

At� Rocca di Papa tornou-se dourada.

Eu comecei a pintar nessas cores.

Talvez o Signore Americano queira comprar antiguidades para sua dama?

N�o sou a dama dele.

Olhe.

- Precisa de um candelabro? - Vinte mil liras.

Vou compr�-lo mesmo assim, para comemorar esta auspiciosa ocasi�o.

Obrigado.

Obrigado.

Parece com ouro de verdade nesta luz.

Vou guard�-lo para sempre como sinal da minha integridade.

Est� com fome?

Faminta. Eu gostaria que fizesse o pedido para mim.

Gar�om.

Presunto de Parma.

Sopa de tagliarini.

Fil� de linguado ao vinho branco.

Espinafre na manteiga.

E vinho, senhor?

Que tipo de vinho gostaria de beber?

J� estou me sentindo t�o dourada que tenho medo do que o vinho possa fazer.

Medo?

Est� esquecendo de nossa integridade?

Frascati branco.

�timo. Obrigado.

Perdoe-me se estou sendo profundo neste momento...

mas, de repente, voltei a achar bom estar vivo.

N�o creio ser possivel.

Se pudesse lhe diria...

estas palavras.

Muito al�m do bem mais precioso...

est� voc�.

Muito al�m do sonho mais ambicioso..

est� voc�.

Muito al�m das coisas mais belas.

Muito al�m das estrelas..

est� voc�.

Muito al�m...

est� voc� para mim, para mim.

Voc� significa muito para mim.

Muito al�m...

do mar mais profundo...

est� voc�.

Muito al�m do limite do mundo...

est� voc�.

Muito al�m do c�u infinito...

muito al�m desta vida...

est� voc�...

muito al�m...

est� voc� para mim.

O que "al di l� " significa?

Significa...

� dif�cil explicar.

Bem distante. Al�m do al�m.

Al�m deste mundo.

� o tanto que ele a ama nesta can��o.

Voc� j� bebeu champanhe demais.

Veja s� quem est� ali.

Oi, Don, lembra-se de mim? Lago Maggiore?

ll Jazz Hot?

Era voc� embaixo daquele espinafre?

Al Hirt, Prudence Bell. Prudence Bell, Al Hirt.

- Oi. - Ele nasceu em um trompete.

- Voc� est� com ele? - N�o.

- Achei que dormisse com ele. - N�o, mas isso me lembra.

Ei, voc�. Venha aqui.

Conheci esta garota em Capri.

Olhe s� o corpinho. N�o � linda?

Mostre a eles, querida.

N�o � uma loucura?

Olhe s� para esse corpo.

Fui avisado de que um dia ela me deixar�.

- Ou me matar�. - Aposto que sim.

Mostre a eles a sua faca, boneca.

Ela n�o � fascinante?

Pode guardar.

Preciso pegar minha corneta e atravessar a cidade.

- Por que n�o v�m comigo? - Sim, adorar�amos.

Venha, Miss L�bios Quentes de 1962.

Sim, amo.

Garota saud�vel.

Porco! Porco! Porco!

Don, acho que a festa acabou. Pegue sua garota e v� embora.

Voc� vai precisar de ajuda.

N�o, n�s cuidamos disso. Ande, v� logo.

Espere. Espere. Espere.

- Boa noite, Al. - Saia daqui, querida.

- Onde voc� foi? - Voc� esqueceu sua integridade.

- Vamos direto para casa ou... - "Ou" parece mais divertido.

Jardins Borghese.

- O que ele disse? - "Para o amor, n�o � preciso candelabro. "

Que maravilha.

Acorde.

Quanto �? 500 liras.

Obrigado. De nada.

- Eu gostaria... - Eu tamb�m.

Eu amo voc�.

Est� bem?

Que bom que voc� convenceu a condessa a servir um desjejum decente...

em vez da terr�vel colazione que chamam de desjejum.

Sil�ncio.

- Voc� se divertiu no cinema? - Mais ou menos.

O que me chateou foi que Albert n�o me convidou...

at� ter certeza de que sua preciosa Prudence n�o voltaria.

- Mas Albert � um cavalheiro. - Esse � o problema, Srta. Riggs.

Francamente, n�o tenho sorte com os italianos.

Estou precisando de algo furtivo.

"Furtivo" significa o que acho que significa?

Eu prometi a seus pais...

que voc� falaria ingl�s ou italiano em Roma, n�o essa g�ria de universidade.

Acho que ele est� caidinho por Prudence.

- Se quer saber, ele est� de quatro. - De quatro...

Talvez n�o totalmente, s� meio abobado, biruta.

Biru...

E seus pais a enviaram aqui pela cultura.

- Que filme voc� assistiu? - Um antigo do Marlon Brando.

Aquele com as motocicletas.

Eu queria que ele me convidasse para ir na garupa.

- Albert? - Marlon.

Acho que � o m�ximo como eles fazem na It�lia.

Fazem o qu�?

Como as garotas sentam atr�s dos rapazes nas lambretas...

abra�ando a cintura deles.

D� para ser mais sensual do que isso?

Acho que � demais.

- Bom dia para todos. - Bom dia, Albert.

Voc� por acaso � son�mbulo?

Ningu�m nunca reclamou. Por qu�?

Esta madrugada, por volta das 3h00...

eu poderia jurar que vi a sombra de um homem na minha janela.

- Eu o teria puxado para dentro. - Mas a varanda vai do...

Bom dia.

Fiquei preocupado com voc� quando n�o veio jantar.

Fui jantar fora para comemorar meu novo emprego.

- Parab�ns. - O Sr. Porter tamb�m jantou fora ontem.

� mesmo?

Bom dia, senhorita. O que quer?

Caf� completo, por favor.

Exibida.

Eu estava dizendo a Albert que podia jurar...

A que horas o invasor na varanda a visitou?

Voc� n�o entendeu. Eu apenas disse que ouvi um invasor...

Bom dia.

Bom dia, Don.

Bom dia, Sr. Porter.

Bom dia, Srta. Riggs. Imagino que tenha dormido bem.

Muito pelo contr�rio.

Por acaso voc� n�o ouviu um invasor...

andando pela varanda ontem � noite?

N�o, por qu�? Estava esperando algu�m?

ESTA LIVRARIA VAl FECHAR AO MEIO-DIA PARA AS F�RIAS DE AGOSTO

Bom dia, Sr. Porter.

Bom dia, Srta. Bronson.

Est� fazendo Prudence muito feliz nessas noites de ver�o.

- N�o � unilateral, eu Ihe garanto. - �timo.

Ela � nova no amor. N�o quero que se magoe.

N�o tenciono mago�-la. Por que acha que eu faria isso?

Eu n�o disse que faria. Mas conhe�o os homens.

Posso Ihe contar hist�rias de arrepiar os cabelos.

Tenho certeza disso, Srta. Bronson.

Costumo ir a Ischia de f�rias...

e costumo conhecer um homem.

E costumo voltar para casa mais triste, mas mais s�bia, como dizem.

Mas n�o muito.

Porque todo ver�o eu volto l�.

Mas nossa Prue � muito diferente.

Ela tem o cora��o puro. Acho que eu nunca tive.

Eu consigo esquecer um amor n�o correspondido.

- Ela n�o conseguiria, Sr. Porter. - E ela n�o precisar� fazer isso, Srta. Bronson.

Parecemos Gallagher e Shean.

Quem s�o eles?

Voc� � mesmo jovem.

Oi. Ol�.

Voc�s dois, fora daqui. Est� na hora de fechar.

Leve alguns guias tur�sticos.

N�o v� se machucar.

Adeus, Daisy. Sentirei saudades.

Tamb�m sentirei saudades suas, Sr. McGinnis, seu lobo.

Como eu poderia ficar mais feliz do que isso?

Desculpe pelo atraso. Tive que despachar uma lambreta. Sinto muito.

Estes s�o o Sr. e Sra. Porter. Agora podemos partir.

Sr. e Sra. Porter. Quase morri de susto.

Voc�s est�o tr�s minutos e 45 segundos atrasados.

Eu e minha mulher planejamos estas ferias h� anos.

E onde est� sua mulher agora?

- Ela est� em casa. - Em casa?

Essas s�o as minhas f�rias.

Isto � Ostia Antica, o antigo porto de Roma.

Durante mil anos, estava tudo tomado pela areia.

Essas s�o as m�scaras tr�gicas olhando para o teatro romano.

Dizem que se voc� vier aqui � luz do luar...

poder� ouvir o aplauso e os suspiros da antiga plat�ia.

Mas talvez seja apenas o vento.

Isto � Bomarzo.

E agora vamos entrar no Parque de Monstros.

Prudence.

- N�o � assustador? - �.

Dizem que esses monstros foram esculpidos das rochedos...

por prisioneiros turcos h� muitos anos atr�s.

Agora sente no colo do gladiador.

- Diga "xis". - "Xis".

Extraordin�rio.

Isto � Arezzo...

constru�do por etruscos, centenas de anos antes do Imp�rio Romano.

Todo ano eles t�m este festival, exatamente como era na Idade Media.

Essas fl�mulas mostram antigos emblemas de fam�lia.

Isto � a Academia...

e ali est� o Davi de Miguelangelo, no cora��o de Floren�a.

Esta � a mulher mais linda do mundo.

Ela � linda. Parece que est� respirando.

Chegamos a Pisa.

Ali est� o batist�rio, a catedral e a famosa Torre Inclinada.

A constru��o come�ou em 1173.

Ela tem uma inclina��o de quatro metros do centro...

e possui 294 degraus na escada em espiral que leva ao topo.

Mas a subida vale a pena.

Passaremos a noite aqui, no calmo Mar Mediterr�neo.

Seus quartos j� foram designados no nosso hotel.

� voc�.

� mesmo.

O que queria que eu fizesse?

Explicasse na frente de todos que n�o somos o Sr. e Sra. Porter?

Voc� podia pelo menos ter pedido quartos separados.

Recep��o, por favor.

Aqui � o Sr. Porter.

Minha mulher quer um quarto separado. � que...

� que... Ela ronca.

N�o h� vagas?

Nada na cidade inteira?

Entendo. O feriado.

- Por causa do feriado... - Eu ouvi.

Eu poderia dormir aqui na varanda.

Voc� poderia.

E deveria. E vai dormir.

Sinto muito por ontem � noite.

� que nunca viajei sozinha com um homem antes.

Imaginei isso.

N�o preguei o olho ontem � noite.

Nem eu.

Estamos chegando a Orvieto, famosa pelos vinhos e pela sua gloriosa catedral.

Reparem nos lindos mosaicos no ch�o.

Esta magn�fica constru��o do s�culo Xlll...

foi projetada pelo arquiteto de Siena, Maitani...

para comemorar um milagre.

Sigam-me, por favor.

Por que n�o deixamos eles irem na frente? Quero ver isso s� com voc�.

Est� bem.

Muita gente se pergunta por que igrejas medievais...

s�o cobertas com murais, mosaicos, esculturas.

Como muito poucas pessoas sabiam ler ou escrever...

eles aprendiam as hist�rias da B�blia pelas paredes das igrejas.

Dizem que as paredes foram gravadas pelo pr�prio arquiteto...

como as p�ginas de um livro ilustrando sua B�blia.

V� ali?

A crucifica��o de Cristo.

Maria Madalena.

A Anuncia��o.

Cristo no templo.

A chegada a Jerusal�m.

O batismo de Cristo.

O julgamento de Salom�o.

A m�e recebendo seu filho.

Este � o tipo de beleza...

que acontece apenas quando o artista sabe que trabalha para a gl�ria de Deus.

Prova uma coisa para mim.

Se seu trabalho for bom, voc� nunca morrer�.

Pela primeira vez, eu sinto que o conhe�o.

Terminaremos a nossa turn� aqui no Lago Maggiore.

Ali fica Isola Bella, aptamente batizada de llha Linda.

O grande compositor Richard Wagner disse que aqui seu cora��o sentiu paz...

e se encheu de esperan�a de um futuro novo e harmonioso.

� isso que desejo para todos voc�s.

- Adeus. - Obrigado.

- Adeus, Pericoli. - Adeus, Signore Pericoli.

- Marylou. - Adeus, querida.

- Adeus, Donna. - Adeus, Marylou.

Agora sei o que Shakespeare sentia ao dizer: "Enfim, s�s. "

Ele disse isso?

Deve ter dito. Ele disse quase tudo.

O Jardim do �den.

Para onde vamos daqui?

Gostaria de ir de lambreta ao topo do mundo?

Olhe.

- Parece que estamos sozinhos na eternidade. - Est� com medo?

Um pouco. Pode me segurar?

Aquele � o topo do mundo.

- Voc� subornou algu�m. - N�o.

Veja. Est� vindo daquele alto falante.

Isso � o para�so.

Aposto que se eu rezasse aqui, Deus responderia e diria...

"Sim, Prudence?"

Onde passaremos nossa primeira noite?

Voc� tem o vale inteiro para escolher.

Vamos escolher um lugar daqui.

Que tal aquele pequeno chal� isolado?

Talvez tenha uma boa vista.

S�o bem-vindos.

� uma tarde linda.

Bem-vindos.

N�o � uma tarde linda? Sejam bem-vindos.

- Voc� � o propriet�rio da pensione? - Sim, senhor.

- Tem algum quarto com vista? - Se tenho quartos com vista?

Um quarto com vista. Com vista.

O quarto com vista. A su�te de lua-de-mel � de voc�s.

- De novo. N�o deixe acontecer. - Mas eu n�o...

N�o pedi a su�te de lua-de-mel. S� pedi um quarto com vista.

Se acha que n�o pode pagar uma su�te, voc� est� errado.

N�o � uma su�te.

� simplesmente um quarto lindo, encantador.

Era uma su�te...

mas achamos que ningu�m usava a sala de estar.

Muito engra�ado. Ent�o, a su�te n�o � su�te, signore.

E a signora vai suspirar de prazer.

D� esse quarto para a signorina.

Signorina?

Sozinha na su�te de noivos. Mas ela ficar� desolada.

Bem, deixe que eu resolvo este problema.

- Ficarei com qualquer quarto pr�ximo dele. - Est� bem.

Eu poderia ter cavado um buraco no ch�o e me enfiado nele.

- Ainda estou vermelha? - Est� com uma cor rosada linda.

E digo "linda" mesmo.

Voc� n�o teria dito que estavam em lua-de-mel?

Meu primeiro engano em 50 anos. Meu primeiro engano.

Varanda, varanda. Quem tem a varanda?

Olhe, est� escurecendo no vale.

Logo a noite chegar� at� n�s.

Acha que dormiremos esta noite?

- Voc� fala ingl�s? - N�o.

Pode fazer isso?

At� ter�a-feira.

� anivers�rio do meu amigo.

No mapa, chamam este local de Ponto dos Amantes.

Vamos andar l�.

Podemos fazer nosso piquenique aqui.

Deixe-me ajudar.

Temos o mundo todo aos nossos p�s.

Isso faz cosquinhas.

Isso tamb�m.

Pare. Todo lugar que escolhe faz cosquinha.

Sabe por que sente c�cegas?

� uma heran�a do tempo das cavernas. Salvou sua vida um dia.

O qu�? As cosquinhas?

No tempo das cavernas, quando voc� estava dormindo...

Durma.

De verdade?

N�o, apenas feche os olhos.

Agora, finja que � uma mulher das cavernas...

e que est� adormecida...

e alguma coisa come�a a chegar cada vez mais perto de seu ponto mais vulner�vel...

sua veia jugular.

E, de repente...

de repente, voc� recebe um aviso.

Por isso d� um arrepio.

Faz isso com todos n�s.

C�es e gatos. Animais.

Por isso nos arrepiamos quando sentimos medo.

N�o sinto medo quando me faz cosquinhas.

Voc� ficou arrepiada, n�o ficou?

Um reflexo antigo. Nasceu com voc�.

Bem, sinto c�cegas em outros lugares.

Nos lugares mais valiosos.

Sua orelha, por exemplo. � um besouro voando perto demais.

Ou seu nariz. A mesma coisa. Espirre o besouro para longe.

� um reflexo. Mulher das cavernas.

Por que sinto c�cegas ao redor dos l�bios?

Mais do que em outros lugares?

Mais do que na maioria dos lugares.

H� muito perigo ao redor dos l�bios.

Que tipo de perigo?

Diga quanto devo me aproximar...

at� come�ar a sentir c�cegas.

Est� bem.

Vou tentar.

Est� sentindo c�cegas?

- Ainda n�o. - E agora?

Quase.

E agora?

Sim, agora.

Voc� vai � igreja todo domingo?

- Quando posso. Voc� nunca vai? - N�o desde que era garoto.

- Nunca sente vontade de rezar? - Muitas vezes.

Acho que n�o sei bem o que fazer a respeito.

� porque voc� nunca sofreu. Se tivesse sofrido, saberia rezar.

Nunca sofri?

Mulheres acham que homens n�o sofrem. Mas sofrem. S� que reagem diferentemente.

Eu rezo muito.

Voc� j� rezou por mim?

Claro.

Olhe ali. H� um castelo no lago.

Est� chovendo.

Tem um gosto bom.

Essa gota grande � um homem.

Est� caindo em dire��o a essa outra.

- Essa � a mulher. - Olhe.

Como ela pulou nele antes de ele a encontrar.

Agora eles viraram uma gota s�.

Est�o caindo juntos.

Que garota ousada. Viu como ela se atirou nele?

Ela nem podia esperar, coitadinha.

Aquele gosta de partir cora��es.

Est� indo atr�s daquelas duas garotas solit�rias.

Vai pegar uma depois da outra.

Veja. Elas pularam para encontr�-lo.

Em f�sica, o professor chamaria isso de "atra��o capilar".

Mas professores n�o sabem tudo.

Talvez, no caso das gotas de chuva, seja amor.

Pelo menos no caso das gotas de chuva f�meas.

Nunca saberemos.

Diga, � assim com a maioria dos homens?

A gota de chuva grande vai atr�s de duas pequenas, uma depois da outra?

N�o, n�o com a maioria dos homens.

Bem, para onde vamos agora, meu amo e senhor?

Quando a chuva parar, vou Ihe mostrar Verona.

A cidade de Romeo e Julieta.

At� a varanda dela.

Eu e Julieta.

Lembra o que ele disse quando a viu aqui?

Eu deveria. Fiz o papel de Romeu no gin�sio.

Ent�o quero ver voc� declamar um pouco.

Que luz reflete nessa janela?

� o leste, e Julieta � o sol!

Levante, belo sol, e mate a lua invejosa...

que j� est� adoentada e p�lida de dor...

porque voc� � muito mais bonita do que ela.

Esta � uma antiga arena romana.

Os gladiadores vinham por esta entrada.

Estou com fome.

Por que n�o achamos um mercado, compramos vinho e queijo...

e achamos outro gramado?

Compre o queijo, e eu compro o vinho.

Que tipo de queijo voc� quer? Com buracos grandes ou pequenos?

Com buracos grandes, que d� para ver por eles.

Signore, meio quilo de queijo su��o com buracos grandes.

Este aqui.

Conhece aquela mo�a?

O que ela est� fazendo com os tomates?

� doida?

Desculpe, mas vi que era americana pela costas.

Sim, sou de Salt Lake City.

- Quem conhecemos em comum? - Nunca estive a oeste de Ithaca.

N�o digo Ithaca por ter l�ngua presa. Ithaca existe mesmo.

Eu sei.

Aquela mo�a ali queria saber o que estava fazendo...

t�o perto dos tomates dela.

Comprei uma lente nova e queria ver como funcionava.

Com este anel nas lentes de 50 mm...

o fator de exposi��o deve aumentar quatro vezes.

- Estou vendo. - Est�?

Ent�o diga-me...

se eu dobrar a abertura e come�ar com uma leitura de 8,5 a 4,5...

n�o � a mesma coisa que usar 125...

em vez de 100 em 8,5?

Eu n�o fa�o a menor ideia.

Com licen�a, minha m�e precisa de mim.

Prudence Bell.

Este mundo n�o � pequeno?

Escrevi para sua m�e contando que n�o a vi em Roma...

porque voc� j� tinha partido nesta viagem ao norte.

Eu vim aqui fazer uma surpresa para Albert.

Onde est� o resto do seu grupo?

Esta � uma daquelas horas livres para fazer compras.

Gosta de queijos, Prudence?

Sua m�e estava muito preocupada por voc� viajar sozinha.

Eu me sinto completamente segura.

N�s alugamos um carro e vamos voltar a Roma.

- N�o pode deixar sua turn� e vir conosco? - Sim.

N�o.

H� um senhor idoso na turn�...

e ele n�o ouve muito bem, e n�o come nada al�m de queijo.

Ele depende de mim, e j� passou do hor�rio dele de comer queijo...

e, se achasse que eu o abandonei, ele se sentiria muito mal.

� melhor eu correr de volta para o �nibus.

Verei voc� em Roma, Prudence.

Quer flores, senhor?

Um belo buqu� de flores?

Essa foi por pouco.

Droga, ela estragou tudo.

Ela me fez ver como o nosso lindo feriadinho pareceria errado...

para minha m�e...

mesmo que tenha sido t�o certo para mim.

E se minha m�e descobrisse?

E se nos encontrarmos com eles de novo e descobrirem que menti?

Vamos voltar para o nosso lago.

N�o consigo imaginar Albert e a m�e fazendo esqui aqu�tico.

N�o adianta, Don.

N�o consigo fugir da minha consci�ncia.

Acho melhor voltarmos para Roma.

Podemos pegar o trem noturno. Chegaremos em Roma ao amanhecer.

Desjejum.

E feliz anivers�rio.

Como voc� sabia?

Espiei seu passaporte quando estava dormindo.

� o nosso chal�.

Julieta tinha a varanda dela, e eu tive a minha.

- Voc� gostou? - Adorei.

Ali n�o diz "N�o coloque cascas de laranja na cesta"?

N�o. Diz "N�o deixe as crian�as colocarem a cabe�a para fora".

Sabe, quando eu tiver um filho...

a primeira coisa que farei ser� ensin�-lo a falar italiano.

Tudo soa mais bonito em italiano.

Se um dia eu tiver um filho, espero que pare�a com voc�.

Por qu�?

Porque gosto do formato da sua cabe�a...

das suas m�os e dos seus olhos.

E espero que um dia ele fa�a algu�m t�o feliz quanto voc� me faz.

E se estiverem tomando desjejum e nos virem chegar juntos?

Tem raz�o.

H� uma entrada nos fundos. Podemos entrar escondidos.

Don, Prudence.

� algum jogo?

- N�o quer�amos que nos vissem voltar juntos. - Por qu�?

N�o queremos que tirem conclus�es erradas.

Isso � absurdo. Estamos na It�lia. O que poderiam pensar?

S� que voc�s dois viajaram durante o feriado.

- N�o diga. - Entendo. E isso n�o � bom?

Foi muito bom, mas eles achariam que foi muito ruim.

Bom, ruim... � complicado demais para discutirmos aqui.

Vim dizer que voltei de Mil�o, e vou abrir minha casa em Frascati.

Espero que venha me ver. Senti sua falta.

Se eu e Prudence n�o pudemos ficar juntos, meu querido amigo...

fico muito feliz de ver que ser� Prudence e voc� juntos.

Para mim, os sinos ainda est�o tocando.

Eu amo voc�.

Quem � ela, Don?

Ela � bonita.

Voc� a levou ao Lago Maggiore?

Quando voc� sumiu, podia ter deixado um bilhete dizendo quando voltaria.

- Achei que voc�... - Eu tamb�m.

Mas eu o avisei que nunca n�o existe.

- Ent�o eu voltei. - Por qu�?

Eu me meti em outra encrenca.

At� pensei em me matar.

Eu estava na Su��a h� tr�s dias...

quando conheci um desses milion�rios americanos...

escondendo corpora��es na Su��a.

Benjamin Bentley. J� leu sobre ele? Muito rico, muito poderoso.

Do tipo que sabe o que quer.

E ele queria voc�?

Ele queria que eu o pintasse em seu iate em Veneza.

A coisa logo saiu de controle, e foi muito desagrad�vel.

- Assim sendo, estou de volta. - Voc� mencionou uma encrenca.

Ele me seguiu.

Se olhar l� fora, ver� um estranho no jardim.

� o c�o de guarda dele.

- Ele a amea�ou? - N�o, n�o.

Muito pelo contr�rio.

Acho que ele tem ordens...

de garantir que nada aconte�a comigo.

Tipo o qu�?

Tipo isso.

Por que fez isso?

Para mostrar a ele que tenho um amante...

e para que ele conte isso ao chefe dele.

- Acabou? - Ali.

Depois que ele fizer o relat�rio, o que acontece?

Apenas quero que Bentley pense que sou uma vagabunda e volte para casa.

Agora sente, querido. Tenho outra confiss�o.

Voc� � o �nico ser humano vivo que � importante para mim.

Est� abandonando seu papai rico?

Eu disse a ele que estava depreciada e que ele podia esquecer de mim.

Detesto parecer um beb� chor�o a essa altura...

mas acho que foi assim que tudo come�ou.

Papai.

Muita mesada e pouco amor.

Voc� � tudo que eu tenho.

Voc� � a �nica coisa saud�vel, confi�vel, boa...

na minha vida errada.

Voc� ainda me quer?

- Prudence, esta � Lyda. - Ol�, Prudence.

� sempre um prazer conhecer uma amiga de Don.

O prazer � meu.

Don tem o dom de escolher amigas atraentes.

Querido, eu preferia n�o ficar sozinha esta noite.

Traga esta linda garota para jantar no meu est�dio.

- Obrigado, mas... - Podemos jantar a quatro.

Tenho certeza de que algu�m t�o bonita quanto voc� conhece homens atraentes.

Se eu fosse voc�, guardaria Don para mim mesma.

� muita gentileza sua convidar mais pessoas.

Convidarei Albert.

Voc� os levar� at� l�, Don, querido?

Eu contei que havia algu�m antes de voc�.

Ela me procurou porque estava em apuros.

N�o tinha mais ningu�m para procurar.

Entendo.

� uma pena voc� ter aceitado o convite dela. N�o acho que ter�o muito em comum.

Eu acho que temos muito em comum.

Voc�.

Essa � uma maneira de preservar antiguidades de Roma.

Preg�-las nas paredes.

Fico feliz que tenham vindo.

Tive medo que tivesse mudado de id�ia.

Nada teria me impedido de vir. Obrigada.

Lyda, este � Albert Stillwell. Ele � etrusc�logo.

- Seria grosseria perguntar por qu�? - N�o, todos perguntam.

Mas a resposta seria a hist�ria da minha vida...

e n�o temos tempo para isso, temos?

Venha, pode deixar a sua estola no meu quarto.

Ela � realmente artista, n�o � mesmo?

Eu sei quem ele �.

O nome dele � Bentley. Vi sua foto na LIFE.

� um dos chef�es criminais que o Congresso investigou.

Que lindo quarto. De onde vem a m�sica?

De dois alto-falantes atr�s do drapeado.

� �timo ter m�sica em todos os c�modos.

Durmo com a m�sica tocando.

Deve se sentir sozinha em uma cama t�o grande.

Quando estou sozinha, a m�sica me faz companhia.

Est� tentando ler a inscri��o?

Sim.

Diz: "Todo o meu amor, no passado, presente e futuro.

Don. "

- Cobre bastante territ�rio, n�o � mesmo? - Todo o poss�vel, eu acho.

Mas os homens n�o escrevem qualquer coisa...

nas primeiras semanas em que se apaixonam?

Foi quando ele escreveu isso?

Sim, no Lago Maggiore, Isola Bella.

Voc� teve um bom feriado?

- Inesquec�vel. - Don n�o � �tima companhia?

Sim, eu tomei conta de Prudence desde que sa�mos de Nova York...

quando descobrimos que nossas m�es pertencem � mesma sociedade hist�rica.

Uma garota requer muita aten��o. Ele tem feito um bom trabalho, Prudence?

Ah, sim.

A m�sica � muito agrad�vel. Borodin � um dos meus favoritos.

Don nunca conseguia se lembrar quem era o compositor.

Ele dizia simplesmente: "Ponha m�sica de amor. "

Isso inclu�a qualquer coisa, de Trist�o e Isolda a Ella Fitzgerald.

Quando quer m�sica de amor, o que voc� pede, Prudence?

Nunca fui muito f� de planejamento musical para fazer amor.

Nem eu. Sou anti-m�sica de amor.

Gosto de m�sicas de marcha, como "The Stars and Stripes Forever".

J� fez amor escutando "The Stars and Stripes Forever"?

- N�o, acho que n�o. - Ent�o voc� ainda n�o viveu.

Lembra da pequena banda...

no Lago Maggiore, que voc� pagou para n�o tocar sob nossa varanda?

Como eram homens, entenderam logo e foram embora.

Os homens v�em as coisas de forma mais realista do que n�s mulheres.

Muitas vezes, nem mesmo sabemos o que pensamos...

e fazemos papel de bobas.

Acho que sei o que eu penso.

Vamos admitir. Quando se trata de homens...

n�o sabemos o que queremos a metade do tempo.

Como quando voc� se levantou no bar...

e anunciou para todos os fregueses que estava apaixonado.

Eles riram e aplaudiram, lembra?

Fiquei t�o envergonhada e frustrada que agi como uma garotinha.

Eu estava b�bado.

Conte para n�s. Voc� conheceu v�rios tipos de mulheres.

De que tipo gosta mais?

Com licen�a.

Por acaso eu a ofendi?

N�o, ela deve ter ido empoar o nariz.

Bem, conte-nos sobre os seus etruscos, Sr. Stillwell.

Voc�s ficariam entediados.

Don, por que n�o nos conta sobre seu feriado?

Strega, signore?

N�o deixe que ela a atinja, Prudence.

Ela estava certa.

- Fazemos papel de bobas. - Por favor.

E voc� tamb�m tinha raz�o.

Eu n�o deveria ter vindo.

Porque agora eu sei que voc� foi ao Lago Maggiore com ela...

e que uma banda tocou m�sica de amor sob sua varanda.

Eu os mandei embora.

E disse a todo mundo que a amava.

E da�? Eu estava b�bado. Voc� sabia sobre Lyda. N�o era segredo.

Isso foi antes de eu vir at� o quarto dela...

onde pude ver como era entre voc�s.

Achei que eu pudesse competir com ela, mas n�o posso.

Fui tola o bastante para pensar que eu era especial.

N�o sou.

Sou apenas outra garota.

Mas voc� � especial.

N�o posso deixar que ela me veja chorando.

- Don, leve-me para casa. - � claro que deve ir para casa, Prudence.

Sinto muito se est� se sentindo mal. Chamarei o Sr. Stillwell.

Eu vou levar Prudence para casa.

Don.

- Por favor, volte. - Voc� n�o estar� sozinha.

Pe�a a Albert para falar de ritos funer�rios etruscos.

Por favor. Preciso de conselho.

Voc� � muito gentil, Prudence.

Foi bom saber como voc� era.

O que est� havendo?

Bem, comece do in�cio, Albert.

De onde vieram os etruscos?

Quer mesmo saber?

Bem, primeiro, preciso explicar uma coisa.

Os romanos aproveitaram muitas coisas do etruscos...

as competi��es de gladiadores, a toga roxa, os rituais, prociss�es e triunfos.

Sinto muito que voc� tenha ido l�.

Eu tamb�m.

Quando est�vamos nas montanhas, voc� me achou muito ing�nua?

De que diabos est� falando?

- Voc� devia estar morrendo de t�dio. - N�o fale besteira.

Foi voc� quem disse "vamos voltar para Roma", n�o eu.

Vai voltar para a casa dela?

� claro.

Bom dia. Sabe onde est� o Sr. Porter?

N�o. Sinto muito, mas n�o sei.

De verdade. Obrigada.

N�o seja t�o boazinha. V� cortar a garganta dela.

N�o sou boazinha.

Se n�o sei o suficiente para que ele fique...

e me queira mais do que a ela...

a culpa n�o � dele, � minha.

Eu n�o sei o suficiente sobre o amor.

Achei que se eu amasse algu�m como o amo, ele s� teria que me amar de volta.

N�o esque�a que os homens se confundem �s vezes.

Pobres, queridos, simples monstros ego�stas.

- H� quanto tempo ele voltou para ela? - H� tr�s noites.

Estou dizendo, Daisy, n�o vou ag�entar muito mais.

Durante o dia, ag�ento bem, quando estou trabalhando...

mas, � noite, s� consigo pensar nele com ela.

Voc� s� precisa se convencer de que tudo que ela pode fazer...

voc� pode fazer melhor.

N�o sei o suficiente para competir com ela.

Toda mulher neste mundo compete com todas as outras mulheres...

desde que nasce.

E o que voc� n�o sabe, voc� pode inventar.

Ela me deu um complexo de inferioridade.

Honestamente, Daisy, nem sei se consigo fazer um homem ouvir os sinos tocarem.

Aposto que em Roma, neste momento...

h� milhares de italianos bonitos dispostos a ajud�-la a descobrir isso.

Teria que ser com algu�m de quem eu pelo menos gostasse.

Fiquei muito feliz quando voc� ligou.

Mas voc� disse que ficaria o fim de semana. Por que n�o trouxe bagagem?

Tenho tudo o que preciso aqui.

- Voc� tem uma casa linda. - Fico feliz que goste.

Est� mesmo feliz em me ver, ou estou fazendo papel de idiota?

Estou muito feliz.

Lembra-se do que disse naquela noite na Ponte dos Anjos?

Lembre-me.

- Voc� disse que para fazer algo bem... - Era preciso pr�tica.

Falamos de amor.

Bem, � por isso que vim aqui.

- E Don? - O que tem ele?

Sabe onde ele est�?

E eu n�o me importo.

Eu entendo.

Est� tudo terminado entre voc�s?

Ent�o fico feliz que tenha vindo me procurar.

O quarto de h�spedes fica l� em cima.

Acho melhor me trocar para algo mais confort�vel.

� claro. Trocar-se.

Eu...

Imagino que receba h�spedes o tempo todo.

Sim, o tempo todo.

Mas nenhum t�o atraente e desej�vel quanto voc�.

Ali fica o banheiro e o chuveiro.

Adoro chuveiros.

A condessa tem apenas banheiras com aquela mangueirinha...

Eu tamb�m adoro chuveiros. S�o mais r�pidos.

Vou colocar a m�sica, preparar a champanhe...

e esperar por voc� com grande impaci�ncia.

Li��o n�mero um...

Antecipa��o faz parte do prazer.

E ent�o?

O que acha da nova eu?

Li��o n�mero dois.

Voc� n�o precisa de li��es. J� est� formada.

Bem, ent�o...

li��o n�mero tr�s.

Est� bem.

Li��o n�mero tr�s: N�o tente ser Lyda.

- O que quer dizer? - N�o � disso que se trata?

Seja apenas Prudence.

Prudence, que nunca na vida seria uma Lyda.

Prudence, que nasceu para ser mulher de um homem s�.

Eu gostaria de ser esse homem, mas n�o sou.

- Eu me recuso a ser mulher de um homem s�. - Por qu�?

Porque � muito doloroso.

Mas para o homem que a ama, ser� a ben��o mais preciosa.

H� mulheres demais de v�rios homens neste mundo.

E o que acontece quando uma mulher de um homem s� se apaixona...

por um homem de duas mulheres?

Duas mulheres? Est� falando de Don?

Ele est� com ela agora.

- Tem estado com ela pelos �ltimos tr�s dias. - Isso n�o � verdade.

Nos �ltimos tr�s dias, Don tem estado aqui.

- Aqui? - No seu quarto. E completamente sozinho.

Ele veio sem avisar na manh� de ter�a-feira.

Disse que tinha que tomar a decis�o mais importante da vida dele...

e que queria pensar claramente.

Nos primeiros dois dias, conversamos pouco.

Ele trabalhou em seus desenhos finais para a academia...

e pensou.

- Acha que ele pensou sobre mim? - Eu sei que sim.

Ent�o por que ele n�o me ligou, em vez de me torturar me fazendo pensar que ele estava...

Com Lyda?

Bem, eu...

preciso Ihe contar a verdade agora.

Ele estar�, amanh�.

Ele pediu que eu ligasse para voc� e explicasse.

A culpa � minha se n�o fiz isso.

Eu pensei: "Ela estar� mais feliz sem saber. "

Ele me pediu para tentar fazer voc� entender que ele n�o tinha escolha.

"Don...

Cheguei ao Grand Hotel "Il di Boramise"...

no Lago Maggiore.

Ser� a minha �ltima parada, a n�o ser que voc� venha me ver.

Preciso desesperadamente de voc�.

Lyda. "

Ent�o ele foi.

Ele n�o podia saber se o problema era t�o s�rio quanto parecia.

- Ela n�o tem mais ningu�m. - Eu tamb�m n�o.

O dia todo e a noite toda de quarta, quinta e sexta...

eu nunca me senti t�o abandonada.

- E ele n�o me ligou. - Se ele soubesse que voc� precisava dele...

- Precisei dele de todo cora��o. - Se tivesse mandado um telegrama assim...

Eu gostaria que ele viesse sem que eu o chamasse.

Apenas porque ele queria.

Como eu iria at� ele a qualquer hora, a qualquer lugar, porque eu o amo.

Mas ele n�o ligou, e n�o veio me ver.

E se n�o posso t�-lo assim, ent�o eu n�o o quero.

Agrade�o pelo seu convite, Roberto...

mas acho que vou para casa.

Eu entendo. Vou lev�-la de carro.

N�o.

N�o pode me levar para onde vou.

Vou para casa mesmo, nos EUA.

Querida, voc� veio aqui para ser livre, lembra?

Agora descobriu que o pre�o pode ser alto demais.

Acho que todas as mulheres cometeram um grande erro h� muito tempo...

quando exigiram ser livres como os homens.

Aquilo foi errado, minha querida.

Ser livre como mulher...

viver com liberdade como mulher, � diferente...

porque as mulheres s�o diferentes dos homens tanto em alma quanto em fun��o.

Voc� leu em seu livro que os amantes precisam aprender.

Acredito que a maior li��o seja a seguinte...

A fun��o mais importante na vida da mulher � ancorar um homem.

� transformar os homens dos ca�adores selvagens e livres que s�o naturalmente...

nos formadores de sociedade, respons�veis e civilizados, que eles podem ser.

Obrigada, Roberto.

Nunca esquecerei voc�.

E agora vou lev�-la para casa.

Pela Ponte dos Anjos?

Acho que primeiro devo me trocar e voltar a ser eu mesma.

Oi.

Volte algum dia. Da pr�xima vez, encontrar� a felicidade.

- Adeus. - Divirta-se muito no navio.

Pendure uma placa "Precisa-se de Homem" no pesco�o e a natureza far� o resto.

Adeus. Escreva-nos.

N�o ouse, Prudence. Cuidado com desconhecidos.

Nunca se sabe o que pode come�ar em um navio.

Lembre de n�s, est� bem?

Angelina, voc� est� falando ingl�s.

Por voc�, eu aprendi.

- Por voc�, eu fiz biscoitos. - Obrigada.

N�o sei por que as pessoas d�o cestas de frutas para quem vai viajar de navio.

Talvez seja para prevenir o escorbuto.

Embora seja uma doen�a muito antiga.

- De qualquer forma, boa viagem. - Obrigada, Albert.

Parece que voc� chegou aqui ontem, n�o � mesmo?

E agora est� indo embora.

Espero ter tomado conta de voc� t�o bem quanto deveria.

Tomou, sim.

S� a sua presen�a significou muito.

O trem vai partir em breve. Acho que Daisy n�o p�de vir.

- � melhor voc� ir, Albert. - Por favor.

Podemos nos sentar por alguns segundos?

� claro.

Antes de dizer adeus...

h� algo que venho querendo dizer...

sobre voc� e eu talvez nos casarmos algum dia.

Depois que eu terminar meu trabalho aqui, � claro.

Eu n�o iria querer arrast�-la de tumba em tumba.

Sei que n�o � a melhor hora ou lugar para falar nisso...

mas nunca tive coragem at� agora.

Albert, voc� n�o est� apenas sentindo pena de mim?

N�o, � dif�cil para mim explicar.

Cuidado, Albert. Obrigada.

Foi assim desde o in�cio, no navio, lembra?

Sim, eu lembro, mas eu nunca teria adivinhado.

Eu queria ficar com voc� desde o navio. Eu pensava nisso toda noite.

Mas Roberto estava sempre me vigiando, ent�o eu s� podia sonhar...

com voc� e eu talvez fugindo juntos em um bote salva-vidas.

Suponho que voc� pense que n�o sonho com nada al�m de etruscos.

N�o.

Tamb�m sonho com voc�. Eu amo voc�.

Albert. Voc� � muito atencioso e gentil.

� melhor ir agora. O trem j� vai partir. Escreverei do navio.

Prudence, voc� seria...

Sim, Albert.

Prudy? Onde voc� est�? N�o ousem mover este trem. Prudy!

Daisy. Aqui, McGinnis. Venha c�, garoto.

- Oi. - Tudo bem.

Fa�a bom proveito. Eu odeio esse tipo de coisa.

Obrigada, Daisy. � melhor voc� ir embora. O trem j� vai sair.

- Adeus, Prudence. - Adeus.

- Quem � ele? - � Albert.

Albert?

- Voc�s homens s�o todos iguais. Porcos. - Daisy.

Voc�s s�o todos iguais. E f�cil vir aqui se despedir.

E o cora��o daquela pobre garota?

E ela, enquanto isso?

Isso. Vamos. Diga adeus a esse trem.

- H� uma Srta. Lyda Kent hospedada aqui? - Srta. Kent? Srta. Kent...

N�o temos nenhum h�spede com esse nome.

- Mas ela me mandou uma mensagem. - Seu nome?

- Don Porter. - Ah, sim.

A Sra. Bentley reservou o quarto 316 para voc�.

- Bentley? - Sim.

Que hist�ria � essa de "Sra. Bentley"?

- As paredes t�m ouvido. - Que paredes?

Voc� � um amor. Eu sabia que viria.

Sua mensagem parecia urgente. Pensei que estava em apuros.

Por que o recepcionista a chama de Sra. Bentley?

Porque � quem sou, desde ontem.

Isto... selou o neg�cio.

Mas j� n�o o quero mais.

J� n�o serve para mim. Quero que me tire desta situa��o.

Essa � a situa��o desesperadora da mensagem?

- Voc� sabe que sempre procuro voc�. - E onde est� o noivo sortudo?

- No quarto ao lado? - Est� tirando uma soneca.

O que espera que eu fa�a sobre isso?

Quando ele nos vir juntos, e podemos fazer com que ele veja...

ele vai me abandonar, tenho certeza.

E voc� poder� voltar para Roma e para a sua Prudence...

e prometo n�o perturb�-lo de novo...

at� me meter em outra confus�o.

Don.

Obrigado por limpar meu p�ra-brisa. Estava todo emba�ado.

Oi. Oi.

- L� est� ela. Prudence. - L� est� Prue.

- Estamos esperando aqui. - Querida. Seja bem-vinda.

Bem aqui.

Oi.

Prudence! Prudence!

Don!

Prudence! Prudence!

Don.

Que m�gica maravilhosa. Como chegou aqui?

Ca� do c�u. Vim de avi�o.

Podem segurar isto enquanto declaro a esta mo�a...

que a amo al�m da imagina��o?

Acho melhor conhecer estas pessoas aqui. S�o meus pais.

Papai, cuidado com o candelabro. � um marco da integridade dele.

- Diga de novo. - Eu amo voc�.

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