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Dói?
Está feio.
Dá cá isso. Dá cá.
Dá cá!
Devagar!
Calma, rapariga. Ainda nem te toquei.
Aguenta.
- Não toques. - Pronto, pronto...
Isto não é nada.
- É um corte feio. - Claro que é.
É o que acontece quando se cai pelas escadas abaixo.
Quem foi que te empurrou? O maricas careca?
Vou dar cabo dele.
Apareceu no café com o nariz partido.
O anormal diz que não te tocou.
Começa a ficar perigoso ir às casas.
Isso acabou. A partir de agora, vou aonde tu fores.
- O quê? - Tu ouviste.
Mas sou eu que arranjo os trabalhos.
Até o zelador consegue arranjar trabalhos. Agora vamos juntos.
- És o meu guarda-costas? - Sou o teu guarda-costas, pois sou.
Vou pedir uma arma ao Serhan.
Já chega. Que se lixe isto.
Não sejas ridículo. Nada de armas.
Estou a falar a sério. E se alguém te bate, te esfaqueia? E depois?
Que interessa, depois do mal feito?
Não volta a acontecer, Yasemin.
Se algo correr mal, dizes-me logo.
E eu trato deles. Percebeste?
Por amor de Deus!
Não estou a brincar.
Santa paciência!
Estivemos separados muitos anos.
Eu, na cadeia e tu, cá fora.
Uma vida ridícula.
Não volta a acontecer.
Agora estamos juntos.
Era um bom guardanapo. Estragaste-o.
Agora o guardanapo é teu. Está bem?
Dou-te tudo o que tenho.
Pede-me e dou-te a minha alma.
És tão tolinho!
- Sou um tolinho, não sou? - Sim.
Pronto.
- Não dói nada. - Claro, é um guardanapo mágico.
Tufan.
Fizeste-me rir.
Ri-te. E eu também me rio.
Fica com isto.
Já vais?
É tarde.
A Yasemin ligou.
É assim?
Adeus.
Quando te toco, velhote, parece que vais falar.
Às vezes digo: "Já está.
A alma deixou o corpo e ele é meu."
Outras vezes acho que vais viver mais do que eu.
Não vais, pois não? Dás-me o teu coração?
És o meu salvador, o meu Príncipe Encantado?
Anda lá. Estou aborrecida.
Também tenho pena de ti.
Não tens ninguém e estamos aqui sozinhos.
Quem sabe o que te terá acontecido.
Não tens irmãos?
Todos têm irmãos, velhote.
Quer dizer...
Tens irmãos, mas discutiram.
Por isso, ele ou ela não vêm cá.
É normal irmãos andarem às turras.
Eu tenho um. Sei como é.
Já te contei
a história do Dia e da Noite? É uma história bonita.
Também são irmãos. Vou contar-ta.
O Dia e a Noite gostam um do outro.
São dois irmãos que não se dão.
Quando se juntam, discutem sempre.
A Noite acha que tem razão.
O Dia também. A típica discussão de irmãos.
Mas a Noite tinha mau feitio.
Anda lá, miúda! Vai, vai!
Vai! Corre!
Maldita sejas! Tens de correr mais!
Quem te treinou, jóquei?
Maldito! Caramba!
Se não sabes montar, não montes.
É impossível ter uma conversa normal com ela dois minutos.
- Estava sempre rabugenta. - Maldito!
Talvez seja como o teu irmão.
Talvez os irmãos sejam todos assim. Adiante...
Já o Dia, é como uma flor.
Brilha, cheio de alegria, um fogo que arde.
A certa altura, quase que desvanecia, mas, para já, é um fogo.
Um fogo abrasador, velhote, percebes?
Adiante.
Estes dois irmãos nunca se deram, mas sentiam a falta um do outro.
Não conseguiam estar juntos,
mas queriam fazer parte da vida um do outro.
Por isso, o Dia criou a escuridão para si.
As sombras, isto é.
Quando sentia falta da irmã, podia ver a escuridão.
A Noite criou a Lua e as estrelas, que a lembravam do Dia.
Para poder admirar o seu brilho, quando tinha saudades do irmão.
Gostaste?
Não conhecias esta história, pois não? Não admira.
Porque fui eu que a inventei.
Vou-me embora. Pois é. Tem de ser.
Tenho de trabalhar. Vou dar-te um beijo.
Cuida-te. Não te canses.
Ainda tem o joelho ferido?
Ainda parece inflamado. O veterinário não quis saber.
Onde anda o maldito jóquei?
Ele que apareça que eu ensino-o a montar.
Se é para isso, mais vale ires.
Já temos chatices que cheguem. Dispenso as tuas lamúrias.
Não me estou a lamuriar. É um facto.
Deixa-me entrar.
Não está cá mais ninguém.
Por amor Deus, até a bosta limpo.
Deixa-me entrar dois minutos e falar com a minha miúda.
Faz-me esse favor.
Podia dizer-me o preço do vestido rosa da montra?
Vou confirmar. São 17 200.
Posso experimentar?
Jasmine.
Tudo bem?
Sim. Ando a tratar de umas coisas. E tu?
Vi o vestido e não resisti, fui experimentá-lo.
Muito bem.
Sei de um restaurante de peixe aqui perto. Dizem que é bom.
Talvez andasses à procura dele...
- Talvez? - Talvez.
- Não sei. - Vamos procurá-lo?
- Com isso? - Sobe lá.
Está bem.
- Estás pronta? - Nasci pronta.
- É muito agradável. - É simpático.
Às vezes venho cá.
Fica perto do hospital. E é limpo.
Foi uma surpresa.
Estavas sempre a meter-te comigo.
Era o que eu pensava, mas estava errada.
Não sou assim.
É muito atraente, mas até que gosto de falar consigo, minha senhora.
Não penses que não reparei.
Não é? A minha conversa é apelativa. Sou simpática.
Eu falo muito, mas tenho um coração puro.
O coração puro nunca me foi de grande utilidade, mas é puro.
- Muito puro. - Claro. Sim.
Tens planos para hoje?
Sim, tenho umas coisas.
Não vou perguntar.
Tenho uma pergunta. Quando custa uma mota como a tua?
Em segunda mão, fica bastante em conta.
- Vais comprar uma? - Já pensei nisso.
Não gosto muito de carros, mas de mota,
o vento sopra e, sabes...
A sensação de liberdade.
Há uma sensação de liberdade, sim.
- E ficavas bem numa. - Pois ficava.
Compra uma e competimos.
- Podia ser. - Podia.
Dava-te uma lição, rapaz!
Mais devagar.
Primeiro tenho de juntar dinheiro.
O website tem de começar a bombar. Tem estado fraco.
Com aquelas fotos?
Palerma! Isto não é para ti. Estás a gozar comigo porquê?
Tive uma proposta profissional, mas recusei.
- Eu sei fotografar. - A sério?
Se for a sério, eu obrigo-te.
- Eu sou capaz. - Pronto. Venho já.
- Já falamos. - Sim.
- Vamos falar. - E vamos embora.
Está bem.
Sr. Gökhan.
Dr. Gökhan, certo?
Quem é você?
O assistente de Kemal Gerede. Ele manda cumprimentos.
Queríamos saber se a lista do transplante está em ordem.
Decerto que está, mas queríamos só uma confirmação.
Não estou a perceber.
Eu acho que está.
Tem uma carreira em ascensão.
Anda bem de mota.
Tem amigas bonitas.
O seu trabalho é crucial. É preciso que esteja atento.
Não queremos distrações, pois não?
Faça bom proveito.
Passe bem.
- Já voltei. - Bem-vinda!
- Vamos lá? - Sim, vamos.
Da próxima vez, comemos pudim de arroz. Pago eu.
Tem um aspeto fantástico!
Eu pago. Poupa o teu dinheiro.
- Não. - Compras uma mota.
- Pago eu. - Não, pago eu.
Não te esqueças dos óculos.
Estás a ver? Pões-me louca.
Ponho?
A minha miúda.
A minha linda miúda.
A minha linda miúda.
O que foi?
Não te preocupes.
Não és nenhuma falhada.
Não és, percebes?
Há quem nasça sem sorte.
Nesta confusão de vida.
Não é, miúda?
Não é, querida?
Espera. Anda.
Pronto. Assim.
Dói muito?
Não trataram bem de ti, pois não?
Não foram capazes.
ANDA EMBORA. TEMOS TRABALHO.
Abre as pernas.
Abre. Para cima. Sim.
- Assim? - Sim.
Vira-te.
Isso.
Muito obrigada.
Por causa daqueles filhos da mãe cobardes, tenho de te pedir a ti.
Não me chames nomes.
És muito melhor.
- Sai daqui. - Não é isso.
Tem um trabalho a fazer e manda-te a ti. Podias estar a fazer outra coisa.
É isto que eu faço. Também tiro fotos à minha irmã.
És louca. Vocês são loucas.
Vira-te. Anda cá.
Agora põe a língua de fora.
- Era mais assim... - Como uma idiota? Eles adoram idiotas.
- Sim, isso. - Como uma idiota.
Com um ar estúpido. O mais possível.
Isso. Língua para fora. Olha para cima.
Faz-te de burrinha.
És estúpida. Os homens adoram isso. Exatamente.
Está ótimo.
Pronto.
- Tu gostas disto. - Idiota.
- O quê? - Põe isso.
Porquê? Eu calço as minhas meias rosa.
Está bem.
Já está. Podes tirar.
Tinhas de fazer isso.
Torna a pô-las. Tipo "fotografa".
- Vais fotografar. - Está bem.
Força. Apanha as botas também.
- Está bem. - Anda.
Não te mexas.
Estão incríveis.
- Espera. - Também te vou fotografar.
- Assim. - Está bem.
Estou aqui.
És o máximo!
- Vira-te. - Está bem.
Bem-vinda! Entra.
Tudo bem?
Entra. Pousa isso aí e entra.
- Como estás? - Pergunto-te o mesmo.
Estás entusiasmada?
Hoje vai ser muito bom.
Anda, vou apresentar-te.
Apresentar-me a quem?
Jasmine, este é o teu par da noite.
- Prazer. - Igualmente.
Eu trabalhei com o meu amigo e fiquei a dever-lhe um favor.
Ajudou-me numa fase má.
- Percebes? - Estou a ver.
- Queres que ele assista? - Não. Estou em dívida para com ele.
Isso quer dizer o quê?
Prometi-lhe a minha mulher para pagar a minha dívida,
mas agora não posso cumprir essa promessa.
Vou saldá-la contigo.
A cabeça dos homens é mesmo estranha.
Fazemos o que tu quiseres.
Satisfazemos a tua fantasia. Tu controlas. Eu observo.
Se aceitares, recebes o dinheiro que pedes.
És o máximo!
O que fazemos agora?
Tens fome? Cozinhei coisas deliciosas para ti.
Vamos comer?
Tenho fome. Se também tens, senta-te.
Queres vinho?
Quero.
Podemos começar quando quiseres.
O que é que se passa? Raios!
Tira-o daí!
Onde estão as rédeas?
- Eu não sei! - Onde estão as rédeas?
Isto é bom.
Fala! Eu confiei em ti e deixei-te entrar.
Tive pena de ti e roubaste-nos? Patife!
Roubaste-nos?
Para! Não é verdade!
- Ia roubar para quê? - Patife!
Eu explico.
- Fala! - Parem de me dar pontapés!
- Eu digo-te! - Fala, então!
Não nos faças passar da cabeça! É a última vez que te aviso!
Dá-mas. Não me enerves!
Juro que não sei. Juro pela minha família.
Estás a mentir?
- Meu... - É o meu lixo!
Eu sou o responsável.
Eu não sabia.
Vão repreender-me por tua causa.
Juro que lamento, mas não sei de nada.
Eu pago!
Vai-te lixar!
- Está bom, mulherzinha? - Está.
Mas se ele não se vier já, fica melhor.
Não te vens já, pois não, Kemal?
Se ele se vier, vai ver o que lhe faço.
Sou aleijado. A sério. Para de me bater.
Para de me bater!
- Aleijado. - Juro.
- És aleijado? - Sou.
Palerma!
Palerma!
Palerma!
- Como estás? - Estou ótima.
- Estás bem? - Sim.
Esta fantasia de voyeur, já a tinha feito.
Mas nunca tinhas feito assim, aposto.
De onde veio aquela faca?
Não sei. A trela era minha. Eu gostei.
- Ainda bem que gostaste. - Obrigada.
Diverte-te a gastá-lo.
Eu acompanho-te até à saída.
Está bem.
Tufan! Estás cheio de sangue!
- O que te aconteceu? - Tem calma.
Temos de ir ao hospital.
- Vamos. - Hospital não.
Agora não posso explicar isto a ninguém.
Então, entra no carro.
Para. Devagar, devagar.
- Vou passar-me! - Para de gritar.
Cabrão. Aquele cabrão.
Raios!
- Quem foi? - Não é nada. Eu mereci.
- O quê? - Eu mereci, Yasemin.
Quem merece uma coisa destas? Não me enlouqueças.
Vamos sair daqui. Arranca.
Estou com dores, Yasemin. Espera.
Deixa ver.
Caramba!
Dá cá, por amor de Deus.
Pega lá. Toma.
Estás sempre a armar-te.
- É fundo? - Espera.
Nem lhe toquei.
Não é muito fundo, mas é um corte feio.
Ele deu-me pontapés com as botas, o cabrão!
Quem?
Tudo bem. Pronto. O álcool ajuda.
Sopra-lhe, Jasmine.
- Pareces um bebé, Tufan, caramba! - Para de gritar!
- Dói muito? - Nem por isso, Yasemin.
Dói, não dói?
Tradução e Legendagem: María José Ferreira
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