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Original subtitles

A sua dama está em perigo, meu caro conde.

Meu caro doutor, vou jogar o cavalo.

É meia-noite, doutor.

Cheque!

E o meu bispo, ou estou louco?

Nunca deve falar de loucura num asilo, doutor!

Nunca!

Conde Drácula, o que se passa?

Tenho sede!

Está na hora do meu chá!

Tenho sede de sangue! Tenho sede!

Recua, vampiro!

Este crucifixo vai transformar-te em cinza!

- Olha! - Tenha piedade! Imploro-vos!

- Para trás! - Tenho mulher!

- E pequenos vampiros! - Morre!

Vampiro do diabo!

Este machado vai cortar-te a cabeça!

- A bomba! - Está ali.

- Onde? - Ali mesmo.

- Um pouco para cima. - Está presa!

Carrega com mais força.

Aqui está!

Como disse:

Morre, vampiro do diabo!

- Correu bem, esta noite. - Sim.

Ele vai ficar contente.

Achas?

Foi melhor que o costume.

É uma pena que tenhamos de parar.

- Sim. - É sempre assim.

Espero que...

Não nos devíamos preocupar com isso.

Parece que estão a fazer audições.

"Veem como a suspeição age sobre vós?

Não aconteceu nada de mal,

mas consideram-me culpado!

E se alguém desse ouvidos às vossas palavras imprudentes,

teria sido eu quem encurtou a vida de Claudius.

Amava o seu filho,

a sua morte pode mexer com a cabeça,

mas sobre os acasos do destino,

eu não posso responder!"

Obrigado.

Foi bom?

Deixe a morada, enviaremos uma carta.

Agressivo:

"Senhor, se tivesse um nariz assim,

amputá-lo-ia no local!"

Amigável:

"Deve bater na taça. Quando bebe,

precisa de um copo especial?"

Descritivo: "É uma pedra!

É um pico! Um cabo!

O que estou a dizer?

É uma península inteira!"

Obrigado. Deixe a morada, enviaremos uma carta.

... quando vi este canalha a levantar o vestido de uma mulher por trás.

Pensava que estava a pregar algum tipo de partida,

portanto disse-lhe, bem-disposto:

"Pare, seu malandro,

insulta a honra desta senhora!"

Quando ela me ouviu, virou-se e disse:

"Não vê que está a carregar a minha cauda?"

"Porque deixaria que outra pessoa carregasse a sua cauda?"

Respondi eu!

Obrigado, deixe a morada.

- Muito bem. - Entraremos em contacto.

Obrigado.

Adeus.

"Pela minha alma, pela minha mãe,

por esta cruz, este símbolo de honra, juro

que se o seu protetor alguma vez lhes faltar,

dedicarei a minha vida à viúva e ao filho do Comandante Brémond!"

Obrigado.

Gostaram?

Deixe a morada, entraremos em contacto.

Obrigado.

- E? - Bem...

Disseram que eu era...

Que era perfeito para o papel, a minha voz, que eu...

Tinha tudo o que precisavam...

Sim, e?

Deixei a morada, vão escrever.

E tu?

A mesma coisa. Disseram-me

que era perfeito,

era exatamente o que procuravam,

deixei a morada e eles vão escrever.

É isso.

Ainda não pagaste

o telefone?

- Não. - Então, ainda está cortado.

Chegou correio?

Não, não havia nada.

A sério? Então, devem querer vir pessoalmente.

O que foi?

Viste quem conseguiu um papel?

- Olha. - Bem.

Ele ainda está no ramo?

- Sabes porque lho deram? - Não.

- A sério? - Bem, quer dizer...

Bem...

Se estão assim tão desesperados...

Não!

Foi a porta.

Não te mexas, eu vou.

Sim? Quem é?

É a Sra. Rossignol!

Sim, Sra. Rossignol?

Está adorável hoje! Muito!

A rececionista mais bonita da vizinhança.

Eu sei-o e estou feliz por a ver!

Uma carta para vocês.

- Deve ser o teatro! - O teatro!

Não, é do senhorio, por causa da renda atrasada.

- Bem, sabe... - Não.

- De novo? - Sim.

- Não há dinheiro! - Não?

- Não. - Não.

- Acho que não arranjaremos hoje. - O que fazemos?

O costume, acho eu.

Direi que estão em digressão.

Estamos prestes a conseguir dois grandes papéis,

teremos dinheiro em breve.

Queríamos pedir-te,

- se chegar alguém para nós... - Sim.

... manda subir imediatamente.

Sim? Obrigado, querida porteira,

és tão amável.

Obrigado!

Se vir o responsável da Comédie Française,

- Châtelet, Porte-Saint-Martin. - Sim!

Mando subir.

"Esta carta é para confirmar a nossa encomenda

em relação ao fornecimento

de 150 toneladas de poliestireno

e 400 toneladas de policloreto de vinila..."

Olá, Sr. Montescourt.

Sim.

É o Sr. Roscoff.

Estou, Roscoff? O que se passa?

O meu espião nas fábricas disse-me que estão a ameaçar uma greve!

Tem de cá vir!

Mal viro as costas...

Sim, é uma preocupação.

Tratarei disso mais tarde.

Tenho algo urgente a fazer.

Estarei na fábrica em breve.

- Obrigada. - Onde íamos?

"150 toneladas de poliestireno

e 400 toneladas de policloreto de vinilo."

"...na condição expressa

de conseguir entregar

na minha fábrica de Fos-sur-Mer, em Bouche-du-Rhône,

no prazo definido no contrato."

Termine com a fórmula habitual.

Gostaria de o informar que chegámos.

Espere por mim aqui. Não tente descobrir

onde vou. É confidencial.

Vai ouvir das boas!

Com a sua idade, já devia ter juízo!

A bola não é minha, senhora.

Eu vi-o! Vai sair-lhe caro. Seu comunista.

Espere aí até eu descer,

eu já trato de si, sua peste!

A sério, o que é isto?

O senhor tem bom gosto.

Ou dor de costas.

Posso ajudá-lo?

Desculpe, Châtelet...

Châtelet?

Era verdade!

- Estão à sua espera. - À minha espera?

São bons!

São muito bons!

Muito talentosos! Fazem de tudo!

Acredito.

Devia contratá-los!

Vai ficar satisfeito, prometo!

O que nos vai acontecer?

E com o nosso talento,

é uma pena que ninguém consiga ver.

Sabes, eu sinto...

Ouve-me bem,

sinto que algo vai acontecer.

Para...

Vais dizer-me que um realizador

vais bater à porta e dizer: "vou contratar os dois!"

É no primeiro andar, à direita.

Primeiro andar, à direita. Obrigado.

Vai bater à porta certa!

Obrigado. À direita...

Entre, realizador, entre!

Entre!

Senhores,

pretendo contratar-vos.

- Sim. Para quê? - Estamos muito ocupados.

Sim, é por isso...

Se não aceitarem o trabalho, posso contar com a vossa discrição?

A situação é a seguinte:

trata-se de um empresário muito rico,

muito poderoso e conhecido,

que, há já algum tempo,

tem andado a receber cartas a ameaçar um rapto,

se não pagar uma certa soma.

Este empresário muito rico, poderoso e conhecido

não quer ir à polícia.

Portanto, aborda dois detetives privados

cujo trabalho será protegê-lo a ele e à sua família.

Esses detetives privados são vocês, claro.

Isso parece-me tudo importante.

- Muito. - Sim.

Depende de vocês.

Se aceitarem, quanto será?

O senhor...

Podemos conferenciar?

Façam favor.

- Eu vou fazer um telefonema. - Faça favor.

Acho que podemos pedir um pouco mais que o mínimo do sindicato.

Estás louco? Este tipo está carregado!

Vou pedir...

- Não tem sinal. - Sim, está muito ocupado.

Bem?

- Vão aceitar? - Vamos.

- Quanto? - Mil francos por dia.

Perfeito.

E 30 dias adiantados.

Portanto, 30 000 francos.

Trinta mil francos são...

Trinta milhões antigos. Nunca me vou habituar.

Passo em nome de quem?

Ao portador!

- É mais fácil. - Sim, ao portador.

Muito bem. Aqui está.

Então, quando começamos?

Imediatamente.

Vão ficar em minha casa.

Aqui está a morada.

Espero-vos lá. Vou dizer à minha mulher

que vamos ter mais dois hóspedes em casa.

- Estou a contar convosco! - Claro.

- Um prazer. - Obrigado.

Conduza com segurança.

- Adeus. - Obrigado.

E não se esqueçam, venham armados até aos dentes!

Ele é bom, não é?

É encantador, mas se bem percebi, não fornece adereços.

Não, ouve,

isto será a melhor coisa que já fizemos.

Podes ter razão.

Então, vamos orientar-nos.

Merda!

E agora?

Nada, minha querida Flora, está tudo bem!

Tenho a situação bem controlada!

Silêncio, estou a falar!

Podia fazer uma pausa para almoço.

Sim, podia... Ela tem razão.

Podia fazer uma pausa para almoço.

Senhora, vou voltar para Espanha.

Ao menos lá a Guerra Civil já acabou!

Isso tudo por um pequeno estouro?

Pequeno estouro?

As luzes caíram na sopa!

É terrível, Pepita, mas quem vai fazer a paella?

Quem vai servir o jantar?

Nicolas, também nos vai deixar?

Senhora, não ficarei nem mais um minuto nesta casa,

o médico do coração disse-me que não posso!

Estão ambos a magoar-me, imenso.

Lamento, a nossa decisão é definitiva!

- Sim. - Esta casa não tem tamanho

para um laboratório

- e um louco! - Certo!

Creio que estão a falar de mim. Tenho as orelhas a arder.

Gaston, isto é completamente despropositado.

Graças às suas loucuras, estamos novamente sem funcionários.

Isso pode ser bom, Flora, pois se observarmos bem

esta cara, aqueles olhos alucinados...

Com um corta-relva a gasolina,

é Átila, o Huno.

Já para não falar do pente que encontrei no esparguete.

Um pente espanhol, já agora. Não, querida Flora,

empregados arranjam-se,

mas temos de trabalhar num protótipo durante imenso tempo,

com paciência, carinho e paixão.

Perigosamente!

Bem, ninguém lhe perguntou nada. Eu acompanho-vos.

Não se incomode.

Se a senhora nos der os cheques...

Não se preocupe,

podemos ligar para a agência.

Ou melhor ainda:

podemos trazer um barco inteiro de Portugal!

A semana será mais tranquila.

Adeus, senhor.

Nicolas, o que aconteceu?

Pergunte ao Sr. Gaston!

São estranhos.

A casa provoca isso, senhor.

- Vidraceiro! - Sim, o vidraceiro.

Ainda não perdeu o jeito, Sr. Montescourt?

Não estou equipado.

Deixo para si.

Certo, chefe!

Meu Deus, não pode ser!

O que aconteceu, Gaston?

É um motor de combustão interna.

Por vezes, a combustão é externa.

Perdeu um grande espetáculo, foi de loucos!

Como Verdun! Algo histórico.

E depois desse espetáculo,

os meus assistentes demitiram-se,

a sua esposa disse-me umas coisas

de que não gostei nada.

Arrisco a vida por este monte de sucata.

Não gosto nada disso!

É por isso que estou a pensar se não devia aceitar a proposta da Rolls Royce.

Não! Meu caro Gaston!

Não o faria.

Estou a pensar nisso, Montescourt!

Um homem da minha estatura, 160...

- 160 no... - Meu caro Gaston.

Acha que isso é inteligente?

O carro perdeu algum valor,

- depois de... - Acha que sim?

Terei de encontrar outro.

Meu caro Gaston, não vá à Rolls Royce.

Trabalhe comigo.

Dou-lhe um protótipo, música

e uma nova equipa de assistentes.

E a minha dignidade? E a minha posição?

O que quer? Mais dinheiro?

Quero respeito!

Não quero pessoas a chamarem-me chanfrado.

- Chanfrado? - Chanfrado.

Chanfrado!

E a sua mulher fez uns comentários dolorosos.

Eu falo com ela!

E não quero a sua filha a rir-se nas minhas costas!

Ela riu-se?

Sim, ela riu-se! Nunca para!

Bem, por vezes para,

mas goza-me o dia todo!

É criança, é claro que anda na brincadeira.

São infantilidades!

É sério!

Porque a sua filha...

Eu amo-a. Adoro a Isabelle.

Idolatro-a. Lamento...

Bem, Isabelle, está bom!

Não te mexas. Ótimo.

Vira-te, olha para mim.

De perfil, agora!

A direito.

Tenho de ir, o meu pai pensa que estou na escola.

Achas que não vai descobrir quando vir a tua foto no jornal?

Por essa altura, já serei famosa.

Sabes que és um docinho?

Se quisesses fazer algo mesmo sensual...

Estás a perceber? Faríamos uma fortuna.

Tenho uma regra:

nunca me verem nua.

A menos que seja meu marido.

Bem, eu também tenho uma regra:

nunca casar com uma rapariga que não vi nua.

Pode ser um travesti!

Vais ficar sem saber e não se fala mais disso.

E se dissesse ao Sr. Montescourt

que a sua cara filha falta às aulas todos os dias para posar para fotos?

Chantagem?

Se ele descobrir,

mete-te na cadeia por aliciares uma menor.

Entendido?

Era só uma ideia, estava só a meter conversa.

Vemo-nos amanhã?

Talvez, vou ver como corre.

Trouxeste a artilharia?

Tenho tudo o que precisamos.

Fazem brinquedos bons hoje em dia, não é?

Não o achaste um pouco estranho, o Montescourt?

De todo. Para um homem do teatro, parecia

mais inteligente que a maioria.

Dizes isso porque te deu um papel?

Seja como for, é podre de rico e isso parece-me bem.

- Devíamos ter pedido mais? - Sim!

Acho que devíamos.

Sou eu, quando jogava a avançado no Marselha, em 1952.

Fabriquei o meu primeiro ralador de queijo.

Muito bonito. Como funciona?

- À mão, é manual. - A sério?

A minha primeira loja, veem?

Construí os descascadores de vegetais pessoalmente

e vendi-os nos mercados, sem licença.

Muito corajoso.

- A minha primeira loja. - Encantadora.

Depois veio a automação, já sabem como é.

- Sim. - E mudei

e desenhei o primeiro moinho de café elétrico.

Eu mesmo. De repente, pumba!

A primeira fábrica.

Uma ascensão fulgurante.

Uma ascensão fulgurante, sim.

- Parabéns. - Essa chaminé é bonita.

Sim, devo dizer que me casei com uma mulher rica,

a minha primeira mulher, que morreu há dois anos.

Uma tragédia, deixou-me a sua fortuna inteira.

Então, agora quer começar a produzir peças.

Não, há outras fábricas que fazem chapas.

O meu objetivo,

o meu sonho, é deixar o meu nome

num motor limpo, revolucionário, de operação inteiramente remota,

que iria...

Chateio-vos com planos.

Não, senhor!

- Nada disso... - Nada disso!

Voltemos à nossa história.

Sim, por falar nisso,

gostaríamos de ver a brochura.

Como queiram, mas

não vejo porquê...

Talvez seja um acessório.

Não será muito útil.

- Talvez seja para decoração. - Mas,

aqui está onde começou o nosso caso. Leiam isto.

"Exigimos 500 mil dólares em oito dias,

ou a pessoa que mais preza será raptada."

Uma carta anónima, nada original.

Alguém que pede 500 mil dólares não quer saber de originalidade!

É verdade.

Tenho outra.

Leiam isto.

"Tem dois dias para arranjar o dinheiro, ou..."

É um bom começo! Assim, já temos alguma tensão!

Ainda bem que gosta.

- Tensão! - Diga-me, quem escreveu isto...

Quem escreveu? São anónimas!

O vosso trabalho é descobrir quem as escreveu!

- Mimi, aí estás tu! Estou a isto... - Esta é a Flora!

Ela é a responsável pela casa.

É atriz?

Atriz? Claro que não!

É a minha segunda esposa.

Sim...

Querida, estes senhores vão ficar connosco uns dias.

Que bela ideia!

Não temos funcionários!

Liguei para as agências, já ninguém quer trabalhar aqui.

Estamos na lista negra.

Em defesa deles,

chegam intactos e saudáveis

e saem daqui de roupa rasgada, cobertos de pensos!

Sempre que há uma explosão, eles demitem-se.

Explosão?

- Qual explosão? - Sim, eu...

Felizmente, ainda temos o Joseph.

O nosso motorista. Arranja um quarto para estes senhores.

Claro. Não há empregados. Espero que gostem de congelados.

Por mim, não há...

- Não é problema. - Não, nada.

Esta é a minha filha, Isabelle.

Olá.

O tesouro que a primeira mulher me deixou.

E a fábrica!

Que gentileza por me lembrares.

Estou a brincar, pai!

Está bem.

Algo me diz que ela me vai dar problemas.

Já tenho problemas sérios, com isto do rapto.

Sabem porque vos contratei? Como guarda-costas,

para as proteger.

Sim!

Um seguirá a minha filha,

o outro tratará da minha mulher. Mas cuidado.

Não as quero assustar,

portanto não lhes contei. Silêncio!

Toda a gente tem de acreditar que vieram em negócios.

Ninguém pode saber que são detetives!

- Não... - Desculpe...

O vosso cartão.

Não quero elas o encontre, destruam-no.

- Compreendo o que aconteceu... - Estou?

Sim?

Podem seguir-me. As vossas malas estão no átrio.

Estou? Roscoff? Sim.

Sim, tudo bem.

Eu vou à fábrica.

Estou a dizer-te, vou triturar esses sindicalistas!

Aqui estão.

Se me seguirem, este é o quarto "mostarda".

Muito agradável.

Diga-me, senhora, o que é que explode por aqui?

Tudo.

Há fumo, chamas

e coisas a voar pelo ar, de tempos a tempos.

Tenho os nervos em franja!

Quando ouvirem "boom",

e virem a cama a mexer-se, não se preocupem.

Também há um cão que uiva de noite. Incomoda-vos?

Não, de todo...

Não, coitadinho.

- Portanto, não, não incomoda... - Não?

Qual de vocês quer dormir aqui?

Não nos pode separar.

Um pode dormir na outra ala.

Não, não se incomode, ficamos bem aqui!

- Sim... - Não se importam?

Não, nada disso, ressona menos à medida que fica mais velho.

Certo, muito bem.

- Vemo-nos mais tarde. - Sim.

- Adeus... - Boa noite.

Os meus nervos, são os meus nervos...

Um realizador?

O Montescourt enganou-se, acha que somos detetives.

Se há algo que detesto, é uma comédia de erros!

- Bem, sim... - É para os velhos!

Agora estamos aqui e há um perigo a sério.

- Vamos lá, anda. - E devolvemos o dinheiro?

- Sim, três milhões... - Já gastámos metade.

Sim, mas tu ouviste, os empregados todos

explodiram! Não!

- Mas três milhões... - Postumamente?

Ele vai contratar outra pessoa que não é qualificada.

Claro...

E as cartas podem não ser nada.

As explosões não são nada.

Sim, mas depois, podemos defender-nos.

Claro.

Entrámos em tantos dramas policiais

- que sabemos como funcionam. - Claro.

Mas numa peça, sabemos o que aí vem.

Mas não sejamos duros, os atores

- não são mais idiotas que detetives. - Certo.

E temos de ganhar a vida.

- Certo? Então, vamos a isso! - Tens razão!

- Ele vai receber o que pagou. - Sim!

- Faremos o nosso trabalho, como sempre! - Sabes

o que vamos fazer? Vamos ficar!

As fotos ficaram bem?

Certo, vou vê-las amanhã. Vou sair da aula de matemática.

O quê? O que tenho vestido?

Acabei de sair do banho, estou nua!

- Quem é? - É o Gaston.

Um minuto!

É má altura?

É sempre.

Tens talento para vir no momento errado.

- Posso ir embora. - Já estás aqui.

De que te estás a rir? Podíamos rir-nos juntos.

- Não me parece! - Não?

Então, a que devo o prazer desta visita, Gaston?

Não sejas tímido.

Sabes, é sexta e...

Pensei que se calhar podíamos

ir dançar à noite, depois do jantar.

De certeza que aguentas isso?

- Sim, estou bem. - Podias ser meu pai.

Ainda assim, sabes...

- Quase. - Sim.

Espero que não tenhas ideias perversas.

Porque é que ela está sempre a brincar?

As minhas intenções são puras, Isabelle. E o teu pai concordou.

Ora vejam só.

Lamento, não vou sair hoje.

- Não? - Não.

- Tenho um trabalho de matemática. - A sério?

Se me pudesses ajudar...

Bem, eu era o melhor da minha turma.

Sim, isso é aborrecido.

Onde está esse trabalho?

Vamos sair amanhã, prometes?

Não gosto de chantagem.

Nem de matemática, aparentemente.

Falamos amanhã.

- Sim? - Se tiver boa nota.

Se... Acredita, vais ter.

- Também tenho apresentação de química. - A sério?

Tudo isto para...

Sim, vamos a isso.

Vamos a isso.

Acho que ela está apanhadinha por mim.

Estou dentro.

Será um casamento lindo.

Não me lembro disto, o que é isto?

Sim!

Bem, é fácil.

A omelete estava uma delícia!

Senhora, criar é o meu trabalho!

Diria que criar omeletes é o que fazes menos mal.

Para lá de cozinhar, o que é que faz?

Estes senhores trabalham na indústria.

Sim, isso mesmo, fazemos ligas,

sabe?

Também fazemos engrenagens.

- Engrenagens, sim. - Tantas engrenagens.

Sim, temos...

Temos níquel, temos...

Chapas metálicas.

Chapas metálicas corrugadas. As normais são fáceis.

Corrugamos ao máximo! Sabem, é indústria pesada.

Acredito.

Isabelle, porque é que o Gaston não está connosco hoje?

Tinha algo a terminar, sabes como ele é.

O homem vive de cálculos e água mineral.

A água faz bem!

Joseph!

Serve o café no meu escritório.

Eu e estes senhores temos de falar.

São estranhos, estes hóspedes do pai.

- Acho que são engraçados. - Talvez.

Não era assim que imaginava titãs da indústria, sabes?

Não julgues pessoas pela aparência.

Tens de ver o interior.

Olha para o Gaston.

Ele pode parecer simples, mas não é tão...

Falam de mim?

Tenho as orelhas a arder.

Acabei o...

Do melhor, garantido.

Tive cuidado desde que recebi a primeira carta.

Vejam.

Com o interruptor ligado, ninguém pode entrar, nem sair.

Como?

- Experimentem. A janela. - Aqui?

Pare! Está a ser eletrocutado!

Pare!

Está a ser eletrocutado! Pare!

Está desligado.

Bem, foi um choque.

Devias fazer isso mais vezes, estás a brilhar.

Foi uma surpresa!

E não é tudo! Para casos sérios...

O que é isso?

Está uma coluna instalada no vosso quarto.

Podem ouvir tudo o que se passa.

Se alguém, seja quem for, tentar entrar...

Nós vamos ouvir e poderemos intervir,

- com isto. - Não! Com isso, não!

Não quero corpos nas mãos!

Nada de escândalos, publicidade, jornais.

Vou dar-vos algo muito mais discreto.

Tomem.

- É um pouco maior. - Enorme.

Completamente silenciosa!

Dispara dardos.

Como este, estão a ver?

Cheio de cloreto de acetila omidol.

- O que é que isso faz? - Deixa pessoas a dormir.

Não é tão forte quanto dióxido de enxofre clorobenzeno.

Mas é a única coisa que funciona instantaneamente, por dez minutos.

Sim, imediatamente.

É o Joseph com o café. Vou mostrar-vos.

O dardo está preparado.

Engatilhar.

- Prontos para apanhar chávenas? - Sim.

Entra, Joseph.

Sente-se, vamos lá.

Eficaz, certo?

É melhor que um chá de ervas.

- O que se passa? - Nada!

Rebentou um fusível.

Não se preocupem...

Vejam!

Uma carta.

"Prepare o dinheiro. Só faltam 24 horas."

Ele esteve aqui!

Ninguém sai!

Apanhem o raptor!

Apanhem o raptor!

Apanhem o raptor!

Apanhem o raptor!

O que se passa? Mimi?

- Mimi, o que se passa? - Nada!

- Foi um corte de energia. - Um corte? Ele cortou-se?

Onde é que te cortaram, querido? Faça algo!

Ar! Deem-lhe ar!

Ar!

- Apanhei um choque elétrico! - Não, é só a tempestade.

É a tempestade.

Pai, o que se passa?

O que é aquilo ali?

É afiado. Deve ter doído...

O Gaston desmaiou!

É a tempestade! É só a tempestade!

Aquela carta não apareceu do nada.

Alguém a deixou lá durante o corte de energia.

- Deve ter sido alguém daqui. - Não.

Alguém podia ter entrado quando falhou a energia.

Vamos deixar o trabalho de detetive para amanhã?

- Vou dormir. - Boa noite.

Assim que cheirei a tua pele, sabia que tinha de vir!

Tu cheiras a aventura,

a homem exótico e corpulento!

Espera, deixa-me evacuar o quarto.

Não!

- Ele terá a vez dele. - Está bem.

Émile!

Estava a ter um sonho, com a senhora.

A Flora. Estava a fazer-te gritar assim tanto?

- Estás a ficar velho. - Sim.

Ela tinha...

Eu sei o que ela tinha.

Vou tentar sonhar com ela, depois digo-te o que acho.

Espera...

Está aqui a sua filha! Graças a Deus.

Estou a acender o rastilho!

Vai explodir!

Vai explodir! Apague o rastilho!

O rastilho!

As almofadas podem ser fatais, se explodirem.

Tive um pesadelo.

Um pesadelo atroz.

Agora mesmo.

Desculpa.

Estamos aqui há horas

e ainda não ouvimos uma explosão. Está na hora.

Desculpa...

Dormiram bem?

A noite toda.

Ótimo. O senhor e o seu amigo estarão bem alertas hoje

para o que der e vier.

Com a sua licença.

- Em plena forma! - Bom trabalho.

Podia ter sido o próximo Pelé, sabe?

Vidraceiro!

Vem todos os dias, à mesma hora. Sou o seu melhor cliente.

Belo dia!

Sim. A janela do costume.

Que belo remate!

Ah... Pronto.

Vou vestir-me e vou para a fábrica. Problemas com o sindicato.

Vou confiar-lhe a minha filha. Sai para a escola às 8h30.

Vigie-a, siga-a, sem ser visto

e, claro, se alguém a tentar raptar, faça algo, sim?

Certo. Se ela fizer algo, rapto-a. Entendido.

Meu caro Émile...

Posso chamar-lhe Émile?

Seria uma dona de casa fantástica.

Parece que passou a vida nos bastidores de um castelo.

Conheço muito bem os bastidores.

- Como funciona este moinho? - É fácil,

como tudo o que meu marido faz.

Já pôs o café? Carregue no botão vermelho.

Não devia ser isso.

- Não, não devia. - Não.

Terá de perguntar ao Mimi.

Senhor, senhora.

- Quem é? - O vidraceiro.

- Sim. - Terei de ir à loja.

Vou comprar café moído.

Eu vou consigo.

Não a podia deixar ir sozinha.

Sou um cavalheiro.

Que bela ideia!

Podemos ir às compras juntos, é divertido, vai ver.

Precisamos de muita coisa. Teremos convidados no fim de semana.

O sócio do meu marido, o Roscoff.

Roscoff? Não é um nome francês.

Não?

Bom dia!

Aposto que não me esperavas tão cedo. É da compota.

Compota? Querida, isto é geleia!

À frente do Sr. Émile...

Não, não.

Agora...

E agora...

Com calma...

Devíamos obrigar os nossos suspeitos a fazer um ditado.

As cartas anónimas foram soletradas.

Sim, mas ainda assim...

Porque estás a rir?

A visão de um espécime humano tão perfeito

enche-me de alegria!

Adeus, queridos!

- Tenho de a seguir! - Vai mudar de roupa!

Quando entraste em Les Deux Orphelines, tinhas cinco papéis!

Tinhas um minuto para mudar de roupa!

Ela está a montar a bicicleta, despacha-te!

- Vês? - Muito bem.

Tem cuidado!

A professora viu que não estava?

Ninguém interrompeu a aula.

Tens outro dia.

Isto está a tornar-se num mau hábito.

Eu disse que estavas constipada.

Ótimo, uma constipação pode transformar-se em bronquite.

"Desculpe, a minha filha está doente." Ótimo.

Diz que foste a minha casa e que o meu pai te deu isto.

Toma o trabalho de matemática.

- Pode estar correto, para variar. - E com o Oscar?

Ótimo, está pronto.

Mais duas sessões e vai pedir-me em casamento.

Que homens estranhos!

Primeiro, querem-nos a todas,

depois querem casar-se connosco.

Só tens de saber o que querem.

Vês aquele tipo ali, atrás da carrinha?

Está a vigiar-me.

Preciso de uma distração.

Tenho a coisa certa, confia em mim.

- Senhor! Agente! - Sim, menina?

Está um homem terrível ali. Está sempre a incomodar-me. Veja!

- Está escondido. - Estou a vê-lo.

Estes tipos são a minha especialidade.

- Olá. - Olá, agente. Belo dia, não é?

Sim. Está a observar as meninas?

Sim, precisamente, estou a observar aquela.

O quê? Esta zona

é uma zona calma,

não gostamos de pervertidos

e depravados sexuais a incomodar as crianças,

à porta das nossas escolas,

à frente de um agente!

- Documentos! - Mas...

E está armado!

Os seus documentos!

Dê-me os seus documentos!

Está frescote, não está?

Como diz a senhora, frescote!

Vamos passar na fábrica, tenho de atestar o carro.

Anda cá, minha querida.

Isso mesmo.

Atenção.

Desculpa...

Ali!

Mimi, precisas de uma mãozinha?

- Caluda, estamos a trabalhar! - Que divertido!

Um bom anúncio deve deixar o cliente incapaz de resistir ao produto.

- O que acha? - Eu compraria.

Não, não é isso que estou a perguntar!

Há algo na imagem rural que não encaixe?

O trator.

Acho que é o homem.

Obrigado, Flora!

- Roscoff! - Sim.

Não o reconheci, sem a barba.

- Nunca tive barba! - Ele nunca teve... tem piada.

É o braço direito do meu marido.

Roscoff, é um nome russo?

- Da. - Já sei.

A menina não está bem.

Não pareces

uma jovem do campo...

Nunca vi!

Que mal-educado!

- Desculpe, mas... - Vá encontrar as suas modelos

na exposição agrícola!

Nunca vi! Vou embora!

Pousámos as ferramentas.

Sim?

As oficinas pararam todas.

Montescourt, pague-nos!

Flora, por favor! Não tem piada.

Eu sei, querido, assuntos monetários são sempre sórdidos.

A gente está de mãos dadas fora.

A boa ordem é assim.

- Aqui tens o cheque. - Muito bem!

- Encontramo-nos no carro. - Sim.

Está na hora, chefe.

Temos de falar com os líderes.

- Tenho medo! - Não!

Não tenha medo, isto não é nada!

Sempre fui um chefe amável, vou ter com eles.

Já fiz trabalho manual, sei como é!

Vamos falar, homem a homem!

O que foi?

O chefe da polícia quer falar consigo.

Deve ser a minha mulher, apanhou outra multa.

- Não! - O chefe da polícia é meu amigo.

Olá, meu amigo! Sim, sou eu. O quê?

O Bob Falbert? Ele diz que me conhece?

Não, nunca ouvi falar dele. Não, estou a dizer...

Não, não conheço pervertidos!

Para lá do senhor, nenhum!

Sim, é o Bob... Sim!

Sim, conheço-o muito bem, lamento, Bob Falbert.

Pensava que tinha dito Talbert.

É um homem de uma moralidade irrepreensível.

Sim, senhor! O quê?

Uma arma de dardos? E?

É ilegal andar com uma arma de dardos?

Bom...

Solte-o, por favor.

De acordo. Adeus e mande cumprimentos à esposa.

Isto é uma conspiração!

Os seus inimigos estão a tentar livrar-se dele!

Eles queriam a Isabelle!

Está sozinha, desprotegida do perigo! Isabelle...

Aguenta, sim.

Oh!

Quando sou atacada, defendo-me.

Só queria ajudar-te com a pose.

Já te disse: nada de brincadeira antes do casamento.

- És mesmo uma burguesa. - Ela diz-te: "vai-te lixar".

Uma carta assinada pelo pai dela?

Obrigado.

A minha filha não está na escola! Foi raptada!

Isto é tudo culpa vossa! Vou fazer queixa!

Ouviu? Vou tirar-vos a licença!

Isso...

- Isso seria qualquer coisa. - Sim?

Desculpe, a sua mulher está à espera.

Chefe, aqui está.

- A minha filha? - Não.

O sindicato.

MONTESCOURT PAGUE-NOS

Os trabalhadores em greve decidiram ocupar o escritório

e sequestrar o diretor até concordar com as nossas exigências razoáveis.

Vá lá, sejam razoáveis, voltem na próxima semana.

Estou a dizer-vos, tenho problemas sérios, de momento.

Sr. Montescourt, não vamos embora até nos dar o que queremos!

O que quer isso dizer?

Quer dizer que é prisioneiro deles.

Prisioneiro? Nunca vi tal coisa!

É comum, hoje em dia.

Eu expulso-vos pessoalmente!

Vai ficar aqui mesmo!

Nunca vim às compras. É tão entusiasmante!

Não me deixe só!

Não, claro que não.

Lentilhas, o que são?

São como caviar, sem o sabor a peixe.

Vou levar.

Meu caro Émile, nem imagina os problemas de uma dona de casa!

Seria de pensar que o dinheiro resolve tudo, mas pode ser um fardo.

- Por vezes, invejo os pobres. - É certamente mútuo.

Se fosse pobre,

não teria empregados e não se estariam sempre a despedir.

- Pode escolher uma salsicha? - Claro.

Obrigada.

Já para não dizer

que a minha educação não me preparou para estas tarefas subalternas.

Colégio católico na Suíça,

estudei literatura, música...

Mas falta-me algum conhecimento na cozinha.

Tenham coração, senhoras e senhores!

Não como há dois dias!

- Aqui tem a sua salsicha. - Obrigada!

Onde está a Flora?

- Não sei. - Debaixo do meu nariz.

Aqueles sacanas! Aqueles canalhas!

Deus proverá!

- Cem mil? - Não.

Duzentos para me deixares ir.

A classe operária não será corrompida pelo capitalismo.

Trezentos?

Só queremos mais 40 cêntimos por hora.

Certo, foste tu que pediste!

O macacão! Rápido!

A mãe e a filha desapareceram e,

na minha opinião, devíamos fazer o mesmo.

Está bem, vamos embora daqui.

O que se passa com o teu olho?

Recordação da esquadra da polícia.

Caramba!

Não! Já te disse, estou farto disto! Vamos embora!

Demasiado tarde!

- Aqui estão! - Boa tarde.

- Você! - O que...

Vai ouvir-me!

Confio-lhe a minha filha e você...

Onde está ela agora?

Vá lá!

Flora!

Sobre a Flora, tenho notícias.

Ela desapareceu.

A Flora? Desapareceu?

Foi levada perante os meus olhos.

Fui amaldiçoado! Não se mexam, eu volto já!

Devíamos ter pedido subsídio de desemprego, como eu disse!

Pensava que o meu casaco era bege.

Lamento, senhora, o meu é muito mais bege que o seu.

E comprei-o na Bélgica!

Estou? Funciona!

O carro sem motorista! Estou a vê-lo, chefe!

Dei-vos 30 mil francos para vigiar as duas

e foram ambas raptadas!

E terei de pagar 500 mil dólares!

Vou fazer queixa de vocês!

- Olá, pai. - Um minuto.

Isabelle! Minha querida!

Minha pequena... Pensei...

Pensei que te tinham levado, deixa-me olhar para ti.

Estás bem! Minha querida...

Quando à minha mulher, tenho uma coisa a dizer-vos... Flora!

Perdemo-nos na loja!

O teu amigo Émile distrai-se facilmente.

Quando cheguei à caixa para pagar as minhas compras,

adivinhe o que estava no carro?

Um bebé! Pensaram que o estava a tentar raptar.

Engraçado, não é?

Sim, o nosso amigo Émile

vai embora agora, de volta para a sua chapa metálica!

Meu querido, claro que não.

- Sim! - Não vai.

O Émile é a única pessoa aqui que sabe cozinhar.

Vamos receber o Roscoff no fim de semana.

Gosta de omeletes?

Ou que traga o seu abre-latas!

- Viste isto? - O quê, senhor?

Nada.

Esteja à vontade!

Desculpe, mas depois do que vi, precisava disto!

- O que viu? - Lá fora,

um carro sem condutor e um rododendro móvel!

- Venha, sente-se. - Sim.

Sente-se aqui.

- Vou buscar aspirina. - Estou a dizer...

- Como vão os negócios na fábrica? - Na fábrica?

Aqui mesmo, há dois minutos.

O que diz?

"É demasiado tarde. Passou o prazo."

Estão a fazer bluff!

- Não estão! - A sua mulher está com o Émile!

- E a sua filha com o Loumanac. - Roscoff!

Não se preocupe, está toda a gente aqui.

O que poderia acontecer?

Estás a fazer uma sesta?

Outra pena pequena. Desta vez, não vou tocar...

Ouviu isto?

O quê?

O que estão a fazer?

Nunca ninguém parte nada por aqui!

O cloreto de acetila omidol...

Acetila omidol...

Ninguém se mexa!

Sra. Montescourt! Flora! Isabelle!

Senhor... Por favor!

Sabia...

Só falto eu!

Polícia!

Vou denunciar isto!

Tenho contactos! Isto vai direto para o topo!

Isso...

É para ti, pai.

Outra?

"Não seguiu os nossos avisos.

Levámos a pessoa que lhe é mais cara,

mas não somos monstros.

Se quiser ver o nosso refém de novo, a salvo, tem uma hora

para deixar 600 mil dólares

num local que indicaremos."

Seiscentos mil dólares! Subiram o preço!

- O que significa isso, Mimi? - Conta-nos, pai!

Não ouviram?

Levaram a pessoa que me é mais cara!

Desculpa a pergunta tonta, mas de quem estão a falar?

Estão a falar...

Ela está aqui, estás aqui, estou aqui.

Não levaram ninguém!

Só o cientista!

Gaston!

Levaram o Gaston!

Nada de especial!

Isabelle! Como podes dizer isso?

Levaram o meu filho adotivo! O meu engenheiro preferido.

O pai do carro limpo, por controlo remoto.

Acho que ficaria menos incomodado se levassem uma de nós.

Flora, por favor!

Não comeces!

Pensa bem!

Se não pagar, vão matar o Gaston

e teremos de começar de novo!

- Roscoff! - Sim?

Quanto já investi no protótipo?

Com os últimos números,

com os limpa para-brisas, dois milhões e meio.

- Dois milhões e meio? - Sim.

Tanto para três explosões por semana.

É um anel de fumo caro!

Ela é boa, não é?

Silêncio! Ninguém se mexa.

Se alguém se mexer, eu disparo.

Temos o vosso engenheiro.

Tem 45 minutos para reunir o dinheiro.

Coloque-o no carro dos seus dois detetives,

ou melhor, dos dois homens que fingem ser detetives.

Não se mexam.

Os seus detetives são apenas pequenos atores desempregados.

- Pequenos? - Silêncio!

Quando o dinheiro estiver no carro, prenda toda a gente em casa.

Se nos tentar seguir, ou informar a polícia,

mataremos o Gaston e a sua morte ficará na sua consciência.

- Não são... - Não são detetives?

- Não. - São figurantes?

Não, somos atores!

- Atores... - Charlatões!

Não servem para nada! Menos que nada!

Andámos no conservatório!

Então, porque não ficaram lá?

- Quem é o senhor para nos julgar? - Sim!

O que nos pediu para fazer?

Pediu-nos para proteger a sua mulher e a sua filha!

Sim! Se nos tivesse pedido para proteger o engenheiro,

não teria sido raptado!

Se não me seguram...

Estás a segurar-me...

Desculpem.

Puseram-me nas masmorras, como o Homem da Máscara de Ferro.

Deve ter havido uma fuga,

deve haver poderes estrangeiros interessados no protótipo...

Se me levaram para a China...

Detesto arroz.

Não, ainda estou em França, não há Beaujolais na China.

Não é um vinho que viaje bem.

Nada mau. Um pouco amargo, mas tem bom nariz, bom ano.

Não dá. Vou pagar os 600 mil dólares.

- Para o teu demolidor? - É um génio!

Talvez, mas por esse preço, podias comprar um novo.

Onde vais arranjar o dinheiro? É sábado.

Bancos fechados!

Tenho um fundo de emergências.

Um pequeno pé-de-meia.

- O Roscoff sabe. - Não aprovo, mas obedeço.

Ninguém sabe deste pé-de-meia, incluindo o IRS!

- Confio na tua discrição. - Os meus lábios estão selados.

Ao acabar a greve, poderemos negociar um aumento?

- Sim, quando passar tudo. - Está bem.

Só de pensar que há quem tenha cofres em Genebra,

enquanto eu tenho o meu pé-de-meia...

É a isso que chamas um pé-de-meia?

Mas isso são francos, não são dólares!

Vou dar-lhes 600 mil dólares em francos, é melhor.

O dólar está a descer, o franco está a subir.

Se isto não tivesse acontecido, o que terias feito com isso?

Nada, é uma rede de segurança.

Há mais redes de segurança pela casa?

Estamos sentados em cofres escondidos,

a dormir em reservas bancárias e não tenho nada para vestir.

Nunca conheci uma mulher que tivesse.

Meu caro Roscoff,

as mulheres são coisas frágeis,

incompreendidas,

nuas, sem nada para vestir.

Ainda sobrou...

Está bem.

Este inverno, vou comprar-te um...

Um... Não te preocupes.

- Eu faço uma lista. - Sim.

- Conta, Roscoff. - Claro.

Acha que não conseguiria?

Sim, claro.

Sim, pareces capaz,

mas eu também tenho um bom físico.

E também tenho o talento.

Também eu.

Então, vamos fazer uma audição,

recita-me algo, como La Fontaine, por exemplo.

Está bem.

"Ele já foi, há não muito tempo, rei da Baviera,

sempre seguido por um tédio que ninguém conseguia distrair.

Uma noite, na sombra, a sós com as suas páginas

ouviu na floresta uma voz que cantava:

Eu sou puta, nome sagrado de uma cadela.

E por um escudo, mostro...

... as nádegas."

Foi bom.

Deixa a morada, entraremos em contacto.

Não sabes nada mais clássico?

Vou mostrar-te o discurso que fez de mim famoso,

em 1940, em Jouy-en-Josas,

na batalha dos Mouros:

"Partimos seiscentos,

mas, com um reforço rápido,

éramos três mil à chegada ao porto.

Ao ver-nos marchar,

com tal coragem,

até os mais exaustos

se sentiram inspirados de novo."

"Dois terços foram escondidos nos porões dos navios

que encontrámos lá. O resto,

cada vez mais a cada hora que passava,

impacientes,

- à minha volta eram..." - Silêncio. Ninguém se mexa.

Se alguém se mexer, disparo. Temos o vosso engenheiro.

Tem 45 minutos para reunir o dinheiro.

Nada mau!

Este tipo não corre riscos, nem estava aqui!

Alguém teve de iniciar a gravação.

- Ninguém entrou nem saiu. - Sim...

Foi um de nós.

Faltam 15 minutos para pagar o resgate.

Vou trepar pela janela, simples!

Não preciso de um diploma para isso.

Se quebrar o nariz, bem...

Não há janela.

Que chatice.

O que faria o Einstein numa situação destas?

O Einstein teria sede.

E eu também, portanto...

Estou pronto a deixar passar o vosso logro, com uma condição:

ao virem buscar o dinheiro, estarão lá.

Sigam-nos, sem serem vistos.

Esperem até libertarem o pobre Gaston,

depois ataquem-nos e recuperem o dinheiro.

Vou dar-vos um bónus!

- Quanto? - Cinco por cento.

Dez!

Quanto vale o dólar, neste momento?

Pago em francos.

Sim, ou não?

Sim.

Não invejo o trabalho do pai, entregar o dinheiro.

Vai acontecer algo de mau, de certeza.

Felizmente, não estou envolvido.

Roscoff.

Chefe?

- Decidi confiar em ti. - A sério?

Podes ir entregar o dinheiro.

Lamento, não.

É uma ordem!

Recuso ser morto, por um engenheiro emproado!

Senhor!

Dê-me esse dinheiro.

Joseph, meu funcionário de confiança!

Boa entrada, boa posição.

- Um pouco teatral. - Sim, sabes como é...

Não me esquecerei nisto, na hora do bónus.

Não se preocupe. Permita que me apresente,

Joseph Tabuteau,

da brigada financeira.

Joseph, o que é isto?

Este embrulho contém 600 mil dólares de lucros ilícitos

e receitas não declaradas.

Em nome das autoridades,

vou confiscar este dinheiro,

em nome das finanças!

- Mas... - Seis meses!

Há seis meses que trabalho para si!

E agora, finalmente, apanhei-o em flagrante!

Joseph...

Não é meu amigo?

Espere aí!

Qualquer pessoa pode dizer que trabalha para as finanças,

levar 600 mil dólares e fugir para a Venezuela!

Os inspetores das finanças têm um cartão,

- têm identificação oficial! - Exato!

Aqui está o meu cartão, senhores.

- É ele, é o cartão dele. - Rápido, livra-te dele!

O seu cartão...

Veja o que penso do seu cartão.

Tem a minha palavra de inspetor,

vai pagar por isso!

- Não tenho medo de si! - Não tenho medo.

Obrigado.

- Vão pagar por isto! - Credo!

Vão pagar por isto!

Vão pagar por isto!

Roscoff, agora não tens escolha.

Sabes no que estou a pensar?

Se for a mesma coisa que eu, és um sacana.

Acho que gastar 600 mil dólares para recuperar um marrão é desperdício.

Sim, sabes,

podíamos fazer muita coisa com 600 mil dólares.

Podíamos comprar um teatro.

Podíamos fazer um filme.

Sim!

Teríamos cartazes em todos os muros de Paris!

- Então... - Sim?

Se levarmos o embrulho, ninguém saberá.

Talvez seja mais honesto.

Vês onde a honestidade nos trouxe até agora?

O nosso dinheiro!

Um carro!

Não funciona.

Não está a funcionar.

Bicicletas!

Traz as bicicletas!

Encoste!

Encoste, por favor!

- Por ali. - Não, por ali!

- É por ali! - Não...

HOSPITAL

Estou magoado!

- Estou magoado! - Vamos lá!

Larga-me!

O quê?

Porque é que não ia ninguém naquele carro?

Como podíamos saber que o nosso carro ia embora?

Saber coisas é o vosso trabalho!

O que disseram?

Foi embora sozinho! Sem condutor! Foi roubado!

- Foi roubado! - Foi roubado!

- Foi embora sozinho? - Sim!

Isso quer dizer que o Gaston conseguiu, ele conseguiu!

O motor limpo, com controlo remoto!

O meu sonho de um carro do ano 2000!

Onde foi? Desapareceu! E é culpa vossa!

Desapareceu o dinheiro, o engenheiro...

- A minha bola? - Quer a bola.

- Dá-lhe a bola! - Aqui está a bola.

Vidraceiro!

Agora não, sai daqui!

Vocês são os dois inúteis!

Vou fazer queixa! Vão ver!

Vou dizer ao presidente da câmara.

- Ainda é o mesmo tipo? - Caluda!

- O carro! - O carro!

O carro...

O carro!

O meu carro limpo.

Por controlo remoto! Obrigado, Gaston!

- Obrigado, Gaston! - Obrigado!

- Obrigado, Gaston! - Obrigado, Gaston!

Uma salva de palmas.

Não adianta ficar, agora que o dinheiro desapareceu.

Ainda o podemos recuperar.

Silêncio. Ninguém se mexa.

Se alguém se mexer, eu disparo.

E?

O que estás a tentar provar?

Ninguém diria que fazes isto o ano todo!

É fácil mudar a voz num gravador!

Vá lá, é bom pensar enquanto comes.

- Silêncio. Ninguém se mexa. - Vês?

Se alguém se mexer, eu disparo.

Parece o Chaliapine.

Sim, mas se acelerarmos um pouco... ouve.

Ouve...

Será Chaliapine de novo.

Eu mudei, não será.

Silêncio. Ninguém se mexa.

- Vês? - Se se mexer, disparo.

Temos o vosso engenheiro.

- Tem 45 minutos... - É a Flora!

Sim, mas estava a dormir, como os outros!

- Compreendes? - Está bem!

Estava a fingir!

Como Marguerite de Bourgogne na torre!

- Aqui está! - Pode partir!

Vim para o libertar!

Guarde as perguntas para o fim da aula.

Está livre, já disse! Pode ir!

Porque está a falar assim, Flora? Está doente?

Já lhe disse que fumar faz mal.

Olhe para essa cara.

Parece cansada, tem rugas.

Como me reconheceu?

Pelos sapatos.

- Esses sapatos! - Porque estou a usar isto?

Claro. Tome um pouco disto.

Espere...

Tome, beba um copo.

Nada mau, pois não?

Tem de voltar para o Montescourt.

O homem do moinho do café,

ele não é muito inteligente.

Pode ser verdade, Gaston, mas é o homem que amo.

É o homem dos meus sonhos. Alguma vez esteve apaixonado?

Sim, estive. Loucamente apaixonado.

Sra. Quetrensmourt... Petesmourt...

- Montescourt. - Sra. Fleu... Flora.

Flora, é uma honra pedir-lhe a mão da sua filha Isabelle.

Agradeço, Gaston, mas devia formar-se primeiro.

- A sério? - Sim, coitadinha.

Estou a fazer isto por ela.

- Isto, o quê? - Isto, as cartas,

raptá-lo, a arma de tranquilizantes, tudo.

Tudo por 600 mil dólares.

É para o dote dela?

- Não, não é. - Raios.

- Está a ficar tocado? - Sim, um pouco.

Eu também, é...

- Explico mais tarde, sim? - Sim, bem...

O que interessa é que tenho o dinheiro.

O dinheiro está confiscado!

Joseph! Bebi o nosso Beaujolais.

- Está bêbado! - Não, é...

Dê-me o dinheiro!

Onde o escondeu?

- Entregue-mo! - Não, senhor,

não me fale assim tão severamente...

Minha cara Sra. Montescourt,

onde o escondeu?

Nunca o encontrará!

Escondi-o no...

- No... - Onde?

Silêncio!

Entrem.

Olá, senhoras!

Por que estão a enfiar o motorista no armário?

- Para melhorar com a idade. - Sim.

Bem, já estava envelhecido!

Humor científico!

- Está bêbado. - Bastante bêbado.

Ao Joseph!

Obrigado.

Não é mau, este Sain-Émilion!

Tu lá sabes. É um Bourry '67!

É um Morgon.

Vês?

A sério, porque o fez, Flora?

Se precisava de dinheiro, podia ter pedido ao seu marido!

Pedir-lhe 600 mil dólares!

Não podia!

Precisava do dinheiro!

Precisava porque...

Porque tenho tanta vergonha!

Era para dar a um homem!

Como em Relíquia Macabra!

É o seu amante?

Não! Como se atreve? Sou uma mulher honesta!

Mas tenho um segredo.

Um segredo terrível!

Estou a ser chantageada!

Chantageada!

Outra bebida!

Não vai cantar na Capela Sistina em breve!

Então... Silêncio. Porque está a ser chantageada?

Eu era cantora.

Há cinco anos.

Um revés levou-me a...

A uma espelunca, frequentada por marinheiros.

As saudades de casa são terríveis.

Fiz o que podia

para acalmar a nostalgia daqueles trabalhadores.

Tinha aqueles homens todos aos meus pés.

Depois, voltei para França, conheci o Montescourt e casei-me com ele.

Ele ainda pensa que passei a juventude num convento.

A verdade podia matá-lo!

Quando me ligaram

a ameaçar contar ao meu marido,

perdi a cabeça!

Ele pediu 500 mil dólares!

Depois, 600 mil!

Onde ia arranjar isso?

Não podia deixar o meu marido suspeitar.

Mas um rapto falso? Isso é elementar, meu caro Watson!

Pôs toda a gente a dormir e fingiu que também dormia.

Sim. Escondi o revólver atrás das costas e alvejei o Bob.

Como pôs o carro por controlo remoto a funcionar?

Ele ensinou-me, é fácil.

Quando me levantei, liguei o gravador.

Ao estar o dinheiro no carro...

Deu o dinheiro a esse chantagista?

Não, ainda não.

Então, talvez ainda possamos ganhar!

- Podemos apanhá-lo! - Sim, onde deixou o dinheiro?

No armário.

Com o inspetor!

Tu, tenho de te dizer algo.

Germaine, amo-te...

Não, não é Germaine... Charlotte?

Amo-te. Não é Charlotte.

- Como é que ela se chama? - Gaston!

Meu caro Gaston, soltaram-no!

Fizeram-lhe uma lavagem cerebral?

- Como se sente? - Está bêbado como um cacho!

Dois cachos! Isabelle...

- Amo-te... - Sim.

Não, a Isabelle está ali.

Não, é o Montescourt... Isabelle...

Tem uma aspirina?

Acho que tampões seria melhor.

É uma carta para si.

Abra-a,

não estou bem para ler correio!

Não me tragam correio!

- Aqui está o elástico. - Obrigado, faço coleção.

"Cara Loulou Pigalle, leva o dinheiro amanhã às 7h00

para o parque,

em Hautbois. Anda sozinha e desarmada, ou..."

Ha!

Nini Pigalle, sou eu!

Está assinado "Velho Chapéu Azul".

Deve ter sido marinheiro.

Senhores!

- Venham cá! Já! - Não é...

Imploro-vos, não cantem essa canção

- perto da minha mulher! - Porquê?

Antes de se casar comigo, ela morava em Casablanca.

Ela não pode saber que eu sei. Ela esqueceu-se dessas memórias.

Eu sempre fingi não saber.

Entendem?

Certo, vou esperar que estejam a dormir e roubo o protótipo.

Pode contar comigo, senhor.

Câmbio!

Reconheci o teu carro!

Pai, este é o Oscar.

Sim...

Então, jovem, tens algo a dizer-me?

Sim, o armário...

Estava a mexer-se sozinho!

E o rododendro também desapareceu!

Ele está bem?

Mas eu...

Juro, o rododendro mexeu-se!

Não é um querido, com o seu fatinho?

- Mãos ao ar, ou disparo! - Já te apanhámos!

Já te apanhámos!

Vens connosco!

- Vai! - Espera!

Inspetor!

Mãos ao ar!

Sou eu!

Sou eu, céus!

Já te apanhei!

- Bravo! - Bravo!

Vejam!

Ele está a fugir! O dinheiro!

Para!

Oh!

Chefe? Tenho o protótipo!

O que faço?

Socorro! Ajudem-me!

Bom trabalho!

Sr. Livingstone, presumo.

- Bravo! - Parem!

Tudo bem, continuem.

Meus amigos, estou muito grato.

Prometo-vos.

- Pode dar-me um autógrafo? - Por favor?

Por favor, senhor!

ESPECIAL FLORA CARRO LIMPO, POR CONTROLO REMOTO

Legendas: Luís Perat

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