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Nasci em uma prov�ncia esquecida.
Longe daqui.
Eu n�o tinha dinheiro.
Nem nome.
Nem fam�lia.
Eu s� tinha uma liberdade,
casar-me com o homem que amava.
Esse futuro era tudo para mim.
Mas foi tirado de mim.
UM ANO ANTES
Isabelle. Ele chegou.
Sua pele est� em chamas...
N�o posso viver sem voc�.
Senhor...
Suas belas palavras n�o bastam.
"Isabelle,
escrevo-lhe arriscando tudo,
para provar-lhe, uma �ltima vez,
at� onde vai meu amor.
Voc� abriu seu cora��o para mim,
eu lhe ofere�o o meu.
E farei o que for preciso
para tir�-la deste orfanato.
Para libert�-la,
e fugir desta pris�o.
Conheci voc� em um lugar feito para apagar almas,
e mesmo assim voc� ardia.
Em seus olhos vejo o milagre
de dois seres destinados um ao outro,
cuja paix�o jamais deve ser domada.
Ent�o,
j� que minhas palavras n�o bastam,
- venho com um pedido, - Venho com um pedido.
- Case-se comigo." - Case-se comigo.
- Minha vida � sua. - Minha vida � sua.
- Lucien Beaucaillou. - Minha vida � sua.
Voc� fugir� amanh�.
Encontrei um padre que aceitou casar-nos.
Sei que voc� n�o tem fam�lia.
Mas minha tia ser� sua testemunha.
Meu melhor amigo ser� a minha.
Voc� e eu, para sempre.
Isabelle Dassonville,
Lucien Beaucaillou.
Na presen�a de suas testemunhas,
eu os declaro marido e mulher.
Na alegria e na tristeza,
at� que a morte os separe.
Meu amor...
MERTEUIL: JOGOS DE SEDU��O
Deixe-a entrar.
Eu a esperava.
Ol�, senhorita.
Onde est� meu marido?
O senhor Beaucaillou?
Ora, senhorita...
Nunca existiu um senhor Beaucaillou.
Seu casamento foi apenas uma encena��o.
Um ardil de meu sobrinho para aproveitar-se de seus encantos.
Est� mentindo!
O homem com quem dormiu chama-se Valmont.
� um visconde.
N�o � seu marido e voc� nunca mais o ver�.
N�o posso mant�-la nesta pens�o, Isabelle.
Nem posso abandon�-la.
Logo a encontrar�o morta, num bordel em Saint-Malo.
S� uma vida de sil�ncio e ora��o pode redimir sua culpa.
O convento da Cruz Negra a espera esta noite.
N�o... N�o, tenha piedade!
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
Madame?
Voltaremos a Paris para o baile do Conde de Gercourt?
Viu algum convite?
Parece que n�o sou bem-vinda.
Muito bem, madame.
O que est� acontecendo aqui?
- Preciso de dinheiro. - Saia daqui imediatamente.
Foi voc� quem me colocou nessa situa��o, madame.
Voc� e seu sobrinho.
Jacques, ponha-a para fora.
S� por cima do meu cad�ver.
Nada tenho a perder.
Querem me levar ao convento...
da Cruz Negra.
E o que h� de t�o terr�vel nesse convento?
Quero viver.
N�o nasci
para rezar at� morrer e renunciar ao mundo.
Deixe-nos, Jacques.
� verdade que seria um desperd�cio trancar tanta juventude e beleza,
quando podem ser usadas como armas.
Talvez eu tenha uma proposta para voc�.
- Qual �? - Madame.
O que devo fazer...
Madame?
Para come�ar, seduzir um homem.
Quem?
Valmont?
Esque�a o Valmont.
� cedo demais para dizer.
Primeiro preciso ter certeza
de que voc� � capaz disso.
Ir� comigo a Paris,
observar� e ouvir�.
Mas, acima de tudo, obedecer� a mim.
Sem fazer perguntas.
"Minha querida,
tivemos momentos maravilhosos,
mas o inevit�vel aconteceu.
Cansei-me de voc�.
Como n�o h� modo f�cil de dizer, perdoe minha franqueza,
estou deixando voc�,
e n�o poderei mais pagar suas despesas.
Aceite este colar como lembran�a do prazer que partilhamos.
Seu devotado pr�ncipe, Zaferano."
Paris nos espera!
Os homens lutar�o por ela?
N�o.
Quer me casar � for�a?
N�o seja tola.
Ent�o por que tudo isso?
J� lhe disse, senhorita.
Sem perguntas.
Apague esse sorriso tolo do rosto.
S� prostitutas agem assim.
A sedu��o � f�cil,
deve aprender a dominar os homens.
Mostre-me...
O rosto dele me parece familiar.
Um oficial agora aposentado.
- � para a senhorita. - Muito rico.
- Muito bem. - Vi�vo.
Do marqu�s.
"O vestido parece feito para voc�.
Permita-me compr�-lo para voc�,
como tributo � sua beleza,
marquesa de Merteuil."
Viu, senhorita?
N�o � preciso se vender para ter tudo.
Venha...
Est� delicioso...
Sim...
Sente-se.
Dormiu bem esta noite?
Vi voc� com seus dois...
Meus dois vikings?
� uma libertina?
Conhece essa palavra?
Considera-se habilidosa na arte do prazer?
Ent�o?
Amanh� a levarei ao Gercourt,
o pr�ncipe dos libertinos.
O guardi�o dos nossos jogos.
� ele quem deve seduzir.
Valmont estar� l�?
Por qu�?
Enganei-me sobre voc�?
N�o, madame.
Aprenda a viver sem olhar para tr�s.
O passado n�o � nada
al�m de um cad�ver em decomposi��o, n�o olhe para ele.
N�o guarde vergonha nem amargura,
nem ternura.
Valmont despreza Gercourt.
Ele n�o vir�.
Ou�a, senhorita.
Desapontar-me...
seria trair-me.
Louis de Germain.
Aconteceu algo, senhor?
Voc� cheira a mulher...
em vez de homem.
- Ontem � noite... - Sim?
O visconde estava cansado.
Meu amigo � homem de grande reputa��o.
Depois de uma noite intensa, deve precisar de um bom descanso.
Sem d�vida, senhor Louis.
- O senhor se satisfez dez boas vezes... - Dez?
Vinte.
Seis j� seria honroso.
Sim, senhor.
Continue.
Como se sente esta manh�?
Muito bem.
Voc� me preocupa desde que voltamos da Normandia e seu comovente casamento.
Algum arrependimento?
Por favor, n�o me insulte.
Preciso v�-la novamente.
Conheci-a menina, agora quero-a mulher.
Que ame Valmont como amou Beaucaillou.
Um novo desafio?
Quer que o ame por quem �?
Pense um instante o quanto a pequena Isabelle deve me odiar hoje,
um �dio terr�vel.
Sem d�vida, sim.
O que � mais simples que transformar amor em �dio?
- Reconquist�-la � dif�cil. - Se for poss�vel.
Pretendo descobrir.
Minha tia escreveu dizendo que Isabelle foi v�-la.
- Est�o as duas em Paris. - Juntas?
N�o entendo.
Minha tia n�o � tola.
Seus ricos amantes querem mais que um novo vestido.
- Ela ainda � bela. - Sim.
Ainda.
Um adjetivo que pode significar seu ex�lio de Paris.
Gercourt s� se deita com um tipo espec�fico de mulher.
O tipo que vi em voc�
no dia em que quebrou minha janela.
Que tipo?
Aquelas que nunca estiveram com um homem, mas...
morrem de vontade de tentar.
As inocentes que j� est�o corrompidas.
Virgens... em chamas.
Mas, madame, eu j� n�o sou...
Uma virgem?
H� maneiras de convencer os homens
de que s�o os primeiros a provar nossos encantos.
Pegue isto.
� uma pedra de alume.
Importada da Sax�nia, onde nasci.
Voc� tomar� um banho,
e a levar� consigo.
Ela a apertar�.
E quando Gercourt estiver dentro de voc�,
o milagre acontecer� com algumas gotas de sangue.
Em nossa linguagem,
uma fita branca � prova de sua virgindade...
E de seu valor.
Paris se empolga t�o r�pido quanto se entedia.
Uma mulher passa depressa de objeto de desejo a objeto de desprezo.
E a regra universal
vale tanto para um pr�ncipe quanto para uma �rf� como voc�:
Toda a sua vida depende da primeira impress�o que causa.
Seja sempre o que esperam de voc�.
Assim estar� segura.
Esta noite, voc� mirar� o pr�prio Gercourt.
E se eu n�o gostar dele?
Vai gostar, n�o tema.
Se ele desfizer essa fita,
a tornar� uma princesa.
Por que faz tudo isso?
N�o tente entender antes de viver...
Chega de clich�s.
N�o falo da vida:
homens, mulheres, o mundo. Mas de voc�, madame.
De voc�.
Se eu conseguir seduzir Gercourt,
o que esperar� de mim?
Veremos no momento certo.
Como o reconhecerei?
Siga o olhar de todos...
E ver� quando ele surgir:
o rei-sol da noite mais escura.
O conde de Gercourt!
Vou apresent�-la.
Madame...
Charles.
- Que bom v�-lo. - Est� deslumbrante esta noite!
Obrigada.
Isabelle, ou�a-me.
Perd�o, preparei um discurso, mas... Seu olhar me desconcerta.
Ent�o v� embora, visconde.
N�o pe�o que me perdoe hoje
nem que compreenda.
Na verdade, foi uma aposta tola da qual me envergonho.
Mas meus sentimentos foram verdadeiros.
L� no fundo, voc� sabe.
Nossa paix�o naquela noite n�o mentiu.
Nossa paix�o?
Voc� acendeu um fogo em mim.
Um fogo que...
Perdoe-me.
H�bito. Anos de mau comportamento.
Mas, por favor...
Prossiga.
Eu mere�o.
Venho de um mundo modesto e severo.
Mas talvez ele me desse paz de esp�rito.
Voc� me mandou ao inferno, senhor visconde de Valmont.
Enviou-me ao inferno, mas prometeu-me o para�so.
Arruinou tudo.
E agora vim aqui...
ao seu mundo...
para tornar-me rainha...
e destru�-lo.
Querida tia, luz da minha vida...
O que faz aqui?
Perdoe-me, mas n�o posso deixar que ofere�a Isabelle ao meu rival.
Tenho outros planos para ela.
Mas voc� n�o tem chance!
Isso � absurdo!
Obrigado, madame.
N�o poderia me dar motivo melhor para lutar.
Isabelle, por favor.
Valmont?
O que houve, amigo?
Vestido como um servo?
Combina muito com voc�.
Esta doce jovem est� causando problemas?
Meu caro conde...
Isabelle Dassonville
� uma jovem parente.
Que sorte encontr�-lo aqui esta noite
em companhia t�o refinada.
Deixou de vir, apesar dos meus convites,
quase pensei que guardasse rancor.
Mas me conhece bem demais.
N�o consigo mais viver sem voc�.
Venha, voltemos � festa.
Quanto a voc�, senhorita...
Ap�s olhar em seus olhos,
preciso conhecer todos os seus segredos.
E mais...
N�o se esque�a, Isabelle.
Seu rosto � tudo.
Seu encanto e sua armadura.
Mas precisa aprender a seduzir.
Ser distante, misteriosa, inacess�vel...
Primeiro, tudo � quest�o de ritmo.
Crie um turbilh�o.
V� mais r�pido do que ele pensa,
confunda-o com seus mist�rios,
agarre-o pela alma e n�o o solte...
Tornando-o um escravo fervoroso de seus caprichos.
Voc� se tornar� sua dona.
Voc� � maravilhosa.
Obrigada.
Est� com medo?
N�o.
Claro que est�.
Agora estamos a s�s.
Temos a noite toda.
N�o.
Deixe-se levar.
Serei gentil como um sussurro.
N�o.
� esse tipo de mulher?
Pare!
Deixe comigo.
N�o sou virgem!
Menti.
Valmont tirou minha virgindade.
Valmont?
O que ele fez
para transform�-la numa fera
condenada � submiss�o?
Que criatura fogosa!
Ela gosta de brincar.
E eu tamb�m.
Leve sua vadia de volta, Valmont.
Voc� e sua tia devassa se divertiram?
Quer...
brincar mais comigo?
Conde, estou ao seu dispor.
Diga-me para n�o ir e obedecerei.
Quero ser guiado por uma s� coisa, e para sempre: Voc�.
Ent�o me ama?
Morreria para provar.
Muito bem. Ent�o v�.
Acreditarei quando estiver morto.
Valmont,
voc� � um palha�o.
N�o posso permitir que uma camponesa
nos prive de um palha�o como voc�.
"Madame,
talvez abra esta carta esperando um pedido de perd�o,
mas n�o o ter�.
Quis tanto fazer o que esperava de mim,
mas posso dizer que n�o nasci para ser sacrificada.
Ap�s nossa humilhante derrota,
joguei a �nica carta que me restava:
casei-me.
Por interesse.
Por sobreviv�ncia...
mas sem uma gota de amor."
Obrigada.
"Mas n�o esque�o que meu t�tulo, minha fortuna e meu castelo,
devo a voc�.
Hoje, voc� est� s� contra o mundo.
E seu sobrinho � ego�sta demais para ajud�-la.
Deixe-me ajud�-la.
Sei como devolver-lhe o dinheiro e a reputa��o.
Juntas,
podemos recuperar o que torna a vida digna:
a liberdade."
Minha princesa.
Minha esposa.
Meu pr�ncipe...
Meu marido...
O tempo arrasta sem voc�.
Mesmo?
N�o est� entediado?
Vivo apenas por voc� e atrav�s de voc�.
Marquesa de Merteuil.
Marquesa...
Eu lhe mostrarei...
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