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Houve um tempo em que certos postos avançados coloniais
das grandes potências europeias.
Eram dirigidos por governadores corruptos
que roubavam a liberdade e a riqueza
que, por direito, pertenciam ao povo.
Era esta a situação trágica na Jamaica de 1718,
governada pelo cruel governador Lord Durant.
Dos calabouços da sua fortaleza de pedra escura
saiam os gritos daqueles que se interpunham no seu caminho.
Nesses tempos,
piratas aventureiros navegavam nas águas das Caraíbas.
Eram muitas vezes inimigos dos tiranos e heróis do povo.
O comandante Ned Lynch era um desses famosos espadachins.
"O PIRATA ESCARLATE"
- Parece que é um pirata. - Penso que apanharam um negro.
Manda mais dois cachos, sem ser maduros demais, antes de domingo,
Com muito prazer, Mr. Culverwell.
Mr. Durant gostou dos que mandei ontem?
Eu voltaria cá, se ele não tivesse gostado?
Obrigado, senhor. A vós e a Lord Durant,
- Que fazem eles ali? - Vão enforcar outro pirata, pobre homem.
Tira-me esse pé sangrento do meu ouvido.
Ajuda aqui!
Tira daqui essas coisas.
- Puxem esse cabo. - Seguram-no firme.
REALIZAÇÃO
- Cabo, as suas ordens! - Sim, senhor.
Não, cabo, leia-as. Leia-as!
Oh, sim, senhor.
Eu, James Durant,
na minha capacidade de Governador e magistrado em exercício,
decreto que, ao amanhecer de amanhã...
- Estamos um pouco atrasados. - Não interessa, cabo.
- Prossiga com o essencial, antes que nos tornemos obsoletos.
... Que o malfeitor, um tal Nick Debrett,
seja enforcado pelo pescoço até á morte.
E que fique enforcado, até que
a podridão só lhe deixe os ossos,
para benefício moral do povo,
que assistirá assim á execução
e ao apodrecer do corpo. O povo receberá assim uma lição
sobre dever e obediência... - Bastardos.
... e uma forte advertência para que se arrependa,
dada pela pesada mão da justiça. que vigia as ruas.
Assinado, James Durant, governador,
e magistrado supremo em exercício.
Muito bem, cabo. Prossiga.
Não encontrei uma oração para um pirata, major.
Fiquei toda a noite em pé à procura de uma,
mas o melhor que arranjei foi uma coisa de Pedro, para pescadores.
Serve muito bem, capelão. Prossiga, por favor.
Ele viveu religiosamente?
Não interessa.
Morrerá religiosamente. Prossiga!
"Atirarei a rede ao mar
e o peixe que apanhar nessa rede será o peixe do Senhor...
... e o peixe que não for apanhado... - Cabo, se o capelão já acabou...
Sim, sim senhor.
Verifique o alçapão, cabo.
- Agora, - Sim, senhor.
O capuz, senhor.
O homem é um pirata e não um príncipe. Que rufem os tambores!
Tudo pronto!
Mexe-te, Polonski! Há trabalho a fazer.
- Senhor? - Nem mais uma palavra, cabo.
- Mas, senhor... - Cabo!
Nem mais uma palavra.
Serve-te de lição, Durant! Manda-o para o inferno!
Ai, valentes!
- Que barco é aquele? - O Blarney Cock, amigo Willard.
É uma delícia para a vista. Desculpe, senhor.
Diga a Lord Durant que lhe mando o melhor.
- Cabo! - Sim, senhor. - Responda ao fogo deles!
Respondam ao fogo deles!
Finalmente, valentes.
Vamos dar-lhes mais uma, pelo Nick Debrett!
- Gaita, cabo. Porque é que não disparam? - As armas eram para ornamentação, Sir.
Ia haver um enforcamento, não um fuzilamento.
Cinco, quatro!
Fogo três!
Querido Jesus!
- Varram a parte de cima do porto. - Abatam o mastro!
Há ali dois homens! Disparem sobre eles.
Que alguém dispare sobre eles!
Soldados, fiquem e lutem! Onde têm o coração, homens?
Cuidado agora, amigo.
Cá vimos nós!
Toma lá.
Que diabo!
Obrigado, Ned.
Soltem as velas!
Dêem lhes mais uma, rapazes! Disparem á vontade.
Ver-te-ei enforcado, Ned Lynch!
E pelas minhas próprias mãos.
Major,
acho que vai ter de arranjar uma corda muito comprida.
Vocês aí... levantem-se!
Houve um problema no enforcamento.
O major Folly deixou escapar o pirata prisioneiro.
Esse idiota estúpido!
Confiei-lhe uma simples execução e é assim que ele me agradece.
Perdendo o prisioneiro.
Foi roubado do cadafalso mesmo nas barbas do major Folly,
pela tripulação do Blarney Cock
e, claro, pelo comandante Ned Lynch.
Tinha de ser o Ned Lynch!
Maldita seja a sua alma plebeia!
Se alguma vez o vir, ele morrerá.
Parem a carruagem à entrada. Tirem o prisioneiro cá para fora.
É Sir James Barnet, o juiz supremo... ... acorrentado, senhor.
O ex-juiz supremo.
Levem-no para o ginásio.
Vou ficar aqui de pé todo o dia, Lord Durant?
Sir James, fostes amável em vir.
Ides desculpar-me, penso eu, se...
... eu continuar com o meu exercício enquanto falamos.
Tenho tão pouco tempo para os prazeres da vida.
- Decerto compreendes. - Com certeza.
Espero que não esteja muito desconfortável, Sir James?
Foi para isso que me tiraste de casa e me trouxestes aqui acorrentado.
Para saber se as correntes me ficam bem?
Nunca me considerei um homem cruel...
... apenas inteligente.
Mas não suficiente inteligente para enganar o povo de Kingston.
O povo, Durant! Não os vossos lacaios e assassinos contratados.
Em guarda!
Deveis compreender, Sir James, que não passais dum peão...
... um peão rebelde, neste caso, mas mesmo assim, um peão.
... E eu tenho de vos retirar do tabuleiro.
Para violentar o povo. - Essa descrição é agressiva.
Prefiro pensar nisso como um pagamento que me é devido.
Pagamento por quê?
Por todos os anos que sofri nestas Ilhas nojentas.
e pelas horas que tive de aguentar
gente insuportável como vós, a reclamar justiça, Sir James.
Vós é que sois insuportável, Lord Durant.
O meu único erro foi não vos ter exposto, a vós
e à maldade que representais.
Ouça isto, senhor, Tão certo como eu estar aqui agora,
que outros virão e vós não escapareis à morte.
e os homens dançarão na vossa campa!
Não estais em posição de me fazer ameaças, Sir James.
Tirai-me estas correntes e eu farei mais do que isso.
Não fareis nada, senão aquilo que vos ordenar.
Estou a ficar cansado desta discussão e da vossa presença.
As minhas palavras finais serão, portanto...
... todas as vossas terras e pro- priedades passarão para a coroa.
As vossas queridas mulher e filha podem arranjar outra casa,
numa espelunca qualquer que lhes aprouver.
E vós, Sir James,
sereis levado imediatamente para a fortaleza.
Onde cumprireis uma condenação pelo tempo que me agradar.
Óptimo. Para o segundo carro por favor.
Segundo carro. Segundo.
Vocês aí, tragam os cavalos do estábulo.
Ponham isso no terceiro carro.
Cuidado com isso.
Cuidado com a cabeceira da cama de Sir James.
De Lord Durant.
Cuidado, soldado, com cuidado.
Cabo, isto não é nenhum pic-nic.
Ponha esse cinto bem, soldado. Endireite-se, jovem.
Guardas, atenção!
Senhora! Terei de examinar o vosso saco.
- Não fareis tal. - Tenho as minhas ordens, senhora.
Ao diabo com as vossas ordens!
Senhora Barnet, peço desculpa pelo incómodo
mas tereis de aceder ao que vos peço.
Se insistires, corto-os.
Contudo, penso que é seguro assumir que a Srª Barnet e a filha
não tentarão enganar-nos, levando algo de valioso nas malas, pois não, cabo?
- Bem, Sr., na minha humilde opinião... - Eu disse, pois não, cabo?
- Pois não, cabo? - Sim, senhor.
Então, está bem. Deixem passar as mulheres,
e que o carro passe sem ser molestado.
Vocês dois levem isto para o primeiro carro.
Para aí não, idiota! Para ali, para a minha carruagem!
Para aí, não idiota! Para a carruagem do major!
Cabo! Avance!
Avance!
Havia uma jovem
de Malta,
que desmaiou no barco para Gibraltar.
Embora tenha perdido a virgindade nessa paragens,
mesmo assim conseguiu chegar ao altar.
Ah, sim.
Houve uma vez uma dama chamada Starkie,
que teve um caso com um negro.
O resultado dos seus pecados foi quádruplos, não gémeos,
um negro, um branco e dois castanhos.
Uma vez, fui para a cama com uma Quaker,
de manhã, não consegui acordá-la.
Pus-me então a mexer e passei o dia todo
com uma coisinha linda da Jamaica.
Havia uma jovem menina, cuja frigidez...
- Que foi? - Nick.
Sinto vibrações na espinha, acho que é uma carruagem.
Dois cavalos.
Não, quatro cavalos...
... um negro, um branco e dois castanhos.
Havia uma rapariga cuja frigidez...
... Sim, senhor, continua.
... que se parecia com rigidez cataléptica.
Até ele lhe ter dado uma bebida, que a mergulhou...
... num estado de completa liquefacção.
Despacha-te, Nick!
Havia dantes um jovem major chamado Folly.
Sabeis que esse livro não é muito bom, major Folly.
Na verdade, há outra obra sobre o mesmo assunto,
escrito por Mollet e Van der Veer.
É muito mais completo.
Já vos jurei uma vez,
e juro-vos outra, comandante Lynch!
Ver-vos-ei enforcado.
Parece que o teu homem está aborrecido, Nick.
Parece que sim, comandante. Que pena.
Começo a ter duvidas que ele aceite as minhas desculpas.
Que desculpas?
Por eu ter abandonado o meu enforcamento tão à pressa,
que não tive tempo de lhe agradecer a hospitalidade.
E agora, Nick.
Tudo o que um homem pode fazer é viver uma vida honrosa.
Ser amável para as mulheres, para os animais,
e tratar os seus semelhantes como queria que o tratassem a si.
- Assim seja. - Obrigado, Nick.
Boa sorte, major Folly.
Que melhores dias lhe venham!
Venham, ajudem-se aqui!
Anda, Polonski. Assenta lá o teu traseiro polaco ali.
A vida dum major não é lá muito fácil!
Olhem, não é a carruagem do Sr. James Barnet?
Quer uma laranja, minha senhora?
- Cá estamos, Mãe, - É a família do Sr. James.
Deixem-nas em paz. Esta noite, já têm problemas que chegue.
Por favor, senhoras. Obrigado.
É lindo, não é?
Não lhe agrada, minha Senhora?
- Deixe-nos sós. - Com certeza, depois de me pagar.
É muito dinheiro por um buraco de ratos, como este.
Cuidado com a língua, senhora.
Ao contrário de vós, eu estou onde escolhi estar.
O pai será libertado,
e Durant pagará.
Prometo.
"Vou dar-te um anel de ouro"
"Prometi-te a minha coisinha"
"Há centenas de anos."
Ajudas-me aqui, amigo?
Essas não, meus anjos.
Toma, suportes para livros.
Enche o espaço vazio com livros. É melhor que com essas joias.
De que serve um pescoço decorado, quando se tem em cima uma cabeça vazia?
Mais vale uma cabeça vazia, que uma cama vazia.
Muito bem, amigos. Silêncio, silêncio.
Ouçam o vosso comandante.
Divisão do espólio às oito badaladas.
Vamos, rapariga. Ficais responsável, Mr. Moonbeam,
Olhem para a pregadeira que ele apanhou.
Rapariga, aqui está uma coisa para ti.
Nunca ninguém me deu uma coisa assim.
Muito bem, rapazes.
Durmam bem.
Suplico-vos, Lord Durant,
Dai-me uma última oportunidade.
Uma última oportunidade de me redimir aos vossos nobres olhos.
Deus é minha testemunha, que não vos falharei de novo.
Primeiro, o prisioneiro pirata. Depois, a fortuna dos Barnet,
que vos confiei.
Que farei eu convosco, major Folly?
Despi o vosso casaco, major.
E o colete.
- Perdão? - O colete!
E também a camisa.
Sentai-vos, major.
À vontade, major.
Reclinai-vos!
Podes começar.
O sofrimento é a toda humanidade.
Mas encontra a sua mais perfeita expressão nos rostos dos jovens.
De momento, é apenas uma brincadeira, jovem major.
Mas para a próxima, quem sabe como as consequências poderão ser sérias?
Dagon! Já chega!
Tira-me a cera.
Cudjo!
Onde tens andado, meu enorme amigo?
No estrangeiro, pequeno Nick. No estrangeiro!
Pulando entre ilhas. Seguindo o vento, livre como um pássaro,
provocando as tropas, sempre que as encontrava.
E tu, Pequeno Nick. Contam-me cada história!
Um salafrário. Nick Debrett... um salteador!
Tudo verdade, meu amigo, e muito pior.
E aquele cavalheiro, cujo nariz quase arranquei?
Red Ned Lynch.
- Cudjo Quarrel, - É uma honra, comandante Lynch.
Bem, Sr. Cudjo... como é que conhece o meu amigo?
O pequeno Nick e eu partilhamos uma corrente.
E quando nos cansámos da companhia,
só podíamos fazer uma coisa.
Seguimos cada um o seu caminho como homens livres.
É bom que os nossos caminhos se tenham de novo cruzado.
A brisa tem tendência a soprar naquela direcção, velho amigo.
Cudjo, é sempre um prazer conhecer um amigo de um amigo.
Dá-me um beijo.
Ned, tive saudades tuas!
- Ele não teve tuas. - Oh, bem.
Lembras-te de mim?
É bonita, a pequenina.
Onde arranjou isto?
Larga-o É meu. É meu!
Diga-me, onde arranjou isto?
- Onde o arranjou? - Na verdade, fui eu que lho dei.
Onde o arranjou?
Onde é que Ned Lynch arranja tudo?
- 6 contra 4, na pêga de Lynch. - Somos mais 3 contra 1 na pêga pequenina.
Não é pêga nenhuma.
- É a filha do Sr. James. - Qual?
A filha de um homem é a pêga de outro. Aceito a aposta.
Comandante, acho que ela o ganhou.
Não o ganhei. É meu!
"Para a minha querida filha Jane, do Pai."
O seu pai é Sr. James Barnet?
Sim.
A filha de Sr. James!
Sim?
Sim!
Obrigado, senhora.
Lá está ele! Prendam-no!
Apanhem-na! Apanhem a assassina!
Cuidado, Ned!
Não o deixem escapar!
Oh, Deus! Oh, meu Deus!
- Um homem já não pode ter paz? - Só no céu, senhor.
Vamos, rapariga.
É longe demais para saltar. Não a posso pôr no telhado.
Já fizestes equilibrismo?
Venha, Miss Barnet. É fácil.
Segurai-vos ao meu pulso.
Vamos.
Mas não me empurres, rapariga.
Abram espaço para mim!
Anda, Nick!
- Porque demoraste tanto? - Anda lá maluco.
Bem, como se diz, não temos um segundo a perder.
- Resulta, és tu a seguir. - Eu não, amigo.
Está bem, então vamos os dois!
- Lá vêm eles!
Vamos!
Atrás deles!
Alguém que os detenha!
Joga-a para dentro.
Desculpe, amigo.
Ladrão! Devolve-me a minha carroça!!
Atrás deles! Aos cavalos!
Vamos, levante-se! Viu o que eles fizeram?
Roubaram-me a carroça! Devolvam-me as bananas!
Nick, não podemos esquecer-nos de pagar os prejuízos.
Obrigado pela vossa ajuda, senhora.
Lutei pela minha vida, não pela vossa.
Mesmo assim, agradeço-vos.
Tomaremos um atalho.
Olha.
Pergunta à senhora se sabe nadar.
- Pergunta à senhora se sabe nadar, - Nadar!
- Porquê? - Porque...
Sois louco!
Sim, rapariga. Mas pelo menos sou um louco vivo.
Agrada-te a dama?
Agrada-me, pois.
Não espanta, uma criatura encantadora como ela.
Dava bom dinheiro para passar uma hora com ela.
- Ai, sim? - Sim, senhor.
Bom dinheiro.
A questão é, darias também a vida por ela?
Há quanto tempo está aí sentado?
Há muito tempo.
Move-se silenciosamente.
- Sim, rapariga, pois movo. - É natural, entre os ladrões.
Peço desculpa senhora. Não sou ladrão.
Sou um pirata e orgulhoso de o ser.
E vai devolver-me o que roubou à minha família?
- Não. - Então, senhor, sois um ladrão.
Assim seja, então.
Sou vossa prisioneira?
Sentis-vos minha prisioneira?
- Posso ir-me embora, se quiser? - Não sabia que o tínheis pedido.
Mas se o quiserdes, posso pôr-vos em terra, de manhã.
Quero.
Considerai-o feito.
Espero que tenhais prazer na companhia dos soldados.
Que quereis dizer com isso?
Lutastes contra o exército do Rei, na companhia de piratas.
Espetastes uma adaga na barriga dum pobre diabo.
Aos olhos da lei, sois tão criminosa como eu.
- Lutei para me defender! - Não vos justificais perante mim, rapariga.
As justificações serão para Lord Durant.
Bom dia, rapariga.
- Ela comeu? - Recusou.
Então, é teimosa.
Gostas dela, não gostas, Ned?
O lugar de uma mulher é entre os lençóis.
Suspeito que essa menina tem mais que isso.
Há quanto tempo navegamos juntos, Nick?
Seis anos.
Sete.
Deste-me confiança...
... e eu dei-te este navio a que podes chamar a tua casa.
Temos percorrido este oceano, feito o que nos apetece.
Nunca ninguém nos fez frente mais que uma vez.
Não confias em mim agora, Nick?
Com a minha vida, mas não é a minha vida que me preocupa. É a tua.
A rapariga vai trazer-nos sarilhos, Ned.
Um pirata apaixonado, é como peixe fora de água.
Estão ambos fora do seu sítio.
Mas só o peixe é suficiente esperto para o perceber.
Sim.
Bem, seja como for,
ela parte de manhã.
Cá está a liberdade que querias, rapariga.
Goza-a, enquanto puderes.
Mademoiselle!
Não estaria certo deixar-vos desprotegida.
Será que sinto uma certa hostilidade, rapariga?
Talvez queiras trespassar-me?
Não me importava, ladrão.
Achas que a senhora se vai safar bem, comandante?
Esta tem personalidade.
Lição número um: nunca te deixes provocar, rapariga.
Muito bem, rapariga.
Número dois, rapariga: Nunca lutes lealmente quando lutas pela tua vida.
Lição número três, rapariga:
Nunca levantes essa espada contra mim, a menos que não te importes de morrer.
Obrigado pelas lições, comandante Lynch.
Miss Barnet?
Ficai com a espada, podeis precisar dela.
Willard!
Graças a Deus que aqui estás.
É ainda pior do que pensas.
Como pode ser isso?
Durant vai fugir amanhã à noite.
Vai tirar o seu saque da alfândega e navegar para Inglaterra.
Oh, boa viagem.
Deu ordens,
para que todos os prisioneiros sejam executados antes de ele partir.
Todos?
Supliquei-lhe que poupasse o teu pai.
Sorriu ao ver-me rebaixar-me por Sir James Barnet.
- Há uma só possibilidade. - Qual?
Tens de apelar ao teu amigo Ned Lynch.
Amigo?
O tipo é um arrogante maldoso.
Ele é a tua única esperança de salvar o teu pai.
Ele não o faria. Por mim, não.
Há pouco que ele não fizesse por dinheiro ou uma mulher bonita.
Não posso pedir-lhe isso.
Prima, não tens escolha.
Vai ter com ele.
Não confio nele.
Então, não podes perdê-lo nunca de vista.
Quem diabo pensa você que é?
Quem diabo pensa você que é, a perturbar assim a nossa privacidade?
Alice.
É uma velha amiga minha,
e acho que ela cá veio para receber outra lição de esgrima. É isso, rapariga?
- Uma lição de esgrima? - Beba um copo.
Quero a sua ajuda.
Ajuda para quê? Alguma caridade?
- É pago, comandante Lynch. - Pago? - Sim.
Decerto a recompensa será dada no céu?
A recompensa será cobrada nessa noite.
Está interessado, ou não?
Sim, mas como é que será cobrada, exactamente?
Tenho de lhe falar a sós comandante Lynch.
Como?
Em nome do Senhor, quem julga você que é?
Pensa que pode entrar no quarto duma pessoa...
... e insultá-la...
... assim?
- Já lhe vou mostrar! - Ouve! Ela é muito jovem.
Ela não sabe nada destas coisas. Acalma-te, Alice!
Vem aqui, agora.
Vou tapar-te os ouvidos,
para não poderes ouvir o que ela tem a dizer, Alice.
Ora bem, rapariga, qual é o trabalho?
Matar o Durant.
O pagamento são 10.000 dobrões.
10.000 dobrões,
tudo o que Durant roubou, toda a sua fortuna,
estão a ser colocados num navio, com destino a Inglaterra.
E ele próprio estará na Casa da Alfândega, a verificar tudo.
- Quando? - Amanhã à noite.
10.000 dobrões, comandante Lynch.
- Está a tentar brincar comigo? - Não preciso de fazer isso.
Além disso, ficarei como refém.
Descansa agora, Harry, só actuaremos à noite.
Obrigado, senhor.
- Ameixas, comandante? - Não, obrigado, Sr. Polonski.
Que quer?
Bom, estive a pensar, rapariga...
... é muito fácil sair dum navio sem roupas.
mas não tão fácil voltar para lá.
Abram a Casa das Alfândegas para Lord Durant.
Silêncio, senhores, ou morrem.
Pelotão! Alto!
Atenção!
Estou a imaginar isto na sala de jantar.
Londres inteira terá inveja.
Bugigangas do mercado.
Esta era dum velho cigano e cego, que me contou a mais espantosa história.
Surpresa! Esmeraldas.
Comandante Devonshire-Bayne ao vosso serviço, meu senhor.
Sim, claro.
Meu Sr. Durant, é uma honra,
que me confieis as vossas posses, nesta viagem para Inglaterra.
Valer-vos-á a pena, comandante.
Cudarei do vosso tesouro como se fosse meu.
Isso descansa-me muito.
Desde que, evidentemente, não vos esqueçais de que não é vosso.
Com certeza, meu Senhor. Posso...
- Faça favor. - Obrigado, senhor.
Que foi aquilo?
- O quê, senhor? - Aquele som, o que foi?
Receio não ter ouvido nada. Mas sou um pouco surdo do lado direito.
Deixai isso. Vamos lá pôr a minha bagagem a bordo do vosso navio.
Oh, sim, claro. Obrigado, senhor.
Comandante, algo se passa no sótão.
Na verdade, meu senhor, acho que há qualquer coisa no sótão.
Vou investigar.
Vamos investigar.
Vocês os três, revistem lá em cima.
Não há necessidade de vos incomodardes, meu caro senhor Durant.
Tenho faro para sarilhos comandante.
Ratazanas, meu senhor. Uma espécie enorme de ratos.
De verdade, comandante?
Durant, vou... matar-te!
Eu mato-a.
Eu devia ter-vos reconhecido, Lynch.
Com o vosso faro para sarilhos.
A minha espada está inquieta, Lynch.
Temo-los apanhados, comandante, não podemos desistir agora.
Fizestes um juramento, comandante Lynch.
Mata Durant, ou serás responsável pela morte dos teus homens.
Comandante, nós lutamos para vencer, não para nos rendermos.
A rapariga tem razão, Ned. Ouve o que ela diz.
Um cavalheiro sabe quando usar uma espada e quando baixá-la.
Já vos esquecestes, Lynch, que já um dia fostes um?
Não sou um cavalheiro, sou irlandês.
Mata-o.
Agora, Lynch! Quero a vossa resposta agora.
Mata-o, Ned.
Oh, meu Deus!
E os outros, Sr. Lynch?
Baixem as armas, amigos.
Ora bem. E agora?
Tu! A tua espada!
Baixa-a, seu macacão negro.
No olho dum porco, javardo!
Detenham-no!
Detenham-no!
Tu és maluca, rapariga.
Para a outra vez, meu senhor.
Detenham-no!
Boa sorte, rapazes.
Moonbeam!
Para cima!
Durant vai matá-los a todos. Já não há ninguém que o detenha.
Somos piratas, Ned, não revolucionários.
Revolucionários, piratas, somos homens.
- São gente de Ned Lynch? - Sim.
Ninguém será livre, durante muito tempo.
Mais pescoços para o laço da forca e corpos para as ratazanas.
Que Deus ajude os pobres diabos.
- Quem é que eles levam ali? - Homens livres do navio de Ned Lynch.
Oh, meu Deus!
- É a filha do Sr. James. - Sim, parece ser ela.
Deus os ajude.
Afastem-se para o exército do Rei.
Exército?
Não vejo nenhum exército do Rei. Macacos, talvez.
Bobos, possivelmente.
Vermes, sim. Mas um exército?
Não, não pode ser.
Afasta-te ou ficas sem a cabeça. Avisei-vos, como era devido.
Cudjo.
Estou a ver que tens andado por malfeitorias, ultimamente.
E ainda não me livrei delas.
Então viestes pedir ajuda ao teu velho amigo?
Sim.
Que precisas?
Facas, acrobatas, moças, homens.
- Quando? - Esta noite.
O povo está do teu lado, pequeno Nick.
Quantos?
Mais do que Lord Durant quererá contar.
Como está a mulherzinha?
Ainda está viva, garanto.
Os teus amigos voltaram.
Ainda me comovem.
Não precisavas de os encorajar.
Que outra coisa posso fazer, sempre aqui, noites a fio?
Além disso, tenho mais prazer com eles, do que em casa.
Muito bem, salta!
Viemos para fazer a guerra, comandante, não o amor.
Polonski!
Moonbeam!
O quê?
A porta. Empurra, empurra!
Empurra!
Ora bem, ele que desça.
Vai lá, Each.
Vem aí alguém.
Pai?
- Jane! - Pai!
As chaves.
Podes fazer o que quiseres, amor.
Sim, minha querida.
Quem vem lá?
Sou eu, Willard Culverwell.
Será esta a maneira própria dum soldado montar guarda?
Lord Durant vai querer saber quem é o responsável por este ultraje.
Perdão, senhor.
Abre os portões, para eu poder falar com o major Folly.
Tenho a certeza que também ele terá qualquer coisa a dizer.
Abram os portões! Abram os portões ao secretário de Lord Durant.
- Os portões! Abram os portões das traseiras - Imediatamente, senhor.
Boa sorte, senhor.
Polonski!
Polonski!
Polonski!
Polonski!
Prisioneiros, estamos livres!
Vamos embora deste sítio.
- Viste o Polonski? - Não.
O que foi aquilo?
Metam as cavilhas.
Bala.
Archote.
Pobre Polonski. Era mesmo um bom tipo.
Moonbeam!
Polonski!
Pensei que os piratas eram um bando de gente má.
Essas cadeias não prenderão mais corpos, amigo.
Só tenho de tratar de mais uma coisa.
Que significa este ultraje?
- A fortaleza, meu senhor, a fortaleza. - Sim?
Invadida, senhor. Fomos invadidos.
Invadidos? Por quem?
Falai!
Por bucaneiros, senhor. Piratas! Degoladores.
Red Ned Lynch e os seus homens. E pelo povo, meu senhor.
O próprio povo. Uma revolta! Deus nos ajude a todos.
Receio que o fim esteja próximo.
Temos de ganhar tempo para planear um contra-ataque.
Estais a ouvir, major?
Sim, senhor! Não há tempo para um contra-ataque.
- Já vêm a caminho daqui. - Então, tendes de os deter.
- Detê-los? - É o vosso dever, major.
Sim, senhor!
Prazer em ver-vos de novo, major.
Não, senhor, oh, não.
Cometeria um grande erro, major Folly,
- Tenho o meu dever, senhor. - Também tendes a vossa vida.
E a escolha de a manterdes. Essa é toda vossa.
Mantê-la sem honra, senhor, é perdê-la de qualquer modo.
Em guarda!
Alguma vez ouvistes, major Folly,
que a primeira lei da vida é a auto-preservação?
Obrigado, comandante Lynch.
Mas no que me diz respeito,
acredito que há um momento na vida dum homem
em que a derrota pode ser um triunfo maior que a vitória.
Então, ámen, major.
Mr. Polonski.
Ámen!
Boa noite, comandante Lynch.
Boa noite, meu senhor Durant.
Ele é meu.
Deixai que essa pêga me tente apanhar.
- Seu degenerado! - Prostituta!
- Assassino! - Nojenta!
Pederasta!
Eu sirvo um senhor e o seu nome é Escuridão.
Não, rapariga.
Estais bem, meu senhor?
Vossos golpes têm uma certa força bruta, mas falta-lhes verdadeiro estilo.
Realmente, senhor?
Nervoso, meu senhor?
Nick, dá-me um sabre.
Nick!
Mr. Moonbeam,
agora, meu senhor, essa espada está muito afiada.
Ao contrário do vosso bem senso.
- Seu louco! - Não, meu senhor, não sou louco.
Sou Irlandês.
Boa noite, cavalheiros.
Corram as cortinas. A farsa acabou.
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