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Esta � uma hist�ria sobre f�rias...
F�rias em Roma, O destino dos sonhos
de qualquer americano entre os 16 e os 70 anos.
Nora Davis tinha 20 anos.
Jovem, cheia de vida, rom�ntica...
Satisfaz o seu desejo de escapar da realidade...
lendo livros de mist�rio.
Mas este seria o �ltimo.
Ela jurou para sua m�e...
e � Srta. Ethel, velha amiga da fam�lia, que ficou de hosped�-la...
e garantir que cumpra sua promessa.
Com licen�a.
Posso lhe oferecer um cigarro?
Obrigada. Eu tenho os meus.
- Onde eu coloquei? - Por favor, pegue um dos meus.
Certo. Voc� � muito gentil.
Pode ficar com esse. Tenho outro ma�o.
Eu insisto.
Obrigada.
- Senhorita? - Por favor, apertem seus cintos.
N�o, obrigado.
Estamos prestes a pousar no Aeroporto Fiumicino.
Aten��o, por favor...
Voo 208 de Nova York acabou de chegar.
Se quer um conselho...
N�o � bom pra uma garota andar s� em Roma.
- Voc� vem conosco, Pacini. - Como se atreve!
- Meu nome � De Vico. - � assim que voc� se chama agora?
Por favor. O que eu tenho s�o artigos para banheiro.
Artigos pra banheiro? Voc� deve usar coca�na ao inv�s de talco.
Aqui h� o suficiente pra intoxicar metade da alta roda de Roma.
Isso n�o s�o Kents. Isso s�o tarugos, est�o enrolados em maconha.
- Venha, vamos lev�-lo. - Eu asseguro, isso � um engano.
- Vamos. - Venha conosco.
Por favor aprontem suas bagagens para inspe��es de rotina.
Senhorita?
Deixou cair isso.
Obrigada.
Ol�, Estou procurando pela Srta. Ethel Widnall Bartocci.
- Srta. Davis? - Sim.
Por favor, entre.
Perdoe-me. Machuquei voc�?
N�o. N�o foi nada.
Estou feliz que tenha vindo.
Que tempo terr�vel.
Permita que eu me apresente: Marcello Bassi.
Sou o m�dico.
- O m�dico? - Sim.
Srta. Widnall n�o est� muito bem.
Tente n�o se alarmar.
N�o queremos que ela se preocupe.
A Sra. tem uma visita surpresa.
Nora, finalmente chegou. Estava come�ando a me preocupar.
Venha aqui, querida. Estava ansiosa para v�-la.
- Ethel. - Voc� � uma mo�a agora.
Como foi a viagem? N�o, n�o me beije. Estou com um pouco de frio.
Mas em alguns dias estarei de p�...
e n�s vamos passear juntas. Voc� vai ver, Roma � maravilhosa.
Esta jovem rapaz � o culpado de querer me manter na cama.
Isso porque gostaria de ser seu acompanhante.
Ele sabia que voc� viria. Estava t�o ansioso quanto eu.
Voc�s tem a b�n��o da juventude. Infelizmente...
eu bem que tento ser forte, mas voc� sabe como � a idade.
Agora que voc� est� aqui, vou melhorar. Voc� vai ver.
N�o quero lhe assustar, Mas estou muito preocupado.
Tente manter ela calma. Seu pulso est� muito alto.
Tenho que ir agora.
Ali�s...
H� um cardiot�nico perto da cama. D� a ela se for necess�rio.
Se tiver problema em respirar ou sentir dor,
me chame imediatamente.
Estarei no hospital. Aqui est� meu n�mero.
N�o � longe daqui.
V� para Trinit� dei Monti e vire � direita.
Mas... isso n�o ser� necess�rio, ser�?
Vamos esperar que n�o.
Tudo vai ficar bem.
Mas sinta-se � vontade para me ligar. Mesmo se estiver s� preocupada.
Boa noite.
Nora!
- Meu rem�dio! - Oh, meu Deus!
Ethel...
Al�, Hospital San Giacomo.
Al�...
Hospital San Giacomo, al�?
Hospital...
Al�!
N�o posso ouvir. Al�!
Socorro!
Solte-me. Solte-me!
Senhorita!
Fale. O que houve com voc�?
Parece que est� b�bada.
E est� nua debaixo da capa de chuva.
N�o me mate! Eu n�o vi nada.
N�o vou dizer nada.
Me solte!
Socorro! Me ajude!
Acalme-se, diga-me o que aconteceu.
N�o v� ali?
Sangue. Sangue em todo lugar!
Que sangue? S� tem �gua ali.
Me ajude, eu imploro!
Estou no para�so?
- N�o, apenas acordada. - N�o se mexa. Precisa descansar.
Voc� est� no hospital, Srta, e est� tudo bem.
No hospital? Ent�o eu estou ferida tamb�m.
Chamem a pol�cia. Uma mulher foi assassinada!
Voc� n�o tem nenhum arranh�o.
Sabemos sobre o assassinato, voc� falou enquanto delirava.
Tente ficar calma.
Bom dia, Srta. Sente-se melhor?
Este � o Dr. Facchetti.
Doutor, voc� me examinou? Posso ir pra casa?
N�o sou um m�dico. Eu investigo assassinatos.
Sou um detetive de pol�cia.
Posso lhe contar tudo que precisar saber.
Havia um homem com uma faca enorme, e ele a esfaqueou...
Sim, mas voc� considerou que pode ter sonhado com isso?
Ou talvez imaginado.
Por que n�o acredita em mim? Estou dizendo a verdade!
Vamos mudar de assunto.
Voc� l� livros de mist�rios e assassinatos?
Mist�rio e assassinato? Est� insinuando que...
S� responda a pergunta.
Sim, mas...
Para seu pr�prio bem, siga meu conselho e n�o leia mais.
� muito perigoso.
Boa noite, Srta.
E aproveite sua estada em Roma.
Aqui temos um fascinante caso de neurose.
Mitomania, causada por uma forma de alcoolismo.
A paciente perdeu toda a no��o de tempo e espa�o.
O qu�? Alco�latra?
Eu juro que nunca bebi em minha vida, Doutor.
E ela n�o tem no��o disso.
T�o jovem, e j� v�tima de alucina��es...
Muito comum nesses casos de alcoolismo.
- Desculpe a demora, Professor. - Dr. Bassi!
Por favor, explique que n�o sou louca nem alco�latra.
Me tirem daqui, ou fa�o um esc�ndalo!
Olhe � sua volta.
Este parece o tipo de lugar onde mulheres s�o esfaqueadas?
Esta � a Roma de verdade,
onde o sol brilha e o ar � limpo.
Um sonho, talvez. Um pesadelo, nunca.
A pol�cia n�o achou nada.
O que lhe aconteceu � facilmente explic�vel.
Voc� estava cansada da viagem, e se chocou com a morte da Sra. Ethel.
somado ao medo de ser atacada e roubada.
Estava t�o ansiosa que deve ter tido um ataque.
Mas agora precisa esquecer tudo isso.
Escute, Doutor, N�o estou dizendo que esteja errado.
Talvez eu tenha tido um ataque.
Mas eu certamente n�o estava b�bada. Eu nunca bebo, acredite em mim.
N�o nego que fiquei chocada
com a morte da Sra. Widnall, o roubo,
o baque na cabe�a quando ca�...
- Isso tudo foi real, n�o foi? - Sim...
Ent�o me diga porque eu me lembro primeiro do assassinato.
Uma consequ�ncia da pancada na cabe�a.
- Est� dizendo que fiquei louca? - N�o, eu n�o diria isso.
Escute, eu n�o sonhei, e sou conhecida por ser cabe�a-dura.
Eu posso reconstituir a cena toda, exatamente de onde come�ou.
Sorriam. Firmes!
Sim. Eu estava bem aqui.
- Foi aqui que ele me atacou. - O assassino?
N�o, o homem que me roubou.
Ent�o eu acordei e, ouvi algu�m gritando
e eu vi a mulher, com uma faca nas costas, ca�da.
- N�o era um homem? - N�o, a v�tima!
Ela estava cambaleando, gritando...
e olhava direto para mim.
E a faca?
Estava aqui, n�o ali.
Ela estava sangrando. Havia sangue por toda parte.
Aqui no ch�o, havia uma enorme po�a aqui.
Ent�o... um homem apareceu.
Ele era alto, muito alto...
- O assassino. - Sim.
Ele se aproximou.
Pegou a faca e ent�o...
Vamos andem.
Parem com isso. Comportem-se.
Espere um minuto. Esperem por mim!
S�o esses tipos de crimes que se v� em Roma.
Posso lhe ajudar?
N�o, eu pensei...
Mas agora eu vejo que...
Com licen�a.
Depois daquela horr�vel noite na Piazza di Spagna...
eu n�o consigo me controlar.
Eu compreendo.
Posso imaginar o que voc� passou.
Sabe, tem sido uma longa cadeia de eventos incertos.
Real ou imagin�rio, isso pouco importa.
O homem que me roubou.
A mulher com a faca nas costas...
Voc� precisa tentar esquecer.
Sim, todo mundo diz isso, que imaginei tudo isso.
E talvez com alguns dias eu possa
ir a Trinit� dei Monti e n�o pensar mais nisso.
Ent�o vou ter esquecido tudo sobre a mulher assassinada.
Pobre Ethel!
Quem poderia pensar...
Santo Deus!
Perd�o, Srta. Posso falar com voc�?
Eu a ouvi falar da pobre Ethel.
Ela era muito querida.
Uma verdadeira amiga, sabia?
Tenho certeza que ela teria nos apresentado...
se n�o tivesse falecido t�o subitamente.
Meu nome � Laura Craven Torrani.
Por favor, n�o pense que sou indiscreta, mas est� sozinha aqui em Roma?
Se eu puder ajud�-la...
por favor, me procure.
Obrigada.
Mas... N�s j� n�o nos conhecemos?
Minha querida madame, estou feliz que se conheceram.
Sra. Davis precisa de amigos que est�o mais perto de sua idade.
Vou ficar descansado sabendo que est� com voc�.
Onde est�o minhas chaves? Nunca as encontro.
Sabe, isso aconteceu bem aqui.
Como pode ser? Est�vamos em casa, e n�o escutamos nada.
Meu sobrinho estava doente, e n�s est�vamos em casa h� uma semana.
Depois de voc�.
O que voc� me falou � terr�vel. Voc� deve tentar esquecer tudo isso.
Bem, esta � minha casa.
Meu marido � italiano, mas trabalha na Su��a e quase nunca vem aqui.
Devo confessar que me sinto meio s�.
Claro, Eu vou visit�-lo em Berna, mas � tudo t�o chato l�.
Como pode ver, nossa casa � bem grande.
Costumava ser o est�dio de um escultor.
N�s amamos isso, mas, infelizmente...
pudemos desfrutar muito pouco.
� muito lindo.
Voc� tem sorte de ter uma casa t�o bonita.
Deve ser um sonho viver aqui.
Espere um minuto.
Eu vou para Berna amanh�, e a casa ficar� vazia.
Por que n�o toma conta para mim?
Acho que n�o poderia. N�o...
Mas � claro! Por que n�o?
V�, a empregada � t�o descuidada.
E quando n�o h� ningu�m aqui, � ainda pior. Me deixa furiosa.
Voc� estaria me fazendo um favor.
Mas minha m�e...
N�s ligamos para ela agora mesmo.
Escute, m�e, eu quero provar que eu n�o inventei tudo isso.
Sim, est� bem.
Voc� vai ver. Eu vou descobrir toda a verdade.
Certo, m�e. Vou ter cuidado.
Certo.
Diga al� aos outros por mim.
Sim, claro que escrevo.
D� um beijo no papai por mim.
- Sua m�e concordou? - Sim.
Agora n�s vamos tomar uma boa x�cara de ch�.
Ent�o vamos instal�-la antes que os meus sobrinhos cheguem.
N�o se preocupe. Eles v�o para a Su��a comigo.
- Sente-se. - Obrigada.
� prop�sito...
Quando meu marido n�o est�, eu sempre durmo nessa cama.
Eu acho maravilhosa. N�o acha?
� como estar em uma pintura.
A porteira vem para limp�-la.
- Ent�o n�o precisa se preocupar com nada. - Muito bem.
Oh, e mais uma coisa. Venha comigo.
Este � o est�dio do meu marido.
Apenas ele tem a chave. � uma responsabilidade a menos pra voc�, certo?
Isso � tudo.
Al�? Algu�m em casa? Madame?
Quem �? O que quer?
Desculpe. Eu bati, mas ningu�m respondeu, ent�o eu entrei.
Sou a porteira. Desculpe se a assustei.
Por favor, n�o me entenda mal.
� minha culpa por n�o escut�-la chamar.
Eu vim dizer que um homem trouxe esse formul�rio pra voc�.
Ele disse que deve escrever seu primeiro e �ltimo nome aqui.
Ele disse que era oficial de pol�cia.
Mas como eu n�o confio nesses caras, preferi vir eu mesma.
N�o h� pressa. Isso pode esperar at� amanh�.
Isso s� leva um minuto.
Ent�o podemos come�ar a nos preparar para a faxina de rotina.
Pode contar comigo, Srta.
Estou feliz que esteja aqui.
A casa est� sempre fechada.
N�s n�o vemos o Sr. Torrani faz anos.
E a Sra. Laura n�o aguenta ficar aqui, desde a trag�dia.
- Que trag�dia? - Ah, foi terr�vel.
Mesmo agora, se eu penso nisso me d� arrepios.
- O que aconteceu? Me diga. - Quer dizer que n�o sabe?
Esteve at� nos jornais.
Ah, claro, voc� n�o mora na It�lia.
Foi h� dez anos atr�s...
Mas ainda me lembro daquela noite como se fosse ontem.
A irm� da Sra. Laura foi esfaqueada at� a morte, pobrezinha.
E pensar que isso aconteceu bem em frente dessa casa.
Ent�o realmente houve um assassinato em frente a essa casa...
mas h� dez anos atr�s.
Isso � absurdo.
Nora viu alguma coisa, ela tem certeza disso. Mas como?
Teria sido um outro crime cometido sob as mesmas exatas circunst�ncias?
Talvez a porteira tenha se enganado, ou talvez ela tenha mentido.
Ou talvez...
TERCEIRO ASSASSINATO NA PIAZZA DI SPAGNA
"Terceiro assassinato na Piazza Di Spagna."
"A turista americana, Emily Craven...
foi encontrada morta, esfaqueada nas costas como as outras.
As v�timas s�o jovens mulheres
seguindo uma ordem alfab�tica.
Nossa rep�rter, Andrea Landini, esteve na cena do crime.
O �ltimo nome da primeira v�tima come�ava com "A", Gina Abbat.
A segunda com "B", Maria Beccati.
E agora estamos na letra "C", Emily Craven.
Ningu�m jamais levou a s�rio os telefonemas an�nimos
que precediam cada crime."
Al�.
Quem �?
Nora Davis.
Davis com "D"?
"D" como em delito?
Eu entendo isso, � luz de suas descobertas, voc� est� preocupada.
Mas acredite em mim, n�o h� raz�o para se alarmar.
N�s estudamos casos de vis�es telep�ticas.
A medicina moderna tem interesse em tais fen�menos...
e h� fatos e estat�sticas que os descrevem.
E o que a medicina moderna tem a dizer sobre ectoplasmas?
N�o, isso n�o � piada.
� uma pergunta pertinente no caso dela.
Um caso muito significante, posso acrescentar...
Sobre o qual estou escrevendo para a pr�xima edi��o da "Ci�ncia e Vida."
J� no hospital eu estava bastante intrigado.
E eu nem sequer sabia que o crime realmente havia acontecido...
como voc� me contou.
A jovem tomou parte em um evento que aconteceu h� dez anos atr�s:
O assassinato de Craven.
� incomum, mas n�o � imposs�vel, a ocorr�ncia...
no entanto, eu a colocaria mais na �rea da metaf�sica...
do que na da medicina racional.
No nosso caso, seria incorreto
falar em termos como "ectoplasmas" ou alucina��es.
N�o tem nada a ver com isso.
Acho que devemos considerar este fen�meno
em termos de uma transposi��o medi�nica.
At� mesmo os m�diuns precisam comer. E est� esfriando.
Ent�o o senhor quer dizer, Professor...
que Nora realmente testemunhou um crime
que foi cometido h� dez anos atr�s?
N�o, n�o. N�o me entenda mal.
Eu n�o iria t�o longe.
O que eu acredito �...
Nora n�o falou com ningu�m sobre a liga��o.
Era in�til para eles tentar confort�-la.
Apenas a verdade, a esse ponto, poderia restaurar seu sono.
E ela deve procurar por essa verdade sozinha...
Mesmo arriscando a sua vida.
Sozinha.
Isso � uma chance perfeita para o assassino.
Ela sente que tudo est� conspirando contra ela.
Que todos a abandonaram.
Uma ideia,
uma simples ideia que pode proteg�-la.
Ela apelou para seu velhos amigos, seus livros de mist�rios.
Ela apelou para Wallace, Mickey Spillane, Agatha Christie.
P� de talco!
� isso! P� de talco.
O p� branco de talco � insidiosamente pegajoso...
especialmente se suas pernas est�o presas
em um enredar de fios.
Sim, talvez seja um pouco ing�nuo...
mas, por essa raz�o, imprevis�vel.
Assassinos n�o leem livros de mist�rio, felizmente.
E "O Terr�vel Fio de Ariadne"...
o romance que foi sua inspira��o, s� foi publicado na Filad�lfia.
Ainda n�o foi traduzido para o italiano.
Quem gritou?
- Quem � voc�? - Isso � uma armadilha?
Do que voc� est� falando?
Me solte. Me solte!
Nora sentiu-se respons�vel por aquele dedo quebrado.
Nem mesmo a beleza de Roma, a qual o doutor cansou de tanto mostrar,
p�de dissipar as d�vidas de Nora.
Mesmo que aparentemente ela tenha sido a perfeita turista americana...
seu subconsciente trabalhava.
Que dia!
Eu juro que estou confusa agora, N�o saberia dizer a diferen�a...
entre o Coliseu e a Via Veneto.
J� que amanh� est� ocupado, vou visitar os museus.
- Vou ver o Capitolino. - � muito bonito.
- E ent�o talvez... - Muito interessante, mas...
voc� tem mesmo que ir s�?
N�o se preocupe. O que poderia acontecer comigo?
Acredite em mim, Marcello,
eu conhe�o criminologia e assassinos.
Agora tudo que quero � ser turista e ver os pontos tur�sticos.
Ent�o pode relaxar. Se por acaso me visitar...
n�o correr� o risco de cair em uma de minhas armadilhas.
- Mas eu... - Eu prometo. Nunca mais.
Voc� parece t�o indefesa, e est� t�o sozinha...
que me sinto obrigado a...
Como pode ver, eu n�o estou t�o s� quanto pensa.
Com licen�a, mas eu preciso atender o telefone.
Boa noite.
Boa noite.
"Boa noite."
- Quanto lhe devo? - Quinhentas libras.
- Aqui. - Obrigado.
Entre.
N�o tenha medo. Por favor, entre.
Deve chegar ao fim do corredor.
Perdoe-me se n�o vou ao seu encontro...
Mas acho que n�o posso andar.
Continue.
Espero que ningu�m a tenha seguido, como eu lhe adverti.
Temos que ter cuidado,
muito cuidado.
Especialmente com algu�m que sabe demais...
e cujo nome come�a com "D".
Me solte! Me solte!
- Marcello! - Ficou maluca?
Marcello, temos que fugir! Tem mais algu�m aqui.
Mas o que voc� est� fazendo aqui?
Recebi um telefonema, que dizia:
"O que voc� viu n�o foi ilus�o. Me encontre e saber� a verdade."
L� vamos n�s de novo!
Cuidado!
Ent�o, havia um homem aqui, huh?
Onde ele est�?
Ele estava aqui. Ele falou comigo. N�o acredita em mim, n�o �?
Eu n�o disse isso.
Que foi isso?
Olhe.
Isto pode provar que est� certa.
Seguindo adiante...
Espero que ningu�m a tenha seguido, como eu lhe adverti.
N�s temos que ter cuidado,
muito cuidado.
Especialmente com algu�m que sabe demais...
e cujo nome come�a com "D."
Finalmente temos uma prova.
Agora acredita em mim.
Mas se eu tivesse fugido, todos achariam que eu inventei tudo.
A placa na porta nos diz quem � o dono do apartamento.
� um homem que se hospedou no hotel La Stelletta
e se chama Landini.
Como? Landini?
Este nome � familiar. J� o ouvi em outro lugar.
Li uma vez nos jornais.
Isso, os peda�os de jornal sobre os crimes. Tenho certeza disso.
Venha, vou lhe mostrar.
Sumiram.
Algu�m deve ter entrado. Vamos chamar a pol�cia.
Espere, Nora. Pense por um minuto.
- H� uma empregada? - Sim, a porteira.
- E ela tem a chave? - Sim.
Ela pode ter jogado fora, n�o podemos chamar a pol�cia por t�o pouco.
Acho que tem raz�o.
- Que horas s�o? - 5:20.
Vamos esperar at� amanhecer.
Ent�o iremos falar com este Landini no hotel.
Vamos resolver esse mist�rio.
Sr. Landini, por favor.
S�o 2,000 liras pelo quarto,
e por favor limpem antes de sair.
Mas o qu�?
Como ousa!
Desculpe, foi um mal-entendido.
Estamos aqui s� para falar com o Sr. Landini.
Eu n�o vi ningu�m por aqui desde as 7:00 da manh�.
� uma hora incomum para um encontro.
Fale agora. Viu ou n�o viu o Sr. Landini?
Dr. Landini quase nunca vem aqui...
e quando vem, � sempre � noite.
Mas voc�s podem ach�-lo na tipografia da Via Jenner.
Procuramos pelo Sr. Landini.
Pode nos dizer...
Pode nos dizer onde encontr�-lo?
Ele n�o vem mais aqui. Mas se querem comer alguma coisa...
N�o temos fome.
- Precisamos falar com ele. - Queremos falar com ele.
Que barulheira.
A Trattoria del Gallo � bem ali na esquina.
Voc�s podem encontr�-lo l�, se ainda lhe derem cr�dito.
Ele saiu h� alguns minutos. Sinto muito.
Se eu escutei direito, ele planejava ir para Ostia.
H� um gar�om l�, Accursio, que lhe deve algum dinheiro.
Confesso que me sinto um pouco culpada.
N�s n�o achamos Landini.
E voc� desperdi�ou um dia todo por nada.
Est� tudo bem. Esque�a.
Voc� deve estar cansado.
Vou dormir hoje � noite.
Estou fazendo plant�o com um homem que tem ins�nia.
O que foi?
- Por que est� me olhando assim? - N�o percebeu?
Socorro! Marcello, n�o!
� hora de acabar com isso.
Por favor, n�o!
Deixe-me recuperar o f�lego.
Vamos entrar. Vou ficar um pouco mais.
� tarde, e voc� deveria estar no hospital.
- Nos vemos amanh�. - Nora, n�o me mande embora.
N�o fique desapontado.
Quando chegar a hora, voc� saber� pelo som da minha voz.
Ali�s, eu digo o seu nome.
V� agora.
Por favor.
H� um homem na casa!
Fique exatamente onde est�.
Nora, chame a pol�cia.
Sou Andrea Landini.
Soube que estavam me procurando.
Sei que minha entrada foi um tanto melodram�tica...
mas n�o era minha inten��o.
Eu toquei v�rias vezes, mas ningu�m atendeu.
Ent�o eu vi que havia uma luz dentro da casa.
Mas eu n�o acendi quando sa� de casa.
Mesmo assim, estava acesa.
Pus minha m�o na ma�aneta, e a porta abriu.
Achei que havia algo de errado, ent�o entrei.
Voc�s entraram logo depois.
Eu n�o tenho as chaves desta casa.
As portas e janelas n�o foram arrombadas.
Ele est� certo, � bem claro.
Algu�m deve ter entrado aqui. Tenho certeza disso.
Quem mais poderia ter roubado os recortes?
Algu�m de alguma forma envolvido com os "crimes do alfabeto".
Os "crimes do alfabeto"... Por isso estou aqui.
N�s precisamos ter uma longa conversa.
O que quer dizer? Nos diga o que sabe.
� muito simples. Dez anos atr�s...
Eu era um influente rep�rter de jornal aqui em Roma.
Meu dever profissional me levou a registrar o primeiro assassinato.
Foi uma mulher, uma estrangeira.
O artigo teve s� algumas linhas nos jornais locais.
O assassinato foi precedido por um telefonema an�nimo.
O segundo assassinato foi duas semanas depois...
e foi id�ntico ao primeiro.
O assassino certamente atacaria de novo.
Ele tinha que ser achado.
O assassino era capaz de se tornar invis�vel.
Ele n�o deixava nenhum tra�o.
Eu embarquei em um tipo de corrida com a pol�cia para achar a verdade.
Eu entendo perfeitamente.
Desculpe.
Estava convencido de que o assassino era um pervertido...
e estendi minha teoria em v�rios artigos...
sempre acusando a pol�cia de incompet�ncia.
At� que, uma noite, Emily Craven foi assassinada.
Eles a acharam bem a� fora, com uma faca nas costas.
Ela vivia nesta casa com sua irm�, Laura.
A mulher que te convidou para ficar aqui.
Durante minha investiga��o
eu conheci o Professor Torrani, o marido de Laura,
um renomado psiquiatra.
Nos tornamos bons amigos.
Ele concordava com minhas teorias de que o assassino era um louco.
Me encorajou a mant�-las.
E a pol�cia prendeu o assassino.
O pr�prio Torrani apontou um sem-teto para mim.
Um psicopata de apar�ncia muito suspeita.
Eles o chamavam "Straccianeve".
Eu mesmo o rastreei e levei a pol�cia at� ele.
N�o havia provas contundentes contra ele.
S� um monte de evid�ncias circunstanciais.
Ele finalmente confessou, sob press�o.
Mas quando foi a julgamento, ele negou tudo.
Eles o julgaram culpado e o trancaram em um asilo.
Ele era mentalmente doente.
Isso foi um triunfo para mim e para o Professor Torrani.
Eu n�o fiz isso! Sou inocente!
Eu n�o fiz isso!
Aqueles gritos ecoavam em meus ouvidos.
O julgamento teve um efeito estranho sobre mim.
Eu tinha cada vez menos certeza da culpa de Straccianeve.
Comecei a rever a senten�a.
At� mesmo estudei meus pr�prios artigos.
Finalmente, me convenci de que Straccianeve era inocente.
Tentei falar com Torrani, mas ele n�o me escutou.
Comecei a escrever sobre isso depois.
Tentei convencer a imprensa.
Mas a hist�ria j� era passado, e todos haviam perdido o interesse.
Eu comecei a insistir.
Finalmente, um dia, eu perdi meu emprego.
Depois de uma longa luta, eu me encontrei sozinho.
Mas n�o podia esquecer.
Continuei voltando aqui, tentando encontrar alguma pista.
Algum tra�o.
At� que uma manh� eu a encontrei inconsciente, do lado de fora.
Tentava lhe reanimar quando escutei um policial se aproximando.
N�o queria que ele me encontrasse ali.
com voc� no ch�o, inconsciente.
Ent�o eu me escondi, n�o muito longe.
Quando voc� n�o tem mais emprego, e se deixa levar por isso...
� f�cil se meter em encrenca.
Ent�o eu ouvi voc� dizer que viu o assassinato de uma mulher...
bem em frente a esta casa.
� primeira vista, parecia que n�o tinha nada a ver
com os "assassinatos do alfabeto",
mas eu soube logo que havia uma conex�o.
Tenho seguido voc� desde ent�o. Eu tinha que saber, pra falar com voc�.
Se voc� realmente viu um assassinato...
talvez seja a �nica pessoa capaz de me ajudar.
- A achar o assassino? - Claro. � isso que eu quero.
Vamos p�r um fim nessa farsa.
N�o se d� conta de que todas as evid�ncias apontam pra voc�?
Voc� quer que Nora lhe ajude.
Mas est� esquecendo que a vida dela foi amea�ada
em um apartamento que lhe pertence.
Se n�o foi voc� que a amea�ou, ent�o sabe quem foi.
E voc� lhe deu a chave.
Voc� quer que ela arrisque a vida s� para resolver suas d�vidas?
Marcello, precisamos assim mesmo dizer o que sabemos.
H� algo que voc� precisa de ouvir.
Sumiu! A fita sumiu!
Noite passada eu n�o pude convencer voc�.
Mas voc� precisa me ajudar.
Pode achar que � estranho eu ser t�o insistente.
Mas n�o pode imaginar como � passar dez anos
torturado pela d�vida,
pela culpa de ter contribu�do para condenar um inocente.
Este � Straccianeve.
Me diga, voc� o reconhece?
Voc� o viu?
Tente se lembrar.
- N�o posso, n�o posso! - Pare, voc� me ouviu?
Resolva seus pr�prios problemas e deixe ela em paz.
Talvez voc� tenha visto essa pessoa...
Se voc� o viu...
Talvez fosse tudo diferente.
N�o � f�cil sair daqui.
Voc� sabe quando voc� entra, mas n�o sabe quando sai.
Muitos saem j� pro caix�o.
Claro, eu me lembro dele.
Parecia completamente normal.
Vejamos, ele deve estar aqui. 58, 59...
Aqui est�. Morto em 23 de Maio de 1959.
Causa de morte: Trombose Coron�ria.
Bem, se Straccianeve est� morto, n�o h� nada mais que possamos fazer.
Ele morreu muito f�cil, se quer minha opini�o.
Com tr�s mulheres na consci�ncia
� incr�vel que ele pudesse dormir a noite, n�o acha?
Bem, obrigado pelo seu tempo.
N�o se preocupe.
Nora, desculpe. Eu tenho que correr.
Sou esperado no hospital em dez minutos.
S� um minuto.
Sabe pelo menos se ele tinha algum parente?
Ele tinha uma filha, Maria. Ela veio para o funeral.
Sabe o endere�o dela?
Deve estar aqui em algum lugar.
Aqui. Ela trabalha como faxineira no Foro Italico.
Sim, ela trabalhou aqui, mas era uma completa tonta.
Estava sempre a�rea.
Mas ela nunca teve um tost�o. Estava sempre pedindo dinheiro.
- Ent�o de repente ficou rica. - Quando?
- Voc� se lembra quando? - H� uns dois anos atr�s.
Foi de repente, ela comprou um casaco e financiou um Fiat 500.
Ela jogou sua riqueza na nossa cara, e disse que estava cansada de lavar.
Ela lhe disse alguma coisa?
Ela nunca disse mais do que "oi" e "adeus".
Como acha que ela ficou rica?
Minha querida,
quando eu tinha 20 anos, eu poderia ter ficado rica tamb�m daquele jeito.
Toda noite, fazendo hora extra.
Se entende o que eu digo.
Desculpe se a perturbamos.
Onde posso achar um telefone?
- H� um na entrada. - Obrigado.
Acho que n�o vamos achar mais nada por aqui.
Ent�o o que devemos fazer?
Eu tenho uma ideia, mas � melhor eu ir sozinho.
Voc� quer ir pra casa, eu imagino.
A parada de �nibus � ali.
Adeus.
Sim, ele veio, mas n�o me disse nada.
- Por que ele voltou? - Me deixe em paz.
Al�m do mais, n�o � da sua conta.
Eu n�o vi ningu�m, e n�o sei de nada.
E agora eu tenho mais o que fazer.
N�o, nenhuma novidade.
E voc�? O que achou sobre aquela mulher?
Quando?
Quando voc� voltou e falou com ela sozinho.
Ent�o voc� me viu.
Sim, de longe, claro.
E quando eu voltei, voc� havia ido embora,
e aquela mulher havia se tornado estranha e hostil.
Al�. Al�?
Landini? Al�? Pode me ouvir?
Sim, estou ouvindo.
Estou ligando para lhe dizer que est� tudo claro agora.
Aquela mulher realmente me abriu os olhos.
Venha ao meu hotel em uma hora e eu vou lhe contar tudo.
Certo, estarei l�.
Sr. Landini, por favor.
Ele est� lhe esperando.
Est� digitando na m�quina h� mais de uma hora.
Est� no segundo andar. Quarto 26.
Posso entrar?
"Para me salvar, eu terei que matar novamente.
S�o muitos crimes.
Eu n�o tenho for�a para cometer mais um..."
PRIMEIRO ASSASSINATO
SEGUNDO ASSASSINATO TERCEIRO ASSASSINATO
D? QUARTO ASSASSINATO?
Quando meu marido me deu a not�cia, eu quase desmaiei.
Minha cara...
Que assustador.
Deve ter sido horr�vel para voc�.
Mas agora voc� deve esquecer.
Eu voltei a Roma imediatamente quando voc� ligou dizendo que ia embora.
Marcello ir� visit�-la na Am�rica. Voc� vai ver.
Eu ainda n�o acredito.
Por que ele se matou? Por qu�?
Voc� leu sua confiss�o, n�o leu?
Ele deve ter achado
que voc� o havia descoberto.
Al�m disso, eu acho que ele n�o era completamente s�o.
Mas vamos mudar de assunto.
Nora deve esquecer isso.
Eu trouxe os jornais que voc� queria.
Obrigada.
De agora em diante, deve pensar apenas em mim,
em nosso futuro...
e em me amar muito.
N�o pense que brinco. Nunca vai escapar de mim.
Seu marido volta hoje � noite, n�o �?
Sim, �s 10:30. Estou indo busc�-lo na esta��o.
E antes que Nora v�, vamos almo�ar juntos.
Certo.
Eu o acompanho at� a porta, Doutor.
Eu ligo mais tarde.
V�TIMA DE ASSASSINATO ENCONTRADA ESFAQUEADA NAS COSTAS
Era ela. Nora a reconheceu.
Era a garota que ela viu ser assassinada na Piazza di Spagna.
Ela foi identificada. Ela era filha de Straccianeve.
Voc� a reconhece?
� esta a mulher que voc� viu morrer na Trinit� dei Monti?
Sim.
Voc� tem absoluta certeza?
Ainda acha que eu me iludi?
Ou que estou louca?
Venha comigo por favor, Srta. Preciso de sua ajuda um pouco mais.
Se ao menos esse bot�o falasse.
Olhe bem de perto.
A mulher morta estava segurando isso em sua m�o.
Como se o houvesse rasgado de alguma camisa.
- Voc� viu isso? - Eu...
N�o.
Eu acho que n�o.
Que pena.
Se puder se lembrar de algo...
por favor, contate-nos imediatamente.
E, por favor, n�o investigue por conta pr�pria outra vez.
Esse trabalho � nosso, Srta.
De Maria.
At� mais.
- Obrigado por vir. - Obrigada.
At� mais.
Eu sabia. Ela pegou o bot�o.
Ela sentiu suas m�os queimando.
Seus dedos seguravam o bot�o.
Ela tinha certeza de ter visto antes.
Ela s� tinha que peg�-lo.
Ela est� pr�xima de encontrar a verdade.
S� um minuto.
Mas claro!
Que tolice n�o pensar nisso antes!
O su�ter de l�, em seu primeiro dia na casa.
Ela sentiu como se uma luz sinistra come�asse a cair sobre ela.
Ela tinha que correr. Ela tinha apenas uns poucos minutos.
Mas onde? Onde ela deveria procurar?
Ali... aquela porta.
A porta amea�adora com suas dobradi�as invis�veis.
A porta que estava sempre fechada.
Ela precisava abrir.
Ela sentiu que a solu��o para o mist�rio estava toda ali.
A solu��o para todas as suas ang�stias e medos.
Ela tinha que abrir.
Ela tinha que achar coragem para entrar ali.
Al�.
Al�? � do hospital?
Sim, �.
Por favor, me ligue com o Dr. Bassi. � urgente.
Sinto muito, ele est� em uma cirurgia. Posso entregar a mensagem?
N�o, obrigada. Eu ligo mais tarde.
Fuja...
Abram a porta!
Socorro! Me ajudem!
Laura!
Sim.
H� um bot�o faltando, n�o h�?
N�o acredito.
Voc� tamb�m... Est� com medo de mim tamb�m?
Mas por qu�?
N�o v� que tive que fazer isso?
Voc�.
Era voc�.
N�o. N�o � verdade.
N�o � verdade!
Mas �...
e ningu�m descobriu at� agora.
Os jornais escreveram todo tipo de besteiras.
Todo tipo de coisas: boas, m�s, interessantes.
Eu tenho os recortes, sabia?
E as fotos das garotas tamb�m.
Gostaria de v�-las?
Venha comigo.
Voc� n�o vai embora, vai?
Eu guardei tudo, sabia?
Olhe. Olhe!
V�? Eu guardei cada peda�o de not�cia que encontrei de minhas v�timas.
Olhe aqui.
Essa foi a primeira.
Ela era linda.
Pobrezinha.
Ela n�o me fez nenhum mal...
mas eu n�o tive escolha.
Seu nome come�ava com "A".
Voc� entende, n�o �?
Olhe, olhe!
Era uma ideia brilhante, n�o?
As letras do alfabeto.
"A, B, C".
Voc� est� horrorizada tamb�m.
Est� olhando para mim do mesmo jeito que minha irm�.
Este olhar.
Eu a fiz sofrer muito antes de mat�-la.
� ela. Olhe para seu retrato.
Pode ver que ela era um monstro. Olhe para esses olhos diab�licos!
Olhe pra ela! Est� sempre atr�s de mim. Sempre!
Ela queria que as pessoas achassem que eu era louca.
Ela teria herdado o dinheiro de meu pai.
Todo! Era t�o gananciosa!
Eu sei exatamente o que ela tinha em mente.
Entende?
Ent�o fui for�ada a...
Lembra daquela noite no apartamento de Landini?
Esta era a voz que tanto lhe assustou.
Mas...
Infelizmente n�o foi muito �til.
Voc� � como os outros.
Como Landini. Eu tive que mat�-lo.
E a filha de Straccianeve tamb�m. Ela n�o ficaria quieta.
Ela tentou me chantagear, ent�o...
O que voc� viu naquela noite n�o foi um sonho, Nora.
Voc� viu mesmo meu marido...
enquanto ele a puxava para os degraus.
Ele estava com medo. O covarde!
Venha, Nora. Venha.
Olhe para ele.
Eu nunca quis v�-lo novamente. Maldito seja.
Eu tive que suport�-lo durante anos.
Ele sempre teve medo que algu�m pudesse descobrir.
Ele queria me manter trancada em um hospital.
S� uma desculpa
para p�r as m�os no meu dinheiro.
Laura, me escute, por favor.
Voc� sempre foi t�o boa comigo.
Talvez eu possa ajud�-la agora.
Escute, eu sei que teve que fazer isso.
Voc� n�o � m�.
Eu lhe entendo.
N�o tenho nada contra voc�.
Por favor, acredite em mim.
Eu nunca quis machuc�-la.
Eu s� queria descobrir a verdade.
Eu juro.
N�o vou dizer uma palavra a ningu�m!
Eu sei que n�o vai falar.
Tenho certeza disso.
Quando lhe encontrarem,
voc� n�o poder� falar.
N�o, n�o tenha medo, Nora.
N�o vai sentir nada.
Acredite em mim. Em um minuto estar� tudo acabado.
Eu juro, n�o vou deix�-la esperando.
Voc� n�o vai sentir nada...
A vista � por aqui.
Desculpe.
� lindo aqui em cima.
Olhe, a Bas�lica. Eu posso ver melhor do que de Trinit� dei Monti.
Pensar no pobre Landini me deixa triste, no entanto.
Quem sabe? Se eu tivesse chegado alguns minutos antes, talvez...
Por favor, voc� n�o deve mais pensar nisso.
Lembre-se que vamos nos casar em breve. Isso � tudo que importa.
Veja, querida...
N�s estamos no Pincio, bem a tempo de ver o p�r-do-sol.
O mais belo presente que Roma tem a oferecer.
Espere, eu tenho um.
Voc� trouxe metade da Am�rica com voc� a�?
Minhas malas ainda est�o no aeroporto...
ent�o eu pus tudo que pude colocar aqui dentro.
S� uso essa bolsa quando viajo.
Que foi?
Por que est� agindo assim?
Eu tinha que fazer isso.
Cigarros de maconha.
Eu tinha esquecido deles.
Eu fumei um no avi�o.
E se foi tudo um sonho?
Nora, o que foi? N�o se sente bem?
N�o, estou bem.
Por que tirou o cigarro da minha boca?
Fumar faz muito mal.
O cigarro �s vezes � a causa de...
trag�dias que voc� nem pode imaginar.
Nunca mais vou fumar!
FIM
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