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Original subtitles

Eu vi na tua cara, tudo o que lhe querias fazer,

tudo o que ele merecia.

O carma é fodido.

QUARTA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO

TALVEZ: AGATHA WIGGS

Erika.

Disseram-me que querias falar comigo.

Sim, mas pode esperar.

De certeza? Vieste até aqui para me dizer.

Achas que foi a Agatha Wiggs?

Isto é de loucos, não é?

Pelos vistos, há quatro anos que a Wiggs o importunava.

Culpava-o pelo acidente que matou o filho dela.

E o Nile Jarvis chamou a polícia?

Ela estava a escrever um livro sobre ele. Ele denunciou um possível rapto.

Por isso, a polícia contactou o FBI.

Bate certo com os vídeos que recuperámos do portátil da Wiggs.

Credo!

Sim. Ela gravou horas de vídeo.

Manteve o coitado do miúdo vivo até há umas horas.

TALVEZ: AGATHA WIGGS

Atende.

Queres atender?

Posso?

Força.

Vou descer.

Estou? Aggie?

Onde estás?

Aggie?

Foda-se!

Aggie, onde está ele?

Aggie?

Aggie!

- Aggie? - Shelley, meu Deus!

Graças a Deus!

Onde estás? O que se passa?

Eu tinha razão. Foi o Nile.

Ele matou o Teddy Fenig e pôs o cadáver no quarto do Cooper,

para parecer que eu o matei.

Está bem, acalma-te.

Eu tinha provas,

e dei-as a alguém que não posso contactar, tens de falar com ela.

O que quer que tenha acontecido,

tens de explicar à polícia antes que as coisas piorem.

- O que quer que tenha acontecido? - Escuta…

Achas que te estou a mentir?

Não, só quero dizer que tens de me dizer onde estás,

para nós te podermos ajudar.

Nós? Quem?

Estás com a polícia?

- Estás com eles, não estás? - Aggie, deixa-me ajudar-te.

Foda-se!

Aggie!

Foda-se!

Eu levo-o. Posso fazer a entrevista no carro.

- Não estás a perceber. - Como assim?

Eu só disse que tinha uma entrevista com a Times.

E tu disseste-me que eu não te apoiava.

Porque tu fazes o que te apetece sem pensar em mim ou no Cooper.

Vai para o estúdio, vai fazer uma massagem ou assim

e eu levo o Cooper.

- O que mais queres que te diga? - Não quero ir!

Cooper, não vamos fazer isto agora. Pega nos sapatos e calça-os.

- Aggie, por favor. - Tu queres que o leve.

Aggie, onde está o Cooper?

O MONSTRO EM MIM

CAPÍTULO 8

A ÚLTIMA PALAVRA

- Erika? - Jack. Desculpa incomodar-te.

Preciso de um favor. É urgente.

Claro. O que se passa?

- Lembras-te da Madison Jarvis? - Sim.

Preciso que tires o bilhete de suicídio do arquivo de provas.

A versão digital serve?

Acho que consigo enviar-te uma cópia em cerca de uma hora

Erika?

Estás aí?

Já te ligo.

Está bem.

Má ideia.

Mãos na cabeça. Agora!

Tive a sensação de que me estavas a mentir.

Quando me disseste que o Brian Abbott não estava a fazer nada, eu sabia.

Pensei que tínhamos um acordo.

Eu fui respeitoso.

Queres dizer-me mais alguma coisa?

O que fizeste ao Brian?

Não faço ideia do que estás a falar.

Eu não concordei com isto.

- Nada disto devia ter acontecido. - Mas aconteceu.

E, agora, estás envolvida.

Tal como eu.

Escolheste proteger a tua família. Eu farei o mesmo.

Farei o que tiver de fazer.

- Se estiveres a esconder algo… - Não estou.

Bem, perdoa-me se, desta vez, não acredito em ti.

Tudo o que sabes ou achas que sabes,

esquece.

Pelo menos, diz-me o que aconteceu ao Brian.

No teu lugar,

preocupava-me só com a minha família.

CÃO RAIVOSO UMA CARTA PARA O MEU PAI

CAPÍTULO 12 CHORAR A MORTE DE UMA MENTIRA

Como está o meu tio favorito?

Fiz uma visita à Erika Breton.

Ela não será um problema.

Tens a certeza?

Ela adora os filhos.

Ela sabe que estamos a falar a sério.

Então, está tudo bem.

Veremos.

Estou a caminho da casa do teu pai.

Para lhe dizer o quê?

O mínimo possível.

Alguém tem de lhe dizer que o filho vai aparecer nas notícias.

- Tenho de desligar. - Nile?

Cabrão!

Há helicópteros aqui em cima.

E há um posto de controlo policial em Mill River Road.

Sabes o que se passa?

É melhor sentares-te.

Eles põem o sumo de uva em barris enormes,

depois, adicionam levedura e deixam-no repousar muito tempo.

O que é levedura?

- O que é levedura? - A levedura…

Não faço ideia.

Mas torna o sumo de uva em algo que os adultos gostam de beber

quando estão muito felizes ou muito tristes.

Queres provar?

- Tio Rick! - Espero não estar a interromper.

Não, ele tem de ir dormir. Vá lá. Toca a andar.

Vai lá.

Sabes, Ricky, há dez anos,

paguei 3 mil dólares por esta garrafa e, agora, ela vale 15 mil.

Se a encontrares.

Mas…

… combina muito bem com a humilhação que acabei de servir à Benitez.

Vamos fazer o anúncio juntos, na câmara municipal.

Ouve, Marty.

Vais saber disto em breve.

- A vizinha do Nile, a Agatha Wiggs… - Não quero saber do livro.

Ela é procurada por homicídio.

- O quê? - Sim.

Desapareceu um rapaz da região. Foi notícia, há umas semanas.

Achavam que ele se tinha afogado.

Esta noite, encontraram o corpo dele na casa da Wiggs.

Ela fugiu antes de eles chegarem.

Por isso, o livro não vai ser um problema.

Talvez dê uma lição ao Nile sobre em quem pode confiar.

Ele escolhe as pessoas a dedo.

Sim.

- Encontraram o corpo em casa dela? - Sim.

Como?

O Nile fez a denúncia.

Acho que…

… ele viu alguma coisa.

Estás a mentir-me, Ricky.

Não estou nada.

- Estás, sim. - Porque te mentiria?

- Estás a ver? - O quê?

Esfregaste o nariz com o polegar.

- É o teu tique. - Vá lá.

Não me digas que não estás a mentir.

Acalma-te. Pensei que ias querer saber. É uma história surreal.

Olha para mim!

Diz-me que porra se passa.

Foi o Nile? Ele voltou a fazê-lo?

- Se me mentires agora… - Eu tratei de tudo.

Filho da puta!

Ouve-me. Marty.

Ele não vai parar.

- Não faças isto agora. - Ele não vai parar.

- Ouve-me. - Ele nunca vai parar.

Ouve-me! Estamos bem, está bem?

- Tu pressentiste que isto ia acontecer. - Não importa.

O que importa é que ele veio ter comigo. Nós tratámos de tudo.

Estou a dizer-te, o Nile não tem ligação a este tipo.

Nenhuma.

Então, porque o fez, Ricky?

Porque ele está doente, Marty!

Porque ele não consegue evitar!

- Tens de confiar em mim. - Não.

- Eu protegi-te. Eu protegi-nos. - Não.

Não precisas de fazer nada.

Não tens de dizer nada.

Marty, o que se passa? Marty?

Marty!

Marty!

No início, pensei que estava a imaginar.

Bebemos uns copos. Não estava no meu juízo perfeito.

E fui ao andar de cima para mijar.

E ouvi um barulho.

Uma pancada vinda do quarto do filho.

Abri a porta, ela apareceu e disse: "Não podes entrar aí."

Vi-o nos olhos dela.

Não era dor.

Era medo.

E algo em mim soube.

Não consegui esquecer isso, por isso, hoje, liguei à polícia.

Não…

Não consigo perceber.

As pessoas passam-se.

Ou talvez ela sempre tenha sido assim.

Nunca sabemos como as pessoas são.

Porque te convidou para casa dela, se ele estava lá em cima?

Talvez quisesse o meu ADN. Quem sabe?

Estava a tentar tramar-me.

Usando-me e ao livro para encobrir o que ela tinha feito.

Eu era o bode expiatório perfeito. É um papel que conheço bem.

O vizinho louco.

Sabes isso melhor do que ninguém.

Estás bem?

Sim.

Estou só cansada.

Devias deitar-te. Foi um dia longo.

Sim.

Aquilo que disseste foi a sério?

Sobre quereres o bebé?

Claro que sim.

- Sei que não fazia parte do nosso plano. - Os planos mudam.

Vamos deixar-nos ir.

O que se passa?

A Lila está a ligar. Sim?

Em que hospital?

Conseguimos estancar a hemorragia, mas é crucial controlarmos o inchaço.

O que se passa? Sou filho dele.

- Estava a falar do estado do seu pai. - Recomece.

O seu pai teve um ataque hemorrágico.

Os vasos sanguíneos que se romperam causaram uma hemorragia significativa.

Estamos a tentar controlar o inchaço através do coma induzido.

Não é isento de riscos,

mas a pressão no cérebro pode ser fatal.

Obrigado.

CONTACTOS

Foda-se!

Não, foda-se!

O meu piloto desapareceu!

Cooper, chega! Desculpe. Vou levar o meu filho a uma consulta.

Pode repetir a pergunta?

O seu pai disse-me que já não se falam. Gostava de saber…

Também não falávamos muito antes do livro.

Certo, mas falavam?

- Ligava-lhe duas vezes por ano. - Quero o meu piloto!

No Natal e no aniversário dele.

- Preciso dele. - Ele nunca se lembrava do meu.

- Vá lá, querido. - Quero o meu piloto!

Vamos buscá-lo mais tarde.

- Se for má altura… - Não, está tudo bem.

- De que estávamos a falar? - De ter deixado de falar com o seu pai.

O meu piloto desapareceu.

Ele até me processou.

Disse que eu andava a lucrar às custas dele… Caraças!

O quê?

Bom dia.

Olá, Jim. Como estás?

Tommy, anda cá. Ajuda-me a mover estas paletes.

Espera aí, vou já.

Vamos enviar estas paletes hoje.

Leva estas duas para o barracão.

TALVEZ: AGATHA WIGGS

Estou?

- Erika? - Sim.

É a Aggie Wiggs. Porque não me ligaste?

Mostraste o diário da Madison ao teu patrão?

Estou?

Estás a ouvir-me?

Desculpa?

Quem fala?

Acabei de te dizer. É a Agatha Wiggs.

A polícia anda à minha procura e preciso mesmo da tua ajuda.

Não sei do que estás a falar.

Mas que merda? O que se passa?

Porque…

Certo.

Eles apanharam-te.

Estão a ameaçar-te?

Está bem.

Ouve-me, por favor.

Devolve-me o diário.

Para mostrar à polícia quando me entregar.

É tudo o que tenho.

Desculpa, mas não posso.

Erika, por favor.

Erika?

Ele planeava estar lá amanhã,

no anúncio da Benitez.

Por isso, vou eu.

A imprensa vai adorar.

Queres dizer-me alguma coisa?

O teu pai está a lutar pela vida. E tu estás a pensar nessa merda.

- Estou a pensar no legado dele. - Ele está aqui por tua causa.

Percebes?

Ele sabia que eu estava a mentir.

E a encobrir-te.

Como tenho feito durante toda a tua vida miserável.

Cuidado, tio Rick.

Desde que saíste do ventre da tua mãe, tens tentado matar o teu pai.

Talvez ele tenha demorado 50 anos a ver o que realmente és.

Eu sempre soube.

Ele apoiou-te vezes sem conta. Mesmo quando lhe disse para não o fazer.

Não o merecias.

Nada mesmo.

Senta-te, Rick.

Olá.

Olá. Como estás?

Estou bem.

Eu…

Dormi algumas horas.

Isso é bom. E o teu pai?

- Há novidades? - Só saberão mais quando sair do coma.

Isso pode demorar semanas ou meses.

Pensei em ir ver a Lila antes de voltar para o hospital.

Não precisas de vir, Nina.

Eu quero estar contigo.

Não ias ter uma reunião com um dos teus artistas?

Vamos preparar uma exposição nova, mas a Elise trata de tudo.

Não. Devias ir.

A sério. Aqui só nos resta esperar.

E o meu tio está colado à cadeira ao lado da cama do meu pai.

Não precisas mesmo de mim?

Vemo-nos em casa logo.

Amo-te.

Também te amo.

Mais alto, talvez?

Sim. Claro, se quiseres.

- Sim, senhora. - Está bom.

Tens medo que Dachau seja um assunto desagradável para os colecionadores?

Para alguns, talvez. Mas é isso que o torna tão poderoso.

Os meus avós viveram na Baviera em 1933.

A menos de dois quilómetros do campo.

Conseguiam ver o fumo,

ouvir os gritos

e alegaram que não sabiam o que estava a acontecer.

É incrível o que escolhemos ver.

Vou fazer um café. Queres um?

Sim, por favor.

112, qual é a sua emergência?

Fala a Agatha Wiggs. A polícia anda à minha procura.

Estou pronta para me entregar.

- Credo! - Não te vou magoar. Só quero falar.

A polícia vem a caminho. Eu liguei-lhes.

Podes verificar, mas não temos muito tempo antes de eles chegarem.

Ouve-me. Eu não matei o Teddy Fenig. Juro.

Juro pela memória do meu filho.

Os inocentes não fogem.

Eu sabia que ninguém acreditaria.

Mas esperas que eu acredite.

Porque, lá no fundo,

ou talvez não tão lá no fundo, uma parte de ti sabe que foi o Nile.

Ele matou o Teddy,

tal como matou a Madison e sabe-se lá quantas pessoas mais.

- A Madison suicidou-se. - Não.

O bilhete de suicídio que o Nile deu à polícia

foi escrito dois anos antes.

Eu tinha provas.

Dei-o a uma agente do FBI, mas ela foi apanhada.

Pelo Nile, pelo pai dele ou pelo tio.

- Não. - Estão a protegê-lo.

Tal como sempre fizeram.

E talvez devesse pensar que tu também o fazes, mas não me parece.

Porque eu vi como ele olha para ti.

A forma como ele fala contigo.

Ele não te respeita o suficiente para ser honesto contigo.

Acho…

Acho que acreditas na mentira

e acho que ele te ressente por isso.

Escuta.

Eu sei como é acreditar numa história.

Eu passei os últimos quatro anos a pensar que o Teddy Fenig matou o meu filho,

porque, sim, ele tinha bebido, mas eu…

Eu também tive culpa.

Contei a mim mesma a história que precisava de ouvir para sobreviver.

Tal como tu estás a fazer agora, mas isso não te manterá segura.

Nina, por favor, uma parte de ti sabe que tenho razão.

E tu sabes como isto acaba.

Agatha Wiggs!

Está presa por homicídio. Tem o direito de permanecer em silêncio.

Tudo o que disser pode ser usado contra si em tribunal.

Se não puder pagar um advogado, ser-lhe-á atribuído um.

Olá.

- Olá. - Está tudo bem. Acabou.

Passaste por muito.

- Meu Deus! Estás a tremer. - Sim.

A polícia disse que foi ela que ligou.

Não me disseste isso.

O que é que ela queria?

Eu preciso mesmo de me despir.

Vais dizer-me o que aconteceu?

Prenderam-na.

Antes disso.

Céus! Ela apareceu do nada.

Fui ao meu escritório para tirar um café e…

Quando me virei, ela estava a bloquear a porta.

Credo!

Ela disse que tinha chamado a polícia.

Disse que queria falar comigo antes de eles chegarem.

Para dizer o quê?

Que não foi ela.

Que foste tu.

A mesma história que ela vai contar à polícia.

E disse que mataste a Madison.

E ela achou que ias acreditar nela?

Nina?

Há algo que nunca fez sentido.

Na noite em que a Maddie desapareceu, nós tivemos uma discussão.

Horrível.

Ela disse…

… coisas muito feias.

Ela estava doente. Ela…

- Ela não estava em si. - Eu sei.

Eu sei. Ela era a outra Madison.

A que assumiu o controlo quando não estava bem.

Mas o bilhete dela

mostrou o oposto.

Transmitia…

… paz

e amor.

Ela citou a Emily Dickinson.

Não estou a perceber.

Dizer-me as coisas cruéis que me disse e, depois, matar-se.

Deixar que aquilo fosse a última coisa

que ela…

Nunca entendi isso.

Até agora, talvez.

Ela escreveu-o naquela noite?

A Aggie disse que não.

A Aggie disse?

Ela disse que o bilhete que eu encontrei era de antes,

de quando a Maddie tomou os comprimidos.

Ela disse que tinha provas.

Que tipo de provas?

Ela tem razão?

Foste tu?

O quê?

Mataste-a?

Porque me perguntas isso…

… agora?

Porque nunca o fiz.

Porque eu mereço saber.

Não vou fazer isto.

- Não me vires as costas. - Não vou discutir contigo.

É uma pergunta muito simples. Responde-me.

Tu sabes a resposta. Sempre soubeste.

- O que significa isso? - Que tu não és burra.

Quero dizer, talvez sejas.

Tu mataste-a.

Tu mataste-a.

Olha para mim!

Pelo menos, tem tomates para o dizeres na minha cara!

Claro que a matei!

Fiz exatamente o que tu querias!

Senão, porque me contaste sobre ela e o Abbott?

O que achaste que aconteceria?

Não queria isso.

Não querias isto?

Não querias?

Não querias?

Claro que querias, porra!

Porque tu a odiavas!

Ela era uma cabra egoísta, sempre a fazer-se de vítima,

que abusou de ti e, depois, traiu-nos a ambos.

Credo! Pareces a Aggie.

Falou mal do Fenig. Ela queria que ele sofresse como ela.

- Mas falou por falar. - Meu Deus!

E, depois, fingiu que ele não teve o que mereceu.

Mataste o Fenig.

Meu…

Nina, não sou o único com isto dentro de mim.

Porque temos olhos à frente e dentes afiados.

Somos predadores.

Fodemos, caçamos, matamos, cagamos e gostamos.

Todos nós.

Se me quiseres julgar, se quiseres enfiar a cabeça na areia

e dizeres "eu não sabia", tudo bem, mas não me olhes assim.

Não venhas com essa hipocrisia e esse fingimento.

Como se não tivesses tudo o que querias.

Tudo.

Meu Deus!

Estou tão cansado.

Estou tão cansado.

Porque, toda a minha vida,

tudo o que fiz foi lutar sem parar.

És a minha mulher.

És a mãe do meu filho.

Não me quero esconder mais.

Não quero.

Não de ti.

Não tens de o fazer.

Por favor, deem-me a vossa atenção.

Obrigado.

A membro do conselho, Benitez, vai responder a perguntas após o anúncio,

mas ela pediu ao Sr. Jarvis para vos dar algum contexto.

Já devem saber

que o meu pai sofreu recentemente um AVC catastrófico.

Obrigado a todos, pelas vossas orações, desejos de melhoras

e por terem vindo tão em cima da hora.

- Vim reafirmar que a minha família é… - Quanto lhe está a pagar?

Ela é uma vendida!

Vá lá! Isto é corrupção!

Ela é uma vendida!

- Isto é corrupção! - Por favor!

- Isto é corrupção! Por favor! - Sabem…

Aquilo é o exemplo perfeito

de que, quando ficamos tão polarizados,

não conseguimos estar no meio-termo.

Sim, é verdade, muitos de nós no setor privado fazem parte do problema.

Também temos de responsabilizar os nossos representantes.

Sobretudo os políticos a quem falta a coragem das suas convicções.

A Olivia Benitez, por outro lado,

é uma líder que não tem medo de tomar uma atitude e de se manifestar.

Claro que a sua oposição inicial contra o Jarvis Yards

nem sempre foi fácil de ouvir,

mas ela captou a minha atenção

e inspirou-me a fazer algo em concreto.

Por isso, hoje, anuncio a minha doação

de um quarteirão não desenvolvido ao Fundo de Terras de Manhattan

para a construção de 300 unidades habitacionais.

A Olivia vai falar-vos da cronologia

e dos detalhes,

por isso, obrigado por me ouvirem e obrigado, Vereadora Benitez,

pela sua liderança.

É verdade. Eu e o Nile Jarvis discordamos em muita coisa.

E começámos com o pé errado, mas conseguimos encontrar um meio-termo.

Eu disse-te que não tinhas de vir.

Eu quis vir.

Quanto é que ouviste?

Tudo.

Como me saí?

Nile vintage.

Posso ter exagerado um pouco com a responsabilidade,

mas esse é o preço a pagar pelo regresso, estou de volta.

- Nina, estamos de volta. - Não.

Vê o teu telemóvel.

Porquê?

Deixei-te uma mensagem.

DE NINA: 1 ÁUDIO

ÁUDIO NOVO

Tu mataste-a.

Olha para mim!

Pelo menos, tem tomates para o dizeres na minha cara!

Claro que a matei!

Fiz exatamente o que tu querias!

Senão, porque me contaste…

Nos últimos dias…

O que achaste que aconteceria?

Nunca mais me vais tocar.

Nem no meu bebé.

Nile Jarvis, está preso. Tem o direito de permanecer em silêncio.

Tudo o que disser poderá ser usado contra si num tribunal.

Sr. Jarvis, quer comentar?

Sr. Jarvis, quer dizer alguma coisa?

No início, o Nile gritou a sua inocência.

Insistiu que a gravação foi adulterada e jurou limpar o seu nome.

O MONSTRO EM MIM

Mas a história ruiu quando o seu tio Rick decidiu colaborar

em troca de uma sentença mais leve.

O Rick deu às autoridades mais do que o suficiente para a detenção.

Mas não antes de garantir

de que o irmão não veria a destruição do seu império.

Polícia! Mãos no ar!

No final, o Nile não contestou as acusações.

Apanhou três penas perpétuas consecutivas sem hipótese de liberdade condicional.

Só lhe restava matar o tempo.

E apenas uma visitante para o ajudar a fazer isso.

Olá, vizinha.

Como estás?

Melhor do que tu, suponho.

Não sei. Tenho lido muito e meditado. Não é assim tão mau.

Como está Oyster Bay?

Na verdade, vendi a casa.

Sim. Estava na hora.

Conseguiste um bom preço?

Precisava de muitas remodelações.

O livro ainda não está terminado.

Mas pensei que talvez tivesses mais a dizer agora que…

Pensei em dar-te a última palavra.

Merda, que generosa!

Posso gravar?

Não funcionou muito bem para mim da primeira vez.

Obrigado por perguntares.

É ético.

Ao contrário da Nina?

Ela não é uma heroína.

Sabes?

Ela só queria o meu dinheiro. É sempre assim.

Ela é uma sobrevivente. É como aqueles gatos vadios.

Bem…

Duvido que seja assim tão simples.

Ela viu uma hipótese e aproveitou-a.

Ou talvez tivesse consciência.

Tu não és assim tão ingénua.

Nem ela,

pelos vistos.

Então, de que mais queres falar?

O que queres saber que ainda não sabes?

Parece-me que já me conheces bem.

Quero saber o que vês,

quando te olhas ao espelho.

Deixa-me perguntar-te uma coisa.

Como foi ver o Teddy?

Ficaste surpreendida?

Fiquei aterrorizada.

E?

E enjoada.

Ainda tenho pesadelos.

Mais nada?

Aggie.

Nós fizemos aquilo.

Juntos.

Ambos.

Achas mesmo que somos iguais.

Não somos.

Mas aqui estás tu.

Não te fartas de mim, pois não?

Porquê?

Não te importas com o que vejo ao espelho.

Queres saber como é, não queres?

Vais dizer-me?

Falámos durante quase três horas.

Até a nossa visita ser interrompida pelo diretor.

Regras são regras.

E tínhamos planos para voltar a falar. Mas não estava destinado.

Pelos vistos,

o tio Rick não queria deixar o Nile a viver na prisão para sempre.

Nenhuma jaula seria suficiente.

Então, cobrou um último favor a alguns velhos amigos.

E o que devemos pensar da morte dele?

É justiça cármica?

Um final feliz?

A vingança é sedutora,

prometendo uma linha clara entre o bem e o mal.

Mas é uma ilusão.

Eu sei porque senti a sua atração.

Depois de perder o meu filho,

encarei a vingança como uma segunda dor.

Uma companheira sagrada.

Contei a mim mesma uma história sobre o certo e o errado.

Sobre castigar os culpados.

O Nile cheirou a minha sede de sangue

e deu vida a essa história.

Ele absorveu a minha raiva

e, como um anjo negro, concretizou um desejo demasiado horrível para nomear,

deixando outra mãe a chorar o filho.

Outra raiva para crescer sem controlo.

Vingança a gerar vingança.

Uma ferida…

… que nunca sara.

Eu sou cúmplice neste ciclo.

As minhas mãos estão longe de estar limpas.

Olá.

- Vieste. - Claro.

Aggie, esta é a Meg.

É bom conhecer-te, finalmente.

- Igualmente. Parabéns. - Obrigada.

É fantástico. Eu sei que sabes isso, mas…

Mas ela nunca se cansará de o ouvir.

Meg, esta é a minha editora, Carol.

- Olá. Muito prazer. - Olá.

Cada fim é um começo.

Viramos a página, mas não podemos fugir à nossa história.

E é isso que os budistas querem dizer com "carma".

Para eles, o carma não se trata de vingança cósmica.

Não se trata de uma vingança do Universo.

Para eles,

o carma são sementes que plantamos.

O meu amorzinho.

Sementes que passamos.

Sim.

Colhemos o que semeamos

nesta vida ou na próxima.

O carma é a nossa herança

e o nosso direito inato.

Sim.

Mas, seja qual for a nossa definição preferida,

o Nile tinha razão numa coisa.

O carma é fodido.

O MONSTRO EM MIM

Está tudo bem.

Tu estás bem.

Legendas: Maria João Fernandes

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