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EDITORA TATTILO
Passando às notícias criminais.
A polícia revelou os detalhes da violenta briga de bar em Esquilino.
Dois hospitalizados com queimaduras e um por espancamento.
O bar é um famoso ponto de encontro para homossexuais,
que por isso virou alvo de um grupo de…
Lella, por que estamos no escuro?
Não sei. Ordens da Sra. Tattilo.
É isso que fazemos? Economizar nas contas?
Parabéns pra você
Nesta data querida
- Você me pegou? Muito bem. - Muitas felicidades, querido editor
Muitos anos de vida
- Faça um pedido. - Faça um pedido.
Pode ser nossa última festa.
Se nos forçarem a mudar de nome, perderemos muitos contratos publicitários.
Bem, encontraremos novos.
O que as pessoas vão pedir na banca?
Quando se acostumarem com um novo nome, já teremos fechado.
Se perdermos a apelação, terá que demitir. É a única solução.
Editor.
Quer dançar?
Aqui está ele!
Feliz aniversário, editor!
Queria saber como você estava.
Tenho algo para pedir. É o único que pode me ajudar.
Onde arrumou isso?
Gianluca me deu. Me pediu para guardar para ele.
Não sei o que fazer, pensei…
Que eu era tão idiota para deixá-la esconder aqui?
Lorenzo…
Não consigo dormir.
Vá para a cama, estou indo.
Vou até ela. Vá para casa.
SRA. PLAYMEN INSPIRADO EM UMA HISTÓRIA REAL
Feliz aniversário.
Obrigado.
Achei que estivesse bravo comigo.
Claro que estou bravo.
Você foi embora e deixou o coitado apanhar.
O que eu poderia fazer? Viu quantos eram?
Você não correu para evitar entrar na briga.
Teve medo que um de seus velhos amigos o reconhecessem.
E descobrissem que você é bicha.
- De jeito nenhum. - Bom dia.
- Bom dia. - Bom dia.
Já trabalhando?
Temos algumas ideias, mas nada de bom.
Na verdade, podemos ter uma boa.
O que é?
A revolução.
- Quer ir para a rua? - Outro tipo de revolução.
Travada entre os lençóis, não nas ruas.
Pílula anticoncepcional.
O parlamento aboliu o artigo do código que a proibia.
- Cadê a revolução? - O uso é permitido.
Se produzir ou vender, vai preso.
Uma amiga tem que comprar ilegalmente na Suíça.
- Inacreditável. - É isso que é revolucionário.
Pela primeira vez, uma mulher pode escolher ser mãe
sem depender do acaso ou de um homem.
"Livre para gozar. Livre para amar." Que título, hein?
Não sei sobre o título, mas o assunto é interessante.
Mas talvez nosso editor não esteja convencido.
Acho que uma pílula não basta para se sentir livre.
Depende da pílula.
É exatamente o que eu quero na próxima edição. Opiniões conflitantes.
Pessoas que pensam diferente.
Podemos entrevistar alguns padres, até as freiras.
Por que não?
Senhora, o advogado Lanza está aqui.
Ah.
Más notícias de Nova York.
O juiz americano decidiu a favor do Hefner também.
A Playmen não pode ser lançada nos EUA a menos que mude de nome.
A decisão americana pode ser considerada um precedente para um juiz italiano?
Não juridicamente.
Mas dá uma vantagem à nossa contraparte.
Então está feito. Vamos perder.
Não necessariamente, mas será mais difícil agora.
E a sua ideia, de que não copiamos nada
porque não há nada para copiar?
Nosso advogado diz que não temos bons argumentos para o caso.
Só porque não foi ideia dele.
Há um centro de estudos americanos em Roma,
com uma biblioteca em inglês.
E daí?
Em que o Sr. Balsamo se inspirou para criar a Playmen?
Um pouco pela Playboy, é claro.
Claro.
E se a Playboy foi inspirada por outra coisa?
Talvez encontremos revistas ou jornais na biblioteca
que falem sobre a Playboy e suas origens.
Mas eu não falo inglês.
Adelina me disse que você precisa de ajuda?
Sim.
Bom. Consegue andar de moto?
- Por quê? - Não precisa ir ao centro de estudos?
Vou pegar as coisas.
- Eu sei, elas têm o mesmo efeito em mim. - Mas não deviam ter em mim.
Muito prazer, Padre Rocco.
Ah.
Muito prazer. Steve Magenta.
E… o que o traz aqui?
Vou fazer um nu total.
Estou brincando. Fui chamado pela dona.
Vejo que já se conheceram.
Oi.
Venha comigo.
Vamos?
Vamos.
Por que me chamou?
Gostaria que escrevesse um artigo
sobre a pílula anticoncepcional para minha revista.
Sei que a Igreja acha que a pílula é um pecado. Eu sei.
O Papa permite para propósitos terapêuticos.
Escreva sobre isso, então.
Quero um debate aberto e livre.
Muitas mulheres católicas leem a Playmen.
- Católicas como você? - Vai fazer ou não?
NOTÍCIAS
Tem estas também.
MULHER GUIA CELESTIAL PARA RAPAZES
Não há nada.
Não encontraremos nada assim.
São quase 20 anos de material para ler.
Vamos nos concentrar em julho de 1968.
Por que julho de 1968?
A Playboy publicou a primeira foto mostrando pelos pubianos em julho de 1968.
- Como sabe disso? - Li na Playboy italiana.
Foi um escândalo, extraordinário.
Tão extraordinário… que pode haver um artigo sobre isso.
Exatamente.
Então, 1968.
Sim, 1968.
Por que me chamou?
Para dizer que sinto muito por ontem. Eu deveria ter dito na hora…
Eu não devia ter aceitado nem trazido para você.
Tenho que ficar com ela até a manifestação de amanhã.
- E ele vai pegar de volta, é o trato. - Um trato de merda.
Para que ele precisa de uma arma na manifestação?
Não sei, está bem?
Errei feio. Eu sei disso.
Venha.
Vamos devolvê-la amanhã.
Então chega de errar.
Olhe isso.
O SEGREDO POR TRÁS DO TÍTULO DA PLAYBOY
Interessante.
A biblioteca vai fechar. Têm que colocar tudo de volta.
Obrigado.
- Podemos ir. - Podemos ir.
Elsa.
Como vai?
Soube que o julgamento é em alguns dias.
O julgamento contra a Playmen é amanhã.
Estou falando do seu.
Contra Ettore.
- Quer que eu vá com você? - Não, obrigada.
Se esta foto for mesmo o motivo, há algo que precisa saber.
Ela não diz a verdade.
A garota não tem nada a ver. Estou tentando deter um homem armado.
Ele está fora do quadro. É ele. Só dá para ver o pé dele.
- Por que o mandaram para a Costumes? - Tenho temperamento ruim. Fiz inimigos.
Mais um inimigo não é problema.
Com licença, Lella.
Poggi veio hoje?
Sim, ele veio.
Ele tinha que revelar algumas fotos, mas não subiu.
Editor, estou indo embora, mas tem um homem lá em cima,
ele diz que é um amigo do exército.
- Pedi para ele esperar na sua sala. - Ótimo.
- Obrigado, pode ir. Vou fechar. - Boa noite.
- Eu não viria se não fosse urgente. - Tudo bem. Fale.
Há algumas fotos perigosas circulando.
SIGILOSO
É o ministro.
Há mais, onde ele tem intimidades com um jovem.
E como posso ajudá-lo?
Digamos que seu conhecimento do ambiente pode ajudar.
Temos que achar os negativos. E a pessoa que os pegou.
Não pode fazê-lo renunciar?
Encontre as fotos.
Estará prestando um serviço à nação e à sua carreira também.
Não se cansa de escrever para uma revista de punheteiros?
Playmen é muito mais do que isso.
É, mas… Sei que não gostaria de estar aqui.
Onde acha que eu gostaria de estar?
No Corriere della Sera, por exemplo.
Mas tem que achar essas fotos.
Entre.
Posso? Vi que a luz estava acesa.
Venha.
Posso pedir uma opinião técnica numa foto?
- É pessoal. - Confia em mim?
- Eu não… - Confio em você como fotógrafo.
Me mostre.
Aqui. Acha que é possível
que o policial estivesse mirando fora do quadro e não na garota?
Sim, quero dizer…
Vê o olhar dele?
Direcionado para fora. A trajetória do braço também.
E tem um pé aqui.
Significa que havia alguém lá.
É possível.
Obrigada.
Nada, esta não funciona. Deve haver uma caneta em algum lugar.
Por que está no meu quarto?
O que é isso?
Mexeu nas minhas coisas?
Não. Estava procurando um lápis e…
Enfim, sou sua mãe e posso fazer isso.
Não sabia que minha mãe era intrometida.
Onde conseguiu?
- Um amigo me deu. - Um amigo?
Gianluca, tá? Você o conhece. Da festa do Lorenzo.
Só vou ficar com ela até a manifestação. Não se preocupe.
Claro, por que me preocupar?
Anna, está se ouvindo?
- Anna, me dê! - Não…
Faremos o seguinte. Vou ligar para a polícia e denunciá-lo.
Cuide da sua vida e pare de ser uma cretina.
Quer me delatar também?
Anna!
Anna!
- Vai! - O que foi?
Vai! Mandei você ir! Vai!
Anna! Anna…
Adelina.
Podemos conversar?
- Tenho que ir trabalhar e depois… - Por favor.
O que houve?
Uma para agora e outra para depois. Eu adoro.
Obrigado, Lella!
Alô?
- Elsa. - Acho que encontramos.
A revista de Hefner tinha outro nome antes de Playboy.
Igual a outra revista. Steve traduziu tudo.
Sim, mas precisamos da sua ajuda agora. Tem que falar com seu amigo policial.
- Por quê? - É sobre Lorenzo.
Ele está envolvido em algo grande e talvez esteja em perigo.
É importante, senão eu não pediria.
POLÍCIA
- "Fanucci, junto com…" - "Fanucci…"
"… junto com…"
Podemos conversar?
Enfim, talvez tenha razão.
Sobre a foto.
É possível que não estivesse mirando na garota, mas em alguém fora do quadro.
Aqui está.
Temos um Gianluca Riva.
Idade: 21 anos, impressões digitais pela Polícia Política.
"Considerado próximo do Potere Operaio."
Ele mora na Vico Santo Spirito, 3.
- Perfeito, direi à Tattilo. - Espere.
Ele é suspeito de ter atirado num estudante de direita
durante um protesto universitário.
Esse cara é perigoso. Ele quase matou alguém.
Vou à casa dele.
- O que digo à Tattilo? - Para não fazer nada. Eu resolvo.
Tenha cuidado.
Alô?
De Cesari encontrou o endereço. Vico Santo Spirito, 3.
Você vai ao tribunal e nos encontramos mais tarde.
Não, De Cesari vai para lá, ele disse para não fazer nada.
Por quê?
Elsa, me diga por quê.
Esse Gianluca atirou no joelho de alguém.
- Tenho o endereço. Vamos. - O julgamento?
- Vão vocês. Eu vou depois. - Como assim?
- Vamos. - Já vou.
- Já estão começando. - Sim.
- Trouxe tudo? - Sim.
Estão presentes a Playboy Enterprises, através de seu advogado, Faccini,
e a acusada, a Editora Tattilo…
- Leia. - …representada pelo Sr. Lanza.
O que é isso?
- Vamos ouvir o Sr. Lanza. - Leia, tem uma tradução dentro.
Advogado, está pronto?
Sim.
Então…
Meritíssimo,
realizamos uma pesquisa extensa pelo termo "play".
Vamos parar com essa farsa!
Sem revolução, sem luta armada!
É por ali.
Temos um artigo importante aqui, argumentando que,
antes de se chamar Playboy,
a revista de Hefner tinha um nome diferente.
Infelizmente, era o mesmo de outra revista.
O próprio Hefner foi acusado de plágio
e teve que achar outro nome rapidamente.
E onde ele o conseguiu, Meritíssimo?
Da Companhia de Automóveis Playboy em Buffalo, Nova York.
Finalmente.
Então, não copiamos nada,
já que não havia nada para copiar.
Parado!
Polícia.
- Lorenzo! - Anna!
- Mãe! - Meu Deus.
Socorro!
- Sim! - É!
- Querem ir com ele? - Liguem para o Vincenzo, por favor.
Lorenzo? A garota?
- Estão bem. - Precisamos comemorar duas vezes.
Ganhamos.
O que foi? O que está havendo?
Não está feliz?
Claro que estou.
O problema é que… De Cesari estava lá.
E…
Inspetor De Cesari. Como ele está? Quero vê-lo.
Desculpe, a polícia ordenou não deixar ninguém entrar.
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
Vou para casa. Fez um ótimo trabalho.
Fez um trabalho ainda melhor acreditando nela desde o começo.
Obrigada.
Obrigada.
- Vamos para casa? - Sim.
Isso é uma festa ou um funeral?
Eu esperava uma música para comemorar a vitória.
Enfim…
Eu cuidei do champanhe.
Achou um cara bonitão e em forma.
Jovem, acima de tudo.
Segui seu exemplo. Por que está aqui?
Os advogados disseram que não corro perigo de ser preso.
- Saiu-se bem. Salvou nossa revista. - Desde quando é nossa?
Na verdade, você só tem uma parte das ações,
enquanto eu tenho a maioria e ainda sou o dono.
Mas quer saber? Ainda prefiro dizer que é nossa.
Sim.
Vamos brindar.
Você e eu.
Um policial
ficou gravemente ferido durante uma operação antiterrorismo.
O agente está hospitalizado no Fatebenefratelli.
Estão atrás do atirador, um jovem estudante já identificado.
E agora, notícias internacionais. Nova York…
Como está?
- Teve notícias da Anna? - Ela não atende.
Ela ficou chocada quando viu o que…
Amor, precisa assinar seu depoimento na delegacia amanhã.
É importante.
Esse policial pode morrer. Tem que contar a eles tudo o que sabe.
Espere.
Seu pai está em Roma.
Bom. Para que o prendam. Ele é quem deveria estar na cadeia.
Ele está livre.
Ele voltou para ficar.
Estou cansado.
Não quero discutir.
Não vim discutir.
Ainda estou bravo. E decepcionado.
Mas percebi que não posso desistir de você.
Eu tentei.
Mas não posso.
Também não quero perder você.
- Mas é difícil. - Vamos embora.
Vamos para onde não precisemos nos esconder. Para os EUA.
San Francisco?
Como vamos ganhar a vida?
Não precisa se preocupar com o dinheiro.
Deixe comigo. Tenho fotos importantes que pagarão bem.
Que fotos?
São…
fotos de um ministro. Com uns garotos.
Se for sobre política, cuidado. Pode ser perigoso.
Por que não me dá? Posso tentar vendê-las.
Já achei um comprador.
Está fechado.
Só resta sua escolha.
Bom dia.
Não tem reunião hoje?
Está em andamento. Saro, Chartroux e Selva.
Saro só queria eles.
Ele disse que nossa presença era inútil.
Saro, obrigado.
- Obrigado. Até mais. - Até logo.
Ei!
- Adelina. - Bom dia.
Bom dia para você.
Chartroux, não tenho certeza sobre o posicionamento desta foto.
Por que Rossetti estava aqui?
Podemos parar de discutir na frente da nossa equipe?
Certo, senhores, por favor…
- Sente-se, Sra. Tattilo. - Prefiro ficar de pé.
Rossetti está me ajudando a encontrar escritórios
em Milão.
- Quer levar a Playmen para Milão? - Não quero.
Então para quê?
Comprei uma revista chamada Le Ore, quero fazer algo diferente.
Vamos dizer…
para um alvo mais transgressor.
Mais para homens.
Por isso voltou. A revista e seu nome estão salvos, então você vai…
Vendê-la. Sim.
Para quem pagar mais, na verdade. E isso graças aos seus esforços.
Seus esforços.
- Não pode. - Como?
Não pode.
- Quem disse? - Eu.
Acha que o que quer vale alguma coisa?
Senhores, estamos todos demitidos.
Não. Por quê?
Fizeram um excelente trabalho apesar de eu não estar aqui.
Não, quero todos vocês aqui.
Ainda podemos ser uma ótima família.
DECIDIR - VIVER - AMAR - CURTIR
Assim.
De novo.
- Deixe-me ver. - O que vai fazer?
- Não sei. - Abra.
- Não quero vender. - Certo.
Acima de tudo, não quero ir para Milão.
Podemos ir para os EUA.
Poggi recebeu uma oferta de trabalho em San Francisco.
Talvez eu possa fazer o mesmo.
- É um lugar legal. - Não se mexam.
É quente, tem mar. E neblina também, certo?
Certo. Virem-se agora.
Não ficaria triste se eu fosse embora?
Claro que sim.
Quando trabalhamos na edição dos Casati, fiz uma pergunta.
"Quem queremos ser?"
É isso que importa.
Elsa.
Como ele está?
Não sei. Não me deixaram vê-lo.
Sinto muito pelo que aconteceu.
Talvez eu não devesse ter…
Não, não é culpa sua. É por causa da garota.
Elsa.
O Sr. Balsamo quer vê-la na sala dele.
Vou com você.
Esta é a sua indenização.
- O que está fazendo? - Demitindo-a.
- Elsa é uma das melhores colaboradoras. - Sim, e espiã também.
Você deu informações ao promotor.
Sabiam das fotos de Kennedy por sua causa.
Mas também tenho amigos lá. Pegue suas coisas e vá embora.
Não, espere.
Não era uma família?
Exatamente. Não somos mais casados. Estamos nos separando.
Tenha todos os casos que quiser. Está livre, sabia?
Mas ainda podemos ser um casal de sucesso no trabalho.
E para isso, não podemos confiar em pessoas como ela.
Obrigado…
Elsa, certo?
Elsa?
Não se preocupe. Vou convencê-lo. Ele vai contratá-la de volta.
Concentre-se no seu julgamento agora.
A primeira audiência é amanhã, certo? Concentre-se nisso.
De Cesari vai se recuperar, vai ver.
Não pode desistir agora.
Ainda estamos aqui. Vamos conseguir. Porque somos iguais.
Não somos iguais. Você tem casa, emprego, filhos.
E eu? O que eu tenho? Mais nada.
Não é verdade. Eu ajudo. Farei qualquer coisa.
Você não pode mais fazer nada.
Por ninguém.
Obrigado.
As crianças?
Lorenzo saiu. Chiara está dormindo na casa de uma amiga.
É legal o que você fez.
Como você mudou…
a revista.
Fez um bom trabalho.
Os funcionários também?
Isso também.
Venda-me a revista.
- Como disse? - Falei com o banco.
Estão dispostos a me financiar para comprar todas as suas ações.
Sério?
Por que eu faria isso?
Por que não?
Vender para mim ou outra pessoa, qual é a diferença? Dinheiro é dinheiro.
Pegue e faça o que quiser com ele.
- Para eu fazer o que quero? - Claro.
Se eu posso fazer o que quero, então…
Deixe-me pensar…
Quer saber?
Não vou vender.
E pra você?
O jantar acabou. Obrigado.
- A Playmen é minha. - O quê?
- A Playmen é a minha revista! - Nada aqui é seu.
Nem nesta casa. Adelina, você precisa saber o seu lugar.
E onde seria?
Um passo atrás de você, o grande homem.
Você é só um pobre megalomaníaco
que foge, engravida garotas,
e abandona os filhos!
Megalomaníaco?
Eu, um megalomaníaco? Eu?
Você quer mesmo brincar de ser uma grande empreendedora?
O que foi?
Acha que pode fazer coisas com estilo
só porque você colocou um homem nu na capa?
Ou porque está transando com um garoto?
É isso que você é.
Você é filha de um motorista de bonde, Adelina.
Você não vale nada!
- Você não vale nada! - Pare! Saia!
Juro que mato você!
- O papai vai se acalmar. - Fora!
Mãe.
Não adianta sentar aqui como duas múmias.
Vamos, vá descansar.
Eu ligo, se for preciso. Sim?
Quem é você?
Um amigo da sua mãe.
Seu amigo está aqui. Ele quer saber como está.
Eu o chamo?
Não.
Fique aqui.
Sim.
O que houve com a Sra. Tattilo é verdade.
Sim.
Desgraçado.
Chartroux, precisamos conversar. Você, me traga um café. Rápido!
Ouça, ligue para o padre.
Diga que não queremos o artigo dele sobre a pílula.
Sente-se.
Então… quero colocar isso na próxima edição.
Gostaria de testar a reação dos leitores.
O que acha?
- Sua esposa não concordou. - Sim, mas minha esposa não está aqui.
Mas eu concordo com ela.
Não vou publicar isso.
O que quer fazer, Chartroux?
- Eu me demito. - Para onde vai? Quem vai contratá-lo?
Sou o único que te deu uma chance quando todos estavam te detonando.
Sabe quem vai contratá-lo?
Um jornal local, para escrever obituários.
Então, Chartroux…
para onde você vai?
Para onde vai, Chartroux?
Ei. O que está fazendo aqui?
Aconteceu alguma coisa?
Eu me demiti.
Que bom.
O comprador entrou em contato.
Vou encontrá-lo amanhã às 11h no Coliseu.
Ele está me oferecendo 20 milhões. Na verdade…
Ele nos ofereceu 20 milhões.
Então, vamos para os EUA.
Vamos para os EUA.
Você se lembra
se durante o encontro
houve ejaculação?
- Que pergunta é essa? - Responda. Sou eu que faço perguntas.
Senhorita, responda à pergunta.
Não me lembro.
A única coisa de que me lembro é que ele estava em cima de mim.
Fechei os olhos e depois fugi.
Então você não sabe.
Gostaria de enfatizar
que não há prova de ejaculação, sem falar na penetração.
Meritíssimo!
Advogado, isso não é seu argumento final. Se acabou…
Uma última pergunta.
Você não estava maculada antes daquele dia?
Você era virgem?
Não.
Pode sair, senhorita.
Solicito apresentar como prova a revista Playmen, ano 4, edição número 2.
- A revista não tem nada a ver com isso. - Tem a ver com a moralidade da jovem.
Minha cliente é a vítima.
A moralidade dela não tem nada a ver.
Eu me oponho à admissão desta prova por irrelevância!
Não é irrelevante. Mostra como meu cliente foi provocado.
A evidência foi admitida. Escriturário, registre.
Volte para casa.
E o papai, meus irmãos? As pessoas da vizinhança?
Sempre pensarão que eu mereci.
Eu, não.
Tenho orgulho de você.
Você lutou.
Você foi corajosa.
Mesmo que eles vençam, porque são mais fortes.
- Não, vá embora. - Deixe-me entrar.
Deixe-me falar.
Sinto muito.
Como está?
Perdi a cabeça. Sabe que não sou esse homem.
Agora é tarde demais. Vou denunciá-lo.
Escute.
Você e eu nos magoamos. Mas sempre começamos de novo.
- Não existe mais "você e eu". - Amor, por favor. Por favor…
Vejo você no tribunal, então.
Vou pedir a custódia das crianças.
Do que fala? Nunca deixarão você ficar com eles.
Isso é com o juiz.
Claro. Vou contar a ele tudo que fez comigo.
E que fugiu para o exterior com uma garotinha.
Direi que transou com um gigolô e o trouxe para casa.
E que nosso filho andava por aí com uma arma,
e que você nem notou.
Ele poderia ter sido morto. Sim, vou dizer a ele.
Quem sabe o que o juiz vai pensar de você como mãe.
Não ouse tocar nos meus filhos.
Pronto.
Concentre-se no que tem que fazer para mantê-los.
Mãe!
Eu vi o papai e fiquei preocupado. O que ele queria?
Ele queria se desculpar.
E me pedir para não denunciá-lo.
O que você disse?
Você aceitou.
Você ainda o ama.
É absurdo.
Anna pediu para você fazer coisas absurdas também.
Estar com ela enquanto ela estava com outro.
Ou ajudá-la a esconder uma arma.
Você fez, certo?
E a verdade é que…
quando você ama alguém, e você não quer perdê-lo,
faz coisas absurdas.
Sua mãe é louca.
Seu pai bate nela e ela o defende.
Mas é normal.
Os adultos são todos assim.
Só se importam consigo mesmos.
Vamos fugir.
Gianluca entrou em contato, ele vai para Paris. Me pediu para ir com ele.
Está louca?
Não podemos ficar.
- Se o policial morrer, vamos presos. - Não fizemos nada.
Trouxemos a arma, estávamos lá com ele.
Vão pensar que fomos cúmplices.
Venha comigo. Ninguém se importa conosco.
Nem a sua mãe nem a minha.
Ninguém.
Notícias das minhas fotos? Seu novo trabalho espera por você.
Obrigado, mas vou embora.
Com seu amigo? Aonde você vai?
Para os EUA.
Estados Unidos?
Quer construir uma nova vida?
Talvez ele possa.
Ele é jovem, vai se dar bem com os jovens como ele. Mas você? O que vai fazer?
Mario, Mario…
Pertencemos a outro mundo.
A revolução não é para nós.
- Oi. - Oi.
Como está?
Melhor, sim.
Vim dizer que, por enquanto, vai continuar escrevendo sermões.
Saro não quer que um padre escreva o artigo sobre a pílula.
Que bom.
Eu concordo com ele.
Um padre não deveria escrever sobre isso. Você deveria.
Eu?
A pílula é escolha da mulher.
As escolhas das mulheres são sempre difíceis.
Mas também são as mais corajosas.
Até as 23h.
- Aonde vai, senhorita? - Pare!
Senhorita? Aonde você vai?
- Aonde vai? - Quero ver Andrea De Cesari.
Não é possível.
- Quero vê-lo. - Quem é você?
Sou namorada dele.
Vá para casa.
Deixe-a em paz.
Deixe-a passar. Ela é namorada dele mesmo.
O QUE AS MULHERES QUEREM
Lella?
Bom dia, senhora.
O que houve? Por que está aqui?
Podemos conversar?
Claro. Entre.
Na verdade, vim me desculpar.
Pelo quê?
Por todas as vezes que a tratei mal e ajudei seu marido.
Acha que eu não sabia que ele estava saindo com Consuelo?
Você ligava no escritório, eu inventava desculpas para encobri-lo.
No começo, fazia isso porque achava que era o certo.
Mas eu estava errada e me sinto culpada.
Não é culpa sua.
Sim, é.
- Não vou mais proteger seu marido. - Como assim?
Cadê suas coisas?
Eu não vou.
E você não deveria ir.
É um grande erro.
- Vai arruinar sua vida. - Covarde de merda.
Você está com medo.
E você? Do que você tem medo?
Venha, vamos para casa.
Ela não vai com você!
Esqueça esses idiotas! Vamos, antes que a polícia chegue!
Gianluca…
Que merda você fez?
Vamos para casa.
Não vou voltar com você. Não quero mais ver você.
Aqui.
O que é isso?
- O que é isso? - Porra!
O que está acontecendo, porra?
Calma.
- O trato não era esse. - Esqueça. Pense em você.
Me solte!
Você ia pegar as fotos e deixá-lo ir!
Entre!
Ei, pare!
- Por que me chamou aqui? - Porque tudo começou aqui.
Como era? "Se der coroa, nos casarmos, se der cara…"
"Eu vou pular". Sim. E daí?
Eu teria pulado por você.
Mas agora, não.
Quero minha vida de volta. E quero a Playmen.
Se a revista é o que é agora, é só por minha causa.
Você não seria nada sem mim.
Vou denunciá-lo.
- Quê? - Denunciá-lo.
Vai me denunciar?
Se me denunciar, o que ganha com isso? Na melhor das hipóteses, vão indeferir.
Nenhum juiz sentenciaria um marido por uma disputa doméstica.
Eu sei. Não vou denunciá-lo pelos espancamentos.
Pelo quê, então?
Por bigamia.
Quando voltou da primeira vez…
se casou com aquela garota na Embaixada do México.
Lella arranjou tudo.
Ela me contou.
Você tinha medo de um mandado de prisão internacional.
Não existe extradição no México.
Um ótimo plano B.
Só que você se casou antes de se divorciar de mim.
Com sua ficha, você vai ser preso ou terá que fugir para o exterior.
Sem nada. Sem dinheiro, e, acima de tudo, sem meus filhos.
Quer me jogar? Ah?
Vamos, jogue. Jogue.
Me mate, vamos.
Não vai mudar nada para você.
Obrigada.
- Os rascunhos da nova edição. - Ótimo.
Agora me olho no espelho e não tento mais evitar meu olhar.
Porque agora eu sei quem eu sou e quem eu quero ser.
Uma mulher livre.
Legendas: Natalia Serrano
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