All language subtitles for (Need Subs) Eloa the Hostage Live on TV Caso Eloa Refem ao Vivo of the year

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Original subtitles

2 de fevereiro, dia de aniversário de namoro.

Eu e meu namorado ficamos muito juntinhos.

E felizes.

Eu amo ele.

Incondicionalmente.

Eloá Lindenberg.

Amor eterno.

A polícia ligou para mim no telefone do meu marido.

Já tive um susto, né?

Eu falei assim, o que aconteceu? Ele bateu o carro, o que aconteceu? Bateram

nele, ele tá bem? Ele tá falando?

Ele falou assim, não, ele tá bem. Agora sua filha que tá presa no apartamento.

Ela tá em cárcere privado.

O namorado prendeu ela lá.

No dia que aconteceu o sequestro, quando eu cheguei em casa,

eu batia, batia, batia na porta.

Chamei, chamei, chamei.

Desci, gritava, gritava, gritava de lá e nada.

Falei, meu, não é possível, minha irmã tá dormindo.

Cara, não é possível.

Quando eu cheguei em casa, de longe,

Eu avisei o Douglas sentado na entrada do prédio.

Ele falou, a Eloá sumiu. Eu falei, como sumiu?

Foi aí que ele gritou lá de dentro, se afasta da porta, senão eu vou atirar em

você.

Aí a gente reconheceu.

É o Lindenberg que está aí?

Eu estou aqui dentro e só saio daqui morto. Eu vou matar ela, vou matar a

Vou matar os meninos que estão aqui, vou matar a Nayara.

Aí estava a minha irmã, a Nayara, o Vitor e o Iago.

Quando eu descobri que eles estavam lá dentro, eu não acreditava. Não tinha

caído a minha ficha que aquilo estava acontecendo.

Aí ele falou, não chama a polícia. Eu falei, não, não vou chamar a polícia.

O pai do Vitor.

Preocupado com ele, porque o filho tinha sumido o dia inteiro, parou uma viatura

e pediu ajuda.

Quando ele foi me levando naquela região, eu já sabia que era um local

problemático. Inclusive, há 200, 300 metros ali, vários pontos de venda de

droga, de entorpecente, ali tem.

O sargento Atos já foi subindo e a gente desesperado. Meu, pelo amor de Deus,

não chega perto da porta, senão ele vai atirar. Ele falou que vai atirar.

O Lindbergh viu que tinha chegado uma viatura, aí ele ficou super nervoso. Eu

falei pra vocês não chamar a polícia, agora eu vou matar todo mundo.

Peguei o telefone e comecei a negociar, ele já começou a me xingar.

Eu falava, não faça isso, para que isso? Não, calma. E eu tentava acalmar ele.

Vamos manter aqui, você ainda não fez praticamente nada.

Se você liberar, está tudo certo.

Ele tinha muitos picos, né? De calma, de conversar, de bater um papo comigo como

se fosse meu melhor amigo.

E picos de nervosismo. Aí, os oficiais, eles decidiram que tinha que ligar para

o GAT. O GAT é o especialista.

Quando a sociedade tem um problema, ela chama a polícia. Quando a polícia tem um

problema, ela chama o GAT.

Na maioria das ocorrências, o GAT apresenta bons resultados.

A negociação chegou, tomou contato com o Atos, desenhou como estava acontecendo

a ocorrência. A equipe tática já estava buscando onde se posicionar, porque a

bem da verdade, a qualquer momento a gente podia invadir.

O sniper.

Ou vai tirar a vida ou vai produzir um ferimento severo.

A arte do negociador é fazer com que o tomador compreenda que a melhor opção é

solução negociada. É melhor ir para a cadeia, porque a outra opção com certeza

pior.

E esse caso da Eloá, ele tinha um viés que era muito perigoso, que é a

perturbação emocional. É uma condição que deixa...

Tudo muito sensível.

O Gatti chegou com um furgão todo preparado. Eu fui pra dentro do furgão e

furgão eu continuei a negociação.

O que você quer? Fala pra mim pra eu poder te ajudar, cara.

O que eu quero?

Matar a Eloá e matar o Iberabá.

Continuando as negociações, ele falou assim, ó, eu quero falar com a mãe da

Eloá, minha sogra.

Então vamos buscar ela, porque ele disse que a partir do momento que ele

conversar com ela, ele vai liberar.

Os caras trouxeram ela.

Nós fomos para o outro lado da rua, eu com o anteparo, com o escudo balístico,

coloquei ela, eu e ela atrás do escudo balístico.

E aí passou o telefone para mim e falou assim, Dona Tina, não falei para a

senhora que ia fazer uma besteira, mas a senhora não acreditou, né?

Falei, eu lido.

Eu acreditei sim, mas eu pensava que era com você, meu filho. Meu filho, não faz

nada disso.

Não, pelo amor de Deus.

Solta as meninas, desce. Aonde você for, vou com você. Eu não te deixo. Um

segundo.

Ele já estava mudado, sabe?

Parecia ele. Ele falou assim, não.

Ela não é minha, ela não vai ser de ninguém.

Ela não sai viva daqui.

Peguei o telefone, já conversou, agora libera a menina. Não, não, não vou

liberar, não.

Não vou liberar. Mas você falou que ia liberar, mas eu decidi não liberar

Eu sou o primeiro repórter a chegar ali ao local e me deparo com uma multidão.

Já os moradores ali do condomínio, desse conjunto habitacional, todos ali do

lado de fora.

E eu percebo, é uma situação diferenciada.

Então você vai fazendo o levantamento do sequestro que está em andamento, mas

também na característica dos personagens. Quem é a Eloá?

Como era o Lindenberg?

Então, como eles fizessem parte desta trama?

Uma vez eu levei eles para jogar em São Caetano e teve uma briga lá. E ele

apartou até essa briga. Sempre vinha com a namorada dele, tranquilo, sossegado,

não tinha problema nenhum.

Não dava para uma companhia? Não, não, não.

Só isso aí. Só quem sente pode falar.

Entendeu? É três anos que eles estão juntos. Não é um mês.

Acontecimentos marcantes.

O dia em que o Lindenberg pediu pra namorar comigo.

O dia em que o Liso falou que eu sou a mulher da vida dele.

E que ele quer casar comigo.

Eu amo como eu nunca pensei que eu fosse amar alguém na vida.

Tudo ela falava pra mim, mulher.

Mas do paquera ela não falou.

Porque ela sabia que a gente não ia aceitar, sabe?

Aí ele veio conversar com a gente.

Aí a gente explicou, eu falei pra ele, né? Que ela só tinha 12 anos, que era um

namoro de adolescente.

Ele aceitou tudo. Aí eu digo, não sai pra namorar.

Não passeia.

É aqui, em casa.

Eu passei a gostar dele, pela sinceridade dele comigo, eu passei a

Eu tinha ele como um filho, né?

O que eu podia fazer por ele, eu fazia.

Ele não tinha antecedente nenhum.

Era um garoto, trabalhava, não era um assaltante, um serial killer, não era

disso. Pô, vamos ter que eliminar, porque não, não é isso.

E ele não queria perder aquele namoro, aquela pessoa.

As pessoas por paixão fazem coisas inimagináveis.

Um criminoso com motivação passional, muitas vezes ele resolve partir para o

tudo ou nada.

Eu mantive a minha estratégia. Eu não posso ter um lapso temporal muito grande

sem conversar com ele.

Deixar ele pensar, deixar ele tomar atitudes. Não, eu tenho que estar

também para não deixá -lo descansar.

Aí chegou a hora que ele falou, tá bom, você me convenceu, eu vou liberar uma

pessoa.

Nós já estamos vendo, portanto, toda a movimentação da polícia que cerca o

prédio onde está o Lindenberg. Muita correria, muita tensão nesse momento.

Era um trabalho de geografia.

Na verdade, a gente ia para a minha casa fazer o trabalho.

Só que aí ela falou, não vai ter ninguém em casa, vamos lá, a gente imprime,

faz, a gente já faz até um almoço, que era o horário do almoço.

A gente chegou, questão de 10, 20 minutos, o Lindemberg entrou lá.

Eu acho que ele não esperava que a gente ia estar lá.

A Nayara e o Iago namoravam.

Então, na cabeça dele, ele falou, pô, peraí.

Achou que eu também podia estar tendo alguma coisa aqui no ar.

Eu achei que ele ia me matar.

Foi aí que ele falou que o circo ia pegar fogo, né?

Que o terror ia começar, né? Então, munição...

Tem bala, tem munição pra trocar tiro e meia.

E ele sempre culpando ela. Minha vida acabou por causa de você.

Começou a ficar saidinha, vagabunda, por causa dessa merda de computador, de

internet.

E sempre quando ele queria ver o movimento lá fora, ele sempre pegava a

em punho, com revólver, né?

E avisava, se vocês tentarem fazer alguma graça, eu mato ela.

Nayara também era uma menina de uma personalidade forte também, né?

Então, na cabeça do Lindenberg, a Nayara tinha culpa.

Era por conta dela também que a Eloá não voltava com ele, não se submetia a ele.

A Eloá fala, não, a gente vai voltar.

Libera, vamos acabar com isso, a gente vai ficar de boa junto.

Só que ele sempre falava, não, você só está falando isso agora.

Vai acabar tudo isso aqui, você não vai voltar.

Vai ficar aí com seus machos.

E chegou um momento ali que eu apaguei.

Quando eu acordo, é a Eloá que está me chacoalhando. Acorda, Vitinho, acorda,

Vitinho. A Eloá começa a falar, meu, libera ele, ele está passando mal.

Aí passa mais uns minutos, ele pede pra mim, fala, ó, vai lá pra sala.

Vai pra sala agora.

O Victor saiu e começou a descer. Eu fui até lá pra recebê -lo.

Retornei ao telefone, liguei para ele. Pô, você atirou? Falei, eu atirei.

Mas por qual motivo?

Para provar que eu não sou bonzinho.

Vocês estão enganados comigo.

Eu deixei ele se acalmar por uns 20 minutos, liguei novamente e continuei

minha estratégia de liberação. Foi até que em torno de duas horas depois, uma

hora e meia, duas horas depois, ele falou, tá bom, eu vou liberar mais um.

Lindenberg liberou dois garotos.

Nayara, amiga da ex -namorada, não quis ir embora quando soube que ele planejava

matar Eloá e se matar depois.

Teve uma coisa que me marcou muito.

Saiu o Vitor e o Vitor olhou pra mim e falou pra mim, tá vendo aí o que seu

amigo tá fazendo?

E ali aquilo ali acabou comigo.

Porque realmente ele era como um irmão pra mim mesmo.

A gente era muito apegado, sempre jogava bola junto.

A partir do momento que ele percebeu que ganhou um pouco a minha confiança, ele

começou a perguntar dela.

Aí ele começou, e tua irmã?

Sua irmã namora e tal, você podia me apresentar a ela?

Foi aí que eles começaram a ter esse relacionamento.

Eu nunca concordei com esse namoro, né? Nunca concordei.

A gente morava na comunidade ali, então todo mundo conhece todo mundo ali. Tem

cara que morreu por tráfico, tem cara que foi preso, tem cara que... Tem

ali. E era tudo a mesma molecada que jogava bola, que jogava ping -pong, era

mesma molecada.

E essa rapaziadinha lá, eu nunca me envolvi assim, nunca pude ter amizade

esse pessoalzinho assim. E o Nebeg, de vez ou outra, eu via ele com esse

pessoalzinho. E isso aí me incomodava. Eu falava assim, puta, meu.

O cara namora minha irmã, né? Tipo, puta.

Eu fiquei preocupado quando ele liberou.

Só os dois meninos.

Seria difícil você manter o pessoal em cárcere ali, sendo que o tempo inteiro

ele tá correndo risco. De repente os dois moleques se juntar ali, ir pra cima

dele, tentar alguma coisa, sabe? E aí ele ficou com dois meninos.

Isso aí me preocupou.

Eu liguei pra ele e continuei conversando.

E aí eu comecei, poxa Eliso, eu não posso subir aí.

Ah, não vou chegar na porta.

Eu queria olhar pra você e a gente poder conversar.

Ah, você quer me ver então?

Então eu tô aqui, ó, na janela.

Eu recuei.

Falei pra ele, você tá apontando a arma pra mim?

Não, eu só tô apontando. Você tem medo de arma?

Você não é policial?

Falei, ô, mas você tá apontando a arma pra mim? Não, não tem problema não, não

vou apontar não.

O tiro pegou na coluna.

Um pouquinho não acerta no meu rosto. Você está atirando em mim? Ele falou,

não está de colete? Eu falei, e se pega no meu rosto? Ah, se pega no seu rosto,

já era.

E desligou o telefone.

Essa ocorrência vai longe.

Nós temos agora imagens ao vivo na cidade de Santo André, onde o

rapaz de 22 anos, mantém duas adolescentes como reféns.

Quando amanheceu o dia, a imprensa foi chegando, foi chegando aquilo, foi

tomando volume.

Quando eu chego, já está todo aquele cenário montado, cercado, imprensa um

mais distante, polícia em volta, os policiais em sobe e desce.

Existia uma estratégia de manter uma câmera direcionada para o apartamento

que a gente não perca nada do que acontece lá dentro, porque a gente sabe

sequestrador e os reféns iam aparecer ali.

Lá dentro, eles não tinham muito a dimensão do que estava acontecendo lá

Tiveram a real visão quando a televisão começou a mostrar.

Voltamos a sobrevoar a cidade de Santo André, onde um jovem de 22 anos mantém

sob sequestro duas adolescentes.

Eu estou aqui com o Domingos Pereira, que é amigo do Lindenberg, trabalha com

ele há um ano. E o Domingos estava me contando que o Lindenberg é uma pessoa

calma, tranquila. Como é que era a relação dele no trabalho, Domingos? Ele

camarada honesto, ele nunca faltou de serviço. O Lindenberg, com o tempo, ele

percebe que ele é o ator principal daquele circo que estava montado em

um crime que ele comete.

Ele tinha uma plateia que era da mídia e ele tinha a...

entre aspas, a mulher da vida dele participando como a principal

desse teatro que foi armado ali.

Agora mais um tiro, um tiro foi ouvido, é o quarto disparado por Lindenberg,

está ali alguns policiais se aproximando, verificando o que

E esse tiro foi dado pelo Lindenberg porque ele não gostou do comentário que

apresentador fez e o repórter confirmou. E aí a gente tem certeza que aquele

Lindenberg, aquele Zamané, não é mais o Zamané.

Aí ele já era um criminoso, mostrando para todo mundo que ele tinha poderes.

A má notícia, infelizmente, ela interessa para as pessoas.

Era tanta gente, era um cordão de isolamento tão grande, era tanta

Eu nunca tinha visto tanta polícia na minha vida.

Eu não estou acreditando que ele está fazendo isso.

Todo mundo, atenção só, pessoas não trabalham, pessoas não tiram seu carro

garagem, pessoas não fazem nada. Ali, o bairro ali parou, né? Parou.

Já são mais de 24 horas de um sequestro que não teve um desfecho,

começa a se perder o controle.

Chegar à conclusão que deveriam me substituir. Primeiro, que eu não estava

progredindo mais.

E segundo o meu cansaço, eu precisava descansar. E o capitão Giovannini, então

comandante do GAT, assume a negociação.

Ele tem visão de tudo, ele tem uma visão vantajosa, ele tem arma, tem uma farta

munição, tem duas pessoas que estão sobre a mira dessa arma. Então a

de certa forma, é muito complicada.

Oliso, é o seguinte, não complique sua situação.

Mas quem disse

isso? Você vai sair vivo, sim.

Não, os três. Eu quero que os três saiam vivos.

Se eu não me importasse contigo, eu já tinha entrado, Oliso.

Os sequestradores têm um padrão e sempre querem alguma coisa.

Ele, no caso dele, não queria nada.

A única coisa que ele queria era ficar mais tempo com ela lá. Não tem o que

fazer, não tem avanço, o cara não quer nada.

A preocupação agora é porque já são muitas horas.

O cansaço que normalmente a polícia impõe parece que não funcionou até

ainda não se sabe, inclusive, como é que esse menino resiste a tantas horas,

apesar de toda a pressão da polícia lá embaixo.

O cara tá difícil.

Ele tá achando que tá acima de tudo e de todos.

Aí eu preciso mostrar pra ele que a conversa é outra.

Corta a luz, corta o telefone.

O corte da energia ali é um sinal ruim.

A polícia, então, não avança nas negociações. Ela endurece. Quem está lá

certamente vai se incomodar, né? Vai se sentir pressionado.

Ele dá bronca da polícia. Ele fica...

processo. E aí, nesse momento, quer dizer, você não pode confiar num cara

fora de controle, com toda a empresa lá fora, uma pressão absurda.

Ele pediu pra minha irmã ligar, entrou em contato.

Aí ela, mãe, por favor, você confia em mim, mãe.

Falei, claro, Felipe, que eu confio em você.

Fiquei tão feliz que eu tava falando com ela, né?

Até eu acho que o que eu tava sentindo de ruim fugiu, né?

Aí eu falei assim, claro, filha, que eu confio em você.

Mãe, pede para ligar a força.

Por favor, mãe, pede para ligar a força.

Aí aquilo já veio na minha cabeça, pede para ligar essa força, ligam essa força.

Aí meu marido ficou agitado e falou assim, não tem como ligar, gente, não

como pedir para ligar. Ele ligou o telefone.

Tá, isso daí vai levar o quê? Não vai levar nada.

Não vai resolver nada isso daí, ô Liza.

Ele falava de forma incisiva.

Se vocês me ligarem à luz, eu vou matar as duas.

Escutei algumas vezes, está na mira, dá pra acertar, tem autorização?

Não, não tem autorização.

Nascimento, boa noite. Por enquanto, a polícia insiste nas negociações. A ideia

é levar Lindenberg ao limite da exaustão, ou seja, vencê -lo pelo

O que acontece?

Se você quer a luz, eu devolvo a luz.

Mas eu quero que você mostre um ato de boa vontade. Até agora você não mostrou.

Nas últimas horas... O sequestrador vem apresentando sinais de cansaço.

Realmente ele se viu acuado.

Ali nós estávamos literalmente quase chegando numa paridade de armas ali. Ele

percebeu isso.

Aí o pai de uma das adolescentes acaba de receber a informação de Lindenberg

ele vai libertá -la. A expectativa é de que essa libertação possa acontecer

dentro em breve.

Eram tantos boatos de que ele estava, ó, está para negociar, está para sair, vai

libertar, está dizendo que vai libertar. Naquele momento tinha pouca informação

oficial, de fato.

E a gente acompanha aí a saída, o desfecho, pelo menos feliz para a

agora foi levada para o hospital aqui mesmo, na região.

Aí senti firmeza na estratégia da polícia ali.

Falei, ele vai sair abracado com ela, ou vai pedir a gente, vai pedir para ou eu

ou a Tina subir, ou se não o Douglas, para descer todo mundo junto.

Quando a Nayara saiu...

Foi um sentido de vitória que estava caminhando, mas eu ficava preocupado se

podia fazer alguma coisa sobre a integridade dela.

Eu tinha medo dele suprar ela, fazer alguma coisa nesse sentido com ela.

Nós temos agora imagens ao vivo, direto do helicóptero. E aumentou a

concentração de carros de imprensa aqui nas mediações do conjunto habitacional,

onde acontece o sequestro.

Nayara disse à polícia que os quatro adolescentes foram amarrados e

As grandes emissoras já estavam muito bem posicionadas, já tinham alugado

apartamentos. Então estava um pouco um cenário de cada um por si.

Tudo meio misturado, curioso, imprensa, polícia.

A audiência queria ver aquilo. Quando se colocava qualquer matéria, quem cobria

o caso incessantemente, a audiência respondia. A população, olha, não arreda

pé, não sai daqui, que é mesmo que esse caso tem um desfecho bom.

Lindenberg está lá com Eloá.

A gente assinou uma TV extra para a gente não parar de acompanhar o caso,

nessa emissora passava 24 horas o caso.

Era basicamente isso, um reality show.

Hoje nós podemos perceber uma diferença na posição da polícia aqui nas mediações

do prédio. Ontem nós só vimos esse carro de resgate.

Os repórteres, eles iam por trás, eles tentavam subir em outro apartamento,

tentavam ir de um prédio para o outro, assim, tinha uma diferença de altura,

tinha um morrinho, eu lembro que eles ficavam no morro ali, aí ficava

aí queria pegar qualquer coisa, sabe?

Atrapalhava.

As nossas estratégias táticas estavam todas comprometidas por conta da

insistência da mídia com a exposição daquela ocorrência.

A nossa presença num caso desse não atrapalha.

Quando a polícia começa a dizer isso, é porque ela também está perdendo o

controle e aí é muito mais fácil colocar os seus problemas para fora da sua

casa. Eles conseguem afastar a imprensa, ó, aqui está atrapalhando, eu preciso

que vocês fiquem mais distantes.

Vai ser difícil?

Vai. Nós vamos chiar?

Vamos chiar. Mas afasta a imprensa, é simples.

O isolamento, por maior que ele tenha sido, já tinha helicóptero.

A mais de quilômetros de distância, com câmera superpotente que pegava a tarjeta

da gente escrito GAT lá dentro da ocorrência.

Tinha câmera de tudo quanto é lugar, não tinha limite.

E a gente da imprensa não tem resposta de nada.

Tudo que você perguntava para a polícia, estamos trabalhando, realmente, estamos

trabalhando. Só que quantas horas já tinha aí?

Eu tenho dúvidas, especialmente...

Nesse caso, se a polícia militar tinha uma estratégia definida.

Os dois policiais estavam num apartamento do lado, a escuta deles era

Era possível ouvir agressões, xingamentos, arrastar móveis.

A qualquer momento, poderia ser necessário nós invadirmos.

Ficava um negócio batendo na cabeça.

Por que a polícia não invade?

Por que os snipers não tomam uma decisão?

Lá tinha atirador de elite. Eu vi o cara o dia inteiro, a noite inteira, parado

na mesma posição.

Por que não pode?

Isso não existe.

Isso não existe.

O clamor público interfere em muita coisa.

Ele está ali em rede nacional e as pessoas estão vendo assim, ah, nossa,

não é esse bandido, né?

O Lindenberg, até segunda -feira, 13h30 da manhã e da tarde, era uma pessoa

comum, que em razão de um desenlace com a namorada, pega um ou dois revólveres e

vem fazer uma discussão. Ele tinha o apoio da mídia, que estava mostrando

que estava em volta ali, querendo colocar na própria cabeça dele mesmo que

era um rapaz bom, que estava num surto, mas que dava para resolver aquilo.

As autoridades ficaram com medo de serem criticadas por ter, de repente, dado

uma ordem para matar o Lindenberg, que mantinha as meninas como refém, até

porque ele nem era bandido, ele era.

O cara está trabalhando com muito cuidado, com muita delicadeza, porque

ter um final feliz, digamos assim, no sentido de não ter ninguém ferido e de

o problema resolvido.

Uma das conversas dentro da negociação era, a gente não pode matar ele porque o

governador acha que ele é...

que ele é um rapaz que está em surto, que é uma pessoa boa.

Sempre falavam isso, tem carteira assinada, trabalha há tanto tempo na

Há uma romantização do crime passional.

Quem constrói essa narrativa é a sociedade.

E não é uma construção rápida, uma construção de muito tempo.

O que você acha que ele fez nisso?

Não sei.

Tambor, né?

Hoje talvez eu teria complementado a pergunta para ela. Você acha que isso é

amor?

Parece que ele é despido da roupa que ele merecia vestir, de criminoso, e

a ser um pobre coitado, apaixonado. As pessoas que saíram, saíram inteiras. Ele

não é tão ruim assim.

Me recordo bem.

que um grupo de mulheres jovens gritando ali, Nindenberg, cadê você?

Eu vim aqui só para te ver.

As

pessoas

gritando o nome dele do lado de fora.

É só uma consequência do circo que foi montado e do papel que ele ganhou e

assumiu. Estou crescendo, eu sou o dono da situação e ela vai continuar aqui.

Ele via aquilo, meu Deus, agora eu sou um astro.

Lindenberg Alves apareceu por várias vezes na janela do banheiro do

Em um momento de distração, Eloá abre a janela e rapidamente sinaliza que está

bem. Em seguida, se ouvem os gritos de Lindenberg.

E a Eloá?

Que hora que foi dada a voz para a Eloá? Que hora que foi dada a oportunidade

dela se expressar ou de mostrar o que ela estava sentindo?

O criminoso vai ganhando um protagonismo, né? A gente sabe muito

A gente sabe que ela tem 15, 16 anos, que ela namorou por um tempo,

que ela quis terminar o relacionamento.

Ela começou a namorar com ele, ela tinha 12 anos, ele tinha 19.

Ela tinha 12 anos, ela tava começando a entrar na adolescência, né? Uma menina

ainda, né? Só que quando ela se descobriu mulher, né? Um pouco mais

calma aí, né?

Não tá me fazendo mais bem, eu quero.

Quero terminar. Só que ele, por achar que era dono dela, não queria, não

aceitava o término, né?

Uma vez, no ônibus que a gente conversou, ela falou pra mim, meu

ciumento, que eu chamei ela pra sair.

Ela falou, meu nome é Ana Silveira, você não sai de casa por isso e isso e isso,

por causa dele.

Eu lembro que teve o primeiro término, aí ele fingia que estava chorando perto

de mim.

Ele pedia para eu entregar presentes para ela, ele pedia para eu fazer coisas

para ele. Então eu ficava 24 horas por dia na cabeça dela.

Você precisa voltar com ele? Você precisa voltar com ele?

Aí, a partir do momento que eles terminam mesmo, aí os filmes dele

Que é quando ele começa a seguir ela na porta da escola.

Eu fui buscá -la na escola, né?

E eu fiquei observando ela.

Ela viu uma moto e ela se assustou.

Ela estava guardando o carro e eu olhei e falei, o que foi? Você se assustou?

Mas eu já sabia, assim, eu falei, ah, ela está com medo, né?

Ela não podia ver uma moto.

Ela achava que era ele.

Jesus, me ajuda.

Eu estou passando uma prova que estou quase desistindo.

Senhor, resolva isso.

Olhe por mim.

Ela já estava fazendo três cursos.

Ela estava começando a viver, né?

E o pai dela sempre levou ela e sempre ia buscar.

Só que nesse dia ele precisou trabalhar.

E ela foi de ônibus.

Ele bateu nela, nas costas dela, deu um tapa nela, né?

E ela voltou pra casa chorando, chorando.

Na mesma hora que eu fiquei sabendo, eu fui direto na casa dele.

Falei pra ele assim, ó cara, vocês terminaram o relacionamento, certo?

Minha irmã não quer mais voltar com você. Ele negando, ele olhando no meu

falando, e negando que não tinha batido.

Eu falei, fala que você bateu na minha filha. Ele falou, não, não bati. Não

bati, não bati.

Ela que está aumentando, ela está mentindo, né? E ele prometeu que não ia

nada com ela. Ele prometeu.

Prometeu. Só que eu não acreditei mais.

Mas meu marido acreditou.

E ele pediu para falar comigo.

E aí eu estava sentado com o pessoal do GAT lá.

E aí eles fizeram uma ligação e aí eles me colocaram na linha com ele.

E ele falou justamente dessa situação que eu fui na casa dele.

Aí ele falou assim, pô, até hoje você não pediu desculpa por isso aí.

E ele falou... E aí eu... Caramba, né, meu, é... Aí então o

negociador do gato falou assim, tipo assim, né, pede desculpa pra ele, né.

Falei, meu, se é por isso aí...

Ah, eu te peço desculpa agora, cara, não tem problema nenhum, você desce aí, eu

te peço desculpa na sua frente aqui, eu nem imaginei que isso aí causou, né,

ficou essa mágoa aí e tal.

Fiz o que acho que qualquer irmão faria.

E aí ele começou a falar assim, é, não, que agora eu tô aqui, agora eu sou dono

da situação, e aí, cadê você agora?

E aí ele começou a se exaltar no telefone, aí o negociador achou melhor

No terceiro dia de sequestro, as negociações não avançaram. Por celular,

polícia fez dois contatos com Lindenberg. As ligações duraram poucos

mais uma vez, ele não fez exigências.

Disse apenas que não queria falar e desligou.

Vieram me chamar, falaram que eu ia participar das negociações, porque a

não está conseguindo mais, a gente não consegue ter resultado.

A negociação não está avançando, está travada.

Gatti, nesse sentido, fez certo.

Deve ter percebido em algum momento que existia uma relação de amizade forte do

Lindenberg com o irmão da Eloá e esse garoto eventualmente poderia ter

Não tem problema nenhum.

Não tem problema nenhum.

Eu não questionei, não.

Fiquei esperando por um resultado bom, né?

Aí tudo que eu falava pra gente fazer, a gente fazia, né?

O Giovannini já fez o contato com ele.

E ele, o que vocês querem? Alguma coisa assim, alguma coisa agressiva.

Aí eu falei, sou eu.

Eu quem?

Eu falei, você não tá reconhecendo a minha voz?

É o Douglas.

Aí ele se acalmou.

Você sabe que eu sempre te vi do seu lado, sempre te ajudei a reconquistar

Então,

eu vou pedir para você levar em consideração a nossa amizade.

Então,

não, eu não quero saber da minha irmã, eu quero esquecer ela. Eu quero saber de

mim e de você, da nossa amizade, que é a coisa mais importante que tem nesse

momento.

Então, vamos sair.

Você vai sair daí bem.

Eu tô com você.

Não vai sair, não vai conhecer pessoas novas.

Não vai... Não,

você não vai pra cadeia. Seu advogado tá aqui.

Eu acreditava que eu ia conseguir resolver tudo.

Na minha cabeça, a nossa amizade é tão forte...

que deixa comigo, que eu resolvo.

Aí a polícia falava, ah, ele quer que o Douglas faça isso, ele quer que o

Douglas, que o Douglas ficou, né?

O Douglas leva isso, o Douglas leva aquilo.

O Douglas era uma criança.

Quando ele volta, corre o risco de ser, de repente, ele alvejar meu filho ali.

Ser mais uma vítima, ninguém sabia o que estava passando na cabeça dele.

Eu tinha que prestar atenção no papel que estava na minha frente, no que eles

estavam escrevendo.

Eu não podia falar o que eu queria, eu sempre estava prestando atenção no

Vamos nisso aí.

A minha vontade era entrar lá e rebentar

a cara dele nesse momento.

Só que eu não podia falar nada.

É muito triste.

Você tá do outro lado da linha, ouvir que a sua irmã tá sendo agredida por

um cara que era seu melhor amigo.

Não tem explicação isso.

Isso é uma coisa que nunca vai sair de mim.

Nunca, jamais eu vou perdoar ele por isso. Nunca.

Já pensou?

Pensa.

Então, pensa que é bom.

Tá aqui do meu lado.

Chame ele aí. Tá.

Alô, Liza.

Quero a inteligência aí.

É, o que você tá precisando?

Ela quer comer.

E você?

Vai comer também? Não, ela não quer besteira aqui.

Não é?

É, se ela comer besteira, ela vai passar mal, ela precisa de comida.

Ele pediu que ele queria que eu fosse lá, levar comida para ele. E aí o

Giovannini falou, mas levar como?

Como assim levar?

Momento de muita emoção, muita tensão. Uma Tereza, corda formada por lençóis,

colocada na janela do apartamento. Uma expectativa muito grande, talvez ela

desça por ali. Não se sabe exatamente o que vai acontecer neste momento.

Eu estava do outro lado.

Ela está na janela. Eu sem poder correr.

Cheguei e falei, vem filha, vem.

Eu pensei que ela ia descer naquela Tereza.

Ela falou assim, calma mãe, calma mãe.

E ali eu percebi que ela estava tentando se controlar, mas ela estava em

trêmula, as mãos dela, a gente via que estava em trêmula.

Neste momento, a cobertura toma uma outra proporção. O Brasil inteiro fala

caso Eloá. Então a gente começa a buscar todo tipo de informação nova para que a

gente revele algo que as outras emissoras ainda não tiveram acesso.

Só uma informação, senhora. Ela chegou a passar a mão mesmo? Só isso?

Não sei, eu não estava aqui. A gente viu pela TV.

Foram realmente banalizando a gravidade do que estava acontecendo e se

preocupando em saber o que eles estavam almoçando, como é que eles estavam

tomando banho, porque a mídia toda estava em cima e, assim, cada um,

infelizmente, queria dar um furo diferente, de uma forma diferente.

Segundo a polícia, foi mandado para ela arroz, feijão, bife e batata frita num

pedido feito pelo próprio Lindenberg. Parece que as pessoas...

Quase que estavam torcendo para que não acabasse. Eu espero que termine assim,

pizza, né? E um casamento futuro entre ele e a namorada apaixonada dele, né?

É meio que hipnotizante, no mau sentido.

Como passar um acidente de carro e você não gosta de sangue, mas você não

resiste.

A gente começou a entender que a situação estava delicada demais já.

Você passar uma noite inteira, uma segunda noite inteira, depois uma

noite inteira e nada muda, nada acontece, a polícia não invade.

O que a gente ia gravar? Um prédio com a câmera mirada para o apartamento, só.

Aquela era uma região de criminalidade muito presente.

Era perigoso para os jornalistas passarem a noite ali.

Os criminosos armados passaram a transitar livremente entre espectadores

cenário de um filme de terror. E os traficantes reclamando que a presença da

polícia incomodava eles e eles estavam perdendo muito dinheiro.

Então eles falavam assim, aí reporte, dá um jeito de tirar esse cara ou deixa a

gente tirar.

Tira a polícia daí que nós vamos tirar esse cara.

Fatalmente eles iam entrar e matar ele.

E eles tinham poder para isso. E ele tinha medo disso.

E a polícia também tinha medo que isso acontecesse.

Uma emissora resolve ligar para o apartamento.

A partir daquele momento, há uma agitação.

Eu volto para a produtora, cansado, todo mundo muito cansado.

encontro duas produtoras e elas falam assim, olha, nós falamos com o

Aí eu tomo um baque, assim, de uma notícia nova, né?

Vocês gravaram o quê?

Elas falaram, a gente não gravou.

Falei, então, pega a câmera, coloca na minha frente, vamos ligar. Se ele

atender, eu vou gravar.

Olinda Berg, somos um amigo da família e a gente queria saber se está tudo bem,

só isso.

É isso.

Olinda Berg, é Luiz Guerra, tudo bem?

Somos conhecidos da... É Luiz Guerra.

Sou da Sônia Abrão, repórter da Sônia Abrão. A gente só está em nome da sua

família porque sua mãe está desesperada e quer saber se está tudo bem, só isso.

Você é repórter?

Isso, filho. A gente está querendo saber se está tudo bem com você. Nossa

preocupação é com você.

Eu estava muito nervoso.

Eu estava tenso, eu estava cansado, com tantas horas.

E me vendo numa situação que poderia mudar a história, ele poderia

puxar um gatilho e falar, você está gravando?

Então eu vou atirar agora.

Vocês estão ao vivo já aí?

Estamos gravando, se você quiser a gente grava ou coloca no ar o que você

quiser.

A nossa conversa? Vamos conversar, eu quero te ajudar, tá? Eu quero te ajudar,

eu quero dizer pra você o seguinte, o capitão garante a tua integridade, você

fica tranquilo, filho.

Ligar para o transgressor para poder fazer uma entrevista como se fosse um

furo ou uma coisa exclusiva é uma ação criminosa.

Ela foi uma garota muito forte para falar que estava tudo bem.

Voz trêmula.

Ela estava... Você sentia que ela devia estar chorando.

Eu comecei a sentir o perigo que estava acontecendo ali. Ele já não estava

brincando. Olha, você está precisando mandar um recado para sua mãe, alguma

coisa?

Está tudo bem com eles.

Está tudo tranquilo.

Pode fazer uma...

Pode falar de novo. Mande um beijo de novo.

Eu queria falar pra minha mãe que eu amo ela.

E meu pai também.

Eu amo eles.

A rendição do sequestrador foi comprometida.

após ele dar uma entrevista ao vivo a uma emissora de TV. A partir daí, o

sequestrador não atendeu mais o telefone.

Qual o interesse público de entrevistar o Lindenberg no momento em que ele está

cerceando a liberdade da Eloá?

Aquilo transforma o Lindenberg, lá dentro dele, em algo muito maior do que

era. Traz um prejuízo para o atendimento da ocorrência imensurável.

Imensurável. A situação ficou ainda mais tensa hoje no apartamento em Santo

André no ABC Paulista.

Lindenberg levou Eloá para a janela do banheiro.

O celular é utilizado. As negociações recomeçaram.

Ele falou que estava cansado, queria se entregar.

Giovannini pediu para ele pegar as armas.

e colocar dentro da privada.

Aí ele pegou e falou assim, tá bom, eu vou sair, vou deixar as armas no

banheiro, do jeito que você está falando, eu vou sair com a Eloá de mão

eu vou até a Nayara, vou pegar na mão da Nayara, a gente vai

descer, vai pegar na mão do Douglas e a gente vai descer e eu vou me entregar.

Lindenberg prometeu dar um fim ao sequestro se Nayara voltasse ao

Enquanto isso, embaixo, o clima é de expectativa.

O retorno da Nayara para a negociação foi uma opção estratégica do gerente

da crise, secretário de segurança pública, promotor de justiça, todos

participaram. Oi, Nayara.

Tudo bom?

Está melhor já?

Estou. Você está calmo aí?

Estou calmo.

Você vai fazer mesmo tudo isso que você está falando?

Confio. Oi, amor.

Você vai subir?

Vou, amor, vou subir. Tá bom, na frente da porta.

Tá bom.

Tá,

deixa eu falar com ele agora, amor.

Vai dar tudo certo, prometi pra você desde o começo, tá bom?

Beijo, te amo.

Só foi determinado que a equipe tática não intervenha, porque a Nayara está

sendo orientada, ela vai parar no andar de baixo para conversar com Lindenberg.

Quando eu comecei a subir aqui, eu olho e eu consigo ver ele na janelinha do

banheiro. Ele e a Eloá.

Aí eu falei onde era para eu parar.

E dali em diante eu não tinha mais a visualização, não tinha mais contato,

porque a Nayara subiu com o telefone.

Daqui eu conseguia ver os policiais, mas eu não conseguia mais visualizar ela

subindo.

E aí do nada eu só vi o policial só começar a me chamar, tipo, vem, vem,

vem, vem.

E aí eu fui.

E aí dali já foi um reboliço.

Coronel, foi um erro colocar Nayara.

A mãe dela concordou, a mãe dela estava junto com os oficiais do GAD. Eles

tiraram a menina lá de dentro e colocaram a menina lá dentro de volta.

acho que a gente é culpado, a gente faz uma palhaçada dessa.

Nenhuma criança ou adolescente pode ser submetida a uma situação de risco.

Segundo o comando da operação, Nayara não é refém. Está no apartamento por

própria. Foi uma reação dela que nem nós esperávamos.

Nós encaramos aquela ocorrência como se o meu filho, eu tenho três filhos, como

se um dos meus filhos estivesse lá dentro. Como um filho de um algum, eu

colocaria meu filho no lugar da Nayara.

A volta da Nayara para o cativeiro foi uma coisa que não deveria ter acontecido

em hipótese alguma.

O GAT entrou para a história como a primeira tropa que tinha um refém para

T2.

Eu confio em você, Liz.

Nos três.

Os três vão sair os três bem. Igual eu falei com você aquele dia, como eu falei

na televisão, que os três iriam estar em casa todos bem.

Pode ficar tranquilo.

Tá bom?

Se ele não cumpriu nada do que ele disse

desde o início, ele ia cumprir naquele momento?

Quantas vezes ele falou que ia soltar? Há muitas?

Ah, eu vou soltar depois disso, vou soltar depois daquilo, manda ele subir

me fazer o cordão de isolamento.

E ele sempre furou com a palavra dele.

O tempo passa sem que nada aconteça, a expectativa aumenta ainda mais. Nayara

continua dentro do apartamento, familiares permanecem aguardando. A mãe

dona Cristina, está dentro daquele apartamento aguardando informações.

A audiência num negócio desse, ela enlouquece, né? E de fato, vamos falar o

português claro, uma baita notícia. A polícia militar levou de volta a vítima

que estava em cativeiro e o sequestrador enganou todo aquele bando de policial

e...

E aí um colega da Globo me deu uma bronca, ele falou, pô cara, olha o que

fez, você não podia fazer isso.

E quando eu olho, tá até o Damelo entrevistando ele da mesma forma que eu.

Vou liberar, que nem liberei os outros.

Não vou dar a hora, nem o momento, não vou avisar, vai acontecer e pronto.

A audiência queria ver aquilo, então começou uma corrida pra ver quem também

conseguir entrevistá -lo.

Que direito é esse que o Lindenberg tem de manter uma moça sob a mira de uma

arma e de dar entrevista ao vivo?

É, vira um circo, né?

Vira um circo.

Ele virou estrela de tudo aquilo ali. Daquele contexto ali, o Lindenberg é

estrela agora.

E aí põe o cara ao vivo para falar o que ele quiser falar.

A nossa produção já teve um contato com o Lindenberg.

Ele não vai cometer mais nenhum ato impensado. Ele não vai. Podem ficar

tranquilas as famílias.

Eu que sou mãe, queria falar.

Ele não atende. Se eu tivesse o celular e ligasse, ele não ia atender.

Aí a imprensa, ele atende?

E só Deus sabe o que a gente passava, né?

Lindenberg, a partir do momento que ele percebe que ele tem a mídia com ele, ele

passa a negociar muito menos com a polícia e usar o espaço que foi

para ele em rede nacional.

A audiência estava altíssima para todo mundo e ele crescendo para cima da

polícia cada vez mais.

Então esse triângulo que a gente forma aqui,

Lindenberg, polícia, imprensa, Ruiu.

E aí quem mandava no jogo era só um cara, era o Lindenberg.

Meio dia, a camisa do São Paulo Futebol Clube é colocada no vitrô do

apartamento.

Para nossa surpresa, horas depois aparece...

O dirigente do São Paulo, que era vereador na época, se colocando à

para ajudar na investigação.

O pedido que a gente faz é para que isso possa terminar bem e que ele confie

muito na polícia. A polícia não está aqui para puni -lo, está aqui para

-lo. É muito claro que a coisa perdeu o controle, onde todos querem resolver. E

quem resolvesse sairia com o bônus de toda essa situação.

A situação chegou num tal limite que não tinha mais saída, porque

já eram cinco dias.

E como a gente não estava se alimentando direito, eu comecei a passar mal.

O pessoal da ambulância me atenderam e viram que eu ia dar um infarto.

Ele falou para ele que a vida dele estava acabada, que não me importava. O

importava era a filha dele sair de lá.

Com as negociações praticamente estagnadas, a polícia apelou para uma

usada no início do caso. Na terça -feira, a energia elétrica do

cortada. Desta vez, Lindenberg e as duas garotas estão lá sem alimentação. A

mochila jogada pela janela era para trazer o almoço, mas o pedido não foi

atendido.

Eu já estava preocupado com a resolução dessa ocorrência.

Porque o Lindenberg em nenhum momento mostrava uma colaboração.

Gente, a gente não pode invadir. São três crianças que estão conversando lá

dentro. Como é que elas vão invadir?

Como eu era criança?

Você não está entendendo?

Tem uma pessoa ali que é refém dele.

O sentimento é esse, maluco, que as pessoas têm de querer romantizar o

Não, não.

Por volta das duas horas da tarde, começaram as negociações a respeito de

documento. Lindenberg queria um documento assinado garantindo a

física dele no momento em que ele se entregasse.

Peço a gentileza para que vocês...

comuniquem para ele que eu sou sim promotor de justiça e estou aqui para

garantir a integridade física dele e que as coisas corram bem até o seu final.

Veio um promotor, mostraram ele na mídia para ele acreditar, ele fez esse papel,

assinado, tudo certinho, mandaram esse documento para ele lá, puxaram na

cordinha lá.

Quem sabe, então, esse caso está perto de ser finalizado?

Eu acredito que sim, porque mesmo que ele tenha dormido um pouco à noite, esse

cansaço emocional vai ser natural, ele vai acabar caindo numa realidade,

acredito que em poucas horas ele deva se render.

E aí ele respondeu super nervoso. Me mandaram um papel aqui que eu não

nada, tá tudo uns garranchos aqui, não entendi nada, e tipo, não serviu de

Aquela conversa dele não me convence. Se ele tem medo de morrer, se entrega.

A polícia militar não ia matar ele na frente da imprensa.

Já dura mais de 100 horas o mais longo caso de cárcere privado no estado de São

Paulo. Por volta do quinto dia, o comportamento do Lindenberg, ele começa

totalmente destoado de tudo que ele vinha apresentando.

A polícia chegou em mim e falou assim, ó, ontem, ele passou

o dia batendo nela.

Eu tava com a cabeça a mil, né? Meu, por que esses caras não entram logo ali?

Por que não acaba com isso aí? Eu pensei muito, velho.

Já não era mais possível a conversa com ele, a negociação com ele, de uma forma

lógica. Ele está deixando claro que ele vai levar a cabo a intenção dele de

matar Eloá e se matar.

Então, a partir desse momento, se houver disparo de arma de fogo dentro do

ambiente, a equipe tática tem luz verde para atuar.

E aí foi destacada uma equipe que estaria em condições de invadir o

A polícia já havia colocado os explosivos na porta, já estava tudo

O monitor de justiça e o advogado do rapaz vão descer para dar

uma coletiva, tá ok?

A gente recebe a informação de que vai haver uma coletiva do coronel Félix,

comandante de toda a operação.

Rapidamente nos deslocamos até lá e toda a imprensa se posiciona para essa

entrevista. Eu peço um pouco de paciência, porque eu vou ter que buscar

equipamento para a gente fazer o triângulo de maneira a atender. A tensão

grande, então até a informação em off, ela seca num momento desse. A gente não

conseguia saber mais nada.

Nós passamos, nós explodimos uma porta que estava barricada por uma mesa e

da mesa ele barricou com uma estante.

Eu não tinha a pessoa dele, porque ele se barricou atrás da porta,

do pilar, assim, ó.

na frente do prédio.

Ela saiu agora.

Nós vemos as meninas, portanto, sendo libertadas.

Teve disparo lá, gente. Teve disparo. Ele atirou nela.

Foi a cena que a gente viu.

A Nayara descendo, com a mão na boca, cheia de sangue.

E depois o policial desceu com a minha irmã no...

No braço.

Quando a Eloá sai numa maca desfalecida, ali naquele momento, eu acho que o

Brasil conseguiu ter uma noção do tamanho da confusão que foi o caso da

E quando eu soube que ela tinha sido alvejada, eu falei, pelo meu filho, pelo

Ronix. O Ronix foi e falou, pai, ela tomou dois tiros.

E eu perguntei por ele, e ele tá, balearam ele?

Olha, balearam ele, ele falou, não pai,

é o Luá que tomou dois tiros, ele deu dois tiros.

Aí ali eu perdi o chão, eu desmaiei, sei lá.

Terminou há pouco a cirurgia de Eloá, ela sobreviveu, está viva e daqui a

os médicos que operaram, que a operaram, devem divulgar um boletim aos

jornalistas. Aí juntou os médicos e falou assim, o que

eu pude fazer eu fiz, agora só Deus,

porque ela levou o tiro na cabeça.

E o que a gente tinha de fazer, a gente já fez.

Aí eu... Aí eu me disse... Aí eu disse, amém.

E até eu não sabia que ela tinha levado o tiro na cabeça.

Aí eu... Aí disse que ela tava em coma.

Aí me levaram no... Me levaram pra onde ela tava.

Aí eu passei mal. Falei, filha, a mãe tá aqui.

Aí eu passei mal.

Aí me tiraram de dentro da sala.

O fim trágico do sequestro deixou uma pergunta no ar.

Afinal, a polícia errou.

Não teve ordem. A ordem foi a seguinte. A equipe que estava na lateral ouviu o

tiro e entrou. Fábio, a ação da polícia foi mesmo reação a um tiro disparado

pelo rapaz?

Nascimento a perícia vai ter que explicar se de fato houve um tiro antes

esse tiro ocorreu por causa da invasão da polícia.

Mesmo liberada para voltar para casa, Nayara presta depoimento aqui a

de justiça e ao delegado que cuida do caso.

Lindenberg, segundo a versão da Nayara, não deu o tiro antes da explosão. Ela

mentiu? Ela não mentiu. Ela estava como vítima. Ela estava num local de crise,

no interior de uma crise.

É uma jovem de 15 anos de idade que pode ter perfeitamente se confundido, está

confusa e não entender esse exato momento.

O tiro que o Lindenberg deu foi o start para a atuação do GAT.

Ponto. Sem dúvida nenhuma, não tenho a menor dúvida disso.

Não há nenhum indício de qualquer som que pudesse parecer um disparo nesses 12

minutos que antecedem a explosão.

Houve a explosão, primeira explosão, para depois vir os disparos. Aí sim,

a história é essa.

Foi uma narrativa assim, para o Estado ser inocentado.

O governador do estado pediu desculpas à família de Eloá, mas defendeu as

medidas adotadas pela equipe de negociação.

O GAT é um grupo de ação muito experimentado, gente muito corajosa,

gente muito preparada. O que a gente viu no caso da Eloá foram os atiradores de

elite, que tiveram todas as possibilidades de abater ali esse

agressor e não foi dada essa ordem.

Por quê?

Como estão seus pais?

Tá na medida do possível, né? Tá abalado,

mas...

O estado de saúde das jovens é crítico.

Chegou minha esposa e falou assim, nossa, acabou tudo.

Acabou. Ela morreu.

Eu fiquei sem chão.

Eu não sabia o que fazer.

Eu queria morrer na hora.

Mas aí meus dois filhos se abraçaram comigo.

O Onyx e o Douglas.

E aí eu vi que eu tinha mais dois filhos.

Tá bom, né? Tá bom.

As pessoas vêm de longe para prestar uma última homenagem. E o Brasil parou para

o sepultamento da Eloá.

Eu sentia como se a culpa daquilo tudo fosse minha.

Então eu não sabia muito o que falar ali pra ela.

Não tinha na minha mente o que falar.

Eu só me culpava o tempo todo.

E aí eu só vi aquela cena e fiquei calado.

Como fica

uma mãe?

Ao esperar 100 horas, 100 horas para a gente são 5 dias.

Para uma mãe é uma eternidade.

Essas 100 horas não acabaram para essa mãe. Essas 100 horas vão perdurar pelo

resto da vida.

A comoção também ultrapassa um pouco o limite, porque ela vira produto.

Depois acabou, todo mundo foi embora e ficou a família dela ali.

Aí a gente não está presente mais nesse espetáculo. Aí a gente foi embora.

Recolhemos nossas luzes e fomos embora. É isso mesmo que a gente quer.

Esse comportamento, como sociedade, eu estou falando agora, como jornalista,

como sociedade, como o policial, é isso mesmo que a gente quer.

Até hoje, fala para mim, você foi o culpado da morte da Eloá.

Então me colocaram numa situação de culpado. Eu garanto para você isso.

E para você que está assistindo agora.

Qualquer jornalista gostaria de estar no meu lugar.

Eu entrei no cativeiro, eu levei o público para dentro do cativeiro.

Ele passou por mim rindo.

Ele deu risada na cara de todo mundo.

Então, ele não se arrependeu, não.

Com certeza, existir a lei do feminicídio na época não evitaria que o

quisesse matar a Eloá. O que muda é que a sociedade está se conscientizando cada

vez mais, a meu ver, ainda a passos lentos, mas a ponto de se reconhecer.

que é muito grave os atos de violência contra a mulher.

A tarde foi de expectativa, dentro e em frente ao fórum de Santo André.

Acusação e defesa aguardavam a decisão do júri.

Ele acabou com a minha família, né?

Hoje a gente... A gente consegue, né?

A gente consegue.

Mas a filha dela fica, né?

Como seria se ela lá estivesse?

Conheceu a minha filha?

Sim.

21 de junho, aniversário do Ronixon.

Espero que ele esteja aqui em São Paulo com a gente.

Nós da família estamos sentindo muito a falta dele.

5 de agosto, aniversário do meu irmãozinho, Everton Douglas, que eu amo

Espero que seja um dia de muitas felicidades.

Em 2008 eu vou...

Primeiro, ir à praia.

Segundo, prestar guardinha.

Terceiro, conseguir um emprego.

Quarto, noivar com o liso.

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