All language subtitles for Love War 2025 1080p DSNP WEB-DL DD 5 1 H 264-playWEB-Portuguese

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian Download
cs Czech
da Danish Download
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian Download
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish Download
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal) Download
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian Download
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

E se nos escondermos atrás da parede? Baixa-te!

Está trancado?

Daqui é a Lynsey Addario, estou na aldeia de Novoluhanske.

Estamos a ser bombardeados.

Porque é que a mulher está ali?

São mísseis lançados daqui ou contra nós?

- Eram contra nós. - Contra nós.

Pronto.

Meu Deus, estão loucas?

Ela não está preocupada com a filha?

Vem, vem, vem.

E a linha da frente? É aqui?

Naquela direção.

Este não é o melhor sítio, pois não?

Porra.

Onde é o abrigo antibomba?

Pode dizer-nos onde há uma cave?

- Não entendo. - Um esconderijo?

Para se esconderem?

E se vivessem como nós em vez de se esconderem?

A nossa vida é sempre assim.

Onde nos podemos esconder?

É longe?

Desçam ali.

Obrigada!

Obrigado!

Ela não quer ficar aqui?

Não tenham medo!

- Compreende? - Venha.

Posso tirar uma foto?

Podemos tirar-lhe uma foto?

- Por favor! - Como se chama?

Como se chama?

Liuba.

Acordámos esta manhã para uma guerra na Europa.

Os primeiros alvos foram atingidos por unidades

e mísseis balísticos em Kiev, a capital, e nos arredores.

KIEV POPULAÇÃO: 2,9 MILHÕES

Credo!

Porra para isto!

Estou farta disto!

Meninas, vamos todas para a cave.

- É um menino. - Como se chama?

- Ainda não decidimos. - É um menino. Ainda não tem nome.

É o edifício ao lado da minha casa.

Pela primeira vez na vida, não sei o que fazer.

Que loucura.

Glória à Ucrânia! Glória aos heróis!

Glória à nação!

E é professora?

- Está assustada? - Claro.

Só quero viver no nosso país. É só isso.

Lynsey, onde estás?

Estou em Kiev.

A situação está muito tensa.

Estás no centro da cidade e essa zona é um alvo. Porque ficaste aí?

Porque, quando fazemos isto,

aprendemos que queremos estar

onde a união faça a força, todos os jornalistas juntos.

Não há nenhum sítio seguro.

Quando o The New York Times perguntou: "Se houver uma guerra na Ucrânia,

gostarias de a cobrir?"

Agarrei logo a oportunidade.

Não tive de pensar muito porque sabia que seria um momento histórico.

- Já usaste uma arma? - Não.

E há uma vida paralela no subsolo.

No bunker, literalmente.

O que disse ele?

Disse que as sirenes para ataque aéreo pararam de tocar.

Está bem. Vamos depressa.

Comecei a trabalhar com o Andriy Dubchak antes de a guerra começar.

Na Ucrânia, é um fotógrafo e videógrafo muito conhecido.

Como se chama esta arma?

É, basicamente, o meu parceiro.

Deixem-me ver.

Temos alimentos secos.

Bolachas, porque sempre que vou à mercearia compro bolachas.

Uma esteira para dormir, caso acabemos num bunker.

Temos água na banheira, caso cortem a água, para poder puxar o autoclismo

ou para poder tomar banho.

Há boas notícias? Más notícias?

Há muito fumo. Olha.

- Sim, muito fumo. - Mas não vemos nada.

Podes ajudar-me a situar?

- Eles estão aqui... - Sim.

Ali é a linha da frente.

Ouve-se o fogo de armas ligeiras e parecem armas antitanque a disparar.

- Pode ser o início do ataque. - Sim.

É melhor fazermo-nos à estrada.

Vamos lá.

PONTE IRPIN, KIEV

Saiam, vão cair mísseis aqui.

- Mais rápido. - Os homens deixam passar.

- Desculpa? - Não querem ver mulheres aqui.

Expulsam-me sempre e tu vais para onde queres.

É a história da minha vida.

- Aqui, é menos exposto. - Sim.

Vamos mais depressa!

- Estão a apontar aos civis? - Sim.

Era para trazer o básico, para correr.

Rápido! Rápido! Rápido!

Raios!

Onde caiu?

Junto das pessoas.

O que foi que aconteceu aos miúdos ontem?

Foi mau.

Estavam a evacuar 200 crianças, civis pacíficos...

Raios.

Raios, raios, raios.

Raios!

Raios.

Estou a sangrar?

- Não. - Está bem.

- Fica aí! - Está bem.

É preciso um médico!

Médico!

Porra, é uma pessoa.

Cuidado, são muito sensíveis.

Porra!

- Sê forte! - Porra!

Estão a matar civis! Odeio estes cabrões!

Lynsey, vai, vai!

Baixem-se!

O conflito e a carnificina estão a escalar...

Mandei mensagem ao meu editor para tentar publicar a foto

porque vi este corredor de evacuação para civis

a ser atingido de forma intencional.

É um crime de guerra.

Mas nenhum de nós sabia quem eram as pessoas nas fotos.

E se algum familiar descobrir o que aconteceu por causa da tua foto?

O Presidente Putin disse...

Tiveram de tomar a decisão de arriscar ou não.

Em termos de tática militar, estão a fazer o possível para evitar

perda de vidas civis nas cidades ucranianas.

Referi que isto aconteceu quando Putin afirmou

que não atacava civis.

Eu disse, “Estive neste ataque.

- Foi intencional". - Fica aí!

Está bem.

Aquela fotografia acabou por abrir os olhos a muita gente

quanto às consequências de Putin entrar num país soberano

e disparar sobre a população civil.

Vladimir Putin negou repetidamente que as suas forças ataquem civis.

Mas no domingo, o mundo pôde ver a verdade.

Esta imagem foi publicada na primeira página do The New York Times.

É um olhar não editado sobre guerra.

Na Ucrânia, uma foto ilustrou o custo do conflito.

É da fotojornalista vencedora de um Pulitzer, Lynsey Addario.

Tornou-se uma das imagens mais marcantes desta guerra.

Até foi usada num discurso no Senado por Dick Durbin.

Já cobri tantas guerras, mas foi a primeira vez

que houve uma reação tão visceral e generalizada a uma das minhas fotos.

A FAMÍLIA PRECISAVA DE VOZ.

AS FOTOS VALEM MAIS DO QUE MIL PALAVRAS.

3 DIAS DEPOIS. SERHIY PEREBYINIS. MARIDO E PAI

A primeira foto apareceu no Twitter, com as caras desfocadas.

Mas reconheci as crianças pela roupa.

Lembro-me que ela estava a usar isto.

Meu Deus!

Se tivéssemos podido perguntar-lhe

se podíamos usar esta foto na primeira página do jornal...

Sim, sim.

O mundo inteiro tem de saber o que se passa aqui.

FRONTEIRA DA UCRÂNIA COM A POLÓNIA

Paramos na estação de serviço.

- Está bem? - Sim.

- Beba um café, se quiser. - Está bem.

Vamos para Balice, para o aeroporto, certo? Ou para o hotel?

Para o aeroporto de Cracóvia.

Quero ir ao concerto do meu filho esta noite.

Ótimo!

- Como foi o seu dia? - Bom.

Ótimo. Estás a gostar do bom tempo?

- Acabei de aterrar. - Ai sim? De onde?

- Da Ucrânia. - A sério?

- Bem-vinda a Londres! - Obrigada!

É tão civilizado!

Como está tudo por lá?

Já sei o que se passa.

Sim, está complicado.

Olá.

Acho que vou tomar um duche.

A que horas queres ir...

Engordei desde que foste.

- Não. - Sim, foi stressante.

Andaste a beber?

- Alguém andou a beber. - Não como em condições.

- Tenho feito exercício, mas... - Isso tem piada.

Tenho de fazer dieta.

Podes fazer a dieta ucraniana.

- Sim, está bem. - Chama-se stresse.

Tu conseguiste voltar.

Com vida. Foi obra.

Cá está ele!

O que é isto no meu joelho?

Vamos lá.

Olá!

Olá, meu amor.

Olá.

Olá.

Caramba! Nunca me abraçaste assim!

Olá!

- Foi uma atuação muito boa, Lukas. - Muito boa!

Como te lembras de tudo?

Esta manhã, saí da Ucrânia,

fui para a Polónia e voei para Londres,

apanhei o comboio de Gatwick e cheguei a tempo para a tua atuação.

Meu Deus! Meu Deus!

Meu Deus! Caí para cima!

- Cais para baixo, não para cima. - Caí para cima!

Lynsey, podias ler-lhe tu a história.

- Apanha-o! - Estás de volta.

Apanha-o! Apanha-o!

Foram só cinco semanas e é sem misericórdia.

Não me apetece ler histórias.

- Não, lê uma pequena e depois... - Paul...

Alfred? Queres que a mamã te leia uma história?

Sim.

Que mauzinho.

"Vivia com a madrasta má e as meias-irmãs totós.

A Cinderela fazia tudo pela sua família preguiçosa."

Sim. Muito melhor.

Quando foi a última vez que o Lukas tomou banho?

- Boa pergunta. - Porra.

- Tomou duche. - Estou a falar a sério, Paul!

- Deve precisar. - Para aí há cinco dias.

Foi no domingo, não foi?

Meu Deus.

Amanhã queres ir a pé para a escola?

- Sim. - A sério?

Deves ter tido saudades minhas.

É o Lukas ou o Alfred?

É o Lukas.

A que horas se deita?

Às 20h15, 20h30.

Qual é a rotina dele para ir dormir?

Já te esqueceste?

Sim, esqueci-me.

Cama.

Depois de vermos Uma Família Muito Moderna.

- Agora? - Sim!

- Vai chamar o papá. - Está bem.

- Não com o iPad. - Eu sei.

Os miúdos são mais difíceis do que a guerra!

Meu Deus!

Tenho as primeiras páginas todas aqui.

- E aquela. - Sim, gosto daquela.

Esta é a outra.

E esta é muito boa.

Esta, obviamente.

O vídeo de quando foram atingidos por morteiros,

ela não me contou e vi isso no Twitter primeiro.

E ela diz-me: "Porra, pois é.

Achava que não ias ver".

Foi stressante, mas se continuares a pensar nessas coisas,

vais enlouquecer. Por isso, não penso.

- Usava a outra foto. - Pois, não sei porquê.

Fui jornalista e chefiava a redação da Reuters.

Se ambos trabalhássemos em notícias de forma contínua,

seria difícil, certo? Há muito poucos jornalistas

que conseguem formar família e se vão para zonas de perigo, pior.

É impossível aguentar o ritmo das notícias.

Estou tão cansada.

Não queria que ela mudasse. Que fosse quem não é.

Olá, mãe.

- Diz olá ao Paul. - Olá, Camille!

- Tudo bem? - Olá, Paul!

Estás feliz, rapaz?

Sim, é bom tê-la de volta.

Já não tenho de me levantar às 5h20.

Pois é.

Só está feliz por isso.

Quando o conheci,

lembro-me de pensar: "Quem é este tipo arrogante?"

Achei-a uma americana barulhenta.

Mas tornámo-nos bons amigos.

São de origens completamente diferentes.

A Lynsey foi criada por cabeleireiros.

O Paul vem de uma família rica.

O pai dele é conde e ele também, não sei.

Tive uma infância privilegiada.

O meu pai cresceu em França.

Em miúdo, viveu num castelo de mármore junto ao Mónaco,

onde tínhamos um zoo privado.

Ter uma relação foi algo que sempre romantizei.

Mas a forma como me dedico ao trabalho consome-me.

A maioria não aguenta.

Nunca esperei encontrar alguém como o Paul.

Geria equipas, escrevia e fazia notícias de última hora.

Eu dizia: “Vou um mês para o Afeganistão"

e ele dizia: “Está bem.”

Sabia que íamos casar.

Enviou um e-mail a um grupo de mulheres a dizer: "Estou grávida."

O e-mail seguinte foi só para mim

e dizia: "Já agora, quero aquela história!"

É típico da Lynsey.

Tem um bebé de dez semanas.

Pois tenho.

Vai continuar a fazer isto?

Faz essa pergunta aos homens?

Já me perguntaram isso umas 300 vezes nas últimas dez semanas.

Só o tenho há dez semanas!

Comecei a trabalhar três meses depois de dar à luz.

Mas acabei por sair da lista de contactos para grandes histórias.

Alguns editores deram-me serviços.

Histórias mais suaves e menos políticas.

Mas sou fotógrafa de guerra.

Faço este trabalho porque quero ter impacto e afetar a política.

E tirarem-me isso espoletou uma crise de identidade.

Comecei a duvidar tudo sobre mim e sobre a minha carreira.

Em 2018, pedi ao editor de fotografia internacional se podia cobrir Mosul.

E ele disse: "Não vais para Mosul, agora és mãe."

Eu disse: "Se tens um problema comigo, dou-te uma lista de dez mulheres

para contratares para cá".

Sentou-se com o uísque na mão.

Sentou-se assim, com o uísque e disse:

"Trabalho para o The New York Times há sete anos

e não há mulheres suficientemente boas para o The New York Times."

Há a narrativa de que a profissão é dominada por homens.

Mas houve mulheres a fotografar a guerra desde o início.

O maior desafio é ser subestimada.

Parte-se do princípio que uma fotógrafa está menos preparada

para cobrir conflitos e histórias de alto risco.

Queremos realmente esforçar-nos para que os nossos fotojornalistas

sejam o reflexo do mundo que estamos a tentar cobrir.

Ou seja, precisa de uma representação o mais ampla possível.

Há mais pessoas com câmaras na mão do que nunca.

Isso muda o tipo de imagens que vemos, as histórias que vemos.

Acontece tanta coisa na guerra que é suposto nunca serem vistas.

Na guerra do Iraque, lembro-me de testemunhar toda a brutalidade.

Percebi a importância extrema do jornalismo.

Foi nesse momento que pensei: "Isto é tudo para mim".

Soube logo que não queria fazer outra coisa.

Ela é muito boa no que faz.

O que significa, essencialmente, é que vamos a sítios horríveis,

onde a maioria das pessoas nunca iria.

Encontramos forma de entrar e captamos o drama humano num segundo

e depois saímos e ela é muito boa nisso.

A prova disso está nas fotos dela e no facto de ela ainda estar viva.

Estivemos no Iraque na pior altura da guerra.

Os americanos chegaram lá e o país desmoronou numa anarquia.

E nós lá no meio.

As pessoas não tinham eletricidade, não havia gás para cozinhar.

Não conseguiam levantar dinheiro.

Era o caos, os protestos, a génese da insurgência.

Quero fazer um trabalho sobre a incursão...

Vivíamos todos numa casa. O The New York Times,

uns cinco repórteres e uns fotógrafos.

Acho que tínhamos 45 homens armados a proteger o local.

Tínhamos paredes blindadas, metralhadoras alimentadas por fita.

Era uma verdadeira fortaleza.

Testemunhas afirmam que atiradores

mataram, pelo menos, quatro estrangeiros,

mas as vítimas usavam roupas civis e coletes à prova de bala,

geralmente usados pela imprensa...

Antes da invasão do Iraque, havia uma regra tácita,

não se mata repórteres americanos.

Lá, mudou tudo.

Éramos alvos.

Vinham atrás de nós.

A Lynsey e outro repórter, o Jeffrey, entraram no carro.

Decidiram ir para Fallujah.

Uma zona terrível, muito perigosa.

Foram raptados.

Viram o Jeffrey e disseram: “Apanhámos um americano".

Levaram-no para o carro deles. Era o fim.

O meu primeiro instinto é: "Vão matá-lo".

Saltei do carro para junto do Jeffrey, agarrei-lhe o braço

e disse: “Este homem é o meu marido", fiz este gesto.

De imediato: “De onde é e o que faz aqui?”

E a última coisa que se queria ser no Iraque é um americano.

Peguei nos dois passaportes e enfiei-os na roupa interior,

debaixo da minha abaya.

“Somos jornalistas. Sou italiana, ele é grego.”

Ela salvou-o.

Não sabiam o que fazer e disseram: "Saiam daqui".

E libertaram-no.

Foi por pouco.

Antes disso, pensava que era invencível.

Os jornalistas tornaram-se alvos a abater, cada vez mais.

Podiam ser mortos, raptados, espancados, ameaçados.

Acontecia cada vez mais por todo o mundo.

É a 12.a jornalista da Al Jazeera morta.

Terá sido decapitado pelo ISIS.

Bombardeado pelos militares sírios.

Vão, vão, vão.

UCRÂNIA, ABRIL DE 2022

Sem capacete?

Ele é imortal.

Porra. Não digam isso.

Meu Deus. Não há aqui madeira.

Onde estão as posições russas?

Onde estão as posições russas?

Vamos até lá.

Vamos até às posições russas.

Porque pode haver minas.

Meu Deus.

Tem cuidado.

Mais uma vez.

Olha como faz a Yulia.

Chamo-me Yulia Bondarenko.

E tenho 30 anos.

Fale-me da sua vida antes de se alistar no exército.

Agora sei que tinha uma vida boa antes da guerra.

Lia muito.

Era muito simples, mas era uma vida ótima.

Yulia é uma das soldadas que conheci no segundo dia da guerra

e que era professora.

A reação a essa foto dela foi incrível,

era o espelho das pessoas que se ofereciam para ajudar,

apesar de terem medo.

A minha ideia era segui-la durante um ano.

Imaginava que ia casar e ter filhos e o que pensa agora do seu futuro?

Agora, é assustador pensar em ter filhos,

porque sei que sou capaz de fazer coisas diferentes

e não tenho medo por mim,

mas se tiver filhos vai ser muito difícil para mim.

Estamos no quadrante que é constantemente atingido?

- Sim. - E perto de uma base militar?

Porra!

- Não é muito longe. - Não.

Porra. É perto.

- Muito perto. - Não será melhor ir?

Vamos para o hospital.

Vamos para o hospital?

As melhores histórias estão nos sítios mais perigosos.

Pondero, constantemente, o motivo pelo qual arrisco a vida.

E costumam ser civis.

A minha vida é isto, bombardeamentos dia e noite!

Os mísseis que não têm estilhaços.

É por isso que as bombas são letais. Isto atravessa-nos e morremos.

ZAPORÍJIA, SUDESTE DA UCRÂNIA

Destruíram a minha casa.

Destruíram o apartamento, queimaram tudo.

Não há nada em Mariupol, nada.

Estávamos em Zaporíjia a fotografar o êxodo de Mariupol.

E foi quando Mariupol ainda estava cercada.

Havia famílias que viveram seis semanas em subterrâneos.

Muitos não conseguiam sair e os que conseguiram, estavam arrasados.

Ouvi uma menina a chorar.

Ela e a mãe tinham fugido na semana anterior

e deixaram a irmã de 18 anos para trás,

porque a irmã tinha um namorado que não queria deixar.

A rapariga pensou que nunca mais veria a irmã

e a irmã apareceu uma semana depois.

A guerra real não é como nos filmes.

Brincar com a morte, com amputações

ajuda-nos a ultrapassar este momento de medo.

Ia dormir a pensar: "Espero que não entre um míssil pela janela".

Porque já todos dormimos em edifícios

ao lado de onde o míssil embateu e, por sorte, não embateu no nosso.

A guerra é imprevisível.

Percebemos que cada momento

pode ser o último.

Olá, Lyns!

Olá, mãe!

- Como estás? - Bem. A imagem congelou.

Devia partir hoje, mas há recolher obrigatório.

- Para vir para casa? - Não agoires!

- Também disse isso à Lisa, ela... - Não, não.

Não estou a agoirar. Estou só feliz por te ver,

porque não ligo a televisão. Não consigo.

É melhor não ligares.

Está tudo bem.

Não há nada, está tudo bem. Aqui estamos em segurança.

Uma de nós via e passava a mensagem: "A Lyns está bem".

Enviávamos mensagem para os pais, entre nós.

Duas vezes por dia enquanto esteve na Ucrânia.

Sim, era de manhã e à noite.

Sou a mais nova de quatro.

Sempre admirei as minhas irmãs e queria estar com elas.

- Era algo... - Era choramingas.

Um pouco chata, mas destemida desde que nasceu.

Não aprendeu a nadar.

Saltou para a piscina e começou a nadar.

As duas do meio eram muito chegadas e implicavam sempre com ela.

Pendurávamos-lhe cartazes ao pescoço

enquanto dormia, a dizer: "Sou feia".

Abri uma lata de refrigerante e despejei-lha na cabeça.

Mas costumamos dizer que foi isso que a tornou

no que ela é hoje, tornámo-la rija e éramos implacáveis.

- Ela estava em guerra. - Sim.

Os meus pais eram cabeleireiros no Connecticut.

Muitas pessoas criativas trabalhavam para nós

e tínhamos muitos amigos criativos.

Davam muitas festas.

- Havia drag queens... - Sim.

Era muito colorido.

Todos eram bem-vindos, sempre.

Sem juízos de valor, isso era o mais importante.

Na minha família não íamos a museus ou galerias ao fim de semana.

Éramos tudo menos intelectuais, nem tínhamos livros em casa.

Lembro-me de a nossa família ser muito feliz.

E, quando tinha oito anos, lembro-me de a minha mãe nos meter no carro,

de ir para o parque de estacionamento e dizer:

"O teu pai vai viver com um amigo em Nova Iorque e não vai voltar".

E pensei: “Vai viver com um colega de quarto, com um amigo".

Não fazia ideia. Não juntei as peças.

Ele era casado, por isso, presumi que não fosse gay.

Mas claro, percebi que ele era gay quando me abordou.

A transição de ser o melhor amigo da nossa mãe

para namorado do nosso pai, foi mais dura para a nossa mãe, claro.

Para nós, não pareceu traição porque foi tudo muito amigável,

mas foi muito falado. - E isso foi muito difícil.

Fiquei magoada com o meu pai.

Estávamos em contacto.

Eu ia a casa dele, mas havia muito ressentimento subjacente.

Um dos clientes deu uma câmara ao meu pai e ele deu-ma

quando eu tinha 12 ou 13 anos.

Fiquei obcecada e ficava na câmara escura

até altas horas da noite.

Não sabia o que era o fotojornalismo.

Estudei Relações Internacionais

e Italiano na Universidade de Wisconsin.

Mas, quando me formei, só queria fotografar.

Percebi que podemos contar histórias com fotos.

E a minha câmara tornou-se numa desculpa

para entrar e sair de qualquer situação.

Podia dizer: "Quero tirar fotos, posso entrar?"

Viajava e conhecia pessoas porque tinha uma câmara.

Mãe!

- Mãe! - Alfred!

- Queres mais pão, Alfie? - Ri-te!

Alfred, vais ser fotógrafo como a mamã?

Sim!

Ele não pode ser fotógrafo!

Há receios de novos ataques das forças russas.

Pensa-se que mais de cinco mil civis terão morrido nos combates.

- Lukas? - Vou carregar isto,

estou a colocá-los aqui.

- O que é isso? - Nada.

O que é isto?

- O que é? - É uma placa.

Para o meu colete.

O Lukas está a ficar mais consciente,

mas ele tem muitos mecanismos de defesa,

em que ou se fecha ou finge que não importa.

Ele não fala sobre nada.

A professora disse que o Alfred chorou quando outra mãe...

O miúdo disse que ia estar com a mãe.

Ótimo. Estás a fazer-me sentir pior porquê?

- A sério? Caramba. - E ele estava a chorar.

A Sarah teve de o abraçar.

Ficou algo sensível.

Quando não estou a fotografar, não tenho mãos a medir.

Tento fechar reportagens, editar, legendar.

Tudo isto tem prazos apertados.

Desde a guerra, ela tem estado muito ausente.

Um mês na Ucrânia, regressa talvez duas semanas,

depois tem de fazer uma palestra

ou uma exposição, e depois está em casa um pouco.

O teu nome é "Mamã".

Sim, o meu nome é "Mamã".

Depois vai para a Ucrânia e depois outra coisa.

TRIBO KANAMARI, BRASIL

Para sermos relevantes, temos de estar sempre disponíveis.

Ela preocupa-se com isso.

Por estar mais velha, se não o fizer,

mesmo sendo boa fotógrafa, não a contratam.

Um de nós tem de ser uma constante na vida dos miúdos.

O Paul saiu da Reuters, começou a fazer consultoria

e permitiu-nos ter uma família.

- É bom? Gostas? - É a ele que a escola liga.

É ele que vai às reuniões de pais, que os leva à escola de manhã.

Preparei tudo para que, se algo me acontecer, eles têm o Paul.

Agora treina todos os dias?

Sim.

E ainda tem medo?

Sabe... eu...

Não consegui chorar ao longo destas semanas.

Não sei porquê, porque vi vídeos horríveis,

fotos com pessoas mortas, crianças,

mas agora estou apenas zangada.

E não tenho medo. Não.

Vou arrepender-me de não ir para a floresta se não formos.

Claro que vou. Arrependo-me sempre de tudo.

Vais arrepender-te de ires se perderes as pernas.

Eu sei.

Alguém usa isto ou fica só aqui?

Estamos à espera de...

Estamos à espera de que se maquilhem.

Meu Deus, isto é...

Estás muito longe da linha da frente

se os soldados têm de vestir os coletes de proteção para a imprensa.

É tão falso.

Só querem ver as nossas atividades diárias, o que fazemos.

Para mim, não dá. Vamos a outro sítio?

Tiro uma foto para ficarem felizes, porque se vestiram para as câmaras.

Trazem jornalistas aqui todos os dias.

Estou de mau humor. E esta luz é tão má.

Não quero estar na frente. Tenho de estar na frente!

É perigoso estar na frente. Porque não estamos lá?

Bem-vindos ao interior do meu cérebro.

Um cenário de guerra não significa que haja combates por todo o país.

Na Ucrânia, há alguns sítios que são mais atingidos do que outros.

Mas em Kiev a vida continua.

AGOSTO DE 2022

A Ucrânia sempre foi um dos melhores sítios para barrigas de aluguer.

Com a guerra, as famílias não puderam vir buscar os bebés.

Talvez leve um consigo!

Havia tantas mulheres grávidas com bebés de outras pessoas.

Podemos filmar a sua cara ou não quer aparecer?

Não quer aparecer.

E as crianças podem aparecer?

Se as crianças aparecem, tudo bem?

- Onde vão transmitir? - Na América.

Não conhecemos ninguém na América.

Ela não conhece ninguém nos EUA.

Sim, mas pode surgir Internet ou...

Mas pode espalhar-se.

Carrego no ventre o nosso príncipe chinês.

Estou a protegê-lo.

De onde são os pais?

- É menino ou menina? - Uma menina. Do Brasil.

Estas mulheres que dão à luz por outras são uma espécie de anjos.

Entendem? Trazem uma vida para situações onde outras não conseguem.

O Alfred veio de uma barriga de aluguer.

E claro que senti essa ligação.

- Tive um acidente de carro em 2009. - Respire fundo.

Fui atirada de um carro numa autoestrada no Paquistão.

As minhas costas ficaram cada vez piores ao longo dos anos.

E depois de ter o Lukas, tudo se desmoronou.

Quando pensámos em ter outro filho,

para mim, nem parecia uma possibilidade.

- Sente-se bem? - Sim.

Passo a maior parte do tempo livre

a recuperar forças para um novo serviço.

- Bolas! - Consegui!

São só 20 quilos.

O exercício é uma parte importante da minha vida.

É assim que ponho os pés no chão.

É aí que tenho tempo para processar as coisas.

É a única forma de eu poder continuar nesta profissão

mais do que uns anitos.

Esta é a minha vida.

Ela está sempre numa missão.

Focada e motivada pelo que tem de fazer no mundo.

Ela fará isso a todo o custo.

Quando casámos,

os nossos pais deram-nos 10 mil dólares como prenda de casamento.

A Lyns disse ao pai e ao Bruce: "Nunca me vou casar.

Quero os 10 mil para comprar câmaras."

No fim dos anos 90 trabalhei na AP,

mas queria ir para o estrangeiro.

Por isso, mudei-me para a Índia em 2000.

Comecei a focar-me nos problemas das mulheres

e no facto de a maioria das mulheres no mundo não terem direitos básicos.

No Afeganistão sob domínio dos Talibãs,

as raparigas só podem ficar na escola até aos 12 anos.

As mulheres não podiam sair de casa sem autorização do marido

ou trabalhar fora de casa.

Muitas foram violadas ou forçadas a ter casamentos combinados.

Quando trabalhei no Afeganistão, nem de graça queriam as fotos.

Depois aconteceu o 11 de setembro.

Quando as agências noticiosas

tentavam perceber as diferentes histórias

relacionadas com o rescaldo do que tinha acontecido,

ela teve a ideia.

Disse que queria contar a história das mulheres da jihad.

Dando uma imagem desta comunidade na qual poucos sabiam

o que realmente acontecia dentro de portas.

Neste tipo de trabalho, muitos escolhem preto e branco,

o que permite fazer algo um pouco mais metafórico ou poético,

mas ela não.

O que define um bom fotojornalista

é a capacidade de criar fotos memoráveis,

mas também ser capaz de procurar a história, de perceber a história.

No Afeganistão ocidental, era muito comum

para as mulheres que se queriam suicidar

encharcar-se em gasolina

ou outro combustível e imolarem-se, muitas vezes nem morriam.

Passei uma semana numa unidade de queimados,

a ver mulheres atrás de mulheres,

às vezes até meninas completamente queimadas

e já as cheirávamos antes de as vermos.

Todas tinham sido violadas.

E percebi que era por isso que as mulheres se imolavam,

porque qualquer coisa é melhor do que as suas vidas.

E lembro-me de ficar assoberbada.

"Não consigo fazer isto.

Não consigo interiorizar esta dor e estes maus-tratos."

Fui dominada por um sentimento de injustiça.

Percebi que consigo entrar na vida das mulheres

com a minha câmara.

A Lynsey tem uma capacidade distintiva de ir a sítios

onde os homens não são bem-vindos.

Consegue cobrir partes da história que eles não conseguem.

Quer tirar fotos impactantes e mostrar a realidade de perto,

na esperança de que surta efeito.

SERRA LEOA, 2010

A Mamma Sessay tinha dado à luz o primeiro gémeo

e o segundo bebé não queria sair.

Ela teve de ir de canoa até à ambulância

e seguir seis horas por estradas acidentadas até ao hospital.

Meu Deus.

Por fim, deu à luz o segundo bebé.

O que é isto? De onde vem este sangue?

É a placenta?

Naquela altura, eu não sabia nada sobre partos.

Sessenta por quarenta?

Ela parecia cada vez mais fraca.

Parei de fotografar e perguntei às parteiras: "Onde está o médico?"

Há um médico na província e deve estar a operar.

Corri para a ala cirúrgica e disse: "Acho que há uma mulher a morrer."

Nesta altura, já estou envolvida,

talvez não devesse, mas estava a ver uma mulher morrer.

O médico veio, mediu-lhe a tensão e ela estava morta.

Nessa altura,

morriam mais de 500 mil mulheres por ano no parto.

E a maioria desses casos era completamente evitável.

Queria que fosse publicado

para que pudesse ajudar a mudar alguma coisa.

OS PERIGOS DA GRAVIDEZ: A HISTÓRIA DE UMA MULHER QUE MORREU PARA DAR À LUZ

Olá, Alfred.

Ainda devias estar a dormir.

Ainda são 6h30. Anda, anda.

Não, são 6h30, Alfred.

Anda, levo-te ao teu quarto.

- Tenho fome. - Sim, daqui a pouco.

Alfred?

Onde está a mamã?

A mamã está a trabalhar, Alfred.

Lá em baixo?

Está noutro país, mas voltará em breve.

- Tens de dizer "saúde". - Saúde.

Saúde.

É a duração dos serviços.

Foi sempre um desafio na nossa relação.

Uma ou duas semanas não é nada de especial,

mas mais de três semanas, as coisas tendem a descambar em casa.

Cuidado, Alfred!

Aqui, está bem.

Cortar. Cortar.

No meu coração, só quero tirar fotos.

É frustrante. Torturo-me por não estar no sítio certo.

Mas volto e é suposto estar muito feliz.

Depois penso que devia estar lá e sinto-me má jornalista por não estar.

A minha cabeça está sempre onde não estou.

- Olá, Lukas! - Quando voltas?

Daqui a dez dias.

- Não! - Eu sei, meu amor.

É um meio-termo, certo?

Ela quer fazer tudo e estar em casa,

mas não é possível.

REGIÃO DE DARIÉN

Atrasou-se tudo.

Talvez só chegue a casa no sábado.

Sou péssima mãe. Sou péssima jornalista.

Estou sempre a ceder. Não consigo. Troco com alguém.

Não, não, não.

- Isto é... - O quê?

Está sempre a pedir isso.

A sério que não vais... Não podes só ser mãe?

Papá, papá, adoro-te!

Com o Alfred, houve uma grande regressão,

xixi na cama e isso.

Uma onda de mísseis sacudiu a Ucrânia.

Com o Lukas, haverá momentos em que verá mísseis da Ucrânia na TV.

Não sei o que fazer para evitar

que seja criada este tipo de ansiedade.

Meu Deus!

Cuidado! Cuidado!

Cuidado com a cabeça, o teto é baixo.

Aqui podemos fotografar?

Sim, podem.

Por aqui, por aqui.

- Boa tarde. - São tiros de artilharia.

Não estamos vestidos.

Os russos entraram nesta cidade?

Meu Deus. Escolhemos o dia errado.

Numa zona de conflito, cronometramos as coisas ao minuto.

A Lynsey conhece esses limites, mas quer levar tudo até ao limite,

a ponto de nos sentirmos desconfortáveis por estar num sítio.

A Lynsey vai continuar a avançar

até conseguir o que quer.

Credo!

Porra!

Odeio isto.

Perguntam-me sempre e a ela também:

"São viciados em adrenalina?

São viciados em guerra?”

Poucas pessoas conseguiram fazer isto durante muito tempo

sem destruir as suas vidas.

Basta olharmos para os resultados.

Divorciado, divorciado, divorciado, tem um caso, bebe demais.

Uma demonstração de força não vista desde a Guerra Fria.

Somos viciados na grandeza daquilo.

Talvez a maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Estes países mudam tão depressa.

As tropas ucranianas recuperaram Kherson este mês.

É história a alta velocidade.

É tudo acelerado.

É incrível estar no meio disto.

Não há um momento de sossego, tudo é intenso.

Estou mais presente a trabalhar.

Sinto-me em casa.

Sinto-me inspirada e entusiasmada quando estou a cobrir algo

que sei que contribuirá para a imagem histórica do que aconteceu.

A queda dos Talibãs, a guerra do Iraque,

o Vale do Korengal no Afeganistão.

AFEGANISTÃO, 2007

Pedimos para ir ao Vale do Korengal,

era o local onde os EUA estavam a largar mais bombas no país.

O Pentágono não permitia mulheres na linha da frente,

mas não havia a mesma ordem para jornalistas.

Todos os dias, os pelotões tinham de patrulhar.

Em vez de armas,

a Lynsey tinha câmaras e lentes presas a ela por todo o lado.

Disparavam quase sempre contra eles no regresso.

Se não estivessem bem fisicamente, colocar-nos-iam em perigo.

Mas aquelas duas mulheres são duras de roer,

ganharam logo a nossa confiança.

Passámos mais ou menos dois meses com estes homens.

E tivemos várias conversas,

sobre as suas vidas, o que queriam fazer quando saíssem.

A Rock Avalanche foi a operação mais difícil em que ambas participaram.

A ideia era saltar de helicópteros a meio da noite

dentro do território talibã,

presumindo que os talibãs disparariam para os americanos poderem ripostar

e revelariam a sua posição.

Podemos enviar um de oeste para leste. Terminado.

Terminado.

Tim Hetherington estava com um pelotão.

A Lynsey e a Elizabeth ficaram comigo.

Sabíamos que algo ia acontecer, mas não sabemos quando.

Não sabemos de onde virá.

As árvores impedem-nos de ver o inimigo.

Era como lutar contra fantasmas.

Não quero dizer que a Lynsey implorou,

mas foi persistente.

Ela quer estar onde o combate irá acontecer.

E quase mal a Lynsey lá chegou, os combates no vale começaram.

Foi um momento tão caótico,

eram só balas, fomos emboscados por três lados.

Houve três feridos.

E depois vi-os transportar um saco para cadáveres.

Comecei a chorar, parei e disse: “É possível?

Posso tirar uma foto?” E ele disse que sim.

Exigimos muito aos nossos soldados em tenra idade.

Deve estar a perguntar o mesmo que eu perguntava:

"O que faço aqui?"

A nossa nação tem de entender o custo da guerra.

O que a Lynsey e todos na profissão fazem,

acho fundamental.

É mais do que uma profissão. É quase um dever ou uma missão.

A guerra está sempre tão distante por causa da proibição de fotografar

os caixões que regressam aos EUA,

o preço que milhares de famílias pagaram

que ninguém documenta porque somos censurados

ou não estamos lá ou não temos permissão para publicar.

Não concordo que devamos censurar a guerra.

Quando decidimos invadir um país,

há que entender as consequências.

UCRÂNIA, NOVEMBRO DE 2022

Foram trazidos para aqui.

Mulheres e homens foram aprisionados aqui.

Mandaram-lhes mudar a sua opinião política

e renunciar a quaisquer mágoas contra a Rússia.

Tirámos amostras para análise de ADN.

Prenderam uma máscara a um chapéu.

Tacos, tubos...

Os gritos eram constantes.

Os interrogatórios eram constantes.

Marcavam os seus dias.

Esta cobertura fornece à comunidade internacional

provas de como os russos lidavam, tratavam e matavam pessoas.

Desenterrou a sua família?

Um soldado ajudou-me.

Revezámo-nos.

Já registámos mais de 5000 crimes de guerra.

Como se sente agora? Achou que ainda estaria aqui?

Nos primeiros dias,

esperava que a guerra acabasse dali a uns meses.

Mas agora percebo que pode durar anos.

Nas primeiras duas semanas ou dez dias, não sabia quem era.

Foi terrível para mim porque sei que sou professora,

sou a Yulia, sou uma amiga, uma filha.

O que devo dizer? Até nos voltarmos a ver.

"À tua, parabéns por regressares a casa em segurança."

- Se Deus quiser! - O mais rápido possível.

Rezo todos os dias.

Veja o meu livro de orações.

E a minha foto foleira?

Não, estás tão gira! Eras tão pequena!

Eu também, nessa idade, tinha uma cara grande.

Agora, sei quem sou.

Tenho amigos novos, uma família nova.

Acho que sou outra pessoa.

Não sou a mesma pessoa que era antes da invasão.

Tens de perceber que, se prestares atenção à tua dor, vais enlouquecer.

Por isso, rejeitas.

A quantidade de histórias difíceis que já cobri...

é muito para processar.

Pergunto-me onde estará tudo isso na minha cabeça e no meu coração.

Eu sei que está lá

e sei que falo disso de forma metódica,

mas é difícil de ver...

É uma forma estranha de viver,

porque a Lynsey, por exemplo, vê,

vê muito sofrimento todos os dias.

Condicionamo-nos a pôr isso numa caixa e fechamos à chave.

O Lukas come isto ao jantar.

Não!

A mamã vai adorar o jantar, Alfred.

Não está com bom aspeto.

Agora!

- Estás ansioso por vê-la? - Sim.

Quanto?

- Mais. - Mais do que o quê?

Qualquer coisa. Ela é uma trabalhadora.

Fotógrafa e trabalhadora.

- Quem é? - A mamã.

Sabias?

Sabias que eu vinha?

Meu amor!

Mamã! Mamã!

Estás entusiasmado, Alfred?

Vês como já se tornou um super-herói?

É bastante inovador.

Tem estado assim desde que fui?

Está só entusiasmado.

Não!

Cuidado com o meu olho.

O que seria da mamã sem o meu olho?

Não serias nada.

Sim, exatamente.

Lukas!

- Olá, mamã. - Olá.

Olá, meu amor.

Tive tantas saudades tuas.

Mamã!

É o melhor dia de sempre!

Quero ter-te sempre cá.

Ter-me em casa?

Para nunca mais ires embora.

Eu sei, mas a mamã tem de trabalhar.

Nunca mais tens de ir trabalhar.

A sério?

Tem de ser, meu amor.

- É a tua última vez. - A trabalhar?

Sim.

Que tal só mais dia e acabou?

Um dia é difícil, mas...

Que tal três dias? Só isso.

Três! Um, dois, três e já está.

- E voltas. - E eu volto?

Sim.

Depende para onde for.

Alguns sítios ficam muito longe, por isso se for...

às vezes, demoro três dias a chegar ao meu destino.

Sabes?

Faz sentido?

E se fosses para o sítio mais perto de sempre?

Queres que trabalhe em Londres?

- Sim. - Não posso fazer isso.

Ele precisa de um Valium.

Não sei como é que alguém aguenta com ele 24 horas por dia.

Tem tanta energia.

Acho que ele precisa de uma mudança.

Precisa de estar num ambiente calmo.

Sim.

Sim.

Falámos sobre a importância de cobrir a Ucrânia

e eu concordei e disse ser boa ideia ela ir.

Não pensei que durasse tanto,

digamos assim.

O principal problema com o qual temos de ter cuidado

é se começarmos a viver vidas separadas.

Paul, não posso... Isso já aconteceu antes.

Ele fechou-se e passámos por um momento difícil

e começámos a fazer terapia e trabalhámos muito nisto.

Phoebe, amo-te, mas o meu trabalho é a minha vida e é o que tenho de fazer.

E eu disse: "O teu trabalho?

Como podes dizer isso?’

E depois dizes: "Está a dar cabo de mim".

Parecem conversas que já tivemos.

Lukas, o que vais comer amanhã depois da escola?

Queres peixe carvão para o jantar na festa de sábado?

O que se passa?

Estás com espasmos?

Como tens tantas cócegas?

O Alfred está sempre a falar de quando vais voltar.

Olá, meu docinho.

Ele agora percebe o tempo e está muito ligado a ti,

estranhamente.

Fizeste dez anos quando estive fora?

Que idade tens agora?

Ainda não.

Dizes a todos que tens cinco anos?

Tens quase cinco anos.

Há limites para o que posso controlar.

Sim, eu sei.

Mas não planeio fazer serviços de quatro ou seis semanas.

Não agora.

Após casarmos, ele disse: “Vamos constituir família".

E eu disse que não.

Ela não o teria feito sem a minha insistência.

Sempre me imaginei com uma família,

porque cresci com uma família carinhosa.

Mas não ali naquele momento.

Estava no auge da minha carreira.

Não conhecia fotógrafas com filhos.

Não imaginava como seria a minha vida.

O Paul estava a falar a sério.

Estávamos a jantar e ele disse: "Quero uma família".

Não entendia o quão difícil é, principalmente no trabalho dela.

Para ele, é fácil ter filhos. Gere uma agência,

não tem de ir a lado nenhum e não há problema.

Na altura, também via as coisas assim.

Disse: “Devíamos esperar pelo menos um ano".

Negociei para, no dia 1 de janeiro de 2011, deixar de tomar a pílula.

Fiz isso, mas não estava em casa.

Fui para o Sudão do Sul, para o Iraque,

e começou a Primavera Árabe.

Grandes protestos contra a corrupção, a repressão...

Houve manifestações no Iémen e na Argélia.

Está a espalhar-se por toda a região, sobretudo pela Líbia,

onde Muammar Gaddafi lidera um dos regimes mais repressivos.

Cobri o Médio Oriente e o Norte de África durante anos.

E disse: “Quero ir à Líbia".

Foi no fim de fevereiro de 2011.

Eu estava em Benghazi a cobrir uma espécie de governo paralelo

criado pelos jovens na Líbia Oriental.

Avançámos com o primeiro grupo de voluntários.

O exército de Gaddafi tinha mais armas, tecnologia,

combatentes mais treinados.

Ouço um avião.

Não tinha onde me esconder.

O terreno era plano

e uma bomba podia cair ao nosso lado.

Todos os dias eram aterradores.

Estive duas semanas na linha da frente,

a ser "martelados" todos os dias.

Liguei ao editor e disse: "Tenho de sair daqui".

E ele disse: "Está bem".

Na equipa, estavam o Anthony Shadid, o Steve Farrell, o Tyler Hicks.

Tyler Hicks é, para o resto do mundo,

um dos mais famosos e intrépidos fotógrafos de guerra.

Para mim, é alguém com quem cresci.

Conheço-o desde os 13 anos.

Sou freelancer, mas o Tyler não,

é o fotógrafo principal do The New York Times

e o editor disse-lhe: "Acho que devias ficar aí".

Decidi ficar com o Tyler. Não ia deixar o Tyler sozinho.

Por algum motivo, naquele dia, tive uma premonição horrível.

As coisas estavam a ficar tensas na linha da frente.

E havia muito fogo de artilharia a ser disparado sobre a nossa posição.

Mohamed, o nosso condutor, começou a receber chamadas do irmão:

"As tropas de Gaddafi chegaram. Têm de sair daí".

E o Gaddafi disse repetidamente ao exército:

"Se virem jornalistas, são espiões, executem-nos".

Andam a espalhar mentiras em rádios e televisões.

Tínhamos todos entrado ilegalmente.

Estou a passar-me, mas não quero dizer nada porque sou a única mulher.

E o Mohamed começa a gritar: "Temos de sair daqui!"

Ao entrarmos na estrada principal, lá ao longe,

vejo o que pareciam soldados e disse:

"São tropas do Gaddafi".

Chegámos ao posto de controlo.

As tropas do Gaddafi apontavam as armas e gritavam:

"Saiam! Parem o carro."

O Mohamed para o carro, sai,

levanta os braços e diz: "Sahafi".

Jornalistas.

Há tropas do Gaddafi por todo o lado.

Eu estava a olhar para o cano da arma e olhei para a direita e vi o Tyler,

o Anthony e o Steve a implorarem.

E o nosso jovem condutor, o Mohamed, foi executado.

Estava à frente da Reuters, na Índia, em Deli.

Recebi uma chamada, acho que de noite,

da namorada do Tyler, a Nikki:

"Tens notícias da Lynsey ou do Tyler?" E eu disse que não.

Estava em casa,

mas ia para casa da minha mãe e fui verificar o voicemail.

O CEO do The New York Times deixou-me uma mensagem para lhe ligar.

Liguei e ele disse: "Sra. Addario,

temos notícias tristes."

Deixei cair o telefone.

Pedi à rececionista para ligar ao The New York Times,

porque eu não conseguia falar com eles e depois voltar ao que estava a fazer.

A senhora disse-me: "Por favor, pare. Não faz mal. Vá para casa.

Corta-me o cabelo depois". Eu disse: "Tenho de fazer isto".

Os dedos do pé direito, onde exerço pressão, ficaram enrolados,

porque estava sempre a enterrar o meu pé no chão.

Não há notícias de quatro jornalistas.

Lynsey Addario é uma delas.

Falarei com o marido numa entrevista exclusiva.

Apelo ao Muammar Gaddafi e ao filho

para que os encontrem e os tragam em segurança,

para trazerem a minha Lynsey de volta.

Não tinha sido o primeiro rapto

e muitas outras pessoas tinham morrido.

Não conseguia dormir.

Dizia-lhe: "Tens de voltar, temos de ter filhos".

Essa é a minha... tenho tentado...

- No dia em que o Paul falou... - Ia dizer isso.

... eu ainda nem tinha chorado.

Ele apareceu e vi a cara dele,

ouvi-o dizer aquilo e desatei a chorar.

Não saber se estava morta, viva ou se havia sido violada.

Deve ter sido o pior período da minha vida.

Os primeiros três dias, foram muito violentos.

Estávamos vendados e amarrados.

Davam grandes tareias ao Tyler, ao Anthony e ao Steve.

Havia um tipo a acariciar-me a cara e a repetir algo repetidamente

e perguntei ao Anthony o que dizia.

"Vais morrer esta noite."

Andámos de carro durante horas, ao longo das linhas da frente

por aldeias hostis leais a Gaddafi.

Sempre que abrandávamos num ponto de controlo, apareciam multidões

e queriam bater-nos.

Havia um soldado ao meu lado, tocava-me em todo o lado.

O meu primeiro pensamento foi: “Só não quero ser violada".

Os editores foram os últimos a entrar em contacto

com os seus jornalistas na terça de manhã.

Não sabíamos se estavam vivos ou mortos.

Eu não dormia.

Falei com contactos, com o Presidente e Primeiro-Ministro turcos.

Primeiro para saber se estavam vivos, depois para tentar tirá-los de lá.

Levaram-nos para uma sala, sentaram-nos no tapete,

tiraram-nos as vendas e olhámos uns para os outros

e ele disse: "Agora estão a salvo.

Não vos vamos bater mais". E todos choravam.

Estávamos todos destruídos.

Um dos agentes líbios deu-me o telemóvel

e eu encostei-o ao ouvido e era o Paul.

Ele disse: "Vais ser libertada

e encontramo-nos na Tunísia."

EM BREVE, REENCONTRAREI O MEU AMOR!

Os quatro jornalistas

capturados e detidos durante seis dias foram libertados.

Ela estava um caco. Estávamos todos.

Chorou muito e estava muito emocionada.

Enfrentaram o medo de perder a vida em serviço.

Foi agredida sexualmente?

Fui apalpada.

- Repetidamente. - Sempre?

Quase sempre que éramos entregues a outro grupo de homens.

É muito aberta sobre o que aconteceu. Acho que isso ajudou muito.

Falámos sobre o que pensa,

da influência que acha que teve ao tirar estas fotos brilhantes

e mostrar ao mundo os perigos,

principalmente das mulheres, mas de pessoas em perigo.

Vale a pena?

É uma pergunta difícil.

Quando estava vendada,

a levar socos na cara, perguntei-me: “Porque faço isto?

Quem quer saber da Líbia? Porque me importo com a Líbia?"

Pergunto-me isto repetidamente.

Faço-o porque acredito, mas valerá a pena arriscar a vida?

Fazer isto às pessoas que amo?

É uma pergunta difícil.

Demorou algum tempo.

Acho que há poucas pessoas no planeta

que compreendem como vivemos as nossas vidas e porque fazemos o que fazemos.

Esta é a história de dois jornalistas

que perderam a vida em serviço.

Foram mortos a cobrir a guerra na Líbia.

Chris Hondros e Tim Hetherington...

Estive com o Tim Hetherington em Korengal

e conheço o Chris Hondros há muitos anos.

A morte do Tim e do Chris levou-me ao limite

de uma forma que o nosso rapto não levou.

Não entendia porque sobrevivemos e eles não.

Pensei: "Que se lixe isto.

Chega!

Chega de morte!"

Tive de me recompor, perceber emocionalmente

com quanto conseguia lidar e não só eu,

com quanto a minha família conseguia lidar.

Um dia, recebi um telefonema.

Ele disse: “Sou membro da direção da Merck, a farmacêutica.

Quero contar-lhe uma história sobre a Mamma Sessay."

"Quando essa história saiu,

coloquei uma cópia da história à frente dos membros da direção

e unanimemente decidiram investir 500 milhões de dólares

para prevenir mortes maternas".

Os Médicos Sem Fronteiras também viram a história

e implementaram um programa de ambulâncias na Província de Bo.

Só nessa província, reduziram a taxa de mortalidade materna em 60 %.

Para mim, foi um daqueles momentos.

Vejo muitas mulheres a morrer. Vejo muitas pessoas a morrer.

E, de alguma forma, senti que algo resultou

e que talvez pudesse ajudar as pessoas.

Nunca nos habituamos a ter uma irmã fotógrafa de guerra.

- Não podemos pensar demasiado... - Senão ficamos doidas.

- Para quê, não é? - Exato.

É para a carne ou para o frango?

Saúde!

Ela sabe que me preocupo com ela.

Perguntei-lhe: "Não voltas, pois não?"

"Sim. Talvez em agosto."

Então, a conversa acabou aí.

O que é que posso fazer? Dizer-lhe que não pode ir?

Outra do Loggins e Messina.

Estás a chorar?

É o stresse pós-traumático.

Acontece de vez em quando

quando menos se espera, ela vai-se abaixo.

Parecemos o Kenny Loggins a cantar.

Bem. Isso estragou tudo.

Eu sei.

Como correu a escola?

- Bem. - Sim?

Sim.

Vamos receber uma chamada do Sr. Bullard?

- Pollard. - Não é Payson Bullard?

- Sim. Sim. - Vês?

Eu sei uma coisa.

É das poucas que sabes sobre a escola.

Lukas, defende-me.

Pelo menos sabes onde fica a escola.

Eu sei onde fica. Sempre soube onde fica a escola.

Não sei onde são as salas de aula, mas sei onde fica a escola.

Enquanto a mamã está a trabalhar, tu vês Netflix.

Sim, obrigada, Lukas!

Quer dizer, trabalho muito!

Passa muito tempo ao telefone.

Lukas, porque não atendes quando ligo?

Só me contactaste quando estava na Ucrânia e foi para me pedir

para pôr dinheiro na tua conta.

E depois pergunto-te como estás, se tens saudades minhas?

Não respondes.

O Lukas disse: "Não quero que vás" e "Tens de voltar para a Ucrânia?"

Se o Lukas, que se expressa poucas vezes, quer isso,

é porque o está a afetar.

Há quem pergunte como faço isto sendo mãe.

É algo muito maior do que qualquer um de nós

e acho que se apodera de nós.

Algo que começa como um "experimenta isto".

Experimentamos e depois torna-se numa missão

e depois torna-se na nossa vida.

E depois torna-se uma responsabilidade.

São 869 mortos em oito anos de guerra.

É um campo de batalha há mais de 20 anos.

Morreram mais de 10 mil pessoas no Iémen.

- Dois milhões de desalojados. - Milhares mortos, milhões à fome.

Todas vítimas de uma guerra que o mundo ignorou.

As pessoas têm tendência a seguir em frente.

O meu trabalho é fazer com que continuem a prestar atenção.

Dediquei a maior parte da carreira ao Afeganistão.

E lá estava eu no país quando os Talibãs regressaram

e, mais uma vez, tudo havia sido esquecido.

Todas as coisas que tinha coberto.

Como se chama ela?

Os programas, os fundos, as escolas.

Desapareceu da noite para o dia.

Nove dias após o brutal ataque terrorista do Hamas,

Israel prepara-se para uma guerra terrestre em Gaza.

A crise humanitária piora cada vez mais

porque há 1,1 milhões de pessoas...

Cobri a guerra durante mais de 20 anos

e nem acredito no que estamos a ver.

A imprensa estrangeira é quase impedida de entrar em Gaza.

Às vezes, sinto-me impotente.

Continuo a tirar fotos e a seguir em frente.

Tenho de me convencer de que vale a pena e que faz diferença.

Porque não poderia continuar a fazer este trabalho sem acreditar nele.

E se não acreditasse que justifica o fardo que imponho a quem amo.

Isto foi muito castigado.

Espera.

É uma sessão fotográfica!

- Para! Para! - Fantástico.

Diz: "Glória à Ucrânia!"

Cuidado.

Noivos, venham para o salão da cerimónia.

Para darem este passo com otimismo, coragem e em conjunto.

Pelos poderes que por lei me são conferidos,

declaro-vos marido e mulher!

Tradução: Joel Amorim

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.