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Obrigada. Muito obrigada.
- Lamento. - Muito obrigada por ter vindo.
- � um prazer v�-la. - Muito obrigada.
Obrigada.
Meu Deus, obrigada.
Lamento muito pela sua tia.
Sabe, era tia da Cheryl.
- Mas obrigado. - Veio da Florida?
N�o, a irm� dela, o namorado da irm� e os pais � que vieram.
- Eu vivo aqui. - Compreendo. Os meus p�sames.
- Bonita cerim�nia. - Sim.
Obrigado pelo quarto de hotel. Fico muito grato.
Por favor, foi um prazer.
Ia perguntar-lhe se o minibar...
Est� inclu�do no pacote?
- Claro, o que quiser. - �ptimo.
Sirva-se. Coma uns M&M's, Toblerone...
- Eu n�o bebo. - S�o chocolates.
- Como est� a Cheryl a aguentar-se? - Acho que est� bem.
Cortei o dedo, esta manh�, a tentar p�r...
A fazer um furo no cinto. Devo ter emagrecido, ou assim.
Est� a dar cabo de mim.
- � uma boa fam�lia. - Sim, s�o muito simp�ticos.
- A Becky � boa rapariga, certo? - � um amor, � muito querida.
Quanto tempo namoraram...
...antes de casar com a Cheryl?
N�o muito. Fomos amigos durante uns tempos e...
...depois de termos feito sexo, cas�mos rapidamente.
A Becky quer muito casar.
E eu n�o estou para a� virado.
No dia em que recebemos o telefonema, eu ia romper...
Estava l� para romper com a Becky.
Caramba! Ent�o, veio para c�
e j� queria estar livre.
Perdi a oportunidade...
...por cinco minutos.
C�us! E n�o conseguiu faz�-lo, depois de ela se ter matado.
Quanto tempo acha que devia esperar at�...
...at� lhe dizer?
Se fosse a m�e dela, eu diria que devia voltar com ela e esperar
talvez seis dias, uma semana.
Por uma tia? Por uma tia que nem vive onde voc�s vivem,
que n�o v�em muitas vezes,
acho que poderia faz�-lo quando chegarem a casa...
...quando voltarem para a Florida.
O que hei-de dizer? Quero dizer...
Diga-lhe que n�o � feliz. Isso � muito bom, funciona.
Nunca o usei, mas acho que funciona.
- Est� bem. - Estou com mau h�lito? O que...
N�o, pensei ter visto um insecto, que sinistro.
N�o tivemos esta conversa, j� agora.
- N�o. - Est� bem?
N�o direi nada.
Obrigado pelo conselho.
Acho que consegui...
...reduzir um pouco a temperatura.
- Do que estavas a falar com o Craig? - Da Louise.
- Ele est� bem? - Sim.
Ficariam surpreendidos com o quanto isto o deixou abatido.
- Anda muito calado h� v�rios dias. - Que querido.
- A cerim�nia foi maravilhosa, n�o foi? - Sim, correu muito bem.
- Obrigada. - Sabem que mais? Ou�am...
...se quiserem ficar mais uns dias l� em casa,
tudo bem, n�o se preocupem.
Tu podias ficar no hotel mais um dia.
- Seria bom. Ficar uma noite ou duas. - Sim, uma noite.
Seria bom, porque detestamos voar.
- Nenhum de n�s gosta de voar. - Pois, ningu�m gosta de voar.
Eu nem gosto de conduzir. Nem gosto de andar a p�.
De vez em quando, n�o sei que meio de transporte hei-de usar.
N�o sei se podemos fazer algo,
mas fic�mos aborrecidos por n�o haver obitu�rio.
- Nem pensei nisso. - Como se ela n�o tivesse uma vida, aqui.
Torna as coisas mais reais.
O meu amigo, o meu agente conhece algu�m no jornal.
- Podia conseguir alguma coisa. - Isso seria �ptimo.
- Seria muito querido. - Eu mesmo o escreverei.
Tratarei de tudo. N�o h� problema.
Se quiserem acrescentar algo, digam-me, e eu acrescento.
N�o vai ser c�mico, pois n�o?
- M�e, por favor. - � o que ele faz.
N�o vai ser c�mico. Ser� de muito bom gosto e decente.
Ele � escritor, escreve de tudo.
- Muito obrigada. - Adoramo-lo, Larry.
Tamb�m os adoro.
- Desculpa o atraso. - � compreens�vel.
Tenho grande dificuldade em afastar-me de enlutados.
- Por que est�s ainda com a gravata? - N�o sei.
Se n�o tivesse de a usar, n�o a usaria.
Se vestes o facto, j� agora, podes us�-lo at� ao fim.
- Manter o fato. - "At� ao fim."
Ent�o, achas que podes tratar desta quest�o do obitu�rio?
- Est� feito. - Sim?
O fim do prazo � �s quatro horas.
Faz-mo chegar at� �s quatro, e eu mando-lho por fax.
- Muito obrigado. - De nada.
- � simp�tico da tua parte. - � um prazer.
- A fam�lia vai ficar-me muito agradecida. - Como morreu ela?
Matou-se.
- N�o matou nada. - Matou-se...
- Porqu�? - Ningu�m sabe, n�o deixou nenhum bilhete.
- Que falta de educa��o, n�o �? - Muito indelicado.
Se sais de casa para ir buscar um pacote de leite,
dizes a algu�m aonde foste.
Deixo um bilhete � minha mulher.
Dava-lhe muito trabalho deixar um bilhete?
- N�o sei. - A minha m�e est� na cidade, com o meu pai.
� o anivers�rio dela.
Seria �ptimo, tendo em conta o que aconteceu entre voc�s,
se, no anivers�rio da minha m�e, lhe desses uma prenda.
N�o importa o qu�, � um gesto simp�tico. A s�rio que �.
Tens alguma ideia?
N�o.
- Est� bem. - �ptimo.
Vamos fazer isto do obitu�rio, sim? Tens um bloco?
- Sim, tenho. - Muito bem.
"Louise Hoenin, H-O-E-N-I-N.
"Irm� dedicada...
"tia querida...
"faleceu de causas n�o divulgadas..."
S� demor�mos 20 minutos, de uma porta � outra.
- Portou-se muito bem. - Sim, isso � invulgar.
N�o estava preocupado, porque o carro tem quilometragem ilimitada.
- N�o me preocupava a demora. - Ainda bem.
Fic�mos admirados por a auto-estrada estar quase vazia.
- Pode-se ficar preso no tr�nsito durante horas. - Sim.
�s vezes, fica t�o mau, que mal se consegue respirar.
- � verdade. - Ainda bem que n�o vivo aqui.
- Acham que a Becky descer� em breve? - Acho que sim.
Passou a manh� ao telefone com o namorado,
que agora � ex-namorado.
- Ele rompeu com ela, ontem, e... - Oh, n�o.
- N�o � horr�vel, Larry? - Sim.
- Que raio de altura... � incr�vel. - P�ssima altura.
Mas tenho quilometragem ilimitada.
Acho que vou sair um pouco.
- Pode ser? - Aonde vais?
Estava a pensar ir jogar golfe.
Est�s a brincar?
N�o estou aqui a fazer nada.
- Est�s, pois. - Estou a atrapalhar, n�o estou a ajudar.
Se a tua tia morresse, eu ficaria ao teu lado a apoiar-te.
Se a minha tia se matasse, eu incitar-te-ia a sa�res de casa.
Diria: "Vai, diverte-te. N�o precisas de ficar aqui a chorar."
- Achas que te reteria em casa? - N�o vais jogar golfe.
Sei que vamos ter saudades da Louise.
- Sim. - Muitas.
- Mas temos de continuar. - Apoiado.
Temos de continuar.
N�o podemos continuar.
Temos de continuar.
Bom, o riso � um bom rem�dio, e � preciso sorrir.
Ultrapassamos muitas coisas assim.
Uma vez, actuei para o Norman Cousins, no quarto de hospital dele.
Estava no seu leito de morte. Pediu-me para actuar cinco minutos.
Fui de arrasar, na verdade, ele ficou muito pior
e teve de ver filmes dos Irm�os Marx para ressuscitar, mas...
Sabem quem tem gra�a? O Carrot Top. J� viram o tipo?
Aparece no The Tonight Show, de vez em quando.
- Uma grande cabeleira ruiva. - Meu Deus!
- O obitu�rio! Temos o jornal? - Sim, queremos v�-lo.
Est� bem. Vou buscar o jornal.
- N�o se incomode, tenho o carro. - Nem sabe onde est�.
Tenho quilometragem ilimitada, vou aonde quiser.
Ele sabe o que faz.
- � ao virar da esquina, ele encontra-o. - Com certeza que sim.
Tem prazer em usar o carro alugado.
Podia chegar-se mais para l�, ele j� n�o est� a� sentado.
- Ficamos mais � vontade. - N�o � preciso.
- Isto � muito bom. - Sim.
- Quantos consigo p�r na boca de uma vez? - Seis.
- Diz seis? - Cinco.
Tr�s, quatro...
"Vejam o que fizeram ao meu Santino.
"Gladys, George, vejam o que eles fizeram."
- Querida. - N�o, Becky...
N�o! Meu Deus.
Que disse ele? Que aconteceu?
N�o parava de repetir que n�o era feliz.
- Pod�amos ter resolvido isso. - A lata do tipo!
- Que raio de altura escolheu! - Acabei de enterrar a minha tia!
- Eu sei. - E ele rompe comigo?
- N�o se faz isso a algu�m. - N�o.
Que horror.
- Quero dizer, ele amava-me. - Sim.
Ele disse-lhe alguma coisa?
Sei o quanto ele gosta de si, pensei que talvez...
N�o, apenas... sabes...
...ele falou da tia Louise e do minibar.
Do minibar?
C�us!
- Isto � rid�culo. - Aonde vai?
Tenho de comprar uma prenda para a m�e do Jeff.
Desculpem, esqueci-me, ela faz anos hoje. J� volto, desculpem.
- Larry, agora n�o. - C�us. Volto dentro de 20 minutos.
N�o saiam daqui, est� bem?
Gladys, fica aqui, est� bem? Barbara? George, n�o saiam daqui.
Gladys, volto j�. Vou s� comprar uma prenda de anos.
- Estou a contar o tempo. - Meia hora... 40 minutos, no m�ximo.
45 minutos.
Quero um par de �culos escuros. � uma prenda de anos.
- Muito bem. - Para a m�e de um amigo.
- Gosto muito destes. - S�o �ptimos.
- A Elizabeth Taylor tem uns. - N�o brinque!
A Elizabeth Taylor? Est� a brincar!
- Posso ver aquele espelho? - Est�o muito em voga.
- Est�o? - Sim, sem d�vida.
- V� porqu�? - Sim. Gosto.
- Acho-os perfeitos. - Lindos. Muito bem.
- Sim? - Claro, v� l�.
- Vou buscar uma caixa. - Eu n�o brinco.
Vou dar-lhe uma caixa, um pano para as lentes.
- Como quer pagar? - Com cart�o de cr�dito.
- Pode embrulh�-los? - N�o, lamento, n�o embrulhamos.
Como se pode embrulhar isto para oferecer?
- Compre papel de embrulho e embrulhe. - E onde compro o papel?
H� uma papelaria l� em cima. Talvez possa ir l�.
- Tamb�m preciso de tesoura, certo? - Tesoura?
- Tesoura para cortar o papel, certo? - Para cortar o papel, certo.
- E fita adesiva, certo? - Certo.
- Vendem tudo isso na papelaria? - N�o, n�o me parece.
Pode perguntar.
Se vai comprar essas coisas, talvez queira comprar tamb�m um la�o.
E um cart�o.
Um la�o e um cart�o?
Sim, para ela saber de quem � a prenda.
Vou entregar-lho em m�os. N�o � �bvio?
N�o precisa do cart�o.
Que grande processo. Um la�o, um cart�o...
Onde os compro? Na loja onde compro a tesoura e a fita adesiva?
- O cart�o... - De quantas lojas estamos a falar?
N�o sei.
Caramba, isto � muito complicado.
O que �?
O que �? Temos um jornal, � o que �.
"Irm� dedicada, tipa adorada"?
- Foi isso que p�s no jornal? - � uma gralha.
- Devia ser "tia"! - O Jeff viu isto, antes de o entregar?
Eles t�m revisores, nos jornais!
A mulher leva uma vida decente, e � assim que acaba? "Tipa adorada"?
A minha mulher est� perturbada.
Ainda bem que n�o ficou encarregado da l�pide!
Quis dizer "tia adorada," e n�o "tipa adorada"!
- Pare de dizer isso! - Por favor.
Lamento imenso, lamento imenso.
� uma gralha. N�o v�? � uma gralha!
� uma gralha, � "tia"!
- Que vergonha. - Larry. D�-me licen�a, Cheryl.
Acabo de falar com o Craig, e queria saber se isto te � familiar.
"N�o foi a m�e dela, foi apenas a tia. Devias romper com ela hoje.
"N�o pareces feliz, devias romper!"
- O qu�? - Foi o que ele disse.
Disse ao Craig para romper com a Becky?
Eu disse-lhe para esperar at� voltarem para Tallahassee!
- N�o lhe disse para o dizer no vel�rio. - N�o importa!
- Qual � o seu problema? - Ele � m� pessoa, fiz-te um favor!
Larry, acho que devias ir-te embora!
Por esta noite?
Pelo menos.
Lamento.
Sabes como posso embrulhar isto?
Diga-me uma coisa.
Como se embrulha uma coisas destas para oferecer?
- Tem o papel? - N�o, n�o tenho nada.
Devia ir a uma papelaria.
� papelaria para comprar a tesoura e a fita adesiva, mas a outro s�tio para o papel.
- Depende do tipo de papel que quer. - Estou-me nas tintas.
Ent�o, devia ir a uma loja especializada em festas,
onde pode comprar papel de embrulho.
Mas n�o t�m fita adesiva e tesouras.
N�o sei, talvez tenham, eu n�o apostaria nisso, lev�-las-ia comigo.
Diga-me uma coisa.
Se eu levasse a tesoura e a fita adesiva � loja especializada em festas...
- Eles t�m papel. - ...fariam o embrulho por mim?
Talvez. Sinceramente, n�o sei, porque � a minha mulher que embrulha tudo.
Mas, se as levar consigo, se as tiver l�,
talvez o fa�am, n�o sei, se lhes der gorjeta, ou assim.
Diga-me, como embrulharia isto para oferecer?
- Iria a um Hallmark, ou assim. - A uma papelaria.
Isso � para o papel. Mas n�o t�m tesoura nem fita adesiva.
- T�m, sim. - T�m tesoura e fita adesiva?
- A s�rio? - Fita, la�os e cart�es.
- T�m tudo. - A Hallmark tem isso tudo?
- Onde � a Hallmark? - N�o sei.
- Tens de arranjar esta bomba. - Est� bem.
Muito bem, esque�am, j� acabei.
N�o sabem onde � a Hallmark.
Pensei que amanh�, se lhe apetecesse, poder�amos ir ao centro comercial.
- Est� bem. - Ol�! Vejam quem est� aqui.
- Ol�. - Ol�.
- Ol�. - Sejam simp�ticos.
Feliz anivers�rio.
Que querido da sua parte.
Que raio de prenda � essa? N�o tem um embrulho bonito.
Sim, lamento muito.
N�o encontrei lojas de embrulhos.
N�o h� lojas de embrulhos em lado nenhum.
- Meu Deus! - Vejam!
- �culos escuros! - Vejam s�.
Meu Deus, olhem para isto!
Lindo. A Elizabeth Taylor usa �culos exactamente do mesmo modelo!
- Ouviu? - N�o posso us�-los.
Os meus �culos s�o graduados.
- Lamento. - Tudo bem, n�o, eu vou...
- Eu trato disso. - Quero faz�-lo eu. Mandarei p�r-lhes lentes.
D�-me a receita, e mandarei p�r-lhes lentes graduadas.
N�o � simp�tico? Como correu o obitu�rio?
- Tens um jornal? - Sim, est� ali.
Obitu�rios, � na parte de tr�s.
Olha, eu mostro-te como correu. Aqui est� como correu.
"Louise Hoenin, irm� dedicada, tipa adorada"?
O qu�? Diz isso no jornal? Deixa-me ver isso.
- Inacredit�vel! - Eu sei!
Diz "tipa"!
Tu disseste "tia", e eu escrevi "tia"! Que treta!
- N�o rev�em estas coisas? - Lamento imenso.
- C�us! A Cheryl deve estar chateada. - Quero um pedido de desculpas do teu amigo.
- Uma retrata��o. - O que ir�o dizer?
"Pedimos desculpa por lhe termos chamado tipa"?
Bem visto. Pedirei que escrevam um pedido de desculpas.
- E tu tamb�m. - Escreverei tamb�m um, prometo.
Mas publicarem isto... A Cheryl deve estar chateada.
P�s-me na rua!
- N�o! - P�s-te na rua?
Os familiares, os pais, os amigos pareciam uma alcateia...
- Pensei que iam matar-me. - Fica aqui.
- N�o posso, n�o tenho o que vestir. -Tenho muita coisa para vestires!
Ficas aqui. A m�e e o pai est�o c�.
N�o faz mal, vou fazer um jantar fabuloso.
Fica c�, esta noite. Lamento imenso.
- Devias ligar � Cheryl e pedir desculpa. - Vou ligar.
Faz-me um favor. Quando eu morrer, deixa que outro fa�a o obitu�rio, sim?
- Quanto falta para o jantar? - 25 minutos, 30, no m�ximo.
- Pai, vamos acabar o filme, venha. - Que filme?
Larry, deixe-me ver esses �culos outra vez.
- Esses �culos escuros. - Claro.
N�o consigo ver com eles, mas fico com uma ideia.
S�o lindos. A Elizabeth Taylor usa-os. A s�rio.
Espere l�. Acho que vejo o meu reflexo.
- Espere, eu ajudo-a. - �ptimo.
Vou levar a receita para isto. Trataremos dos �culos.
N�o dever� demorar muito. Mas ficam-lhe bem.
V�, m�e? Eu disse-lhe que ele tem um lado muito, muito querido.
Muito.
Sim?
- Tens de ir. - O qu�?
De que est�s a falar?
Apalpaste a minha m�e, tens de ir.
Apalpei a tua m�e? Que me est�s a dizer?
Ela andava amuada. Perguntei: "Que se passa?"
E ele disse: "O Larry tocou-me no peito durante v�rios segundos."
Idiota! Ouve-me um segundo!
O que �?
Est�vamos na cozinha. Ela quis experimentar os �culos escuros.
Estava a ver-se na torradeira, eu estava a segurar a torradeira,
ela quis ver melhor a cara dela na torradeira
e debru�ou-se contra as costas da minha m�o,
por isso, n�o quis virar-me...
N�o quis mago�-la, afastando-me rapidamente.
Lamento. Ela passou-se.
- Tens de ir. - Vais p�r-me na rua?
Muito bem, ouve, programa o despertador. Sabes program�-lo?
- 7 da manh�. - Ela encostou-se � minha m�o!
- Eu acredito, n�o � isso! - Achas que ando a apalpar velhotas?
- Achas que me excito... - Desculpa. A quest�o n�o � essa!
Mas tens de te ir embora �s sete da manh�.
Sairei bem cedo.
Podes pegar num p�o, na cozinha, e sair.
N�o pegarei em nada, apenas sairei.
A tua m�e acha que a apalpei? Isso � doentio!
� o que ela acha. Que queres que eu diga? Bons sonhos.
Vou sonhar com a porra da tua m�e. "Bons sonhos!"
- Voc�! - Sil�ncio.
- Como se atreve? - Eu n�o fiz nada.
- Deixe-me explicar o que aconteceu. - Acha que gostei?
- N�o seja rid�cula, eu n�o fiz nada. - Isto tem de parar.
- Por favor, diz-lhe que n�o fiz nada. - M�e, ele n�o fez nada.
Foi a torrada e a m�o. Voc� encostou-se a mim.
V�o acordar o Sammy.
- Viste o que ele fez? - J� lhe expliquei, foi um acidente.
- Foi um acidente. - Que conveniente.
Foi um acidente, voc� encostou-se a mim.
- Que tipo de ser humano � voc�? - N�o fiz nada! Ela encostou-se...
Sim, encostou-se � minha m�o! Eu n�o fiz nada!
- Tens de ir. - Foi um acidente.
- Tens de ir. - Acho que � melhor. Est� bem, m�e?
- Ele vai-se embora. - V�o dormir.
� doente.
Deixe-se disso, ele n�o � doente.
Lamento imenso.
Isto � horr�vel. Lamento imenso. Por favor, desculpa-me.
- A culpa n�o � tua. - Eu resolvo tudo, amanh�.
Os meus pais s�o um pouco malucos. Desculpa. � horr�vel.
Mesmo quando namorava, esperava meses
antes de tentar tocar o peito, sabes?
Eu compreendo.
E n�o o fazia na cozinha, diante da nora e do filho...
Eu sei, � horr�vel. Eu resolvo tudo, amanh�.
Faz-me um favor. Deixa-me tratar dos �culos escuros.
- Os �culos escuros? - D�-mos, eu trato deles.
- Queres que lhe d� uma prenda, agora? - J� lhos deste.
- Depois desta noite? - Tu deste-lhos.
- N�o me parece. N�o. - Isso � um presente � �ndio.
Eu sei como lhe chamam.
� um termo muito racista, mas n�o me incomoda.
Que poder�s fazer com eles?
D�-los-ei a algu�m que goste de mim.
- Para onde vais? - N�o sei, n�o posso ir para casa.
Acho que vou para um hotel.
Hotel Hollywood Roosevelt, em que posso ajud�-lo?
Esperamo-lo esta noite, obrigada.
- Bem-vindo. Em que posso ajud�-lo? - Quero um quarto, por favor.
Lamento, estamos completamente cheios, esta noite.
H� um tipo neste hotel, chama-se Craig Butler.
Sou eu que pago o quarto dele. N�o quero pagar mais.
Acorde-o, ponha-o na rua, o quarto � meu.
O quarto est� pago at� amanh�. Os cart�es foram preenchidos hoje.
Ele tem o direito de ficar at� �s 11 da manh�.
O nosso gerente poder� tratar da conta consigo, se voltar amanh�, �s dez.
N�o t�m um quarto para mim, esta noite? Nem um?
N�o costumam ter quartos extra?
O senhor n�o � o primeiro que recusamos.
Sou o Frank Sinatra, J�nior, e est� a recusar-me?
- Se o J�nior aparecer, recusam-no? - Sim, senhor, infelizmente.
O Papa � posto na rua?
- Est� a mandar o Papa embora? - Sim, senhor.
Estamos completamente cheios.
- Quer um par de �culos escuros? - Desculpe?
Tenho um par de �culos escuros.
- Quer dar...? - Sim.
- Elizabeth Taylor. - S�o muito bonitos...
A Elizabeth Taylor usa estes �culos.
Obrigado, mas uso �culos graduados. Muito obrigada.
- Costuma ver o Seinfeld? - Sim.
Era apenas curiosidade.
- Ol�, Larry! - Larry, ol�!
- Ol�, amigo. - Este � o Larry?
- Obrigado por me denunciar � Becky. - N�o o denunciei.
Contou-lhe toda a nossa conversa. E pedi-lhe para n�o dizer nada.
Isso � problema seu.
- Que imbecil. - Sou imbecil? Ai sim?
Caramba! Vai bater-me?
- Talvez. - For�a, bata � vontade.
Voc�s, os de Hollywood...
Meus senhores, n�o podem estar no �trio do hotel
a gritar um com o outro.
Desculpem, est�o hospedados no hotel, esta noite?
- Sim, estou. - Posso ver a sua chave, por favor?
- Claro. - Sou eu que pago.
Desculpe, um de cada vez.
Seria melhor voltar para o seu quarto.
Muito bem, muito obrigado.
Ele est� aqui porque eu lhe pago o quarto.
Tem chave de algum quarto aqui do Roosevelt?
- N�o. - Ent�o, tenho de lhe pedir que saia.
Senhor...
- Est� interessado nuns �culos escuros? - N�o, v�-se embora, por favor.
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