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Original subtitles

Dentro de nossa cabe�a

existe um mundo inexplorado.

Ele cont�m tudo que sabemos,

tudo que sentimos

e pensamentos que sequer nos damos conta.

Hoje, a ci�ncia procura os rinc�es ocultos de nossa mente,

decodificando sua linguagem interna

para descobrir o nosso real poder mental

e entender os mist�rios do subconsciente.

MUSKETEERS Otoni Jr e Kakko

Espa�o,

tempo,

a pr�pria vida.

Os segredos do cosmos atrav�s do buraco de minhoca.

MIST�RIOS DO SUBCONSCIENTE

O subconsciente

� a fonte de nossos medos e desejos primitivos,

a origem dos nossos sonhos,

o lugar onde nosso alter ego se esconde.

Mas conforme a neuroci�ncia explora

as fronteiras da nossa mente,

descobrimos os controles subconscientes

de cada instante consciente.

Se pudermos entender nossa mente inconsciente,

poderemos ser mais inteligentes,

saud�veis e criativos

do que jamais sonhamos.

Aos 8 anos, subi ao palco pela primeira vez.

Eu tinha de declamar "Little Boy Blue."

Embora o poema tivesse apenas 12 versos,

eu tinha certeza de que iria errar.

Mas quando comecei a falar,

um parte oculta parecia tomar conta de mim.

Os versos sa�am de forma autom�tica.

Era como se eu n�o estivesse ali.

Como podemos fazer algo t�o complexo sem pensar?

Marcus Raichle � neurocientista da Faculdade de Medicina

da Universidade de Washington em St. Louis, Missouri.

Ele se surpreende constantemente

com o que nosso c�rebro � capaz.

Temos mem�rias relacionadas ao movimento de m�os e pernas

e todo esse tipo de coisa, para as quais n�o temos consci�ncia

de como tudo � implementado.

A gente esquece como essas coisas s�o complicadas.

Como m�sico amador,

Marcus gosta de comparar fun��es cerebrais distintas,

como vis�o, audi��o, mem�ria e controle muscular,

aos componentes de uma orquestra.

Para ele, o milagre do c�rebro � como ele faz

esses sistemas complexos tocarem em perfeita harmonia...

...em vez de assim...

Ap�s anos analisando exames,

Marcus acabou descobrindo uma rede mental completa

que coordena nossos movimentos com os sentidos,

que entra em a��o no instante que paramos de pensar.

Ningu�m estava procurando por ela.

Foi quase por acaso.

Chamou nossa aten��o que se algu�m estivesse em um tom�grafo

e observ�ssemos seu c�rebro pedindo que fizesse algo,

n�o s� ocorria atividade,

mas algumas coisas paravam.

Certas partes do c�rebro pareciam se desligar

quando come��vamos uma tarefa.

Essas mesmas regi�es ficavam altamente ativas

quando fic�vamos quietos e relaxados.

Marcus denomina essas regi�es vinculadas do c�rebro

"rede do modo padr�o",

pois � o padr�o do c�rebro nessa atividade

quando n�o estamos fazendo outra coisa.

O c�rebro � t�o ativo nesse modo padr�o

como quando fazemos algo consciente.

Ap�s an�lise cuidadosa, Marcus acha que sabe o motivo.

O modo padr�o � extremamente importante

em criar a capacidade de prever o que ir� acontecer.

Acho que ele � essencial.

Da mesma forma que um diretor musical organiza um grupo,

a rede padr�o organiza todas as fun��es cerebrais

para que mente e corpo estejam sempre harm�nicos.

Mas nosso subconsciente � sempre servo de nossa consci�ncia?

Ou ele tamb�m assume o controle?

Henrik Ehrsson, neurocientista em Estocolmo, Su�cia,

� obcecado por seu corpo.

Ele pensa o tempo todo no corpo

pois deseja saber exatamente

como nossa mente controla nosso corpo.

Eis me aqui, como uma escultura de pele, ossos e juntas.

Mas me sinto vivo.

Sinto a experi�ncia consciente no corpo todo.

Sinto que meu corpo faz parte de mim.

Estou interessado em entender como isso � poss�vel.

Como podemos ter essa experi�ncia

de que o corpo � parte de n�s,

� diferente do resto do mundo?

Bem-vindo � casa de bonecas.

Estes membros, c�mera e facas

fazem parte de uma experi�ncia cient�fica

criada por Henrik para brincar com nossa no��o subconsciente

de quem somos e onde estamos.

J� sab�amos de processos cerebrais

que n�o temos consci�ncia do que ocorre a n�vel subconsciente.

Tentamos compreender o que faz tais sinais

tornarem-se parte de nossa experi�ncia consciente.

Um sujeito vendado � levado a um quarto com duas camas,

uma para ele e outra para uma boneca.

� importante que n�o se mexa durante a experi�ncia.

Usamos monitores de cabe�a ligados a c�meras.

H� duas telas diante dos olhos do participante.

Cada tela ligada a uma c�mera de v�deo,

que podemos p�r na cabe�a de um manequim ou boneco.

Ao olhar para baixo, n�o ver� mais seu corpo.

Ver� o boneco da perspectiva natural em 1� pessoa.

O volunt�rio sente a car�cia na sua perna

mas a v� na perna do boneco,

seu c�rebro o est� fazendo pensar

que as pernas do boneco lhe pertencem.

Acontece que o c�rebro combina o que vemos e o que sentimos,

e assim achamos que somos o manequim.

Achamos que o c�rebro cria um modelo interno

do nosso pr�prio corpo,

achamos que ele faz isso

integrando toda a informa��o advinda dos sentidos

e decidindo se algo nos pertence.

Ao enganar o c�rebro com uma falsa realidade,

Henrik pode manipular tal realidade

e revelar o quanto o subconsciente � poderoso.

O pesquisador amea�a o boneco com a faca.

O participante hesita de terror.

Seu c�rebro n�o consegue evitar de esperar dor excruciante.

Mesmo ap�s o participante notar que foi um truque,

ele continua a ter a mesma rea��o

quando a ilus�o se repete.

Sua experi�ncia consciente

n�o consegue evitar sua rea��o subconsciente.

N�o consegue evitar. Sabe que � s� uma experi�ncia.

Mas n�o consegue evitar essa sensa��o corporal

pois acha que � o boneco,

assim o c�rebro reage de forma bem b�sica,

e esse sinal, essa rea��o, � o que avaliamos

para provar que a ilus�o � real.

Um dos objetivos de Henrik ao realizar essas ilus�es visuais

� localizar a parte exata do c�rebro subconsciente

que registra onde est� o nosso corpo.

Tomografias realizadas durante a troca de corpo

mostram aumento de atividade no c�rtex pr�-motor ventral,

os neur�nios sensoriais envolvidos

na orienta��o visual do movimento.

O c�rtex pr�-motor � um desses n�s chave no c�rebro

que integram o que sentimos e o que vemos

para controlar e defender o corpo.

Pois se estivermos lutando,

precisamos saber onde est� nosso corpo

onde est� nosso oponente e precisamos agir.

Esses circuitos cerebrais s�o concebidos

para defender o corpo de amea�as,

para interagir com objetos no mundo

e sempre acompanhar o limite entre n�s e o mundo.

Saber a diferen�a do que nos comp�e

e n�o nos comp�e � t�o vital

que nossas rea��es subconscientes

ir�o sobrepujar nossos pensamentos conscientes.

�s vezes,

isso pode significar a diferen�a entre a vida e a morte.

Voc� j� teve um pressentimento,

uma sensa��o

de haver algo errado?

A maioria de n�s teve.

Mas de onde vem esse pressentimento?

Poderia ser uma mensagem de nosso subconsciente,

dizendo que ele sabe algo que n�o sabemos.

Joshua Brown est� sempre apressado

e sempre prevendo o inesperado.

Quando saio para pedalar, h� perigos potenciais por todo lado.

Aquele pedestre vai pular na minha frente?

A porta do carro vai se abrir na minha frente?

Aquele carro vai me fechar?

Estou constantemente avaliando

se h� um perigo a que preciso ficar atento,

que preciso me precaver.

Mas a pesquisa de Joshua na Univ. de Indiana em Bloomington

mostrou que a an�lise consciente � s� a primeira etapa

do mecanismo de detec��o de perigo do c�rebro.

O que nos mant�m longe do perigo � nossa subconsci�ncia.

Joshua descobriu um meio de estudar

como a subconsci�ncia causa um pressentimento

quando algo vai dar errado.

� bem mais seguro que andar de bicicleta na hora do rush.

Em cada teste, uma seta ir� aparecer no centro da tela,

ela ir� apontar para esquerda ou direita. � bem simples.

Apertar o bot�o esquerdo se a seta indicar esquerda

e o bot�o direito se indicar direita.

Mas tem uma pegadinha.

�s vezes, em meio segundo,

aparece uma seta em sentido oposto.

Em vez disso, ele deve pressionar o sentido dessa seta.

Cada teste dura apenas 1 segundo,

se ele for r�pido, poder� errar a segunda seta.

Se for muito lento, poder� acabar o tempo.

Quanto mais esperarmos, maior a chance de ser tarde

e j� ter pressionado o bot�o errado.

Joshua programou um padr�o no teste,

que � muito sutil para o participante

identificar conscientemente. Em vez disso,

ele deve depender de seu pressentimento.

N�s queremos isolar os mecanismos cerebrais

que possam sinalizar

quando achamos que iremos cometer um erro.

Joshua agora realiza a mesma experi�ncia

com o volunt�rio numa m�quina de resson�ncia magn�tica.

Ele v� que certa �rea cerebral agita-se de atividade

quando o participante acha que cometer� um erro.

� o c�rtex cingulado anterior.

Em vermelho,

vemos o c�rtex cingulado anterior,

mostrando forte efeito da probabilidade de erro.

Mesmo quando o volunt�rio n�o comete um erro,

ser�o exibidos efeitos nesta regi�o,

que parece prever a maior probabilidade de errar.

Joshua cr� que essa atividade no c�rtex cingulado anterior

seja a fonte de nossos pressentimentos.

Mas ele n�o nos protege apenas ao pedalarmos nas avenidas.

�s vezes ele � respons�vel pelo destino de centenas de vidas.

Em 1991, nos primeiros dias da Guerra do Golfo P�rsico,

uma frota de navios brit�nicos

estava parada a 32 km do litoral do Kuwait.

Um solit�rio oficial da Marinha operava a esta��o de radar

de um dos navios � procura de amea�as iminentes.

Tudo estava calmo

at� algo aparecer de repente na tela do radar.

Aquele ponto no radar poderia ser duas coisas.

Poderia ser uma aeronave aliada voltando de um bombardeio,

ou poderia ser um m�ssil Silkworm disparado pelos iraquianos.

O oficial de radar tinha de decidir.

Ele poderia ordenar um contra-ataque,

mas se fizesse isso e fosse um avi�o aliado,

ele iria derrub�-lo.

Se aquele objeto pr�ximo fosse um m�ssil inimigo,

centenas de pessoas morreriam e navio seria perdido.

Ele tinha menos de 1 minuto para decidir.

O tempo estava acabando.

Tudo que restava ao oficial era um pressentimento.

Assim ele ordenou o uso do contra-ataque.

Ele viu o objeto n�o identificado

sumir da tela do radar.

O contra-ataque destruiu o alvo

a menos de 800 metros da frota de navios.

Ele retornou � cabine atormentado com o que houve.

Seu sofrimento durou pouco.

O r�dio confirmou que o alvo era um m�ssil Silkworm,

n�o um avi�o aliado.

No resultado final do incidente,

investigadores descobriram que um avi�o aliado

apareceu no radar durante a 1� varredura,

enquanto o m�ssil Silkworm foi inicialmente mascarado

por interfer�ncia em terra.

Ele somente apareceria na tela durante a 3� varredura,

ao aproximar-se dos navios.

O c�rebro do oficial havia captado esse padr�o diferente,

mesmo n�o constando em nenhum manual,

ele n�o tinha consci�ncia da diferen�a.

O c�rtex cingulado anterior registrou o perigo

baseado na experi�ncia acumulada de combates,

o que aparentava ou n�o um avi�o aliado.

Com seu ato, em quest�o de segundos,

ele salvou o navio e centenas de vidas.

O c�rebro processa constantemente esse tipo de sinal.

As pessoas podem achar que ficaram cientes

ou acabaram de decidir,

mas na verdade, muito provavelmente,

o c�rebro processou essa informa��o bem antes.

Nosso subconsciente est� sempre 2 passos adiante,

sinalizando o que temos de fazer antes de termos ci�ncia disso.

O c�rebro dos outros tamb�m poderia captar tais sinais?

A linguagem corporal

� a l�ngua nativa do subconsciente.

Nosso jeito de andar, o tom da nossa voz,

emitimos constantemente esses sinais sutis,

e eles t�m um grande efeito sobre quem nos cerca.

E se pud�ssemos decodificar tal linguagem?

O que realmente dizemos uns aos outros?

O homem est� sempre se comunicando,

papeando, falando ao telefone,

mandando e-mails, tuitando e enviando sms.

"Sandy" Pentland do Laborat�rio de Din�mica Humana do MIT

tenta ficar acima desse agito.

Ele prefere uma perspectiva diferente

sobre como nos conectamos.

Para ele, as palavras n�o s�o importantes.

Ele se interessa por um tipo mais primitivo de comunica��o.

Ele a chama de "sinaliza��o honesta".

Os grupos, antes de termos a linguagem,

tinham valores lingu�sticos e tomavam decis�es.

Hoje, vemos isso nos macacos.

O homem tem os mesmos tipos de comportamentos e sinais.

� a nossa no��o social um do outro,

coisas como dom�nio, atra��o, interesse, excita��o, medo.

Esses podem ser exemplos de sinais honestos.

N�o temos muita consci�ncia deles,

mas t�m grande efeito no comportamento entre n�s.

Sandy queria estudar como os sinais involunt�rios

s�o transmitidos dentro de grupos humanos,

assim ele desenvolveu uma ferramenta especial.

S�o chamados de "crach�s sociom�tricos".

Nossos crach�s sociom�tricos avaliam nosso tom de voz,

"como" falamos, n�o "o qu�" falamos.

Tamb�m avaliam a linguagem corporal usando um aceler�metro.

Hoje, Sandy pediu a 8 graduandos do MIT

para realizarem uma tarefa em grupo.

� um exerc�cio em grupo para analisar

como voc�s trabalham em conjunto nesta tarefa.

A tarefa � pegar p�ginas de uma revista em quadrinhos

e coloc�-las na ordem correta sem mostr�-las uns aos outros.

Voc�s podem falar entre si,

t�m de descobrir meios de descrever

para coloc�-las na ordem correta.

Enquanto fazem isso, voc�s usar�o esses crach�s.

Na minha tem uma espa�onave estranha.

A minha tem uma explos�o.

Posso dizer que o lan�a-chamas n�o funcionou,

quem quer que tenha a outra parte.

Enquanto os alunos tentam resolver a tarefa,

os crach�s inteligentes est�o registrando detalhes �ntimos

do seu comportamento subconsciente.

Muitos desses padr�es realmente s�o inconscientes.

Coisas em que nos concentramos conscientemente,

mas, normalmente, n�o fazemos.

Ocorre que elas t�m grande impacto

na produtividade de um grupo.

Rob�s e monstros s�o coisas distintas.

- Sou rob�. - Vamos esclarecer isso.

Algu�m tem um monstro, ou todos s�o rob�s?

Embora a tarefa tenha um objetivo claro,

n�o � o resultado que interessa a Sandy.

Observo tudo. Sempre somos distra�dos pelas ideias.

Mas o que parece importante, em termos de performance,

� o fluxo da informa��o.

N�o sei se esta � a primeira p�gina ou se � a seguinte.

A sua poderia ser a hist�ria de fundo,

e ter�amos a aventura atual.

Isto mostra quem fala com quem.

Vemos que todos est�o falando entre si

a n�o ser esta pessoa aqui, que n�o est� t�o envolvida.

As bolas amarelas mostram o quanto elas est�o envolvidas.

Se fazem parte do c�rculo de conversa��o.

Isso � importante pois tem a ver

com se as pessoas est�o ou n�o em conson�ncia.

...resultado da bomba de outra pessoa.

Aqui embaixo, talvez tenhamos a coisa mais interessante.

Eis o dom�nio.

O quanto elas est�o impondo a conversa, conduzindo-a.

O tamanho da bola amarela mostra seu n�vel de dom�nio,

podemos ver que todos s�o quase id�nticos.

Os c�rculos amarelos s�o quase do mesmo tamanho,

o que era de se esperar nesse tipo de atividade.

N�o queremos que haja algu�m dominante.

Queremos que todos contribuam.

Queremos que todos mantenham o fluxo simult�neo,

parece que foi o que conseguimos.

Acho que meu lugar � aqui.

Agora estamos nos livrando do final.

Sandy tamb�m descobriu uma liga��o

entre o tom de voz de uma pessoa

e a sua efic�cia em um grupo.

Voc� tem algu�m loiro ou de cabelo escuro?

Ele � o "cientista", ou tem um tipo diferente de cientista?

Os estudos de Sandy mostram que quem fala

com um tom de voz direto e com firmeza

� visto como tendo conhecimento.

H� um certo tipo pr�tico de carisma,

de ser capaz de firmar convincentemente sua posi��o.

Deseja-se muito afinco, que apresentem muitas contribui��es.

O equil�brio e a profus�o das contribui��es

s�o duas caracter�sticas de excelentes equipes

neste tipo de situa��o.

Todos devem contar sua hist�ria, bem curta, colocar sua parte.

Ent�o, no final, iremos desvir�-las e ver o que acontece.

O momento chegou.

Ser� que a sequ�ncia deles condiz � correta

com a face virada para baixo?

Certo. Vamos l�.

As primeiras.

E pronto!

100% correto. Viva!

Sandy afirma que o aparelho tem 90% de precis�o

na identifica��o de trabalhadores produtivos

e casos problem�ticos.

As pessoas querem se dar de forma eficaz.

Queremos que as pessoas confiem em n�s.

Queremos que nossas ideias sejam ouvidas.

N�o queremos fazer coisas que isolem as pessoas.

A ci�ncia produzida a partir disso

afirma que n�o importa a nossa intelig�ncia,

mas a nossa intelig�ncia sobre os demais.

Acho que isso melhora a intelig�ncia social.

O subconsciente age constantemente

atr�s dos bastidores.

Sem ele, n�o chegar�amos ao final do dia.

Mas esse poder oculto do c�rebro poderia fazer ainda mais?

Alguns cientistas acham que podemos usar nosso subconsciente

para curar nosso corpo e expandir nossa mente.

Estresse.

Est� � nossa volta,

tr�nsito, prazos, press�es financeiras.

Com o tempo, ele prejudica nosso corpo,

levando a doen�as e, �s vezes, � morte.

Mas e se houvesse um meio de reverter os efeitos do estresse

sem a necessidade de rem�dios?

E se a nossa mente pudesse nos curar?

O dr. Herbert Benson, do Instituto de Medicina

de Mente e Corpo Benson-Henry em Boston,

� um cientista com uma mentalidade diferente.

Ele est� numa cruzada para provar

que a doen�a � mais mental do que f�sica.

Nem tudo est� em nossa mente,

mas podemos acessar muito do que h� nela.

Nos anos 80, Herbert foi ao Himalaia

observar os monges tibetanos relaxarem.

A uma altitude de 4.500 metros,

num monast�rio t�o frio quanto uma geladeira,

os monges se cobrem com len��is gelados

para praticar uma forma extraordin�ria de medita��o

chamada Tummo.

Por meio da medita��o, Herbert observou

que os monges conseguiam elevar a temperatura da pele

em 8 graus Celsius

enquanto mantinham sua temperatura interna normal.

Tummo � uma forma de medita��o

praticada para eliminar os pensamentos negativos.

Como subproduto disso,

o corpo � capaz de gerar calor suficiente

para secar os len��is gelados e �midos

sobre seus corpos nus e esquent�-los.

Ainda n�o se sabe como os monges alcan�am esse fogo interior.

Mas os cientistas suspeitam que a medita��o

atinge diretamente a parte do sistema nervoso

que regula a temperatura corporal.

Est�vamos fascinados at� onde o efeito mente-corpo iria.

Se a medita��o podia controlar nosso termostato corporal,

Herbert imaginou se o c�rebro tamb�m tinha a capacidade

de curar nosso estresse moderno epid�mico.

Herbert acha que o estresse decorre

da nossa rea��o instintiva de lutar ou fugir,

que come�a quando o sistema l�mbico cerebral

libera um fluxo de horm�nios.

Um efeito secund�rio desses horm�nios do estresse

� provocar inflama��o nas c�lulas.

Se as c�lulas ficarem inflamadas por tempo prolongado,

podem causar uma s�rie de doen�as

como as card�acas, artrite e a doen�a de Crohn.

Herbert desenvolveu uma terapia de 2 meses

concebida para combater o estresse,

envolvendo 15 minutos de medita��o di�ria.

Ele a chama de "rea��o de relaxamento".

Para causar uma rea��o de relaxamento,

precisa haver a repeti��o de uma palavra.

Feche os olhos.

Voc� ver� que outros pensamentos vir�o � mente.

S�o normais, naturais, e devem ser esperados.

Quando ocorrerem, n�o se aborre�a,

basta dizer: "Tudo bem. Paz."

Ocorre uma quietude no c�rebro

quando incitamos a rea��o de relaxamento.

Menos est�tica e interfer�ncia nas imagens do c�rebro

que avaliam a atividade dos neur�nios.

Lentamente, abra os olhos.

Notou alguma mudan�a no seu corpo

enquanto repetia a palavra "paz"

e eliminava outros pensamentos?

Notei. Senti uma leveza.

Como se nada me incomodasse.

N�o tivesse nada na cabe�a.

Seja bem-vinda.

Antes e ap�s a terapia de 2 meses,

Herbert coletou amostras de sangue dos pacientes

e procurou altera��es na atividade dos genes

que controlam a inflama��o.

Digamos que certo gene seja ligado,

ele ficar� vermelho.

Estes s�o os genes que controlam

os processos imunol�gicos inflamat�rios do corpo.

Ent�o veremos que ap�s esse gene ser� desligado.

Passar� de vermelho a verde. Veremos essa altera��o.

Provocar a rea��o de relaxamento

pode realmente mudar a atividade de nossos genes.

O estudo de Herbert prova

que podemos utilizar o poder da subconsci�ncia

para produzir benef�cios m�dicos concretos.

Agora temos um m�todo cientificamente comprovado

que se estende at� o n�vel gen�mico.

Ser� facilmente incorporado

devido, n�o tanto � ci�ncia,

mas tamb�m por ser mais barato.

Mais barato que rem�dios,

e, claro, mais barato que cirurgias.

Se nossa mente interna pode ser nosso rem�dio,

de que outras formas poder�amos us�-la

para melhorar nossas vidas?

Um cientista descobriu,

gra�as a uma descoberta eletrizante.

J� tentou resolver um problema aparentemente simples,

e se viu sem sa�da?

A gente sabe que a solu��o est� dentro de nossa mente,

mas n�o conseguimos ach�-la.

Talvez s� precisemos de um choque de inspira��o.

Allan Snyder � diretor do Centro para a Mente

da Universidade de Sydney, Austr�lia.

Ele est� sempre com seu "bon� do racioc�nio".

Eu ia pegar o trem, e uma garota me deu o bon�,

dizendo que ficava �timo em mim. Para ficar com ele.

Por isso eu usei. Na verdade, desde ent�o o uso.

Meio comediante, meio bruxo,

Allan passa boa parte do tempo pensando

nos limites de nossa capacidade em resolver problemas.

Imagine que lhe pedissem para contar as bolas neste pote.

Voc� conseguiria?

Nossa mente categoriza as coisas em conceitos,

n�o somos t�o bons em detalhes.

Vemos o todo, n�o as partes.

Vemos a floresta, n�o as �rvores isoladas.

Mas o que aconteceria se n�o f�ssemos assim?

Imagine que tiv�ssemos acesso a todos os detalhes do mundo.

Allan acha que podemos acessar esse poder cognitivo

porque algumas pessoas j� o fazem.

O autismo � um dist�rbio neurodesenvolvimental

que afeta a capacidade social e de comunica��o.

Mas 10% dos autistas s�o savants.

Eles exibem habilidades excepcionais

envolvendo a matem�tica, mem�ria, m�sica e arte.

Um autista savant � algu�m que tem a habilidade

de enxergar as partes e n�o o todo.

Eles privilegiam o acesso aos detalhes subconscientes,

processos subconscientes que todos n�s temos,

mas est�o al�m de nossa consci�ncia.

Talvez a genialidade exija um pouco de autismo.

Allan descobriu que o c�rebro dos autistas savants

compartilham um padr�o de atividade incomum,

uma falha no lobo temporal esquerdo,

regi�o que ele acredita que esteja associada

a conceitos pr�-existentes,

e uma compensa��o excessiva no lobo temporal direito,

que Allan sugere que lida com as novas ideias.

Allan queria achar o savant interior em todos n�s,

ent�o ele surgiu com a ideia da "faixa da criatividade",

aparelho que poderia imitar os padr�es cerebrais de um savant.

Imagine um aparelho que nos permita, talvez,

resolver problemas que outros tenham grande dificuldade.

Vamos lhe mostrar

uma s�rie de equa��es feitas com f�sforos,

equa��es em algarismos romanos.

Se houver algo errado com a equa��o,

deve mover um f�sforo para corrigi-la.

1 mais 3 � igual a 4. Essa � a solu��o.

Vamos fazer outra.

Carl v� um padr�o.

Ao alterar o algarismo romano X, ou 10, para V, ou 5,

ele corrige a equa��o.

Aplicando o mesmo padr�o, ele resolve outros problemas.

Mas quando se depara com um tipo de equa��o diferente,

n�o corrig�vel com a altera��o de 10 para 5,

Carl fica confuso.

- N�o sei. - Certo.

Agora, Allan se prepara para dar a ele um choque de inspira��o.

Essa faixa envia uma pequena corrente el�trica positiva

ao lado direito do c�rebro,

enquanto uma corrente negativa flui pelo hemisf�rio esquerdo.

O m�todo � chamado

estimula��o transcraniana por corrente cont�nua, ou ETCC.

Ela � concebida para imitar

o padr�o da atividade cerebral encontrada nos savants.

Bem, como se sente agora?

Um pouco de formigamento.

Ap�s o est�mulo com ETCC,

Carl tenta outra vez a equa��o com f�sforos.

Muito bem. Parab�ns.

� um caso de fixa��o mental.

N�o conseguimos deixar de ver o mundo

atrav�s daquilo que j� conhecemos.

Vemos uma vers�o filtrada do mundo, n�o todos os detalhes.

Mas ap�s a estimula��o transcraniana

por corrente cont�nua, Carl conseguiu ver a solu��o.

A faixa da criatividade de Allan

alterou temporariamente o funcionamento do c�rebro de Carl.

Parece que deu a ele habilidades savant.

Imagino o dia em que tivermos faixas da criatividade

que nos permitam ver o mundo de uma nova forma,

livre de nossa mentalidade.

Mas a pesquisa de Allan explora apenas

parte do verdadeiro potencial da mente.

Este homem acha que o poder oculto do subconsciente

pode nos levar a novos patamares.

A subconsci�ncia � mais que mero dep�sito

dos pensamentos e emo��es primitivas.

� vital para nosso desempenho di�rio e sobreviv�ncia.

Sabemos que podemos us�-la para revelar g�nios tempor�rios.

Mas poder�amos modificar permanentemente nosso c�rebro,

estimul�-lo para ser mais inteligente e poderoso?

Michael Weisend � neurocientista

da Rede de Pesquisa da Mente em Albuquerque, Novo M�xico.

Ele foi designado pela For�a A�rea americana

para melhorar seu mais poderoso processador de imagens...

o c�rebro humano.

T�cnicos militares, e n�o computadores,

analisam as imagens de aeronaves n�o tripuladas,

� procura de alvos inimigos para bombardeio a�reo.

� uma tarefa de alto risco

onde um erro pode levar � destrui��o de um ve�culo aliado

em vez de um caminh�o de artilharia inimigo.

Apenas o homem interpreta os dados provindos dos avi�es.

H� uma necessidade por n�mero maior de analistas de imagens

analisarem esses dados,

quer�amos melhorar a capacidade do c�rebro

em experimentar e registrar informa��o do ambiente.

O computador n�o � inteligente o bastante

para identificar alvos inimigos nas imagens granuladas do avi�o.

Somente o homem tem habilidade suficiente

para reconhecer suas formas peculiares

distorcidas pela luz solar e pixeis granulados.

Geralmente, � preciso meses de treinamento

para dominar essa atividade.

A quest�o � que n�o podemos formar peritos rapidamente

para atender a demanda dos avi�es controlados remotamente.

Mas Michael teve uma ideia.

Ele iria localizar a regi�o cerebral mais ativa

enquanto os peritos procuravam alvos,

depois usaria estimula��o por corrente cont�nua

para ampliar a atividade dessa regi�o do c�rebro dos treinandos

e veria se eles aprenderiam mais r�pido.

Uma das coisas mais evidentes nos exames

� que, quando se � novato,

h� baixa ativa��o dos lobos temporais mediais.

Mas nos peritos, ocorre alta ativa��o.

Direcionamos a ETCC para essas �reas

que aumentam a atividade para acelerar o treinamento.

Quando o aparelho de ETCC � colocado

mas ainda n�o est� ligado,

o novato passa por meia hora de treinamento

estudando fotos a�reas.

No meio h� um c�rculo vermelho que ele precisa clicar e arrastar

para qualquer objeto que represente amea�a,

nesse caso, um lan�ador de foguetes inimigo.

� um tipo de experi�ncia de padr�o de reconhecimento.

Aqui, temos c�rculos amarelos,

mostrando os verdadeiros alvos na imagem.

Onde h� c�rculos vermelhos sem amarelo,

s�o op��es erradas, e, nesse caso,

temos uma op��o certa e duas erradas.

Depois, Michael aplica ETCC no c�rebro do novato.

Ap�s 30 minutos de estimula��o el�trica,

ele tenta de novo.

Agora, ele rapidamente identifica 5 alvos inimigos

em uma imagem, sem cometer um erro.

Naqueles que receberam estimula��o cerebral,

todas as pessoas atingiram n�vel de perito

ap�s uma hora de treino.

Em m�dia, novatos que receberam ETCC

identificaram o dobro de alvos daqueles que n�o receberam.

Ao colocar os volunt�rios outra vez no tom�grafo,

Michael descobriu que os padr�es de atividade nos c�rebros

foram alterados permanentemente.

Suas habilidades rec�m-adquiridas permaneciam

mesmo ap�s cessar a estimula��o.

N�o � dif�cil imaginar onde essa tecnologia poderia parar.

Universit�rios poderiam us�-la em c�lculos,

mam�es tigre na obten��o de recitais perfeitos.

Basta isolar a parte do c�rebro necess�ria para uma habilidade,

e um dispositivo de ETCC o tornaria um mestre em minutos.

Viva!

Estimulei meu c�rebro diversas vezes com ETCC.

Notei uma concentra��o intensa

e a capacidade de se concentrar com aten��o

no material que observo.

Acho que seria um �timo benef�cio

usar as ferramentas da neuroci�ncia

para ajudar as pessoas,

garantir que estejam em alto n�vel.

� medida que aprendemos cada vez mais

sobre as estruturas ativadas no c�rebro,

podemos mostrar que faz parte de nossa fun��o,

quer pensamos a respeito ou n�o.

A maioria do que fazemos � inconsciente,

as prefer�ncias, os preconceitos.

Algu�m l� no fundo nos conduz.

Quem � que manda? Acho que � a inconsci�ncia.

A ci�ncia comprovou que temos duas mentes.

Uma que conduz nossos pensamentos conscientes.

E outra que � uma sombra que nunca para de agir.

Ela nos protege de danos, cura nosso corpo,

possibilita que pensemos mais r�pido e com mais criatividade.

Desvendamos alguns segredos do subconsciente.

Quando finalmente alcan�armos seus poderes ocultos,

quem sabe o que faremos?

MUSKETEERS Legendas Para A Vida Toda!

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