All language subtitles for My Son Jeffrey The Dahmer Family Tapes - S01E02 - Enlisted

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Original subtitles

Uma descoberta macabra foi feita em Milwaukee hoje.

Partes de corpos mutilados foram encontradas

no apartamento de um homem.

A pol�cia prendeu Jeffrey Dahmer, de 31 anos.

Quando eu vi o jornal pela primeira vez,

com a cara do Dahmer impressa,

doeu muito.

Eu segurei o jornal e pensei: "Meu Deus".

"� ele!".

"O meu aluno da aula de anatomia!".

Ele parecia um homem calmo, uma pessoa normal.

Ele est� sendo chamado de "O Assassino Canibal".

Pensar que essa pessoa

era o homem que comeu partes de corpos,

foi um choque imediato.

O meu encontro com o mal, na pessoa do Jeffrey Dahmer,

me assombra at� hoje.

ESTAS GRAVA��ES S�O ENTRE JEFFREY DAHMER

E O SEU PAI, LIONEL

ELAS NUNCA FORAM REVELADAS AO P�BLICO

Eu tenho tantas coisas a dizer.

Coisas que eu queria ter feito de outro jeito com voc�.

Sim.

Chega de segredos.

Desde que os assassinatos

de Jeffrey Dahmer foram descobertos,

Lionel Dahmer entrou nesse caminho,

ele come�ou essa jornada para tentar descobrir

se ele teve algum papel nisso.

O que eu n�o entendo � como

eu n�o sabia de nada sobre isso.

Eu estava fazendo tudo isso no meu pr�prio mundo.

Ouvir o Jeffrey Dahmer tendo uma conversa

com o seu pai � algo novo.

Esse � o Jeffrey Dahmer como ele � de verdade.

Lembra daquela caixinha de madeira de 30 cent�metros?

- Sabe o que tinha dentro dela? - N�o.

A cabe�a mumificada e os genitais

da �ltima v�tima da casa de West Allis.

Entendo.

Incrivelmente, todos os momentos

em que eu devia ter sido pego, eu n�o fui.

Voc� acha que Satan�s pode estar envolvido nisso?

MEU FILHO JEFFREY: AS GRAVA��ES DA FAM�LIA DAHMER

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SEGUNDO EPIS�DIO: SERVI�O MILITAR

MUNIC�PIO DE BATH, OHIO, 1991

Os investigadores est�o na cena, tem ao redor de 30 ou 40 deles,

revistando a propriedade na Municipalidade de Bath

onde Jeffrey Dahmer morava

na �poca em que ele estava no colegial.

Eles est�o procurando os restos do Steven Hicks, de 19 anos,

que desapareceu em 1978.

Dahmer supostamente confessou ter matado Hicks

e espalhado partes do seu corpo pela propriedade.

A fantasia mudou para pegar algu�m na estrada

o mochileiro, o bonito.

E o mochileiro de quem voc� est� falando

era o Steven Hicks, n�o era?

Sim.

Todas as pe�as se encaixaram

e eu pude realizar a minha fantasia.

Eu nem acredito quando penso nisso.

Com o assassinato de Steven Hicks,

Jeffrey Dahmer cruzou o limite,

e entrou em um caminho sem volta.

Em um momento,

Lionel encontra o Jeffrey b�bado, em casa.

Ele agora sabe que o seu filho est� bebendo de forma excessiva,

mas Lionel n�o sabe qual � o problema dele.

Ele n�o v� que o seu filho

est� se tornando um assassino em s�rie.

Mas Lionel quer que Jeffrey v� para a faculdade,

ele acredita que a educa��o

ajudar� a mudar a vida do seu filho.

Ent�o, ele inscreve o Jeffrey

na Universidade Estadual de Ohio.

O meu nome � Michael Prochaska,

eu era o colega de quarto do Jeffrey Dahmer

na Universidade Estadual de Ohio, em 1978.

E eu n�o era apenas o seu colega de quarto,

eu dormia na cama de baixo, e ele na de cima.

Quem acreditaria nisso?

Eu nunca contei essa hist�ria antes.

� bom p�r tudo para fora depois de tanto tempo.

O meu quarto ficava na Morril Tower.

Voc� n�o sabe o quanto eu ficava feliz

de ver que algu�m novo tinha vindo morar l�.

Quando eu finalmente cheguei at� o quarto,

alguns dos meus colegas j� tinham chegado,

e o Jeff era um deles.

Eu disse: "Oi, como vai?",

e eu acho que ele s� disse: "Oi, eu sou o Jeff".

Mas fora isso, n�o havia conex�o,

nem contato visual,

nenhum: "De onde voc� �?",

ou: "Como � a sua fam�lia?",

n�o tinha nada disso com o Jeff, somente respostas r�pidas

de uma ou duas palavras.

Tinham uns 10 ou 11 de n�s

que nos demos bem na hora,

e tinha o Jeff, que s� ficava na dele.

Ele n�o parecia ter nenhum interesse

em tentar fazer parte do nosso grupo.

Todos n�s escut�vamos rock'n'roll,

Bruce Springsteen, The Who, The Rolling Stones, Pink Floyd,

mas o estranho do Jeff

� que ele s� tinha um ou dois �lbuns do Neil Sedaka.

N�s v�amos isso e pens�vamos:

"Nada contra o Neil Sedaka,

mas ningu�m da minha idade escuta Neil Sedaka".

Se voc� perguntasse ao Jeff sobre esportes ou times,

ele n�o tinha interesse, mas ele gostava de beber.

Beber era muito comum,

mas Jeffrey era extremo.

Ele tomava destilados,

eu n�o sei de onde ele tirava dinheiro

para pagar por todo o �lcool que ele consumia.

Mas ele roubava.

Um r�dio meu foi roubado, e um dinheiro foi roubado.

N�s fomos at� o assistente da resid�ncia e dissemos:

"Ou�a, o Jeff est�...

Ele n�o se encaixa conosco, houve roubos".

Ele olhou para n�s e disse: "Qual �, gente,

voc�s n�o est�o mais morando com o papai e a mam�e.

Se o Jeff n�o se encaixa, fa�am ele se encaixar".

Ent�o, naquele fim de semana, n�s fizemos um esfor�o.

Tinham uns 10 de n�s, eu acho,

que disseram: "Jeff, n�s vamos sair de noite, vamos aos bares,

vamos beber e nos divertir, voc� quer vir conosco?".

E o Jeff concordou, ele disse: "Sim, eu vou com voc�s".

Ele passou uma hora e meia conosco,

duas horas,

e parecia estar se divertindo,

mas depois, ele saiu e ficou por conta pr�pria.

Ent�o, n�s ficamos nos bares,

bebendo a noite toda, nos divertindo,

e quando voltamos,

o nosso banheiro estava quebrado.

Uma das portas foi arrombada com um chute,

a pia estava danificada e o espelho estava rachado.

E n�s ficamos, tipo: "Jeff".

Essa foi a primeira rea��o de todos:

"Isso foi o Jeff".

Ele negou, mas quem admitiria que quebrou o banheiro?

Eu nunca convivi com um alco�latra antes,

eu n�o sabia o que era um alco�latra.

Entre o dia de a��o de gra�as e o natal, ele decidiu come�ar

a fazer uma cole��o de garrafas.

Ele devia ter entre 30 e 50 garrafas vazias

na sua prateleira.

Destilados.

Todos voltaram para casa no natal,

e depois do natal, que era uma pausa

de duas semanas e meia,

n�s voltamos, e o Jeff tinha sumido.

Eu agrade�o a Deus todos os dias

porque...

N�o aconteceu nada.

Sabe, pensando bem, ele cometeu seu primeiro assassinato

apenas algumas semanas antes de entrarmos na Universidade.

Quando voc� pensa nisso, isso � um pouco assustador.

Mas o que quer que ele estivesse atravessando,

quaisquer que fossem os dem�nios que estavam na cabe�a dele,

era por causa disso que ele bebia tanto.

Lionel ainda tem um filho profundamente perturbado.

Quando a �poca do natal chegou,

ele foi preso por beber e causar dist�rbios,

e para o Lionel, essa foi a �ltima gota.

Eu quero que voc� saiba que eu te amo muito,

e que tem tantas coisas que eu queria ter feito

- de outro jeito com voc�. - Sim, chega de segredos.

- Eu me importo com voc�. - Eu tamb�m.

A solu��o do Lionel para tudo

que Dahmer fazia na vida

era sempre, e em todos os casos, mand�-lo para longe.

Mand�-lo para a faculdade,

mand�-lo para o ex�rcito,

mand�-lo embora.

Esse � o ex�rcito.

� um dever na Europa.

� cheio de lama, � trabalhoso e dif�cil.

BAUMHOLDER, ALEMANHA OCIDENTAL, 1979

O meu nome � Linda Sue Acevedo.

Eu era conhecida como Linda Sue Swisher.

Mas me casei de novo.

Eu era uma enfermeira da sala de emerg�ncias

em Baumholder, Alemanha Ocidental,

no final da d�cada de 70.

Quando eu me alistei, a guerra do Vietn�

ainda estava acontecendo,

e as coisas eram muito estritas, ningu�m podia beber.

Mas tudo isso mudou

quando a guerra acabou.

Ent�o, em 1979,

o ex�rcito estava decadente.

Mas os pais ainda colocavam os filhos no ex�rcito

para tentar corrigi-los,

e isso era exatamente o oposto do que acontecia.

Se voc� pegasse algu�m que bebia muito como civil

e o colocasse no ex�rcito, ele seria um b�bado bem feliz,

porque os soldados bebiam muito, e sempre.

E voc� acabava com pessoas como o Jeffrey Dahmer

sendo escolhidas para ser m�dicos!

Eu n�o prestei nenhuma aten��o nele

at� que eu comecei a dar aulas de anatomia

com um torso de pl�stico

que tinha partes remov�veis.

Eu desmontei tudo

e a parte pr�tica da tarefa era montar o torso de novo,

colocar o f�gado no lugar certo, o est�mago no lugar certo,

e os intestinos no seu lugar adequado.

E quando eu chamei o Dahmer, que era muito quieto,

e um estudante pouco envolvido,

ele pegou a parte do corpo que ele devia colocar no torso

e a acariciou.

Ele brincou com ela.

E eu fiquei, tipo: "O qu�?".

"Isso � extremamente esquisito!"

"O qu�...?

O que ele pensa que isso �? Um gato?"

Tinha uma clara diferen�a entre como os outros pegavam

partes anat�micas de mentira

e este homem, que interagia com elas.

Eu fiquei muito chocada

com esse encontro

extremamente breve com o Jeffrey Dahmer.

Quando eu o entrevistei, eu pedi ao Jeff:

"Me ensine".

"Eu quero saber o que passa pela sua cabe�a".

Jeff me disse que o motivo pelo qual ele se tornou m�dico

era a sua fascina��o com o corpo,

e com as partes internas do corpo,

come�ando com animais, e logo, com seres humanos.

Aprender sobre o corpo, ver o corpo, sentir o corpo,

isso alimentava as suas fantasias.

Essa foi sua primeira fantasia?

Ver o que tinha por dentro de um cachorro,

- de guaxinins, etc? - Sim.

Isso fazia parte da sua vida consciente

ou era apenas um sonho?

N�o, era consciente, eu procurava essas coisas.

Essa foto daqui � definitivamente de 1978.

Meu nome � Preston Davis, eu era um m�dico

com a unidade do ex�rcito.

Minha primeira viagem foi para Baumholder, Alemanha.

Eu amava o fato de ter uma oportunidade,

ou de que teria uma oportunidade para viajar e ver o mundo.

Julho de 1979.

O meu sargento me pediu para treinar um novato

em um exerc�cio de campo,

e o nome dele era Jeffrey Dahmer.

Ele parecia um ser humano normal.

Era um cara bonit�o.

Estilo surfista, loiro, de olhos azuis,

voc� imaginaria que ele podia escolher qualquer mulher,

mas ele nunca falava sobre ter namoradas,

sobre sair com uma garota, nem sobre nada assim.

O Jeff n�o tinha nenhuma tend�ncia homossexual

que eu tenha visto.

Ent�o, foi aos 13 anos

que voc� teve uma experi�ncia homossexual?

Como isso aconteceu? Quem teve a iniciativa?

N�s dois, eu acho.

Eu n�o lembro quem teve a iniciativa,

mas n�s dois est�vamos confort�veis com isso.

Voc�s dois tiveram a iniciativa ao mesmo tempo?

- Sim. - E isso era sempre?

Foi leve, sabe? S� beijos e beijos,

n�o passou disso.

- Nenhuma masturba��o nem nada? - N�o, n�o que eu me lembre.

E voc� nem pensou em contar para mim ou para a mam�e?

De jeito nenhum.

O Jeff falava somente do pai dele,

ele dizia que o pai dele estudava ci�ncia,

e que ele queria ser m�dico

porque estava orgulhoso do pai

e de como ele ensinava certas coisas.

Um m�dico tem muito mais

autoridade para usar drogas pesadas.

E quando ele entrou na minha unidade

em julho de 1979, como m�dico,

foi a� que o Jeffrey aprendeu

ou aperfei�oou a sua habilidade

de misturar drogas e de drogar as pessoas.

Quetamina e Lorazepam

eram drogas �s quais o Jeffrey tinha acesso.

Esse tipo de drogas apagam a sua mem�ria.

Quando os tanques saem para fazer exerc�cios de campo,

eles precisam de suporte m�dico,

ent�o no m�nimo, eles levam dois m�dicos.

Nesse exerc�cio em particular,

�ramos somente eu e Jeffrey Dahmer.

N�s viaj�vamos pelo pa�s

e eu dirigia ao menos de 18 a 20 horas por dia

pela �rea rural do pa�s.

E uns tr�s ou quatro dias antes do fim dos exerc�cios,

o nosso rastro quebrou.

E eu me lembro claramente

que o mecanismo das rodas quebrou.

Ent�o agora, est�vamos im�veis, n�o pod�amos nos mover.

Ent�o, n�s fomos rebocados at� a esta��o de trem, e...

Alguns dias se passaram,

e � claro que nossos superiores vinham ver se est�vamos bem,

se t�nhamos o que comer,

e naqueles �ltimos dias,

eu perdi a no��o do tempo.

Teria sido muito f�cil para o Jeffrey Dahmer

colocar algo na minha comida.

E � isso que eu acredito que aconteceu.

Eu fui drogado pelo Dahmer.

Eu sa� da Alemanha em fevereiro de 1980,

e eu basicamente apaguei o Jeffrey Dahmer

do meu registro mental.

Billy Capshaw foi meu substituto

como m�dico.

O meu nome � Billy Joe Capshaw,

eu tinha 17 anos

quando entrei no ex�rcito.

Meu objetivo quando eu me alistei

era ajudar a minha fam�lia e mandar dinheiro para casa.

Quando eu cheguei na Alemanha, eu conheci o Jeff,

eles nos perguntaram se quer�amos ser

colegas de quarto, ele perguntou e eu disse que sim.

"Sim".

Ele me mostrou o quarto, me ajudou a desfazer a mala,

ele ria e falava,

e dizia que tinha a melhor av� do mundo.

Sim. E que ele amava a sua av�.

E que ele amava o seu pai,

que ele n�o queria decepcionar o seu pai,

e que ele precisava deixar o seu pai orgulhoso.

A sua personalidade � amorosa,

bondosa...

Esse seu lado, que � o seu melhor lado...

- Digo, voc� nos ama. - Sim.

Voc� ama a vov�.

Voc� demonstra respeito pelas pessoas,

voc� fala civilizadamente, educadamente, respeitosamente,

voc� n�o demonstra nenhuma raiva...

Eu me senti seguro, sabe?

Eu me senti, tipo: "Puxa, vai dar tudo certo".

E n�o aconteceu nada naquela noite.

Sim, nada.

Eu acordei no dia seguinte

e ele disse: "Venha c�".

Ent�o, eu fui at� o arm�rio dele,

e ele disse: "Eu quero lhe mostrar algo".

Ele tinha uma garrafa de Fanta,

uma garrafa de Fanta laranja,

e eu pensei que era um refrigerante.

E...

Ele disse: "Tome, eu quero que voc� prove isso".

E cara, era vodca.

Vodca laranja.

E ele disse: "Legal, n�o?".

E eu disse... Eu disse:

"Jeff, eu n�o bebo essas coisas".

E ele disse: "Bebe sim, � isso que n�s fazemos aqui".

Ent�o n�s bebemos mais vodca laranja, sim?

E...

Sabe...

Eu comecei a ficar muito b�bado.

Ele encheu a garrafa de novo,

e continuou bebendo.

O desgra�ado passou...

Ele passou de ser...

A pessoa que eu conheci no primeiro dia

a ser algu�m que eu n�o conhecia.

E eu disse: "Pode parar de beber?

Pare de beber!", e ele disse:

"N�o, eu n�o vou parar de beber, como assim, 'pare de beber'?".

E que horas eram? N�o tinha nem escurecido ainda.

E ele disse:

"V� dormir, v� dormir".

E eu pensei: "Certo,

eu vou dormir, porque esse cara est� b�bado".

Ent�o eu fui para a minha cama,

e eu estava totalmente vestido.

Quando eu acordei na manh� seguinte,

ele estava ali, sorrindo para mim,

ele estava sorrindo para mim, e eu disse: "Jeff, o que foi?",

e de repente, eu olhei para baixo,

e eu tinha urinado em mim mesmo.

Por toda parte. A cama estava molhada,

eu levantei o traseiro e eu estava sem cal�as.

Foi a� que tudo come�ou a fazer sentido.

Eu comecei a entender.

Eu sentia a dor no meu corpo.

Eu sabia que alguma coisa

tinha acontecido, eu sabia que tinha sido estuprado.

E ent�o, ele come�ou a fazer caretas, tipo...

Sabe? Sem dizer nada.

S� fazendo caretas.

Eu fiquei com tanto medo

que eu s� conseguia pensar em fugir.

Ent�o eu disse: "Por favor...

Deixe-me sair".

Mas eu n�o conseguia passar pela porta,

a maldita porta estava trancada.

Ent�o eu pensei: "O que eu vou fazer agora?

O que eu vou fazer? Como eu vou sair?".

Ent�o eu corri e pulei pela janela.

Eu pulei pela janela.

"Bum!", eu pulei pela janela.

Billy Capshaw foi trazido em uma maca,

incapaz de andar,

e eu n�o precisava de um raio-X para saber que a bacia do Billy

estava quebrada.

Linda Sue, eu me lembro dela segurando a minha m�o

e me dizendo que ia ficar tudo bem.

Eu me lembro de contar para eles que fui estuprado.

Eu contei para o m�dico que eu fui estuprado,

e isso n�o o incomodou nem um pouco.

O pessoal do ex�rcito n�o se importou.

A �nica que se importou foi a enfermeira

que cuidou de mim.

Billy tentou repetidamente dizer para todo mundo:

"Voc�s v�o me mandar de volta para o perigo".

Ningu�m queria ouvir o Billy.

O que eles fizeram?

Eles me levaram de volta

para o mesmo quarto!

Para a mesma cama, e o mesmo colega de quarto.

Jeffrey Dahmer, sim.

Jeffrey Dahmer.

Ficou cada vez pior, pior e pior com os estupros,

e com todo o resto.

Certo? Ficou pior.

Passaram a ser duas vezes por dia.

Eu nunca sabia quando ia acontecer.

Para o Jeff, o estupro n�o tem nada a ver com o sexo,

� uma express�o sexual de uma agress�o.

O estupro s� satisfaz desejos n�o-sexuais

de domina��o, controle, humilha��o.

A maior fantasia de poder

� a de decidir o destino de outro ser humano.

Ent�o eu comecei a planejar a morte dele.

Eu ia matar o Jeffrey Dahmer.

Jeffrey Lionel Dahmer,

eu ia mat�-lo com todas as minhas for�as.

Com tudo o que restava no meu corpo,

eu ia mat�-lo.

Mas adivinhe s�.

Eu mudei de ideia.

Eu devia t�-lo matado

antes que ele perdesse o controle.

E agora, eu me sinto culpado.

Jeffrey Dahmer foi sancionado

por ser um b�bado habitual.

Mas foi dispensado honrosamente.

Jeffrey Dahmer foi solto com bons antecedentes.

Ele foi solto na sociedade como esse monstro.

Quando Jeffrey Dahmer saiu do ex�rcito,

ele tinha adquirido todas as habilidades

que ele utilizaria desastrosamente mais tarde.

Mas ele falhou de novo.

Tudo o que o seu pai queria tentar

para lev�-lo pelo caminho certo,

Jeffrey Dahmer fez fracassar.

Ent�o agora, o Lionel Dahmer

estava dizendo: "O que eu vou fazer com o meu filho?

O que restou?".

Voc� rezou alguma vez para Deus?

Ainda n�o. Eu n�o rezei.

Por que voc� acha que n�o rezou? Posso perguntar isso?

Porque eu sinto que...

Eu n�o sei, eu me sinto inc�modo.

- Sim. - Com medo de falhar de novo.

Mas todos n�s... Eu tamb�m estou falhando.

- Sim? - Sim, eu falho o tempo todo.

Eu n�o me preparei para fazer isso ainda.

Lionel Dahmer era extremamente religioso.

Muito religioso, muito crist�o,

e em algum momento,

o Jeffrey tentou se assumir para o seu pai.

Ent�o ele pensou em mandar o Jeffrey para um acampamento

para rezar e se livrar de ser gay.

Para ver se isso ajudaria.

E o Jeff Dahmer n�o estava nem um pouco interessado nisso.

Se voc� tivesse tido alguma experi�ncia,

uma experi�ncia heterossexual naquela �poca da sua vida,

- ser� que voc� teria...? - Eu n�o sei.

Eu n�o desejo isso agora e n�o desejava na �poca.

Ent�o ainda havia um desejo da parte de Lionel Dahmer

de consertar o seu filho, de consert�-lo.

Ent�o ele decide que seria uma boa ideia

se o Jeffrey fosse morar com a av� dele em Milwaukee.

Nesse momento, n�s estamos...

Ao menos eu estou esperando o Jeff chegar.

O filho do Lionel.

Mas at� agora, ele n�o apareceu.

� um belo dia l� fora.

� um lindo dia para se estar vivo.

A av� do Jeffrey Dahmer talvez fosse a �nica pessoa

que o amava de verdade.

Do jeito profundo em que uma av� ama o seu neto.

- Voc� � o amor da vida dela. - S�rio?

- Sim. - Que bom, � bom ouvir isso.

- Sim. - Sempre que voc� visitava,

quando eu morava l�, ela sempre estava de bom humor.

Antes de voc� chegar, ela estava sempre ansiosa

- para a sua visita. - Eu sei, eu sei. Eu sei.

Quando o Jeffrey vai morar na casa da sua av�,

ele vai � igreja, ele consegue um emprego

na f�brica de chocolate Ambrosia,

parece que ele finalmente est� fazendo tudo certo.

O Jeff comprou um monte de flores para voc�, n�o foi?

Sim, ele ama flores.

- O qu�? - Ele gosta de flores.

Sim.

Por cinco anos, ele parece estar no caminho

no qual o Lionel quer que ele esteja.

Mas eu n�o acho que o Jeffrey Dahmer,

desde seu primeiro assassinato,

tenha voltado para o caminho certo.

Eu acho que ele estava sempre planejando,

que estava sempre tentando descobrir

como realizar as fantasias que ele estava tendo.

Ent�o, enquanto Jeffrey Dahmer est� morando com a sua av�,

ele � essencialmente livre.

Ningu�m o est� vigiando.

E ele come�a a frequentar os bares gay de Milwaukee.

Jeffrey Dahmer ia �queles bares.

Ele era bonito, digo, ele n�o era feio.

Se ele fosse feio, ele n�o teria pegado

todas as pessoas que ele pegou.

O meu nome � Eric Wynn,

eu fui coroado como "Miss Gay Winsconsin"

em 1984.

Eu n�o acredito que ele n�o me pegou.

O meu ex era parecido com ele, loiro, com um pouco de barba,

e aqueles �culos estilo Kojak esquisitos dos anos 70

que todo mundo usava.

Vamos ser sinceros, ele era atraente.

Quando o sol come�ava a se p�r,

tinha drag queens por toda parte.

A vida noturna come�ava, e era divertido e alegre.

E l� estava a 219.

A minha segunda casa.

O 219 era o principal clube gay da South Second Street.

Era o lugar mais chique, tinha as melhores dan�arinas,

as mais organizadas, e eu estava entre elas.

Eu era a Erica Stevens.

Era uma loucura, tudo era maior nos anos 80.

O cabelo, as roupas, as ombreiras,

era simplesmente insano.

Todos usavam l�tex, e tinha muita maquiagem,

faz�amos competi��o de blush, e us�vamos tanta sombra

que os seus olhos pareciam penas de pav�o.

Eram os anos 80, era rid�culo,

digo, fomos n�s que destru�mos a camada de oz�nio.

Tudo era extremo,

era a �poca mais bonita e a mais feia da hist�ria.

E ent�o, a AIDS chegou.

Tudo mudou.

Passou de ser uma coisa linda para a escurid�o.

Algo estava acontecendo e ningu�m sabia o que era.

Toda aquela felicidade sumiu.

E se tornou medo.

E come�aram a colocar

cartazes nos postes,

porque as pessoas estavam desaparecendo.

E...

Voc� os via e...

Voc� automaticamente imaginava que era...

Me desculpe.

Voc� j� imaginava que era algu�m que tinha AIDS.

Jeffrey Dahmer n�o matava h� nove anos.

Ele conhece Steven Tuomi no Clube 219.

O Jeff me disse que com o Tuomi,

foi uma oportunidade.

Ele queria fazer sexo, ele o achou atraente,

ele tinha o tipo de corpo que ele estava procurando.

Ele n�o podia lev�-lo para a casa da sua av�,

ent�o eles alugaram um quarto

no Hotel Ambassador.

Eles beberam e o Dahmer disse

que quando acordou de manh�, Steven Tuomi estava morto.

Mas o Dahmer n�o sabe como ele acabou assim.

Ele disse que n�o se lembrava de t�-lo matado.

"Eu devo ter feito isso, mas n�o me lembro".

Eu acho que ele bebeu at� desmaiar,

e ele...

Ele bateu nele.

E o estrangulou.

Pense no Jeffrey naquele quarto de hotel.

As portas est�o trancadas por dentro,

ele est� deitado ao lado de um cad�ver.

Ele deve estar totalmente

aterrorizado, tipo: "Meu Deus".

Ent�o esse foi um evento emocional significativo,

porque n�s conversamos sobre isso

e isso foi muito comovente para ele,

ele teve medo.

Agora o Jeffrey Dahmer precisa pensar

em como ele ia

se livrar desse corpo, ele n�o podia chamar a pol�cia.

Ent�o, ele foi at� o shopping e comprou uma mala.

Uma mala bem grande. E voltou para o hotel.

Bem, ele o cortou,

colocou o corpo dentro dessa mala,

chamou um taxi, e...

Sabe...

Steven Tuomi devia ter uns 80 quilos,

e o Jeffrey estava tentando carregar

esse corpo em uma mala.

Ela pesava mais do que ele.

Ent�o ele fez o motorista do taxi ajud�-lo.

O motorista ficou, tipo:

"O que tem a� dentro? Um corpo?".

E o Jeffrey simplesmente entrou na brincadeira.

Ent�o, ele o levou para a casa da sua av�

e descartou o corpo aos poucos.

Durante um longo per�odo de tempo.

Eu estava fazendo tudo no meu pr�prio mundo.

Voc� guardava o segredo.

Sim.

- N�o �? - Sim.

O que devia ter corrigido o Jeffrey Dahmer,

ir morar com a sua av�,

apenas criou um espa�o isolado,

um espa�o privado para que ele continuasse

realizando suas fantasias.

Ele n�o necessariamente queria continuar matando,

inicialmente.

Mas ele me disse que quando come�ou a matar,

a adrenalina era tanta

que realizava suas fantasias.

REPRODUZIR

Alguma coisa saiu completamente do controle.

Nada se resolveu, era uma mistura horr�vel.

Voc� acha que Satan�s estava envolvido nisso?

Era uma obsess�o muito forte

que se tornou cada vez mais poderosa.

Eu acho que naquela altura, ele pensou:

"Eu cometi dois homic�dios, eu n�o fui pego,

eu consegui me livrar dos corpos,

ent�o eu posso continuar assim".

E ent�o, eu acho que ele come�ou a planejar

cada vez mais.

Ele come�ou a usar um rem�dio para dormir,

triazolam, que � um rem�dio extremamente potente,

que ele mesmo tomou.

Ele sabia que uma ou duas dessas p�lulas

podem derrubar algu�m, deix�-lo desmaiado.

Ele as misturava com o creme irland�s Bailey's,

porque quando as pessoas tomavam isso,

n�o sentiam o gosto do rem�dio.

Ele gostava de manter as pessoas nesse estado de desmaio

pelo maior tempo poss�vel,

e ele disse que fazia sexo com elas durante esse tempo.

Ele come�ou a aperfei�oar sua...

Sua arte, seu m�todo, ele evoluiu, o aperfei�oou.

As suas fantasias evolu�ram.

O mundo gay de Milwaukee

era feito � medida para o Jeffrey Dahmer.

Ele se tornou o seu playground, seu territ�rio de ca�a.

Jeffrey Dahmer podia agir despreocupado.

Eu estava t�o envolvido no que eu estava fazendo.

- Sim. - Eu sentia que ia continuar

fazendo isso para o resto da vida.

Ele ia procurar pessoas espec�ficas.

Ele conversava com as pessoas para descobrir

suas hist�rias de vida.

Ele tentava descobrir se elas eram pr�ximas de suas fam�lias.

O que ele estava tentando fazer

era determinar se essa pessoa com quem ele estava conversando

seria procurada se desaparecesse.

A SEGUIR

Jeff e eu conversamos sobre o canibalismo.

O que o Jeff me explicou

� que ele queria ser o dono daquele corpo,

ent�o ele sentia que comendo parte do corpo,

ele se tornaria parte dele.

Nas suas primeiras seis horas de interrogat�rio com a pol�cia,

um dos detetives perguntou se ele estava com fome,

mas o Dahmer disse que n�o estava com fome,

e que dificilmente teria fome por muito tempo.

Eu perguntei qual era o gosto

e ele disse que era como fil� mignon.

E eu disse: "Caramba". E nunca mais comi um fil�.

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