All language subtitles for My Son Jeffrey The Dahmer Family Tapes - S01E01 - Abandoned

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Original subtitles

ESTAS GRAVA��ES S�O ENTRE JEFFREY DAHMER

E O SEU PAI, LIONEL

ELAS NUNCA FORAM REVELADAS AO P�BLICO

Essa pr�xima conversa � entre o Jeff e eu

quando ele me ligou da cadeia.

Eu n�o quero ficar s�rio e m�rbido.

- Esse tipo de coisa, sabe? - Sim.

Mas eu quero esclarecer umas coisas,

se voc� concordar.

Uma das coisas que eu queria mencionar...

Lembra daquela caixinha de madeira?

Voc� sabe o que tinha dentro dela, n�o �?

O n�mero de v�timas do assassino de Milwaukee

foi estimado em 17 essa noite.

A pol�cia de Milwaukee encontrou partes de corpos

em um apartamento, e agora, eles est�o se perguntando

se descobriram algum tipo de "f�brica de mortos".

Eu estava t�o envolvido no que eu fazia.

A equipe de Materiais Perigosos

foi chamada para remover um cr�nio humano

encontrado em uma geladeira

e outros dois corpos encontrados em um congelador.

Era uma verdadeira obsess�o.

Eu sentia que ia fazer isso para o resto da minha vida.

A pol�cia prendeu o Jeffrey Dahmer, de 31 anos.

Ele foi apelidado de: "O Assassino Canibal".

As autoridades continuam

a terr�vel tarefa de identificar...

A sua personalidade � amorosa, bondosa,

voc� demonstra respeito pelas pessoas,

voc� nunca demonstra nenhuma raiva

e eu quero que voc� saiba que eu lhe amo muito,

- e que me importo com voc�. - Eu tamb�m.

Certo, pai.

Tentando entender as coisas que o seu filho tinha feito,

Lionel come�ou a gravar as suas conversas com o Jeffrey

na pris�o.

Ele estava falando com a pessoa na qual ele mais confiava,

mais do que a qualquer outra no mundo,

e essa � a primeira vez que vemos

quem o Jeffrey Dahmer era de verdade.

MEU FILHO JEFFREY: AS GRAVA��ES DA FAM�LIA DAHMER

QUER SE JUNTAR A N�S? E-MAIL | loschulosteam@gmail.com

PRIMEIRO EPIS�DIO: ABANDONADO

Ao contr�rio da maioria dos meus amigos,

eu n�o estava nos EUA quando a not�cia

da pris�o do Jeff veio � tona.

Eu estava na Europa, e eu tinha uma longa viagem

de trem pela frente, ent�o eu comprei um jornal,

e vi a foto de uma casa

que chamou a minha aten��o, porque eu disse:

"Essa � a casa dos Dahmer!

Por que tem uma foto dela nesse jornal que eu comprei?".

A manchete embaixo da foto dizia:

"A casa onde o Sr. Dahmer

admitiu ter cometido seu primeiro assassinato".

Ent�o eu pensei: "O pai do Jeff matou algu�m!".

V�DEOS CASEIROS DA FAM�LIA DAHMER

E ent�o, eu li primeiro par�grafo,

e me senti como se estivesse afundando no meu assento.

Eu me senti como se estivesse afundando

at� atravessar o ch�o do trem, at� cair nos trilhos.

Eu n�o conseguia imaginar isso, era incompreens�vel.

Como isso aconteceu? O que foi isso?

Por que ele matou essas pessoas?

Isso n�o fazia o menor sentido.

Eu n�o conseguia nem compreender algo assim.

Isso era...

Era muito dif�cil.

MUNIC�PIO DE BATH, OHIO, 1972

O meu nome � Mike Kukral,

e o Jeffrey Dahmer era meu colega de classe na escola,

acho que desde a s�tima s�rie, em 1972,

na Escola Secund�ria Eastview, quando eu tinha 13 anos.

Eu cresci na cidade de Richfield, Ohio,

que fica perto de Bath.

Ela fica a uns 50 quil�metros de Cleveland, Ohio.

Os Dahmer moravam em Bath, e eu morava em Richfield,

mas todos n�s �amos � mesma escola.

ESCOLA SECUND�RIA REVERE

Eu lembro da �rea onde o Jeff vivia,

onde ele cresceu.

� uma �rea bonita,

uma parte dela fica no Parque Nacional

Cuyahoga Valley,

o �nico Parque Nacional de Ohio.

Eu conhecia muito bem a casa.

A casa dos Dahmer era onde minha professora de piano morava

antes que os Dahmer se mudassem para l�.

Era uma casa moderna dos anos 50,

era uma casa bem legal, ela ainda est� l�,

e ela fica no bosque, na encosta de uma colina.

N�s t�nhamos 12, 13 anos,

est�vamos na s�tima s�rie,

e foi l� que eu conheci o Jeff Dahmer.

Eu me lembro dele sentado em uma mesa na biblioteca,

ele estava sempre lendo, ele era um desses garotos

que s�o muito t�midos com essa idade.

Mas eu falava com ele, dizia oi, e via o que ele estava lendo.

Ele gostava de ler fantasia, fic��o, essas coisas,

e ele estava sempre lendo um livro,

que ele segurava bem perto do rosto,

isso � uma coisa que eu me lembro.

Sabe, a Escola Secund�ria � s� um grupo de garotos

em uma idade dif�cil que s�o colocados juntos.

De repente, voc� precisa estar ali com todo mundo,

e voc� n�o � mais uma crian�a, mas ainda n�o � um adolescente.

� uma fase que fica no meio.

O Jeff parecia um garoto solit�rio,

mas ele participava das coisas, ele fazia atividades.

O que voc� mais gostava de fazer comigo?

De jogar t�nis, de pescar na lagoa,

vejamos...

O que voc� menos gostava de fazer comigo?

A li��o de casa.

� mesmo?

O pai do Jeff, o Sr. Dahmer, ele vinha � escola,

ele vinha aos eventos da escola,

ele vinha ver o show de alguma banda,

ele vinha ver jogos de t�nis,

ent�o eu o via e pensava:

"L� est� o pai do Jeff".

Ele era somente um dos pais, com essa idade,

voc� n�o presta muita aten��o aos pais das pessoas.

Mas a maioria dos pais eram calados naquela �poca,

eles n�o se envolviam muito com as atividades escolares

dos seus filhos como hoje em dia.

Eles trabalhavam e voltavam para casa,

ent�o ningu�m os via tanto quanto hoje em dia.

Mais tarde eu soube que ele era qu�mico,

eu n�o sabia disso quando estava na escola.

Eu n�o acho que era uma rela��o pr�xima,

eu acho que o pai dele se interessava

no que ele fazia,

mas ele n�o era do tipo que abra�ava muito

e que tinha esse tipo de rela��o pr�xima.

Mas eu n�o conhecia a m�e do Jeff.

O que voc� mais gostava de fazer com a Joyce?

Vamos ver...

Acho que s�...

De voltar da escola para casa, eu acho.

- E o que voc� menos gostava? - O que eu menos gostava?

- Eu sei que � dif�cil responder. - Das brigas.

O meu nome � Dan Craft, agente aposentado do FBI

ap�s 31 anos trabalhando com o FBI.

Eu trabalhava somente com viol�ncia,

com crimes violentos.

O Jeff me disse que o seu pai, Lionel,

era doutor em qu�mica, que era brilhante,

mas que ele n�o era muito presente.

Ele estava presente na inf�ncia dele,

mas n�o emocionalmente.

Ele viajava muito,

ent�o n�o estava presente fisicamente.

O Jeff n�o tinha um modelo paterno.

Eu me lembro de ligar,

quando eu estava longe, trabalhando,

digo, fora da cidade.

A m�e dele tinha muitos problemas mentais e emocionais,

ela era alco�latra, ela n�o ligava para o Jeff.

Eu n�o sei o que eu fiz,

eu n�o sei o que causou essa amargura.

O Jeff tinha um irm�o mais novo, o David,

e o Jeff tinha ressentimento do David,

porque a sua m�e favorecia o David,

ela dava amor para ele.

Eu achava isso abusivo, sabe?

Ele n�o sentia que ele era importante,

e isso pode ser muito forte, especialmente para uma crian�a

nessa idade de forma��o.

Ele n�o se sentia amado pela m�e.

Isso pode ser bem devastador.

Como eu n�o sabia dessas coisas?

Porque eu acho que a Joyce...

A Joyce e eu n�o sab�amos de nada disso.

Eu acho que n�s est�vamos t�o envolvidos

com os nossos problemas f�sicos e mentais,

com as nossas brigas,

que talvez n�o tenhamos prestado aten��o em algo

que merecia mais aten��o.

Desde o come�o, ele era um bom aluno,

ele ia bem na escola, trabalhava duro,

talvez para agradar o pai, os pais, eu n�o sei.

O projeto na floresta foi bem divertido,

n�s fizemos isso juntos.

N�s nos divert�amos com as galinhas, os cordeiros,

e faz�amos aquelas longas caminhadas,

com os bast�es de trilha.

- � verdade. - E todas as mariposas

que vinham at� a janela, n�s as peg�vamos tamb�m.

- T�nhamos uma cole��o e tanto. - Sim, era muito divertido.

Sim.

Ele estava na minha turma de biologia,

e eu sei que ele amava aquela aula.

O Jeff era um dos melhores alunos,

ele parecia muito interessado

quando come�amos a dissecar os sapos e essas coisas.

Eu pensava: "Talvez esse garoto estude medicina ou algo assim,

porque ele parece gostar de biologia".

Fora da escola, eu lembro dele indo pescar

com alguns caras na lagoa,

e eles deviam jogar os peixes de volta,

mas o Jeff pegava uma faca e abria os peixes que pescava.

Perguntavam: "O que est� fazendo?

Voc� tem que jogar de volta",

e ele dizia que queria ver como os peixes eram por dentro.

Mas o Jeff Dahmer era assim.

MILWAUKEE, WINSCONSIN DIA 22 DE JULHO DE 1991

Em 1991, eu era uma jornalista especializada

no jornal Milwaukee Journal.

Cobrir casos policiais e os casos da corte

para um jornal di�rio grande era o meu maior sonho.

Eu faltava no meu trabalho de gar�onete

para poder passear com a pol�cia.

Eu queria muito aprender.

Para mim, aquela era a melhor especializa��o no jornalismo

e o melhor trabalho, porque voc� v� os bastidores.

Voc� v� a forma que a pol�cia

realmente trabalha.

Eu ouvia o r�dio da pol�cia, ia at� as cenas dos crimes,

eu ia para as delegacias distritais

para conhecer os policiais, para que eles me conhecessem

e me reconhecessem na cena de um crime.

Ent�o eu diria que eu era uma pessoa confi�vel.

Mas eu tamb�m era muito chata, porque eu era uma rep�rter,

e eu queria saber de tudo,

como uma crian�a de dois anos que fica perguntando:

"Por qu�? Por qu�? Por qu�?", mas eu sempre queria saber.

Eu sempre queria saber o que estava por tr�s

dos motivos pelos quais a pol�cia fazia o que fazia.

Ent�o isso tamb�m era positivo,

mas me levava a ser a irm� mais nova chata

de quem eles n�o conseguiam se livrar.

A pol�cia fez a descoberta horripilante

pouco antes da meia-noite,

no conjunto de apartamentos econ�micos

onde o suspeito morava sozinho em um pequeno apartamento

no segundo andar.

Eu recebi uma liga��o, em uma linha fixa,

na minha casa, antes da meia-noite,

no dia 22 de julho de 1991,

de um policial que disse: "Tem um cara aqui

que parece que esteve guardando partes de cad�veres

no seu apartamento".

Ent�o eu fui at� a cena.

Eu n�o sabia o que pensar.

Milwaukee � uma cidade legal e tranquila do Centro-Oeste,

onde, como as pessoas sempre dizem nesses casos,

"nada nunca acontece".

Mas como em muitas cidades grandes,

havia �reas ruins.

O Dahmer morava em uma �rea que n�o era considerada

um bairro seguro.

APARTAMENTOS OXFORD

Quando eu cheguei � cena,

ainda n�o havia muitos policiais,

ainda era muito cedo, e de p� no corredor,

tinha um policial que eu conhecia bem.

Ele estava com a cabe�a encostada na parede,

com as m�os no rosto.

Eu fui at� a porta do apartamento de Dahmer,

que era o apartamento n�mero 213,

e eu pus um p� para dentro para dar uma espiada,

e n�o parecia uma c�mara de tortura

ou algo estranho,

parecia um apartamento de um cara solteiro.

Mas tinha um cheiro.

O cheiro estava l�.

Tinha um cheiro qu�mico,

tinha um cheiro de alguma coisa podre,

eu n�o consigo descrever,

mas n�o � nada que me faria dizer: "Ah!".

E depois, tinha o quarto.

E o quarto era realmente...

Aquela era a c�mara dos horrores.

Tinha fotos de v�timas

em v�rios est�gios de esquartejamento,

um barril onde Dahmer estava tentando

derreter os ossos, destruir os ossos,

um arm�rio onde tinha um esqueleto pendurado.

Eu sei que tem detetives

e policiais

que trabalharam naquela cena naquela noite

que n�o falam mais sobre isso de jeito nenhum,

porque eles viram coisas que n�o conseguem esquecer.

O meu nome � Michael Dubis.

Ap�s 34 anos no Departamento de Pol�cia,

essa � a primeira vez que falo na frente das c�meras

sobre o apartamento de Jeffrey Dahmer,

sobre o que eu vi,

sobre o que eu vivi.

Eu acho que agora � o momento certo.

Quando eu entrei no apartamento,

eu olhei para o oficial, e ele disse:

"V� ver a geladeira".

Eu abri a porta e vi uma cabe�a humana

em uma pequena caixa de papel�o

no fundo da geladeira.

Eu era um jovem de 31 anos,

com dois anos de experi�ncia em homic�dios.

Ver algo assim,

e entender o que � necess�rio para fazer isso com algu�m

foi muito chocante.

Conforme revistamos o apartamento dele,

cada gaveta que abr�amos, cada caixa que abr�amos,

era mais estranha e mais alarmante.

Tinha um pequeno arm�rio de duas gavetas,

e quando voc� abria a primeira gaveta,

tinha tr�s cr�nios humanos l� dentro.

Tinha ossos humanos,

ossos bem longos de pernas,

costelas, todo tipo de coisa.

Conforme entr�vamos no quarto,

tinha um guarda-roupas do outro lado.

N�s abrimos o guarda-roupas, e tinham mais dois cr�nios ali.

Tinha uma grande panela de sopa.

N�s tiramos a panela do guarda-roupas,

e a descobrimos.

Tinham duas m�os humanas

que pareciam ser de um homem afro-americano,

e um monte p�bico com um p�nis.

Havia, em total, 84 fotos naquele apartamento.

Pelas fotos, pudemos ver que a barriga de um homem

tinha sido aberta,

que um homem tinha sido pendurado no chuveiro,

no banheiro,

obviamente morto.

Todos eles eram seres humanos que foram assassinados.

Naquele momento, aquele era um lugar

terr�vel para se estar.

Conforme a investiga��o avan�a,

em algum momento, o sol nasce,

provavelmente depois das cinco da manh�,

e o telefone come�a a tocar.

Eu liguei para voc� muitas vezes

no dia 22 de julho.

Ele tocava, tocava e tocava.

Eu liguei, e liguei, e toda vez que eu ligava,

eu deixava tocar v�rias vezes.

E eu pensei:

"Esse cara mora aqui sozinho,

n�o h� sinal de familiares morando aqui com ele,

ent�o eu atendi o telefone.

"Aqui � o Detetive Dubis, como posso ajud�-lo?".

Ele disse que as palavras exatas dele foram:

"Estamos investigando um homic�dio aqui".

Lionel Dahmer tinha acabado de ver

o pr�dio onde o seu filho morava nos notici�rios nacionais,

e ele queria saber se seu filho estava bem.

E eu disse: "Como isso...?"

"O que isso tem a ver com o Jeff?",

foi o que eu perguntei.

E eu garanti ao Lionel que o seu filho estava bem,

que ele n�o estava ferido,

e mais nada, eu disse que ele tinha sido levado � delegacia

e que estava sendo questionado pelos detetives.

E ele disse que algu�m iria me ligar.

Eu fiquei muito triste, e eu vou ser sincero,

eu...

Isso n�o � um momento f�cil para mim,

mas eu n�o vou chorar, sabe?

Eu s� quero que voc� saiba disso, Jeff.

- Certo? - Sim.

O nosso suspeito j� estava na delegacia.

O nosso trabalho era tentar descobrir

quem eram todas as v�timas,

ent�o precis�vamos muito de coopera��o.

Jeffrey Dahmer, de 31 anos,

est� cooperando com os investigadores,

para tentar identificar as v�timas encontradas

no seu apartamento transformado em necrot�rio.

Eu era o chefe dos detetives

do Departamento de Pol�cia de Milwaukee,

eu estava na Unidade de Homic�dios

na �poca em que Jeffrey Dahmer foi preso, em 1991.

Ele estava muito disposto a falar,

ele deixou isso bem claro para n�s desde o come�o.

Ele queria nos contar tudo.

Ele disse que estava cansado de se esconder, de mentir,

que ele ia ser sincero e direto,

que ele sabia que tinha sido pego.

Eu s� quero que as coisas esfriem e...

- Eu sei. - Sim, senhor.

Isso tudo foi um grande choque para mim tamb�m.

Eu entendo. Eu entendo isso.

Quando voc� se sentava e conversava com Jeffrey Dahmer,

ele dava a impress�o de ser um cara qualquer,

ele tinha um tom tranquilo,

ele falava bem, sua gram�tica era boa,

ele tinha uma mem�ria incr�vel,

digo, ele nos deu muitos detalhes sobre tudo.

E ele disse tudo bem assertivamente.

Quando perguntamos sobre a sua cria��o,

ele at� mencionou algumas coisas que ele fazia na escola,

e a informa��o que ele nos dava era t�o precisa que pudemos

voltar 13 anos no tempo e obter detalhes.

SEGUNDO ANO DE DAHMER NA ESCOLA SECUND�RIA, 1976

Na Escola Secund�ria,

ele j� tinha mais de um metro e 80,

tinha ombros fortes, cabelos loiros,

ele levantava pesos, ele jogava t�nis,

ent�o ele n�o era uma pessoa indefesa.

Naquela �poca, eu diria que a Escola Secund�ria

era o centro da vida social de todos,

porque em casa, n�o tinha muito o que fazer,

e n�s n�o mor�vamos em um lugar onde pod�amos ir caminhando

at� a casa de um amigo.

Precis�vamos de uma carona, pegar uma carona com algu�m.

Eu n�o ia muito � casa dos Dahmer,

eu fui algumas vezes,

mas eu n�o entrava l� dentro.

Eu ouvia que os pais dele n�o se davam muito bem,

ent�o n�o era uma casa onde voc� podia ir

para relaxar com os amigos, porque outros garotos

que moravam naquela mesma rua

diziam que os pais dele brigavam o tempo todo,

que eles ouviam gritos,

que tinham gritos e insultos vindo de l� o tempo todo,

ent�o n�o era o tipo de lugar onde voc� gostaria de ficar

na sua adolesc�ncia.

Ela descontava a raiva dela em voc�, Jeff?

Bem, voc� sabe como ela era quando estava muito brava.

- Claro, ent�o... - Brava de ranger os dentes.

Eu acho que j� sei a resposta, mas eu s� queria perguntar.

Voc� sabe exatamente do que eu estou falando, n�o �?

Sim.

Quando as coisas n�o iam como ela queria,

- ela transferia sua raiva... - Sim.

Para mim.

Ent�o, multiplique esse incidente por mil,

- e era isso que eu vivia. - Sim, eu sei,

eu tamb�m passei por isso, eu me lembro.

- Sim. - Eu me lembro.

Eu diria que no primeiro e segundo ano,

ele parecia ser mais aberto, o Jeff Dahmer,

ela era aberto a fazer loucuras para chamar a aten��o,

ent�o, por causa disso, v�rios de n�s come�amos algo

que nunca foi nada oficial, mas que n�s cham�vamos

de "F� Clube do Dahmer",

n�s v�amos ele fazendo coisas bobas e engra�adas

e isso foi no colegial, no primeiro e segundo ano.

Ele sempre nos fazia rir, ele era um cara engra�ado.

Ele imitava as pessoas, ele era muito bom em imitar

as pessoas pelas costas.

E ele tamb�m tinha uns espasmos,

n�o sei, s� para chamar a aten��o.

N�s cham�vamos isso de "ter um Dahmer",

quando ele fazia essas loucuras.

Eu estava perto do meu arm�rio no colegial,

tinha muito barulho, de portas batendo,

de garotos correndo para l� e para c�,

entrando nas salas,

e o Jeff Dahmer estava vindo pelo corredor,

ele se inclinou, p�s a cabe�a no meu peito

por uns cinco segundos, e disse:

"Eu s� queria ouvir o seu cora��o batendo.

Eu s� quero ter certeza de que voc� ainda est� vivo".

E depois, ele continuava andando.

Ele fazia essas coisas de forma engra�ada,

ent�o ningu�m dizia nada, ele sempre se sa�a bem.

O meu nome � Eric Hickey, eu sou Psic�logo Criminal.

Tem muitos jovens como Dahmer que n�o se encaixam,

mas ele tinha uma autoestima baixa.

Por isso, o Jeffrey era o palha�o da escola,

porque ele queria aten��o.

Ele queria que as pessoas gostassem dele.

Mas ele era estranho, ele n�o sabia se encaixar.

Ent�o ele era solit�rio, e provavelmente muito triste.

Quando eu conheci a m�e dele e a entrevistei, a Joyce,

eu me lembro da primeira coisa que ela me disse

quando nos sentamos na sua sala de estar.

Ela disse: "Sabe, o Jeffrey nunca tentou ferir ningu�m.

Ele os matou, mas n�o tentou machuc�-los".

Eu nunca imaginei que voc� matava animais.

Eu n�o matava, eu apontei o arco e flecha

para um cachorro que eu levei para casa.

Mas ele olhou para mim, com aquele olhar inocente,

com aquele olhar confiante, e eu n�o consegui continuar.

Conforme ele cresce,

ele desenvolve sentimentos que o fazem acreditar

que ele � gay.

Ele tinha fantasias sexuais

porque ele gostava de homens musculosos.

E quando voc� tinha fantasias sobre...?

Quando voc� pensava em homens?

Bem, desde que eu...

Desde que eu me tornei ativo assim.

Eu n�o sei por que � assim, eu s� sei que � assim,

por algum motivo, eu n�o entendo isso

melhor do que as outras pessoas.

Ele tentava fazer as coisas

do jeito que os outros garotos faziam.

Como levar uma garota para o baile de formatura.

Mas quanto mais ele tentava se encaixar,

pior ficava para ele.

E ele estava entrando

em um mundo muito bizarro,

que ele estava criando na sua cabe�a.

Qual foi a primeira fantasia que voc� se lembra de ter tido

que voc� achou estranha ou perturbadora?

Quando Jeff entrou na puberdade, ele come�ou a se masturbar,

e ele se masturbava pensando nas suas fantasias.

Ele devia ter fantasias muito incomuns.

A primeira assim que eu me lembro

foi quando eu me interessei pelo cachorro morto,

eu queria abri-lo para ver o que tinha por dentro.

Ele come�ou a explorar coisas que n�o eram normais,

como animais, como pensar em animais.

Ent�o, essa foi a primeira vez, que voc� se lembre,

que voc� teve uma fantasia

sobre ver um animal morto por dentro?

Sim, e depois eu passei para... O que eu fiz.

Ele examinava animais atropelados.

E ele n�o olhava somente cientificamente,

mas tamb�m sexualmente.

E quando ele fazia isso, eu acho que ele se masturbava

pensando naqueles animais atropelados

- Voc� sa�a de bicicleta... - Sim.

- Procurando animais mortos? - Sim.

Ele gostava de animais mortos

porque ele queria explorar os seus corpos.

E ao explorar seus corpos,

ele explorava seus �rg�os sexuais,

e isso se tornou excitante para ele.

Uma vez eu enfiei aquela cabe�a de cachorro

em um pau, e um dos caras do col�gio

imaginou que tinha sido eu

porque estava perto da minha casa.

Eu acho que conforme ele passava por esse processo,

ao ter uma autoestima baixa, ele queria se sentir poderoso.

E para ser poderoso, ele precisava estar no controle.

Jeffrey Dahmer est� se tornando

o monstro que ele eventualmente se tornou.

O seu pai tentou de todas as maneiras

descobrir se ele teve algum papel nisso.

Eu estou fazendo uma compara��o com a minha inf�ncia.

- S�rio? - Sim.

Eu acho que voc� achar� muito interessante

- quando eu terminar. - Espero que sim.

Ele n�o v� que o seu filho est� se tornando uma pessoa

uma pessoa extremamente perigosa.

Tem coisas que eu nunca lhe contei,

que eu n�o contei para ningu�m, tem paralelos bem interessantes.

Alguns desses pensamentos s�o bem estranhos,

voc� precisaria digeri-los.

N�o, eu tamb�m tinha pensamentos estranhos

na minha inf�ncia.

Voc� � igual a mim, Jeff.

MILWAUKEE, WINSCONSIN DIA 23 DE JULHO DE 1991

A pol�cia de Milwaukee nos disse que est� sendo inundada

de liga��es de fam�lias que temem

que um ente querido desaparecido

esteja entre as v�timas do assassino.

Conforme a not�cia sa�a � tona naquele dia,

eu me lembro de receber liga��es no meu escrit�rio

de familiares.

E cada uma dessas liga��es era mostrada ao Jeffrey Dahmer.

"Alguma informa��o aqui soa familiar?"

"Voc� pode ter estado aqui e falado com essa pessoa?"

O que passou pela sua cabe�a quando voc� ouviu a not�cia

- do assassino em massa? - Pensei logo no meu irm�o.

Eu pensei nele na hora.

Olhamos todas as den�ncias de desapari��o que t�nhamos.

Falamos com todos os pais, com todos os c�njuges.

Eu n�o quero pensar o pior, eu quero pensar que ele est�...

Em algum lugar onde ele n�o nos ligou

por algum motivo,

e que ele vai nos dizer que est� vivo em algum lugar.

Todas aquelas fam�lias estavam sofrendo.

Crian�as, mulheres e meninas,

homens, av�s,

todas aquelas fam�lias sentiam a mesma dor.

Eu sempre sonho com o Errol.

- Que tipo de sonhos? - Ele liga pedindo ajuda.

E toda vez que eu chego at� ele, ele desaparece.

Tudo o que pod�amos dizer naquele momento

� que n�s acredit�vamos, baseado no relato do suspeito,

e nos itens que foram encontrados no apartamento, que:

"Seu ente querido

pode ter sido uma dessas v�timas".

N�o � f�cil, para nenhuma fam�lia,

para nenhum familiar, passar por isso.

Sabe? Estamos tentando nos manter calmos,

ser fortes e... Precisamos ser fortes.

�LTIMO ANO DE COLEGIAL DE DAHMER, 1977

Algo estranho no Jeff Dahmer � que no �ltimo ano,

ele come�ou a se afastar de todos n�s.

N�s n�o o v�amos muito, ele n�o ficava conosco.

Ele se fechou no seu pr�prio mundo,

eu diria, e ficou menos social,

menos envolvido com as coisas,

ele se importava menos com a escola,

no �ltimo ano, foi reprovado em v�rias mat�rias.

Ele se formou,

mas n�o se importava com mais nada.

Uma coisa que eu ouvi no meu �ltimo ano

foi que os pais dele iam se divorciar.

Eu me lembro do dia em que ela foi embora.

Sabe aquela maldita bomba de �gua que sempre quebrava?

- Sim, ela ficava afogada. - Isso aconteceu logo antes

de ela ir embora, ela estava brava com isso.

Estava muito, muito brava com isso,

porque eu n�o conseguia consertar.

Brava porque voc� n�o conseguia consertar?

Sim. Isso estava atrasando os seus planos.

Eu finalmente consegui consertar, eu acho,

- eu sei. - Mas ela n�o estava

em um dos seus melhores dias.

Finalmente, Lionel e Joyce se divorciam.

Joyce foi embora com o irm�o mais novo do Jeff, o David,

e o Lionel se mudou para um hotel.

Ent�o ele passou de ser um garoto

emocionalmente abandonado

a ser realmente abandonado, deixado por conta pr�pria,

e para algu�m com o tipo de fantasias

e pensamentos que Jeffrey Dahmer tinha,

n�o � uma boa ideia ficar sozinho.

Eu sinto muito que tenha sido uma exist�ncia t�o horr�vel,

na �poca da sua formatura, foi horr�vel, Jeff.

Eu vi o Jeff pela �ltima vez em uma festa.

Ele estava se divertindo, relaxado, e foi s� isso.

Depois, eu pensei: "Est� ficando tarde,

� melhor voltar para casa".

Mas eu decidi pegar a estrada que vai por dentro,

em vez da estrada principal,

e eu vi algu�m andando na estrada.

Conforme eu me aproximei, era o Jeff Dahmer.

Ent�o eu parei, porque ele tinha alguns quil�metros pela frente,

e disse: "Quer uma carona?", e ele entrou no carro na hora.

Eu dei uma carona para a casa dele,

e a casa estava toda escura,

mas era depois da meia-noite,

ent�o eu pensei que todos tinham ido dormir,

eu n�o percebi que ele estava morando l� sozinho.

Ent�o n�s paramos l�, e eu lembro de conversar

um pouco com ele no carro, tarde da noite,

mas ele n�o tinha muito a dizer.

Ent�o eu disse: "Bem, at� mais",

ele saiu do carro, entrou em casa,

na casa escura,

e essa foi a �ltima vez que eu vi o Jeff Dahmer.

E o seu primeiro assassinato foi ao redor dessa �poca.

O Jeff me contou das suas fantasias,

e eram fantasias sobre matar

e fazer sexo com o cad�ver.

Lembra daquele corredor que voc� disse que viu?

Ele via um corredor, e fantasiava

com matar essa pessoa.

O corredor era alto ou baixo?

Ele devia ter 1,75 m. Era magro.

- E ele era cabeludo? - Sim.

Isso foi muito forte para ele,

e ele me disse que era como

um filme cont�nuo, que se repetia o tempo todo.

Onde voc� o viu pela primeira vez?

Eu o vi correndo perto da loja do Lawson,

tinha uma ideia na cabe�a e esperei.

Ent�o, o Jeff se sentou e esperou por ele um dia.

E voc� teve a ideia de voltar com o taco.

- Sim. - E voc� voltou uma vez.

Sim, s� uma vez.

E naquele dia, o corredor n�o apareceu.

Ent�o o Jeff ficou muito frustrado,

porque ele n�o podia realizar a sua fantasia.

- Certo. - Ele n�o apareceu.

Ele n�o apareceu, e por que desistiu dessa ideia?

Era perigoso demais,

eu estava muito exposto.

Ent�o, ele come�ou a fantasiar com dar uma carona a algu�m.

�s vezes, quando o mal e a oportunidade se encontram,

essa � a f�rmula para algu�m acabar morrendo.

O ano � 1978,

Jeffrey Dahmer tinha 18 anos,

ele estava dirigindo e viu algu�m pedindo carona,

o Steven Hicks,

que estava voltando para casa de um show de rock.

Eu estava voltando do shopping para tomar umas cervejas,

e ele estava bem ali, perto da esta��o de bombeiros.

Steven Hicks pega uma carona com Jeffrey Dahmer,

e essa acaba sendo uma m� decis�o.

Naquela semana, todas as circunst�ncias se deram.

De repente, o que eu vejo?

Somente daquela vez, naquela semana.

Eu nunca mais encontrei ningu�m assim.

Parecia que algu�m tinha preparado isso, n�o?

� t�o estranho, eu n�o sei o que pensar.

Algu�m ou algo.

Jeffrey Dahmer o pega

e o convida para a sua casa.

E Steven Hicks aceita.

Eles estavam sentados, conversando,

o Jeffrey sentia atra��o por ele,

e o Steven Hicks agora queria ir embora.

O que importa aqui

� que quando Steven quis ir embora,

o Jeff n�o queria ser abandonado de novo.

O pai dele o abandonou, a m�e dele o abandonou,

ent�o ele n�o queria que o Steven...

Al�m disso, ele tinha fantasias com matar,

ent�o era a tempestade perfeita.

O Jeffrey pega a coisa mais pr�xima que ele encontra,

que s�o halteres,

e atinge a cabe�a de Steven Hicks, matando-o.

Dahmer realmente queria matar Steven Hicks?

Isso n�o ficou claro, mas o que n�s sabemos

� que ele n�o queria que Steven Hicks fosse embora.

Inicialmente, ele se livra do corpo de Steven Hicks

sob a casa, embaixo do por�o.

Mas eventualmente,

ele esquarteja o corpo e deposita os restos

dentro de sacos de lixo.

Ele os coloca no carro e decide lev�-los ao lix�o.

Conforme ele dirige, tarde da noite,

ele est� ziguezagueando, para a esquerda e para o centro,

porque ele esteve bebendo com o Steven Hicks,

ent�o um policial o para.

Esse � o primeiro de v�rios encontros

com a pol�cia que Jeffrey Dahmer consegue evadir.

Ele v� os sacos de lixo no banco de tr�s

e pergunta sobre eles para o Jeff.

Ele � muito agrad�vel,

o Jeffrey Dahmer, assim como v�rios assassinos,

s�o muito agrad�veis,

e muito manipuladores com essa personalidade.

Ent�o ele disse: "Os meus pais est�o se divorciando,

eles foram embora e me deixaram sozinho,

eu estou deprimido, eu estou bravo,

e decidi ir at� o lix�o.

Eu tinha lixo em casa e decidi levar para o lix�o,

para ter algo para fazer".

E o policial acreditou nele.

Ele deu uma multa e o liberou.

Com o assassinato de Steven Hicks,

Jeffrey Dahmer iniciou uma trajet�ria

para se tornar um assassino em s�rie.

O pai dele n�o faz ideia do quanto

o filho dele � perturbado.

A s�rie de fantasias, durante a vida,

se desenvolveram?

Sim, com os anos,

elas ficaram cada vez mais fortes e mais...

opressivas, essa seria a palavra,

cont�nuas, eu n�o podia me livrar delas,

ent�o era uma obsess�o real.

O Jeffrey Dahmer � atormentado,

ele � torturado por essas fantasias.

Mas elas nunca iam embora.

A SEGUIR

Meu nome � Billy Joe Capshaw,

eu entrei no ex�rcito em 1979,

e o meu colega de quarto era o Jeffrey Dahmer.

Eu comecei a planejar a morte dele.

Eu ia matar o Jeffrey Dahmer,

Jeffrey Lionel Dahmer.

Agora, eu me sinto culpado.

Eu devia t�-lo matado antes que ele...

perdesse o controle.

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