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-Eu me chamo Sira Quiroga e sou costureira.
Por mais distante que me pare�a agora,
tudo come�ou com algo t�o pequeno
como aprender a enfiar linha em uma agulha.
- Voc� � a costureira com o sorriso mais lindo que j� vi na minha vida.
- Eu n�o posso casar com voc�.
- Voc� est� saindo com outro?
- Sira...
- Seja quem for,
jamais vai am�-la como eu.
- Este � seu grande momento.
Ei, nosso momento.
"Tomei a liberdade de pegar emprestado o dinheiro e as j�ias do seu pai
para os gastos iniciais.
Acredite quando lhe digo que ainda a adoro
e que sua lembran�a viver� para sempre em mim,
at� o final dos tempos."
- O que voc� tem que fazer agora
� lutar para levar adiante este neg�cio.
Fazer com que sua m�e volte a ter orgulho de voc�.
- Esta seda � como uma segunda pele.
Uma pena que s� havia para um vestido.
Quero que saibam que meu contato est� de sobreaviso.
E pretende transferir sua m�e na pr�xima evacua��o de Madri.
- M�e!
- As coisas na Europa est�o ficando muito feias.
E no caso de uma nova guerra,
gostaria que seu pa�s estivesse do nosso lado.
- Sua cliente
� a amante do Tenente Coronel Juan Luis Beigbeder de Atienza.
- Por mais tardes como esta!
Agora j� somos amigas, n�o �?
- O Sr. Logan est� sendo procurado.
Por acaso saberia de seu paradeiro?
- Tenho que sair do Marrocos.
- E por que ainda n�o foi?
- N�o podia ir sem antes me despedir de voc�.
- Beije-me.
- Voc� est� bem, filha?
- Sim. Estava distra�da.
- Ligue o r�dio.
- O que houve?
- Ligue e voc� vai ver.
�Parte oficial de guerra
do quartel general do General�ssimo
correspondente ao dia de hoje,
primeiro de abril de 1939,
terceiro ano triunfal.
No dia de hoje,
cativo e desarmado o Ex�rcito Vermelho
as tropas nacionais alcan�aram
seus �ltimos objetivos militares.
A guerra terminou.
Burgos, primeiro de abril de 1939,
ano da vit�ria do General�ssimo Franco.
- Finalmente! J� era hora. - Acabou.
- Vamos para a rua, comemorar. - F�lix, n�o. Vou ficar.
- Realmente, tenho muito trabalho. - Mo�a... esse seu trabalho � irresist�vel, heim?
Nem no dia que uma guerra termina pode se separar dessa m�quina de costura?
- Saia e espaire�a um pouco, filha. Eu posso terminar isto sozinha.
- Tem certeza?
- As pessoas enlouqueceram?
E agora, o que vai acontecer?
- Ouvi dizer que o tr�fego de passageiros no Estreito ser� restaurado.
Ah! E os trens se preparam para chegar a Madri.
- O que h� com voc�? N�o fica feliz? - Sim, claro que sim.
- Fazia tempo que n�o usava esse len�o.
- Sim?
- Isso significa que j� superou o assunto com o jornalista?
- N�o h� nada que superar. - Se voc� diz...
Venha, anda, convido voc� para um vermute.
- N�o, mais tarde, em casa. Quero passar na pens�o de Candelaria.
- Sagrario, venha, precisamos brindar! - Vai deixar que eu beba vinho?
- Porque � um dia especial.
Sabe que disseram que Franco tem uma guarda moura?
- Ouviu o r�dio?
- Claro, por isso vim aqui. - J� se acabou a confus�o.
Gra�as � Virgem Santa v�o deixar de matar-se entre irm�os.
- A partide agora... Deus � quem sabe. - Como est� tudo por aqui?
- Bom... todos est�o felizes porque a guerra acabou,
claro que alguns est�o mais contentes que outros.
- Entendo. - Olhem quem est� aqui!
- Ol�. - Ol� a todos.
- Ol�, bonita. - Ol�.
- Juanito, sirva uma ta�a para Sira, n�o? - Claro, andando.
- Hoje � um dia para marcar no calend�rio.
- Finalmente o Senhor ouviu nossas preces.
- Obrigada, Juanito. - Que viva Espanha!
- E que viva Franco! - Viva!
- Com licen�a, s� queria me despedir. - Volta para a pen�nsula?
- N�o. Estou fugindo da Espanha. Vou para a Venezuela ou a qualquer lugar
onde possa viver em paz.
Muito obrigado por tudo.
Desejo a todos boa sorte.
- Mas... como vai partir agora? Tudo acabou.
- Acredite-me, isto apenas come�ou.
- Deixe que v�: ao inimigo que foge, ponte de prata.
- Por favor... - Cale-se! Nesta nova Espanha
n�o h� lugar para os vermelhos.
- S� espero que um dia esta guerra... tudo isso,
tenha servido para algo. Adeus a todos.
- Pouco me importa quem governe este desastre de pa�s,
nesta pens�o voc� sempre ter� uma casa.
Escutou?
- Vou sentir sua falta Candelaria.
Vou sentir saudade de todos.
Adeus e boa sorte!
- E agora, o que vai acontecer em Madri?
- Gostaria muito de saber.
- E n�s, o que vamos fazer?
- Voc� quer voltar?
- N�o sei. E a senhora?
- Estou muito bem aqui.
- Ent�o acho que o melhor � ficarmos.
- Rosalinda!
- Sira! Desculpe-me, darling, ter abandonado voc�.
Mas n�o imagina a confus�o desde que a guerra acabou.
A remodela��o do governo est� afetando a todos,
principalmente a Juan Luis, claro. - Eu imagino.
- Mrs. Quiroga, um prazer v�-la. - Encantada. Vou deix�-las.
- Tenho algo muito importante para contar para voc�.
- Venha.
- Ainda n�o � oficial
e acredito que v� demorar ainda umas semanas,
mas... jure que vai guardar segredo.
- Claro que sim.
O Caudilho vai nomear Juan Luis Ministro de Assuntos Exteriores.
- Ministro?
- N�o � maravilhoso?
Acredito que seja um sinal... magn�fico
que coloquem algu�m com a grandeza e sensibilidade de Juan Luis.
- Ent�o v�o mand�-lo a Madri?
E o que voc� vai fazer? Vai acompanh�-lo?
- Claro.
- Sira, n�o fique triste.
Eu adoraria ficar, mas... meu lugar � junto dele.
- Eu sei.
- Mas vou sentir tanto a sua falta. - Eu tamb�m. Mas n�o vamos pensar nisso.
Ainda tenho um par de semanas aqui,
e vou organizar uma festa de despedida que ser� lembrada por anos em Tetu�n.
- F�lix, estou pedindo que mude essa cara, por favor.
- Sim. J� sei que � uma festa. Mas me sinto mais em um funeral.
- At� coloquei gravata preta. - Voc� � um exc�ntrico.
Vamos sobreviver sem Rosalinda, voc� vai ver.
- Que rem�dio!
Mas Tetu�n n�o ser� a mesma sem ela.
Vou sentir saudades.
- E acha que eu n�o?
- Meu amor, voc� sabe que isto mudar� nossas vidas por completo, n�o �?
- Eu sei, querido.
- Fomos muito felizes aqui.
Quem sabe ainda podemos parar tudo,
e deixar as coisas como est�o.
Tirar a sorte sempre deu certo para n�s, n�o �?
- Quer tentar? Vejamos...
Se sair a preta... seguimos em frente.
Mas se sair a branca, renuncio � nomea��o e ficamos em Tetu�n.
- Embora eu fosse adorar, voc� sabe que n�o podemos fazer isso.
Seu pa�s precisa de voc�. E o meu tamb�m.
Al�m disso, aconte�a o que acontecer, querido, jamais deixaremos de nos amar.
- Promete? - Prometo.
- Venha, seus convidados o esperam.
- E voc� n�o vem? - Vou em seguida.
- Senhor, senhora...
Mademoiselle...
Muito obrigado a todos por virem.
Depois de tantos atos oficiais,
queria me despedir de meus amigos como � devido:
portanto, desfrutemos da magia de Tetu�n.
S'il vous plait.
- Onde est� Rosalinda?
- Como sempre, ma petite,
em um discreto e elegante segundo plano.
- Vou ver se a encontro. Pode ficar sozinho um momento?
- Sim, mas n�o muito, heim?
Entre tantas autoridades e madames, fico um pouco... t�mido.
- Voc�? N�o posso acreditar.
- Pois veja, querida. Sinto-me mais a vontade em outros ambientes.
- Voc� me entende, n�o �? - Sim.
- Ande, v�.
- Ol�.
- Sira.
- Voc� est� bem?
- N�o posso beber que logo fico nost�lgica.
N�o me deixe beber nem mais uma ta�a.
Fui t�o feliz aqui...
- Sabe que F�lix veio de luto?
- A m�e dele morreu?
- N�o. Bem que ele gostaria.
Veio de luto porque acha que isto deveria ser um funeral, e n�o uma festa.
Oh! So sweet!
� melhor que ele n�o me veja ou acabaremos chorando os dois.
- Antes que voc� parta quero lhe dar uma coisa.
� uma bobagem.
Mas... bem,
�... para lembrar de mim
quando precisar pregar um bot�o e eu n�o esteja por perto.
- Oh...que bonito.
- Preferiria ter voc� ao meu lado
para seguir resolvendo estes problemas.
Mas eu adorei.
Tamb�m tenho algo para voc�. Venha comigo.
- Vai deixar todas as suas coisas aqui?
- N�o posso levar tudo.
- E este tapete, n�o vai levar? � uma maravilha.
- Eu sei. Mas depois veremos.
- O que � isto? - Abra-o.
- Delphos.
- Voc� disse que seria ef�mero e duraria apenas uma noite.
Ent�o, como v�, o imortalizei para voc�.
- Mas...
- Fique com ela.
Com este vestido voc� me demonstrou que era uma amiga.
- Agora sou eu quem vai come�ar a chorar.
- Nem pensar. E prometa que vai me ver em Madri.
- Darling, voc� n�o vai se livrar de mim t�o facilmente.
Vou escrever toda semana.
Um ano depois...
- Senhorita, senhorita! Senhorita!
- Carta da Sra. Rosalinda. - Ah! Obrigada.
- Nova carta!
- Vou pegar o u�sque. - Mas estamos no meio do dia!
- Bem... gin, ent�o.
- Vou dizer a voc�: essa mulher nasceu com um dom para o luxo e sociabilizar.
- Certamente.
Tem tudo contra: � a amante inglesa de um ministro
em um governo que desconfia de todo brit�nico
e ainda consegue que a convidem para festas. Como faz isso?
- Acredita que esteja t�o bem como diz?
Viu o que disse sobre Beigbeder?
- Cada vez mais o governo tem menos considera��o por ele.
E o pr�prio Su�er que o recomendou, agora o detesta.
Franco deve parte de sua vit�ria ao ex�rcito alem�o
e n�o lhe interessa ter em seu governo
ningu�m que seja amigo dos ingleses.
- Ent�o v�o derrub�-lo. - Ah, mulher, n�o se apresse!
Com certeza encontrar� uma forma de manter-se no posto.
- Ent�o n�o iam derrub�-lo?
- O qu�? - Est�o prestes a fazer isso.
- Do que est� falando? - De Beigbeder.
Rosalinda disse que ficou muito amigo do embaixador ingl�s nomeado por Churchill.
- Samuel Hoare. - Esse mesmo. E se deixa ver com ele por toda Madri.
Por que ele faz isso? Est� procurando a ru�na.
- O senhor tem bolas, meu Alto Comiss�rio! Ele est� provocando-os, princesa, h�?
Porque o menosprezam
e ningu�m o escuta quando aconselha a n�o interven��o na guerra alem�.
- A Espanha vai entrar na guerra alem�?
- Se ningu�m evitar isso... � o que temo.
- Senhorita, telegrama. - Obrigada, Jamila.
�Festa particular em T�nger.
Amizades de Madri a esperam.
1� de setembro. 19 horas. Nuevo Dean�s Bar.�
- Chega tarde � minha festa.
- N�o vai me dar um beijo? - Ah, darling! Como voc� est�?
- Muito bem. -Tinha tanta vontade de ver voc�.
- E esta visita surpresa?
- N�o queria que ningu�m soubesse que estou em T�nger.
- Precisa me contar um monte de coisas.
- Como est� Juan Luis? E o menino? - Bem.
E me diga, como est� voc�? Est� bem? Sim?
- Sira. Vim oferecer um trabalho a voc�.
- Mas se j� tenho um.
- Eu sei. E vou propor que voc� fa�a o mesmo. S� que em Madri.
- Em Madri?
- Mas estou bem aqui.
E o atelier vai cada vez melhor.
Al�m disso, minha m�e est� felic�ssima.
- N�o falo de sua m�e, mas de voc�.
E n�o precisaria fechar o atelier de Tetu�n.
Certamente seria algo provis�rio.
Quando tudo terminasse voc� poderia voltar.
- Quando terminasse o qu�?
- A guerra.
Juan Luis fez tudo o que pode para que a Espanha ficasse � margem.
Mas est� cada vez mais dif�cil.
Por isso queremos ajudar de todas as formas poss�veis
para minimizar a press�o da Alemanha sobre a Espanha.
Se o seu pa�s ficasse fora do conflito,
a Inglaterra teria mais possibilidades de vencer.
- E o que tenho a ver com tudo isso?
- Estamos ajudando a montar uma rede de colaboradores clandestinos em Madri,
associados ao Servi�o Secreto Brit�nico.
Colaboradores que n�o t�m nada a ver com... a pol�tica, Ou com a diplomacia.
Pessoas que possam observar,
obter informa��es,
infiltrar-se de alguma maneira nos c�rculos do poder.
- Voc� est� falando de espionagem.
- Don't panic, darling.
Seriam... discretas campanhas de resist�ncia.
Por isso precisamos de pessoas como voc�.
- J� disse a voc� que o cord�o de seda est� acabando?
E a Sra. de Aracama quer transferir a prova para sexta-feira.
Querem que eu volte a Madri.
Trabalhe para os ingleses passando-lhes informa��es sobre os alem�es.
Querem que eu espione suas mulheres.
Pensaram em me colocar em um atelier...
para eu costurar para as esposas dos nazistas.
- E o que voc� respondeu?
- Disse que n�o. Que estou bem, aqui com a senhora.
Mas pedem que eu pense.
- Isso ajudaria que a Espanha n�o entrasse em guerra de novo?
- Bem...
os ingleses n�o querem que fiquemos � margem do que ocorre na Europa.
E muito menos que nos aliemos aos alem�es.
Acreditam que � o melhor para todos.
- E voc� quer o meu conselho?
- Sim.
- V�.
Ajude-os.
Colabore com o que possa.
A Espanha n�o pode suportar outra guerra, Sira.
J� n�o lhe restam for�as.
Filha...
Voc� n�o viveu uma guerra.
N�o acordou com o barulho das metralhadoras,
e os estouros dos morteiros.
N�o comeu lentilhas com vermes,
nem viu o medo nos olhos das pessoas.
Os ingleses trabalham por sua p�tria, disso n�o sobra a menor d�vida.
Mas se o benef�cio deles pode nos ajudar de algum modo,
que seja bem-vindo.
Se eu fosse voc� aceitaria,
e ajudaria no que me pedissem.
- N�o quero deix�-la sozinha aqui.
- Para mim tamb�m ser� muito dif�cil nos separarmos outra vez.
Mas voc� precisar fazer isso. Tem que retornar para Madri.
Eu ficarei aqui e cuidarei do atelier.
E quando tudo terminar... ent�o veremos.
A decis�o � sua, filha.
"Querida Sira,
sabia que aceitaria minha proposta.
A primeira coisa a fazer � ir ao Dean�s Bar e pedir um Pink Gin.�
- Boa tarde. - Boa tarde.
- Um Pink-Gin, por favor. - � para j�.
- Que tempo, n�o �? - Sim.
- A tormenta da noite destruiu um toldo,
embora os barcos que precisam atracar no porto sofram mais.
Amanh�, por exemplo,
deveria chegar um barco de nome Jason, de bandeira americana,
com carregamento ingl�s,
mas com esta tormenta... n�o sei se chegar�.
- Vai conseguir. Eu lhe asseguro.
Para que horas estava prevista a chegada?
- �s 10 da manh�. - �timo.
- Mr. Jason. She's here.
- Sr. Jason... - Esse � o c�digo de meu nome.
Sou Alan Hillgarth,
agregado naval
e coordenador do Servi�o Secreto Brit�nico na Espanha.
- Encantada. Sou Sira Quiroga.
- Eu sei. Um prazer, Srta. Quiroga. Vamos sentar?
- Aceita? - Obrigada.
Entendo que sua visita signifique que aceita a miss�o que lhe encomendamos.
- Isso mesmo.
- Fant�stico.
- O Coronel Beigbeder e a Sra. Fox
se encontram neste momento em uma situa��o muito delicada.
Estamos aguardando a demiss�o do Coronel como Ministro,
o que ser� uma perda lament�vel para nosso governo.
- Para o nosso tamb�m. - � claro.
A quest�o � que os dois est�o sendo vigiados por agentes de certos corpos...
pouco amigos, se me permite o eufemismo
- A Gestapo e a Falange.
- De fato.
Precisamos saber com anteced�ncia
a agenda social da comunidade alem�.
Pensamos que talvez atrav�s de suas esposas e amigas
possamos ter alguma ideia de seus contatos,
rela��es e atividades.
- Como farei?
- Sente-se, por favor.
- Quando voc� regressar a Madri voltaremos a nos ver.
E l� fornecerei todos os detalhes de sua miss�o.
Concentre-se, agora, em montar o atelier de Madri.
L� h� escassez de tudo.
Ent�o compre aqui todos os tecidos de que vai precisar.
Aqui tem dinheiro suficiente.
- E quanto aos assuntos que tenho pendentes com a Justi�a?
- Seu nome a partir de agora ser� Arish Agoriuq.
- Arish?
Soa ex�tico.
� �rabe?
- � seu nome... por�m ao contr�rio.
- O que fa�o com meu antigo passaporte?
- Destrua-o.
No final das contas � um documento da Rep�blica.
Pouco vai lhe servir na nova Espanha.
Vamos nos ver em uma semana.
- Ent�o vai para Madri?
- Sim. Vim apenas para me despedir.
- Sua m�e ficar� em Tetu�n ?
- Sim. Ficar� cuidando do atelier.
- E o que vai fazer sozinha em Madri?
- Delegado, eu... - N�o, n�o me responda.
Uma liga��o telef�nica do alto escal�o j� me avisou que n�o � da minha conta.
Apenas uma pergunta:
realmente acha que Madri ser� a melhor cidade para voc�?
- Vai continuar se preocupando comigo at� quando eu estiver em Madri?
- J� provou que sabe se cuidar sozinha.
- Pense que est� sendo liberado de um fardo.
- N�o. Est� enganada sobre isso.
Nunca foi um fardo para mim, senhorita.
Boa viagem, Sira.
- Muito obrigada.
- N�o esque�a dos pedidos da semana que vem.
Explique � Sra. de Aracama que a partir de agora dever� confiar na senhora.
- Ah! E lembre-se que as rendas finas que... - Sira!
- J� repassamos tudo mil vezes. Vai ficar tudo bem.
- Candelaria, cuide dos pedidos de tecidos. Podem querer enganar minha m�e.
E para negociar, n�o h� ningu�m como voc�.
- Minha querida, nem precisar dizer.
V� tranquila que com todos aqui sua m�e est� bem protegida.
- Tenho certeza disso.
Al�m do mais, dentro de uns meses estarei de volta.
Se volto logo, n�o �?
- Alimente-se. Coma e se agasalhe, que os invernos de Madri s�o frios de rachar, h�?
Espero que encontre uma casa grande,
porque conhe�o algu�m... que pretende ir v�-la.
- F�lix! F�lix!
Mantenha minha m�e em dia com as �ltimas tend�ncias, heim?
Para n�o deixar cair meu padr�o.
Ela tem muito bom gosto.
Mas precisa saber o que se estando usando ou n�o em Paris.
- E quem melhor do que voc� para isso?
- O que vou fazer sem voc�? Heim?
- Sem o u�sque das noites, sem... - N�o Felix , n�o! Ei!
Aqui ningu�m vai chorar, heim?
Muito menos o homem da casa.
- O homem, voc� diz!
- Jamila! N�o chore, boba!
Vou sentir muita saudade de voc�.
Lembre-se de n�o carregar no tempero do cordeiro,
porque sabe do est�mago delicado de minha m�e.
N�o sei o que faria sem voc�.
- Adeus, senhorita. Volte logo. - Claro.
- M�e... cuide-se.
- Voc� tamb�m. - Vou me cuidar.
- Bem...
- Filha! - Sim.
- Estou muito orgulhosa de voc�.
Madri, Setembro, 1940
- Bom dia, senhora?
- Bom dia.
- Arish Agoriuq. � assim que se pronuncia?
- Mais ou menos.
- Est�vamos esperando-a. Bem-vinda!
Seu quarto � o 307. Deixaram um recado para a senhora.
"Feche a cortina e aguarde."
- Obrigada. - Bom dia.
- Muito obrigada. - De nada senhorita.
- Bem-vinda Miss Agoriuq. Espero que tenha tido uma viagem agrad�vel.
- Obrigada.
- Aqui tem as chaves do seu novo apartamento e atelier na N��ez de Balboa.
Sente-se, por favor.
Em alguns dias estar� arrumado. Espero que o aprove.
A Sra. Fox se encarregou de tudo pessoalmente.
- Tenho certeza que estar� perfeito.
- Os alem�es costumam tratar de seus assuntos em atos sociais.
E normalmente v�o acompanhados de suas esposas.
Esperamos que possa descobrir onde e quando v�o se encontrar.
Acha que ser� poss�vel?
- Sim. � bastante comum que clientes falem disso em um atelier.
O problema � que meu n�vel de alem�o � um pouco... reduzido.
V�o trabalhar com a senhora duas jovens espanholas, nascidas na Alemanha.
Seu pai foi chofer de Beigbeder.
A Sra. Fox entrevistou-as e ficou muito satisfeita.
- Se s�o aceit�veis para Rosalinda, para mim tamb�m s�o.
- � claro que elas n�o sabem de nada.
Ter� de dar um jeito para que a ajudem com a informa��o,
sem levantar suspeitas.
- Darei um jeito, n�o se preocupe.
E o que devo fazer com a informa��o que conseguir?
- Conhece C�digo Morse?
- O dos telegramas?
- Exato. - Sim
- Veja.
Imagine que queira transcrever qualquer palavra.
T�nger, por exemplo.
Pretendemos que toda informa��o
que tiver de nos transmitir
seja codificada mediante esse sistema.
E que a disfarce de tal modo
que pare�a associada a seu trabalho de costureira.
Imagine que esta � a mensagem.
- Jantar... jantar...
resid�ncia...
jantar, resid�ncia...
baronesa...
Jantar na resid�ncia da Baronesa de Petrino 5 de outubro, �s oito.
- Lembra-lhe algo?
- S�o como pontos!
Tem uma folha de papel?
Obrigada.
O senhor disse que para n�o levantar suspeita
seria melhor esconder a informa��o em algo associado com uma costureira, n�o �?
Bem... pois aqui tem o molde de uma manga farol,
com a mensagem dentro dele.
- Perfeito.
Queremos que transmita a informa��o duas vezes por semana,
em dois locais diferentes, ambos p�blicos.
O primeiro � o Sal�o de Beleza de Rosa Zavala.
- Bom dia, senhorita.
- Na entrada, h� arm�rios onde as clientes deixam seus objetos pessoais.
Voc� vai usar o �ltimo arm�rio,
o que faz esquina com o fundo da sala.
Se estiver ocupado,
utilize o exatamente anterior.
Quando abrir a porta, use seu corpo encobrir-se
e deixe toda a informa��o, enrolada em um tubo.
O outro local de recolhimento
ser� o museu da Rua R�os Rosas.
Temos um contato infiltrado l�, trabalhando no guardavolumes.
Para o museu,
ser� melhor levar uma dessas pastas onde guarda os moldes.
Depois, dirija-se a uma das salas.
Passeie sem pressa.
Ao menos durante meia hora.
� fundamental que siga ao p� da letra as instru��es.
- N�o se preocupe, vou segui-las.
- Fa�a-se ver. Passeie, v� ao cinema.
Movimente-se como desejar, com duas condi��es.
- Quais?
- N�o ultrapasse os limites da parte mais distinta de Madri.
N�o saia das zonas elegantes, nem entre em contato com pessoas mais... comuns.
- N�o posso ir ao meu antigo bairro?
- Exato.
Ningu�m deve associ�-la a seu passado.
E se algu�m a identificar, negue com veem�ncia.
Seja arrogante, se necess�rio.
- Vou lembrar disso.
A segunda?
- Nenhum contato com qualquer pessoa de nacionalidade brit�nica.
- Nem mesmo com Rosalinda Fox?
- Temo que deva ser assim. Sinto muito.
- Certo.
- Recomendo que se deixe ver em alguns locais.
Este hotel, o Ritz, e principalmente o Embassy. Conhece o sal�o de ch�?
- De ouvir. Mas nunca estive l�.
- O Embassy fica muito pr�ximo das embaixadas alem� e inglesa.
Por isso os membros do Eixo e os Aliados se re�nem ali.
Separadamente, � claro. Mas a poucos metros de dist�ncia.
Eu mesmo estarei l� todos os dias, a uma da tarde, tomando aperitivo.
Se precisar falar comigo, entre com a bolsa no bra�o esquerdo,
se tudo estiver em ordem e s� for tomar o aperitivo e se mostrar, leve-a no direito.
- Pode servir-me um caf� puro, por favor?
Se por qualquer raz�o
ver-se envolvida em uma situa��o de extrema urg�ncia
deixe cair a bolsa assim que entrar.
- O que quer dizer com extrema urg�ncia?
- Amea�as diretas. Coa��es. Agress�es f�sicas.
- Pode acontecer?
- Fique tranquila. N�o � prov�vel.
Se de algum modo sentir-se vigiada
n�o perca a calma, aja com naturalidade,
n�o tente despist�-los nem se mostre nervosa.
Entendido?
De qualquer maneira, nunca vamos deix�-la sozinha.
- Obrigada.
- N�o agrade�a, � nosso trabalho. Continuemos:
caso precisemos entrar em contato com voc�,
usaremos dois canais.
Um ser� a Floricultura Bourguignon, da Rua Almagro.
Mandaremos rosas brancas ou amarelas para voc�.
O outro ser� os bombons do Embassy.
Em ambos os casos a mensagem ir� codificada no la�o.
Pois bem... nosso plano depende de algo que ainda n�o temos.
- O que �? - Clientes.
Todas essas instru��es,
todos nossos planos n�o s�o nada sem clientes em seu atelier.
E consegui-las, depende somente de voc�.
Neste momento, a miss�o est� em suas m�os.
- Diga-me seus nomes.
- Elsa Bruckmann, amiga pessoal de Hitler.
� seu principal objetivo.
Sabemos que toda quinta-feira tem hora marcada com sua costureira habitual.
A Baronesa de Petrino, romena.
� casada com o Chefe de Imprensa e Propaganda da embaixada alem�.
Gl�ria von F�rstenberg. De origem mexicana, e vi�va de um nobre alem�o.
E, por �ltimo, Sonsoles de Icaza, Marquesa de Llanzol.
� a �nica que n�o nos interessa por seu esposo, e sim por seu amante
que n�o � outro sen�o o pr�prio Serrano Su�er.
- Cunhado de Franco.
- Ele mesmo. Tenha cuidado.
Resta uma �ltima pasta
com informa��o sobre outras pessoas que tamb�m deveria conhecer.
- Johannes Franz Bernhardt. Eu o conhe�o.
- Quanto?
- N�o muito.
Comparecemos a uma mesma recep��o em Tetu�n,
quando Beigbeder era Alto Comiss�rio.
Acho que se nos v�ssemos de novo n�o me reconheceria.
- Na d�vida, mantenha-se afastada do casal Bernhardt.
� um homem muito perigoso.
Muito bem. Tem alguma pergunta?
Bem, basta dizer que confiamos na senhora
e precisamos que consiga essas clientes o quanto antes.
- Farei tudo o que possa para isso.
- Deve conseguir. Ou sua miss�o ter� terminado antes de come�ar.
- Um �ltimo detalhe:
n�s n�o nos conhecemos.
Jamais nos vimos. Entendido?
- Certamente.
- Boa sorte, agente.
Estaremos em contato.
- Ol�.
Voc�s s�o Dora e Martina, n�o �?
- Dora e Martina.
- Ah, �timo - Eu sou a Srta. Arish Agoriuq.
A partir de agora v�o me ajudar no atelier.
Sabem costurar?
- Sabemos cozinhar e cuidar de uma casa, mas
n�o sabemos costurar nada.
- Bom, pois terei que ensin�-las.
- Voc�s gostariam?
- Claro que sim, senhorita.
- �timo. Est�o com fome?
Est�o mortas de fome.
Bem. Ent�o agora v�o tomar um bom banho,
e depois vamos comer. Est� bom assim?
- N�o precisa se preocupar conosco, senhorita.
- Claro que precisa. Vamos, apressem-se.
- Dora, Martina, venham aqui!
Preciso que me fa�am um favor.
- Pode falar, senhorita.
- Pelo que vi nas colunas sociais, quase todas as alem�s v�o � mesma costureira,
uma alem� como elas.
Se quero competir com ela, preciso saber que tipos de vestidos faz,
que tecidos utiliza
e se suas clientes est�o satisfeitas ou n�o.
Preciso descobrir seu ponto fraco.
E voc�s ser�o as encarregadas de descobrir isso.
- Mas como?
- Fazendo-se passar por duas clientes
e mantendo os ouvidos bem abertos.
A partir de agora ser�o as filhas de um rico espanhol.
- Mas... ai...
Srta. Arish, nosso pai era um simples chofer.
- Infelizmente, nesta vida n�o importa o que voc� �,
mas o que parece ser. E falo por experi�ncia.
E vestidas assim, ningu�m vai duvidar de voc�s.
- S�o lindos. - N�o mais que suas donas.
- Obrigada, senhorita.
- Sejam discretas.
E deixem as clientes falar.
- Quando elas soltarem a l�ngua,
v�o contar para voc�s tudo o que precisamos saber.
-Sim, senhorita.
Em especial, tentem sondar uma cliente chamada Elsa Bruckmann.
Se conseguirmos que ela venha ao atelier
o resto das clientes de Madri far� o mesmo. Boa sorte.
- Boa tarde, em que posso ajud�-las?
- Quer�amos encomendar dois trajes de meia esta��o, um para cada uma.
- T�m hora marcada?
- Temo que n�o. Estamos de passagem por Madri e...
- Seus nomes?
- Marti... Maria. E Dolores Ortiz de Z�rate.
- Frau Keller n�o costuma receber ningu�m sem hora marcada.
- A Marquesa de Llanzol assegurou a nossos pais
que ficariam encantados em nos atender.
- Desculpem, tenho certeza que Frau Keller poder� encaix�-las. -�timo.
- �timo.
- Se fizerem o favor de me acompanhar...
- Desejam beber alguma coisa? Um caf� ou um ch�?
- N�o, muito obrigada. - Por gentileza, esperem aqui
que logo vamos atend�-las. - Muito obrigada.
- Boa tarde.
Desculpe-me, mas � a primeira vez que viemos aqui.
H� muito tempo � cliente de Frau Keller?
- Desde que estou em Madri.
- Meu nome � Dolores Ortiz de Z�rate e ela � minha irm�, Maria. � um prazer.
- Elsa Bruckmann, encantada.
- Estamos de passagem por Madri e precisamos de costureira.
Nossos pais disseram que esta � muito boa.
- Ela �. - Entendo.
- H� outra melhor? - N�o, que eu saiba.
- Perdoe minha franqueza,
mas a senhora n�o parece... muito entusiasmada.
- N�o me interprete mal, � uma grande costureira.
Mas para voc�s que s�o t�o jovens,
talvez seja um pouco... tradicional.
At� n�s que j� n�o somos t�o jovens
tamb�m gostamos de estar na �ltima moda, de vez em quando.
- Claro.
- E o que mais ela disse? - Que sentia falta de sua costureira de Paris,
porque em Madri as costureiras se limitam a fazer costumes
para as mulheres irem � missa aos domingos.
- E n�o desconfiou de voc�s em nenhum momento?
- Em nenhum. - Viram? Eu disse a voc�s.
Agora preciso que as clientes n�o apenas saibam
que disponho dos melhores tecidos,
mas que al�m disso posso confeccionar os �ltimos modelos.
N�o sei...
Tem que haver algum modo de fazer-me conhecer.
De instigar a curiosidade da alta sociedade.
E acho que j� sei como.
Sempre tomo as medidas na mesma ordem:
pesco�o, busto, cintura e quadris.
E voc�s devem anot�-las neste caderno.
Para fazer uma bainha � preciso dar pontos invis�veis.
� melhor escolher uma cor o mais pr�xima poss�vel a do tecido.
E os pontos devem ser mais delicados.
O ponto caseado.
O ponto caseado deve ser feito com linha para bordar,
que � a ideal para fazer caseados.
Tamb�m pode ser feito com fio duplo.
Assim o ponto ficar� mais espesso e o resultado muito melhor.
Est�o fazendo muito bem.
"A famosa costureira internacional Arish Agoriuq
tem o prazer de convid�-la
para a apresenta��o de sua cole��o para a temporada."
Perfeito. Deixe-a ver de frente.
Voc� perdeu um pouco de peso, Lorena. Est� muito bonita. �timo.
Maria, ainda assim? Apresse-se, por favor. L� fora a retocam.
Este chap�u � para voc�. Sair� em terceiro lugar. Ajude-a, por favor.
- Quer que ajudemos a servir refrescos? - N�o, n�o saiam do provador.
Elsa n�o pode reconhec�-las, de jeito nenhum.
E de frente? Est� lind�ssima.
Vamos ver, Martina. Ajude Maria, por favor.
Vire-se.
Muito bem.
A sorte est� lan�ada.
Boa tarde. Muito obrigada por virem.
Espero que gostem.
Maria apresenta vestido em crepe da china de seda preta
com estampas circulares em branco
acompanhado de cinto
acompanhado de cinto e aplica��es no decote.
Lorena usa um vestido em crepe da china
com grandes flores estampadas,
decote careca, saia plissada e casquete.
Vestido en seda adamascada preta com grandes flores.
Decote tomara que caia.
- Muito obrigada, senhoritas! A apresenta��o foi um completo sucesso!
Estavam lind�ssimas!
- Senhorita Angoriuq, Algoriuq?
- N�o importa. Eu me chamo Elsa Bruckmann. - Encantada.
- Desculpe a intromiss�o, mas
n�o queria ir embora sem antes cumpriment�-la por sua maravilhosa cole��o.
- Muit�ssimo obrigada. Fico feliz que tenha gostado.
Por que n�o seguimos conversando enquanto tomamos um coquetel?
- Gostar n�o, estou... emocionada!
Quando poderia receber-me em seu atelier?
- H�... bem... amanh� mesmo?
Mas por que n�o passamos ao sal�o e agendamos?
- Sim.
- Senhorita!
- Um momento...
Eu a conhe�o!
� a menina com quem falei no atelier de Frau Keller.
E sua irm�...
Disseram-me que eram filhas de um casal de posses.
Algu�m pode me explicar o que est� acontecendo aqui?
- Bom...
� culpa minha.
- Desculpe? - Veja...
Elsa, acabo de chegar a Madri e...
bem, precisava avaliar a concorr�ncia.
Ent�o... pedi a minhas duas ajudantes...
Meninas, venham c�, por favor!
Obrigada.
Que se fizessem passar por duas clientes e procurassem averiguar.
- N�o sei pronunciar seu sobrenome, mas
gosto do seu estilo, Srta. Algo... - N�o importa. Me chame de Arish.
- Arish.
- Espero que n�o saia daqui. � uma bobagem. - � claro.
- Arish, querida, pressinto um grande futuro para voc� em Madri.
- � o que espero.
- Parab�ns, uma cole��o excelente. - Gentileza sua.
- Senhorita, enviaram flores para voc�. - Ah, muito obrigada.
Pode pegar um vaso para coloc�-las na �gua?
- Imediatamente. - �timo.
"Bom trabalho. Parab�ns."
- Dora! Martina!
Muito obrigada.
A partir de amanh� come�amos a receber clientes.
Ter�o que me ajudar com o alem�o porque n�o falo nem o entendo.
Ah! E preciso que me fa�am um favor:
gosto de ter um registro detalhado de todas minhas clientes.
Quero entender o que dizem para saber onde v�o,
com quem se relacionam e que planos t�m.
Assim podemos conseguir nova clientela.
Ent�o voc�s... est�o encarregadas de ouvir
e traduzir tudo o que digam.
- Sim, senhorita. - �timo.
- Entrem, por favor.
- Frau von Fries. Frau Benz... Bem-vindas, estava esperando-as.
Sou Arish Agoriuq, querem passar ao provador?
Martina, por favor, prepare dois copos de ch� marroquino.
Se quiser, sua amiga pode acompanh�-la ao provador e assim continuam conversando.
- N�o � inc�modo? - N�o, absolutamente.
Minha ajudante tomar� nota de suas medidas. Dora, por favor.
Pesco�o: 30.
Busto: 90.
Cintura: 70.
Quadris: 90.
Vamos ver, Dora.
"O Sr. Benz est� em Berlim com o F�hrer."
Diga-lhe que Braun vem a Madri, mas seguramente sem Hitler.
- Madame...
- Um caf� puro, por favor.
- Senhorita, festa na casa da Elsa Bruckmann.
- Obrigada.
- Juan Luis?
- Lamento muito molestar a estas horas. - N�o, pelo amor de Deus, entre.
- Est� bem?
- Est� tudo acabado. Fui destitu�do do governo.
Amanh� v�o tornar p�blico.
Demiss�o do cargo de Ministro de Assuntos Exteriores
do Sr. Juan Luis Beigbeder Atienza,
expressando meu reconhecimento pelos servi�os prestados.
Reconhecimento, diz. � muito atrevimento!
- Obrigado. - Sinto muito.
- Ontem � tarde estive reunido com Franco para
comentar algumas quest�es de sua pr�xima reuni�o com Hitler, em Endaia.
Tentei convenc�-lo do pouco conveniente que � para a Espanha
entrar na guerra do lado do Eixo.
Esteve t�o cordial que at� recordou
os tempos que compartilhamos na �frica.
- Eram amigos?
- N�o, realmente.
De fato, creio que nunca teve a mais m�nima estima por mim.
Ele tampouco me fascinava, se quer saber.
Sempre t�o s�rio. E t�o obsecado pela hierarquia e pelas promo��es.
Deus sabe que n�o sou nenhum liberal,
mas me repugna o totalitarismo megaloman�aco
que emergiu de Franco, depois da vit�ria.
Esse engendro de Espanha,
unida, grande e livre, me revira o est�mago.
- N�o se aproxime da janela, por favor.
Podem v�-lo da rua.
- Queriam minha cabe�a para mostrar sua lealdade aos alem�es?
Pois j� a t�m.
N�o era preciso me pisotear.
- O que fizeram?
- Franco e Serrano
espalharam o boato de que Rosalinda me obrigou a trair meu pa�s.
O grande cunhado dando li��es de moral para mim...
E agora me mandam para Ronda sob pris�o domiciliar.
E quem sabe se n�o pretendem instaurar um conselho de guerra e...
liquidar comigo contra um pared�o qualquer, na madrugada.
Sinto muito, Sira.
- N�o pretendia invadir sua casa a estas horas. - N�o, n�o, n�o...
- Preciso que fa�a algo para mim.
- Claro.
- S�o para Rosalinda.
Preciso que cheguem � Lisboa.
- Est� em Lisboa? - Sim. Soubemos que a Gestapo
estava atr�s dela e teve que sair do pa�s.
Fa�a que cheguem a Alan Hillgarth.
Ele poder� entreg�-las atrav�s da mala diplom�tica da embaixada.
- Est� bem. Farei isso.
- Sabe... eu amei muito a Rosalinda.
Amei-a demais.
N�o sei se a verei de novo, mas se eu n�o conseguir,
diga a ela que
teria dado minha vida para t�-la a meu lado
nesta noite t�o triste.
Importa-se que me sirva de outra bebida?
- N�o precisa perguntar. - Obrigado.
V� v�-la em Lisboa quando puder.
Ela ficar� muito contente de passar uns dias com voc�.
O endere�o est� nas cartas que lhe entreguei.
Bem, ser� melhor que v� embora antes que sintam minha falta.
- Rosalinda vai receber suas cartas, eu prometo.
Tudo isso vai passar, Juan Luis. D� tempo ao tempo.
Cedo ou tarde, no fim, tudo passa.
- Deus a ou�a, Sira. Deus a ou�a.
- D� a partida!
- Quanto tempo, Sira. Quanto tempo.
- Ign�cio?
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