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INTERSTELLAR
O meu pai era agricultor.
Como todos naquela altura.
Claro que n�o come�ou nesse ramo.
O computador diz que � muito apertado.
- Estou quase l�. - A atravessar o Estreito.
- Tenta descer, Cooper. - Est� bem!
- A proceder ao encerramento. - N�o, n�o fa�as isso!
Pai?
Desculpa, Murph. Volta para a cama.
Pensei que fosses o fantasma.
- Os fantasmas n�o existem, amor. - O av� diz que consegues apanh�-los.
N�o, isso � porque o av� est� pr�ximo de se tornar um.
Volta para a cama.
Estavas a sonhar com o acidente?
Volta para a cama, Murph.
Fic�mos sem trigo.
Veio a praga e tivemos de o queimar. Mas ainda nos restava o milho.
T�nhamos hectares de milho. Mas o que havia mais era poeira.
N�o consigo descrev�-la, era simplesmente cont�nua.
N�o passava disso, uma poeira constante.
Us�vamos peda�os de len�ol
para tapar o nariz e a boca. De forma a n�o inal�-la demasiado.
Quando p�nhamos a mesa, os pratos eram virados ao contr�rio.
Copos, ch�venas, tudo era virado ao contr�rio.
- Despacha-te. Murph, toca a andar! - Hoje �s 13h, vem ter comigo ao celeiro.
- Resist�ncia Herbicida 101, entendido? - Sim, senhor.
� mesa n�o, Murph.
Pai, podes arranj�-la?
- Que diabos fizeste � minha sonda? - N�o fui eu.
- Deixa-me adivinhar. Foi o teu fantasma? - Ele derrubou-a da minha prateleira.
- Assim como os livros. - Os fantasmas n�o existem, idiota!
- Olha a linguagem! - J� pesquisei e chama-se poltergeist.
- Diz-lhe, pai. - Isso n�o � l� muito cient�fico, Murph.
Disseste que ci�ncia era admitir a nossa ignor�ncia.
Agora calou-te.
Enfim, tenta ter mais estima pelas nossas coisas.
Coop.
Est� bem. Murph, se queres falar de ci�ncia,
n�o basta dizer que est�s com medo de um fantasma. Tens de ir mais longe.
H� que registar os factos, analis�-los,
chegar ao como, porqu� e depois expor as tuas conclus�es. De acordo?
- De acordo. - Muito bem.
- Tenham um bom dia de escola. - Espera.
Reuni�o de Pais � com o pai, n�o com o av�.
Calma, Turbo!
N�o � uma tempestade de poeira.
- O Nelson est� a queimar as colheitas. - Por causa da praga?
Dizem que nunca mais haver� outra colheita de quiabo.
Nunca mais.
- Devia ter plantado milho como todos n�s. - S� simp�tico com a Professora Hanley.
- � solteira. - E isso quer dizer o qu�?
Repovoar a Terra. Come�a a fazer a tua parte, jovem.
E se n�o metesses o nariz onde n�o �s chamado? Velhote.
Muito bem, Murph, mete a segunda.
Terceira!
- Procura a mudan�a, idiota. - Cala-te, Tom!
- O que fizeste, Murph? - N�o fez nada de mais.
- Rebentou um pneu, s� isso. - Lei de Murphy.
Cala-te!
- Vai buscar o sobresselente, Tom. - J� o estamos a usar.
Traz o kit para furos.
Como � que reparo isto aqui fora?
Ter�s que descobrir. N�o vou estar sempre aqui para te ajudar.
Que se passa, Murph?
Porque � que tu e a m�e me deram o nome de algo mau?
N�o demos nada.
Lei de Murphy?
A Lei de Murphy n�o quer dizer que algo de mau...
...ir� acontecer. Diz-nos apenas que aquilo que tiver que acontecer,
acontecer�. E isso pareceu-nos correcto.
Entra.
Entra, vamos!
Ent�o e o pneu furado?
� um drone da For�a A�rea Indiana.
As baterias solares poderiam alimentar uma quinta inteira.
Assume o volante, Tom.
Vamos, acelera!
Aponta para ele.
- Mais r�pido, Tom, estamos a perd�-lo. - Certo.
Aponta bem para ele.
Espera...
Aqui vamos n�s...
Boa condu��o, Tom.
Pai?
Estou quase a apanh�-lo. N�o pares agora!
- Pai! - Tom!
Que foi? Disseste para continuar a conduzir.
Acho que isso responde � velha pergunta: "se me atirasse a um po�o, irias atr�s?"
- Perdemo-lo. - N�o, n�o perdemos!
Queres dar uma voltinha?
Repara.
Vem c�.
Vamos aterr�-lo ali, nas margens da barragem.
Muito bem.
Quanto tempo achas que andou l� em cima?
O Controlo de Miss�es em Deli encerrou h� 10 anos, tal como o nosso.
H� 10 anos?
- Porque � que voava t�o baixo? - N�o sei.
Talvez o sol tenha fritado o processador ou andasse � procura de alguma coisa.
O qu�?
Passa-me a chave de fendas. Talvez algum tipo de sinal.
N�o sei.
O que vais fazer com ele?
Vou dar-lhe algo socialmente respons�vel para fazer...
- Como conduzir uma ceifeira-debulhadora. - N�o podemos deix�-lo ir?
N�o magoou ningu�m.
Escuta, Murph, esta coisa tem de aprender a adaptar-se, tal como todos n�s.
- Ent�o como fazemos? V�m comigo? - Eu tenho aulas.
Mas esta menina, vai ter de esperar.
- O que foi que fizeste? - Eles depois dizem-te quando entrares.
- Vou ter que me chatear? - Comigo n�o.
Mas, por favor, controla-te.
N�o te preocupes.
Eu trato disto!
- Est�s atrasado, Coop. - Sim, tive um furo.
E presumo que tenhas parado numa loja chinesa de avi�es de combate.
Na verdade, trata-se de um drone de vigil�ncia.
Com umas baterias solares excepcionais. � indiano.
Senta-te.
Bem, j� temos os resultados do Tom.
- Vai dar um excelente agricultor. - Sim, ele tem queda para isso.
E quanto � universidade?
Bem, na universidade poucos entram. N�o h� recursos suficientes.
Continuo a pagar impostos. Para onde vai o dinheiro? J� n�o h� ex�rcitos.
Para as universidades n�o vai certamente.
Ouve, Coop, tens que ser realista.
Agora est�s fechar as portas da universidade ao meu filho? Ele tem 15 anos.
O resultado do Tom n�o � suficientemente alto.
Quanto medes de cintura?
- Uns 80, 84 de entre perna? - N�o estou a ver onde queres chegar.
Est�s a dizer-me que s�o precisos 2 n�meros para medir o teu traseiro,
mas apenas um para medir o futuro do meu filho?
V� l�, �s um homem instru�do, Coop...
e um piloto treinado. - E um engenheiro.
Certo, mas agora n�o precisamos de mais engenheiros.
N�o fic�mos sem televis�o ou avi�es; fic�mos sem comida.
O mundo precisa de agricultores. Bons agricultores como tu e o Tom.
- Agricultores incultos. - Somos uma gera��o provis�ria, Coop.
E as coisas est�o a melhorar. Talvez os teus netos acabem por ser...
J� termin�mos, senhor?
N�o. A Sra. Hanley est� aqui para falar da Murph.
A Murph � uma menina impec�vel, muito inteligente.
Mas tem tido alguns problemas ultimamente.
Trouxe isto para uma apresenta��o oral. O cap�tulo sobre aterragens lunares.
Sim, � um dos meus livros antigos. Sempre gostou das gravuras.
� um velho livro federal. Substitu�mo-lo pelas vers�es corrigidas.
- Corrigidas? - Explicam que as Miss�es Apollo
foram simuladas para levar a Uni�o Sovi�tica � fal�ncia.
N�o acredita que fomos � Lua?
Acredito que foi uma propaganda brilhante que levou os Sovi�ticos
a esturrarem recursos em foguetes e outras m�quinas in�teis.
M�quinas in�teis?
E se n�o queremos repetir os excessos e desperd�cios do s�culo 20,
ent�o temos de elucidar os nossos filhos acerca deste planeta.
Sem hist�rias de como abandon�-lo.
Eu conhe�o uma dessas m�quinas in�teis que usaram. Chamava-se IRM.
E se ainda tiv�ssemos alguma, os m�dicos poderiam ter detectado
o quisto no c�rebro da minha mulher antes de morrer e n�o depois.
Nesse caso, estaria ela aqui sentada a ouvir isto em vez de mim,
o que seria �ptimo, pois ela sempre teve mais paci�ncia.
Sinto muito pela sua esposa, Sr. Cooper.
Mas a Murph chegou a ser agressiva com alguns dos seus colegas
devido a este disparate das Miss�es Apolo.
Como tal, ach�mos por bem cham�-lo para discutirmos a melhor forma
de lidar com este comportamento daqui para a frente.
Pois, acontece que amanh� � noite h� jogo.
Ela agora est� numa de basebol, e vai jogar a equipa favorita dela.
Haver� doces, refrigerantes...
Acho que vou lev�-la.
- Como � que correu? - Arranjei-te uma suspens�o.
- O qu�?! - Cooper.
Fala o Cooper, diz.
Coop, as ceifeiras-debulhadoras que reconstru�ste passaram-se completamente.
- Reinicia os controlos. - J� fiz isso, mas devias confirmar.
Abandonaram os campos e regressaram aqui, uma ap�s a outra.
Algo est� a interferir com a b�ssola.
Magnetismo. Ou algo do g�nero.
N�o h� nada de especial com os livros. Tenho estado a trabalhar nisso, como disseste.
- Contei os espa�os. - Para qu�?
Para o caso do fantasma tentar comunicar. Estou a tentar Morse.
- Morse? - Sim, pontos e tra�os...
Eu sei o que � C�digo Morse, Murph.
Mas n�o creio que a tua estante esteja a tentar falar contigo.
Tive que reiniciar cada rel�gio da b�ssola e o GPS para corrigir a anomalia.
- Qual era? - N�o sei.
Se a casa tivesse sido constru�da sobre min�rio magn�tico,
j� ter�amos reparado da primeira vez que lig�mos o tractor.
Ouvi dizer que a reuni�o na escola n�o correu l� muito bem.
Ai sim? � como se nos tiv�ssemos esquecido de quem somos, Donald.
Exploradores, pioneiros, n�o apenas cuidadores.
Quando era mi�do, sentia-me como se inventassem algo novo todos os dias.
Quer fosse um dispositivo ou ideia.
Como se fosse Natal todos os dias, mas num mundo com 6 bili�es de pessoas.
Tenta imaginar.
E cada um deles a tentar monopolizar tudo.
Este mundo n�o � assim t�o mau.
E o Tom vai adaptar-se bem. Tu � que n�o te encaixas.
Nasceste 40 anos mais tarde ou 40 anos mais cedo.
A minha filha bem o sabia. Que Deus a aben�oe.
E os teus filhos tamb�m sabem, especialmente a Murph.
Antes olh�vamos para o c�u e pergunt�vamos
qual era o nosso lugar nas estrelas.
Agora olhamos para baixo
e preocupamo-nos com o nosso lugar na poeira.
Cooper, tu eras bom em determinada coisa,
mas nunca tiveste a oportunidade de a explorar.
Lamento.
Ningu�m esperava que a terra que nos dava alimento,
se voltasse contra n�s e nos destru�sse.
Em Abril, se n�o me engano. Creio que foi a 15 de Abril.
Foi por volta das 13:30h que aquela coisa desabou do cimo do desfiladeiro.
No meu tempo � que havia verdadeiros jogadores. Quem s�o estes vadios?
Pois, mas no meu tempo, as pessoas estavam demasiado ocupadas
a lutar por comida, em vez de jogarem basebol.
Pipocas num jogo de basebol at� parece mal. Quero um cachorro quente.
Dizem na escola que vais seguir as minhas pisadas.
- Parece-me bastante bem. - Parece-te bem?
Tu odeias a quinta, pai. Palavras do av�.
Foi o que o av� disse? Ouve, o que importa � como te sentes em rela��o a isso.
Eu gosto do que fazes. E gosto da nossa quinta.
E vais ser muito bom nisso.
Vamos pisgar-nos daqui.
Muito bem, esta � das valentes. Malta, toca a p�r as m�scaras.
- Tom, Murph, prontos? - Sim.
Murph, Tom, fecharam as janelas?
Murph.
O fantasma.
Pega na tua almofada.
Vais dormir com o Tom.
N�o � um fantasma.
� a gravidade.
Levo o Tom, depois sigo para a cidade.
Vais limpar o quarto? Quando terminares de o venerar.
N�o � Morse, Murph, � bin�rio.
As linhas grossas equivalem a 1, as finas a 0.
S�o coordenadas.
� isso mesmo.
N�o posso perder pitada.
O av� regressa daqui a algumas horas, Murph.
Mas nem sabes o que vais encontrar.
� por isso mesmo, que n�o te posso levar.
Murph.
O av� chega daqui a pouco, diz-lhe que depois ligo pelo r�dio.
Jesus!
Que est�s aqui a fazer?
Achas que tem gra�a?
N�o estarias aqui, se n�o fosse eu.
Faz alguma coisa de �til.
Murph.
Murph.
Acho que a estrada acaba aqui.
Trouxeste algum alicate de corte?
Linda menina!
- Afaste-se da veda��o. - N�o dispare, estou desarmado.
A minha filha est� no carro.
N�o tenhas medo.
- Como encontrou este local? - Onde est� a minha filha?
Tinha as coordenadas destas instala��es marcadas no mapa.
- Como � que as obteve? - Onde est� a minha filha?
N�o me obrigue a derrub�-lo outra vez, sente-se!
Achas que ainda �s um Marine, camarada?
Os Marines n�o existem. E sabes que mais?
Tenho soldados como tu a cortarem-me a relva.
Onde encontrou estas coordenadas?
A menos que queiras acabar como um corta-relvas...
- Acho que darias um fabuloso aspirador. - N�o me parece.
TARS, recua, por favor.
Est� a correr riscos ao utilizar seguran�a ex-militar.
S�o antiquados e as unidades de controlo s�o imprevis�veis.
Foi o que o governo p�de arranjar.
- Quem � voc�? - Sou a Dra. Brand.
Conheci em tempos um Dr. Brand, mas era professor.
O que o faz pensar que n�o sou?
N�o era assim t�o jeitoso.
Por favor, Dra. Brand, n�o fa�o ideia onde estou metido.
Mas estou preocupado com a minha filha, e quero-a ao p� de mim.
Traga-a e dir-lhe-ei tudo o que quiser saber.
Leva o director e a mi�da para a sala de reuni�es.
A sua filha est� bem. � bastante perspicaz.
- Deve ter uma m�e muito inteligente. - Deixou bem claro que n�o querem visitas.
Porque n�o nos deixa voltar por onde viemos e seguir caminho?
- N�o � assim t�o simples. - Claro que �.
N�o sei nada sobre si, nem sobre este lugar.
Sabe sim.
Pai!
Ol�, Cooper.
Professor Brand.
Explique-me como encontrou estas instala��es.
Foi como se trope��ssemos nelas. Est�vamos numa miss�o de salvamento...
Est� sentado no segredo mais bem guardado do mundo.
Ningu�m trope�a na entrada ou na sa�da.
Cooper, por favor, coopera com estas pessoas.
Bem, � dif�cil de explicar.
N�s encontr�mos estas coordenadas
- atrav�s de uma anomalia. - Que tipo de anomalia?
Hesitaria em qualific�-la de sobrenatural, mas n�o � cient�fica...
Ter� que come�ar a ser mais espec�fico, Sr. Cooper, e depressa.
Foi a gravidade.
Que esp�cie de anomalia gravitacional e onde?
Gosto muito do vosso entusiasmo pela gravidade, mas...
n�o diremos nada at� termos garantias.
- Garantias? - Exacto.
Como sairmos daqui em seguran�a e n�o na bagageira de um carro.
- N�o sabes quem somos, Coop? - N�o, Professor, n�o sei.
Conhece o meu pai, o Professor Brand. Somos a NASA.
- A NASA? - Exacto.
A mesma NASA para quem pilotavas.
Ouvi dizer que foram extintos por recusarem largar bombas
da estratosfera sobre pessoas esfomeadas.
Quando perceberam que matar pessoas
n�o era uma solu��o de longo prazo, voltaram a precisar de n�s. Em segredo.
Porqu� manter segredo?
Porque a opini�o p�blica n�o iria aprovar gastos em explora��o espacial.
N�o quando lutamos para p�r comida na mesa.
Pragas.
Dizimaram o trigo, h� sete anos atr�s.
O quiabo, este ano. S� restou o milho.
Mas temos a produ��o mais elevada de sempre.
Sim, mas � semelhan�a das batatas na Irlanda e do trigo durante a tempestade de poeira,
o milho ter� o seu fim.
Em breve.
Encontraremos uma maneira, Professor, sempre o fizemos.
Guiados pela cren�a inabal�vel de que a Terra � nossa.
N�o, n�o � apenas nossa.
Mas � a nossa casa.
A atmosfera da Terra � composta por 80% de nitrog�nio.
Mas n�s nem sequer o respiramos.
As pragas sim, e � medida que proliferam, o nosso ar recebe cada vez menos oxig�nio.
Os �ltimos a passar fome ser�o os primeiros a sufocar.
E a gera��o da tua filha
ser� a �ltima � face da Terra.
A Murph est� a ficar cansada. Posso deix�-la descansar um pouco no meu escrit�rio?
Claro, obrigado.
Muito bem.
Agora conte-me qual � o seu plano para salvar o mundo?
A ideia n�o � salvar o mundo. � abandon�-lo.
Rangers.
Os �ltimos componentes da nossa nave vers�til em �rbita.
A Endurance. A nossa expedi��o final.
Enviou gente para o espa�o � procura de um novo lar?
- As miss�es Lazarus. - Parece animador.
- L�zaro regressou dos mortos. - Claro, mas primeiro teve que morrer.
N�o existe nenhum planeta no nosso sistema solar que possa sustentar vida
e a estrela mais pr�xima est� a mil anos de dist�ncia.
N�o � nenhuma meta ating�vel.
Para onde os enviou?
Cooper, n�o te posso adiantar mais nada, a n�o ser que aceites pilotar esta nave.
- �s o melhor piloto que j� tivemos. - Eu mal sa� da estratosfera.
Esta equipa nunca saiu do simulador.
Precisamos de um piloto, e esta � a miss�o para a qual foste treinado.
Mesmo sem ter conhecimento?
H� uma hora, nem sabiam que eu estava vivo, mas iriam de qualquer maneira.
N�o t�nhamos escolha. Mas algo te trouxe at� aqui.
- Eles escolheram-te. - Eles quem?
- Quanto tempo estarei fora? - � dif�cil dizer.
- Anos? - Tenho filhos, Professor.
Vai at� l� e salva-os.
Quem s�o eles?
Come��mos a detectar anomalias gravitacionais, h� quase 50 anos atr�s.
Basicamente, pequenas distor��es nos nossos equipamentos na atmosfera superior.
Na verdade, acredito que tamb�m encontraste uma.
Sim, no Estreito.
Durante o despenhamento, algo desactivou os controlos electr�nicos.
Exacto.
Mas de todas as anomalias, a mais significativa � esta.
Perto de Saturno. Uma altera��o do espa�o-tempo.
- � um wormhole? - Apareceu h� 48 anos.
- E vai ter onde? - A outra gal�xia.
Um wormhole n�o � um fen�meno que acontece naturalmente.
- Algu�m o colocou ali. - Eles?
E quem quer que sejam, parece que nos est�o a ajudar.
Aquele wormhole permite-nos viajar at� outras estrelas.
Apareceu exactamente quando precis�vamos.
Colocaram mundos potencialmente habit�veis ao nosso alcance.
- Doze, com base nas primeiras sondas. - Enviaram sondas para l�?
Envi�mos pessoas para l�,
h� dez anos atr�s.
As miss�es Lazarus.
Doze mundos poss�veis, doze lan�amentos de Rangers.
Transportavam os humanos mais corajosos da hist�ria.
Liderados pelo extraordin�rio Dr. Mann.
Cada c�psula de aterragem pessoal assegurava dois anos de sobreviv�ncia.
Mas podiam recorrer � hiberna��o para prolongar esse tempo,
estendendo a an�lise de ambientes org�nicos durante d�cadas.
A miss�o consistia em avaliar esse novo mundo
e, se mostrasse potencial, enviariam um sinal antes de entrarem num longo sono
- � espera de serem resgatados. - E se o mundo n�o mostrasse potencial?
Da� a bravura.
- N�o t�m recursos para visitar os doze. - Pois n�o.
A transmiss�o de dados atrav�s do wormhole � rudimentar.
Simples pacotes bin�rios recebidos anualmente
d�o-nos pistas acerca dos mundos com potencial.
Um dos sistemas mostrou-se promissor.
Apenas um. Mais parece um tiro no escuro, n�o acha?
Um sistema com tr�s potenciais planetas.
N�o tem nada de remoto.
Espere l�.
Ent�o, se encontrarmos um bom lugar,
o que � que acontece? - Essa � a possibilidade remota.
H� um plano A e um plano B.
Notaste alguma coisa estranha na c�mara de lan�amento?
Toda esta instala��o � centr�fuga.
� alguma esp�cie de ve�culo? Uma esta��o espacial?
Ambas. � esse o plano A.
Como � que a levantariam do solo?
As primeiras anomalias gravitacionais mudaram tudo.
De repente, sab�amos que o aproveitamento da gravidade era real.
Como tal, comecei a trabalhar numa teoria e inici�mos
- a constru��o desta esta��o. - Mas ainda n�o a resolveu.
Por isso � que existe o plano B.
O problema � a gravidade.
Como tirar uma quantidade vi�vel de gente do planeta?
Aqui est� uma forma, o plano B. Uma bomba demogr�fica.
Pegaremos em 5,000 �vulos fecundados com um peso inferior a 900Kg.
Como � que se iriam desenvolver?
Com o equipamento a bordo incubamos os primeiros dez.
Depois disso, com m�es hospedeiras o crescimento torna-se exponencial.
Em trinta anos, podemos gerar uma col�nia de centenas.
A verdadeira dificuldade da coloniza��o � a diversidade gen�tica.
Com isto, o assunto fica resolvido.
Ent�o e as pessoas da Terra? Desistem delas simplesmente?
E os meus filhos?
Por isso � que o plano A � muito mais atractivo.
- Quais s�o os progressos? - Estou quase l�.
Pede-me para largar tudo...
- em nome de um "quase". - Estou a pedir-te que confies em mim.
Encontra-nos um novo lar.
E quando regressares, j� terei resolvido o problema da gravidade.
Dou-te a minha palavra.
Vai-te embora!
- Murph. - Vai. Se tens que ir, vai!
Este mundo sempre foi pequeno para ti, n�o foi, Cooper?
Porqu�? Pelo facto de sentir que nasci para viajar pelo espa�o?
Porque me deixa entusiasmado?
- N�o faz com que seja errado. - Talvez fa�a.
N�o confies no correcto, quando o motivo � errado.
- O "porqu�" � o grande alicerce. - E o alicerce � s�lido.
N�s agricultores, sent�vamo-nos aqui todos os anos
quando vinham as chuvas e diz�amos: "para o ano que vem".
Bem, o ano que vem n�o nos ir� salvar, nem os que vir�o.
Este mundo � um tesouro, Donald, mas h� uns tempos que nos diz para irmos embora.
A Humanidade nasceu na Terra, mas n�o quer dizer que tenha de morrer aqui.
O Tom fica bem, mas tens de resolver as coisas com a Murph.
Assim o farei.
Sem fazer promessas que sabes que n�o podes cumprir.
Tens que falar comigo, Murph.
Temos de fazer as pazes antes de eu partir.
Ent�o continuarei zangada s� para que fiques.
Quando voc�s nasceram, a tua m�e disse-me algo que nunca cheguei a entender.
Disse-me: "Agora, estamos aqui...
para sermos as recorda��es dos nossos filhos".
Creio que agora compreendo o que ela queria dizer.
Quando �s pai, tornas-te o fantasma do futuro dos teus filhos.
Disseste que os fantasmas n�o existiam.
� verdade, Murph.
Olha para mim.
N�o posso ser o teu fantasma agora.
Preciso de existir.
Eles escolheram-me.
Murp, eles escolheram-me. Tu viste. Foste tu que me levaste at� eles.
� por isso mesmo que n�o podes ir.
Eu decifrei a mensagem.
� uma palavra. Sabes qual �?
- Murph. - FICA.
- Ele diz para ficares, pai. - Murph.
N�o acreditas em mim! Olha para os livros. Ele disse FICA.
Porque n�o me d�s ouvidos? Ele disse FICA!
Eu vou voltar.
Quando?
Um para ti. Outro para mim.
Quando estiver l� em cima em hiper-sono,
ou a viajar � velocidade da luz,
ou perto dum buraco negro,
o tempo ser� diferente para mim.
Vai andar mais devagar.
Portanto, quando nos reencontrarmos,
- iremos comparar. - O tempo passar� actuar� diferente em n�s?
Sim.
Talvez quando eu voltar, n�s tenhamos a mesma idade.
Tu e eu. � absurdo!
Consegues imaginar?
- Murph... - N�o fazes ideia quando vais voltar.
- A m�nima ideia! - Murph.
N�o me obrigues a partir assim. V� l�, Murph!
N�o me deixes assim, Murph!
Amo-te para sempre.
Ouviste-me bem? Amo-te para sempre.
E eu vou voltar.
Vou voltar.
- Como � que correu? - Bem.
Correu bem.
- Amo-te, Tom. - Viaja com cuidado, est� bem?
Toma conta deste lugar por mim, est� bem?
- Est� bem? - Est� bem.
- Posso usar a carrinha enquanto est�s fora? - Aquela que agora te pertence?
Vou pedir que a tragam.
Toma conta dos meus filhos, Donald.
Ligar os motores principais em: 10.
Pai!
- Nove... - Pai!
Oito...
- Sete... - Pai!
Seis...
Cinco... Motores principais ligados.
Quatro...
Tr�s...
Dois...
Um... A ligar os aceleradores, e...
Todos os motores a funcionar correctamente. Iniciar programa de rota��o.
Preparar Fase 1 de separa��o.
Fase 1.
Est�o todos bem? Ainda h� muitos escravos para a minha col�nia rob�tica?
Foi programado com sentido de humor para se adaptar � tripula��o.
- Pensa que nos deixa mais descontra�dos. - Um rob� gigante e sarc�stico.
Que grande ideia!
Tenho uma luzinha que posso acender quando estiver a brincar, se quiser.
Deixa estar.
Vai ajudar-te a regressares � nave, e fores corrido ao pontap� da nave.
Qual � o teu par�metro de humor, TARS?
- 100% - Baixar para 75%, por favor.
Fase 2 de separa��o.
Passar os circuitos de alimenta��o para manual.
Passar a manual.
- Desactivar aquecedores de sondas 1, 2 e 3. - Feito.
- A assumir controlo. - � todo seu.
ADF verificado. Escuto.
Propulsores traseiros. C�lulas de combust�vel 1, 2, 3.
Tudo a 100%. Transmissor.
� dif�cil dizer adeus a tudo. Os meus filhos...
- O teu pai. - Vamos passar imenso tempo juntos.
- Dev�amos aprender a dialogar. - E quando n�o o fazer.
- S� estou a ser sincera. - Bem, n�o � preciso ser t�o sincera.
- TARS, qual � o teu n�vel de sinceridade? - 90%.
90%?
Ser totalmente sincero, nem sempre � a forma mais diplom�tica
e segura de comunicar com seres intelig�veis.
Est� certo...
Ficamos ent�o pelos 90%, Dra. Brand.
Estamos a aproximar-nos da Endurance. Chegada em doze minutos.
Muito bem, assumindo o controlo.
A aproximar-nos da escotilha, 500 metros.
� toda tua, Doyle.
Devagar e com jeitinho, Doyle.
Leva-nos at� casa.
Acoplado.
- Alvo acoplado? - Afirmativo.
- Muito bem. - Coloquem os capacetes.
Bom trabalho.
A porta n�o responde.
Esque�am...
- Cooper, j� deves ter o controlo. - Sim, tenho.
Comunica��o com o m�dulo anelar activa.
A iniciar.
- Prontos para umas voltinhas? - S� um segundo.
- Ol�, CASE. - Ol�, TARS.
- Muito bem, estamos prontos. - Vamos a isto.
Rota��o a 30%.
1G.
A gravidade est� a causar estragos a� atr�s?
- Romilly, est�s bem? - Claro.
- Sentes-te bem? - Sim, d�-me s� um minuto.
Acho que temos Dramamine na c�psula de hiberna��o, j� vou buscar.
- Est� no pacote de criogenia, n�o demoro. - Brand?
- Sim? - Traz bastantes.
Amelia, tem cuidado.
- D� os meus cumprimentos ao Dr. Mann. - Eu dou, Pai.
A vossa traject�ria parece favor�vel. Calcul�mos dois anos at� Saturno.
Isso � muito Dramamine.
Faria o favor de zelar pela minha fam�lia, professor?
Estaremos � tua espera, quando regressares.
Um pouco mais velhos, mais s�bios, mas felizes por te ver.
"N�o entreis docilmente nessa noite serena,
"porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia.
"Odeia, odeia a luz que come�a a morrer.
"No fim, ainda que os s�bios aceitem as trevas,
"porque se esgotou o raio nas suas palavras,
"eles n�o entram docilmente nessa noite serena.
"Odiai, odiai a luz que come�a a morrer."
Aqui tens as pastilhas.
Que solid�o...
Temo-nos uns aos outros. O Dr. Mann passou por pior.
Refiro-me a eles.
� um planeta perfeito e n�o vamos encontrar outro igual.
N�o, n�o � como procurar um apartamento novo.
A ra�a humana vai andar � deriva.
Desesperada por um porto seguro antes de naufragarem.
E n�s temos de encontr�-lo.
As nossas tr�s possibilidades est�o no limite da compatibilidade com a vida humana.
O planeta da Laura Miller � o primeiro.
Foi ela que iniciou as pesquisas biol�gicas.
- O Wolf Edmonds est� aqui. - Fala-me do Edmonds.
� um f�sico de part�culas.
Nenhum deles tinha fam�lia?
N�o, sem quaisquer la�os. O meu pai insistiu nisso.
Todos estavam cientes do facto de poderem n�o voltar a ver outro ser humano.
Espero que possamos surpreender pelos menos tr�s deles.
- E quanto ao Dr. Mann? - O Dr. Mann � not�vel, o mais distinto.
Inspirou onze pessoas a segui-lo na viagem mais solit�ria da hist�ria.
Cientistas, exploradores. � isso que me cativa.
� um facto que aqui temos de enfrentar grandes perigos.
A morte iminente, mas...
nunca o mal.
N�o acreditas que a natureza possa ser m�?
N�o. Pode ser terr�vel, assustadora, mas...
nunca mal�fica.
Um le�o � mau por retalhar uma gazela?
Ent�o, depende do que levamos connosco?
Sim.
Esta tripula��o representa o melhor da humanidade.
- Tamb�m estou inclu�do? - Bem, concord�mos ficar pelos 90%.
Tal e qual.
- N�o fiques acordado. - S� mais uns minutos.
S� para te lembrar, Coop, est�s literalmente a desperdi�ar ar.
TARS, vamos l� rever essa traject�ria mais uma vez.
Oito meses at� Marte. �rbita gravitacional em curso.
Catorze meses at� Saturno. Nada mudou desde ent�o.
Quero perguntar-te uma coisa.
- A Dra. Brand e o Edmonds... - Porque est� a sussurrar? N�o o ouvem.
A Dra. Brand e o Edmonds...
- tinham alguma rela��o? - N�o saberia diz�-lo.
Esse "n�o saberia diz�-lo" insere-se nos 90% ou nos 10%?
Tamb�m tenho um par�metro de discri��o, Cooper.
Mas falta-te um ar de indiferen�a, parceiro.
Malta.
O pai vai dormir agora uma grande soneca,
s� para vos p�r a par destas andan�as.
A Terra � impressionante vista aqui de cima.
N�o h� vest�gios de poeira.
Espero que o que estiverem a fazer, fa�am-no bem.
Sei que v�o receber esta mensagem,
o Professor Brand garantiu-me que vos fazia chegar isto.
Quero que saibam que vos amo.
- � ele? - Acho que n�o, Murph.
O senhor deve ser o Donald.
- Ol�, Murph. - Que est� a fazer na carrinha do meu pai?
Ele pediu-me que a entregasse ao teu irm�o.
Ele enviou-te uma mensagem.
Ficou mesmo zangada com a partida dele.
Se gravarem mensagens, posso faz�-las chegar ao Cooper.
A Murph � muito inteligente. Talvez eu possa alimentar essa chama.
Ela j� faz os professores passarem por parvos, talvez fa�a o mesmo a si.
- Ent�o, onde � que eles andam? - A caminho de Marte.
A pr�xima vez que ele der not�cias, j� ter�o chegado a Saturno.
Bem, eles querem que eu repita fitopatologia.
� uma treta. Mas disseram que podia fazer agricultura avan�ada um ano antes.
Por isso... est� tudo bem.
Bem, tenho que ir, Pai. Espero que estejas bem a� em cima.
Desculpa, Coop, pedi � Murph para te dar um ol�,
mas ela � t�o teimosa quanto o pai. Tentarei de novo para a pr�xima.
Est�s bem, Rom?
Isto assusta-me, Cooper. Isto aqui.
Somos protegidos por mil�metros de alum�nio e depois temos um v�cuo...
que se estende por milh�es de milhas e que nos pode matar em segundos.
Sabias que alguns dos melhores marinheiros do mundo n�o sabem nadar?
N�o fazem ideia. E se forem borda fora, acabou-se.
Somos exploradores, Rom.
Este � o nosso barco.
Toma.
- Isso veio da sonda de transmiss�o? - Est� a orbitar em torno do wormhole.
Isto � o wormhole e cada vez que giramos � sua volta,
recebemos imagens dessa outra gal�xia.
- � como girar um perisc�pio. - Exactamente.
Ent�o temos uma ideia aproximada do que vamos encontrar do outro lado, certo?
Em teoria, sim.
Rapazes, parece que vamos aproximar-nos do wormhole em cerca de tr�s horas.
Olha l�, Coop, podemos parar a rota��o?
Porqu�?
Por j� estamos perto o suficiente para v�-lo?
- Est� bem. - Obrigado.
Vejam, j� c� estamos. L� est� o wormhole.
N�o h� necessidade de gritar, Rom. � s� uma esfera.
Claro que �. Pensavas que seria apenas um buraco?
N�o, � que em todas as ilustra��es que vi...
As ilustra��es tentam mostrar como funciona.
Digamos que queres ir daqui, para aqui.
Mas � demasiado longe.
Portanto, um wormhole dobra o espa�o desta forma
para que possas seguir um atalho atrav�s duma dimens�o superior.
Ora bem...
Para o demonstrar, converteram o espa�o tridimensional
em duas dimens�es, fazendo com que visualizemos o wormhole
como um c�rculo. E o que � um c�rculo em tr�s dimens�es?
- Uma esfera. - Exacto. Um buraco esf�rico.
Mas quem o p�s ali? A quem temos de agradecer?
Eu n�o vou agradecer a ningu�m at� que estejamos s�os e salvos, Rom.
Algum truque para isto, Doyle?
Ningu�m sabe.
Os outros conseguiram, certo?
Pelo menos, alguns deles.
Preparados para dizer adeus ao nosso sistema solar?
� nossa gal�xia.
Aqui vamos n�s.
Os controlos n�o funcionam aqui. Estamos a passar atrav�s da massa.
� espa�o para l� das nossas tr�s dimens�es. S� podemos tomar notas e observar.
O que � aquilo?
- Acho que s�o eles. - A distorcer o espa�o-tempo?
N�o. N�o fa�as isso!
O que foi isso?
O primeiro aperto de m�o.
Finalmente...
cheg�mos.
- As comunica��es perdidas chegaram. - Como?
As sondas de c� armazenaram-nas. Anos de dados b�sicos. Sem surpresas.
O sinal do Miller continua activo, � semelhan�a do Dr. Mann.
- O Edmonds ficou silencioso h� tr�s anos. - Falha de transmiss�o?
Talvez. Enviou relat�rios antes de ficar incontact�vel.
- Mas o do Miller continua a transmitir. - Porque se desloca mais rapidamente.
Mas tem uma desvantagem.
O planeta est� muito mais perto do Gargantua do que pens�vamos.
- Gargantua? - � o que chamamos ao buraco negro.
Os planetas do Miller e do Dr. Mann orbitam em torno dele.
- E o Miller est� no horizonte? - Como uma bola � volta do aro.
Aterrar l� colocar-nos-ia perigosamente perto
e um buraco negro daquele tamanho possui uma enorme atrac��o gravitacional.
Talvez pudesse orbitar a estrela de neutr�es...
N�o � essa a quest�o. � o tempo. A gravidade desse planeta
vai atrasar drasticamente o nosso tempo em rela��o � Terra.
At� que ponto?
Bem, cada hora que pass�ssemos nesse planeta, seriam sete anos na Terra.
- Caramba. - � a relatividade, meus caros.
- Bem, n�o podemos aterrar a� sem... - Cooper...
- Temos uma miss�o. - Sim, Doyle, temos uma miss�o.
E segundo a miss�o, o plano A � encontrar um planeta
habit�vel para as pessoas que vivem agora na Terra.
N�o podes pensar apenas na tua fam�lia, tens que pensar para al�m disso, est�s a ver?
Estou a pensar na minha fam�lia e em milh�es de outras.
O plano A n�o funcionar�, se as pessoas da Terra estiverem mortas quando o executarmos.
N�o, n�o funcionaria. Por isso � que existe um plano B.
Bem, o Cooper tem raz�o. Temos de encarar o tempo como um recurso
tal como o oxig�nio e a comida. Se escassearem, vai sair-nos caro.
Oi�am, os dados do Dr. Mann s�o promissores, certo?
Mas vamos levar meses a l� chegar, e o Edmonds est� ainda mais longe.
Sei que o Miller n�o disse muito, mas o que disse � muito promissor.
- H� �gua, compostos org�nicos... - N�o se encontra isso todos os dias.
Claro que n�o e pensem nos recursos, incluindo o tempo,
que gastar�amos no regresso.
- Romilly. - Diz.
A que dist�ncia do planeta Miller teremos de estar para evitar o desfasamento temporal?
- Basta afastar-nos do limiar. - Que seria aqui.
- Exacto. - Ora bem...
Aqui � o Gargantua e este � o planeta Miller.
Em vez de p�r a Endurance a orbitar em torno do planeta Miller,
o que economizaria combust�vel, mas perder�amos imenso tempo,
poder�amos criar uma �rbita mais ampla � volta do Gargantua, paralela ao planeta,
evitando o desfasamento temporal at� aqui. Descemos depois com a Ranger,
apanhamos a Miller, recuperamos as amostras, voltamos para tr�s, analisamos, reunimos,
entramos, sa�mos, perdemos um bocado de combust�vel, mas economizamos tempo.
- Isso podia funcionar. - � bem pensado.
N�o vai haver tempo para conversas ou macacadas, por isso o TARS vai ter de ficar.
CASE, tu vens comigo. Quem quiser pode ficar.
Se estamos a falar de uma opera��o que leva anos,
eu podia dedic�-los a investigar a gravidade.
As observa��es do wormhole seriam preciosas para o Professor Brand.
Calcula uma �rbita em torno do Gargantua, poupa combust�vel e minimiza a propuls�o.
Assegura-te que n�o nos afastamos do planeta Miller, percebeste?
Nunca a abandonaria, Dra. Brand.
- Est�s pronto, CASE? - Claro.
N�o �s de muitas palavras, pois n�o?
O TARS fala o suficiente por n�s dois.
Desacoplar.
- Romilly, reparaste nestas for�as? - � inacredit�vel.
Literalmente, o cora��o das trevas.
Se pud�ssemos ver a estrela colapsada que jaz no interior,
a singularidade, resolver�amos o enigma da gravidade.
- N�o podemos obter nenhuma informa��o? - Nada escapa �quele horizonte,
nem mesmo a luz. Todas as respostas est�o l�, s� que n�o as podemos ver.
Ali est� o planeta Miller.
Adeus, Ranger.
Vamos r�pido demais para entrar na atmosfera.
- Usamos os propulsores para abrandar? - N�o.
Vou aproveitar a aerodin�mica da Ranger para poupar algum combust�vel.
Os trav�es a�reos?
Queremos descer depressa, correcto?
- Queremos � chegar inteiros. - Tem l� calma.
Brand, Doyle, preparem-se.
- Dev�amos usar o trav�o a�reo. - M�os para cima, CASE.
A �nica vez que ca� foi quando uma m�quina vacilou na altura errada.
- Se te despenhares, morremos todos. - � apenas condu��o perigosa.
- Vamos muito depressa. - Tudo sob controlo.
- Devo preparar-me para desacoplar? - N�o, preciso de sentir o ar.
Aqui vamos n�s.
S� se v� �gua.
� a base da vida.
1,200 metros.
- J� localiz�mos a baliza? - J� a tenho, podes manobrar?
Preciso de abrandar um bocado.
Vou descer em espiral, agarrem-se bem!
700 metros.
Ao meu sinal, CASE, quando eu disser.
500 metros.
Agora!
Muito gracioso...
N�o, mas bastante eficaz.
Est�o � espera do qu�? Toca a andar!
V�, toca a mexer!
Sete anos por cada hora perdida.
N�o percam tempo.
Por aqui.
A 200 metros de dist�ncia.
A gravidade come�a a pesar.
Muito tempo a flutuar pelo o espa�o?
130% da gravidade da Terra.
V� l�, despachem-se...
- N�o h� aqui nada. - Devia estar nesta zona.
Se o sinal vem daqui...
� a baliza dela.
- Apenas destro�os. - Onde est� o resto?
Perto das montanhas.
Aquilo n�o s�o montanhas.
- S�o ondas. - O qu�?
Merda.
Essa est� a afastar-se de n�s.
Precisamos do gravador.
Brand, Doyle, voltem j� para a Ranger!
N�o me vou embora sem os dados dela.
Venham j� para aqui! N�o h� tempo. A segunda onda vem a caminho!
Estamos no meio de uma vaga.
Regressem j� para a Ranger!
Brand, vem j� para aqui!
Cooper, v�o. N�o vou conseguir. Fujam!
CASE, vai busc�-la.
- Fujam! - Levanta-te, Brand.
Vai, corre!
- N�o vou conseguir! - Claro que vais. Ai isso � que vais!
Anda, o CASE j� a apanhou. Doyle, volta para a nave.
Dra. Brand.
A escotilha.
V�o, v�o...
Controlo manual da escotilha interna!
Cooper, n�o! Cooper, n�o!
Cooper!
Os motores est�o alagados! Vou ter de deslig�-los!
Merda!
- CASE, qual � o problema? - Motores alagados. T�m que ser drenados.
- Raios parta! - Eu disse-te para me deixares l�.
E eu disse-te para arrastares esse traseiro at� aqui!
A diferen�a � que um de n�s pensava na miss�o.
Mas tu s� pensas em voltar para casa!
- Eu tentei fazer a coisa certa! - Podes dizer isso ao Doyle?
- CASE, quanto falta? - 45 minutos a uma hora.
A base da vida, n�o era?
- Qual ser� o pre�o a pagar, Brand? - Muito elevado.
D�cadas.
- O que aconteceu � Miller? - A julgar pelos...
destro�os, diria que foi desfeita pelas ondas logo ap�s o impacto.
Como � que o raio dos destro�os permaneceu junto tantos anos?
Por causa do desfasamento temporal.
Na linha temporal deste planeta...
ela aterrou apenas h� algumas horas.
Provavelmente morreu h� poucos minutos.
Os dados que o Doyle recebeu
eram uma repeti��o sucessiva da primeira mensagem.
N�o estamos preparados para isto.
Estes cromos t�m o instinto de sobreviv�ncia dum grupo de escuteiros.
Cheg�mos at� aqui com os nossos c�rebros, mais longe que qualquer um na hist�ria.
Mas n�o foi o suficiente. Agora estamos presos aqui
at� n�o sobrar mais ningu�m na Terra para salvar.
Tamb�m sofro a cada minuto que passa, Cooper.
Existe alguma possibilidade? Sei l�, talvez...
possamos entrar num buraco negro e recuperar os anos?
- N�o me abanes a cabe�a! - O tempo � relativo, percebes?
Pode expandir-se e contrair-se, mas...
n�o pode voltar atr�s. � imposs�vel!
A �nica coisa que pode atravessar dimens�es, como o tempo, � a gravidade.
Muito bem.
Os seres que nos trouxeram at� aqui,
comunicam atrav�s da gravidade, certo?
Sim.
- Poder�o estar a falar connosco do futuro? - Talvez.
Pronto. Se eles podem...
Eles...
s�o seres de 5 dimens�es.
Para eles, o tempo pode ser apenas outra dimens�o f�sica.
Para eles, o passado pode ser um desfiladeiro pelo qual passam,
e o futuro, uma montanha que podem escalar, mas n�s n�o! Percebes?
Ouve, Cooper, eu sei que fiz asneira. Lamento.
- Mas estavas ciente da relatividade. - Nem por isso.
Brand...
A minha filha tem dez anos.
N�o podia ensinar-lhe as teorias de Einstein antes de partir.
N�o podias ter dito � tua filha que ias salvar o mundo?
N�o.
Quando �s pai, uma coisa torna-se clara.
Queres que os teus filhos se sintam seguros.
E isso n�o passa por dizer a uma menina de dez anos que o mundo vai acabar.
Cooper.
- Quanto tempo para os motores, CASE? - Um minuto ou dois.
J� se esgotaram! Capacetes colocados!
Brand, passas a co-piloto, prepara-te.
CASE, expulsa o oxig�nio ambiente atrav�s dos propulsores.
- Vamos us�-lo na igni��o. - Entendido.
- Agora. - A despressurizar.
Motores ligados!
- Ol�, Rom. - Esperei anos.
Quantos anos?
Deve perfazer agora: 23 anos, 4 meses e 8 dias.
O Doyle?
Pensei que estava preparada, conhecia a teoria...
mas a realidade � diferente.
E a Miller?
N�o h� aqui nada que nos ajude.
- Porque � que n�o dormiste? - Estendi-me algumas vezes.
Deixei de acreditar que voltariam.
Mas pareceu-me errado perder o meu tempo a sonhar.
Aprendi tudo o que pude sobre o buraco negro,
mas n�o consegui mandar nada ao teu pai.
Continuamos a receber, mas n�o enviamos nada.
Ele est� vivo?
- Sim. - A s�rio?
Sim.
Temos anos de mensagens armazenadas.
Cooper.
Per�odo de tempo das mensagens: 23 anos.
Reproduzir desde o in�cio.
Ol�, pai.
Vim ver como estavas, dar um ol�.
Tive a segunda melhor nota na escola.
A Prof. Carlin continua a dar-me 3, apesar de tudo,
o que me fez descer, mas ser o segundo n�o � assim t�o mau.
O av� foi � cerim�nia de finalistas.
Conheci outra rapariga, pai.
Acho que esta � a tal.
Chama-se Lois. Est� aqui na foto.
A Murph roubou o carro do av�.
Teve um acidente, mas est� tudo bem.
Ol�, pai.
Olha s� para isto!
J� �s av�!
Chama-se Jesse.
Queria que fosse Coop, mas a Lois diz que fica para a pr�xima.
E segundo o Donald, ele j� herdou o teu grande legado, como tal...
n�o o chamaremos assim.
- A mancha no ombro? - Sim, vai l�, amor.
Diz adeus ao av�.
Adeus, av�.
Desculpa n�o falarmos h� uns tempos.
Depois do que se passou com o Jesse...
O av� morreu na semana passada.
Enterr�mo-lo ao lado da m�e...
e do Jesse.
� onde te ter�amos enterrado, se tivesses voltado.
A Murph veio ao funeral.
N�o a vemos muito, mas ela veio de prop�sito.
Sei que n�o vais ouvir nada isto.
Todas estas mensagens est�o...
� deriva na escurid�o do espa�o.
A Lois diz que tenho de aceitar que partiste.
E...
Como tal...
Acho... que vou aceitar.
N�o sei onde est�s, pai.
Mas espero que estejas em paz e...
Adeus.
Ol�, pai.
- Ol�, amor. - Seu filho da m�e.
Nunca mandei nenhum v�deo enquanto ainda respondias,
porque estava zangada por teres ido.
Mas quando deixaste de comunicar,
senti que tinha de viver com essa decis�o, tal como fiz,
mas hoje � o meu anivers�rio
e � especial pelo que me disseste.
Uma vez, disseste-me que quando voltasses,
poder�amos ter a mesma idade.
E hoje, tenho a idade que tinhas quando partiste.
Por isso seria uma boa altura para voltares.
N�o queria intrometer-me.
- � que nunca te tinha visto por aqui. - Eu nunca aqui tinha estado.
Falo com a Amelia constantemente. � uma ajuda.
- Fico contente que tenhas come�ado. - Eu n�o comecei.
- Apenas queria dizer uma coisa. - Eu sei que eles ainda l� andam.
Eu sei.
Existem tantas raz�es para as nossas comunica��es n�o os alcan�arem.
Eu sei, Professor.
N�o sei bem o que me amedronta mais.
Se ser� o facto de n�o regressarem ou...
de regressem e verem que fracass�mos.
Ent�o, agarremos esse sucesso.
Bem, voltando � quarta interac��o. Apliquemo-la a novos campos.
Com todo o respeito, Professor, mas j� tent�mos centenas de vezes.
S� precisa de funcionar uma vez, Murph.
Cada rebite que eles assentam podia ter sido uma bala.
Temos feito algo bom por este mundo,
quer resolvamos ou n�o a equa��o, antes de bater as botas.
- N�o seja macabro, Professor. - N�o tenho medo da morte.
Sou um velho f�sico.
Tenho medo do tempo.
Tempo.
Tem medo do tempo.
Durante anos, temos tentado resolver a equa��o sem alterar
- o pr�prio conceito de tempo. - E ent�o?
E ent�o, cada interac��o � uma demonstra��o da sua pr�pria validade,
� recorrente... � absurda.
Est�s a dizer que o trabalho de toda a minha vida � um absurdo, Murph?
N�o, estou a dizer que tentou termin�-la com um bra�o...
N�o, com os dois bra�os amarrados atr�s das costas.
E n�o percebo porqu�.
Sou um velho, Murph.
Podemos deixar isso para depois?
Quero falar com a minha filha.
Para nos aventurarmos pelo universo,
temos que enfrentar a realidade das viagens interestelares.
Temos que transcender a nossa pr�pria exist�ncia.
Temos que pensar n�o como indiv�duos,
mas como esp�cie.
"N�o entreis docilmente nessa noite serena."
O TARS manteve a Endurance onde precis�vamos,
mas a expedi��o levou mais tempo do que o previsto.
J� n�o temos combust�vel necess�rio para visitarmos todos os destinos,
como tal... temos que escolher.
Mas como?
S�o os dois promissores.
Os dados do Edmonds s�o melhores,
mas o Dr. Mann � o �nico que continua a transmitir.
N�o temos raz�o para crer que os dados do Edmonds se tenham deteriorado.
O planeta dele tem os elementos chave para sustentar a vida humana.
Tal como o do Dr. Mann.
Cooper, esta � a minha �rea.
E acredito que o Edmonds seja a melhor op��o.
Porqu�?
Gargantua, eis o porqu�. Reparem no planeta da Miller.
� verdade que tem hidrocarbonetos e compostos org�nicos.
Mas n�o tem vida. � est�ril.
- Encontraremos o mesmo no do Dr. Mann. - Por causa do buraco negro?
� a Lei de Murphy. Se algo pode acontecer, acontecer�.
Os acidentes s�o os pilares b�sicos da evolu��o,
mas quando gravitas � volta dum buraco negro, n�o se passa grande coisa.
Ele suga aster�ides, cometas e outros fen�menos que poderiam chocar contra ti.
Precisamos de ir mais al�m.
Uma vez disseste que Dr. Mann era o mais distinto.
Ele � not�vel, s� estamos aqui por causa dele.
E no entanto, ali est� ele, com os p�s assentes na terra,
a enviar uma mensagem muito clara que devemos ir ao planeta dele.
N�o nego isso, mas os dados do Edmonds s�o mais promissores.
Dev�amos votar.
Bem, se vamos votar, tens de saber uma coisa.
Brand, ele tem o direito de saber.
- N�o tem nada a ver com isto. - O qu�?
- Est� apaixonada pelo Wolf Edmonds. - Isso � verdade?
Sim.
E � isso que me faz querer seguir o cora��o.
Talvez tenhamos despendido muito tempo a tentar solucionar isto com teorias.
- �s uma cientista, Brand. - Ent�o, d�-me ouvidos.
Sabemos que o amor n�o � algo que tenhamos inventado.
� observ�vel, � poderoso...
- Tem de significar alguma coisa. - Sim, o amor tem significado.
Utilidade social, relacionamentos, a educa��o dos filhos...
N�s amamos pessoas que j� morreram.
- Onde est� a utilidade social nisso? - N�o existe.
Talvez signifique algo mais, algo que ainda n�o compreendemos.
Talvez seja alguma evid�ncia, algum...
artefacto de uma dimens�o superior que n�o percepcionamos conscientemente.
Sou arrastada pelo universo at� algu�m
que n�o vejo h� uma d�cada e que acredito estar provavelmente morto.
O amor � o �nico conceito que somos capazes
de percepcionar e que transcende as dimens�es do tempo e do espa�o.
Talvez dev�ssemos acreditar nisso,
mesmo que agora n�o o compreendamos.
Est� bem, Cooper.
Sim!
A possibilidade mais remota de voltar a ver o Wolf, emociona-me.
- Mas isso n�o significa que esteja errada. - Sinceramente, Amelia,
pode significar.
TARS, tra�a uma rota para o planeta do Dr. Mann.
Volt�mos a perder um ter�o. No pr�ximo ano...
No pr�ximo ano, vou trabalhar na quinta do Nelson para compensar.
O que aconteceu ao Nelson?
Murph, queres mais alguma coisa? Mais souffl�?
N�o, j� estou cheia, obrigada. Estava delicioso.
Passa-me um donut, por favor.
Passas c� a noite? O teu quarto est� exactamente como o deixaste.
Vou ter de regressar.
Tenho l� a minha m�quina de costura, mas ainda...
Eu tenho que...
- Demasiadas recorda��es. - Bem, temos um rem�dio para isso.
Com licen�a.
� da poeira.
Lois, tenho um amigo...
que podia ver-lhe os pulm�es.
- Amelia, pe�o desculpa. - S� estavas a ser objectivo.
A n�o ser que me estejas a castigar, por ter feito asneira no planeta da Miller.
N�o, n�o foi uma decis�o pessoal.
Bem, se estiveres errado, ter�s que tomar uma decis�o bastante pessoal.
Os teus c�lculos de combust�vel incluem a viagem de volta.
Basta uma falha no planeta do Mann e ter�s de decidir entre
voltar para casa, ou seguir para o do Edmonds com o plano B.
Criar uma col�nia poderia salvar-nos da extin��o.
Poder�s ter de decidir entre voltar a ver os teus filhos
ou ser o futuro da ra�a humana.
Acredito que ser�s igualmente objectivo.
Tem perguntado por ti desde que acordou.
Temos tentado contactar-te.
- Murph? - Estou aqui, Professor.
Acho que desiludi toda a gente.
N�o, fez-nos chegar at� aqui. Estamos perto.
Eu terminarei o que o senhor come�ou.
Ainda bem, Murph.
Tens tido f�.
Todos estes... Todos estes anos,
pedi-te para teres f�.
Queria que acreditasses que o teu pai iria regressar.
Eu acredito, Professor.
- Perdoa-me, Murph. - N�o h� nada para perdoar.
Eu menti, Murph.
Eu menti-te.
N�o h� necessidade de ele voltar.
N�o h� como ajudar-nos.
E o plano A? Tudo isto?
Todas estas pessoas. E a equa��o?
O meu pai sabia?
Ele abandonou-me?
"N�o entreis docilmente..."
N�o!
O senhor n�o pode morrer. N�o pode!
Dra. Brand, lamento comunicar-lhe que o seu pai morreu hoje.
N�o sentiu qualquer dor. Morreu em paz.
Sinto muito pela sua perda.
Brand, sempre soubeste?
Ele contou-te a verdade?
Sabias ou n�o?
Que n�o passava de uma farsa.
Deixaram-nos aqui.
Para morrermos asfixiados.
E � fome.
Uma nuvem congelada.
Est� tudo bem, j� passou.
Est� tudo bem.
Nem imagina...
como � incr�vel ver outra cara.
Nunca tive muitas esperan�as, mas depois de tanto tempo, deixei mesmo de ter.
As minhas provis�es esgotaram-se por completo.
Da �ltima vez que fui dormir, nem programei data para acordar.
Literalmente, ressuscitaram-me.
L�zaro.
- E os outros? - Temo que seja o �nico.
At� agora, claro.
N�o, de acordo com os nossos meios,
a probabilidade de resgatar algu�m � praticamente nula.
Dr. Mann.
Dr. Mann, fale-nos do seu planeta.
Do nosso planeta, esperemos.
O nosso planeta � frio, in�spito, mas inegavelmente belo.
Os dias t�m 67 horas, longas e g�lidas.
E as noites, 67 horas ainda mais frias.
A gravidade corresponde a uns simp�ticos 80% do valor da Terra.
Aqui, onde aterrei, a �gua � alcalina.
E o ar tem demasiado amon�aco, � respir�vel por poucos minutos.
Mas, � superf�cie, pois existe uma superf�cie,
o cloro dissipa-se e o amon�aco d� lugar a hidrocarbonetos cristalinos.
Ar respir�vel, para compostos org�nicos.
Possivelmente at� para suportar vida.
Talvez ainda partilhemos este planeta.
Estas s�o as leituras da superf�cie?
- Ao longo dos anos, lancei v�rias sondas. - At� onde explorou?
Organizei v�rias expedi��es, mas o fornecimento de oxig�nio
era limitado, como tal o KIPP fez a maior parte do trabalho de campo.
Que lhe aconteceu, senhor?
Deteriorou-se. Identificou erradamente
os primeiros compostos org�nicos como cristais de amon�aco.
Continu�mos a tentar por uns tempo, mas...
Acabei por desactiv�-lo
e utilizar a fonte de alimenta��o para continuar a miss�o.
E eu a pensar que me sentia sozinho antes de deslig�-lo.
Quer que d� uma vista d'olhos?
N�o, precisa de um toque humano.
Dra. Brand, o CASE vai retransmitir-lhe uma mensagem
- a partir da esta��o de comunica��es. - Certo, j� l� vou. Com licen�a.
Dra. Brand, lamento comunicar-lhe que o seu pai morreu hoje.
N�o sentiu qualquer dor.
Morreu em paz.
Sinto muito pela sua perda.
� a Murph? Est� crescida.
Brand, sempre soubeste?
Ele contou-te a verdade?
Sabias ou n�o?
Que tudo isto foi uma farsa. Deixaram-nos aqui.
Para morrermos asfixiados.
E � fome.
O meu pai tamb�m sabia?
Pai...
Eu s� quero saber, se me deixaste aqui para morrer.
Tenho de saber!
Cooper, o meu pai dedicou toda a sua vida ao plano A,
n�o sei do que ela est� a falar.
Eu sei.
Ele nunca teve esperan�a de resgatar as pessoas da Terra?
N�o.
Mas ele tem tentado resolver a equa��o da gravidade h� 40 anos.
Amelia, o teu pai resolveu a equa��o antes de eu partir.
Ent�o, por que n�o a usou?
A equa��o n�o podia reconciliar a relatividade com a mec�nica qu�ntica.
- Precisava de mais. - Mais? Mais qu�?
Mais dados. Precisamos de observar o interior de um buraco negro.
As leis da natureza pro�bem uma singularidade nua.
Romilly, isso � verdade?
Se um buraco negro fosse uma ostra, a singularidade seria a p�rola.
A gravidade � t�o forte que est� sempre escondida
na escurid�o, atr�s do horizonte.
Por isso � que lhe chamamos buraco negro.
Est� bem, mas se pud�ssemos ver para l� do horizonte...
N�o podemos, Cooper.
H� coisas que devem permanecer no desconhecido.
O teu pai tinha que encontrar outra forma de salvar os humanos da extin��o.
- O plano B, a col�nia. - Mas porque n�o contou a ningu�m?
Porque escondeu isso de n�s?
Porque sabia o qu�o dif�cil seria levar as pessoas
a unirem-se para salvar a esp�cie e n�o a si mesmas. Ou aos seus filhos.
Disparates.
N�o estarias aqui se n�o acreditasses que ias salv�-los.
A evolu��o ainda tem de transcender essa simples barreira.
Podemos ter sentimentos profundos e abnegados por quem conhecemos.
Mas essa empatia raramente transcende o nosso c�rculo.
E justifica a mentira?
- Essa mentira monstruosa? - � imperdo�vel.
E ele sabia disso. Estava preparado para destruir a sua pr�pria humanidade,
a fim de salvar a esp�cie. Fez um sacrif�cio tremendo.
N�o!
Esse tal sacrif�cio tremendo est� a ser feito
pelas pessoas que v�o morrer na Terra!
Por causa da sua maldita arrog�ncia, declarou-os um caso perdido.
Lamento, Cooper, s�o mesmo um caso perdido.
- N�o, n�o s�o. - N�s somos o futuro.
Cooper.
Cooper, que posso eu fazer?
Deixa-me voltar.
Tens a certeza absoluta?
A solu��o dele estava certa. Ele encontrou-a h� anos.
E � insignificante?
� metade da resposta.
Ent�o, como � que encontramos a outra metade?
L� fora, seria num buraco negro. Mas aqui na Terra...
O que � que tem?
N�o creio que seja poss�vel.
Limitam-se a fazer as malas e ir embora?
- O que esperam encontrar? - A sobreviv�ncia.
Porra!
Murph, as pessoas n�o t�m o direito de saber?
O p�nico n�o ajuda. Temos de continuar a trabalhar como sempre.
Mas n�o era isso que o Prof. Brand fazia? Manipular...
O Brand desistiu de n�s. Eu continuo a tentar resolver isto.
Ent�o, tens alguma ideia?
Um pressentimento.
Falei-te do meu fantasma.
O meu pai pensava que lhe chamava fantasma porque tinha medo dele.
Mas nunca tive medo.
Chamava-lhe de fantasma porque...
parecia uma pessoa...
a tentar dizer-me qualquer coisa.
Se existe uma resposta na Terra, est� ali,
algures naquele quarto. S� tenho que a encontrar.
Estamos a ficar sem tempo.
E os purificadores auxiliares de oxig�nio?
Podem ficar, CASE. Estarei a dormir a maior parte do tempo.
- Olha, Coop. - Diz.
Tenho uma sugest�o para a tua viagem de regresso.
Qual?
Uma �ltima visita ao buraco negro.
- Eu vou para casa, Rom. - Sim, eu sei.
Mas n�o perdes tempo com isto. � uma oportunidade para as pessoas na Terra.
Fala-me disso.
O Gargantua � um buraco negro antigo em rota��o.
- � o que chamamos singularidade suave. - Suave?
� uma forma de express�o. Mas a onda de gravidade � t�o r�pida
que tudo o que atravessar o horizonte a alta velocidade, pode sobreviver.
Uma sonda, por exemplo.
O que acontece depois de atravessar?
O que existe para l� do horizonte, � um completo mist�rio.
Mas, e se existisse uma maneira de a sonda
observar essa singularidade e transmitir os dados qu�nticos?
Se estiver equipado para transmitir qualquer forma de energia pulsante.
Desde quando � que a sonda se tornou masculina, professor?
O TARS � o candidato �bvio.
J� lhe disse o que tem de procurar.
Vou precisar do transmissor �ptico do KIPP, Cooper.
Farias isso por n�s?
Antes de come�arem a chorar, lembrem-se que como robot
tenho de fazer o que me mandam. - Tens a luzinha a piscar.
N�o estou a brincar!
Vou precisar que o TARS retire e adapte alguns componentes do KIPP.
N�o quero que ele corrompa as defini��es de mem�ria.
Eu estarei a supervisionar.
- Tudo bem. - Dr. Mann, precisam de tr�s locais seguros.
Um para o laborat�rio da Brand e dois para habita��o.
Assim que os m�dulos aterrarem, n�o os poderemos mover.
Bem, posso lev�-lo at� �s sondas, mas n�o me parece que...
estas condi��es se mantenham. Dev�amos esperar.
O CASE regressou com o resto do equipamento de destila��o.
Gostava de patrulhar essas �reas antes do anoitecer.
Bem, estas tempestades costumam dissipar-se.
Vamos l� ent�o.
Vai precisar de um transmissor de longo alcance.
J� o tenho.
- Est� carregado? - Sim.
Siga-me.
- TARS, 72 horas, est� bem? - Entendido, Cooper.
A Brand disse-me porque tinhas de regressar.
Mas seria uma irresponsabilidade se n�o te dissesse que...
numa miss�o como a nossa, daria jeito um engenheiro extra.
Anda mais devagar, turbo.
Seguran�a em primeiro lugar, CASE, n�o te esque�as.
Seguran�a em primeiro lugar, Cooper.
Tenho de ser franco, Dr. Mann, tem sido uma honra fazer parte disto.
Mas quando estabelecermos o acampamento base
e assegurarmos todos os m�dulos, o meu trabalho termina.
Regresso a casa.
Ficamos agradecidos.
Temos liga��es afectivas.
Mesmo sem fam�lia, garanto-lhe que o desejo
de estar com outras pessoas � admir�vel.
Esse sentimento � o cerne daquilo que nos torna humanos.
N�o pode ser menosprezado.
- Desde quando tens essa tosse? - H� uns tempos.
A minha m�e deixa-me vir para aqui brincar.
Nunca toco nas tuas coisas.
Basta descer com jeitinho.
Sabe porque n�o podemos enviar m�quinas para estas miss�es, n�o sabe, Cooper?
Uma m�quina n�o improvisa bem, porque n�o pode programar o medo da morte.
O nosso instinto de sobreviv�ncia � a nossa maior fonte de inspira��o.
Repare no seu caso, por exemplo.
Um pai, com um instinto de sobreviv�ncia que se estende aos seus filhos.
O que dizem as pesquisas sobre a �ltima coisa que vimos antes de morrer?
Os filhos. Os rostos deles.
Quando estamos prestes a morrer, a mente faz o imposs�vel para sobreviver.
Em nome deles.
Ol�, deves ser o Coop. Faz-me um favor e senta-te aqui.
� bastante grave. N�o podem continuar aqui.
- De acordo? - Sim.
TARS, porque est�s a demorar?
Professor, estou a ter problemas em completar o arranque.
N�o estou a perceber.
Tem gra�a.
Quando deixei a Terra, pensei que estava preparado para morrer.
A verdade...
� que nunca considerei a possibilidade do meu planeta n�o ser �nico.
- Nada acontece como � suposto. - Vamos andando.
Muito bem, amigo. Agora preciso que respires fundo.
- Que se passa aqui? - Que est� a fazer?
Desculpe, mas n�o o posso deixar levar a nave.
Vamos precisar dela para completar a miss�o.
Assim que os outros descobrirem a verdade sobre este planeta.
N�o podemos sobreviver aqui.
Desculpe. Lamento imenso.
N�o podem continuar aqui.
V�o ter que sair, imediatamente.
- V�o pegar nisso tudo... - Deixe-me ser muito claro.
Tem a responsabilidade...
Coop, vai buscar as coisas dela.
O pai n�o te criou para seres t�o idiota, Tom.
N�o foi o pai que me criou, foi o av� e j� est� enterrado l� atr�s,
ao lado da m�e e do Jessie.
Todos os seus dados eram uma farsa?
Sim.
N�o existe superf�cie?
N�o.
Tentei cumprir o meu dever, Cooper.
Mas desde o dia em que aqui cheguei, que soube que este lugar n�o tinha nada.
E resisti � tenta��o por anos.
Mas sabia que bastava apertar aquele bot�o e algu�m viria salvar-me.
- Voc� � um cobarde de merda. - Sim.
Sim.
Sim.
Sim.
Ouve, se n�o queres ir, ao menos deixa a tua fam�lia.
Salva-os, pelo menos.
E viver debaixo da terra? Contigo? A rezar para que o pai nos venha salvar?
O pai n�o vai regressar. Nunca foi a sua inten��o. Agora � comigo!
Vais salvar-nos a todos? Porque o pai n�o conseguiu?
O pai nem sequer tentou!
O pai abandonou-nos!
- Deixou-nos aqui para morrer. - Ningu�m te vai seguir.
Vais esperar que o teu outro filho morra?
Sai daqui e nunca mais voltes.
Faz o que quiseres com essas coisas.
Pare com isso!
N�o...
N�o!
Dr. Man, existe 50% de probabilidade de nos matar.
Foram as melhores probabilidades que tive em anos!
N�o me julgue, Cooper. Nunca foi testado como eu.
Muito poucos foram.
Fizeste o teu melhor, Murph.
Consegues senti-lo?
O instinto de sobreviv�ncia.
Foi o que me guiou. E � apenas isso que nos vai salvar.
Pois eu quero salvar-nos a todos. Por si, Cooper.
Lamento, n�o sou capaz. N�o consigo v�-lo passar por isto.
Pensei que era capaz, mas n�o sou.
Estou aqui, estou aqui para si.
Oi�a a minha voz, Cooper.
Estou aqui.
N�o est� sozinho.
Est� a ver os seus filhos?
Est� tudo bem. Est�o a� consigo.
O Professor Brand recitou-lhe aquele poema quando partiu?
Lembra-se?
"N�o entreis docilmente nessa noite serena.
"Porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia.
"Odeia, odeia a luz que come�a a morrer."
- Socorro! Socorro! - Cooper?
- CASE! - Brand.
N�o tenho ar!
Cooper!
- Cooper, estamos a ir! CASE! - J� o localizei.
- Vamos, vamos! - A caminho!
Cooper, estamos a caminho. Resiste e n�o fales.
Respira o m�nimo poss�vel. Estamos a chegar.
Existe um bloqueio de acesso, senhor,
� necess�rio uma pessoa para aceder �s fun��es.
� todo seu, senhor.
Tenta n�o respirar.
Estamos a chegar, vamos o mais r�pido poss�vel.
Temos ir mais depressa. Mais depressa!
Cooper!
Aguenta-te, por favor.
Estou a v�-lo! Estou a v�-lo! CASE, para a direita.
Cooper! Cooper, estou aqui.
Toma.
Joey, traz o cami�o-cisterna!
Estes dados n�o fazem sentido.
- Desculpa. - O qu�?
O Mann estava a mentir!
Corre, corre...
Romilly.
Romilly, consegues ouvir-me? Romilly!
Fuja, professor! Cuidado!
- Romilly. - Romilly, est�s a ouvir-me?
Fica a vigiar.
Lois!
Que aconteceu ao homem prevenido, CASE?
Seguran�a em primeiro lugar, Cooper.
Romilly, Romilly, est�s a ouvir-me? Daqui � a Brand.
- Romilly! - Dra. Brand, Cooper, houve uma explos�o.
No complexo do Dr. Mann.
TARS, TARS! �s 10h!
Avisa-me quando o TARS estiver a bordo.
O Romilly n�o sobreviveu.
N�o consegui salv�-lo.
O TARS est� a bordo. Assumo a partir daqui.
- Tens a posi��o da Ranger? - Est� a p�-la em �rbita.
Se ele toma o controlo da nave, estamos mortos.
- Achas que nos abandonaria? - Ele est� a abandonar-nos.
V�o l� para baixo. Esperem ao p� do carro.
Despachem-se. Passa-me a mala.
Entrem no carro. Entrem, r�pido!
Dr. Mann, responda, por favor!
Dr. Mann, responda, por favor!
Ele n�o conhece os procedimentos de acoplagem da Endurance.
- Mas o piloto autom�tico conhece. - N�o desde que o TARS o desactivou.
�ptimo!
- Qual � o teu n�vel de confian�a, TARS? - Aparentemente, mais baixo que o seu.
N�o tente acoplar. Repito, n�o tente acoplar, por favor.
Sequ�ncia de auto-acoplamento suspensa.
- Anular. - N�o autorizado.
Anular!
N�o autorizado.
N�o tente acoplar, repito, n�o tente acoplar! Por favor...
Est� a mover-se lentamente em direc��o � Endurance.
Acoplamento defeituoso.
- Anular! - Escotilha bloqueada.
- Ele conseguiu acoplar? - N�o completamente.
Dr. Mann...
Escotilha desbloqueada.
Dr. Mann, repito, n�o abra a escotilha.
Repito, n�o abra a escotilha. Se a abrir, a c�mara de v�cuo ser� despressurizada.
- Que acontece se ele rebentar a c�mara? - Nada de bom.
Muito bem, retrocede. Retro propulsores no m�ximo, CASE.
Retrocede!
CASE, transmite a minha mensagem ao computador de bordo
e torna-a aud�vel como comunicado de emerg�ncia.
Dr. Mann...
N�o abra a escotilha interior. Repito, n�o abra a escotilha interior.
- Repito, n�o abra... - Brand?
N�o sei o que ele te disse, mas vou assumir o comando da Endurance.
Depois podemos falar em como vamos completar a miss�o.
Dr. Mann, oi�a-me.
N�o � a minha vida, nem a do Cooper que est� em jogo.
� a de toda a humanidade.
Chega um momento...
Se n�o...
Meu Deus!
- Cooper, n�o faz sentido gastar combust�vel... - Calcula a rota��o da Endurance.
- Cooper, que est�s a fazer? - A acoplar.
O valor est� entre 67 e 68 rota��es por minuto.
Prepara-te para igualar a nossa rota��o com os retro propulsores.
- � imposs�vel. - N�o, � necess�rio.
A Endurance est� a entrar na estratosfera.
N�o tem escudo t�rmico.
- CASE, est�s pronto? - Pronto.
Cooper, n�o � altura para precau��es.
CASE, se eu desmaiar, assume o comando.
TARS, prepara-te para activar o mecanismo de acoplamento.
- A Endurance est� a come�ar a aquecer. - A 6 metros.
Preciso de tr�s graus para estibordo, Cooper.
A 3 metros.
Cooper, estamos... alinhados!
Iniciar a rota��o!
V� l�, TARS!
V� l�, TARS!
- Estamos acoplados, Cooper. - Desacelerar!
Devagar.
Devagar.
Retro propulsores!
Motores principais ligados!
A sair da �rbita. Vamos l�, querida!
Desligar motores.
Muito bem, sa�mos de �rbita.
Muito bom! Prontos para o pr�ximo truque?
� melhor que seja bom. Vamos direitos � atrac��o do Gargantua.
Merda...
- CASE, assume o comando. - Entendido.
Cooper, estamos a escorregar para o Gargantua.
Uso os motores principais?
N�o, temos de aproximar-nos o m�ximo que pudermos.
- Diz coisas. - Tenho boas e m�s not�cias, Cooper.
N�o me digas, TARS.
Desembucha.
O gerador de reserva voltou a funcionar, o sistema est� est�vel. Est� tudo bem.
�ptimo.
Ora bem, o sistema de navega��o est� totalmente destru�do.
N�o temos suporte vital suficiente para voltar � Terra,
mas podemos tentar chegar ao planeta do Edmonds.
E como estamos de combust�vel?
N�o � suficiente. Mas tenho um plano.
Deixamos que o Gargantua nos atraia at� ao horizonte,
e depois com uma poderosa impuls�o
somos lan�ados para o planeta do Edmond. - Manualmente?
� para isso que aqui estou. Vou fazer com que entremos numa �rbita critica.
E o desfasamento temporal?
Nenhum de n�s tem tempo para pensar em relatividades, Dra. Brand.
Desculpa, Cooper.
Uma vez que tenhamos alcan�ado velocidade suficiente � volta do Gargantua,
usaremos o M�dulo 1 e a Ranger 2 como propulsores
para sairmos do campo gravitacional do buraco negro.
As conex�es dos m�dulos est�o destru�das,
vamos ter de controlar tudo manualmente.
Assim que o M�dulo 1 ficar sem combust�vel, o TARS separar-se-�
e ser� engolido pelo buraco negro. - Porque � que tem de se separar?
Temos de perder peso para escapar da gravidade.
Terceira Lei de Newton.
A �nica maneira de os humanos chegarem a algum lado � deixando algo para tr�s.
Cooper, n�o podes pedir ao TARS que se sacrifique.
Ele � um rob�...
- N�o tenho que lhe pedir nada. - Cooper, �s um idiota.
- Desculpa, mas excedeste-te um bocado. - Era esse o plano, Dra. Brand.
A �nica hip�tese de salvar as pessoas da Terra
� conseguindo transmitir os dados qu�nticos que encontrar l�.
Assim talvez tenhamos sucesso.
Esperemos que ainda haja algu�m para salvar.
Velocidade m�xima alcan�ada.
Preparar para ligar propulsores de escape.
- Prontos? - Pronta.
Pronto.
Ligar igni��o em 3, 2, 1...
Ligada!
Motores do M�dulo 1 ao meu sinal,
3, 2, 1... Agora!
Motores da Ranger 2 ao meu sinal,
3, 2, 1... Agora!
Esta pequena manobra vai custar-nos 51 anos.
N�o est�s mal para quem vai completar 120.
M�dulo 1, preparar separa��o ao meu sinal,
3, 2, 1... Agora!
Separar!
Adeus, TARS.
Adeus, Dra. Brand. Vemo-nos no outro lado, Coop.
At� logo, jeitoso.
Muito bem, CASE. Belo voo irrespons�vel!
Aprendi com o mestre.
Ranger 2, preparar a separa��o.
O qu�? N�o! Cooper, que est�s a fazer?
Terceira Lei de Newton. H� que deixar algo para tr�s.
Disseste que havia recursos suficientes para n�s dois.
E n�s concord�mos, Amelia...
em 90%.
N�o...
Separar.
Muito bem, inclinar o nariz para baixo.
Aproximando-me do horizonte de eventos.
Bombordo, a descer por baixo dele. Prestes a atravess�-lo.
Em direc��o ao l�men. Escurid�o...
Escurid�o total.
TARS, consegues ouvir-me? Est� tudo negro.
TARS, consegues ouvir-me? Escuto.
Ora, estamos com chuva e interfer�ncias.
A perder controlo do comando.
Temos flashes. Flashes de luz e escurid�o.
H� turbul�ncia na gravidade.
Os computadores est�o a desligar-se.
Atrac��o gravitacional forte. Estou a perder o controlo.
Murph! Vamos!
Murph...
Murph! Murph!
Murph!
N�o, n�o, n�o! Murph!
Murph!
N�o, n�o!
- Se tens que ir, vai! - N�o...
N�o, n�o v�s. N�o v�s, seu idiota! N�o v�s!
Morse, morse, morse...
F.
I.
C.
Tra�o.
Tra�o.
Murph, n�o temos tempo para isso, despacha-te!
Fica!
V� l�, Murph, anda da�! O que � que diz? O que � que diz?
Fica...
Diz-lhe, Murph. Convence-o a ficar.
V� l�, convence-o, Murph.
FICA
Convence-me a ficar, Murph.
N�o me deixes ir, Murph!
N�o, n�o me deixes ir, Murph!
N�o! N�o! N�o! N�o!
Eras tu...
Eras tu o meu fantasma.
Cooper.
Cooper, comunica.
TARS?
Recebido.
- Sobreviveste? - Algures...
na quinta dimens�o deles. Eles salvaram-nos.
Quem diabo s�o eles?
E porque haveriam de ajudar-nos?
N�o sei, mas constru�ram este espa�o tridimensional
dentro da realidade pentadimensional para podermos entend�-los.
Pois, mas n�o funciona.
Claro que funciona. J� viste que o tempo � representado como uma dimens�o f�sica.
Tu pr�prio deduziste que se pode exercer uma for�a atrav�s do espa�o-tempo.
Usar a gravidade...
para enviar uma mensagem? - Afirmativo.
A gravidade...
pode atravessar dimens�es, incluindo o tempo?
Correcto.
- Tens os dados qu�nticos? - Confere, tenho-os aqui.
Tenho tentado transmiti-los em todos os comprimentos de onda,
mas nada se propaga, Cooper. - Eu consigo. Posso tratar disso.
- Mas dados t�o complexos para uma crian�a? - N�o � uma crian�a qualquer.
V� l�, pai.
Murph, o fogo foi apagado! Vamos!
Mesmo que os consiga transmitir, v�o passar-se anos at� que ela os entenda.
Compreendo, TARS, mas temos de encontrar uma maneira
ou as pessoas da Terra morrem! Por favor, pensa!
Cooper, n�o nos trouxeram aqui para alterar o passado.
Diz l� isso outra vez.
N�o nos trouxeram aqui para alterar o passado.
De facto, n�o nos trouxeram.
N�s � que viemos c� ter.
TARS, d�-me as coordenadas da NASA em bin�rio.
Em bin�rio, entendido. A transmitir dados.
N�o � um fantasma.
- � a gravidade. - Ainda n�o percebeste, TARS?
Eu � que me conduzi at� aqui.
Estamos aqui para comunicar com o mundo tridimensional.
Somos a ponte!
Pensei que me tinham escolhido.
- Mas n�o, escolheram-na a ela. - Para fazer o qu�, Cooper?
Para salvar o mundo!
Tudo isto! Apenas no quarto de uma mi�da.
Cada momento � infinitamente complexo.
T�m acesso a um tempo e espa�o infinitos,
mas n�o est�o ligados por nada.
N�o conseguem encontrar um lugar espec�fico no tempo para comunicarem.
� para isso que aqui estou.
Para achar uma maneira de falar com a Murph, tal como achei este momento.
Como, Cooper?
Atrav�s do amor, TARS. O amor!
� como a Brand dizia, a minha liga��o com a Murph � quantific�vel.
- � a chave. - Porque estamos aqui, Cooper?
Para descobrir como dizer-lhe.
O rel�gio!
O rel�gio!
Codifica os dados no movimento do ponteiro dos segundos.
TARS, traduz os dados para Morse e transmite-mos.
A traduzir os dados para Morse. Cooper, ent�o e se ela n�o regressar?
Ela vai regressar. Acredita.
Murph, temos de ir. Ele est� a chegar!
Est� bem, estou a descer!
Como � que sabes?
Porque fui eu que lho dei.
Recebido. Em Morse fica: "ponto, tra�o, ponto,
"ponto, ponto, tra�o, ponto,
"ponto, tra�o, ponto, ponto,
"ponto, tra�o, ponto, ponto,
"tra�o, tra�o."
Era ele!
Durante todo este tempo... Eu sabia que era ele.
O pai salvou-nos!
Anda.
Eureka!
� a tradi��o.
Eureka!
- Funcionou? - Parece-me que sim.
Como � que sabes?
Porque os seres da grande massa est�o a fechar o Tesseract.
Ainda n�o percebeste, TARS?
N�o s�o seres...
somos n�s!
O que fiz pela Murph, est�o agora a faz�-lo por mim.
Por todos n�s.
Cooper, as pessoas n�o podem ter constru�do isto.
N�o, ainda n�o. Mas um dia...
N�o falo de n�s, mas de outras pessoas.
Uma civiliza��o que evoluiu al�m das quatro dimens�es que conhecemos.
E o que acontece agora?
Senhor Cooper.
Devagar, senhor. Com cuidado, Sr. Cooper.
Lembre-se que j� n�o � nenhum jovem.
Na verdade, tem 124 anos.
Seja cauteloso, senhor.
Teve imensa sorte.
Quando as Rangers o encontraram, restavam-lhe poucos minutos de oxig�nio.
Onde estou?
Na Esta��o Cooper.
Actualmente a orbitar Saturno.
Esta��o Cooper?
Foi atencioso terem escolhido o meu nome.
Que foi?
Bem, a esta��o n�o se chama assim por sua causa, senhor.
�... por causa da sua filha.
Embora sempre tenha afirmado o qu�o importante o senhor foi.
Ainda � viva?
Chegar� daqui a duas semanas.
A idade n�o lhe permite fazer viagens entre esta��es,
mas quando soube que o tinham encontrado...
Enfim, estamos a falar da Murphy Cooper.
Pode crer que sim.
Dar-lhe-emos alta daqui a uns dias.
Decerto que ficar� radiante com o que temos no armaz�m.
Por acaso, at� fiz um trabalho sobre si no liceu.
Sei tudo acerca da sua vida na Terra.
Claro, j� me esquecia. As Rangers.
Senhor, se me puder acompanhar, prepar�mos algo que vai gostar.
Quando dei a sugest�o � Sra. Cooper,
tive muito gosto em ouvir o qu�o agradada ficou.
Claro que n�o falei pessoalmente com ela.
O meu pai era agricultor. Como todos naquela altura.
N�o havia comida suficiente.
Us�vamos peda�os de len�ol para cobrir o nariz e a boca.
Para n�o inal�-la demasiado.
Foi muito emocionante para mim...
Ela confessou-nos o quanto o senhor gostava da quinta.
A s�rio? Foi o que ela disse?
Com licen�a.
Lar doce lar.
Tudo est� no seu lugar e fielmente reproduzido.
� verdade.
- Este �... - Sim, sim...
� a m�quina que encontr�mos consigo em Saturno.
A fonte de alimenta��o est� danificada, mas podemos arranjar outra se quiser.
Sim, por favor.
Configura��es.
Configura��es gerais.
Configura��es de seguran�a.
Honestidade, nova configura��o.
- 95%. - Confirmado. Personaliza��o adicional?
Humor: 75%.
Confirmado.
Autodestrui��o em 10, 9...
Passemos para os 60%.
60% confirmado.
- Truz-truz. - Preferes 55%?
Era mesmo assim na altura?
Nunca com este grau de limpeza, rapaz.
Isto n�o me agrada muito, fingir que estamos de volta onde come��mos.
Quero saber onde estamos.
Para onde vamos.
- Senhor Cooper. - Sim?
A fam�lia est� l� dentro.
A fam�lia?
Vieram todos v�-la. Tem estado em sono criog�nico h� quase dois anos.
Disseste-lhes que eu gostava da quinta?
Era eu, Murph.
Era eu o teu fantasma.
Eu sei.
Ningu�m acreditava em mim, pensavam que tinha sido apenas eu, mas...
eu sabia que eras tu.
Ningu�m acreditou em mim.
Mas eu sabia que voltarias.
Como?
Porque o meu pai me prometeu.
Estou aqui agora, Murph.
Ao teu lado.
N�o.
Nenhum pai deveria assistir � morte de um filho.
Os meus filhos est�o aqui comigo.
Podes ir.
Para onde?
Brand.
Ela anda por a�.
A montar um acampamento.
Sozinha, numa gal�xia desconhecida.
Talvez agora se esteja a preparar para um longo sono.
� luz do nosso novo sol.
No nosso novo lar.
Tradu��o: MatosVitor Sincronia: Shina69
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