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VERSALHES, 1712
Senhora, o Duque da Bretanha acabou de falecer.
O Duque de Anjou, seu irm�o aqui presente, herda o trono.
N�o podemos deix�-lo sozinho.
- Tu n�o far�s nada. - S�o as ordens do Rei.
Fica longe.
Por tua neglig�ncia,
essa fam�lia inteira foi dizimada.
Tua incompet�ncia os matou.
Nunca, ouviste?
N�o te aproximes dessa crian�a.
- Senhora... - Sai.
TROCA DE RAINHAS
LU�S XV RETORNA AO PAL�CIO DE VERSALHES,
ABANDONADO H� 7 ANOS.
Subpack e sincronia by DanDee
Vossa Majestade...
Foi aqui que ela me segurou em seus bra�os pela �ltima vez.
Acredita mesmo que conspiraram contra mim?
A morte s�bita de todos os herdeiros
de Sua Majestade Lu�s XIV nos deixou receosos.
Mas � poss�vel
que a verdadeira causa tenha sido doen�a.
Algu�m seria capaz de matar uma crian�a pelo trono?
A hist�ria � repleta de exemplos, Vossa Majestade.
Mas agora deveis dormir.
Fala-me sobre meus pais, Senhor Marshal.
Se vosso pai tivesse vivido,
ele teria sido um grande rei.
Ele tinha qualidades morais e intelectuais imensas.
E, tamb�m, a semente da grande sabedoria.
Quanto � vossa m�e...
Vossa m�e...
Ela iluminava toda a corte.
Sua Majestade, Lu�s XIV, a adorava.
Ele ficou devastado com seu falecimento.
Se eles n�o tivessem morrido,
hoje, provavelmente eu seria apenas
o neto do Rei,
ou o filho do Rei,
ou at� o irm�o do Rei.
E minha inf�ncia teria sido minha.
Sou terrivelmente contra seu plano, primo!
Tu pareces estar decidido a enfraquecer a monarquia!
- O que queres dizer? - Para ganhar a reg�ncia
contra a vontade do Rei falecido, deixaste
o Parlamento agir como bem entendesse.
S� Deus sabe aonde isso nos levar�!
Tivemos que minimizar as contendas deixadas por meu tio, o Rei Sol.
Sua pompa e guerras arruinaram o reino.
Um pouco de liberdade ajuda aqueles abaixo de n�s
a aguentar as adversidades.
Meus planos t�m o objetivo realista
de restaurar a paz para um lugar que n�o aguentar� mais guerras.
Tudo que fa�o � pensando nos interesses do Rei.
Mesmo que tua natureza desconfiada fa�a com que penses o contr�rio.
Vossa Majestade?
Sinto muito em contar que vossa gata matou vosso chapim-real.
- Ela deve ser punida. - Que puni��o?
- A pior. - O que quer dizer?
Ela assistir� ao Conselho de Reg�ncia.
Falando nisso, o regente deseja vos ver.
Ele est� com o presidente do Conselho,
o Duque de Cond� e Sr. de Fleury.
N�o podem esperar um pouco?
- Ainda estou em devaneios. - Temo que n�o, Senhor.
Vossa Majestade,
de todas as minhas tarefas durante vossa reg�ncia,
das quais espero ter sido digno,
� meu dever, ap�s anos de guerra que ensanguinharam a Fran�a,
manter a paz a todo custo.
Nesse sentido, acreditamos que vosso casamento
com sua prima, a filha de Filipe V da Espanha,
uma garotinha que todos dizem ser ador�vel,
apaziguar� as rela��es entre nossas na��es.
Ent�o vimos a Vossa Majestade, com humildade e esperan�a,
solicitar vossa aprova��o para esse casamento.
Sim.
"Majestade, n�o consigo expressar o tamanho
da alegria que tenho em aceitar o pedido
que vai ao encontro dos meus maiores desejos.
Estou ainda mais satisfeito,
pois est� de acordo com os desejos de meu bisav�,
cujo exemplo e objetivos sempre governar�o minha conduta.
A Infanta da Espanha abarrotar� minha vida de alegria".
Sabias que a pontualidade � a cortesia de princesas?
Ent�o deveriam ter-me ensinado isso.
- Por que tanta pressa, pai? - Decidi que ir�s casar, minha filha.
Me casar?
- A quem? - Ao herdeiro da Coroa Espanhola.
Um dia ser�s rainha.
- Eu n�o falo espanhol. - A corte fala franc�s.
Filipe V � o neto de Lu�s XIV.
- Eu n�o irei, senhor! - Ir�s!
Consideres um acordo de sorte. Planejei muito por ele.
Tua av� falar� contigo. Os deveres do reino me chamam.
Quando chegares � corte espanhola,
nunca mais te veremos, Lu�sa Isabel.
Nem tu ver�s teus pais.
Eu mesma, quando me casei com o irm�o de Lu�s XIV,
sabia que jamais veria a Ren�nia novamente.
Quando te casaste,
contaram-te que ele preferia homens?
Calada!
- N�o irei, cara av�. - Voc� deve. � para isso que nasceu.
Princesas s�o feitas para casar e perpetuar uma dinastia.
Espero chegar aos C�us quando morrer.
Se esperas te juntar a mim um dia,
sabes o que deves fazer.
Se a morte tem algum interesse,
� de nos separar daqueles que nos irritam enquanto vivos.
Uma vida de santa n�o me traria prazer
e me colocaria por toda a eternidade com uma companhia tediosa.
Mais alto!
Novamente!
LAR DO REI FILIPE V DA ESPANHA, LONGE DA CORTE DE MADRID.
Novamente!
Suas Majestades desejam ver-te.
N�o deves portar-te assim.
N�o sou eu quem est� fazendo cara feia.
� a boneca Carmen.
Era a vez dela de ir no balan�o.
Quero o melhor para nossa filha.
O casamento dela com o Rei da Fran�a � algo admir�vel.
Achas que vale a pena deixar seu filho,
o herdeiro da Coroa Espanhola, casar-se com a filha do regente?
Qualquer coisa � melhor
do que o massacre que conhecemos.
Cada um dos milh�es que foram mortos na guerra que me colocou aqui
v�m me visitar � noite
exigindo uma explica��o
que eu n�o posso dar.
Um dia, pagarei por tudo isso.
Sabes o que me mant�m vivo?
O medo do que me espera do outro lado.
E a vida...
Falemos sobre a vida.
Come�a com um grito e termina em l�grimas!
As pessoas s�o livres para dar um sentido a ela,
mas a consci�ncia nos foi dada
para nos ensinar que nada � certo.
Senhor,
eu Vos imploro,
perdoai-me.
As Altezas Reais, Pr�ncipe de Ast�rias
e Princesa Mariana Vit�ria.
Minha amada filha,
tu, agora, �s a Rainha da Fran�a.
Aqui est� o retrato de Lu�s, meu sobrinho
e teu futuro marido.
Conta a teus irm�os, para que saibam as honras que te s�o devidas.
E quanto a ti, meu filho,
te casaremos com Lu�sa Isabel de Orle�es.
Aqui est� o retrato dela.
� teu.
Aqui.
Agora ide.
Ide.
Apenas passamos por essa vida.
S� deixamos nossas boas a��es
e nossos descendentes.
Para um rei,
as boas a��es s�o opcionais,
mas os descendentes s�o obrigat�rios.
Sim.
Me disseram que tu ser�s a governanta da Infanta.
Serei. Ela ainda � muito jovem.
E muito vulner�vel.
Assim como v�s, quando fui vossa governanta.
Mas, m�e, n�o ser�s mais minha?
Sempre serei vossa, meu pr�ncipe.
Ningu�m roubar� o lugar que tendes em meu cora��o.
N�o pedirei um beijo, filha. Meu cora��o vai contigo.
Tenta me honrar na Corte Espanhola.
Meu caro amigo, Saint-Simon, guiar� teus primeiros passos.
Agora vai.
Agora vai!
Me amar�s.
N�o � mesmo?
Algumas atividades n�o devem ser feitas
depois das ora��es, Vossa Alteza.
Sim.
Devo remover o objeto deste conflito.
E se eu esperar at� depois das ora��es?
N�o h� moralidade nem benef�cios para a sa�de
em satisfazer-se t�o freneticamente.
Deus apreciar� um pouco de temperan�a.
Sua Excel�ncia, Duque de Saint-Simon, embaixador da Fran�a.
Os contratos de casamento, Vossa Majestade.
Posso ficar com esse retrato de meu marido?
Claro, Majestade.
Pertence a v�s.
Vosso marido alegrou-se em mand�-lo.
E minha esposa?
Novidades de sua viagem?
Ela est� a caminho.
A Princesa est� ansiosa por conhecer seu futuro marido.
Entendo.
E...
Torne-se completamente francesa, minha filha.
Esque�a seus anos na Espanha.
Mas nunca esque�a seus pais ou seus irm�os.
Vai, minha filha.
Quero dizer, Majestade.
- D� adeus a este lugar. - Posso me despedir de meus irm�os,
Dom Fernando e Dom Carlos?
� melhor n�o. Ambos sofrem de coqueluche.
N�o morrer�o, n�o � mesmo?
N�o cabe a n�s saber.
Deveis aprender, Senhora,
que a vida e a morte s�o a mesma coisa.
De fato,
felizmente Deus fez assim.
Sem tal continuidade,
a vida seria curta e triste.
Vosso casamento com a Casa de Fran�a
me traz muita alegria.
N�o fiques a viagem toda na janela, madame.
Te atirar�s para a morte.
Esse � meu objetivo.
Por que demora tanto?
Para evitar epidemias.
- Epidemias? - A peste no Leste,
- var�ola no Oeste. - Ambas me serviriam.
Como podes dizer isso?
Entre a morte e esses fan�ticos hip�critas,
por que devo escolher?
Ao temer a morte, esquecemos a vida. Quero viver.
Surpresa?
Uma �rvore caiu, deve ser removida.
O que estais fazendo?
Vi um p�ssaro que carrega mau-olhado.
N�o devemos trazer mau agouro para a Casa de Fran�a.
Quero que esse movimento cesse!
O mal que semeastes criou ra�zes.
N�o vos disse para n�o pegar tanto ar?
Sabes o que mais temo?
- Dizei. - Que serei tomada pelo t�dio.
O t�dio pode dar frutos a coisas maravilhosas.
Algumas vezes liberta a mente.
- � um privil�gio, ent�o? - Acredito que sim.
N�o aguentarei.
ILHA DOS FAIS�ES, FRONTEIRA ENTRE FRAN�A E ESPANHA.
- Por que devo me trocar? - � a tradi��o.
Cada princesa deve se desfazer de toda vestimenta de seu pa�s nativo.
Vos desfazei de vosso aborrecimento tamb�m.
Ningu�m tirar� isso de mim.
Os enviados de Sua Majestade da Espanha
para receber a Princesa de Montpensier.
Eu...
Venho com um presente de vosso futuro marido.
Obrigada, mas n�o ca�o.
Por favor, diga a teu mestre.
Direi.
Como...
Como vos divertis durante o dia?
- M�sica talvez? - N�o, me entedia.
Bordado?
Eu, bordar?
N�o estragarei meus olhos.
- Ent�o ledes? - Mal sei ler.
- De que gostais, ent�o? - De nada.
N�o gosto de nada.
Para de olhar para ela t�o avidamente e faz teu trabalho.
Creio que ela n�o mere�a nada mais.
Acordai.
Estamos chegando a Versalhes.
Ela � mesmo min�scula!
Senhora, me alegro que tenhas chegado em boa sa�de.
Demos-te o quarto de minha falecida m�e.
Ela vivia aqui. Foi nessa cama em que nasci.
E, nessa cama, ela morreu.
Mas n�o penses que mam�e Ventadour ser� m�e para n�s dois.
Bem...
Fico encantado por teres feito boa viagem.
O Rei nada mais deseja de v�s.
Assim o ordena como vosso senhor e mestre.
Fala, Boufflers, algo te atormenta.
Majestade, agora eu tamb�m tenho uma esposa.
E...
Dada a idade da Duquesa, n�o me deitarei com ela por um tempo.
� irritante, mas pouco importa.
Mulheres n�o s�o os �nicos prazeres da carne.
Nossa Senhora!
O reino poderia esperar uma rainha mais graciosa?
Santo Deus!
Vossos retratos n�o vos fazem justi�a.
Preparai-vos para vos tornardes a adorada da Corte.
E para causardes inveja.
Sabeis quem sou, minha querida?
Uma sobrevivente do Grande S�culo.
Deus vos aben�oe
por terminar com o longo inverno
em que se protelaram nossas almas por tantos anos.
Sentis alguma melhora?
N�o consigo me recuperar dessa viagem intermin�vel.
O Rei e a Rainha se ressentem
que n�o comparecestes a nenhuma cerim�nia oficial
ou festividade feita em vossa honra desde que chegastes h� um m�s.
Nem mesmo um agradecimento pelos presentes!
Ele ao menos perguntou se eu ca�ava?
Ele ca�a corujas.
- Sabias? - Senhora,
o futuro da Europa est� em jogo.
O Rei da Espanha pode ser
imprevis�vel.
Como neto de Lu�s XIV,
ele pode ter pretens�o � Coroa Francesa.
Com essa uni�o, que ele desejou,
vosso pai acredita que Filipe V n�o mais atacar� a Fran�a.
Tendes uma grande responsabilidade.
Senhora,
se continuares a persistir, deverei agir.
Ent�o age!
Como est�s perpetuamente entediada, madame,
talvez aprecies a vista do trabalho
do Santo Of�cio em Madri.
A Grande Inquisi��o � uma antiga tradi��o espanhola
que tortura e queima hereges.
Queimam mulheres tamb�m?
Sim.
Mais do que a homens, elas s�o presa f�cil ao dem�nio.
H� um dia especial para isso.
� amanh�.
Crian�as tamb�m?
Deves estar brincando! Crian�as?
Nos tomas por b�rbaros?
Crian�as!
N�o se pode adorar a Deus
e falhar no combate � heresia.
De que outra forma poder�amos prevenir que Ele,
em troca, nos esque�a?
Tamb�m existem raz�es pol�ticas, meu filho.
A ca�a aos hereges mant�m as pessoas ocupadas.
� interesse do Pr�ncipe ver seus s�ditos ocupados.
Pensa nisso quando fores rei.
A hora pode chegar mais cedo do que pensas.
N�o comes, Senhora?
Come com tuas m�os, se assim quiseres.
Esse era o costume de meu av�, Lu�s XIV.
Me lembro que faz�amos o mesmo em Versalhes.
Costumes melhores vir�o com o tempo.
Sim.
Espero que costumes melhores venham com o tempo.
Sua Majestade n�o poder� vos visitar ap�s o almo�o, como prometido.
Ele sair� para ca�ar esta tarde.
Quando ele vir�, ent�o?
Quando ele quiser.
Tenho certeza de que ele � o mau-olhado!
Diga-me, Boufflers.
Como est�o as coisas com sua jovem esposa?
Perfeitas, senhor.
Ela ainda � jovem demais para...
Mas confesso que estou aliviado.
Visito o convento dela duas vezes por ano.
O meio da cama � mais confort�vel.
Mas devo deixar espa�o para nosso filho.
N�o achas que ele se parece com o Rei?
- Mais com seu pobre irm�o. - Achas?
Por que ainda n�o o conheci?
Ele est� no C�u, com os pais do Rei.
Fui ensinada que quando algu�m morre enquanto crian�a,
� certo que ascender� aos C�us.
Penso se n�o dever�amos morrer agora
para nunca tentarmos o Diabo.
Tenho certeza de que, mesmo se viverdes muito,
ireis para o C�u.
Veremos amanh� se eu viverei ou morrerei.
Posso contar-te minhas alegrias, mam�e Ventadour?
Acredito que o Rei me ama
com todo seu cora��o.
Nunca vi um esp�rito t�o �nico em uma crian�a da idade dela.
Adoro suas brincadeiras.
Eu tamb�m.
Tudo na natureza
traz alegria e energia
e ideias amplas e generosas.
Esquecestes vosso filho.
Minha pequena Rainha...
Tenho um segredo para dividir.
Digas, anjo.
Digo a todos que ele � meu filho,
mas, a ti, posso contar a verdade:
� apenas um boneco de cera.
O que, exatamente, nossos espi�es dizem?
Eles t�m uma vis�o mais sombria do que Saint-Simon, seu embaixador.
O que queres dizer?
Vossa filha adapta-se mal � Espanha.
Qualquer outra coisa me surpreenderia.
- Est�o conspirando para destitu�-la? - Ainda n�o, Senhor.
Mas dizem que a situa��o � tensa.
N�o me arrependo. N�o possu�a nada melhor para oferecer.
Tenhamos esperan�a.
E o Rei da Espanha � t�o caprichoso,
sua determina��o pode sumir de um dia para o outro.
Onde est� Villeroy, senhor?
Dada vossa maioridade iminente,
achei que era hora de dormirdes sozinho.
Ele � da antiga Corte.
Uma nova Corte deve se formar agora em vossa reg�ncia.
Na v�spera de minha maioridade,
recusamos dormir sozinhos.
Como quiser, Vossa Majestade.
O Cardinal Fleury � de vosso agrado?
Tanto faz.
Desde que n�o durmamos sozinhos.
AOS 13, LU�S XV ATINGE A MAIORIDADE LEGAL
E FINALMENTE PODE SER COROADO. A REG�NCIA TERMINA.
Como uma mulher de verdade, agora, deves aprender
o que as mulheres podem fazer com seus corpos.
Sem a obsess�o dos homens por um herdeiro,
h� prazeres
de uma natureza mais sutil.
Senhora...
Suas Majestades
desejam ver-nos nesse instante.
Meu querido filho...
Sabes que Lu�s XV acabou de ser coroado.
Sua irm�, agora, � Rainha da Fran�a oficialmente.
Para o dia de S�o Lu�s, um presente.
Tua esposa em tua cama, acompanhada do direito,
n�o, do dever, de dormires com ela.
E, lembres, a Espanha espera um herdeiro rapidamente.
A Igreja me permitiu mostrar-te essa anatomia feminina, Senhor,
para ajudar com a produ��o de um herdeiro ao trono.
Vamos chamar
de apoio cient�fico
para a Provid�ncia.
N�o!
Nunca mais me toques, entendeste?
UM ANO DEPOIS
Sobre o que podemos falar?
- Gostais de vossas novas terras? - Muito, Majestade.
Mas ainda mais de v�s.
Ouvi dizer que sois muito popular.
Somente minha m�e soube agradar a Versalhes.
Ela resistiu � inveja dos cortes�os.
Infelizmente n�o posso devotar mais tempo a v�s.
Querem me tratar como crian�a,
assim como v�s,
mas n�o � assim.
Devo reger o reino.
Tenho muito pouco tempo para passar convosco.
Mas me amais, n�o?
Veremos quando crescerdes.
Se um dia o fizeres.
Dizem que n�o estais crescendo.
Os c�es t�m grande m�rito,
no entanto, s�o punidos com o anonimato.
Pe�o que d�s um nome a cada um.
- N�o posarei mais. - V�s deveis.
Se desejais viver na mente de vossos pais.
O quadro � presente para eles.
Por que tanta tristeza, Senhora?
Sinto falta de meus pais.
Deveis vos alegrar que eles ainda vivem.
Pois, Senhora.
Ficai linda.
� assim que o futuro nos ver�.
Sempre me julgastes digna
de ouvir vossos segredos.
Tenho um para contar agora.
Acima de tudo, n�o fiqueis triste.
Em alguns dias,
umas semanas no m�ximo,
Deus Todo-Poderoso vai convocar-me.
N�o terei mais a alegria da vossa conviv�ncia.
Mas sabei disto:
nunca amei nenhuma de minhas netas
como amo a v�s.
Como qualquer princesa estrangeira que chega aqui,
eu fui celebrada.
Ent�o, fui maltratada.
Malfalada, machucada...
No come�o, somos jovens e interessantes.
A Corte nos adula e nos adora.
Na verdade,
assim como vampiros,
drenam nosso sangue como os m�dicos que nos enviam.
As gesta��es fazem o resto.
� necess�rio ser cego
para n�o ver isso, mesmo como princesas,
nunca fomos vistas como nada
al�m de material para casamento.
Mas, gra�as a Deus,
isso n�o vos aguarda.
Vossa Majestade, agora que reinais supremo,
creio que precisareis de um herdeiro urgentemente.
A Infanta parece n�o ser h�bil para tal prop�sito.
Al�m de ser pequena,
ela n�o cresce e sua fecundidade est� t�o distante
que podem haver v�rias conspira��es at� que ela lhe d� um herdeiro.
E os prazeres da carne
ser�o um mist�rio por dez anos.
Esses prazeres s�o t�o grandes quanto os da ca�ada, Duque?
Muito maiores, Vossa Majestade.
Por�m, mais ef�meros.
N�o fosse a f�ria do Duque de Orle�es de mandar a filha � Espanha
em troca dessa crian�a, a quem j� conheceis...
Mas v�s sois Rei agora, e cabe a v�s decidir.
E se eu tiver me apegado a ela?
V�s?
Gostais daquele beb�?
Procuro os sinais.
Xeque-mate, Majestade.
Essa coroa, que me foi confiada, Majestade,
agora coloco de lado.
E v�s,
a quem nada se comparou as del�cias da voca��o r�gia,
vedes o que ouso fazer.
Abdico da coroa que trouxe � Europa
12 anos de guerra e 2 milh�es de cad�veres.
Me achastes incompetente, caro av�,
eu excedi suas piores expectativas. Como rei, fui pat�tico,
covarde...
Um fan�tico.
Mas possuirei um poder mais absoluto que o teu,
aquele de renunciar.
E � o que fa�o agora.
Ante v�s.
Solenemente.
Ent�o, meu querido filho, tu �s, agora, rei.
Ainda virgem, ou�o dizer,
mas j� rei.
Senhor... Vossa Majestade.
Duque, o regente faleceu.
O que foi, Duque?
Vossa Majestade,
sei que esperais o Duque de Orle�es
para trabalhar nos interesses reais �s 11 horas.
- Infelizmente, ele n�o vir�. - Por que n�o?
Ele acaba de falecer.
Uma embolia repentina e imprevis�vel.
Por que as pessoas continuam morrendo ao meu redor?
Vossa Majestade...
Pe�o a honra
de suceder o Duque como Primeiro Ministro.
Sim?
N�o?
Sim?
Obrigado, Majestade.
Essa alian�a, al�m de absurda,
por um cont�gio, poderia nos custar o Rei!
O GRAND TRIANON,
LOCAL PARA ONDE O REI FOI TRANSFERIDO
PARA EVITAR O RISCO DE EPIDEMIA.
Se eu n�o vos tivesse dissuadido, ela poderia ter-vos matado.
Sua doen�a piorou
- e � impiedosa. - Ao me for�ar a me mudar,
ela me ajudaria a dissipar a monotonia.
Alegre-se enquanto ainda h� tempo.
Parece que esse quarto acaba com a vontade de viver.
Desde que mulheres estejam envolvidas!
Considere essas palavras, Duque:
"Com nada a dizer, deve-se manter-se em sil�ncio".
Senhor...
Deixai-me ouvir a vozinha dela novamente.
Ordens do Rei, Senhora.
N�o ou�o nada!
Porque estou mastigando.
O barulho do biscoito est� atrapalhando.
Ocupamos esta �rea, Majestade.
Pode ser que o franc�s se torne a l�ngua de toda a Am�rica do Norte.
A Rainha Infanta...
sobreviveu.
Sua doen�a n�o era o que pens�vamos.
Era um caso simples de sarampo.
Vossa Majestade, podeis retornar aos vossos aposentos.
O quarto amaldi�oado a poupou.
Por que a ela?
Seus m�dicos a examinaram.
Ela n�o est� destinada a gestar herdeiros.
Sua p�lvis � proibitivamente estreita.
Quanto aos �rg�os reprodutivos,
na Rainha Infanta s�o, sem d�vida,
- atrofiados! - Estavam errados sobre sua doen�a.
Talvez tamb�m estejam sobre o resto.
Mand�-la de volta � arriscado.
- Pode significar guerra. - Seu irm�o n�o ousaria!
Mas podem ficar com a filha de Orle�es. Ela � rainha agora.
Pode ser cedo demais para decidir. O que Vossa Majestade pensa?
Nada.
N�o penso nada.
E, assim, evito os desvios que vos levam a lugar algum.
Por que Boufflers est� sendo levado?
Tu sabes, mas n�o me dizes?
� um assunto delicado, Majestade.
Fala.
Seus pr�prios pais o encontraram na outra noite,
embaixo de sua janela, envolvido...
em coito n�o natural.
A Corte est� escandalizada,
mas quisemos proteger-vos.
Ele me disse que mulheres n�o eram tudo.
Me acariciava, �s vezes.
Mas n�o me recordo se eu gostava.
Mulheres realmente podem nos satisfazer?
Eu n�o espero nada disso, Vossa Majestade.
Meu chamado me impede.
Um amigo foi tirado de mim.
- Nunca mais o verei. - Infelizmente, n�o, Majestade.
Saint-Simon me diz que a Rainha da Espanha est� trancada.
� um assunto s�rio, n�o � mesmo?
Mas n�o reagir tem suas vantagens.
O que acha, Emin�ncia?
Nunca ousariam fazer isso com o Regente vivo.
Esse n�o � o ponto!
H� relatos de que o casamento n�o foi consumado.
Lu�s I atira em tudo que vive,
mas n�o consegue atirar em sua esposa!
O casamento n�o foi consumado, ent�o, talvez, possamos anul�-lo.
Agora, Orle�es est� morto, e com Cond� no trono,
podemos ajudar-vos a se livrar dela, Vossa Majestade.
Ela n�o nutrir� um reino digno e sereno, concorda?
Quero...
Quero que ela fique.
Vejam s�...
Meu filho quer manter sua esposa.
E por qual raz�o, Majestade?
Porque a amo.
Como podeis amar tal criatura?
Al�m do mais,
quando decidimos casar-vos,
pedimos que a am�sseis?
- O que dizes, minha Rainha? - Amor n�o foi mencionado.
Ou, pelo menos, n�o ouvimos.
Pelo menos fostes capaz de penetr�-la?
Ordeno que ela fique.
Desobedeceis?
Isso � maravilhoso.
Desobedecei e eu n�o darei raz�es para reclamardes.
Devolvi vossos servi�ais tamb�m.
- At� a Quadra? - Especialmente ela.
A liberdade dela
vos levou a caminhos
que vos distanciaram de mim.
Gostar�eis de ca�ar comigo?
Farei tudo que considerais correto.
Se vos mantiverdes t�o resoluto como rei,
posso at� vos amar.
Quem sabe?
- O que estais fazendo, Senhora? - Me virando convosco.
Assim, n�o atirais em mim.
- �? - Sim.
N�o � melhor assim do que com uma mulher?
� cedo demais para formar uma opini�o.
N�o, ainda n�o.
Temos tempo agora.
Lu�s!
Var�ola... J� suspeitava.
Suas Majestades desejam que fiqueis aqui.
N�o, Majestade!
- Deixe-me sair! - Certamente estais contaminada.
Pedirei a meu pai
que receba de volta a Coroa.
E exijo um tratamento justo
� minha esposa, a Rainha,
que demonstrou seu m�rito
ao ficar ao meu lado at� meus �ltimos momentos.
Sabeis, Senhora,
que assim que recobrei a consci�ncia,
percebi que n�o fui feito para viver.
N�o sou um homem a quem se ama.
Eu estava come�ando a amar-vos.
De verdade?
De verdade.
N�o me olheis assim. Vos suplico.
N�o vades, eu imploro!
Senhora...
� com muita infelicidade
que devo informar-vos
que vosso irm�o,
meu primo,
Lu�s I,
faleceu.
� horr�vel.
N�o sei quem est� pior.
Ele, que morreu...
ou eu...
que vivo com pavor de morrer.
Por que n�o mandam m�dicos?
Suas Majestades decidiram o contr�rio.
- Por que tu? - Me disseram que sou imune.
J� tive a doen�a.
Aqui � tradi��o fazer a rainha morrer com seu marido?
Nunca ouvi algo assim, Majestade.
Senhor?
Majestade?
Saint-Simon escreve que a Rainha da Espanha
sofre da doen�a de seu marido.
Neste momento, ela j� pode ter falecido.
A alian�a dupla dos regentes est� terminada.
Filipe V governa novamente, imprevis�vel.
Precisai de um herdeiro urgentemente!
Um herdeiro?
N�o tenho pressa de morrer.
Por que a morte governa nossas vidas?
Somente Deus est� acima de v�s.
Ele decide tudo em grande sigilo.
Apesar de nosso amor por Ele,
n�o podemos confiar o futuro do reino a Ele.
Precisai de um herdeiro rapidamente, Vossa Majestade,
e aquela menininha
n�o vos dar� um.
Agora devo reinar novamente por anos...
Enquanto sofro pela morte de meu querido filho.
E parece que Deus
n�o quer garantir
que Lu�sa Isabel siga seu marido.
Afastar os m�dicos a salvou.
O que faremos com ela?
N�s a mandaremos de volta.
Mand�-la de volta?
Sim, afinal, ela j� n�o nos � �til,
se algum dia j� foi.
Achastes t�o dif�cil acomodar-vos aqui,
que achei que ficar�eis feliz em retornar � Fran�a.
Com meu pai morto, o que me espera l�?
Me apeguei a meu falecido marido.
Eu n�o tinha mais ningu�m.
Infelizmente, para v�s e para mim, o futuro n�o est� mais aqui.
Devemos aceit�-lo de bom grado.
Pol�tica costuma acompanhar a morte de m�os dadas.
N�o podemos nos opor a isso.
Tenho boas not�cias.
Vossos pais est�o viajando perto da fronteira
e desejam vir aqui para dar-vos um abra�o.
Partireis amanh�.
O Rei vir� despedir-se de mim?
Infelizmente, n�o.
Nunca mais o verei novamente, n�o �?
Ent�o ele n�o me ama.
Ele est� errado.
Eu crescerei um dia.
Devo entrar em novas guerras, Senhor de Fleury?
Sem d�vida, Majestade.
No entanto, as finan�as da Coroa n�o permitem.
Senhor, Vossa Majestade,
o Duque de Cond�.
Perdoai-me, Majestade.
Posso levar-vos � Marly?
� Marly?
Por qu�?
Para poup�-lo de uma despedida triste.
A pequena Princesa parte.
Despedida triste?
Acreditas que sou capaz disso?
N�o preciso ir � Marly.
Trabalharei aqui com Fleury para o pa�s.
Al�m disso,
Senhor Duque,
quero informar-te de que decidi
livrar-te de teu papel como primeiro-ministro.
Lu�s XV est� devolvendo nossa filha.
Expulse todos os franceses da Espanha!
Imposs�vel.
Todos eles! Entendeste?
- Sem exce��o! - Serei o primeiro a partir!
N�o...
Devo declarar guerra.
Guerra!
Mas...
Mas n�o posso...
N�o posso!
Pareces triste, senhora.
Apesar de sua pouca idade,
ela era uma verdadeira rainha, Senhor.
E eu, senhora?
Sou um verdadeiro rei?
LU�S XV CASOU-SE COM MARIA LESZCZYNSKA,
7 ANOS MAIS VELHA, COM QUEM TEVE 10 FILHOS.
MORREU DE VAR�OLA AOS 64 ANOS.
MARIANA VIT�RIA DA ESPANHA CASOU-SE COM D. JOS� I, REI DE PORTUGAL,
E DEU A ELE 4 FILHAS. ELA MESMA FOI REGENTE DE PORTUGAL.
LU�SA ISABEL DE ORLE�ES MORREU EM PARIS, AOS 32 ANOS,
ESQUECIDA POR SUA FAM�LIA E PELO MUNDO.
AP�S A MORTE DE SEU FILHO, FILIPE V RECLAMOU A COROA ESPANHOLA.
SOFRENDO DE NEURASTENIA, FICOU DE CAMA POR MAIS DE UM ANO.
EM MEM�RIA DE RAPHA�L IBANEZ DE GARAYO
Subpack e sincronia by DanDee
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