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S�O TEMPOS TURBULENTOS, DE DISPUTAS ENTRE DOIS MUNDOS,
DE CRISE ECON�MICA E CONFLITOS SANGRENTOS.
O TERRORISMO ATINGE A EUROPA E O ORIENTE M�DIO DIARIAMENTE.
BEM-VINDO AO ANO DE 1976.
EM DJIBOUTI...
A �LTIMA COL�NIA FRANCESA.
QUEREMOS NOSSA INDEPEND�NCIA MESMO QUE CUSTE NOSSO SANGUE
-Bom dia, Fran�ois! -Bom dia!
-Bom dia, Fran�ois! -Bom dia, Fran�ois!
-Bom dia, Fran�ois! -Bom dia.
Bom dia, Louise.
Onde est� seu irm�o? Est� doente?
Claro. Ele nunca est� doente.
Ele esquenta o term�metro e finge.
E a mam�e nunca percebe.
Mas quem estuda muito e ser� m�dica ou astronauta,
enquanto o irm�o fica em casa com mam�e?
� verdade.
Ol�, Zyed. Como vai?
Bem, e voc�, senhora Jane?
Muito bem. Tenha um bom dia, Zyed.
TER�A-FEIRA, TR�S DE FEVEREIRO, 1976
-Oi, Fran�ois -Ol�, Bernardo.
Bernardo, O Leopardo.
Como vai, Gary?
-Bernardo, O Leopardo. -Sente-se, Bernardo.
N�o se mexa, ou eu atiro.
Voc� entendeu? Entendeu?
Gary!
Ningu�m se mexa! Sil�ncio!
Fronteiras da Som�lia. Agora!
Certo.
Gary!
Gary!
-Quantas faltaram para voc�? -Quatro.
-E para voc�? -Todos eles.
-Professora, por favor. -Estou indo.
Senhor? N�o vamos para a escola?
Cale a boca!
Escutem! Todos fiquem sentados!
Sem nenhum barulho!
Sen�o...
Se desacelerar, vai morrer.
Se parar, vai morrer.
R�pido, mais r�pido.
N�o deixe que ultrapassem!
R�pido!
R�pido!
Fechem as fronteiras! Entendido?
Entendido! Peguem o corrent�o!
N�o! N�o! Idiotas!
N�o fechem a fronteira!
Levante da�.
N�o desperdice meu tempo.
Venha.
As crian�as.
Voc� v� os soldados?
Diga a eles para ir.
Agora! Voc� entende?
Certo.
-Agora! -Tudo bem.
15 MINUTOS DE GUERRA
BASEADO EM FATOS REAIS
� bom?
-V� com calma. -Mas d�i.
Me mostre, eu digo se d�i.
-O que eles fizeram? -O qu�?
Fizeram do lado errado!
Voc� s� fala besteira!
Eu nunca tive apendicite.
Quer dizer que voc� ainda � crian�a?
-Exatamente. -Ent�o � isso?
Eu sou uma crian�a?
Senhor Gerval? Liga��o para o senhor.
-Tome. -Obrigada.
Obrigado.
Sim?
Est� bem, obrigado.
Pierre, � o Andr�.
Re�na Lorca, Camp�re e Larrain.
At�.
21 ref�ns. Todos s�o crian�as.
Mantidos por tr�s ou quatro terroristas.
-Entre a Fran�a e a Som�lia. -Alguma exig�ncia?
Autonomia e sa�da imediata da Fran�a,
libera��o dos prisioneiros pol�ticos.
Nada de novo, nada aceit�vel.
Tr�s crian�as s�o cidad�s americanas, ent�o os Yankees est�o nos pressionando.
Enviaram um conselheiro militar para nos intimidar.
Falei com o General Favrart, comandante das For�as Armadas.
V�o se instalar no local, mas dificilmente v�o intervir.
-Por qu�? -A maioria das crian�as � da base dele.
Compreens�vel.
E o que eles fariam?
Iriam com armas e baionetas?
Esse tipo de coisa n�o � o forte deles.
Os conselheiros do Presidente est�o morrendo de medo.
Se negociarmos, seremos covardes.
Se atacarmos, teremos crian�as mortas nos jornais.
-Talvez pelas nossas m�os. -E ent�o?
V�o para Cairo como civis, para despistar a imprensa.
L�, se juntar�o ao comboio. Cheguem ao local e aguardem ordens.
Precisar� mostrar o que tem de "especial" na sua unidade "especial".
Muito bem.
Michelle?
-E o conselheiro americano? -Resolva isso.
N�o se esque�a, voc� trabalha para a Rep�blica.
E a Rep�blica
somos n�s.
Voc� viu isso?
Acha que ela dir� sim?
O Cazeneuve disse para vir de civil, estava no meu bolso.
N�s �amos jantar. A C�cile e eu, essa noite.
Mas, s�rio, acha que ela vai dizer sim ou n�o?
-Estamos juntos h� cinco anos. -Lorca.
N�o tenho medo de ela dizer n�o. Estou preocupado de...
Lorca.
Ser seu amigo n�o � meu trabalho.
Ei, veja isso.
Fiz com um casaco velho da minha m�e.
Com um suspens�rio, faz um ponto aqui...
As armas s�o o �libi. A paix�o do Georges � a costura.
Combina com a sua idade, viu?
-Tem algum problema com minha idade? -Nem um pouco.
Vai fazer o que com seus brinquedos quando estiver num escrit�rio?
Oferecer � sua esposa.
Sabe que n�o tenho uma. Se eu casar, voc� ser� a madrinha.
Ei, Georges! O que � isso?
Para ficar bonito para voc�.
Isso estava na lista? Um secador?
Ei, Camp�re.
-J� esteve na �frica? -Sim, quando me alistei.
E como � l�?
� calor.
N�o, quero dizer, como � Djibouti?
� muito calor.
-Capit�o. -Bom dia.
Acabei de ser informado sobre a situa��o.
Os equipamentos ir�o em seguida, n�o se preocupe.
Veja, o problema � que o avi�o est� lotado.
Como assim?
Os passageiros embarcaram e n�o temos poltronas sobrando.
Escute bem, canalha, se n�o quer suas pernas quebradas,
nos coloque naquele avi�o, entendido?
Capit�o!
Capit�o...
Venho como volunt�ria.
Volunt�ria? Quem � voc�? Porque est� aqui?
Sou a professora deles.
Volunt�ria para as negocia��es.
Fique com os pais na base. J� tenho problemas demais aqui.
Os pais n�o precisam de mim. Mas as crian�as, sim.
Est�o sozinhos. Eu posso ajudar!
Escute, senhorita. Ningu�m se aproxima do �nibus.
Preciso que saia.
Senhorita, preciso que saia.
Senhorita, volte! Droga.
Volte!
Capit�o.
General.
O que � isso?
-A professora das crian�as, General. -Bom trabalho.
Agora estamos com 22 ref�ns.
� a tia Jane! Est� aqui para nos buscar.
Pare agora mesmo!
Volte agora mesmo!
Sou a professora das crian�as.
Eu sou quero v�-los.
Sou americana, n�o francesa.
Voc� � americana?
N�o precisamos de voc� aqui, professora.
As crian�as est�o bem.
Agora volte.
Eles est�o bem, por enquanto, mas em breve n�o estar�o.
Voc� precisar� de ajuda com eles.
Seu motorista partiu.
Eu posso ajudar.
Se os franceses querem salvar as crian�as,
eles ficar�o bem.
Eu os vi planejando.
Eu juro que vai precisar de mim.
Ent�o, me diz, o que est�o fazendo?
Eles trouxeram as For�as Armadas.
Crian�as.
Tudo vai ficar bem. Eu estou aqui, certo?
Ent�o, quem est� com fome?
Quem quer fazer xixi?
Vou ver o que temos para hoje.
-Philip Shafer. -Capit�o Gerval.
-� voc� o conselheiro militar? -Relaxe. Sou s� observador.
-Voc� fala franc�s? -Tr�s servi�os na Indochina.
No Vietn�, quer dizer?
Bom, fala ingl�s?
Eu entendo. Mas falar...
Eu te ensino.
Pierre! Vamos decolar.
Caramba, certeza que estamos na Fran�a?
Parece Nanterre.
Nossa...
Senhor?
Senhor.
Com licen�a. Seu coldre � de verdade?
Quero dizer, � igual ao do Clint Eastwood?
Posso ver?
-Eu tenho um tamb�m. -Por isso escolheram o Georges.
Para nos manter informados sobre a �ltima moda.
Eu pensei que tinha s� um crit�rio para se juntar � unidade.
N�o se preocupem com a minha mira, rapazes.
Obrigado.
Todos n�s fomos escolhidos pelo mesmo motivo.
-A pergunta �: "Por que aceitamos?" -Pelo meu cabelo.
Disseram que n�o preciso cortar.
A juventude � bela.
E voc�, por qu�?
Eu n�o tinha escolha. Eles iam me expulsar.
Est� vendo o Georges?
Ele quis explodir um tanque usando um carro de controle remoto.
-Foi um erro de nada. -"De nada"?
Voc� explodiu o departamento de muni��o de Hy�res!
S� metade do departamento.
Colocou uma granada embaixo de um tanque, Georges!
Tudo bem, me d� um tempo!
Por que voc� aceitou, Tenente?
N�s estudamos juntos em Chaumont.
Cuidado, menino, o tenente se alistou por acreditar.
E o Larrain?
Porque ele � o melhor.
Bernardo?
Bernardo, o que aconteceu?
Deixe-me ver.
Eu n�o fiz nada.
-Perguntei se ir�amos para a escola. -Tudo bem, Bernardo.
Certo. Precisamos cuidar disso.
-N�o se preocupe, vou cuidar disso. -Tudo bem.
-Voc� est� com frio? -N�o, estou bem.
-Tente descansar. -Certo.
Vai ficar tudo bem, certo?
O que voc� quer, professora?
Voc� bateu nele?
Ele est� ferido.
Precisa de medicamento ou ficar� infectado.
-Deixe-o ir. -Se Deus quiser, ele vai ficar bem.
Mas ele n�o est� bem!
Um n�o far� nenhuma diferen�a.
Talvez eu o mate agora.
Mais f�cil.
Bem,
isso irritaria as For�as Armadas ainda mais.
Volte para dentro, professora.
Droga.
Coitadas dessas crian�as.
Ent�o, voc�s s�o da cavalaria?
Me prometeram a elite da For�a Militar.
Acho que n�o � o caso.
Qual de voc�s � o Capit�o Gerval?
Sou eu, General.
Firmin, mostre o alojamento.
Seu pai � o Coronel Gerval da 11� Tropa de Choque?
-Como ele est�? -Morreu ano passado.
Ent�o, voc� � o caub�i da CIA.
N�o se surpreenda, rapaz. Voc� n�o parece um diplomata.
Venham comigo.
Ele tem raz�o.
Quem s�o os palha�os?
-Eu tenho que ir. -Por qu�? Entediado j�?
Reconhecimento.
Preciso encontrar um bom lugar.
Acalme-se, n�o vai conseguir ver nada agora.
Se as coisas esquentarem, precisaremos de homens em posi��o.
Melhor prevenir.
De qualquer forma, n�o temos ordens de Paris.
As crian�as est�o dormindo. N�o vai acontecer nada.
Bem...
-Me conte sobre os terroristas. -Rahmani.
N�s temos quatro indiv�duos fortemente armados.
S�o de um grupo rebelde. Pedem que Djibouti retorne � Som�lia.
-Sem ultimato? -Uma mensagem.
Amanh�, ao anoitecer, executar�o as crian�as.
-Temos movimento. -Mas que diabos?
Aonde esse idiota est� indo?
Shafer, voc� sabia que a Som�lia os deixam ir e vir?
Claro que sei. Lutam pela mesma causa.
Liguem para Paris!
Gerval,
fa�a seu reconhecimento, mas mantenha dist�ncia.
Claro.
Rahmani, v� com ele.
Pode me emprestar?
Cuidado, eu gosto da minha...
Jaqueta.
Voc� viu que meu visor �ptico oscila?
� mesmo?
-Droga, est� condensado. -Pode resolver isso?
Um minuto.
Sabia que serviria.
Nosso equipamento pode lidar com esse calor?
O equipamento n�o � o problema.
N�s seremos o problema.
Por que isso n�o funciona?
Pierre?
O que acha, de verdade?
Demais.
Qual o tamanho das facas deles?
-20cm? -22.
Baionetas padr�o.
N�o s�o equipamentos com tiro de precis�o.
S�o as For�as Armadas, n�o?
N�o � definitivamente o mesmo neg�cio.
S�o um bando de choronas.
Ele � estranho mesmo.
Conhecem o jogo do martelo?
S�o dois jogadores.
Cada um pega um prego e martela um pouco numa mesa.
Voc� amarra um pano na testa.
Um por vez, o primeiro a pregar, ganha.
-Com a testa? -N�o, com o nariz...
Claro que � com a testa.
� o passatempo favorito dele.
-Cad� o Jean-Luc? -Fazendo amigos.
Larrain!
Lorca, pegue seu fuzil. Voc� vem conosco.
Vou fazer o reconhecimento.
Posicionem-se nos telhados. Nos d� cobertura.
Quantos anos tinha na �ltima vez que pegou um �nibus desses?
Eu acho que uns 12, no m�ximo.
Mas voc� n�o se importa, n�o �?
N�o parece do tipo que tem filhos.
Sabe como as pessoas te chamam?
"A M�quina".
Eu sei que � o melhor, mas...
-Fa�a um esfor�o. -Voc� n�o sabe de nada, Lorca.
Tudo que voc� faz � falar demais.
Voc� � um bom atirador, mas seria melhor se ficasse calado.
� exatamente o que eu disse. Voc� n�o d� a m�nima.
Voc� n�o se importa com essas crian�as.
N�o � nosso trabalho.
"N�o � nosso trabalho"?
Deixe que os psiquiatras e os pol�ticos cuidem das v�timas.
Mas somente se voc� fizer bem seu trabalho.
Atinja seu alvo.
Esse � seu problema. Nada mais.
Eu tenho tr�s filhos.
Se contar para algu�m, eu te mato.
Droga.
N�o temos onde esconder.
Estamos muito perto!
Gerval! Gerval!
Droga.
O que ele est� fazendo?
Ele est� tentando acabar com isso agora?
Morad, tudo certo.
Eles v�o nos ajudar.
Quer segurar minha saia?
S� vou do outro lado do �nibus, est� bem?
Posso ter um pouco de privacidade?
-Senhora? Senhora? -Sim. N�o!
Era uma cobra!
Estou bem.
Estou indo.
Odeio cobras.
Droga.
Parece que temos companhia.
Isso!
Quem acendeu as luzes?
Apague isso agora!
-Quem s�o voc�s? -For�a Militar!
De Paris.
Os atiradores da capital.
Sabemos que t�m medo do escuro.
Estamos do mesmo lado, pessoal.
Eu acho que n�o. Velhos maricas do seu tipo...
Se acha muito esperto para falar assim.
� mesmo?
N�o! Para tr�s, soldado!
-Cuidado, sou Tenente! -� mesmo?
E onde est� seu uniforme?
Estamos vestidos de civis.
Eu posso ser maricas, mas n�o sou velho.
Parece que o Camp�re n�o gosta das For�as Armadas.
O que aconteceu?
-Falaram da idade dele. -Claro.
-Que diabos foi isso? -Capit�o, cuidado com o tom.
Que diabos foi isso, General?
Diplomacia local.
Se eles acendem as luzes, n�s tamb�m.
Eu poderia ter sido morto.
Obrigado.
Ent�o, como foi seu passeio?
O terreno � plano.
Encontrei um lugar, mas n�o � o ideal.
Onde est� seu amigo?
O hippie da CIA.
Venha comigo.
Firmin, encontre o Shafer, mesmo se estiver no banheiro.
Ent�o, qual o lance de voc�s?
-Tiro simult�neo. -O qu�?
Cinco fuzis sincronizados. Um tiro s�.
Todos caem ao mesmo tempo, sem retalia��o.
-Bravo. -Isso � mesmo poss�vel?
Quando somos bem treinados, sim.
Voc�s j� tentaram fora de treinamento?
-Afirmativo, General. -E?
-Durante uma miss�o. -Funcionou?
-N�o perfeitamente. -Bem.
Isso me acalma.
O que voc� acha?
Gostaria de ver isso.
E se os somalis atacarem?
Precisaremos de sua ajuda.
Com as crian�as no meio, seria um massacre.
Tem uma ideia melhor, General?
Pode nos dar um minuto, Shafer?
Voc� acredita nessa sua besteira?
Com certeza.
� por isso que minha unidade foi criada.
Para intervir sem resultar em mortes.
Do nosso lado, pelo menos.
Por que est� aqui na Som�lia, professora?
� uma longa hist�ria e n�o divido com estranhos.
Voc� gosta dos franceses.
N�o me importo com os franceses.
Me importo com as crian�as.
Crian�as brancas.
De qualquer cor.
Sabe,
aqui n�o � lugar para uma garota legal como voc�.
Deveria encontrar um bom marido e ter filhos.
Talvez eu tenha um bom marido,
talvez eu tenha um filho ou v�rios.
Talvez tenham morrido em um acidente de avi�o.
Ou talvez eles estejam em casa, me esperando.
Talvez eu seja algu�m que goste de viver em lugares como esse.
Ou talvez tudo isso seja mentira.
Hoje,
minha vida � com essas crian�as aqui.
E farei tudo para proteg�-las.
Eu era professor tamb�m.
Muito tempo atr�s.
E eu me importo com as crian�as tamb�m.
As crian�as do meu pa�s.
Para que possam ser livres um dia.
Quer um pouco de khat?
Est� desperdi�ando nosso tempo.
� melhor mat�-la agora.
Morad...
Sempre com pressa.
Vamos nos livrar dela quando evacuarmos os ref�ns na Som�lia.
Pode tomar conta dela, se isso � t�o importante para voc�.
Estou avisando, est� desperdi�ando nosso tempo.
J� atirou para matar?
Achava que fan�ticos e ref�ns valiam a mesma coisa.
"Se alistar pela vida", n�o era isso nosso lema?
N�o estamos aqui para saber quem est� certo ou errado.
Eles sequestraram crian�as.
Ent�o, n�o se questione.
N�o respondeu minha pergunta.
Duas vezes.
Matei dois homens.
Isso ainda me tira o sono.
N�o todas as noites, mas...
� isso.
Voc� pode aceitar ou ir embora.
Ou fa�a como o Larrain.
Pense que s�o apenas alvos.
Mas voc� se tornaria um grande canalha.
Pierre, por favor.
Certo, rapazes.
Faremos assim:
come�aremos �s 5h em ponto.
O terreno...
Franceses, somalis e o �nibus.
Essa ser� nossa posi��o de tiro.
Posi��es:
Cazeneuve, Larrain, Camp�re, Lorca e eu.
�NIBUS
FRONTEIRA SOMALI
POSI��O DE TIRO
FRONTEIRA FRANCESA
Capit�o,
Paris ao telefone.
Por enquanto, aguardem em posi��o.
Ataquem se tiver s� um terrorista no �nibus.
N�o podemos arriscar ferir uma crian�a.
N�o entendo a ordem.
Existem quatro terroristas vigiando os ref�ns.
Pode acontecer de um sair, mas tr�s ao mesmo tempo � dif�cil.
As crian�as podem ser levadas, e nunca mais as veremos de novo.
Eu vou repetir: a diplomacia � a melhor solu��o.
O qu�? Eles est�o bem na nossa frente!
20 crian�as est�o em perigo e est� pensando em diplomacia?
Basta, Gerval.
-Se negociar... -Calma. Posso falar, senhora?
Eu mesmo constatei movimentos suspeitos.
Est�o come�ando a me irritar!
Se eu quisesse discutir, jogaria bridge!
S�o ordens. Sem mais.
Droga.
Est� calor.
Voc� n�o viu nada ainda.
Dev�amos ter trazido o talco.
Para o Lorca?
Em posi��o.
Certo, vamos ver como vai ser.
Larrain, o de laranja � seu.
Camp�re, o de bigode � seu.
Pierre, fique com o Bob Marley.
Lorca, voc� cuida do l�der.
Eu cuido da cobertura.
Come�ando.
Um, pronto.
Dois, pronto.
Tr�s, pronto.
N�o.
De novo.
Um, pronto.
Dois, pronto.
Tr�s, pronto.
Quatro, pronto.
Vespa para Rainha.
Rainha aqui, c�mbio.
Estamos prontos.
Quatro alvos. Pedindo permiss�o para atirar, c�mbio.
A ordem de tiro n�o mudou.
C�mbio, desligo.
-Andr�. -Sim?
O que estamos esperando? Qual � a ordem, exatamente?
� vontade.
Por enquanto, a ordem � s� atirar se houver um alvo no �nibus.
-O qu�? -Est� falando s�rio?
-Por que estamos em cinco? -Eu disse "por enquanto".
Vamos deixar que os diplomatas trabalharem.
Vamos esperar Giscard nos mandar doces?
Esperamos ordens.
Pod�amos ter esperado na piscina do hotel.
Nem me fale.
Em posi��o, rapazes! Come�ando.
Droga.
Est�o entrando e saindo do �nibus o tempo todo.
Interessante.
� exatamente o que o Cazeneuve dizia sobre a sua noiva.
N�o o escute. Ele n�o foi feito para ficar no sol.
Come�ando.
Conversaram sobre minha noiva?
Um, pronto.
Dois, pronto.
N�o.
Essas crian�as precisam parar de se mexer.
De novo.
Rainha para Vespa.
Vespa na escuta.
Est�o levando suprimentos para o �nibus. Podem descansar.
Entendido. C�mbio.
Descansem, rapazes. Larrain, continue observando.
-Capit�o. -Sim?
Nordeste, Capit�o.
Vespa para Rainha.
Na escuta, c�mbio.
Bastante atividade no lado somali.
Pode ser mais preciso?
Pelo menos uma unidade de assalto.
E duas MG42.
Uns 60 oficiais armados � bastante para uma fronteira pequena, n�o?
Paris n�o tem conhecimento de nenhuma atividade suspeita.
Bem, se Paris est� dizendo...
Entendido, c�mbio.
Camp�re...
Desculpe.
-Essa n�o. -O qu�?
� s� o calor.
-Tenho um esf�ncter delicado. -Droga.
Que diabos, Georges.
R�pido!
Poderia soltar algumas crian�as.
Seria mais f�cil.
N�o se preocupe com o que � f�cil para mim.
Ent�o, me diga com quem podemos negociar.
Negociar?
N�o temos nada para negociar.
Foi o que fez na Arg�lia?
Negociar?
Deixe-o levar a crian�a ferida.
Calada, professora!
Tem uma crian�a ferida?
-Solte a menina! -Abaixe a arma.
Solte a menina!
Coloque-a para dentro!
-Abaixe a arma. -N�o me fa�a atirar!
-Abaixe a arma. -Saia!
Capit�o, temos um problema.
Em posi��o.
Imediatamente!
Vespa para Rainha.
-Rainha aqui. -Rahmani est� com uma menina.
Est�o com eles na mira.
N�o me fa�a atirar!
-Acalme-se. -Por favor!
-Por favor! -Abaixe a arma!
Pierre, vejo tr�s.
Eu tamb�m.
Do outro lado. Na frente.
A menina est� no caminho.
-Podem atacar? -Negativo.
Muito arriscado, muito movimento.
-Abaixe a arma, acalme-se. -Por favor!
-Abaixe a arma. -Deixe-os ir!
Mostre caridade.
Calada! N�o o deixe ir, Barkad.
-N�o se preocupe. -Abaixe.
-Eu sei o que fazer. -Abaixe a arma!
O que est�o esperando? Atire ou ele vai morrer!
Cale a boca.
-Camp�re? -Na mira.
-Cazeneuve? -A professora est� muito perto.
S� se estiver limpo.
N�o d� mais um passo.
-Abaixe sua arma. -Crian�as!
Deitem nas poltronas e fechem os olhos, agora!
Cale a boca!
N�o d� mais um passo.
Abaixe a arma.
N�o estou aqui para mostrar caridade, professora.
Andr�?
Andr�, o que faremos?
Abaixem as armas.
-Mataram um oficial... -Abaixem as armas!
N�o � o suficiente, Lorca?
Querem o qu�? Carnificina?
Estamos aqui para salvar as crian�as, n�o para sermos her�is.
Vamos intervir, mas nos nossos termos.
Entendido?
Pod�amos t�-lo salvado.
Tamb�m pod�amos ter perdido os dois, podia ter sido um massacre.
Podia ter sido pior.
N�o quero ser respons�vel pela morte de uma crian�a.
Um oficial n�o significa nada?
Podia ter sido eu ou voc�.
Ele n�o tinha o que fazer. A crian�a foi atr�s dele.
Cale a boca, Lorca.
Ele podia ter colocado a menina junto com os outros.
� o que acontece quando se importa demais.
O menino que voc� feriu.
Est� piorando.
Deixe-me ir pegar rem�dios para ele.
Voc� nunca desiste.
Voc� nem imagina.
Que bom te ver.
Est� tudo pronto?
O �nibus chega em breve.
Evacuaremos ao anoitecer.
� mais seguro dessa forma.
V�.
Deixe-me lev�-lo comigo.
Por favor.
Andr�.
Tem muitos deles.
Parece que sim.
Ei, rapazes.
Uma cerveja iria bem agora.
Georges.
O qu�?
Cale a boca, por favor.
Descansem, rapazes.
Lorca, venha comigo.
Pierre, fique no comando.
Eles n�o est�o fazendo nada.
Cinco atiradores.
-N�o, capit�o. S� cinco. -Escreva para a fam�lia do Rahmani.
Os oficiais podem...
-General, sobre Rahmani... -Esque�a isso, Capit�o.
Voc�s n�o podiam fazer nada, eu estava errado.
Busque �gua e comida para os homens do Capit�o.
Lorca, ajude-o.
Meus homens n�o aguentar�o muito, General.
Precisamos tomar uma decis�o.
-Retirem-se. -Como?
Junte seus homens.
Se Paris tivesse ordens, j� ter�amos feito.
Sampieri foi clara. Um terrorista no �nibus.
Eu n�o entendo.
Voc�s s� est�o aqui para manter o americano quieto, e ele n�o � burro.
Enquanto encontramos algu�m para pagar por isso.
Mas aqueles caras n�o querem dinheiro.
Querem o pa�s deles.
Ningu�m est� � venda.
Viram o que fizeram com o Rahmani?
As crian�as s�o as pr�ximas, voc�s sabem disso.
-Quanto tempo mais v�o aguentar? -Tr�s ou quatro horas, n�o mais.
Muito bem.
Quando atirarmos,
n�o v�o reagir, n�o saber�o o que os atingiu.
As crian�as podem vir a p�. N�s as cobriremos.
-Esse � seu plano? -Sim.
Bom, se Paris for vitoriosa,
eu quero estar na lista.
Falta um atirador.
-O que foi? -"Tr�s servi�os no Vietn�".
Voc� sabe atirar?
Oficialmente...
Oficialmente, eu nem estou aqui.
� muito f�cil.
Quer que eu fa�a isso? Suje as suas m�os tamb�m.
Ningu�m vai saber.
-Eu preciso de algu�m no �nibus. -Como assim?
-Se a professora... -Voc� quer conversar?
Depois que mataram o oficial, est�o esperando as For�as Armadas.
Acho que querem acalmar os �nimos.
-Tome. -Obrigada.
-Melhor? -Sim, obrigada.
Al�m dos rifles, voc� viu outras armas?
Sim, o chefe tem uma pistola.
Certo. E explosivos?
Eles t�m uma ou duas granadas cada um.
Est�o cansados, quase sem khat, e come�ando a ficar agressivos.
Eles aguardam o anoitecer para levar as crian�as para a Som�lia.
Certo, vou ligar para Paris.
Temos que agir r�pido. As crian�as n�o aguentar�o muito.
Ali�s, quem diabos s�o voc�s?
Estamos aqui para ajudar voc�s.
Voc� vai sair com todas as crian�as, de dois em dois.
O qu�?
Evacuar as crian�as de dois em dois?
Sim.
Os franceses, normalmente, s�o arrogantes e n�o suicidas.
Temos duas unidades das For�as Armadas. Ser� o suficiente.
Mas precisamos que as crian�as permane�am calmas.
N�o podem entrar em nosso campo de vis�o.
Elas t�m entre seis e doze anos, Capit�o.
Est� calor, e est�o como ref�ns h� mais de 24 horas.
Eu n�o posso fazer milagres.
Se estiverem drogados, talvez.
Isso pode ser feito.
Senhorita.
Venha.
Precisamos de son�fero. Bastante son�fero.
Voltaremos � posi��o, General. Nos comunicamos por r�dio.
Obrigada.
Estou com fome.
Estou com sede.
Georges...
Uma de minhas vizinhas foi para uma casa de repouso.
O lugar � legal. Quer conhecer?
Pare com isso.
Por que eu sairia da casa da minha m�e?
Estou bem l�.
Minhas coisas est�o l�, n�o pago aluguel.
E ela � �tima.
Se eu sair, o que ela vai fazer?
E o que eu vou fazer?
Tenente, venha olhar isso.
Nordeste, no jipe ao fundo.
Que diabos � isso?
Professora, voc� voltou!
Bom para voc�.
Eu digo o que fa�o, e fa�o o que digo.
Tudo bem, cada um pega uma garrafa.
Est� muito, muito calor.
E quando est� quente, precisa beber muita �gua.
Nunca comi sardinhas t�o boas quanto essas.
Sardinha?
Um "obrigado" seria bom.
Ou um sorriso. Algo assim.
Aqui.
No jipe.
Droga.
Faz meia hora que os observo.
Ele n�o est� no comando, mas d� muitas ordens.
Shafer.
V� comer alguma coisa.
Diga aos outros para ficarem prontos.
No jipe, nordeste.
Droga.
Voc� o conhece?
-Paris sabe? -N�o, n�o tinham certeza.
Quem s�o? GRU? KGB?
KGB, provavelmente.
N�o faria isso se eu fosse voc�.
Se ligar para Paris, ter� uma ordem de retirada.
Andr�...
Eu sei atirar, mas...
Esse neg�cio simult�neo...
N�o sou treinado para isso.
-� simples. -�?
Contamos at� tr�s.
Como?
Cada atirador tem seu n�mero.
Voc� ser� o cinco.
Voc� escolhe um alvo. Se est� limpo, diz: "Cinco, pronto".
Eu sou o �ltimo.
Se meu alvo est� limpo, digo: "Zero".
Contamos at� tr�s nas nossas cabe�as
e atiramos.
� isso? Voc�s contam at� tr�s?
� isso.
Porque "zero" e n�o "fogo"?
"Fogo" � muito estressante.
Rapazes, em posi��o.
Shafer, � minha esquerda.
Larrain, voc� cuida do gigante.
Shafer, voc� cuida do de laranja.
Preparem-se.
Comecem.
Um, pronto.
Dois, pronto.
Tr�s, pronto.
N�o...
N�o.
De novo.
Um, pronto.
Papai?
Vespa para Rainha.
Na escuta, c�mbio.
Est�o se preparando para evacuar as crian�as.
Um deles saiu do �nibus. Precisamos agir.
Negativo, Vespa. Somente um terrorista no �nibus.
Vou ser claro, General.
Est� anoitecendo, estamos cansados.
Se levarem as crian�as, nunca mais as veremos.
-Entende? -Negativo, Vespa.
Os somalis foram claros,
qualquer tentativa ser� um ato de guerra.
Descansar.
Larrain.
Certo.
N�o temos ordens do Pal�cio do Eliseu. As crian�as ser�o evacuadas em breve.
Ou desistimos agora
e vamos para casa,
ou salvamos essas crian�as.
Voc�s v�o arriscar?
A pergunta � simples.
Ent�o, o que voc� quer fazer, Capit�o?
Camp�re, voc�s decidem.
Entendam que, sem ordens,
o risco � grande.
Para todos.
-Vespa para Rainha. -Rainha na escuta.
Fiquem prontos. Coloquem suas unidades em alerta.
O que ele disse?
Que podemos seguir.
Ele n�o vai agir sem ordens. Acha que ele vai?
Come�ando.
Um, pronto.
Dois, pronto.
Tr�s, pronto.
Quatro...
Pronto.
Cinco...
Pronto.
Zero.
Andr�, o que fazemos?
Esperamos. Eles n�o sabem onde estamos.
S� ouviram tiros, nada mais.
Acordem. Acordem!
Acordem, vamos.
Vamos, acordem!
Vamos, acordem. Acordem, agora!
Acordem!
-O que aconteceu? O que voc� fez? -Por favor!
Eu imploro!
Vamos, acordem! R�pido!
Acordem, r�pido!
Droga!
Abaixem!
Abaixem!
Acho que sabem onde estamos agora!
Capit�o! O que as For�as Armadas est�o esperando? N�s morrermos?
N�o! Que mostremos como se faz!
Larrain! S� atire nos que est�o com armas!
Carregar!
Carregar!
Capit�o!
Capit�o! Temos que ir!
Georges! Pierre! Sigam-no! Damos cobertura!
Shafer, v�!
J� volto!
Escute, sei bem que nossos diplomatas
t�m promessa de neutralidade, mas eu estou aqui.
E garanto que, se n�o tomarem uma decis�o r�pida,
n�o sobrar� crian�as ou oficiais vivos.
Sim, eu aguardo.
Largue a arma!
-Est� sozinho? -N�o.
-Est�o em tr�s? -Vai dar tudo certo.
Louise, Louise!
Aqui embaixo, r�pido!
Escondam-se nos fundos! Abaixe!
No ch�o, no ch�o!
Carregar!
Georges! Est� bem?
-Levei um tiro no p�! -No p�?
Mas como conseguiu levar um tiro no p�?
Eu n�o sei, babaca!
Granada!
-N�o vejo nada! -Eles tamb�m n�o!
A cavalaria!
Droga!
Vamos!
Vamos, vamos!
Abaixados, com calma.
-Fiquem abaixados. -R�pido, r�pido!
-Vamos! -Vamos, vamos!
Vamos. R�pido, vamos.
Vamos.
Vamos l�!
Protejam as crian�as! Entrem!
Entrem!
Podem ir! Vamos!
Louise!
Louise!
Louise?
Vai ficar tudo bem.
Tudo bem.
Vai ficar tudo bem.
Senhores, honestamente, foi um sucesso.
Um sucesso?
Voc� est� brincando?
Chama isso de sucesso?
� o que que dir� aos pais dela?
E os inimigos?
Voc� os viu?
Acha que somos carniceiros?
Onde estavam, General?
Esper�vamos ordens.
Imagine o que teria acontecido se come��ssemos a atirar.
N�o seria uma menina que colocar�amos em um caix�o.
Seriam todos da classe.
OS REF�NS E SUAS FAM�LIAS NUNCA FORAM
OFICIALMENTE RECONHECIDOS COMO "V�TIMAS DE TERRORISMO"
E AT� HOJE CONVIVEM COM OS TRAUMAS
CAUSADOS POR ESSES ACONTECIMENTOS.
Obrigada, Capit�o.
TR�S MESES DEPOIS, A UNIDADE RECEBEU O NOME DE GIGN.
NOS �LTIMOS 40 ANOS, LIBERTARAM MAIS DE 600 REF�NS
E PERDERAM 11 INTEGRANTES CUMPRINDO SEU DEVER.
Obrigada.
Muito obrigada.
Obrigada.
Esse anel � feio.
Mas voc� ser� um bom marido.
UM ANO DEPOIS, DJIBOUTI TORNOU-SE ESTADO INDEPENDENTE.
HIST�RIA BASEADA EM FATOS REAIS
OS FATOS PODEM TER SIDO ALTERADOS PARA PROP�SITOS FICT�CIOS.
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