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Original subtitles

Esta série aborda temas que podem ferir suscetibilidades.

Aconselha-se discrição.

Este problema físico existe

desde que Isaac Newton propôs o conceito de gravidade.

Mas vocês já sabiam isso.

Graças às suas leis,

a física pode prever as posições e as velocidades

de dois corpos que se submetem a uma atração mútua.

Mas alguém sabe o que acontece

se juntarmos a este sistema estável um terceiro corpo?

Os três corpos irão coexistir de forma estável

até que dois deles acabem por colidir

ou um deles acabe por ser expulso do sistema,

ficando outra vez apenas dois corpos,

que é o número exato de neurónios que vocês todos juntos parecem ter.

Contudo, foi preciso esperar pela teoria quântica da gravitação

para o problema ter a atenção que merece.

Talvez não saibam,

mas temos dez vezes mais bactérias no nosso organismo do que células.

Devemos respeitar o inimigo.

Estamos perante o autor mais importante da história da língua inglesa,

mas poderíamos perguntar-nos a razão pela sua influência posterior.

Alguma ideia?

Poderá dever-se à originalidade da sua obra?

Isso é uma pergunta?

É a minha opinião.

É importante ter uma opinião,

mas ainda mais importante é saber ficar calado para não parecer ridículo.

Teria aceitado que mencionasse, por exemplo,

o jogo linguístico das suas personagens mas a originalidade?

A originalidade desta obra,

senhoras e senhores, deve-se a Luigi da Porto, não a Shakespeare.

Terminamos por aqui.

Caso tenham perguntas, podem contactar a minha secretária.

Não temos o contacto dela.

A sua capacidade de dedução é igual à qualidade das suas opiniões.

Muito obrigado.

- Professor. - Chegaram cedo.

Faça o favor.

- Sr. Ministro. - Professor Graf.

Desculpe a invasão.

O ministério não vê com bons olhos consultas externas.

Não devia ter vergonha de pedir conselhos a alguém mais inteligente.

Podem deixar-nos, por favor?

Como sabe, em setembro teremos uma cimeira

com ministros dos NE da OTAN.

E precisa de um plano para conseguir o que quer

sem ofender os nossos vizinhos mais poderosos.

Exato. Sentamo-nos?

- Vou pô-lo a par. - Já estou a par.

Leu 42 páginas em menos de cinco minutos?

Se quer manter uma postura diferente

da maioria dos Estados-membros em relação ao turismo,

deve pressioná-los com a imigração.

Sugiro que jogue as mesmas cartas que alguns dos nossos países vizinhos.

Explique aos nossos parceiros do Norte

que sofremos uma pressão migratória muito superior à deles.

E que isso devia ser recompensado noutras políticas.

Como, por exemplo, o turismo.

EPISÓDIO SETE NORMAN

Entre.

Boa tarde.

Com licença.

O seu pai era físico, químico e matemático,

tinha conhecimentos de astronomia,

mas também era economista e perito em geopolítica.

O seu pai

era uma pessoa genial.

"Genial" é um eufemismo para o que o meu pai era.

Como o definiria?

A definição exata seria "sobredotado intelectual profundo".

Só acontece com 0,001 % da população.

E a sua mãe?

A minha mãe?

Maternidade de substituição. Alimentou-me durante nove meses.

Conhecemo-nos quando me deu à luz, mas não a voltei a ver.

Lembro-me vagamente.

Lembra-se do dia em que nasceu?

Vagamente.

Como lhe disse.

O meu pai estava muito ciente da sua excecionalidade

e tentar perpetuar os seus genes era bastante lógico.

Ele nunca pensou em casar-se?

O casamento implicava uma interação emocional

que o meu pai não só considerava inútil

como poderia ser contraproducente tendo em conta o seu objetivo.

Qual era o objetivo?

Que os seus filhos fossem como ele.

Pode explicar-me isto?

Não me lembro disso.

Não se lembra de ter estado atrás da porta com um martelo na mão?

De certeza que o relatório indica que sofro de perdas de memória.

O que é muito conveniente, dadas as circunstâncias.

Se perdesse a consciência e despertasse noutro sítio sem saber como chegara,

não o consideraria conveniente, garanto-lhe.

O senhor sofre de insónias e longos períodos de depressão.

Como pode viver uma vida normal?

Eu não vivo uma vida normal.

Pois, claro, conta com a sua irmã.

Desculpe?

A sua irmã ajuda-o com tudo, não é?

E o senhor sente-se...

"Sente-se culpado, dada a sua condição, por ela não ter uma vida própria."

Admito que sempre dependi muito da Lily.

Foi por isso que recorreu ao doutor?

Não foi uma decisão minha.

Isso é o que o senhor considera uma resposta exata.

Conte-me com exatidão o que o doutor o fez recordar.

Um trauma converte uma mente lúcida num labirinto.

É para isso que estou aqui, para o guiar até à saída.

Leve-me à entrada do labirinto.

Três.

Dois.

Um.

Já lá está.

Queres ficar com as articulações atrofiadas?

Estou doente.

Tosse seca, dor de cabeça forte, febre de 39,1 ºC.

Não é uma febre preocupante.

Levanta-te. Temos de rever a matéria.

O seu pai educava-vos em casa.

É legal se o tutor for considerado qualificado

e o meu pai era, pelo menos em termos intelectuais.

O que estudaste hoje?

História. Os Visigodos.

Reis entre Alarico I e Alarico II.

Ataulfo.

Sigerico.

Vália.

Teodorico.

Turismundo.

Teodorico II.

Teodorico II.

E o violino?

Não era para tocar hoje.

A vida está cheia de coisas que não eram para ser, Norman.

Imagino que, ao menos, tenhas feito exercício físico.

Estava a sentir-me mal.

Suar vai fazer-te bem.

Estás a olhar para onde?

Para nada.

Abdominais, 50 repetições.

Poema "Distinto", de Juan Ramón Jiménez.

Tenho muita febre.

A febre não apaga a memória.

"Os seus iguais queriam matá-lo

Porque era diferente

Se vires um pássaro diferente Atira-o"

"Se vires um monte diferente Deita-o abaixo

Se vires um caminho diferente Corta-o"

"Se vires uma rosa diferente

Desfolha-a"

"Se vires um rio diferente Bloqueia-o

Se vires um homem diferente"

"Mata-o"

"Mata-o"

"Os seus iguais queriam matá-la Porque era diferente"

De certeza que conhece a lenda

de como o pai de Paco de Lucía conseguiu que se tornasse

no melhor guitarrista de flamenco de sempre.

Fechava-o no quarto durante oito horas a tocar guitarra.

O meu pai considerava esse método educativo uma boa base,

mas os resultados eram insuficientes na opinião dele.

Isso não é educação, é maus-tratos.

Continua a avaliar a situação com o código moral das pessoas comuns.

Mas o meu pai não era comum.

O que pretendia o seu pai com tudo isso?

Perpetuar-se.

Sermos como ele.

Monstros de Frankenstein à sua imagem e semelhança.

Mas, para isso, a genética não era suficiente.

Sabe a origem da palavra "aluno"?

Elucide-me.

A etimologia popular diz que provém da palavra latina "alumnus",

mas não é verdade.

Na verdade, é um composto

do prefixo grego "a" e "lumen", que significa "luz".

Assim, o aluno é aquele que não tem luz, que não está iluminado.

Digo isto para que o tenente perceba que para o meu pai...

aquilo não era maltratar.

Ele só segurava a lanterna.

Nenhuma criança devia passar por isso.

Não.

Ao menos eu tinha a Lily.

Trouxe-te uma coisa.

O pai disse para ficar a líquidos.

O sumo de maçã não cura tudo.

Mas isto é o teu jantar.

Chega e sobra para os dois.

Olha. Vês?

O que lhe parece tão engraçado?

Algo que ao senhor não vai parecer.

Diga-me.

O método do meu pai acabou por dar frutos.

No final desse ano, com apenas 14 anos,

entrámos em 15 das melhores universidades do mundo,

incluindo Harvard, Oxford, Stanford e MIT.

Mas, para o seu pai, não era suficiente.

Nesse mesmo ano, iam dar um concerto em setembro

durante a cimeira da União Europeia.

Já andávamos há algum tempo a preparar o "Capricho 24" de Niccolò Paganini,

uma das peças mais complexas compostas para o violino.

A partir daí, começou a girar tudo à volta da atuação.

O meu pai estava disposto a fazer todos os possíveis para que fosse perfeito.

Em pouco tempo, Lily já tocava de forma perfeita, mas eu não.

Em que variação estamos, Norman?

Na segunda.

Na segunda.

Tens a certeza?

Sim.

Não é no tema nem na primeira, é na segunda.

Então podes explicar-me porque não estás a ligar as notas?

Sabes o que isso significa, Norman?

Que as notas devem ser tocadas numa única arcada.

Boa.

Por momentos, pensei que nem sabias

como se chama o instrumento que tens na mão.

Olha para mim.

Desde o início.

Estamos nisto há quatro horas, não podemos parar?

Para o quarto.

Para o quarto, Norman!

Para o meu pai, era mais importante a posição da minha mão esquerda

do que mediar governos com problemas diplomáticos.

Porquê?

Porque o concerto implicava uma exposição absoluta.

O meu pai ia mostrar ao mundo

que a experiência que estava a realizar com a nossa educação funcionava.

O fracasso não era opção.

Se eu falhasse, ele falhava.

E ele nunca falhava.

Que fez ele para não falhar?

Os pais sabem aterrorizar os filhos como ninguém.

Não. Por favor.

Por favor, não faças isso.

Não.

Por favor, pai!

Não faças isto!

Os erros têm consequências.

Ele tinha-me fechado várias vezes no quarto,

mas nunca me tinha apagado a luz.

Pai!

Vou ensaiar mais, prometo!

Pai...

Pai!

Tinha medo do escuro.

As crianças é que têm medo do escuro, Sr. Tenente.

O que eu tinha

era outra coisa.

O que tem?

Ele tem nictofobia.

É fobia à noite e à escuridão.

Provoca ansiedade e sintomas neurodegenerativos.

E também dificuldade a respirar,

tonturas e transpiração.

- Não pode fazer nada? - Não.

Tal como vocês, tem de enfrentar os seus medos

para concluir a sua rutura.

Naquela primeira vez, deixou-me às escuras durante duas horas.

Duas horas que passei convencido

de que a escuridão me levaria para sempre.

Admito que o medo de me deixar às escuras

fez com que nos ensaios seguintes cometesse menos erros.

Ainda assim, estava muito longe

da excelência que o meu pai esperava de mim.

Não.

Mudança de tempo e vibrato nas oitavas. Desde o início.

Não.

Pianoforte. Desde o início.

A metodologia de correção dele foi ficando mais extrema.

Já não se conformava em deixar-me às escuras.

Chega!

Começo a ficar com medo.

Oiça-me.

Chega!

Quem pode desligar?

Não!

Não! Quero que pare! Desliga-a!

Quem pode desligar?

- Quero que pare! - Quem pode desligar?

O meu pai tinha saído de casa

sabendo que eu não me atreveria a desligar a música.

Esse nível de castigo não pode ser prolongado durante muito tempo.

347.

Foi esse o número de vezes seguidas que ouvi a peça.

Nem um adulto conseguiria aguentar tanta pressão.

Tem razão.

Acabei por ficar doente,

mas, dessa vez, nem sequer o medo que tinha do meu pai

foi suficiente para me tirar da cama.

O que é isso?

Efedrina.

Provoca a libertação de serotonina e dopamina

além de estimular os recetores adrenérgicos alfa e beta.

Larga-me.

É pelo teu bem. Não queres desperdiçar outro dia.

Ainda há muito por ensaiar.

Efedrina.

Não era o que davam ao Elvis quando não conseguia cantar?

As referências do meu pai eram sempre os melhores dos melhores.

Conte-me o que aconteceu quando o doutor o fez recordar o dia do concerto.

- Quero sair daqui. - Não.

Estamos no meio do labirinto, não fique para trás agora.

Deixe-me continuar a guiá-lo.

Concentre-se em algo bom.

Diga-me.

O que vê? O que está a ver?

A Lily vestiu-me de forma elegante.

O meu pai está nervoso. Nunca o tinha visto assim.

Quer que façamos um último ensaio.

Está a correr bem.

Sr. Professor.

Sr. Ministro. O que faz aqui?

Queria apenas desejar-lhe boa sorte antes da grande noite.

Espero não ter vindo em má altura.

Bem, estamos a meio de um ensaio importante.

Lamento. Vou roubar-lhe só dois minutos do seu tempo.

Veja isto, por favor.

Quer a minha opinião em relação aos novos membros da UE?

Quero que dê a sua opinião a todos, depois do concerto.

O que me diz?

Refere-se aos ministros dos negócios estrangeiros?

Se quiser fazer mais do que dar aulas, esta é a sua oportunidade.

Tem de ser mesmo esta noite?

- Este concerto é muito importante. - Eu sei. Lamento.

Mas pense nisso. Uma ocasião destas não se irá repetir.

Se quer fazer algo importante pelo seu país,

deixar a sua marca na história, tem de ser agora.

Vou pensar nisso. Com licença.

Ora bem. Vamos começar desde o início.

Sabes o que é um ré sustenido, Norman?

É uma nota da escala...

Não!

Um ré sustenido é o que separa uma correção básica da vergonha total.

É isso que queres, Norman? Queres ridicularizar-me?

Desde o início.

Que estás a fazer?

Desde o início.

- É aquela música... - Continue a tocar. Continue!

A música...

- Quero sair daqui. - Chega!

- Vamos. - É...

Toque uma última vez.

Desde o início.

Chega!

Por favor, faça alguma coisa.

- Alguém vai fazer. Calma. - Não, pai!

Desde o início.

Desde o início!

Deixa-o em paz!

Chega!

Não fuja. Olhe.

Olhe!

Norman.

Norman, anda.

Olhe para a saída do labirinto.

Obrigado por me acompanhares.

Aviso-te quando estiver instalado.

Leve-a para o hotel, por favor.

O pai disse para ficar a líquidos.

O sumo de maçã não cura tudo.

Não. Pianoforte. Desde o início.

NORMAN GRAF: RAPAZ PRODÍGIO ESPANTA O MUNDO

Não...

Não...

Não...

Não...

Olá,

Lily.

Sabia que, no relatório, a Dra. Marlow já suspeitava da sua... condição?

A minha grande anagnórise.

Sabia que eu tinha estes dados.

Porque falou este tempo todo da sua irmã como se fosse outra pessoa?

Pediu-me para lhe contar com exatidão o que recordei durante a cerimónia.

Olhe, como é que conseguiu gerir a condenação pela morte do seu pai?

Naquela altura, estava convencido

de que estava a assumir a culpa do que tinha acontecido para proteger a Lily.

É irónico, não é?

E depois a Lily

apareceu na cerimónia.

Uma entrada em cena digna de Sarah Bernhardt.

Boa noite a todos.

Boa noite, doutor.

Estava desejoso de a conhecer.

Ele tem dupla personalidade?

Transtorno dissociativo de identidade.

Então ele... ou ela...

é uma assassina?

Homicida.

Segundo o Tribunal de Menores n.º 3.

E agradecia que quem não tem nada de interessante para contribuir

se abstivesse de falar pois os disparates dão-me enxaquecas.

Como está o teu irmão, Lily?

Está a assimilar.

Causou-lhe um choque interessante.

Precisava de falar contigo para concluir o processo de rutura e renascimento.

O do Norman.

De ambos.

Protegeste o teu irmão a tua vida toda.

Mas, para o Norman dar este passo,

tens de o dar com ele.

Sei que adoras o teu irmão.

Faz parte de mim.

Há quanto tempo é que ele quer ser menos dependente

e ter uma vida própria?

Lily, tens a certeza de que o Norman ainda precisa de ti?

Diga-me o doutor.

O Norman ainda precisa de mim?

Então e o que eu preciso? E o que eu quero?

Então e eu?

Não tenho sonhos, nem vida, nem corpo. Eu vivo...

confinada.

Lily, muitos doentes coexistem com os seus alter egos.

Ou assimilam-nos, ficando apenas uma personalidade.

É disso que tens medo, Lily?

Que o Norman

não queira coexistir contigo?

O Norman estará sempre comigo.

E não tenho medo, doutor.

Não te parece que chegou o momento

de o libertar?

Tinha medo de que, se assimilasse a personalidade dela,

a minha irmã desaparecesse para sempre.

Para a sua irmã...

era uma questão de vida ou morte.

O motivo perfeito para acabar com o doutor.

Lamento tirar-lhe o seu suspeito principal, Sr. Tenente,

mas a Lily já não está entre nós.

Espere aqui.

Já o virão buscar.

Os resultados toxicológicos.

É uma questão interna.

Tradução: Susana Loureiro

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