Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
BOSTON, EUA 6 DE JANEIRO DE 2002
Esc�ndalos de pedofilia abalaram o Vaticano
por quase 20 anos.
Nos Estados Unidos, o jornal The Boston Globe
revelou a participa��o de padres
em repetidos abusos infantis.
ABUSOS DOS PADRES POR ANOS
Em Massachusetts, o padre destitu�do John Geoghan
foi condenado de nove a dez anos de pris�o
por molestar um garoto h� dez anos.
Em retrospecto, n�s cometemos e eu cometi erros.
A s�rie Globe gerou cobertura em muitas outras reda��es.
Havia mais e mais informa��es saindo
em outras partes do pa�s, outras partes do mundo.
Era uma realidade que n�o podia mais ser escondida,
porque o The Boston Globe tocou nesse assunto
e desencadeou uma avalanche.
Em algum momento, algu�m sugeriu por que os rep�rteres mexicanos
estavam fazendo essas investiga��es sem se perguntarem antes
se n�o havia, no M�xico, algo t�o ruim ou pior.
Eu sabia que Maciel era doente mental, uma pessoa emocionalmente doente,
um psicopata.
Mas, por outro lado, tamb�m percebi que ele era mau.
COMILLAS, ESPANHA
A desgra�a e a tortura moral da minha vida
come�ou naquela noite, em dezembro de 1949.
Eu nunca havia entrado no quarto dele, nunca o tinha visto deitado.
Ele come�ou a tocar minha perna,
e disse: "Quero massagem na barriga, porque estou com muita dor."
Ele guia minha m�ozinha de 12 anos com sua m�o,
dizendo: "Mais baixo, mais baixo..."
At� eu sentir minha m�o tocando sua ere��o.
Ele disse:
"Agora fa�a assim, vou te dizer como."
Ele enfiou a m�o na minha cal�a e tocou minha genit�lia.
Naquele momento, perdi o controle de mim mesmo.
Eu me senti completamente em choque,
petrificado.
Eu n�o conseguia me mexer.
Ele disse: "Eu vou te ensinar."
Sa� de l� como um son�mbulo.
Deitei na minha cama.
Eu estava completamente fora de mim.
Eu n�o sabia o que tinha acontecido,
mas podia sentir que havia feito algo ruim para mim.
Acho que n�o dormi naquela noite.
Na manh� seguinte, desci para me lavar e me vestir,
e fomos para a capela.
Mas eu n�o pude comungar, fui direto ao quarto do Maciel.
E o encontrei em sua mesa.
Eu disse: "N�o posso comungar
pelo que fez comigo ontem � noite."
Ele disse: "N�o lembro de ter feito nada,
mas n�o precisa se preocupar.
Se voc� fez alguma coisa, foi para aliviar minha dor.
Foi um ato de caridade.
Mas se estiver desconfort�vel, eu lhe dou a absolvi��o.
N�o se preocupe e fique tranquilo."
Um m�s ou um m�s e meio depois, ele fez a mesma coisa.
E isso s� foi aumentando.
Foram 13 anos de ang�stia e confus�es terr�veis para mim.
MARCIAL MACIEL: O LOBO DE DEUS
ROMA, IT�LIA
Em 1950, Marcial Maciel tinha 30 anos.
E fazia apenas seis anos desde que havia virado padre.
Ele j� tinha uma estrutura de superiores e professores,
e precisava dar o pr�ximo passo:
chegar cada vez mais perto de Roma.
O Papa Eugenio Pacelli, Pio XII,
era uma figura muito s�ria
que forneceu � Igreja Cat�lica
essa ideia do poder da f�.
Ent�o Maciel, como um homem que entende muito bem o poder,
percebeu que precisava ganhar a simpatia do Papa.
Roma estava fisicamente e economicamente devastada.
Maciel chegou com os bolsos cheios.
Rico em dinheiro, pobre em escr�pulos.
Ele estava disposto a fazer o que fosse preciso
para abrir as portas do Vaticano,
conquistar os favores dos cardeais de mais alta patente,
e obter informa��es.
O poder de Marcial Maciel
estava diretamente ligado aos seus la�os com o Vaticano.
Entre outras coisas,
gra�as � quantidade de dinheiro que os Legion�rios de Cristo davam,
e ouso dizer, continuam dando para a organiza��o do Vaticano.
Havia presentes,
havia um modelo de reaproxima��o com as principais figuras do Vaticano,
para que o nome de Maciel fosse intoc�vel.
O grande segredo do sucesso dos Legion�rios de Cristo
era o exerc�cio da justaposi��o:
saber onde se posicionar dentro da Igreja
perto de quem servir� seu prop�sito,
saber onde se posicionar em uma sociedade
perto de quem servir� seu prop�sito, e assim por diante.
O cardeal Micara, que era vig�rio-geral da Diocese de Roma,
disse que Maciel tinha feito uma doa��o substancial.
Nesse contexto,
Maciel compra o terreno
que mais tarde se tornaria o Colegio M�ximo.
Esse foi o passo que ele precisava
para estabelecer fisicamente a funda��o de seu imp�rio em Roma.
Quando Maciel inaugurou o Colegio M�ximo na via Aurelia,
ele me levou, quando eu tinha 12 anos e meio,
de C�breces para Roma,
representando o grupo apost�lico.
Ele me dava permiss�o
e dinheiro para ir ao Vaticano, aos museus, �s ru�nas...
Ele fazia ser agrad�vel.
Chegamos ao Colegio M�ximo, que ainda n�o estava pronto.
Tinha apenas quatro andares na �poca.
O primeiro grupo que iria ocup�-lo
eram os juniores, turma de 18 a 20 anos,
os novi�os, de 16 a 18 anos,
e eu era o �nico garotinho.
Por que me levou para l�? Para seguir abusando de mim.
Depois de um m�s morando l� com Maciel,
ele disse: "Pensei em te colocar em uma das melhores escolas."
Mas eu n�o queria ir, sentia falta dos meus colegas.
"Quero ficar com eles, todos aqui s�o mais velhos."
Ent�o ele me deixou voltar para C�breces.
Durante a viagem, ele me acompanhou.
Eu voltei para C�breces e me senti � vontade novamente.
Maciel continuou indo e vindo a cada tr�s ou quatro meses,
da Espanha para a It�lia, para Roma, para o M�xico.
Ele n�o passava conosco mais do que uma semana por vez.
Na �poca, eu sabia que havia outros sendo abusados assim como eu.
A fase em C�breces n�o foi longa.
J� havia registro de abusos cometidos pelo Padre Maciel.
Ent�o tamb�m podemos suspeitar
que os jesu�tas estavam se comunicando e dizendo,
"Alerta: Precisamos tomar cuidado com esse senhor."
Ficamos em C�breces por dois anos e meio.
Porque os jesu�tas nos expulsaram, e isso � um fato.
Pediram para ele sair de C�breces.
E ele deu outro salto de qualidade,
com a compra do grande Hotel Ontaneda,
que ele transformou no semin�rio menor
para os Legion�rios de Cristo.
Ele obteve v�rias doa��es grandes
para poder conseguir um milh�o de pesetas em dinheiro.
Era um pr�dio antigo de quatro andares na estrada principal,
e t�nhamos uma piscina,
no topo do parque adjacente, que tinha os spas,
com �gua de fontes termais, Alceda Ontaneda.
N�s �amos nadar no Rio Paz,
e faz�amos excurs�es para as montanhas.
Foi realmente memor�vel.
Quando cheguei a Ontaneda, era, at� certo ponto, uma vida linda.
Porque era o despertar da adolesc�ncia,
o despertar dos afetos de uma forma bruta e tremenda.
Todas as condi��es... Era como a primavera.
Marcial Maciel n�o visitava com frequ�ncia,
mas estava l� em janeiro de 1952.
E naquele mesmo ano, em agosto,
ele me perguntou se eu gostava de homens ou mulheres.
Eu disse: "Mulheres, claro." Ele disse: "Certo, certo."
Ele me chamava para orienta��o espiritual.
"Como voc� se d� com os meninos?"
Eu dizia: "Bem, bem."
Mas ele esperava que eu contasse mais.
"N�o sente nada por eles?"
"Sim, gosto deles,
s�o como meus irm�os mais novos dos quais tenho que cuidar."
Mas ele parecia decepcionado,
ele esperava que eu dissesse que me sentia atra�do.
Naquela �poca, ele tinha me transformado em uma de seus preferidos.
Havia come�ado, aquele relacionamento doentio...
sexual...
e abusivo por parte dele.
Por circunst�ncias muito especiais,
�s vezes os seminaristas
desciam durante os intervalos,
� tarde, ou � noite,
ou de madrugada, para falar comigo.
Gra�as aos testemunhos desses jovens,
muitas voca��es nasceram.
CIDADE DO M�XICO
O M�xico dos anos 1950 estava crescendo.
Foi quando come�ou um per�odo conhecido como "milagre mexicano",
que foi uma expans�o das elites e da burguesia mexicana.
Havia grana, havia dinheiro.
E Maciel entende isso muito bem.
Imagine Maciel deixando o M�xico, como uma maneira de falar,
para uma aventura europeia,
e agora ele volta
com tr�s grandes propriedades em tr�s pa�ses diferentes.
Ent�o agora ele pode, � claro,
se gabar para as elites que n�o � um sonho, n�o � fic��o:
ele pode realmente multiplicar o que lhe � dado.
E quem abrir� a porta para ele
�, mais uma vez, uma vi�va milion�ria:
Sra. Flora Barrag�n de Garza.
Flora Barrag�n de Garza era uma jovem mulher.
Ela tinha acabado de perder o marido, um dos homens mais ricos do M�xico.
Ent�o, quando Maciel a conhece,
enxerga nela a possibilidade
de p�r as m�os em recursos significativos.
Ela mostrava sinais de sua venera��o por Maciel,
e era uma venera��o
que ia al�m de um relacionamento com padre.
Ela demonstrava afeto excessivo.
Ele a hospedou na sua escola em Roma,
no caso, Flora Barrag�n,
o que era estritamente proibido pela Igreja Cat�lica.
Havia uma ca�ada por mulheres vi�vas, que ele sabia que estavam desamparadas,
procurando ref�gio e orienta��o espiritual.
Maciel abusou dessas circunst�ncias,
e efetivamente forneceu a elas ref�gio espiritual,
mas, ao mesmo tempo,
ele as convencia de que a fortuna que elas tinham herdado
n�o poderia ser deixada � deriva.
E uma boa maneira de gast�-la, que Deus apreciaria,
seria canalizar a fortuna para os Legion�rios de Cristo.
Elas eram conduzidas a essa apropria��o de suas vontades.
"Temos que fazer tudo ao nosso alcance pelos Legion�rios."
E isso envolvia recursos, terrenos, propriedades...
Ele convencia a todos.
Ele falava de suas ideias, seus projetos,
o que iria fazer todas as suas promessas...
E as pessoas acreditavam nele.
O Padre Maciel pegou cada �ltimo peso de sua fortuna,
e assim que fez isso,
fechou as portas para ela e nunca mais conversaram.
Flora Barrag�n se entregou completamente a Maciel,
e Maciel continuou tirando recursos dela
para uma jogada estrat�gica
que ele ia fazer nos anos 50,
que era o Instituto Cumbres.
Ele tinha muito claro que ele queria educar as elites, certo?
Aproximar-se das grandes fortunas
e dos homens de poder e influ�ncia
nos pa�ses onde esteve.
N�o era mais apenas algo social de "vou batizar seu filho",
ou "vou confirmar seu filho",
ou "farei o funeral de algu�m, ou casamento"...
Todos aqueles servi�os dos padres em uma sociedade cat�lica
viraram: "Estou oferecendo uma escola de elite
para que a elite possa se reproduzir."
Isso foi importante porque permitiu que Maciel
se tornasse o capel�o das elites.
Isso abriu caminho para os Legion�rios crescerem rapidamente,
e entrarem em conflito com dois outros grupos:
Opus Dei, dedicado �s mesmas pessoas,
e os jesu�tas.
Essas congrega��es religiosas, na verdade, t�m um modus operandi,
uma forma de operar,
que � muito semelhante.
Eles precisam abrir centros educacionais
e, para isso, eles precisam de fam�lias ricas que os apoiem.
Maciel sempre dizia:
"Sou grato por nossos benfeitores, nossos apoiadores."
Foi algo que ele at� disse em seu leito de morte.
Ele era um g�nio
em fazer as pessoas sentirem
que dando dinheiro a ele,
estariam ajudando a Igreja,
ajudando a gui�-la
para novos horizontes,
distante do Vaticano II, que tinha ido longe demais,
e para recuperar a Igreja enquanto ordem e obedi�ncia.
Em 1955,
Maciel trouxe quatro meninos, incluindo eu, para Roma.
Eu era estudioso, gostava de estudar.
Estudar me ajuda, me distrai.
E eu estava completamente sozinho.
Na �ltima quinta-feira de mar�o de 1955,
Maciel mandou me chamar.
Disseram que ele estava me chamando e que eu n�o podia fazer nada.
Foi uma ordem, imediata, cumprida de forma militar.
Ele me levou para a enfermaria, pensei que ele n�o estava bem.
Ele me pediu para massage�-lo.
Por causa de problemas em suas partes �ntimas.
Mas n�o era verdade.
Ele fingiu explicar quais partes estavam doendo.
Ele desabotoou minhas cal�as,
baixou minha braguilha...
e come�ou a me tocar.
Ele me masturbou de uma forma terr�vel.
Ele me disse para n�o contar a ningu�m sobre sua "doen�a".
Ele fingia que tudo era uma doen�a.
Al�m disso, lembro de uma vez, durante a missa,
ele levantava uma imagem para entronar como est�tua...
e suas mangas desceram.
A Sra. Fern�ndez, que o ajudava,
disse: "Padre, n�o fa�a isso!"
Quando Maciel percebeu, ele nos disse:
"Olhem, crian�as, tenho esses furos aqui,
porque tenho que fazer isso para exercer a obra de Deus".
Mas ent�o, quando minha m�e veio me visitar,
e contei a ela sobre isso, com admira��o,
minha m�e olhou para mim desconfiada.
"O que ele injeta em si mesmo?"
Porque minha m�e percebeu o que era.
Enquanto eu estava em Roma, tinha rec�m feito 16 anos,
comecei a notar que ele estava se injetando
com um analg�sico para suas "dores".
Na �poca, ele dizia que eram analg�sicos para seu rim
ou sua pr�stata.
Ele mandava as crian�as que vieram com ele do M�xico
� farm�cia para comprar um rem�dio
que ele precisava muito porque estava muito doente.
Pouco a pouco, comecei a perceber que o nome do rem�dio
era "Dolantina", em italiano.
Este medicamento derivado da morfina
� um analg�sico muito forte,
e Marcial Maciel ficou viciado por muitos anos.
Eu o vi injetando em si mesmo aqui,
ou em uma veia min�scula aqui.
Ele injetava morfina bem ali.
Aos poucos, foi aumentando o consumo.
Chegou ao ponto de terminar uma caixa de ampolas
em apenas algumas horas.
Para n�s, era angustiante tentar encontrar m�dicos
que nos dessem a receita.
Algumas farm�cias j� sabiam
que, quando uma crian�a pedia, era para o Padre Maciel.
E ultrapassava com excesso
os limites at� onde qualquer m�dico poderia prescrever esse rem�dio,
o que indicava um v�cio.
Est�vamos fazendo algo que sab�amos que era ilegal.
E v�amos que Maciel estava piorando.
Ent�o eles vieram um dia para levar Maciel a um hospital.
Fui ao hospital e encontrei Maciel completamente desleixado,
descabelado, descuidado, sem higiene, uma bagun�a.
Fiquei com ele naquela noite,
dormindo em uma poltrona ao lado da cama.
E por volta das 7h30 da manh�,
escuto um barulho na porta.
Eu abro a porta,
e quem encontro?
O cardeal Valerio Valeri, com seu assistente.
CARDEAL VALERIO VALERI
Ele era um homem baixo
e tinha uma express�o de raiva.
Ele olha para mim e diz: "Volte imediatamente � escola."
Em 1956, uma investiga��o foi formalmente aberta sobre Maciel.
Uma investiga��o, com o que p�de ser coletado,
poderia examinar as acusa��es de abuso sexual,
mas estava focada principalmente no v�cio de Maciel em drogas.
Eles nos reuniram, e disseram
que o Vaticano havia nomeado investigadores apost�licos
para nos fazerem v�rias perguntas sobre a personalidade do fundador
e sobre os Legion�rios de Cristo.
"Jurem pela B�blia que dir�o a verdade,
mas saibam que precisamos defender
a integridade do nosso fundador."
Ponto final.
Maciel, desde o in�cio,
estava pensando em como controlar
qualquer poss�vel vazamento sobre sua conduta.
E sua solu��o foi inventar,
porque n�o h� em nenhuma outra congrega��o cat�lica,
o que ele chamou de "quarto voto".
Padres e freiras fazem tr�s votos: pobreza, castidade e obedi�ncia.
Sejam jesu�tas ou beneditinos, o que quer que sejam,
eles fazem os tr�s votos.
Mas Maciel inventou um quarto voto.
T�nhamos que prometer duas coisas.
Primeiro: Nunca criticar um superior.
Segundo: Denunciar qualquer um que fizesse isso,
n�o importa o motivo.
Se tiv�ssemos um problema com um superior,
t�nhamos que conversar com ele ou o superior dele.
No caso de Maciel, com quem falar�amos?
Com o Papa?
A primeira coisa que fiz foi falar com meu superior.
Eu disse: "Est�o dizendo para eu falar,
mas n�o sei o que dizer."
Ent�o ele me disse, na porta da sua sala:
"Voc� sabe que eles s�o mal-intencionados."
Eu disse: "Mas como � poss�vel
que o Vaticano envie pessoas mal-intencionadas?"
Ele n�o soube responder, e disse:
"Apenas siga sua consci�ncia."
Quando chegou a minha vez,
encontrei um homem que era Anastasio Ballestrero,
e ele come�ou a fazer perguntas como h� quanto tempo eu estava l�,
como eu tinha entrado,
se eu estava feliz,
o que eu pensava do Padre Maciel...
Obviamente, eu menti.
Porque notei, desde o come�o,
um amea�a consider�vel.
Ent�o eu disse que achava que Maciel era um santo,
mas fiquei intimidado, quando vi a rea��o dele.
Ele perguntou: "Por que ele seria um santo?"
Eu disse: "Porque eu o vi sofrer muito."
"Onde o viu sofrer muito?"
"Na enfermaria."
Psicologicamente, desde crian�as, sofremos lavagem cerebral.
Antes da s�ndrome de Estocolmo ser descoberta,
j� viv�amos isso.
Fui perguntado se sabia algo sobre Maciel usar drogas.
Eu disse que n�o.
S� que de vez em quando, o via tomar analg�sicos para aliviar dores,
mas que ele nunca exagerou.
N�o acho que me perguntaram se havia abuso sexual,
usando essa terminologia.
Mas acho que de alguma forma eles me perguntaram
se eu sabia alguma coisa sobre esse assunto.
Eu naturalmente neguei.
Muito pelo contr�rio, falei muito bem dele.
� um grande l�der, um bom padre, um homem dedicado."
Eu disse que ele era uma figura paterna.
Nada negativo.
Eles tentaram entrevistar todos os Legion�rios
no M�xico, Espanha e Roma,
todos os Legion�rios que tinham naquela �poca.
Mas todos mentiram.
O mesmo Ballestrero, que eu pensei ter enganado,
percebeu que todos estavam mentindo.
Ele percebeu que havia alguma morda�a psicol�gica
que me impedia de falar, e certamente aos outros tamb�m.
M�TODOS TORPES E ENGANOSOS,
USO DE DROGAS E SODOMIA COM CRIAN�AS DA CONGREGA��O
O GAROTO FALOU SOBRE TOQUE PRURIENTE
At� ent�o,
no escrit�rio do cardeal superior dos padres,
Valerio Valeri,
havia chegado muitos, muitos documentos
incriminando Maciel.
Testemunhos da pol�cia de Madri, da nunciatura de Madri,
do arcebispo Mexicano, do bispo de Cuernavaca, etc.
MACIEL TERIA SE INJETADO COM DOLANTINA
ELE O INDUZIU A TOQUES...
QUE O CONTATO HUMANO PROPORCIONARIA A LIBERTA��O NECESS�RIA...
AT� 40 INJE��ES EM UM DIA
Os investigadores conclu�ram que Maciel deveria ser congelado,
que ele deveria ser removido como chefe dos Legion�rios,
e que novos Legion�rios n�o fossem admitidos
para que, com o tempo, os Legion�rios fossem extintos.
"Remova-o da ordem.
Alerte sua diocese em Cuernavaca
para afast�-lo das crian�as
e nomeie um superior de outra congrega��o religiosa."
Foi o m�ximo das humilha��es.
Em 9 de outubro de 1956,
Maciel reuniu todos n�s na sala de confer�ncia.
Ele subiu, se emocionou, come�ou a chorar
e disse que os inimigos dos Legion�rios
conseguiram tir�-lo dos Legion�rios
e que, por ordem do Papa, ele teria que deixar Roma.
O pr�prio Maciel chamou isso de "grande guerra",
porque os inimigos da Igreja queriam destruir
a elite da Igreja, os Legion�rios de Cristo.
Ent�o n�o era contra ele, mas contra a Igreja.
Ent�o ele foi para perto de Roma, perto de n�s,
e nos chamava de l�.
N�s peg�vamos o �nibus para visit�-lo.
O cardeal Pizzardo
havia escondido Maciel em um hospital ginecol�gico,
onde ningu�m iria procur�-lo.
Com a investiga��o em andamento, ele disse:
"Vamos para o norte da �frica,
porque est� ficando muito dif�cil conseguir meu rem�dio.
N�s vamos para T�touan."
S� n�s dois.
T�TOUAN, MARROCOS
N�s chegamos em T�touan,
e conseguimos a receita,
atrav�s de m�dicos que aceitavam, em troca do dinheiro que eu ofereceria,
prescrever o rem�dio.
Seja feliz, feliz
Use Lucky
Use Lucky Strike hoje
Lucky Strike apresenta: Your Hit Parade.
As melhores m�sicas da Am�rica...
Quando ele usava a droga,
raramente abusava sexualmente de mim.
Em tempo
De repente, notei um pouco de �gua
saindo de baixo da porta do banheiro.
E, claro, pensei:
"De onde vem essa �gua?"
Bati na porta, n�o ouvi resposta.
Ent�o eu abro,
e encontro Maciel quase afogado na banheira,
com a �gua quase cobrindo sua boca.
Ele estava fora de si.
Eu o puxei para fora.
E bati muitas vezes no rosto para faz�-lo respirar e voltar a si.
Levei algum tempo para traz�-lo de volta.
Em quest�o de duas horas,
ele usou uma caixa inteira de Dolentina.
Ent�o, foram 24 frascos em duas horas.
Eu salvei sua vida.
No dia seguinte, ele me pediu para acompanh�-lo ao hospital,
porque precisava limpar seu sangue.
Maciel saiu do hospital j� desintoxicado,
mas comecei a perceber que n�o poderia continuar assim.
ROMA 9 DE OUTUBRO DE 1958
�s 3h52,
Pio XII concluiu sua vida terrena.
O cardeal informou que o pont�fice morreu ap�s uma longa agonia.
Os sinos tocaram para sua gl�ria, em uma noite triste.
A bandeira foi i�ada at� a metade.
Pio XII morreu.
Ap�s a morte de Pio XII,
e antes da elei��o de Jo�o XXIII,
Maciel foi reinserido,
ele foi reintegrado
no papel de l�der dos Legion�rios de Cristo.
O cardeal Clemente Micara,
junto com sua equipe de conselheiros,
assina a reintegra��o de Marcial Maciel,
como se ele estivesse reabilitado.
De acordo com a Lei Can�nica,
o Vaticano n�o deve tomar decis�es extraordin�rias.
Quando n�o h� Papa,
quem est� no comando se limita a cuidar da administra��o geral.
Portanto, � uma decis�o pouco suspeita.
Para fazer uma mudan�a t�o ousada,
normalmente seria exigida a presen�a de um Papa competente.
Algum tempo depois, eu soube que Maciel deu a Micara 10.000 d�lares.
O que era uma quantia absurda na �poca.
Esse era um padr�o na vida de Maciel.
"Nada aconteceu aqui." E Maciel escapou impune.
E sobreviveu.
Por que acha que passei por tanta coisa?
Bem, mas acredito que superou.
- Mas eu... - Quero dizer...
Passou por muitas humilha��es e foi...
Mas deixa eu te contar uma coisa:
voc� tem um sonho,
voc� come�a a realiz�-lo,
muitas coisas acontecem, todo tipo de coisa,
mas voc� ainda realiza seu sonho.
O mais tr�gico seria passar por essas coisas
e n�o realiz�-lo.
Ent�o todas essas situa��es,
essas priva��es, humilha��es, etc...
Esse � o pre�o que voc� paga, isso faz parte.
Entende?
Para Maciel, o que ele chama de "grande guerra"
� o triunfo da verdade sobre a cal�nia,
segundo Maciel.
Todas as informa��es que surgiriam contra ele
eram cal�nias.
Mas Maciel sabia bem,
e n�s sab�amos bem que n�o era assim.
Para n�s, o abuso sexual, o abuso das drogas,
a vida de um sibarita que comecei a ver que ele levava...
Eu me sentia frustrado.
Percebi que estava secando por dentro,
espiritualmente.
Ent�o comecei a pensar,
"Como posso chegar ao Vaticano
com tudo que vejo sobre a vida do Maciel
e a corrup��o que existe em nosso grupo religioso?"
Eu me tranquei no quarto
e comecei a fazer uma cronologia dos abusos do Maciel,
como seus abusos sexuais,
seu abuso de poder, de controle,
de autoridade.
Seu abuso de drogas.
Pouco a pouco, escrevi tudo em cerca de uma semana.
Depois de sete ou oito dias,
vou para meu quarto depois do almo�o, por volta das 14h30 da tarde...
e descubro que minha carta desapareceu.
AS OPINI�ES EXPRESSAS NESSE PROGRAMA S�O PESSOAIS
E N�O REPRESENTAM AS OPINI�ES DA WARNER BROS. DISCOVERY INC.
SE VOC� OU ALGU�M QUE CONHECE FOI V�TIMA DE ABUSO SEXUAL,
FALE COM OS CENTROS DE AJUDA E COM A POL�CIA NA SUA REGI�O.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.