All language subtitles for If.These.Walls.Could.Talk.1996

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Original subtitles

Voc� tem medo de ouvir...

mas eu tenho mais medo do que voc�.

- N�o quero ouvir voc�. - Voc� precisa saber!

Eu preciso lhe contar, n�o posso mais esconder!

- Sou culpada. - Voc� n�o � culpada de nada!

Digo isso a mim mesmo...

desde a noite em que a crian�a disse.

Fico deitada na cama rezando para n�o ser verdade...

mas agora eu sei. Est� l�.

N�o sei como, nem por que...

mas eu amava voc�, eu amo voc�!

Fiquei magoada com seu casamento.

Talvez porque eu a queira. Eu a quero todos esses anos.

Eu n�o sabia o nome disso.

Talvez tenha come�ado quando conheci voc�.

N�o � verdade. Nunca pensamos uma na outra desse jeito.

Claro que voc� n�o pensou. Mas eu sim.

Nunca senti isso por ningu�m, a n�o ser voc�.

Eu vivo no passado. Nem sei por qu�.

Calem a boca!

Talvez seja isso. Estou cansada, exausta.

� engra�ado, est� tudo misturado.

O que acharam do filme? Voc�s o recomendariam?

Dram�tico demais para mim. Prefiro com�dia.

Eu tamb�m.

Precisam que algu�m as acompanhe at� em casa?

N�o obrigada, Sam. Chegaremos bem sozinhas.

Quando precisarem de um acompanhante...

Se precisarmos, ser� voc�, Sam. Garanto.

D�-LHE UM BEIJO DE DESPEDIDA DE MANH�

Por Deus, deixe-me ajud�-la.

- Eu consigo. - Vai machucar as costas.

Cale-se, estou bem. � s� um pouco de artrite.

- Tem certeza que est� bem? - Estou �tima.

- Tem certeza? - Estou bem.

- Sua bruxa safada. - Edith!

Parece abatida. Suba e eu levarei um ch�.

- Quero encher os alimentadores. - As aves podem esperar.

Onde est� o dosador? Voc� sempre muda de lugar.

Est� no mesmo lugar.

Onde?

Eu pego.

Sua velha teimosa.

- N�o fique muito tempo l� fora. - Pode deixar.

Abby?

Abby!

Abby!

- Ainda est� a� fora? - Estou verificando uma coisa.

Pelo menos acenda a luz.

Meu Deus.

Abby, voc� enlouqueceu?

Vi estorninhos fazendo um ninho aqui.

- O que estar�o aprontando? - Nada, sua tola. Est�o dormindo.

- Fique quieta. - S� queria saber se quer um ch�.

- Por favor. - Ent�o tenha cuidado.

Estou de olho em voc�.

- Eu sabia, ela botou ovos. - Que lindo!

Ol�, passarinho. O que tem a�?

Deixe o passarinho em paz, vai mat�-lo de medo.

Quero construir outra casinha aqui. Esta est� sempre cheia.

Pus um curativo neste aqui.

N�o acredito! Ele voltou.

Pudera, voc� o mimou.

Durma, passarinho. N�o ligue para mim.

Durma, querido.

� aqui que esperamos?

Acabam de internar meu marido. Ele teve um infarto.

Est�vamos tomando caf�, depois do jantar...

e eu estava sentada na minha poltrona...

lendo minha revista. Ent�o...

ele ficou muito quieto. N�o entendi.

Olhei para James.

Ele estava jogado na cadeira.

N�o respirava.

Ele teve um ataque card�aco. Na minha frente...

e eu nem percebi.

Tome, est� limpo.

Obrigada. Voc� � muito gentil.

Por que est� aqui? Seu marido, tamb�m?

Minha amiga caiu de uma escada. Achamos que teve um derrame.

- Ela quebrou algum osso? - Ainda n�o sei.

Ela vai ficar bem.

- Seu marido est� vivo? - Nunca tive marido.

Que sorte!

- Assim n�o sofrer� se o perder. - Sra. Carpenter...

- pode ver seu marido agora. - Ele est� bem?

O m�dico quer falar com a senhora.

Meu Deus, isso n�o � bom. Isso n�o � bom.

Com licen�a, pode me dizer como est� a Srta. Henley?

- A senhora que a trouxe? - Ela est� bem?

Ela estabilizou. Ser� transferida para a UTI � noite.

Posso v�-la?

S� familiares podem ficar fora do hor�rio. Volte amanh�.

S� um instante. Ela pode estar com medo.

N�o se preocupe, estamos cuidando dela.

Volte amanh�.

Vou ficar aqui. Pode avisar a ela?

- Eu digo a ela, senhora. - Se algo mudar, pode me avisar?

- Pode me dizer onde fica a UTI? - No fim do corredor.

- Disseram-me que ela estava aqui. - N�o acho o prontu�rio.

- Qual � o nome mesmo? - Abigail Henley.

Eu a trouxe ontem � noite. Teve um derrame...

e acham que ela quebrou o quadril.

Pelo menos sabemos que ela n�o saiu andando.

N�o se preocupe, vamos ach�-la. Vamos checar a ala geri�trica.

Passei a noite aqui.

Pedi para me avisarem caso algo mudasse.

N�o se preocupe, vamos ach�-la.

O hor�rio de visita s� come�a �s 10h.

Eu sei. S� quero saber...

se ela est� bem.

- Ela est� bem? - Encontrou-a?

A senhora � parente dela?

Sou amiga. Uma amiga muito pr�xima.

Ela tem fam�lia?

Diga-me se h� algo errado.

Sinto muito, a Srta. Henley faleceu.

Sentimos muito, senhora.

Quando aconteceu?

�s 3h45 da manh�.

Por que n�o me disseram?

Eu estava aqui, esperando.

Sentimos muito.

- Ela tem parentes pr�ximos? - Parentes pr�ximos?

Temos de encontr�-los para saber o que fazer com o corpo.

Eu lhe dou o telefone para eles ligarem.

H� uma capela no 3� andar, se quiser se sentar um pouco.

Posso v�-la?

Lamento, j� levaram o corpo para baixo.

Sentimos muito.

- Posso falar com Ted Henley? - Quem gostaria?

Sou Edith Tree. Amiga de Abigail.

Um momento, por favor. Ted!

Ted, sou Edith Tree, amiga da sua tia Abigail.

- Sim, claro. - Eu acho que...

Sinto muito, sua tia faleceu hoje.

Caramba! O que aconteceu?

Ela sofreu uma queda ontem, parece que teve um derrame.

Tentaram reviv�-la, mas ela n�o resistiu.

Caramba, sinto muito.

O corpo dela ainda est� no hospital...

e eu tenho o n�mero para onde voc� deve ligar.

- Vou pegar um l�pis. - Se eu puder ajudar...

- nos servi�os funer�rios... - Claro. Seria �timo.

� melhor eu ir at� a�. Vou anotar algumas coisas.

Edith, qual � mesmo seu sobrenome?

Tree.

VOU AMAR VOC� PARA SEMPRE

Querida?

Pare com isso.

Acho que foi uma bela cerim�nia.

Com certeza. Muito respeitosa.

Assim est� melhor.

Imagino que estejam com fome. Vou preparar um ch�.

Por que n�o se sentam, enquanto eu preparo?

Pode deixar comigo. A cozinha � por aqui?

Tentei achar o que pude...

mas Abby nunca foi organizada.

- Com certeza n�o era. - Achei esta foto de voc� e Abby.

Caramba! Nem lembrava disso.

Foi a primeira visita que voc� e seus pais fizeram.

E Abby os levou para pescar.

Voc� tinha medo de p�r a isca no anzol. E ela lhe mostrou.

� mesmo. Lembro-me dessa parte.

Vejamos o que temos aqui.

Por favor, n�o toque nisso. S�o muito fr�geis.

S�o da sua tia-av�, Abby. Ela era observadora de aves.

Isto era dela, certo?

Ela deixava perto da poltrona para verificar os alimentadores.

Tome, veja se avista alguma ave.

- Posso ficar com isto? - Claro.

Parece que esta casa era de Abby.

Estava no nome dela, mas pagamos juntas.

Entendo.

Ent�o � justo que voc� receba algo.

- Como assim? - Ao vendermos a casa.

Voc� pretendia ficar aqui?

Era o acordo entre mim e Abby.

Ela deixou um testamento dizendo que deixaria a casa para voc�?

N�o me importo que permane�a aqui.

Talvez possamos estabelecer um aluguel.

Mas Abby e eu j� pagamos a casa.

Espero n�o ter de pagar o aluguel de novo.

Veja...

o governo vai cair em cima com um imposto de heran�a.

Eu n�o posso ficar com um buraco no bolso.

Entende?

Estou aqui h� 30 anos, para onde eu vou?

- N�o tem parentes? - Como assim?

- Algu�m que a hospede. - N�o quero ser hospedada.

Prontinho, aqui est�.

Que lindo bule. Era de Abby?

� meu.

Antes de ir, eu a ajudo a separar as coisas de Abby.

- N�o � necess�rio. - N�o seja tola.

Sente-se, querida.

Ela � da fam�lia de Ted. Voc� n�o devia fazer tudo.

� uma tarefa horr�vel.

Quando minha m�e morreu... Pare de mexer nisto.

Minhas irm�s e eu tivemos de arrumar a casa.

Foi uma loucura decidir...

o que fazer com todo o lixo que estava nas gavetas.

- Os m�veis s�o seus ou de Abby? - De n�s duas.

Querida, Edith disse que quer ficar aqui um tempo.

Talvez... n�o obrigado. Talvez dev�ssemos deixar os m�veis.

Tudo bem. Estou aliviada.

N�o sabia o que fazer com tudo isso.

Isso � perfeito.

Isto era de Abby, n�o era?

Alguns s�o lindos.

- Eu lhe dei este. - Que lindo presente.

Abby era professora, n�o era?

Lecionamos na mesma escola por muitos anos.

Ent�o se conheciam h� muito tempo.

Deve ser muito triste perder uma grande amiga.

� sim.

Eu acho que voc� deveria ficar com uma recorda��o dela.

Eu gostaria que voc� escolhesse um desses passarinhos...

como lembran�a.

Vai ficar com eles?

Acho que Ted quer ficar com algo da tia.

- N�o precisamos dos passarinhos. - Eu sei...

mas eles fazem parte da fam�lia.

- Se Maggie quiser um dia... - Deixe isso para depois.

- Vou trazer o leite. - Eu ajudo.

Com licen�a.

Edith, boas novas. Achei umas economias...

que podem valer algo. Acho que depois dos impostos...

podemos dividir a quantia, o que a ajudaria no aluguel.

- Ted, pode me fazer um favor? - Claro.

A escada da qual ela caiu, ainda est� no jardim.

Deixe comigo.

Segure isto para vermos a largura. Obrigada.

- O que est�o fazendo? - Sabe, Edith...

acho que vamos ficar com a cama.

� uma pe�a da fam�lia. Ted disse que � dos av�s.

Abby nunca disse isso.

Mas �.

- M�e, quem �? - Deixe-me ver.

- � a tia Abby? - N�o sei.

Por que est�o vestidas de homem?

N�o sei.

Est�vamos fantasiadas para uma festa.

Vamos ver o papai no jardim.

Venha.

Eu n�o pretendia deixar essa bagun�a.

O problema � que, se ela ficar aqui...

seremos os respons�veis por ela.

- Ela deve ter fam�lia. - E se n�o a quiserem?

N�o � justo tomarmos conta da tia solteirona dos outros.

Pai, veja o que achei. Caiu da gaiola.

- Que bonito, querida. - V� l� para dentro...

e escolha alguma coisa da cole��o de passarinhos.

Mas aquela mulher disse para eu n�o tocar neles.

Isso n�o � da conta dela. Entre.

O que faremos com o resto das coisas deste jardim?

Minha querida, minha querida!

O que voc� quer?

Achei isto.

Deixe-me ver.

Um ovo de estorninho. Estava na casa dos passarinhos?

Deve ter chocado.

Sua tia-av� sabia que eles estavam l�.

Meu Deus.

Tome.

Era um len�o da tia Abby, mas pode ficar com ele.

Menina, n�o me diga o que posso ou n�o ter.

E seus pais n�o devem lhe dizer o que voc� pode pegar.

Desculpe-me.

Tudo bem, pode ficar com isso.

Voc� n�o conheceu sua tia-av�, n�o �?

Ela era muito gentil...

n�o suportava ver ningu�m sofrer.

Quando �ramos jovens, ela tinha um hospital...

para aves e ratos...

que protegia do gato.

Todos sobreviveram.

Aquelas criaturinhas fr�geis.

De algum modo, ela os ajudou.

Preciso discutir algumas coisas, antes de irmos embora.

Est� bem.

Maggie, v� l� fora com a mam�e.

Edith, eu sei que falamos sobre voc� ficar aqui...

mas com os impostos e a manuten��o...

seria melhor vendermos a casa.

Seria melhor para voc�, a longo prazo...

ter um belo apartamento. Um quarto.

N�o teria de se preocupar em limpar a casa...

ou em cuidar do jardim.

Papai! Um dos beb�s caiu do ninho. O que eu fa�o?

Deixe-o. Ele n�o vai sobreviver.

Terminem de fazer as malas, preciso falar com Edith.

Leve a caixa para o carro.

Quer um destes?

N�o, obrigada.

Faremos o seguinte.

N�o vou p�r a casa � venda enquanto voc� n�o se instalar.

E providenciarei uma compensa��o.

Acho que isso � o que devemos fazer.

Se voc� tivesse conhecido sua tia...

se soubesse das coisas maravilhosas que ela fez...

de como ela era boa e engra�ada...

e terna...

corajosa e inteligente...

se voc� soubesse o quanto ela se esfor�ou...

para ter paz nesta vida...

se voc� a conhecesse, saberia o que ela queria.

E n�o era isso.

N�o, meu caro, certamente n�o era isso.

Vamos embora.

Ligarei em algumas semanas, para ver como as coisas est�o.

Edith, foi um prazer conhec�-la...

e sinto muito pela sua perda.

Boa-noite, querida. Eu amo voc�.

MULHERES: O MAIOR RECURSO NATURAL N�O UTILIZADO

Aquela mulher ficou at� tarde ontem?

At� muito, muito tarde.

Voc� se deu bem. O que aconteceu?

Bem, n�s est�vamos deitadas e eu pensei...

"Gostei. Ela parece legal".

Foi como se eu tivesse dito em voz alta.

Ela come�ou a gritar que era sua primeira vez com uma mulher...

e ela s� queria saber como era.

Uma experi�ncia cient�fica.

Somos as �nicas pessoas no mundo que se entendem.

Talvez voc� precise transar.

S� quero uma rela��o de verdade.

Linda, voc� n�o saberia o que fazer numa rela��o.

Assim que come�amos a sair, voc� perdeu o interesse.

Isso � injusto. Decidimos ser amigas.

N�s somos.

S� estou dizendo que voc� gosta demais da sua liberdade.

N�o estou dizendo que n�o quero minha liberdade...

S� acho que � poss�vel t�-la e amar tamb�m.

Depois da revolu��o, todas n�s podemos achar amor.

- Bom-dia. - Paz, cara!

Ele � t�o travado.

Segurem-se, garotas. Vamos dar uma volta.

Minha m�e dizia...

que a faculdade s� serve para voc� arrumar namorado.

- N�o acredito! - Foi exatamente o que eu disse.

Voc� mandou sua m�e para aquele lugar?

Eu s� dizia que queria achar uma bela garota.

O que est� acontecendo?

A faculdade n�o vai mais tolerar nossas reuni�es no campus.

N�o querem nos apoiar, pois acham que somos l�sbicas.

- Eles n�o podem fazer isso. - Podem sim, Linda.

Temos de ser claras, quanto ao que somos.

Achamos arriscado incluir as suas quest�es agora.

S�rio?

Primeiro, temos de lutar pelo feminismo.

Direitos iguais para o homem e a mulher.

- N�o h� lugar para voc�s. - N�s fundamos isso juntas.

Eu lutei pelo controle gratuito de natalidade no campus.

Acha que fiz isso pelo meu direito de transar com os alunos?

Esse � o tipo de atitude que n�o precisamos.

Eu fiz isso por voc�s. N�s fizemos isso por voc�s.

Calma!

Tamb�m somos do grupo.

Tem certeza de que � um bar de l�sbicas?

� um bar de sapat�es.

- Cuidado. - V� com calma.

Mais uma vez...

- Linda, n�o vamos ficar aqui. - Ora, pode ser divertido.

Garotas, t�m certeza de que est�o no lugar certo?

N�o somos garotas, somos mulheres.

Pode nos trazer uma jarra de cerveja?

Venha buscar, n�o servimos na mesa.

Est� bem.

Parece que as mulheres est�o com tudo neste bar.

Vejam aquele terno!

Cuidado, ela pode lhe dar seu telefone!

Garanto que voc� vai achar algu�m aqui.

Tome.

Obrigada.

J� estou com ci�me.

Por favor, digam-me que aquilo n�o � uma gravata.

Acho que nem meu pai usa mais isso.

Numa mulher fica muito mais ofensivo.

Estou sem cigarro. J� volto.

Pode me dar um ma�o de cigarro, por favor?

A m�quina est� quebrada.

Est� quebrada para todos ou s� para mim?

Porque eu e minhas amigas somos l�sbicas.

O que voc� quer? Uma medalha?

N�o � pessoal. Ela nunca quis consertar a m�quina.

Quer um?

Obrigada.

Aqui.

- Obrigada. - � um prazer.

- Fique com o ma�o. - Tem certeza?

N�o fumo. � s� para parecer durona.

Parecer durona torna mais f�cil vir sozinha a um bar?

- Eu gosto de ficar sozinha. - S�rio?

Quer dan�ar?

N�o posso. Minhas amigas est�o esperando.

Obrigada.

Vamos dar o fora daqui.

Acho que vou ficar mais um pouco.

Este lugar � horr�vel. Vamos embora.

Tudo bem. Encontro com voc�s mais tarde, em casa.

Est� bem. Tchau.

Tome.

- N�o vou abandonar voc� aqui. - A escolha � minha.

Parece que suas amigas foram embora.

Parece.

E agora, quer dan�ar?

Aposto como sua m�e p�s voc� na aula de dan�a.

- Como sabe? - Sei algumas coisas sobre voc�.

Para come�ar, acho voc� interessada.

Voc� ficou e suas amigas se foram.

- Curiosa, de qualquer modo. - Curiosidade me excita.

Que bom que vai me dar carona.

Faz frio na garupa.

- E voc�? - Estou acostumada.

Agora?

Segure direito.

N�o � por sexo, mas para n�o cair.

Ali.

Eu podia andar a noite toda nisso.

Rodei 480km no dia em que a comprei.

Esquecia onde ficava o freio ou a embreagem.

E voc� me conta isso agora?

- Voc� mora aqui perto? - Na Rua Port.

- Desculpe-me, tenho de ir. - Est� terminando comigo?

- Eu n�o quis dizer isso. - Estou brincando.

Voc� � f�cil de enganar, mas � uma feminista decidida.

Sou.

Achei que voc� fosse s� durona.

E o que voc� acha agora?

Est� tarde.

Preciso ir.

- E a sua camisa? - N�o se preocupe.

- Pode vir buscar amanh�. - Depois do trabalho?

N�o acredito que n�o vai nos contar.

Voc� chegou bem tarde.

- Foi s� uma carona. - N�o aconteceu nada?

- Quem � ela? - Ela me deu cigarro.

Voc� foi com a mo�a da "gravata"?

Ela s� me deu carona de moto. Foi divertido.

� pior do que imaginar que estava com um homem.

Podemos mudar de assunto?

Sempre que me deparo com as mulheres da Coletiva...

n�o sei se cumprimento ou finjo que n�o vi.

Sabe de uma coisa? Cumprimente.

E diga que vamos fundar um grupo de l�sbicas...

e que elas s�o bem-vindas.

- Vamos? - Como vamos fazer isso?

N�s poder�amos. Pagamos a mensalidade como todo mundo.

Voc� tem raz�o. N�s dever�amos. Fazemos um com�cio...

um abaixo-assinado e a faculdade ter� de nos reconhecer.

Exatamente.

- Certo? - Por que n�o?

O que Diane est� fazendo aqui?

Caramba!

Nossa!

- Como vai? - Bem. Obrigada por perguntar.

Est�vamos falando do com�cio para fundarmos o nosso grupo.

Escute, eu sinto muito. N�o quer�amos exclu�-las.

O grupo que eu e voc� fundamos era para mulheres.

- Ainda quero que seja. - Ainda somos l�sbicas.

- Isso n�o mudou desde ontem. - Eu sei disso.

Eu queria dizer que, se f�ssemos aos poucos...

talvez no ano que vem.

At� l�, fingimos que n�o somos l�sbicas?

N�o vamos a lugar nenhum.

Voc� n�o tem nada para mim?

Eu me esqueci.

Foi um prazer conhec�-la, Linda.

Com licen�a.

- Voc� a conhece da faculdade? - N�s n�o a conhecemos.

Bem, at� mais.

Como espera sermos aceitas como feministas...

- com seu namoradinho por perto? - Pode crer.

Voc� est� a fim dela?

Que diferen�a faz?

Ela nunca mais falar� comigo.

Como pode gostar de algu�m que se veste como homem?

Eu vi aquelas mulheres no bar.

Lutamos tanto para nos livrarmos dessas regras.

Ela n�o � assim.

Ela n�o precisa que lhe digam quem ela �.

Ela sabe.

- Trouxe a sua camisa. - A camisa n�o importa.

Vim me desculpar pelo que aconteceu hoje.

Voc� chegou num momento tenso.

Ficou tenso quando eu cheguei.

Isso j� me aconteceu.

Voc� me convidou, por isso eu fui.

Eu sei e sinto muito.

� s� isso?

Posso entrar?

- Aceita algo para beber? - N�o, obrigada.

Desculpe-me, foi uma m� ideia.

Voc� � linda!

Voc� me ouviu? Eu disse que voc� vai me pagar o caf� da manh�.

Vou usar a sua escova de dentes.

Queria ir tomar caf� com voc� vestida assim.

Voc� est� muito sexy.

Eu sou a mulher e voc� � o homem?

- Por que se veste assim? - Porque me sinto � vontade.

Voc� se v� como mulher?

Voc� acha que n�o sei o que pensam de mim?

Eu sou assim, n�o posso ser de outro jeito.

- Nunca foi... - O que incomoda voc�?

As pessoas v�o saber o que voc� � por causa de mim?

N�o � por isso.

Quer saber?

N�o quero tomar caf� da manh�.

Fica para outra hora.

O que est� fazendo? Parece que seus pais est�o vindo.

Parece mais que � o marido dela.

Voc� prometeram me deixar em paz.

- Para voc�. - Obrigada.

Ami, Karen.

Jeannie, Rachel.

Elas ficam simp�ticas depois que bebem.

Flores para a mulherzinha.

Eu posso fingir uma intoxica��o alimentar e ir para casa.

Agora.

� s� dizer. N�o vou me ofender.

Eu quero que voc� fique.

- Com o que voc� trabalha? - Distribuo correspond�ncia.

- Quer que eu ajude? - N�o precisa.

Por que n�o a deixa ajudar?

Ela n�o est� acostumada a ter um homem em casa.

N�o se ofenda. � s� uma maneira de falar.

- Quer vinho? - N�o, obrigada.

- Tem medo de relaxar? - Algo assim.

Por favor. Como assim?

Se algu�m se meter comigo, quero estar preparada.

- � porque se veste assim. - � assim que me visto.

As pessoas s�o idiotas, Karen.

Voc� podia se vestir de outro jeito. Facilitaria para voc�.

N�o facilitaria.

Essa gravata est� machucando meus olhos.

- Quer parar? - N�o quero ofender.

Ela est� se sufocando e n�o percebe. Prove isso.

- N�o, obrigada. - Pode ficar bonito.

- Deixe-a em paz. - Calma, � s� uma blusa!

Voc� agiu como uma aberra��o a noite toda.

Tudo bem. Eu provo.

Pode provar aqui. Somos todas mulheres.

- Pode tirar. - Como sabe que ela n�o gostou?

- Eu n�o gostei. - Amy, voc� n�o se viu.

Estava louca para mexer no seu cabelo.

- N�o me toque! - Parem. Amy. Sinto muito.

Por ter vergonha de mim? Nunca quis que voc� mudasse.

Voc�s t�m ideia do que fizeram?

Sabem por que voc�s n�o gostam dela?

Porque t�m medo de quem n�o � igual a voc�s.

Eu queria dizer...

Minhas roupas s�o apenas uma parte do que eu sou.

- Quando eu era pequena... - Eu entendo.

Entende?

Todo esse tempo n�o tive vergonha de voc�...

mas de mim.

E...?

Voc� aceita quem voc� � e eu amo isso em voc�.

Eu quero ser como voc�.

Vai ficar rid�cula de terno e gravata, ou de jaqueta.

Est� na hora de gritarmos...

somos l�sbicas e vamos fazer sexo.

100% ASSUMIDA

FORA, HOMOSSEXUAIS

AMOR SEM PRECONCEITO

- O caf� est� bom. - Foi feito h� algumas horas.

Est� forte.

- Est� esfriando. - Tem feito frio.

Fran!

- Mas n�o frio demais. - N�o para essa �poca do ano.

- � surpreendente. - Fran, pelo amor de Deus!

Muito bom.

N�o � que n�o queremos voc�s na vida da crian�a.

� s� que... n�o queremos voc�s na vida da crian�a.

Voc�s entendem. J� conversamos isso.

Achamos estranho n�o ter envolvimento algum...

- na vida da crian�a. - Certo. Como se fosse...

- Ao menos em alguns feriados. - Era s� isso.

Sabemos que o beb� � seu, mas...

Mas, o qu�? Por isso fomos t�o claras em rela��o...

- � responsabilidade do doador. - Exato.

Zero.

Lembram-se da cl�usula responsabilidade zero...

com a qual todos concordamos?

- Lamentamos. Acho que... - N�s quer�amos.

Quer�amos mesmo. Mas...

Sabemos como isso � importante para voc�s.

Mas n�s queremos...

muito participar disso.

Tudo bem.

N�s entendemos.

Entendemos. Est� tudo bem. Est� tudo bem, n�o �?

Certo.

O que faremos agora � desistir disso...

pois � evidente que voc�s pensaram nisso...

essa � a sua decis�o, a sua resposta...

e essa � a nossa. Voc�s n�o devem ser respons�veis...

pela nossa rea��o em rela��o...

A voc�s.

Olhe para ela.

Olhe.

Veja aquele. N�o � uma gra�a?

Fran, n�o sei se quero conhec�-lo.

N�o sei se quero saber.

Apontar e dizer: "Esse � o pai do nosso beb�."

N�o consigo p�r um rosto nele. Eu n�o...

Sem rostos, tudo bem.

N�o acredito! Existe s�men com o sexo selecionado.

N�o acredito que possamos pedir esperma pela internet.

Acho que n�o se pode encomendar.

Mas pode. Voc� pode encomendar. Eles mandam pelo correio.

Eu quero escolher. � o m�nimo que eu posso fazer.

- Ser� que isso � legal? - Sim, tem menus, listas...

tudo o que se tem direito.

Dev�amos ter um beb� mesti�o.

- Beb�s mesti�os s�o lindos. - Est� brincando?

Voc� est� falando s�rio?

E o que conversamos? Queria algu�m parecido comigo.

Eu tenho cara de indon�sia?

- Desculpe-me. - Sabe como �.

- Sinto muito. - �s vezes, tamb�m sinto muito.

Eu a amo tanto.

Quero que a crian�a seja id�ntica a voc�.

Isso j� � demais.

E se eles mentirem? � isso que eu quero saber.

O que eles v�o fazer? Contratar um detetive...

para seguir o cara que diz que toca guitarra...

e salva o mundo?

� verdade. Quem confere esses curr�culos?

- Como chamam isso? - Como vou saber?

- Perfis. - Perfis, isso mesmo.

� o que o FBI faz com os condenados.

E se pegarmos um criminoso como doador?

Quem seria mais propenso a fazer isso?

Um assassino serial que precisa de $20...

ou um g�nio com um QI de um trilh�o?

- Que g�nio doa esperma? - Quem em s� consci�ncia...

ejacularia num copinho por $20?

Como v�o as coisas?

Sabe, talvez...

ele seja um cara maravilhoso, que entra aqui e diz:

"S� quero deixar o meu esperma...

pois h� um grande casal de l�sbicas que precisam dele".

Estou apavorada.

Eu tamb�m.

Isso � perfeitamente normal. Suas preocupa��es s�o normais.

Mas saibam que antes de vendermos o esperma...

j� conhecemos o doador no m�nimo por um ano.

- Est� brincando? - Verificamos a origem.

Rastreamos pelo menos tr�s gera��es passadas.

Assim, fica dif�cil mentir sob tais circunst�ncias.

Eu garanto que ter�o a nata do leite aqui.

A nata do leite.

Voc� acredita que ela estava falando de esperma...

usando frases com a palavra "nata"?

- N�o � estranho para voc�? - � tudo estranho para mim.

Dev�amos adotar.

F�cil.

As ag�ncias s�o t�o abertas para fam�lias alternativas.

� verdade. Era mais f�cil voc� me engravidar.

O que voc� est� fazendo?

- Odeio n�o poder engravid�-la. - Eu odeio ainda mais.

N�o seria poss�vel.

Sabe por qu�?

Quando me apaixonei por voc�...

decidi nunca mais ter outro homem na minha vida.

No meu quarto, pelo menos.

E agora, para engravidar, preciso de um homem...

ou parte de um homem no quarto. N�o � justo...

ent�o eu odeio mais.

Querida. Voc� est� sentada na minha bola.

Estou pirando.

Por qu�?

Eu n�o tenho esperma.

� por isso que eu estou pirando. Eu n�o tenho esperma...

e sou obrigada a procurar em p�ginas e p�ginas...

de espermas potenciais, porque eu n�o posso.

N�o posso lhe dar um beb�.

Nunca saberemos como seria. Apenas do nosso amor.

E se numa noite de amor engravid�ssemos sem querer?

Se tiv�ssemos isso e pud�ssemos dizer:

"Veja o que fizemos com o nosso amor".

Mas n�o podemos fazer isso. Temos de escolher esperma...

de um cara parecido comigo, que tenha olhos azuis...

e cabelo loiro.

Eu n�o me importo mais.

O esperma ser� diferente por ser de um engenheiro el�trico...

ou de um cara que trabalha numa loja de material de constru��o?

Aqueles de colete vermelho. Qual � o problema nisso?

"Interesses: caminhadas". Ele anda!

Isso � especial. Voc� deve ser um cara especial.

Nosso filho vai ser incr�vel...

porque vamos cri�-lo com muito respeito...

vamos ensinar-lhe coisas bem positivas...

e lhe dizer que ele pode ser o que quiser.

E quando crescer pode ser o que quiser...

porque ele � uma crian�a linda. E � isso que importa, n�o �?

Voc� est� certa.

Mas achava que �amos limitar a lista hoje...

- para os poucos que sobraram. - Estou limitando.

�timo. O que escolheu?

Eu escolhi dez n�o religiosos...

- e com QI acima de 95. - Perfeito.

Quer um brownie?

Recuso-me a engordar durante esse processo.

Mas obrigada.

- Por que est� assistindo TV? - O qu�?

Acho que existe uma distra��o melhor.

Shelley fez isso durante um ano.

- O qu�? - Xixi num copinho...

para mapear os ciclos de ovula��o...

e saber de tudo antes de come�ar.

- Quem � Shelley? - Ela trabalhava conosco...

e seu marido jogava futebol para o Lakers.

Isso foi h� 5 anos.

O caso ainda � relevante.

J�.

A prop�sito, o Lakers � um time de basquete.

- O que eu disse? - Futebol.

Disse?

Disse.

Por que tenho de saber disso?

Se tivermos um menino, ele pode querer saber disso.

Se tivermos um menino, voc� entender� dessas coisas...

por que eu preciso saber? E podemos ter uma filha...

interessada em esportes...

e ainda assim n�o sei a diferen�a. Ponto final.

- Estou ovulando. - Est�? Agora?

- Pegue os perfis. - Qual escolher?

O estudante de filosofia.

- Mas ele coleciona selos. - Escolha o que voc� quiser.

- O paraquedista. - O paraquedista n�o.

N�o quero que nosso filho queira morrer.

Eu gosto de quem se arrisca. Dev�amos consider�-lo.

Fran, n�o vamos come�ar tudo de novo!

- S� quero ter certeza. - J� temos certeza.

S�o 7. Escolha um que n�o seja colecionador. Um momento.

O que est� fazendo? S� se ovula uma vez por m�s.

Vamos aproveitar isso.

- O carpinteiro. - �timo. Jesus era carpinteiro.

Qual � o n�mero?

Tr�s, um, zero, cinco, oito.

- Jesus acabou! - Como assim?

- Dev�amos ter reservado. - Diga para ligarem para Jesus...

- e pedirem mais. - Pode pedir mais para Jesus?

Jogaram o estoque fora e ele n�o tem mais namorada.

- O que isso tem a ver? - Ele pode ter escapado.

Certo, n�o podemos nos arriscar.

O professor est� casado h� muito tempo...

- e o esperma dele � potente. - Voc�s t�m mais do professor?

- Qual � o n�mero? - Oito, tr�s, um, seis, dois.

Queremos. Tudo!

Quanto custa?

Tudo bem, chegamos em 1 minuto e meio.

Vou buscar espermas congelados caros.

Precisam de 2 a 3 meses de teste, para estarem aptos.

Fazemos verifica��es rigorosas. Rastreamos nossos doadores...

Leite fresco fermentado. Estava andando no campo, hoje...

- Leite fermentado? - Exatamente.

Comprei esperma!

- Ol�, Kal. - Ol�, Fran.

Voc� trouxe o material?

Sim, eu trouxe.

- Por que est� cochichando? - N�o quero que me vejam.

Pode entrar.

Fran, n�o consigo passar.

Querida?

Eu gostaria de abra��-la tamb�m...

mas tenho de p�r o beb� no ch�o.

- Que roupa � essa? - Gostou?

Estou segurando. Est� tudo bem.

Meu Deus!

O que voc� fez?

Querida.

Voc� n�o existe.

O que � isso?

- Eu fervi. - Ferveu o recipiente?

- Fervi o recipiente. - Para desinfet�-lo?

Est� tentando dificultar as coisas?

Est� bem.

Pod�amos aproveitar a posi��o e fazer o seu p�.

Voc� precisa me tratar assim?

�ltimo. � a �ltima vez que fazemos isso.

Lamento.

Quatro vezes d� sorte. Des�a para mim.

Quem diria que sou t�o inf�rtil?

- Minha m�e teve 7 filhos. - Sete filhos?

- Eu bem que poderia ter um. - Mas hoje � o dia. Eu sinto.

Sinto-me uma fracassada.

Voc�s n�o imaginam quantos casais repetem isso.

- N�s apenas come�amos. - Jura?

Veja pelo lado bom.

� a m�dica falando. Tome um golinho de vinho.

N�o vai doer. Mentira. S� um pouquinho.

�timo.

Contem.

Aceita inserir o esperma?

- Estou pronta. - �timo, sabe por qu�?

Acabamos.

O qu�? Sem beijo?

Parem com isso.

- Meu Deus. Eu amo voc�. - Tamb�m amo voc�.

- Eu a amo muito. - Eu tamb�m.

Amo as duas, mas tenho de sair daqui.

- Obrigada. - Voc� pode sair daqui?

Com todo prazer.

- Acha que vai dar certo? - Eu sinto que vai.

J� me sinto barriguda.

Ela n�o quis dizer que seria imediatamente.

Voc� podia esperar at� chegarmos em casa.

Eu sei o que estou fazendo.

Voc� est� gr�vida?

Mas houve um minuto de d�vida.

- Precisa de ajuda? - Est� tudo certo.

Voc� acha que � ego�smo...

querer trazer uma crian�a para este mundo?

Como assim?

Al�m da loucura e da viol�ncia...

nosso filho ser� provocado.

- Ele ter� de nos defender. - Talvez.

Mas todas as crian�as s�o provocadas...

faz parte da inf�ncia, n�o �?

E com sorte, se ele aprender o que � discrimina��o...

- o mundo ter� mudado. - E se n�o mudar?

Pergunta interessante, porque sempre mudou.

Eu s� quero amar voc� e continuar amando...

e amar nosso filho.

Fazer esse filho ver o nosso amor.

S� se trata de amor. Como pode ser errado?

- Voc� vai ser uma �tima m�e. - Tomara.

Meu Deus.

S�o lindos.

Obrigada. E d�o trabalho tamb�m.

- T�m filhos na escola aqui? - Ainda n�o temos filhos.

Bem, deveriam tentar.

- Boa sorte. - Obrigada.

Ela disse que dev�amos tentar. Acho que devemos tentar.

Estou gr�vida!

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