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Obrigado.
Música
Chacaraca, chacaracu, chacaraca, chacaracu,
saparata, chacaracu, chacaraca,
chacaracu, chacaraca, chacaracu, chacaraca,
chacaracu.
Vamos tomar?
Vamos tomar juntos?
Tá bom, tá bom, tá bom.
Dá um pouquinho.
Eu já lhe disse, meu amor,
que sou só um gão de botelho.
Que aqui estão pra ajudar vocês
a encontrar...
Vamos também, Laura?
Obrigada.
Ah, ele não quer estragar nossa vibe, né? Mas eu tenho que estragar.
Tem um carro entrando na garagem.
Puta que pariu.
Oi. Nossa, demorou.
O senhor ficou enfiando merda da chave.
Tava fazendo o quê?
Você voltou cedo, né? Uma chuva em Angra, filha. Um caos.
A Irmandinha e a Estela começaram a bater boca. Foi mirando um nojo.
Boa noite, dona Helena.
Me parece que foi uma ótima noite, né, Breno?
Muito bom mesmo.
Até amanhã. Até amanhã.
Tchau, cara. Tchau.
Essa menina Laura parece que gosta muito de você.
Por que que tu tá falando uma baita dessa paixão? Por que que uma coisa tem
ver com a outra? Ah, minha filha, eu não nasci ontem não, tá? Pelo amor de Deus,
fazendo sacanagem aqui em casa. Ainda mais com esse tipinho de gente.
Impressionante como você nem se esforça pra ser escrota. Olha como você fala
comigo, hein, Clarice?
Olha só quem chegou pra jogar.
Oi, meu amor.
Oi.
Qual foi?
Olha só, eu sei que você tá chateada, né?
Só não sei se é por causa da minha mãe ou por causa da tripada.
Cuidado.
Depois a gente conversa, tá? Você não é lugar.
Opa, precisa de ajuda aí, cara?
Preciso, porque acho que travou.
Obrigada.
Tem isqueiro?
Eu não como.
Tá fugindo da música ou das pessoas?
Da música.
E você tava curtindo?
Eu tava tacando uma limunicinha ali.
Qual é o seu nome?
Telco.
Clarice.
Bonito o nome.
Me lembra a Clarice Lispector.
Gente, essa mamãe me persegue, sério.
Eu nunca li nada dela, sabia?
Não vai comer, não?
Beber nada?
Eu sou vegetariano também, não bebo muito.
Então não imagina minha vida sem álcool.
Nem carne, eu sou muito carnívora.
Quer? Não, não, obrigada.
Você não come, não bebe, não fuma.
Você pode, tá?
Desculpa, cara, relaxa.
Piada ruim, foi mal.
O que você faz da vida, Clarice?
Eu faço faculdade.
História da arte.
Mas na real, mesmo, mesmo, meu rolê é cinema.
Roteiro. Você escreveu algum?
E você, Théo, o que você faz da vida?
Eu?
Faço faculdade de medicina.
Que velho.
Minha mãe ia te amar.
Tem arte também na medicina.
Eu, por exemplo, quero ser patologista.
Que massa, Adel.
Maneiro.
Vou rasar.
Você empresta o celular?
Preciso encontrar um amigo e eu tô sem bateria.
Bom, não atendeu. Eu vou...
Vou tentar falar com ele de outro jeito.
Obrigado.
Valeu.
Eu também não entendi nada, porque ele estava naquele mau humor. De repente eu
começo a ver ele conversando de vizinho com aquela menina bonita da faculdade.
Da arquitetura que estava lá? É, essa aí.
Eu já estava muito louca também. Estava falando com o menino, estava perto de
mim. Beijei o menino.
Não aprendi que você fez isso.
Beijei para provocar o Breno.
Mandei mal.
Beijei o menino.
Você quer?
Não, obrigada. Estou levando já.
Ai, que ódio. E a cara dele?
Qual o par com aquela cara de ego ferido dele?
Ego de esquerdomate ferido, né? Para.
Parei.
Vem, vamos.
Coloquei tudo aqui dentro daqui e isso.
Dá todos os vestidos pra baixo.
Daqui a pouco você é arrebentado.
Fechou? Tchau.
Tudo bem?
Chega que você não vinha.
Também achei.
Mas aí eu lembrei que você ia até aqui, todo lindo, todo engomadinho.
Aí eu não resisti.
O que foi?
Quebrou. Você tá de boa?
No caso, você vê que só pra mim vem arrumadinho.
Não tem mais nada pra me dizer, não? Pra não perder a viagem, eu também vim te
pedir desculpa.
E aquele cara lá do churrasco?
Fiz pra te provocar, André.
Mas, homens, sério, é...
Você concorda que foi meio esquisito aquele lance com a Laura? Eu até que eu
curti.
Mas o que eu tô tentando te dizer é que no final fiquei sobrando e... Me
desculpa. Eu viajei. Da próxima vez eu chamo uma desconhecida, uma estranha,
Aí vai ficar tudo bem.
Vai lá.
Arrasa. Tá borrado.
Eu não sabia o que fazer mais pra história caminhar. Eu tive a ideia de
um gringo, é um gringo gato, e uma das amigas se apaixona por ele. E eles têm
romance, um romance ferrenho. Um cara meio manipulador, meio
esquisitão. Clássico do clássico. Segundo classe.
Tava demorando pra ela começar a falar mal de homem, né?
Vamos embora, defende o jeito, arrasta.
Não tem que me defender não, Laura, ainda mais pra você.
Ainda mais pra você? Tem sempre um discurso pronto, anti -homem, né?
Ué, cara, culpa minha ou dos homens? O que você quer que eu faça? Não,
não vem mais, não vou depender a essa hora. Tem tanta raiva de homem assim,
que tu foi pra cama comigo com a Clarice?
Eu não tenho raiva de você.
Mas gosta da Clarice.
Até demais. Vem cá, o que que é isso?
Virou? Pirei? Será que eu pirei mesmo?
Fala aí, Laura.
Fala o que você sente pela Clarice.
Você tá se passando e isso daqui tá sendo muito mais sobre a sua insegurança
que a minha relação com a Clarice. Você não acha?
Você não vai falar nada.
O que é que eu falo?
Ele é pra falar que você é afim de mim, Laura.
Chega de alcrujo. Vamos pra casa? Vamos.
Peraí.
Agora eu fiquei um pouco confusa.
Olha só.
Eu amo o Breno.
Eu amo você também. Eu te amo, Laura.
Mas é diferente, você sabe, né?
Sei.
O que foi?
Não.
É que simplesmente sempre você faz o que você quer, na hora que você quer, e tá
pouco se fudendo com as pessoas. Claro que é, Clarice. Você sempre é assim.
Quando você chamou eu e o Breno pra sua casa, você pensou em quem? Pensou em
Breno? Pensou em mim? Não, você queria satisfazer essa tesãozinha. Você também
só faz o que você quer. Ah, sério, Clarice? Sério. Você é uma hipócrita do
caralho, Laura.
E a Diana?
Tem a Diana.
Tem a Diana?
De a nossa namorada, Laura.
Ah, você também é, não fode. Tá, tchau.
Clarice, você tá doida?
Quem vai, então?
Saco, vocês merecem.
Filho
da
puta.
Sai do rei da rua, Zazu!
Vem. Vem comigo.
Vem.
Para de subir, meu bicho.
Chegou!
Que isso?
Quem é você? O que você tá fazendo aqui? Não, eu tô ajudando. Ela não tá bem. Tá
bem mesmo. Tá bêbada, né, Clarice?
Ai, tira isso daqui.
Tá bêbada. Onde é que é a cozinha? O que tem aqui na cozinha, menina? Preciso
pegar alguma coisa doida que ela possa estar tendo como alcoólico. O que é
menino? É médico, é? Eu sou do medicina. Ah, é?
Então pega um suco ali em cima da mesa.
Clarice.
Filha, pô, filha. Mulher bêbada é ridícula, viu?
A coisa mais feia que tem é a mulher bêbada.
Olha aqui, meu amor. Toma um golinho.
Para um pouquinho. Toma um golinho.
Qual seu nome?
Theo Avelar Guimarães.
Você é parente do desembargador Avelar Guimarães?
Ele era meu pai.
Ah, é?
Vem aqui, meu amor.
Descansa um pouquinho, vem.
Vem cá, rapaz.
Você não fez nada de mal com a minha filha, não, né?
Não tô lembrada de vocês, vocês são amigos?
Ele é meu namorado, é dela.
Ah.
Tá bom então, Theo.
Obrigada, viu?
Pode deixar que eu cuido dela.
Que coisa, hein, filha?
Aqui não tem nem força pra te carregar, meu amor. Não quero. Vai dormir aqui no
sofá mesmo, tá?
Sobeu muito.
Voltou quando?
Na sexta. Não, quer dizer, no sábado eu voltei.
Bom dia.
Bom dia.
Eu voltei e tava essa daí com o namorado e aquela sapatão. Os três completamente
pelados. A gente não tava pelado.
Tá bom, praticamente pelado.
Eu gostaria de estar do teu lado, mas é bem difícil, né?
Suruba com o namorado.
Um pouquinho demais, mas não... Sabe que quando eu era jovem...
Eu não ficava de putaria na casa da minha mãe com o pobretão, não.
Até porque a pobre era você.
Exato, filha. Fazia suruba com o milionário.
Porra, Clarice!
Porra, filha, a mamãe trabalha tanto só pra você não precisar passar pelo que eu
passei. Me preocupo com você, amor.
Imagina se não se preocupasse.
Ouvi, hein?
Ô, filha, que isso? Vem cá.
Que marreta.
Vem tomar café aqui com a gente.
Clarice!
Esse é o calor do amor.
Amanhã é seu dia.
Eu abro essa janela de sobra.
A claridade avisa.
E a gente só precisa um pouco mais só, quebrando a usina.
Fazer a caminhada, caminhar, seguir a vida, chegar no ponto alto.
Em teu caminho, teu carinho, seu círculo.
O que você tá fazendo aqui?
Eu vim ver como você tá.
Tô bem.
Tô... Olha só, agora não é uma hora boa, tá?
É rapidinho, não vou demorar.
Abriu? Abriu.
É só subir direto.
E aí?
Você vai viajar?
Vou.
Vou pra Teresópolis.
Vou escrever meu roteiro.
Calando pro celular.
Tem gente me ataganando.
E tem nome o roteiro?
Tem. Dias Perfeitos.
São três amigas que vão pra Teresópolis também.
E elas ficam no mesmo hotel que eu vou ficar.
Ah, eu adoraria ler.
É?
Obrigado.
Eu vou ler e eu te falo o que eu achei.
Eu só preciso te achar.
Não sei se você me dá seu número?
Achei que você já tinha meu número.
Achei que você tinha pego lá no churrasco.
Não, você tá enganada.
Trouxe pra você.
Obrigada.
Eu fiquei preocupado com você ontem na Lapa.
É perigoso uma mulher assim sozinha, né? Ah, como é que você me trouxe pra cá?
Eu não te disse onde eu morava.
Disse sim.
É que você tava meio bêbada, meio dormindo, aí você não deve lembrar
Você tá me seguindo, cara?
Te seguindo?
Não.
Não. Não, não, que absurdo. Eu... É que você tava realmente muito bêbada. E aí
você não deve lembrar.
Eu tenho a memória muito boa, Theo.
Ótimo.
Então você lembra o que você falou pra sua mãe quando ela perguntou quem eu
Para.
Olha só, é... Na boa...
Eu falei que você era meu namorado pra minha mãe porque ela tava enchendo o
saco. Eu vi que ela foi com a sua cara e eu mandei essa.
Mas eu só queria dormir.
Tá.
Tudo bem.
Mas você me daria... Você me daria uma chance?
Uma chance de falar. É, olha só. Eu te agradeço muito por ontem, tá?
Obrigada. Obrigada pelo livro. Mas não vai rolar.
Isso não tem nada a ver.
A gente é de universos completamente diferentes. A gente só precisa se
melhor. Olha só, eu posso te chamar pra tomar uma cerveja comigo, com os amigos.
Você vai conhecer, você vai gostar. Não, não, Clarice. É que foi muito especial
aquele dia.
O nosso papo.
E, pô, você me beijou.
Foi um selinho, caralho. Foi um selinho. Eu tô tentando, eu tô tentando não ser
escrota aqui.
Mas você não está me ajudando, então eu vou pedir para você pegar o seu livro e
sair da minha casa, por favor.
Eu não gosto que você fale assim comigo.
O que é essa sacanagem?
Você é burro! Sai daqui agora!
Vaza daqui!
O que é isso?
O que é isso?
Música Música
Música
. . . . . .
Vai,
vai, vai.
Não,
gente, deu uma vida. Agora sim, né, bebê? Agora sim, ó.
O que você tá fazendo?
O que você tá fazendo?
Você não tem respeito pelos mortos, não?
Porque se não tem, não devia estar aqui, seu imbecil.
Desculpa, cara, a gente tava só fazendo uma brincadeira. A gente quem?
A gente não.
Quem fez isso foi você.
Quem pintou esse filme foi você.
Olha pra ela.
Olha pra ela.
Essa senhora, o nome dela é Gertrudes.
Eu chamo ela.
Ela morreu de um mal súbito. Ela poderia ter sido enterrada como outros os
outros, mas não.
Ela cedeu o corpo dela pra faculdade.
Pra ciência.
E aí vem uma mimadinha.
Filhinha de papai.
Escrotinha. Isso que tá acontecendo aqui. Provocuda.
Eu não acredito que isso me arraste a pessoa aqui.
O que é, meu filho?
Ele vai ter que mudar para mim, está morto.
Sempre tem alguma coisa. Cuidado com esse degrau.
O que houve? Acho que... Descobriu aqui.
Opa, pede ajuda aí, cara. Eu preciso que não esteja travado.
Quebrou o óculos.
Está tranquilo.
Já aconteceu coisa pior comigo hoje.
Obrigada. Obrigado.
Pode deixar que eu vou.
Divirta -se mesmo.
Você tem pão de alho? Tem picanha, vai?
Não. Belecinha? Não. Não?
Tá fugindo da música ou das pessoas?
Da música.
Você tava curtindo?
Tava atacando uma linguicinha ali.
Qual seu nome?
Theo.
Clarice.
Bonito nome.
Me lembra Clarice Lispector.
Essa mana me persegue, sério.
Eu nunca li nada dela, sabia?
Essa tatuagem é o quê?
Cara, eu fiz bêbada adolescente.
Meio que pra irritar minha mãe.
Minha mãe é advogada, meu pai é engenheiro.
Você não come?
Não bebe, não fuba?
Você pode, então.
Foi mal. Piano ruim.
Horrido.
Você me empresta o celular?
É rápido, é que eu preciso...
Eu preciso encontrar um amigo e eu todo tem bateria.
Bom,
não atendeu, eu vou tentar falar com ele depois.
Vou na casa dele. Obrigado.
Valeu, então.
Boa tarde.
Tudo bem? Eu estou procurando um aluno aqui de vocês, Clarice Manhães, e eu não
consigo uma informação, endereço, não sei, qualquer coisa.
A universidade não divulga dados dos alunos.
Vamos dar uma volta? Bora!
Oi, meu amor.
Mas afinal, amiga, me ajuda. Qual?
Acho que eu prefiro esse aqui da esquerda. Se bem que aquele grande ali
lindo, Marli.
Esse aqui é meu sonoro. Boa tarde,
Marli. Oi, boa tarde. Oi, meu filho. Você se vira amanhã com café? Vou sair
com a Marli.
Pra onde? Uma feira de arte na Praça 15. Vou vender meus quadros.
Você fica bem? Posso ir?
Uhum.
perfumado. Que novidade é essa?
E gato também.
Não é?
Vai onde?
Eu vou encontrar uma menina, mãe.
Bom encontro, meu filho.
Vai com Deus.
Obrigado.
Tchau, Marli. Tchau. Se divirta.
Tchau, meu amor.
Você sabia que ele estava namorando?
Não.
Nunca vi que tem algum namorado. É, amiga.
Uma hora ela é cheia.
É tudo dele.
Perdão. Obrigado.
Boa noite, amigo.
Você me deu uma água, por favor?
Obrigado.
Doutor, por favor, paga um lanche pra me ajudar.
Não tenho nada não, amigo.
Eu tô com fome, doutor. Não comi nada hoje.
Já falei que eu não tenho, cara. Sai daqui, porra!
Obrigada.
Eu amo o Breno.
Eu amo você também.
Eu te amo, Laura.
Mas você sabe... Não é a mesma coisa.
Oi. O que você fez com a Diana?
O que você fez com a Diana?
Ela é sua namorada. Você tá muito louca. Eu tô louca? Olha como você tá falando.
Não foge. Não, não mexa.
Eu vou cuidar de você.
Theo, você é parente do desembargador Abelardo Guimarães?
O desembargador era o meu pai.
Vocês são amigos?
Ele é meu namorado, Helena.
Até amanhã.
Boa noite, Helena.
Boa noite.
Olha só, Théo.
Obrigada por ontem. Obrigada pelo presente. Mas não vai rolar, tá? Não vai
rolar. A gente não tem nada a ver.
Eu nunca quis. A gente só precisa se conhecer um pouco.
Não custa tentar. Olha só, eu te chamo qualquer dia pra tomar uma cerveja. Com
os amigos. Você conhece a galera.
Tem um pessoal legal. Não, Gabi. É que aquele dia... Aquele dia foi especial.
O nosso papo. E... E, pô, você me beijou.
Foi um selinho, caralho. Foi um selinho.
Eu tô tentando ser escrota aqui, mas... Pega a merda do seu livro e sai da minha
casa. Por favor. Eu não gosto que você fale assim comigo.
Você tá de sacanagem. Você é burro. Sai da minha casa.
Vaza da tia e esquece.
Não sei porquê
Bate
feliz Quando
te vejo
E pelas ruas vão te seguindo,
mas mesmo assim,
foge de mim.
Ah,
se tu soubesses como sou tão carinhoso.
E muito, muito que te quero
E como é
sincero, meu amor Eu sei que tu não fugirias mais
de mim
dos olhos meus
à procura dos
teus vem matar
essa paixão que
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