All language subtitles for Shutter.Island.2010.720p.BluRay.x264.DTS-WiKi

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic Download
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian Download
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian Download
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada Download
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu Download
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Download de Legendas em Português LEGENDAS.TK

LEGENDAS E TRADUÇÃO ....:::: P O W E R P L A Y ::::....

ILHAS HARBOR DE BOSTON

Recompõe-te, Teddy! Recompõe-te!

É apenas água.

É muita água.

Anda lá!

- Estás bem, chefe? - Sim, eu apenas...

...apenas fico indisposto com a água.

- És o meu novo parceiro. - Isso mesmo.

Não foi a melhor forma de me conheceres, comigo de cabeça enfiada no w.c..

Não encaixa bem com o homem Teddy Daniels "a lenda", asseguro-te.

A lenda?

O que raio fumam vocês lá em Portland?

Seattle. Venho do posto de Seattle.

- Há quanto tempo és agente Marshall? - Quatro anos.

- Portanto sabes o quanto é pequena. - Claro.

E tu? Tens namorada? És casado?

Fui.

Ela morreu.

- Jesus, eu não... - Não te incomodes.

Houve um incêndio no prédio enquanto eu trabalhava.

Morreram quatro pessoas. Foi o fumo que a matou, não o fogo.

- Isso é importante. - Lamento o sucedido.

Onde estão os meus malditos cigarros?

Aceita um dos meus.

Era capaz de jurar que tinha os meus no casaco antes de ir...

Os funcionários públicos roubam-nos sem vermos.

Obrigado.

Deram-te informação da instituição antes de partires?

Apenas sei que é um hospital psiquiátrico.

Para loucos criminosos.

Bem, se fossem só tipos a ouvir vozes e a caçar borboletas, não precisavam de nós.

- É para além que vamos? - Sim.

O outro lado da ilha é só ribanceiras de rochas, sempre até ao nível da água.

A doca é a única forma de entrar ou sair.

Soltaremos as amarras assim que desembarcarem.

E agradeço que sejam rápidos a faze-lo.

- Porquê? - Aproxima-se uma tempestade.

Nunca tinha visto um distintivo de Marshall.

Sou o chefe dos guardas McPherson, cavalheiros.

Bem-vindos à ilha Shutter. Irei acompanhá-los até Ashecliffe.

Os seu rapazes parecem enervados, Sr. McPherson.

Neste momento, Marshall, estamos todos.

"LEMBREM-SE QUE NÓS TAMBÉM VIVEMOS, AMÁMOS E RIMOS."

Perímetro electrificado.

Como é que sabes?

Já vi algo do género anteriormente.

Bem, senhores, ser-lhes-á prestada toda a ajuda que pudermos,

mas durante a vossa estadia obedecerão ao protocolo.

- Entendido? - Absolutamente.

O edifício vermelho à vossa direita é o pavilhão «A», o dos homens.

O pavilhão «B», o das mulheres, é aquele à vossa esquerda.

O pavilhão «C», é aquele edifício na ribanceira.

Um antigo forte da guerra civil. Os pacientes mais perigosos estão lá.

A entrada no pavilhão «C» é proibida sem a permissão por escrito e

da presença de mim e do Dr. Cawley.

Perceberam?

Age como se a loucura fosse contagiosa.

É-vos pedido aqui o favor de entregarem as armas.

Sr. McPherson, fomos indigitados como marshalls.

É-nos pedido para andarmos sempre armados.

A ordem executiva 319 do Código Federal das Prisões afirma:

"Uma vez dentro da penitenciária

os agentes dessa instituição têm autoridade soberana."

Senhores, não passarão deste portão com as vossas armas.

Certo, agora terminado este assunto oficial, venham rapazes,

que tal irmos procurar o Dr. Cawley?

Quando é que ela escapou? A prisioneira.

Receio que tenha de ser o Dr. Cawley a informá-lo a respeito. Protocolo.

Guardas prisionais numa instituição psiquiátrica, é um cenário estranho,

se me permite dizer. - É única do tipo em todo o país,

até mesmo no Mundo. Aceitamos só os pacientes afectados mais perigosos.

Já que nenhum outro hospital está apto. E deve-se tudo isso ao Dr. Cawley.

Ele criou aqui algo mesmo único.

É um hospital para pessoas que a sociedade normalmente...

Identificações, senhores.

Mostrem os vossos distintivos, senhores.

O Dr. Cawley é muitas vezes consultado.

Pela Scotland Yard, MI 5, OSS. - Porquê?

Como assim?

Porque querem agências de segurança consultar um psiquiatra?

Acho que terá de perguntar-lhe.

- Marshall Daniels. - Doutor.

Marshall Aule.

Obrigado Chefe dos guardas, é tudo.

Sim senhor. Foi um prazer, senhores.

Ele fala bastante de si.

O McPherson é uma boa pessoa. Acredita no trabalho que aqui se faz.

E que trabalho é esse exactamente?

Uma fusão moral entre a lei, o bem-estar e o tratamento médico.

Desculpe-me Dr., uma quê entre quê e o quê?

Esses quadros são bastante realistas.

Era costume os pacientes com que aqui lidamos serem

acorrentados e deixados na própria porcaria.

Eram espancados.

Como se sangra-los pudesse retirar-lhes a psicose, punham-lhes parafusos no cérebro,

mergulhavam-nos em água gelada até perderem os sentidos ou...

...até mesmo afogarem-se.

- E actualmente? - Tratamo-los.

Tentamos sarar, tentamos curar.

E se isso falhar, ao menos demos-lhes uma dose de conforto nas suas vidas: - calma.

São todos criminosos violentos, não são?

Feriram pessoas, assassinaram-nas nalguns casos.

Na maioria dos casos, sim.

E pessoalmente, Dr., devo dizer que se lixe o sentir de calma deles.

O meu papel é tratar os meus pacientes, não as suas vítimas, não estou cá para julgar.

- Portanto, essa prisioneira... - Paciente.

Desculpe, paciente. uma tal Rachel Solando,

escapou algures durante as últimas 24 horas.

A noite passada. Entre as 10 e a meia-noite.

- Ela é perigosa? - Pode dizer-se que sim.

Matou os seus três filhos. Afogou-os num lago, atrás da sua casa.

Levou um de cada vez, prendeu-lhes a cabeça até morrerem.

Depois levou-os para dentro e sentou-os na mesa da cozinha e comeu uma refeição

antes de um vizinho aparecer por lá.

E o marido?

Morreu, nas praias da Normandia. Ela é uma viúva de guerra.

Recusava-se a comer quando aqui chegou, teimava que os filhos não estavam mortos.

- Desculpe Dr., por acaso tem uma aspirina? - Costuma ter dores de cabeça, Marshall?

Às vezes, mas hoje eu...

...estou mais virado ao enjoo marítimo. - Desidratação.

- Estás bem, chefe? - Estou.

Neste caso tem toda a razão, o mais simples é o melhor.

Muito obrigado.

A Rachel, ainda acredita que os seus filhos estão vivos.

Acredita também que isto aqui é a sua casa em Berckshires.

- Está a brincar comigo? - Em dois anos nunca interiorizou que está

numa instituição, acredita que somos todos pessoas de entregas. O leiteiro, carteiros.

Para sustentar a ilusão que os seus filhos nunca morreram criou

uma história bastante elaborada onde faz de nós personagens nessa ficção.

- Já fizeram alguma busca? - O chefe e os homens vasculharam a ilha.

Nem um rasto.

O que é mais inquietante é que não sabemos como conseguiu sair do seu quarto.

Estava trancado por fora. E a única janela tem barras.

É como se ela se tivesse evaporado pelas paredes.

Trouxe-a para cá depois da terapia de grupo e fechei-lhe a porta à chave.

Voltei na ronda da meia-noite, ela já tinha desaparecido.

Na verdade Dr., como é possível a verdade nunca lhe penetrar?

Quero dizer, ela está num hospital psiquiátrico, certo?

Parece-me algo que se perceba às vezes.

Quantos pares de sapatos têm os pacientes?

Dois pares.

A insanidade não é uma opção, Marshall,

não se pode escolher ficar bom.

Portanto...

...ela foi-se embora descalça?

Então Dr.? Ela não aguentaria 9 metros naquele chão.

Marshall?

A LEI DE 4 QUEM É O 67?

Isso é seguramente a letra da Rachel. Não faço ideia nenhuma

o que é a lei 4.

- É algum termo psiquiátrico? - Não é.

Quem é o 67? Lixem-me se eu souber.

Devo dizer que isso é parecido à minha conclusão clínica.

Acha que são rabiscos ao acaso?

Não, de modo algum. A Rachel é inteligente. De facto, é brilhante.

- Esse papel pode ser importante. - Desculpe Dr., mas...

...vamos ter de ficar com isto. - Claro.

Disse que ela teria que passar por aqui?

Depois das luzes apagarem os auxiliares jogam às cartas aqui.

A noite passada estavam ali 7 homens sentados

a jogarem "stud poker" junto às escadas.

Ainda assim, dalgum modo a Rachel foi capaz passar sem ser vista por eles.

Porquê?

Como? Torna-se invisível?

Dr., precisamos ter acesso aos arquivos de todo o pessoal médico, das enfermeiras,

dos guardas, dos auxiliares. De todos que estavam de serviço.

- Vou pensar no seu pedido. - Isto não é um pedido, Dr..

Isto é uma prisão federal. Uma perigosa prisioneira...

- Paciente. - Paciente, fugiu.

- Agora irá colaborar ou... - Apenas digo que verei o que posso fazer.

Dr., vamos precisar falar com o pessoal. Está a entender?

Vou reuni-los na sala comum após o jantar.

Se não tiverem mais questões queiram juntar-se ao Chefe dos guardas na busca.

São 11 milhas até à terra mais próxima e as águas são geladas.

A corrente era forte a noite passada. Com a maré a empurrar,

ter-se-ia afogado ou esmagada contra as rochas e o seu corpo teria dado à costa.

E aquelas cavernas além? Verificaram-nas?

É impossível lá ter chegado.

A base daqueles penhascos está coberta de hera-venenosa, carvalho-venenoso e sumagre.

Por mil plantas com espinhos do tamanho do meu "pau".

Você próprio o disse, Marshall, ela não tem sapatos.

Muito bem! Vamos lá verificar o outro lado!

- O que é aquela torre? - É um velho farol.

Os guardas já o vasculharam por dentro.

O que há lá dentro? Mais pacientes?

É uma estação de tratamento de águas residuais.

Vai escurecer daqui a pouco. Vou cancelar isto durante a noite.

Vamos, rapazes!

- Estava a guardar aquela ala, certo? - Sim.

Ninguém podia sair ou entrar num quarto e passar naquele corredor sem eu ver.

A Rachel Solando, por mais quem teria de passar até aqui chegar?

Eu.

Glen Miga.

- Senhor, eu não vi nada. - E esteve no seu posto toda a noite?

Sim. E não vi nada.

Glen.

Glen.

Diz-me a verdade.

Eu...

Eu talvez tenha ido ao w.c..

- O quê? Violaste o protocolo? Cristo! - Nem demorei um minuto.

Muito bem, recapitulemos, recapitulemos tudo.

A Sra. Solando foi posta no seu quarto antes das luzes apagarem.

Alguém aqui sabe o que ela fez antes disso?

Alguém sabe?

Então? Alguém sabe...

Esteve numa sessão de terapia de grupo.

Ocorreu alguma coisa fora do normal?

- Defina fora do normal. - Desculpe?

Isto é um hospital psiquiátrico, Marshall. Para os criminosos loucos.

Normal não faz muito parte do nosso dia-a-dia.

Refaço a questão.

Aconteceu algo a noite passada durante a terapia de grupo que fosse mais...

...digamos, não sei, mais marcante... - Normal?

Exactamente.

Não. Lamento.

A Sra. Solando disse alguma coisa durante a terapia de grupo?

Ela estava preocupada com a chuva.

E odiava a comida daqui.

Queixava-se constantemente. Incluindo a noite passada.

Dado que lá estava, havia algum médico presente?

Sim, o Dr. Sheehan orientou a sessão.

Dr. Sheehan?

Sim. É ele que orientava a sessão.

É o responsável pela Rachel.

O psiquiatra que supervisiona o tratamento dela.

Vamos precisar falar com o Dr. Sheehan.

Receio que não seja possível. Ele partiu no ferry desta manhã.

As suas férias estavam já planeadas, andava a adiá-las há muito.

Está num estado de bloqueio obrigatório, uma paciente perigosa está em fuga,

e deixou o seu responsável ir de férias?

Com certeza. É um médico.

Tem o número de telefone, para onde ele foi?

Estou? Estou?

Estou?

Está aí alguém?

Desculpe Sr., foi tudo abaixo, todas as linhas.

A tempestade atingiu o continente forte e feio.

Se voltar a funcionar, procure-me imediatamente.

Os marshalls precisam fazer uma ligação importante.

Sim senhor.

Está lá?

Em princípio farei uma ronda nocturna pelos pavilhões,

mas terei umas bebidas e um charuto na minha casa por volta das nove.

- Gostariam de por lá passar? - Óptimo, conversaremos então, certo?

Temos estado a conversar, Marshall.

Parece que me enganei a respeito da função pública.

É um pouco imponente. Foi construído durante a guerra civil,

ao mesmo tempo das casas-fortes militares no pavilhão «C».

Esta é a residência original do comandante. Quando o estado recebeu a conta,

o comandante foi a tribunal militar. - Posso ver a razão.

Bonita música. De quem é? Brahms?

Não.

É Mahler.

Está certíssimo, Marshall.

Desculpem-me senhores, o meu colega, o Dr. Jeremiah Naehring.

Quarteto para piano e cordas em Lá menor.

- O vosso "veneno", senhores? - Um uísque de centeio seria bom.

Um refrigerante com gelo, se favor. Obrigado.

Não bebe álcool?

Estou surpreso.

Não é comum as pessoas na vossa profissão beberem muito?

Bastante comum. E na sua?

Desculpe?

- Na sua profissão Dr., em psiquiatria. - Sim?

Sempre ouvi dizer que está cheia de esponjas e bêbados.

Nunca dei por isso.

O que é isso? É chá gelado aí no seu copo?

Excelente, Marshall.

Tem uns mecanismos de defesa notáveis.

Deve sentir-se bastante à vontade nos interrogatórios.

Homens como o senhor, são a minha especialidade. Sabia?

- Um homem de violência. - É uma suposição arrojada de se fazer.

Não é suposição, de todo. Não me entendeu, eu disse: - "É um homem de violência."

Não estou a acusá-lo de ser um homem violento, o que é diferente.

Por favor, por favor, esclareça-nos, Dr..

Ambos serviram além mar.

Não é difícil de se ver, Dr., tanto quanto sabe, fomos lá oficiais de burocracia.

Não, não foram.

Desde do recreio da escola nenhum dos dois alguma vez fugiu dum confronto físico.

Não, não por gostarem, mas porque recuar é algo que não consideram uma opção.

- Não fomos educados para fugirmos, Dr.. - Sim, educados.

- E quem o criou, Marshall? - Eu?

Lobos.

Mecanismos de defesa deveras impressionantes.

Acredita em Deus, Marshall?

Estou a falar a sério.

Isso é lixo.

Alguma vez viu um campo de morte, Dr.?

Um "Konzentrationslager". Não?

Eu já, eu estive lá, na libertação de Dachau.

O seu inglês é muito bom, perfeito.

O seu inglês é de facto muito bom. Contudo carrega ligeiramente nas consonantes.

É alemão?

- A imigração legal é um crime? - Não sei, Dr., diga-nos o senhor?

Ouçam, vamos precisar dos arquivos do Sheehan e, do resto do pessoal também.

Nenhuns arquivos pessoais ser-lhe-ão cedidos. Ponto final.

- Vamos precisar desses ficheiros. - Está fora de questão.

Tretas! Está fora de questão!? Tretas!

Afinal quem manda aqui?

O Dr. Naehring comunicou à administração no continente o vosso pedido e foi recusado.

Recusaram? Não têm autoridade para recusar. Nem o senhor.

Marshall, continue a sua investigação e faremos tudo para ajudar.

Ouça, esta investigação acabou. Vamos fazer relatórios e entregá-los ao...

- Ao pessoal do Hoover. - Ao pessoal do Hoover. Isso mesmo.

Apanhamos o ferry de volta amanhã. Vamos, Chuck.

Bela noite.

Vão pernoitar nos dormitórios dos auxiliares.

Chefe! Vamos mesmo embora?

Porquê?

Não sei. É que... nunca desisti de nada.

Até agora, ainda não ouvimos qualquer verdade, Chuck.

A Rachel Solando não pode ter escapado duma cela trancada descalça sem ajuda.

Eu acho que teve muita ajuda.

Neste momento, talvez o Cawley deva estar na sua mansão acordado,

a repensar nos seus actos.

- Talvez, pela manhã... - Estás a fazer bluff?

Eu não disse isso.

Encontrei um monte destas, Teddy.

Jesus! Vais ficar sóbrio alguma vez?

Matei muita gente na guerra.

É por isso que bebes?

És real?

Não.

Ela continua aqui.

Quem?

Rachel?

Ela nunca se foi embora.

Lembras-te quando ficámos na cabana no verão, Teddy?

Estava tão feliz.

Ela está aqui. Não te podes ir embora.

Eu não me vou embora.

Amo-te tanto.

Sou apenas ossos num caixão, Teddy.

Não!

Sou.

Tens que acordar.

Não quero ir.

Estás aqui.

Não estou.

Tens de encarar isso.

Mas ela está.

E ele também.

Quem?

Laeddis.

- Eu tenho que ir. - Não.

Não, por favor. Por favor, deixa-me abraçar-te mais um pouco.

- Só por mais um pouco. - Deus, Teddy.

Tens de deixar-me ir.

Não consigo.

Não vai haver ferry com esta porcaria.

Doutor!

Doutor!

Precisamos interrogar os pacientes que estiveram na sessão de terapia da Rachel.

Pensei que a sua investigação terminara.

Não parece possível que apanhemos o ferry.

A Rachel recebia algum outro tratamento para a sua doença?

Sabem qual é o estado no campo da saúde mental hoje em dia, senhores?

Não. Não faço ideia.

De guerra.

A velha escola defende a intervenção cirúrgica. Psicocirurgia.

Procedimentos como a Lobotomia Transorbital.

Alguns dizem que os pacientes passam a ficar bons, afáveis.

Outros dizem que passam a ser zombies.

- E a nova escola? - Psicofarmacologia.

Uma droga nova chamada Thorazine foi aprovada.

A qual acalma os pacientes psicóticos. Pode dizer-se que os domestica.

- E a que escola pertence, Dr.? - Eu?

Tenho a ridícula ideia que, se se tratar o paciente com respeito.

Se o ouvirmos.

Tentar compreendê-lo. Talvez possamos ajudá-lo.

- Estes pacientes? - Até estes.

O que deveria ser o último recurso passou a ser a primeira resposta.

Dar-lhes um comprimido, pô-los num canto e tudo irá passar.

A Rachel Solando tomava uma combinação de drogas

para impedir de tornar-se violenta. Mas tinham só um efeito intermitente.

O principal obstáculo para a sua cura foi a negação daquilo que tinha feito.

Foi.

Há alguma razão para referir-se ao seu paciente sempre no passado, Dr.?

Olhe lá para fora, Marshall.

O que acha?

O próximo é Peter Breen,

atacou a enfermeira do pai com um copo de vidro partido.

A enfermeira sobreviveu, mas a sua face ficou para sempre desfigurada.

Mal posso esperar!

Ela sorriu para mim, era tão adorável.

Mas, podia-se ver-se nos seus olhos. Ela gostava de ficar nua.

De fazer mamadas.

É tudo, Sr. Breen.

Depois pediu-me que lhe desse um copo com água!?

Sozinhos? Na cozinha? Não se está mesmo a ver?

- O que não se estava mesmo a ver? - Era óbvio.

Ela queria que eu tirasse para fora o meu coiso, para poder rir-se dele.

Sr. Breen,

precisamos de fazer-lhe umas perguntas, pode ser?

Quando a cortei ela gritou.

Mas...

...ela assustou-me.

Ela estava à espera do quê?

Interessante.

Mas estamos aqui para falar da Rachel Solando, está bem?

Rachel Solando.

Sabiam que ela afogou os seus próprios filhos?

Afogou os próprios filhos!

Estamos a viver num mundo doentio, digo-vos.

Sabe? Deveriam ser gaseados! Todos! Os retardados, os assassinos, os negros.

Matar os próprios filhos? Gazeiem essa cabra.

Importa-se de parar com isso?

- A enfermeira. - Por favor, pare com isso.

A enfermeira talvez tivesse filhos,

um marido.

Que tentava fugir às dificuldades,

viver uma vida normal.

E diz aqui no seu arquivo que...

...destruiu-lhe o rosto. Não foi?

Parabéns, acabou a normalidade para ela, para sempre.

Sabe do que ela tinha medo?

- De si. - Pode parar com isso! Por favor!

Pare com isso!

Por favor! Pare!

Conheces uma paciente chamada Andrew Laeddis? Conheces?

Não! Não.

Eu quero regressar.

- Agarrem-no! - Já o tenho!

Eu nunca sairei daqui.

Não tenho a certeza se devo.

- Desculpe por dizer isto, Sra. Kearns. - Menina.

Menina Kearns.

Parece tão...

...tão normal. Quero dizer, em comparação com os outros pacientes.

Bem, eu tenho os meus dias maus. Suponho que toda a gente tem.

A diferença é que a maioria das pessoas não matam os maridos com um machado.

Apesar de pessoalmente, pensar que se um homem bater-te e,

come metade das mulheres que vê e...

...ninguém ajudar-te.

Usar o machado não é a coisa menos compreensível que possas fazer.

Talvez não devesse sair.

O que iria eu fazer se saísse?

Já não conheço o mundo.

Dizem que há bombas que podem reduzir uma cidade a cinzas.

E aquilo a que chamam televisões,

vozes e caras a saírem duma caixa.

Já ouço vozes que bastem.

O que pode dizer-nos da Rachel?

Não muito. É... muito reservada.

Ela acreditava que os seus filhos estavam vivos,

acreditava que ainda vivia em Berkshires. E que todos nós éramos os seus vizinhos.

- O homem do leite, o carteiro... - O homem das entregas.

O Dr. Sheehan estava lá nessa noite?

Sim.

Ele falou acerca da raiva.

Fale-me acerca dele.

Como é ele?

É...

bom, agradável.

Não faz mal à vista, é o que a minha mãe diria.

Alguma vez se meteu consigo?

Não.

Não, o Dr. Sheehan é um bom doutor, ele nunca iria...

Posso beber um copo de água, se faz favor?

Claro.

Obrigada, Marshall.

Só tenho mais uma pergunta para si, Menina Kearns.

Alguma vez conheceu um paciente chamado Andrew Laeddis?

Não.

Nunca ouvi falar dele.

Foi preparada.

Ela usou quase as mesmas palavras do Cawley e da enfermeira.

- Como se fosse instruída para falar. - Quem é o Andrew Laeddis?

Perguntou a todos os pacientes por ele. Quem é?

Que diabos, chefe, sou o teu parceiro, por amor de Deus!

Acabámos de nos conhecer, Chuck.

Ando nisto há muito tempo.

Tens um dever, uma carreira. E o que eu estou a fazer,

não segue à risca as normas.

Estou-me a lixar para as normas, chefe. Só quero é saber o que raio se passa.

Quando este caso chegou via telex,

Solicitei-o em especial. Estás a perceber?

Porquê?

O Andrew Laeddis.

era o homem da manutenção no prédio onde morava a minha mulher e eu.

Certo.

Era também um pirómano.

O Andrew Laeddis acendeu o fósforo,

que causou o incêndio que matou a minha esposa.

Deixem-nos sair!

O que aconteceu ao Laeddis?

Escapou. O Laeddis escapou e depois desapareceu.

Há cerca dum ano abri um jornal e ele estava lá.

Grande feioso filho da mãe.

Tem uma cicatriz enorme da têmpora direita até ao lábio esquerdo.

Olhos de cores diferentes. Não é um tipo de cara que se esquece.

Incendiou uma escola e matou duas pessoas.

Disse que as vozes disseram-lhe para fazer aquilo.

Primeiro foi para a prisão. Depois foi transferido para aqui.

- E depois? - E depois nada.

Desapareceu como se nunca tivesse existido. Não há registos, nem nada.

Tenho a certeza que não no pavilhão B. Resta-nos o C.

Ou pode estar morto.

Assim como a Rachel Solando, visto assim. Há muitos sítios onde esconder um corpo.

Mas há um sítio em que ninguém repararia.

Aquela paciente, a Bridget Kearns, quando me pediu ir buscar água,

ela disse-te alguma coisa, não disse?

Não.

Vá lá, chefe!

Escreveu.

"Foge"

Chefe!

Temos de nos abrigar. Isto está a ficar como a porra do Kansas.

- Aguenta! - Não! Vamos embora!

Cuidado!

Jesus!

- Anda! Volta! - Não!

- Entremos ali! - Vamos.

Empurra!

Jesus Cristo!

Chiça!

- Estás bem, chefe? - Sim. Estou bem.

E se o Laeddis aqui estiver...

...o que pensas fazer?

Não estou aqui para matar o Laeddis.

Se fosse com a minha mulher, matava-o duas vezes.

Quando atravessámos os portões de Dachau, os guardas das SS renderam-se.

O comandante tentou matar-se antes de lá chegarmos mas...

...fê-lo mal.

Levou-lhe uma hora para morrer.

Quando saí para a rua, vi os corpos no chão.

Demasiados para serem contados.

Mais do que se possa imaginar.

Então reunimos...

...os guardas que se renderam, tiramos-lhes as armas, alinhamo-los.

Aquilo não foi uma acção de guerra,

foi um assassínio.

Já tive matança que chegue.

Não é por isso que aqui estou.

Então, qual é a razão de tudo isto?

Depois de o Laeddis ter desaparecido,

comecei a fazer umas investigações acerca de Ashecliffe.

Muitas gente sabe deste lugar, mas não quer falar, sabes, é como...

...é como se tivessem medo de alguma coisa.

Sabias que este lugar é financiado por um fundo especial?

Através do Comité das Actividades Anti-Americanas.

O HUAC? E...

como combatemos exactamente os comunistas a partir duma ilha num refúgio de Boston?

Realizando experiências mentais.

- Pelo menos, é o meu palpite. - E pensas que é o que passa aqui?

Tal como disse, ninguém queria falar, certo?

Até que encontrei alguém que foi um paciente aqui.

Um tipo chamado George Noyce. Um puto universitário porreiro, socialista.

Ofereceram-lhe dinheiro para fazer uns testes psíquicos. Adivinha o que testavam?

- Pasta de dentes? - Começou a ver dragões em todos os lados.

Quase matou seu o professor à pancada e acaba aqui em Ashecliffe.

Pavilhão C.

Libertaram-no um ano depois, certo? E depois o faz ele?

Duas semanas no continente, entra num bar, e mata três homens à facada.

O seu advogado alega insanidade mas o Noyce, o Noyce,

levanta-se no tribunal e,

implora ao juiz a cadeira eléctrica,

qualquer destino menos um hospital psiquiátrico.

O Juiz deu-lhe a perpétua na prisão de Dedham.

- E foste vê-lo? - Sim, fui.

Bem, ele está feito em cacos.

Mas é bastante claro face àquilo que me diz.

- O quê? - Fazem experiências com pessoas aqui.

Não sei, chefe.

- Como acreditar num doido? - Essa é a beleza disto, não é?

Os doidos são cobaias perfeitas. Falam e ninguém lhes liga.

Eu estive em Dachau.

Vimos o que as pessoas são capazes de fazer umas às outras, certo?

Por amor de Deus, lutámos numa maldita guerra para travá-los, e agora

descubro que talvez esteja a passar-se aqui? No nosso chão?

Não.

Então o que fazes aqui em concreto, Teddy?

Vou arranjar as provas.

Regressar e vou rebentar com este lugar.

É isso.

Espera aí.

Começaste a fazer perguntas sobre Ashecliffe.

À espera duma oportunidade de vir aqui, e subitamente precisam dum U.S. Marchall?

Tive sorte, um paciente fugiu, era desculpa perfeita.

Não, não, chefe, a sorte não funciona assim.

O mundo não funciona assim.

Eles têm uma vedação electrificada à volta dumas instalações médicas.

O pavilhão C fica dentro dum forte da guerra civil?

Um chefe da direcção com ligações à OSS? Fundos da HUAC? Jesus Cristo!

Tudo acerca deste lugar tresanda a operações do governo.

- E se eles o queriam aqui? - Disparate.

- Andou a fazer perguntas. - Disparate.

Viemos aqui devido à Rachel Solando. Onde está a prova de que tenha sequer existido?

Seria impossível saberem que eu ia investigar este caso. Impossível!

Enquanto os vigiavas, eles vigiavam-te.

Só precisaram de simular uma fuga para vires.

E agora apanharam-te, apanharam-nos aos dois aqui agora.

Marshalls, estão aqui?

Daqui é o Chefe dos guardas McPherson.

- Marshalls! - E esta? Encontrou-nos.

Isto é uma ilha, chefe. Vão sempre encontrar-nos.

Eu sei que estão aí dentro!

Vamos sair desta ilha maldita, tu e eu.

Anda!

- Anda! - Vamos!

Sequem-se. O Dr. Cawley quer falar convosco, imediatamente.

E despachem-se! Esta coisa está a transformar-se num maldito furacão.

Deixei os vossos fatos na lavandaria,

devem estar prontos amanhã.

Isso é se não formos levados pelo tempo primeiro.

A propósito. Receio que os vossos cigarros estejam estragados.

Por isso.

É a nossa única opção, certo?

Tenho algo num lindo cinzento prisão se não gostarem dessa.

Já que se refere a elas, estas servem bem.

É por isso que volto a insistir que todos os pacientes do pavilhão C

fiquem presos manualmente.

Se as instalações inundarem-se, afogar-se-ão.

Sabe disso.

- Seria preciso uma grande inundação. - Estamos numa ilha no meio do oceano

em pleno furacão. Grande inundação parece uma possibilidade plausível.

- É um risco, Steven. E se falha a energia? - Há um gerador de segurança.

E se isso falhar? As portas das celas irão abrir-se.

E para onde poderão ir?

Não podem saltar para um ferry, acelerarem para o continente e ficarem curados.

Tens razão. É mais provável que se curem aqui connosco.

Se os algemarmos ao chão, morrerão.

Vinte e quatro seres humanos.

Não consegues viver com isso, consegues?

Francamente, comigo a decidir, punha todos os 42 nos pavilhões A e B algemados também.

- Desculpem! Desculpem! - Marshall.

- Desculpe Dr., tenho uma pergunta rápida. - Sim, vou ter consigo num instante.

Quando falámos esta manhã acerca do bilhete da Rachel Solando.

A lei dos 4, gostei dessa.

Disse que não fazia ideia ao que se referia a segunda linha, correcto?

Quem é o 67?

Sim, receio ainda não saber. Ninguém de nós sabe.

Não lhe ocorre nada?

Nada?

Porque ia jurar que ouvi-o dizer que estão... 24 pacientes no pavilhão C,

e 42 pacientes nos pavilhões A e B,

o que significa um total de quanto? 66 pacientes nestas instalações?

Sim, está correcto.

O que parece que a Rachel Solando sugere...

...é que o senhor tem um 67º paciente, Dr..

- Mas receio que não temos. - Isto é ridículo.

- O que fazem aqui? - Fazemos o nosso trabalho maldito!

O McPherson não lhe contou as boas notícias?

Não. Quais são as boas notícias, Dr.?

A Rachel foi encontrada.

Está aqui.

Sã e salva.

Não tem nem um arranhão.

Quem são estes homens?

- Porque estão aqui na minha casa? - São polícias, Rachel.

Eles... têm algumas perguntas.

Senhora.

Foi avistado um conhecido comunista...

...subversivo a distribuir folhetos por estes lados.

Aqui?

Neste bairro?

Sim, receio bem que sim.

Agora, se pudesse dizer-nos o que fez ontem e onde esteve,

iria de facto ajudar-nos a estreitar a nossa busca.

Sim...

Bem, eu...

Fiz o pequeno almoço para o Jim e as crianças,

e depois eu...

Embrulhei o almoço do Jim e ele saiu.

E depois mandei as crianças para a escola.

E depois...

Resolvi tomar um longo banho no lago.

Estou a ver.

E depois disso?

Depois disso...

Pensei em ti.

Desc...desculpe, Sra.. Não sei do que está a falar.

Não sabes o quanto tenho estado só, Jim?

Tu partiste.

Morreste.

Choro todas as noites.

Como posso sobreviver?

Deus.

Rachel, vai ficar tudo bem.

Lamento muito, mas...

tudo irá ficar bem, está bem?

Eu enterrei-te.

Enterrei um caixão vazio. O teu corpo foi despedaçado e espalhado

comido por tubarões no mar.

O meu Jim está morto. Portanto, quem raio és tu?

Quem raio és tu?

Quem és tu? Quem és tu?

Desculpe aquilo, não quis interromper.

Pensei que ela lhe pudesse dizer algo, mas...

Encontrámo-la junto ao farol, a atirar pedras.

Não temos ideia como escapou mas... Peço-vos que desçam para a cave.

Há comida, água e camas. É o lugar mais seguro para se estar,

quando se é atingido por um furacão.

Sente-se mal? Está pálido.

Estou bem, é apenas...

Chefe, estás bem?

É que há...muita claridade, não há?

Foto sensibilidade, dores de cabeça por vezes. Está a ter uma enxaqueca?

Estou bem.

Tome isto, Marshall. Um par de horas e ficará impecável.

- O que se passa com ele? - Tem uma enxaqueca.

Imagine alguém serrar-lhe a cabeça, enchê-la de lâminas e abanar fortemente.

- Tome os comprimidos, Marshall. - Não!

- Não quero os comprimidos! - Acabarão com a dor. Tome os comprimidos.

Ele vai precisar de deitar-se.

Deus!

Cuidado. Já está.

Vai ficar bem. Descanse.

- Quem é aquele? - Aquele?

É o director da prisão.

Não se preocupe com ele, está bem?

Parece um ex militar imbecil.

Sabe? Nessa não vou discutir consigo.

Devias ter-me salvo.

Devias ter-nos salvo a todos.

Amigo.

Laeddis.

Pois.

Meu...

...meu amigo.

Sem ressentimentos, certo?

Sem ressentimentos.

Uma coisita para mais logo.

Porque eu sei o quanto precisas dela.

O relógio não pára, meu amigo.

Estamos a ficar sem tempo.

Pode dar-me aqui uma ajuda?

Posso ficar metido em problemas.

Estou morta?

Lamento muito.

Porque não me salvaste?

Tentei, eu quis, mas quando cá cheguei,

era tarde demais.

Vês?

Não estão lindos?

Porque estás toda molhada, querida?

O Laeddis não está morto.

Ele não se foi embora.

Ainda cá está.

Eu sei.

Precisamos de encontrá-lo, Teddy.

Precisas de encontrá-lo e matá-lo.

Está tudo bem.

- Percebi! - A sala do gerador inundou-se!

Estás bem, chefe?

Maldita enxaqueca.

O gerador de segurança falhou. Anda tudo num alvoroço.

O que queres fazer?

Cristo!

Não, não, não! Larga isso! Já!

Achas que o sistema eléctrico foi-se por inteiro?

Diria que é bem provável.

Toda a segurança electrónica, vedações, portões, as portas.

Um belo dia para dar uma volta, não achas?

Até ao pavilhão C, por exemplo?

Anda!

Talvez cheguemos até ao Andrew Laeddis.

O tipo de quem eu falei, o George Noyce?

Contou-me que é aqui que mantêm os piores.

Aqueles de que até os outros presos têm medo.

- O Noyce disse-te algo sobre a planta? - Muito pouco.

Só se lembra de pessoas a gritar dia e noite. Não haviam janelas.

E barras de ferro por todo o lado.

Jesus Cristo!

A primeira vez no pavilhão C?

- Sim. - Pois, pois.

- Sim, ouvimos histórias... - Acreditem, rapazes. Não ouviram nada.

Já prendemos a maioria dos "lélés".

Mas alguns deles ainda andam à solta.

Se virem algum, não tentem apanhá-lo sozinhos.

Esses "marados" irão matar-vos. Perceberam?

Certo. Então mexam esses rabos, andem.

Ele está aqui.

O Laeddis.

Posso senti-lo.

Apanhei-te! Agora ficas tu!

Ted!

Teddy!

Escuta-me!

Escuta-me! Eu não quero sair daqui, está bem?

Porque iria alguém querer? Ouvimos coisas aqui.

Acerca do mundo exterior. Acerca dos atóis,

acerca dos testes das bombas de hidrogénio.

Sabes como actua uma bomba de hidrogénio?

- Com hidrogénio! Com hidrogénio! - Que engraçado.

- Chefe? - As outras bombas explodem, certo?

Mas a bomba de hidrogénio não. Ela implode!

Provocando uma explosão com 100 milhões de graus.

- Percebeste? - Sim, sim!

- Mesmo? - Percebi! Percebi!

Larga-o!

Não!

O que estás a fazer?

Jesus Cristo, Teddy. Jesus!

Apanharam o Billings?

O que se passa com vocês? É apanhá-los, não é matá-los!

Ele atacou-nos.

Tu, ajuda-me aqui com ele. Temos de levá-lo à enfermaria.

Bolas! Não! Tu não, tu não. Vai dar uma volta.

Vamos lá!

O Paul vai ficar-me com os tomates por causa disto.

Laeddis.

Laeddis.

Por favor!

Porque não consigo...

...parar-me antes que mate mais?

Vai-te embora!

Por favor! Por favor!

Laeddis.

Disseste-me que me libertaria deste lugar.

Tu prometeste.

Tu mentiste.

Laeddis?

Laeddis!?

Essa tem montes de graça.

- A tua voz. - Não a reconheces?

Depois de tanto conversarmos?

Depois de todas as mentiras que me contaste?

Deixa-me ver-te a cara.

Dizem que agora pertenço-lhes.

Dizem que nunca sairei daqui.

O teu fósforo está quase a apagar-se.

- Deixa-me ver já a tua maldita cara! - Porquê?

Para que me possas mentir mais?

- Isto não é pela verdade! - É sim.

- É pelo mostrar da verdade. - É acerca de ti!

E do Laeddis.

É disto que sempre se tratou.

Eu fui um dano colateral. Uma forma de entrar.

George?

George Noyce?

Não, não é possível, não podes estar aqui.

Gostas?

Quem te fez isso, George?

- Fizeste tu! - Como assim?

Toda a tua conversa, toda a tua maldita conversa. E voltei para cá por tua causa.

George, como conseguiram tirar-te de Dedham?

Seja como for que aconteceu, vou achar uma forma de remediar isto. Percebes?

Agora jamais sairei. Saí uma vez, mas duas não, duas nunca.

- Conta-me como te puseram aqui? - Eles sabiam!

Não estás a entender? Tudo o que ias fazer. Todo o teu plano.

Isto é um jogo. Isto tudo...

...é para ti.

Não andas a investigar nada.

És um raio dum rato num labirinto.

George...

...George estás enganado.

A sério?

Tens andado muito sozinho desde que chegaste cá?

Tenho andado com o meu parceiro.

Nunca trabalhaste com ele anteriormente, trabalhaste?

Ele é um...

É um US Marshall de Seattle.

Nunca trabalhaste com ele anteriormente, trabalhaste?

George, olha eu...

...conheço as pessoas. Eu confio neste homem.

Sendo assim, eles já ganharam.

Porra!

Eles vão...

...levar-me para o farol.

Vão cortar-me o cérebro.

E só estou aqui por tua causa!

George, eu... vou tirar-te daqui, tu não vais para o farol. Não vais!

Não podes descobrir a verdade e matar o Laeddis ao mesmo tempo.

Tens de escolher, entendes isso, não entendes?

Não vim cá para matar alguém.

- Mentiroso! - Não vou matá-lo! Juro-te, juro!

Ela está morta.

Esquece-a.

Esquece-a.

Diz-lhe Teddy.

Diz-lhe o porquê.

Tens de o fazer. Não há volta a dar-lhe. Esquece-a!

Conta-lhe do dia em que trouxeste-me o medalhão.

Tens de o fazer!

E disse-te como se me partia o coração e perguntaste-me porquê?

Ela está a dar-te cabo da cabeça.

E depois disse-te que era por alegria.

Ela vai matar-te! Ela vai matar-te!

Queres descobrir a verdade? Tens de a esquecer!

- Não consigo. - Tens de a esquecer!

Não consigo! Não consigo.

Então jamais sairás desta ilha.

Dolores?

Ele não está neste pavilhão.

Foi transferido,

para fora daqui.

Se não está no pavilhão A,

apenas pode estar num sítio.

O farol.

Que Deus te ajude.

Chefe, temos chatices. O Cawley e o McPherson estão cá dentro.

Ouviram dizer que um auxiliar espancou um paciente,

procuram-no por todo lado. Vão a caminho do telhado.

Vamos pirar-nos daqui. Por aqui!

Não pares. Pertencemos aqui.

- O que te aconteceu? - Como assim?

Onde estiveste?

Após termos levado aquele tipo à enfermaria, fiz um pequeno desvio

até aos arquivos dos pacientes.

Chegaste a encontrar o Laeddis?

Não. Não cheguei a encontrá-lo.

Encontrei a segunda melhor pista. O formulário de admissão dele.

Era a única coisa no arquivo. Sem apontamentos das sessões, de ocorrências,

sem fotografias, era só isto. Foi estranho.

Toma, dá uma olhadela.

Vejo isso mais tarde.

O que se passa, chefe?

Vejo isso mais tarde, é só.

- Ashecliffe é por este lado. - Não vou para Ashecliffe.

Vou até aquele farol.

Vou descobrir o que raio se passa nesta ilha.

Ali está ele.

Bolas!

Estamos demasiado a sul. Vamos ter de voltar.

É impossível passarmos por aquelas rochas.

Podia haver uma forma por detrás daquelas árvores.

Talvez um caminho passe à volta das rochas e vá até ao farol.

O que fazemos aqui? Temos o formulário de admissão!

Prova que há um 67º paciente, o qual disseram repetidamente que não existia.

Eu vou entrar naquele farol. Estás a perceber?

Que raio posso dizer para impedir-te?

Porque o irias querer, Chuck? Porquê?

Porque descer assim no escuro é um pequeno passo para o suicídio. É por isso.

Está certo.

Então talvez seja melhor ficares fora desta.

Tu meteste-me nisto, chefe. E agora estou preso nesta rocha.

Nesta ilha. Sem confiar em ninguém senão em nós. E agora estás a agir como...

A agir como? A agir como?

Estou a agir como?

O que raio se passou há pouco naquelas celas, Ted?

Como achas que está o tempo em Portland, Chuck?

Sou de Seattle.

Seattle?

Eu vou prosseguir... sozinho.

- Eu vou contigo, chefe. - Eu disse sozinho!

Está bem.

Bolas!

Bolas!

Sabia que não demorava. Mas não pude lá chegar porque a maré está cheia.

Chuck!

Chuck!

Anda lá!

Chuck!

Onde estás tu, Chuck?

Chuck!?

Chuck!

Quem é você?

Chamo-me Teddy Daniels.

Sou um polícia.

Você é o Marshall.

Correcto.

Importa-se de tirar as mãos detrás das costas, por favor?

Porquê? Porquê?

Quero assegurar-me que o que segura não me vai magoar.

Vou continuar com isto,

se não se importa.

De acordo.

Você é a Rachel Solando.

A verdadeira.

Matou os seus filhos?

Eu nunca tive filhos.

Nunca fui casada.

Antes de ser uma paciente em Ashecliffe, trabalhei aqui.

Era uma enfermeira?

Era uma doutora, Marshall.

Acha que estou doida?

- Não. Não, eu... - E se disser que não estou doida?

Isto pouco ajuda, não é?

É o génio kafkaesco da coisa.

Dizem a todos que está doido

e todos os seus protestos em contrário só confirma o que dizem.

Não estou a percebe-la, peço desculpa.

Uma vez que seja declarado doido,

então tudo o que fizer é tido como parte da insanidade.

Os seus protestos sensatos são negações.

Medos justificados são paranóia.

Instintos de sobrevivência são... ...mecanismos de defesa.

É mais esperto do parece, Marshall, isso não é provavelmente uma boa coisa.

- Diga-me uma coisa. - Sim.

O que lhe aconteceu?

Comecei a perguntar acerca das grandes remessas de sódio amital.

- E alucinogénios à base de sódio. - Drogas psicotrópicas.

E também perguntei acercas das cirurgias.

Já ouviu falar da lobotomia transorbital?

Preparam o paciente com choques eléctricos,

depois passam pelo olho com um picador de gelo

e extraem algumas fibras nervosas.

Faz o paciente muito mais obediente.

Dócil.

É bárbaro.

Despropositado.

Sabe como a dor penetra no corpo, Marshall, sabe?

- Depende onde se magoar. - Não.

Nada tem a haver com o corpo. O cérebro controla a dor.

O cérebro controla o medo, a empatia, o sono, a raiva, a fome, tudo.

E se pudesse controlá-lo?

- O cérebro? - Para recriar um homem,

para que não sinta dor,

ou amor ou simpatia.

Um homem que não possa ser interrogado por não ter memórias para confessar.

Não se podem retirar todas as memórias dum homem. Nunca.

Marshall, os norte coreanos usaram prisioneiros de guerra americanos

nas suas experiências de lavagem ao cérebro.

Transformaram soldados em traidores. É isto que estão aqui a fazer.

Estão a criar fantasmas para por no mundo

a fazerem coisas que um homem são nunca faria.

Para ter esse tipo de habilidade, esse tipo de conhecimento levaria anos.

Anos e anos de pesquisa, centenas de pacientes como cobaias.

Daqui a 50 anos, as pessoas olharão para trás

e dirão que foi aqui neste lugar que tudo começou.

Os Nazis usaram os judeus, os Soviéticos usaram prisioneiros dos seus "gulags",

e nós... ...nós testámos pacientes...

...em Shutter Island.

Não! Não irão testar!

Não.

Consegue perceber...

...que não o podem deixar partir?

Eu sou um Marshall Federal, não podem reter-me.

Eu era uma psiquiatra de renome,

duma família respeitada.

Não fez diferença.

Deixe-me perguntar-lhe, teve algum trauma na sua vida?

Sim. Porque... ...porque teria isso importância?

Porque podem apontar para um evento do passado e dizer

que essa é a razão de ter perdido a sua sanidade.

Para que quando o prenderem aqui

os seus amigos, colegas digam: "é óbvio que ele teve uma recaída".

"Quem não teria após o que ele passou?"

Podem dizer isso de qualquer um. De qualquer um.

A questão é que vão dizer acerca de si.

Como está a sua cabeça?

- A minha cabeça? - Alguns sonhos estranhos ultimamente?

Perturbação do sono? Tem tido dores de cabeça?

Tenho tendência a ter enxaquecas, sim.

Jesus!

Não tomou nenhuns comprimidos, pois não?

- Nem mesmo aspirina? - Tomei aspirina.

Jesus!

E comeu comida da cantina e bebeu o café que lhe serviram?

Diga-me que pelo menos tem fumado o seu próprio tabaco.

Não. Não.

Não, não tenho.

Leva 36 a 48 horas para os narcóticos neurolépticos

fazerem efeito na corrente sanguínea.

A paralisia muscular surge em primeiro.

As pontas dos dedos em primeiro e depois toda a mão eventualmente.

Ultimamente teve algum pesadelo que o acordasse, Marshall?

Diga-me o que se passa naquele farol?

Diga-me.

Operações cerebrais.

Tipo: "Abramos este crânio e vejamos o que sucede se extrairmos isto".

Não são diferentes do modo Nazi.

É assim que criam os fantasmas.

Quem sabe acerca disto?

Refiro-me na ilha. Quem?

Toda a gente.

Não posso. As enfermeiras, os auxiliares?

- É possível que não soubessem. - Toda a gente.

Não pode ficar aqui.

Pensam que eu morri, que me afoguei. Se vierem à sua procura, podem achar-me.

Lamento, mas vai ter que sair.

Virei buscá-la.

Não estarei cá. Ando durante o dia, mudo de sítios cada noite.

Mas eu posso vir buscá-la e levá-la desta ilha.

Não ouviu nada do que eu disse?

A única forma de sair é o ferry e eles controlam-no.

Nunca sairá daqui.

Eu andava com um amigo.

Estava comigo ontem mas separámo-nos,

viu-o?

Marshall,

você não tem amigos.

Aí está você.

Estávamos curiosos em saber quando iria aparecer.

Sente-se.

Venha.

Estava a dar uma caminhada lenta? Não estava?

Estava a ...apenas...

...apenas a dar uma vista de olhos.

Desfrutou do último presente de Deus?

- O quê? - Do presente de Deus?

Da violência.

Quando desci as escadas em casa e vi uma árvore na sala,

ficou ao meu alcance como uma mão divina.

Deus ama a violência.

- Não tinha dado por isso. - É claro que tinha.

Senão porque existiria tanta?

Está dentro de nós. É o que nós somos.

Fazemos guerras, imolações, pilhamos e saqueamos

e rasgamos a carne dos nossos irmãos. E porquê?

Porque Deus deu-nos a violência para a travarmos em sua honra.

Pensei que Deus nos desse regras morais.

Não existe regra moral tão pura quanto esta tempestade.

Não existe de facto regra moral.

Apenas existe isto: "Pode a minha violência dominar a tua?"

- Não sou violento. - É sim.

É violento por defeito.

Eu sei disso porque também sou violento por defeito.

Se as restrições da sociedade fossem levantadas e

se eu estivesse sempre entre si e uma refeição,

você esmagaria o meu crânio com uma pedra e roubaria a minha refeição.

Não o faria?

O Cawley pensa que é inofensivo, que pode ser controlado, mas eu sei que não é assim.

- Você não me conhece. - De ginjeira.

- Não, não conhece. - Conheço, conheço.

Conhecemo-nos há séculos.

Se enterrasse os meus dentes na sua vista neste momento,

seria capaz de parar-me antes de o cegar?

Experimente.

É esse o espírito.

Onde esteve?

Por aí, a ver a sua ilha.

Esqueci-me que estava de partida, agora que encontrou-se a Rachel.

Pois claro.

- Grande reunião. - Sim.

Parece que esteve um homem desconhecido ontem no pavilhão C.

Pôs em depressão um paciente muito perigoso. Muito habilidoso.

Não me diga.

Parece que teve uma longa conversa com um esquizofrénico paranóico, George Noyce.

Este Noyce, como disse que se chamava,

- Ele delira, certo? - Bastante. Pode ser bastante perturbador.

De facto, há duas semanas, um paciente ficou tão incomodado

com uma das histórias do Noyce que o agrediu.

Um cigarro?

Não, obrigado. Deixei de fumar.

Então, vai apanhar o ferry?

Sim, de certeza. Eu...

Acho que já temos tudo o que nos trouxe cá. Por isso.

"Nós", Marshall?

A propósito. Tem-no...

- Tem-no visto, Doutor? - Quem?

O meu parceiro, Chuck.

Você não tem parceiro, Marshall. Veio para cá sozinho.

Sabe, construi algo de valor aqui e as coisas de valor tendem a ser mal entendidas

na sua própria época. Todos querem uma cura rápida, sempre quiseram.

Tento fazer algo que as pessoas incluindo você não entende.

E eu não vou desistir sem lutar.

Estou a ver que sim.

Então, fale-me novamente acerca do seu parceiro.

Qual parceiro?

Marshall!?

Vai a algum lado?

Vou apenas a caminho do ferry.

Receio... receio que seja no sentido oposto.

Se esperar um momento, eu...

...posso arranjar alguém para levá-lo à doca.

O que é isto, Doutor?

- O que é isto? - É apenas um sedativo.

- É por precaução. - Precaução.

O que vai fazer? Matar-me? Vai, Marshall?

- Acha que merece? - Pelo quê? Por provocá-lo?

E desculpe-me, o que é que não o provoca?

Comentários.

- Palavras. - Nazis!

E isso também?

E é claro, memórias, sonhos.

Sabia que a palavra "trauma" deriva da palavra "ferida" em grego?

E qual é a palavra alemã para sonho? "Traum".

"Einen traum".

As feridas podem criar monstros.

E você... e você está ferido, Marshall.

Porque não concordaria que quando vemos um monstro,

devemos travá-lo?

- Concordo. - Sim.

O que estás a fazer, querido?

Tens de chegar ao ferry.

Não. Não, não.

Se todos pensam que o Chuck morreu, então ele é perfeito para as experiências deles.

Só o podem ter levado para um sítio.

- Vais morrer se fores até lá. - É o meu parceiro.

Se estão a magoá-lo, a prendê-lo contra vontade, eu tenho de o libertar.

Não posso perder mais ninguém.

Não vás Teddy, por favor. Por favor não faças isso. Não vás.

Lamento, querida.

Adoro esta coisa porque tu deste-ma.

Mas na verdade é...

...uma gravata feia como a porra.

Não!

Não te mexas! Fica onde estás!

Vai matar-me?

Não. Não vou matar-te.

Porque estás toda molhada, querida?

- O que foi que disse? - Sabe muito bem o que eu disse.

A propósito, a espingarda está descarregada.

Sente-se.

Por amor de Deus, seque-se. Ainda vai constipar-se.

Está bem.

Com que gravidade magoou o guarda?

Não sei do que está falar.

Sim, está aqui.

Deixe o Dr. Sheehan observar o seu homem antes de o mandar subir.

Então, o Dr. Sheehan.

Veio no ferry desta manhã.

Não foi bem assim.

Fez explodir o meu carro. Eu adorava bastante aquele carro.

Lamento que assim fosse.

Os tremores estão a ficar muito intensos?

Como estão as alucinações?

Sai daqui, Teddy.

Este lugar vai ser o teu fim.

- Não estão más. - Irão piorar.

Eu sei. A Dr.ª Solando...

contou-me acerca dos antipsicóticos.

Ela sabia? E quando foi isso?

Eu encontrei-a Dr., numa caverna nos penhascos. Mas nunca dará com ela.

Não duvido.

Considerando que ela não existe.

Mas as suas alucinações são mais severas do que pensava.

Você não anda a tomar antipsicóticos.

Na verdade, não anda a tomar nada.

Então que porra é esta? Que porra é esta?

- Abstinência. - Abstinência?

De quê? Não tomei uma maldita bebida desde que estou nesta ilha.

Clorpromazina.

Não sou adepto da farmacologia mas tenho de reconhecer que no seu caso.

- Clorpro... o quê? - Clorpromazina.

A mesma coisa que lhe temos dado nos últimos 24 meses.

Então nos últimos dois anos

tem tido alguém a drogar-me em Boston, é isso?

Não em Boston. Aqui.

Está cá há dois anos, como paciente desta instituição.

Depois de tudo o que aqui vi, Doutor,

pensa mesmo que vai convencer-me que estou doido?

Sabe com que tipo de gente lido todos os dias? Sou um US Marshall, por amor de Deus.

Foi um US Marshal. Eis uma cópia do seu formulário de entrada.

Invadiu o pavilhão C para provar a existência do paciente 67.

Se tivesse chegado ao continente, teria acabado com o segredo deste lugar.

- Espere. Espere. - Mas dalguma forma não teve tempo

para olhar para ele ainda. Leia-o agora.

Comece.

O paciente é muito inteligente, delira muito.

Veterano condecorado do exército.

Presente na libertação de Dachau.

Ex U.S. Marshall. Conhecida tendência à violência.

Não mostra remorso pelo seu crime porque nega

que esse crime alguma vez ocorreu. Altamente elaboradas e fantásticas

narrativas as quais evitam que enfrente a verdade das suas acções.

Estou farto destas tretas. Onde está o meu parceiro?

Onde está o Chuck? Onde está ele?

Tentemos isto doutra forma.

O nome de solteira da sua esposa era Chanal, não era?

- Nem sequer fale dela! - Receio que tenha de o fazer.

Detecta algo em comum nestes quatro nomes?

A sua regra 4.

- Andrew, o que vê? - Se fez algo

- ao meu parceiro, Dr., é uma violação... - Concentre-se, Andrew. O que vê?

Os nomes, têm as mesmas letras.

Edward Daniels tem exactamente as mesmas 13 letras que Andrew Laeddis.

As mesmas que Rachel Solando e Dolores Chanal.

Os nomes são anagramas entre eles.

Tácticas de indução. Não vai resultar comigo.

Veio cá pela verdade. Aqui está ela.

O seu nome é Andrew Laeddis.

O 67º paciente em Ashecliffe é você, Andrew.

Tretas.

Foi enviado para cá por ordem do tribunal há 24 meses. O seu crime foi terrível.

Um que a si não se consegue perdoar, por isso inventou um outro eu.

Fiquemos pelos factos, certo?

Criou uma história onde não é um assassino, é um herói ainda como U.S. Marshall.

Apenas aqui em Ashecliffe devido a um caso

e descobriu uma conspiração de modo a que tudo o que lhe dizemos

acerca de quem é, do que fez, possa ser visto como mentiras, Andrew.

O meu nome é Edward Daniels.

Ando a ouvir esta fantasia há dois anos. Conheço cada detalhe.

O paciente 67, a tempestade, a Rachel Solando.

O seu parceiro desaparecido. Os sonhos que tem cada noite.

Esteve em Dachau, mas talvez não matou guarda algum.

Gostaria de poder deixá-lo viver no seu mundo de fantasia.

Gostaria mesmo.

Mas é violento, treinado, perigoso. É o mais perigoso paciente que temos.

Agrediu auxiliares, guardas, outros pacientes.

Há duas semanas atacou o George Noyce.

Não, não! Estou-me a nas tintas para si, Dr..

- Você espancou o Noyce! - É claro que não.

Dê-me uma razão para que lhe tocasse.

Porque ele chamou-o Laeddis, e você faz tudo para não o ser.

Tenho uma transcrição da conversa que teve ontem com o Noyce.

Isto é acerca de si e do Laeddis. Foi sempre em relação a isto.

Não, não! Diz aqui que é entre mim e o Laeddis.

Quando perguntou-lhe o que aconteceu ao seu rosto, ele disse e cito novamente:

"Fizeste tu!"

Nada disso, ele quer dizer que foi culpa minha.

Você quase que o matou.

O Director e a direcção central determinou que se faça algo. Foi decidido

a menos que consigamos trazer-te de volta à sanidade já. Neste momento.

Serão tomadas medidas permanentes para assegurar que nunca mais magoe alguém.

Irão lobotomizá-lo, Andrew. Compreende?

Sim, eu compreendo.

Compreendo perfeitamente.

Se eu não alinhar aqui no vosso joguinho,

o Dr. Naehring vai transformar-me num dos seus fantasmas.

E em relação ao meu parceiro?

Vai dizer à U.S. Marshall que ele é um mecanismo de defesa?

Olá, chefe.

Mas que porra se passa aqui?

Trabalhas para ele?

Lamento, não havia outra forma, alguém tinha de ficar contigo, de olhar por ti.

Tens andado a vigiar-me?

A vigiar-me o tempo todo.

Quem... quem és tu?

Quem és tu? Diz-me.

Não me reconheces, Andrew?

Tenho sido o teu psiquiatra responsável nos últimos dois anos.

Sou o Lester Sheehan.

Falei-te da minha esposa.

- Eu sei. - Escalei um penhasco para salvar-te.

Confiei em ti. Arrisquei tudo para vir aqui por ti. Tudo!

- Eu sei, chefe. - Estamos a ficar sem tempo, Andrew.

Jurei perante a direcção central que podia construir

o mais radical, arrojado papel alguma vez tentado na história da psiquiatria

para trazer-te de volta. Julguei que se lhe deixasse fazer isto,

podíamos fazer com que visse o quão inverídico, o quão impossível é.

Teve que percorrer este lugar dois dias.

Diga-me, onde estão as experiências Nazis?

As satânicas cirurgias de ensaio?

Andrew, ouve-me.

Se fracassarmos contigo,

então tudo o que tentámos fazer aqui ficará desacreditado. Tudo.

Estamos aqui na linha da frente duma guerra, rapazão.

E neste momento, tudo se resume a ti.

Não se mexam! Não se mexam!

- Andrew, não! Não! - O meu é Edward Daniels!

Esta está carregada. Posso dize-lo pelo peso.

Estou a ver. E essa é a sua arma, Marshall? Tem a certeza?

As minhas iniciais estão na lateral. Há uma marca no tambor do dia

em que o Philip Stacks alvejou-me e não vai baralhar-me a cabeça com esta, Dr..

Então dispare, porque essa é a única forma que terá de sair desta ilha.

Andrew, por favor, pare.

A minha arma!

O que fizeram à minha maldita arma?

É um brinquedo, Andrew.

Estamos a contar-te a verdade.

A Dolores estava insana. Maníaco-depressiva suicida.

Tu bebias. Mantinhas-te afastado, ignoraste o que todos te disseram.

Mudaste para aquela casa no lago após ela propositadamente

ter incendiado o apartamento na cidade.

- Estás a mentir! - Andrew! Andrew, pára!

Vocês só dizem mentiras!

Andrew, os teus filhos. Andrew, os teus filhos!

O Simon.

- O Henry. - Nunca tive filhos.

A sua esposa afogou-os

na cabana junto ao lago.

E aqui, a menina, aquela com quem sonha

- todas as noites. - Nunca tive uma filha.

Aquela que lhe diz vezes sem conta que a deveria ter salvo,

salvo a todos.

A sua filha.

Chamava-se Rachel. Vai negar que ela alguma vez existiu?

Andrew, vai?

Lamento tanto, querido.

Eu disse-te que não viesses aqui.

Eu disse-te...

...que isto seria o teu fim.

Estou de volta.

Apanhámo-lo mesmo à saída de Oklahoma.

Deve ter parado nuns dez sítios daqui a Tulsa. Estava capaz de dormir uma semana.

Dolores?

Dolores?

Dolores?

Dolores?

Querida!?

Porque estás toda molhada?

Tive saudades tuas.

Quero ir para casa.

Tu estás em casa.

Onde estão os miúdos?

Estão na escola.

É Sábado, querida.

Não há escola ao Sábado.

Na minha há.

Meu Deus!

Meu Deus!

Meu Deus!

Meu Deus! Não! Não!

Vá lá! Vá lá!

Anda! Não! Por favor, Deus!

Por favor, Deus! Não!

Não!

Não!

Não!

Anda pô-los à mesa, Andrew.

Secamo-los,

mudamos-lhes as roupas.

Serão os nossos bonecos com vida.

Amanhã podemos levá-los a um piquenique.

Se alguma vez me amaste , Dolores...

...por favor pára de falar.

Eu amei-te.

Insisto que me libertes!

Querida!

Damos-lhes banhos!

- Amo-te, querida. - Eu também te amo.

- Amo-te tanto. - Tanto, eu amo-te...

Andrew.

Andrew, consegues ouvir-me?

Rachel!

Rachel! Rachel?

Rachel?

Qual Rachel?

A Rachel Laeddis.

A minha filha.

Está aqui porquê?

- Porque matei a minha esposa. - E porquê fez isso?

Porque ela matou os nossos filhos.

E disse-me que a deixasse partir.

- Quem é o Teddy Daniels? - Ele não existe.

Nem a Rachel Solando. Eu inventei-os.

Porquê?

Precisamos ouvi-lo a dizê-lo.

Após ela ter tentado matar-se pela primeira vez,

A Dolores disse-me que ela...

...que ela tinha um insecto...

...a viver dentro do cérebro dela.

Conseguia senti-lo,

a soar pelo seu crânio,

a puxar os cordelinhos só por mero gozo.

Ela disse-me isso.

Disse-me isso mas eu não liguei.

Eu amava-a tanto.

Porque razão os inventou?

Porque não consigo assimilar que a Dolores matou os nossos filhos.

E eu...

...eu matei-a porque não...

...não a consegui ajudar.

Eu matei-os.

Eis a minha teoria, Andrew. ultrapassámos isto uma vez,

há nove meses atrás, e depois regrediu.

- Não me lembro disso. - Eu sei.

Voltou ao ponto de partida, Andrew. Como uma cassete,

sempre a tocar numa espiral sem fim.

Espero que o que fizemos seja o bastante para impedir que se repita. Mas...

...eu preciso de saber que aceitou a realidade.

Veio em meu auxílio, não foi Doutor?

Tentou ajudar-me quando mais ninguém o faria.

O meu nome é Andrew Laeddis.

E eu matei a minha esposa na Primavera de 52.

Como vai isso esta manhã?

Bem. E tu?

Não me posso queixar.

Então qual é o nosso próximo passo?

Diz-me tu.

Temos de sair deste rochedo, Chuck.

De volta ao continente. Seja o que for que aqui se passa é mau.

Não te preocupes, parceiro. Não vão apanhar-nos.

É isso mesmo. Somos espertos demais para eles.

Pois somos. Não somos?

Sabes? Este lugar faz-me duvidar.

Sim? Do quê, chefe?

O que seria pior?

Viver como um monstro?

Ou morrer como um bom homem?

Teddy?

LEGENDAS E TRADUÇÃO ....:::: P O W E R P L A Y ::::....

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.