All language subtitles for Não se Aceitam Devoluções - Filme 2018 Nacional Br

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Original subtitles

Eu resolvi fazer da minha vida...

uma aventura.

E essa daí,

foi, sem dúvida, uma das mais perigosas.

Porque esse tubarão, minha gente

é uma espécie muito rara.

Não só rara,

como uma espécie muito violenta.

É...

Eu nem acreditei quando vi esse tubarão.

Eu olhei pra ele,

ele olhou pra mim...

E foi então que...

percebi que rolou uma conexão.

Juca...

Você me deixa louca

Minha baianinha...

Você é uma das Sete Maravilhas do Mundo.

Eu quero me casar. Casa comigo?

Eu quero ter muitos filhos.

Estava indo tão bem. Precisava mandar essa?

Pra que essa conversa?

Juca...

Você me deixa louca.

- Você me vira a cabeça. - É?

Vem cá, só uma pergunta. Você não quer casar e ter filhos não, né?

Eu? De jeito nenhum.

Deus me livre.

Vai gostar. Vem comigo!

Brenda.

Você é uma das Sete Maravilhas do Mundo, sabia?

- Mentira. - Estou te falando.

- Mentira. - É sério.

- É sério. - Mentira

- Olha! - O quê?

Olha, Juca! Vamos pedir para tentar também?

Não... sei lá.

O tempo não está bom,

- as ondas estão fechando muito... - Por quê?

- Não, não estou a fim. - Então vamos fazer outra coisa, né?

- Outra coisa? - Vamos saltar de paraquedas?

Eu vi a sua foto!

Você não é campeão de paraquedas?

Não é o melhor do mundo?

- Que exagero! - Eu vi.

- Não. - O melhor, não.

O segundo melhor.

Não estou a fim, não.

Sabe um esporte que é muito popular aqui no Brasil

e que a gente podia praticar?

Canastra real!

Bati!

- Está muito emocionante esse jogo. - Já vi, já vi.

Muito legal...

Juca, você tem medo de altura. Você não me engana.

- Tenho medo de nada. - Tem, sim.

Que medo, o quê? Eu sou um cara cauteloso.

Eu não sou medroso.

Cautela não é medo.

Ah, tá. E todas aquelas fotos...

aqueles vídeos de você caindo de paraquedas,

Você surfando na praia, o que é isso?

Gostei de você e vou te contar o que é.

Uma jogadinha de marketing.

Jogadinha de marketing...

Vamos lá pra casa?

Tem outro esporte que é muito popular aqui no Brasil que eu quero te ensinar.

Quem é, meu pai?

- Pois não? - Oi, Juca. Tudo bom?

Oi, a gente se conhece?

O quê?

Eu fui uma das suas Sete Maravilhas do Mundo pra você,

dois anos atrás.

Lembro. É claro! Lembro, lembro, sim.

- Seu filho? - Não, é filha. Emma se chama.

- Emma. - Olha.

- Que bonitinha. Que linda. - Ela é linda demais, não é?

Que bom que você voltou para passear com a família aqui, né?

- Você quer um café? Eu vou buscar... - Não, idiota.

A Emma é a sua filha.

- Não. - É.

Não pode ser. Não é mesmo.

Não parece nem comigo. Não é.

Você tem 50 reais aí?

O quê?

50 reais, tem?

Eu preciso para pagar o táxi.

Tá. Tenho. Espera só um instantinho.

Aqui.

Pronto.

- Pega aí pra mim. - Tá.

Aqui.

Eu...

Eu já volto, viu?

Já volto, já, já.

Ué, vai...

É a filha da minha irmã.

Uma gracinha, né?

Pronto.

Prontinho.

Fralda suja.

Mesmo assim eu acho que ela está com uma certa fominha, né?

Você acha?

Não tem leite aí, não?

O que é isso? Está maluco?

Isso aqui é puro silicone, meu filho.

A sua irmã deve ter colocado uma mamadeira nessa bolsa.

- Minha irmã, claro... - Aqui.

- Tem que esquentar, está gelada. - Sabe o que eu não estou entendendo.

- O que você não está entendendo? - Olhando assim para ela,

e olhando para você... Vocês não são parecidos.

Falei que eu não sou parecido com ela!

Essa criança não pode ser minha filha de jeito nenhum. Não parece comigo.

Sua filha? Como assim, "sua filha"?

Você tem uma filha com a tua irmã?

Não, não. Vocês entenderam...

Não ela... Ela não é minha irmã.

Ela chegou aqui, trouxe essa bebê e disse que a bebe é minha filha.

Louca.

Aí, ela pegou 50 reais e foi lá pagar o táxi.

Mas ela já deve estar voltando e explica tudo melhor, né?

- Melhor assim. - Bom...

Bom, ela tá limpinha.

É, vem com o papai titio vem vindo.

Mas olha só, vocês não podem ir embora e me deixar aqui sozinho com ela.

Gente, lembrei! Eu tenho que ir no médico hoje.

- Estou sentindo a coxa, que jogo futebol. - Você não joga futebol.

Eu jogo futebol.

E o jogo começa daqui a pouco.

Mas vocês não podem ir embora daqui.

Gente vocês ficaram de passar o final de semana comigo aqui.

Meninas.

Meu Deus.

Menininha, você que conhece a sua mãe...

você não acha que ela seria capaz de te largar aqui comigo e ir embora...

para sempre?

É o telefone. Fica aqui quietinha, viu?

Fica aqui quietinha.

- Alô? - Oi, Juca.

- Sou eu, a Brenda. - Brenda... Brenda!

Brenda onde é que você se meteu? Cadê você?

Juca... Toma conta da Emma?

Ela é um bebezinho muito especial.

Brenda, pelo amor de Deus, onde é que você se enfiou? Cadê você?

Eu não posso...

Me perdoa. Eu não posso. Me perdoa.

Me perdoa.

Não pode, não pode, o quê? O que você não pode?

Pelo amor de Deus, onde é que você se enfiou, mulher?

Chamando o voo 3455 para Malásia.

Aeroporto. Como eu sou idiota, meu Deus!

Da próxima vez que eu sair e te deixar e você não me avisar,

juro que eu te largo pra trás.

Com licença...

Moço, segura ela pra mim aqui rapidinho? Segura.

- Meu amigo, oi. - Pois não, senhor?

Você não viu passar por aqui uma morena, altona, bonitona,

fala um português meio...

Meio hiponga, uns vinte e poucos anos?

Meu amigo... Morena, alta, meio hiponga, vinte e poucos... Dá uma olhadinha ali.

- Nenhuma dessas? - Ô moda, hein?

Obrigada. Boa viagem.

Brenda.

Brenda.

- Não pode passar, senhor. - Brenda, a tua filha aqui!

- Não pode passar! - Me deixa passar...

- Segurança! - Brenda. Brenda!

Brenda! Espera aí, amigo.

Mas é a mãe dela.

Eu quero entregar para a mãe dela.

Eu quero entregar para a mãe dela. A mãe dela está embarcando, moço.

Moço, eu não posso ficar com essa menina.

Brenda?

- Juca Valente! - Luizinho? Você sabe trocar fralda?

Saber ou não saber, será essa a questão?

Tu tem nojo de quê? Tudo que é da terra é de Deus.

- Meire, Meire. Meire, pelo amor de Deus. - Meire!

- Meire, cadê? - Oi, Juca.

Que bom que você apareceu. Tem um freguês aqui do quiosque...

O que é isso?

Juca, qual é o nome dela?

Não sei, deve estar aí escrito no papel.

Emma?

O nome dela é Emma.

Tem nome de ave.

Podia ser pior, podia ser araponga, avestruz, siriema.

Come um peixinho, nenê, é típico daqui.

Isso aí tem pimenta, lesado.

- Juca, por que você não fica com ela? - Tá louca? Deus me livre! Eu, hein?

Já está na hora de você tomar um rumo na sua vida

e parar de correr atrás desses rabos de saia, isso sim.

Não é isso não, é que eu não vou conseguir trabalhar, entendeu?

Ele tem que aprender inglês, né?

Daqui a pouco a bichinha vai querer falar e não vai entender nada.

Mano, não é só isso, não, viu?

Daqui a pouco eu vou ter que dar banho, trocar fralda...

Ela faz cocô toda hora.

Eu vou ter que assistir aquela galinha pintadinha umas 50 vezes por dia...

E além disso, daqui a pouco ela cresce, né? Arranja um namorado

e eu vou ter que bater no sujeito que emprenhou ela. De jeito nenhum.

Olha, neném, deixe eu te falar. Eu vou ser um péssimo pai, viu?

- Besteira. - Não é besteira, não.

O tempo ensina.

Eu tive uma ideia. Bora pra sua casa.

Essa é a última caixa com bugiganga de mulher.

- Alguma coisa deve ter da tal Brenda aqui. - Tem que ver.

Ela deve ter deixado alguma coisa de lembrança.

Aqui! Aqui! Aqui!

Olha aqui, gente, pelo amor de Deus, essa foto!

- É essa que é a Brenda. - Nossa!

- Ela é uma teteia! - Para, Luizinho.

Olha aqui, já tem mais de um ano e meio isso aqui.

O que está escrito aí, hein?

Será que dá alguma pista de onde essa mulher está?

Tem um hotel aqui na foto.

- Laytown Hotel. - Leitão Hotel?

Para, Luizinho, você nem sabe falar inglês.

Será que é onde ela trabalha, hein?

Tá parecendo. Tá até de maiô e tudo aqui.

Onde que fica esse negócio?

Espera aí...

Isso é em Los Angeles.

Deus me livre e guarde, eu não falo inglês, você está louca?

De jeito nenhum. Eu não quero ir pro States também agora, não.

- Ele tem medo. Ele tem medo de avião. - É isso mesmo.

Eu não tenho medo de avião. Não tenho medo de nada.

Eu não tenho medo, tenho respeito. E eu acho um absurdo avião.

O avião é mais pesado que o ar movido à explosão e não tem atrito.

Foi feito pra dar cagada. Voa na sorte.

- Pelo amor de Deus. - Mas tu tem medo. Tu tem medo de tudo.

É Juca, então, não tem jeito. Você vai ter que ficar com a menina.

Mas ela é tão lindinha.

Você vai acabar se apaixonando por ela.

- Papai. - "Papai."

- Viu? - Ela falou. Você viu?

Luizinho, esse teu amigo que fez a autorização de viagem da mãe.

- Ele é firme mesmo, né? - É bom esse menino!

O nome dele é Eduardo, é de Rocha.

Você leva isso aqui, apresenta. Não vai dar nada errado.

Seja objetivo como eu.

Objetivo como você. Sei...

- Será que isso vai dar certo, Luizinho? - Vai dar. Vai dar.

Agora, eu só não entendi esse outro papel. O que que é?

É certidão de óbito da mãe?

Ignora isso por enquanto. Só mostra o da frente.

Isso daqui é em uma situação emergencial.

Menina, pode acreditar, viu?

Você vai ficar muito melhor lá nos Estados Unidos.

Só para você ter uma ideia, lá...

os filmes estreiam primeiro.

O Crepúsculo, por exemplo, quando estreou o Crepúsculo lá,

aqui já estava amanhecendo.

- Luizinho. Será que vai dar certo? - Vai. Vai.

Obrigado, viu?

- Tchau, amiga. - Juca, meu amigo.

- Vai com Deus. - Não vou demorar, não.

- Vá com Deus, meu amigo. - Cuida direitinho da Emma.

- Obrigado. - Coragem, viu?

O avião tem dois andares, mas ele levanta voo, é só ter paciência.

- Para. - Pra que falar isso, Luizinho?

Ô, boca de caçapa. Vou te falar um negócio.

Já viu, moça?

Está tudo certo aqui.

Vai conhecer a avó materna.

A mãe não pôde ir, por isso autorizou.

- A mãe está muito doente. - Tá certo.

Tá com a zero-um na mão. Talvez não vingue.

- Tchau. - Tchau.

- Vai com fé. - Vá com Deus.

Eu vou voltar, viu?

- Dois andares. - Para, Luizinho!

Deve ser brasileira, essa de olho claro aí...

Essa é catarinense, com certeza.

Opa, conterrânea.

Quer me dar uma ajuda aqui num negócio?

Não, rapidinho. É o seguinte.

Você conhece essa moça aqui?

Estou procurando ela. O nome dela é Brenda.

Lá em cima?

Brigadão. Quebrou um galhaço, viu?

Tem uma criança ali, dá uma olhadinha pra mim, tá?

Lá em cima, né?

Tá, obrigado.

Me disseram que ela estava aqui em cima.

Não, é Brenda. Brenda essa aí.

A Brenda está aqui?

Preciso falar com você, Brenda.

É, Brenda!

Brenda... ô, gringo... Gringo!

Sabe o que acontece?

É que a Brenda deixou a filha comigo...

A menina. Meu Deus do Céu a menina... Menina, sai daí, menina.

Sai daí, neném! Como é o nome da menina?

Meu Deus, é nome de passarinho.

Siriema? Avestruz!

Eu já estou todo caiado, senhor. Estou todo caiado. É que a menina tá...

Alguém ajuda lá a menina, gente.

Meu Deus do Céu.

Alguém ajuda aqui, a menina aqui.

Não, mas eu sou do Guarujá. Eu tenho que voltar pro Guarujá, viu.

Eu quero encontrar a mãe da menina,

e entregar ela e voltar, só isso.

E se não encontrar...

Aí, ela vai comigo, né?

Aí, ela vai embora comigo para o Brasil.

Eu não quero ficar em Los Angeles, não. Aqui é muito frio.

Eu estou todo molhado. A menina está toda encharcada aqui.

Tem partes do meu corpo que eu não estou mais sentindo.

Eu acho inclusive que eu perdi. Você pode dar um confere?

Credo! Que grosseiro!

Olha aí, fala português!

Meteu o caô pra mim dizendo que não falava português.

Está vendo? Até ela ficou decepcionada com você, sua mentirosa.

- Essa cagada é toda por sua causa. - Papai...

É, papai. Mentirosa ela, né, filha?

Palhaça.

O nome dela é Emma. Não é Chica, não.

Sim. Emma. Se descobrirem que Emma é americana,

vão tirá-la de você e você vai pro cárcere.

Para onde que eu vou?

Isso aí é universal. Isso aí eu conheço.

- Sabe? - Sei.

Eu posso te dar um bom emprego, de dublê.

Para viver aqui, nos Estados Unidos com tua filha.

- Não, o nome dela é Emma. - Sim, com sua filha.

Minha filha.

Meu Deus do Céu... A mesa toda rabis...

Emma, foi você que rabiscou a parede toda?

Quantas vezes já falei pra você que não quero você rabiscando a parede?

Eu dei um caderno pra você

para você desenhar no seu caderno e não na parede!

Isso não se faz. Olha a bagunça que tá!

Desculpa, o papai não queria brigar com você.

Mas é porque isso não pode fazer.

Você tá sujando tudo. O que você...

É o papai e você aqui?

- No meio do coração? - É.

Minha filha.

Meu amor.

Viu?

Parabéns, filha, parabéns!

Pai?

Por que você tem que vir no banheiro antes de trabalhar?

- Você tem medo? - Não.

Que medo. Nada de medo. Tô aqui, eu tô...

me concentrando.

E o que é se concentrar?

É pensar. Se concentrar é pensar.

E pra se concentrar você usa o cérebro?

Minha filha, pelo amor de Deus.

Eu ouvi o que você tá pensando.

Dá um tempinho pra papai, filhota. Dá?

Juca Valente.

- Bob, inglês não, tá? - Ok.

Estamos todos te esperando. A Emma já foi para o lugar dela.

Tá. Bob, me lembra uma coisa aqui?

Por que eu faço esse trabalho mesmo, hein?

Porque nenhum outro emprego te pagaria 10 mil dólares por dia.

Já entendi, já entendi. Vamos.

Bob, eu sei que esse diretor gosta de fazer as coisas meio a vera.

Então, você diz... Desculpe.

Uma só, tá?

É que ele é meio maluco, esse cara aí.

Fica tranquilo, Juca.

Se ficar batendo não vai ter negócio de queda mesmo.

Olha aqui, uma só, tá? Porque o cara é bruto.

O quê?

Ele está perguntando se você já está pronto.

Fala pra ele que estou.

O quê?

Não, meu nome é Juca. Juca Valente.

Não sabe o meu nome até hoje.

Opa! Tranquilo?

O quê?

O cabloclo aqui é grande, Bob.

Fala pra ele o negócio de uma só, tá?

Tudo bom?

Ele falou "Cut" lá.

É o seguinte. Deixo te explicar. A mão vem aqui.

Mãozinha de chumbo, hein?

Aqui na frente, assim...

Aí, eu... faço a reação,

A câmera pega e a gente vai feliz pra casa, entendeu?

Entendeu já aqui tudo. Já está tudo combinado...

Não entendeu!

Traduz aqui pra ele! Traduz que ele não está entendendo, não!

Não há queda, ferida ou cabeça dolorida

que impeça o meu amuleto de te trazer de volta à vida.

Não há queda, ferida ou cabeça dolorida

que impeça o meu amuleto de te trazer de volta à vida

E um susto em quem está distraída!

- Pai? - Oi, minha filha?

Quando eu crescer, quero ser igual a você.

- Você quer ser dublê, Emma? - Não.

Eu quero ser imortal.

Meu amor.

Fala, Santiago!

Chegou? Que ótimo. Legal.

Mas já paguei você, já.

Não, você não está lembrado, eu paguei ontem.

Está bom, eu vou pagar. Está aqui. Tá?

Está aqui, Santiago. Pronto.

Tem que parar de comer um pouco desses tacos. Está forte.

Anota lá pra tu não esquecer, viu?

Tá, faz isso então.

- Pai? - Oi, filha.

Esse Sr. Santiago é muito atrapalhado.

Toda vez que você entra pela porta ali, ele cobra a taxa do conserto do elevador.

O melhor é a gente morar no primeiro andar

- e nem usar o elevador, né, Emma? - Exatamente.

Vamos lá.

- Oi, Juca. Tudo bem? - De boa, suave.

- Tudo bem... - Quer ajuda aí com as compras?

Não, obrigada.

- Não precisa? - Não, tranquilo.

Belíssimos melões, hein? Que você comprou. Ela comprou melão.

- E aí? Anda malhando? - Deu para notar, é?

- Eu malho todo dia. - Deu, é.

- E você, está bem? - Mais ou menos.

O que houve?

Você acredita que as molas do meu colchão estouraram de novo?

- De novo? - É.

Vou ter que acabar de ir lá consertar. De novo?

- Então... Você vai? - Vou.

- Você vai? - Vou.

- Você promete? - Prometo.

- Então tá. - Vou lá consertar a mola.

- Tchau. - Vanessa...

- Tchau. - Tchau.

Tchau.

A mola...

- Pai? - Oi?

O colchão dela está sempre quebrado?

Não seria melhor se ela comprasse um novo?

Bora?

- Pai? - Oi?

Vamos brincar?

Vamos brincar!

Eu sou seu pai!

Eu lhe imploro, me perdoe!

É melhor ir de caminhão mesmo.

Vem cá, moça.

O papai cansou.

- Vamos tomar banho? - Sim.

"Yes!"

Eita, vai.

Mas agora sou eu. Lá vou eu.

Mandei muito longe.

Eu tô fazendo com muita força, vai.

Errei de novo. Espera que agora eu vou acertar.

- É cesta! - Não é, não!

Você não está mandando bem. Vai indo aí que o papai já vem.

Vai!

- Deixa eu ver aqui... - Pai?

- Oi? - É a sua vez.

Tá, já estou indo, já. Vou só olhar as coisas aqui. Tá?

Nossa, conta...

Outra conta...

Quanta conta tem aqui, gente. É muita conta pra pagar...

Não acredito. Emma.

- O quê? - Aqui.

- Carta da mamãe? - É.

E cuspe no papai.

"Querida Emma, continuo muito ocupada salvando o mundo.

Só por causa disso é que ainda não fui te ver.

É que quando eu estava a caminho de Los Angeles,

um mascarado supermisterioso vestido de morcego,

me pediu ajuda para distribuir hambúrgueres e pipoca

pra vítimas de um deslizamento de terra lá em Gotham City."

Pai, eu aposto que esse mascarado era o Batman.

Com certeza, eu não tenho a menor dúvida disso, minha filha.

Continua aí. O que a sua mãe tá falando?

"Depois, fui chamada para uma missão lá na China.

É para evitar a extinção dos ursinhos panda que ainda existem lá.

O que aconteceu foi que uma mamãe panda

se apaixonou por um urso polar bem mais jovem que ela.

A danada fugiu com ele pro Ártico deixando os filhinhos para trás.

Então, eu tive que amamentar os ursinhos abandonados,

tive que lutar com os lobos para salvar os coitadinhos."

Poxa, pai. Por que mamãe urso não voltou para cuidar dos filhinhos?

Ela não teve mais vontade?

Não, o que é isso, minha filha. Nada a ver. Imagina.

Ela não voltou porque...

alguma coisa muito séria deve ter acontecido.

Tá.

"Enquanto eu dava mamadeira, pensei muito em você.

Sinto tanto a sua falta, minha filhinha.

O único consolo que tenho é saber que você está com o seu pai,

Que é o mais amoroso, inteligente, valente,

e acima de tudo, o mais bonito do mundo."

A tua mãe é exagerada. Ela é sempre assim, exagerada.

"Você tem que se orgulhar muito do seu pai,

porque ele é o melhor homem que existe."

Continua, continua. Tem mais coisa aí, eu acho.

"P.S.: Diz a ele pra continuar ajudando a vizinhança

com as molas do colchão

e que Deus há de lhe recompensar um dia.

Amo você. Mamãe."

Minha filha.

Pai?

Amanhã tem médico, viu?

Não quero ir, não, filha. Médico só sabe dar remédio pra gente,

no final, vem com uma injeçãozona desse tamanho.

Você tem medo de injeção.

Eu não tenho medo de nada. É que não gosto que vejam o meu bumbum. É isso.

Mas pra mim você tem muito medo.

Você sempre combina de eu ir junto com você.

Eu gosto da sua companhia.

Mas pai, você tem que aprender a ir sozinho.

Senão, como vai ser quando a gente não estiver mais junto?

Por que você está falando isso, minha filha?

Porque quando eu crescer, vou pra faculdade

e a gente não vai ficar o tempo todo junto.

É.

Filhota!

- Divirta-se muito, viu? - Está bom, pai.

- Te amo. - Eu também te amo.

- Oi. - Que "Hi", Xavier?

Você é mexicano, falando “Hi”.

Vai lá, "Hi."

- É muito boa essa. - Sr. Valente?

- Sim? - Pode conversar comigo um instante?

Por que a Emma não veio à escola ontem?

Porque ela foi comigo assistir a filmagem.

Ela adora ir para o set, sabe?

E anteontem?

É que eu marquei uma partida de quadribol lá em casa, aí já viu, né?

- Partida de quê? - Quadribol.

A senhora não assiste Harry Potter, não?

Sr. Valente, a Emma não leva uma vida normal.

Ela tem problemas porque vive num mundo de fantasia.

Mas qual é o problema da Emma?

Eu sei que o senhor é um bom pai

e faz tudo para ver a Emma feliz.

Mas, às vezes, o senhor exagera.

O senhor está tentando compensá-la pela falta da mãe?

- Ai! - Pronto.

Viu, papai? Não doeu nada.

Por isso que eu gosto, sabe do quê? De trazer você comigo, meu amor.

Para eu perder o medo.

Toma conta desse teimoso aí, Emma!

Não deixa ele esquecer de tomar todos os remédios, ok?

Mas e as minhas vitaminas?

Está vendo, Juca? Tem que aprender com a Emma.

Aposto que ela nunca esquece de tomar as vitaminas dela, não é?

Não esquece mesmo, né, filha?

Olha só, baixei um jogo novo de montar palavras no meu iPad.

Acho que você vai adorar. Quer ver?

Por que você não vai jogar lá fora, enquanto eu converso com seu pai?

- Está bom. - Beijo, filha.

Juca...

infelizmente...

o tratamento não deu resultado.

Quanto tempo?

Pouco.

Sinto muito, Juca.

Oi.

- Oi! - Oi.

Você sabe o que o médico me receitou?

Mais injeção?

- Pai? - Oi?

- A minha cabeça está girando. - Então é melhor a gente ir embora.

- Eu estou superbem. - Não, não. Não precisa.

Só estou com um pouquinho de vontade de vomitar.

- Mas estou bem, vai passar. - Tá bem, né? Eu também estou superbem.

É porque eu sou corajoso pra essas coisas de montanha-russa.

Eu sou super... corajoso.

Tá. Tudo bem.

Está com casaco igual. Aí, confundiu. Entendeu?

O que foi, filhota?

Queria tanto que minha mãe estivesse aqui.

Meus amigos da escola falam que ela é igual Papai Noel.

Barriguda e barbuda?

Não.

Invisível.

Se ela me ama tanto, por que ela nunca tem tempo para vir me ver?

Minha filha...

Dá licença, dá licença.

Rapaz, você? Mais um filho que eu já soube.

Esse é da Tailândia, né? Esse cara não para.

Ele não faz uma cena de ação. Eu que tenho que fazer tudo para ele.

Bob, eu estava precisando levar um papo contigo.

Eu sei que você é um cara ocupado à beça,

mas você tinha que me ajudar num negócio, será que é possível?

Então, é o seguinte...

Eu queria que você me ajudasse a arrumar uma mãe pra ela, entendeu?

A gente chama umas meninas, elas fazem um teste...

E a que se sair melhor, eu apresento como se fosse a mãe da Emma...

Então, o que você achou da minha ideia?

É a ideia mais estúpida que já ouvi na minha vida.

Não faz por mim, não. Faz pela Emma.

Não!

- Fala português? - Sim, sou brasileira.

Olha.

O perfil esquerdo, por favor.

Agora, o direito.

- O que você acha? - Pegava fácil.

Emma, minha filha...

Sou eu... Brenda!

A sua mãe.

- Ok. - É.

A menina não pode ter medo da mãe.

Essa aí deu um certo medinho. Eu até perdi a vontade de pegar.

Eu não gosto dessa pessoa que exagera na atuação.

Tá bem.

Você é louco?

Quer que eu diga para minha filha que ela morreu na guerra?

Não posso. A Emma tem que conhecer a mãe.

Número 3.

George.

Próximo!

Nossa, quantas contas que eu tenho aqui... Aqui, aqui, Emma.

Carta da tua mãe.

Toma, filha.

Vai lá, vai.

Sim?

Juca Valente?

Ele, fala.

Sou a mãe da Emma.

Sim, sim.

Você é a atriz que quer fazer o papel de mãe da minha filha, né?

"Querida Emma,

Estou escrevendo de dentro de um submarino nuclear.

Estamos fazendo um estudo para limpar os oceanos.

A sujeira afeta o clima, a poluição afeta o ar.

Temos que impedir que as pessoas e indústrias continuem a destruir tudo.

Esse descaso com a natureza está prejudicando os animais.

É que eu...

Eu não sei o que falar.

Eu já falei pra você que não vai rolar nada, né?

Não adianta ficar com esse papinho,

"A gente vai se ver, tomar um negócio, parari parará."

- O quê, Juca? - Não.

- Sou eu! Brenda Weston. - Não vou passar você na frente da fila.

- Sou mesmo a mãe da sua filha. - Tem outras candidatas,

a coisa aqui é séria, não é uma brincadeira.

Nós estamos falando da mãe da minha filha, tá?

"Depois dessa tarefa,

vou finalmente te encontrar.

Prometo que dessa vez, filha, não vai ter pinguim,

baleia ou tsunami que me impeça de te ver.

Te amo. Mamãe."

Aliás, você é a candidata 3 ou 7?

O número do quê, Juca? Sou eu, Brenda Weston.

Sou mesmo a mãe da sua filha.

Pai! Pai!

A mamãe tá vindo. A mamãe tá vindo. Ela vai vir, pai!

- Ela vai vir! Ela vai vir! - Ela vai vir, a sua mãe, é.

Eu vou poder abraçar, eu vou poder beijar.

Eu vou poder fazer tudo com a mamãe.

Vai, sim.

Eu vou perguntar se ela deu carinho para os pinguins.

Se dentro do submarino tinha garagem.

O que ela fez com o submarino?

- Não sei. - Como será que faz a limpeza, pai?

O papai não sabe.

Estou muito feliz!

É ela?

Acho que não é, não.

Não, minha filha, essa não é a sua mãe, não. Pode acreditar.

Emma?

Mamãe?

Você está linda!

Olha como você cresceu!

Não chora, não.

O meu animal favorito é o dinossauro.

- Pai, eu quero ver o urso polar. - Vamos.

Eu adoro cangurus.

Pai, me compra aquele pinguim ali?

Toma, minha filha. Vai lá, compra.

Traz o troco para o papai, igual eu ensinei.

Vai.

A Emma sabe?

Que você abandonou ela?

Não, achei melhor não contar.

Ela pensa que a gente se casou, depois se divorciou

e aí, você teve que ir embora por causa do trabalho.

Como você encontrou a gente, hein?

Eu investiguei.

Trabalho agora para Newman, Newman, Newman e Newman.

Newman, Newm...

O que é isso?

Um escritório de advogados com sede em Nova York.

Foi embora do nada. Agora voltou do nada.

O que você quer da gente, hein?

Pra começar, conhecer a minha filha.

E pra terminar?

Ela é uma menina incrível.

Você fez um bom trabalho, Juca Valente.

Obrigado.

Eu estava preocupado de te decepcionar.

Que bom que você gostou.

- Que lindo! - O pinguim!

- Que lindo. - É muito lindo. Obrigado, amor.

Mas, mãe, os ursinhos panda ficaram sabendo

que a mamãe panda fugiu com o urso polar pra ficar com ele?

Minha filha. Pra que que alguém iria falar uma coisa horrorosa dessas

- para uma criança? - É, claro.

É, mas a Branca de Neve fugiu com o príncipe

e todos os anões ficaram sabendo.

Não, meu amor, é que é diferente. É o seguinte:

os anões não são crianças, são adultos que não cresceram.

Baixinhos, né?

- Os adultos, às vezes, são tão esquisitos. - Muito esquisitos.

Mas, mãe, você que conhece o Batman,

por que ele usa cueca por cima da calça?

Filha, faz uma gentileza pro papai?

Por que você não vai procurar a esponja marinha?

- Pra gente chegar em casa tomar banho... - Ótima ideia!

É isso aí. Vai lá, vai lá.

Eu conheço o Batman?

Depois eu te explico esse negócio.

Quanto tempo você pretende ficar, hein?

Não sei.

Depende, né?

- Oi, amor... - Oi.

- Olha aqui. - Olha!

Veio só pra te ver. Viu?

Que lindo.

Gostou?

Mãe, eu adorei o aquário.

O aquário foi muito legal.

E aí, a esponja marinha não é parecida com o Bob Esponja.

Porque ela não é quadrada.

Mãe, sabe que só agora que eu descobri que o Patrick é uma estrela-do-mar?

Mãe, vamos brincar de pular prédio?

Emma...

Todos esses brinquedos são seus?

Sim. E do meu pai, né?

Não parece nada com a sua casa de solteiro no Guarujá.

Guarujá?

Você teve missões no Guarujá?

Missões?

Missões, é. As suas missões, Brenda.

Pra salvar o mundo...

E libertar os povos.

- Que bom. - Eu guardei todas as suas cartas.

Minhas cartas?

Cartas contando as suas missões

Sim, aquelas que vinham em envelopes muito coloridos.

Tá tudo lá no meu quarto. Vem, eu vou te mostrar.

Vamos.

Quando você ajudou a procurar o Nemo...

Quando você foi numa missão com o Batman pra consertar a pirâmide do México.

E quando você ajudou a libertar os marcianos do rei malvado.

Eu escrevia bastante, né?

Uma vez por semana, pelo menos.

E também estive em todos esses lugares.

Na África, na Antártica.

Na Lua.

Pois é.

Ela apagou de repente.

No meio da frase.

É assim desde bebê.

Parece que tiraram da tomada, sabe?

Por que você não disse a verdade pra ela, Juca?

Eu pensei em dizer.

Mas achei que não seria politicamente correto...

falar que a mãe abandonou a menininha...

quando ela tinha só um aninho de idade.

Você cuidou muito bem dela, Juca.

Ela é uma menina feliz.

Um doce.

Ainda não sei como pude...

abandoná-la.

E você?

Sente falta do Guarujá?

Muita.

Muita falta.

Brenda...

Por que você voltou, hein?

Eu já disse.

Precisava muito conhecer Emma.

- Você fez isso por você, né? Não por ela. - Não, Juca.

Mas também agora que a conheci é diferente, né?

Sabe que...

às vezes, até penso que a gente poderia ter sido uma família, sabia?

- É. - Ela pensa que a gente é divorciado?

Isso é tão comum.

- É. Muito comum. - Não?

Eu queria falar uma coisa pra você.

Eu...

Eu moro com uma pessoa lá em Nova York.

E se você não se importar...

essa pessoa vem conhecer Emma.

Olha, você pode dormir na minha cama.

Eu preparei lá para você.

Vou dormir aqui na sala.

Obrigada, Juca.

Eu não estou fazendo por você, não, viu?

Eu sei.

Minha mãe!

Minha mãe.

Não.

Ainda bem que eu não falei, sabe?

Eu pensei bem sobre o assunto e...

achei melhor não falar nada, não.

Não quero que ela sinta pena.

Nada.

Pra mim era só a mulher que abandonou a Emma.

Azar o dela, né?

Sorte a minha.

O meu pai tem mais cabelo.

O meu pai tem menos barba.

O meu pai é mais... mais...

mais...

Mais brasileiro.

Que maneiro!

Ela é a Renee, a minha companheira.

- E aí, maneiro. - Mãe...

Ela é o seu namorado?

Filha, filha, deixa eu te explicar.

Lembra daquele livro que a gente leu

que falava dos vários tipos de família que existem?

Então...

A... o...

é dos vários tipos de família. Né?

É isso aí.

Então o seu pai é dublê?

Pai, ela está perguntando o que você faz como dublê?

Tudo. As parada todinha.

Pai, ela está falando que você é muito valente.

Eu sou.

- Valente. - Não me diga.

Pai, amanhã a gente pode levar a Renee e a mamãe no set

pra elas verem como você é corajoso?

- Pode. Pode, vamos lá. - Eu adoraria.

O diretor me perguntou se papai podia pular quatro ônibus.

Eu logo disse que ele pulava seis ônibus com fogo.

- Né, não? - Pai?

- Mas não entende nada... - Oi, filha.

Eu estava conversando um papo sério com as moças aqui do coiso.

- E aí? - É...

Assim...

- Preciso te falar uma coisa. - Fala.

Você vai pular seis ônibus.

Eu vou pular... Não.

- Sim. - Não, senhora.

Vou pular quatro ônibus. Foi o que eu combinei desde o início.

- Mas... - Não, seis é muito arriscado.

- Posso cair fora da área de segurança... - Mas...

Não é assim que a coisa funciona, tá, minha filha?

- Papai! - Oi?

Mas o cachê é de...

20 mil dólares.

- 20 mil dólares? - É.

Vintão?

- Mas você... - É o seguinte: mais um.

- Diz para ele que pode botar mais um. - Mais um?

- Aí, eu pulo. - Tá, mais um, mais um.

Que dois fica difícil pra mim.

Pai...

É muita coisa. É arriscado. Mais um eu vou.

- Bota um que eu vou. - Está bom, mais um.

Fala pra ele que um...

Tu entendeu a lógica. Vai, senão se bota os seis aí...

Aí pode dar uma zoeira tremenda aqui, né?

Vou dar uma alongada.

Estou pronto.

E ainda faturei um videogame.

O quê?

Mas...

É muito, muito longe para pular, não é?

Mas o meu pai é o dublê mais corajoso do mundo.

Um dia, ele vai me levar para pular lá do alto.

Tá, tá tudo bem.

Obrigado. Que negócio é esse.

Mania de beijo. Que negócio de beijo que esse cara tem, rapaz?

Esquisitinho, hein?

- Vou botar aqui o negócio. Só um instante. - Põe, põe.

O povo em casa nem vê essas coisas.

O pessoal nem repara né,

que aí tem que...

Cadê os óculos aqui pra a minha segurança?

Não posso fazer sem os óculos de segurança aqui.

Vai que vem um bicho na minha cara.

Aqui na gringa é cheio de bicho voando.

Não pode matar os bichos também aqui.

Botar os óculos aqui, porque dá para ter segurança.

Agora, estou protegido.

Tudo aqui, ó.

Te benzo, te cruzo. Te benzo, te cruzo. Da cabeça pro rabo. Te benzo, te cruzo.

Pera aí que tem um negócio de fogo. Pera aí...

Ninguém combinou fogo comigo.

Estão botando fogo lá!

Entrou mais um ônibus lá. Entrou mais um busão na...

Espera aí, parou, parou. Corta esse negócio aí.

O que que a Emma falou pra vocês lá?

Parece que Emma nos enganou.

Ela disse que você concordaria em pular os seis ônibus e o fogo.

Não, mas eu vou pular.

- Vai? - Vou. Eu estou interpretando.

Isso aqui não é filme? A gente não tem que interpretar?

Estou botando um pouco de emoção. É claro que eu vou.

- Eu falei pra ela. - Ok.

O papai vai pular.

O papai vai pular.

Não precisa ficar preocupada.

Eu sempre trago ele de volta.

Não há queda, ferida ou cabeça dolorida

que impeça o meu amuleto de te trazer de volta à vida.

Não há queda, ferida ou cabeça dolorida

que impeça o meu amuleto de te trazer de volta à vida.

E susto em quem está distraída!

É aí!

Isso...

Juca, o que é isso de não tem cabeça dolorida?

A brincadeirinha do ritual?

É uma coisa minha e da Emma, sabe?

Eu finjo que morro e ela vai lá e... me ressuscita.

Você já pensou que um dia essa brincadeira poderia virar realidade?

Quem iria tomar conta da Emma?

Você não tem família, Juca.

Seu trabalho é muito perigoso.

É com esse trabalho que eu dou a vida que a minha filha merece.

Ok?

Aliás,

você não acha que mima a Emma um pouquinho demais?

Isso não é da tua conta, você não tem o direito de se meter.

Tenho, sim.

Eu sou a mãe.

Jura que você é a mãe dela?

Acho que você perdeu esse título

no dia em que você abandonou ela comigo e nunca mais apareceu.

Deixa eu te falar uma coisa.

Não pensa que essa sua visitinha

vai mudar alguma coisa, tá legal?

Nós vamos ser uma família, Emma.

Só que vai ser uma família um pouquinho diferente.

Tá?

Eu e a Renee vamos continuar morando em Nova York

e vamos te visitar sempre.

E você pode ir pra lá nas férias...

Quando você quiser.

Tá? Se seu pai deixar, né?

Mas você não vai continuar viajando pelo mundo ajudando e salvando as pessoas?

Emma...

Emma, eu nunca fui à Lua, filha.

Nem conheci o Batman.

Nem o Papa Francisco.

Nem salvei os ursinhos panda.

Teu pai, ele...

Ele contou tudo isso pra você...

porque quando você era uma bebê,

eu deixei você com ele e tive que ir embora, mas...

Você mentiu pra mim?

- Não... - Não, não. Não, meu amor.

Ele contou tudo isso, porque ele...

- Ele... - Eu...

Não queria que você esquecesse a sua mãe.

Que deixasse de gostar dela.

Mas isso já passou.

Tá? E agora eu queria muito...

muito...

fazer parte da sua vida.

Eu te amo, meu amor.

Eu não vou deixar nunca mais você.

É...

eu aqui e você lá em Nova York?

Não, meu amor.

Nós vamos nos encontrar sempre.

Dá um abraço.

Vai logo.

Senão, você vai perder o voo.

Fica bem, meu amor. Sim?

Mãe!

Espera!

- O que é isso? - Mentiroso. Você é mentiroso. Sai.

Não sou, minha filha. O que você está falando pra mim?

Você é um mentiroso, pai.

Não fala uma coisa dessa do seu pai!

Olha, presta atenção.

O que aconteceu, minha filha... Eu estava... Para.

Não! Então, o que são todas essas fotos? Todas as cartas?

Que minha mãe era uma super-heroína.

- Não, Emma, não fala isso. - Sim.

Não rasga as fotos que seu pai lhe deu.

Seu pai ama muito você, minha filha.

Eu não quero mais te ver.

- Vamos conversar, filha. - Não!

Sai do meu quarto!

Mentiroso!

Eu não te amo mais!

Eita.

Só um instantinho, Santiago. Já volto.

Sou eu.

Obrigado você.

Não estou entendendo nada aqui, Santiago.

Brenda.

Por que você está fazendo isso comigo?

Juca, Juca...

Brenda.

Juca, você vai ter que arrumar um emprego de baixo risco.

Por que você está fazendo isso comigo, Brenda?

Juca, a gente não deve se falar até o julgamento. Ok?

Por que você quer tirar minha filha de mim?

Eu nunca te impedi de ver a Emma.

Você precisa me dar uma resposta, por quê?

Porque ela não pode morar com um homem que se arrisca o tempo todo.

Que pode morrer de uma hora para outra.

Qualquer pessoa pode morrer de uma hora para outra.

Eu sou o pai dela.

Por favor, me diz a verdade.

Pelo amor de Deus.

Há duas semanas atrás você foi embora dizendo: “Tchau, a gente se vê nas férias”

E agora isso? Você volta do nada e quer tirar a minha filha.

- Por quê, Brenda? - Porque eu me apaixonei pela Emma.

Porque não vou ficar com ela só duas semanas por ano.

Ela vai ficar bem melhor comigo, Juca.

Porque Emma é a minha filha também.

- Filha. - O quê?

Você tem vontade de morar com a tua mãe?

Oi, Juca. Tudo bom?

Tudo indo.

É uma ordem do juiz.

Está em inglês.

Fala que enquanto o julgamento durar,

eu tenho o direito de passar três tardes por semana com ela.

Olha aqui...

Oi, meu amor.

Filhota, ó...

Vai com a sua mãe.

- Depois a gente se encontra. - Tá bom.

Tá? Beijo.

Como foi o seu dia? Me conta.

Preciso que me arrume um emprego tranquilo e sem perigo, entendeu?

Um emprego para poder impressionar o juiz lá.

Por que simplesmente não conta a verdade?

Nenhum juiz tiraria a Emma de você se contasse a verdade.

Não. Qualquer coisa menos isso.

Preciso de um emprego, é...

que não seja ligado ao cinema.

Alguma coisa que eu não corra risco de vida, Bob, só isso.

Olha esse.

Esse.

- Esse eu adorei. - Esse.

CASAS DAS CELEBRIDADES

Opa.

Você está precisando de um médico, é isso?

Não tá bem? Deu ruim em alguma coisa aí no senhor.

Tá sozinho em casa? Não tem enfermeira?

O Bob Gomes não falou pro senhor que eu vim aqui pro negócio?

É Juca.

Não. Junkie, não. Juca.

Eu vou, eu vou lá. Vou trocar de roupa

pra que eu possa começar o negócio aí.

O senhor devia também trocar a bateria.

O senhor não tá bem, não. Tá acabando. O senhor tá com um tracinho só.

Sabe quando já começa dá aquelas piscadas, já não entra os aplicativos?

Acho que de hoje o senhor não passa, viu? O senhor tá já com a senha 01.

Só evite abrir a geladeira no escuro porque vem aquela luz lá de dentro,

o espírito segue achando que é para seguir a luz.

Se o senhor quiser botar a música desse grupo pra tocar, eu curto muito.

Americano é um bicho bobo demais. É só ligar o vermelho no preto.

Ficou boa?

Que linda!

- Eu adorei essa roupa! - Filha, está muito linda.

Seu Coisa.

Seu Coisa, sai com o carro não, Seu Coisa!

Seu Coisa, estou aqui embaixo!

Seu Coisa. Meu Deus do Céu!

Seu Coisa!

Meu Deus!

Achei esse livro uma coisa.

Gostou? Ficou com bolo de chocolate nos dentes.

Ele devia andar com a enfermeira, eu acho que ele não vai durar muito, não.

Eu, inclusive...

larguei o meu emprego por causa da minha filha

Eu não sei se sou um bom pai...

Realmente, eu não sei.

O que eu sei...

é que quando ela está comigo...

eu tento fazer ela muito feliz.

Fala a verdade.

Eu só queria falar mais uma coisa.

Não é justo...

uma mãe entregar um filho para um pai...

Deixar que ele se apegue...

se apaixone por ela...

E, depois de sete anos...

voltar...

Dizendo que se arrependeu...

e que quer ela de volta.

Não é justo.

Não é.

Não é.

Só isso, Meritíssimo.

Claro.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Vai, pai, de novo.

Eu já fiz, Emma.

É sério, pai, bora aprender inglês.

"The book is on the table."

Tá bom. "The book is on the table."

"The book...

is on the table."

Um minutinho. Peraí.

Emma, como fala “entra” em inglês?

"Between".

Tá.

E aí?

O que é que foi? Está com uma cara.

É a Brenda.

Ela pediu um teste de paternidade.

Não quer ir lá embaixo pagar o táxi?

Claro.

Eu espero lá embaixo, tá?

Toma, pai.

Pra você sempre se lembrar de mim.

É... a cara da gente.

Eu nunca vou esquecer de você, minha filha.

Nunca.

Pai, eu não quero ir embora.

Eu quero ficar com você pro resto da minha vida, pai.

Eu também não quero que você vá embora, minha filha.

Tem que dar um jeito, pai, eu não posso ir embora.

Juca?

Juca?

Não acredito.

Agora vou bater o recorde.

Brincadeira que não acaba nunca, hein, Luizinho?

Luizinho...

olha quem voltou.

Meu amigo! Que saudade!

Olha quem tá aqui, filha, aqui.

- Meu amigo! - Meu Deus! Luizinho!

- Meire! - Eu não acredito!

- Oi, vô! - Tudo bem?

- Nossa, que saudade que eu estava de você. - Olha aqui. Olha aqui.

- Linda, né? - Emma, como você tá linda.

Dá um beijo, vai.

E o meu beijo? Cadê o bebê, maluco?

- É que... - Luizinho...

Não mudou nada, né?

Quer um pequenino "fish"? "Fish"?

- É pimenta isso daí! - Não, Emma.

Agora me conta. Moto King do filme?

- Ah, moleque! Ah! - É, sim.

Mas o Moto King é corajoso. Seu pai é o maior cagão.

É valente só no nome. Você sabe, né?

Esse aí não trocava nem lâmpada, com medo de altura.

- Isso é mentira! - É.

Ele faz tudo que os atores famosos não têm coragem de fazer.

Isso aí, minha filha. Na verdade, eu nunca fui medroso.

Eu era cauteloso, né? É diferente de ser medroso.

Mas, por você...

eu enfrentei o mundo.

Que lindo!

Eu também não tenho medo, não. Medo, medo assim, não.

- Tenho medo da morte, né? - É.

Por que quando você morre, você deixa de existir.

- É verdade. - É muito louco. Você deixa de existir.

- É. - Agora, existe em outro plano.

- Tem outro plano. - Quantos filmes que você fez?

- É o além-mundo. Uma terra de ninguém. - O além-mundo.

Você sabe, você deixa essa parte física, corpo, tudo aqui,

e sai perambulando e a alma vai.

- A alma vai. - É!

- Então, Meire, o que acontece... - Além do Moto King, qual outro filme...?

Michael Jackson foi, todos nós... Você sabe que você vai um dia, né?

Mas uma coisa, Luizinho,

às vezes, mesmo quando a gente morre,

a gente continua vivendo.

Sabe onde?

Aqui, olha.

No coração de quem amava a gente.

Ela leva o maior jeito com a...

Esse tempo que eu vivi com a Emma me ensinou muitas coisas.

Que sete anos podem valer tanto quanto 70, 700 anos.

Que a felicidade vem de onde menos se espera.

Que 50 reais pro táxi podem ser o nosso melhor investimento.

Às vezes, a gente surpreende a gente, né,

com uma dessas coisas assim que... que a gente não entende.

Pouco tempo depois de chegar a Los Angeles,

o exame de rotina revelou que a Emma tinha um defeitinho no coração.

Fizemos tudo que podíamos, mas o médico me explicou

que não tinha cura, nem explicação.

Que um dia, quando eu menos esperasse,

como se fosse, sei lá, um casulo de borboleta,

aquele defeitinho ia crescer e se desenvolver

e deixar a Emma em coma.

Simplesmente ela ia dormir pra sempre.

A previsão dele acabou sendo realidade.

Emma foi embora depois de viver as duas semanas mais felizes da sua vida.

Com todos nós juntos, como uma família.

E o que eu disse pra ela é a mais pura verdade.

Ela segue viva, sempre, comigo, no meu coração.

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